Episódios de CRIME e MISTÉRIO c/ Beto Ribeiro

CÉSIO 137, EMERGÊNCIA RADIOATIVA FAZ DO BRASIL CHERNOBYL EM GOIÂNIA - SÉRIE DA NETFLIX X REALIDADE

30 de março de 202655min
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Confira a dica de série / caso comentado da tragédia nuclear que assolou Goiânia (e o Brasil) em 1987, quando uma máquina de radioterapia foi aberta por pessoas simples e o césio 137 começou uma contaminação radioativa que tirou a vida de 4 pessoas, contaminou mais de cem mil e quase colocou o país inteiro no risco da morte. A história virou a ótima série da Netflix, "Emergência Radioativa", e traz a dúvida, o que é ficção e o que é realidade.ESPECIAL SOBRE A TRAGÉDIA DO CÉSIO 137:https://youtu.be/j4vqwSgUWjo#crime #misterio #netflix #series #chernobyl #podcast

Participantes neste episódio1
B

Beto Ribeiro

HostJornalista
Assuntos3
  • Tragédia do Césio 137 em GoiâniaContaminação em Goiânia · Chernobyl · Maria Gabriela Ferreira · Acidente nuclear · Responsabilidade do Estado
  • Riscos NuclearesEfeitos na saúde · Contaminação coletiva
  • Emergência RadioativaProdução da Netflix · Representação das vítimas
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Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Se não for não, não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, jogar sininho. Marque nas suas mídias sociais, marque a todos nas mídias sociais. Se puder, seja membro, se não puder, está tudo certo. Deixe-me comigo até o final desta história terrível de um tempo em que tínhamos e temos sempre medo de bomba nuclear, agora ainda mais falando.

dessa coisa de Irã, Estados Unidos e tudo mais, o terror do nuclear, da guerra nuclear, da radioatividade, sempre esteve conosco desde a Segunda Guerra Mundial, quando a bomba atômica foi inventada pelos Estados Unidos. E tivemos lá as guerras, a crise dos mísseis, quando a União Soviética colocou o míssil em Cuba e tudo mais. Então a gente vive esse...

fascínio terrorista da possibilidade de o mundo acabar através da guerra nuclear. Nós tivemos, eu me lembro de um filme chamado The Day After, que era escandaloso para a época, de mostrar o que significaria termos a guerra com as bombas atômicas, o quanto que a gente estaria dizimando todo um país. Aí nós tivemos, em 1986,

terror do Chernobyl, com a explosão da usina nuclear de Chernobyl.

E eu me lembro que aquilo foi muito falado, muito amedrontado, todos nós tínhamos muito medo, inclusive porque o Brasil tinha suas unidades nucleares lá em Angra. Eu acredito que isso tenha dado uma parada com a possibilidade de desenvolvimento de novas formas de energia, né? De energia elétrica. A gente tem Angra 1, Angra 2, nunca sei direito como é que tem essas Angras. E aí em 1987 o Brasil entrou no mapa.

com o escândalo, com a tragédia, com o acidente, é difícil usar essa palavra, com o crime do Césio 137, que tinha muito a ver com Chernobyl. Uma vez que Chernobyl, quando explode lá na Rússia, ela era também de Césio 137.

Só que já trazendo de antemão a diferença básica de Chernobyl para Goiânia, é que Chernobyl explode e logo começa a corrida contra a radioatividade, contra a possibilidade de as pessoas ficarem expostas à radioatividade. Em Goiânia foi o contrário. Tudo foi descoberto dez dias depois de pessoas simples, comuns, terem entrado em contato com esse Césio-137.

que é um pó derivado, sei lá, dessas coisas... Não vou entrar aqui nessa aula de química com a tabela periódica, mas ela é um pó extremamente poderoso.

é... radioativo, e que ele vai se contaminando de maneira muito fácil, porque é um pó muito leve, e as pessoas vão, sendo elas mesmas contaminadoras com a radioatividade que estão nelas, elas passam a ser contaminantes também, contaminadoras.

Um terror, eu me lembro que foi um horror, ninguém entendia direito, porque nós tínhamos tido um ano antes Chernobyl, eu tinha lá meus 15, 16 anos, 15 anos, de 14 para 15 anos, e isso foi falado na escola e tudo mais, e a gente não entendia direito o que tinha acontecido. Eu até fiz já aqui no canal um especial com o Carlos há alguns anos, acho que foi em 2023, sobre...

Esse terror do Césio 137 em Goiânia. E agora estreou na Netflix numa super série que é... Eu não tenho nome porque às vezes... Esses títulos, gente, tem uns títulos de série que, pelo amor de Deus, né? É Emergência Radioativa. Eu não gosto muito do título. Podia ter sido usado mais o Césio 137 no título, mas tem seus motivos. Que estreou na Netflix e é uma excelente série.

Ai, como eu gosto de quando eu pego uma série boa produzida no Brasil, muito reproduzida, cinco episódios. A Rui e eu demos play e eu só fui dormir quando acabou. Foram cinco, cinco horas e pouco.

que você não quer terminar porque eles souberam muito bem cadenciar dentro da série, já trazendo alguns pontos da série, eles souberam cadenciar todo o terror da radioatividade, mas principalmente humanizando as vítimas diretas e indiretas desse assunto terrível.

Porque pessoas foram contaminadas, locais foram contaminados, tem a corrida contra a contaminação coletiva, mas aquelas pessoas que estão, o que fazer com elas, como fazer com elas, o quanto de pessoas poderiam ter sido contaminadas em função de um desaviso, em função de um horror, de uma coisa terrível, de uma coisa inimaginável, de uma coisa desnecessária, que foi toda essa...

Ai meu Deus do céu, aquela coisa, aquele acaso do acaso do caos, quando principalmente você tem uma ineficiência do Estado como um todo e das empresas que faziam parte, fazem parte da culpabilidade dessa contaminação. Porque gente, vamos combinar, porque estavam no local simples, né? Estavam numa região muito simples, muito humilde de Goiânia.

Ainda não existia o Tocantins, o estado de Tocantins vai ser só em 1988, em 1988 só tinha ainda o estado de Goiás.

E você era um local muito simples. Duvido que se aquilo estivesse em Ipanema, nos Jardins, em Higienópolis, aqui em São Paulo, Ipanema, Rio de Janeiro, que aquele local tão abandonado, abandonado ficaria, ninguém olharia, principalmente sendo de um centro de radioatividade daquele tamanho. Mas, antes de mais nada, eu sou Beto Ribeiro, e este é o especial Caso Comentado e também Dias Sérias.

Mas vamos do começo, principalmente, sobre essa história tão bem contada. Olha, o Paulo Gorgulho, o ator, está muito bem como o chefão do Centro de Energia Nuclear, o Centro de Estudos Nucleares, que faz parte ali da série. O ator que faz, o ator, o menino que faz, o ator principal, o personagem principal, que é o Marcos. Já até não sei o nome dele aqui.

