Episódios de Linha Campeira

Episódio extra: Churrasco

01 de agosto de 20261h57min
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Desta feita a proposta é falar sobre o churrasco, que vai muito além de um prato típico regional... é um ritual que reúne amigos e família, principalmente pra manter um dos costumes que mais identifica o gaúcho. No costado tem o melhor da música gaúcha pra acompanhar o teu churrasco! Desta feita bamo ter que, mais uma vez, reprisar um programa, pois tivemos um problema com o computador de edição e ainda não foi resolvido. Mas para próxima semana se irá se regularizar.
Participantes neste episódio3
L

Leonel Furtado

Host
L

Lucas Negri

Host
R

Rafael Panambê

Host
Assuntos7
  • Rituais e CerimôniasChurrasco como momento de confraternização · Alegria e bem-estar associados ao churrasco · O churrasco como desculpa para reunir amigos
  • A democracia do churrascoChurrasco como ambiente democrático · Variedade de carnes e acompanhamentos assados · Respeito às preferências individuais
  • A cultura do churrasco no Rio Grande do SulRomaria de Biassá · Lagoa dos Patos · Churrasco na fronteira · Tradições gaúchas
  • Música GaúchaMúsica gaúcha como acompanhamento do churrasco · Leonel Gomes · Jorge Sampaio · Santos e Bragantino · Mauro Moraes
  • Gastronomia e churrascoChurrasco uruguaio · Associação Uruguaia de Assadores (AUA) · Mundial de Assadores em Montevidéu · Diferenças culturais no preparo do churrasco
  • Identidade GaúchaOpinião formada e liberdade de expressão · Diferença entre ser 'boca brava' e ter personalidade · Fábio de Almeida
  • Importância da carne vermelhaDebate sobre consumo de carne vermelha · Comparação com carnes brancas e peixes · Evitar fritura em prol de assados · Oportunidades e desafios para nutricionistas em 2026
Transcrição83 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

O churrasco é patrimônio mundialmente apreciado. Não é apenas um assado, é um ritual. Sim senhor, o sal reforça o sabor e o braseiro de respeito. Mas importante é o jeito e as manhas do assador. Linha Campeira. Linha Campeira, o teu Companheiro de Churrasco. Apoio cultural: Vision Uniformes, do seu jeito. Acesse visionuniformes.com.br. Estendo meu saludo a toda essa gauchada que a partir desse momento passa a fazer parte da equipe do Linha Campeira.

Esse ritual de tradição e cultura que busca trazer informações sobre o folclore da nossa gente gaúcha numa prosa bem fundamentada e abordando temas relacionados ao universo campeiro. Desta feita, a proposta é falar sobre o churrasco, que vai muito além de um prato típico regional. É um ritual que reúne amigos e família, principalmente para manter um dos costumes que mais identifica o gaúcho. Mas antes de mais nada, quero cumprimentar esse povo aqui da volta que já estão se aprumando para a lida. Buenas, gurizada!

?Voz B

Buenas, gauchada ligada no Líder Campeira! Fala, Leonel Furtado, Santana, Livramento e Ribeira, para mais essa jornada pelos caminhos da tradição, como manda o Rio Grandeiro aí, né? Em Bragas, Lucas, Panambi e Morango, bom atracaxe! Tamo chegando, tamo chegando para falar do assadito nosso. De cada dia. Haha, Lucas velho!

?Voz A

Mas que momento! Buenas, gauchada! Aqui é Lucas Negri e vamos se atracar nos assados hoje. Um verdadeiro patrimônio, um ritual da nossa gente. E já adianto que não tem forma errada ou certa de fazer o churrasco. O errado é não fazer ele.

?Voz C

Buenas, indiada da volta! Aqui é Rafael, o Panambê. Barraente, aí sim que vai tá prosa!

?Voz A

Esse é um assunto que domino bem, gosto de verdade, viu? Além de o churrasco ser uma boia de fundamento, tem um significado, né, muito maior que envolve o momento. E vamos destrinchando esse assunto ao longo dessa prosa. Mas muito me agrada esse tema, Bragualismo. Buenas ao povo aqui da volta e ao povo que tá na escuta. Aqui quem vos fala é Everton Morango e lhes digo Seja de onde for, com o que tiver por perto, um assadito cambia o dia do vivente.

É só programar que tal dia tem assado que o amanhecer do dia já é diferente. E se tu tá meio desanimado, che, faz um assadito assim, sem aviso, que a felicidade vai te rodear na hora. Essa é a magia. E se tem assado, tem marca de fundamento e tem Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

?Voz C

Eu sou daqui onde a cordona chora minga e sem domingo de saudade, meu rincão da terra bruta que se ergue de um rodeio, do tombo feio à labucha, meu irmão. Eu sou daqui onde o pandeiro repinica, que a moça fica só bombeando o tocador. E ele faz cara de artista de novela e abre a goela como viesse desfiador. Eu sou daqui, deste lugar, sou o Rio Grande que me agrada decantar. Eu sou daqui, Deste lugar sou o Rio Grande, que me agrada de cantar.

Eu sou daqui onde Prende o violão, corda afinada, vai espichada com alarame, cerca nova. E o tirão que um potro dá quando se amansa, tenha confiança que o campo nos dá prova. Eu sou daquei donde o cantor e jornalista não tá na lista dos que tocam nos estádios, mas sua voz e a tradição que ainda trago Cantando pago nas vaneiras pelo rádio. Eu sou daqui, deste lugar, sou o Rio Grande que me agrada de cantar. Eu sou daqui, deste lugar, sou o Rio Grande que me agrada de cantar.

Sou o Rio Grande que me agrada de cantar. Sou o Rio Grande que me agrada de cantar.

?Voz A

Aqui cavaco também é lenha.

?Voz C

Colombo do Pingo Morro, sempre cruzando as estradas com chucusco e solidão. Sonhos sangas invernadas com chucusco e solidão, sonhos sangas invernadas. A guitarra me espalda, vertente dos sentimentos, e um verso de terra e vida cantando no pensamento, e um verso de terra e vida. Cantando no pensamento, chamado andarengo. Legenda desta querência, curtido desta de tempo, trazendo do campo a essência. Chamado andarengo, legenda desta querência, curtido desta de tempo, trazendo do campo a essência.

Chamado andarengo. Pelos galpões do Rio Grande, mato e palheiro e fogão, navós, tropilhas e estrelas. Que guarda no coração, na voz, tropias e estrelas, que guarda no coração. E os sonhos e recuerdos vão cutucando o destino, guitarrando velhas ânsias de um andejar teatino. Guitarrando velhas ânsias de um andejar teatino. Chamada do andarengo, legenda desta querência. Curtido destrade tempo, trazendo do campo a essência, chamarra do andarengo, legenda desta querência.

Curtido destrade tempo, trazendo do campo a essência. Curtido destrade tempo, trazendo do campo a essência. Me criei potro nestas lidas da fronteira, lidando com as caborteiras, curando touro no laço. E deixo o ensino pra quem vier depois de mim, porque Deus me fez assim e ser gaúcho é o que faço. É madrugada, arrasto as garras pro palanque antes que amanhã levante. Hoje é segunda-feira, a cavalhada sai da forma pro buçal. Já vou sovando o bocal e compondo a minha maneira.

Uma bragada sente o cheiro do serviço, fica com pelo de ouriço, sai com lombo que é um anzol. E o tostado fazendo a volta na estância, troteia com elegância pela ciência do bocal. E o tostado fazendo a volta na estância, troteia com elegância pela ciência do bocal. Desde peazito me criei puxando potro, sovando basto e pelego no lombo da cavalhada. E o que me agrada é quando um matumbu veio acusar e roncando Leva as fêmeas ao pasto prometendo gineteada.

Esta potrada que bota brilho na estância, que seria de um gaúcho se não tivesse um cavalo? Por isso eu sigo neste velho ritual, um bagual, outro bagual, a cada canto de gado. Por isso eu sigo neste velho ritual, um bagual, outro bagual, a cada canto de gado. Sou campesino, tranço corda e gineteio, na guitarra não pompeio, tenho amor no que faço. Não sou perfeito, mas me agrada a lida bruta, dou trada na recoluta, rigado gordo no pasto.

Me criei potro nestas lidas de fronteira, lidando com as caborteiras, curando o touro no laço. E deixo ensino pra quem vier depois de mim, porque Deus me fez assim e ser gaúcho é o que faço. E deixo ensino pra quem vier depois de mim, porque Deus me fez assim, é ser gaúcho é o que faço.

?Voz A

A essência do campo está aqui. Linha Campeira. O teu companheiro de churrasco.

?Voz C

Olha que seu mês faz tempo que eu torço para não chover. Remendando cabresto, eu faço meu tempo e tento viver. O charque que eu tinha atado no arame pra ressecar se empapou de poeira com a lã das ovelhas que tavam por lá. A égua abragada tem cisma, dá água até pra beber, e a terneira dá guaxi em vez de apojar as vacas berra até encher. O gado se atola tudo, me amola, o troço é peleia. Eu só acredito em doma com freio na boca, de quem não corcou ovelha não fosse acuscada, escolhe andando no galpão, eu enchia a barriga de rapadura e chimarrão.

