Episódios de Conexão Geek

Águas Mortais

03 de setembro de 202640min
0:00 / 40:12

Um avião cai no meio do oceano. Os passageiros ficam presos dentro da aeronave. E, do lado de fora, vários tubarões estão esperando.

A premissa de Águas Mortais parece absurda do jeito certo.

Mas será que o filme consegue transformar essa ideia em um bom filme de desastre?

Neste episódio do Conexão Geek, George Ricardo e Matheus discutem o novo filme dirigido por Renny Harlin e tentam entender por que uma história que tinha tudo para recuperar o espírito dos grandes filmes de ação e desastre dos anos 90 acaba desperdiçando boa parte do seu potencial.

A conversa passa pelos tubarões em CGI, as cenas de ação, os personagens, a falta de tensão, o protagonista pouco carismático, os clichês, o problema de tom e as tentativas do filme de misturar ação, drama, humor e sobrevivência.

Também falamos sobre a influência de filmes como Tubarão, o cinema de desastre dos anos 90 e até sobre a relação do filme com o mercado chinês.

No fim, fica a pergunta: o problema de Águas Mortais é a sua premissa absurda ou o fato de o filme nunca conseguir aproveitar essa premissa?

E claro: quantos cafezinhos Águas Mortais merece?

Dê o play e venha discutir o filme com a gente.

Participantes neste episódio2
G

George Ricardo Guariento

HostJornalista/Criador de conteudo
M

Matheus Marques

Co-host
Assuntos6
  • A salada de frutas de gêneros e a falta de identidade do filmedesastre aéreo·tubarão·drama·nostalgia dos anos 90
  • A premissa de Águas Mortais e a expectativa de um filme de desastrefilme de desastre·tubarões·Durumata 2·Renny Harlin
  • A falta de profundidade dos personagens e a ausência de um protagonista carismáticopersonagens·protagonista·Aaron Eckhart·Ben Kingsley
  • A decepção com o CGI dos tubarões e a falta de personalidade dos vilõesCGI·tubarões·Tubarão·Samuel Jackson
  • A influência do mercado chinês e a bilheteria decepcionante do filmemercado chinês·bilheteria·China·Estados Unidos
  • A ausência de urgência e a previsibilidade do resgate no enredourgência·resgate·Titanic·Armagedom
Transcrição65 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GRGeorge Ricardo Guariento

Alô, alô, nerd! Eu sou Jorge Ricardo e esse é o Conexão Geek, o seu nerd service semanal. Aqui no CG você vai ter a tradicional análise com toques de discórdia e muita cultura pop. Mas antes de começar, eu queria pedir um favor pra vocês, que avaliem esse podcast na sua tocadora de podcast predileta. Se possível, deixa aquelas 5 estrelinhas marotas. Vocês podem também seguir o CG, assim você recebe uma notificação toda vez que a gente lançar um episódio novo.

MMMatheus Marques

Estamos caindo sem pés!

GRGeorge Ricardo Guariento

Senhor, não pode fazer isso!

MMMatheus Marques

É com isso que tá preocupada? Prepare-se para o impacto. O que a gente faz? Procura sobreviventes.

GRGeorge Ricardo Guariento

Hoje a gente vai falar De Águas Mortais. A história começa durante um voo de Los Angeles para Xangai que é obrigado a fazer um pouso de emergência. O problema é que o lugar que deveria servir de abrigo para os passageiros se transforma em uma armadilha. O avião acaba cercado por água e, pior ainda, por tubarões. Com a aeronave afundando e os passageiros tentando entender como sobreviver, um grupo de pessoas de diferentes nacionalidades precisa deixar as diferenças de lado para enfrentar uma ameaça que está literalmente esperando do lado de fora.

A proposta é simples: desastre aéreo, sobrevivência e tubarões. Vamos lá, Teteu, quais as suas primeiras impressões, meu caro? Eu nem vou falar para você não dar spoilers porque eu acho que não tem como.

MMMatheus Marques

Então, né, gente, filme de desastre, né, filme de desastre era um clássico assim dos anos 2000, né? Quem não lembra do Inferno Gigante, do Serpentes a Bordo, Twister, Ele seguia muito, ele seguia muito esse absurdismo, né, cara? Essa, esse ponto assim de meu Deus, olha esse desastre aqui. E querendo ou não, tipo aquele Quesito Premonição, né, que é um avião, é o voo noturno também ali com o Wes Craven, né, cara? Ele é bem legal que o avião ele é um clima muito claustrofóbico, né?

Só que aqui a premissa, né, a grande ideia, né, que vê que vai por água abaixo são esses tubarões. Maravilhosos aí, né, cara? Esses, esses estão com fome, cara. Tubarão não é um bicho maligno de fato, né, cara? Mas tem alguma, algumas criaturas aí do cinema, né, como, como um tubarão do mar profundo, né, que é o do Samuel Jackson, ou tubarão mesmo, ou tubarão, né, o Bruce, né, do filme Tubarão, que são do mal, né, cara? E aqui você tem uns tubarões do mal também.

Se é bom ou ruim, descubra aí, gente. Mas e vocês, gente? Tem muito A gente tá falando de tubarão, tá falando de avião, né, né, cara? E aí, cara, onde é que o Águas Profundas se encaixa aí para você, né, cara? Porque para mim ele é um filme, querendo ou não, de desastre natural, né? Não exatamente um filme de tubarões mutantes, cara.

GRGeorge Ricardo Guariento

Para mim o filme se encontra no raso, Matheus. Eu não gostei, já começo por aqui, eu não gostei. Inclusive aqui no CG, se vocês forem ver, acho que uma semana atrás eu fiz um filme sobre tubarão. Que era um tubarão que ficava preso numa caverna. É um filme da Amazon que é mil vezes melhor do que esse daqui, Matheus, até pela criatividade. E ele é um filme muito menor, tá? Ele é um filme tipo bem menor assim, tipo um filme que você quase não vê o tubarão.