Porque ele é baseado... Eu vou contar também o que é baseado na realidade, o que não é baseado na realidade. Mas, principalmente, eu não entendi por que eles mudaram o nome das vítimas.

que são reais, eu não entendi, mudaram todos os nomes, não sei por que fizeram isso, deve ter lá seus motivos para fazerem, mas o menino que faz o Márcio, que é o ator principal, que é um jovem físico nuclear, está excelente, mas vamos contar a história, daí eu vou fazendo uns paralelos e contando um pouco como está hoje, inclusive, que eu fui dar umas pesquisadas por aí.

Tudo acontece, gente. Vou pegar até as datas certinhas, porque é um caso que tem uma cronologia importantíssima, que é onde coloca o barulho da página, que é onde coloca o Brasil como... Esse talvez seja, se eu não me engano, a maior tragédia nuclear no centro urbano do mundo. Espero que nunca mais a gente tenha esse tipo de coisa. Espero que o passado ensine pra gente o futuro, o mais importante de tudo.

A gente precisa aprender com os erros, pra daí a gente não errar mais. Mas no dia 13 de setembro de 1987, dois catadores de lixo, dois homens catadores de lixo, que estavam ali vivendo o seu dia a dia, dos seus perrengues financeiros, da necessidade de aquela história, né? Correndo pra conseguir o almoço e tentando vender uma parte do almoço pra se transformar em janta. Uma região muito simples ali, de Goiânia.

eles entram no antigo largado hospital, as pessoas confundem um pouco, não é uma máquina de raio-x, é uma máquina de radioterapia, assim como tem a quimioterapia, tem a radioterapia, que se utiliza do césio, não sei se hoje ainda é assim, mas naquela época aquela máquina se utilizava do césio, como uma forma de você fazer um tratamento, principalmente contra o câncer.

Que ele era um hospital que inclusive já vou antecipando aqui, de quem é a culpa? Quem é o dono desse lugar? Era um hospital que existia ali naquela região que foi parado, foi abandonado. E eles tinham duas máquinas de radioterapia. Máquinas de radioterapia, por terem exatamente o césio como núcleo daquela máquina.

Elas estão catalogadas até no centro nuclear do Brasil. Eu chamo de centro nuclear, pode ser que eu esteja falando o nome errado. Mas existe uma associação, um centro, que é feito pelo governo federal e tudo mais, que cuida de a gente não ter máquinas radioativas aí soltas. Porque eu sempre penso, né? Essa máquina um dia vai deixar de funcionar. Para onde vai todo esse lixo atômico, nuclear, radioativo?

Mas tinha esse centro e nesse hospital tinham registrado, dentro desse centro, que cuida dessa parte radioativa do Brasil, tinham sido registradas duas máquinas de radioterapia.

Uma máquina tinha sido retirada, tinha tido seu descarte feito da maneira correta e assim por diante. Mas uma segunda máquina que o próprio centro não sabia, que não tinha sido contada pelos responsáveis, pelos donos do hospital, que eram homens particulares, eram médicos, eram cinco pessoas, eles não tinham avisado esse centro que tinha essa segunda máquina. E essa segunda máquina ali estava num prédio abandonado, um prédio jogado às traças ali.

Duas catadoras de lixo viram aquele prédio abandonado. Um deles entrou para ver o que tinha lá dentro, se podia pegar coisas para vender. Ele entra e vai andando por aquela estrutura enorme, solitária, abandonada, vazia, e vai vendo materiais de chumbo.

A chumbo vai ser a máquina. Materiais, alumínio, papelão, essas coisas que ele poderia catar para vender e poder fazer o seu sustento daquele dia. Ele vê uma máquina jogada num centro, que está escrito centro de radioterapia. Talvez ele não soubesse nem ler e tudo mais. Tinha lá até os símbolos de radioatividade.

de perigo, inclusive. Inclusive, quando a gente vai, meu pai fez radioterapia, a gente nem podia ficar perto dele naquele momento. Ele teve canção no cérebro, tinha uma máscara que eles faziam para impedir que a radioatividade fosse além do lugar que tivesse que ir, porque você pode matar outros lugares do seu corpo.

Esses dois rapazes então, eles entram e pegam essa máquina, eles primeiro dão uma desmontada nessa máquina para conseguir levar a parte mais nobre, que eles conseguiam ver que era chumbo, tiram isso e levam até um ferro velho, ali perto, ali próximo de onde eles estavam, um local extremamente simples de Goiânia.

Eles se deslocam até... É uma máquina extremamente pesada. É muito falado isso depois, durante a série, pelas pessoas que têm conhecimento disso, que carregar essa máquina, além de você ter todo um cuidado, é um peso muito grande. E eles falam, eu levei no carrinho. Eles levaram no carrinho, aquele carrinho de pedreiro. Levaram embora.

O povo consegue ter força até de lugares que a gente nem imagina. Eles saem, então, com esse carrinho, com essa parte, sem ainda ter vazado o Césio. O Césio ainda estava preservado dentro do que eles vão começar a chamar de marmita, porque parecia uma marmita o negócio ali. Quer dizer, quem vai chamar de marmita é o dono do ferro velho.

Eles levam um tubão desse tamanho até esse ferro velho. Esse homem do ferro velho vai comprar esse material desses dois catadores de lixo e vai pagar um dinheirinho para eles. Eles estão ali pela região e eles se convivem. O que é muito interessante é que essa contaminação toda é feita em cima basicamente de uma mesma família e de pessoas próximas a eles.

Esse catador do ferro velho, então, esse dono do ferro velho, tem dois funcionários que, segundo eu pesquisei, são os dois funcionários que vão morrer. Na série, não são os dois funcionários que morrem, são outras pessoas. Não entendi por que que mudou. Mas tudo bem, ele tem dois funcionários que vão, eles, desmontarem aquele tubo que vai se transformar num negócio desse tamanho.

que é o local mais nobre de chumbo e tudo mais, que ele ganharia mais dinheiro, vem revendendo, que ele começa a chamar de marmita, porque ele aparecia uma marmita. Só que o dono desse ferro velho, ele vai, quando tira aquele chumbo, quando ele consegue desmontar aquele tubo,

Cai um pó e que ele percebe quando apaga a luz que aquele pó fica brilhante, fica um azul brilhante. Tem gente que fala que é verde brilhante, mas na série é um azul brilhante. É um azul muito bonito, é um azul que chama muita atenção e aquilo chama a atenção desse homem que pega aquela marmita e leva para a sua casa. Olha só.

