𝔾𝕆ℤ𝔸𝕥𝕧 com Tiago Costa - T.C apresenta: Filipe Narciso - 2026
Tiago Costa
Filipe Narciso
- Música em AngolaFilipe Narciso · DJ Wind · M Roots · Black Coffee
- Direitos AutoraisSPA · UNAC
- Identidade sonora e marketingIdentidade sonora · Marketing sensorial
- Tecnologia na Produção MusicalInteligência artificial
É verdade. Infelizmente também, acho que devíamos já ter... Ou seja, esta sessão já estava para ser long due, como é que se diz? Há muito tempo atrás. Já para acontecer. Exatamente. Mas pronto, mais voltar do que nunca, como diz o velho ditado. Não, mas isso acho que também é bom sinal, é sinal que estamos a trabalhar. É sinal que estamos a trabalhar, não é? E agora, assim de repente, se estamos livres é porque estamos a fazer alguma coisa.
Olha, Filipe Narciso, produtor musical. Deixa-me dizer-te que eu acho que tu és dos meus... Portanto, teus colegas, nós estamos juntos. Dos primeiros madiés que eu vejo... Corrige-me se eu estiver errado. Mas eu acho que tu és dos primeiros madiés que eu vejo a tratar a música como um produto.
porque havia boi de DJs mas tu já brincavas de fazer coisas quando é que surge esse cenário com a música? tens familiares? é um mamu de família? não, o que é que acontece? na verdade familiares que façam música que eu saiba agora sim muito a minha família é de parte de pai e dizem
até hoje gostam de festa não vou dizer boêmios mas é por aí meu pai também gostava de ouvir música e dançar mas agora em questões de produção de fazer a música
Eu posso estar errado, porque a família é muito extensa. São primos, muita gente. E eu posso estar errado. Não quero estar aqui a falar que ninguém faz. Se calhar até fazem, mas assim, de repente, eu não estou a ver ninguém. Sei que são todos muito talentosos. Pegam no microfone, começam a cantar e cantam bem.
mas a cena mesmo de tipo fazer pegando as máquinas, ir atrás fazer uma instrumental não estou assim a ver espero não estar errado mas é isso e eu comecei eu na verdade comecei a ter a curiosidade de experimentar portanto a produção musical fazer as batidas brincar na altura com o computador ea
por intermédio de um vizinho meu que também foi meu colega lá na escola portuguesa que é o DJ Wind que eu por acaso não sei onde é que ele anda o Wind, sim, sim lembras-te do Wind? era o meu vizinho eu lembro do Wind, porrada mas também tocava exatamente
Esse é o Wind, meu. Ok, claro que sim, as influências da escola. Estás a ver, né? Então o Wind deu uma dica que tinha um software, porque eu já tocava, ele já tocava, né? Então, dava uma dica, como é, vamos tocar, vem comigo, não sei o quê. Eu ia à casa dele.
e aquele bichinho começou a nascer e depois ele diz vou te apresentar a uns programas de computador para tu fazeres umas batidas e tal, disse ok, fiz ele apresentou-me, eu vi comecei ali a... Frutilux Atomix Atomix, estás a ver? olha, estás a ver, exatamente
E hoje estou no Logic, fui subindo, mas começou assim, a curiosidade foi essa, depois tinha também os materiais em casa, de DJ, também ia tocando em casa. Lembro-me de uma vez que eu fui tocar a uma festa, tu apareceste, foi na casa da Cíntia, eu estava com uma mesa.
daquelas mesas tipo de 6 canais mini discs e tu apareces na altura e eu lembro-me que tu também já curtias a cena tu também chegaste ali como é? tu é que és o DJ? oh estás aí as cenas também começaste a mexer, eu lembro-me bem disso eu passei por uma bama faz eu já fui quase rapper, eu passei por uma cena, mas em bom date não mas eu...
Quando ali te escapou muito mal, mas é verdade. É verdade, é verdade. Lembro-me disso. Boa, boa, bem mesmo. Lembro-me desse momento. E a partir daí, quando dei conta, comecei, foi-me apresentada uma oportunidade de estudar, de me formar e formar mesmo em engenharia. Engenharia? Engenharia de som. Engenharia de som, produção musical e negócio da música.
Ok. E na altura não era porque eu queria ser produtor musical, na altura foi porque eu gostava de máquinas. Era tipo, eu gostava dos botões. Ok. Então é tipo, ok. Antes de nós começarmos a gravar, eu disse-te que houve um momento em que tu estavas numa área mais da... Não é ciência exata, mas era aí, era programação. Programação, é. Ou seja, naquela altura...
Tu já tinhas uma linguagem, a nível profissional, a tua linguagem já era universal. Tu já podias trabalhar em qualquer parte, porque o que tu gostavas já era o mesmo que funcionava em qualquer parte. Que ploro. Nice, nice, nice. Mas na altura eu não via dessa forma. Claro, claro. Tipo, quando vou naquela de, epá, gosto de ver o pessoal a mexer, o engenheiro a mexer nas máquinas e nos botões e a gravar.
e depois quando chego lá vejo um mundo totalmente diferente começo a perceber que existe muito mais do que somente uns botões estás a perceber? Começas a aprender sobre a produção para já o currículo é um currículo bastante técnico e eu não era tu disseste ciências, que eu era bom em ciências mas era tipo, como é que se chamava? era era
Era só ciências, agora não sei se era só ciências, porque eu não era boa matemática. Sim, sim. É o que eu queria dizer, eu não era mesmo boa matemática. E então, na altura fiquei um bocado receoso, porque fiquei a pensar, vou ter matemática, não vai correr bem, mas correu bem, teve alguns momentos difíceis, de facto, a parte mais técnica.
montar circuitos e não sei o que foi fixe no momento mas depois não aprofundei mais porque não era muito a minha área de interesse mas havia muito mais estás a perceber? Havia muito mais havia o negócio da música que na altura também eu hoje fomos a ver bem se calhar já estou mais no negócio da música mas na altura eu não sentia nada também agora que estamos aqui a falar e aí
E aí
o que é que eu comecei a sentir, vá, era mesmo a gravação, era a gravação, eu queria estar tipo no estúdio, estás a ver? Eu queria estar no estúdio, eu queria ver, nas máquinas, ver guitarras, a pessoas, tipo a banda, eu queria estar ali, estás a ver? Mas é pá, depois, com o tempo, uma pessoa vai fazendo um beat, vai fazendo uma cena, e é pá, e é aquilo, é, é, começa a ser tipo, tudo na caixa, hoje em dia nós estamos a produzir, uh-huh,
Os produtores hoje em dia é o produtor e o computador. Exatamente. Já não tens o aquário, né? Podes ter, na boa, mas não é isso que vai te fazer ser melhor ou pior. Estás a perceber? Não é aquilo tudo. Não é, eu estou a dizer que eu vi malta a produzir, a fazer cenas. Com um computador. E com uma coluna, tipo, só.
Eu olho para aquilo tipo, uau, som, é pá, não sei o que eles fazem depois, se mandam para alguém, mas... Há uns também, às vezes, né, pegam um bocado, mas não é preciso aquilo tudo. A máquina já está fazendo, aquela máquina já tem um estúdio em si. Já. Ok, nice. É assim, um dos, um dos, eu acredito que é um álbum, um dos teus álbuns que eu mais curti.
foi tipo I'm Roots I'm Roots na verdade não é um álbum é um projeto é um projeto é um projeto é um projeto é mas estás a ver ah
Às vezes tu gostas dos mambos, mas tu não sabes porquê que tu gostas dos mambos. Porque aquilo é, tu lanças aquilo numa altura em que os sul-africanos também começam a explodir com os black coffees.
É mais ou menos nessa altura. Eu não sei se vocês vão buscar todos a influência no mesmo sítio, não sei se tu fostes buscar a influência lá, mas é mais ou menos nessa altura. E é engraçado porque, portanto, tem uma batida nossa com o eletrónico europeu ocidental.