Eu acho interessante isso, cara, é quando você não vê o tubarão, aquele medo, né, de claustrofóbico tal, de ficar, caramba, da onde ele vem? Aqui não. Aqui é basicamente pegaram dois atores grandes, colocaram embaixo de uma tela verde ali e pegaram um ator de ação prática para falar, ó, a gente vai reviver os bons tempos aqui. Mas o filme tem tanto clichê batido e tanta, é, inclusive assim, até o próprio protagonista, né, ele tem uma, aquela voz meio forçada, sempre, eu estou aqui para salvar o dia, sempre que aquela voz meio estranha, sei lá, cara, tem muita coisa ruim, mas é Até aí eu já vou abrir, porque como eu falei, não tem muito pra onde fugir sem entrar no enredo do filme.

Então, vamos começar por uma coisa, Matheus, que eu queria falar, que pra mim muda bastante a expectativa em relação a esse filme. Talvez seja até o motivo da gente ter escolhido, talvez, que é o Renny Harlin, né, cara? É o cara de Durumata 2. Muita gente critica que ele é um diretor genérico, né? Mas ele fez um dos filmes aí mais icônicos dos anos 90. O que você acha? Que tem a marca dele? Você acha que ele confirma que pra você é um diretor ruim? Como que você vê, cara?

MMMatheus Marques

Então, né, cara, que o filme ele para mim ele tem duas facetas, né, cara? Ele tem, ele tem os primeiros assim 20 minutos, né, o momento do desastre é muito marcante. E, cara, ele tem uma boa construção de personagem até, né, cara? Você tem dois pais aí, né? É meio clichê, gente, é meio batida, meio cansado, mas pô, os caras estão lá, é um piloto muito mais experiente, né? E esse piloto aí que é também um cara experiente, mas na verdade ele não é, né?

Porque Tem todo um drama lá envolvido porque ele falou, né, ele falou mal de um outro piloto corrupto. Aí eles colocaram um cara para fazer essa girada aí, né, num filme, num filme não, numa linha assim comercial meio baixa, né, cara. Esse cara, esse drama, tipo, esse começo de filme, né, cara, ele é muito, muito interessante, viu? Ele é muito, muito interessante, né, porque ele traz aquela faceta, sabe? Ele mostra que são caras legais, Ele até tenta emplacar uma musiquinha, né, Jorge?

Tem o Fly Me to the Moon lá do Frank Sinatra, né? Mas não desce, né, cara? Infelizmente não desce. E isso porque, tipo, são os melhores momentos do filme com Ben Kingsley, né, cara? E a direção nesse começo, ela é muito boa, né, cara? Tem cortes bonitos, ela é interessante, né? Ela faz, ela é bem dinâmica, né, cara? E o fato de ser no avião, né, consegue ajudar, né? Porque você consegue identificar todo mundo, sabe? Tem um cara chato, tem um casalzinho, tem um moleque que é treteiro, negócio de brigar.

E é muito engraçado, né, cara? Porque o moleque, ele é um jogador americano, e aí ele faz uma treta com um outro jogador que ele é chinês, né? E aí eles viram amigos no final, né? Que no caso, o filme, ele tá querendo apelar exatamente pra essa amizade entre China e Estados Unidos, né? Mas assim, cara, no geral, né, além do Duro de Matar 2, né, cara, o que mais que o cara fez? Ele fez aquele Estranhos, né, cara? O do Fundo do Mar também é dele, by the way, tô vendo aqui agora no IMDb, tá?

O do Fundo do Mar com Samuel Jackson, né, que eu tava te falando agora, ele também é. Então talvez ele mesmo tenha puxado da própria história, sabe, o diretor, né, o Renny Harlin. Então tá aí, né, cara. Mas começa, cara, tipo, de novo, né, gente, ele traz, ele tipo até te faz querer ver o filme, sabe. Só que depois do desastre, realmente as coisas vão por água abaixo, né.

GRGeorge Ricardo Guariento

Literalmente. Mas, Teteu, eu concordo com você, cara. Eu acho que a direção fica competente até as cenas de ação prática ali, que são basicamente o avião caindo, tá ligado? Tem um pouco de CGI sim na destruição do avião, mas ele não tem essa vergonha, né, de parecer um filme datado. Isso é legal. Os efeitos são exagerados, o humor entre os dois pilotos ali é divertido. A gente até espera mais aí quando ele morre, mano. O Ben Kisling morre, gente, na primeira, na primeira cena.

Ele morre nem com tubarão, ele morre com a porra do tétano. Pega tétano. Se não fosse morrer afogado, ia morrer de tétano, tá ligado? Mas é tudo muito, sei lá, cara. Até essa parte funcionava bem. Já quando começa a aparecer esse tubarão, cara, que é um CGI muito sacano— tubarão tem dente sorrindo, Matheus, ele tem uma boquinha de sorriso assim, né?

MMMatheus Marques

Pô, pode falar? Sim, eu não quero falar desse tubarão ainda, né, cara? Até porque não é um tubarão só, né, cara? Não é uma coisa muito íntima, né? Ele são vários pequenos tubarões, sabe? São tubarões menores, né, cara? Não são, não Bruce, sabe? O Bruce, o Bruce tinha mais de 5 metros, sabe? Tipo Bruce Tubarão, né? E uma coisa que eu acho importantíssima, cara, que esses filmes de monstro assim, né? Porque dá para considerar o tubarão monstro, né?

Depois de tudo que já aconteceu e toda história que tem, né, cara? É, tem uma ligação muito especial, né, do tubarão com o protagonista, né, cara. Eles estão falando, né, do tubarão, e eles tratam o tubarão como monstro. Aí ele fala que ele tem aqueles olhos pretos, né, Jorge, aqueles olhos pretos de boneca, né. Ele olha sua alma. E aqui, cara, você só vê, só vê uma guelrazinha assim do lado de fora da água, e você só vê tipo os bichos mordendo, cara.

