Terapia de Reposição de Testosterona (TRT)
Fábio Araújo de Sá
- Nota Sociedade Brasileira de Endocrinologia· SaudeCrítica à reportagem do jornal O Globo·Diagnóstico de hipogonadismo exige sintomas e confirmação bioquímica·Envelhecimento não indica tratamento·Riscos do uso inadequado superam benefícios·Uso de formulações orais manipuladas não recomendado
- Reposição de Testosterona· SaudeHipogonadismo masculino·Diagnóstico clínico e laboratorial·Sintomas compatíveis com deficiência·Não é para fins estéticos ou de juventude
- Uso Inadequado de Testosterona· SaudeAumento do hematócrito e risco cardiovascular·Problemas de pele (espinhas, oleosidade)·Piora do sono·Redução da produção de espermatozoides e infertilidade·Ginecomastia e retenção de líquidos·Alterações de humor·Necessidade de acompanhamento prostático
- Testosterona e Massa Muscular· SaudeUso para fins estéticos e esportivos·Diferença entre reposição hormonal e uso suprafisiológico·Proibição pelo Conselho Federal de Medicina
- Diagnostico de Deficiencia de Testosterona· SaudeAvaliação clínica e exame físico·Coleta de testosterona total pela manhã·Necessidade de confirmação bioquímica·Investigação das causas subjacentes
- Testosterona· SaudeHormônio sexual masculino·Produção nos testículos e adrenais·Funções no organismo (libido, espermatozoides, massa muscular, saúde óssea)·Produção em mulheres
- Deficiência de Testosterona· SaudeRedução da libido e disfunção erétil·Perda de massa e força muscular·Aumento da gordura corporal·Fadiga e alterações de humor·Infertilidade
- Reducao de Testosterona· SaudeObesidade·Diabetes·Apneia obstrutiva do sono·Uso de opioides e outros medicamentos·Doenças crônicas e do testículo
12 horas mais 37 minutos, de volta para dar sequência aqui na programação da 106,5. Você que estava acompanhando o Esporte da Fonte, agora vamos para o Cuidando da Saúde. Vamos falar de saúde com meu amigo Doutor Fábio Araújo de Saúde. Quarta-feira, hoje dia 12 de agosto, e hoje nós vamos estar falando sobre Reposição de testosterona é o nosso tema de hoje. Pois é, no nosso programa de hoje nós vamos falar sobre essa reposição de testosterona.
Quem realmente precisa? Quando ela é indicada? Quais são os benefícios, riscos? E principalmente, quais são aí os cuidados que devem ser tomados antes de iniciar aí o tratamento. É o tema de hoje que nós vamos estar conversando aqui com meu amigo Doutor Fábio Araújo de Sá. Seja bem-vindo, doutor. Uma boa tarde, uma boa quarta-feira.
Boa tarde, meu querido amigo. Boa tarde, caros ouvintes. Um beijo e abençoa a Dona Anitta, com quem eu cumprimento toda a família nossa lá em Caputira, e também todos os meus familiares. Um grande abraço ao Edilson, ao Pelé, aos amigos representantes da indústria farmacêutica. E vamos lá, que hoje o tema Ele é muito interessante, muito polêmico. E se a gente não conseguir atender todas as expectativas, a gente faz uma parte 2.
Fica à vontade para participar aí, com certeza. E se alguém tiver alguma dúvida, quiser tirar as dúvidas aqui, pode mandar para a gente aqui, né, Doutor? Pode mandar aqui para o nosso WhatsApp, 33 33 31 56 41. Se quiser algum esclarecimento aqui, o doutor também tá aqui à disposição. Vamos lá, vamos lá então, doutor, vamos começar então direto ao assunto, ao tema de hoje. Então gostaria que você falasse para os nossos ouvintes o que é testosterona, doutor. Fala aí.
Pois é, no final eu quero até ler uma nota da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, porque saiu uma matéria no jornal O Globo de semana passada sobre testosterona que deu uma polêmica muito grande. Realmente, O Globo, que é um jornal, um meio de comunicação realmente respeitável, Mas escolheu a pessoa errada para fazer a matéria, e isso gerou uma polêmica muito grande. E esse é um dos motivos que nós estamos aqui hoje fazendo esse programa, porque a gente cabe sempre trazer ciência baseada em evidência.
