MENINA TIRA A PRÓPRIA A VIDA AO VIVO E A POLÍCIA TIRA DISCORD DO AR / 200 GATINHOS MORTOS ONLINE
Confira meu reencontro com a delegada Lis Salvariego, Coordenadora no Núcleo de Observação e Análise Digital do Estado de São Paulo, focado nos crimes cometidos ao vivo pelas redes sociais como Discord. Ela fala do caso da menina do Mato Grosso, que perdeu a vida em uma tranmissão online, e dos meninos e os 200 gatinhos. CONFIRA MEU PRIMEIRO ENCONTRO COM A DELEGADA:https://youtu.be/ybbVSMjLU0k#crime #discord #instagram #entrevista #police
Beto Ribeiro
Lis Salvariego
- O caso do jovem que torturava e matava gatinhos em lives no Discorduso de inteligência artificial para alterar voz·tortura de animais em transmissões ao vivo·concurso material para somar penas
- A falta de moderação do Discord e suas consequências gravesdemora na exclusão de servidores·criação de novos servidores com crimes·ausência de inteligência artificial para moderação
- A conscientização como ferramenta essencial para combater crimes digitaisprevenção de crimes online·união de esforços contra o crime·migração do crime para as telas
- A surpresa dos pais ao descobrir crimes cometidos pelos filhos onlinefilhos como vítimas ou autores·melhor filho do mundo como criminoso·falta de atenção dos pais
- A importância do controle parental e da educação digital para crianças e adolescentesprivacidade de telas para crianças·instalação de controle parental·monitoramento de mudanças de comportamento
- A rede de crimes digitais e a dificuldade de combate e monitoramentomigração de criminosos para outras plataformas·uso de técnicas de anonimato online·ataques e ameaças a investigadores
— Anúncios inseridos dinamicamente —
At participating UOL Diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil, de um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo, e com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto: que crime é esse? Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Por favor, não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, ligar sininho, marque nas suas mídias sociais, marque a todos nas mídias sociais.
Se puder, seja membro. Se não der, tá tudo certo. Deixa bem comigo até o final, você vai vir comigo até o final do meu reencontro com a minha amiga Doutora Alice. Seja novamente muito bem-vinda aqui no canal. Sua primeira entrevista bombou, literalmente, em todos os sentidos, bons sentidos, que vocês merecem, trabalho de vocês.
Do Núcleo de Observação e Análise Digital.
Temos que achar um termo melhor, mais fácil, né? O Núcleo Contra o Discord, será alguma coisa assim? Que foi muito forte, foi muito impactante o nosso primeiro encontro. Você também tem participado, eu tenho visto bastante. Eu acho isso super importante porque a gente vai entrar em todos os casos, mas cada vez mais a conscientização Conscientização faz parte da— estou errado? De você evitar. Não adianta, você pode tirar todas as plataformas do ar, mas se você não tiver conscientização, nunca vai parar tudo isso.
É isso, Beto. A gente tem que trabalhar em todos os sentidos, né? É união de esforços mesmo, porque assim, o crime vai acontecer, ele já migrou, né? Ele já saiu das ruas e está nas telas.
Como se estivesse sem sair das ruas, né, doutora? Está lá e está aqui.
Está em todos os lugares.
Está nos dois, está nos dois, mas assim, contra criança e adolescente, a gente percebe essa uma migração muito forte. Só que também não adianta, a gente sempre diz, hoje discorde, ok, amanhã teremos outros e outros problemas. Temos em todas as plataformas e redes sociais, né? O que muda é a colaboração com a polícia, o que muda é quando há moderação ali dentro, é isso que muda. Mas o que você disse é exatamente assim, eu tenho que conscientizar, eu tenho que— meu sonho é isso aqui que a gente tá fazendo, chegar nas casas das pessoas, Primeiro, o crime existe, seu filho pode, sim, ser vítima ou pode ser autor. E o que fazer quando isso acontece? É isso que muda.