O gore é muito bom, gente, o gore é muito bom, porque, pô, É um efeito prático. Eu e o gore, ele realmente mostra em tela, sabe? Tipo, arranca a perna, arranca braço, o bicho morde e vai. Só que, cara, tipo, os bichos não tem personalidade, sabe? Os bichos só estão lá. E não é, e não é aquela perspectiva mais realista, né, cara? Não é aquela perspectiva realista, porque, gente, é um tubarão, ele não ataca um ser humano desse jeito, sabe?

Tubarão não ronda um ser humano. Ser humano não faz parte do ecossistema do tubarão, cara. Então ele não é agressivo. Quanta gente, sabe? Se o tubarão, ele, se você pula na água por conta de tubarão, cara, a chance de você ser atacado é mínima. O hipopótamo, ele mata mais pessoas por ano do que um tubarão, cara. E aqui, tipo, não tem aquela explicação de filme velho, sabe? De, ah, são tubarões mutantes que escaparam, ah, eles são monstros.

Eles só são tubarões, cara. E acho que isso é pior ainda, porque os TGI faz eles parecerem super tubarões, sabe? Barulhos do Flash, né, que são super rápidos e você mal consegue ver porque eles são meio borrados, sabe? É muito louco, né, cara? Porque você tem essa dissonância, essa falta de sincronia, tipo, entre a gente e entre eles, né, cara? E para mim não acontece.

GRGeorge Ricardo Guariento

É, tem uma questão com CGI. Eu nem sou muito de reclamar de CGI, Matheus. Eu acho que assim, esse tipo de filme assim onde é tudo muito fantástico, né, porque o tubarão, como você falou, ele não é um tubarão mutante, né, acaba sendo uma uma história ali mais de, mais pé no chão, no sentido de que, por exemplo, as pessoas estão machucadas do acidente do avião, sangrando na água, então o tubarão é atraído por aquilo. O que fica mais gráfico assim seria que aquilo é um banquete para ele, né?

Tem muita coisa para ele mastigar ali e tal. E ao mesmo tempo, mano, tem algumas coisas assim que eles forçam a aparição do tubarão, e isso eu acho que me incomoda um pouco assim. Talvez o filme fosse melhor até se ele passasse de noite, tá ligado? Tipo, Tipo totalmente à noite assim, porque aí o tubarão viraria aquela coisa mais, mano, eu tô ouvindo um barulho aqui, da onde tá vindo, tá ligado? Isso eu acho que é o que me assusta em tubarão, não tipo você ver ele ali o tempo inteiro. Mano, tem uma hora que o cara dá um soco no tubarão, mano, literalmente.

MMMatheus Marques

Pô, cara, você falando, Bird, eu lembro daquele filme antigo também do Val Kilmer, né, que é o A Sombra e a Escuridão, que era um dos leões, né?

GRGeorge Ricardo Guariento

Porra, muito bom esse filme.

MMMatheus Marques

Então, e é muito legal, né, cara, porque esse filme, cara, ele também, ele se passa majoritariamente à noite, né? E aí os caras ficam nessa, né, cara? Porque um dos caras, ele é extremamente cético, né? Ele fala que ele não acredita em nada do sobrenatural, né? E o outro cara começa a falar, pô, eles são, eles são tipo criaturas do mal, sabe? Estão aqui para matar a gente. E aí cria tipo essa discussão, né, cara? Aqui dentro do filme, a única discussão que você tem, né, o único antagonismo que você tem é daquele cara, que o cara que causou o acidente, by the way, né, que ele tipo assim, ele só é um pau no cu, sabe?

É um cara fumante, quer fumar dentro do avião, quer xingar as pessoas lá de fora, fica cobrando todo mundo. O cara é tão cartunesco, um vilão, cara, que não dá para levar a sério, sabe? Pô, cara, todo mundo tá estressado, todo mundo tá com medo, todo mundo tá assustado, sabe? Você no meio do nada, sem água, sem comida. E isso podia virar uma coisa muito mais profunda, sabe? Acho que a maior decepção é essa, na verdade, né, cara?

É todo potencial que foi jogado fora, né, cara? Todo potencial que afundou aí junto com o avião.

GRGeorge Ricardo Guariento

Tem uma outra coisa que eu queria entrar aqui, cara. Até busquei aqui os valores de bilheteria. O filme fez 7 milhões e poucos aí de dólares. Desses 7 milhões mundiais, ele fez metade disso só na China. E aí eu, eu, eu, eu, eu, eu ia ver com você, né? Essa coisa de colocar o voo sendo um voo dos Estados Unidos pra China é um aceno, você acha? É uma maneira de atrair mais clickbait? Porque assim, até a história, né? O motivo, avião mais tubarão, é uma daquelas combinações que parece meio ChatGPT, né? Tá, pega essas duas coisas e coloca aí, temos um filme agora.

MMMatheus Marques

Pô, Jorge, agora que você tá falando, cara, é engraçado porque assim, no final do filme, né, quando você tem um casal de jogadores chineses, né, e você tem um outro cara americano que ele fica antagonizando o moleque, né. E aí no final, né, ele dá um beijinho na namorada, né, o chinês, né. E aí o americano vai lá e faz assim para ele, sabe. Engraçado, né, cara, porque tá cheio desses pequenos acenos, né, cara. O staff do avião também são pessoas chinesas, tipo, tem Tem muito desses, desses pequenos coisas, sabe?

E, cara, não é segredo, né, que os Estados Unidos e a China, eles sempre estão tentando fazer o cinema ser mais interessante para o público chinês. Só que, cara, você chega e me fala 7 milhões de bilheteria, cara, isso não é nada, Jorge, especialmente para o cinema chinês, cara. Cara, o Velozes e Furiosos, ele aparece, né, e aí tipo ele faz o quê, 200 milhões na estreia, né? E ele vai para China, cara, ele vira um filme bilionário.

