O PILOTO DA VASP QUE MATOU COMISSÁRIA DA VARIG - DETALHES DO CRIME
Dra Solange Beretta fala sobre Melania de Ataíde, de 44 anos, casada há décadas com o piloto Sérgio Pinho, com 70 anos. Melanie, ou Mel, como era conhecida, entra no apartamento do casal disposta a pedir a separação. Já sem uma vida a dois, Mel queria mais do que o marido podia oferecer. Ela queria redescobrir o amor, queria se redescobrir como mulher. Mel precisava experimentar a palavra "vida" em todo seu mais completo significado. Mas Sergio, o piloto, não estava disposto a deixar Mel, a comissária, partir para para novas rotas em voo solo. Depois que Mel fala para o marido que ela iria desembarcar do casamento, Sérgio resolve interromper de vez qualquer plano de viagem da, agora, ex-esposa.#crime #casal #entrevista #podcast
Beto Ribeiro
Dra Solange Beretta
- A noite do crime e a versão de Sérgio Pinho sobre o suicídio de MelâniaMelânia decide terminar o casamento·Sérgio ouve um barulho de tiro·Sérgio encontra Melânia morta·Sérgio não aciona a polícia
- A decisão de Melânia de Ataíde de se separar do marido Sérgio PinhoMelânia quer redescobrir o amor·Melânia quer se redescobrir como mulher·Sérgio não aceita a separação·Melânia busca ajuda psiquiátrica
- A refutação da tese de suicídio pela perícia e testemunhasPosição do corpo e arma·Dificuldade de acionamento do gatilho·Ausência de pólvora nas mãos de Melânia·Comportamento de Sérgio após a morte
- O relacionamento extraconjugal de Melânia com FernandoFernando, um gaúcho divorciado·Melânia e Fernando se conhecem no bar·Melânia se apaixona por Fernando·Melânia quer viver com Fernando
- O julgamento e a condenação de Sérgio Pinho por homicídioDenúncia por motivo torpe·Recursos e trânsito em julgado·Prisão e soltura de Sérgio·Mandado de prisão não cumprido
— Anúncios inseridos dinamicamente —
5 de agosto de 2007. Aquela era a data definida pela comissária de bordo Melânia de Ataíde, de 44 anos, para mudar radicalmente a sua vida. Casada há décadas com o piloto Sérgio Pinho, que à época tinha 70 anos, Melânia, ou Mel como todos a chamavam, entra no apartamento do casal disposta a pedir a separação. Já sem uma vida a dois, Mel queria mais do que o marido podia oferecer. Ela queria redescobrir o amor, queria se redescobrir como mulher.
Mel precisava experimentar a palavra vida em todo o seu mais completo significado. Mas Sérgio, piloto, não estava disposto a deixar Mel, a comissária, partir para novas rotas em voo solo. No caso dela, pelo que você tá me trazendo, essa depressão não é nem possibilidade de um fator decisivo para o que vai acontecer com ela em 2007. É apenas um momento, e ela se tratava.
Aí ela passou a se tratar, ela foi procurar ajuda, inclusive porque a Ana Maria indica dela vai a um psiquiatra, mas era um psiquiatra que já tinha uma idade extremamente avançada. Daí ele parou de atender, mas eu creio que ela foi, acho que uns 3 meses, ela não se adaptou bem com o remédio, e daí ela passa a se consultar com esse psiquiatra, que inclusive foi ouvido nos autos. E começa o tratamento. E segundo esse psiquiatra, quando ouvido, ele alegou sigilo profissional.
Depois a gente pode até abordar isso mais para frente. Mas enfim, ele não disse qual foi o diagnóstico, não disse quais eram os remédios, mas nós temos o receituário, né, nos autos. Ela tinha feito uma sessão com ele dia 31 de julho e ela falece dia 5 de agosto, né? E ela fazia terapia, na verdade, com ele.
Fundamental.
Então ela fazia terapia com ele, ela não era aquele psiquiatra em que ela ia e só pegava receita, tá tudo bem, me dá receita do remédio, não. E ela dizia que era um momento em que ela podia falar o que ela quisesse. Mas ela faz esse tratamento, e tanto é que ninguém dá tanta importância nos depoimentos acerca dessa depressão dela. Depois eles acabam tocando nisso, não, realmente ela teve um período, mas quando os fatos ocorrem ela não está depressiva, tanto é que todos falam assim, ela é muito alegre, ela é muito disponível para todo mundo.
Enfim, ela é muito viva, ela tem muita vontade de viver, né? Muito bem. Aí, e coincide mais ou menos com o período que ela fala para mãe que ela já tá cansada daquele casamento, um ano e meio antes. Coincide com a histerectomia.
Enfim, talvez a histerectomia tenha dado um clique nela, tenha dado um clique. Até com 42 anos ela ainda teria chance até de ser mãe, se ela quisesse, mas não ia ter. E adota também, gente. Você quer ter muito filho, você adota.
Tanto é que, né, não sei o que ele pensava disso, mas tanto é que não adotaram. Enfim, ela aceitava isso de uma forma muito tranquila, era o que foi, o que me pareceu. E um outro detalhe, isso quem fala é a filha do réu, que presta um depoimento que eu achei muito, muito honesto. A única coisa que ela conta é que às vezes a Mel começou a beber, a ingerir mais bebida alcoólica do que ela fazia antes.
Depois que começou essa depressão?
É.
Mas com remédio?
Com remédio, usando remédio.
Aí é pior.
É.
E... Porque daí você passa... E ela bebia, né?
É, mas quem toma esses remédios também não evita bebida alcoólica, né?
Não, conheço algumas pessoas que não evitam nada. Mas o remédio potencializa.
Pode ser que potencialize, né? Mas enfim, e daí ela passava a falar mais alto, a dar mais risada, ou seja, ela não tava tão deprimida assim. Claro que os remédios estavam ajudando, a terapia também, mas ela diz assim, ela acordava de manhã num gás total e quando chegava no final da tarde a gente percebia que ela já tava com humor mais afetado. Enfim, essa era a Mel, essa era a Mel, amiga de todo mundo.
Tava trabalhando ainda na época?
Eu não sei, ela para de trabalhar quando eles saem daquela empresa.
Então ela tava, eles estavam quanto tempo sem trabalhar?
Não há essa notícia, porque aí significa que eles ficaram mais juntos, né? Sim, mais juntos. Mas eles também foram trabalhar na mesma empresa para ficarem juntos. Ele consegue o trabalho. Ela não fazia os mesmos voos sempre, né, com ele, mas eles ficavam sempre no mesmo meio. Mas isso não parecia ser um problema, não parecia ser um problema. Muito bem. Aí então nós temos um ano e meio antes dos fatos, né, essa situação próxima aos fatos.
Ninguém fala que ela estivesse deprimida, a não ser testemunhas trazidas pelo réu, mas são testemunhas também que não estavam no dia a dia da Mel, né? Enfim, depoimento de testemunha é uma coisa que a gente sempre tem que ver com bastante reserva.
Não falam que testemunha é a prostituta das provas?
Eu não gosto muito dessa frase, mas eu também não, porque eu também não entendo que seja assim, porque a prostituta se vende, né?
Mas, por exemplo, no caso do prostitutador lá do Leandro Law, o PM que o matou falou para prostituta falar que ela teria ficado com ele a noite inteira. Ela falou: de jeito nenhum, só fiquei com você de tal hora a tal hora. E ela foi extremamente honesta, né?
Corretíssimo.
Então, a prostituta não torna, não, parece que a prostituta você vai poder pagar até o caráter dela, e não é verdade.
Então, o problema da testemunha é o seguinte: cada um tem um olhar sobre o mesmo Isso eu falo, a vida é feita de 3 visões, tanto que eu criei uma série chamada A 3.
Assim, você tem 3 visões: a minha, a sua e a verdadeira. E a verdadeira, sim, ela não vai ser tira e coloca, porque a verdadeira tem que ser o play.
Exatamente, tem que ser uma filmagem.
A verdade é essa aqui, esse abajur aqui gravando, essa câmera na vida inteira. E a gente não tem.
Exatamente. Muito bem. Como eu disse, eles—
As testemunhas falavam o quê? Essas testemunhas?
Essas testemunhas falavam que ela estava muito deprimida.
Conheciam? Era de pessoas que conviviam mesmo?
Pessoas que chegaram a trabalhar com ela, eram moças que trabalharam com ela, que já tinham saído da aviação e tudo, e que eram amigas dele também.
Ah, e também que trabalharam com ela há muitos anos, é isso?
Sim, mas mantinham contato. Só que o que eu pude perceber pela leitura que eu fiz era um contato telefônico, né? Não era o dia a dia. O dia a dia era Ana Maria, era Rita, eram as pessoas do prédio que eram as amigas dela.
E às vezes você tá deprimido no trabalho porque o trabalho te deprime. Significa que você é um deprimido com os amigos da vida.
Exatamente. O que tira completamente o caráter de depressão. Daí fica incomodado.
Você só quer sair daquele lugar que você tá trabalhando.
Claro que essas pessoas chegaram a vê-la naquele período de um ano e meio antes dos fatos, em que ela estava deprimida, mas não acompanharam a evolução, não acompanharam. A mãe disse que ela tava muito bem, o irmão também, o irmão também mora no Rio de Janeiro.
Como a gente sabe que a Mel falou para Ana Maria e para mãe, comentou que tava cansada do casamento, Por acaso o Sérgio teria comentado com outros amigos, amigos próximos, como esses amigos do prédio, não esses outros que a gente não sabe quem é, que ele estava preocupado que a Mel estava diferente, se ela estava deprimida, que ela tinha falado, ai, eu não sei mais por que viver, alguma coisa assim?
Não era assunto dele com essas pessoas. Aconteceram alguns fatos que chamaram a atenção dessas pessoas, Uma vez ela foi a um velório em Santos, eles foram acho que em 2 carros, acho que foi a Ana Maria ou foi a Rita com o Zé, enfim, acho que foi a Rita com o Zé.
Rita com o Zé também são os amigos do Pet Love.
Também são amigos, são os vizinhos amigos, exatamente. E teria tido, algo ocorreu no carro em que estava Mel e o Sérgio, que fez com que a Mel ficasse muito irritada, algo que não era habitual, né, a reação dela. Mas ninguém soube o que que aconteceu. E ela queria vir embora, voltar para São Paulo quase que na metade do caminho. Foram ao velório e tal, e ela acabou pegando um táxi e voltando para São Paulo sozinha, lá de Santos.
É lá de Santos, não se sabe. Enfim, é um fato que a gente não conhece detalhes. A filha dele narra um fato de que ela também lá na casa dela, ela se destemperou e foi embora. Mas enfim, são fatos isolados. Mas eles notavam que o Sérgio já não ficava mais até o final das reuniões e das festas.
Já tava com a meia, o gorro e as luvas querendo ir para o cobertor. Queria ver Faustão, ele queria ver jogo de vôlei, enfim, pelo menos via jogo, tá?
E voltar para casa. E ela permanecia, ela continuava, né, no local. Então ele também não a impedia ou mostrava qualquer desagrado nisso, ou se ele ficava chateado não havia uma demonstração muito clara do fato. Agora vamos, vamos nos transportar para uma semana antes do crime. Uma semana antes do crime, mais precisamente no sábado anterior ao crime— o crime ocorre de sábado para domingo— então no sábado anterior houve um queijo e vinho na casa da Ana Maria ou da Rita, agora não me recordo, de um dos vizinhos.