Então tudo que a gente tá falando aqui é com respaldo. É muito interessante, não sei se você já ouviu dizer, meu amigo, né, principalmente homem, ele falando assim: nossa, eu tô cansado, tô sem disposição. Minha libido caiu, deve ser testosterona baixa. E isso nas redes sociais então tá uma coisa louca, porque a testosterona virou assunto frequente nessas redes sociais, nas academias e principalmente nos consultórios médicos. Mas será que todo homem que tá realmente cansado, desanimado, com redução de libido, precisa fazer reposição de testosterona?
Será que é esse que é o caminho? E como você me perguntou agora, e o que que é essa tal de testosterona? Pois é, gente, a testosterona é o principal hormônio sexual masculino. Por isso que nesse programa a gente vai dar um enfoque maior ao aspecto do homem do que da mulher, embora a mulher também tem testosterona, lógico, e a gente também pode abordar isso de uma forma mais tranquila. Mas já que nós estamos falando que ele é o principal hormônio sexual masculino, ele é produzido principalmente pelos testículos, e em uma menor quantidade pelas glândulas adrenais, umas glândulas que fica ali perto dos rins.
No homem, gente, cerca de 95% dessa hormona testosterona é produzido nos testículos, especificamente numa célula chamada células de Leydig. Os outros 5% são produzidos em quantidade menor, mas pelas glândulas suprarrenais que eu falei, que ficam aí pertinho dos rins. Olha, gente, e a testosterona ela vai participar de várias funções do organismo. Vai fazer a manutenção da libido. A libido, todos sabemos que é o prazer, né? O prazer sexual, no caso.
Vai produzir espermatozoides, vai manter a massa muscular, a força física, vai distribuir aquela gordura no corpo todo. A distribuição é boa para a saúde óssea, participa da saúde óssea, produz glóbulos vermelhos, e além de dar disposição e bem-estar. Tá vendo? Por isso. Mas esse é um hormônio que a gente já tem dentro de nós. Ele naturalmente faz isso, o nosso corpo produz. Vou só repetir: embora, apesar de ser conhecido como hormônio masculino, mulheres também produzem testosterona em concentrações menores, e ela também exerce funções importantes no organismo, né?
Na mulher, os ovários produzem cerca de 25%, As glândulas suprarrenais também mais 25%, e os outros têm diversas outras partes que não vem ao caso agora a gente ficar detalhando. Mas presta bem atenção, então olha a importância desse hormônio dentro do nosso organismo naturalmente, a importância que é, né, doutor?
Exatamente. Agora, doutor, afinal de contas, todo homem com testosterona baixa, ele precisa fazer aí Reposição dela, ô doutor?
Pois é, essa pergunta sua foi maravilhosa, porque imagina só, hoje no dia a dia todos nós estamos aí, é sobrecarga, é o trabalho. E olha que nós moramos no interior. Imagina uma pessoa que tá morando aí em cidades grandes igual São Paulo, Rio, que às vezes pega 2, 3 horas de trânsito todo dia para ir trabalhar, além de encarar 8 horas de trabalho, além de encarar 8 horas de trabalho. O trabalho às vezes já é estressante, então A pessoa começa a sentir esse cansaço, a cabeça já fica pensando em outras coisas, sobrecarga, contas para pagar.
Aí a pessoa começa a ter cansaço, diminuição da libido, nem tá tendo cabeça para certas coisas, nem para namorar, como diz outro, né? Aí coloca a culpa na testosterona. Gente, essa pergunta sua, se todo homem com testosterona baixa precisa repor, não. A resposta é não necessariamente. O diagnóstico dessa deficiência de testosterona também, né, quando a pessoa tem uma deficiência muito grande, a gente chama de hipogonadismo, não deve ser feito apenas com o exame do laboratório.
Esse hipogonadismo, quero só repetir aqui para vocês, é uma condição médica em que as gônadas, no caso os testículos dos homens e ovários nas mulheres, reduzem ou paralisam a produção desses hormônios sexuais. Como a testosterona. E aí vai parar também a produção de espermatozoides, de ovos, e vai prejudicar inclusive a fertilidade. Por isso que eu tô falando, tá vendo? Quando há uma paralisação, um déficit, o organismo testicular parou de produzir, aí chama hipogonadismo.
