A Última Casa (Netflix) 2026
Neste episódio do Conexão Geek, George Ricardo e Matheus conversam sobre A Última Casa, novo filme da Netflix estrelado por Wagner Moura e Greta Lee.
A premissa parecia promissora: uma família fica presa dentro da própria casa durante anos, sem poder sair e sem saber exatamente o que aconteceu do lado de fora.
O problema é que, segundo a nossa análise, o filme começa como um ótimo suspense de sobrevivência e aos poucos se perde ao tentar misturar ficção científica, ação, drama familiar e elementos sobrenaturais.
Neste episódio, discutimos o que funciona, onde o roteiro começa a desandar, os problemas de construção dos personagens, os saltos temporais, as escolhas da direção de Louis Leterrier e aquele final que levanta uma pergunta ainda maior: será que os humanos realmente são as vítimas dessa história?
E claro: no final vem o veredito oficial do Conexão Geek.
Quantos Cafezinhos A Última Casa merece?
Dê o play e acompanhe a nossa análise completa.
#ConexaoGeek #AUltimaCasa #Netflix #WagnerMoura #GretaLee
- A Última Casa· EntretenimentoA Última Casa (Netflix)·Wagner Moura·Luiza Bilos·Louis Leterrier
- Ameaças e Criaturas Lovecraftianas· EntretenimentoNatureza dos monstros·Teorias sobre as criaturas·Design das criaturas·Lovecraft
- Crítica ao Roteiro e Direção· EntretenimentoPerda de suspense·Mistura de gêneros·Clichês de filme·Problemas de desenvolvimento de personagens
- Consideracoes Finais e Recomendacoes· EntretenimentoRecomendação do filme·Comparação com outros filmes·Nota de cafézinhos
- A Casa Como Prisão· SociedadeSegurança vs. Prisão·Pandemia e isolamento
- Paternidade e História Familiar· SociedadeSacrifício parental·Dinâmica familiar·Desenvolvimento infantil
Alô, alô, nerd! Eu sou Jorge Ricardo e esse é o Conexão Geek, o seu nerd service semanal. Aqui no CG você vai ter a tradicional análise com toques de discórdia e muita cultura pop. Mas antes de começar, eu queria pedir um favor pra vocês, que avaliem esse podcast na sua tocadora de podcast predileta. Se possível, deixa aquelas 5 estrelinhas marotas. Vocês podem também seguir o CG, assim você recebe uma notificação toda vez que a gente lançar um episódio novo.
Ei, patinete, só na mão!
Pai, mãe, vamos logo!
Me espera no carro. Não, me apressa. Relaxa, eu vim me esconder dos nossos filhos. Nenhuma abre. Acho que a gente tá preso e que prenderam a gente.
Como isso tá acontecendo?
Eu não sei, mas a gente tá seguro. A gente tá dentro de casa. Ai, meu Deus! Não é só com a gente.
E o mais importante, A Última Casa, novo filme da Netflix dirigido por Luis Leterrier e estrelado por Greta Lee e Wagner Moura. A história acompanha Anne e Jason e os seus dois filhos, uma família que fica misteriosamente presa dentro da própria casa. As portas não podem ser abertas, as janelas deixam de ser uma saída, os recursos começam a acabar. E ninguém sabe exatamente o que tá acontecendo do lado de fora. Com o passar dos anos, sim, eu disse anos, aquela casa que deveria representar segurança começa a virar uma prisão.
E quando finalmente descobrimos mais sobre a ameaça, a discussão deixa de ser apenas como essa família vai sobreviver e passa a ser: será que os humanos realmente são as vítimas dessa história? Bom, vamos começar aqui com o Mateus. Mateus que tá contrariado, eu já aviso vocês, tá? Ele não queria ter assistido esse filme, ele tá me se preocupando aqui. Ele achou que seria algo, algo tipo A Última Casa da Rua lá da Jennifer Lawrence, mas não, foi uma coisa mais sci-fi aí. Teteu, suas primeiras impressões sem spoilers, cara?
Sem spoilers, né, cara? Pô, cara, assim, é um cast muito bom, né, cara? Acho muito bom, né? Você tem o nosso queridíssimo, né, cara? Nosso queridíssimo Wagner Moura, né? E tem a Gretchen ali, cara, Gretchen ali que é uma com a atriz de Kalibrião também, para caramba, sabe? Que ele viu Vidas Passadas, né, cara? Ela é excelente. E aqui, cara, a gente tem, né, todo esse comentário, né? Esse filme, ele é estético Netflix, né, cara?
Ele bebe muito do Bird Box, né, que é o mesmo estilo, né, cara? E eu acho muito engraçado, né, que o Luis Leterrier aí, né, cara, ele é um diretor de filme de ação, cara, de blockbuster, né, cara? O cara fez Veloz e Furioso, o cara fez o— lembra do Carga Explosiva, Jorge, com o nosso querido Jason Statham? É dele também, cara. E aí, cara, eu vi esse projeto aí, né, e não foi muito bem falado, né, cara. Tipo, parece que, parece que assim, os atores em questão, né, que são atores muito grandes, tá, gente.
O Wagner Moura, até para a gente, que obviamente ele é muito grande, mas a Greta Lee é atriz de Oscar também, né, cara. Esse projeto meio que tá parecendo só um projeto ali da Netflix, sabe. E, cara, sobre o filme em si, né, cara, ele começa bem e ele vai afundando, sabe. Metaforicamente falando, né, igual a casa. Eu tenho poucos pontos para pontuar de que são coisas legais, né, cara, mas ele é um filme genérico, é um filme meio chato às vezes.
Ele pega a solidão, e solidão dentro do cinema é um tema muito forte, né, cara. E aqui você tem poucos personagens dentro do filme, né, cara, e isso em vez de enriquecer, né, as performances, parece que parece que te toma tempo, sabe? Foi uma assistida complicada, né, cara? Que são quase 2 horas e são 2 horas um pouco de sofrimento aí, né? Mas e você, você que foi mais receptivo, né, quanto ao filme? Você que já é um fã de carteirinha aí da Netflix, né, cara?
O que que você achou do filme aí, cara? Especialmente sabendo dos nomes em questão, né, que estão envolvidos.
Cara, é um filme que eu tava esperando faz algum tempo, já tinha visto ser anunciado. O Matheus fala do diretor Luiz Terrier, né? E só que ele esquece dos clássicos, né? O Louis Terrier fez Velozes e Furiosos 10, tá ligado? Ele fez Cão de Briga. Então assim, ele é um diretor que ele sabe muito, muito é fazer filmes que exigem freneticidade, né? Tipo, o filme não para. E aqui eu acho que a dificuldade dele e os melhores momentos dele tá exatamente nesses lapsos de sossego, né?
