Episódios de CRIME e MISTÉRIO c/ Beto Ribeiro

CASO GIULIA KOS - MARIDO ESPANCA ESPOSA E SEGURANÇAS NÃO FAZEM NADA - AGRESSÃO OU TENT FEMINICÍDIO?

23 de setembro de 20261h19min
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Confira os detalhes do caso que tomou o Brasil em agosto de 2026: a dentista Giulia Kos foi agredida pelo marido, o empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos. Ela alega que foi tentaiva de feminicídio. Ele diz que se defendeu. #crime #casal #mulher #entrevista #advogado #podcast

Participantes neste episódio2
B

Beto Ribeiro

HostJornalista
F

Fábio

ConvidadoAdvogado, professor de direito, teólogo
Assuntos5
  • A agressão de Giulia Kos pelo marido Ivo Vel Kos em agosto de 2026agressão no carro e na rua·omissão de socorro dos seguranças·violência dentro de casa·fuga de Giulia e acolhimento dos vizinhos
  • O histórico de violência no relacionamento de Giulia e Ivo Vel Kosprimeira agressão antes do casamento·violência sexual e física·boletim de ocorrência e divórcio·reatamento do relacionamento
  • A qualificação do crime como tentativa de feminicídiodiferença entre lesão corporal e feminicídio·intenção do agressor·ameaças de morte·uso de taco de beisebol e taser
  • A prisão de Ivo Vel Kos e o andamento do processoprisão em flagrante·conversão para prisão preventiva·denúncia por lesão corporal e ameaça·tentativas de habeas corpus
  • As consequências da agressão para Giulia e a recuperaçãolesões físicas e psicológicas·necessidade de microcirurgia no olho·dificuldade de acesso à casa·apoio dos pais e recuperação
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BRBeto Ribeiro

At participating UOL Diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil, de um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo, e com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto: que crime é esse? Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Por favor, não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, ligar sininho, marque nas suas mídias sociais, marque a todos nas mídias sociais.

Se puder, seja membro. Se não puder, tá tudo certo. Desde que você venha comigo até o final da conversa que eu vou ter com o Dr. Fábio. Ele é o assistente de acusação de uma mulher que tomou muito forte as mídias agora, principalmente no segundo semestre de 2026, quando veio à tona o terror pelo qual ela passou. Ali no dia 15 de agosto, não é?

?Voz B

Isso.

BRBeto Ribeiro

De 2026, que a doutora, porque ela é dentista, a Júlia Melo Falcão Velcos, ainda com sobrenome do marido, vou te perguntar ainda como é que está esse processo todo, que é o empresário Ivo Velcos, ela de 27 anos, ele de 48 anos, que é o terror da imagem, né? Quando você tem, eu digo, quando o crime ele é gravado, ele toma uma proporção muito maior, porque você vê de fato ali, não tem interpretação, não tem fora de contexto. Então, quando você vê o rosto daquela mulher, quando você vê o segurança que não ajudou, é tudo tão terrível que isso impactou a todos nós, principalmente uma pessoa de uma classe social mais elevada, e nós acreditamos sempre que o dinheiro traz mais sabedoria e mais humanidade, deveria ser assim, mais equilíbrio. Mas a gente viu tudo que aconteceu. Doutor Fábio, seja muito bem-vindo.

?Voz B

Muito obrigado, obrigado pelo convite.

BRBeto Ribeiro

Eu queria saber como é que o senhor entrou nesse caso, como é que esse caso chega até o senhor, tá? Até você, vou te chamar de você, tá? Para a gente falar, tem que chamar de senhor. Eu falo, eu chamo de você.

?Voz B

Você é o melhor tratamento que existe. A Dília já era minha cliente já há algum tempo, e coincidentemente ou não, para a gente tratar de violência doméstica.

BRBeto Ribeiro

Já com relação, já com relação ao marido dela, Ivo Koss.

?Voz B

Isso há alguns meses antes desse episódio fatídico ali da madrugada do dia 15. Então eu já trabalhava com ela representando os interesses dela, principalmente em outras situações também envolvendo agressões. O meu escritório chegou a trabalhar numa ação de divórcio Mas em dado momento eles reataram ali o romance.

BRBeto Ribeiro

Como toda relação abusiva.

?Voz B

Como a maioria, né? E aí até falei com alguns colegas, falei com a Dília na época e conversei até com o Ivo numa reunião que eu tive com eles. Expliquei para eles, olha, eu sou advogado, mas eu tenho um certo limite, né? Eu não consigo impor ali aquilo que eu acho que é certo. Então é um casal, são adultos. Eles sabem tudo o que aconteceu naquele relacionamento. O meu papel com a Giulia, porque a Giulia sempre foi minha cliente, nunca o Ivo, mas o meu papel com a Giulia foi sempre mostrar o que não é certo, o que está errado, quais são os direitos dela, e eu vou respeitar a vontade dela.

Então, naquele último momento, antes desse episódio do dia 15, eu converso com ela e falo, Giulia, é o seguinte, eu vou então tirar o meu time de campo, não tem problema, A gente já tinha registrado um boletim de ocorrência por uma agressão anterior, até por violência sexual. E eu falei para Dili, olha, você já sabe tudo que aconteceu, isso é importante. Você entendeu tudo que aconteceu? Ela falou, entendi. Você entendeu que você foi vítima dessa situação?

Entendi. E eu falei para ela, então eu espero muito que não aconteça nada daqui para frente, tá? Mas você tem o meu contato e eu vou rezar para que você não me ligue.

BRBeto Ribeiro

E aí ligou.

?Voz B

E aí no dia 14, que era uma sexta-feira à noite, por volta das 23:30 da noite, 14 de agosto, 14 de agosto, já era 23:30 da noite, eu tava em casa e ela me manda uma mensagem falando, fui agredida. É claro que eu não falei isso para ela.

BRBeto Ribeiro

Você fala para ela assim, espero que você não me ligue. Para ligação, quanto tempo?

?Voz B

Uns 3 meses, uns 3 meses. Doutor Christian, que trabalha comigo, eu falei para ele assim, Cris, Eu acho que a gente ainda vai ouvir falar dela, infelizmente, porque é um roteiro. É muito difícil mudar. Eu nunca trabalhei num caso em que a mulher foi vítima de violência doméstica pontual e nunca mais aconteceu. Ah, viveram felizes para sempre. É muito difícil. Eu não vou generalizar falando que isso não existe, mas eu nunca vi.

Então eu falei para o Cris, que trabalha comigo, eu falei, olha, eu acho que a gente vai ouvir falar dela. Eu não imaginei que seria tão rápido. E aí, dali a 3 meses, mais ou menos, nessa sexta-feira do dia 14 de agosto, ela me manda uma mensagem. Falando, fui agredida. Eu não me surpreendi, porque é isso, eu já sei como é o roteiro. Mas eu me surpreendi com a próxima mensagem, que era uma foto, uma selfie que ela tirou, uma foto dela muito agredida, muito machucada.

E eu falei assim para ela, Júlia, vai para delegacia, a gente se encontra lá, mas isso não foi uma agressão. Pela única foto que eu vi, eu não sabia de nada que tinha acontecido. A gente ia conversar na delegacia, mas eu falei, isso não foi só mais uma agressão.

BRBeto Ribeiro

Isso foi uma tentativa de feminicídio?

?Voz B

Na minha visão, naquele momento, já era uma tentativa de feminicídio, pela conjectura das agressões no rosto, enfim.

BRBeto Ribeiro

Até em— desculpa te cortar, mas já pegando como gancho aqui, nós não vamos mostrar as imagens da Giulia machucada. Todo mundo já viu, todo mundo já passou. Eu vi a entrevista que ela deu logo em seguida para André Assadi, uma ótima entrevista, ela estava toda— não sei como ela está ainda, ela vai vir dar uma entrevista também. Mas nós não vamos mostrar por N motivos. Primeiro, que eu acho graficamente desnecessário, porque é um desrespeito a ela, inclusive nesse momento.

O futuro vai vir e um dia ela pode se ver novamente. Nós não precisamos, não vou mostrar as imagens da Giulia machucada. Se você quiser muito ver, é só fazer uma busca no Google. E também eu não uso muito essas imagens gráficas no canal, não uso cadáver, Não uso agressão, porque eu acho que a tua conversa, o que nós estamos falando, é mais importante do que a ilustração. Bom... E aí, quando você viu isso, você falou, pelo que você viu, todos os hematomas que ela estava, a mão machucada...

A gente vai entrar em todos esses detalhes para entender qual a diferença entre agressão e tentativa de feminicídio, como que se qualifica, como que está a denúncia ainda e tal. Mas eu queria conhecer um pouco antes o seguinte, é muito interessante, porque você não entrou agora, você já estava, você já estava, inclusive, aguardando esse triste momento vai chegar. Eu queria conhecer mais a história da Júlia e do Ivo, porque ela tem 27 anos, ele tem 48.

Eu não tenho, eu não tenho problema nenhum com diferenças de idades, mas uma coisa que eu já percebo por conta do canal é que homens abusadores buscam mulheres mais novas para moldarem mais fácil a história delas, a deles, porque você em princípio tem menos tempo de vida, isso é real, e menos experiência. Ah, mas ela é muito madura. Não, você pode ser uma pessoa mais dura na queda porque que a vida te endureceu. Maturidade, experiência, exige uma coisa, mas tempo é só com o tempo que a gente faz.

O diabo não é diabo porque é mau, o diabo é diabo porque é velho. Então homens mais velhos abusadores buscam mulheres mais novas, não só pelo colágeno, mas principalmente por conta de moldarem elas mais fácil, elas acreditarem que aquela relação é amor. E aí relação abusiva tem tudo menos a palavra menos o verbo amar. Quanto tempo eles eram casados? Como que eles se conheceram? Você consegue me trazer esse resumo, essa biografia deles e do porquê que eles casam? Porque isso eu ainda não consegui conhecer.

?Voz B

Tá, eu não sei todos os bastidores, até porque quando o cliente me procura eu sempre falo, olha, não precisa falar a história da sua vida, a não ser que você queira, mas o importante é entender a parte técnica. E claro, às vezes a gente vai se aproximando mais do cliente, ele vai compartilhando. O que ela me passou sobre o caso deles é que eles tinham um relacionamento há mais ou menos 3 anos, Só 3 anos, só 3 anos. Então assim, 3 anos não de casados, né, porque tem gente que é 10 anos namorando e não, 3 anos desde o momento que se conheceram.

Então eu não sei se eles se conheceram numa festa ou num jantar, alguma coisa assim, mas se conheceram, ela reconheceu que ele era um homem mais velho, isso nunca foi problema para ela.

BRBeto Ribeiro

E tudo bem, você pode gostar de pessoas mais velhas, desde que elas sejam saudáveis emocionalmente.

?Voz B

Ela Enfim, eles se conheceram, se aproximaram, começaram a ter ali um relacionamento inicialmente de carinho, de afeto, enfim. E aí dali eu não sei o tempo que levou para eles casarem, eu não sei exatamente esse tempo, mas assim, foi tudo muito rápido, né? O que é algo que também acontece normalmente em relacionamentos abusivos, as coisas elas acontecem muito rapidamente, enfim. Geralmente o que eu vejo é isso, tudo vai muito rápido, né? O romance inicial, depois o casamento.

BRBeto Ribeiro

Bom, Ela é de São Paulo mesmo?

?Voz B

Ela é de São Paulo.

BRBeto Ribeiro

Ele é de São Paulo?

?Voz B

Ele, eu acho que é de São Paulo também. Ele trabalha com mercado financeiro, sempre trabalhou. Ela formada em odontologia, ela tem outra faculdade, se eu não me engano, mas exercendo a profissão de dentista.

BRBeto Ribeiro

E ela já tinha outros relacionamentos anteriores? Ela era separada? Qual a história dela?

?Voz B

Ela nunca casou.

BRBeto Ribeiro

Isso eu gosto, que eu vou querer muito conversar com ela, se eu passar dela.

?Voz B

Sim, sim, ela vai falar com toda liberdade do mundo. Mas eu acho que ela não foi casada antes, ela teve outros relacionamentos. E aí depois ela, na sequência ali, ela namorou algumas pessoas, depois ela conhece o Ivo e já engata um romance ali, né, se é que a gente pode chamar assim. Ela engata ali um histórico com ele e casam na sequência. Só que as coisas, elas sempre aconteceram, os episódios de violência sempre existiram. Por exemplo, ela narrou que pouco antes do casamento ela levou um tapa no rosto.