O Vingadores, a mesma coisa, né, cara? Pô, ele fez, ele fez quase 1 bi no mundo, aí ele foi para China, cara, mais de 2 bi, sabe? 2 bilhões. O filme, ele realmente, ele tem essa roupa, ou um mega, cara, o Mega Tubarão, cara. O Mega Tubarão, ele foi um filme que ele fez tipo 100 milhões na estreia, sabe? Chegou para China lá, fez 700 milhões, né, Jorge? O Mega Tubarão, o mercado chinês de cinema, cara, é um absurdo assim no sentido de número, cara.

Todo mundo vai para o cinema. E aí, pô, são 2 bilhões de pessoas, então é gente pra caralho, é dinheiro pra caralho, porque produz filmes, né, cara? Então tem que ter, realmente tem que ter esse apelo. Só que o problema aqui não é esse, né, cara?

GRGeorge Ricardo Guariento

O problema é que o filme é uma porcaria, né, cara?

MMMatheus Marques

O filme não tem, não tem, não tem nome pra segurar, não tem nada de muito interessante, cara. Pô, cara, eles matam o melhor personagem do filme e o melhor ator do filme, tipo, nos primeiros 10 minutos, cara. Então a gente fica sem ter muito o que trabalhar, né, cara? O Aaron Eckhart, né, que é o cara que é o do Ascaras lá, né, que é o protagonista do filme de fato, né? Ele tipo, o cara não convence não, cara. O cara tá muito, tá muito para baixo, sabe? Tá muito para baixo. Ele não, ele não tem a imponência.

GRGeorge Ricardo Guariento

Envelheceu mal, né, mano?

MMMatheus Marques

Eu não acho que ele envelheceu mal. Eu acho que ele tá bem para idade, cara. Ele tem quase 60. Só que assim, ele, eles querem pagar ele como herói de ação, cara, e o filme não é para isso, né, cara? No final do filme, cara, ele dá uns tiros, né, nos tubarões, cara. E pô, não tem essa luta no começo, sabe? De momento não tem. E outra, né, cara, pô, esse plot ele ia ser muito legal, tipo assim, se o cara tivesse fazendo de tudo para voltar para família, voltar para casa, sabe?

Tivesse algum momento onde ele tivesse que matar alguém para poder se salvar. E não é o Édipo a se fazer, né, cara? Mas é o— mas é a grande sacada, né, cara? Até onde você vai para voltar para casa, sabe? Até onde você vai para salvar, é para se salvar e ver tua família, né? Mas de novo, o filme ele quer essa coisa mais light, né? Tem que salvar as crianças.

GRGeorge Ricardo Guariento

TT, mais algumas coisas aqui, cara. O filme custou 40 milhões de dólares, ou seja, um prejuízo. Ele fez muito prejuízo, cara, um prejuízo grande aí. E outra coisa que eu não sabia, que acabei de pesquisar enquanto você falava, o Harlin, cara, ele desde 1994 ele mora em Pequim. Então talvez a relação dele seja meio essa também, né? Talvez eu tenha sido meio injusto. Falou que um dos melhores amigos dele inclusive é Jack Chan.

MMMatheus Marques

Que caralho! Até eu queria falar, pô, o Jack Chan é o brother, tá ligado?

GRGeorge Ricardo Guariento

Podia ter chamado ele, podia ter chamado Jack Chan para o filme, né, pô?

MMMatheus Marques

Poderia, mas que o Jack Chan já tá aposentado, né, GG? O último filme que ele—

GRGeorge Ricardo Guariento

não, não tá não, cara. Fez um filme, fez um filme esse ano inclusive, que é de ação chinês, que tá fazendo um puta sucesso aqui no Brasil agora. Esqueci o nome do filme agora, mas Ele fez o filme esse ano, cara. Eu tô, comecei a ver hoje de manhã, inclusive.

MMMatheus Marques

Mas a última coisa que eu vi de Jackie Chan foi O Estrangeiro, né, lá com o Percy Brosnan com ele, né. E para mim foi um filmaço, cara, eu gostei muito. Fechou ali o Jackie Chan para mim, né. Mas não sabia que ele tava fazendo o filme ainda, né.

GRGeorge Ricardo Guariento

Mas ele fez o filme, chama Operação Sombra. Depois dá uma olhada que você vai gostar.

MMMatheus Marques

Maravilha, maravilha! Vamos puxar aí. Não, então, cara, mas aí é que tá, né, cara? Não é um problema ter esse apelo assim para o público chinês, né? Só que a bilheteria, cara, tá mostrando que não teve, né? Porque aparentemente ninguém foi no cinema ver o filme ainda, né, cara? Então, então ele passou muito batido, sabe? Passou extremamente batido. Não, você tem uma roupagem, cara, com a cara toda americana também, né? Então não Ele acha que talvez, talvez ele não tenha sido muito aceito por conta disso, porque ele não tomou um lado, sabe? Ele não se decidiu para onde ele quer ir.

GRGeorge Ricardo Guariento

Uma coisa que o filme tenta fazer, Matheus, e eu acho também que ele não consegue acertar o tom, é essa decisão de colocar muito personagem meio no estilo Lost assim, tentar criar uma subtrama para cada um. Só que você não tem tempo num filme de 1 hora e meia para aprofundar ninguém. Então você tem aquelas várias pessoas que, como você falou, né, o casal, o menino que apaixonado pela aeromoça, mas ele não tem coragem de falar com ela.

E a mãe e a avó dele fala que ele é um perdedor. E todas as subtramas que não são aprofundadas e acabam virando uma água rasa ali, né? Tipo, então quando eles morrem, a gente não sente. Quando alguém fica para trás, acho que talvez a menininha a gente tem um pouquinho mais ali de empatia, porque é uma criança mesmo que perdeu os pais e tá à mercê, né, da situação.

MMMatheus Marques

Ah, mas aí, cara, eu acho uma trapaça muito, muito safada do filme, né, cara? Porque, ah, não sabemos como aprofundar esses personagens, bota uma criança aí, sabe? É isso que é foda, né, cara? Isso que é complicado, porque, porque, poxa, você tem muito, você tem, cara, isso é um desastre, as pessoas estão desesperadas, cara. Você consegue, pô, cara, um roteirinho mais amarrado ali, cara, você conseguia fazer a gente se importar com todo mundo, sabe?

