Episódio 448: O 1º de maio, a anistia mascarada de dosimetria, e o congresso nacional do PT
- Congresso NacionalDebate sobre conjuntura, tática eleitoral e programa de governo · Comissões de elaboração de documentos · Estratégia de nucleação do PT · Relação entre programa, estratégia e organização partidária · Divisão interna sobre tática e estratégia · Manifesto aprovado e suas implicações
- Dia do TrabalhadorAtos descentralizados e impacto das chuvas · Pauta pelo fim da escala 6x1 · Resistência à privatização da água em Sergipe · Unidade sindical e movimentos sociais · Grito dos Excluídos
- Indicação Jorge Messias ao STFManobras da direita no Congresso Nacional · PL da dosimetria (anistia mascarada)
- Crise Econômica no IrãVisão de capitalismo vitorioso vs. sistema em crise · Defesa da democracia liberal vs. aprofundamento democrático · Alianças políticas e giro à esquerda/centro · Reformas estruturais e mobilização popular · Relação entre neoliberalismo e extrema-direita/fascismo
Olá, companheiras, olá, companheiros, saudações petistas. Sejam muito bem-vindas e muito bem-vindos a mais uma edição do podcast Em tempos de guerra, a esperança é vermelha. Hoje é sábado, dia 2 de maio. Eu sou o Patrick e toco a conversa junto com vocês.
No episódio de hoje, continuamos falando sobre o 8º Congresso Nacional do PT, com a companheira Maria Carlotto, que comenta o manifesto aprovado, entre outros temas que também são muito relevantes para o entendimento do que ocorreu no 8º Congresso. Escutamos também uma opinião do companheiro Roberto da CUT de Sergipe acerca do dia 1º de maio. Pessoal, passamos a gente no dia 10 de podcast, por falar do 1º de maio.
Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Esse ano, o 1º de maio, por parte da CUR de Centrais Sindicais, foi mais descentralizado.
ao que constava, o objetivo e a ideia era que ocorressem maiores atos na maior quantidade possível de cidades. Passado esse primeiro dia, a gente ainda está recolhendo informações, verificando com os companheiros onde ocorreu mobilização.
Já sabemos que, por exemplo, aqui em Pernambuco, no Recife, bem como na Paraíba, em João Pessoa, os atos foram extremamente prejudicados no dia de hoje, no dia 1º de maio, em razão das fortes chuvas.
Não só Recife, não só João Pessoa, mas toda a zona da mata, regiões metropolitanas dessas duas capitais, foram fortemente atingidas por chuvas, que até este momento já desabrigou mais de 1.200 pessoas e deixou seis pessoas mortas.
Bom, para além do não acontecimento do 1º de maio, que inclusive no caso do Recife chegou a ser antecipado para o dia 30 de abril, nós estamos tentando localizar informações de outras capitais, porque até o momento alguns indícios são de que, infelizmente, o 1º de maio de lutas não teve o êxito que se esperava.
tanto em quantidade de cidades, tanto quanto no tamanho das mobilizações. É um momento fundamental. Afinal de contas, seria decisivo que nós colocássemos muita gente na rua para defender os direitos da classe trabalhadora e, particularmente, nesse momento, a aprovação.
do fim da escala 6x1, da redução da jornada sem redução de salários, e que a gente criasse um ambiente político e social de mobilização que pressionasse tanto o nosso governo para avançar com uma pauta popular, quanto para pressionar os setores do centro e da direita para que eles entendam que haverá resistência.
Bom, se confirmar-se esse diagnóstico preliminar de que o 1º de maio não teve todo esse impulso, isso contribui para que a direita, o centro, esses setores conservadores de direita, continuem aprovando na Câmara, no Senado e criando condições para que eles imaginem que mais derrotas ao governo e à classe trabalhadora podem ser aplicadas no próximo período.
A gente tem que começar esse mês de maio analisando muito bem o cenário. Não só porque a gente está se aproximando das eleições, também por isso, mas porque é imprescindível conseguir segurar o ímpeto da direita e começar a impor derrotas a esses setores, tanto nas ruas quanto muito em breve nas urnas.
