Episódio #568 - Inverno
João Luiz de Almeida
Lucas Negri
Rafael Upanambi
Antônio Augusto Ferreira
Carlos Omar Vilela Gomes
Chiru Antunes
Christian Camargo
Edilberto Bergamo
Erlon Péricles
Frederico Rangel
Gibão Estrasabosco
João de Barro
José Fernando González
Luiz Carlos Borges
Paulo Poleza Schuller
João Fontoura
- Safra de inverno no RSTradições gaúchas · Música regional · Culinária de inverno · Semana Farroupilha · Símbolos do Rio Grande do Sul
- Tradicionalismo GaúchoVestimentas tradicionais · Diferença entre poncho e pala · Cultura campeira · Música campeira
- Receita de Espinhaço de OvelhaTúlio Uraque · Culinária gaúcha
- Música GaúchaArte Crioula · Coplas de Assoviar Solito · Romance del Chamamé · Vida Gineta
- Indústria MusicalCésar Oliveira e Rogério Melo · Melhor dupla regional · O Campo
- Preparação para o invernoVulnerabilidade social · Doenças respiratórias · Prejuízos na agricultura
- Promoções e PatrocíniosVision Uniformes · Linha Campeira · Blue Soldas
Antes de iniciar a prosa deste Campeiro Ritual, vale um registro formal: Dom Hélio Berga Pareia, Pablo Soldas, é o esteio de apoio cultural. Este homem é de Rosário, e o inverno por lá é bruto, nesta região que é reduto do minuano altaneiro, nessa pampa onde o fronteiro é senhor absoluto. Mas vamos falar de inverno Que ao campeiro não derrota, de poncho, chapéu e bota vai cumprir o seu fadário, pois o frio é necessário pra adoçar as vergamota.
É tempo de lagartiar num solzito de invernia, logo depois do meio-dia descascando umas laranja, o vento alvoroça a franja e a faca tem serventia. Nessa estação em que a iguada já fica de pelo grosso e o coelho esquenta o pescoço com a canhagua lá abaixo, mas não pra ficar borracho, só pra equilibrar os ossos. É tempo de amilhar os pingo pras festas da gauchada. Setembro é data sagrada pro desfile farroupilha e apresentar a tropilha com sebo na arrinhonada.
Mas não é só a cavalhada que dá serviço pros dente. Cê carece uns nutrientes pra aguentar ali da campeira. Só umas boias engordadeiras que o frio judia o vivente. Um feijãozito bem gordo, uma mandioca na costela, uma polenta com moela ou rabada com batata. Banho à vontade não mata, só lubrifica a goela. Convém pegar no serviço pra gastar as energia, que nesses meses de invernia engraxemos guardanapo e uma cintura de sapo vai nos fazer companhia.
Tem geada e vento andino, mas o poncho é cobertor pra um aconchego de amor e não melar lixiguana que um campeiro Não se engana, nem passa aperto ou rigor.
Apoio cultural: Vision Uniformes, do seu jeito. Acesse visionuniformes.com.br.
Buenas, meus amigos! Aqui é Rafael Upanambi. Buenas a toda gauchada que estamos sempre fazendo esse Costado Flor de Especial e nos ajudando a levar adiante nossa rica tradição, sempre compartilhando informação relacionada ao folclore gaúcho para divulgar nossa cultura e os valores que nos identificam. Buenas a vocês, gurizada da volta, Lucas e Morango, que hoje me ajudam numa repassada em uma edição lá de junho de 2008. Quando o Bragualismo e Leonel atracavam, deixa o crismo puro, né, tchê?
Com muita gana para mostrar na época para região de Blumenau um pouco da história e muita música essencialmente regional.
Um atracão, gurizada!
Buenas, Panambi! Buenas, Morango! E mesmo que o Leonel e o Bragas estejam de folga, deixo aqui o meu saludo para eles também, que devem estar ligadito no Linha Campeira revivendo as emoções e o momento vivenciado lá em 2008. Aqui quem vos fala é Lucas Negri, e conforme o Panambi comentou, vamos reprisar uma edição cujo tema foi o inverno. E nada mais apropriado para o momento, porque o frio chegou com força e com vontade. O inverno sulino se apresenta em sua essência: frio, chuva, serração, umidade.
Esses tempos não são fáceis, mas vamos se virando do jeito que dá sempre no costado do fogão a lenha ou de uma lareira, e não frouxam um tento pra trás.
Buenas, gurizada da Volta, e um buenas mais que especial ao povo que tá na escuta. E falando em escuta, quero mandar aqui um saludo para os pais do meu orientando de TCC, o Paulo Poleza Schuller. Tive o prazer de conhecer os pais do Paulo na banca de TCC dele nessa semana, e aí fiquei sabendo que o Evandro, pai do Paulo, é audiência confirmada todos os domingos aqui na Volta do Linha Campeira. Então quero mandar um saludo especial ao Evandro Schuller e a Raquel Poleza, que são os pais do Paulo, deixando também aqui um abraço mais que especial e um parabéns para esse meu orientando querido que fez um belíssimo TCC.
Paulo é um espetáculo de guri, educadíssimo, dedicado e muito envolvido com os estudos durante toda a faculdade, e agora se consagrou com um baita trabalho. E já temos um convite aqui, gurizada, para se juntar num mosquedo no galpão que tá se formando lá na casa deles. Ai, vamos ter que alinhar, né, chefe? Bom, já que estamos agarrados para mais uma lida dessas de fundamento, vamos atracar um lote de marca e depois apresentamos essa nossa prosa louca de especial com o Leonel e Bragas. Vamos que vamos! Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.
Primeiro mate espumando, jujado a casca de molho, e a labareda brincando, prendendo a atenção dos olhos. Um pito recém-fechado, madrugada do meu jeito, fumaceando figueirilha pra espantar males do peito. Caiu mais uma geada, mas a A lida nunca para e o pelo todo arrepiado do colorado malacara. Embuçado tá na aura que o galo cantou bem cedo. Não escolhemos serviço e disso não temo medo. Pra geada, bala de lã, pra chuva, poncho e chapéu.
Cê tem que fazer, eu faço, que plata não cair do céu. É tempo de aparição e a lida me dá motivo de topar as invernias de pé calçado no estribo. Pra geada, falar velã, pra chuva, poncho e chapéu. Cê tem que fazer, eu faço, que plata não cai do céu. É tempo de aparição e a lida me dá motivo E topar as invernias de pé calçado no estribo. E vamos topando mais um inverno, meu irmão velho. E voando pra geada, paladela, e pra chuva, poncho e chapéu.
A geada branqueia o campo e madura as Ali da cobra seu preço, mas levamo a bico de bota. O pasto virado em gelo, os dedos não mais se sente. O frio congela a campanha e corta a alma da gente. Me resta a figueirilha pras quietudes do galpão, tocar um tanto de lida e não flochar o garrão. Sou feito lenha de mato, cascudo e grosso de cerno, forjado pelo serviço nesses rigores do inverno. Pra geada, paladelã, pra chuva, poncho e chapéu.
Cê tem que fazer, eu faço, que plata não cai do céu. É tempo de aparição e a lida me dá motivo. Eu tô parazinho invernias de pé calçado no estribo. Pra geada falar de lã, pra chuva poncho e chapéu. Cê tem que fazer, eu faço, que plata não cai do céu. É tempo de aparição e a lida me dá motivo de topar as invernias de pé calçado no estribo, de topar as invernias de pé calçado De pé calçado no estribo, dentro para as enfermias, de pé calçado no estribo.
Cantador o João de Barro, sobre o moirão da porteira. Depois da semana inteira de garoa e aguaceiro, encharcou poncho, sombrero, aperos em invernadas, lavando o suor das manadas aos olhos deste campeiro.