Nesse queijo e vinho o Sérgio estava e a Mel também. E ele foi, justamente saiu mais cedo para ir assistir um jogo de vôlei e ela permaneceu, inclusive permaneceu até a madrugada, né? Ele foi para casa, provavelmente dormiu, e ela ficou ali com aquele grupo de amigos. Desse grupo fazia parte o Fernando, né, que é outro personagem principal, importante. O Fernando era um gaúcho que veio trabalhar em São Paulo, divorciado há 30 anos, e na época tinha 62, 63 anos de idade, creio que 62 anos de idade, e que Também ia naquele bar próximo ao edifício.
Ele também ali fazia confraternização com o pessoal da empresa para a qual ele trabalhava, né? Trabalhou numa multinacional, depois trabalhou numa outra empresa grande nacional, e ele ia ali para o happy hour e acabou conhecendo esse grupo do prédio.
Ah, tá, todos, todos.
Então havia uma interação entre esse pessoal dessa empresa e esse grupo do prédio, mas era algo que já ocorria há um tempo. Não me pergunte quanto, porque também não há essa informação. Creio eu que era uma coisa de 4, 5 meses, alguma coisa assim, tá? Não quero precisar. E ele sempre viu a Mel né, mas nunca conversou com a Mel, nunca. É aquele, aquela mesa grande que todo mundo conversa de tudo, e o Sérgio frequentava também esse ambiente, ele participava também, né.
E essa amizade foi estreitada, amizade entre o Fernando e a Ana Maria, a Rita, e outros vizinhos do prédio, ficou, houve um estreitamento. Ele também passou a participar desses eventos que ocorriam no apartamento, né, desses vizinhos. Haviam mulheres divorciadas, ele é divorciado, havia mulheres solteiras, enfim, provavelmente deve ter rolado alguma paquera por ali. Mas um mês e meio aproximadamente antes dos fatos, ele passa a conversar com a Mel.
Eles chegaram a ter uma conversa, os dois, conversar pessoalmente. Eles se viam. Então, naquele, havia um grupo grande em que todo mundo se conversava. Ele via a Mel sempre muito extrovertida. Outra pessoa que relata uma Mel que em hipótese alguma se aproxima de alguém depressivo, né? Porque alguém depressivo nem quer estar junto com tanta gente assim, né? Sempre chamou atenção porque é uma mulher muito bonita, que se cuidava muito, mas nunca houve um interesse da parte dele, né, com a Mel, né?
Mas nesse dia, um mês e meio antes dos fatos, Os dois tiveram uma conversa, somente os dois, né? Tem todo mundo conversando e os dois começaram a conversar e conversaram durante muito tempo. Eu não sei te dizer se o Sérgio estava presente ou não. Eu acredito que estava e foi embora, ou estava conversando com outras pessoas. E os dois começaram a conversar. Eu acredito que o Sérgio, no momento em que os dois começam a conversar, somente os dois, o Sérgio já não estivesse mais, né?
E ela tinha uma viagem marcada para o Rio de Janeiro. Ela ia ficar um tempo lá com a mãe, com irmão, né, passear um pouco. O que também passou a ser uma constante, ela ir para o Rio de Janeiro.
E lá ela não tinha nenhum relacionamento, nenhum homem, namorado, nada?
Não há notícia de absolutamente nada, né? O que me passa é o seguinte: ela sempre foi uma mulher extremamente fiel ao Sérgio. Tá, né? Ela não era uma mulher que levava uma vida de solteira tendo um marido, né, se relacionando com outros homens. Mas ela passou a ir mais para o Rio de Janeiro. Detalhe: essa depressão também da Mel, eu me esqueci, ela também decorre de um cuidado maior que o Sérgio passou a ter com os pais dele, mais especificamente com a mãe, porque eu creio que o pai já tinha até falecido.
Ele tem uma mãe idosa, imagina, ele já tinha 70 anos, a mãe tinha mais de 90 anos de idade.
É lógico, né?
Ele tinha acho que mais um ou dois irmãos, mas recaía sobre ele esses cuidados com a mãe. Parece também que houve uma redução na capacidade econômica dele. Então eles já não viajavam. Segundo o que se falava, não, não é que eles tiveram uma redução tão grande assim a ponto de impedir que eles continuassem levando a vida que levava, né, de viagem e tudo mais. Na verdade é porque ele tinha que cuidar da mãe, então ele já não podia mais acompanhar tanto as viagens, já não podia mais viajar.
E ela se sentia nesse sentido muito presa, porque eles eram companheiros, eles tinham uma vida os dois, e de repente, né, uma situação externa, talvez eles não tenham sabido como administrar isso, né, talvez ele tenha uma desculpa que ele tinha para não ter que viajar, enfim, a motivação não sabe, mas houve uma redução. Essa redução não era, segundo a filha, É por conta da situação financeira. Ele chega a alegar que ele passou a ter um ganho, uma despesa maior, porque ele também ajudava a manter a mãe.
Mas um homem que tinha apartamento em Fort Lauderdale, apartamento, casa em Campos do Jordão, iate e tudo mais, e ela— então isso também entristeceu muito ela. Porque é onde ela podia também sair, passear, curtir. Já não tinha mais esse companheiro para isso. Ela era sustentada por ele. Sustentada por ele é uma coisa muito pesada. Enfim, ela não trabalhava fora, ela não tinha ganhos, e quem supria todas as necessidades—
Ela era sustentada por ele, era um acordo entre os dois.
Era um acordo entre os dois.
O ruim é quando você não acordou com quem vai te sustentar.
Aí ele passa, ela começa a ir mais para o Rio também como uma forma de sair um pouco daquele ambiente onde ele se encontrava, né? Também era uma forma dela passear. Sim. Nesse dia que ela conversa com Fernando, ela fala assim, amanhã eu tô indo para o Rio de Janeiro, vou ficar um tempo lá. Falam em 15 dias, é 10 dias, uma semana, Não importa, ela foi para lá, mas não foi, não foram muitos dias que ela ficou lá. E ela falou, então me dá teu telefone para a gente conversar por telefone.
Ela pediu para o Sérgio, desculpe, para o Fernando, o telefone dele. E quando ela estava no Rio de Janeiro, ela passou a se comunicar com o Fernando, a conversar com o Fernando, que nessa altura também já estava aposentado, já não tava mais trabalhando. Né, quando ela volta, nessa época que ela fala para mãe que ela não quer mais ficar casada, que ela não aguenta mais, que ela quer terminar o casamento, e falou que tinha, tava apaixonada, que ela tinha se apaixonado pelo Fernando.
Sim, é que sabemos qual é o Fernando, mas a mãe não sabia.
Mas a mãe não sabia. E que ela tava muito feliz, né? Eu não sei o teor das conversas que eles tinham no telefone. Talvez tenha, nessas conversas, tenha despertado nela, né, esse sentimento pelo Fernando, né? Ela tenha desabafado. Fernando disse que ela chegou a contar que o casamento tava muito ruim, que ela queria separar, enfim. Aqueles, aqueles queixas, né?
— Anúncios inseridos dinamicamente —
The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
How do you protect the world and the people you Every case hits home on Line of Fire, Monday on NBC. Que ela já tinha do casamento, ela passou para ele. Quando ela volta do Rio de Janeiro, antes de ir para casa, ela passa no apart hotel onde o Fernando morava. Segundo Fernando, nesse momento eles não mantiveram nenhum relacionamento íntimo, né? E a partir de então, um mês e meio antes dela falecer, dos fatos ocorrerem, ela se encontra com Fernando, não com muita assiduidade, porque ela precisava— imagina o marido morando em casa, ela precisava sempre inventar alguma história para poder, né, estar com Fernando.
Segundo ele, ela esteve com ele mais umas 3 ou 4 vezes, e daí sim eles tiveram um relacionamento íntimo e tudo mais. E aqueles amigos notaram que tinha alguma coisa de diferente, que ela estava com o brilho no olho, né? Que apesar dela ser uma pessoa muito alegre, muito feliz e tal, mas ela tinha um brilho no olhar que antes ela não tinha, que ela tava parecendo uma criança, né? E ela conta sobre o Fernando no queijo e vinho, conta para Ana Maria no queijo e vinho que ocorre uma semana antes da morte dela.
E mais ninguém? Ela só contou para Ana Maria?
Ela só conta para Ana Maria somente ali. Só que o comportamento dela com o Fernando nesse queijo e vinho, lembra que o Sérgio estava, mas saiu e foi ver o jogo de novo, não percebeu nada.
Para o Sérgio foi surpresa esse relacionamento extraconjugal quando tudo aconteceu?
Eu acredito que não. Eu acredito que ele talvez não soubesse exatamente o que estava acontecendo, mas ele sabia que algo ocorria. Então a Ana Maria fica sabendo uma semana antes do crime, passa aquela semana, no sábado— eu não sei te dizer o que ocorre nesse período de tempo, mas Exatamente na sexta-feira, na sexta-feira, eu não sei se no próprio bar do Vitor ou em outro bar, todos estavam juntos se confraternizando, todo mundo era aposentado ou trabalhava em home e tinha uma liberdade maior para poder curtir a vida, inclusive o Sérgio estava e o Sérgio chega a conversar com o Fernando.
O Fernando depois no depoimento disse que ele se sentia extremamente desconfortável com essa situação, né? Quer dizer, eu tô tendo uma relação com a sua mulher e eu tô aqui conversando com você, né? Era uma situação que realmente trouxe um desconforto muito grande.
Não sei como ele conseguia, porque eu acho que também é demais, né? É porque ali era o local do marido. Tem uma situação ali meio, meio, é uma situação constrangedora.
Foi constrangedora para o Fernando e foi constrangedora para Ana Maria, mas não para Mel.
Não, a Mel tava gostando daquela situação do marido e do amante ao mesmo tempo?
Não me pareceu isso. O que me pareceu é o seguinte, que ela mantinha a pose ali nela, claro que não ficava flirtando com o Fernando.
Bebia, bebia.
Ela pode ter dado, ela pode ter dado alguma demonstração ali. Tanto é que esses amigos passam a comentar entre eles que eles já sacaram. É, tá, muito bem. Isso foi na sexta-feira, no almoço. No sábado, no dia seguinte, no dia seguinte, a Mel fala para o marido que ela iria junto com Ana Maria comprar as malas novas para Ana Maria, que ia fazer uma viagem para o exterior.
Chega para Ana Maria e fala assim: olha, não vou comprar mala nenhuma, eu vou lá pegar o moço que eu tô pegando. Exatamente, vou desfazer a mala.
Ana Maria falou: olha, tá complicado, isso não é legal, isso não é bom, você tá me deixando numa situação, porque eu sou amiga do Sérgio também, né? Quer dizer, claro que ela era muito mais amiga, mas conhece o cara, é uma situação desagradável, foi uma situação muito desagradável.
Não ponha os outros nos seus problemas.