Pessoal, dito isso, a gente escuta agora o companheiro Roberto da CUT de Sergipe, acerca do 1º de maio, no estado de Sergipe e também no Nordeste Brasileiro. Olá a todos os companheiros, companheiras da classe trabalhadora brasileira. Aqui está falando o professor Roberto.
Eu sou presidente da CUT Sergipe, presidente do Sindicato dos Professores da Rede Oficial do Estado de Sergipe. Aqui no Estado de Sergipe, nós realizamos a Marcha da Classe Trabalhadora na manhã deste 1º de maio. Foi um ato bastante expressivo, mais de 2 mil trabalhadores das ruas de Aracaju, levando a pauta pelo fim da escala 6x1, sem redução de salário, a pauta contra o feminicídio.
E também a pauta contra a privatização da água, que no Estado de Sergipe, o governador do PSD privatizou a água no Estado em 2024, processo de privatização que teve muita luta e resistência da CUT e do CIDESAM, que é o Sindicato dos Urbanitários Filiado à Central, mas mesmo com a nossa luta e resistência, com diálogo direto com a população, mostrando os impactos negativos desse processo de privatização.
a água foi privatizada e hoje o povo sergipano, os trabalhadores sofrem com a falta de água generalizada em todo o estado, na capital e no interior, e o aumento exorbitante da tarifa.
uma combinação que afeta diretamente a vida da classe trabalhadora, está gerando muita revolta, muita indignação por parte dos trabalhadores. Então foi um dia, esse 1º de maio, foi um dia extremamente importante de unidade da classe trabalhadora. Desde 2014, que é que em Sergipe a gente constrói a luta unificada.
do movimento sindical, o movimento social estudantil. Esse 1º de maio esteve à frente dessa organização a CUT, a qual sou presidente, a CTB, a UGT e a CSP com lutas, além da Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo e Frente Povo na Rua, onde nós construímos essa marcha unificada com a participação do movimento social.
MST, MTST, Movimento Sudantil das mais diversas forças políticas que estiveram construindo esse guia de luta da classe trabalhadora em Sergipe. Nós entendemos como importante essa unidade da classe trabalhadora no nosso Estado. Evidentemente que nós temos...
diferenças, mas conseguimos construir uma unidade naquilo que nos unifica. Então, temos construído grandes lutas, grandes atos, grandes mobilizações e defesa da classe trabalhadora e esse 1º de maio não podia ser diferente. Por isso, quero concluir dizendo que esse 1º de maio em Sergipe foi um dia de luta importante.
E eu não tenho dúvida, essa unidade vai continuar, já estamos no processo de organização do Grito dos Excluídos, que acontecerá no 7 de setembro. A CNBB já saiu com a divulgação do Grito dos Excluídos 2026 e que nós vamos iniciar todo o processo de reuniões, de plenárias, para construir um grande movimento do Grito dos Excluídos, inclusive...
realizarmos o que nós fizemos em anos anteriores, realizarmos atos de pré-grito dos excluídos para levar a pauta da classe trabalhadora para os mais diversos espaços do nosso Estado. Um abraço, estamos à luz. Valeu, Roberto. Obrigado, companheiro. Saudações a todos os companheiros e companheiras do Estado.
E pessoal, também na edição de quarta-feira passada, aquela edição especial para falar exclusivamente ou principalmente do oitavo congresso do partido, a gente escutou aqui vários relatos de companheiros e companheiras que estiveram no congresso e apresentamos também a resolução da Direção Nacional da Tenência Petista, a articulação de esquerda. E a gente convidou...
A companheira Maria Carlotto, a Maria que esteve no Congresso, que acompanhou todo o Congresso, mas que desde antes vinha acompanhando a preparação, porque a Maria integrou algumas das comissões que foram responsáveis pela elaboração de documentos, de textos que subsidiariam.
E subsidiaram os debates. Mas, para falar um pouquinho sobre como foi esse momento anterior e as impressões acerca do Congresso, a gente escuta agora a companheira Maria Carlotto.