Não fosse a cuscar de esculhambando no galpão, eu enchia a barriga de rapadura e chimarrão. Volteando uma canga, trançando um par de rédeas. Consertando um buçal, entalhando um cansil, o coração bate a pau. Olha aqui, seu moço, faz tempo que eu torço pra não chover. Tremendo num cabresto, eu faço meu tempo e tento viver. O charque que eu tinha atado no arame pra ressecar, se empapou de porqueira com a lã das ovelhas que estavam por lá.

A égua abragada tem cisma d'água até pra beber, e a terneira d'aguaxi, em vez de apoiar as vacas berra, tem cheiro O gado se atola, tudo me amola, o troço é peleia. Eu só acredito em doma com freio na boca de quem não cortou ovelha. Não fosse a cuscar de esculha andando no galpão, eu enchia a barriga de rapadura e chimarrão. Não fosse a cuscar de esculha andando no galpão, eu enchia a barriga de rapadura e chimarrão. Volteando uma canga, trançando um par de rédeas, consertando um boçal, entalhando um canseio, o coração mata pau.

Cavalos de muda, ponchos na garupa, churrasco no bastu. Recuerdos e ausência berrando entre choques de guampas e casco. A tropa ligeira troteia espantada na frente da escolta. Não sabe a coitada que vai nesse tranco de ida sem volta. Cambô na amassada e a barbela do freio com luvas de prata. A bulha da tropa com grito vaqueano empurrando a culatra. Debaixo do estribo tranqueia o ovelheiro na sombra do flat. E a tropa Uma assoleada se tampa de poeira na nuvem do brejo.

A tua mão tá te seguindo, sinuelo atrás do fiador, que vem com voz triste chamando a boiada rumo ao matador. Regressa o ponteiro com boas notícias pra noite de frio. No pouso te aguarda lenha jaureada, campo sem meu rio. Cantando uma copla, um taura saudoso dá prenda à sua dona. Chaíra e uma faca pra cortar o charque na badacarona. Na luz do braseiro, um truco de mano disfarça o cansaço. E um cusco assobiado, dorme aí rodilhado na armada do laço.

Catre de peneco com basto suado, feito travesseiro. Cobertas de poncho com céu estrelado por teto e candeeiro. No quarto de rondo, tropeiro a cavalo com triste assovio. Girita com a tropa, saiu uma copla pra espantar o frio. A tropa é um tapete seguindo o sinuelo atrás do fiador, que vem com voz triste chamando a boiada rumo ao matador. Regressa o ponteiro com boas notícias pra noite de frio. O poço te aguarda, lenha jauriada, campo sem mil mil.

Linha Campeira. Um fogo graúdo assa de milonga, debaixo da sombra governa a volteada. Se acende na brasa a graça da ripa e um coelho que grita saluda a indiada. A charla se agranda na volta do fogo, a gaita num choro acorda o rincão. Com garfo na mão, anda a volta e volta o assador com a bochecha encostada no rinhão. A voz que se corta no trago que cruza, o índio que abusa do vinho do Se apartando assado, arrastando alpargatas, se invita as muchachas, um sereno marciano.

O ajudante vaqueano puxou de vereda o braseiro da aroeira, mesclado de angico, fez um picadinho de uma manta de peito e assim, do seu jeito, serviu despacito. Se apronta a parrilla, pôs a uxa, fechou. E ajeita os pneus, uma banca para o trago, a salmoura no tarro, que é tempera pecuária, e entre canto e guitarra se apronta o assado.

?Voz B

Águas que se cortam, o trago que cruza, o índio que abusa do vinho adoçado.

?Voz C

Se aparta do assado arrastando alpargatas, se invita a muchacha a um sereno balceado. O ajudante vaqueiro puxou nevereira do braseiro de aroeira, mesclado de angico, fez um picadinho de uma manta de peito e assim, do seu jeito, serviu despacito. Seia pronta a parrilla, os gaúchos se achegam e ajeita os pelegos numa banca pro trago. Aça a loura num tarro quente, pela pecuária, e entre canto e guitarra, se apronta o assado. E entre canto e guitarra, se apronta o assado. E entre canto e guitarra, já pronta o assado.

?Voz A

Acabamos de ouvir música de autoria e interpretação do Leonel Gomes, Um Churrasco na Fronteira. Ouvimos também De Tropa e Inverno, de Jorge Sampaio e Odenir dos Santos, interpretado pelo Jairi Terres. Mandando Lenha, de Mauro Moraes e Bebeto Alves, interpretado pelo José Cláudio Machado. Madrugada e Palanque, de Gabriel Scuciatto e Nielson Santos, interpretado pelo Ricardo Berga. Chamarrado Andarengo, de autoria e interpretação do Joca Martins e A primeira do bloco, Eu Sou Daqui, de Guruja Teixeira e Marcelo Oliveira, interpretado pelo Marcelo Oliveira. Que tal, Leonel? Te agradou?

?Voz B

Cheio barbaridade! Mas quando essas músicas mega gaúchonas assim se casam com um tema importante, aí não tem forma de que a prosa não fique bem ajeitada, né, tio? E nesse bloco musical aí tocou uma música bem gaúcha que diz Churrasco de Fronteira e retrata bem os nossos assados aqui da nossa na fronteira entre Brasil e Uruguai. Bom, algumas curiosidades dessa música, né, que eles falam na mojeja, costela e rinhão, porque geralmente aqui na nossa região a gente bota algumas, alguns miúdos como a mojeja e o rim junto com a costela e com a carne de gado no assado, geralmente no fogo de chão ou numa trempe de uma parrilla.

E aí ali o índio velho vai fazer fazendo uma linguiça e uns miúdos para um picado antes de servir a carne juntamente com a costela ou um vazio, por exemplo, uma carne sem osso. Também aqui se fala sobre a salmoura, né? E geralmente esse assado, principalmente de ovelha, a gente costuma atemperar com uma salmourita. Não precisa botar sal grosso, nem sal fino, e nem sal entremédio, esse aqui agora é moda aí na gurizada, né? Uma salmourita bem, bem feita, bem forte, e com um pouquinho de água morna assim para não esfriar o assado.

Ah, só vai, né? E aqui tem outras coisinhas que eles vão falando, né? O ajudante bacana para o show de aroeira, de um braseiro de aroeira mesclado de angico. Então tem isso também. Geralmente o gaúcho faz o churrasco com carne assada no fogo a lenha, e a lenha que você usa tem também influência no sabor do churrasco. Mas o que que achou, Bragazélio?

?Voz A

O bueno é que cada vez que a gente se reúne na volta de aproveitado, parece que o tempo para para apreciar esse momento. É prosa, trago, carne, música e muita alegria. E eu até me arrisco a dizer que o que mais se diz quando se quer convidar um amigo para um almoço ou janta, a gente atraca: tchê, vamos fazer uma carne lá em casa? E a resposta vem de pronto: mas é para já! E não tem quem resista a um convite feito por um amigo.

E às vezes nem precisa porque no convite já tá implícito que vai ter assado. E da minha parte, podia ter assado todo dia. Pode até atracar os invertebrados, é que é como eu chamo a linguiça, e até uns insetinhos atracamos. Mas para quem não sabe, tudo que é menor que ovelha para mim é considerado inseto. Isso é na minha classificação. Portanto, galinha é inseto com certeza. Mas independente da classificação que o bragalismo desenvolveu, a gente pode assar de tudo, né, tchê? Mas desde que seja animal, pelo menos, né?

?Voz C

Pãozinho, frutinha, legume, isso aí não deveria ser considerado churrasco, né?

?Voz A

Pelo amor de Deus! Até como uma forma de respeito aos antepassados.

?Voz C

Mas gosto não se discute.

?Voz A

Já dizia uma véia, comendo ranho, Deus o livre! A bem da verdade, cada qual se vira como pode, não é mesmo, gurizada? Mas não podemos radicalizar, gauchada. Eu costumo dizer que o nosso churrasco, nosso assado, é o ambiente mais democrático do universo. Afinal, na churrasqueira a gente assa gado, ovelha, porco, frango, também cebola, batata, pimentão, cenoura, pão, e por aí você vai. Claro que tem uns assador que não deixa entrar tudo isso em seus domínios, mas eu permito em certas ocasiões.

É uma questão de equilíbrio, como abordamos num programa nesses outros dias. E no teu assado, Morango, me conta o que tu não deixa entrar na tua casa. Mas olha, Lucas, que aqui também predomina a democracia. Algumas pessoas não se metem a querer abusar mesmo é da minha paciência, mas tem quem se arrisca. Aqui temos algumas preferências: costela, granito, vazio, um contrafilé, maminha e por aí você vai. Mas detalhe: tudo em peça, tudo inteiro.