BRBeto Ribeiro

Gente, é muito parecida com a história da Rafaela Brilhante. A história é muito comum, muito, muito parecida. Rafaela Brilhante foi, só que ele era cantor sertanejo ou de forró, uma coisa assim, forró, porque é no Nordeste. Ela é dermatologista. Eles se conhecem, ele pede, ele faz um tipo romantismo para casar muito rápido, e ela leva o primeiro tapa na cara na lua de mel. Já tinha levado empurrão antes, é muito rápido, né? É mais ou menos parecida com a história da Dili.

?Voz B

Eu acho que eu tenho uma teoria do porquê que as coisas são rápidas com esse tipo de homem que é o agressor.

BRBeto Ribeiro

Mas demorava mais tempo, né?

?Voz B

A teoria que eu tenho é que se ele ficar muito tempo no relacionamento, ele não consegue convencer essa pessoa a casar, porque ele vai se mostrar, a máscara vai cair, né?

BRBeto Ribeiro

Mas ela leva um tapa logo, casou, ela levou um tapa?

?Voz B

Ela leva um tapa, não sei se era na véspera, mas assim, tava super próximo da cerimônia, ela leva um tapa. Algumas pessoas falam, poxa, Dili, mas isso aqui é um absurdo, não sei o que lá e tal. Eu sei que a coisa se desenrola de uma forma que eles casam mesmo assim. Não sei se ele fala, ah, perdi o controle, aquela história, não sei.

BRBeto Ribeiro

Todo abusador vai falar, você me deixa assim porque eu fiquei com ciúmes, eu te amo demais. Eu não sou isso, você me conhece. Não conhece nada. Pra você já tá há 3 anos, você não conhece ninguém, porque você tem que comer muito quilo com sal pra você conhecer alguém. Mas ele se utiliza dessa farsa. De novo, diabo não é diabo porque é mau, porque é velho. Então ele tem isso. Eu falei da Rafaela Brilhante, eu vou deixar no link descritivo aqui a entrevista que eu fiz com ela também, quando logo tudo aconteceu. Mas daí ela leva um tapa e ela casa mesmo assim?

?Voz B

Casa mesmo assim.

BRBeto Ribeiro

E aqui, gente, de novo, não tô culpando ela não, tá? É só para as pessoas entenderem como é a relação.

?Voz B

Mas muita gente pergunta, né? Muita gente, muita gente vai culpar sempre a vítima, não só no caso da Júlia, mas de qualquer mulher, vai culpar a mulher porque Ah, mas você já tinha um sinal, já tinha uma red flag, já tinha uma agressão. Por que que você mesmo assim foi e fez aquilo? Então você mereceu, né?

BRBeto Ribeiro

Mulher de malandro gosta de apanhar. As pessoas, a gente fala muito aqui no canal e eu não me canso de falar, e as pessoas, ah, Beto, você repete demais. Mas eu vou repetir, pode ser a primeira vez que a pessoa veja. Ela talvez não tenha percebido as red flags antes porque o abusador ele camufla tudo. Até ele ter certeza que vai dar o tapa Ele já fez ela mudar de roupa, ele já afastou ela de pessoas, ele já enclausurou ela, ele já transformou ela no mito das cavernas de Platão.

O tapa é porque ele já tinha segurança. Então muitas coisas antes. Só que relacionamento abusivo é exatamente isso: o abusador está à frente e você não percebe, tá no controle, né? Tá no controle. Então ela, o que é impressionante assim, até o tapa, sem você no Vugelado vai casar com uma pessoa que te dá um tapa? Não. Mas se você tiver lá dentro Sim, usando os mesmos sapatos da pessoa, como seria?

?Voz B

Mas então ela casa com ele e se casam, e a vida segue com outros episódios de violência. Então, por exemplo, quando nós registramos o boletim de ocorrência, isso foi nesse ano, no começo desse ano. Por que que nós registramos esse boletim? Porque ela tinha me relatado que foi vítima de violência física em uma viagem que eles fizeram, não sei se foi para Noruega, para Europa. Ela me manda foto, o dedo dela tava enfaixado, tava machucado.

Eu não sei se na época quebrou alguma coisa assim ou luxou. E aí quando ela volta para São Paulo, ela me procura agora já pensando no divórcio. Então esse é o momento que a gente prepara a nossa ação de divórcio.

BRBeto Ribeiro

Entra na história dela em 2026, 2025, 2025. Ela tá 3 anos com ele, tá 3 anos com ele. Quando que você, primeira vez que você recebe uma ligação dela, eu preciso de ajuda? Quando você começa a entrar na vida dela?

?Voz B

Foi meados de 2025, não sei se foi meio de 2025 ou segundo semestre de 2025.

BRBeto Ribeiro

Tô gravando com você agora em agosto de 2026, um ano atrás.

?Voz B

Um ano atrás, um ano atrás, já relatando agressões bem anteriores. Então ela já, nesse primeiro momento que ela fala comigo, 2025, né, ela já me traz relatos de 2024 de situações que ela passou e que ela nem entendia que aquilo era uma violência. Por exemplo, nesse BO que a gente registra, a gente registra a situação de violência física, a gente registra uma situação de violência sexual.

BRBeto Ribeiro

Isso em agosto de 2025, setembro?

?Voz B

Isso, ela me narrando no final de 25, mas a gente de fato registra o BO no início desse ano.

BRBeto Ribeiro

Ela te procura para isso?

?Voz B

Não para isso, porque assim, ela nunca quis tomar uma medida jurídica, nunca quis. Eu acho que ela me procurava mais para ter um amparo jurídico e até um aconselhamento assim, sabe? Nas primeiras vezes que eu conheci Dili, eu me sentia muito menos advogado e mais um psicólogo. Advogado geralmente a gente tem que unir as soluções, mas eu não tenho diploma de psicologia. Mas eu às vezes indicava alguns caminhos, ela falava, tipo, eu vou pensar, não sei o quê.

A vítima de violência ela também tem muito receio, né? Então, e eu sempre procurei respeitar ela. Então eu nunca falei, Dili, a gente tem que fazer isso, vamos. Eu sempre falei, Dili, a gente pode fazer isso, vamos? Ponto de interrogação.

?Voz A

Quer?

?Voz B

Se não quiser, tudo bem. Saiba que você pode, saiba que eu estou do seu lado. Ponto.

BRBeto Ribeiro

Então ela te procura lá já falando— E detalhe, ele tem uma coisa com a mão dela. Eu me lembro do filme O Piano, quando ele corta o dedo da mulher, que era o maior prazer dela tocar piano. Você quebrar a mão de uma dentista, de uma pessoa que faz— É uma maldade, porque afinal de contas é o trabalho dela.

?Voz B

A mão também, o grande problema é que a mão normalmente fica machucada, Defesa, por ser um instrumento de defesa, né? Então, por exemplo, nesse último episódio do dia 15 de agosto, quando ela narra que ela sofreu uma agressão com o taco de beisebol, ela não recebeu agressão desse taco na cara porque ela colocou a mão. Então a mão, a mão vai sofrer lesões, não tem jeito. Não necessariamente é porque o indivíduo focou a mão, às vezes ele quer.

Mas às vezes não, às vezes ele quer o rosto e você se protege colocando a mão na frente.

BRBeto Ribeiro

Mas lá atrás, o teu primeiro boletim de ocorrência que você abre este ano é referente a 2025.

?Voz B

A episódios anteriores é uma violência sexual.

BRBeto Ribeiro

E uma violência física.

?Voz B

Só que ela não sabia dessa violência, esse é o grande problema. Quando ela fala comigo, olha, vamos para delegacia, eu quero relatar esse episódio de violência física que eu sofri na viagem, etc., ela me narra outras situações. Só que ela vai me narrando com uma calma E com uma normalidade que primeiro eu escuto e depois falo, Dili, agora posso te falar um pouquinho sobre isso? Ela começa a narrar que ela era, entre aspas, forçada a ter relação sexual com ele em momentos que ela tava dormindo ou embriagada, ela não queria, mas ela meio que tinha que fazer isso.

E ela achava isso normal, ela achava que isso assim, ah, é um dos deveres da mulher, assim, sabe? E eu falei assim pra ela, Dili, não é bem assim. Você pode ter um relacionamento com uma pessoa e todos os dias você tem que concordar, você tem que consentir todos os dias, não importa se está casada há 3 anos ou há 30 anos. Se você hoje não quiser fazer alguma coisa, você não deve ceder, você tem que concordar com aquilo.

BRBeto Ribeiro

Mas é cultural, né? A mulher tem que... senão ele vai procurar lá fora. Não, eu acho que é uma mistura.

?Voz B

É uma mistura assim, se eu não ceder, ele vai me largar. Se eu não ceder, ele vai me trair. Se eu não ceder, ele vai me bater.

BRBeto Ribeiro

E é minha obrigação como mulher, como esposa, que é cultural.

?Voz B

Que a gente entra na parte do machismo enraizado na própria mulher. Então aí, quando ela me narra isso, a gente nem ia falar sobre violência sexual. Mas quando ela me narra, eu falo, Júlia, isso foi uma violência sexual, foram vários episódios que culminou numa violência física.

BRBeto Ribeiro

A violência física também existia a todo momento, porque quando ela vai te procurar a primeira vez, o que que ela vai falar?

?Voz B

Sobre a viagem. Aliás, a primeira vez era para narrar sobre o relacionamento. Depois de umas 3, 4 vezes que a gente já tinha conversado, quando ela me procura para a gente ir para delegacia, ela narra o episódio específico da violência na viagem. E aí então ela se abre e fala, nunca foi um casamento muito bacana, até porque quando eu deitava às vezes... Aí ela narrava esses episódios de relacionamento ali, de relação sexual forçada.

Eu falei para ela, eu falei, Júlia, é até importante você saber, se daqui para frente você tiver um companheiro, uma companheira, e você não quiser fazer alguma coisa, você não pode ser obrigada a isso.

BRBeto Ribeiro

E nem obrigar ninguém.

?Voz B

Exato, exato. E aí ela caiu a ficha, ela falou assim, nossa, então isso é uma violência sexual. Eu falei, sim, não uma só, várias, né?

BRBeto Ribeiro

E a violência física foi qual?

?Voz B

Na viagem, eles... Você falou que ele mandou o dedão enfaixado?

BRBeto Ribeiro

Então, ele chegou a segurar a mão dela, aí ela quis quebrar mesmo a mão, né?

?Voz B

Então, ele torceu a mão, ela ficou com a mão enfaixada, eu acho que ficou luxado na época. E ela me mandou fotos, se eu não me engano, acho que era durante a viagem, inclusive, que ela tava falando comigo. Eles chamaram a polícia ali do país, Tem foto dela sentada e os policiais na ocorrência. Virou uma ocorrência. Só que lá a ocorrência é diferente do Brasil. Então parece que lá os policiais chegaram lá, ah, não tem ninguém, ninguém faleceu, ah, então tá tudo certo.

É meio que uma briga de marido e mulher, sabe aquela história? Não mete a colher.

BRBeto Ribeiro

Lá parece que esse ditado, ele não pode ser na Noruega, tem que ser na Irlanda, porque é algum país da Irlanda faz isso. Agora Noruega, não posso acreditar que na Noruega é loucura.

?Voz B

Assim, ela chama a polícia e claro, eles na hora eles ajudaram Etc.

BRBeto Ribeiro

E na Irlanda faz isso, porque a Raquel Cantarelli passou por isso. Ela vai até a delegacia e fala, eu estou sendo abusada pelo meu marido. Eles falam, tá ok. Fez boletim de ocorrência, entrou no carro e devolveu ela para casa com o marido. Não, você pode sair. Ele é uma coisa louca, isso aconteceu com ela.

?Voz B

E eles vão trabalhar se ela aparecer morta depois.

BRBeto Ribeiro

Exatamente. Agora, Noruega, sabe, você tem uma coisa com os países nórdicos, como se eles fossem—

?Voz B

eu não sei se a Noruega Fall never arrives all at once.

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?Voz B

The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.

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BRBeto Ribeiro

Pode ser Dinamarca, pode ser que seja, é um país que não é, enfim, pensando que eles são maiores que a gente, digo humanamente falando.

?Voz B

Eu não sei também o que que aconteceu nessa ocorrência, exato, eu não sei o que aconteceu nessa ocorrência, né?

BRBeto Ribeiro

Mas fato é que foi chamada a polícia por ela ou pelos, a gente não sabe, né?

?Voz B

Acho que pela recepção do hotel, porque eles estavam no hotel, eles chegam no hotel já brigando, ele empurrando ela, e aí acho que ela pede socorro na recepção, parece que a própria recepção do hotel aciona a viatura.

BRBeto Ribeiro

E o fato é que nada aconteceu ali naquele momento, por algum motivo que ela pode contar depois.

?Voz B

Isso não virou um processo naquele país? Não, isso daí virou um registro, acho, sabe?