Olá, ouvintes do podcast Em Tempos de Guerra, Esperança é Vermelha. Aqui quem fala é Maria Carlotto. Eu compus como convidada a delegação da articulação de esquerda no oitavo congresso do PT, que aconteceu nos dias 23, 24, 25 e 26 de abril.
E eu estou gravando esse áudio para compartilhar com vocês algumas impressões e algumas reflexões. Meu primeiro comentário é que vocês já devem ter ouvido, no podcast anterior, várias análises feitas pelo companheiro Walter Pomar, pela Célia, pela Clarice.
pela Isabel. Então, eu recomendo, se vocês não ouviram, ouvir o último podcast porque eu tenho muito acordo com os temas que foram trazidos por eles, as análises que foram feitas ali. Como tenho bastante acordo com a leitura geral que a Direção Nacional da Tendência da Articulação de Esquerda publicou em relação ao oitavo congresso.
com avaliações e orientações a partir dali. Então, eu não quero me repetir e quero focar aqui em alguns aspectos específicos que têm a ver também com a maneira como eu participei desse processo que culminou lá na primeira parte do oitavo congresso.
Bom, antes disso, acho que vale dizer que, quando foi convocado o oitavo congresso, se previu na metodologia a criação de cinco comissões, a princípio eram quatro, depois se criou mais uma, para construir textos básicos subsidiariam os debates do oitavo congresso. Essas comissões eram a comissão de conjuntura
e Tática Eleitoral, coordenada pela Anne Moura, a Comissão de Diretrizes para o Programa do Governo Lula IV, coordenado pelo Cristiano, a Comissão de Programa Partidário, coordenado pelo José Dirceu, a Comissão de Organização e Estatuto do Partido, coordenada pelo Walter Pomar.
E a quinta comissão, que foi criada posteriormente, sobre a Fundação Perseu Abramo, coordenada pelo Paulo Camus. Como o Walter já disse no comentário dele, eu quero retomar, conjuntura e tática eleitoral e diretriz do programa de governo são temas mais conjunturais, que, em grande medida, têm a ver com a leitura da conjuntura e o que se propõe a partir daí no programa de governo, que a gente faz.
em encontros partidários. Já os temas ligados ao programa do partido, o programa e a estratégia do partido para médio e longo prazo, as consequências desta deliberação para a organização e estatuto do partido e o papel da Fundação Perseu Abramo, elas integram temas mais estruturais e são, em geral, objeto de debate em congressos partidários.
que são as instâncias máximas de deliberação do partido. Ao separar, como disse o Walter, por deliberação do Diretório Nacional na quinta-feira, dia 23, e focar só no debate de conjuntura e tática eleitoral e programa de governo, a gente, na prática, o PT, na prática...
o Diretório Nacional que lá assim deliberou, na prática transformou o Congresso num encontro, separando esses debates. Bom, o meu foco aqui vai justamente no sentido de dizer que é impossível separar essas coisas.
E eu participei, e digo isso porque eu participei, de três comissões, justamente aquelas ligadas aos temas mais estruturais do partido, ou seja, a comissão do programa partidário, a comissão de organização e estatuto e a comissão da Fundação Pesseu Abramo. Então, eu insisti muito nessas três comissões, o quanto esses debates mais estruturais, sobre programa, estratégia e organização, se ligam.
profundamente ao debate sobre tática eleitoral e programa de governo. Então, a minha linha aqui de análise começa por chamar atenção para a profunda relação que existe entre programa, estratégia, organização, tática eleitoral e programa de governo.
Essa separação que foi feita não muda o fato de que o que nós vamos fazer hoje, que é a atuação na conjuntura específica, no que a gente vai definir como programa de governo para essa eleição, está profundamente ligada ao que a gente projeta para o médio e longo prazo.
numa linha histórica que o partido, como organização, precisa construir como uma linha coerente. Então, o fato do PT ter decidido separar esses dois debates não altera o fato, isso que eu quero frisar, de que essas coisas estão profundamente ligadas. No Congresso, isso ficou evidente em vários momentos, mas eu quero destacar dois.