Tu não percebes muito bem, mas te cuia. Te cuia. E cuia diferente porque é nosso. É nosso. E eu falo disso hoje porque hoje estou mais no Zambacuco. Mas em algum momento não era só Tiago, Tiago. Mas hoje tu consegues... Eu cada vez mais consigo ir buscar a nossa essência ou pelo menos identificá-la. E são emoções. Vocês aí brincam com... É nessa perspectiva. É psicológico.
somos a ver bem a música a psicologia e a emoções automaticamente nós na verdade naquela altura estavas a falar da M Roots a M Roots é um projeto a M Roots foi na verdade fui eu e um amigo meu na altura moçambicano que eu conheci lá em Nova York e a gente começou esse projeto da M Roots e pá M Roots
Na verdade, nós conectamos-nos no MySpace. Lembras do MySpace? Sim, lembro. No MySpace, conectamos-nos no MySpace. Isso foi numa altura em que eu estava um bocado, eu lembro que eu estava um bocado desanimado quando eu estava lá em Nova Iorque, porque eu, de certa maneira, não me identificava muito com o pessoal. Estas a ver, tipo, gostava, estava a estudar, mas...
foi bom porque eu conectei-me com alguém moçambicano e eu acho que houve ali um clique houve algo que me motivou fez sentido e conhecemos-nos ele já era DJ também gostava de música e pronto ele era rapper na altura em Moçambique era do DRP que é um grupo também moçambicano old school
e começamos assim a sair e a conversar e ele disse, como é, acho que devíamos fazer, eu já na altura tinha todas as máquinas já tinha todos os mangos ele vinha, não sei o que, curtia ficar ali vamos fazer, vamos fazer vamos fazer um projeto, está-se bem Angola, Moçambique Amruts, raiz e ficou assim, na altura
O que é que acontece? Tu disseste bem, foi numa altura em que também o Black Coffee começou a ter mais notoriedade internacional. Internacional. E nós estávamos lá naquele momento em Nova Iorque.
conhecemos a malta que vamos dizer assim são os Godfathers são os padrinhos do House Music e na altura tivemos essa oportunidade de lhes conhecer através do NUNAS conheci-os a eles que é o Little Louie Vega, a Nane Vega que por acaso estão cá em Angola estão cá em Angola estão cá, quer dizer, vão estar até domingo se não estou em erro sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete sete set
Tem boda já no Miami, no sábado tem boda. E tivemos essa oportunidade de lhes conhecer. Epá, foi tudo acontecer no mesmo momento. Eu lembro-me, agora estás a falar sobre o Black Coffee, eu lembro-me do Black Coffee. Nós andamos com o Black Coffee no autocarro. No bar, tipo, não é... Ele agora só do jato privado. Nós andamos com ele no bar. Ok. Epá.
Foi um bom momento. Foi no início. No início, estás a ver? E então... É nice. É pá, pronto. Estávamos no clube. Nós íamos para o clube na altura. Íamos ver as festas que o Lu e o Vega e a Nane davam. Na altura o clube chamava-se Cielo. E toda a malta aparecia. O Black Coffee aparecia. Ficavam assim lá, estás a ver, no canto. E tu vias, é pá, pausados.
E claro que depois a malta começa a subir. Exato. Mas foi uma época fixe para nós. Depois fizemos esse projeto. Tivemos a oportunidade de lançar o primeiro EP.
pela Nulo Music ou seja, a Nulo Music é a editora da Nane da mulher do Luivega e é uma editora que sempre pautou muito pela música africana então eu e o Nunas eu e o Fresh Nunas um amigo moçambicano fomos o primeiro lançamento naquela editora e dizia
A partir daí depois fizemos mais um outro. Já não foi o terceiro, já. Depois foi o terceiro. Mas é para a partir daí, obviamente... Querias-te um link. Os links. Foi os links. Estás a ver como é que funciona. A partir daí a malta puxa, puxa, puxa. Hoje estás a ver o bando malta que está daqui que a malta puxou. Oh, nice.
Mas, é pá, foi fixe. Foi uma altura... Foi uma boa altura. Pá, pronto, já estamos a falar de... 18 anos atrás, é? Foi, foi, foi... Assim, se eu tocar 14... 18... É, 18... Nós estávamos a ficar com outras, maluco.
Nós estamos a ficar cortas. Eu até nem sei como é que eu vou responder a isso. Dred, eu vou dizer, daqui a bocado tem que ter placa. É uma placa aqui. Está mal. Estamos mesmo. Olha, vamos falar um cos sobre o negócio da música.
Há bocado falávamos sobre tu também estás inscrito na SPA. Primeiro, não, antes disso, o teu primeiro álbum, portanto, o primeiro projeto que saiu lá a Am Roots, esses direitos, América. Bem, não. Ou seja, sim e não. O que é que acontece? A Am Roots, como grupo, está registado como autores crasha.
Na BMI, na América. Para dois lançamentos. Nós fizemos lá dois lançamentos. Para dois lançamentos. Fizemos o registro e depois...
eu pessoalmente, ok? Eu pessoalmente, porque já estamos a falar a Amrouds é o grupo, né? Depois eu pessoalmente registrei-me em Portugal na SPA. Isso já passado depois de uns 3 ou 4 anos de tarde de ter-me registrado nos Estados Unidos como grupo.
E basicamente é isso. Ok. A gente, tentei. Não, nós aqui temos outras situações. Mas a gente, eu quero situações e mais situações, quer dizer. SPA. Vamos abordar aqui essa situação que é.
A maior parte dos artistas angolanos, com algum destaque e com a primeira oportunidade, registam-se na SPA, Sociedade Portuguesa de Autores.
Isto é quase como se os portugueses deixaram de nos colonizar. Já não é preciso, eles vêm sozinhos. A minha pergunta é, até quando? Até quando? Até quando é que nós vamos ter que continuar a assistir a artistas que deu errado e vão até pedir patatinhas quando podiam estar a receber uma massa? O que é que é preciso realmente?
para nós termos uma estrutura porra, porque a SPA se tu estás inscrito lá desde 2000, a SPA deve existir desde 1980 para não dizer antes isso quer dizer que nós hoje em 2026 com todos os milhões que nós gastamos não conseguimos ter uma explica-nos, por favor é pá, é assim hum
Nós aqui em Angola, nós temos uma... Nós temos lei, né? Nós temos lei, portanto, temos a lei 15-14, se não estou em erro, que é a lei dos direitos de autor, que nos concede, portanto, nós temos entidades de gestão coletiva, que são a UNAC, a SADIA, o equivalente...
A SPA em Portugal. Epá, agora, o que é que eu te posso dizer? Eu pessoalmente, e vou falar mesmo pessoalmente da minha experiência, dois exemplos. Quando eu me registrei na SPA em Portugal,
Eu fiz tudo na altura, se não estou em erro, online. Só depois é que tive que enviar alguma coisa por correio, mas foi uma coisa muito básica. Mas tudo foi online. Foi pesquisa. Eu fui à internet pesquisar como é que eu me associo, como é que eu me afilio a uma sociedade que me protege dos meus direitos como autor. Ok.
Online. Online. E isto há 17, 18 anos atrás. Agora, trazendo agora para aqui, para Angola. Eu confesso que até há pouco tempo, vamos falar 3, 4 anos, eu já estou cá há mais tempo que isso, é que eu me comecei a interessar por perceber melhor como é que funcionava cá. E quando eu comecei a procurar?
Faço a mesma coisa que eu fiz em Portugal. Há 18 anos atrás. Há 18 anos atrás. Nada. Pesquiso, aparece, de facto, as instituições, mas depois chego lá, carrego no botão. Não abre. Aquele mamu não está a dar. É triste. Até hoje. Isso já foi, imagina, há 4 anos atrás. Sim.
Estamos a falar agora de hoje, é pá, há pouco tempo. A menos que agora eu não estou com um dispositivo na mão, mas pode ser que agora esteja a falar e daqui a nada já vão dizer não, estava errado, estás a ver, está a dar. Eu sou burro. E já. Eu tentei aceder ao NAC, por exemplo, e registrar-me. Ok. E não funciona. Ok? Não funcionou. Isto não sei para aí há duas semanas, duas semanas e meia. Ok.
Só numa de curiosidade, ok? Sim. Porque eu sei... Eu participei agora numa conferência dos direitos da propriedade intelectual em... não sei quando é que isso foi, foi mais ou menos... 18 de abril, ok, pronto, 18 de abril, de abril... O do ano passado, ok. E na altura...
Eu estava com a diretora do Serviço Nacional dos Direitos de Autor e Conexos. Ok. E...
Falei com ela, não é? E ela deu-me, portanto, um contacto de alguém lá, portanto, no Cineac, para poder então registrar as minhas obras. Sim. Atenção, temos que perceber que o Cineac é a entidade reguladora, supostamente, pelo que eu sei, é a entidade reguladora...
Das entidades de gestão coletiva, ok? As entidades de gestão coletiva, em princípio, é que deviam ter esta função de registrar as obras dos artistas. Para depois a reguladora averiguar se estava tudo em ordem. Mas acho que neste momento há a possibilidade de fazê-lo diretamente. Mas, ainda assim, é um processo que eu, a meu ver, é muito arcaico, ok?
Espero e acredito e quero que isso modifique e que realmente as pessoas façam com que isso aconteça. Mas lá está, vamos voltar atrás às entidades de gestão coletiva. A UNAC, a Sadia. Epá, não sei a Sadia, não vou falar, vou falar só da UNAC. Se calhar tivessem aí a possibilidade de aceder ao site da Sadia. Neste momento eu estou a ver o site da UNAC.
mas não há nenhuma informação a dizer-me registre-se não tem nada aí fora o facto agora sim de repente fora o facto de que tu abres o site e o próprio logo da UNAC
estás a ver? é design, mas pronto é a tua opinião eu até nem sou um gajo porque eu percebo, não estou a falar porque eu percebo eu estou-te a dizer e vocês estiverem no cubico o NAC o NACSA.AO tipo, tu abres isso e tipo, eu estou-te a falar o logo, estás a ver? tipo exemplo
Tu em Angola, é assim, com todo o respeito, o que eu estava a dizer no início, nós temos boé de talento. Estás a perceber? Nesse momento, tipo, fizeram assim a três pancadas e chamam um artista. Isto não é dos artistas.