Busquei a rima no tempo enquanto o sol matrereia, que vem judiando as maneias, o laço e o tirador. Feito um bagual sentado, que não se avança por nada, cardando a crina embarrada num palanque costeado. Cardando a crina embarrada num palanque costeado. Este meu verso de barro marcou de caspa a poesia, e na alvorada do dia travou os detalhes Respingando sem demora, quando aquei na porteira, saio junto às barrigueiras pra recorrer campo afora. Saio junto às barrigueiras pra recorrer campo afora.
E quando ilotei a tropa Nestas estrofes inquietas, marcas da mescla completa de terra, água e trabalho, o tranco, o tranco do meu cavalo todo sujo de querência faz história em reticências, soltando nacos de barro.
E o barreiro segue firme, sempre atento no serviço, cantando o seu compromisso no rancho que incha pro céu, enquanto nalgum trovéu no passador do banhado Cruza um campeiro emponchado com barro até no chapéu. Cruza um campeiro emponchado com barro até no chapéu. O verso que ainda canta na hora da desensilha, desapresilha as rodilhas depois de algum atropelo, deixando um rastro sinuoso embarrado no Falando do meu tordilho, mudando a cor do seu pelo.
Este meu verso devago, marco de casco à poesia. Inaugurada do dia, travou Rosetta de escora, respingando sem demora. Quando o aquei na porteira, saiu junto às barrigueiras pra recorrer.
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Meu verso veste seu poncho para enfrentar madrugadas temporais de chuva e vento que nunca chegam do nada. Meu verso, por bem campeiro, conhece as voltas do céu. E pros dias de tormenta, poncho de napa e chapéu. Meu verso veste seu poncho em dias duros de geada, pra não congelar a rima caso encontre Encarangada, meu verso veste seu poncho com medo de se molhar. Mas se sair emponchado, vai chover noutro lugar. E caso sequem açudes e algumas sangas daqui, que outro verso vista poncho e venha a chover.
Poder aqui. Quem sabe meu verso um dia que se arme um tempo feio, pra que não corra com a chuva, leve seu poncho no arreio, leve seu poncho no arreio. Meu verso veste seu poncho em dias duros, pra não congelar a rima, caso encontre encarangada. Meu verso veste seu poncho com medo de se molhar, mas se sair empunchado vai chover noutro lugar. E caso seque em açude, se algumas cinzas da De outro verso, vista poncho e venha chover aqui.
Quem sabe meu verso um dia adiciar-me o tempo feio. Pra que não corra com a chuva, leve seu poncho no arreio. Leve seu poncho no arreio.
Em Taço Seco, em Açúcar, E algumas sangas daqui.
Quem outro verso vista poncho, quem venha chover aqui. Quem sabe meu verso um dia, que se ai o tempo feio, pra que não corra com a chuva, leve seu poncho no arreio, leve seu poncho no arreio.
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Um vento forte me reboja o pensamento, desquina um tento pra não ter o que pensar. Atira os sonhos no banhado do potreiro e a noite grande vem me pôr a guitarrilhar. Traço caminhos pra seguir no outro dia e a alma ensilha novos fletes a domar. Nas invernadas que se perdem na distância, mato essas ânsias extraviadas no cantar. Fogões me agradam no clarim das inverneiras, almas campeiras que povoam o galpão. São sonhos chucros mesclados com miroano, que esse aragano há muito tempo já domou.
Fogões me agradam e clarindas de veraneiras, almas campeiras que povoam o galpão. São sonhos chucros mesclados com miroano, que esse aragano há muito tempo já domou. Esse aragano há muito tempo já domou. Lá fora a vida se desmancha em chuva fria, acordando tropas buscando se acomodar. Um quero-quero se anuncia na coxia e saem rimas de saudade a recordar. Negra parceira que o fogão te viu ausente e até o poente te perdeu do teu rosto.
Repasso rimas de fogões inverneiras, almas campeiras que me põem a guitarear. Fogões me agradam no Clarim das Inverneiras, almas campeiras que povoam o galpão. São sonhos chucros mesclados com miroano, esse aragano há muito tempo já domou. Fogões me agradam no Clarim das Inverneiras, almas campeiras que povoam o galpão. São sonhos chucros mesclados com miroano, esse aragano há muito tempo já domou. Esse aragão há muito tempo já dobou, esse aragão há muito tempo já dobou.
Amanhecer luguno separa cabuloso, o céu todo nublado, tempito rigoroso.
No potreiro das casas, a lagoa congelada, na costa do mato se renova a geada.
Vou peixando frio, poncho esvoaçando no mourito ruído, solito recrutando. Vou peixando frio, minuando, assoviando, arrepia as tardes campo afora lidando. Arrepia as tardes campo afora lidando.
Vou peixando frio, recorrendo Ouvimos Peixando o Frio, de João Luiz de Almeida e Pedro Terra, interpretado pelo João Luiz de Almeida, Pedro Terra e Grupo Trinca. Teve também Quadras Que Vestem Poncho, de Felipe Lisboa e Christian Camargo, interpretado pelo Ricardo Berga. Verso de Barro, de Rafael Ferreira e Marcelo Mendes, interpretado pelo Mauro Silva. E a primeira, Nesses Rigores de Inverno, de Guto González, Frederico Rangel e Mateus Ribeiro, interpretado por Os Ribeiros.
Bueno, gurizada, como de costume nessas reapresentações das edições antigas do Campeira, atracamos essas marcas antes porque a prosa do Bragas e Leonel na época tinha apenas 1 hora e 30 minutos. Para fechar as 2 horas de hoje, precisamos escutar umas marcas atual. Bueno, tá na hora de escutar agora essa prosa que o Bragas e o Leonel largaram no passado. E essa prosa é de um inverno lá pelos idos de 2008. Hoje vamos reapresentar o episódio que tem o número 35 dessa primeira fase do Linha Campeira.
Mas conforme o tema, o inverno também se faz presente com força já naquela época.
Vamos escutar e recordar.
As laranjas fica doce só depois da primeira geada, e para tratar da eguada é milho e estrevaria. Que nem bem clareia o dia e larguemos para campeirar Muito bom dia, companheirada!
E que versos! As laranjas só ficam doces depois da primeira geada, então. Muito bom dia para essa gurizada que nos faz um costado aqui no Linha Campeira, e um buenas fronteiro para ti, meu amigo Luiz de Bragas, parceiro dessa tropeada de todos os domingos pelos caminhos da tradição.
Muito bom dia, Leonel! Muito bom dia, gauchada! O programa de hoje tá mais lindo que de amostra. E não é só as laranjas, as vergamotas também ficam doces depois da primeira geada. E que coisa mais gaúcha, o louco encher os bolsos de vergamota e sair tentando um solzinho para dar uma lagartixada depois do almoço.
E já tá falando em boia, te mandei bem com o MC, mas tomar uns matos, tá louco! Mas Bragas, hoje o programa tá caprichado, mas a gente tem que largar um monte de música, música campeira de fundamento, para esquentar mais esta manhã de domingo. Então vamos já atendendo o pedido. Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.
Destapou a imagem do pago, sempre quisendo uma tropa. Num corredor aramado, esses que cortam rincões, acascumarcam as razões que povoam o campo aberto.
Quando aparto o que é certo das mentirosas visões, na riqueza do meu mundo Deis fora a ponte e arrei-o.
Sei o que um pingo de freio pode ou não pode fazer.
O amor de um bem querer faz sumo início pra vida.
Bate depois da lida, nas cismas do entardecer.
Da invernada do lagoão até o potreiro das casas. Pouco mais de meia quadra de varze atrevo em cochilhas.