O primeiro é o lançamento da estratégia de nucleação do PT. O PT criou uma plataforma de nucleação e foi lançado lá, num dos momentos do Congresso, pelo presidente Edinho, essa plataforma de nucleação que, na prática, vai dar visibilidade e incentivar a criação de núcleos nos territórios, nos locais de trabalho. Ou seja, essa ideia de que o PT precisa se enraizar, precisa estar... Isso se liga ao debate.
de estratégia e organização partidária, que estava sendo feito nesses espaços. E essa estratégia, essa plataforma de nucleação, ela reflete...
do ponto de vista organizativo, uma orientação política que teve muito presente nos discursos lá do oitavo congresso. Por exemplo, quando o presidente Edinho chamou a atenção para a importância de estar presente nos territórios, fazer campanha olho no olho, de conversar com as pessoas onde elas estão, até mencionando o papel que as igrejas evangélicas têm cumprido nos territórios hoje. Quando a Benedita da Silva, num belíssimo discurso que já foi comentado,
por outros que me antecederam, de que nós devemos ir de porta a porta, conversando olho no olho, nas periferias, com as mulheres, com os trabalhadores, com a juventude, com o povo negro, que constitui o núcleo duro, a base social do nosso partido.
E, por fim, no próprio Lula, que num vídeo gravado que foi transmitido no início do Congresso, chamou a atenção para a importância desse olho no olho. Mas talvez um outro exemplo mais significativo de como estão ligados os debates sobre tática e estratégia, sobre o que a gente vai fazer hoje, o que a gente projeta para o futuro, é que o manifesto que saiu como síntese política do Congresso... ...
O próprio Gilmar Tato, que é o coordenador no Congresso e foi o coordenador do manifesto, chamou atenção para o fato de que quem contribuiu muito significativamente para esse manifesto foi o Zé Dirceu, que coordenava a comissão de programa partidário e que levou para o manifesto vários trechos que já constavam no programa do partido e que não pôde ser discutido. Então, isso mostra o quanto esses debates estão ligados.
Por isso a articulação de esquerda em vários momentos defendeu que se debatesse tudo junto, que fosse um congresso para valer, porque é importante a gente discutir o nosso programa partidário, ou seja, a nossa leitura de uma conjuntura mais ampla, não só dos últimos meses, mas do que tem acontecido no mundo nos últimos anos para projetar uma ação para o futuro.
E a gente insistia muito que era importante debater esses temas mais de fundo, porque existe uma profunda divisão no partido sobre como lidar com a tática, ou seja, como lidar com essa conjuntura que se abre, sobretudo a partir de janeiro de 2026, mas também de como lidar com a nossa estratégia mais ampla, ou seja, como é que a gente lê o momento do mundo que nós estamos vivendo.
De um lado, e aí eu vou para essa divisão, como eu vejo essa divisão mais ampla, de como a gente vai ler essa conjuntura, essa quadra histórica, vamos chamar assim, não essa conjuntura dos últimos três meses, mas essa quadra histórica, que para um se abre a partir de 2008, para outros, como eu, se abre a partir do final dos anos 70. Como é que a gente lê este momento?
Existe uma divisão, a meu ver, entre os que acham que a partir da derrota da União Soviética e da afirmação do neoliberalismo, o capitalismo venceu de tal maneira que nós somos obrigados a delimitar os marcos da nossa atuação dentro desse enquadramento de um capitalismo vitorioso, de um capitalismo sem rivais, como diz o título de um livro que até o Fernando Haddad cita muito.
Ou seja, essa é a ideia de que o que a gente está vivendo não é uma grande crise do capitalismo e das suas estruturas, mas uma crise mais conjuntural do neoliberalismo e da sua institucionalidade democrática e liberal, que caberia a nós numa aliança com todos os setores democráticos.
defender, porque o que nós estamos enfrentando não é o capitalismo como um todo, mas uma reação política muito violenta dentro do capitalismo, que se chama fascismo, que é pensado como um fenômeno político.