Dentro do ferro velho dele, começa a contaminação do césio, porque ali já quebra e já cai pó de césio. Quando ele vê aquilo, ele sai andando. Esse pó é tão fino, e é explicado tão bem isso, que esse pó, por onde ele passa, ele está contaminando, ele está deixando radioatividade no ar. E detalhe, esse pó pode ir para o esgoto, que vai contaminar o esgoto, pode cair num carro, esse carro sair andando, vir para São Paulo e começar a contaminar aqui.

Todo o caminho que ele faz do ferro velho até a sua casa, ele está contaminado. O ferro velho já está contaminado, ele está contaminado, ele passa a contaminar, porque tem na mão dele, tem na roupa, tem no cabelo, tem nele. O corpo dele passa a ser radioativo e passa a contaminar as outras pessoas. E ele vai e leva essa marmita para a casa dele. No dia 13 de setembro...

Os catadores pegam esse tubo e levam até o ferro velho. No dia 18, porque depois o que acontece? Depois da tragédia, eles conseguem fazer um cronograma reverso para saber quando tudo começa. Então, no dia 13 de setembro de 1987, os carregadores pegam esse tubo e levam para o ferro velho. No dia 18 de setembro, cinco dias depois, eles conseguem abrir a cápsula, porque era difícil. Eles ficaram dias tentando até que conseguem. Aí se transforma nessa marmita.

Entre o dia 18 de setembro e o dia 28 de setembro, o que vai acontecer? Ali começa a contaminação. Por isso que diferente de Chernobyl, que Chernobyl explode e a gente já começa a correr para ninguém se contaminar, a contaminação começa dia 18 de setembro sem ninguém saber que está tendo contaminação.

O dono Ferro Velho, então, leva pra casa. Na casa dele, tinha a esposa dele, que é a grande... Vou falar o nome real dela, porque é uma mulher que se tornou a grande heroína de toda essa história. E eu vou te contar por quê. O nome real dela é Maria Gabriela Ferreira. Ela tinha 37 anos à época.

Quando ele leva esse homem, esse dono ferro velho, ele leva pra casa essa marmita com pó, ele começa a mostrar pras pessoas da sua casa e próximas a ele, essa beleza desse pó azul. De como era bonito. Ele começa a, inclusive, presentear as pessoas, tanto da sua casa como alguns vizinhos. E ele brinca com aquele pó, todo mundo passa a mão. Gente, é uma contaminação atrás de uma contaminação. É um pó.

É uma coisa, é assim, você assistindo a série, você começa a ficar angustiado. Ele pega esse pó, ele pega essa mamita, leva pra casa e fica brincando, mostrando pra todo mundo. E ele distribui um pouco desse pó pra cada pessoa. Na casa dele, ele é o dono do ferro velho, que tem a esposa dele. Com a esposa dele, o dono do ferro velho, eles tem um menino que mora meio com eles, que era um menino meio da rua, que eles pegaram um pouco pra ajudar. E esse menino também se contamina. Então você já tem aqui três contaminados.

Tem, na verdade, cinco já contaminados. O dono do ferro velho, os dois funcionários dele que abriram a cápsula, a mulher dele e o menino da rua lá que eles transformam em filho de criação, já são cinco. Além disso, o irmão desse dono do ferro velho também vai muito à casa dele e recebe um pouco desse pó. Então você já tem o irmão dele, que tem uma esposa, que tem dois filhos, uma menininha.

que o nome real dela é a Leide das Neves Ferreira. Ela vai, inclusive, ela é uma das vítimas. Menininha que tinha, na época, seis anos. Seis aninhos. Então você já está com o dono do ferro velho, a esposa dele, o menino que mora com eles, os dois funcionários. O irmão dele, do ferro velho, a mulher do dono do irmão do ferro velho.

A filha da mulher, o filho. Então você já está aqui com nove pessoas, que já estão altamente contaminadas, porque elas já estão pegando no pó. O irmão dele, inclusive, ele dá para o irmão dele esse pó, um pouco desse pó, e esse irmão do dono do ferro velho leva para a sua casa, onde está sua esposa e seus dois filhos, e ele brinca com aquele pó com a menina. Ele fala que são estrelinhas caindo do céu, e a menina fica brincando.

E ela vai ter uma contaminação terrível, porque como ela chega na hora do jantar, a menina não lava a mão e a mãe até pede pra ela lavar a mão. E ela acaba comendo a comida com a mão suja do pó. Então ela comeu o Césio. Porque por enquanto a contaminação está sendo assim, de pé, de passar, de pegar. Ela come o Césio.

Todo mundo já está em fases diferentes de contaminação. Mas você já tem ali... Além disso, vai ter um vizinho, algum amigo dele, que ele dá um pouco de pó também. E esse cara ainda chega... É dito, à época, e em muitos lugares falam, que ele e a namorada dele vão transar com o pó, que eles vão se passar o pó e vão transar. Na série aparece ele pondo só o pó no pescoço dela e mostrando que ela está iluminada com aquele pó azul, né? Com aquela estrelinha também.

Dizem que eles teriam transado, isso daí na série não mostra, mas até no especial que eu tenho com o Carlos aqui, a gente fala disso porque é o que é dito, inclusive em muitos locais de pesquisa. Então todas essas pessoas que são, de novo, o dono de Faro Velho, os dois funcionários, a esposa, o filho de criação, o irmão, a esposa dele, a filha, o filho, o amigo e a mulher, 11 pessoas já estão diretamente contaminadas.

Além disso, outras pessoas ali pela região onde eles moravam ganharam um pouquinho de pó e as pessoas só vão descobrir depois que tudo começa a acontecer. No dia, isso tudo começa lá no dia 18 de setembro de 1987, começa toda essa contaminação. No dia 28 de setembro de 1987, dez dias depois,

A Maria Gabriela Ferreira, que é a esposa do dono do Ferro Velho, ela começa a perceber que as pessoas estão passando mal desde que esse pó chegou. E essa mulher fica encafifada com esse negócio, essa marmita. O dono do Ferro Velho tinha encontrado uma pessoa para comprar aquela marmita, que ele chama de marmita, que é o núcleo da máquina de radioterapia, onde está o sédio. Ela fica impressionada, fica angustiada com aquilo, e o dono do Ferro Velho ainda queria vender aquilo. E ela não deixa.

Ela pega aquilo que eles chamam de marmita, pega o menino, que é meio filho de criação deles, e os dois levam aquela marmita até a vigilância sanitária de Goiânia. Com detalhe, eles saem de casa, eles param no ponto de ônibus, eles entram num ônibus, eles descem, eles entram na vigilância sanitária. Todo esse percurso está contaminado, sem ninguém saber de nada. No dia 28...

de fevereiro, de setembro, ela chega na vigilância sanitária, a Maria Gabriela, que ela tem um outro nome, na série chamam de Antônia, se não me engano. E ela avisa para o professor, fala, gente, isso aqui está esquisito, está todo mundo passando mal ali na região. Eles falaram, vocês não comeram coisa esquisita? Ela falou, moço, não é possível que na minha casa e nas outras casas, gente que a gente nem vive junto, todas as comidas estão com problema?