Eu estava ouvindo hoje um podcast da Natuzanella, e o assunto que falava sobre discórdia, eu estava reouvindo, na verdade, tem uma jornalista do Estadão, eu ia anotar o nome, peço desculpas, e é muito interessante a conversa, que foi muito parecida com a que nós tivemos, mas com pontos que eu quero trazer para nós aqui também. Como não ser um pai nefasto ou conservador? Só que eu gostei do que a mulher falou, do que essa mulher falou dessa jornalista.
Não existe a criança e adolescente, não tem que ter a liberdade, pode, ela tem que ser conquistada e construída, mas cabe aos pais. A primeiro ponto de investigação, né, para que, para você ter certeza que o mundo pode estar melhor, Porque ainda se surpreendem os pais quando vocês chegam para pegar um filho deles? Eles ainda não acreditam que o filho matava gato, fazia as outras pessoas tirarem a própria vida? Para os pais ainda é surpreendente?
Muito, muito. Quando a gente chega no auxílio de um cumprimento de mandado de busca ou de internação ou de prisão mesmo, a gente não rara às vezes, mães gritam, choram muito. Por quê? Porque isso é importante, Beto. O autor desse tipo de crime é o melhor filho do mundo. Ele não dá trabalho, ele não questiona, ele não... O único ponto que talvez chame atenção é que ele não vai bem na escola por conta de ficar o tempo inteiro jogando, né?
A gente normalizou o ato de jogar dentro do quarto, né? E não é jogo, na verdade, são outros crimes que ele está ali praticando. E a gente percebeu isso, que olha, é uma surpresa pro pai e pra mãe. Porque é o melhor filho do mundo. E a hora que a gente começa a falar, não, seu filho— isso aconteceu recentemente no Rio de Janeiro, né, quando a equipe foi até lá, se deslocou, foi cumprir o mandado de busca e apreensão, acabou localizando ali dentro o material de conteúdo de violência sexual contra criança e adolescente. Ele foi preso em flagrante.
Quantos anos?
Esse adolescente, esse 19 anos, já um jovem adulto. Sim, sim, ele foi preso em flagrante, mas ele só matava gatinhos.
Ah, o matador de gatos não é adolescente?
Não, ele só matava gatinhos.
É aquele de 200 gatos mortos, pelo menos?
Isso. Esse tem uma peculiaridade: ele se passava por menina nas redes. Ele usava uma inteligência artificial, que uma inteligência artificial muito boa, quase que profissional. Ele alterava a voz dele e ali dentro ele fisicamente também Não, na verdade não, ele só mesmo online. E qual era o intuito disso tudo? Ele tinha esse diferencial e dentro dos servidores das comunidades que ele participava no Discord, ele era chamado por isso, ela, né, que ele tinha um nick feminino, se passava por menina e ele era chamado porque ele tinha essa especialidade que era matar bichinhos, né.
E quando a gente diz matar, Beto, não é matar, né, na verdade é torturar. Ele torturava durante horas os animais em lives ao vivo. Ou seja, ele esperava o bichinho numa, dentro de um contexto, ele soltava o bichinho, ia martelando a cabecinha do bichinho até que num determinado momento ele acabava enfiando uma faca e jogava na linha do trem.
E tudo isso foi filmado ao vivo, tudo isso filmado ao vivo.
E assim, o que mais Uma hora, uma hora e meia, e todo mundo ali dentro sentindo muito prazer nisso.
Quantas pessoas assistindo isso?
400, 500 pessoas assistindo tudo isso.
E há quanto tempo ele fazia isso?
Ele fazia isso pelo menos há um ano, pelo menos há um ano.
Porque ele já tem 19.
Exatamente.
E olha como ele já tá inteligente, se faz passar por menina, nick de menino, não é para atrair o público, é para também ser mais difícil de ser encontrado, não é?
Isso, sim.
Então ele já tem estratégia.