Aí nós vamos tratar hipogonadismo como com testosterona. Aí é o tratamento de uma condição, não é simplesmente repor. Então, para a gente diagnosticar isso, a gente é necessário a gente entender os sintomas, tem que ter avaliação clínica, e sim os níveis hormonais confirmados com exames realizados de uma forma adequada. Então, um resultado isolado de testosterona baixa, gente, não significa automaticamente que o paciente precisa iniciar tratamento.
Agora, vamos falar com franqueza e vamos falar com clareza, como a gente sempre faz. Cuidar da saúde né, é um ato de coragem. Isso eu concordo. Olha bem, o Dr. Alexandre Hall, ele é um médico formidável, um dos maiores endocrinologistas do Brasil. Ele é professor de endocrinologia e metabologia na Universidade Federal de Santa Catarina. É um médico, eu sempre tenho contato com ele pessoalmente nos congressos e também em cursos online.
Ele fez uma coisa aqui muito interessante: cuidar da saúde também é um ato de coragem. O homem moderno precisa abandonar o mito de que procurar um médico é sinal de fraqueza. Pelo contrário, prevenção, diagnóstico correto e tratamento baseado em evidências são os caminhos para viver mais e melhor. O hipogonadismo masculino é uma doença real que pode comprometer a saúde sexual, a composição corporal, a massa muscular, a saúde óssea, o metabolismo e a qualidade de vida.
Quando existe indicação clínica e laboratorial, A terapia com testosterona é um tratamento seguro e eficaz. Mas presta atenção, por outro lado, é igualmente importante alertar para os riscos do uso inadequado da testosterona, porque isso mostra que você pode ter maior risco de eventos cardiovasculares, infarto inclusive, e outras doenças a longo prazo. Então, gente, esses dados vão reforçar aquilo que há muito tempo a gente vem destacando, né, tanto em conferências, em palestra.
Testosterona não é suplemento, não é fonte de juventude e não deve ser utilizada para fins estéticos ou sem diagnosticar, ou sem um diagnóstico adequado. A melhor testosterona é aquela prescrita com responsabilidade, após avaliação médica criteriosa, indicação correta e acompanhamento contínuo. Então, gente, isso aí foi uma declaração que ele fez Também pós esse negócio da Globo. Então tá vendo o que que tá acontecendo? É isso, academia, a pessoa tá querendo usar isso que eles falam, a bomba.
Usar bomba é mais ou menos isso. Por que que de vez em quando você vê uns cara fortão aí novo morrendo de coração? Ah, mas o cara tava parecendo saudável, tudo musculoso, novo, parece que tem saúde, parece que tem saúde. Mas tá vendo? Então para fins estéticos, sai fora.
É interessante isso aí, o doutor. Seguindo então Agradecendo você que tá ouvindo, tá acompanhando aí o nosso Cuidando da Saúde desta quarta-feira. Ô doutor, eu gostaria que você falasse também quais os sintomas podem sugerir aí deficiência de testosterona para os nossos ouvintes.
Pois é, entre esses sintomas, mas vamos lá, hein, gente, isso aqui pode sugerir. Aí depois a gente fala aqui no rádio, cara, só tô sentindo isso tudo, então eu tô com deficiência de testosterona e já vou arrumar um jeito de comprar e tomar. Não, redução da libido, né, disfunção erétil, redução da massa e da força muscular. Não é simplesmente a pessoa tá emagrecendo não, que às vezes a pessoa perdeu massa gorda, que bom, mas ele tá perdendo massa magra e perdendo também a força muscular, entrando em sarcopenia, aumento da gordura corporal, principalmente a barriguinha aí, fadiga.
Pessoa parece que rachou lenha, bateu pasta e capinou tudo num dia só, sendo que não fez nada disso. Né, alteração do humor, dificuldade de concentração, infertilidade, que é uma das causas principalmente em homens. Presta bem atenção, tem casais novos aí que estão tentando engravidar, né, a mulher tentando engravidar, tentando ter filhos, e a mulher achando que o problema é com ela e não é, né. Vai ver o cara antes de casar, ou mesmo, né, tá tomando aí bomba aí Tomou muita testosterona e depois não conseguiu engravidar por causa disso.