Exatamente, mas ela precisava disso para poder, porque se ele trabalhasse fora, se ele viajasse, ela teria como escapar, mas ali ela precisava arrumar um álibi, né? Ela tava muito chateada também porque ele queria vender o carro dela, né? Inclusive quando ela tá no Rio de Janeiro, aquela última vez. Segundo ele, era por falta de dinheiro, né? Segundo ela, dito para a mãe, é porque ele queria na verdade deixá-la sem pernas, controlar um pouco mais, controlar um pouco mais.
Né, enfim, tanto é que no dia, na sexta-feira, o Fernando morava num apart-hotel a uns 800 metros, não era encostado de onde ela morava, né, mas também não era, não era tão distante assim, outro bairro. Mas ela foi com o carro, né, ela foi com o carro e ela foi para o apart-hotel E chegou para Ana Maria e falou assim, olha, tá aqui, ó, você me liga cobrar se o Sérgio aparecer por aí, eu me perguntar. Falou, poxa, mas o bar fica aqui, o prédio é logo ali, ele vai me ver aqui.
Cobrar porque esse detalhe do cobrar foi interessante, né? Porque às vezes ela não tinha crédito no telefone, a Ana Maria, né? É bom dizer que não era um prédio luxuoso, Não, não era o Vias Fortes. Era um prédio simples, né? Por exemplo, a Rita era uma professora de uma escola pública ali próximo, né? Então não eram pessoas, não é Moema, o lado chique de Moema, né? E ela vai e passa a tarde com o Fernando, né? E o Fernando diz que ela estava posteriormente, quando ele presta depoimento, que ela estava em estado de graça.
Mas com ele estaria, né? Vamos combinar, o amante pega estado de graça total, né? Porque o amante não vai pegar você com COVID, né? O amante não vai te pegar com o cabelo todo destruído quando você acorda. Então nem com a cara inchada.
Mas ela tava muito feliz, ela tava se sentindo uma adolescente, né, que tinha redescoberto um sentimento. Claro que era uma coisa muito recente, né? Mas ela tava muito feliz e ela disse para ele nesse encontro que ela queria viver com ele, que ele era o homem da vida dela. Eu acho que assim, eu acho que ela perdeu um pouco ali, ela foi muito afoita, ela foi uma adolescente.
Tudo bem, mas ele queria casar com ela ou ele também tomou um susto? Sabe que ele depois Que ele era um homem com 62 anos vivendo no apart-hotel, solteiro. Será que ele queria casar? Quando ele olhou, foi, meu Deus do céu, era só uma pedra.
Só que ele tava se relacionando com uma mulher muito bonita para ele, para o ego dele também.
Ela queria casar, mas ele queria envolvido ele de tal forma, né? Eu não sei, ela chega a falar com ele sobre isso, vamos morar junto.
Juntos.
E ele fala que é para você, ele não diz o que ele responde.
Ele não, ele chega a dizer: calma, meu, vamos devagar, você ainda tá casada. Não, eu vou terminar meu casamento, vou terminar meu casamento, eu não quero, não quero mais, eu não aguento mais.
Não significa que ele queira casar com ela.
Exatamente, né?
Mas vamos daí.
Bom, depois que eles passam a tarde juntos, ela vai para o tal bar do Vitor. Direto, direto, né? E fala para ele, ah, passa, dá uma passadinha no bar, quero te ver mais um pouquinho. Enfim, aquela, aquele momento de paixão.
Ela pede para o amante ir para o bar, para onde o marido estava indo também?
Não, não, não, onde os amigos estão, tá?
O marido não tava lá, não.
E inclusive o marido nem a procurou. Ela disse que ia comprar as malas e tudo bem. Aí ela vai para o bar e logo em seguida o Fernando chega, tá? Isso era aproximadamente umas 7, 7:30 da noite. Nós estamos falando de agosto, já tava escuro, né? Eles estavam ali no bar e ela chega a ligar para o marido, mas eu achei interessante porque nós comentamos o caso antes. Aí você falou assim, pô, será que ela não curtia esse lance de ter o marido e o amante no mesmo ambiente?
É, porque ela não tá protegendo nem a si mesma, né?
Exatamente. Eu não acredito que nesse dia, né, naquele outro dia ela tava junto com todo mundo, o marido tava junto, o marido costumava participar, ainda que um pouco menos do que ela, com menos vitalidade do que ela, mas ia. Naquele dia, sinceramente, eu acho que ela quis, tipo, ah, vem pra cá. Exatamente, vem pra cá. E ela sabia que ele não ia.
E se ele fosse? Bom, não sabemos, a vida não tem.
Mas se ele fosse, ia viver a mesma situação que tinha sido vivida, desculpa, que tinha sido vivida no dia anterior. Mas ela pelo menos tava olhando pro amor dela que tava ali, ao alcance dela, certo? Eu acho que as pessoas quando se apaixonam elas ficam bobas, bobas, é normal, a paixão é igual boba, o amor que é outra história, paixão é normal, você faz coisas que você normalmente não faria, né? Faz parte e não importa a idade, não, não importa a idade, quando todos estão ali, daí no local estava o Zé, a Rita, os vizinhos, a Ana Maria, a Rosana, A Rosana era uma amiga da Ana Maria que tava morando na Alemanha, mas estava passando umas férias no Brasil, tava hospedada na casa da Ana Maria, a Rosana.
E tinha mais uma outra pessoa, quando de repente a mãe da Mel telefona para ela pedindo para que ela fosse para casa. Ah, mãe, tô aqui no bar, tô gente, divertindo. Vai para casa, Mel. O Sérgio me telefonou. Eu achei interessantíssimo. Eu não lembro a idade da mãe dela, mas ou tinha a mesma idade que o Sérgio ou menos idade. Ligou para mãe porque se queixando da Mel, dizendo que a Mel estava no bar fazendo fofoquinha.
Olha sua filha bêbada, o que ela está fazendo.
É isso, 70 anos de idade, casada há 20 anos vai reclamar?
Não é um pouco também já fazendo um álibi?
Não, não, não.
Até liguei para mãe dela, até liguei para mãe dela.
Pelo contrário, eu tô me queixando que ela tá saidinha demais. Segundo a mãe, ele teria dito: ela está de novo, amor.
Ah, então ele já sabia que ele—
eu não sei se ele sabia quem era ou o que era, mas percebeu. Ele percebeu que havia alguma coisa de errado, né? Alguma coisa tava acontecendo. Ah, ela chega a dizer assim que ele teria dito que ouviu ela falando com alguém no telefone. A pessoa fica descuidada, né? A pessoa dá impressão—
a conta de telefone dela é para ele?
Não, ele chegou a ouvir alguma coisa.
Então, mas porque na conta de telefone ele não marca, não, o número Pode ser, pode ser, mas não existe informação sobre isso, tá?
O que existe é a mãe dizendo que ele teria ouvido uma conversa dela, que não era papel de uma mulher casada estar até aquela hora, isso era 9:20 da noite de um sábado.
Nossa Senhora, mas de onde ele veio?
E que ela estava de novo amor, né? E a mãe fala, não, que isso, Sérgio? A mãe já sabia, ela já tinha contado para mãe. Foi naquela semana que ela foi, um mês e meio antes, e elas se conversavam todos os dias, e ela se abria com a mãe. A mãe então liga para filha e diz, vai para casa, o Sérgio tá desconfiado, vai para casa. Não, mãe, não vou, não vou, vou ficar aqui, eu tô curtindo, eu convidei ele para vir, ele não veio porque não quis.
E agora eu tô aqui. Não me pareceu que ela estivesse ali beijando Fernando, abraçando Fernando, né? Não chegava a esse ponto, até mesmo porque o Zé estava ali, né? E o Zé disse que ouviu a conversa delas e que ela teria dito, eu vou me separar, né? E eu estou apaixonada pelo Fernando. Então ali fica claro para os outros amigos que já desconfiavam, tinham alguma, né, ideia do que tava acontecendo. Ela abre o jogo para todo mundo: e eu vou me separar dele, e o Fernando, e vou viver o meu grande amor, né.
E o Fernando diz assim: Mel, não é assim, vamos fazer a coisa da forma certa, vamos procurar um advogado, já que você quer se separar, procurar um advogado, tratar tudo direitinho. Ela falou: não, sim, mas só que hoje eu vou falar para ele que eu quero me separar.
Ela fala isso no dia da morte dela?
Sim, ela fala isso no sábado, no sábado, já no bar.
Isso no bar, ou seja, a horas, a minutos de morrer.
E todo mundo desaconselha que ela faça isso. Não faz isso, primeiro vai atrás de um advogado. Ela falou, não, eu não quero mais e hoje é o ponto definitivo, é o dia, é o dia D. A mãe liga mais uma vez para ela, vai para casa, Mel. Mãe, eu não vou e hoje eu vou terminar o meu casamento.
Nossa!
Hoje eu termino meu casamento, eu tô decidida. Era algo que talvez ela já viesse amadurecendo há muito tempo.
Sim, mas a bebida deixa as pessoas mais corajosas também. Deixa mais corajosa e mais agressiva. Ela não era uma mulher agressiva, mas assertiva. Ela quer separar, ela decidiu, ela vai subir, ela vai pegar o cara que tá enchendo o saco, inclusive da mãe dela, e vai falar: amor, acabou.
Não há notícia de que alguma vez isso tenha sido assunto entre eles. A mãe insiste mais uma vez, chega a falar com Ana Maria Chega a falar com o Fernando, a quem ela não conhecia.
Ela conversa com ele como? Ela tinha o celular dele?
Não, do telefone da própria Mel. Ela liga para Mel, a Mel passa para Ana Maria.
Ai, que situação!
E daí a mãe fala, deixa eu falar com o Fernando. Fernando, olha, fala para ela não tomar uma decisão dessa forma. Ela falou assim, eu já falei, Dona Edna. Então, enfim. Aí por volta das 9:30, 10 horas da noite, Os amigos vão embora e ela fica no bar só com o Fernando, tá?
Há uma divergência de horário, mas depois analisando bem, não tinha câmera de segurança, nada. Pois é, 2010.
Não, você tinha me perguntado, né? Tinha, tinha. Foi entregue à polícia, não tá nos autos.
A polícia não olhou?
Não. Não há, não há nada. Ela pega então... Câmera de segurança do bar e do elevador? Não, do prédio, foi isso que eles tiveram.
Até mostra como ela estava entrando.
Exatamente. Não, não existe, tá?
Existe, mas não foi usada.
Existe, mas não foi usada e sabe-se lá Deus onde anda também depois de tantos anos. Quem entrega essa fita é a síndica do prédio. Por volta das 3 horas da tarde do domingo.
Ela morre no sábado.
Ela morre no domingo à 1:30 da manhã. Então ela ficou no bar no sábado, ela ficou no sábado, segundo o porteiro, que eu confio muito mais no porteiro nessa hora, né? Ela chega a entrar no prédio por volta de 11:30.
Ela se despede do Fernando e fala, ó, então Amanhã eu tô morando com você. Ele falou: minha mãe de Deus, não faça isso! O que que vai acontecer? Ele olhou e falou: meu Deus, mas onde essa mulher vai dormir?
Sabe o que não me pareceu? Bom, tá bom, não sei.
Eu acho que podia ser até que ele estivesse feliz, Davi.