Porque o filme tem alguns momentos aonde literalmente o cara que é mais agitado da família, que é o pai, o Como que é o nome dele? Jason, isso. Ó, que nome merda! Jason Delgado, Delgado, Jason Salgado, Jason Salgada. É muito clichê, né? Mas é quando ele é um cara que ele, por exemplo, não sabe nenhum nome dos vizinhos, ele apelida todos os vizinhos porque ele não consegue se dar bem com eles, ele nunca teve uma conversa com os vizinhos.
E quando isso acontece, ele começa então a ter que dialogar, conversar meio que com cartaz lá mesmo, né? E ele até se aproxima muito do vizinho da frente, que é o dentista, né? Que é o Max, que é uma família negra lá que mora, que mora de frente para casa e tal. E ele começa a se afeiçoar e saber coisas dessas pessoas. E quando o filme tem uma passagem de tempo maior, Matheus, aí a gente começa a ver ele falar: você viu se a fulana de tal da casa de tal já tá sabendo, tá com comida e não sei o que lá.
Então assim, é uma, é um, a parte mais interessante do filme para mim tá nesses entretrechos. Só que ele fica muito incomodado, diretor, e parece que ele não quer deixar a calmaria acontecer. Ele quer que sempre que alguma coisa esteja acontecendo. Então ele coloca cenas meio tentar colocar ação dentro da casa fechada sem eles saberem nada. Então eu acho que perde um pouco de suspense para tentar colocar uma ação que não existe no momento, sabe?
Mas quando o filme ganha finalmente ação, aí eu acho que ele consegue encontrar o seu, o seu melhor. Só que o problema aí é o roteiro. Aí ele, né, o roteiro desbanca assim, porque o filme ele bebe de muito clichê. Muitos clichês assim. A gente tava conversando sobre alguns aqui, o Matheus citou sinais e tal, algumas referências e tal. Ele faz autorreferências dentro dele mesmo com alguns filmes que eles têm lá, porque é engraçado, né, como a internet acabou, eles têm um DVD com duas fitas lá, com dois CDs, dois DVDs velhinhos.
E aí eles têm que ficar assistindo isso em looping assim, porque a única coisa que eles têm para fazer é ouvir música em vinil, né, que é uma coisa lá que eles têm bastante também. Mas então fica muito reduzido. E isso faz, acaba sendo uma autorreferência dentro do filme. Uma coisa que eu achei interessante, Matheus, passando pra você comentar, é que o filme pega uma das imagens mais básicas de segurança que a gente tem, né, a nossa própria casa, e transforma isso numa prisão mesmo.
Normalmente, quando existe uma ameaça lá fora, a casa é o lugar onde você corre, né, é o lugar onde você se tranca e tudo mais. E aqui acontece exatamente o contrário. E eu acho que tem uma pegada de reverência à pandemia ainda, você não acha?
Ah não, isso com certeza, né, cara. Esse começo do filme é bem legal, né, cara, porque ele traz mesmo, porra, vai chover. E o filme, até você falou dele ser frenético, né, ele já começa com essa maluquice nos primeiros 10 minutos, sabe. Tipo, nos primeiros 10 minutos, o Widerbora tá dentro de casa e começou a chover e tá todo mundo trancado, né, cara. Isso é legal, né, porque ele quer já começar com isso de uma vez, né. Porém, cara, é, isso é até um pouco contra-intuitivo, né, porque Você não tem um tempo para eles pararem para pensar em tudo, sabe?
Você não tem um tempo, tipo, para ter aquela reação de todo mundo, para entender melhor o que tá acontecendo. Tanto é que, pô, cara, as coisas vão acontecendo muito de um jeito muito maluco, né? Os pulos de tempo que o filme tem, eles são muito malucos. Então esse começo, ele é bem legal por conta disso, né, cara? Porque tá lá, né, tá acontecendo na hora, sabe? Você tá vendo tudo acontecendo na hora e Eu acho muito legal, né, porque é esse apocalipse quieto, né, cara?
É só uma chuva que veio e aí tipo o mundo meio que acabou, né? Foi, isso é bem remanescente mesmo da COVID, né? Tipo assim, ah, num dia pra outro vamos quarentenar, sabe? Aí do nada a galera começa a morrer, a gente, caralho, o que que tá acontecendo? O filme ele passa um pouco essa energia, cara, só que ele abandona, né, cara? Ele abandona em seguida. Eu, isso pra mim é um problema muito grande porque no começo do filme ele é muito pé no chão, cara, ele é muito crível, sabe?
Ele tem, né, racionamento de comida. Eles inclusive são pais muito legais, né, cara? Eles são pessoas muito boas, né? Porque o objetivo dessa primeira metade do filme é eles não demonstrarem para os filhos que, porra, fudeu, sabe? Que o mundo talvez tenha acabado lá fora, né? E eles tentam fazer rotinamente, né, fingir que tá tudo bem, que é só uma quarentena normal. Só que, cara, quando o filme ele quer contar uma outra história que não essa, cara, ele cai, ele cai por terra totalmente, sabe?
Ele vira, ele vira uma bagunça, né? Porque ele quer ser um suspense, mas aí ele quer ser um filme de sobrevivência, mas aí ele acaba virando um filme de ação, e ele é sobrenatural, mas é alienígena, mas também não é. E, cara, tudo isso, tudo isso culmina tipo em um monte de coisa que não se conversa, sabe? Um monte de diálogo que ele quer parecer profundo, né? Isso daí é Netflix, cara, isso daí é Netflix. Não tem jeito. O diálogo que parece profundo, mas não é.
E, cara, e nos momentos que a gente tá interessado, né, que é a dinâmica da família, você tem a dinâmica de casal, na verdade, né, cara. Você não tem muito das crianças. As crianças são só, são só tipo, só estão lá, né. Elas são só bocas para serem alimentadas, sabe. Isso para mim, cara, destrói o filme também, porque você só tem 4 personagens. Dos 4 personagens, você Você aprofunda um e o segundo mais ou menos, sabe? Isso para mim é muito, é muito, muito contra-intuitivo do que o filme tá apresentando, cara. Eu acho que fraco.
Tem uma questão aí no que você diz que é exatamente essa passagem de tempo, né? A gente percebe ali, por exemplo, eu fiquei com a sensação no começo de que tinha passado muito tempo, a primeira passagem de tempo que tem. Aí quando eu vi foram 2 meses. É, e é engraçado porque realmente parece que foi muito tempo, porque aparece o Max lá, o vizinho da frente, dizendo que tá morrendo de fome já e que não tem mais comida. E obviamente ninguém se preparou para isso, né?