Então o problema é dele. E às vezes é por causa de excesso de testosterona, porque se o organismo fala assim, ah, tá vindo muito, já tá vindo de fora, por sinal que eu não preciso, aí para de produzir. Então, gente, agora esses sintomas não são exclusivos de testosterona baixa: estresse, depressão, ansiedade, privação de sono, obesidade, hipotireoidismo. Algum desses medicamentos e diversas outras condições pode causar isso também.
Por isso, gente, simplesmente aplicar testosterona talvez não vai resolver o problema, porque não é por causa de falta de testosterona que a pessoa vai deixar de estar emagrecendo, fadigado, estressado, não é mesmo?
Verdade, doutor. Então é por isso que eu gostaria que você falasse, doutor, como que deve ser feito aí o diagnóstico, ou seja, como que eu posso saber de mim, se a minha testosterona, ela está normal ou não? Ou se eu preciso ou não de fazer aí a reposição?
Boa, boa, porque é isso aí que eu tô falando, que senão daqui a pouco não sai todo mundo correndo aqui, né, que nós estamos cansados dia a dia. Então já tá funcionando, que vai resolver?
Não.
Ó, gente, avaliação vai começar com a história clínica, o exame físico. Então você vai procurar seu médico, vai contar o que tá acontecendo com você, ele vai examinar você. Quando existe uma suspeita de hipogonadismo que eu falei, que, né, para de produzir. Então a gente vai pedir o exame, entre eles a testosterona total. Essa coleta tem que ser realizada pela manhã. Algumas pessoas têm que realizar de novo mais de uma para comparar.
Não é um exame que você faz qualquer hora do dia e não é assim no primeiro resultado. Às vezes você tem que ter uma contraprova. Se o resultado tiver baixo, especialmente assim, com certeza Aí a gente vai ver se precisa fazer uma nova dosagem. Então, meu paciente é o seguinte: eu fiz, tá muito baixa, eu vou repetir depois para eu comparar. Dependendo da situação, nós vamos pedir outros tipos de exame: testosterona livre, LH, FSH, hemograma, UPSA para avaliar a próstata.
Então, isso tudo tem objetivo, gente, não é simplesmente descobrir se a testosterona tá baixa. É fundamental descobrir por que que ela está baixa. É esse que é o problema. Não adianta, ela tá baixa, vamos repor. Depois vai ficar tomando testosterona o resto da vida.
Ah, sim, é importante saber disso, né? Sem dúvida. Então por isso é importante você ter também uma orientação acompanhando de um médico para que você faça dentro da normalidade, né? Sem exagerar.
E um médico que tenha mão para isso, que saiba mexer. Não é simplesmente qualquer médico, ah, me passa aqui que o meu primo tá tomando dessa aqui. Aí leva lá, dá um jeitinho para mim, copia essa receita aqui para mim, eu quero tomar isso aí. Abre, abre os olhos, abre os olhos, fica atento, né?
Com certeza. Então a testosterona baixa, ela pode ser também consequência de outros problemas assim que a pessoa pode ter, né? Outros problemas pode ser consequência também.
Pode, é isso mesmo, é isso mesmo. Um ponto fundamental É que algumas situações podem reduzir o nível de testosterona, mas às vezes reverte. É só um, por exemplo, obesidade. Tem pessoas, tem homens que eles de uma hora para outra, alimentação ou parar de fazer exercício, mudou de ritmo. Tem gente que para de fumar, começa a engordar. Até isso, cigarro é tão ruim, quando você para ele engorda a pessoa. Aí a pessoa começou a ficar com sobrepeso.
Esse sobrepeso pode diminuir a testosterona dele. Tá vendo? Então não adianta tomar a reposição, o tratamento é melhorar o peso, é diminuir esse sobrepeso. Homens com obesidade podem apresentar redução dos níveis de testosterona mesmo. Em alguns casos, a perda de peso é o tratamento adequado para isso. Agora, podemos considerar também diabetes. Diabetes pode causar, isso pode, apneia obstrutiva do sono, certas doenças crônicas.