Com certeza, com certeza. A gente— isso que é o mais interessante, porque a família não desconfia. Ou seja, entra num ciclo que até pra gente na investigação é difícil quebrar, né? Num ciclo de a família não desconfia, então não aciona ninguém. É um menino normal, um filho maravilhoso. E ele não se revela dentro das redes. Ele é a pior pessoa do mundo, né? Porque tá totalmente dessensibilizado. Quando a gente questiona, ele sente prazer no que ele faz, porque isso gera uma sensação de prazer pra ele. Eu fico me perguntando quando ele— porque ele foi preso, e quando ele sair?
Isso vai dar quantos anos de prisão?
Eu acredito que não fique muito, porque, enfim—
maus-tratos aos animais.
Foi flagrante, maus-tratos não tem uma pena muito dura.
Mas e se cada gatinho ganhar uma pena?
Então, essa é a nossa esperança, para que ele não saia tão rápido.
Porque eu lembro do caso do golpista do Tinder, foi uma promotora incrível ali de São Bernardo, que ela fala assim, ai, não me põe essa foto então, que parece o Odete Reutemann. Aí eu quero eu pegar esse menino. Olha, o Odete Reutemann pequenininha, gente, isso daí. Ela era assim, igual ao Odete Reutemann, essa coisinha azul. Ai, que fofinha, igualzinho, mesmo olhinho. Até me emocionou agora. Ela, porque assim, essa promotora, me lembro que ela me falou assim do golpista do Tinder, O estelionato é um crime com pena muito baixa, o que eu acho um absurdo, porque as pessoas se matam por serem vítimas de estelionato.
E ela falava assim, eu preciso somar as penas, eu preciso mostrar somatória de pena para ele pegar uma pena grande. E para isso ela precisava que as vítimas tivessem coragem de fazer o boletim de ocorrências. Então, ela me contando isso, eu falei, é verdade, Inês, ele numa mulher só era pequenininho, mas ele tá com 30 anos, se eu não me engano, de cadeia. Esse garoto aí de 19 anos não pode pegar também?
Tem como? Sim, é o concurso material que a gente chama, né? Então, um inquérito, uma investigação para cada gatinho, porque são episódios distintos. Cada gatinho é um. Exatamente, ele faz um dia um, outro dia outro, e assim por diante.
E esse cara, por exemplo, de 19 anos, vocês pegaram, por exemplo, eu sei que foi no Rio, mas foram vocês que encontraram ele, não é isso? Como é que vocês chegaram nele? Conseguem pegar ele? Claro que dentro da garantia dos grandes segredos importantes para que outros caras— Porque assim como está havendo pessoas interessadas no assunto, estão vendo esses delinquentes malditos aí, adolescentes, estão assistindo também para ver se pegam aqui uma dica sua do que eles não devem fazer. Mas como vocês chegam nele?
Através de quebras, de quebras de sigilo, isso a gente consegue pedir. E aí a gente vai linkando os pontos, né? No caso, por exemplo, desse maior de idade, ele foi apreendido porque ele foi preso porque ele praticava num determinado lugar perto da casa dele. Era algo que chamava muita atenção nossa porque era uma linha de trem, né? E em um determinado momento ele acabou vacilando, né? Tirou— a gente tem um frame ali de um vídeo que aparece muito bem o local, enfim.
Isso tudo, juntando os pontos, a gente conseguiu chegar nesse autor. E dentre outros, né? A gente teve também o adolescente, esse que você tá se referindo provavelmente é o do Nordeste.
Qual que é?
Do 200 Gatinhos, eles davam um outro nick. Enfim, a gente percebe isso, Beto. Eles estão começando com gatos, migrando pras pessoas, né?
Que é Do Fuck With Cats, aquela série, você assistiu?
Maravilhosa.
Ele começou com... Com gato no YouTube, quando o YouTube ainda aceitava esse tipo de vídeo. E ele migrou até começar a matar pessoas.