Nessa linha, nós estamos diante de um momento muito defensivo, que caberia, portanto, a nós, da esquerda, fazer uma aliança político-eleitoral. Isso tem que ser o centro da nossa tática, uma aliança político-eleitoral com todos os setores democráticos para preservar essa ordem democrático-liberal, o que implica fazer um giro ao céu.
Então, essa é a leitura geral dos que acham que o capitalismo venceu. De outro lado, estão aqueles, entre os quais eu me incluo, que entendem que o capitalismo é um sistema tão permeado de contradições que uma vitória mais perene, digamos assim, eu não vou dizer uma vitória final, mas uma vitória...
Nem vou entrar no mérito de dizer que as pessoas acham que estamos ou não no fim da história, mas a ideia é que o capitalismo venceu por várias décadas, e que, portanto, nós estamos numa conjuntura muito defensiva. Eu faço parte daqueles que acreditam que o sistema é tão permeado de contradições que essa vitória é sempre conjuntural e sempre muito instável. Ou seja, a vitória do neoliberalismo em 1990, ou 89, com o consenso de Washington, é muito instável.
Porque as crises sempre reaparecem. Porque a gente está no marco de uma crise muito profunda do capitalismo e da sua institucionalidade nacional e internacional, que tem profundas repercussões sobre a vida do povo, a vida da classe trabalhadora, que, portanto, se volta contra esse mesmo sistema. Daí porque a nossa tarefa não é preservar essa instituição.
profissionalidade, mesmo nos seus marcos democráticos liberais, é transformar no sentido de aprofundar a democracia, ampliar a direita. Então, dessa perspectiva, como esse sistema em crise, profundamente em crise, impacta muito a vida do povo, a vida da classe trabalhadora, o foco principal precisa ser organizar essa classe para disputar o rumo do Estado, o poder do Estado e fazer mudanças profundas. Então, se você...
Se, de um lado, se defende um partido eleitoral focado em alianças e que, para fazer essas alianças, precisa fazer um giro ao centro, essa outra perspectiva defende um partido mobilizado, um partido que organize a classe e que faça um giro à esquerda. Eu chamo a atenção, Patrícia, e ouvintes.
o quanto essa discussão tem profundas implicações táticas. Uma discussão estratégica, uma discussão sobre a quadra histórica, mas que tem profundas repercussões táticas. Ou seja, a gente vai apostar num programa que põe no centro a defesa da democracia ou mesmo da soberania, a partir de uma frente ampla política, e que vai, portanto, priorizar a democracia e soberania na esfera política, e que vai, portanto, priorizar a democracia.
ou a gente vai pensar um programa de reformas estruturais para mobilizar a classe trabalhadora, para dar conteúdo econômico, social, para a democracia e para a soberania. Veja que interessante, quem defende que a gente tem um programa democrático de defesa da soberania, da democracia, por meio de uma frente ampla, não descarta a necessidade de se fazer reformas econômicas.
estruturais. Só que essas reformas precisam, o limite dessas reformas deve estar subordinado a essa política de aliança. Então, a gente vê muito isso e viu muito isso no Congresso. Até onde pode ir essas reformas? Até onde a nossa aliança democrática permite? Seja efetivamente, seja supostamente.
A gente também não testa muito esses limites, mas veja, existe uma subordinação da necessidade de se fazer reformas estruturais que afetem efetivamente a vida do povo a essas alianças políticas, democráticas, com essa direita democrática.
De outro lado, quem defende um programa ousado de reformas estruturais que afetem a vida do povo, não descartam as alianças, mas acham que elas devem estar subordinadas a este programa. Essas duas posições, e aqui que eu acho que é o centro que eu queria...
e elas se enfrentaram muito nesse congresso desde o início, quando foram criadas as comissões. E eu recomendo muito, para se acessar a esse debate, o conjunto de materiais que foram produzidos na comissão de organização e estatuto, que o Walter coordenou. Então, lá tem uma série de subsídios, onde esse debate está muito presente, mas também na comissão de programa partidário.