Uso de opioides e outros medicamentos, doença do testículo, excesso de álcool, entendeu? Também acontece pacientes que não dormem bem. Isso acontece muito em pessoas que são, por exemplo, trabalhos noturnos durante muito tempo, também pode estar que tem queda. Então, gente, antes de pensar em reposição, é fundamental a gente investigar e tratar o que você falou. As causas possíveis.
Agora, tem um, a partir de que idade é perceptível isso aí, doutor?
Olha, existe uma idade cronológica muito boa. Geralmente a gente brinca, nós até vamos fazer um outro programa que é uma hora dessa, porque nós já fizemos sobre a menopausa e a doença androgenética, né, que a gente falava da andropausa. Então, se for pensar bem, é óbvio que um senhor de 80 anos deve ter um nível diferente de um garotão de 18, entendeu? Mas é o que eu tô te falando. Agora, às vezes, um senhor de 60, hígido, que não tem sobrepeso, não fuma, ele pode ter uma testosterona melhor do que aquele jovem que tá obeso, ou às vezes é diabético, que usa algum tipo de droga, o mesmo álcool, entendeu?
Então, por isso que eu sei, essa é uma variação que ele é do ciclo normal. Espera-se que as pessoas mais jovens homens tenham um nível maior, mas não é uma idade assim a gente fazer um corte não, entendeu?
Entendi, entendi. É só para esclarecer, né, porque as pessoas podem ter essa dúvida. Muito boa pergunta, doutor. E ainda a gente continua nossa conversa, nosso bate-papo. Eu gostaria que você falasse também quando a reposição de testosterona deve ser indicada, em que situação ela deve ser indicada.
Pois é, paciente, aí você foi no médico, ele te avaliou, você contou a história dele, A terapia de reposição de testosterona, ela pode ser considerada principalmente em homens que apresentam, por exemplo, sintomas compatíveis com essa deficiência, digamos assim, depois avaliação médica, é claro. Aí o tratamento, gente, vai ser individualizado. Não existe uma regra de que todo homem acima de determinada idade, que você acabou de levantar a bola aí, ó, precisa fazer reposição.
Que isso também é uma dúvida muito interessante, que você falou assim, ah, geralmente o cara passou de 50 a 60, tem que fazer. Então o pessoal tá indo nessa onda, por isso que a sua colocação foi muito importante. Então, gente, envelhecer não significa automaticamente ter indicação de testosterona, né? Então é isso que a gente tem que ficar claro. Vamos ver os sintomas, vamos tirar as outras causas que faz esses sintomas também e vamos dosar.
Dosou, não descartamos outras causas, aí nesse caso específico, ok, vamos fazer a reposição.
Isso aí, tudo, né, dentro de um conjunto de, né, perfeito, de avaliações, né, avaliações. Exatamente. A gente sabe, Doutor, que esse assunto realmente é muito extenso, né, a gente sabe disso, e traz muitas dúvidas ainda. Com certeza, por mais que a gente vai falar aqui do assunto, ele vai ficar com alguma coisa ainda, não tem jeito, sem a gente falar aqui ou orientar aqui para os nossos ouvintes. Mas essas dúvidas aí, eu gostaria que você falasse sobre o uso para ganhar aí massa muscular, porque hoje muitas pessoas vão para academia fazer isso, né?
Agora você mexeu no vespeiro. Ei, seu Walter, você tá quietinho aí, tá vendo? Agora você fica até quieto, né?
Ficou caladinho.
Mas por quê? Isso que você tá brincando, brincando não, isso que você tá falando, a gente tá brincando aqui, é muito sério.
É verdade.
Inclusive, gente, quem tiver ouvindo isso aí, esse programa como os outros também vai estar lá no Spotify, no podcast Cuidando da Saúde. Se você sabe que tem alguém que tá fazendo isso, manda esse programa para ele, porque nós estamos aqui passando informações que salvam vidas, mas o nosso bate-papo aqui tá embasado em ciência. Isso aqui eu, mas o Jota Batista, não estão tirando não. A gente não liga um para o outro e fala assim, ó, vou fazer isso aqui agora sem mais nem menos.
Não. Ele como um grande profissional de mídia, eu quanto médico, nós temos a responsabilidade grande demais. Com certeza, esse negócio que entra na nossa frente, que vocês estão nos ouvindo no microfone, isso é uma arma muito grande.
E a gente sabe que tem diversos tipos de pessoas nos ouvindo.