E isso é bem importante, isso tem que estar mesmo a funcionar. Porque se isso não estiver a funcionar, como é que a gente vai salvaguardar os nossos direitos? Tens que ir lá. Tu há 18 anos, em Portugal, era online. Aqui, 18 anos depois. Mas isso está a caminhar. Calma aí, mas estou-te a perceber, Tiago, e tu tens razão. Eu partilho da mesma sensação, mas eu acredito que é ordem natural. Não tem como. O mundo está-se a digitalizar, as pessoas...
Espero não estar errado. Estás a perceber? Ok. Digitalização. Porque tu achas que nós não sabemos escrever com papel, mas no computador... Espera aí que a inteligência já veio. Ok, ok.
ok, sim, eu não estou a dizer que não isso vai acontecer, calma, calma não é isso que eu estou a dizer obviamente que a gente tem um trabalho árduo, tipo, nós temos que trabalhar bastante, mesmo muito mas isso vai acontecer eu acredito se não a gente não estava aqui, estás a ver? sim, é verdade agora, é pá, claro que se eu há 18 anos já estava a fazer isso online e hoje não consigo, é pá, é um bocado chato
E não te esqueças que há 18 anos, pelo menos há 18 anos, Portugal era a cauda da Europa. Lembras-te? Há 18 anos. E direto, não vou te mentir, se for de números de milhões de dólares que Portugal gastou há 18 anos, ou gasta, e nós gastamos...
não tem comparação depois um gajo goza com os marimões fecha com os chateados eu só queria que os meus artistas fossem registados no meu país, eu só quero que os meus presidentes morram no meu...
é por ali como é que é essa ligação portanto não sei, como é que tu sentes que é a nossa música em relação a África, América Europa como é que é a aceitação das pessoas aceitação e compreensão, eu também curti a perceber, porque às vezes é o que eu digo às vezes não compreendemos aceitar e compreender bem crash
Se formos a falar do Afro House, eu pessoalmente já não, fisicamente já não vou, por exemplo, aos Estados Unidos há algum tempo, mas falo com as pessoas que lá estão, ainda tenho bastantes contactos. Por exemplo, o Nunes, que é o meu sócio do projeto da Amaroods vive neste momento em Bruxelas. Portanto,
do que eu consigo perceber dele lá é que o pessoal por exemplo em Bruxelas há muita aceitação há tipo música africana há muita aceitação, agora compreensão eu não sei se epá, eles caras têm a sua forma de compreender, mas que aceitam aceitam, tipo muito bem por exemplo Kuduro o Kuduro é meu o Kuduro
Eles gostam daquele mambo, mas curtem muito. Nice. Na Tuga, tipo... Eu acho que hoje em dia já não é da mesma forma. Eu acho que nós hoje em dia, em Portugal, nós temos tipo... Há uma música que está a bater, essa música que vai bater. Já não é o cu duro, no modo geral. Não sei, posso também estar errado. Vê como é que foi o fenômeno do Mussolo.
de repente todos os momentos eram Mussulo, no Mussulo, no Mussulo não havia muitas outras coisas o Mussulo também é é um case study para a Props para o Malvado, obviamente e também para a editora que assinou que é a Spinning Records que é uma editora também com bastante força e fizeram um trabalho né
não é angolana? não, a spinning eu não sei exatamente se ela é não quero estar aqui a falar sem fundamentação mas não é daqui não é daqui mas já conhecia, já ouvi a fala da spinning há muito tempo ok, ok e tem força estamos a falar de conglomerados de malta que
que já está ali a trabalhar bem. Então, próprio-se para o malvado, como o Sulu. E agora queremos mais malvados, queremos mais malta. E atenção, e depois vamos voltar a bater neste tema, que é o tema das entidades de gestão coletiva, porque o malvado, de certeza, deve estar a fazer uma massa dele, tipo, meu, fixe, boa.
Está tudo... Mas aqui, como é que fica? Como é que a malta aqui recebe? Não estou a dizer... Não sei, eu não sei. Não sei se é o tal ou não. Sim, sim, sim. Mas pelo que eu estou a ver... Epa! Não, e assim... Podemos não estar a falar do malvado concretamente, mas seguramente... Não pode.
É assim, que me perdoem os portugueses, ou o meu lado português me perdoa do lado angulado, mas é indiferente. Nós precisamos muito mais desse dinheiro aqui do que os portugueses precisam dele em Portugal. É tão simples quanto isso, estás a perceber? É pá, mas aí eu entendo isso.
Aí já é duro. Há bocado falavas sobre, por exemplo, a spinning. Nós temos em Angola editoras grandes. Deixa-me fazer a pergunta de outra forma. É verdade que hoje em dia uma música para bater tem que ser muito investimento?
Olha, eu vou-te ser honesto. É... Eu acho que tu tens que investir. Tens que investir. Porque o marketing é essencial, ok? O marketing mesmo... Quando é que isso mudou? Quando é que tu achas que foi a última música que nós ouvimos sem investimento? Ou sempre foi assim e nós é que não tínhamos noção? Epá, Tiago, eu vou-te ser honesto.
com exemplos, exemplos práticos concretos uma música que tenha que tenha tipo sido um fenómeno que tenha batido assim que tu te lembras, assim de repente só para me ajudar Gangang Style Gangang Style Gangang Style
Mas aquilo é Coreia, né? Aquilo que foi um país... Mas hoje também com o K-pop eu tenho que ter noção que aquilo é estratégico. Eu acredito que sim. Aquilo é estratégico, não tem como. Eu acredito que sim. Porque o marketing... Eu fiz essa formação em engenharia de som, em produção musical e negócio da música. E hoje, mais tarde, é que estou-me a licenciar em gestão e marketing. Ok.
E hoje percebo melhor o marketing. E como é que o marketing funciona na música? Tem que haver investimento. Ok. Tem que haver. Podem me dizer que se calhar uma música que foi um fenómeno, saiu da bolha sem querer. Mas não é o normal, é a exceção. É a exceção. Porque agora que tu falas nisso, principalmente para os niggas que mataram o Michael, o Michael já era uma bomba de Martin.
independentemente de ser um mambo extraordinário porque era tu lanças artistas?
Se lançar artistas para ti for tipo, vá, meter no circuito, sim, vou lançando. Eu não faço a gestão de carreiras, ok? Eu posso lançá-la, sim, na editora como um lançamento, tipo como uma música, né? Mas faço distribuição, vamos falar, faço distribuição. Agora a gestão de carreiras não faço.
eu não porque já sabes que eu não tenho jeito mas uma ads surge com 10 mil dólares para de lançar 10 mil dólares é algo ele chega tenho 10 paus, Felipe me põe no mercado, quero bater não sei ah, quero bater, ok então se calhar estás a falar faz sentido, você tem que ver fazer o estudo perceber onde é que tu podes chegar crash
Ok, ok. Mas sim, mas sim, é por aí, é por aí. E agenciar carreiras é algo que tu olhas, porque hoje começas a ver outras coisas, começas a perceber, né? Agenciamento de carreiras é algo que tu mais cedo ou mais tarde vais abraçar? É sim, eu não vou dizer, nunca se diz nunca, né? Mas eu neste momento...
Vou dizer que depende do caso. Tinha que analisar, tinha que ver. Mas não acho que esse é o meu foco neste momento. Não é tipo... Fazer agenciamento. Posso mudar de opinião, ok? Sim, sim, sim. Mas não é o meu foco neste momento, não.
Aqui nós estamos a falar de, essencialmente, música eletrónica. Que eu considero uma boa universal. Acho que em todos os continentes tem sempre uns pastilhados. Em todos os continentes tem sempre alguém disponível para o pum, pum, pum, pum, pum. Porra, eu curto o pum, pum, pum. Portanto, imagina, não é?
É engraçado como é que nós... É uma conotação... Mas é isso mesmo. É, né? Tipo, se fores buscar a essência do house music, os niggas deviam estar ali a brincar com... Deviam estar a brincar com o Pills. É a criatividade, Tiago. Não quer ser criativo, ele tem que ter alguma coisa. É o quê? Não, Marcelo.
E eu compreendo, porquê? Porque muitos, muitos é o álcool. Estás a ver? Tipo, se o álcool te dá um espírito, agora imagina uns de outras cenas, né? Tipo, eu compreendo. É, é. Mas, diz-me assim, eu sinto que o Afro House, Afro Music, portanto, a música africana, é muito bem recebida lá fora. E o que é que tu achas de África?
Do Afro House? Não, tu achas que... Não, não. Tu achas que a África também é bem recebida? Porque nós estamos aqui. Hoje nós já percebemos que eles vêm buscar aqui tudo. Até música. Festival de Kizomba. Tens poucos angolanos. Como é que tu vês o nosso continente que constantemente dá e muito pouco recebe? Até de nós. Até de nós.