Exatamente. E esse adolescente de 200 gatinhos, recentemente, né, foi um trabalho nosso no Nordeste, foi decretada a internação dele. E ele era um dos que matava o gatinho e com sangue escrevia meu nome, escrevia o nome de outras vítimas para que a gente—
Seu nome?
Sim, meu nome, o meu nome. Para ameaçar e fazer com que a gente parasse com as investigações. Eles sabem que eles vão ser presos ou apreendidos, mas o desafio, o estímulo que movimenta tudo isso, porque é importante a gente dizer, Beto, que além desse autor ser o melhor filho do mundo, como a gente diz, e as mães não desconfiam, ele também não é o adolescente mais bem-quisto dentro do colégio. Ele é aquele que precisa se sobressair nas redes, né? Fisicamente, socialmente e no mundo real, ele não tem esse valor.
Tem os incel, passei por um incel da vida, né? Que incel, na verdade, é o garoto que não consegue ter uma namorada ou transar e culpa as mulheres porque elas só querem homens bem-sucedidos, então logo eu te odeio e morram. São os incel que vão virar red pills lá na frente. Você ainda tem que— você ainda assiste essas lives? Que eu me lembro que a primeira vez que a gente conversou, você vai descobrir primeiro assistindo, né?
Sim, a gente tem que assistir, né? Tudo começa com a gente assistindo, na verdade. Sim, tudo começa com a gente assistindo. Isso é terrível, né? Terrível. Porque eu recentemente, numa reunião que a gente fez no núcleo, uma policial falou para mim, nossa, eu nunca tinha sonhado com isso. Eu comecei a sonhar com meninas com rosto cortado, Enfim, e eu digo sempre que não raro às vezes eu sonho, mas com miados mesmo, miados, miados, porque assim, é muito chocante isso, Beto, porque a gente percebe que o bichinho quer carinho e a hora que ele percebe ali, ele vai ser morto.
É assim, ninguém deveria ver o que a gente vê, sabe? De verdade, ninguém deveria ver isso.
E como é que assim, 200 gatinhos, quando foi preso esse cara, o cara do Rio e tudo mais, Eram gatos da casa? Como é que eles conseguem esses gatinhos?
Esse do Nordeste, ele foi inclusive abordado pela polícia numa cidade muito próxima dele com uma sacola de pano repleta de filhotes. Porque eles conseguem isso muito facilmente, né, que o povo abandona muito facilmente, tanto nas comunidades próximas aos locais que eles moram ou até mesmo de protetores autônomos que não tem tantos meios de fazer pesquisas, ou, enfim, por vezes até doam sem fazer nenhum critério, e acabam dando esses bichinhos para a morte mesmo.
É porque eu lembro quando fui pegar a minha gata, a Odete Reutemann, quem não sabe, é a minha gata, por isso que é ela aqui, que aparece aqui, Odete Reutemann, e parece muito aquele gatinho que o Saulo pôs. Eu me lembro que eles me contaram que gato preto eles não põem em doação durante o período de Dia das Bruxas. Eu me lembro que já tinham coisas horrorosas anos lá atrás. Hoje em dia, com o advento da discórdia, para doar, porque geralmente são filhotes, né, que eles querem, filhotes, porque eles são mais fáceis de você, porque é um gato, gato ele vai, você pode matar, mas ele vai te machucar.
Hoje em dia tá tendo uma conscientização também com essas ONGs todas de bichinhos, isso, aquilo, de olha, não doe filhote assim.
Sim, a intenção é essa também. A gente tem feito um grande trabalho com protetores com ONGs mesmo, que eles fazem toda essa divulgação. Enfim, mais um trabalho para os protetores, né? Meu Deus, é, exatamente. Mas é isso, principalmente casa com adolescentes, né? Muito, muitos adolescentes. E ter sempre o feedback: olha, como que tá o gato? Tá acontecendo? Como é que ele tá? Manda foto. Porque é exatamente isso, Beto, são os preferidos, filhotes de gatos.