É só no espeto de aço ou de inox. Para vocês terem ideia, faz cerca aí de 10 anos que eu tô nessa atual morada e a grelha que veio junto na compra do apartamento continua ali intacta. Nunca viu fogo e, se depender de mim, nunca vai ver. Depois muito tempo, eu comprei uma parrilheira pra uns assaditos um tanto quanto diferentes. E de vez em quando também, por aqui saem uns bifes, uns filé, umas chuletas, ponta de agulha, que é pra agradar o povo da volta.

Das raças animais vai de tudo, e concordo quando o Bragas diz que bicho menor que ovelha é inseto. Mas não tem problema, assamos também. Aqui não se refuga, até porque o bicho bicho não pode ter padecido à toa, né? Quanto aos legumes, bom, esses me apetece a cebola de cabeça. Os demais, assim como o pão com alho, eu tenho uma recomendação: quem quer comer, fica à vontade, pode assar, churrasqueira tá ali. Agora, coisa especial é um assado desses bem rústicos.

E falando em rusticidade, tá na hora de saltar mais um lote de marca dessas de fundamento, porque vem chegando o André Campeira com churrasco de campanha. Pinha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

?Voz C

Uma fumaça levanta no costado do galpão, debaixo de uma figueira clareia um fogo no chão. O mate corre na volta, passeia a canha num frasco, e enquanto domingo a linha vai se ajeitando fazendo churrasco. Manhã bonita de sol que reúne a muito gosto toda a peonada da estância, a gente da granja e do posto. Porém, no dia de ontem à tarde foi de carneada, dois capão, um leitãozote e uma brasinha pesada. A sombra fica varrida com vassoura de carquejo e com gel de casca de arroz, com tonel gel da cerveja, salmoura numa água para espeto de amarilho e o fogo fazendo brasa de arueira e espinilho.

A sombra fica varrida com vassoura de carquejo e congelo em casca de arroz num tonel de cerveja. A salmoura numa água para espetos de amarilho e o fogo fazendo brasa de arueira e espinilho. O assador macanudo com tirador de avental, tapeia, o chapéu na testa e vai conduzindo o ritual. Com facãozinho, retaco, que na chaira sentiu frio, resbala um aperitivo de matambre ou de vazio. Como era lindo este tempo de fartura nas estâncias, tempo de outros valores, outros gostos e fragrâncias.

Como era lindo um churrasco contemplando o vidro e o humo, charlas de campo e serviço, coisas de apego consumo. Os ciclos foram mudando, as heranças repartidas e as celebrações rurais foram ficando esquecidas. Hoje o tom dos argumentos relacionam outros luxos, mas eu prefiro a humildade dum churrasco bem gaúcho. A sombra fica varrida com vassoura de carteja e com gelo e casca de arroz num tonel de cerveja. A salmoura numa vamba, espetos de amarilho e fogo fazendo brasa de árvore e espinilho.

A sombra fica varrida com vassoura de carquejo e com gelo e casca de arroz num tonel gela cerveja. As almôndegas numa vampa, espetos de amarilho que o fogo fazendo brasa de arruíra e espinilho. A sombra fica varrida com vassoura de carquejo e com gelo e casca de arroz num tonel gela cerveja. As almôndegas numa vampa, espetos de amarilho que E o fogo fazendo brasa de aroeira e espinilho.

?Voz A

A sombra fica varrida com vassoura de carquejo e cogendo casca de arroz num tonel de gelacerveja.

?Voz C

A salmoura numa água faz vento de amarilho e o fogo fazendo brasa de aroeira e espinilho, de aroeira e espinilho.

?Voz A

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?Voz C

Parou o pampeano, esbarrou um Picasso, escondeu-se o laço da minha pampresilha. Do outro lado, um gateado Se inchava uma pata, o boi berra e se estaca prevendo a sangria. Na ponta da faca o destino é traçado e o sangrador é cortado manchando as flechilhas. Afrouxa os seus laços, o pampiano se ajoelha sobre a mancha vermelha no chão do potreiro. A folha chairada já risca o couro do ritual crioulo de um pago fronteiro. Se foi mais um boi pra corda e munício, uma tâmbora pro vício do assado campeiro.

A força do campo rebrota invernada, engorda a boiada e sustenta a nação. É a mesma contida e vivida ostentando esta vida deste sul de rincão. E o De novo, o viçoso floresce, pois tem alicerce de vários e cochilha. Renasce na morte e se torna mais forte bebendo a sangria.

?Voz A

E assim segue a lida, trancando na instância.

?Voz C

Firmando a constância de manter a existência, levando a pecuária em ranchos e galpões, em sobrados e mansões e longínquas querências, para que o mundo conheça o valor de uma raça, mostrando que passa o tango e sua essência. A força do campo rebrota invernadas, engorda a boiada e sustenta a nação. É a mesma contida e vivida ostentando esta vida desde o sul de Rincão. E o campo de novo viçoso floresce, pois tem alicerce e levar-se cochilha.

Renasce na morte, ele se torna mais forte bebendo a sangria. Renasci da morte, ele se torna mais forte bebendo a sangria. Milonga toda proziada, moldada para o meu rebanho. Me tiram os troços dos olhos que eu posso Andar chorando, milonga solta das patas. Repara como eu te levo rompendo as coisas que escrevo nos ventos do teu viver. Milonga, me dá uma parte, ô mate, deixa que eu faço na vida dos teus arreios, ô freio. Oi, no cavalo não falta lenha pro fogo, nem gosto que te censurem.

O campo é nossa família ainda, eu não procuro. Ai, milonga que de mim não sai, milongueiro vai pelos teus acordes refazendo lote. E se for a trote, milonga, milonguita, pega o meu violão. Ai, milonga que de mim não sai, Milongueiro, vai pelos teus acordes refazendo o lote. E se for a troque, milonga, milonguita, pega o meu violão. Milonga boa de alma, a charla dá como gosto. Na Baía da Algunsma, Tungoço Fundo e Interiores Altos.

Milonga boa de poesia, um dia em Sacos Gatos. E toco toda a Nas oradas do meu assado. Ai, milongo aqui de mim não sai, milongueiro vai pelos teus acordes refazendo lote. E se for a trote, milonga, milonguita, pega o meu violão. Ai, milongo aqui de mim não sai, milongueiro vai pelos teus acordes refazendo lote.

?Voz A

E se for a trote, milonga, milonguita, pega o Linha Campeira, cultura e música gaúcha para te acompanhar no teu churrasco.

?Voz C

Tô vendo a coisa feia, parece que é mesmo o fim. Anota algo para mim, pega papel aí na mesa. Não é falta de destreza, mas não gosto de improviso. É meu Último pedido nesta minha vida terrena. Quero um gaiteiro tocando uma milonga do Cardoso. Não quero um clima horroroso, ninguém chorando nos cantos, e sim afogando o pranto numa canha preparada, a sala toda enfeitada num lote de sorro manso. Chinoca choramingando, fungando, ranho que escorre.

Velório de gente pobre tem que ter som de acordeona, um assado de mamona, violão e um trago de vinho, e alguém que encontre um carinho para aquela China mais mona. Chinoca choramingando, fungando, ranho que escorre. Velório de Gente pobre tem que ter som de corniona, um assado de mamona, violão e um trago de vinho, e alguém que encontre um carinho para aquela China mais mona. Aperto de mão na porta, cheio de moça bonita, bebidas, batata frita, isso me alegra e mais nada.

Lá fora alguma risada não é nenhum fim de mundo, e até o padre no surungu de batina arremangada. Laputia, que coisa linda vai ser o velório, parceiro! Algum lote de matreiro se escurando pela volta, regala meu par de bota para aquele mais bailarim, e quero o toque do clarim do Cabo Ladrão de Vaca. A conta ali do Firmino, se devo, é muito pouco, porque lá no Santo Louco são 3 fumo e 2 canha. No bulecho da Libânia também deixo algum prego.

Sei que devo, nunca nego, é que a pobreza é tamanha. Não tenho ciúme de macho, mas não gosto de carneiro. Sofrerem o mais faceiro, livre as viúvas, minhas mulheres. Atropelem quem quiser, cuide bem o meu recado, senão eu volto em bravo e puxo vocês dos Chinoca choramingando, fungando, ranho que escorre. Velório de gente pobre tem que ter som de acordeona, um assado de mamona, violão e um trago de vinho. E alguém que encontre um carinho para aquela China mais mona.

E alguém que encontre um carinho para aquela China mais mona. Cuide bem do meu recado. Senão eu volto bem bravo e puxo vocês dos pés. Senão eu volto bem bravo e puxo vocês dos pés.

?Voz A

Vai rindo que eu volto e puxo dos teus pés mesmo. Tem mais Linha Campeira no Spotify.