Pode ser, né? Porque imagina também, mulher bonita, jovem, né? Vai saber, tinha um bom papo, vai tirar solteirice dos solteirão, 30 anos divorciado, sem nenhuma relação, mas que já tava com 62, né?
Tá na hora de pensar no futuro próximo, tá procurando uma enfermeira, não uma esposa, né?
Exatamente.
Bom, daí ela sai lá, daí ela vai, deixa ele lá. Antes dela sair, ele diz o quê? Que ela tava o quê? Vou lá me separar e já volto?
Não, ela falou assim: eu vou para casa, porque a mãe insistiu muito, a mãe ainda liga, então, e ela vai para casa. E falou, eu vou falar hoje para ele. E disse também para as amigas, né, é hoje que eu vou falar, hoje é o dia. E ela vai para casa, o porteiro diz que ela tava normal, né, ela chegou, era muito próximo da casa dela, era um trajeto que ela fazia normalmente, mesmo que ela tivesse alcoolizada não era algo que dificultaria, né, o acesso dela à residência.
Aí, chegando na residência, agora nós vamos para a versão do Sérgio. Sérgio disse que ela chega, vai até o quarto do casal, fica no pé da cama, e ele fala para ela: você acha que isso é certo? Você ficar até essa hora no bar e me deixar aqui? Sozinho, você acha que você tá fazendo certo? Aí ele falou, nós precisamos rever esse casamento. Ela diz, é, realmente precisamos. Vira as costas e vai.
Ele praticamente disse que eu é que queria me separar. Isso eu não— é, não, se precisamos rever, precisamos rever, ou vamos— eu digo, ele que falou, ele teria falado assim, eu é que tomo a iniciativa, na versão dele, a versão dela a gente não tem, a versão dela nós nós não temos.
Nós podemos até saber o que ocorreu, parte do que ocorreu, em razão dos testemunhos. Aí ela vira as costas, vai para o escritório onde havia uma cama, e ela vai se deitar. Segundo ele, ela tomava remédio para dormir, tinha todos os remédios psiquiátricos. Não, segundo ele, ela já, ela volta em meia Dormia nesse quarto porque ele roncava. Agora, pera lá, se é você que ronca, sai você, né?
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Wayfair, every style, every home. É, mas ela saía para dormir no outro quarto. Isso nunca foi comentado pelas testemunhas, que seria um fato, né? Ah, meu marido ronca tanto, eu durmo no quarto.
Ah, sim, eu sei todos os é verdade.
É um, não é nada desairoso, né? Mas a Ana Maria sabia que ela vinha já há algum tempo dormindo nesse outro quarto, nessa outra cama.
E ela fala por que que ela, para Ana Maria, porque ela não queria mais ficar na mesma cama com ele, na mesma cama com ele.
Eles não tinham mais nada, segundo o que ela falou para o Fernando, que eles já não mantinham mais relações sexuais há muito tempo, que eles viviam na mesma casa, mas que eles não tinham, né? Também vários casais vivem assim por anos, né? Qual é a versão das testemunhas? Ela chega em casa, telefona para o celular da Rita, ela, ela, a Mel, e diz, dentro do apartamento, já dentro do apartamento, E diz, eu já falei tudo para o Sérgio.
Então nós temos uma versão dela.
Nós temos uma versão dela dada por terceiros.
Sim, mas que foi que ela fala? E a Rita fala o que mais?
Fala assim, olha, já falei para o Sérgio, ele aceitou de boa, né? Tudo bem. Ele falou para a gente deixar para conversar isso na segunda-feira. Eu também achei estranho, porque ainda teria domingo, né? Mas deixa para conversar na segunda-feira e eu vou dormir aqui, vou dormir no quartinho. Ela chamava de quartinho.
Ela já tinha arrumado alguma mala, alguma coisa?
Não, não, não. Eu acho assim, naquele momento ela foi dormir, né? Então na segunda-feira ou no domingo, no domingo provavelmente ela fosse se encontrar com Fernando. Agora ela não fala em momento algum para Rita eu falei do Fernando. Ela fala: eu já conversei com o Sérgio, ele aceitou numa boa. E ela liga também para o Fernando, ela liga para Ana Maria e diz também: eu já falei. E feliz, feliz, alegre.
Nossa, então ele ainda vai— bom, vamos descobrir a invenção dele.
Eu tô feliz assim, não é melhor você vir dormir aqui? A Ana Maria falou, falou, não, imagina, ele não vai fazer nunca nada comigo, né? Eu vou dormir aqui no meu quartinho, né? Tinha uma televisão, era um escritório, mas era como se fosse também o quarto dela, pelo menos nos últimos tempos. A mãe dela telefona para o telefone fixo, provavelmente porque como ela tava ligando pelo celular ligou para o fixo. Essa ligação, isso que eu tô falando, das ligações, isso tá comprovado.
A mãe dela fala com o Sérgio, ela pega na extensão e diz, mãe, pode ficar tranquila, já estou aqui, eu tô em casa e já conversei com o Sérgio, ele compreendeu e ele tá numa boa. E ele falou que a prioridade dele é a mãe dele. É a mãe dele. Provavelmente, nós não sabemos qual foi o teor, o conteúdo dessa conversa. Segundo o Sérgio, foi aquilo. Provavelmente ela deve ter dito.
E o Sérgio confirma essa ligação com a mãe dela?
Ele depois em juízo ele fala que houve essa ligação, mas ele não lembra. Quando o réu não quer contar, ele não lembra, né?
Ele não lembra do que interessa.
Ele só lembra o que interessa. Como não há como negar esta ligação, porque está registrado. Quando você tem uma prova documental, sim, você, ela é inconteste.
Essas outras duas ligações que ela teria feito para Rita e para Ana Maria, ele não ouviu, não lembra?
Ele não fala nada, não tava lá, mas está documentado.
Não, essas ligações existiram, mas eu digo, ele disse se ouviu, nada. Ele pode também nesse, você pode falar nem ouviu.
O que ele diz é o seguinte: ela fala isso na beira da cama Na beira do quarto.
Ele fala para ela que isso não tá certo e vamos rever esse casamento.
E ela falou assim, realmente, nós precisamos rever.
Para alguém que saiu tão decidida, para alguém que ela não teria tido essa resposta, teria tido essa resposta, ela teria no máximo falado, ai, que bom que você também tá pensando assim.
Exatamente. Não, ela vira as costas, entra no quartinho e vai dormir.
E aí ele diz o quê? Que ela foi para lá e dormiu.
Ela fala com as duas amigas, ela fala com Fernando, conta para o Fernando que já contou para o Sérgio, já falou para o Sérgio que quer separar. Em momento algum ela diz, eu já falei de nós.
Então, peraí, ela fala com a Ana Maria, com a Rita, Ana Maria, a mãe liga, a mãe dela, e aí ela liga ainda para o Fernando.
Na verdade, ela liga para o Fernando cerca de 3 ou 4 vezes, porque ele ainda está no bar. E falou assim, por que que você vai para casa? Vai descansar. E insistindo para ele. Como ele era amigo do dono do bar, ele tava ali. O dono do bar foi embora, ele ficou com os garçons. Enfim, ele ficou por ali, né? Ele não tinha por quê.
Ela já tava dando uma controlada também. Agora você vai para casa. Não, tô brincando.
E sabe que não foi? Ele falou não. Tanto é que a defesa chega a querer dar a entender que ela ficou louca, mal demais, né, porque ele não tinha ido para casa, que ela estava consumida.
Ele falou não, que o pseudo suicídio teria sido por conta do amante.
Meu Deus, essa mulher que tava com aquele ímpeto, com aquela paixão, tava vendo que o homem objeto da paixão dela, estava num bar.
E também perdendo o marido, que o marido já avisou que acabou.
O marido já tinha dito, né, que tinha terminado. Não, ele falou não. Tanto é que as ligações não são ligações pequenas, eles conversam. Ele falou, não, a gente falava de amor, a gente falava. E ela falava só como cuidado, vai pra casa descansar pra gente poder estar junto. Enfim, ela não ficou zangada.
Ele nem chega a falar pra ela ir pro para parte hotel dele?
Não, não, hipótese alguma. Ele só disse, eu já falei, é uma pena, né?
Porque talvez se ele falasse vai, vem, eu vou embora, talvez ela tivesse saído. Bom, a vida não tem realidade paralela, né?
Nem a da Ana Maria, que era só ela pegar o elevador e ela não tinha nenhum receio do Sérgio. Por isso ele não era um homem agressivo, ele não era um homem estúpido, ele nunca tinha tentado nenhuma agressão que pudesse fazer com que elas, né, supusesse que ele iria fazer isso.
Bom, depois dessas ligações, ela foi dormir.
Aí ela foi dormir. O Sérgio diz que ficou no quarto vendo televisão e a certa altura ele foi até a cozinha, fez um lanche, trouxe para o quarto. Ou seja, confirmando aquilo que ela falou, né, que ele sabia fazer era comer e assistir televisão, né. Ele disse que por volta de 1:30 da manhã ele ouve um barulho que a ele pareceu ser ou uma prateleira caindo ou um tiro.
Ah, porque é o mesmo barulho? É impressionante. Para quem já ouviu prateleira caindo, para quem já ouviu tiro sendo dado, eu acho que não guarda nenhuma similitude, né?
Nesse momento ele se levanta, ele vai até o quarto dela, ele não diz em momento algum que ele O que que tá vendo? Nada, absolutamente nada. Principalmente porque ele desconfiou que fosse um tiro, né? Não era, houve um barulho, eu fui ver o que era. Não, ele desconfiou que fosse uma prateleira caindo ou um tiro. Ele entra no quarto, o quarto está com as luzes apagadas, a televisão estava acesa, ou seja, a única iluminação do quarto dela, do quarto dele, do quarto quarto dela, do quartinho.
No quartinho tinha uma TV acesa, tinha uma TV acesa.
Ele entra ligada, ligada. Ele entra e com a luminosidade, isso é o primeiro depoimento dele, com a luminosidade da televisão ele pôde perceber que ela tinha, escorria sangue por trás da orelha dela, na cabeça dela, que ela estava deitada na cama, e ele percebe a existência da arma, de um revólver. Este revólver era dele, este revólver ficava guardado no criado-mudo dele, na última gaveta, escondido bem atrás, onde havia um local do lado da cama, do lado da cama dele.
E aquela hora que ele disse que ela entrou no quarto, não teria pegado o revólver. Não, ela se postou no pé da cama, respondeu a ele e foi embora. E ele disse então que ela pegou algum dia antes desse revólver?
Essa começa a ser a história dele. Ele pega a arma do chão e coloca a arma sobre a cama. Como tava escuro, como a luz— eles moravam no 22º andar. Ele pega e vai até a persiana da janela e abre a persiana da janela para ter uma iluminação maior.
E por que que ele acendeu a luz, gente?
Não sei, até hoje ele não explicou. Ele abre a persiana, volta até a cama, e antes de qualquer coisa Ele vai e ele não fala, Mel, Mel, Mel, nada.
Porque os vizinhos ouviram tiro?
Não há relato de ninguém que tenha ouvido tiro. Também a polícia não foi ouvir nenhum vizinho próximo, porque os outros vizinhos, um morava no 9º andar, outro no 10º, 15º.
É apartamento 2 por andar ou 3 por andar?