É o fim do mundo sem preparo. E é uma fala que a Anne tem no meio do filme que eu acho muito boa, numa briga que ela tem com o Jason. E ela diz, a gente não é melhor do que ninguém, a gente não é mais esperto, a gente só teve sorte. A gente tava com a geladeira cheia, com estoque cheio de comida, e a gente tinha alguns elementos aqui que ajudaram a gente a sobreviver. Mas a gente não é mais esperto, a gente não é melhor. Eles realmente deram sorte, eles estavam, eles sobreviveram mais tempo por conta disso.
Mais ou menos, né? Porque assim, beleza, eles têm um buraco na casa deles que facilita eles pescarem animais, né?
Exatamente.
Isso para mim é péssimo, cara. No filme, o personagem do Wagner Moura, tipo, do nada, quando todo mundo tá morrendo de fome, meses sem comer, o cara, o cara cria armadilha para pegar lobinho, sabe? Para pegar cachorro.
Não, você tem que, você tem que lembrar que ele é um engenheiro E ele é um pescador.
Não, tá bom, ele é um engenheiro e um pescador, né, cara? Cara, olha o roteiro falando forte aí, né, cara? Pô, cara, isso é foda, porque assim, no começo, né, cara, eles são bem inteligentes, sabe? Todo mundo tenta fazer tudo mesmo para tentar abrir a casa. Ele tem uma arma guardada, isso até vira um ponto de discussão, mas é meio raso também. E, cara, eles tentam fazer o que dá, sabe? O Wagner Monroe é engenheiro, cara, ele tinha que estar desde o primeiro dia tentando entender o que tá acontecendo, cara.
Pô, cara, até o Devoradores de Estrelas, Jorge, até o filme lá do Ryan Gosling, que é um blockbuster, ele tem essa aplicação, né, de soluções engenhosas, sabe? Não é jogado, né, cara? Lembrei também do Perdido em Marte, sabe? Tipo, onde o cara tem que improvisar. E pô, cara, não é tipo um conhecimento absurdo de outro mundo, sabe? E não é porque ele é um engenheiro que ele é um mágico. O filme, ele bota muito essa, joga muito essa bola, né, cara?
Ah, o cara é um engenheiro, então se ele é um engenheiro ele consegue fazer tudo, né? Aí tem armadilha para fazer outras coisas também, né, que já fica depois. Só que, cara, cadê, cadê essa urgência? Cadê essa inteligência no primeiro dia, sabe? No momento onde você tinha coisas para salvar, cara. Porque, porque, pô, se você é uma pessoa meticulosa, inteligente e uma pessoa cheia de maneira de ver o mundo, cara, você tem que pensar nisso no começo.
E não 2 meses depois, quando a comida acabou e a tua mulher já desistiu, sua família já desistiu, sabe? Eu sei lá, cara, é o personagem não conversa com a situação, sabe?
É, eu entendo o que você fala e eu ressalto que, por exemplo, apesar de não me incomodar tanto essa questão da engenhosidade, né, meio que relâmpago dele, me incomoda sim o fato de que quando a gente sabe que se passaram 5 anos, e aí eu acho que é uma péssima escolha porque eles trocam os atores das crianças crianças. E a menina, pelo menos, era muito carismática criança. Quando ela cresce, ela perde metade desse carisma. E aí a história que é contada pelo ponto de vista dela— e aí tem duas coisas aqui, né?
Primeiro, o filme se chama A Última Casa, o que já dá a entender de que eles vão ser os últimos, vão ser os únicos a sobreviver. Então já é um puta de um spoiler quando você vê as outras famílias lá, você sabe, eles vão morrer, só vai sobrar essa família. E a outra coisa é você saber que quem tá contando a história é a menina. Porque quando você sabe que ela tá contando a história, você sabe que não tem risco dela morrer, tira o senso de perigo.
Não, mas calma, Jorge, aí é roteiro, cara. Você pode, você pode estar contando como uma, como um pós-morte dela também. Isso não é um problema porque você não sabe onde o filme tá indo, né, cara? Só que assim, só que aí é que tá, né? Você sabe, na verdade, né? Porque todos os clichês de filme estão aqui, né, cara? Tipo, você tem a quase morte dos personagens, Tem a menina ficando doente. E nossa, cara, isso também, olha, olha o roteiro, Jorge, maravilhoso, né, cara?
Ela, ela, eles pegam um bichinho, né, pega um cachorrinho lá, e aí ela acha ele fofinho. Não, é um furão, Jorge, é um furão, um furão. E aí o furão morde a mão da menina, sabe? Inclusive eu até gosto da cena do Wagner Moura pegando o furão e pá, quebrando. Isso foi uma cena engraçada. Só, cara, a menina, a menina tá morrendo. E aí do nada eles acham um buraco na casa, né? E aí do nada tem remédio, cara. Pô, é complicado, cara, porque é muito, é tudo muito conveniente, sabe?
Os remédios que funcionam segundos depois que ela tomou. Pô, cara, me cria uma urgência aí, cara. Mata o personagem, mata esse filho aí que não fez nada o filme todo, sabe? A única cena que o moleque fez foi cozinhar um peixe, cara. E é foda, cara, isso, porque Porque, pô, no Guerra dos Mundos tem uma cena muito parecida, né, tipo, de um moleque lá tem corrido para bola de fogo e nem ele morreu, sabe? Você tem, você tem tipo o filme dos Sinais, cara, também que é muito tenso também e já fala de alienígena, né?
Mas aqui, cara, é meio que você entende que nada vai dar errado, sabe, cara? Especialmente depois que se passam 5 anos, Jorge. Ali para mim foi aonde eu, a minha suspensão de descrença acabou, sabe? Não deu para mim, não deu.
É, o problema para mim dos 5 anos, entendeu, é porque foram 5 anos onde eles não descobriram nada sobre os visitantes, sobre as criaturas lá de fora. O que eu acho muito estranho, cara, não é possível que você passa 5 anos e você não se interesse por descobrir o que tá acontecendo. Beleza, eles estavam preocupados em sobreviver, criaram armadilhas para capturar animais e tudo mais, mas, cara, você tentar entender por quê, o que que tá acontecendo.
Porque, por exemplo, tem a menina lá que no começo do filme ela vai embora, né? E ela morre depois. A gente vê ela morrendo. Sim, ok. É até assustadora aquela cena, parece meio Evil Dead assim a maquiagem dela.
Só que ela chega meio gollum, né, Jorge? Ela chega meio desesperada e ela fala coisas desconexas, né? Todo mundo morreu, todo mundo morreu, e ela tá correndo com a faca no meio da cena.
Exatamente.
É uma cena legal.