?Voz C

Caio na estrada com ganas de retoçar, pra ressojar num bailezito do encanto. Pitando um fumo, me perfumo a figueirinha, e as picardia vão nas listras do facão. Cerro da árvore, faz parada no machado, bolso recheado, prestas folga domingueira. Um estrago forte no balcão, quase me E uns caramelo pras moedas dançadeira. É deste jeito que esse peão vai pros bailão, nalgum galpão pra ressojar da douraria. Mas não dá nada na campanha, era cheirinha.

Às vezes ganha, outras vezes arrisca a vida. É deste jeito que este peão vai pros bailão, nalgum galpão pra ressojar da douraria. Mas não dá nada na campanha, era cheirinha. Às vezes ganha, outras vezes arrisca a vida.

?Voz A

É deste jeito que este peão vai pros bailão, nalgum galpão pra ressojar da douraria.

?Voz C

Mas não dá nada na campanha, Banha, acha é banha, às vezes se ganha, outras vezes se arrisca a vida. A ilha animal, mais pra lá do que pra cá. Um guaraná pra cortar o vinho num pezudo, rapei no pingo, rédea solta no aramado. Eu já mamado fui pisando em caramujo, chego na porta e o carão foi de vereda. Veio o patrão e mandou um chásque pra mim, te arranca louco que hoje o baile é familiar. Se tu tentar, a gente vai bater o teu brinco.

E é desse jeito que esse peão Aí tu vai bailando e no rincão às vezes se perde no caminho, mas não dá nada na campanha, a graxa é banha. Maldita canha que me faz voltar sozinho, é desse jeito que este teu aí tu vai bailando e no rincão às vezes se perde no caminho, mas não dá nada na campanha, a graxa é banha. Maldita cunha que me faz voltar sozinho, maldita cunha que me faz voltar sozinho, maldita cunha que me faz voltar sozinho.

Sou desses índio da velha filosofia que ainda gosta gosta de guria, de cavalo e de bailão. Pilcha alinhada, passo bem aguadecheiro, e é num baile campeiro que eu vou esfolar os garrão. Já na entrada olho feio dos dois lados, se o salão tá lotado, povo, para pra eu passar. Não sou Moisés que abre o Mar Vermelho, velho, mas se me olhar no espelho inteiro vou me assustar.

?Voz A

Meio veterana, tem lençol no pescoço, sou índio do berrudo, ninguém vai me segurar.

?Voz C

E se a morena me duvida, pulo em cima, faço verso e canto rima e tomo conta do lugar. Meio veterana, Meu lençol no pescoço, sou índio do berro grosso, ninguém vai me segurar. E se a morena me duvida, pulo em cima, faço verso e canto rima e tomo conta do lugar. De madrugada, bem no forteiro fandango, romanceio e danço um tango. O povo corre pra me ver, e se alguém retruca, não me importa qual o lado. O entrevero tá formado e o trançado vai correr.

Grito e sustento a minha prerrogativa. É o sangue biriba que regula este meu jeito. Não sou briguento, o que eu sou é invocado. Esse olhar atravessado, meu mangué, um respeito.

?Voz A

Meio vertena, tenho lenço no pescoço.

?Voz C

Sou índio do berro grosso, ninguém vai me segurar. E se amorei Me duvida, pulo em cima, faço verso e canto rima e tomo conta do lugar. Meio veterana, lençol no pescoço, sou índio do berro grosso, ninguém vai me segurar. E se a morena me duvida, pulo em cima, faço verso e canto rima e tomo conta do lugar. E se a morena me duvidar, pulo em cima, faço verso e canto rima e tomo conta do lugar.

?Voz A

Você está ouvindo Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

?Voz C

Cordiona antiga com pico humano dos fogões, onde as bulgas reduções dum bronze ensino calado. Me fez soldado abrindo fole infinito pra os índios que eu prendo grito no colo do descampado. Cordiona antiga com pico humano dos fogões, onde as bulgas reduções dum bronze ensino calado. Me fez soldado abrindo fole infinito pra os índios que eu prendo grito no colo do descampado. Sobram guitarras, eu até prefiro cordiona, a voz infinita Qualquer diploma, poncho, cruíno de guerra.

Me fiz guerreiro abrindo o fole, meu grito são índios que o infinito mantém o fértil da terra. Te abro ainda com reluzida linguagem, que embala aqui a coragem que não aceita mudança. Entrei na dança pra reajustar o fandango, e em vez de estalo de mango prefiro o cheiro da trança. Entrei na dança pra reajustar o fandango, e em vez de estalo de mango prefiro o cheiro atrás. Sobram cordionas e os pulsos firmes floreiam, tempos novos que semeiam antigos hinos de guerra.

Tu és guerreira, te abre para o infinito quando o tempo prende o rito, mantendo o som desta terra. Cordiona antiga com pico humano, os forróis onde as bulgas reduções dum bronze ensinam calado. Esse é soldado abrindo fole infinito para os índios que aprendem o rito no colo do Sobram guitarras e eu até prefiro um Fordão na voz, enfim, da Cat Pro apancho o cruíno de guerra. Me fiz guerreiro abrindo o fole, meu grito são índios que o infinito mantém no fértil da terra.

Te abro ainda com o Reduzi na linguagem, o mal aqui é a coragem que não aceita mudança. Entrei na dança pra reajustar o fandango, que em vez de estalo de mango prefiro o cheiro da trança. Entrei na dança para reajustar um fandango que em vez de estalo de mão prefiro o cheiro da trança.

?Voz A

Acabamos de ouvir Com Picumã dos Fogões, de Lisandro Amaral e Ricardo Fagundes, interpretado pelo Lisandro Amaral. Teve também O Índio do Ferro Grosso, de Osmar Ranzolini e Arthur Matos, interpretado pelo Arthur Matos. Daquele Jeito, de Felipe Dias, Leonardo Borges e Marcelinho Nunes, interpretado pelo Marcelinho Nunes. Velório de Gente Pobre, de Vair Soares Gomes e Juliano Gomes, interpretado pelo Grupo Galponeando. Milonga do Meu Assado, de Moraes, interpretado pelo João de Almeida Neto e Nelson Cardoso.

O Campo, de André Oliveira e Rogério Melo, interpretado pelo César Oliveira e Rogério Melo. E a primeira deste bloco, Churrasco de Campanha, de André Teixeira e Rogério Videagrande, interpretado pelo André Teixeira. Que tal, Bragas? Mais um lote velho musical desse, se dedicar campeando um par para sair de pescocinho tramado. Que coisa mais gaúcha! E a prosa já vem ficando mais do que ajeitada, porque o assunto agrada por demais.

E embora a gente já tenha meio que certo de que tipo de produto pode se botar na churrasqueira, quero afirmar que é o que penso e o jeito que eu faço meus assados, mas qualquer um pode assar o que bem entender. Até porque nos meus tempos de escotismo aprendi até a fazer ovo no espeto. E uma batata-doce atirada nas brasas. Isso eu confesso que faço de quando em vez, mas isso também tem o seu valor, Bragolismo. E eu tava aqui tentando me recordar quando é que assei o meu primeiro churrasco por conta, mas não cheguei a uma data com clareza.

Possivelmente foi numa feita com os amigos, pois quando morava com o pai e com a mãe, a churrasqueira é sempre do A Arca, e só devemos assumir a churrasqueira com expressa autorização do proprietário. Da mesma forma, nada de se meter na área nobre do assador, tocar nos espetos, ou pior, jogar alguma coisa dentro da churrasqueira. Ali é local sagrado e se respeita a hierarquia. São leis não escritas e estão acima de qualquer coisa.

Esse ritual do churrasco tem alguns códigos de conduta que são muito interessantes, e eles variam de casa para casa e sempre devem ser respeitados. E se tem alguém que já assou nas mais diversas churrasqueiras e tem alguma história para contar, é tu, né, ô Panambi? Barbaridade, gurizada! E temos muita história sobre assado. Eu me recordo de uma delas Até hoje lembro e dou muita risada, viu?

?Voz C

Foi logo que eu me mudei de Panambi para Blumenau.

?Voz A

Fiz algumas amizades e logo me chamaram para um assado. Mas eu é que tinha que ser o assador, né? Afinal, gaúcho é obrigado a saber assar carne. E no meu caso, de fato, isso é verdade.

?Voz C

Mas foi bem além.

?Voz A

O assado que eles queriam era uma costela fogo de chão, que na cabeça de quem mora fora do Rio Grande do Sul, o Rio Grande inteiro só faz costela fogo de chão. E de fato, isso não não é verdade.

?Voz C

Lá em Banambi, por exemplo, eu nunca tinha assado e nem visto fazer, né?

?Voz A

Lá é comum para nós espetar uma ripa e fincar no fogo, né, tchê? Isso no fogo alto, na churrasqueira. Mas bueno, me deram o desafio, aceitei com autoridade, como se já tivesse assado umas 30 vezes. E vou lhes dizer, foi sofrido, mas deu certo. A parte engraçada foi na hora de servir a bichinha. Derrubamos a costela, tchê, era uma noite e a costela caiu na grama. Deus o livre, aquela grama era recém cortada. Metemos ela de volta em cima da tábua e entramos no salão, que já tava com as luzes bem acesas, né?