Não, acho que eram mais, eram mais. Ainda de ouvir, eram mais apartamentos, acredito eu, pela numeração dos outros. O deles era 222/223, eram 2 apartamentos. Tem que ter o 221, tem que ter o 224 porque tem o 154.
Então é, não tem mais, e é mais fácil, essas paredes não são tão grossas.
Exatamente. Também a polícia não se interessou em ouvir. Muito bem.
E ele não gritou, não falou, não se desesperou, não puxou ela da cama, nada?
Eu tô te relatando exatamente o que aconteceu.
Porque é natural, se eu chego e vejo uma pessoa que está acontecendo, você pega a pessoa.
Nada. A providência que ele tomou foi pegar o braço direito dela e tomar a pulsação.
Pulso? Eu não sei se pulsa.
Quando ele percebe que não há pulsação, ele simplesmente diz, bom, não há, não adianta nem eu chamar o resgate.
Ele não liga para o 90, o 93, o 92?
Nada. Nada, nada.
Ele faz o quê?
Detalhe, num segundo depoimento dele, ele diz que chega no quarto e que o quarto está todo esfumaçado.
É porque é um revólver, não é uma pistola, então você tem saída de fumaça com cheiro de pólvora, tá?
Posteriormente é feita uma perícia é feita a reconstituição do crime, né, e é feita uma perícia também na arma, também no ambiente fechado e tudo mais. Realmente, a arma, né, o revólver, depois de disparado, ele solta realmente os gases, a combustão. Ele realmente forma aqueles exames de pólvora, esses exográficos, para verificar se partículas de chumbo, mas aquilo pega fogo, claro, há uma combustão, então há fumaça. Foi constatado que aquela arma, né, ao ser efetuado um disparo, aquela fumaça existe, porém ela se dissipa em centésimos de segundo.
Ou seja, não teria como ele chegar, ainda tá lá o cheiro da pólvora, é possível. Né? O quarto tava fechado, mas foi feito uma simulação num local fechado, centésimos de segundo. Veja, é um homem de 70 anos que não faz atividade física, que estava em repouso, deitado, deitado, já tava deitado, acha que ela tava na cozinha, não saiu do quarto. Depois que ela saiu, a única vez que ele sai quarto é para ir fazer um lanche, segundo ele.
Então esse lanche ele come no quarto?
Come no quarto. Ele está deitado vendo TV, né?
Ou seja, até ele levantar, ele não é um jovem ágil. Pôr o chinelo, nem que vá descalço.
Mas só que foi feito também uma simulação de quanto tempo ele demoraria para chegar. Veja, nessa simulação nós não estamos na mesma situação. Eu sei que eu vou ter que levantar, né? Eu não estou em estado—
a Cinzia não tem a surpresa.
Exatamente, eu não estou em estado de repouso, porque veja, ele tava deitado já há quanto tempo? Quantos cochilos, né? Cochilou, não cochilou? Enfim, existe todo, né? Foram 14 ou 18 segundos.
Já teria sumido essa fumaça toda.
Que ele, sabendo que ia ter que andar até o quarto, né, porque ele ouviu um barulho, ele ouviu um barulho, ele poderia ter ido para sala, ele poderia ter ido para o quarto dela, porque só podia ser lá, porque o barulho era um barulho, ah bom, tiro, é, poderia ser na sala, né, realmente. Bom, enfim, então essa historinha dele, porque daí o réu começa a incrementar sua história, né.
Foi feito exame reduzidográfico nela e nele?
O que que ele faz primeiro? Ele não liga para o 90, ele não liga para o 93, ele liga para a Ana Maria.
Do telefone de casa tem alguma ligação para alguém? Tem, para Ana Maria. Ele liga, não é pelo interfone?
Eu digo assim, ele não ligou para alguém, para o telefone, ela não atende, cai na secretária eletrônica. Na época se usava secretária eletrônica. Telefone, claro, se usava muito telefone fixo também, né? Então ele liga, ela não atende, ele liga então para Rita, casada com Zé, e a Rita atende. E ele fala para Rita, olha, Rita, desesperado, normal.
Ele fala o quê para Rita? Olha, a Mel se matou, é, a Mel se matou, amanhã é o enterro, a gente vai sentar, você quiser descer para me ajudar. É isso que ele faz.
Você pode descer aqui? Ele faz isso tentando falar com a Ana e ela não atende. Ela não atende. Dá para vocês entrarem em contato com a Ana para ela me atender?
A 1:30 da manhã, o que ela está fazendo que não me atende?
Aí o Zé, eles estranharam esse comportamento dele naquele momento, mas não era a situação, né? Claro, mas qualquer um vai estranhar posteriormente.
Ninguém ainda falou que ela se matou.
É, ela se matou.
Nossa, depois dela ter conversado com a outra toda feliz que vai separar, e não disse nada.
Ela estava feliz, ela falou para as amigas que tinha falado para ele que ia se separar, falou para mãe que já tinha contado tudo para ele.
Eles descem, sobem, sei lá, chegam no apartamento, e aí?
Aí o Zé liga para Ana no telefone e no celular dela e ele interfona. Ele não satisfeito em deixar a mensagem na secretária eletrônica, ele interfona. Daí ela atende o interfone e o celular dele, fala assim: olha, a Mel se matou, dá para vocês subirem aqui?
Vamos fazer, vamos trabalhar, gente. Amiga de vocês, resolve aí. É isso. Que pessoa agradável.
Adoro teus comentários, não é? Eu acho o máximo.
Mas não é assim, eu fico imaginando a pessoa falando dessa maneira, porque eu acho que essas pessoas, elas perdem muito o controle porque elas acham que estão em controle e elas estão zero de controle. Então elas agem como se fosse algo, né, bobo.
Eu não consigo nem para fingir, né, nem para fingir.
É, pelo menos respeita a inteligência, respeita a inteligência do ouvinte, né? Pelo amor de Deus, por favor, né? Aí eles chegam lá, ele tá comendo, ele tava comendo, foi fazer um sanduíche, um lanche, é isso.
De novo, a porta está aberta, ele está na sala e ele aponta o quarto onde ela está e falou assim, ó, ela se matou.
E ele com sanduichão. Não, agora imagina só, o tempo inteiro comendo.
Aí ela vai para lá, o Zé vai até o quarto, a Ana segue o Zé, fica postada na porta, tava com luz acesa, luz apagada? A luz estava acesa, porém ele em momento algum acendeu essa luz, mas a luz estava acesa.
Só para entender o que que muda se ele tivesse acendido ou não, ele poderia ter esquecido que acendeu a luz.
Se você quer saber exatamente o que aconteceu, você não fica na penumbra, né?
Lógico, claro. E ele disse que ele não acendeu.
Sim.
E ele, porque é uma coisa que eu falo, detalhe, num depoimento posterior Ele diz que quando ele vê, ele entra, tá aquela névoa, eu imaginei um fogue londrino, né? Ele olha, ele vê um buraco na cabeça da Mel e não só um buraco, sangue jorrando.
Tudo escuro.
E fazia, é muito interessante porque ele fazia sinoplastia, né?
Sangue plof plof, faz sangue plof plof? Acho que não, nunca ouvi a Rosângela falar.
Pois é, o sangue dela fazia, né? O sangue dela devia fazer isso tudo com a iluminação que vinha da televisão.
O sangue é escuro, ela tem um cabelo preto, escuro, comprido.
Outro detalhe, ele disse que ele mede a pulsação E ela estava sem pulso. O sangue, quando para o coração, o sangue para de correr, sim, para de circular.
Portanto, não dava para fazer, o sangue já acabou, né? Não. E jorrava, jorrava, né, com o buraco.
Aí ele viu o revólver, ele conseguiu ver.
E aí ele vê o revólver do chão, segundo ele. E aí que ele põe em cima do sofá?
Ele põe em cima do sofá. Não, não, uma cama, é uma caminha, uma caminha de solteiro. O Zé entra. Quando o Zé entra, ele vê a Mel deitada. Vê exatamente as fotos que nós temos.
Eu vou botar algumas fotos, né?
Ela está deitada sobre o seu lado.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Wayfair, every style, every home. Esquerdo, sim. Esta mão, assim. Esquerda aqui por baixo tem um travesseiro. Então aquela pessoa que dorme com a mão por baixo do travesseiro, esta mão estava nessa posição e ela estava coberta na foto com a mão direita por baixo da coberta. Não, a mão dela direita aparecia. Né? E aparecia a mão, mas ela estava coberta.
Eu vi a foto.
Vamos lembrar o seguinte, nós estávamos em agosto, frio. É um lugar mais fresco, né?
Agosto é mais frio que julho em São Paulo.
Exatamente. O que o Zé vê? O Zé disse que tem dificuldade em ver a arma, que ele teve que— ele não botou a mão Mas ele viu a arma, mas porque havia um cobertor. O Zé diz que o cobertor cobria desde o pescoço até o braço, tendo somente a mão direita descoberta.
Sendo que ela é destra.
Ela é destra.
Então ela não se mata com a esquerda.
Até mesmo porque ninguém vai se matar dessa forma, né?
Até pode, mas o braço estaria aqui. O arma vai para o outro lado.
Alguém é canhoto vai usar essa mão e vai acertar a têmpora esquerda e não a têmpora direita. E o cobertor estava cobrindo esta parte aqui, tá? Isso é o que o Zé disse que viu. E a Ana também viu essa cena. A Ana só não consegue ver a arma porque, como o Zé chega muito próximo do cadáver, no caso, ela consegue ver que nesta mão esquerda tem um celular. A mão dela estava assim, o braço por baixo do travesseiro que apoiava a cabeça, esta mão desta forma com o celular aberto.
Era um celular aquele flip aberto nesta mão. O Zé diz, olha, eu vi que tinha alguma coisa na mão, mas eu não, na hora não registrei. Né, dizer. E a arma, eu não conseguia, ela não tava tão exposta. Quando você vê a foto feita pela perícia, você não vê isto. Você vê o cobertor descobrindo desde o ombro.
E por que é que não tá, né?
E não vê o celular na mão, o celular tá pousado no colchão, e você vê a arma sobre um travesseiro, que era o travesseiro que apoiava a mão direita.
E quem que organizou isso?
Bom, eu só consegui ver uma hipótese, né, uma hipótese. A Polícia Militar é chamada pela Ana Maria, porque ela chega e fala assim: você já chamou a polícia?
Não, ela achou que ia me enterrar amanhã, para que polícia? É isso?
Não, não chamei. Eu falei, mas precisa chamar. Ela aciona o 190, o 190 manda os policiais, né, encaminha.
E ele liga para o McDonald's.
Não, ele tinha ligado já antes de ligar para os vizinhos, ele liga para um sobrinho dele que mora em Cotia.
Para ele advogado, alguma coisa assim? Não sei. Ele pediu para o sobrinho levar um lanche feliz para ele, alguma coisa assim.
Pode ser, na cadeia, né? Aí Ela, a Polícia Militar chega. Segundo Zé e a Rita, que foram os dois que permaneceram até o momento em que chega a Polícia Militar, ele não entrou mais no quarto. Quando a perícia chega, esse quarto está preservado pelo policial militar. O policial, os policiais chegam, preservam o local, uma outra viatura leva o réu até a delegacia de polícia do 27º Distrito Policial.