Grama buena de forquilha nativa das Seis Marias e um vento que arrepia o pelo da minha tordilha. Da invernada do laguão até o potreiro das casas, pouco mais de meia quadra de várzea, trevo e coxilha. Grama buena de forquilha nativa das Seis Marias e um vento que arrepia o pelo da minha tordilha.
Os laços que vertem braças e abraçam aspas e mãos, a firmeza no garrão e a certeza no serviço. E talvez seja por isso que a pampam de estampada num retrato da invernada na É este o meu ofício, num fundão de finemundo, bordado a cova de touro. Trabalho enruga o couro na volta brava do dia, o berro da gadaria reponta um resto de inverno. O terrorinho amor materno da vaca lambendo a cria, da invernada do lagoão até o potreiro das casas.
Pouco mais de meia quadra de várzea, trevo e coxilha, grama buena de forquilha nativa das Seis Marias, e um ventito que arrepia o pelo da minha tordia. Da invernada do lagão até o potreiro das casas, pouco mais de meia quadra de várzea, trevo e coxilha, grama buena de forquilha nativa das Seis Marias, e um Bendito que arrepia o pelo da minha tordilha, o pelo da minha tordilha, o pelo da minha tordilha.
Teriam sido os encantos dessa índia missioneira, mescla de santa e guerreira, anfitriã e ancestral. Teria sido a Cruz Alta, pousada Cada das águas claras, acolhendo criaturas vindas de outras molduras, campos de tropa e nervar. Há lugar em que se volta apenas por ser caminho de alguém retornando ao ninho no qual um dia partiu. Outros que são referência dão rumos ao coração. Pois que alma não esquece mãos de cacimba e deprece pra quem topeia no estilo.
Quem sabe Deus permitisse que a inspiração andaria, encravasse na coxilha essa fonte Guarani. Para o Galdério ceder, cansado de tanta lida, beber da água e da vida e nunca mais sair.
Daqui.
Para o Galdério sedento, cansado de tanta lida, beber da água e da vida e nunca mais sair daqui. Cruz Alta, pouso de tropa. Cruz Alta, terra da gente. Cruz Alta, retrato vivo, nosso futuro presente. Cruz Alta, pouso de tropa. Cruzar o da terra da gente. Há lugar em que se volta apenas por ser caminho de alguém retornando ao ninho do qual um dia partiu. Outros que são referência dão rumos ao coração, pois que alma não esquece mãos de cacimba e deprece pra quem tropeia no caminho?
Quem sabe Deus permitisse que a inspiração andarilha encravasse na coxilha essa fonte Guarani para o Galdério sedento, cansado de tanta lida, beber da água e da vida e nunca mais sair daqui. Para o Galdério sedento, cansado de tanta lida, Beber da água e da vida e nunca mais sair daqui.
Beber da água e da vida e nunca mais sair daqui.
Beber da água e da vida e nunca mais sair daqui.
Cruz Alta, pouso de tropa. Cruz Alta, terra da gente. Cruz Alta, retrato vivo. Nosso futuro presente, pro sal da pouso de tropa, pro sal da terra da gente.
Uma lágrima encheu os rios da face do bisavô ao visitar o seu passado. Entre lembranças dissipadas pelo tempo, iguais retratos que envelhecem desbotados.
E na cacimba de água clara das retinas se refletiu aquele tempo que se foi, do povo índio defendendo a sua terra. Terra, até os tropeiros das canções do Eraboi. Falou de escravos derramando suor e sangue cerca às mangueiras, levantando em pedras louras, de mãos rurais antes de lanças e garruchas pelos galpões, firmando o pulso nas tesouras, cordas sovadas pelas mãos de homens campeiros, cimbrando golpes nos nos templos rituais, as Nazarenas nos garrões dos domadores e as bolhadeiras em mundéus para os baguais.
E através do espelho da alma pude ver que o ancestral e o campo sentem a mesma dor, feito uma tropa que se vai gastando sem nem saber o que há no fim do corredor. Mirando largo o horizonte dos meus olhos, senti o campo maltratado em sua essência. Falsos herdeiros reclamando a velha terra sem nem notícia das origens ou querências.
E viu que os homens continuam sendo escravos, que há fios de arame no lugar de pedras mouras, que mãos ociosas erguem foices e bandeiras, enquanto isso enferrujam-se as tesouras. Viu os arreios ensilhando cavaletes, sobéus e laços sem espaço para os Que sem garrões as Nazarenas silenciaram e as boiadeiras se esqueceram dos cavalos. E através do espelho da alma pode ver que a tropa anda em mais comprido é o corredor e que o campo, embora guapo, se ressente e sem querer segue sofrendo a mesma dor. A mesma dor, a mesma dor.
Amigo velho, já ouviste falar na Blue Soldas? Ela tem toda a linha de abrasivos, eletrodos, máquinas de solda, broca, machos, fresas, material de segurança, pistola de solda e muito mais. Aparece para tomar um mate na Benjamin Constant, 2187. O telefone é 3334-5600. O mate novo e cara alegre para receber os amigos é sempre na Blue Soldas.
Ouvimos Retrato de Pampa Invernada do Anomar Danúbio Vieira e do Marcelo Caminha, com o César Oliveira e Rogério Melo.
Depois, Mistérios da Panelinha, do Jorge Nicola Prado e do Alexandre Takahama, na voz do Ataualpe Maicá.
Encerrando o bloco, Quando uma Lágrima Se Fez Espelho na Alma, do Adriano Alves, Osmar Proença e Marcelo Oliveira, com o Marcelo Oliveira.
Ai, que música, Bragas! E nesse princípio de inverno, a endiada já começa a dar boia para a reguada, se preparando para a Semana farroupilha, que é só em setembro, né, gente?
É verdade. Como disseste nos teus versos, é milho e estrevaria para fazer bonito no desfile. Mas o Linha Campeira já tem notícia da Semana Farroupilha, não é, Leonel?
É verdade, temos mesmo. Recebemos um chasque do Duca Duarte, ele que é o baixista do Pirisca e que teve aqui em Blumenau também. Ele tá louco de fazer, dizendo que a música dele com letra do Sílvio Genro, interpretação do Cristiano Quevedo foi vencedora do concurso que escolheu a melhor música para o tema da Semana Farroupilha desse ano.
Ah, gurizada! E lembrando que todo ano a Prefeitura Municipal de Porto Alegre lança esse concurso onde escolhe um tema sobre qual os músicos têm que criar uma canção. E o tema desse ano foi Nossos Símbolos, Nosso Orgulho, buscando valorizar os símbolos oficiais do Rio Grande do Sul.
Mas não foi só os símbolos oficiais Né, Bragas? A bandeira, o hino, as armas, a planta erva-mate, a ave quero-quero, a flor brinco-de-princesa, o cavalo crioulo, a planta medicinal a marcela, as bebidas como chimarrão e o prato típico como churrasco. Tudo isso pode ser abordado nos temas.
É, Leonel, mas outras simbologias também, como o galpão de estância, a chama crioula e o monumento do laçador, também tá se atracavam valendo.
E os homens se atracaram valendo e saiu uma música muito linda, Orgulho de um Povo é o nome dela, que foi escolhida para representar a Semana Farroupilha, que tem uma simbologia muito forte para nós.
Aí que eu me refiro! Mas então, que tal trazer de primeira mão aqui no Linha Campeira essa obra musical?
Mas é para já, porque aqui o tranco é mais gaúcho. Linha O teu companheiro de churrasco.