E isso era para largar, bicha, velho. Imagina a expectativa do povo. E como era bem de noite, como eu disse, não vimos muito bem o estrago. Mas quando se aproximamos do buffet, ela tava verde de grama por cima, que boa parte cuidado, viram, né, tio? Mas seguiram o baile, arredão a gramaiada para o lado, cortamos costela e todo mundo se atracou bem facerota.

?Voz C

Deus o livre!

?Voz B

É verdade, Panambi, velho. Tio, mas isso aí de região, cada região tem a sua cultura e a sua forma de fazer o assado, né, tio? E te digo com bastante propriedade que existem muitas diferenças, e isso é bom, né, porque faz parte de cada cultura. Por exemplo, um assado nos Estados Unidos não é a mesma coisa que um assado na Colômbia ou no Peru e na Argentina, por suposto. Então aqui, graças a Deus, eu fui convidado a fazer parte da Associação Uruguaixa de Assadores e tive o prazer de conhecer diferentes formas de fazer assados e temperos e acompanhamentos com essa turma.

Tenho aprendido muito com eles, é uma turma espetacular. Meu abraço para toda turma da Associação Uruguai de Assadores. Além de às vezes poder participar de algumas competições ou de alguns lugares tipo amostras, onde o pessoal vai assar churrasco convidado por alguns eventos. E aí tem muitas expressões culturais que se dão através do assado, né? E também você nota admiração do pessoal que gosta de comer um assadito, justamente da forma uruguaia de se fazer o assado.

E aí tem muitas particularidades, né? Já tinha falado da salmoura, mas também, por exemplo, de que se não usa espeto e não se pinte o assado, como diz o uruguaio, não se fura a carne. E aí outras tantas oportunidades que, e aprendizados que a gente vai falando em outras oportunidades. Por exemplo, também esse ano, junto da Semana Farroupilha, e por isso não pude ir, teve o Mundial de Assadores em Montevidéu, que foi uma competição que reuniu equipes de vários lugares da América Latina e um ambiente super rico, com a possibilidade de conhecer tantas culturas assadores num mesmo lugar, num ambiente aí de competição, mas uma competição saudável onde terminou todo mundo abraçado, independente do resultado.

Que loucura, hein? Que beleza! Turma da aula é maravilhosa. Associação Uruguaixa de Assadores, que cachorro, morango!

?Voz A

Ah, Leonel, mas isso é coisa para parar, para se ver, assistir, retratear e voltar para casa cheio essa ideia. Por mais que possamos achar estranho algumas técnicas, sempre aprendemos alguma coisa para aperfeiçoar e dar uma atualizada na forma de se fazer o assado, ou até mesmo para cambiar e provar algo novo. E lhes digo que tem quem goste demais da conta de provar uns assaditos novos, que é o nosso Cusco Intervalo. Esse não refuga nada, chefe, não é mesmo, Intervalo?

Estamos apresentando Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco. Apoio cultural: Vision Uniformes, do seu jeito. Acesse visionuniformes.com.br. Mas que momento, gurizada! Você que tá aí ouvindo a prosa do Linha Campeira de hoje, não perde a vaza e faz um costado no nosso canal do YouTube. Toda semana tem inédito com uma prosa louca de especial contando causos e mais detalhes das nossas prosas domingueiras. Aqui tem chucrismo com modernidade em uma prosa para tu ficar muito mais sabido das coisas. youtube.com/LinhaCampeira, o teu companheiro de churrasco também em vídeo.

Apoio cultural: Vision Uniformes, do seu jeito. Acesse visionuniformes.com.br. E tamo de volta, gauchada, para seguir proseando sobre os tipos de churrasco, estampas de churrasqueira e como cada qual gosta de preparar seu assado. E esse tema é fruto de uma discussão com alguns amigos lá do grupo Linha Campeira, e a respeito da preferência de cada um quando o assunto é atracar um assado. E a gente sabe que tem gente que prefere usar o espeto de metal ou madeira, outros usam as grelhas, parrilhas ou trempes, e alguns são especialistas em fogo de chão.

Outros são das churrasqueiras tradicionais ou de metal, tipo tonel, e ainda outros fazem uma vala e encostam os espetos, ou então ajeitam os tijolos e atravessa os espetos ou uma trempe, não é mesmo? Tem para tudo que é tipo de gosto. E antes de mais nada, eu gostaria atender um convite à gauchada que ainda não faz parte do grupo Amigos do Linha Campeira, onde só tracamos prosa de fundamento, sendo fonte para vários temas que abordamos por aqui, inclusive o tema de hoje.

Nos chamem lá nas redes sociais, Linha Campeira, que eu te jogo para dentro do grupo. Mas o Braga citou algumas coisas, né, formas de assar carne, e eu quero lembrar aqui, tia, de um baita churrasco de fundamento, que é o da Romaria de Biassá, onde a churrasqueira tem quase 100 metros de comprimento. É isso mesmo, tia. Para o pessoal ter ideia, são cerca de 3.000 espetos com cerca de 3 kg e pouco cada, tudo assado no espeto de madeira feito de pinheiro, bem ao estilo dos gaúchos, os campos em cima da serra.

São cerca de 100 voluntários que trabalham para deixar tudo nos conformes para atender os fiéis. E quem já provou a carne de Biassá sabe da qualidade do churrasco da Romaria. E eu vou propor aqui para a gente, uma hora dessas, se reunir, fazer um ciclo de assados por esses rincões. Que tal, tio? De Biassá vamos já para Lagoa, que é tida como a capital nacional do churrasco. Depois voltamos para Panambi, passamos em Nova Brécia, Santa Maria, depois uma cruzada nas missões.

E aí descemos para fronteira, cruzamos para a Banda Oriental para ver se esse povo da AUA é metido mesmo. E se a gente ficar em dúvida do churrasco ainda, a gente faz uma final em campo neutro, ou no caso lá nos campos neutrais. Que tal?

?Voz B

E essa turma lá do grupo Amigos do Linha Campeira é espetacular, mano. Então sempre posto postando foto e história das suas gauchadas, mas também às vezes larguemos assunto polêmico lá que chega a levantar cavaco. Aí, sobre essa questão do qual é os assados que mais lhe gusta, não, suas preferências. E eu digo que não tem assado certo ou errado, existe a questão da forma de fazer, da cultura e brazião também. Por exemplo, esse assadito de volta e volta que se fala aqui na fronteira é uma costela cortada bem fininha que ela vai para o fogo, e quando o fogo tá bem braseado, dá duas ou três voltas nela ali, de volta e volta, porque tu vai dando volta nela ali.

Em seguida ela tá pronta. E às vezes até tu bota a costela congelada ali, a tira de costela congelada, porque ela por ser fininha ela se descongela e já se apronta de veredita. Assim como pode ser com um pedaço de entrecô, por exemplo. E depois, se tu tá num evento, tu vai fazer uma carne de ovelha, aí tu vai fazer a costela, tu faz da maneira diferente. Se tu vai fazer a ovelha inteira, tu faz de forma diferente. E também tem os assados que são meio para exibição assim, né, para uma coisa mais festiva.

Por exemplo, aqui você faz a vaca inteira com couro, né. Então às vezes tem um evento como um remate ou um dia de campo, contrata o rapaz que ele vem, um assador específico para fazer uma demonstração de fazer um assado que é uma vaca inteira com e tudo que tu assa no fogo, num fogo a lenha no chão. Que cachorro, Panambi, velho? É gaúcho ou não? Cada coisa tem seu momento e seu lugar e o ambiente correto para ser feito. É ou não é, Panambi?

?Voz C

Mas aí, indiada, vou meter assado por onde nós passar. E lhes digo, nada mais satisfatório do que assar uma carne e juntar os amigos e familiares, é? Quantas coisas boas uma saia em volta de uma churrasqueira, Deus o livre!

?Voz A

Mas é a magia do assado, meu amigo Panambi. Como eu já falei, nunca vi alguém triste nesse momento. O índio pode até chegar meio cabisbaixo na hora do assado, mas logo se anima e em questão de minutos já tá com outro semblante. E para completar o retrato de um belo assado, tem que ter música no costado das brasas, não é mesmo? Então vamos que vamos, porque vem um churrasco na casa com o Gaúcho da Fronteira. Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

?Voz C

Os meus amigos, outro dia desses, me convidaram para comer churrasco. Botinhas caíram, meu pingo vai sair pelo atalho, não bater de casco. Tinha churrasco e o Dili de gado, tudo encuarrado como quem faz a brima. E também tinha o tal de galeto deitado no espeto de pata para cima. Muito obrigado, ouvem contente e arressando a asa. Mas não se assuste, viu, meus amiguinhos, que qualquer dia eu vou matar um bichinho. Se não der um, eu mato dois ou três e vou levar vocês para comer.