A gente está sempre a reboque do mal, e o mal está sempre crescendo, não adianta mais. Agora, por exemplo, esses garotos dos gatos, vamos pegar, por enquanto, os garotos dos gatos, do Rio de Janeiro, que seja, ou do Nordeste. Foram apreendidos os computadores, os celulares, porque eles começam a construir uma rede do mal. E essa rede do mal, ela é— porque eu fiquei impressionado, você me falou da outra vez, também ouvi, que no Telegram, por exemplo, tem grupos que divulgam manuais de como serem os grandes influencers dessas redes, de como fazer gato morrer, de como, o que que é servidor, como conhecer, como cooptar as pessoas.
Então esses garotos, esses dois, por exemplo, a rede deles tá sendo toda investigada?
Sim, sim, nós já tivemos outras operações, né, nas quais ali A gente avalia o critério, é urgente? Tem que deflagrar agora? Aí a gente vai em busca de um alvo só. Mas só para você ter uma ideia, nesse servidor, nesse servidor que estava, esse do Rio de Janeiro, é o mesmo servidor no qual a Lívia, do Mato Grosso do Sul, foi quem foi— na verdade, os autores foram do mesmo servidor que essa menina, que na verdade não era menina, que matava os gatinhos. Ou seja, é o mesmo servidor. Ali dentro eu tenho cargos, né?
O menino do Rio de Janeiro, do Mato Grosso do Sul, se matou, isso, que acabou tirando a própria vida.
É o mesmo servidor, ou seja, tá tudo linkado, né? Eu tenho ali dentro quem mata gatinho, eu tenho ali dentro quem induz menina à automutilação, eu tenho ali dentro quem induziu a Lívia ao suicídio. É o mesmo servidor.
E o opressor vira oprimido e oprimido vira opressor.
Exatamente.
Um dia quem foi obrigado a se cortar, hoje faz o outro se cortar.
Sim, sim, exatamente.
Começa a virar uma rede também.
É, exatamente. Não raro, às vezes a gente tem inclusive retrovitimização com relação às meninas. Tem sido muito comum também. Ela foi vítima, ela se cortou, ou ela foi vítima de um estupro virtual. Ela faz o seguinte, ela diz, não vou só ser eu a vítima, eu também vou fazer outras vítimas. E ela começa a cooptar outras meninas.
Para ela falar o que elas têm que fazer?
Exatamente.
Ou para algumas outras?
Meio Jeff Epstein, né?
Isso, exatamente.
Fazendo uma rede de trazer outras iguais a mim para que eu até comece eu a ser heroína, é isso?
Sim, exatamente.
Heroína é uma palavra horrorosa que eu usei. Você também é uma pessoa...
Ela vai ter o destaque que ela quer ter, né? Isso, é o protagonismo dela. E por isso é muito importante que a família tem que intervir, tem que intervir, tem que se meter a um tratamento muito sério com relação a isso. Inclusive, a gente tem um caso hoje no núcleo que eu não vou tecer detalhes, lógico, que tá em investigação. Mas é um caso muito sério. É uma menina de 12 anos de idade e ela já fez exatamente a forma— e isso a gente pegou online— a forma como ela vai matar os pais.
E é muito detalhado. Nós entramos em contato com a família, a gente já conversou, eles estão buscando um tratamento, enfim. Mas entende, Beto? E para mim, enquanto delegada, para os meus policiais, tá muito claro que ela vai fazer, ela vai fazer.
A gente não pode prender por um crime não feito, né?
Sim, mas assim, a nossa missão enquanto Estado é alertar, falar: olha, isso vai acontecer. Ela tem todos os requisitos para fazer isso, ela vai fazer, questão de tempo.
O diretor vai brigar comigo. Se ela já tiver comprado a arma, tem uma série de coisas, você pode já botar no tentativa de homicídio.