Eu sinto orgulho desse sotaque sulino, dum povo que canta o hino com respeito e devoção, dessa bandeira, amado pano sagrado, do mapa do nosso estado em forma de coração. Eu tenho orgulho das nossas rodas de mate e da paz que se reparte nesses gesto de oferenda, da cor alegre de um brinco de princesa, flor que enfeita com beleza as tranças de nossas prendas. Eu sinto orgulho do etouro, centauros no trono de seus cavalos preservando as tradições.
Eu tenho orgulho dessa alma farroupilha, chama crioula que brilha que brilha no sacrário dos galpões. Eu sinto orgulho do entorno dos centauros no trono de seus cavalos, preservando as tradições.
Eu tenho orgulho dessa alma farroupilha, chama crioula que brilha no sacrário dos galpões.
Eu sinto orgulho desse meu sangue farrapo, brasão de armas dos guapos que nos traz tanta emoção, dessa heroica bravura dos quero-queros feitos caudilhos austeros defendendo nosso chão. Eu tenho orgulho dum churrasquito nas brasas, corjona pedindo vaza e aga usada com dente. Eu sinto orgulho dessa fé que se revela num simples de Marcela curando os males da gente. Eu sinto orgulho do entorno dos centauros no trono de seus cavalos preservando as tradições.
Eu tenho orgulho dessa alma farroupilha, chama crioula que brilha no sacrário dos galgos.
Eu tenho orgulho do etouro dos centauros no trono de seus cavalos preservando as tradições.
Eu tenho orgulho dessa alma farroupilha, chama crioula que brilha no sacrário dos galpões.
Eu tenho orgulho dessa alma farroupilha, chama crioula que brilha no sacrário dos galpões.
Uma milonga passou. A batigola, pra ser cantada a vida inteira, tem que ser flor de canteira como um laço. A batigola tem que falar de cavalos, de tombos e gauchadas, rodeios nas madrugadas contraponteando com galos, saudades da cesta boa no galpão onde eu me insiro, meu pingo quebrando Pelas tardes pegarou a milonga flor de cantera, de canto de pelo a pelo, se cada verso é um sinuelo pra outro que vem de atrás. Milonga flor de cantera, de canto de pelo a pelo, se cada verso é um sinuelo pra outro que vem de atrás.
De fazer o ensílio lindo, esse potro colorado, pois quando estou bem montado até o dia fica mais lindo. Cavalo de cor corveia, conheço meter o freio, não tiro pra os meus arreios. Se for mesquinho da orelha, eu posso ser feio assim, mas quando ensilho meu moro, falta a janela do povo pras moças olharem pra mim. Milonga, flor de cantera, te canto de pelo a pelo. Se cada verso é um sinuelo pra outro que vem de atrás, milonga, flor de cantera, De canto, de pelo a pelo, se cada verso é um sinuelo, pra outro que vem de atrás.
Conheço parada feia. Mas peguei um malacara, se nega estrigo, dispara, e se não nega corcoveia. Outro que anda gaviolando, eu ferro porteira fora. Me agrada de vez em quando dar comida pras esporas. Tem um lobuno mimoso e atacado das ideias, disparou com a minha sogra, nem os corvos acharam Minonga flor de campeira, te canto de pelo a pelo, se cada verso é um sinuelo pra outro que vem de atrás. Minonga flor de campeira, te canto de pelo a pelo, se cada verso é um sinuelo pra outro que vem de atrás.
Uma boineta tapeada, uma prosa arrastando as garras, uma paz que É madrinha, uma baita vidinha e um chibu nas brasas. É a luz picanhando, o dom, dom do bom do meu camperiar. É o sul encharcando os olhos no colo dos troços do meu milonguear. É a vida guasqueando, apartando o refugo, metendo o cavalo. É a saudade ajeitando um peçuelo, uns arreios com cusco do lado. É uma penca de amigos gritando cupim, compondo a jornada. É uma réstia de sonhos debaixo do poncho, com a alma embalada.
É uma instância lindeira, uma rima grunheira, fronteira ao que faço. Eu matei, bueno distribuo, uma palavra de tiro, um verso manso debaixo. É o tempo cortando léguas, tomando o ego, enchendo a boca de pasto de um coração mato-rengo metido a sebo com a poesia nos vastos. De Uruguaiana, Santana, um fiambrecito nos tentos, um verso de fundamento e uma milonga campeira. De Uruguaiana, Santana, um fiambrezito nos dentes, um verso de fundamento numa milonga campeira.
Uma bonita tapeada, uma prosa arrastando as garras, uma paz que é madrinha, uma baita vidinha e um chivo nas brasas. É a luz picaneando, dou um tom do bom do meu camperiara, é o Enxergando os olhos no colo dos troços do meu milomiar. É uma estância lindeira, uma rima grungeira, fronteira. O que faço é um matigueno de estribo, uma palavra de tigre, um verso manso de baixo. É o tempo cortando léguas, tomando égua, enchendo a boca de pasto de um coração mato-rengo metido a sebo.
Poesia nos pastos. De Uruguaiana, Santana, um fiambrezito nos tentos, um verso de fundamento e uma milonga campeira. De Uruguaiana, Santana, um fiambrezito nos tentos, um verso de fundamento e uma milonga campeira. Um fiambrezito nos tentos, um verso de fundamento, uma milonga campeira. Um fiambrezito nos tentos, um verso de fundamento, uma milonga campeira.
Amigo velho, já ouviste falar na Blue Soul?
Ela tem toda a linha de abrasivos, eletrodos, máquinas de solda, brocas, machos, fresas, material de segurança, pistola de solda e muito mais. Aparece para tomar um mate na Benjamin Constante, 2187. O telefone é 3334-5600. O mate novo e cara alegre para receber os amigos é sempre na Blue Soldas. Ouvimos Orgulho de um Povo, do Sílvio Genro e do Duca Duarte, na voz do Cristiano Quevedo.
Em seguida, Flor de Campeira, do Antônio Augusto Ferreira e do Mauro Ferreira, com o João de Almeida Neto.
E que música Flor de Campeira! Depois, De Uruguaiana a Santana, do Mauro Moraes com o Mauro Moraes.
Pois é, Leonel, mas que tal abrir a parte cultural do programa pra falar o significado de alguns termos que usamos no cotidiano e que alguns ficam olhando meio de soslaio sem entender direito o que significa?
Boa ideia! E eu tenho alguns aqui preparados, mas aproveito que tá entrando o inverno e aí pela serra tem feito uns friozitos de melar lixiguana pra tu me explicar o que que significa melar lixiguana.
Hahaha, mas é Pra já, tu quer uma explicação científica ou popular?
Pá, não começa a enrolar, explica logo, tu sabe o que é ou não sabe?
Mas credo, melar lixiguana significa passar frio, pois lixiguana é uma espécie de abelha ou marimbondo selvagem que no verão o enxame prepara o mel, que é a comida para os meses mais frios. Aí vem o termo, pois o mel só fica pronto para ser tirado bem no meio do inverno. E quem quiser se servir tem que enfrentar ou geada ou um minuano velho daqueles bem baglau.
Tá louco, isso é melar um pouco, né, tchê? Bragas, mas agora te lavaste mesmo. Achei que tu ia dar um discurso daqueles de político que não dizem nada. Meus parabéns, tchê.
E tem outro termo que já é falado até em outros pagos: quando uma noite de julho ou agosto a endiada apela pra um cobertor de cobertor de orelha.
Ah, mas essa tu deixa para mim, cobertor de orelha comigo. E para aquele mais desavisado que não sabe, uma companhia para esquentar os pelegos numa noite fria ou numa cestiadita daquelas castelhanas, hein, Braga?
Mas que tal a gente tomar uns mates para esquentar o peito enquanto ouvimos umas músicas bem no estilo para esquentar a alma aqui no Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.
Começamos com Andarilho do Luiz Marenco.