Lá em casa. É claro que eu vou ter carne de gado, um borreguinho, e para aperitivo tem uma linguiça grossa especial. Tomei um estrago da canela pura e um Rio Bueno que jamais esqueço. Churrasco desse não há aqui na Mordão, é por estar na gorda de número vez. Passei a mão na minha, muito soco, toquei um pouco para ele já escutar. E aproveitando aquela festa linda, me lembrei aí, me vou lhes convidar. Muito obrigado, vou bem contente, arrastando a asa.

Mas não se assuste, viu, meus amiguinhos, que qualquer dia eu vou matar um bichinho. Se não der um, eu mato dois ou três e vou levar vocês para comer lá em casa. Pois é, lá no fundo casa tem um arvoredo bonito, leva a mulher velha com a mãe para comer na sombra. Sou índio pobre, como você sabe, só como carne na casa dos outros. E além disso, sou meio acanhado e mais desconfiado que calado torto. Por isso mesmo é que hoje lhes digo, meus bons amigos, ainda vou poder levar vocês que avisarem minha praça para comer lá em casa com baita prazer.

?Voz A

Prazer.

?Voz C

Muito obrigado, homem contente e arrastando a asa. Mas não se assuste, viu, meus amiguinhos, que qualquer dia eu vou matar um bichinho se não der um aumento, 2 a 3, e vou levar vocês para comer lá em casa. Muito obrigado, homem contente e arrastando a asa. E não se assuste, viu, meus amiguinhos, que qualquer dia eu vou matar um bichinho se não der um aumento, 2 a 3, 4, 5, 6, para te comer lá em casa. Tá feita a festa, compadre!

No que prende a serra, assim no mais, hoje é em peça, hoje é em peça. O serviço é bruto e a plata se cria peça por peça, peça por peça. Um novigito, Inácio, escolheu um abraço pelo carniceiro, pelo carniceiro, é que se vai aos pouquitos engraxar pratos nos ranchos, nos ranchos, povoeiros, nos ranchos, povoeiros. Entre assado e vacilo, lomo e picanha, os fregues vão pedindo uns cortes mais anchos e outros mais gordos. Que se chega o domingo, que se chega o domingo, um granito de peito, dois ou três puxeme, algum osso que sobre.

E um guricito descalço imagina o poroto no seu rancho pobre. Carniceria de fronteira, onde a vida poeira por ver se rebusca. Lavada na linha, mirada de campo que nunca se ofusca, com cheiro de carne entre peso e real. Comércio campeiro mata a hambre de tantos que vivem na sorte do arrabal de fronteiro. Ainda sobra o espinhaço de um borreguito pesado dos pagos de ajá, coração e rinhão que se quedam melhor com o vinho danado. O naif e chairado demonstra Quando alguém se anuncia e corta com jeito uma carne coimeira para algum policial.

Um chorizito gordo enchido na aguampa. E a ponta de espinho mal chega ao balcão e nem cai a balança. Esse vai aos vizinhos, esse vai aos vizinhos. Mesmo com a noite serena mostrando semblante tão negra e tão fria, o serviço não para, pois tem charque e limpeza na Carniceria. Carniceria de fronteira, onde a vida poeira por vezes rebusca. Lavada na linha, mirada de campo que nunca se ofusca. Com cheiro de carne entre peso e real, comércio campeiro mata a hambre de tantos que vivem na sorte do arrabal de fronteiro.

Comércio campeiro mata a hambre de tantos que vivem na sorte do arrabal de fronteiro.

?Voz A

Pede tua música pelo nosso WhatsApp 4791930000.

?Voz C

Yo soy de un país que se hizo a caballo, con mucho trabajo y con mucha virtud, de un pueblo vestido de bota y bombacha que sueña y prospera en los campos del sur. Un vago poblado de gente campera, sencilla, sincera, demente a Jesús, que va por el tiempo, ahí nomás, campo afuera, mateando su vida y cargando a su Cruz que va por el tiempo y no más campo afuera, batiendo su vida y cargando su cruz. Nací con misión de cruzar las fronteras, soltar mi guitarra, mi voz y mi luz, y voy por el mundo a llevar mi bandera de cielo pintada en blanco y azul.

Nací con misión de cruzar las fronteras, soltar mi guitarra, mi voz y mi luz, y voy por Por el mundo a llevar mi bandera del cielo pintada en blanco y azul. Que Dios y la Virgen bendigan mi sueño, llevar alegrías por donde pasar, cantarle a la gente con todo mi pecho. Gritar-lhes bien alto que voy pero vuelvo, que no hay otro pago mejor que Uruguay. Gritar-lhes bien alto que voy pero vuelvo, que no hay otro pago mejor que Uruguay.

Vamos por más, vamos con fe, por lo que fue y el que vendrá. Vamos con Dios, vamos por ti, vamos al fin por Uruguay. Vamos por más, vamos con fe por lo que fue y el que vendrá. Vamos con Dios, vamos por ti, vamos al fin por Uruguay. Con Borges, con los Ferreira, con la familia Guedes, todos juntos con Catherine Berners, por mi patria querida. Que Dios y la Virgen bendigan mis sueños. Llevar alegrías por donde pasar, cantarle a la gente con todo mi pecho, gritarle bien alto que voy pero vuelvo, que no hay otro pago mejor que Uruguay.

Gritarle bien alto que voy pero vuelvo, que no hay otro pago mejor que Uruguay. Vamos por más, vamos con fe por lo que fue y el que vendrá. Vamos con Dios, vamos por ti, vamos al fin por Uruguay. Vamos por más, vamos Vamos con fe por lo que fue y el que vendrá. Vamos con Dios, vamos por ti, vamos al fin por Uruguay. Vamos con Dios, vamos por ti, vamos al fin por Uruguay. Vamos con Dios, vamos por ti, vamos al fin por Uruguay.

?Voz A

Você está ouvindo Linha Campeira.

?Voz C

Numa tarde fria do mês de maio, fui olhar a iguada lá do Catim, estância grande de gente campeira, campo fronteiro ao Quaraí. Mangueira de pedra e piso de terra, guardando a tropa pra ser revisada.

?Voz A

Éguas crioulas de origem fronteira, potrada ao pé pra ser desmamada.

?Voz C

Estância de cria e terneiros berrando.

?Voz A

Gado pesado de trevo e capim.

?Voz C

Este é o retrato do Rio Grande antigo, fronteira do mundo, servida de mim. Estância de cria e terneiros berrando, gado pesado de trevo e capim. Este é o retrato do Rio Grande antigo, fronteira do mundo, cerquita de mim. Este é o retrato do Rio Grande antigo, fronteira do mundo, cerquita de mim. Nos sinabomos de fronte às casas, com corredal já pendurado. Cordeiro gordo em canto de pedra vai pingar graxa na brasa do assado.

?Voz A

Dentro do rancho, charna e violão, e homem no ano teimando em entrar, um gaucho a cantar as coisas daqui e todo tempo do mundo a sonhar.

?Voz C

Estância de cria e terneiros berrando, gado pesado de trevo e capim. Este é o retrato do Rio Grande antigo, fronteira do mundo, cerquita de mim. Estância de cria e terneiros berrando. Gado pesado de Trevicapim. Este é o retrato do Rio Grande antigo, fronteira do mundo, cerquita de mim. Este é o retrato do Rio Grande antigo, fronteira do mundo, cerquita de mim. Saiu do palco fazer o tapado de suador. No outro dia tô na estância, pôr dos Veio ao trator, salto dele, faço mate, já me atraco a cozinhar.

Depois vou ver se cesteio e socialidade deixar. Me levanto e olho longe, vejo uma ovelha patiando, é certo que tá bichada. Monto no pingo e vou tentando, armo o milheiro, meu Meu laço que é certo vai disparar. Tenho confiança no braço e antes dela ganhar o mato sou obrigado a acordar. De tudo um pouco respondo a quem me questiona nessas bocona tapado de bovadeira. Fim de semana, há nenhum baile no povo? 11 dedos roxo, culpado mata bicheira.

De tudo um pouco, respondo a quem me questiona. Nessas bocona tapado de polvadeira. Fim de semana, ânimos, baile no povo. 11 dedos roxo, culpado mata bicheira. Ô meu irmão Neco Soares, é uma satisfação muito grande cantar esta marca contigo. Vamos atracar nesses baile com os dedo roxo tapado, né, mata bicheira? Essa lida, meu compadre, para mim não é sacrifício. São os ossos do ofício, pra um peão de estância é assim. Fico contando nos dedos pra chegar no fim do mês, que o patrão no dia 3 vai fazer um Pix pra mim.

De tudo um pouco respondo a quem me questiona, nessas bocona tapado de pousadeira. Fim de semana, ânimos, baile no povo. Com dedo roxo, culpado, mata bicheira. Amanhã cedo vou namorar uma alabanca pra terminar uma estronca, que domingo vou folgar. Fui contratado pra animar um baile no povo. Segunda volto de novo na estância, não sou enfeite Tem vacas pra tirar leite e potros pra galopar. De tudo um pouco, respondo a quem me questiona.