que tem um texto base, que foi redigido sob orientação do Zé Dirceu e assinado por praticamente todo mundo que estava na comissão. Tem um substitutivo chamado Socialismo, Soberania e Direito, que foi assinado por mim, pelo Walter Pomar, pela Natália Sena e subscrito pelo Breno Altman, que também integrava essa comissão. Tem uma resposta do Zé Dirceu, chamado A Natureza da Crise.
então aonde ele vai chamar atenção justamente para essa ideia de que a crise não é tão profunda e que portanto nós estamos num momento defensivo, vale muito a pena ler esse documento, tem uma resposta do Walter a esse documento que foi publicado no blog dele chamado As Duas Almas do Zé Dirceu que eu também recomendo muito
E tem um programa que o Breno Altman gravou sobre as esquerdas progressistas, onde ele explica muito esse debate. Eu acho que vale a pena para quem quiser se informar melhor. Mas o que eu acho importante dizer é que essas duas posições que se enfrentaram desde o início...
E veja, elas não são, isso aqui é interessante, elas não são diametralmente opostas. Ou seja, a ideia de que você precisa ter reformas estruturais que deem conteúdo para mobilizar o povo em prol da defesa de um projeto mais ousado que defenda a democracia com mobilização popular, não descarta as alianças democráticas.
Mas essa posição subordina as alianças a esse imperativo da mobilização popular, a mobilização da classe trabalhadora. Por outro lado, os que defendem, que estamos num momento defensivo e que, portanto, a gente precisa priorizar as alianças, não descartam a importância de se ter reformas estruturais, mas não se enfrenta ao problema de que essas alianças podem barrar essas reformas.
e como a gente vai criar poder ou força política para levar essas reformas adiante. Essas duas posições, como eu falei, não são diametralmente opostas, embora elas tenham implicações práticas e táticas muito distintas, elas vivem dentro do partido um equilíbrio muito tenso.
que não se reproduz, como algumas pessoas podem falar, podem pensar, no peso eleitoral das correntes no PED. Primeiro que o PED não reflete exatamente o que é o equilíbrio de forças da militância do Partido dos Trabalhadores.
Segundo, que essas diferenças atravessam as tendências e correntes. Ela está presente na base do partido, que eu faço questão de frisar, no Congresso, em plenário, em diferentes momentos, indicou que não votaria.
num programa de governo que não apontasse claramente para algumas das nossas pautas históricas e que são mais ousadas do ponto de vista do apontamento político, estrutural, das mudanças que a gente precisa fazer.
Por exemplo, vou dar alguns exemplos. Quando a gente estava discutindo, incluindo no programa claramente uma menção à revogação da reforma trabalhista e foram defender, o Cantalice foi fazer uma defesa contrária a isso, o plenário indicou. As pessoas começaram a se levantar. Quem tem experiência de congresso sindical, congresso partidário, sabe.
O plenário, antes da votação, aponta como ele vai votar. Então, ali foi um momento em que a revogação da reforma trabalhista entrou, porque o plenário indicou que aquilo era necessário. Depois, por exemplo, quando nós vamos discutir a retomada do controle público e popular sobre o Banco Central. Não entrou da maneira como a gente queria.
mas não foi possível rebaixar totalmente essa pauta, porque o plenário não aceitaria. Depois, quando a gente foi discutir a reestatização da BR distribuidora, de novo, o plenário apontou que a base do partido quer um programa mais ousado.
Então, isso posto, assim, eu, como já foi dito anteriormente em outros comentários, o Congresso, ele não inverteu completamente esse equilíbrio, né, que hoje claramente pende para aqueles que defendem uma postura mais defensiva de alianças democráticas, né, do que uma postura ofensiva, né, de tentar mover a correlação de forças para frente, né.
não se inverteu totalmente, ou seja, não se deu um cavalo de pau na tática como a gente queria, ou seja, não se fez um, como já foi dito, um ajuste, uma inflexão da tática, nem da estratégia.
Mas eu acho que esse equilíbrio no Congresso se moveu a favor de uma posição um pouco mais avançada, no sentido de mais ofensiva, que reconhece a necessidade de a gente ter uma postura um pouco mais ousada.