Eles demoram um tempo para conseguir levar ela a sério, porque ela começa a passar mal, inclusive no dia seguinte, no dia 29 de setembro de 1987, o cara da vigilância sanitária resolve olhar aquilo, porque aquela tal de marmita ficou ali na vigilância sanitária. Na série vai acontecer o seguinte...

que é um pouco diferente pelo que eu pesquisei. Tem verdades e não tem. Até porque séries assim precisam criar, às vezes, alguns artifícios dramáticos pra gente conseguir seguir junto. É uma das partes que eu menos gosto das séries, são esses artifícios dramáticos, principalmente relacionados a esse personagem Márcio, que é tão importante.

Na série, o cara da vigilância sanitária começa a se preocupar com aquela mulher que levou aquela marmita. E ele fala com o médico pra onde ela foi, pra tal da UPA, e o médico fala que tem muitas pessoas passando muito mal. E ele fala, gente, então deve ter alguma coisa errada. Esse médico, na série, vai conhecer o cara que chama Márcio, na série.

que é um rapaz de Goiânia, mas que foi para o Rio de Janeiro estudar física nuclear, que tem uma esposa que vai descobrir que ela está agrada. Ah, esse papo desse drama é o que mais me... E ele está no aniversário do pai. Aí começa um drama, que é o seguinte. Na série, esse médico que conhece esse menino, por coincidências da vida, esse garoto está naquele fim de semana em Goiânia.

E ele liga para a casa desse rapaz, do Márcio, e pede uma ajuda dele, porque ele está achando esquisito. E tanta gente com essa contaminação que está parecendo uma contaminação radioativa, que ele não sabe nem o que é, o que é que seja, de uma tal de marmita que está na vigilância sanitária. Se ele, por ser um físico nuclear tão gabaritado, estudado, diplomado, segundo é dito na série até mesmo com doutorado lá no exterior,

Se ele poderia ir ver essa tal de mamita. Só que ele está no dilema da vida. Ele está no fim de semana, no março, na casa do pai, que o pai quer que ele volte a morar em Goiânia, ele quer ficar no Rio de Janeiro, a esposa dele está grávida, é o único fim de semana do pai e filho juntos, e ela quer que o menino fique com o pai. Ok, beleza, mas estão solicitando uma ajuda, uma coisa séria.

Aí depois, essa menina que é a esposa dele, não tô falando da atriz, tá? Tô falando da personagem. Ah, ela vai ficar muito assim. Pô, o cara salvando o Brasil e ela vai ficar muito assim. A gente tem que ficar junto, você tem que querer estar comigo no Rio de Janeiro. Vai embora. Ah, para, menina. O cara tá salvando o mundo, você tá enchendo o saco dele.

Ela chata, o pai tá meio outro chato. Ai, meu aniversário, você não vai pra velhinha? Ah, meu senhor, você tá fazendo aniversário a vida inteira, faz o ano que vem. E se o senhor não deixar o seu filho trabalhar, ninguém vai fazer aniversário ano que vem. Então ficou um draminha que eu olhei e falei, sinceramente, se você, eu falava assim pra mim, pra mulher dele, eu falava, estou separado de você e você, meu pai, não fala mais com você, porque vocês não estão entendendo onde vocês estão entrando.

com esse drama pra trazer uma certa... vamos aqui discutir a humanização da personagem. Eu acho isso um porre, porque tem uma obrigação em audiovisual, e eu vou falar mesmo que eu venho dele, e eu acho isso um porre, que tem sempre que ter 30% do personagem, tem que ser o drama familiar. Não sei quem inventou isso e quem continua passando pra frente. Eu não quero saber do drama desse homem, com a esposinha dele grávida e com o paizinho dele chato.

Gente, quando entrava isso na série, eu falava assim, putz, por que isso, gente? Então, boa série, nem precisa disso. Então, na série, esse médico que conhece esse menino, que fez isso, que é o Márcio, muito bom ator, ele diz que o cara está lá, ele fala, você podia dar uma olhadinha ali na vigilância? Ele fala assim, olha, eu só vou dar uma horinha, eu vou e volto. Ele passa e pega, não sei o nome daquele negócio, que fica bem sem radioatividade, parece um revólver, parece um, parece na verdade, um secador de cabelos, né, que fica...

quanto maior o número de radioatividade. Então, draminha lá, vou deixar assim, quando ele chega com esse negócio, esse negócio explode de tanta radioatividade que está no ar por conta dessa tal, dessa marmita. E ele percebe que aquilo é uma coisa seríssima, que aquilo vai contaminar o Brasil inteiro, ainda mais que aquilo é muito fácil de você transitar com ele. Até, pelo que eu levantei, o nome real desse segundo...

grande personagem, eu não sei se está vivo, e se essa história que foi contada ali, que ele teria vindo através desse amigo, o nome dele real é Walter Mendes Ferreira. Ele era da Comissão Nacional Nuclear, ele já era da Comissão Nacional Nuclear. Na série ele vai passar a ser. Por quê? Ele chega e vê aquilo, e ele fala, minha mãe de senhor Jesus, de onde veio isso? Ninguém se mexe!

Em paralelo a isso, quando eles descobrem que aquilo é uma coisa extremamente séria, eles vão até o governador do estado de Goiás, que é o governador Henrique Santilho. Depois até virou ministro da saúde em 1993 e ele morreu em 2006, uma coisa assim. E é aquela coisa, né? O governador está sempre preocupado com o voto e nem sempre com a população de verdade. Pelo menos é o que aparece na série.

Muito bem feito pelo Tuca Andrada. O Andrade, agora não lembro se é Andrada ou Andrada, mas é um excelente ator, o Tuca Andrada. E ele, esse governador, ele fica assim, ele liga, começam a se ligar para os telefones e vai cair lá nessa comissão nuclear, de fato, nesse centro nuclear brasileiro que fica no Rio de Janeiro. Uma cenazinha ruim, que está lá o diretorzão do centro, com três aluninhos perguntando...

fazendo trabalho de escola, perguntando de Chernobyl, isso, aquilo, e eles perguntam assim, a gente tem risco de ter Chernobyl no Brasil? Ele fala, de jeito nenhum. Aí nisso toca o telefone, a secretária falando que uma máquina de radioterapia em Goiânia, no hospital específico, teria sido aberta. E é o mesmo Césio, aí a gente descobre que é o mesmo produto Césio que era de Chernobyl em Goiânia. Ele tinha acabado de falar que no Brasil não ia ter, e passa a ter já em Goiânia.

que é o Paulo Gorgulho, que tá ótimo. Aí ele vai também para Goiânia, ali vai se juntar um senhor já, chefão, sabe tudo, sabidão e muito bom, cara muito prestativo, uma personagem muito legal, com muita responsabilidade, e vai se juntar com o Márcio, que é um jovem rapaz formado em física.