Abro a porteira e me aparto do campo verde estancieiro, só pra estender meu baixeiro no capão dos corredores. Sou destes que os cantadores batizaram nas guitarras, no peito dum malacara, vivo empurrando horizontes. Minha Bíblia é um mar de inferno, sempre esparro numa China.
E a imagem que me domina é um parador de rodeio. Já tive um rancho, senhores, e tardes de primavera onde eu lavava erva sentindo o cheiro das flores.
Sou ponto vivo e consciente na instância real das estradas, vivo tomando as mágoas de um passado inconveniente.
Nas horas das rondas claras, o pensamento é tortilho e eu recorro cada estrela.
Recostado no lombilho, meus olhos horizontais pintam quadro em campo alheio.
Cada porteira é um anseio pra um calmo descer em ciliar.
Talvez um dia eu encontre um olhar destes morenos, sem baldas e nem venenos, e aqui me ponha a cantar, a cantar, a cantar.
Há cantar, há cantar.
Eu passeio o mês inteiro lá nos campos do patrão, levando um saco de tirão com os potros da fazenda. Hoje não há quem me prenda, vou sair bailando fofinho, vou campear uma morena. Morena que adoce minhas pernas e me dê afago e carinho. Vou campear uma morena que adoce minhas pernas e me dê afago e carinho. Hoje eu vou desatar o nó e vou ansiar o mocotó. Na bailanta do Lenzina, chega de campo e galpão, vou entregar meu coração.
Pros carinhos de uma China. E hoje eu vou desatar o nó e balancear o mocotó na bailanta do Lencina. Chega de campo e galpão, vou entregar meu coração pros carinhos de uma China. Me apaixonei de novo! Não me importa o tempo feio, sangue bravo não me ataca. Leva uns cobre na goiaca, pragas d'águas querendona. É no choro da acordeona que nesse meu peito vago o coração se emociona e se entrega pras gaviotas lindas, morocha do pago, o coração se emociona.
E se entrega pras gaviotas, lindas morochas do pago. Hoje eu vou desatar o nó e balançar o mocotó na bailanta do Lencina. Chega de campo e galpão, vou entregar meu coração pros carinhos de uma China. E hoje eu vou desatar o nó e balançar o mocotó na Vai lenta, adolescina, chega de campo e galpão, vou entregar meu coração pros carinhos de uma China.
Tanta coisa que se passa, uma conversa para cera, uma costura bem feita, ponteando uma corda achada, um truco bem orelhado para os ressábios de um embebedo, e a bendição da caixa caça na volta de algum bicho.
A poeira das invernadas que vem nas patas dos bois, a voz antiga do avô na sombra dessas gamadas. É no palanque cravado que a alma da coronilha estira a alma de um potro bem antes de uma rendilha. Estira a alma de um potro bem antes de uma rendilha. É na soldada do gado e se impacienta meu moro, aliviando a porteira nos causos de algum estouro. Tanta milonga que vem ao repensar minha raça. Ao reencontrar meu sinuelo junto ao fogão e a fumaça.
É na sondada do gado que se impacienta meu moro, aliviando a porteira pros causos de algum estouro. Tanta milonga que vem ao Ao repensar minha raça, ao reencontrar meus sinuelos junto ao fogão e a fumaça.
Às vezes alguma estrela lacrimejando um recuerdo recria a copa perdida que eu esqueci em mim. Mesmo, ou alegria tamanha nos olhos do meu oveiro que espicha a alma de berro no cadre junto aos arreios.
Tristeza que eu assumo, sempre assumi bem chujada, deixo no mais que se renda aos feitiços da guitarra entre o galpão e a mangueira. A vida é bugra e feitiça e retempera os aprontes pras investidas da lida. E retempera os aprontes pras investidas da lida. É na soltada do gado que se impacienta meu morro, aliviando a porteira Pros causos de algum estouro. Tanta milonga que vem ao repensar minha raça, ao reencontrar meus sinuelos junto ao fogão e a fumaça.
É na soltada do gado que se impacienta meu morro. Aliviando a porteira nos causos de algum estouro. Tanta milonga que vem ao repensar minha raça, ao reencontrar meu sinuelo junto ao fogão e a fumaça.
Ouvimos Andarilho, do Chiru Antunes e do Luiz Marenco, com o Luiz Marenco.
Depois, Na Bailanta do Lencina, do João Fontoura e do Joca Martins, com o João Fontoura.
Finalizando o bloco, Entre o Galpão e a Mangueira, do Chiru Antunes e do Rogério Melo, com o Joca Martins e o Rogério Rogério Melo.
Essa música que é da primeira nevada da canção. Bragas, mas no inverno apetece aquele vinhozinho e se atracar numas boia bem campeira, né, tchê?
Ah, louco! E não é de balde que tu tá nesse estadão de amassar as paragatas, só pensa em boia.
Mas quem falando? E ainda bem que o programa é de rádio, porque se fosse TV tu não ia caber numa tela plana com essa graxa de socar as molas da Kombi.
Mano, tu sabe que quando o índio velho, em vez de se defender e argumentar, começa a revidar, é porque já tá aceitando a estampa.
Barbaridade!
Já deu para perceber que desde aquele tempo o povo envolvido com apresentação do programa já andava se toreando. Mas vamos abrir cancha para o nosso cusco intervalo, que já anda meio rengo com tanta friagem aqui volta. É um upa e logo voltamos com mais Linha Campeira. Estamos apresentando Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco. Apoio cultural Vision Uniformes, do seu jeito. Acesse visionuniformes.com.br. O Linha Campeira possui uma plataforma completa para a sua marca, produto ou serviço seu serviço se aproximar do seu público.
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E tamo de volta, hein, Jada!
E conforme o Morango já comentou, o Leonel e o Braga Zé Tchê não perdiam a oportunidade de se cutucar, o que desde aquele tempo transforma a nossa prosa no momento de descontração e leveza, né, tio? A prosa, né, tio? Porque alguns dos apresentadores aqui pela rota estão entrando na moda da tal cintura de sapo. Deus o livre! Deve ser para armazenar energia e caloria, né, tio? Para aguentar o inverno que vem parando o rodeio. E não só pela região sul, diz que até lá pelo Mato Grosso já tem gente usando, já pôs, né, tio? Deus o livre!
Pois é, É, Panambi, e a gente aqui pelo sul tem essa oportunidade de vivenciar as 4 estações em sua total amplitude. E às vezes a gente vivencia as 4 estações no mesmo dia, mas o inverno é quase sempre a mais severa, porque além de judiar das pessoas que não têm abrigo, ainda aumenta a possibilidade de doenças respiratórias, sem falar do bicharedo também sofre com as baixas temperaturas. É o famoso rengar cusco. Mas isso a gente tá falando também dos outros animais, né, como por exemplo os animais do campo: bois, vacas, cavalos, ovelhas, principalmente filhotes, né, as criações que às vezes até podem morrer congeladas, né, por serem muito pequenos.
Quando uma vaca vai parir ou quando uma ovelha reparir, se não cuidar, ela acabar parindo no campo, pode morrer devido às baixas temperaturas. Além do mais que o campo padece por conta da geada, que queima as pastagens, e aí o produtor rural sempre tem prejuízos. Mas o pior de tudo é que quem mais sofre são os pequenos produtores e as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social.
É bem isso mesmo, Lucas, velho. O inverno rigoroso afeta a saúde, a alimentação e também a disposição da camada social com menor poder aquisitivo. Por isso vale a pena também a gente participar e contribuir com as campanhas de agasalho, coleta de mantimentos e tudo mais, né? Pelo menos pra dar um pouco de conforto pra quem não tem condições de ter um abrigo nessa estação que vem se apresentando cada vez mais severa. Bueno, vamos continuar então escutando voltando esse episódio do Linha Campeira lá daqueles tempos idos de 2008, onde o Leonel vai passar uma receita de espinhaço de ovelha com vinho vinátil, é claro.