Nessas boconas tapado de pousadeira, fim de semana animo um baile no povo. Com os dedos roxos, curpado, mata a bicheira. Culpa do mata-bicheira. É brabo, Guto, fede a diesel e a mata-bicheira, mas são nossos ofícios, né, Cô Soares? Foi pra ti!

?Voz A

Tem mais Linha Campeira no Spotify.

?Voz C

Eu sou um bicho do mato que me criei no rigor, agarrando toda unha e estourando um corpo de alô. Te alengo de todo laço até ensenhar meu tirador. Brotei do oco da terra como brota um olho d'água, nesse gaudério sozinho, sem pai, sem mãe, sem nada. Portanto, churrasco gordo quase todas as madrugadas. Sou tipo gato paieiro com a carne mal assada, nunca cortei o cabelo e quase me alcanço na barba. E o bigode tem um cerro de tanta graxa coalhada.

Certa vez uma gaúcha veio pra mim se queixar. Tu é um giro apessoal, queria te namorar. Mas eu não entendo disso, nem sequer aprendi a falar que eu gostei de violão.

?Voz A

Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

?Voz C

Foi um surungo, missioneiro em caibaté, um arrastapé, te treme toda a carcaça. Mais turbinado do que foguete de russo, carregava o pulso que nem porco nas batatas. Viu já da hora, põe na faixa e alpargata para algum Um 30 adulando o joelho. Lá pelas tantas eu perdi uma alpargata. Saí na cata aplainando um tornozelo e quanto mais ia tateando, mais e mais ia empurrando. No meio da polvadeira, um pé sim, outro faltando. Já tava num tranco manco, com a China me reclamando: vê se acha esta alpargata.

Que eu também já tô mancando. Quanto mais ia tateando, mais e mais ia empurrando. No meio da polvadeira, um pecinho, outro faltando. Já tava num tranco manco, com a China me reclamando. Vê se acha esta alpargata, que eu também já tô mancando. Naquele malho falquejando um agasalho, e dele atalho com um pé só pelo chão. E assim tranquei, trazendo a noite no colo, com torcicolo de tanto cata e não cata. E aí já dá boina, chutando o estresse da Se divertia na bailanta da alpargata.

Enquanto mais ia tateando, mais e mais ia empurrando no meio da povadeira, um pecinho, outro faltando. Já tava num tranco manco com a China me reclamando: vê se acha esta alpargata que eu também já tô mancando. Quanto mais ia tateando, mais e mais ia empurrando no meio da polvadeira, um pecinho, outro faltando. Já tava num tranco manco com a Gina me reclamando. Vê se acha esta alpargata, eu também já tô mancando.

?Voz A

Ouvimos a Bailanta da Alpargata, de João Alberto Preto, interpretado pelo Valdomiro Maicá. Teve também Bicho do Mato Criado em Casa, de autora e interpretação do Mano Lima. De Tudo um Pouco, de Frederico Rangel, Guto Gonzalez e Nexo Soares, interpretado pelo Nexo Soares e Guto Gonzalez. Assado Lá no Catê, de Fábio Prates, interpretado pelo Leonardo Paim. Vamos por Mais, de Júlia Ferreira, Mauro Ferreira e Luiz Carlos Borges, interpretado pela Caterine Wernes.

Jorge Guedes e Família. Carniceiria de Fronteira, de Daniel Cavalheiro e Leonardo Borges, interpretado pelo Daniel Cavalheiro. E a primeira, Churrasco na Fronteira, de Elton Saldanha e Erlon Péricles, interpretado pelo Gaúcho da Fronteira. Outro lote musical veio desses trajazal. Para gata, coisa muito elegante, como diz o Leonel. E a prosa veio se ajeitando e falamos desde aquilo que o vivente se agrada assar, passando pelo jeito que se faz o fogo, e chegamos aos tipos de churrasqueira.

Na verdade, meus amigos, o que importa é o ritual e o momento. Uns gostam de fazer tipo uns bife, duas voltadas e tá feito o carreto. Outros vão mais de longe, cuidando fogo bem despacito, enquanto vai prozeando com os amigos e golpeando alguma água benta. Até servir a carne vai da bala do assador. Eu prefiro ir aprontando aos poucos e servir num picadinho, mas ninguém passa do balcão que separa a churrasqueira, porque é um perigo quando a gente tá lidando e tá com a faca na mão e a canha já meio na memória, não é mesmo? Ideia.

?Voz B

E eu que ando meio polêmico ultimamente, né, andei de umas leituras aí que vi que um texto contra o consumo de carne vermelha, um favor, a favor do consumo de carnes brancas, por exemplo, a carne de peixe, né. E aí em Santa Catarina, por exemplo, é muito comum a gente sentar na beira-mar para petiscar uns insetos do mar, como eu digo, Netshoes, ou algo parecido. E volta e meia o cara vem com um peixinho frito ou um inseto frito qualquer daqueles.

E aí, tchê, eu me pergunto, que que é mais saudável, uma carne vermelha assada ou um peixe frito, seja ele inseto ou inseto? E aí te digo, por mais que eu tenha procurado, quem conseguiu essa resposta para mim foi a minha esposa, que andou consultando uma nutricionista e fez essa pergunta para ela. E a resposta foi a seguinte: evitar sempre a fritura. E aí te digo, meu amigo, ainda mais desses óleos que a gente sabe que são bastante usados e bem saturados.

Portanto, dizer que comer peixe é mais saudável que comer carne vermelha não é 100% ou necessariamente uma verdade. Por exemplo, se tu comer carne vermelha assada é melhor do que comer um peixe frito, segundo determinada nutricionista consultada pela minha família, obviamente, porque eles respondem o que eu quero escutar.

?Voz A

De Leonel: tenho um amigo que diz que se a carne tiver gorda é só jogar uma farinha de mandioca, que ela elimina gordura na hora. Gemas, tem um documentário argentino na Netflix com o nome é Tudo Sobre o Assado, que é fantástico e fala a respeito da cultura do churrasco e como que ela de certa forma molda a identidade do país. Mas para mim, o que mais me encanta no assado é essa dualidade que ele tem. Pensem comigo, o assado é uma comida e também é um ritual.

Ele é primitivo, rude, e ele é contemporâneo, sofisticado. Ele é selvagem e é refinado, é tradição e é folclore, é uma arte e é também uma ciência. Ai, gente, reflexivo esse documentário! Instigou a curiosidade, Enzo, de assistir, viu? E tio Lucas, essa da farinha eu escutei também do avô do amigo nosso, Perna, em um churrasco pegou uma graxa bem amarela do granito, fincou na farinha de mandioca e de forma bem convincente largou essa frase: a farinha neutraliza a gordura.

Mas Deus o livre, né, tio? Por essa frase eu entendo que tô comendo pouca farinha, viu?

?Voz C

Deus o livre!

?Voz A

Mas olha, Panambi, que eu também tô comendo pouca farinha, não tem neutralizado nada. Bueno, tá na hora de mais um lote de uma marca dessas para deixar essa nossa prosa com a estampa de um dia de assado. Vamos que vamos, porque vem também a estampa domingueira na interpretação do Jair Terres. Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

?Voz C

Linda minha estampa domingueira, quando Quando chego no povoado, trago além da minha fronteira uma sina musiqueira de quem vem contrabandeado. Bueno, esse potro de rendilha num trancão de pisaflor, de uma pelagem tordilha, traz a origem da tropia. Pela mão do domador. Chego já na frente da janela de um ranchito bem cuidado, assoviando algo para ela, que esta copla tão singela eu compus para o seu agrado. Assoviando algo para ela, que esta copla tão singela eu corpos pro seu agrado.

Olhos de bialar, um coração na minha vida tão pequena. Do aguapé de um laguão, trago a flor do meu rincão para o cabelo da morena. Do aguapé de um laguão, trago a flor do meu rincão o cabelo da morena. Pra estância vou cantando uma tirana, mas eu sei que vou Vou voltar, que passe logo a semana, pois deixei pra quer humana meu pala pra ela guardar. Pra estância vou cantando uma tirana, mas eu sei que vou voltar, que passe logo a semana, pois deixei Para quero um banan, meu palavra é la guarda.

Bueno, ese potro de renguilla no trancón de pisa fuego. Bueno, ese potro de renguilla no trancón de pisa fuego. De um bate-coxa lá no rachão das morochas, na costa do cebolhado. Eu tô folgado, tô contentinho, dei a esquila e sei que as chinas da vila se gruda igual carrapato. Só com a gaga no sogueiro e uma graxa na melena, passa um fio nas minhas chilenas, arrasca um par de meia. Onde a greta não comeia, eu me apeiro Eu ando lento e faço até meu testamento.

Onde a gaita corcoveia, onde a gaita corcoveia, até a morte é goza pouca. As crinudas gavionando pedindo um freio na boca. E sobra até pros refugios se o gaiteiro é o boia louca.