E depois que ela morre, cara, o que a gente sabe? Alguém tá matando pessoas lá fora. E aí você tem que entender Tá, matou ela. Mas por que que os animais, por exemplo, não são afetados nem pelas enchentes, nem por nada, tá ligado? Os animais seguem lá fora como se tudo tivesse normal. Então assim, não existe uma investigação ativa de ninguém dessa família. Eu acho que talvez a menina, e aí eu, ela tenta, ela tem um quadro lá que eu acho bem interessante, só que eles não exploram isso também.
Ela marca, por exemplo, quantas vezes, em quantas e quantas horas para de chover e tal. Então ela tem tipo um mapeamento disso. Se tem algum nexo ou não, se faz algum sentido. A gente nunca vai saber porque ninguém caga para menina, né? Os pais cagam para menina.
Não só isso, né, Dili? Tem ela, ela desenha ativamente as criaturas, né? E assim, todo, a gente sabe que tem coisas da chuva, né? E ela meio que tem um vislumbre ali, né, cara? Tem meio que uma certa, entre aspas, conexão, né? E aí que acho que a parte meio sinais também, né, cara? Porque Porque assim, você não sabe o que que é aquilo, sabe? E por você não saber o que é aquilo, tem charme, é interessante, sabe? O que que é essa porra na chuva, sabe?
É claramente sobrenatural, porque eles tentam abrir, tentam quebrar a porra da porta e nada acontece, né, cara? E isso daí é uma indagação legal para se fazer, né? Problema é quando eles tentam explicar, cara. Se fosse uma coisa, uma viagem, Jorge, assim meio maluca, meio Donnie Darko, sabe? Onde você não sabe de nada. Só que assim, só que aí o filme ia ter que ter um roteiro muito diferente e ser muito mais introspectivo, né?
Ele não é nada disso. E, mas pô, cara, se você tem que fazer todo mistério com monstro, cara, já mostra o monstro mesmo. Faz um Cloverfield da vida, sabe? Mostra outra coisa, cara. Eu fico muito chateado com esse filme, cara, porque você tem O Lugar Silencioso, cara, que é meio que o mesmo filme, só que muito melhor, sabe? É o filme de família, é um filme com indagações, é um filme que Ele tenta ser profundo, ele tenta te pegar no emocional, cara, ele consegue, né, cara?
Aqui, Última Casa, eu acho que ele tenta ser um, ele tenta ser um lugar silencioso, só que sem molho, sabe? Sem molho, cara. Ele não tem, ele não tem charme, ele não tem. Pô, cara, eu fico muito chateado, pô, de saber que é o Wagner Moura e a Greta ali nesse filme, sabe, cara? Porque é um filme que não deveria ter esses nomes todos.
É, o Matheus tá triste, gente, não liguem assim, ele tá decepcionado.
Eu tô triste porque eu vi o filme, né, cara?
Então, exatamente isso que eu tô querendo dizer. Mas vamos falar um pouquinho aqui sobre os monstros, né? É uma discussão que tem dominado aí parte da crítica, é o que são esses monstros e se eles são os vilões ou se eles são os mocinhos, na verdade, né? Existe uma coisa aí, o que que esses monstros querem? Por que que eles não matam todo mundo? Por que eles prendem essas pessoas dentro de casa, né? É, e aí tem algumas teorias aí.
A menina mesmo, ela tenta, ela acha que pode se comunicar com um deles, né? Ela disse que tem um deles que é bonzinho e tal e tudo mais. Inclusive isso meio que se reforça ali no final. Mas como que você viu essa parte assim? Você acha que é uma tentativa de dizer que a gente já sabe, dando spoilers aí, que o diretor disse, roteirista, que são criaturas que são mais antigas do que os humanos? Eles já estavam na Terra antes dos humanos.
Então a gente fudeu com o mundo inteiro e eles vieram retomar. Né, salvar a Terra.
Mas por que só agora?
Mas por que só agora? Não, então, por quê? E por que depois de 5 anos vão embora e deixa a gente foder tudo de novo?
Não, não é que deixa foder, deixou essa família em específico aí porque um deles gostou deles, né? Assim, vamos lá, né? Pô, desde o começo, cara, a mulher fala, né, mataram todo mundo. Pô, se eles mataram todo mundo, cara, então eles não são pacíficos, né? Você tem essa noção. E não só isso, né, cara? É muito estranho você falar que eles são bonzinhos quando eles prendem as pessoas nas casas e esperam eles morrerem de fome, né, cara?
A gente acompanha aqui a família Delgado, né, cara? Eles sobreviveram esse tempo todo porque eles conseguiram, porque eles tinham expertise em botânica, né, para poder criar as plantas ali, né, que a mãe cozinhava sempre, né, que a Anne cozinhava. E o Wagner Moura, cara, engenheiro, conseguiu catar comida, né, cara? Conseguiu comer os animais, E pô, e de novo, né, por muita sorte. E beleza, isso é suficiente para serem poupados?
Porque assim, dá a entender no finalzinho do filme que tem outras pessoas também, né, e que não foi uma erradicação total, né, algumas poucas pessoas sobreviveram. Mas cara, não dá para falar de maneira alguma que esses bichos são bonzinhos, cara, que eles são pacíficos, sabe? Até porque, cara, antes da conclusão, né, O bicho tá tentando matar a família, cara. E no caso, o filme deixa entender até que é o mesmo bicho, né, que tá sempre lá rondando.
Então, tipo, tentaram matar a mãe e aí depois ele tá perdoado. É muito, muito estranho, né, cara, porque eles não se comportam exatamente como animais, sabe? Eles não são irracionais ou com instinto de sobrevivência. Eles estão simplesmente tentando deixar a gente morrer de fome, sabe? Isso Isso não dá para comprar, cara. Mesmo que tenha um rebelde ali que fale, não, gente, tá beleza, ó, não mata eles não, tá? Mas no final, e o resto do mundo, sabe?
A não ser que só aqueles 5 para o planeta inteiro, né? Se for aqueles 5, beleza, né? Porque, cara, essa crítica, essa crítica assim de, pô, olha como estamos acabando com o planeta, cara, ela é uma crítica muito velha e é uma crítica que já foi feita na Guerra dos Mundos, sabe? Tem muitas outras obras, né, cara, que elas têm essa, né? E Até o Godzilla, né, Jorge? Até o Godzilla, né, das criaturas antigas tentando recuperar aqui a terra humana.
Só que o filme, ele de novo, né, mais uma vez, ele não fica nessa, sabe? Ele não quer te fazer essas perguntas, né, cara? Ele quer mostrar a engenhosidade da família, ele quer mostrar o que que eles querem fazer. E pô, cara, quando chega no final, cara, ele quer fazer um tubarão, mas o tubarão Não cabe aqui, né, cara? Cucubara não cabe aqui. Mas você, Jorge, você que você gostou tanto desses bichos, cara, você tá defendendo eles para mim, cara. Você gostou do Cthulhu genérico, o Cthulhu que não é misterioso?