Isso, isso.
Me lembro o caso do Rio de Janeiro, do menino que conversava com uma menina no Mato Grosso, os dois se conversavam, mas era por Instagram que eles pegaram as conversas. Até tem essas conversas. E ele é assustador. Ela que manipulava ele, claramente, na conversa ali, porque ela era mais velha e ela falava até em tons mais sexuais com menino de 13 e tal, falando que eles iam ficar eternos e que eles, para isso, precisavam matar os pais.
Ele mata o pai, a mãe e o irmão, bota, joga numa cisterna, e ele, a ideia era ele ir para o Mato Grosso para ele matar os pais dela. E os pais dela só descobrem tudo isso Quando a polícia do Rio de Janeiro consegue a investigação, avisa a polícia do Mato Grosso, que pega a menina, leva até a delegacia, a mãe não está entendendo nada, e a mãe descobre que a filha tinha um desejo de matá-la. Essa menina também foi presa. Como convive, né, gente?
Pois é.
É exatamente isso. Como que esses pais conseguem conviver depois com uma pessoa que quer te matar?
Sim. E o plano é tão bem arquitetado, com tantos detalhes, que considerando também a perversidade que a gente vê online, que os pais não veem, né? Porque tem isso também, os filhos presencialmente são uns, quando eles estão online são outros, completamente diferentes.
Você tá me falando que a maturidade criminal tá mais cedo?
Com certeza, com certeza. A informação, a gama de informações que eles têm hoje, Beto, e fica muito claro pra gente, a identificação dos preditores de violência. Um menino, por exemplo, ou uma menina, se for o caso, um atirador ativo, um agressor ativo, antes dele praticar um ataque à escola, ele muda completamente. Ele muda a skin, ele muda a forma de falar, ele muda os desenhos. Entende? Então, assim, para a gente é muito importante isso já Fall never arrives all at once.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
$15 per month equivalent, taxes and fees extra. New customer offer for initial plan term only, greater than 50 gigabytes, tem sido feito aqui em São Paulo, ampliar essa rede de conhecimentos para que um educador, né, eu digo sempre que se a gente puder chegar nos educadores, professores, língua portuguesa, educação artística e educação física, fica muito claro para eles identificarem os preditores de violência. Porque esses agressores mudam e os adolescentes também mudam. Nós que não estamos com olhar atento e treinado para identificar.
Interessante, muito interessante isso aí. Agora, por exemplo, essa menina que estava falando da Marcha dos Pais, ela estava dividindo esse desejo com outras pessoas?
Sim, sim.
Era um grupo também? Ela falava? Ela escrevia? Como é que ela dividia isso?
Há também essa necessidade deles de dividir tudo o que acontece, inclusive endereços, dados pessoais, porque também ninguém deu educação digital para essa molecada, eles estão falando muito além do que devem. Então, em grupos do Telegram e do Discord, ela começou a dividir tudo isso.
Quero matar meus pais. E ela pode começar inclusive a contaminar as outras pessoas a também quererem ter o mesmo desejo.
Com certeza. É daí que nascem os desafios, né? Exatamente daí.
Quem mata primeiro.
Isso.
Eu ouvi falar até que um dos grandes desafios hoje dessas redes todas é qual é a primeira menina que vai fazer o ataque à escola.
Isso tem sido buscado por eles.
É real isso, né? Porque não teve nenhuma medida ainda.
Infelizmente é real, infelizmente é real.
Como que cooptam essas pessoas? Eu vi que eles vão pelo Instagram, né? Eles até, porque o Discord, eu me lembro que você me explicou, você tem que ser convidado para fazer parte de um servidor.
Isso.
Então onde eu vou buscar amiguinho para ir para o Discord? Não é às vezes só no Discord, eles vão nas outras redes abertas E começam a ver o que as pessoas curtem, o que as crianças curtem. É assim mesmo que começa?
É assim.