BRBeto Ribeiro

Mas isso que vai virar o boletim de ocorrência aqui no Brasil?

?Voz B

Isso motiva o nosso boletim de ocorrência aqui no Brasil. Um dos elementos, né? Porque quando a gente vai para delegacia, a gente não precisa se limitar a falar um episódio só, né? Então a gente narra esse episódio da viagem, a gente narra episódios anteriores, então a gente narra vários episódios, inclusive os episódios de violência sexual.

BRBeto Ribeiro

É um boletim de ocorrência para cada violência ou é um só geral?

?Voz B

É um único envolvendo várias?

BRBeto Ribeiro

Ela tem um boletim de ocorrência contra ele, é isso?

?Voz B

Agora ela tem dois, o primeiro e agora do flagrante, que na verdade não é nem um boletim, já é o flagrante. Mas ela tem, ela tinha registrado um muito tempo atrás, parece, antes de me chamar, não sei se foi por ameaça, alguma coisa assim.

BRBeto Ribeiro

Contra ele?

?Voz B

Contra ele, mas esse boletim acho que foi registrado e não deu em nada. Ele também registrou um boletim contra ela no passado. Porque assim, o que acontece? Eu acho que aqui uma interpretação que eu faço, né? Quando ele percebe que ela tá criando coragem para ir para justiça, ele também começa a se precaver.

BRBeto Ribeiro

Aí está acontecendo.

?Voz B

E não sei se as pessoas sabem, mas para você registrar um boletim de ocorrência numa delegacia, você, o papel aceita qualquer coisa.

BRBeto Ribeiro

Você não precisa provar naquele momento.

?Voz B

Exato. Claro que se depois a autoridade policial constatar falso testemunha, que você é demonstração caluniosa ou falsa comunicação de crime, né? Um dos dois. Se você vai para uma delegacia de polícia, não foi vítima e mobilizou autoridade policial e fez todo um escarcéu, exato, eles em algum momento eles podem descobrir e você vai responder por isso, né? Então assim, o que eu tô dizendo é não vá para delegacia para tomar o tempo dos policiais e achando que vou me vingar do Fábio, vou lá na praia lá para fazer o que quiser.

Não é assim. Delegacia é um ambiente sério, tem muito caso verdadeiro. Então os policiais já é um contingente pequeno que não dá conta do que existe hoje no Brasil. A gente tá falando só de violência doméstica, que assim são números enormes aqui no Brasil. Então todo mundo tem que ter responsabilidade para usar esse policial civil que está investigando um caso sério, concreto, e que vai usar o tempo para investigar o seu caso.

Então vá para uma delegacia quando você for vítima. Se você tem dúvida se você foi vítima de algum crime, consulte um advogado.

BRBeto Ribeiro

Eu procuro um advogado, no caso.

?Voz B

Exato. E aí você toma a sua medida.

BRBeto Ribeiro

Agora, esse boletim que ele fez, você sabe se virou processo ou foi arquivado? Nada aconteceu?

?Voz B

Só um registro. Nem todo boletim de ocorrência vira um inquérito policial. A maioria inclusive não vira, a maioria vira um registro. Se o crime é leve, a própria autoridade policial fala o seguinte: Você tem 6 meses para voltar aqui e dizer que você quer uma persecução penal, que você quer que a gente vá atrás dele. Mas a maioria das pessoas não volta em 6 meses. Então agora, se é um crime gravíssimo, violência doméstica, homicídio, que aí já o Estado, muitas vezes tem muita mulher aí fora que sofre violência doméstica, apanha em casa e vai para delegacia e narra o que aconteceu.

BRBeto Ribeiro

No dia seguinte ela quer tirar, ela reata com o príncipe encantado.

?Voz B

E aí é, às vezes, aí me procura e fala assim, ah, então eu fui na delegacia ontem Eu posso tirar queixa?

BRBeto Ribeiro

Hoje não pode mais, mas atrás era, né?

?Voz B

Muito tempo atrás sim, mas hoje em dia por quê? Porque como o crime é de ação pública incondicionada, basta que a autoridade tome conhecimento daquele fato que ela vai investigar, mesmo que a vítima não queira. Ou seja, eu até falo para as mulheres: você pode aparecer na delegacia, ajoelhar no chão e falar: pelo amor de Deus, ele é o homem da minha vida. Eles vão investigar o homem da sua vida.

BRBeto Ribeiro

Acabou. Que bom.

?Voz B

E vão investigar. Agora, se foi uma falsa denúncia, se não foi, isso vai ser investigado e ele vai responder na medida do que for investigado.

BRBeto Ribeiro

E como a gente tava conversando um pouco antes de gravar, as mulheres abusadas— tem homens abusados, mas a gente tá falando de mulheres abusadas, que é a maioria— elas são como viciadas em crack, é difícil sair. Porque claro que muita gente tá se perguntando agora: e ela voltou? E ela voltou? Sim, porque é um vício. É como se fosse um alcoolismo, é como se fosse um adicto com drogas, como se fosse um fumante ou quem gosta de chocolate.

É uma questão assim, você não consegue, e o outro tem o domínio mental sobre você. Sua alma já foi sequestrada, seus desejos foram sequestrados. E é por isso que tem aí, se você é formado, não é, se você tem doutorado, não tem, se você tem 40 anos, você tem 30, se você é advogado, se você é advogado, já fiz aqui delegado, fiz a uma delegada, que é a Doutora Aline, que o cara, o maridão matou os filhos e se matou. Ele era um horror.

Uma delegada que fez a delegacia de mulher. Não tem ninguém imune, ninguém. Então não adianta a gente julgar. Mas ela faz esse boletim de ocorrência. Isso vai virar um processo?

?Voz B

De qual boletim?

BRBeto Ribeiro

Esse agora, esse de agressão sexual.

?Voz B

Já virou. Isso já tava sendo, isso já é um processo. O boletim nós registramos lá para abril, abril de 2026.

BRBeto Ribeiro

Nesse momento ela se separa dele?

?Voz B

A gente, quando a gente entra com o boletim de ocorrência, quando a gente registra, né, os fatos, a gente também ajuízação de divórcio.

BRBeto Ribeiro

E ela conseguiu Maria da Penha?

?Voz B

Ela conseguiu medidas protetivas? Nós demos início ao divórcio e nós demos início a esse processo. Dali a 2 semanas eles reatam.

BRBeto Ribeiro

E quando ela consegue essa medida protetiva, ele sai de casa? Não, ela vai, ela tem que ir para outro lugar também. Não, mas ela tem uma medida protetiva.

?Voz B

Qual que é o problema de uma medida protetiva hoje? A medida protetiva é alguém falando para o agressor: olha, você não pode chegar perto, você não pode fazer tal coisa. Mas alguém fiscaliza isso?

BRBeto Ribeiro

Não, tudo bem. Mas se ela chamasse a polícia, ele teria que sair de casa. Ela não chama.

?Voz B

Parece que ele se afasta da casa por alguns dias e depois eles voltam a conviver juntos. Duas semanas depois, não sei se foi exatamente duas semanas, mas foi um período rápido, foi um período curto.

BRBeto Ribeiro

E é tirada a medida protetiva contra ele?

?Voz B

Revogamos.

BRBeto Ribeiro

Revogou. Você falou até que você conversou com ele.

?Voz C

Sim.

BRBeto Ribeiro

Foi a primeira vez que você teve contato com ele?

?Voz B

Com ele, sim.

BRBeto Ribeiro

Como ele é? Olha, como ele é e o que ele é. Ele é banqueiro, é isso? Mas eu ouvi que ele era falido, eu não entendi direito.

?Voz B

Ele trabalhou, ele fundou uma empresa no mercado financeiro, parece que ele ganhou realmente muito dinheiro assim, centenas de milhões.

BRBeto Ribeiro

E banqueiros hoje em dia estão decepcionando todo mundo. A gente achava que banqueiro antigamente era um homem sábio.

?Voz B

Não, hoje em dia não tem profissão, hoje em dia Não tem mais. Ele fundou uma empresa no mercado financeiro, sempre trabalhou com o mercado financeiro e ele ganhou muito dinheiro. Parece que ele vendeu essa empresa e ganhou muito dinheiro. Então assim, pessoas que ganham muito dinheiro ainda jovens, porque por mais que ele tenha 48 anos, hoje em dia a pessoa é jovem. Exato. Hoje em dia a pessoa é jovem.

BRBeto Ribeiro

Eu sou jovem com 52, imagina com 48 é mais ainda.

?Voz B

Vamos combinar, todo mundo é jovem. Quando eu converso com ele, que foi a única vez que eu conversei com ele, ele é sócio da Virgo, que é o quê?

BRBeto Ribeiro

Eu não entendi. É tipo essas coisas que eu não entendo, que é essas coisas digitais que eu não entro nem nisso aí, tá?

?Voz B

Fato é, ele fez muito dinheiro com essa empresa. E aí, quando eu converso com ele, ele de certa forma se mostra arrependido, mas eu não vejo ele entendendo aquilo que eu tô falando, sabe? É mais assim, ele se coloca a chorar.

BRBeto Ribeiro

Ah, mas todo abusador, na conversa, ele se coloca a chorar. Com a mulher ele é mau, com qualquer outra pessoa ele é a vítima.

?Voz B

E quando a pessoa vai presa, não sei se você reparou, sempre é doente.

BRBeto Ribeiro

Ah não, hoje em dia tá muito surto, violenta emoção, ilegítima defesa, tá muito na moda isso. Eu tenho ouvido muito isso.

?Voz B

Se ele for para cadeia, você pode ter certeza, a defesa vai falar que ele tem mil doenças.

BRBeto Ribeiro

A esquizofrenia tá do nada, tá brotando do chão.

?Voz B

É uma epidemia na cadeia.

BRBeto Ribeiro

Só que não basta você ter doença mental, você teria que estar em surto comprovado, tem uma série de coisas e tal.

?Voz B

Não, eu não vou nem entrar no que diz a lei, porque aí a gente teria que falar de inimputabilidade, enfim.

BRBeto Ribeiro

Mas ele chora para você? Isso, ele vai buscar em você uma empatia?

?Voz B

Isso, assim, eu não me sensibilizo porque eu trabalho muito tempo na área e eu, enfim, criei um coração peludo, digamos assim. Mas é, e outra, a Dília sempre foi minha cliente, não ele. Então se eu tiver que me sensibilizar é por ela, não por ele. Eu conheço o contexto dos dois naquele momento, eu sei que ele já agrediu ela, eu sei que ele já praticou outras violências para ela, então eu não vou me sensibilizar com o cheiro dele, até porque eu não percebi verdade.

Fato é, ele mais chora do que fala, e eu explico para os dois, olha, vocês aqui, vocês têm uma oportunidade. Eu já orientei a Júlia aqui, eu estou totalmente do lado dela para quando ela precisar, mas eu espero que eu não precise conversar com vocês dois novamente. Esse é o meu desejo. E expliquei para eles, agora a gente vai ter que suspender o divórcio, que vocês querem ficar juntos de novo, não sei o quê lá, as medidas administrativa, a gente tem que pedir a revogação, etc., etc.

Ou seja, a gente, quando a gente trabalha com esses casos de violência doméstica, a gente tem que aprender a se adaptar. Uma hora a gente tá aqui, outra hora a gente tá aqui, outra hora a gente tá aqui. Porque é isso, uma hora a vítima quer medidas, outra hora a vítima reatua. E assim, podem me perguntar, ah, mas Fábio, você não pode balançar ela falando assim, não, acorda, mulher, veja onde você tá. Posso, posso, mas é o meu papel?

Não é. Primeiro porque eu não quero fazer isso. Segundo porque imagina se eu faço alguma coisa e depois ela me culpa porque eu convenci ela, fiz alguma coisa. Então assim, eu quero me distanciar o máximo possível para que ela continue com autonomia em relação às decisões dela. O que eu posso fazer, o que eu faço sempre é amparar ao máximo e falar, olha, a gente pode fazer isso, isso, isso, isso. Se o cliente me perguntar, o que que você faria? Aí eu dou minha opinião. O cliente perguntou, o que que você faria?

BRBeto Ribeiro

Corre e não olha para trás, que é o que a gente tem que ouvir. Porque além de você ser advogado, você tá gelado, você não tá nas emoções, né? Então você pode, olha, cuidado, não é normal, você vai morrer, cara, entendeu? Que é o que tá acontecendo hoje em dia. Aí eles voltam, você, ele chora e fica conduído ali, puder se fazer e tal, mas eles reatam. O processo não tem como você, você tira a medida protetiva, você tira o processo de divórcio. Agora aquele boletim de ocorrência já virou uma denúncia, não tem volta.