Pô, cara, eu, eu, eu gosto da manifestação do que eles significam, né? É até reforçando aí que a gente já vinha conversando. Isso me leva tipo uma interpretação até que eu gostei bastante assim. Eu fiz essa reflexão depois porque o filme começa parecendo que é uma história de invasão alienígena. Eles dão várias pistas sobre isso, né? O menino fala: e se for uma invasão alienígena? Que é uma tática também clichê para despistar a gente do que tá acontecendo de verdade, né?
Então, como eles não têm informações, é aquela coisa da Guerra do Mundo, né? Você não tem informação, você começa a fazer o telefone sem fio e cada um acha uma coisa, e você começa a ficar noiado, você começa a achar coisas absurdas. Mas aos poucos aí ele vai apresentando que não é um horror cósmico, né? São seres mitológicos, Matheus, antológicos talvez, sei lá, ancestrais. Isso, isso é muito. Então eles estão literalmente retomando o planeta Terra.
E aí eles até falam isso em algum momento lá, que o planeta Terra já foi 90% água e tal. E a gente, né, pela utilização do planeta, a gente fodeu com o planeta inteiro e a gente tá destruindo o planeta. Então assim, é antiga essa crítica. O Matheus tem razão, é uma crítica que não é nova. E isso lembra bastante aí, para mim pelo menos, a aparência dos bichos lembra bastante Lovecraft, né? Tipo, não dá para você tipo olhar e não pensar em Lovecraft.
Mas eu entendo que o Matheus tá, o que o Matheus tá dizendo. Quando a gente fala de Cthulhu, aquela coisa é horror cósmico, né? É um horror que tipo é literalmente, o Matheus sempre fala isso, né? Quando a gente tá falando de Lovecraft, Cthulhu, essas criaturas, é um humano, por exemplo, não conseguiria olhar e enxergar essas criaturas como elas são realmente, né? Elas são um ser dimensional. Então a gente nem tem como enxergá-las normalmente.
Então isso até entendo. A humanidade no filme não é necessariamente o centro do universo. Talvez a coisa mais assustadora aí seja não existir um monstro. Talvez fosse, né? E se não existisse nenhum monstro lá fora? E se não tivesse nada? Se não tivesse uma explicação, sabe? Fossem só eles contra eles mesmos, eles saíssem e tipo não tivesse nada, todo mundo morreu e já era.
Jorge, faltou só um diálogo nesse filme que a Netflix já fez, tá? Já fez isso pra gente, tá? De alguém pegar e falar, os verdadeiros monstros somos nós, sabe? Faltou só isso, né, cara? Mas é engraçado esse fato do Cthulhu, né, cara? Porque assim, obviamente, tem até uma foto do Cthulhu aí, né? Mas essa foto do Cthulhu, né, essas gravuras que a gente tem do Cthulhu, elas são o que a mente humana consegue perceber como uma forma física, sabe?
Não é— a ideia do Cthulhu é ele ser inominável, né, cara? A aparência dele não pode ser descrita, sabe? Porque se você vê aquilo a sua cabeça não vai compreender, né? E isso me incomoda exatamente porque no começo, cara, os bichos são muito interessantes, cara, porque você não sabe o que que são. Você sabe que eles estão lá, você vê uma sombrinha, vê a mãozinha ali meio no vidro, né? E aí depois, cara, quando você vê melhor, eles só são umas lulas, né, cara?
Eles só são um pouquinho de tudo, né, cara? Um pouco peixe, um pouco tubarão, um pouco lula. E isso para mim enfraquece muito, né, cara? Porque não são, não é um design Guilherme del Toro, sabe? Não é um design tipo assustador, incrível, sabe? É só um, é só uns moitinho aí, cara, é só umas bolinhas assim, cara. E não é, não perde muita força, sabe? Perde muita força, cara. Eu, para mim, eu queria, eu queria que tivesse um pouco mais de mistério, né, cara?
Pô, você lembra do Cloverfield, cara? Cloverfield é o B do caralho, né, cara? Porque você, você não sabe, você não vê o monstro o filme inteiro, né? Com exceção no final que eles mostram o monstro. E o bicho é uma bosta, né, cara? É muito feio. Mas assim, o mistério é muito mais legal, sabe? Eu preferia não ter visto, cara. Eu preferia não ter visto.
É, tem isso que você fala. E também tem umas coisas assim que eu acho que derrubam um pouco a mitologia de qualquer monstro, né? Por exemplo, esse monstro ele sai da privada. Tem uma hora o buraco da privada. E é isso aí já, pô, um Cthulhu sair da privada é sacanagem, né, mano? Não, porque, Matheus, pensa comigo. Quem tá trancando a porta?
Eles são eles, são eles.
Então por que que eles entraram pela privada e não pela porta, cara?
Então, né, não entendi. São 5 anos, cara, são 5 anos, são 5 anos. E assim, nesses 5 anos dá a entender que eles não sabiam que a família estava lá, né, porque eles estavam escondidos por 5 anos.
É meio foda de acreditar, mas é um fato que não faz sentido também, né.
Não faz muito sentido, cara, porque é muito bicho para comer, sabe? E, cara, é assim, eu não sei se a galera manja de plantação, né? Não manjo de plantação, mas com certeza a galera lá no roteiro não soube, né? Mas, cara, essas plantações de milho, cara, elas são rotativas, cara. Você não planta milho, milho e comida assim não, cara. Pô, tem um tempo para você coletar, tem um tempo para ela crescer, não é o ano inteiro que dá, sabe?
E isso também é uma coisa muito esquisita, cara. O cara comeu todos os bichos ali em volta, cara. Não é sustentável, cara. Não é sustentável para 4 pessoas, cara. 4 cabeças, cara. Eles tinham que estar muito fodidos, sabe? É de saúde mesmo, cara. Faltando, tá faltando carboidrato, tá faltando proteína, sabe? É foda, cara, você deixar quieto. E no final, cara, se eles sabem que tem gente lá, cara, inunda a casa, sabe? Inunda a casa, mata todo mundo.
E aí por isso que eu falo que não faz sentido o bicho ser bonzinho, né, cara? Exatamente quando o filme inteiro eles estão tentando matar a família.
Então essa é a grande dúvida que eu não consegui tirar, Matheus. Eu confesso para você, porque na minha cabeça é assim: eles trancaram as pessoas lá, certo? Eles trancaram lá. Se eles quisessem matar, não era mais fácil matar? Só destruir tudo, afogar todo mundo? Então por que que eles trancaram as pessoas lá? Mas também não faz sentido eles quererem salvar as pessoas sendo que eles estavam tipo mantendo as pessoas com fome.