Só uma coisa, gente, ele tem doutorado. O menino tem cara de ter 23 anos. Não tem como você ter doutorado em 23 anos. Tem jeito? Eu acho que não. Porque é uma faculdade de 5 anos. Aí faz mestrado, faz doutorado. Bom, mas ele tá lá com o doutorado dele. Então os dois vão se juntar. Você vai ter as duas gerações em busca de uma possibilidade de tentar salvar o mundo. Porque aquilo pode estar indo pra qualquer lugar. Mas a pessoa pode ter passado por lá, indo pro aeroporto e vai pra Nova York.

Você começa a contaminar o mundo inteiro. Tem um detalhe que eles fizeram nessa série, uma jogada que eu acho legal de produção, que foi feita na série Chernobyl. Muitas dessas personagens que aparecem, especialmente os médicos e os cientistas, eles são junções de muitas pessoas. Como em Chernobyl você tinha uma física e tal, aqui você vai ter algumas personagens ligadas à tecnicidade, à intelectualidade do assunto.

para salvar e para evitar a radioatividade, que são o Paulo Gorgulho como diretor, o Márcio como esse menino, que realmente aconteceu, esse Walter é o primeiro cara que chega e determina e consegue, graças a Deus, parar e ele ouviu se ele estava visitando um pai, se ele tinha uma mulher grávida, eu não faço ideia, mas que o cara estava em Goiânia naquele dia e ele realmente, esse Walter, vai lá e vê essa tal de marmita e manda parar tudo e começa a falar assim, gente, a gente precisa fazer o desenho inteiro ao contrário.

de onde veio, para onde estava indo e todos os lugares para onde passaram que podem ter sido contaminados. Então ele realmente é um grande herói. Os dois grandes heróis são a Maria Gabriela, que ela desconfia de que aquilo está envenenando as pessoas, ela briga para ser ouvida pela vigilância sanitária e esse Walter que ouve vai lá e consegue realmente, porque o nome dele é Márcio na série, mas o nome dele real é Walter.

E ele consegue fazer com que a coisa pare. Já tinha muita gente que já estava contaminada, mas a contaminação poderia levar... Gente, vão ser quase 150 mil pessoas que podem ter sido contaminadas, e que foram monitoradas e que foram examinadas para ter certeza qual o tamanho da radioatividade que estava nelas. O tamanho da radioatividade que estava nelas.

Pois bem, então como eu estava falando, algumas personagens eles juntaram. Então a personagem, Paulo Gorgulho, a personagem que a Leandra Leal faz como uma grande pesquisadora, tem uma outra pesquisadora também que aparece, uma outra mulher e dois médicos, essas cinco personagens são junções de muitas pessoas, de muitas pessoas.

Com o advento da descoberta de que aquilo era, não era uma armita nenhuma, era o núcleo de um César, o 135, estava... Eu estou falando de 135, é 137 o César, né? Aruaí, o César é 135 ou 137?

O Césio é 135 ou 137? Eu às vezes estou falando de 135, gente, é Césio 137. O número é 7. Então, quando se descobre isso, começa a fazer o caminho inverso. A Maria Gabriela já estava no hospital, e o hospital não sairia. É tomada uma proporção, uma série de coisas, por quê? Os locais por onde passou têm que ser isolados, fechados. Naquele primeiro momento, isolados e fechados.

Eles vão até a casa do homem lá do Ferro Velho. Esse homem, inclusive, no primeiro momento, no segundo a série, ele fica com medo daquelas pessoas. Você percebe que ali tem um problema entre eles e a polícia. Eles não gostam de polícia, uma série de coisas, problema deles.

E eles encaminham já, eles conseguem convencer as pessoas que estão na casa já do dono do Ferro Velho, que eles precisam ir para um local que eles inclusive constroem dentro de um estádio olímpico ali de Goiânia. Até para vocês entenderem, esse estádio ficou tão horrorizado pela população que ninguém quer passar perto dele nem na frente. Ele foi derrubado em 2006, se eu não me engano, ou 16, e ele foi construído em uma outra coisa. Mas eu não passo ali na frente.

Desculpe, Goiânia, mas eu vou fazer uma coisa pra vocês. Eu não vou passar na frente desse estádio e eu não vou passar pelas ruas por onde essa marmita cesiana passou. Eu não vou. Não vou, não vou. Eu vou explicar por quê. Porque até porque essa história toda só vai acabar lá pra 2200 e não sei quanto. Não vou. E a Abadil de Goiás tá lá aguardando a mara e vamos chegando. Então, não tô aqui fomentando medo, mas eu estou só dizendo que eu não vou.

Gente, é radioatividade. Sinto muito, não me convidem, eu não estarei lá. E você não sabe o quanto tempo demora para aquela radioatividade exercer o mal que ela vai exercer dentro de você. Então eles descobrem, eles fazem, eles pegam esse estádio e começa a ser nesse estádio um centro de triagem de radioatividade.

Eles pegam primeiro todas as pessoas, essa família que eu falei, os dois catadores, porque daí eles falam, foram dois catadores de lixo que me venderam. Eles vão atrás, pegam os dois catadores de lixo, pegam o dono de ferro, pegam o seguinte, eles levam para esse local de estriagem. Os dois catadores de lixo, o dono de ferro velho.

a cunhada dele, o irmão dele, os dois sobrinhos, aqueles dois que passaram, dizem que transaram, outros dizem que não, porque outros já estavam, inclusive, hospitalizados. Inclusive os catadores de lixo já estavam hospitalizados junto com a Maria Gabriela. Já tinham essas pessoas que já tinham primeiro passado, já estavam ali, porque elas tinham inúmeras queimaduras, queimaduras dolorosas. Onde passou pózinho, queimou a pele inteira. E está queimando de fora para dentro.

para os órgãos internos, tudo está acontecendo. Todos são levados para esse estádio. Ali nesse estádio é feita uma primeira triagem e vão se decidir primeiro quem vai e quem não vai para o hospital local, que estava em greve segunda série. Gente, pelo amor de Deus, né? Greve de médico com um desastre como esse, não pode. Médico, gente, é uma situação... Você inventou de ser médico? Porque em princípio acredita que você queira salvar o outro.

e ali com toda aquela história, as pessoas já estavam, já tinham na imprensa, já estavam falando desse vazamento, já estavam querendo saber quem era o culpado, que eu vou chegar lá, tal, não sei lá. Nessa primeira triagem, a mãe da menininha, a mãe da real menininha Leide,

Ela não tinha, porque até na série você vê que ela chega muito bem, imagina, ela limpa a mesa com pó e joga, ela joga aquele pó no tanque.