Epá, eu acho que, obviamente, devíamos de... Temos que mudar, mas atenção. Eu olho, por exemplo, para o caso da Nigéria. A Nigéria, daquilo que eu sei, é uma indústria. Eles são boividades para nós mesmos, estás a perceber? Mesmo as entidades estão coletivas, pelo que eu soube, foram todas dissolvidas, começaram tudo do zero.
para com isso não sei se aqui vai acontecer isso mas pronto, mas aconteceu reset e eles olham bastante para eles mesmos portanto deve haver alguns países obviamente, eu África do Sul acho que eu acho que África do Sul em termos de afro-louse esquece, eles são
eles respiram aquilo então não vejo de outra forma a identidade deles eles têm bem assente é uma honra ser mesmo africano agora lembrei-me de uma outra situação mas pronto, quando estive lá já foi há algum tempo eu não estava a perceber senti na altura senti um certo setu
uma tensão racial na África do Sul muito acentuado então mas isso para dizer que eles gostam mesmo da música deles são top são gênios porque são não te posso dizer se calhar nos outros estilos musicais não tenho tanto conhecimento
Mas, epá, eu acho que, mesmo aqui em Angola, tu vês a malta...
eles consomem o que é nosso eu pelo menos sinto dessa forma, se tu achas que não mas eu acho que a malta tipo consome o que é nosso quando falavas da Nigéria e do da África do Sul como exemplos eu olhava mais para porque tu falaste um mal que eu achei extremamente importante que é a identidade qual é a nossa identidade? a nossa identidade qual é a nossa identidade? a nossa identidade a nossa identidade
Epá, eu diria, ok? Calma, a gente aqui pode ir por muitos caminhos. Eu pessoalmente diria que o Semba é a nossa identidade. Mas também não só o Semba, como o Kuduro.
A Kizomba, a Kizomba, vá, a Kizomba, né, que vem já do Zouk, que vem, né, pá, tem, nós todos, existe uma, uma, uma, uma ancestralidade, né, a gente, pá, bebe daquilo que... Também recebemos, já. Então, é pá, eu diria que é o Semba, que é o Kuduro, a Kizomba, o Afro House já por sua vez.
Também não posso dizer que não é. Porque há vários tipos de afro-house, estás a ver? Existe o afro-house que nós fazíamos na altura. Por exemplo, que eu fazia na altura. Não tem nada a ver com o afro-house que se faz hoje. Não tem nada a ver. E o próprio Kuduro também caminha para uma coisa cada vez mais eletrônica. Ia. Um bocado nessa perspectiva. O Kuduro era feito, se calhar, sem tanto conhecimento. Era mais bruto, estás a ver? E hoje, se calhar, já se começa a meter umas cenas mais limpas e tal.
Mas tu falas, e eu não discordo-te, tu falas do Semba, mas eu não sinto...
Nem a promoção do Semba em si, não sinto a promoção do Semba, nem a... E essa é a minha leitura, como tu não promove o Semba, não há cada vez mais artistas do Semba. Se me faça entender. Mas cá? Achas que aqui nós não promovemos? Já, eu acho que nós não... Presta atenção. Eu acho que nós não promovemos o Semba...
ao ponto de tornar nossa identidade, assumirmos como nossa identidade, porque se o fizéssemos, teríamos mais fazedores de Semba do que o que temos. Ou seja, eu considero que são poucos os artistas de Semba no país. Se comparar, por exemplo, com Kuduro, não tem comparação. Ok.
Mas será que também não tem a ver com a questão do semba ser um estilo musical que requer mais condições? Estás a ver, tipo, o acesso. Tu fazes um bom semba, né? Não é que não possas fazer, tipo, num computador. Porque a malta que faz, pega naquilo, programa sembas.
Fortes. Sabes onde é que tu vais cair? Aonde? Na falta de escola. Ok. Porque basicamente vamos considerar que um co duro não requer tanto. Mas nós sabemos que requer.
Obviamente que nós estamos habituados a que o Semba seja uma coisa mais... Eu não vou dizer de elite, mas algo mais... Um mais um dá dois. E não esperamos tanto isso do Kuduro. Mas, Filipe, quantos Kuduros nós já ouvimos e dissemos porra, essa letra é fortíssima e não tem nada a ver. Não tem nada a ver, mas... Certo, eu estou a entender agora a questão de como é que aquilo é feito, ou seja...
tu para fazer se calhar um cu duro, podes ter simplesmente um computador, um microfone, está a dar. Agora, o SEMBA, o SEMBA já te vai, tu tens de ir ao estúdio, vais ter que ter instrumentos, vais ter que ter um baterista, vais ter que ter um baixista, vais ter que ter o tecladista, estás a ver? Então, se calhar, já por si, já não é o mesmo processo rápido, estás a ver? Não é tipo abrir um computador, como é, e a brada, estás aí, bate um beat, e a...
É diferente. Então se calhar eu estou a pensar nessa... Investimento. O SEMBA requer mais investimento. Estás a ver? Então se calhar já não vem assim de uma forma... Não é tão... Acessível para toda a gente. Acessível, estás a ver? Ok. Essa foi o... Eu acho, porque assim, eu pessoalmente acho que o SEMBA...
não vou dizer que não acho que o Semba não seja promovido agora, é o que tu disseste bem eu sinto que é de certa forma algo de elite é algo mais elitista é mais nichado é o meu feeling posso estar errado é o meu feeling eu estou à vontade porque eu falo à toa por natureza mas estou aqui com um especialista portanto estou aqui a aproveitar também para a coisa é...
Business. A música gera muito dinheiro. Mesmo a música, mesmo vocês, registados em Portugal, em Angola, a música gera muito dinheiro. Nós já temos elementos suficientes para considerarmos que temos uma indústria musical.
Bom, elementos tipo... Você é que estudou. A música gera dinheiro, Tiago. A música gera o mesmo dinheiro. Sim, sim, sim. Agora, obviamente que a gente pode... dizer se gera mais ou menos, né? Mas a música em si gera dinheiro. Em Angola... Porque uma coisa é...
Um fonograma, ok? O nome fonograma é o áudio, né? Estamos a falar do som que tu produzes, o fonograma. Outra coisa é, por exemplo, um espetáculo, ok? Um espetáculo é diferente de um fonograma. Mas tu és o artista, tu és o criativo, ok? Das duas coisas. Das duas coisas. Tu podes ganhar dinheiro das duas formas. Sim. São formas diferentes. Portanto.
Eu pessoalmente, se for te falar aqui numa questão de produção musical, vou te falar do fonograma, ok? Sim, não vais falar do espetáculo. Não vou falar do show, do espetáculo, ok? E aqui, mas é bom falarmos sobre isso porque há aqui de facto às vezes um... Não vou dizer um desentendimento, mas se calhar uma... Falta de interpretação. Um confundir... Mas é pá, mesmo com a malta, né? Tipo, com a malta que faz música... Uhum...
que quando eu eu sou conotado como o chato o gajo o chato, o gajo chato o gajo que fala de fonogramas e pá, meu, estás a complicar estás a complicar, mas estou a complicar depois disso estou a falar agora, não é porque estás à vontade, estás à vontade não, não, não, porque é um bocado frustrante é frustrante de facto, é frustrante não vou dizer que não é porque lidas com medo de mediocridade
Tu não vais falar de música e pensar que a música é só um show. A música é um show, mas não só. A música também é o fonograma, o dinheiro que é gerado através do YouTube, do Spotify, do Apple Music. Epá, ok, pode não dar tanto, é verdade, mas dá alguma coisa. Ok. E se tu não tiveres...
Todo o processo organizado, se não tiver as instituições a funcionar, se não tiver paciência para organizar o teu lançamento, de ver qual é o teu ISRC, há um processo muito, muito sério para tu conseguir depois também ir buscar. Ok, o que é o ISRC? International Standard Recording Code, que é basicamente o teu código, cada faixa.
tem um código, ok? Cada música, cada faixa, cada wave, o Fisher Wave tem um código. E esse é o código que permite identificar a faixa em todas as distribuidoras do mundo. E é como eles se comunicam. Depois as entidades estão coletivas também precisando saber qual é que é esse código.
Bem, a entidade de gestão coletiva até não tem a certeza porque eles também têm um outro código que se não estão em erro é o IEWSC, ok? Dos autores. Mas isso é para dizer que existem códigos, existem procedimentos, processos a fazer. Organização. Não é só tipo, oh, como é o I? Fizeste um som? Amo no show? Está a bater? Não! Falta! Estás a perceber? Aqui estás a falar também para precaver plágios.
Também tens a questão da propriedade intelectual, né? Tu, obviamente, tu podes proteger. O que é que a propriedade intelectual é? É basicamente um conjunto de direitos legais, né? Que protegem a tua criação, né? Aquilo que está na tua mente. Ou seja, quando já está num livro, numa faixa, né? Sim, sim, sim. Pronto. E esses mecanismos, eles existem para te proteger e para te dar também sustentabilidade, ok? Epá, tu estás a trabalhar, ok, fiz. Estás aqui. A mãe tem só acidente.
Há um acompanhamento, porque já fizeste uma obra que dá dinheiro em algum sítio. Na BMI, por exemplo, nos Estados Unidos, tu entras no site deles. Tens tudo isso. Tens acompanhamento médico. Pá, meu, tens uma série de serviços dentro dessas entidades. Estás a ver?