Então, na hora que a gente falou de academia, é isso mesmo, academia é feito para você fazer seus exercícios, para você melhorar, e não para ficar aí dando aí o bom jaro, aplicando bomba. Não tô falando o nome de ninguém, ninguém tá citando negócio. Se alguém sabe aí o que é que faz, pega a carapuça, enrola lá no pé e fica à vontade. Mas a verdade é a seguinte, gente, aqui nós vamos entrar num assunto bem delicado. A testosterona é um hormônio anabólico e pode aumentar sim a massa muscular quando utilizada em determinadas condições.
Mas isso, gente, não significa que o homem com níveis normais deva utilizar testosterona para melhorar desempenho físico ou estética. E a gente vai falar isso aqui Infelizmente vai ter gente continuando a fazer. Isso que é o mais triste, você entendeu como é que é? É aquele pessoal que às vezes não acredita em ciência, opõe a estética. Eu quero ficar bonitão, fortão. É, aí fica um defunto bonitão lá no caixão, vai ficar lindo, né?
Mas morreu fortão, né? Então, gente, morreu com saúde, morreu com saúde, né, Regina? Você pode reposição hormonal para tratar deficiência, é uma coisa. O uso de testosterona em doses suprafisiológicas, ou seja, lá no alto, para fins estéticos, esportivos, é outra completamente diferente. Ó, gente, o uso inadequado pode causar riscos importantes. Por favor, não façam, não utilizem.
É verdade, é como nós sempre orientamos aqui: se vai fazer qualquer um acompanhamento, se precisa, né, doutor, se acha que precisa, então procure um médico, se orienta, né, faça corretamente.
Ninguém tá falando contra reposição final, é? Não, exatamente não.
A gente quer aqui é orientar e passar uma informação.
É para quem precisa, exatamente.
Então não faça as coisas assim pelo, pelo, né, por eu, eu vou fazer, sim, ou colega fez, eu também quero. Isso, isso. E hoje a gente sabe que tem muito isso, né?
Influência, a influência.
Um ficou bonitão lá, acho que ele vai falar, meu, pode tomar esse aqui que esse aqui é bom.
Eu tomei, eu tomei, como é que eu tô? Olha lá, né?
E aí vai no mesmo caminho, né? Sabendo que pode estar causando aí um mal muito maior na sua saúde, muito. Ô doutor, já chegando já para as considerações quase finais, eu gostaria que você falasse também dos riscos. Cita para nós aí quais são aí os principais riscos da reposição da testosterona, aqueles riscos, aqueles que são feitos indevido, né, doutor?
Perfeito.
De forma inadequada, podemos dizer assim.
Isso, exatamente. Então olha bem, você falou o negócio da academia. Agora vamos supor que aquela pessoa que tá na academia, em vez de ficar ganhando ali massa com o tempo Porque o cara, pô, tá na academia, tem que ficar tempos, meses, anos, mas ele quer resolver tudo para chegar no verão já bombado. 3 meses. Então, o seguinte, isso aí foi muito importante: a testosterona não é um suplemento alimentar, não é whey protein, não é colágeno, não é vitamina, não, não é isso.
É um medicamento, e como medicamento precisa de acompanhamento médico, como você falou, né? Então vamos lá, dos possíveis efeitos adversos: aumento do hematócrito e risco de eritrocitose. Isso já é um problema sanguíneo e pode ser grave. Sem falar na pele, a pele fica cheia de espinha e oleosa. Você vê de vez em quando as meninas saindo da academia, mas aquilo, e a menininha novinha não, já passou da puberdade lá da adolescência, aquilo cheio de espinha, toda torinha.
Você fala, aqui tá quase uma placa assim, né, tô usando testosterona, né? Só precisa falar. Aumento ou às vezes o sono da pessoa piora demais. Redução da produção de espermatozoides. Então, olha, você aí, ó, que é pai ou tá querendo ser pai, tá tomando essas bombas, não adianta achar que o problema às vezes é nela, não, é com você. Presta bem atenção, tá bom? Redução do volume testicular, os testículos diminuem de tamanho, além de ficar infértil.
Pode dar ginecomastia. O que que é isso? Aumento das mamas. O homem começa a ficar com mamas grandes.
Olha que interessante os efeitos colaterais.