Gente, eles vão ter que fazer um desenho, porque se você jogou no tanque, tá tudo contaminado, pra onde vai essa água? Pra onde vai o esgoto? Vai pra esse rio, esse rio cai onde? Esse rio vai cair lá no assente onde dá água para toda a população de Goiânia? Eles têm que ver todo esse caminho. Tudo, tudo, porque as pessoas entraram em pânico. Nem água mais eu posso beber, porque tudo pode estar contaminado e é uma contaminação muito séria. E, de novo, a pessoa passa a ser contaminadora.

Eu estou tão radioativo que eu passo radioatividade para você. Então essas pessoas têm que ser isoladas, eles vão todos para um hospital, a mãe da menininha já não vai, porque ela não está com tanta radioatividade, e ali é um momento muito interessante, muito triste, que a série mostra que tem uma realidade muito bem pensada. Essas pessoas que foram retiradas das suas casas, que é um centro de contaminação, elas nunca mais vão poder voltar para lá.

São pessoas extremamente simples. Todas as suas roupas, suas fotos, sua vida estão dentro dessa casa. Até o seu dinheiro. O dinheiro está contaminado e não pode ser usado. Quando eles chegam nesse estádio, eles têm que tirar toda a roupa e tudo que tiver dentro de bolso, tudo vai ser... Tudo é colocado dentro de uns latões que vão ser depois fechados, isolados, porque aquilo é material radioativo. Até a roupa deles... Então, essa mulher, ela sai desse centro. Ela não tem pra onde ir.

Porque o governo não olhou para as pessoas que estavam sendo retiradas das suas casas, dar dignidade para elas poderem continuar, comer, almoçar, jantar, ter roupa, porque tudo delas foi tirado. Independente, você pode estar se falando, mas também o que foi mexer nesse pó? Está tudo certo, nós vamos falar disso. Mas nesse momento você tem as pessoas que não tem para onde voltar, gente. É que nem quando me falam assim, mas por que as pessoas ficam nessas casas, e não está vendo que vai cair? É, fala para você agora, cai para a tua casa agora, vai para onde?

Dá pra tua casa de campo? Aí eu vou pra minha casa de praia, aproveitar e ficar uns dias na praia. Gente, pelo amor de Deus, né? Os vizinhos não querem ajudar ela, uma vez que eles estão com medo deles, uma vez que já tem a imprensa falando que tá todo mundo passando radioatividade. Essa mulher fica sozinha, isolada. Coitada, essa mulher vira uma homeless ali, andando por Goiânia, e nada é feito por ela, depois até tem uma ajuda.

Todos vão para esse hospital onde está tendo essa greve. Tem um momento bonito que o ator que faz o médico gatão, é um gatão ator, lá não sei quem é, ele faz muito bem, até emociona, ele consegue resgatar os médicos e os enfermeiros para voltarem a trabalhar com eles ali, porque as pessoas estão morrendo. Eles esquecem uma das pessoas que está contaminada, esquecem dentro de uma ambulância, é um horror, isso é real horrível.

E tudo isso tem assim, então você tem o tratamento das pessoas contaminadas e a descoberta dos locais para descontaminar lugares que você não faz ideia de onde estão. Você precisa fazer o desenho de tudo. Aqueles catadores de lixo, aquele dia, eles foram, pegaram, mexeram e foram lá. Eles estão um pouco... eles não mexeram no pó, mas eles também foram contaminados por terem mexido ali. Aquelas pessoas que estavam com pó, para onde elas foram? Eles foram trabalhar no dia seguinte, elas pegaram que ônibus?

Elas foram para qual lugar, eles entraram em que farmácia, em que açougue, em que padaria. E eles conseguem ver que a Maria Gabriela, a nossa grande heroína, aquela mulher que descobriu, que percebeu que aquela marmita que o marido levou para casa tinha o demônio dentro dela, ela conta que ela foi de ônibus. Eles vão descobrir o ônibus.

por onde ela passou, para o ônibus, com as pessoas que já estavam. Gente, são dez dias de contaminação em torno de todos os lugares. É uma coisa assim, eu quero pegar o número que eu anotei aqui. 113 mil pessoas foram monitoradas, porque todas elas, de alguma maneira, se cruzaram. Isso só em Goiânia, não foi feito no Brasil.

Dessas 113 mil, 249 tiveram contaminação alta, pessoas que não tinham nada a ver, que passaram pelo ônibus com ela e tudo mais, 249. Aí, tem um momento da série, que eu não sei se é real, mas na hora que apareceu eu dei um grito.

Porque eles estão querendo ver se a água de Goiânia está contaminada, né? E precisa avisar a população. Apesar de o governador não querer avisar, porque ele pode perder voto para uma próxima eleição. É um inferno esse tipo de coisa. Absurdo isso demais.

e passa um caminhão, a mulher lá, uma das cientistas, tá com aquele... Ligar aquele secador de cabelo, esqueci o nome daquilo. E quando passa um caminhão, grita, eles vão atrás do caminhão. Era um caminhão de papelão. Eles perguntam de onde ele veio. Eles voltam tudo para a central de papelão ali. Aqueles catadores de lixo que tinham sido contaminados, que levaram o Césio, eles levaram outros papelões para lá, estava tudo contaminado. E sai um caminhão para São Paulo.

Para São Paulo, sai um caminhão com os papelões contaminados. A gente tem um grito, gente do céu, será que isso veio para cá? Diz na série que eles conseguiram interceptar o caminhão. Eu espero que seja verdade. Você imaginou isso entrando dentro de uma cidade que é o tamanho de um mundo de contaminação, de pessoas contaminando com radioatividade, a dizimação humana que seria? Horrível.

Mas eles vão conseguindo. E tem uma parte que é muito triste, que esses médicos que estão... Então você tem aquele grupo tentando achar todos os locais por onde essas pessoas passaram e descontaminar ou isolar. E você tem os médicos que vão lutar pela vida de principalmente, acho que são nove pessoas no total, que estão em estado gravíssimo.

E é muito triste porque eles ligam para o Hospital Naval do Rio de Janeiro e o almirante diz que só tem seis leitos e acabou. Era uma coisa tão nossa senhora parecida. Se isso aconteceu, esse almirante, ele devia carregar a culpa máxima, minha culpa, para o resto da vida. Não sei se esse homem está vivo ou não. Mas daí esse médico consegue fazer um escândalo pela imprensa e ele consegue mais leitos e tudo mais.