Dão-te sustentabilidade, o artista. Estás a perceber? Porque nós aqui só estamos habituados que tens que ir trabalhar num banco para ter direito a crédito. Não. Tu podes ser um músico, tu podes ser um DJ, tu podes ser um criativo e ter isso. Mas para isso a gente precisa de organização. Estás a perceber? Pois. Isso é triste porque a gente não se organiza. Ou pelo menos não, né?
Mas, das a ver, eu compreendo-te, mas a gente não se organiza. Chega uma altura em que nós já percebemos que esta malta é que não vai nos organizar, mas nós, se calhar, já devíamos nos ter organizado. Eu falava-te no início sobre, por exemplo, tu foste tirar engenharia de som.
Nós tivemos boé de colegas. O que não nos falta, Filipe, são gestores de empresas. Não sabem fazer mais nada do que gestores de empresas. Foram a Inglaterra gestores de empresas. Estados Unidos só tem aqui gestores de empresas. Agora nem estou a brincar. O que não falta em Angola são gestores de empresas. Tem boé de Weas aqui que foram... Não é? Porra, não conseguimos gerir bem uma empresa só, tipo... Por que assim?
É tão estúpido eu achar que, enquanto angolanos, nós devemos ser protegidos em Angola? É assim tão parvo? Não, não é? Não. Às vezes, pronto. Mas é a sensação que a gente acaba por ter, infelizmente.
Epá, é um ecossistema complicado, mas eu acho que a gente vai conseguir, vai conseguir aos poucos. Eu acho que é causa natural, na verdade, eu acho que é natural. Tu vais, isto vai ter que se organizar. Há bem ou há bem? Já. Por causa destes constrangimentos todos e porque lá está, tu és artista, no final do dia tu és artista e a artista na banda é puxado. Tu fazes mais alguma coisa fora a música?
Bem, além da música, eu agora recentemente consegui conciliar aquilo que são as minhas valências técnicas.
para prestar consultoria ok? Então, eu neste momento tenho um outro projeto que é o portanto, é um projeto, é uma consultora que é focada apenas em construção de identidade sonora, ok? Quando eu falo de identidade sonora estamos aqui a falar, eu acredito que tu tens pelo menos, não sei se já conseguiste perceber isso, mas por exemplo o GosaTV, GosaQ, quando começa tem aquele... Tem aberturas e os genéricos e coisas e...
Isto é parte da identidade sonora De uma marca De uma empresa Portanto, além Da produção musical Que eu faço para mim, também Presto consultoria Identidade sonora Imagina, o que nós estamos aqui a falar É que, por exemplo Uma empresa grande, tipo a Unitel
contrata-te para em todas as unitéis do país, quando a pessoa entra na loja, há uma voz que diz, bem-vindo quer saldo? qualquer coisa, tipo, criar é como quando tu vais a determinadas lojas e elas têm um cheiro específico é sobre isso que estamos a falar marketing sensorial, portanto é dentro desta linha há mercado em Angola para isso crash
O mercado existe. Agora, como é que, e essa é a minha luta, como é que a gente valoriza? Porque eu sinto que existe uma desvalorização, nem vou dizer desvalorização, acho que é uma falta de educação, e lá está, a falta de escola. Mas, se nós soubermos comunicar bem, se nós soubermos explicar... Tem bom resultado.
Tiago, existem um monte de empresas em Angola e todos os dias nascem empresários e marcas. Quero destacar de alguma forma. Tu tens que te comunicar. A comunicação visual tem que estar alinhada à tua comunicação sonora.
Isto é aquilo que tu falavas a bocado, é tipo a música, porque aqui hoje em dia todo mundo faz música. Alguém tem que investir mais. E às vezes esse investimento a mais na tua empresa, porque todo mundo abre uma empresa, é nesses pormenores, não é? Portanto, eu chego ali, ali há um cheiro específico. Eu vou ali porque ali eu como de forma específica aquela comida. É nessa linha. Exatamente.
Ok, ok, isso é muito interessante. Até mesmo para, não sei, aí eles têm problema de pagar, mas mesmo para o Estado. Porque tu tens instituições com características muito específicas.
e que mesmo para a imagem, para a comunicação ok ok, nice tu também fazes também para as suas consultoria de imagem então tu percebes bem o que eu estou aqui a dizer sim, sim, sim, mas também mas eu
Imagina, tu agora estás a apostar nisso. Eu cada vez menos aposto. Porquê? Porque a minha área é muito específica. É comunicação e imagem, mas no final do dia é...
É política, para dizer social, porque é país. Imagina, eu quando estava a estudar, a minha ideia era ser consultor de uma D. Mas uma D. ao que eu ia consultar não é porque é o Filipe, é porque o Filipe é ministro. Porque o Filipe é, e eu me enquadro, ou eu vejo, tipo, esse ministério é para aparecer bem. Eu estudei como é que vamos aparecer bem.
Mas para parecer bem, eu vou te dizer que não. E tu não vais querer o filme ou não. Vais buscar o consultor português. Vais pagar em euros ou criar com asas. Eu ia descontar aqui. O niga está descontando. Como eu já percebi qual é essa linha. Irmão, muito obrigado. Mas não faço parte de pouca vergonha. Atenção.
eu até aceito porque eu sou falho eu até aceito ser responsabilizado por algo que eu fiz agora, ser responsabilizado porque tu deixas de bandeira quando eu te disse para não fazer e tu fizeste na mesma e depois no final eu passo por incompetente eu gosto de fazer por incompetente, mas eu é que sou incompetente não é porque ordens superiores
Então eu percebo o que é que tu estás a dizer. Porque é chato. Porque tu estás disponível para... Tu até sabes como é que se faz. Eles próprios também têm a sensação que eles sabem como é que se faz. Mas... Estão presos a qualquer coisa. É assim, eu acho que... Há uma... A criatividade... A identidade...
também exige alguma criatividade, ok? Ok. E tu, para ser criativo, o criativo, nós fomos estudar, existe toda uma regra, existem todos esses parâmetros e tal, mas dentro desses parâmetros, eu agora, é engraçado, estou a fazer uma tese de final do curso que fala exatamente sobre o audio branding.
E fiz pesquisa de muitos artigos de científicos, de pessoal que já escreveu e utiliza a psicologia. E eu consegui perceber que dentro desta criatividade que exige certas regras, ainda assim às vezes a gente viola essas regras. Estás a ver? Então... ...
O espectro criativo é complexo. É complicado. Tu às vezes vens dizer uma coisa, depois, não, mas espera aí, não é assim. É duro, não é uma coisa que eu acho que seja fácil. Mas, epá, depois é o que tu dizes, é o jogo de cintura, se calhar, né? Como é que a gente consegue gerir isso? Como é que se calhar, epá, mas não é assim. Não, mas é assim. Eu percebo. É desafiante. Em algum momento no teu trajeto, ocorreu-te parar?
Na consultoria? Não. Ou na música mesmo, na produção musical? Sim, na verdade é em tudo, porque é tudo a mesma coisa. Apesar de tu estás a trabalhar de uma forma diferente, está dentro do mundo da música. E eu pergunto disso porque nós temos noção de quão difícil é aqui na banda trabalhar, ser artista. Então é mais a nível de tipo, é um sonho, tu vives o teu sonho, tens o privilégio de viver o teu sonho.
Mas estás a viver o teu sonho numa banda em que não há condições, não há coisas. Já te ocorreu o Bepa.
já, já, já, claro que sim já, já, já, várias vezes pá, para que mentir? claro que sim, já eu nem sempre fiz, nem sempre fui criativo, vá, criativo nem sempre fiz só música, eu já tive passagem por outros empregos, ok? administrativos, comerciais já fiz isso, já fiz isso
Se me arrependo, é pá, sim e não, porque é sempre uma experiência, tu aprendes e vês como é que as coisas são. É pá, se calhar se tivesse investido mais naquilo que já podia estar num outro lugar. Então, é pá, faz parte, faz parte. Por isso é que eu te disse no início do programa.
E tu disseste bem, eu também já tenho acompanhado os teus podcasts e tudo, e tu dizes que podias ter feito mais, eu sinto que tu sendo... Mas Tiago, aos meus olhos já fizeste bué! Já fizeste muito, muita coisa que bué de gente não fez. E isso já abriu caminho. Tu abriste caminho. Nós não valorizamos o que nós fazemos porque nós estamos a fazer, não estamos a olhar para o que fazemos, é um bocado nessa perspetiva.
então quero crer que eu também devo estar a fazer alguma coisa não, mas definitivamente, e é o tempo que andas aí e as portas que abres para o outro pessoal e atenção, porque no teu caso tu nem é show off
Tu nem és uma pessoa de exposição, nem és uma pessoa de fazer questão de que eu fiz isso, eu fiz aquilo. Os teus mamus estão aí e vão contigo. E às vezes isso... Não sei se já chegaste, como já estás na tese, já deves ter chegado a essa parte.
em que isso às vezes te prejudica mais do que te beneficia. Porque estás, infelizmente, num mundo hoje em que qualquer pessoa pode ter 15 minutos de fama e então... Não tens que aparecer, né? Exatamente. Porque senão ficas tipo, não estás a fazer, né? Yeah, yeah.