Vamos escutar.
Mas tudo bem, vamos voltar ao assunto da boia, que esse agrada todo mundo.
É verdade. E no inverno, uma comidinha bem liviana sempre apetece, tipo uma costela com mandioca, uma rabada, uma carnezita de porco com batatados, ou então uma feijoada, um matambre, um ensopado de espinhaço de ovelha.
Ah, e pera aí, eu sei que tu é um especialista nessa receita, hein, Leonel? Quem sabe faz que nem aquelas comadres que se encontram e vão logo dizendo: mas comadre, eu tenho que lhe passar uma receita daqui, ó.
Mas credo, e um espinhaço de ovelha no vinho é a minha especialidade. Eu aprendi com do meu amigo Túlio Uraque, ele que fazia esse prato lá na Cuxilha de Cruz Alto. E é bem simples, tu pega um espinhaço e dá uma fritada bem gaúcha e faz uma base no fundo da panela. Depois tu larga uma camada de batata ou de mandioca, isso a gosto do freguês. Depois uma camada de cebola, outra de tomate, sal a gosto, e é só deixar cozinhando.
Que, mas pera aí, o nome do prato não era espinhaço espinhaço de ovelha com vinho?
Cadê o vinho, louco? Calma, tio, o vinho tu vai tomando bem devagarinho.
E como é que tu sabe que o espinhaço tá pronto?
Aí que vem o segredo: quando começar a subir um calorão nas orelhas do bicho velho e tu ficar no vermelhão, é porque a boia tá pronta.
Te larguei para as cobras, Leonel. Depois dessa receita, temos que largar uma música do Túlio Uraque, o homem que te ensinou essa receita, que aqui é o Campeira, o teu companheiro de espinhaço.
Puros como a cria que a mãe ainda nem lambeu, vasculham na tarde silêncios e sons buscando a harmonia onde a perfeição se escondeu. Ensilham acordes pra voz, campeira como o vento abrindo porteiras pra ver no pasto o coração manso ruminando disperso.
Umbigos encantados brilhantes nutriram-lhes com 3 essências de um dom, paridos em províncias distantes Cruzaram destino, filhos do som, nas raízes da árvore grande. À frente das casas estavam e das razões de ter dom atônitos se perguntavam, quando uma leveza discreta de nuvem amorenou o dia. O guitarrista, o cantador, poeta desafiavam uma inspiração tardia. Dali percebiam apenas um cantar de caliandra, um potro em furor e o vento mesclando serenas, danças de rio.
Com aroma de flor. Quisera Deus semear a beleza do campo na alma do homem, pra ver florescer a virtude com a simplicidade que a arte resume. Clarividência ao poeta, herdara do vento o profeta, de cada estação. Indomáveis patas disparam violentas no alambrado braço do violão. E a voz de quem canta com plumas na alma é por vezes sussurro, por outras trovão.
Furor de patas As nuanças de vento, sussurro e trovão, furor de patas. Nuanças de vento, sussurro e trovão, furor de patas. Nuanças de vento, sussurro e trovão.
Puros como a cria que a mãe ainda nem lameu, vasculham na tarde silêncios e sons buscando a harmonia onde a perfeição se escondeu.
Encilham acordes pra voz, campeira abrindo porteiras pra ver no pasto o coração manso, dominando disperso.
Clarividência ao poeta herdara do vento, profeta de cada estação. Indomáveis patas disparam No alambrado braço do violão. E a voz de quem canta com plumas na alma é por vezes sussurro, por outras trovão.
Um furor de patas, nuanças de vento, sussurro e trovão. Furor de patas, nuanças de vento, sussurro e trovão. Furor de patas, nuanças de vento, sussurro e trovão. Furor de patas, nuanças de vento, sussurro e trovão.
Chama-me cambá, feitiço guarani, este pura gente trouxe até aqui. Almas de pombeiros respirando enchi, sonhos de costeiro, flor del Taraguí. Tíbia tardecita, linda população, teu jeito sereno vendo sol se pôr. E um rio moreno, camalote em flor, são chama-me Veras intenções de amor veio da tua aura, este chama-me pertencente à alma do Imaguaré. E ao cruzar o Rio desfez o quebrante, trouxe Montiel ao velho Rio Grande, trouxe Montiel ao velho Rio Grande.
Bota o mel do campo destas Guainas e mestiças e cunhadas, sapucais guerreiros com gosto de terra, dos cañaverais e nhangapiris. Sapucais guerreiros com gosto de terra, dos cañaverais e nhangapiris. Corriola costeira em roxo pombeiro, sonhos e romances guardado em segredo sob a luz da lua. Suave, os dois olhos negros plantarem saudades. Não chama-me cero, chama-me cambá, mel del coração, flor del taragui. Linda população, gostei a teu grito.
Na gente daqui, canto abençoado pela tua ansia, veio da tua aura este chama-me, pertencente à alma do Imaguaré.
E ao cruzar o rio, desfez quebrante trouxe Montiel ao velho Rio Grande, trouxe Montiel ao velho Rio Grande.
Brota o mel do campo destas anais, moedas e mestiças e cunhadais.
Sapucaís guerreiros com gosto de terra, dos canhaverais e nhangapiri. Sapucaís Con gosto de terra, dos cañaverais e Nhanga feliz.
Llama a Mecambá, exquiso guaraní, este coraje te ha traído hasta aquí.
Almas y maguaré respirando en ti, sueños costeros, flujos del Taragüí.
Passa o beiço no palheiro, no velho isqueiro chamuscou, e o cebro no de repente me dá um coice no cusco. Num pulo você vai para o céu, me leva junto no bastô. Pra cima, bego e buléu, pra baixo matando o pau. Quase me quita as rendas, menos mal vinham atadas, senão ia chutar as garras lá no fundão da invernada. A cuscada sai batendo para espantar os assombros, o palame tá pra cara e o céu me vem pelos ombros. Ai, ai, ai, ai, ai, vida azineda!
Ai, ai, ai, ai, ai, vida azineda! Sonhar com moça bonita nos bailongos e carpetas e acordar com esses reiúno debaixo das Minhas rosetas e acordar com esses reiúnos debaixo das minhas rosetas. E galeta e pago pra pegar garrão é pouco. E mango, ai, manda soltar que tá formado fandango. Ai, manda soltar que tá formado fandango. Quase me saca de riba ao corpear de uma gambeta. As 11 dentes se agarram e abrem charco na paleta. Já que eu venho com a coragem numa cachaça de molho, meto a roseta de ferro lá no buraco do olho.
Cê senta na própria cola, dá um bufido e se boleia, e um quero-quero paixola cê debruça nas orelhas. Abro a perna e saio liso segurando no buçal, e as esporas campo afora deixam o rastro musical. Ai, ai, ai, ai, ai, ai, vida agitada! Ai, ai, ai, ai, ai, ai, vida agitada! Moça bonita, nos bailongos e carpetas, e acordar com esse esveiulo debaixo das minhas rosetas, e acordar com esse esveiulo debaixo das minhas rosetas. E galera, pago para pegar calcanhar.
É bofo e mango, ai, manda soltar que tá formado o fandango. Ai, manda soltar que tá formado o fandango. Ai, manda soltar que tá formado o fandango.
Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, vida gineta. Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai.
Ouvimos Trinca de Reis do Túlio Uraque e do Gibão Estrasabosco com o Ângelo Franco.
Depois, Romance del Chamamé com Jari Teres, essa música que é do Jari Teres mesmo.