?Voz B

Eu falei para aquele de violência sexual e violência na delegacia, antes da gente entrar para falar com a delegada, eu falei: Júlia, aqui você sabe que pisamos aqui dentro, não tem volta. O que a gente vai falar vai ser investigado, ele vai responder. Não tem, eu sei disso, sei que a gente não vai voltar atrás.

BRBeto Ribeiro

Então tá tudo certo, processo rolando, processo rolando. Eles voltaram, voltaram. Como é que é assim, a volta que ele quis com ela foi estratégica para parar esse processo, ou é a doença mesmo do abusador com abusado. Elas conseguiram ficar numa boa?

?Voz B

Eu acho que tem as duas coisas, eu acho que tem as duas coisas. Vou te confessar uma coisa que eu não falei nem para a Dília, e ela vai ver isso em algum momento.

BRBeto Ribeiro

E eu não tenho edição nesse programa, ainda mais com advogado.

?Voz B

Sem edição aqui. Quando ela fala que vai voltar com ele, a gente já tinha tomado todas as medidas, eu fiquei uns 3 dias sem querer falar com ela, assim, com vontade de bloquear.

BRBeto Ribeiro

Ficou com raiva?

?Voz B

Não com raiva dela assim, mas eu fiquei com raiva da situação, porque eu sei que tá errado, eu sei que não é o caminho certo, eu sei que ela vai prejudicar o que a gente tem feito. Então assim, a gente se frustra, né?

BRBeto Ribeiro

Lógico.

?Voz B

E eu não posso— como é que eu vou descontar essa minha frustração? É comigo mesmo, ficando com raiva e paciência, né?

BRBeto Ribeiro

É porque eu gosto de jogada. Se entrelaça dentro da história, né? Não tem como você não ter emoções.

?Voz B

Eu tenho na minha carteira investigados, acusados, e eu tenho vítimas. E inevitavelmente você se envolve muito mais com a vítima, e principalmente no caso dela, por ser uma mulher vítima de violência doméstica. Eu tenho vítimas de vários crimes, mas ela era uma vítima de violência doméstica, que eu já tinha presenciado situações. Eu falei, meu, muito difícil, muito difícil.

BRBeto Ribeiro

Mas o processo andou? O processo, ele tava com ela como assim? Ela te contava como ela tava em casa, se ele tava pressionando ela, tem que tirar aquilo? Que não, Que merda você fez!

?Voz B

Ela sumiu também, ela sumiu por algum tempo.

BRBeto Ribeiro

Acabou, voltou?

?Voz B

Ela sumiu, ela aparece na madrugada do dia 15 de agosto, que é quando eu vou reencontrar com ela. Eu fiquei uns 2 meses, uns 3 meses, exato, uns 2, 3 meses sem falar com ela.

BRBeto Ribeiro

E o processo chegou a ser julgado, esse daí? Esse, o primeiro?

?Voz B

Não, o primeiro, o que acontece, na época quando ela falou que ela ia ir, eu falei para ela, Dili, a gente tem aquele processo, precisa voltar lá. Lá para prestar esclarecimentos, para preencher um formulário, etc. Ah não, mas agora não sei o quê lá, a gente vai viajar, não sei o quê lá. Eu não queria pressionar ela, né, porque eu nunca coloco cliente na situação. Então eu falava para delegacia, falava, olha, ela tá viajando agora, agora ela não andou, não chegou até denúncia.

Não, mas vai ter agora, agora vai ter, agora vai ter, agora as coisas vão andar. Então eu fico 3 meses sem falar com ela e ela me chama nessa cena.

BRBeto Ribeiro

O que que aconteceu naquele dia 14 de agosto?

?Voz B

Bom, o que ela diz é que eles saíram para jantar. Só recapitulando, eles sempre viveram um relacionamento de violência, ponto.

BRBeto Ribeiro

Além disso, antes de entrar nesse ponto, ela falou, a Júlia relata para André Assadi na GloboNews, que foi a primeira vez que eu vi isso, que ela também tinha uma violência patrimonial, porque ele parecia como rico, mas ela tava sendo, todo patrimônio dela foi jogado, vendido para ajudar ele, é isso? Ela também teve isso.

?Voz B

Vou te contar uma informação que eu acho que eu não falei para ninguém e não comentei com ninguém sobre isso. Algumas semanas atrás, alguns dias atrás, depois do último episódio, depois das agressões, depois disso tudo, a Dília me chama, acho que faz uma semana. Fábio, olha o que eu achei. Aquilo era uma pólice de seguro de vida no nome dela, no nome dela, e ele era o beneficiário.

BRBeto Ribeiro

Claro, lógico. De quanto?

?Voz B

Não, é valor pequeno, R$100 mil. Não é, não ia mudar a vida, não ia. Mas ele nunca fez o seguro de vida, e 24 dias antes dos fatos ele faz seguro de vida para ela, dela para ele, dela para ele. Então assim, ela falou assim, ah, isso aqui é uma prova, não sei o quê. Ela falou, olha, não sei, não sei, podemos guardar isso aqui.

BRBeto Ribeiro

Uns R$3 milhões, pode ser tão rico que pode ser, porque ele tá falido ou não tá?

?Voz B

Então ela disse que ele tá quebrado, ponto. Ele tem rendimentos, mas parece que tem tanta dívida que o que entra já sai.

BRBeto Ribeiro

É aquilo que eu digo assim, você ganhar pouco ou muito depende de quanto você gasta, depende de quanto você guarda.

?Voz B

Exato.

BRBeto Ribeiro

Para ganhar 1 milhão, mas gastou 1 milhão e meio, você ganha pouco. Você ganha 5 mil, mas você gasta 3 mil, você ganha muito bem, você vai guardar dinheiro.

?Voz B

É isso. Não, a vida deles sempre foi regada a luxo, isso é fato. A fatura era absurda.

BRBeto Ribeiro

Eles moravam o quê, no Jardim Europa aqui?

?Voz B

Era no Paulistano, do lado do Aludorado, do Jardins, tá ali, tá? Um baita casarão. Então qual que é o ponto?

BRBeto Ribeiro

Então, mas ela realmente vendeu patrimônio dela para dar dinheiro para ele? Ela teve também essa—

?Voz B

que ela chegou a pagar contas, que ela chegou a emprestar dinheiro. A teoria que foi levantada—

BRBeto Ribeiro

ela vendeu um imóvel dela, tem esse imóvel, mas ela vai poder falar melhor.

?Voz B

Até para eu não falar besteira, mas tem umas questões envolvendo imóvel. A teoria que a gente levantou ali sobre esse seguro é que ele não estava atrás do valor do seguro, mas ele queria apenas um dinheiro, porque parece que ele não pode pegar dinheiro emprestado, porque o nome dele está comprometido. Então parece que ele começou a usar o nome dela.

BRBeto Ribeiro

Meu Deus do céu.

?Voz B

Então veja, relacionamento abusivo é o que a gente estava falando, ele começa primeiro, o primeiro contato ali é um romance e tal, aí ele começa a causar dependência da vítima, como? Primeiro, isola ela do profissional dela. Então, ah, você não precisa trabalhar, comigo você tá melhor, eu vou te bancar.

BRBeto Ribeiro

Mas ela trabalhava?

?Voz B

Trabalhava. Mas ele falava, não precisa trabalhar, eu vou te dar muito mais dinheiro, etc. E enfim, aí ele isola ela do profissional, isola ela financeiramente, porque aí depois ela passa a depender financeiramente dele, né? E se ela faz alguma coisa errada, ele não paga o valor que ela recebe, alguma coisa nesse sentido. Isola ela do meio familiar, do meio social. Então você vê, ela vai se isolando cada vez mais.

BRBeto Ribeiro

E ele sendo a única pessoa que—

?Voz B

quando ele fica sozinho, a única referência dele, ele entra com um segundo plano de ação. Eu tô falando ele para todos os agressores, todas as relações abusivas. Ele entra com o segundo plano de ação, que é: agora eu tô sozinho, então agora somos só eu e ela, então agora eu sou Deus e essa pessoa é um lixo. Aí ele começa a rebaixar ela. Ó, sem eu do seu lado, você é um lixo. E aí essa pessoa começa a acreditar. Isso leva um tempo para ele construir tudo isso, né?

O isolamento, essa sensação de que a pessoa é um lixo. Ah, então aí vem a pergunta: mas por que que ela não largava ele? Porque isso é muito difícil, porque é como se você tivesse saindo ali de uma ilha que você não tem um barco, não sabe nadar, né?

BRBeto Ribeiro

Porque é um vício, você não sabe que o mundo ele se transforma. É o mito das cavernas do Platão contrário. Ele pôs ela dentro da caverna e falou: aqui que é o mundo. E ela acha que aquelas sombras são o real mundo, que não sobreviveria sem ele, que não sobreviveria. E ela ainda tem que agradecer a Deus que ele No caso, vou falar mal geral, eu tô cansado de ver mulher bonita com homem feio. Isso me cansa, que é uma coisa, mulher assim não dá.

Mas eu tô falando no geral. Mas assim, a pessoa acredita e ainda precisa agradecer que aquele ser ainda olha para ela, apesar de ela ser o lixo que é, porque ele fez ela acreditar que ela é um lixo. A autoestima dela é comida, ela não existe nada. Isso aí é muito difícil. É muito difícil porque você tá isolado.

?Voz B

Quase impossível. Tanto é que a gente não tá falando só do caso da Júlia, a gente tá falando de todos os episódios aqui que eu já fiz.

BRBeto Ribeiro

Eu tenho 3.500 casos, acho que 2.500.

?Voz B

Você conhece mais do que eu, com certeza. Você conhece muito mais que eu, talvez não a parte jurídica, mas você conhece mais o meio ali da agressão. Ah, mas a mulher, pô, se a mulher for agredida, ela vai sair? Não necessariamente, não necessariamente, porque não é isso que vai fazer ela despertar.

BRBeto Ribeiro

Em relação ao abusivo dentro do trabalho, você tá com o chefe te destruindo, você não sai do trabalho. Por quê? Porque você tem abusivo, independente se tem pai e mãe abusivos, tem filhos abusivos. Agora, no caso dela, então, ela realmente pode, ela deve ter, porque na entrevista ela fala, eu vou deixar para me responder melhor, mas ela também tem esse ponto do abuso financeiro contra ela.

?Voz B

Sim, ela sofreu quase todos os tipos de violência que uma mulher pode sofrer: psicológica, financeira, física, sexual, praticamente todos os tipos de violência ela sofreu.

BRBeto Ribeiro

E naquele dia, 14 de agosto, eles saem para um jantar, saem para o jantar com um casal de amigos Aí a gente tem duas versões.

?Voz B

Eu vou falar primeiro a versão dela. A versão dela é: eles estão jantando, aí ela fala algum comentário que ele não gostou. Quando eles saem do restaurante para voltar para casa, já no carro ele explode com ela, fala que ela não devia ter falado aquilo. Ela pede desculpas, mas isso escala já para um novo episódio de violência.

BRBeto Ribeiro

É da natureza já.

?Voz B

E outra, quando você tá numa situação de violência, o abusado tá sempre errado. Sim, mas vamos até fugir agora da violência Para trazer um outro contexto, por exemplo, você tem um sequestrador e você aqui.

BRBeto Ribeiro

Ah, você fala assim, senhores, desculpa, eu tô agredida.

?Voz B

Se o cara tá armado, você pede desculpa para tudo, porque é isso, você tá, você tá abaixo, você é vulnerável, né?

BRBeto Ribeiro

Você tem que ser mais inteligente.

?Voz B

Exato, exato, você tá protegendo sua própria vida, né? Então ela age por instinto, então desculpa, tá tudo certo.

?Voz A

Só que aí já And slowly, the things you love begin to find each other. A jacket meets a dress. A hoodie slips beneath a blazer. An old cap finds a new scarf. Because you don't simply step into the season. You create it layer by layer until it finally feels like fall. Find fall your way at Ross.

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?Voz B

Ele dirigindo, começa com tapa, depois parece que ele dá soco assim lateral nela. Ele dirigindo e ela no banco de passageiro. Ela se encolhe para tentar não se identificar.

BRBeto Ribeiro

Todo mundo vai cobrir o rosto.

?Voz B

Exato. E aí quando eles chegam na rua ali da casa, ela consegue sair.

BRBeto Ribeiro

É muito longe o restaurante da casa? Só para imaginar o tempo.

?Voz B

Não é muito longe, não é muito longe, mas parece que deu ali uns 10 minutos de trajeto. Que é um terror, que é um terror. Quando chega na rua, ela consegue sair do carro. Não sei se foi com o carro em movimento ou se ele deu uma parada, ela saiu, mas eu sei que ela saiu. Ela sai completamente machucada já. E aí a gente tem as imagens das câmeras de segurança dos vizinhos ali que mostram a rua. Ela se ajoelha na calçada. Para mim, isso, esse momento é um dos momentos mais, enfim, Por quê?