Isso deve ser puxado por uma pessoa que só quer ficar no aquário. É pá, não, é assim, eu aprendi a aparecer. Eu, de facto, fizeste uma análise perfeita. Já me conheces também há muito tempo, não é? Eu sempre fui uma pessoa muito recatada, muito reservada. E tive que obrigar-me a mim mesmo com aquilo...
que era desconfortável para mim a evoluir a amadurecer eu não acho, eu não sou a favor que todo tipo de exposição é boa, eu não sou a favor disso, eu acho que não tenho que ser polémico para ter, pá, se tem que falar, ser fofoqueiro para estar aí a aparecer não acho, não concordo sei que isso tem um poder muito grande, mas bom
Pá meu, não é a minha cena Estás a ver então, mas tive que sair Tive que mostrar mais, estás a perceber? Então isso é obviamente Essencial Tu sempre, desde muito Muito cedo, aquela cena do aparecer Sempre usaste o meu, epá tenho que aparecer Quero aparecer, e era isso É isso, é isso É o aparecer, tens que aparecer Desde que dread Porque se tu não apareces
É mais dinheiro que desaparece. É mais dinheiro que desaparece. Muito bom. Surpreendido. Ok. Nice. É verdade. Boa. Eu vou dizer. Eu vivo numa ilusão. Eu vivo numa ilusão. Mas ainda assim, é mesmo aquela de tipo... Às vezes é só um lembrete.
De que alguém te ver... Xê, estás a mexer muito, fica calmo. Depois, o meu alvo são uma das que mexem muito. Um gajo do peixe dos olhos... Já desapareceu. Desde que começamos a falar até agora, já roubaram... Esses gajos são mexilhões, estou com esse mexilhão. É quiteta, isso não é quiteta. É uma banga, esse gaj... Pô, não, esses gajos são malucos.
é mesmo isso portanto agora tu estás nessa não vou te roubar muito mais tempo mas eu quero explorar um pouco essa parte aqui porque eu acho que essa tua nova cena de sensações de tipo
Onde é que houve? Onde é que? Só para perceber. Aqui na banda, há algum sítio, alguma empresa que tu já chegas e o som é o mesmo. Eu estou a pensar em supermercados.
Supermercados, supermercados... Porque quando a porta abre, acho que eles fazem um... Nem mais, nem mais. Nem preciso ir aos supermercados. Acho que há farmácias que fazem isso. Isto é o que tu estás a falar também. Também. Portanto, é o eu já saber. Nem mais, nem mais.
Não foi aqui na banda, mas eu acho que, e principalmente porque nós comemos tudo de fora, na América eles têm um cenário do carrinho dos lados.
Sim, sim, sim. Por exemplo, isso é identidade. Ou seja, tipo, de repente, tu estás na tua casa, o carrinho está no início da rua, e quando é... Já sabes o que é que está a chegar. Exatamente. É isso. É tu associar uma marca, alguma coisa ao som, neste caso. Sim.
Por exemplo, toda a gente fala Netflix, porque é Netflix. E é tum-tum. Estás a ver? Tipo, é Netflix. Pá, tens aí... A Microsoft também tem. A Apple, por exemplo, quando começa aquele... Estás a ver? Isso é identidade. E a identidade, o que é que é engraçado? A identidade ganha força com a repetição. Quanto mais tu repetes, mais ela fica. Tum-tum.
E a identidade é uma coisa muito séria Porque é propriedade intelectual Tipo, é propriedade Estás a ver? É um ativo Eu sei que tu achas que nós vamos chegar lá E nós sabemos Que é um mercado já Já acumulou aí O que é que te faz pensar Que nós não fazemos isso já?
É o que eu te disse. Falta de fomentar, de falar sobre este assunto. A gente tem que falar primeiro. As pessoas têm que ter consciência, ok? As pessoas têm que perceber que isso existe e é para ser explorado. Porque o que acontece hoje em dia... Pá, Tiago...
Eu estava a perguntar, não sei, como é que vocês fizeram aqui? Se tiveram algum briefing, por exemplo? Eu tive... Estudei um cochito. Estudaste um cochito, não é? Estudei um cochito, então tenho algumas noções, mas eu também tenho noção das minhas falências. Mas, ainda assim, eu tenho alguma noção de coisas que vai te fazer chamar a atenção para termos... Nós vamos fazer 14 anos, mudaste a parte. Então, alguma coisa... Eu fui à faculdade umas vezes e estava...
E ainda estavas atento e viste algumas coisas. Pronto. Mas, por exemplo, eu reparei que vocês têm a vinheta, quando começa, o vosso logotipo sonoro, porque é um logotipo sonoro. Meu, que este programa, eu não sei o que é que tu estás agora a pensar, para ter aqui para a frente, mas que este programa tenha muitos anos a vir, outros formatos, whatever. Se calhar vais chegar a uma parte que vais ter um rebranding também, que vais fazer, estás a perceber? Mas tu tens uma identidade.
Tu tens que registrar isto. Tu tens que ter tudo isto, like, organizado. Exatamente. Porque isto é a tua marca, meu. Isto é a tua herança. Estás a ver?
Então, se calhar, nós temos que olhar para nós com mais valor. Eu estou aqui a pensar. Eu gosto de coisas assim um bocado fora da caixa. Se tu e os teus colegas angolanos reunirem e disserem assim, epá, já não vamos, vamos desligar da SPA. Agora tem que ser aqui na banda. Vamos fazer um mamba aqui na banda.
Às vezes eu só preciso aqui bater de frente. Não é bater de frente, senão... Mas, pensa comigo. Eu sou político para o ano das eleições.
Cultura. Da cultura é música que provavelmente está inscrito na SPA. Não sei, espero que não. Imagina. Seria um requisito. Vocês agora, todos, é pelo menos 50. Eu estou a dizer, pelo menos 50. Eu conheço pelo menos 50 artistas angolanos que estão inscritos na SPA. Pelo menos.
Vocês 50 decidem em grané... Ah, vamos sair daqui. É para fazer aqui na banda. Tu achas que não vão fazer aqui na banda? Vamos fazer aqui na banda. Ainda por cima, vocês mulatos. Não, vamos fazer aqui na banda. Como é? Boa. Eu acho que é essa. É para você bater o pé, meu. É para... Tiago.
Isto nós aqui estamos a falar e... É sério. É sério, mas é tipo... Estamos a conversar, mas depois quando vamos ver as coisas... A gente pode falar verbalmente, mas tem que escrever o papel. A gente tem que escrever para aquilo validar. Epá, eu acho que há muita boa gente que tem vontade, ok? Vejo, pelo menos estou a ver, né? Agora, as pessoas às vezes mudam.
E o inferno está cheio de pessoas com boa vontade. Exatamente. Mas pronto, é o que tu dizes. E bem, isto é apelar bastante. Tipo, o que é nosso? Não sei. É dinheiro. Porque nem toda a gente... Depois estamos aqui a falar em taxas, em impostos. É massa. Isso sou eu a falar contra mim. Sou eu a dizer que...
Há milhões que podem ser desviados. O que eu estou a pensar é que há milhões que têm que vir para Angola. Nós não podemos continuar de forma leviana a achar natural artistas angolanos. Eu fiz essa pergunta e até foi sem querer. Mas é muito frequente.
artista tem... Então, às vezes artista angolano, a tua massa, tudo... Amanhã, quando morres, a massa vai cair lá. Nunca é aqui. Estás a se ver? Epá. Sim, sim, sim. Pões toda a razão. Pois dizem que é chato. É claro. Acho que não. Temos que...
Lá está, por isso é que eu dei o exemplo da UNAC. Eu estou cheio de vontade, ok? Estou cheio de vontade de estar associado a uma entidade de gestão coletiva. Não estou a dizer que é a UNAC. Há uma entidade, porque basicamente eu preciso de uma entidade de gestão coletiva para ir buscar os meus direitos de autor, ok? Portanto, eu preciso de uma entidade de gestão coletiva. Pronto, agora se é a UNAC, se é a Sadia, se é... Já é indiferença. Isso já, pá...
que depois são tudo grupos e cada um tem a sua forma de trabalhar. Mas o objetivo é esse, ok? É tu conseguir ir associar-te e ter alguém que faça a gestão daquilo que são os teus direitos. Então, vou-te mostrar. Eu estou inscrito na UNAC. Ok. Número 3303.
Não sei se devia dizer isso ou não, mas... Não, isso pode dizer o quê? Tu não te inscreves online. Ok. Não te inscreves online. É possível, mas é o que tu dizes. Se é mais fácil... Aqui a questão é só essa. Nós estamos a andar atrás do prejuízo. O prejuízo é vocês estarem inscritos lá.
E se é mais fácil eu me inscrever na SPA a partir de um telefone ou de um computador do que ir até ao NAC, então o problema é dar o NAC. É tão simples quanto isso. Se é mais fácil eu daqui inscrever-me numa coisa fora do meu país, é porque é isso que nós estamos a falar.
do que não há que eu tenho que ir lá fazer e acontecer, e depois não há sistema, então o problema é nosso. E aí já não tens mais desculpa, já não... Tentei, tentei, tentei, não... Já não... E eu nem sabia que tu estavas inscrito, não é? Já, já, já, já, eu... Sabe que eu sou... Eu pago impostos, eu sou o parvo, eu sou o parvo, eu sei, tipo...
vai cair na conta de quem, alguém vai desviar, não me interessa, mas eu pago os meus impostos. Estás a ver? Então, eu tento sempre estar o máximo, o que é possível dentro da linha, para depois não... Eu não gosto só de falar à toa, eu gosto de falar à toa com alguma propriedade. Estás a ver? Tipo, é isso.