Vai entrar um médico russo, que eu não entendo se aquilo é real ou não, aquele russo me irritou quando na entrada ao fim, no final ele deu uma... e agora eu vou virar um herói. Ah, é um saco, não vou contar tudo o que acontece pra vocês assistirem a série. Se aconteceu mesmo esses médicos russos, me poupe, né? Nome idiota, o que ele sabe do que ele tá fazendo? Nossa, os médicos são muito melhores. Ah, médico russo chato. Nossa, fora que é um chato, um...

A personagem não é um ator. O ator é tão bom que ele me deixou irritado com a personagem. E assim, muito mais educado, aquele Russo. E a gente vai começar, a gente já vai chegar no dia 28. Olha isso tudo, hein? São 20 dias. No dia 28 de setembro de 1987, as duas primeiras mortes vão acontecer. Dia 23. 23, 23 de... A Maria Gabriela vai no dia 18.

Vou pegar os dias direitinho. Não guardei na cabeça. No dia 28 de setembro, a Maria Gabriela vai até a vigilância sanitária com a tal da marmita do marido. Infelizmente, no dia 23 de outubro de 1987, menos de um mês depois, ela vai perder a vida, perder a batalha.

contra a vida, e horas depois, a menininha de seis anos, a Leide das Neves Ferreira, vai perder a vida. Detalhe, né, a Maria Gabriela Ferreira era tia da Leide, porque a Leide é a filha do cunhado dela. Ela era casada com o irmão do pai da Leide, então é uma família morrendo. Morrem os dois.

No dia 27 de outubro de 1987, o Israel Batista Ferreira, de 22 anos, que segundo eu levantei, é um dos funcionários que abre a cápsula dentro do ferro velho e não o catador. Eles mudaram ali na série.

A função das pessoas, mas não sei porquê. Mas quem morreu foi Israel Batista Ferreira, também foi... Pode ser que o Ferreira esteja errado. Bom, mas Israel Batista, que era funcionário do Ferro Velho, ele morre, a terceira vítima morre no dia 27 de outubro de 1987.

Aí o Admilson Alves de Souza, de 18 anos, que é o outro funcionário do Ferrovaero que ajudou a abrir aquela cápsula do negócio, é a quarta e última vítima sabida, que ele morre no dia 28 de outubro de 1987. É atribuído também mais 16 pessoas, mais 16 vítimas.

que também teriam morrido diretamente, mas colocado para eles apenas esses 4 reais. Muitas pessoas hoje, dos policiais, médicos e funcionários que ajudaram na descontaminação e nessa tragédia, eles também lutam até hoje para serem reconhecidos como vítimas, porque muitos deles passaram a ter doenças, como câncer, até diabetes e tudo mais.

que não tinham e eles garantem que foi em função da radioatividade que eles tiveram que ter em função de salvar aquelas vítimas que tinham se tocado pelo Césio. É impressionante, eles mostram, por exemplo, que na...

Tem que suar muito, por isso que eles ficam fazendo ergométrico todo dia para suar, para o processo sair do corpo. Eles vão usar um produto que os russos usaram, azul, não sei das quantas, lá por causa de Chernobyl. Eles vão fazer um teste de um outro tratamento para melhorar a imunidade dos pacientes.

para um deles até inclusive conseguir amputar o braço. Então vai ter uma luta pela vida dos médicos muito bonita, muito séria, muito intensa. Mas vai ter um descontentamento muito grande das vítimas com relação aos funcionários desse centro nuclear, por quê? Porque eles vão se sentir...

O dono do ferro velho se sente extremamente culpado, porque ele comprou o negócio, os dois catadores se sentem culpados, porque eles pegaram. Mas depois eles vão começar a ficar com raiva desse centro nuclear, porque eles que deveriam, não só eles, mas agora a gente vai entrar em de quem é a culpa, eles veem eles como responsáveis por não terem tirado aquela máquina.

E também os responsáveis por terem tirado eles das suas casas. Todas as casas, gente, foram destruídas. Destruídas. Eu li que são quarteirões que foram destruídas, mas depois eu fui checar de novo, acho que são menos que quarteirões, são muitos imóveis. Ferro Velho, com certeza, a casa do dono Ferro Velho, a casa... Todo mundo onde foi encontrado o César foi destruído, cimentado, um cimentão enorme que não se faz nada.

Onde era o Ferro Velho hoje é um centro de trabalho, parece que tem loja, restaurante. Eu não vou. Parece que é um lugar que ninguém quer passar. E eu entendo, eu não vou. Eu acho, aliás, que essa área tinha que ter sido isolada por Goiânia. Não dá, gente. É que nem Chernobyl. Chernobyl até hoje ninguém vai. Ninguém que vai morar lá.

Eu acho que essa área, a Prefeitura e o Estado de Goiás, a Prefeitura de Goiânia e o Estado de Goiás, tinha que ter tirado as pessoas daquela região, gente. Dado outras casas para elas, e não só tirar. O que me angustiou muito é o quão ruim foi o governo de Goiás.

por não ter feito nada. Tira as pessoas, mas não dá. Hoje elas ganham, as vítimas diretas que ainda estão vivas, elas ganham acho que 2, 3 mil reais por mês, e as indiretas 1.600 reais por mês. Mas ninguém deu uma casa nova. Pelo que eu entendi, ninguém ganhou um imóvel, ninguém ganhou nada. Eles tiveram que refazer toda a sua vida por si mesmo.

Mas dentro disso tudo, de quem é a culpa? Quem é que tem que carregar a tristeza de ter matado quatro pessoas, dentre elas uma menininha de seis anos, e ter ainda contaminado mais 115, 113 mil pessoas numa cidade, a gente não sabe se realmente esse material não foi para outros lugares, e dizem com mais 16 vítimas fatais em função dessa radioatividade.

De quem? De quem é a culpa? Paulo Gorgulho tem uma cena, que é uma cena quando a gente fala de premiação, que se eles colocarem aquela cena, quando ele vai falar, porque o Ministério Público quer culpar em princípio também, porque começa uma investigação, tem uma delegada que vai ouvir todo mundo, mas o Paulo Gorgulho tem um momento.

que ele vai falar sobre responsabilidade e culpa. Ele diz que a culpa não é dele, de fato, porque ele não tinha nem sido avisado que tinha uma segunda máquina de radioterapia. Mas ele diz que a responsabilidade é de todos. E é verdade. É uma cena muito bonita, que é uma cena digna de ele ganhar o Emmy Internacional.

O que acontece? Aquele lugar onde tinha um hospital era um antigo terreno da Santa Casa local. A Santa Casa permite que cinco pessoas construam um hospital, com a troca de que pessoas simples poderiam se utilizar dos tratamentos radioterápicos que haveria ali.

Esses cinco médicos dão para trás no acordo, não vão pegar pobre nenhum para eles. A Santa Casa, então, fica enfurecida e vende o terreno para um outro empresário que queria fazer um outro empreendimento no local.