Porque quando ela se ajoelha, o Ivo ele segue com o carro, vai encostar lá na frente. Nesse momento passa aquela viatura de segurança privada, o cara passa na frente dela, ela tá ajoelhada sangrando na calçada. Não é uma cena normal, corriqueira, qualquer um iria falar, né? Ele conhecia o casal, ele olha e não sai do carro e avança com o carro e vai embora. Então esse primeiro segurança não faz nada.

BRBeto Ribeiro

Já antecipando a pergunta, esse segurança e o próximo também estão sendo investigados?

?Voz B

Já estão sendo investigados. E aí também respondendo uma pergunta que me fazem: ah, mas esse primeiro segurança, ele praticou crime? Sim, exato. Na verdade, no caso dele, talvez seja até mais do que omissão de socorro, porque por ser segurança, ele por lei, ele é garantidor, ele tem obrigação. Exato.

BRBeto Ribeiro

Não é segurança de Copacabana, da Estrada da Paulada.

?Voz B

Ele realmente tinha o dever de ir naquela situação chamar a polícia. Exato. Ou pelo menos perguntar.

BRBeto Ribeiro

Ele não perguntou nada. Ela podia ter sido assaltada naquele momento. O que que aconteceu? Você foi assaltada? Cadê o cara? Por onde passou? Para pegar, né?

?Voz B

Também a cena dele dura 5 segundos. Ele passa com o carro na frente, ele diminui a velocidade ou chega a parar por alguns segundos, depois ele não faz mais nada.

BRBeto Ribeiro

Então ele no mínimo vai responder por omissão de socorro e mais esses outros problemas.

?Voz B

Eu acho que ele vai responder por mais. Agora, o que mais?

BRBeto Ribeiro

E ela se ajoelha em misericórdia, é isso?

?Voz C

Será?

?Voz B

Ela se ajoelha porque ela tá machucada, porque ela devia estar tonta, ela não sabe o que fazer. Imagina, E é uma posição de misericórdia. Eu nunca passei por isso, graças a Deus, espero não passar. Mas eu acho que naquela situação você fala, poxa, o que que eu faço? Eu vou me encolher? Eu chamo a polícia? Eu chamo socorro? Eu grito? Você não sabe o que fazer. Então ela se ajoelha e acho que num primeiro momento ela tenta se acalmar, se proteger, se enfim, vira um casulo ali.

BRBeto Ribeiro

Ela sai com a bolsa dela, com o celular?

?Voz B

Eu acho que ela não tava com a bolsa. O celular ela também não tava, porque quando ela vai tentar chamar a polícia, ainda no carro parece, ela disca ele pede para polícia e chega a tocar. Acho que eles chegam até atender na central. Na hora que ela vai falar, ele toma o celular da mão dela e ficou com ele. E ficou com ele. Então ela sai sem nada, sai sem nada, sai só com a própria vida, que é o mais importante. Ela fica ajoelhada, o primeiro segurança olha, não faz nada e vai embora.

No canto da imagem você consegue ver um outro indivíduo que depois a gente descobriu que também é um segurança, e ele fica todo momento parado assim, ele fica em pé só assistindo. Daqui a pouco volta o Ivo para cena, ela dá um tapa assim, acho que na altura do joelho do Ivo, para meio que assim, sai, sai, se afasta, não quero você perto, etc. E o Ivo vai lá com ela ajoelhada no chão, ele vai lá e dá um soco, ele de pé vai lá e dá um soco assim nela, ela cai para trás.

E o segurança olhando nesse momento, segurança ainda tá olhando. Aí o Ivo Julia pega ela por um braço e aí o segurança se aproxima. Aí quem tá vendo as imagens pensa assim, acho que ele tava com medo, agora ele vai intervir. De fato ele interveio, mas não para fazer o que ele fez. O segurança pega o outro braço da Julia e enquanto ela se debate—

BRBeto Ribeiro

o que que é falado? Não tem áudio, né?

?Voz B

Não tem o áudio gravado, mas o que a Julia nos fala é que quando o segurança chega perto, Ivo fala, eu pago o seu salário, você me ajuda.

BRBeto Ribeiro

Ele nem quiser, você tá bêbada, tá louca, me ajuda aqui, nada. Eu pago seu salário, vai do poder, do poder.

?Voz B

Enfim, tudo isso vai ser questionado, ele vai, ele vai, ele vai responder.

BRBeto Ribeiro

Bom, depois vai me contar a versão dele.

?Voz B

É bem simples, tá? Mas eu vou falar a versão dele também. Ele, cada um pega um braço dela.

BRBeto Ribeiro

Aliás, enquanto você falar isso, se a defesa do Ivo quiser dar entrevista, é só mandar email para equipe Beto Ribeiro @gmail.com. A gente entrevista todos os lados aqui para trazer a sua versão também.

?Voz B

Perfeito. Os dois pegam a Júlia, cada um por um braço, e arrastam ela para dentro da casa. Nas imagens, por que que eu foco nessa? São 3 ambientes de violência: o carro, a rua e a casa. Por que que o meu foco sempre vai para rua? Porque a gente tem, a gente tem um registro, né? No carro a gente não tem câmera, na casa até tem, mas parece que a gente não preservou, né? As imagens não foram preservadas. Mas na rua você percebe os dois arrastando ela e ela se debatendo.

Ou seja, quem se debate é porque não quer ir para aquele lugar que tá sendo encaminhado. Então ela entra na casa à força, ela grita, as pessoas escutam. Os vizinhos também serão ouvidos nos processos, a gente já até qualificou alguns.

BRBeto Ribeiro

É porque as pessoas— isso era que horas?

?Voz B

Isso era por volta de umas 11 horas da noite.

BRBeto Ribeiro

As pessoas vão entender também que não é porque gritou todo mundo sai correndo. Às vezes a gente não sabe nem de onde tá vindo o grito.

?Voz B

Sim, e tem medo também, né?

BRBeto Ribeiro

Tem medo. É uma coisa assim, é o que tá acontecendo. Eu não vou sair também porque vai que é um cara com fuzil na minha casa. É, cada um tem a sua própria família naquele momento. Você tem mais medo disso aí que a sua casa. São casas, é muito silêncio, então é muito fora do comum. Você não sabe também se tá vindo de trás ou da frente, de qual parte você tá. Eu já ouvi um grito uma vez perto do meu prédio. Eu falei assim, mas de onde tá vindo?

?Voz B

Dá para saber?

BRBeto Ribeiro

Eu vi um grito, eu falei, mas tá vindo de prédio, tá vindo da rua, tá vindo—

?Voz B

a gente não tem jeito.

BRBeto Ribeiro

Como que eu chamo a polícia? Falo assim, olha, tô ouvindo um grito. Não tem como.

?Voz B

Nesse caso, o que dá para fazer, né, caso alguém passe por uma situação dessas, se você escuta um grito, né, ou vários gritos, né, você percebe que é uma situação de emergência, você pode ligar para polícia ou para os bombeiros e falar, olha, o meu endereço é esse, eu tô escutando um grito bem próximo, não sei onde fica. E aí pelo menos uma viatura vai para aquele lugar.

BRBeto Ribeiro

Eu falei, eu moro em tal lugar, eu tô vendo por aqui, mas assim, eu não tinha como. Perguntaram onde, eu falei, eu não sei, não dá para saber. Como eu moro com muito prédio, é um problema até mesmo, acho que nem foi que também, para onde? E aí, mas nesse caso vai dar para saber a intensidade do grito, o que falou, como foi. Os vizinhos vão poder relatar isso.

?Voz B

Tanto é que são os vizinhos que ouviram que depois, quando ela consegue escapar da casa, são eles que acolhem ela. Eles já estão na rua.

BRBeto Ribeiro

Entendi.

?Voz B

Então eles, depois que ela vai para casa, né, ela é puxada à força para casa, ela continua gritando ainda, acho que ela passa por uns 40 minutos ali de gritando, de tortura, né? Ela passa por uns 40 minutos ali de violência. Gritando, batendo nas paredes, tentando ligar para o socorro usando o telefone fixo, porque o celular dela ela não recuperou. Enfim, e nesse meio tempo os vizinhos saem das casas. E aí, quando ela consegue fugir ali num lapso que deu tempo, parece que o agressor tava ligando para alguém dentro da casa, ela usa essa distração dele para sair da própria casa.

Quando ela sai da própria casa completamente machucada. Os vizinhos já estão lá para acolhê-la.

BRBeto Ribeiro

Aqueles socos que a gente vê, tudo aquilo é feito no carro, na rua, na casa, nos 3 lugares. E na casa acontece o quê?

?Voz B

Mais agressões. Então ele continua agredindo, só que aí na casa parece que ele aumenta as ameaças. Então na casa ele fala o seguinte, lembrando que tudo isso não sou eu que tô dizendo, é a Júlia que fala. Então na casa ele fala, olha, se você tentar sair, eu te mato. Se você gritar, eu te mato. Se você fizer tal coisa, te mato.

BRBeto Ribeiro

Mas ela gritava, claro, e ele não matou por instinto.

?Voz B

É, ela parece que depois de um tempo ela consegue fugir para o banheiro.

BRBeto Ribeiro

Nesse período que ela tava na casa, esse taco de beisebol vai chegar que horas aí? Na casa, na casa ele passa a usar o taco de beisebol, porque beisebol, porque parece que foi encontrado esse taco, tava na casa e foi encontrado, foi encontrado.

?Voz B

Não foi, não foi no momento que deveria ser periciado, não foi Sim, mas existe esse taco, ele vai ser apreendido e vai ser periciado. Mas o ideal nessas situações é que o objeto seja apreendido na hora. O taco a gente foi recuperar 5 dias depois, só quando ela volta para casa. Bom, mas daí então dentro ele vai pegar esse taco, ele pega o taco, e aí tem aquele momento que ele tenta agredir ela e ela coloca a mão na frente. E é nesse momento que quando ela coloca a mão na frente ela machuca muito a mão.

É nesse momento que parece que ele sai para fazer uma ligação, alguma coisa assim, e ela sai para correr para se esconder no banheiro. Então nesse momento que eles separam, mas antes disso parece que ele continua agredindo ela com socos, com chutes, e ele também usava um taser de choque.

BRBeto Ribeiro

É uma tortura, mano. E quem ligou para ele? Ou ele ligou para alguém já para organizar a situação?

?Voz B

Ela não contou para mim.

BRBeto Ribeiro

No meio de uma situação dessa, ele atendeu uma ligação, fazer uma ligação? É porque a minha sensação, se eu fosse escritor de uma ficção, colocaria ligado a história. Ele já ligando para alguém falando, ó, tá louca aqui, eu tô tendo que me defender já, sabe?

?Voz B

Pode ser tudo.

BRBeto Ribeiro

Agora sim, não sei se é isso.

?Voz B

Para nós, isso, a ligação não é importante porque os crimes já estão configurados. A gente, mas para ele, acho que se eu fosse investigador, eu ia querer entender.

BRBeto Ribeiro

No meio disso tudo ele para para atender uma ligação ou fazer? Por quê?

?Voz B

Eu ia querer entender com quem ele falou, quanto tempo dura essa ligação e o que foi falado nessa ligação. Se era a ver inclusive com aquela Se não fosse, seria bem estranho também, né?

BRBeto Ribeiro

Principalmente quem é, sei lá, vamos dizer assim, se fosse uma ficção, ele poderia estar ligando para alguém vir pegar o corpo, para matar, para alguém que tem poder, para alguém ligado à polícia, como foi, por exemplo, o caso da PM Gisele.

?Voz B

Sim, liga para o desembargador.

BRBeto Ribeiro

É, ele liga para o desembargador. Então assim, ele tinha um motivo para ligar para o desembargador.

?Voz B

Agora, eu não sei o que seria pior, porque agora imagina se ele, depois de todas as agressões, ele só liga para um amigo para falar sobre o dia. Ah, não sei o quê.

BRBeto Ribeiro

Não, é muito estranho. Aí desculpa aqui que essa ligação não cai bem nesse momento, porque o cara tá ali em cima da mulher. E é indiscutível que existe sempre prazer nessas, nesses casos, como geral. O autor, ele tem prazer, é um prazer sádico, mas ele tem o seu prazer, senão não faz, senão tem dor, senão ele sabe a dor que é.