Não, mas pô, cara, a família do lado, né, cara? A família lá do lado, cara, e também do dentista, né, do senhor Richards, pai da esposa, Max Richards. A casa tava afogada, cara. Casa tá tipo, lembra que ela até acha o corpo dele debaixo da água, sabe? A casa tava tipo afundada, cara. Não faz sentido, Jota, não faz sentido.
Ali eu interpretei da seguinte forma: Eu acho que eles entravam depois que todo mundo tinha morrido, quando eles tinham certeza que as pessoas tinham morrido. Então não sei, eles não queriam ter contato com as pessoas, não sei. É tipo uma pessoa que tá matando um animal na armadilha, mas ela não— ele não quer literalmente lidar com a consequência de encarar essa pessoa de frente, sei lá.
Não, cara, mas é que tá, cara, mas é que tá. Essa não é uma pergunta que deixa a gente interessado, né, cara? Essa é uma pergunta, não, só mostra uma falha de roteiro, sabe? É, você é mais a favor das explicações, né, cara? E mesmo, e eu que realmente nesse caso a gente até queria explicação, né, cara? Porque porra, nada faz sentido aqui, sabe? Você não sabe a motivação dessas porras, cara.
Matheus, é porque existe duas coisas. Tem um exemplo aqui muito bom que eu vou dar agora, que vocês vão lembrar. A gente falou desse filme aqui, que é o— caraca, como que é aquele filme da Hulu de alienígenas que a mina não tem fala? Que não tem nenhuma fala no filme, lembra?
O Rush?
Não, não é ele. Caraca, como que é esse filme? Pera aí, pô. É, cara, eu falei de improviso aqui, mas eu vou achar aqui. Pera aí, rolou filme de Alien. Cadê?
Eu lembrei, mas não lembro do nome, cara, do filme. O filme do alienígena da menina.
É o No One Will Save You. No One Will Save You. Ninguém vai te salvar. Ninguém vai te salvar. Esse filme, cara, ele tem basicamente assim a mesma estrutura, digamos assim, do começo desse filme aqui. Então ele mostra uma menina que tá tipo sofrendo ali alguma coisa, uma invasão, ou tem alguma coisa estranha acontecendo na casa dela, tá presa dentro da casa. E aí quando ela finalmente vê, a gente não precisa de uma explicação do que que esses aliens querem, porque a gente sabe que eles só querem dominar todo mundo.
Tá implícito. O grande problema aqui pra mim é de A Última Casa, é que mesmo quando tudo se revela, nada se revela. Os bichos aparecem, mas eu não sei por que eles estão fazendo aquilo ou por que eles fazem daquele jeito. Então vira uma coisa muito ampla. E quando eles vão embora, que tem aquela cena final, né, que eu acho bem— é o final, é muito ruim, cara, porque é muito pra baixo. É, exatamente. Ele, ele finalmente, eles dão de cara com essas criaturas, conseguem sair da casa, e aí as criaturas literalmente vão embora e voltam pro fundo do mar.
Mostra elas nadando, mano. E eles pegam um barco e vão procurar novos sobreviventes. Assim, por que que eles fizeram isso? 5 anos depois, e Mateus, se fossem assim, ó, ó, passou 5 anos, eles limparam a terra da poluição, por exemplo, que até tem uns comentários assim, ah, Olha só como tá bonito o céu agora que é 5 anos sem passar um avião, não sei o que lá. Faz sentido, tudo bem, é um comentário que por mais que seja clichê é válido.
Mas se eles fazem isso depois de 5 anos, eles vão embora só porque alguém falou o nome da minha mãe é Marta, Matheus, a minha também, vamos voltar para o mar. Então assim, que que o humano vai fazer, Matheus?
Vai foder tudo de novo, não vai fazer nada, cara. Pô, caramba. E assim, até porque o O tema desse filme, eu acho que nem é sobre o planeta em si, sobre salvar o planeta. Eu acho que o tema do filme é muito mais sobre família, né, sobre paternidade e tal, né, o sacrifício de você ser pai, sabe. Inclusive tem uma cena muito legal que ela joga na cara dele, pô, não é só você que tá fazendo as coisas não, sabe. O cara tem síndrome de super-herói, né, o cara acha que o mundo tá girando em torno dele, cara.
Tudo é nas costas dele, sabe? É a sina de ser homem, né, Joel? Você tem que fazer tudo, se sacrificar. E aí eu acho legal, cara, porque assim, ele é esse estereótipo do papai defensor, né? O cara que vai se sacrificar pela família. Só que assim, dá para comprar porque ele genuinamente tipo faz de tudo pela família, sabe? Isso eu acho ok, né, cara? Só que de novo, né, você não tem muita observação quanto a isso, né, cara? As crianças vão crescendo, né?
E a menina, ela é bem mais nova que o menino, né? E aí eles têm estratégia diferente, né, cara? Só que você não tem esse desenvolvimento com as crianças, sabe? Chega uma hora lá que o moleque tá de saco cheio, né, cara? Porque ele é adolescente, é adolescente chato. E nessas idas e vindas, né, cara, você não tem muito diálogo com ele, sabe? Tem umas, cara, tem duas cenas desse menino no filme inteiro, Jô. Tem uma cena que ele corta o peixe E tem uma outra cena lá que ele tipo, que ele quer ir embora, sabe?
Que ele quer fugir da casa. E inclusive, né, o filme vira isso, né, velho? No final do filme eles ficam de saco cheio e fala: ah, vamos embora da casa então, vamos embora. E cara, é muito louco, sabe? Tipo, porque as coisas vão acontecendo e do nada, bicho, 5 anos depois vocês querem só sair.
Uma coisa que eu acharia interessante, Matheus, assim, eles não vão para esse caminho, mas eu acho que daria mais uma credibilidade ao filme é que vamos supor que depois de 5 anos ali ela conseguiu criar a horta, tá tudo dando certo e tal, eles não passam mais fome, tudo tá seguindo e eles não têm como sair. Então eles estão acomodados, digamos assim. Só que tem aquela passagem, a casa tá caindo, a casa tá afundando, e eles se vissem obrigados a sair porque a casa ia cair em cima deles.
Então tipo, ou eles saem ou eles morrem. Então seria uma boa premissa para você explorar um pouco o lado de fora. Que é mesmo quando ele sai, a gente não sabe o que tá acontecendo lá fora. É engraçado isso, né? Tipo, a gente não vê, a gente não sabe como que se passou esses 5 anos lá fora, né? O que que esses seres fizeram do lado de fora, né? Eles mataram com armas? Eles caçaram? Tipo, enforcaram? Ele, o que que eles fizeram? Afogaram todo mundo? Não sei como morreu.