E já agora, qual é Só estou a perguntar, porque eu não sabia Qual é o teu humorista Não, não, não, mas como é que estás a ver Ou seja, o trabalho Não, esquece É tipo eu pago impostos Não quer dizer que eu sinto os impostos Estás a esticar já, não, não Calma aí, uma coisa Para perceber como é que é Eu, nós Pagamos impostos Tu sentes os impostos que tu pagas Tchau
Sim. Sim. Como? Na tua casa sa água?
Ah, não, não, não, isso não, isso, ok, estou a perceber essa perspectiva, não, estou a dizer que eu sinto porque sai do bolso, estás a ver, calma, não é assim, tu sinto o que pagas, não sinto, depois o retorno, vai. A questão aqui é essa, não é? Portanto, o que eu tenho de fazer, figura de papel, papel de párforo, eu faço, mas depois do outro lado é preciso, é um bocado nessa perspectiva, não é, tipo.
Eu pago água, mas eu não tenho água todos os dias. Eu pago luz e eu vou já na segunda, em quatro anos, eu vou na segunda eletrobomba, porque a luz queima uma quilo. E o que é que vão me dizer? Compra um...
Vamos mandar fazer tudo. Vamos mandar fazer tudo. Menos arranjar é a porra da luz. Pronto, está visto? Não há problema. Mas nós estamos aqui. Nós estamos aqui, fomos educados dessa forma também. É para fazer o país, é para dar continuidade, é para dar continuidade. É para mais dar vai jeito. Eu vou te dizer sério, é porque eu conheço boa gente que gosta boa de dinheiro. E eu não consigo perceber como é que não gostam desse dinheiro. Porque esse dinheiro também é dinheiro.
Estás a perceber? É muito milhões que nós não fazemos. Sim, eu estive a ver há pouco tempo um dado concreto. Que, por exemplo, a publicidade é cerca de 3,2% já do PIB.
A publicidade do país? Do país, que se investe. Ok? Ok. Então, e parece que isto está a mudar. Desculpa, desculpa. Isso foi o que eu li. Ok. 3? 3,2%. Mas podes pesquisar só para eu não estar a estar... Não, não, não. Eu não vi isso há dois dias atrás. Eu gosto deste número porque mais 3% e é a educação. E agora tu perguntas, é a saúde, é a educação que está muito baixa ou é...
É para vocês, esses não é. Eu vou... Isso é para dizer que há massa, há dinheiro, há investimento. E por acaso estamos a falar do YouTube. Olha, o YouTube é um exemplo mesmo bom.
Por exemplo, o Gosaqui é transmitido, não é? Sim, sim. Temos aqui, não é? O YouTube paga... Já paga renda. Já dá... Do espaço, por exemplo. Por exemplo. É. Tu aqui em Angola não tens publicidade, ou seja, o Google Ads não funciona aqui em Angola. Sim, mas é de empresas de lá de fora. De lá de fora. Exatamente, é.
Imagina se tivesse aqui a funcionar. Já dava. Estás a perceber? Então, são essas coisas que têm, e eu acredito que vai mudar. Acho, pelo menos pelo que eu estou a ver, que acho que as coisas vão mudar. Porque também tens a questão da digitalização, as formas de pagamento, todo esse sistema por trás que tem que sustentar. Mas...
epá, meu, por exemplo não, olha, estás a dizer isso e neste momento nós temos publicidade neste programa não no de hoje, mas é portanto é por edições temos publicidade de uma marca de angolanos que vivem em Inglaterra e que fazem importação de material ou seja, se quiseres comer fungos em Inglaterra eles dizem
tiram daqui a fuma e mandam para lá ou seja, são dreads que vivem lá angolanos e que estão a fazer publicidade aqui para o mercado nacional, portanto, porque nós também temos sempre o WhatsApp mas não anunciam na plataforma? Anunciam nos vídeos, não no Youtube nos vídeos que nós pomos no Youtube, ou seja, neste momento por exemplo não é o caso, mas assim que acabasse e dizem
ele põe e passa a publicidade no nosso vídeo. Ok. Não é o YouTube. Ok, é no vosso vídeo. É no nosso vídeo. É como fazem aqui. Exatamente, exatamente. Já, ok. Mas lá está, é um caminho. Sim, sim. É um caminho porque depois tu percebes que lá está, em Angola, nascem empresas todos os dias. Já. E nem todas as empresas têm a capacidade de chegar a TPAs e as grandes, mas há plataformas que têm visibilidade, têm números e os nossos números acabam por ser mais...
transparentes do que aqueles. Pelo menos, porque os nossos estão ali. É para toda a gente ver. São esses. Ali tu nunca sabes. Podem dizer uma coisa, podem dizer outra. É esse o problema. Estás a ver? A internet também veio facilitar nesse aspecto. Então, apaiá.
Há dinheiro, há massa, há massa. Só que não há massa que não está a sair bem ainda. Tem que ser trabalhado. Não está bem orientada. Então ainda gastamos boi de massa com amantes no Dubai. Não é mau, mas dinheiro do Estado fica tipo a tua amante é minha amante.
Deviam trazer um perfume. Enfim, bom irmão. Próximo passo. Porque agora entraste, eu sei que entraste, estás agora a tatear na consultoria. Quais são os dois objetivos para os próximos tempos?
Bom, vá-se. Na verdade, é cada vez mais consciencializar as pessoas, ok? Consciencializar, valorizar aquilo que é o áudio, ok? A identidade sonora. Isto, obviamente, no ramo, ou seja, no setor da consultoria.
Epá, da música é também organizar, é organizar o que a gente teve a falar, fazer com que as pessoas percebam que temos que ter um ecossistema montado e sustentável. Para fazermos todos o dinheiro. Epá, continuar a fazer, a criar, acho que isso é mais do que natural, a criação, nós vamos estar sempre a criar, eu vou estar sempre a criar.
E acreditar que vamos ter um país melhor e sustentável. Se não for para mim, que seja para o meu filho, para os meus netos. Basicamente já estamos a reproduzir o que nos disseram também.
Eu sei, eu sei. Nossos contas estão a dizer não, mas é para vocês. Mas é o quê? Não, mas é verdade. É verdade. A vida é um loop. A vida é um loop, Tiago. Nós estamos aqui, isto é uma repetição. É verdade. Isto é uma repetição. É verdade. Vamos nos enganar? É. Por acaso, por acaso, eu também estou contigo. Os marimbondes pensam que são os primeiros a roubar. Não, já nos roubaram antes. Eram portugueses.
Mas é verdade, é verdade. E agora ainda temos a inteligência artificial que a gente nem falou. Nem sabes o que é que vem aí, né? Exatamente. Olha, por acaso já tínhamos fechado mas deixa-me puxar-te aqui um bocado sobre isso por causa, principalmente.
já deves ter ouvido imagina tu ouves os lambas e de repente há uma versão dos lambas em inteligência artificial não sei se já ouviste essa versão os calibrados e de repente há uma versão como é que fica isso a nível de massa? não fica crash
depende. Não fica o quê? Ou seja, ok, estás a falar que, por exemplo, vamos usar um exemplo, né? Ok, vamos usar o exemplo, eu vou falar, vamos falar dos calibrados que eu já ouvi a música dos calibrados em inteligência artificial. Eu não sei quem gerou aquilo, não faço a mínima ideia. Já ouvi aquilo a tocar na rádio. Já ouvi aquilo a tocar na rádio. Pelo que eu estou a ver...
E tem todo o direito, se os calibrados acharem que estão a ser usurpados, tem todo o direito de entrar com uma medida judicial. É a vossa música, é a vossa autoria, é a vossa letra, porque a composição é diferente, mas a letra é a mesma. A letra é deles. Agora, aqui em Angola...
neste momento, se ainda nos Estados Unidos está como está, e eu estou a ver como é que está a acontecer as SUS, como os processos que estão a fazer contra todos estes softwares.
Aqui, neste momento, o que eu acho é que se calhar vai-se arranjar uma forma de licenciar, de encontrar-se um acordo com estas plataformas. E, a meu ver, se calhar... Estas questões técnicas, que depois são técnicas, tens mesmo que ver exatamente o que é o quê, se é 1% daqui...
Eles podem te vender qualquer coisa. Eles podem dizer, não, agora temos aqui um novo acordo e esse acordo vai fazer com que tu tenhas... Epá, não sei. Honestamente, percentualmente, eu não sei. É bom saber. Mas eu estou a ver que estão a existir acordos entre as grandes editoras, ok? Com estas empresas de tecnologia. Duas coisas. O que é que...
representa uma música dessas a tocar na rádio. O que é que representa? Já, porque imagina que estamos a falar ainda dos calibrados dessa versão e imagina que não foram eles que fizeram. Já. Mas, e por causa da bagunça que existe aqui na banda, ouvi, curti, sou radialista, pus. Mati. O que é que isso que...