E ele no momento não tentou abraçar ela, beijar, nada? Porque é assim o que eu falo para as pessoas: se você chegou e a pessoa está morta, não mexe em nada, porque aquilo é local de crime, para ajudar. Só que você ouviu um tiro, a primeira coisa que você chega é você pegar e puxar puxar a pessoa, tentar levar a pessoa para salvar, chamar o 90, 92, 93, que eu nunca sei qual que tem que ligar. É o 92, que é o SAMU. Mas o 93, o resgate, mas que 92 que você viu uma pessoa com tiro, você chama médico.
Ele tirou o pulso dela, né? Ele mediu.
Então ele é médico, né? E tudo bem.
Não, ele disse que qualquer pessoa Eu não sei medir pulsação. Eu tento várias vezes e às vezes eu não sei.
Às vezes aqui, quando eu tô malhando muito, que dá.
Detalhe: posteriormente à resposta de quesitos, o médico legista, indagado se a pulsação teria cessado, já é a única forma de você constatar se a pessoa está ou não morta, ele falou que não, né, que existem outros, né, você é muito mais difícil, que é a femoral e a carótida. Essa aí sim, claro, é muito mais superficial, né, ela é mais calibrosa, ela é mais calibrosa, né. E também indagado dele se era possível ter cessado o batimento cardíaco.
Portanto, ele não constatou o batimento cardíaco ao sentir o pulso dela, do sangue jorrar pelo ferimento. Ele falou impossível, justamente porque o sangue deixou de circular. Se ele deixa de circular, ele não tem como. Bom, então Eu só posso acreditar, porque daí chega a perícia, o delegado de polícia vai do 27º Distrito, vai até lá, a notícia é de suicídio, é copiado para PM um provável suicídio, para o delegado suicídio, delegado deixa o réu na delegacia e vai até a casa, ele chega até no apartamento, ele chega no apartamento a preservação do local pela Polícia Militar, e posteriormente chegam os peritos e os peritos fotografam.
Então eu não posso— duas testemunhas me dizem que esse cobertor estava cobrindo o ombro, não cobria totalmente o braço, deixava à mostra a mão. Direita. Esta mão não tava coberta, ela estava debaixo do travesseiro onde pousava a cabeça da vítima, certo? O delegado de polícia vai ao local e aciona o DHPP. Ora, você há de me perguntar, mas Solange, foi narrado um suicídio. Sim, mas o delegado tem mais de 2 neurônios.
Sim, lógico, é um crime sem autoria, na verdade. Exatamente, tem que provar até se é suicídio.
Há de se verificar o que aconteceu naquele local, porque não há— eu nunca vi um suicídio ser cometido da forma como foi. Primeiro lugar, o suicida, ele quer se matar, ele quer se matar. Eu tinha um médico legista que eu gostava muito né, o Dr. Juarez Montanaro, bárbaro, bárbaro, excelente perito, excelente. Eu acho que já entrevistei ele, ele é demais. Eu acredito que ele já esteja aposentado, ele tava muito, sim, pode ser algo assim lá 2010, 2011, esse nome é muito bom.
É que eu não posso falar palavrão aqui, mas eu vou substituir o palavrão. Quando eu tinha algum caso em que alegava-se o suicídio, ele falava, Solange, o suicida ele quer morrer, ele quer se matar, ele não quer ferrar, ele falava outra palavra, o perito. Ele não fica elaborando como ele vai fazer para enganar o perito que aquilo não foi um suicídio. Então você tem na literatura, na prática, a posição de cadáver Não sei se você vai se recordar, aquela moça que convivia com o PC Farias, que você falou...
Sim, a Solange.
Não, não era a Solange.
Não é a Solange Simone? Ah, eu sempre esqueço o nome. Eu sei, eu sei.
Solange eu não sei.
Solange é você. Ah, eu sei quem é. Eu lembro desse caso do PC Farias, que é aquela cena...
Que tem o tiro, ela dá um tiro no peito.
Mas aquilo foi suicídio mesmo?
Não sei. Precisaria ver os autos.
O que ele disse?
Precisaria ver os autos. Não, eu que estou dando o exemplo dela, né? Porque nós tínhamos um caso a examinar, eu não lembro bem, na época eu era promotora de justiça em Barueri. Então veja quais são as posições normais do suicida que se mata com um tiro. Primeiro, ele quer morrer, ele não quer se machucar, ele não quer sentir dor, ele não quer correr o risco de não morrer, ele já está buscando um meio eficiente Porque é um tiro, em princípio, na cabeça, mas não dá para dar 2, né?
Eu conheci um investigador de polícia numa cidade chamada Cardoso que ele deu um tiro e não morreu, e ele deu um tiro aqui.
Mas deve ter 2, porque eu já vi um caso de um suicida com 4 tiros.
Aí esses são ótimos, né?
Eles são persistentes mesmo, né?
Ele quer. Então esse tem que ser assim. Então você não vai dar um tiro na perna, você não. Eu sei que aqui passa uma veia femoral, vai sofrer, você não quer sofrer, eu não quero sofrer, ele já optou, ele não optou por um veneno, ainda mais com tiro, você não quer o drama, exatamente, então o tiro é dado nessa região e também dentro da boca, né, no céu da boca, paladar e nessa região, pode ser mais aqui, não aqui, esse investigador Ele era muito engraçado.
Ele deu aqui e aqui vazou, ele ficou cego de um olho, mas não morreu, né? Muito bem.
E ela é aqui, né? E ela é aqui.
O dela foi nessa região? Não, o local tudo bem.
Até daria.
O local tudo bem, mas veja como eu tô fazendo o movimento, eu tô apoiando o cano da boca, a boca do cano, desculpa, Na minha cabeça, até para poder eu ter uma firmeza maior, porque a gente sabe que o tiro vai não fazer ser trego.
Ela sabia atirar. Bom, termina isso, depois eu já vou perguntar as outras coisas.
Então chega o delegado, vê aquela cena e fala: suicídio aqui tá meio difícil, não é a posição normal, né? Não é uma situação que aparenta. Eu tinha um homem e uma mulher casados dentro daquele ambiente, no mesmo quarto, ela dormindo num quarto, ele no outro. Tem alguma coisa, né? Alguma coisa está fedendo no Reino da Dinamarca. Ele aciona o DHPP. O DHPP, né, maravilhoso, com a sua equipe de peritos, vai ao local. Quando o DHPP vai ao local, o réu já está de volta na casa.
Sim, ele já foi ouvido. Tá bom, é um suicídio. Vou voltar para minha casa. Ele volta. Então eu só posso imaginar, Beto, que quem mexeu no cadáver foi a Polícia Militar.
Ah, a Polícia Militar, porque ele tava na delegacia.
Não, foi a Polícia Militar. Talvez não tenha visto a arma direito para ver, né? Daí você vai me dizer, poxa, mas eles não são instruídos, eles não— Meu Deus! Olha, Beto, vou te dizer uma coisa, é uma dificuldade. Eu sempre falava o seguinte: nós precisamos ir aos batalhões, falar com os policiais de rua. Eles precisam vir até o fórum assistir um júri. Eles precisam saber o motivo pelo qual é tão importante preservar um local. E local de crime não é a cama, o quarto onde o crime ocorreu.
Nesse caso, o local de crime é o apartamento inteiro, é sair todo mundo daqui, subir ao prédio eventualmente. Exatamente. Então isso não ocorre. Bom, o delegado chega, aí a Ana e a Rosana— a Ana ficou muito abalada, né? A Ana e a Rosana descem para o apartamento e retornam quando o policial, o delegado do DHPP, chega. Ele manda chamar, chega lá e ela Ele pergunta o que que aconteceu, né, o que que tava havendo. Fala assim, ah, eu falaria com o senhor mais em particular, ou seja, não na frente do marido.
Eles vão até a cozinha e ela fala para o delegado, olha, me ligou e falou isso, ela me ligou e falou que tinha dito para o marido que não queria mais ficar casada e ela está tendo um caso extraconjugal. Ou seja, aquela cena inusitada, mais esse relato. Quando o delegado, quando a Ana sai da cozinha, o réu chega perto da Ana, diz que encosta o peito dele no ombro da Ana e fala: que segredinhos você tem com o delegado?
O Sérgio, danado! Ele tava comendo o quê? Uma melancia? Ah não, isso é muito leve, tem que ser aqueles bolinhos de amendoim, aquelas coisas assim. Cheetos também, eu gosto de Cheetos, deixo bem claro aqui. E fandangos eu gosto também. Mas daí ele fala para ela, ela fala o quê?
Ela fala não, e ela passa a ter medo dele. Nunca mais ela se comunicou com ele, nem no velório, nem no enterro, e nem posteriormente, porque ele continuou morando no prédio.
Ele foi para o velório?
Sim.
Como marido, como viúvo?
Sim. Segundo a mãe, não há relatos que confirmem isso. O Zé, a Ana, Rita falam: é, ele tava normal, ele tava tranquilo, né? Ele tava tranquilo, não tava abalado. A mãe diz que ele chegava a fazer piada, Chegou a falar de Pimenta Neves, né?
Esse sim é a jornalista.
Exatamente, da jornalista. Depois, quando ele é interrogado, o que que ele fala? Não, diz que ele fala assim: ah, o Pimenta Neves tá solto até hoje.
E ele tinha a idade do Pimenta Neves, hein? Quando ele já tinha 70 anos, né?
A mãe diz que ele já começa a fazer planos para futuro, que ele vai voltar, vai morar em Niterói de volta. E a mãe dela sacou na hora que a minha filha não podia se matar. Minha filha tava feliz, minha filha tava alegre. O suicida, Beto, ele quer terminar com o sofrimento, ele não quer se matar, ele quer uma dor, ele tem uma dor que só vai passar se ele morrer.
Não tira.
Então ele quer, ela não estava nesse estado, ela estava em êxtase, ela estava feliz. Se não bastasse a posição do corpo dela naquela cama, ela estava feliz. Ela não era uma pretensa suicida, sim, né? Ou seja, tudo apontava para um homicídio, nada apontava para um suicídio, nada apontava.
Perguntas até mais por conta do nosso tempo aqui.
Desculpa, me alongo demais.
Não, não tá se alongando, tá ótimo. Ela sabia atirar?
Ele disse o seguinte: que a arma era dele, que ele não via essa arma há 5 anos, que ela sabia municiar. Um detalhe super importante da arma, hein? Ela sabia municiar a arma e sabia limpar a arma. Porém, esta arma ele não via há 5 anos, ou seja, ele nunca mais de onde ele tirou essa arma. Detalhe, a primeira vez, os detalhes são importantes, a primeira vez que ele é ouvido ele diz, detalhe, os outros projéteis estavam lá no criado-mudo dele, devidamente acondicionados.
E vai com validade ainda, porque tá 5 anos, esses projéteis eles explodem assim. Estava lá, mas não explode na gaveta quando você vai pôr, ele não sai, ele falha. Exatamente isso que eu quero dizer, a umidade, umedece a pólvora.
A arma utilizada foi um revólver, um revólver com um tambor para capacidade para 5 projéteis. Somente foi municiado com um projétil.
Um único, mas ela só ia usar uma bala.