A polícia pergunta então, de quem é o terreno? É desse homem que comprou da Santa Casa. Mas esse cara fala assim, mas espera um pouquinho. Eu comprei o terreno quando ainda lá estava o hospital e eu não conseguia tirar eles. Sim, mas eles já saíram e está lá aquele negócio. Ele fala assim, mas se tem herdeiros envolvidos, eu não posso entrar naquele negócio. Ele era o dono e não era o dono. Ele fala assim, mas eu nunca fui autorizado a entrar e tirar as coisas de lá.

A Santa Casa diz que ela só locou o terreno e que ela nunca entrou naquele hospital porque não deixava os pobres a entrarem.

E você tinha os cinco donos daquele hospital construído que compraram uma segunda máquina de radioterapia e não avisaram o centro nuclear, o centro de radioatividade do Brasil. Por isso que o Paulo Gorgulho está certo quando ele disse que ele nem sabia que existia essa segunda máquina para solicitar a retirada.

E esses cinco donos, eles são os responsabilizados. Legalmente falando, os responsabilizados são esses cinco donos. Eles pegaram três anos e pouco de cadeia por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, alá Batomuschi, que o Batomuschi, para mim, é doloso na veia. Aquele bando de ordinário cafajeste, os donos do Batomuschi, que tem aqui o comentário.

Eu questiono também, cara, além de tudo são médicos os donos desse hospital, eles sabem o que é aquela máquina culposo. Ele largar uma máquina de radioterapia jogada no chão?

Onde está o culposo? Onde ele não sabe que aquela máquina, se abrir, mata pessoas? Mas beleza, né? Brasil. Pegou cinco, esses cinco pegaram três anos de cadeia, que não foram para a cadeia, porque o Pernando abaixa, transformaram tudo em multa e serviço comunitário. Né? Esses médicos que quase que mataram. Para mim, eles mataram.

Os catadores de lixo foram investigados e inocentados. A justiça entendeu que eles não invadiram o local, apenas entraram em uma construção abandonada e também contou o fato de eles serem pessoas simples, sem estudo e sem entendimento do que fizeram. O que é isso? Vai dizer que... Não, não sei o que é. Não sei o que é. Eu acho isso um absurdo, mas tá bom, né? E tem uma coisa interessante.

Que é o seguinte, daí o que acontece? Você tem todo aquele lixo radioativo. Pra onde ir aquilo? Aí começa uma briga, que o governador de Goiás não queria ficar com o lixo dele, no estado dele, queria mandar pro Pará, numa região que é cheia de nascente de água. Ô meu senhor, o senhor realmente merece a coroa.

Ele ainda foi ministro da saúde em 1993. Acho que em 93 era o Itamar Franco, que é uma dúvida. Porque o Collor sai em 92 era o Itamar Franco. Como é que um homem que faz tudo isso vira ministro da saúde? Ele queria jogar para parar de qualquer jeito. Parar não aceita, graças a Deus.

Até porque esse diretor do centro lá nuclear, que é o Paulo Gorgulho que faz, ele sabe que não pode ir para lá. E ele acha o melhor lugar, segundo os estudos, que é a Abadia de Goiás. Abadia? Badanha? Como é que é o nome da cidade, Jesus? Que eu não vou, tem o...

Ai, gente, e os cachorrinhos? É tipo aquela coisa do Chernobyl. Os cachorrinhos são todos mortos, né? Os petzinhos todos. Ai, meu Deus, que tristeza. É Abadia de Goiás. Como é que é o nome, gente? Jesus do céu dessa cidade? Eu anoto as coisas, mas eu vou achar. Então ele acha um lugar ali em Goiás que não tem nascente, não tem nada. Parece que tem uma área com bastante... Abadia de Goiás, que chama.

Primeiro parece que foi... É, vai para um lugar, depois vai para o... Está lá até hoje. Todo esse lixo radioativo está lá até hoje enterrado. Para você ter uma ideia...

No dia 13 de setembro de 1987, começam os catadores pegam lixo. No dia 18 de setembro, eles abrem a cápsula no ferro velho. No dia 28 de setembro de 1987, a Maria Gabriela, nossa grande heroína, vai para a vigilância sanitária. No dia 29 de setembro de 1987, tem o alerta geral que estamos com uma tragédia radioativa. No dia 23 de outubro de 1987, tem a primeira morte.

Eles só vão parar tudo, gente, em 2200 e não sei quanto. É quando eles, olha, só vai terminar tudo. Daí vou continuar. Daí eles, em 1988, eles fazem todo o enterro lá dos lixos radioativos. Em 1997, eles terminam a construção da estrutura onde hoje é lá, tudo enterrado em Abadia de Goiás.

Até hoje tem monitoramento ambiental nesses lugares e tem uma assistência à vítima, onde era a vigilância sanitária se tornou a associação das vítimas do CESI 137.

São 6 mil toneladas de rejeitos. 6 mil toneladas. O que acontece? Todas as casas que foram destruídas, os locais destruídos, os móveis, tudo, estão tudo nesses contêineres, roupas, nada podia sair de lá, nada poderia... Tudo estava contaminado.

Tudo isso só vai acabar, eles só vão poder falar assim, gente, acabou. Não precisamos mais falar do 737 em Goiânia no ano de 2287, ou seja, séculos e séculos depois da tragédia. Ainda estaremos falando bastante disso também.

Parece que fica no setor aviário, aviário lá de Goiânia, onde tudo aconteceu, que as pessoas não querem passar. Eu entendo, né, gente? É uma coisa assim, não dá, né? Você tem 603 pessoas que receberam, hoje tem doenças, 603 pessoas fazem para serem reconhecidas como vítimas diretas.

Essa história triste do César 137 lá em Goiânia, que traz pra gente a reflexão do que que a gente, assim, o que que seremos se a gente não olhar os nossos lixos radioativos? Eu fico pensando, fico olhando e falo assim, minha mãe do Senhor Jesus.

Qual o conhecimento que realmente o ser humano tem ainda para garantir tudo isso? Nenhum, é bomba atômica agora, metade do século XX, a gente ainda desconhece muita coisa. Espero que as surpresas que venham sejam boas e não terríveis. Para todas as vítimas, o meu abraço para os médicos que cuidaram, meus parabéns, meus aplausos em pé e também para os funcionários todos envolvidos para tentar...

salvar e não permitir a radioatividade subir e espalhar por todos os lugares. Também o meu mais sincero obrigado como cidadão brasileiro disso não ter sido pra tudo. E pra Netflix, parabéns também. Uma excelente série, muito boa, uma excelente série no tamanho certo, certo, certo, certo. A Gulani que fez a produção, é excelente a Gulani, todo mundo sabe disso. Então é isso, espero que vocês tenham gostado. Um beijo, tem vídeo todo dia, te vejo até já. Até já.