Efeitos colaterais, daqui a pouco o cara tá usando sutiãzinho aí. Retenção de líquidos, o cara começa a inchar. Alteração de humor, aquela pessoa que de uma hora para outra não tem problema nenhum e você vê, ou às vezes você trabalha com alguém, gente, tem dívida. E uma coisa muito importante, necessidade de acompanhamento de saúde prostática. Então, gente, por isso aqueles que desejam ter filhos precisam conversar com o médico antes de iniciar a terapia.
A reposição de testosterona pode reduzir significativamente a produção de espermatozoides. E já que nós estamos aproveitando, um dos pontos de vista que tem que ser explicado: quando administramos testosterona de fora para dentro, o organismo acha que já existe hormônio suficiente, aí ele para de produzir espermatozoide, entendeu? Por isso que eu tô falando, quem tá querendo buscar preservar a fertilidade não pode tomar testosterona por conta própria.
Outra preocupação frequente: testosterona pode causar câncer de próstata? Gente, a relação entre testosterona e câncer de próstata é mais complexa do que simplesmente dizer que testosterona causa câncer. Homens candidatos à terapia precisam sim passar por uma avaliação adequada, principalmente dependendo da idade dele, se tem sintomas urinários, se tem caso de câncer de próstata na família, vai fazer o PSA. Eu já prescrevi testosterona, sim, mas a pessoa vai passar por um urologista também.
Eu vou pedir um ultrassom da próstata, eu vou pedir o PSA. Se ele tem, vai, meu pai teve câncer de próstata, vamos ficar com mais atenção ainda, tá vendo? Então a coisa não é assim não, a gente tem que levar isso com mais atenção.
Com certeza, doutor. Então essas orientações são muito relevantes aqui para você, ouvinte, que tá aí ligado acompanhando Qualquer dúvida, doutor, ó, é isso aí. E outras dúvidas que o ouvinte pode ter, o que que ele pode, ele deve fazer, doutor, em relação a, é, o uso da testosterona? Ele tem, ele é sempre seguir as orientações como nós estamos falando aqui, né, doutor?
Sem dúvida, sem dúvida.
Não tem outro caminho.
E se você me permite, já chegando no final do programa, pode complementar. Que que eu tô querendo falar? Eu falei com vocês que agora, né, semana passada, no início do mês, 5 de agosto, é semana passada, o Jornal Globo, que é um jornal que, né, parabéns, quantos anos, né, cento e tantos anos, né. Mas é o que eu falo, ó, a pessoa, tá vendo, nós dois juntos, a pessoa vai, o repórter chamou uma médica, nós aqui não estamos querendo falar nome, depois vocês procuram na internet, chamou um fulano lá para falar sobre testosterona.
Não sei o que que deu nessa pessoa, nesse colega profissional, que em vez dela falar mais ou menos a linha que nós estamos falando aqui, ela não quis colocar que a testosterona— olha bem, nota da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia sobre a reportagem intitulada Hora de Reequilibrar as Taxas. Eu vou ler, gente, a nota rapidinho, mas vamos lá. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia vem a público manifestar sobre a reportagem Hora de recalibrar as taxas.
Publicado pelo jornal O Globo em 5 de agosto de 2026, a respeito da queda dos níveis de testosterona no homem e de critérios para indicação da reposição desse hormônio. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia enaltece a iniciativa de levar à população um tema de relevância crescente para a saúde masculina. A atenção de sintomas de deficiência de testosterona, como redução da libido, disfunção erétil, perda de massa muscular e alterações de humor é fundamental para que homens busquem avaliação adequada.
O relato do paciente citado na reportagem ilustra bem esse ponto. Embora sintomas inespecíficos possam ter origem hormonal, na maior parte dessas vezes não apresentaram relação direta com os níveis de testosterona, de modo que a reposição hormonal nem sempre traz benefícios sobre as queixas relatadas pelo paciente. Ainda assim, ainda que a reportagem atribua a melhora clínica do paciente à reposição de testosterona, é plausível que essa melhora tenha até ocorrido, sobretudo na correção dos parâmetros da síndrome da mola, e não da terapia hormonal em si.