Acho que estou a perceber onde é que tu estás a querer chegar. Pode ser perigoso. No sentido de que se quem é o autor não gostou...
pedir um ajuste de contas ok, então agora tira-me outra dúvida que é e se a música original dos Calibrados toca na rádio hoje em dia ainda não se recebe, já se recebe?
como assim? Imagina que se uma música tua tocar na rádio em Portugal cai uma massa na SPA se uma música tua tocar aqui não cai brincadeira nenhuma em princípio deveria porque são sociedades com gêneros eles dizem que a SPA deviam reportar aquilo à SPA mas se acontece não sei, Tiago, não sei honestamente Pronto, a minha questão é saber se Tchau
Sabes se os músicos aqui quando a música toca na rádio já recebem?
Eu acho que depende, assim, tu tens, tu tens, tu tens, tu tens entidades de gestão coletiva que têm estatutos, que estão todas formalizadas e que têm escritórios, né? Portanto, eu acredito que deve acontecer alguma coisa. Comigo não sei, comigo não está a acontecer. Mas...
Eu acredito que deve acontecer. Queres acreditar que alguma coisa está acontecendo? Epá, Tiago, é assim. Eu não te posso dizer. Alguém tem que me dizer, né? Ah, exatamente. Pessoalmente não está. Para mim não está. E eu não... E conheces alguém que te diga assim, olha, o som caiu na rádio e caiu uma massa? É assim, eu não te posso dizer que sim. Não te posso dizer que sim.
É possível, mas as pessoas também teriam que me dizer. E nunca me disseram, ok? Ok, ok. Mas é muito interessante. Eu quero saber. Não sei se podem partilhar. Por favor, por favor. Mas eu também quero saber, porque...
As entidades estão aí. Tem estatutos, tem tudo a funcionar. É pá, mas... Não sabemos. Eu não sei. Não sei. Mas quero saber. Quero mesmo saber. E gostava que apresentassem, não é? Tipo... Transparência. A República está sempre a falar de transparência. Acho que...
E quero acreditar que existe. Claro. Porque também não vou ser tão cético, nem ao ponto de... Mas é possível. Não sei. Tem que me apresentar. É pá. Senhoras e senhores, Filipe Narciso. Boa tarde.
Obrigadíssimo. Obrigadíssimo. Vou dizer, é um gosto enorme. É o que eu te dizia no início. Ainda não tínhamos começado a gravar, mas tu, eu, eu acho que há...
Há uma mão cheia de mandiés que tiveram o privilégio de estudar na Escola Portuguesa e depois de sair da Escola Portuguesa e ir para outros voos. E tu desde... Pô, tu que... Lá está, no teu mundinho, tu já és independente. Isso é uma amostra de que é possível. Tu na tua área, cada um na sua área.
Continuo a dizer-te que acho que nós devíamos ter feito mais. Eu estou a fazer, não estou a ver o que eu estou a fazer. Eu acho que nós podíamos ter feito mais hoje. Mas, por exemplo, o que é que achas que podíamos ter feito mais? Agora vou-te perguntar. Eu vou-te ser sincero. Eu acho que, como eu te dizia no início, nós tivemos colegas...
cujos pais tinham bué de kumbu. E que fizeram faculdades em grandes países, em grandes universidades, fizeram cenas, MBAs, todos os mamos. E depois ver esses madiés acabarem atrás de um balcão, a serem empregados, é desperdício. Para um país que precisa de desenvolvimento, tiveste a oportunidade de estudar.
para vir ser empregado de alguém que não sabe mais que tu, não sabe mais que isso. Porque nós temos muitas empresas em Angola que estão paradas no tempo. Empreendedorismo, estás a falar do empreendedorismo. Estás a perceber? Eu acho que nós definitivamente tivemos oportunidades que a maior parte dos angolanos não tiveram.
e que devíamos ter feito mais para a maior parte dos angolanos. É isso. E é bom, é fácil. E eu não quero aqui de forma alguma apontar como ser pejorativo, ser empregado, mas é bom, é fácil não teres que tomar decisões. É bom, é fácil não teres que errar. E eu acho que a maior parte de nós somos uns cagões. Porque podíamos ter feito mais pelo país e não fizemos.
Preferimos ficar a receber ordens É nessa perspectiva Também se calhar tem a ver com aquilo Que nos ensinaram Não o que nos ensinaram, por exemplo Eu não sei Mas se calhar tipo os nossos pais Também, que têm uma grande influência Em quem nós hoje somos A educação que nós tivemos O que é que eles disseram que nós temos que fazer As crenças que eles nos deram Nós se calhar nascemos
crescemos com umas crenças e agora chegamos ao ponto de dizer não, isso não é verdade, né? Já não existem essas crenças, isso é errado. E eu acho que tu já chegaste aí... Há bom tempo. Estás a ver? Porque eu acho... Eu vejo isso por aí. São crenças, Tiago, porque imagina, é o que tu disseste, não querendo ser pejorativo, né? A dizer que alguém que está atrás de um balcão a trabalhar, como eu já trabalhei, acho que tu também já estiveste na embaixada.
Eu não vou dizer que aquilo é menos... Não é sobre isso. É o que nos fizeram acreditar. Tu tens que ir ali, tu tens que receber o final do mês X, isso dá-te segurança. Estás a ver? Se não foste por aí, como é que vais pagar as contas? Estás a ver?
é só isso que não é só se tivéssemos uma infraestrutura um ecossistema bem montado não tínhamos que arriscar nós não precisávamos dos criativos as pessoas criativas não tinham que estar a fazer outras coisas porque nós arriscamos pouco e nós arriscamos pouco é medo é medo é medo tu até podes não estar satisfeito no teu serviço tu até podes sentir que não fazes nada no teu serviço crash
Mas a insegurança de no final do mês não ter... É aquela conversa de eu prefiro receber 100 no final do mês do receber 10 todos os dias. Trade não faz sentido. Pensa um bocado, pensa um bocado. Mas nós estamos nisso.
é o que é, eu também vou só me queixar porque eu gosto de me queixar, a vida é como eu também encontrei, eu não pedi para nascer agora tem que levar comigo a nota é do signo de virgem, virgem só lixado é um pânico é um pânico mas meu irmão, cheio de orgulho de ti brigadíssimo pela presença vamos voltar porque o império musical não para não para
e pelo que eu percebi tu continuas a estudar isso é bom, porque isto quer dizer que ainda vem mais vamos aí à frente
Mas é um desafio. Eu tive que me desafiar a mim mesmo. Vou estar a estudar. Sabes que eu tenho um trauma. Já não estamos a gravar. Ainda estamos. Ainda estamos. Não, mas também não tem maca. Pode ficar. Eu tenho um pequeno trauma. Na escola portuguesa tive uma professora que na altura disse que eu não era capaz Cândida.
Não foi a Candida. A Candida disse essa foi a Jane Prof. Eu não vou... Eu não... Eu não... Cândida... Cândida foi o Togge.
Mas não foi a Candida, foi a outra professora. Não vou dizer não. Mas que me disse, se está a ouvir vai saber, e disse-me que eu não tinha a capacidade de seguir uma... portanto, um programa curricular académico. Normal. Uma licenciatura. Ela disse-me que dessa forma o Filipe disse isso à minha mãe. Se continuar assim, ele não vai... Aquela cena bateu-me. Aquilo ficou mesmo porque eu já não tinha... Minha mãe dizia
Às vezes eu não tinha interesse naquilo. Mas também é o quê? É a metodologia. Como é que tu ensinas? Sabemos isso muito mais tarde. Exatamente. E eu não queria, eu não via. Eu sei que tu és boa defensor da escola, da educação. Não, mas atenção. Também não era tipo, na escola, era defensor da escola. Depois tu saiu de lá. Ok. Calma.
obviamente eu também então imagina andávamos ali a brincar de outras coisas mas hoje percebes a importância que aquilo tem eu também não queria entender eu fiz isso como um desafio para mim mesmo eu quis provar eu disse se alguém vai dizer que aquilo é necessário ou não só tem que ser mesmo eu eu tenho que passar ali para ter a noção e ter um canudo para dizer ok realmente é preciso ou não é preciso então foi um desafio que eu crash
Que eu quis fazer a mim mesmo. E por uma de gente, não, tens que fazer. Se não fizeres isso, não vais ao lado nenhum. Porra, não vou o quê? Assim, vou te mostrar. Porra, não, vou fazer essa brincadeira. Vamos lá, essa merda, vamos fazer isso. Tá, fiz, tá. Acabar agora é... É o ego angolano. Esse é o nosso ego. Isso é bom. É aquele orgulho. Não, eu sou capaz. E nós somos capazes. Dizem muito mais.
Então pronto Maravilha São as senhores uma vez mais Filipe Narciso Para vocês que nos acompanham no Cubico Muito obrigado Este foi o Abril Já não está a chover Oxalá Maio Porque já sabemos como é que é Quando aqui molha Para a semana continuamos Aliás este fim de semana Sexta e sábado Teatro aqui No Gozo Aqui Estamos juntos Um abraço Até a próxima