Conseguia fazer se importar com todo mundo, cara. O máximo que chega ali é com aquela senhora amargurada, né, cara, que E tipo, ela tá indo, né, pra morrer afogada, né, que ela não vai conseguir nadar pra fora. E ela tá lá abraçando o telefone com a foto da neta dela, sabe? E é o máximo que você chega ali de ter um drama assim, né, cara? Porque o filme também, cara, ele não decide qual o tom que ele quer, né, cara? Porque nesses momentos ele tenta ser um filme de drama, né?

Ele tenta fazer você sentir pelas pessoas. E no outro, cara, ele tá sendo tipo esse filme bagunçado, né, cara? De todo mundo voando, né? Tem uma hora lá que a mulher tá sendo resgatada pelo helicóptero. E o tubarão pula e morde a perna dela, sabe?

GRGeorge Ricardo Guariento

Depois ele volta, o helicóptero cai, bicho.

MMMatheus Marques

E aí é complicado por isso, né, cara? Tipo, não é uma coisa, de novo, né, não tem como não comparar com o Spielberg, né, gente? Porque o tubarão é basicamente isso, né, gente? O tubarão. E o tubarão, ele é totalmente pé no chão até o final, né? No final o cara botou uma bomba no tubarão, sabe? Só que assim, o Spielberg, ele dá, ele dá explicação, né, cara? Tipo, ele fala, né, porque que ele Por que que ele colocou o tubarão, ele botou uma bomba no tubarão, né?

Os escritores, eles falam que no livro, né, o tubarão morre com um tiro de arpão, que é uma coisa realista, né? Aí o Spielberg fala, no final do filme eu vou ter audiência tão na minha mão que ninguém vai ligar se eu explodir o tubarão. E porra, é muito mais legal você ver o vilão do filme sendo explodido do que tomando um tiro e morrendo, sabe? E aí funciona, né, cara? Aqui no Águas Rasas, né, Jorge? No Águas Rasas, aqui no Águas Mortais, né, você não tem Esse pensamento, esse cuidado com os vilões do filme, né, os tubarões, né, porque eles só estão lá, cara, eles só estão lá e eles são meio verdes, né. Tipo, tubarão não é verde, gente, tubarão não é verde, mas tudo bem.

GRGeorge Ricardo Guariento

É o tubarão chinês, Matheus, tubarão chinês ele é verde, são águas diferentes. Mas tem uma coisa também que eu me lembrei aqui de outros filmes que tem mais ou menos essa pegada dos anos 90 e tal, que eles para mim aqui erraram também. Por exemplo, você tem ali um avião cheio de pessoas, então a gente tem vários prováveis protagonistas, né, vamos dizer assim. E você escolhe o recorte do piloto, cara, que é o cara mais sem graça.

O piloto de um avião, cara, para uma sobrevivência, ele é o cara mais sem graça. Eu vou dar um exemplo aqui. A gente tem um filme do Nicolas Cage, você lembra? Que ele tá saindo da prisão, ele tá sendo transportado. Esse filme é maravilhoso, irmão. Por quê? Porque, porque as pessoas que estão dentro do avião são pessoas não sociáveis, pessoas que não deveriam sobreviver, mas tem que sobreviver. Então você subverte a porra da sobrevivência.

Você imagina você colocar isso aqui dentro, por exemplo, o protagonista ser um cara que saiu da prisão ou que tá voltando do exército, sei lá, de uma guerra, e tá indo ver a filha, e ele tem que chegar vivo. Falta essência de propósito. Até tem uma ligação no final ali do piloto ligando pra filha: estou voltando pra casa. Ah, calma, porra, não.

MMMatheus Marques

Ah, cara, não, então, mas o problema, Jorge, eu acho que é exatamente esse, né? Porque a gente como espectador, cara, não consegue se associar muito com esse cara, sabe? Pô, é um cara rico, um cara de classe média alta, cara, piloto de avião, Jorge. Que que é piloto de avião, sabe? Só gente top de linha, só gente ricaça, né? Por que que não pode? Pô, podia ser o papai lá que morreu, né, genericamente. Verdade, podia ser o papai, né, cara?

Podia, podia ser o moleque que tava tentando salvar o outro moleque, né? Podia ser o cara que tava tentando salvar a criança, podia ser aeromoça, cara. Pô, que isso, gente?

GRGeorge Ricardo Guariento

Pô, aeromoça é uma boa precarizada, né, cara?

MMMatheus Marques

Porque a gente, a gente tava vendo um filme que a gente não se importa com protagonista, porque ou ele vai fazer um sacrifício heroico para salvar a criança, ou vai dar tudo certo, e aí ele vai conseguir salvar quem tá vivo ainda, né? E aí ele conseguiu salvar quem tava vivo. Só que assim, ao mesmo tempo que ele consegue, né, cara, meio que ele estar lá e ele salvar as pessoas não tem impacto, né, cara? Não tem uma situação onde ele dá ordens, onde ele faz um plano.

As coisas só acontecem, né, Jorge? Até tentam. Ah, puxa, puxa aqui, ó, segura esse dispositivo aqui que ele vai marcar onde a gente tá. Aí o cara joga, derruba na água, cara. Ninguém vai buscar essa merda, sabe? Pô, cara, é difícil, cara, é difícil, mano, porque assim, filme de terror, filme de terror, né, no caso geralmente as ideias, né, tipo as decisões são ruins. Só que filme de terror você consegue justificar porque, pô, as pessoas estão com medo, né, e você quando tá sobre esse estresse você toma decisões ruins, né, cara.

E aqui, cara, não é um filme de terror, né, cara, ele é um filme de drama, ele é um filme de desastre, e aqui não dá para Não dá pra, tipo, perdoar essas maluquices da cara.