?Voz B

Mas aí ela se esconde no banheiro, ela tenta, ela pega, acho que o telefone fixo, e vai para o banheiro. Quando ela tenta fazer ligação, acho que tava sem bateria. Ninguém mais usa telefone fixo hoje em dia. Mas ela tem, porque quando ela me falou isso também falei, mas gente, Achei que tem. Vocês poderiam ter 10 celulares de última geração, você tem um telefone fixo só se for para fazer um museu próprio em casa e para valorizar.

Enfim, ela não consegue fazer a ligação. Parece que ele chega a bater ali na porta várias vezes e aí ele se afasta nessa ligação.

BRBeto Ribeiro

E as pessoas ouviam gritos dele também?

?Voz B

Eu acho que sim.

BRBeto Ribeiro

Dava para ouvir?

?Voz B

Eu acho que sim. Eu não falei com nenhuma das vizinhas.

BRBeto Ribeiro

Mas o silêncio ali deixa o grito ainda mais alto.

?Voz B

Era o horário de madrugada já, né, de descanso. A rua É uma rua super residencial, não tem comércio. Então assim, é fatalmente tranquilo.

BRBeto Ribeiro

Jardins, jardins de verdade, não é os jardins do Airbnb. É os jardins do— quem conhece São Paulo sabe muito bem o tipo de casa que tem lá.

?Voz B

Exato. Bom, fato é, ela percebe que ele se afastou da porta do banheiro, parece que ela abre a porta, percebe que ele tá num outro ambiente afastado. A casa ela tem 4 andares ou 3 andares, eu não sei em qual banheiro que ela tava, mas ela de alguma forma ela calcula ali a rota que ela tem que fazer, ela fala, pô, eu tenho alguns segundos para sair viva. Porque ela falou a todo momento para mim, se eu não fugisse, eu estaria morta. Isso é uma frase muito, muito chave desse caso. Por quê?

BRBeto Ribeiro

Porque mais tarde, quando a gente vai para delegacia, ela sai de casa, ela consegue fugir, ele não vê ela fugindo, ele não vê.

?Voz B

E aí quando ela sai da casa, os vizinhos já estão lá parando ela. Na sequência ali dali alguns segundos, Aí sim ele percebe que ela não tá mais no banheiro, ele sai. Quando ele sai, ela já tá amparada pelos vizinhos, e aí as pessoas já distanciam ele dela.

BRBeto Ribeiro

Ele fala o quê para essas pessoas? Ah, bom, ainda não sabe, vão ser ouvidas.

?Voz B

Vão ser ouvidas. O que eu sei é que ela consegue ligar para os pais dela, os pais dela vão até lá, isso é super rápido, coisa de 20 minutos, meia hora eles chegam. E quando eles chegam, a primeira coisa que ele fala para os sogros, né, que são os pais dela, é é, ó, tá vendo? Olha o que sua filha fez. Qual que é o Pix de vocês? Quanto para a gente acabar com isso agora? Então assim, aí o pai dela vai para cima dele, mas acho que a polícia já tá no local, separa, né?

E graças a Deus o pai dela também não tem que responder por isso. E aí eles são encaminhados para DDM, para 4ª DDM.

BRBeto Ribeiro

Aí que te liga, ela te liga.

?Voz B

Aí não, ela me liga antes da rua, ela me manda foto falando, olha, tô indo para DDM. Dede. Eu falo, te encontro lá. E aí eu entro na cena. Quando eu chego na Dede, ela tá completamente arrepiada.

BRBeto Ribeiro

Como é que foi? Porque é assustador como ela ficou.

?Voz B

Eu não sabia nem como acolher ela primeiro, em primeiro lugar, porque ela veio em minha direção daquele jeito para delegacia.

BRBeto Ribeiro

Ela não foi para hospital, nada. E ela não pode, não pode.

?Voz B

Tem que fazer, tem que fazer o EML, tem que ir para o EML fazer o exame. Então ela não poderia ir para o hospital jamais. A gente tem que— é ruim falar isso, mas a gente tem que, entre aspas, preservar aquele machucado para o exame.

BRBeto Ribeiro

É muito normal homens nesse momento também tentar fazer uma agressão sexual. Ele tentou?

?Voz B

Não, não, nesse dia não.

BRBeto Ribeiro

E ela vai daquele— quando você viu ela, tá completamente deformada.

?Voz B

Então, deformada, e ela vem para me abraçar.

BRBeto Ribeiro

E eu falo assim, quando eu vi essa mulher, me deu vontade de chorar.

?Voz B

Imagina você conhece, é uma loucura, é uma loucura.

BRBeto Ribeiro

Eu já trabalhei em casa de violência. Eu até dei uma— eu fiquei imaginando se fosse minha sobrinha.

?Voz B

É melhor nem imaginar, sinceramente, eu acho melhor nem imaginar. Porque assim, pessoalmente, era muito feio. Ela tava deformada assim, o rosto dela tava alterado, tava tudo deformado. E ela veio até me abraçar, eu falei assim, Dili, eu não vou nem te abraçar porque eu não sei aonde você tá machucada. Então assim, eu cumprimentei a mão esquerda dela porque a direita tava machucada também, e a gente começou a trabalhar.

BRBeto Ribeiro

Mas deram algum remédio para ela de dor, alguma coisa? Nada, coitada. Meu Deus do céu, que dor.

?Voz B

Ficamos 3 horas na delegacia. 3 horas.

BRBeto Ribeiro

Não era uma Novalgina para menina, gente?

?Voz B

3 horas sem sequer um copo d'água.

BRBeto Ribeiro

Mentira! Mas por que que a delegacia fez isso? Nunca faziam.

?Voz B

Normalmente eu falo isso para Júlia, eu falo para muita gente, normalmente o ambiente policial, ele, ele, eles nos tratam muito bem, principalmente delegacia da mulher. Delegacia da mulher é um ambiente melhor, acolhe mulher, dá um café, dá uma água, enfim. Nesse dia não, nesse dia não. Nesse dia a gente ficou 3 horas Demorou para ela ser chamada para ser ouvida. Aí quando ela foi ouvida, ela foi ouvida pela metade. E aí as declarações dela acabavam assim: ah, então ela entrou na casa e foi agredida.

Eu falei: não, mas calma aí. Porque eu como advogado, a gente tem um princípio que a gente não pode falar na oitiva, a não ser que seja muito necessário. Mas é o momento da vítima ou do acusado com o escrivão, com o delegado, ponto. Então eu fico lá mais para garantir nenhum abuso de autoridade, nenhum constrangimento. Só que quando o relato acaba, eu falo assim, doutora, com todo respeito, mas a gente precisa terminar essa história.

BRBeto Ribeiro

Mas o que que tá faltando? Eu falei, o final, o final, a tipificação do crime depende desse final.

?Voz B

Por que que ela foi agredida na casa? Ok, a gente sabe que parou a agressão, que ela tá aqui hoje contando a história, mas por que que parou? É porque ele desistiu? É porque ele só não tomou um vinho? Ou é porque ela fugiu da casa e quase morreu?

BRBeto Ribeiro

Porque se lá ela estivesse, ela poderia ter terminado morta.

?Voz B

Exato.

BRBeto Ribeiro

A gente não sabe o desfecho que seria.

?Voz B

Exato.

BRBeto Ribeiro

Aí ela— e aí?

?Voz B

Aí a gente inclui isso no relato dela, né? Então, por favor, a gente tem que colocar o final dessa história e colocar também que ela foi a todo momento ameaçada, que ela morreria, que ela morreria. Se fizer tal coisa, você morre. Se fizer tal coisa, você morre. Por que que isso é importante? Aí já respondendo aquela pergunta que a gente falou no começo, né? Qual que é a diferença da lesão corporal, nesse caso qualificada, para tentativa de feminicídio?

Principalmente a vontade do agente, a intenção daquela pessoa. Só que a gente tem um problema no direito, a gente não sabe a intenção. Eu não consigo entrar na sua cabeça e falar assim, ah, putz, o Beto tá pensando nisso, nisso. Não dá. Então como é que a lei, como é que o juiz interpreta a intenção daquele agente, que é o dolo, né, que a gente chama? É pelo que ele fala e pelo que ele faz, ponto. Então, por exemplo, exemplo, a defesa dele vai alegar o seguinte, supondo, tá?

Ah não, porque ele agiu em legítima defesa. Eles podem alegar? Podem. Vai funcionar? Na minha visão, não. Porque se você juntar o que ele fala e o que ele fez, não fecha, não fecha.

BRBeto Ribeiro

E ele leva ela para dentro da casa. Então assim, quem que tá em legítima defesa e leva o autor para dentro de casa?

?Voz B

Exato. Então assim, a legítima defesa foi um exemplo esdrúxulo que eu dei. Agora vamos focar na defesa de que ele só só praticou a lesão corporal, tá? Será? Pega o que ele falou durante mais de uma hora, né, do carro, na rua, em casa, pega tudo que ele fez. Isso é uma conduta e é uma fala típica de lesão corporal? Não, não é.

BRBeto Ribeiro

É uma discussão muito importante. A Solange Beretta, sempre a gente conversa aqui, a Solange Beretta, promotora que participa do canal, e ela traz uma lucidez em certos momentos que eu fico até angustiado, porque eu falo, meu Deus do céu, realmente o direito tem que ser gelado. Onde vai a agressão? Mas uma das coisas que, assim, casos como de agressão, como a da menina do Rio Grande do Norte, que está sendo tratado como tentativa de feminicídio, ou da moça de São Vicente Santos, que essa de fato é uma tentativa de feminicídio, sem dúvida nenhuma, ela foi largada lá porque ele achou que tinha matado, né?

E as penas de agressão têm que ser aumentadas, isso é fato, porque no universo hoje que a gente tá com Red Pill, isso, aquilo, tal, os homens sabem já das leis. Então você tem homens batendo em mulheres com câmera para que a câmera seja primeiro prazer para ele dar play sem precisar ver, para vítima ser humilhada toda vez que alguém der play. E terceiro, como prova, foi tentativa de, foi lesão corporal, não tentativa de feminicídio, uma vez que ele parou.

Então você tem assim o agente e até onde iria. Então muitos homens hoje estão usando as câmeras dos elevadores sabendo disso, sabendo. Tem um caso de Brasília que o cara foi agressão, e qual é, leve, moderada, porque é o físico que diz, né? Então só quando sai o laudo a gente vai saber se é uma agressão.

?Voz B

Não é o laudo que diz, na verdade. Muita gente acha que o laudo por si só ele vai comprovar a natureza.

BRBeto Ribeiro

Depois, porque Se ela, se é, por exemplo, meu marido passou, ele foi atropelado, o caminhão de lixo parou em cima do pé dele, ele teve que amputar o pé. Ali não tem dúvida que é uma lesão corporal gravíssima, porque não tem como voltar. Agora, porradas, tem que ver o que que ficou de lesão física, e às vezes demora, né? O problema é que não se enquadra na lesão corporal a mente.

?Voz B

Exato.

BRBeto Ribeiro

O trauma, o psicológico, isso não, só fica no corpo. Então o olho voltou, mas a mente não. Essa mulher nunca mais vai conseguir confiar no homem, vai morrer de medo. Então isso não é levado. Então isso eu acho que a Solange sempre fala disso, eu concordo, que a lei da lesão corporal tinha que ser alterada. Primeiro, na penalidade, ela tinha que ser altíssima. E segundo, abarcar também o mental.

?Voz B

Devia se chamar lesão, não lesão corporal. É a questão humana, devia ser lesão.

BRBeto Ribeiro

E uma vez eu tava conversando com desembargador sobre o caso da Daiane, que é a mulher que que que capou o marido noite de Natal e ela com uma navalha na mão e eu fiquei perguntando mas não é uma tentativa de homicídio porque ele falou mas como foi o caso eu contei a história ela vai tal corta o membro do homem lá e joga na privada da descarga.

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BRBeto Ribeiro

Carga e ele sai correndo. Ele é à la par, ele sai correndo pela rua e vai para o hospital. Ele falou, não, isso é lesão corporal gravíssima. Eu falei, por quê? Ele tinha uma navalha na mão, ela tinha uma navalha na mão, se ela quisesse, ela cortava o pescoço dele. Eu falei, putz, tem uma lógica, mas e se o cara morresse? Mas daí ele falou, aí é uma outra história, aí você vai com o fim. Eu falei, gente, é verdade. Neste caso aqui, você traz como a tentativa de feminicídio muito o fato de ele falar, eu vou te matar, eu vou te matar, é isso?

Porque ele de verdade, ele ficou 40 minutos com ela dentro da casa, casa. Ele podia ter pegado uma faca, ele podia, mas ele pega o taco de beisebol, ele tenta macetar a cabeça dela, ela se defende. Mas onde você vai conseguir dentro dessa beleza que é o direito, do, da, da, eu chamo de um ringue, né, argumentativo?