E para isso contou, essencialmente, a conjuntura. Porque entre dezembro, que a gente começou a discutir o Congresso, e abril, final de abril, quando o Congresso se realizou, a conjuntura mudou muito. É uma nova conjuntura que se consolida nas duas derrotas que o governo sofreu essa semana no Congresso, com a rejeição do nome do Messias para o STF.
e a derrubada dos vetos do Lula à lei da anistia, chamada de dosimetria, mas na verdade é uma anistia. Essa nova conjuntura indica duas coisas, a meu ver. A primeira é que a direita democrática, com quem a gente esperava fazer essa grande aliança, essa grande frente ampla,
tem profundos compromissos com a extrema-direita. Aliás, como já ficou evidente, no golpe de 2016, é muito difícil contar com o espírito democrático da direita brasileira, por várias razões que eu nem vou entrar aqui no Mestre, senão eu vou falar muito, já falei demais. Mas a direita chamada democrática, o centrão, já embarcou na candidatura do Flávio Bolsonaro. Então...
As possibilidades de construir uma aliança democrática ficam muito restritas, porque a nossa burguesia não é essencialmente democrática. A razão de fundo é essa. E o segundo motivo é que o povo brasileiro, a classe trabalhadora brasileira, tem demandado políticas mais ousadas. Políticas que essencialmente mudem as condições de vida reais da classe trabalhadora.
muito ruins pelo peso dos juros e o endividamento, por o quanto os anos de ultra neoliberalismo fascista do Bolsonaro, do Temer, corroeram as condições de vida dessa mesma classe.
a violência contra a mulher, a falta de perspectiva para a juventude. Ou seja, tem uma situação concreta, real, que se a gente não fizer reformas estruturais para incidir sobre essas condições de vida, dificilmente a classe trabalhadora nos dará um próximo mandato. Então, a percepção dessas duas coisas fez porque essa...
isso se moveu, esse equilíbrio entre uma posição mais defensiva, aliança e uma posição mais ofensiva, que prioriza reformas estruturais, não se inverteu, mas, a meu ver, se moveu. E isso se reflete no documento de conjuntura, no documento de diretrizes de programa, no manifesto que foi aprovado, mas também nas orientações políticas que foram passadas no Congresso.
E eu destaco dessas orientações políticas, duas, para mim foram muito significativas. Uma foi a mesa de comunicação com aqueles que estão os marqueteiros, basicamente quem está coordenando a comunicação na campanha do Lula, que inclusive porque fazem pesquisas qualitativas, estão mapeando essa sensação social, a percepção das pessoas, os anseios do eleitorado, vamos chamar assim.
deu uma orientação muito clara que se traduziu num banner que já foi comentado anteriormente, que dizia, nós não somos o sistema, nós nascemos para combater a ordem. Essa ideia força de uma campanha que vai enfrentar o sistema...
foi passada claramente por quem está cuidando da comunicação do governo. E foi reforçada por um vídeo, por uma fala do Lula, que foi transmitida no Congresso, lá no encontro dos progressistas na Espanha, onde o Lula diz claramente que nós não vamos conseguir defender a democracia.
se a gente não romper com os marcos do neoliberalismo e defender uma democracia mais substantiva, uma democracia que mude a vida da classe trabalhadora, que promova a igualdade, que distribua a renda, que faça as reformas estruturais que a sociedade precisa. E sobre isso, eu queria fazer três últimos rápidos comentários.
O primeiro é que foi muito importante e, na minha opinião, contribuiu para essa mudança de equilíbrio, vamos chamar assim, por mover esse equilíbrio tenso que existe dentro do PT, entre duas posições, a programação internacional da Fundação Peseu Abrão.