Finalizando esse bloco, Vida Gineta do Anomar Nanúbio Vieira e do Elton Saldanha com o Cristiano Quevedo, essa música que o Buenas e para tá usando no seu trabalho, né, Bragas? Mas, Leonel, temos que dar uma notícia que muito nos orgulha e realmente mostra que quando se trabalha com emoção, vontade e humildade, as coisas vão acontecendo e o trabalho é reconhecido. E vou deixar para ti dar essa baita novidade.
Realmente é emocionante! Queremos anunciar que o prêmio TIM é gaúcho. César Oliveira e Rogério Melo conquistaram no 28 de maio o maior prêmio da música nacional na categoria melhor dupla regional com o trabalho O Campo.
Ah, e quantas vezes aqui no Linha Campeira a gente fez questão de elogiar o trabalho desses gaúchos que agora são vencedores do 6º Prêmio TIM de Música Brasileira.
E o César Oliveira já saiu atracando o prêmio TIM gaúcho, e bem gaúcho, é nosso, é do Rio Grande, é de todos nós.
E eu já digo que esse prêmio é realmente de todos nós que cultuamos a tradição, e de todos aqueles que mostram que não existe fronteiras para o camperismo. E nada mais significativo que o campo para representar nossas raízes campeiras.
Tio Braga se empolgou mesmo, até parece que tá com o troféu na mão, mas eu não tenho que te avisar que isso aí é a cuia e tu não me vira o mate?
Me empolguei mesmo, tio. César e Rogério, vocês merecem, e que isso sirva de incentivo para vocês e para todos os que nos regalam com músicas que tocam aqui no Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.
Esta composição eu ofereço para todos os pais desse meu Brasil velho de Deus e para todos os filhos que consideram e respeitam seus pais.
Ouça, meu filho, este pedido que faço. Tu és pequeno, mas é muito inteligente. Nunca te esqueça quem te criou nos meus braços. Que Deus te mostre o caminho para seguir em frente. Se por acaso um dia estiver distante, através do rádio, ó meu pedido, sei lá se nós os dois se reencontrar novamente. Me dê um abraço e não maltrate teu pai. Se nós os dois se reencontrar novamente, me dê um abraço e não maltrate teu pai. Para que seja compreensível o que eu te peço e te aconselho, guri, desde o princípio até o fim, seja um bom filho para mim, para mim ser um bom pai para ti.
Para que honre as tradições, é que eu te peço e te aconselho Desde o princípio até o fim, seja um bom filho para mim, para mim ser um bom pai para ti. Quero que cante, toque, gaipe, escreva adeus em qualquer parte desse mundo, anda em meu É que não troque a bombacha pela bermuda, não use brinco e nem o cabelo amarrado. Quero que goste de rodeio e campeariada, quando crescer siga o caminho do pai. Também não troque o chapéu de aba larga por um abuelo importado do Paraguai.
Também não troque o chapéu de aba larga por um abuelo importado do Paraguai. Pra que seja um homem honrado, é que eu te peço e te aconselho, guri, desde o princípio até o fim, seja um bom filho pra mim, pra mim ser um bom pai pra ti. Pra que não seja um drogado, é que eu te peço e te aconselho, guri, desde o princípio até o fim, seja um bom filho pra mim, pra mim ser um bom pai E para minha filha Nayara, ter compreensão e paciência, simpatia e inteligência, e um grande comportamento.
Quando arranjar um casamento, não pegue um tipo covarde para evitar que mais tarde tenha um grande sofrimento. Para defender os meus filhos, como um palanque eu me finco. Não quero gênero de brinco que eu perco o pé dos estribos, eu perco a calma, me esquivo e a minha filha não padece. Mas isso não acontece enquanto teu pai for vivo.
Meu pai um dia me fazia moço, nem me levando para Imperial, assoviava qualquer coisa doce como se fosse de luz de luar. Aquela copla que não era um hino e era simples e era só sua, ia amansando nosso Linda boca e adoçando duas almas nuas. A copla terna que meu pai trazia não transcendia para alguém mais belo. Era a essência do lugar da arte, ensimesmado no seu próprio centro. Não se achegava ao derredor do fogo, nem vinha junto pro galpão da estância.
Era parceira apenas campo afora, só sem querer me acalentava a infância. Hoje a lo largo na cidade grande, quando vagueio a procurar Por mim, me dou de conta assoviando a esmo e me interrompo sem chegar ao fim. A minha cúpula de assoviar solito, tropeando ruas numa relembrança, é aquela mesma que meu pai trazia. E estranhamente me deixou de herança a cúpula terna que meu pai trazia. Não transcendia para alguém mais ver, era a essência do lugar da arte, ensimesmado no seu próprio ser.
Não se achegava ao Nem vinha junto pro galpão da estância, era parceira apenas campo afora, só sem querer me acalentava a infância. A contraterna que meu pai trazia não transcendia para alguém mais ver. Era a essência do lugar da arte. Plasmado no seu próprio ser. Não se achegava ao derredor do fogo, nem vinha junto pro galpão da estância. Era parceira apenas campo afora, só sem querer me acalentava a infância.
Ouvimos Pedido de Pai para Filho, essa música que é do Baitaca. Maitaca, e que foi ele mesmo que interpretou.
Em seguida, Arte Crioula do Edilberto Bergamo, com Edilberto Bergamo. Essa música que tá no CD chama América.
É isso aí. Depois, Coplas de Assoviar Solito do Luiz Carlos Borges e do José Fernando González, com o Luiz Carlos Borges.
Tchê, Leonel, agora entendeste o que eu sempre te digo sobre essas obras inesquecíveis como Copla de Assoviar Solito? Que música, tio! Esse Luiz Carlos Borges é um mestre mesmo.
E tu tem toda razão, Bragas, entendi mesmo. E eu tava aqui escutando e lembrando de um assunto que sempre gera dúvida: a diferença do poncho e do pala.
Pois é, mas então já vamos esclarecer. O pala é um poncho leve feito em geral material de brim, vicunha ou seda. Tem 4 lados e tem franja nas extremidades. Vem do castelhano palio, que significa capa.
E o poncho é uma espécie de capa de pano de lã, é ovalada ou arredondada. Antigamente era comum ser feito sempre de pano azul e o forro com uma baeta vermelha.
É, e é o agasalho tradicional do gaúcho do campo. Para usar a cavalo, O poncho resguarda o campeiro da chuva e do frio.
Quando o poncho não tá sendo usado, o gaúcho ata nos tentos e carrega na garupa do cavalo. Para isso existe a mala de poncho.
É, e também é usado como arma, pois com ele o gaúcho se protege nas brigas de faca e adaga, enrolando o poncho no braço ou ainda jogando no chão para desequilibrar o adversário.
Que coisa gaúcha! E ele dá origem a várias expressões. Por exemplo, por baixo do poncho, pisar no poncho, poncho com dois colarinhos. Tinha aquela música do Gaúcho da Fronteira, o meu poncho com dois colarinhos pro namoro debaixo dos panos. E tem outras variações além do pala que a gente falou agora.
Isso, Leonel. Por exemplo, poncho bichará, que é um poncho feito de lã bruta como um baxeiro. E também tem o poncho de provisório, que é uma com a capa aberta na frente com botões e casas, com aberturas laterais em sentido vertical para saída dos braços. E esse poncho usado pelos soldados provisórios da gloriosa Brigada Militar na Revolução de 1923.
E o poncho dos pobres, que é o sol. Hahaha, tá agarrado então? Dúvidas esclarecidas? Então vamos ler mais música aqui no Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco, escutaremos Bala da Noite do Carlos Omar Vilela Gomes e do Erlon Péricles com o Pirisca Greco.