Cabe ainda um esclarecimento científico essencial: a reposição de testosterona não pode ser decidida por uma dosagem isolada e nem pelo fato de envelhecimento. Conforme o mais recente documento emitido pelas sociedades, o diagnóstico do hipogonadismo masculino exige a presença concomitante, ou seja, ao mesmo tempo, de sintomas e sinais clínicos específicos e a confirmação bioquímica da deficiência de testosterona por meio de dosagens matinais de testosterona total realizada em duas ocasiões distintas.
O documento estabelece parâmetros claros Valores que nós nem citamos aqui para não dar confusão, mas olha bem, de acordo com a nota, valores de testosterona total abaixo de 264 nanogramas por decilitro suporta o diagnóstico. Acima de 350 torna o diagnóstico pouco provável. 350, tem gente aí tá com 1.200 porque tá tomando. Tem gente que acha que tem que estar de 800 para cima. Não tem achismo, gente. Então é importante destacar que a queda fisiológica está associada, associado ao envelhecimento, mas isso só não indica o tratamento.
A indicação da terapia de reposição de testosterona está reservada a homens com sintomas persistentes e deficiência bioquímica comprovada. A sua utilização sem cumprimento desses critérios traz mais riscos que benefícios potenciais, especialmente do ponto de vista cardiovascular metabólico, neuropsicológico e do fígado. Detalhe que esquecemos de falar aqui: o fígado também pode ser lesado nos casos de hipogonadismo funcional, em especial quando associado à obesidade.
Mudança de estilo de vida, perda de peso, exame físico são a primeira linha de tratamento. Então, muitas vezes, só da pessoa mudar isso já melhorou. E para terminar, a terapia de reposição de testosterona exige monitoramento periódico, níveis do sangue, PSA. A gente tem que respeitar as contraindicações relativas e absolutas, como câncer de próstata, câncer de mama, no caso que a mulher também, como eu disse, às vezes tá usando aí de forma, né, também só com essa função de aumento de massa muscular, desejo de fertilidade a curto prazo.
E jamais deve ser iniciado sem supervisão médica. O uso de formulações orais manipuladas ou implantes hormonais não é recomendado no Brasil. Diante do exposto, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia reforça a mensagem central da reportagem: homem com sintomas sugestivos de deficiência de testosterona deve procurar um especialista para avaliação individualizada. No entanto, ressalta que a decisão de recalibrar as taxas é clínica e deve ser fundamentada em evidências, não podendo prescindir do rigor do diagnóstico, o qual deve ser documentado também com exames.
O uso de testosterona com finalidade estética, ganho de massa muscular e melhora do desempenho esportivo é proibido no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina, conforme a Resolução 2.333 de 2023. A automedicação, inclusive com produtos adquiridos sem prescrição, representa risco à saúde e deve ser desencorajada. Rio de Janeiro, 5 de agosto de 2026. Associação Brasileira Médica e também Associação de Metabolologia e Endocrinologia.
É isso aí, esclarecimento, né, doutor? Muito bom. Mensagem final aí, doutor, vamos fechando aí, gente.
É isso aí, eu acho que com essa, com essa nota A nossa, a nossa mensagem foi dita. O hormônio, ele é um hormônio que tá virando aí de novo igual essas canetas emagrecedoras aí, modismo. Eu acho que tá na hora desse pessoal que tá pensando em estética pensar mais em saúde, porque eu acho o seguinte: é bonito a gente ver a pessoa saudável, com corpo bonito, alegre, mas nada pode ser feito em detrimento da saúde, né? Então essa é a nossa mensagem final: saúde que é o que interessa, né?
Com certeza, doutor. E quem quiser aí marcar a sua consulta lá na Casa de Maria com o Dr. Fábio, é no 3321-230626, Casa de Maria Centro Médico, que fica na Rua Nelson Duarte, número 34, centro aqui de Mãe Maçã. E o doutor que atende também lá no Cadite, né?
Isso, ali na Praça César Leite, né? 9932-8176. Daqui a pouco nós vamos estar lá às 15 horas na Casa de Maria. E se Deus quiser Semana que vem de volta aqui com mais um programa. E não esqueçam, no podcast Cuidando da Saúde lá no Spotify, esse e todos os outros programas estão lá disponíveis para você.
Um abraço, doutor, até o próximo programa.
Um abraço, querido.