A gente tem bunker, a gente tem arma de fogo, cara. Você viu que eles mataram um bicho com arma improvisada, né? Você viu? Isso aconteceu. E aí, como é que eles mataram tipo os exércitos? Exército russo, exército chinês, exército americano? Sabe? Como que eles mataram? Como que esses bichos mataram todo mundo, sabe, cara? Quanto mais a gente para para pensar, mais furo você vai encontrar, cara.
Essa história, não, mas você sabe qual o maior furo do filme, cara? O maior dos maiores, irmão. É essa aqui, eu com certeza deve ter prestado atenção, mano. Na hora que eles fazem o plano final lá, e aí dá tudo errado e o bicho começa a alagar a casa inteira, aí eles ficam: ah, pega, pega o arpão, atira nele. Aí ele atira Aí, mano, ele ativa um dispositivo no carro, só que a casa tá submersa e a garagem não. E a garagem é embaixo. Como que a garagem não tá submersa?
A porta segurou, a porta segurou, a porta vedada.
Faz sentido, bicho?
Faz sentido?
Não faz, porra. Eles não pensaram nessa porra. Só pode, eu só consigo imaginar que eles não pensaram no que ia acontecer ali. Mateus, tem mais uma coisa, cara, que eu descobri aqui lendo as entrevistas, né, do diretor e do roteirista. E ele disse que colocou um grande easter egg aí de um filme que ele adora e que tem um personagem desse filme que tem uma participação aqui que ninguém percebeu. E ele fala uma palavra no final que é alô. Você percebeu quem era o ator que falava alô?
Quem o ator que fala alô, Jorge? Agora, agora você pegou minha curiosidade. Por quê? Quem que é?
É o Keanu Reeves, cara, porque seria o personagem do Dia que a Terra Parou.
Nossa, cara, que Ai não, cara! Ai, Jorge, que isso, mano?
Pois é, mano. Mas ele falou assim, ele falou assim que é só um afago, porque ele disse que ele gosta muito desse filme, né? Ele convidou o cara para falar um alô e o cara gravou um áudio no WhatsApp falando alô e ele colocou lá.
Caraca, mano, os cara trouxeram o Kenno vivo, os cara.
Pô, cara, não tá nem acreditado, tá? Então é só uma curiosidade.
Eu tô tentando procurar aqui, não tá acreditado.
Não tá acreditando, foi só uma participação. Parece que eles são amigos aí, ambos. Mas, Teteu, a gente tem então, é só para a gente caminhar aqui para o final, a gente tem esse filme onde existe uma certa incerteza, né? Você fica nesse final aberto assim, a família sai, pega um barco e vai navegar por aí para descobrir o que acha uma burrice, tá? Se as criaturas são do mar, você não pega um barco e vai para o mar.
Eu acho Tá tudo certo, agora todo mundo—
Somos amigos agora?
Repassaram a letra pros outros ali.
Eu não confiaria, mas tá tudo bem. Eles vão, pegam o barco lá, vão navegar. E tem uma frase motivacional da menina: agora o mundo é nosso e deles também. E aí eles vão navegando lá. Mas, Teteu, você acha que esse final ele é aberto? Porque ele quer passar essa mensagem de, ai, a humanidade sobreviveu a mais uma crise, ou porque o diretor ou roteirista tá tentando pensar aí numa franquia, no mundo aberto aí, no mundo maior?
Pô, cara, antes de pensar na franquia, que tal pensar no filme, né? Que tal tentar fazer um filme direito, né, em vez de já pensar na sequência, né? Ah, cara, o final do filme na verdade ele é fechadinho no sentido de que, olha, sobrevivemos, olha, somos uma família. Aquele final esperançoso Hollywood mesmo, né, cara? Final com açúcar. Eles não tiveram coragem. Lembra aquele outro filme lá, Jorge?
O Mundo é a Arca de Noé.
Nossa, Arca de Noé, né? O Caim e Abel ali, né, cara? Meu Deus do céu. Você lembra do Mundo Depois de Nós, Jorge? Que é um filme lá também do Airbnb, que o mundo acabou, tá tudo uma merda, que a menina fica assistindo Friends no final do filme. Sim, sim, a gente gravou esse filme, a gente gravou esse filme aqui do podcast, porque ele é um filme de apocalipse também, que a gente não sabe o que tá acontecendo. E cara, esse filme, por mais que ele seja tipo meio confuso em muitos aspectos, né, ele nunca é, ele nunca é explicar o final dele e fazer sobre ser uma coisa, né.
Aqui, cara, é o final mais água com açúcar possível, sabe? É o final, é o final tipo muito, muito, olha, gente, somos uma família, estamos juntos, vivemos. Estamos bem. Pô, cara, não é estamos bem, né, cara? Tipo, olha, olha a vida que vocês levaram, gente. 5 anos, cara. Assim, em 5 anos, cara, se tiver tipo 1% da população da Terra, é muito, né, cara? Se tiver, ele dá a entender que eles conseguiram reerguer a sociedade. Mas, cara, os bichos vão deixar reerguer a sociedade, cara?
Vão deixar a gente poluir tudo de novo, cara? Se for esse o caso, melhor matar todo mundo, né? Porque garante que não vai ter problema, né? Cara, esse final, esse final para mim, ele Ele tipo assim, ele foi o caixão, cara. Ele foi o caixão, ele foi o último prego no caixão, viu, cara? Não deu, Jorge, não deu. Eu fui nessas horas que eu fiquei arrependido de ter visto esse filme.
É porque tem essa mensagem que você falou, o Gabi sempre fala isso, né? Tipo, ah, essas mensagens de o homem é o lobo do homem e tal, então a gente, a humanidade é autodestrutiva e tudo mais. Eu acho que essa é a premissa de quase todos os filmes, porque a realidade também, né? A gente faz isso isso o tempo todo. A gente se destrói, a gente recomeça. E aí tem essa questão, se eles são os últimos também seres humanos, o que eles teriam que fazer para continuar a humanidade é meio bizarro, né? Os irmãos vão ter que se aproximar.
Não, caso isso aconteça ainda, cara, pô, você vai, você vai ter humanidade para quê? Para mais uma geração só?
Exatamente, cara.
É o que eu tô falando, cara. Esse final, cara, é aquele final que o cara pensa numa premissa Mas ele não pensa nos pormenores, sabe? Tipo, não tem, não tem, não tem mais humanidade, cara. Acabou, mano. Não é assim que funciona não, gente. Pô, é difícil, cara.