?Voz A

E sobra até pros refugios se o gaiteiro é o boia louca.

?Voz C

Tem café pra todo gosto, não existe China feia. Beleza se vem apalpando, e se o isqueiro relampeia e a gaita se rebulhando que nem esterco de ovelha. Rancho barreado, santa fé que chão batido. Nesse retoço escondido entre abroco e unha de gado. Depois que tranei a porta, não entra nem lua cheia. E agaite então corpo ovelha na costa do seu chato. Depois que tranei a porta, não entra nem lua cheia. E agaite então corpo ovelha na costa do seu chato.

Onde a gaita curvoveia até a morte é coisa pouca. As crinas da gaviota andam pedindo um freio na boca. E sobra até pros refugios se o gai teve é o boi a louca. E sobra até pros refugios se o gai teve é o boi a louca.

?Voz A

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?Voz C

Tem gente que não entende que o macho, quando é bem macho, nem que o mundo venha abaixo, não dispara e não se rende. Essa é a gente que se ofende com o meu ar de liberdade. E por inveja e maldade das suas mentes macabras, batizam de boca brava quem tem personalidade. Me chamam de boca brava, não sabem me analisar. De gênio eu sou uma cachaça, mas de alma Um Guaraná. Só não me pela com a unha, quem pretende me pelar. E depois que eu fico bravo, não adianta me adular.

Eu sei que em mim que deságua quase que 100% de todo ressentimento dessa gente que tem mágoa. É porque eu não bebo água nas orelhas dessa gente que adoram mostrar os dentes e por não terem fé no taco vivem grudado no saco dos crítico influente. Me chamam de boca baba, mas eu nem bravo não fico. Não desfaço quem é pobre, nem adulo quem é rico. Quando eu gosto, eu elogio. Quando eu não gosto, eu critico. E onde Tem galo cantando, eu vou lá e quebro-lhe o bico.

O meu jeito, ah, o meu jeito, conforme já tinham dito, para uns é muito bonito. Pra outros é o meu defeito, mas talvez seja o meu jeito que me troque de invernada. Cada um tem sua estrada, seu lugar, seu parador. A abelha gosta da flor, a sarna da cachorrada. Me chamam de boca brava, esta gente tá enganada. Eu tenho é boca de homem e tenho opinião formada. Sei qual é a boca que explora, sei qual é a boca explorada. E é melhor ser boca braba que não ter boca pra nada.

É melhor ser boca braba Que não tem boca pra nada. Na boca da noite, meu pingo encilhado, é hora, entonado, rodeando o palanque. O mês inteirinho lidando na estância, o clamor desta ânsia não há quem estampe. Bombacha novinha comprei no boliche e dele capricho num banho de sangra. Sorriso na cara que a mata me estampa, levou para bailança. Cambiando uma queda, e dele, e dele, a trote e galope, meu pingo estradeiro conhece esse taita na ânsia de baile, bichinho alvoroço, parece que ouço resmungos de gaita.

E dele, e dele, a trote e galope, meu pingo estradeiro conhece esse taita na ânsia de baile, bichinho alvoroço, parece que ouço resmungos de gaita. Na volta do cerro, na beira do pasto, eu escuto um compasso de gaique-mandeiro. Me apeio na frente do rancho barreado e não fico assustado. No olhar do porteiro já E já entro e me vou lá pra copa. Meus olhos se topam no olhar da morena e eu penso comigo: é esta que aparto, e a noite por certo vai ser bem pequena.

E dele, e dele, a trote e galope, meu pingo estradeiro conhece esse taita, dança de baile, deixinha alvoroço, parece que ouço resmungos de gaita. E dele, e dele, a trote e galope de meu pingo estradeiro conhece esse taita, dança de baile, deixinha Meu colosso, parece que eu sou resmungo de gaita. E vai floreando bonito acordeona, meu parceiro. O sol vem olhar pelos fundos da quincha, eu pingo relincha esperando por mim, mas eu não me solto das mãos da morena.

E o baile, que pena, vai chegando ao fim, mas leva esperança gravada no rosto. O velho faz gosto e mandou convidar para outro domingo firmar compromisso, pois vai dar permissão para nós namorar. E dele, que dele, a trote e galope, meu pingo estradeiro conhece esse taita. Ânsia de baile, deixei-me alvoroço, parece que ouço mesmo o burê gaita. E Aquele que lê a trote e galope, meu pingo estradeiro conhece esse taita, dança de baile, Regina, alvoroço.

Parece que ouço os resmungos de gaita. Vem bailar a bandeira campeira, o Rio Grande do Sul te espera. Vem bailar a bandeira campeira nos fandangos da minha terra. Vem bailar a bandeira campeira, o Rio Grande do Sul te espera. Vem bailar a bandeira campeira nos fandangos da minha terra. Vem bailar a bandeira campeira, o Rio Grande do Sul te espera. Vem bailar o churrasco na brasa sem dar o de casa. Passe do galpão, conhecer e viver a cultura da forma mais pura de uma tradição, vem sentir o sabor de querência e a nossa vivência nos campos do sul, respirar um ar de liberdade na paz que invade um céu bem azul, respirar um ar de liberdade na paz que invade um céu bem azul, vem bailar a maneira campeira nos fandangos da minha terra.

Vem bailar a bandeira campeira, o Rio Grande do Sul te espera. Vem bailar a bandeira campeira nos fandangos da minha terra. Vem bailar a bandeira campeira, o Rio Grande do Sul te espera. Venha ver a emoção do rodeio, escutar o floreio num chucro compasso. Tem fandango até a madrugada, depois gineteada e tiro de laço. É por isso que eu te convido, venha, meu amigo, conhecer meu Vem bailar a bandeira campeira, tu aprenda a fazer e tomar um mate amargo.

Vem bailar a bandeira campeira, tu aprenda a fazer e tomar um mate amargo. Vem bailar a bandeira campeira nos fandangos da minha terra. Vem bailar a bandeira campeira, o Rio Grande do Sul te espera. Vem bailar a bandeira campeira nos fandangos da minha Vem bailar a maneira campeira, olha o grande do sul te espera.

?Voz A

E pinga a graxa nas brasas, Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco. Estamos ouvindo música de autoria e interpretação do Edilberto Bergamo, Bolicheando. Ouvimos também Vaneira Campeira, Deron Carvalho e Sérgio Rosa, interpretado por Os Monarcas. Ânsia de Baile, de Adair de Freitas, interpretado pelo Gustavo Brodinho e Guilherme Valadas. As Razões do Boca Brava, de autora e interpretação do João de Almeida Neto, onde a Gaita Corcoveia, de Anomar Danube Vieira e Carlos Madruga, interpretado pelo Quarteto Pampa.

E a primeira, Estampa Domingueira, de Alex Silveira e Carlos Madruga, interpretado pelo Aéreas e Terras. Se aprumamos pros tchau, Panambi!

?Voz C

Tchê, eu sinceramente ficava por aqui proseando escutando essas marcas de fundamento que só se escuta aqui no Linha Campeira, mas deu a nossa hora, né, tchê? E temos que finalizar a prosa de hoje.

?Voz A

A minha parte, já vou deixando um abraço a todos e até semana que vem! Pois então, essa prosa de hoje teve especial de primeira e talvez eu até tenha criado algum desafeto quando falei do pãozinho, das frutas e legumes. Mas não me leve a mal, gauchada. Conforme o filósofo João de Almeida Neto, cada qual tem sua estrada, seu lugar, seu parador. Abelha gosta da flor e a sarna da cachorrada. Me despeço de todos deixando beijo para quem é de beijo e abraço para quem é de abraço.

Mas eu acho que se a gente quisesse, dava para mais uns 4 episódio, essa prosa do churrasco bem fácil, coisa boa por demais. E agora só merece deixar um abraço, velho, do tamanho desse universo gaúcho.

?Voz B

Ah, tchê, tá na hora dessa despedida então. Ei, validade de veredita! Então deixa o meu tchau, meu saludo a todos os amigos que nos acompanharam mais essa jornada, dizer que estamos prontos para mais uma oportunidade oportunidade de estar aqui de volta, se Deus quiser, e defendendo a música tradicionalista na linha campeira, como tem que ser. Grande afortunado aqui da fronteira, um abraço, minha campeira!

?Voz A

Então tá feito, gurizada! Mil graças pela parceria de sempre, pela audiência. Nossa prosa agora segue pelas nossas redes sociais na internet. Tamo no Instagram, Facebook e também no nosso canal do YouTube. É só procurar por Linha Campeira. Bom, por hoje é isso. Nos queiram bem, que mal não tem. Semana que vem tem mais Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco. O assado é um ritual de confraternização. Preparação, seja num fogo de chão, trempe, vala ou parrigeira, sal grosso, fino ou o que queira, inseto ou invertebrado, carne de chancho ou de gado, mas ouvindo o Linha Campeira.

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