?Voz B

É uma baita pergunta essa, tá? Até parabéns pela pergunta, porque ninguém me fez essa pergunta. A primeira estratégia que a gente usa é afastar um crime que existe. Então, por por exemplo, por que não lesão corporal? E a gente explica que a lesão corporal ela existe em momentos pontuais, numa situação de reação, isso quando a lesão é dolosa, né? Nesse caso, como é que a gente começa a desconfigurar a lesão corporal? Poxa, a gente tem 3 ambientes de violência diferentes: o carro, a rua, a casa.

A gente tem as falas, né? Então é o que eu falei, a intenção do agente ela é muito considerada, né, para a gente tipificar o crime e lá na frente para ele ser condenado ou Tudo isso é considerado. Aí agora, sobre a sua pergunta, ele ficou 40 minutos com ela na casa. Eu podia ter colocado, jogado, será que ele poderia ter matado ela nos primeiros 2 minutos usando a faca? Para quem pretende, é uma pergunta ótima, e a resposta é sim, ele poderia. Mas só porque ele não fez isso significa que o crime tá afastado? Não.

BRBeto Ribeiro

Ela fugiu, ela fugiu.

?Voz B

Mas aonde eu quero chegar, se eu fosse advogado dele, eu não poderia simplesmente alegar assim, ah, não é tentativa de feminicídio, porque se ele quisesse matar, ele teria matado nos primeiros 2 minutos.

?Voz C

Minutos.

?Voz B

Só que o crime não fala, olha, tem que tentar matar nos primeiros 2 minutos. O crime é tentar matar em qualquer momento.

BRBeto Ribeiro

Existe uma coisa, então é maravilhoso, porque assim, se ela não tivesse fugido, exato, aí a teoria do ser, o intento homicida dele pode existir depois de uma tortura de 40 minutos, porque tem gente que tem prazer.

?Voz B

Exato. Então assim, as pessoas têm que entender que homicídio é aquilo, homicídio que você vai lá, pega uma arma de fogo, atira e acabou. Não, às vezes a pessoa quer matar.

BRBeto Ribeiro

Esse é o mais fácil de dizer que é.

?Voz B

Exato. Mas a pessoa às vezes ela quer matar, mas antes ela quer torturar, antes ela quer machucar, antes ela quer—

BRBeto Ribeiro

Não cabe um cárcere privado aí não?

?Voz B

Ah, cabe muita coisa. A gente conversou, a gente tá agora com a Doutora Gabriela Lanzoni.

BRBeto Ribeiro

Porque ela não quer, ele põe ela pra dentro.

?Voz B

Exato, então assim, se a gente fosse separar todas as condutas que poderiam ser enquadradas, a gente tem, claro, a lesão corporal, isso é fato, a gente tem o cárcere privado ou eventualmente até um crime de sequestro. Por que sequestro e não cárcere privado? Porque ela tava na rua.

BRBeto Ribeiro

Ela tava na rua e ele levou pra dentro.

?Voz B

E ela foi arrastada pra dentro. O crime de sequestro é mais grave.

BRBeto Ribeiro

É pior do que o caso de sequestro.

?Voz B

Exato, exato. Sabe o crime que é pior do que tentativa de feminicídio? Tortura.

BRBeto Ribeiro

Ele é, né? Como penalidade mesmo?

?Voz B

Como penalidade e como julgamento. Quer dizer, como julgamento aí depende, porque o crime de tortura ele é um crime gravíssimo, imprescritível, inafiançável, etc. E quem vai julgar esse crime lá no final é um juiz togado.

BRBeto Ribeiro

É, não tem júri. Não tem júri.

?Voz B

Se for tentativa de feminicídio, vai para júri.

?Voz C

Júri.

BRBeto Ribeiro

O júri é júri, o júri é júri.

?Voz B

Eu já trabalhei em júri, tem júris que, enfim, cada júri é júri.

BRBeto Ribeiro

Agora você tem um risco muito grande, que é, a Doutora Solange Britta fala, cabeça de júri e fraude, a gente sabe.

?Voz B

Exato, é muito difícil porque o júri ele é muito complexo, partindo do pressuposto que tudo começa, né, com o caso, etc., o crime, a parte técnica a gente sabe, só que o júri começa, primeiro ato ali do plenário do é o sorteio dos jurados. E nesse momento a defesa já trabalha. Por quê? Porque você pode negar 3 jurados sem motivo nenhum. E aí você recebe a lista prévia e você começa a estudar, lógico, qual jurado pode me ajudar.

BRBeto Ribeiro

Exato, o cara vai julgar em cima da vida dele, das convicções pessoais dele, exato, da religião dele, do que ele passou. Ele se coloca no lugar do autor ou no lugar da vítima. É terrível porque ele é humano. E dentro da sua humanidade, não é a humanidade no total. E sim, muita gente fala assim, ah, mas ele tá indo para latrocínio, a gente quer o júri popular. Porque latrocínio dá pena muito mais forte, demora só um ano de tudo mais, e é juiz togado que geralmente tem uma caneta pesada na dosimetria.

Eu, se acontecesse, Deus me livre, alguma coisa, Deus me livre, eu trabalho com crime, eu não quero viver o crime, eu preferia que fosse menor, porque tudo é pior e tudo é melhor para vítima. Mas as pessoas não entendem muito isso, acham que ir para júri vai ser tudo maior. Não, é o que você falou, a tortura é um crime muito mais forte, muito mais grave, o sequestro.

?Voz B

E aí você junta todos os crimes, né? Você junta todos e enfim, você vai ter o concurso de crimes, penas somadas, etc.

BRBeto Ribeiro

Mas ainda não saiu denúncia, a denúncia do primeiro caso já saiu.

?Voz B

Aliás, a denúncia do flagrante das agressões do dia 14 já saiu, já foi Lesão corporal qualificada e ameaça, mas não tentativa de feminicídio. Não, mas como eu falei algumas vezes para Júlia, para alguns colegas, cabe o aditamento. Então a gente tá trabalhando no processo para quê? Para mostrar que muitos dos elementos que existem no processo, né, no caso, não foram investigados ainda. Os vizinhos, os pais, a arma.

BRBeto Ribeiro

Por que que ele foi preso?

?Voz B

Porque ele está preso, ele foi preso em flagrante porque o crime não comportava fiança em razão da pena, por ser lesão corporal em sede de violência doméstica, a pena é um pouco mais alta. O delegado, ele não poderia arbitrar a fiança ele próprio. Se ele pudesse, ele estaria solto. Mas por ser violência doméstica, a lesão corporal ela tem um aumento de pena, então uma lesão qualificada, né? E aí, por conta disso, só por essa matemática jurídica, o delegado não pode arbitrar fiança.

Então ele tem que ficar preso, ele fica preso, ele passa pela audiência de custódia. E na audiência de custódia, quem poderia arbitrar uma uma fiança é o juiz da custódia. E a gente sabe que o juiz converteu em preventiva.

BRBeto Ribeiro

E preso ele está ainda?

?Voz B

Preso ele está.

BRBeto Ribeiro

Aqui no Pinheirão?

?Voz B

É, parece sim.

BRBeto Ribeiro

Não foi nem para o Tremembé? Será que ele entra na 4ª temporada de Tremembé? Porque vai saber. Então, por isso que ele tá, porque tem uma somatória, tem um cálculo, né, para pessoa ficar presa. Não é tão simples, não é qualquer crime que a pessoa ganha uma preventiva.

?Voz B

Não, assim, eu até falo, brinco É difícil ser preso hoje no Brasil, tá? Não é fácil, é difícil ser preso. Você pega, a gente tem 350 crimes mais ou menos, tá, tipificados, Código Penal mais leis extravagantes. Quantos dão cadeia mesmo? 29. Ah, mas então como é que você pode ser preso? Bom, primeiro você vai ser preso se você for condenado lá na frente no processo a uma pena privativa de liberdade acima de 8 anos. Aí você vai para o regime fechado, porque se for abaixo é Certo?

E a prisão, por exemplo, a prisão preventiva ou temporária, essas duas prisões são prisões processuais. Por que que elas existem? Elas existem para garantir que aquele processo vai seguir conforme o que diz a lei. Então quais são as hipóteses que você pode prender uma pessoa? Porque nesse momento ele é inocente, ele não tem uma condenação definitiva.

BRBeto Ribeiro

Então ele não tem nenhum boletim de ocorrência anterior, antecedente criminal, de novo, só o dela.

?Voz B

Não, mas tem outras coisas Teve um caso também de um rapaz numa sinagoga que foi agredido por ele. É um caso que tá envolvendo também uma acusação de tentativa de homicídio.

BRBeto Ribeiro

Ô meu Deus, envolvendo ele também, faz poucos meses, faz poucos meses, pouco antes dele fazer. Pouco antes disso, o homem tá agredindo, hein?

?Voz B

Tem bastante processo, tem bastante processo, e todos envolvendo violência, né? Então assim, aí você pega, por exemplo, quando o juiz vai avaliar aquela prisão em flagrante, né, que ele vai ficar preso só uma madrugada para ir para custódia. Na custódia, o juiz, ele pega aquele preso, o que que ele vai falar? O juiz não vai falar sobre o fato, não vai falar sobre o cara, mas se agrediu, não agrediu. Ele só, o juiz da custódia, ele só vai avaliar se essa pessoa pode ou não responder em liberdade.

E é o que que ele vai ponderar? Vai no mérito do caso, ele vai só olhar, ele nem quer saber do caso, quer saber se ele foi preso direitinho, ele quer saber se essa pessoa tem antecedentes. Aliás, primeira pergunta é: você foi agredido pelos policiais? Fizeram a prisão, te da forma correta, sem esculacho e tal? Não, sim. Aí eles vão apurar os antecedentes dessa pessoa, se ela tá respondendo outros processos ou não. Eles vão apurar a gravidade, só a gravidade do que aconteceu.

Então nesse caso, putz, ele bateu na mulher, agrediu, quase tentou matar, não sei o quê lá. Ele oferece risco para mulher? Sim. E eles vão ponderar qual que é o risco que ele oferece para vítima, para sociedade, porque de novo De novo, Dília não foi a única agredida, tem o caso da sinagoga. E principalmente para o processo, qual que é o risco que essa pessoa oferece?

BRBeto Ribeiro

Velcoso, eu queria lembrar o sobrenome.

?Voz B

Então o juiz, considerando tudo isso, ele pode converter o flagrante em preventivo.

BRBeto Ribeiro

Como é que ele foi preso assim? Ele, como ele foi, ele entendeu que ele foi preso na hora? Você tava ali na hora que eu não falei com ele, né?

?Voz B

Ele já tava com advogado dele na hora.

BRBeto Ribeiro

Você viu ele sendo preso?

?Voz B

Ele foi, eu vi ele na delegacia, ele tava lá sentadinho, tava quieto.

BRBeto Ribeiro

Mas ele entendeu o que aconteceu?

?Voz C

Imagino.

?Voz B

Eu acho que não, tá?

BRBeto Ribeiro

Ele perguntou se alguém queria o Pix, porque é uma coisa dentro da natureza de pessoas assim, as pessoas vão fazendo novos crimes, né? É uma coisa impressionante. Como foi? Eu gostaria de saber como é que foi para ele o momento, porque eu falo o seguinte, classe média, classe média que eu digo, classe média da vida, entenda uma coisa, a cadeia só é boa para quem é criminoso de carreira.

?Voz B

Raiz mesmo, né?

BRBeto Ribeiro

Porque ele vai fazer MBA lá dentro, ele vai sair mais forte, ele vai sair com as tatuagens, ele vai sair incrível, vai sair com colega. Brinquem de fazer crime e fiquem uma hora na cadeia.

?Voz B

Não, tá maluco.

BRBeto Ribeiro

Você, ninguém aguenta, tá maluco. Ninguém. As pessoas, pior ainda, agressor de mulher, principalmente pessoas, homens muito poderados, olha lá, Thiago Brenna e tudo mais, eles padecem de entendimento nessa hora, na hora que elas vão fazer, porque eles se acham tão acima de tudo. Tô falando obrigatoriamente do Ivo, mas tô dizendo tá dizendo é uma coisa muito forte e que eu gostaria de saber como foi a primeira hora, porque caiu, ou a arrogância se mantém, né? Ou como que é isso?

?Voz B

Eu não falei com ele, mas assim, a fim de curiosidade, me parece, né, a interpretação que eu fiz lá na hora é que a ficha dele não tinha caído. Eu acho que ele não tava com semblante de quem entendeu que seria, assim, a gente não sabia se ele ia ter a prisão preventiva convertida, mas não me parecia na hora que ele entendia que ele ia passar a noite na cela.