Ela só ia usar uma bala, mas eu acho muito difícil uma pessoa usar uma arma, colocar uma única bala para poder se matar, principalmente um revólver. Porque o revólver, ele tem acionamento simples e duplo. O revólver tem o cão, aquela linguetinha que a gente puxa para trás. Quando a gente puxa aquela linguetinha para trás para efetuar o disparo, eu preciso de menos força nesse meu dedo, tá? Então esse é o acionamento simples. Eu facilito o tiro para mim, eu imprimo menos força, uma força muito menor, diga-se de passagem, tá?
Como funciona o revólver? Quando eu inicio um revólver, vamos supor que eu coloque 5 balas, eu não— qual vai ser a bala que vai— a bala não, né, projétil que vai ser usado por primeiro? Não é aquele que fica na mira do cano, não é aquele que está na direção do cano, porque quando eu aciono o gatilho, o cano ele gira, ou seja, será a próxima bala que vai ser utilizada, o próximo projétil.
Não sabia.
Sim.
Então você veja, eu quero lembrar, tem que girar, só que não sei qual é a bala.
Exatamente.
Por isso que é tal da roleta russa.
Exatamente, você não sabe onde que tá. Só que quando, vamos supor, eu vou municiar esse revólver, eu abro, né? Seria muito interessante a gente É uma arma, né? Pena que ele não—
só para a gente poder mostrar, sem projétil, sem precisar matar nada. A gente tem imaginação.
Tem imaginação? Então tá bom. Você abre o tambor para você colocar o projétil ali naquele buraquinho do tambor. Vou falar termos simples, aquele buraquinho. Se eu colocar aquele projétil na mesma mira né, na alça de mira, na mira do cano, o tiro que vai ser dado é o que tá vazio. Quando eu acionar, tem que saber, sim, vai estar vazio, o outro vai estar vazio porque ele vai girar para esquerda, o outro vai estar vazio, o outro vai estar vazio.
Ou seja, eu vou apertar esse gatilho 6 vezes, né, tem a capacidade era de projeta 5 vezes até chegar no projeto.
Na última bala ferrou.
Aquela arma foi periciada, a força, ela tinha um gatilho muito duro, que a gente chama duro, 8 kg de pressão.
Aquele negócio que a gente vê em filme que faz clac, clac, clac, clac, clac, que não dá para fazer nessa arma.
Tá bem azeitadinha, né? Essa arma, segundo ele, não mexia 5 anos, ou seja, não limpava Ou seja, ela tava uma porcaria, tava dura para caramba, né? Detalhe, o cão, aquela lingueta que a gente puxa para trás, tava serrilhada, tinha caído, depois a gente ficou sabendo, e quebrou. Então mais dificuldade ainda de você puxar. Ou seja, o tiro foi de ação dupla. Veja, eu vou me matar, eu deito assim, eu apoio o meu Minha cabeça é de forma oblíqua, venho diagonal, venho com a arma, o disparo foi efetuado de 3 a 5 centímetros do alvo.
Então tava meio colado, não estava encostado. Eu puxo uma, não dá para eu puxar porque aquela lingueta você não consegue puxar, né, o cão. Aí você imprime uma força de 8 kg no dedo, no dedo. Detalhe, com o cobertor cobrindo meu ombro. Aí eu atiro, puxo o cobertor porque eu quero ferrar o perito.
E tá frio.
Não, eu quero exatamente tá frio. Eu nunca senti mais frio depois de morta. E por que que nós temos a certeza que o cobertor se encontrava realmente cobrindo o ombro, porque a mancha de sangue, quando você vê o cobertor que ele tá jogado para cá, né, descoberto o ombro, você vê a mancha de sangue na dobra do cobertor. Não tinha como, né, só se tivesse realmente jorrado e caído direitinho naquele cobertor. Por certo que não, aquele sangue escorreu pela, pelo ferimento, manchou.
Então você sabia exatamente, o local fala, o corpo fala e o local fala. O tiro foi dado a curta distância, de 2 a 3 centímetros, né? De 2 a 3 centímetros. Não havia queimadura, não havia aquele túnel, né, que me fala aquela coisa que queima mesmo, que é o túnel que vai. Na verdade, quando você atira toda aquela queimadura, todos aqueles gases, tudo aquilo, queima a roupa, vai ficar dentro do ferimento. Quanto mais você se distancia, isso a Doutora Rosângela vai poder depois explicar melhor, é, você vai tendo a imagem, né, dispersada.
Você me perguntou do residuográfico. Na mão direita dela deu negativo, mas na mão dele também deu negativo, a mão direita e esquerda. Sabe que mão deu positivo e você vai ficar à esquerda dela? À esquerda dela.
Por quê? Porque caiu a pólvora ali?
Porque ao efetuar o disparo houve a dispersão da pólvora onde estava ali. Ele tem de câmera aberta, então ele podia estar com uma luva. Detalhe, é muito interessante, eu precisaria ver quanto tempo depois, acho que 3 meses depois, quando ele é ouvido pela segunda vez, 3, 4 meses depois, ele se lembra exatamente qual era a roupa que ele usava no dia dos fatos.
Porque ninguém recolheu, ia perguntar, não pegaram as roupas dele? Ninguém recolheu a roupa que ele usava, a roupa que ele usava principalmente naquele momento que a polícia chegou, que os amigos viram.
Acha que era a roupa que ele estava utilizando no momento do disparo.
E a a morte dela foi realmente naquele momento? Ele não pode ter atirado e ligado para os amigos depois? Porque daí deu tempo até para ele tomar banho.
Chega, né? Bom, com certeza ela morreu depois que ela falou com todas essas pessoas.
Sim. E ele chama ela em torno de meia-noite e ele se liga para Ana Maria que horas?
1:30 da manhã.
Então ele pode estar atirado, então tomado banho, comido alguma coisa, tá com fome.
Alguma coisa.
Depois de matar, dá uma fome que é uma coisa.
3 meses depois, ele diz que ele estava com uma blusa cor-de-rosa, com—
e que a blusa que as pessoas reconhecem no momento que eles entram na casa, não é nem submetido a reconhecimento, porque as pessoas nem se lembram. Não, é lógico, mas pelo menos vai que alguém ali tá ali.
E ele diz para o delegado o seguinte: eu estava com uma uma blusa, um salmão, né, rosa salmão, um peixinho desenhado e um shortzinho de bolinha, tá? E eu não lavei. 3 meses depois ele ainda tinha isso impecável.
Ele fez a Mônica Lewinsky.
Não sei por quê, uma estagiária do escritório de advocacia que foi contratado por ele, diga-se de passagem, um grande escritório de advocacia, né? Tem como cabeça do escritório José Carlos Dias, não preciso dizer mais nada, né? Ela vai um dia na delegacia de polícia, leva um par de luvas, daquelas luvas, sabe aquela luva amarela que você usa para fazer faxina? Mas uma que vem até aqui, leva o short de bolinha logo depois que ele fala que ele tava usando essa roupa e a camiseta.
Claro que tudo é submetido a exame, mas nem vale mais como prova. Claro que não, cadê a cadeia de custódia, né? Quer dizer, eu vou lá e Olha, eu tava usando isso. Bom, foi feito o exame, claro que foi feito, claro que deu negativo, porque nós não sabemos nem se foi aquela roupa, nem se não foi lavada. E não entendi até hoje por que que levaram aquela luva.
A luva para dizer, olha, temos luva em casa, para você não achar que ele possa ter usado a luva. Agora, ele pode ter ouvido ela conversando com o Fernando, com o amante, com namorado.
Quando ele liga para a mãe, pedindo para que a mãe interviesse para que ela voltasse para casa, ele diz que ouviu conversas dela no telefone. Por isso que ele diz assim, ela tem um novo amor.
Então, mas eu digo, no dia da morte dela, porque ela liga para Ana Maria, ela liga para Rita, liga para Ana Maria, aí liga para ele 3 vezes, 4 vezes, ele liga para ela. Aí ele pode, ela, porque aí a gente pode alocombrar um pouco aqui. O que eu digo é que talvez ele ouvir ela conversando com o Fernando e vendo que ela ia ter uma vida plena chegasse nesse limite? Porque é um crime premeditado.
Para mim foi já, não premeditado de há muito. Ele toma ciência de que ela—
a premeditação pode ser de 2 minutos. Veja, não é de violenta emoção, não é que ela pegou uma faca e fez assim.
Se eu vou, eu tô aqui, tô nervosa, meu marido vai me deixar por uma mulher. Então ele já ouviu inclusive a felicidade dela, ela estava feliz, ela não sabe nem ouvir.
A felicidade estava, mas como ela liga para ele, até ela tá com o celular na mão, sim, ela fala para as amigas, ela fala feliz para as amigas, já falei para ele, ela estava feliz e ele não, e ele não.
Só que veja, vamos voltar a arma ele coloca uma única bala para matar alguém?
Então ele pode ter tirado também as balas do revólver, pode ter colocado sim.
Mas para quê? Para tirar suicídio?
É, mas suicídio pode ter 5 balas também, uma ou 5.
Não sei, o que eu sei é o seguinte: se foi, se ele só municiou com uma, ele sabia que ele tinha que colocar.
Ah, ele conhece revólver. Eu descobri isso quando a gente, na verdade, Eu fiz um pouco uma cena, sabe, perguntar, só tinha uma bala, porque ela me contou um pouco antes, que aí sim eu fiquei surpreso, eu não sabia dessa história de que a bala—
Ou seja, se você fosse se matar com um real, você ia apertar, dava tempo de desistir.
É, eu jamais, porque o dedo ia ficar tão dolorido. Se vieram com esse papo, Beto se matou, pode correr atrás. Pode correr atrás de polícia. Eu nunca, não, não, não, não tenho essa vocação. Mas é, uma mulher—
Não existia a menor possibilidade de ser suicídio. Tanto é que o delegado, quando chegou no local, a defesa tenta depois dizer para ele assim: sim, quantas vezes o senhor já viu suicídio? Quantos locais de crime? Ah, meia dúzia. Ou seja, ele falou assim: não, doutor. Só que o delegado foi muito inteligente, falou assim: não, doutor, mas a gente conversa com outros colegas, a gente troca informações.
Eu chamei o DHPP, eu vejo. E eu chamei o DHPP exatamente porque eu tinha Eu não sou bobo e eu não sou expert, mas eu já saquei.
Mas tolo eu não sou.
Aí ele ficou, ele ficou, foi, fez o elório, enterrou a esposa, virou viúvo dela.
Virou viúvo dela. No prédio ninguém—
ah, detalhe, ele continua morando lá.
Sabe a síndica que deu as fitas? Você falou, deu a fita. Essa síndica, quando é ouvida, ela é uma das primeiras a ser ouvida. Ela chegou, ela tava voltando.
Isso já no julgamento?
Não, não, ainda não. Os melhores depoimentos são aqueles que você pega logo nos primeiros, né? Os primeiros. Depois você começa a esquecer, a florear, a lembrar de algo que talvez fosse ou não fosse. Ela detestava a Mel, nossa, detestava a Rosana e detestava a Rita, porque ela queria saber.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Zé? Não, porque o Zé foi candidato a síndico e ela também. Ela ganhou, daí eles passaram a não conversar mais com ela.
Ai, meu Deus do céu!