Mas vamos lá, Teteu, vamos para o momento que todo mundo quer saber. O Matheus me prometeu 5 cafés e eu quero saber se ele vai entregar. Afinal, Matheus, quantos cafezinhos vale a última casa?
Hoje tem café? Tem, tem. Você quer uva? Não, quero café. Vale quantos cafezinhos? Não, que eu quero, quero falar aqui, gente, da inflação de cafés que tá tendo no CG ultimamente, né, cara? Pô, tá muito, é muito café para filme que não merece café. E aí fica difícil, né, Jorge? Pô, cara, a última casa, né, cara? A última casa, pô, cara, 2 cafés, né, cara? 2 cafés. Um café para o Wagner Moura e um café para a Grita ali, cara, porque Eu pensei que tinha falado um café para o doguinho que morre.
Ô cara, então tá aí, ó, tá aí, ó. Olha como esse filme é vagabundo, cara. Ele tentou pegar na emoção, cara, tentou pegar o coitado do Cassidy, cara. Mataram o cachorro, cara, e deram de comer, cara.
Nossa, tinha um cachorro cardíaco no filme, bicho.
Tinha um cachorro cardíaco no filme, gente. Então, né, já reforça, né, cara. Enterra o cachorro, cara. Não precisa comer o cachorro não, gente. Meu Deus do céu, para que isso, sabe? Aí eles comeram o cachorro, tá, gente? Comeram o cachorro e foi isso, tá? E nem souberam, as pessoas não souberam que eles comeram o cachorro, tá? Mas nesse café, cara, o filme, o filme ele até começa bem, cara, mas depois assim dos 20, 30 minutos ali, ele vira tipo a Netflix mesmo, né, cara?
A Netflix fazendo aquela coisa melhor, né, cara? Que é te chamar de burro, te chamar de desatento. Tem flashbackzinho, cara, para tudo, mano. Que a gente lembra disso, lembra da arma que a gente tem. Eu não fui uma boa assistida, gente. É um filme que eu não recomendo vocês assistirem, tá? Se quiser ir ver Homem-Aranha, acho que vai estar mais interessante, provavelmente. Qualquer coisa da Marvel aí, né, cara? Até Odisseia, cara, até Odisseia, que é um filme meio duvidoso, cara.
Ele foi bem mais, ele teve muito mais entretenimento dentro da história do que O Última Casa, cara. Então, então, gente, é mais uma vez é um burn box, gente. Se você quer ver esse filme, veja Bird Box. Aliás, não veja Bird Box, né? Veja A Chegada, veja Os Sinais, veja Em Lugar Silencioso, né? Porque é o mesmo tipo de filme e muito melhor, tá? Então, 2 cafés aí para Última Casa.
Caramba, Teteu, você me surpreendeu agora, cara. Não imaginava que você ia dar uma nota tão baixa. Tô brincando assim, eu acho que a gente concorda sobre o filme começar de um jeito, ele começar com uma expectativa alta, porque você tem atores que são carimbados, são testados já, não dá para falar que os atores são ruins ali, os principais. E aí você tem uma perda de expectativa porque parece que o diretor não sabe lidar com suspense sci-fi, ele sabe fazer ação.
E o filme não tem por que ter ação porque eles estão dentro de uma casa. Então tipo assim, sabe, a grande cena de ação é o Wagner Moura tentando dirigir o carro dentro da garagem, tá ligado, gritando lá e tentando dirigir o carro.
Exatamente.
É, então assim, não tinha, não era um filme pra um diretor tentar fazer o que ele sempre faz. Era um filme pra ele tentar se reinventar. E aí eu acho que ele escorrega bonito assim. Eu queria muito, eu tenho dificuldade ainda, Matheus, de tentar interpretar aonde a culpa é mais do diretor nessa parte ou do roteiro também, né. O roteiro é um roteirista que ele faz vários trabalhos aí pra Netflix. Ele fez, não sei o que lá, Monstros com o Jack O'Connell lá.
Ele tem alguns filmes aí, alguns roteiros aí pela Netflix. Eu não sei o quanto a culpa é dele, né, nesse sentido assim, porque parece que o filme tem uma premissa que é ok, mas quando ele vai desenvolver essa premissa, ele parece que ele escorrega assim e ele vai dando uma piorada legal. Eu não fiquei assim tão magoado que nem o Matheus, obviamente.
Eu ainda acho que não, cara, não tem nada de tão profundo aqui não, cara, é só um filme ruim.
Matheus ficou magoado, gente, ele não quer falar aqui, mas ele chorou pra mim aí no telefone, tipo, ele ia dar assim cafés aí quando acabou de ver o filme não conseguiu. Mas para mim, para mim é 3 cafés, cara. Eu ainda acho que eu me diverti até, até eu não me diverti mais, eu me diverti, entendeu? Até eles saírem da casa eu acho que eu tava me divertindo. O grande problema foi que eu criei uma expectativa razoável sobre o monstro.
Quando eu percebi que era um Cthulhu ali, que era um bicho tipo uma Lulinha, eu falei, caramba, eles são deuses, eles são alienígenas, eles são aí, não é nada. É tipo, eles são seres que estão putos porque eles jogaram uma banana no mar, caiu neles e eles estão voltando para se vingar, tá ligado? Para limpar a terra, sei lá.
Eles são faxineiros, Matheus, eles são faxineiros, eles estão fazendo o que a gente faz de melhor, né, cara? Estão limpando tudo aí praticamente para a gente pegar depois.
São anchovas faxineiras, é isso que eles são. Mas tudo bem, fica aí para vocês também. A gente quer saber de vocês, como vocês enxergam esse filme? É um filme tão ruim assim? É um filme legal? Aliás, já tá top 1 aí da Netflix, né, Matheus? Esses filmes têm essa pegada, né? Esses filmes tem um marketing agressivo, digamos assim, né? Eles, quando ele vem, ele vem com marketing muito agressivo. Tem gente fazendo casas isoladas lá em Nova York nos outdoors.
Eles colocaram duas famílias morando realmente uma semana para fazer o marketing em Nova York nos outdoors, cara. Eles montaram umas casas.
Gente, número, número vai virar aquilo aí, tá sempre virando, cara. É aquele filme aquele filme que a pessoa vai assistir no final de semana.
É o blockbuster, né, Matheus?
É, cara, é um blockbuster aí. Tem nomes grandes, cara, não tem jeito, né? Eu não tinha ouvido falar, mas a Netflix dá um jeito, né?
Mas o Matheus não ouviu falar, mas eu ouvi e falei para o Matheus. O telefone sem fio aqui. É isso aí, gente. Digam aí nos comentários o que você achou do filme e a gente volta na semana que vem. Um abraço, até semana que vem.
Tchau!