Ou nas outras redes vizinhas?
É onde eu consigo ter interação. Então, qualquer lugar. Desde o YouTube, porque não tem nada demais na primeira interação. E não raras vezes ela começa por afeto, ela começa por reconhecimento. Olha, você joga legal, como você joga? Vamos trocar skin, vamos trocar um Robux, que é a moeda ali dentro do Roblox. Tudo começa numa boa, até que eles conseguem, de certa forma, alguma forma cooptar essa vítima. E quando são meninos, Beto, hoje eles têm se encontrado muito, muito em grupos red pill, né?
Muito. E tudo começa de maneira muito velada, tá? Como culto ao corpo, né? Ou como ser uma pessoa, como conquistar alguém dentro da escola, entende? Tudo de maneira muito disfarçada, não é tão descarado assim. E ali dentro eles começam a encontrar pertencimento, ali dentro eles são reconhecidos e vão migrando de bolhas, que a gente chama de bolhas, até encontrar uma bolha que vai induzi-lo a uma prática de crime e assim por diante.
Esse crime da menina do Mato Grosso, vocês tiveram participação ativa nessa história. Como que isso, como que chegou até vocês? Como que vocês avisam? Como que é isso? Como é que foi isso?
Esse crime começou numa madrugada, por volta de 2:30 da manhã, já estava tendo um episódio, um evento, como eles chamam, de automutilação em outra menina. Não era ainda na Lívia, tá? Nós pedimos a derrubada do servidor, demorou muito. E pra que as pessoas entendam, só vale pra eles se for ao vivo, né? Então quando a gente pede pra que tire o servidor do ar e preserve os dados, claro, pra gente investigar, acabou a graça pra eles.
Então ali a gente tem tempo de ver como que a vítima tá, de chegar até a vítima. Mas o que aconteceu nesse caso foi um pouco diferente da rotina normal. Começou com a Lívia. Nós pedimos a derrubada do servidor, eles criaram outro com o mesmo nome, com o mesmo nome, Beth. É isso que nos deixa—
Muda de título, tipo Beto Ribeiro, Canal do Beto Ribeiro.
Isso, exatamente. E veja bem, se eu enquanto polícia pedir a exclusão de um servidor dizendo nitidamente que ali dentro está tendo um crime, cria-se um novo servidor com o mesmo nome, provavelmente a mesma pessoa que pediu para criar.
Gente, é inteligência artificial, né? Só precisa de inteligência.
Exato. E ali, criado um outro servidor com o mesmo nome, foi onde a Lívia foi induzida a tirar a própria vida. A gente pediu a exclusão de novo desse servidor, demorou 28 minutos para excluir o servidor do Discord.
Sim, eu ouvi que na hora que o Discord cai, eles terminam esse terror.
Eles migraram, isso é, eles migraram. Eu não sei te dizer exatamente para onde, porque a investigação completa ficou com o Ministério da Justiça, né? Então não é nossa investigação, mas realmente eles migraram de servidor.
Eles saem do Discord. Eu vi que eles teriam ido até para o Instagram, que foi uma grande discussão. Como é que você só tira o Discord, mas e os outros e tal?
Pois é, isso é uma discussão assim, eu gostaria muito de entrar na cabeça das pessoas para explicar, né? Porque tem problema em todas assim, mas o que chama atenção, por exemplo, o Instagram, se a gente pedir imediatamente a derrubada Imediatamente cai. Imediatamente cai, né? A gente percebe que, e para que as pessoas entendam, em uma rede social razoável, vamos pôr assim, uma mediana, eu consigo ali 3 níveis de moderação. Primeiro, inteligência artificial.
Então basta que eu calibre a inteligência artificial e funciona muito bem, Beto, porque eles nos acionam preventivamente, né? Então eu tenho o primeiro nível, inteligência artificial, os outros 2 são humanos. Níveis humanos. Como que dentro do Discord, por exemplo, é uma briga nossa mesmo com eles, eu tenho um servidor que chama Pedófilozinho, ou Eu Vou Matar Alguém Hoje, é o nome do servidor, né? Então a gente percebe que ali dentro não tem a mínima moderação, não existe nem IA, não existe inteligência artificial.