E interessante que ela em juízo ela fala assim: eu duvido que isso tenha ocorrido, que ele tenha matado. Ou seja, as pessoas...
Ah, ela ainda ela corroborou que ela se matou.
Aquela segunda mulher, porque ela podia ser inclusive a segunda possibilidade, pode ser, a segunda mulher também disse que não, que jamais.
Então a segunda esposa que você falou, porque que é importante o depoimento dela?
Porque o que que ele alega? Aqui eu já me separei duas vezes, na segunda vez inclusive Ela se separou de mim e foi viver com um amigo. Nós hoje somos amigos dele, inclusive dele, e nós continuamos nos conversando. Eu não tenho— por que que hoje, por que que com ela eu ficaria tão abalada?
Porque o senhor tem 70 anos, porque o senhor vai ficar sozinho, só quer enfermeira. É errado?
Naquela época você tinha 50.
Com 50 é mais fácil.
50 eu tô bonitão, né?
Aí 70, o cara já tá desse jeito, né?
Eu tô trabalhando, eu tô bonitão, tem uns cara de 70 anos incríveis que olha para mim na rua, né? Eu ainda vou ter outras chances, né? Agora ele vê uma mulher bonita, bonita, porque todos dizem que ela era bonita. Infelizmente nós só temos a foto dela morta, mas ela não dá para você ter ela viva para o julgamento, né?
Para você ver a vida que se perdeu e não cadáver, né?
Normalmente o que que a gente faz? A gente entra em contato com a família e pede fotos, porque às vezes o cadáver está em tal situação que aquelas imagens, aquelas imagens são aquelas que ficam. Mas você precisa humanizar o cadáver.
Claro, né? Humanizar vítima mesmo. Exatamente, porque o autor tá ali vivo, ele tem mais chance de ficar tristinho, acabadinho. Aqueles que chegam com a Bíblia na mão é aquela coisa: ah, eu não queria nada disso, fui obrigado, fui levado a fazer isso.
Ele até hoje nega, nega, ele negou, falou que não era, que ele nunca. Aí vem aquela mulher defender. Vem a filha contando que ela bebia, e realmente ela bebeu naquele dia. Ela tinha uma concentração— a filha dele, que ela não tinha filha, não, a filha dele, que é a Mônica, que tinha idade dela, que disse que ela andava bebendo demais e tudo mais. Quando foi feito o exame toxicológico, né, no corpo da vítima, foi constatado que ela tinha 1,7 gramas de álcool por litro de sangue.
É uma quantidade bem elevada. Até o advogado, é tão engraçado, o advogado fala assim: bom, o senhor, falando para o legista, o senhor disse que todas as condições, ou seja, a dificuldade do acionamento do gatilho porque ele tá muito pesado, ainda mais bêbada, né? Exatamente. O senhor disse que ela estava embriagada que ela tinha, ela estava embriagada, ela bebeu bastante, ela chegou lá 7 horas da noite, ela saiu de lá entre 11 e 11:30.
Ela pode ficar mais corajosa para terminar o casamento graças à bebida, mas não a deixa mais forte, mais concentrada, mais— a gente fica—
ela deixa ela mais forte emocionalmente, o que eu falo, mas não fisicamente não. É para fazer tudo isso, aí o que o que o advogado quis dizer. Bom, ela deve ter vindo cambaleando.
Imagina, 1,7.
Para quem tem o costume de beber, meu Deus do céu, chegar em casa, o bar era encostado, né? Ela teve condição de telefonar para as pessoas, de falar com as pessoas.
Mais um motivo ainda de ela não ter conseguido fazer tiro no revólver tão complicado.
O que ele quis dizer que ela não tava tão bêbada assim, que ela chegou bem, o porteiro não viu ela mal, ela teve condição de telefonar para as pessoas. Sim, só que, Beto, essa mulher já tinha desligado isso. Se foi 1:30 da manhã, se foi 1:30 da manhã, já tinha se passado mais de uma hora desde de o último telefonema que ela deu ou recebeu. Tanto é que o Sérgio, quando o Fernando, quando chega no Apart Hotel, liga para ela para avisar que tinha chegado e não consegue falar com ela mais, né? E ela esperava a ligação. Olha aqui o celular.
E foi quanto tempo de julgamento? Porque assim, ele, ele, isso tudo aconteceu em 2007. E aí ele foi julgado, transitado em 2019.
Na verdade, assim, houve a pronúncia, tá? O promotor denunciou por motivo fútil e data máxima vênia de forma totalmente incorreta, né? Não é fútil, né? Fútil é um motivo insignificante, bobo, né?
Ela seria o quê? Como que você deveria ter estudado para mim?
Torpe, né? Olha, Beto, dificilmente você vai pegar uma denúncia minha com motivo fútil, porque o que é fútil para você pode ser o causador de uma violenta emoção para o outro, né? Ah, você é uma porcaria, você é um idiota. Isso aí não é motivo fútil. Se eu falar que isso é motivo fútil, né, o advogado vai dizer assim: não, ele ofendeu a vítima, ele deixou a vítima nervosa, causou nela uma violenta emoção, foi uma provocação, e o réu agiu na verdade logo após a injusta provocação.
Você vai criar, você vai dar munição para defesa. Além do que, não é fútil o motivo Né? Não é justo, por certo, mas não é fútil. Agora, eu ficar com raiva de você porque você vai me deixar, porque agora que você— eu que te dei tudo que você tem, porque depois ele enxovalha a memória da vítima, ele chega a dizer que a vítima, enquanto eles viviam juntos, aproximadamente há 2 anos, A vítima apareceu grávida, não podia ser dele, né?
Ele era bastante camisado. E ele diz, bom, então nós vamos ter que resolver isso, né? Porque eu não vou ficar com você criando filho dos outros.
Quando eles estavam 2 meses casados, é isso?
Não, 2 anos aproximadamente. 1, 2 anos de casados, não, viviam juntos e eles casaram depois de 7 anos. Aí ele falou, bom, então você vai fazer um aborto, né? E ela teria feito o aborto. Eu não sei se essa história é verdade. Será que não é também uma maneira de dizer, ó, ela fez uma histerectomia, né, e não teve um filho, teve um aborto, podia ter sido mãe, etc., etc.? Ele conta essa história, eu não acredito. Ele chama ela de favelada.
Eu que dei tudo para ela, mas mesmo que ela fosse favelada, por que que ela Eu dei tudo para ela, eu que fiz tudo, a mãe dela diz assim, não, apartamento na Tijuca onde eu moro, nós compramos com a venda de, enfim, um outro imóvel, eu dei tudo para ela, eu proporcionei uma vida de rainha que ela não teria, isso ele fala, não teria em lugar nenhum, ou seja, naquele momento quando a pessoa fala isso, verbaliza isso, não ia matar ela, ele tá dizendo, e agora?
Qual foi a motivação?
Cuide de mim na velhice, você vai me dar um pé? É assim mesmo?
Por um outro homem?
Por outro homem? E detalhe, gente, o Fernando não era um garotão de 40 anos, 62. Enfim, ele o tempo todo ele afirmou que ela se matou, ele continua afirmando, né? As as provas são totalmente no sentido contrário.
Ele é julgado, ele é condenado a 14 anos, mas só muito tempo depois, né? Só em 2001.
Eu não me recordo quando foi a data do julgamento, porque é o seguinte: da sentença de pronúncia, da decisão de pronúncia, ou seja, aquela decisão em que o juiz diz que realmente o caso será levado ao tribunal do júri, houve recurso. Recurso tanto dele quanto do Ministério Público, porque como eu te disse, não era motivo fútil. O promotor que fez a última audiência após o interrogatório aditou a denúncia para que constasse motivo torpe, entendeu?
O juiz afastou o motivo fútil, falou não, foi narrado motivo fútil, motivo fútil não é, né? Aí o promotor disse assim, mas eu disse qual era o motivo. E o outro recorreu por conta da pronúncia, foi ao tribunal. Ele era réu solto. Réu solto, você tem uma pauta diferente do réu preso. Você não tem tanta pressa em julgar, né? Você não tem alguém que está tendo a sua liberdade cerceada, certo? Aí houve a modificação, o tribunal deu provimento ao recurso do Ministério Público, não deu provimento ao recurso da defesa, que inclusive pediu violenta emoção.
Ó, pera um pouco, ou a minha mulher se matou ou eu agi de violenta emoção, porque violenta emoção não existe. Aí foi a julgamento, foi condenado, houve recurso novamente, o tribunal manteve a condenação dizendo que não, as provas, não houve decisão manifestamente contrário à prova dos autos, muito pelo contrário, contrário à prova dos autos, assistindo.
E ele morando lá no apartamento, ninguém sabe, né?
E aí ele começou, teve um momento em que é decretada a prisão dele, porque começa a sair, ele começa a sair com coisas do apartamento e uma vizinha vai e fala no Ministério Público, o Ministério Público pede a prisão, aí depois a defesa vem e diz assim, não, imagina, é que a mãe dele tá doente.
Ele foi preso ou não?
Foi, chegou a ser preso, foi solto. Aí, quando é dada a sentença de condenação pelo tribunal do júri, é expedido mandado de prisão, porque havia aquela decisão de que a decisão de segunda instância de órgão colegiado proporcionava a prisão para o cumprimento da pena. Houve um habeas corpus, o habeas corpus foi dado, ele ficou solto. Aí houve um recurso de embargos de declaração, posteriormente a tentativa de um recurso especial, finalizou em 2019, né?
Ou seja, 2019, trânsito em julgado. Portanto, agora expressa-se mandado de prisão.
Ele tá o quê? 2019, tava com 82 anos, é isso?
12 anos depois.
E ele tá vivo? Ele foi preso?
Feita a consulta nos bancos de dados, ele não, não há notícia de que ele morreu.
E ele foi preso?
Não.
Por quê?
Porque até hoje não se cumpriu o mandado de prisão. Por quê? Porque ele efetivamente deixou aquele apartamento, porque efetivamente a família não ficou em cima. Tem que ficar em cima.
A família dela, família da Mel, ela tem que ter esse comprometimento, sabe?
Daí você vai dizer assim, pô, mas não é obrigação da família ficar em cima? É, é, sabe? É isso, eu presenciei várias vezes. Quando a família te subsidia com informações, com fotos, com enfim, quando ela te cobra, você também tem um monte de processos para cuidar. Me diz uma coisa, já aprenderam? Você pede para o processo descer e você olha, você Juiz, olha aqui, ainda não prenderam, vamos expedir ofício, vamos atrás. Infelizmente nós não temos dois homicídios por ano.
Mas 2019 ele tava com 82 anos, 20, 21, 22, ele tá agora com 85 anos. 85 anos, é presa uma pessoa com 85 anos?
Em princípio, o que que vai acontecer, né? Existe na lei um dispositivo que permite que ele cumpra a pena. Em prisão domiciliar. Mas o caso, esse caso é bonito pela versão que foi apresentada pelo réu. Ela foi totalmente derrubada pela perícia, totalmente derrubada pela perícia. Também ajudaram as testemunhas, mas as testemunhas mais a perícia e os fatos, a história, ela tinha uma história real e ele não conseguiu controlar a história real.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Get holiday guests ready at Wayfair.com or on the Wayfair app today.
Wayfair, every style, every home.