GRGeorge Ricardo Guariento

É, eu inclusive acho que assim, a sensação de que eles vão ser resgatados a qualquer momento fica muito, tipo, tira um pouco a urgência de sobreviver, sabe? Tipo, porra, como, o que que a gente vai fazer aqui? Exemplo, outros exemplos aqui. Eu assisti um filme que eu nem vou lembrar o nome, mas que tinha mais ou menos uma coisa parecida, só que era um barco. As pessoas O barco, enfim, perdia o motor lá e eles ficavam presos e ilhados ali com os botes salva-vidas.

E aí começavam a vir tubarões. Só que tinha um pequeno detalhe, tinha um deles que tinha que tomar insulina de 3 em 3 horas. Então, mano, isso dá uma merda, tipo, caralho, não dá para esperar o resgate, tem 3 horas, ele vai morrer, tem que tomar insulina, caralho, tá ligado?

MMMatheus Marques

Tem que ter uma urgência, né, Jota? Porque você tem que duvidar do que vai acontecer. Oi, Jorge, lembra do Armagedom? Lembra do Armagedom do Bruce Willis, cara?

GRGeorge Ricardo Guariento

Pô, que filme bom, mano!

MMMatheus Marques

Eu sei que é um absurdo.

GRGeorge Ricardo Guariento

Vai começar a falar de filme bom aqui, é? Vai começar a falar de filme bom?

MMMatheus Marques

Então, não, mas o Armagedom ele tem aquela urgência, né, cara? Que assim, tudo bem que é um risco muito maior, né? Porque é o mundo inteiro, né, Jorge? Literalmente, né? É o mundo inteiro. Mas, mas, cara, ele tem essa urgência, né? O Tubarão também tem essa urgência, querendo ou não. Mesmo sendo só um tubarão, mesmo sendo uma situação controlada, sabe? Eu acho que falta um pouco disso, né, cara? Se bem que eu vou te falar até que eu não culpo 100% o filme, cara, porque assim, a nossa tecnologia hoje em dia é muito diferente, né?

Então o avião voa, né, cara? E pô, tem mil instrumentos, mil coisas. Mesmo eles falando, ah, quebrou aqui, vai ter um espaço médio ali aonde eles vão procurar, né, cara? E geralmente desastre de avião, cara, é muito difícil porque o avião fica todo submerso, sabe? Então as primeiras horas são cruciais. Só que assim, a gente tá numa época de tecnologia, a gente tá numa época de surveillance, tem tudo muita câmera, tem tudo muito GPS.

Então realmente o filme podia ser montado, cara. Lembra do 1917, Jorge? Lembra desse filme? Ele é um filme lá de 2 horas e ele se passa em 2 horas, né, cara? Aí assim, ele é dali para frente e o filme não para em momento nenhum, cara. Se o avião é capaz de cair, tivesse tubarões lá, eles tivessem esperando, sabe, daqui uma hora, daqui duas horas tá vindo o resgate, sabe?

GRGeorge Ricardo Guariento

E essas duas horas tem que ser dramáticas, né?

MMMatheus Marques

É, então ele tem que ser dramático, que os bicho estão lá agora, sabe? E aí o que que tu faz? Tu espera, você, os bicho troca, vão cair, sabe? É, podia ter, cara, tem tantas maneiras, né, que esse filme podia ter rolado, né, cara? E aí acho que, acho que é o que frustra mais a gente, né, como espectador, cara, porque você sabe que ele podia ter sido melhor, né?

GRGeorge Ricardo Guariento

Sim, inclusive eu acho que tem um começo ali quando o avião cai de ideia que parece que vai ser interessante, que é o avião ele se divide em várias partes e tem sobreviventes em várias partes. E essa ideia de que cada um vai ter que conviver com alguma coisa diferente parecia que ia ser legal. Ele também, eles também cagam para essa ideia, tá ligado, mano? Cagam porque, como eu disse, os personagens não têm personalidade, apesar de ser tão diferente.

Eles pregam essa diversificação, né? São passageiros de várias nacionalidades e tal, mas não tem um problema com comunicação, por exemplo. Parece que todo mundo acaba falando inglês do nada ali, magicamente.

MMMatheus Marques

Até o pessoal que, tipo, tem— eu lembro que tem um cara que é maori, né, que ele tá rezando em maori quando o jantar tá caindo. Tem os personagens chineses, né, e tudo mais. Só que, cara, isso não é uma barreira, sabe? Pô, eu lembro até do Lost, né, Jorge? Lembra dos brasileiros do Lost, Jorge?

GRGeorge Ricardo Guariento

Sim, mano, sim.

MMMatheus Marques

Então os brasileiros do Lost, cara, tipo, era uma barreira, sabe? E pô, gente, o Vida de Pi, né, o Vida de Pi também, né, pô, caralho, é um filmaço, né, cara. Ele é, ele é outro filmaço também de deriva, né, a situação perdida lá no lugar, né. E o cara tá perdido com um monte de animais, sabe. Então não tem, não tem o que fazer. É muito legal, né, cara, o jeito que é, o jeito que é tipo a discussão, né, ela é feita, né, porque a discussão ela é feita de um cara só.

E o cara só que não é, não é, não é crível, né, cara. Aqui você podia fazer esse tipo de surto, sabe, pô. Hoje em dia todo mundo tem muita ansiedade, né, cara? Todo mundo é muito nervoso. E, cara, a gente vive colado no telefone, cara. Um filme sem telefone, sabe? Tipo, as pessoas iam ficar surtadas, cara. Pô, cara, tem o nevoeiro também, né? Tem uma situação que as pessoas estão desesperadas e aí as pessoas estão ficando meio malucas. Tem tanta coisa, cara, para falar, sabe?

GRGeorge Ricardo Guariento

Isso que você disse, cara, é um bagulho que eu acho que falta as pessoas serem mais originais. Por exemplo, Por que que não fazem um filme de tubarão de época, tá ligado? Literalmente um filme onde não existia essa tecnologia toda, porque a tecnologia também ameniza um pouco a urgência, o medo do desconhecido, né? Quando você tem essa comunicação muito fácil, você, por exemplo, tem uma cena que eu acho ridícula, cara, que pra mim tira todo o tesão, que é eles lá, eles tão acenando pra um avião que passa, e aí eles ficam: será que ele viu a gente? Sim.