Ao trazer 80 delegações, e principalmente representantes de partidos que estão no poder, na América Latina, na China, a gente conseguiu colocar dentro de uma perspectiva mais ampla que nos mostra que, embora a gente possa parecer estar totalmente inofensiva, indefensiva, em vários lugares do mundo nós estamos inofensiva. Ou seja, a gente pode olhar.
um horizonte de construção de uma outra sociedade. Então foi muito importante abrir esse horizonte e a programação internacional fez isso. Também quero destacar a importância do manifesto dos 10 anos do golpe contra a presidenta Dilma, que toca na questão de gênero, mas por essa linha que aponta a profunda relação entre a extrema-direita e o neoliberalismo. Ou, se a gente quiser...
o vínculo profundo entre a extrema direita autoritária e a direita supostamente democrática, que em 2016 mostrou que não tem esse compromisso com a democracia tão bem fixado assim. Então, o golpe de 2016 mostra o quanto a misoginia, o masculinismo, o machismo, ele é um...
uma orientação cultural dos conservadores, mas ele é também uma necessidade econômica dos neoliberais e aponta para esse desafio que temos, dessa implicação entre neoliberalismo e fascismo, ou extrema-direita, se a gente quiser, que cabe a nós enfrentar os dois ao mesmo tempo, e a gente não vai fazer isso se a gente não mobilizar profundamente a nossa base social do povo.
o povo trabalhador, a classe trabalhadora, as mulheres, o povo negro, a juventude. E, por fim, queria destacar a importância das emendas da articulação de esquerda, para mover esse equilíbrio de forças um pouco mais, num horizonte mais ousado de reformas estruturais. Primeiro, porque a gente fez emendas que deram concretude para palavras como democracia e soberania.
emendas que apontam a necessidade da reforma do judiciário e dando conteúdo para isso, que tematize a questão das Forças Armadas, que coloque o tema do Banco Central e do controle popular sobre o Banco Central, que tematize a questão da reestatização das empresas, da Terra Brasa, enfim, uma série de emendas que foram na direção de dar concretude para o nosso programa, porque essa...
concretude que mobiliza a classe trabalhadora, como a gente vê com a escala 6 por 1. É uma palavra de ordem que não tem nem palavra, mas que as pessoas entendem que aqui tem algo que eu posso me mobilizar. Então, dar concretude é muito importante e nós fizemos isso com as nossas emendas. Mas nós também fizemos emendas que apontaram para um horizonte mais amplo.
veja, no manifesto entrou o compromisso estratégico do PT com a construção do socialismo democrático graças a uma emenda da articulação de esquerda. Gente, isso é muito importante, porque a gente nos coloca dentro dessa perspectiva mais ampla que aprofunda o diagnóstico da crise, aprofunda não só no sentido de mostrar que essa crise é mais radical, mas também por um diagnóstico mais qualificado e que nos compromete com um horizonte estratégico.
E aí termino por aqui mesmo, dizendo que isso remete às nossas três tarefas históricas como partido. Organizar a classe trabalhadora, mobilizar a classe trabalhadora para conquistar vitórias políticas, que não são só eleitorais.
Essas vitórias políticas apontam para a construção do socialismo, que é o poder da classe trabalhadora sobre a economia, sobre a política, ou seja, a classe trabalhadora como classe que dirige o Estado no Brasil. E, por fim, isso não se faz se a gente não ampliar os horizontes da classe. Por isso, eu saúdo que o manifesto que saiu tenha no seu título a palavra futuro.
Obrigado, Maria. Grato pela tua participação aqui mais uma vez no podcast. E, pessoal, essa foi mais uma edição do podcast Em Tempos de Guerra, a esperança é vermelha.
A gente começa esse mês de maio, esperando que seja um mês de luta e mobilização, que marque uma inflexão na disputa política nacional em nosso favor, mas muito atentos tanto ao Senado Nacional quanto ao Internacional. A gente está acabando a edição aqui hoje, excepcionalmente feita no sábado.
sabendo que Estados Unidos recebeu uma proposta de paz enviada pela República Islâmica do Irã, mas que o Trump já falou que não está de acordo com aqueles termos. Então a gente pode ter nesse mês de maio, inclusive, uma continuidade da guerra.
Estados Unidos e Israel contra o Irã e obviamente que isso precisa ser acompanhado com muita cautela a gente volta a falar desse e outros assuntos na próxima edição do nosso podcast saudações petistas e até mais
Tchau.