BRBeto Ribeiro

Quantos habeas corpus ele já entrou?

?Voz B

A gente tomou conhecimento de 2.

BRBeto Ribeiro

Habeas corpus é caro, hein?

?Voz B

Habeas corpus é caro. E assim, quanto melhor o habeas corpus, né, mais caro ele é. Quem tá por trás, mais caro ele é.

BRBeto Ribeiro

Mais caro ele é.

?Voz B

Mais caro ele é.

BRBeto Ribeiro

Já entrou com 2.

?Voz B

E é um remédio que assim, eu acho que um primeiro habeas corpus, acho que eu ouvi um dia, acho, tá, Eles entraram com 11.

BRBeto Ribeiro

Eu falei, uau, nossa, gastaram, entregaram 3 apartamentos.

?Voz B

Mas isso foi um prazo pequeno, você sabe?

BRBeto Ribeiro

Ah, não lembro, isso aí é na dúvida.

?Voz B

Isso foi assim, 11, um por ano? Ok. Mas é porque tem caso.

BRBeto Ribeiro

Isso foi naquele período que eles queriam sair de qualquer jeito.

?Voz B

Então, mas aí você está perdendo dinheiro e pior, você está irritando os embargadores.

BRBeto Ribeiro

Eu já ouvi isso também.

?Voz B

Eu fiz uma sustentação oral um mês atrás.

BRBeto Ribeiro

Irritando eu não, vamos entender.

?Voz B

Eu fiz uma sustentação oral um mês atrás, não tem nada a ver com o caso da Magalu.

BRBeto Ribeiro

E nada mudou.

?Voz B

Nada mudou. Eu fiz uma sustentação oral um mês atrás, não tinha nada a ver com o caso dela, era um outro caso, e eu tava esperando o meu momento de sustentação. Quando você tá esperando, você fica ouvindo os colegas, né? Teve um colega que eu não vou citar o nome, que ele foi sustentar um habeas corpus, e ele falou lá os 15 minutos dele. Quando abriu para o relator, o relator falou assim: Doutor, quantos casos nós temos aqui hoje?

Aí tinha, sei lá, 20 advogados para sustentar. Doutor, eu falei com o senhor na semana passada, o senhor esteve aqui na semana passada, o senhor trouxe um copia e cola do mesmo HC. Aí ele: Não, não, eu mudei aqui porque tem um outro Porque às vezes também é para—

BRBeto Ribeiro

bom, daí eu não vou entrar.

?Voz B

O fato é que às vezes você se queima também naquele tribunal, na cama, né?

BRBeto Ribeiro

Se não mudou nada, acho que é assim, mas é uma coisa também com cliente.

?Voz B

Bom, mas aí você fala assim, ah, vou tentar um HC para ir para outra câmara, mas todo mundo se conversa, eles sabem. Então assim, eu acho que—

BRBeto Ribeiro

e aí, mas aí ele tá preso, foi. Aí ela não pôde entrar na casa, é isso?

?Voz B

No começo não, porque a família trocou. Quer dizer, de novo, não sei quem foi que fez isso, vai ser investigado, já tá sendo investigado, mas parece Claro que não. Parece que o sogro dela, mais um crime que tá sendo investigado, tem um processo próprio já correndo. É um outro processo, é uma violência patrimonial, só que tá correndo na mesma delegacia porque tá tudo conectado.

BRBeto Ribeiro

A violência, né, contra ela, essa violência patrimonial por conta dos outros crimes anteriores.

?Voz B

Então, mas o fato é, no sábado, quando ela sai do hospital, ela vai para casa dela, ela não entra em casa, e lá tá tudo, celular dela, tudo, tudo, tudo, carro dela, bolsa, roupa íntima. Escova de dente.

BRBeto Ribeiro

Eu vi que ela, quando ela deu entrevista para essa tia, a sensação que eu tive é que ela tava no hotel, porque tava a cama atrás. Só falei, acho que essa mulher tá no hotel.

?Voz B

Teve um tempo que ela foi para casa dos pais também.

BRBeto Ribeiro

Também teve, tá. E aí ela voltou para casa depois de 5 dias. Ela está lá?

?Voz B

Não, ela não tá morando lá. Mas o que acontece, ela queria pegar as coisas dela, o carro dela.

BRBeto Ribeiro

Enfim, aquela casa virou um lugar horroroso, é um show de terror para ela. Ela não quer não. E ela, um lugar que ela só foi infeliz, e onde ela quase morreu, segundo ela mesma. Próxima, não tô dizendo que foi uma tentativa de feminicídio, isso eu vou deixar para vocês discutirem, mas para ela a sensação de morte é muito real e muito iminente ali. Ela não vai querer dormir ali.

?Voz B

Não. E outra, sozinha, uma casa enorme, e essas cenas aí na mente dela. Então assim, é horrendo. Mas o fato é, ela, todas as coisas dela estavam lá e a gente não tinha acesso. E aí no sábado ela me chama e fala assim, Fábio, eu não consigo entrar na casa. Vamos chamar a polícia, vamos arrombar aquele portão, não sei o quê.

BRBeto Ribeiro

Ela falou, não, calma, não faz você um crente.

?Voz B

Calma, porque assim, não vamos perder a razão, a gente tá confortável aqui. Não, mas é um absurdo. Eu concordo que é um absurdo, eu concordo, mas não é momento da gente protestar contra essa pessoa.

BRBeto Ribeiro

Depois você pode até arrombar, porque ele vai me dar uma porrada.

?Voz B

Não adianta chamar a polícia também, porque você chamar a viatura, os caras vão falar assim, ah, o carro é seu? É. Tá aqui dentro? Tá. Mas a gente não pode arrombar, não pode arrombar. Então o que que eu falei Julia, calma, no processo eu entro com uma petição pedindo uma liminar, vou despachar com a juíza e a gente vai agilizar isso. Fizemos isso segunda-feira, fizemos isso terça-feira à noite, saiu a liminar falando volta para casa.

BRBeto Ribeiro

Ela entrou, saiu, acho que tirou as coisas, foi embora. Ela tá hoje com os pais.

?Voz B

Ela podia morar na casa inclusive, mas ela não mora. É, hoje os pais, eu falei para ela ficar com os pais, eu até falo até hoje com os pais para eles prestarem um apoio ali, né, familiar.

BRBeto Ribeiro

Enfim, ela tá como hoje? O rosto dela melhorou?

?Voz B

Graças a Deus melhorou. Melhorou bem, continua machucado. O olho dela ficou muito lesionado, inclusive isso é algo que a gente vai confrontar depois em relação ao laudo do IML, né, que constou como lesões leves. Mas agora já dá para a gente mudar, né, impugnar esse laudo.

BRBeto Ribeiro

É porque você tem que esperar um tempo também, né, para saber, um tempo para ver quanto tempo essa lesão vai ficar lá.

?Voz B

Mas parece que ela foi num oftalmo, numa oftalmologista, e ela teve que fazer uma microcirurgia porque se passasse mais 2 dias sem fazer nada ia ter um descolamento da retina, ela poderia que ela ia perder a visão. Então isso, você vê, o processo ele é muito dinâmico, né? Então as coisas vão mudando, as coisas, e normalmente as coisas vão ficando mais graves, né, conforme o tempo passa. Mas graças a Deus ela tá bem. Eu falei desde o primeiro momento, falei para ela, olha, importante que você tá viva, você não corre risco, né?

Então na delegacia demoramos, mas depois ela foi para a EMELE, logo na sequência ela foi para o hospital para se cuidar.

BRBeto Ribeiro

Então eu acho que assim, é isso, eu acho que a parte do O divórcio voltou? Ainda não, não começou essa parte. Ela ainda tá com seu primeiro filho, ainda tá tramitando, ainda tá tramitando. Mas não, mas já entrou, já deixou de existir, nunca deixou de existir. Ah, mas não parou lá atrás?

?Voz B

A gente entrou com um pedido para suspender o divórcio, mas esse pedido nem chegou a ser apreciado.

BRBeto Ribeiro

Ah, então tava lá, já tava rolando, tá rolando ainda, teve o tempo. Que bom, Ludofábio, adorei. Tem mais alguma coisa que eu não perguntei que você gostaria de falar sobre o caso? A gente conseguiu, eu acho que em linhas gerais é isso.

?Voz B

Eu acho que importantíssimo esse trabalho que você faz. Eu vou te dar parabéns de novo.

BRBeto Ribeiro

Obrigado, muito obrigado.

?Voz B

Responsabilidade, né, que a gente tava falando aqui, é absurda. Mas é muito importante porque assim, você é uma pessoa, sua equipe, né, todo mundo que trabalha, vocês são pessoas que podem realmente mudar o Brasil.

BRBeto Ribeiro

Eu não tô falando isso para parecer, ah, você já tá me dando mais responsabilidade.

?Voz B

Mas eu quero mesmo, eu quero mesmo, porque assim, vocês são pessoas do bem, vocês podem mostrar esse caso e os outros casos para mulheres que estão aí fora, para elas entenderem que elas estão no ambiente que elas têm que sair. Antigamente, quando a gente não tinha YouTube, TV, imagina quanta gente sofreu sem saber que tinha algum direito, sem saber que podia fugir. Então o trabalho de vocês hoje é um trabalho de assistência, sim, é social.

BRBeto Ribeiro

Fico lisonjeado de ouvir isso.

?Voz B

É importantíssimo.

BRBeto Ribeiro

Uma pergunta, já me contou a versão dele, qual que ele fala?

?Voz B

É verdade, é verdade. Passou por toda a versão dele é que, de forma bem sucinta, ele foi agredido e ele agiu em legítima defesa, e ele que foi agredido, enfim.

BRBeto Ribeiro

E ele tinha lesão corporal para tanto?

?Voz B

Eu não vi nada, eu não sou legista, eu não sou médico, mas eu olhei para ele, o rosto dele estava preservado. Ele fez, deu lesões também, mas isso é uma coisa de defesa talvez, que já tá aqui, né?

BRBeto Ribeiro

A própria delegada, e ela falou que ela tá, que ela A delegada tentou se defender, ela falou na entrevista.

?Voz B

Então, mas a própria delegada teve uma hora que a delegada falou assim: aí, você não bateu nele? Eu falei assim: doutora, foi a segunda vez que interrompi.

BRBeto Ribeiro

Eu falei assim: doutora, calma lá, ela tentou se defender.

?Voz B

Calma lá, essa pergunta é um pouco desonesta. Ela: não, mas é porque não vai, ele não tem lesão. Eu falei: ó, doutora, ele vai ser encaminhado para o IML e fatalmente que vai ter vermelhidão, vai ter arranhão, vai ter. Mas isso são vestígios de uma pessoa que tentou salvar a própria vida.

BRBeto Ribeiro

Isso é legítima defesa.

?Voz B

Exato. Então assim, você colocar no papel que ela também agrediu ele é uma frase muito forte. Eu acho que o mais justo, mais honesto, o mais afastado, né, seria colocar que ela, no intuito de se defender, deu tapa nele, pode ter dado um arranhão nele, mas são coisas bem diferentes.

BRBeto Ribeiro

Então assim, mas ele tá alegando legítima defesa? É muito legal.

?Voz B

Naquele momento ele alegou, né. Hoje a defesa dele tá mais Mas assim, eu não posso abrir o processo sigiloso porque já levei uma bronca em relação a isso. Já tentaram até me enquadrar como crime para questão sigilosa do processo. O que a gente tá acompanhando é que a defesa dele tá empenhada em tirar ele de lá para que ele responda em liberdade. Agora, com relação à tese de defesa, na delegacia ele falou sobre isso, não vai se sustentar pelas próprias imagens.

E aí a interpretação que eu acho que tá existindo nesse momento. Voltando à questão das doenças, né? Então eu não sei até que ponto isso pode ser levantado no processo para levantar uma inimputabilidade.

BRBeto Ribeiro

Bom, eu vou deixar a defesa então para defesa. Fica mais uma vez o convite para defesa do Ivo Vão— como é que, desculpa, Velcos— do Velcos, para é só mandar email para aqui, betoribeiro@gmail.com. A gente lê todo mundo. Doutor Fábio, gostei muito de conhecer você.

?Voz B

Imagina, obrigado, foi um prazer, foi tudo meu.

BRBeto Ribeiro

Conversa e fico convidado para a gente falar novamente desse caso quando tivermos novidades ou de outros casos que você também tenha. Prazer ter você no canal. Muito obrigado.

?Voz B

Obrigado a todos. Obrigado pessoal também. Obrigado a todos que nos assistiram. Obrigado.

BRBeto Ribeiro

Até já. Tem outro, tem vídeo todo dia, hein?

?Voz B

Até já.

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?Voz B

The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.

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