MMMatheus Marques

Eles viram, é isso, eles viram.

GRGeorge Ricardo Guariento

É só esperar agora. Ele fala, agora é só esperar, sabe?

MMMatheus Marques

É foda, cara. É incrível, né, cara, quando que isso tira urgência, né, cara? Pô, Titanic, né, também é um filme de desastre assim, né? E pô, Titanic a gente nem vê inclusive eles sendo resgatados, né, cara? Você sabe o que aconteceu depois. Pô, cara, se esse filme tivesse sido feito, sei lá, mano, uns ele tivesse sido feito em 2016, sabe, tipo, daria para ter esse, essa perspectiva mais difícil, né, cara? E por consequência ele teria um clima melhor, né, com essas relações.

GRGeorge Ricardo Guariento

Ah, com certeza, cara. E aí a gente tem que pegar aqui, né, exemplos práticos aqui, né, do que a gente tá falando. A gente tem essa construção de tecnologia e tal, e as pessoas todas ali estão muito confiantes do que vai acontecer, só que elas não sabem quando vai acontecer. Você, né? Elas sabem que vão ser resgatadas, só não sabem quando. Então a ideia é: nós temos que sobreviver por alguns minutos ou horas ou até chegar o resgate.

O resgate vem. E aí, cara, me pega uma coisa: é, os conflitos dramáticos ali são fracos. Porque vamos lá, temos pessoas feridas, temos poucos recursos, não seria o motivo de alguma briga interna ali? Por exemplo, que eu saiba, toda aeronave o aonde fica o piloto tem um policial ou uma arma, porque eles são obrigados a ter. E não tem arma aqui. Essa arma poderia inclusive ser uma briga por, né, por comando. Ó, eu que mando aqui nessa porra, tenho a arma.

MMMatheus Marques

Pois principalmente quando você tem um cara que é muito beta, né, cara, que é o cara que é meio que o antagonista do filme, né, que inclusive, sim, cara, é muito bom que isso não é nem endereçado, né. O cara trouxe um carregador E, Jorge, esse celular tinha um Samsung, Jorge, na mala, sabe? Explodiu, cara. Isso é muito bizarro, né, cara? Porque em momento nenhum é endereçado isso, velho. Eles falam, ó, teve, tem um fogo ali, vamos conter.

E aí os copilotos saem e vão lá e os cara só morrem, sabe? Porque vira uma explosão enorme, né, cara? Cara, que lugar de container tem tipo gasolina junto também, né, cara? Porque tinha gás lá. Explodiu por conta disso, né, cara? É muito louco, né, cara, o esforço que é feito para ter um desastre, né?

GRGeorge Ricardo Guariento

Demais, cara. Vamos entrar, passar para o próximo tópico aqui, cara. Que que esse filme, você acha que esse filme ele sabe o que ele quer ser, cara? Porque existe o desastre aéreo, existe o tubarão, existe o drama, né, que eles tentam impor dos passageiros, existe essa aventura de sobrevivência de, ai, temos que sobreviver, chegar até ali para conseguir se manter vivos, e existe aquela tentativa de emular nostalgia de ação dos anos 90.

É bastante coisa, é uma salada de fruta. Você acha que o filme tem identidade dizendo tudo isso?

MMMatheus Marques

O cara é assim, sabe quando você mistura os sabores e você acha que vai ter um sabor maravilhoso e na verdade um gosto ruim, né? É isso aqui, cara. Será que se eu fizer um hambúrguer com carne, frango, vai ficar bom? E aí fica uma porcaria, fica um negócio nojento, né, cara? Esse filme aqui, cara, ele tipo, ele falha em ser um filme de tubarão porque os tubarões são péssimos, gente, eles são esquisitos. Tubarão CGI, eu realmente, aqui tinha que ser animatrônico, cara, aqui tinha que ser o bicho, sabe?

E aí ele falha nisso, né, cara? Ele falha em ser o desastre, né, cara? Porque os primeiros 10 minutos, cara, que é aterrorizante mesmo, né, do avião tá caindo, né, de tá voando coisa para todo lado, cara. Tem uma hora que uma mala ela cai do bagulho e bate na cabeça de alguém, mata a pessoa, cara. Isso é assustador, tá ligado? Isso é foda, cara. Isso é uma coisa muito legal para a gente estar assistindo, porque é uma coisa nova, diferente.

GRGeorge Ricardo Guariento

E aí essa cena vai ser usada em Premonição 8, Matheus.

MMMatheus Marques

Eu não duvido não, Jorge, eu não duvido não. E foi total premonição, né, cara? Na hora que explodiu a turbina, né? E aí explode do lado do avião, cara. Eu, porra, é premonição isso daqui, mano. É assustador pra caralho. Só que aí é que tá, né, cara? Tipo, você não sai daqui, você não sai daqui, gente. O filme, ele morre aí, na verdade, tá? O filme morreu com a queda do avião, gente. O filme morreu com o McKinsey. E aqui você não tem um drama eficiente.

O filme lá do Sam Raimi, Jorge, o Socorro, o Same Help, ele tem um desastre de avião muito mais legal, cara. Ele tem uma história de sobrevivência muito mais legal. Você tem aquele filme do Ethan Hawke, o Vivos, né, que o avião ele cai na Cordilheira dos Andes, e você tem um drama muito mais foda aí também, cara. Você tem o Vida de Pi, que é um filme de resgate também, que é muito melhor, cara. A gente pode citar todos os filmes aqui, cara, e E todos eles tipo são maravilhosos, cara.

E aqui ele, esse filme, né, o Águas Profundas, né, cara, ele tenta ser um, ele é só uma cópia rasa tipo do que ele gostaria de ser, cara. E isso é muito triste na verdade, né, cara, porque pô, esse filme podia dar um revival nesse gênero, né, cara, ele podia trazer de volta. Sempre que tem um filme assim que ele estoura um pouco a bolha, gente, a gente tem tipo o efeito obsessão ainda, cara. Depois de Obsessão, cara, todo mundo agora vai querer fazer filme de terror.