A lua é um buraco de bala no bala da noite, roi galete mais que mira do atirador. Ou tava atirando para cima por rabo de saia, ou tava fazendo tocaia pra Nosso Senhor. A bala furou este bala presente do dia, um bala de seda e poesia que a noite vestiu. E a noite coçada de bala ergueu três Marias tentando bolhar de vereda quem lhe agrediu. Já tava armada a peleia bem lá nas Alturas. À noite de pala furado, de raiva tremia. Quem foi o bandido sem alma que só por maldade fez mira no palar à noite, negado do dia?
Mas Deus, já cansado de guerra, pediu uma trégua pra noite que tava tão cega de raiva e de A noite largou Três Marias erguendo cruzeiro e o céu se amansou novamente no sul do Brasil. Num fundo de campo tranquilo, Blau Nunes gritava: foi só um balaço por farra, ninguém se pisou. A noite ainda hoje chuleia apelando vingança. Braun Nunes é lenda e a história Simões não contou. E a noite até hoje bombeia querendo vingança. Braun Nunes é lenda e a história Simões não contou.
Já tava armada a peleja bem lá nas alturas. A noite de bala furado, de raiva atrevia. Quem foi o bandido sem arma que só por maldade fez mira no pala da noite, regalo do dia? Mas Deus, já cansado de guerra, pediu uma trégua pra noite que tava tão cega de raiva e de frio. E a noite largou Três Marias erguendo o Cruzeiro, e o céu se amansou novamente no sul do Brasil. Num fundo de campo tranquilo, Glau Nunes pitava. Foi só No palácio por farra ninguém se pisou.
E a noite ainda hoje bombeia querendo vingança. Blau, Nunes e Helena, e a história Simões não contou. A noite até hoje bombeia querendo vingança. Blau, Nunes e Helena, e a história Simões não contou.
Muitíssimas graças!
Mais ou menos faz um mês que ando abichornado. Foi depois que teve fim um romance entroado. Todo dia penso nela, mas o que mais me inferniza Camisa é o perfume da tipa que ficou na minha camisa.
Vem, Leiteiro!
Nós os dois se conhecemos. Nascemos numa tarde ensolarada, vinha tranquila soviando no tranco da minha gateada. Eu voltava do buliço com erva-cã e canjica e ela tava cocadinha colhendo folha de arnica. Quando bati o zóio nela, deu aquele caladrio, pensei até em disparar fazer um baile a desvio, mas já tava tão pertinho. E eu não fujo nem de briga quando a pira gateada, ui, meteu um frio na barriga. Nunca tinha visto igual, que guria bem bonita, com vestido de alcinha bem verdinho, caturrita.
De chinelinho de tira e umas meias cor-de-rosa. Fiquei meio embaraçado, entre vereda puxei prosa. Fiquei meio embaraçado entre vereda, puxei prosa. Ela ficou bem vermelha, mas disfarçou com o cabelo. Eu ofereci para ela tijolinho, caramelo? Quem sabe? Vamos lá em casa. Tem laranja bergamota? Se tiverem meia azeda, eu tenho pesco em compota, tá? Assim ferremos um romance, botemos aliança nos dedos, fechemos um compromisso debaixo de um arvoredo.
Eu confiei na dura, caí feito mosca tonta. Ela gastou tipo bicho e botou tudo na minha conta. Compra um saco de farinha, cofre bastante farelo, um urinola aluçado, pilha e um par de chinelo, outro punhado de coisas. Em um tom bem debochado, grito assim pro bolicheiro: pintura, Pua, bobado. Coisa mais triste, Patrício, a paixão nos deixa cegos. Ela deitou o cabelo e eu fiquei aqui no prego. Mas de amor eu não morro, nunca mais quero ver ela.
Se a safada aparecer, vou atizar minha cadela. Se a safada aparecer Vou atiçar minha cadela, parece que é pra acabar com o remo da gente.
Cruzando o passo para as casas num fim de tarde para noite, depois de mais um repouso, de trazer boi ao rodeio. Meu lobo não joga o freio, um compasso bem marcado é pingaço bem tomado para um serviço mais feito. Depende arroio cheio quando já olha a carona, quando sem cerro ressona da tropilha rumo a estância e vai sentindo a fragrância da flor campeira lolé. Olhos de campo e de céu, uma tarde de garoa. Para quem se criou no campo, contando uma esperança, traz consigo por herança Uma vida campeira, antes mesmo de clarear nesta constância campeira, vida de campo e bandeira a cada novo ensilhar.
Quando entro na invernada, água acasourada por gente, nuvens pesam no lançante chega firme o meu cavalo, pois este pingo é um regalo de confiança e bem campeiro para topar algum broteiro que sai do mato fechado. Para quem se criou no campo, repontando uma esperança, traz consigo porém esperança, uma vida campeira. Antes mesmo de clarear nesta constância campeira, vida de campo e mangueira a cada novo ensinar. Para quem se criou no campo, reportando uma esperança, traz consigo por Uma vida campeã, antes mesmo de clarear nesta constância campeira.
Lida de campo e mangueira, a cada novo ensilhar. Lida de campo e mangueira, a cada novo ensilhar.
Ouvimos Pala da Noite do Carlos Omar Vilela Gomes e do Erlon Péricles com o Pirisca Greco.
Em seguida, Um Romance Encruado do Marco Antônio Nunes e do Horácio Bittencourt com Horácio Bittencourt.
Depois, No Compasso do Meu Pingo, do Renato Mendes com o Nelson Souza.
É, Leonel, e tamo chegando para mais um final de programa. Uma baita manhã cheia de informação, música campeira e amizade.
Ah, que coisa linda! E quantia de música campeira mesmo! Estiveram aqui os melhores intérpretes da gaúcha e os melhores letristas dessa nossa maior paixão.
Isto mesmo, Luiz Carlos Borges, Pirisca Greco, César Oliveira e Rogério Melo, Luiz Marenco, Marcelo Oliveira, Jari Terres e muito mais.
Falamos dessas boias bem campeiras que são consequência desse frio que tá começando, né?
Ah, e o vinho, né, Leonel, que acompanha essas boias.
Falamos dos vencedores do Prêmio TIM e e também da música tema da Semana Farroupilha de 2008, além de termos falado da diferença do poncho e do pala. Não esqueçam, gurizada, escrevam pra gente. É o Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco. Até domingo que vem, gauchada!
Mas o que que acharam de fundamento esse Linha Campeira? No mais, então, tio, eu vou me despedindo, deixando a todos aqui um abraço velho do tamanho desse universo gaúcho, se agasalhem e não esqueçam do guarda-chuva.
E tá feito, endiada! Depois dessa baita revisitada de 2008, onde o Bragas e o Leonel se puxavam nas apresentações, já vamos ter que se despedir, né, tchê? Eu já vou deixando meu abraço a todos e até semana que vem.
Baita momento, Loquedo! Sempre é bom revisitar essas prosas com esse do Linha Campeira, cernes aqui da nossa prosa. No episódio de hoje escutamos essa prosa sobre inverno, dos idos de 2008. Bom, por hoje é isso. Nos queiram bem, que mal não tem. Semana que vem tamo de volta com mais uma prosa de fundamento aqui no Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.
Poncho amigo inseparável, meu velho poncho de pano, majestoso soberano, embora velho e surrado, és um herói do passado nas lutas contra o minuano. Mostra o céu do meu Rio Grande no teu azul desbotado e o teu forro adorado, o sangue dos farroupilhas derramado nas coxilhas do meu rincão adorado, velho poncho do passado que acaricio e afago. Quando nos ombros te trago, solto ao vento panejando, parece que vou levando a imagem do próprio pago.
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