No estilo Obsessão, né, cara? Trazer de volta esse terror ali mais anos 2000, cara. E aqui, cara, é o que a gente recebeu aqui, não vai instigar ninguém a querer buscar mais esse gênero, sabe? Pelo contrário, né, vai fazer o pessoal se afastar um pouco muito mais, né?

GRGeorge Ricardo Guariento

Sim, cara, é aquilo que eu disse, a gente pode falar, a gente tem, já assistiu muito filme desse tipo, a gente sabe que é um estilo batido. E para você inventar, ou pelo menos trazer uma originalidade, cara, Tem que ter material humano ali, personagens bem escritos, sabe? Aqui falta demais, mano. Mano, mete um cara que, sei lá, um nadador profissional, tá ligado? Que ele perdeu uma perna com um tubarão. E aí ele tá ali no avião e cai, mano.

Já pensou que merda? Tipo, caralho, de novo isso aqui? Tipo, tá faltando esse background assim. Não tem nenhum personagem que te diga, nossa, a história desse personagem aqui eu quero entender, eu quero seguir e eu quero saber por que que ele tá tão preocupado ou ele é tão obcecado por sobreviver nessa situação, tá ligado?

MMMatheus Marques

Não tem, mano. Eu acho hilário isso, cara. A moça é uma das aeromoças, é uma das comissárias lá, né? Ela fala que ela nadou na escola, né? Tipo, ela fala que foi 3 vezes campeã, né, o amador, é verdade, de natação. E, cara, ela morre tipo nos primeiros 15 minutos, gente. Cara, isso é cagar na cara de todos os nadadores, tá ligado?

GRGeorge Ricardo Guariento

Tipo, é muito—

MMMatheus Marques

eu cheguei Muito ultimão, sabe?

GRGeorge Ricardo Guariento

Mas é, às vezes eu acho que o filme, uma das coisas que eu nem cheguei a falar aqui dessa salada de frutas, é esse humor. O filme tem um exagero assim de piadas que não são bem piadas, né? Tipo, as pessoas falam, fica atrás de mim ou você vai morrer. Aí o cara leva um tiro na cabeça, sabe? Tipo, exemplo bem cênico assim, mas tipo umas coisas que acontecem que desconstrói o que eles estão querendo dizer ali no começo. Parece quase uma piada mesmo.

Então sei lá, cara, é um pouco estranho. Mas vamos lá, Teteu, vamos pra nota disso aqui, cara. Vamos lá, cara. Afinal, quantos cafezinhos valem Águas Mortais?

MMMatheus Marques

Oxe, tem café? Tem. Tem? Cê quer uva? Não, quero café. Vale quantos cafezinhos? Perfeito, só quer esquecer desse, né, cara? Cara, é um café, cara. Desculpa, mas é um café. Eu tava na minha cabeça que eu ia dar um 2 por causa do Ben Kingsley e tal, cara. Mas, pô, cara, o Ben Kingsley vai embora tipo muito no começo. No comecinho, gente. O filme não te prende, o filme não é interessante, o filme ele realmente tá faltando muita coisa, sabe?

Tá faltando aquele molho, cara, tá faltando aquele molho. O Ben 15 tinha um molho, sabe? No começo do filme ele tava lá, cara, muito bom, sabe? Mas aí eles tiram o cara do filme, né, cara? Então não tem, a gente não tem um drama para seguir, a gente não tem um personagem para querer gostar. Eu acho tudo muito falho e, cara, não é uma boa assistida, sabe? É um dos filmes realmente que A gente já teve muito filme nesse ano que não foi uma não recomendação, né, Jorge?

Mas eu acho que Águas Mortais é uma delas, né, cara? Acho que é um dos filmes para não ver. E aí eu perdi realmente com café, gente.

GRGeorge Ricardo Guariento

Um café, cara, não tem. Você disse tudo, não tenho o que falar. É aquele tipo de filme que o CG vê para você não ter que ver, tá ligado? A gente faz o trabalho sujo para vocês não terem que passar por esse trauma. Então assim, é um filme totalmente genérico com clichês atualizados. Como o Mateus disse, é um filme que se passa em 2026, mas ele tenta te passar um clima de 90. Por que que não fez o filme em 90 então, sabe? Tipo, o filme se passar nos anos 90 com a tecnologia dos anos 90, para que que você coloca um bagulho totalmente tecnológico e, sabe, se perde nesses clichês?

Outra coisa, para que colocar tanto sobrevivente se você não vai desenvolver eles? Melhor matar eles todos ali na queda do avião, deixar 3, 2, 4 vivos para você ter uma coisa mais emergencial de, ó, a gente tem que se unir, somos só nós para conseguir sair disso daqui, sabe? É tantos clichês, Matheus, que é modernos hoje que eles não pegaram. Exemplo, por que que não colocaram, sei lá, a queda do avião não foi um acidente, foi um atentado terrorista, e além dos tubarões tem terroristas ainda atrás de vocês, tá ligado?

Porra, mano, tanta coisa que podiam ter feito, mas vai ficar no si. É outra coisa para finalizar, É um filme claramente de streaming, cara. Não é um filme que justifica os 40 milhões de orçamento, bicho. Não sei aonde enfiaram. Enfiaram no cu do Ben Kisling, só pode, o orçamento. Porque esse filme não tem grandeza para isso, bicho. É um café. E olha, não assistam. E se forem assistir, assistam conscientes de que eu avisei. É isso aí, pessoal.

Mas digam vocês aí nos comentários o que que vocês acharam do filme, se vocês viram, né? E se não viram, vão querer Diz aí nos comentários e não esquece de deixar o like no vídeo e marcar o sininho para mais vídeos como esse. Um abraço e a gente se vê na semana que vem. Tchau!

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