E essa coisa de escrever hoje matar com 4 no lugar do A, não tem, não tem arroba.
Não tem, o matar é matar mesmo.
Já esquece as pessoas, bobagens. Quem me ensinou foi o pessoal do YouTube. Falou, para de escrever matar com 4. Você acha que o algoritmo do YouTube não sabe?
Pois é.
Tem uma série de coisas dentro do teu vídeo é que permite que ele seja assistido, não é o que tá escrito. E no teu caso é muito mais fácil nesse sentido que você tá falando. Já o primeiro filtro, eu vou matar alguém hoje. Hoje é gato morto, venha ver. Hoje ela vai tirar, hoje ela vai se, sei lá, e eles não fazem. E a resposta que eles... Porque agora o discórdia até respondeu, porque eu acho que a tomada, essa menina que tira a própria vida no Mato Grosso, tomou uma proporção maior ainda, porque muita gente que não falava de discórdia passou a falar.
Sim, sim.
Eu vi até mesmo a audiência da sua entrevista, que já era alta, naquela semana ela aumenta. Ela tem um pico, porque as pessoas vão buscar para entender o que é Discord. Eles passaram a serem mais reativos, positivamente falando, ou a conversar mais com vocês diretamente? Ou continua a mesma coisa?
Na verdade, a moderação ainda não existe. A gente tem até um documento nesse sentido. A moderação ainda não existe. O fato da gente... Suspenderam as lives por conta de uma decisão administrativa da ANPD. E também por conta de um relatório nosso que foi juntado lá, cujo tempo de resposta do Discord para os nossos acionamentos era de 17 horas. Nós temos suspensão que eles suspendem live e mandam os dados em 20 minutos, 30 minutos.
Temos uma lá de 16 dias. Então a média é 17 horas. Mas com a suspensão das lives melhorou um pouco, né? Melhorou sim. Claro que melhorou, não tem mais a transmissão, porque nada, Beto, nada se compara à transmissão no Discord, tá? Nada, porque é sensacional. Compartilhamento de tela, compartilhamento de tela é o único que permite, é o único que permite.
Também pelo mesmo tipo, só posso compartilhar com live só.
Então melhorou muito, mas com relação às respostas, a gente continua tendo um pouquinho de dificuldade. Mas não é só isso, né? Não é só isso. As pessoas têm que entender que a segurança do usuário compete à plataforma, né? Se nós estamos dando para eles quem são os criminosos, minimamente eles tinham que fazer algum tipo de, não sei, moderação mais efetiva para que ali, olha, se nós estamos enquanto polícia dando para eles quem são os criminosos, ou cria uma blacklist, não é verdade? Ninguém mais desse, não podem mais transitar.
Esses emails, mas nada. Isso o YouTube faz. Exatamente, é isso. Você dá um strike, levar um strike no YouTube, você não abre mais canal.
Exatamente, não consegue.
Mais ou menos isso. Agora, no caso, eles, Discord tá sem lives. Para onde eles foram?
Eles estão migrando aos poucos para o Telegram. Mas como eu, com relação a lives, tá? Mas como eu disse, Beto, nada se compara ao Discord. Então é muito ruim Cai, não tem compartilhamento de telas, eu não consigo escolher quem são os oradores para falar com a vítima.
Ou é todo mundo ou ninguém.
É outra dinâmica, não funciona tão bem. Eles têm conseguido entrar no Discord via VPN, mas também cai porque não é uma VPN tão boa, então cai.
Quando pega, por exemplo, esse servidor onde a menina, se ela não tirou a vida ao vivo no Discord, foi ali que tudo foi organizado.
Sim.
As pessoas que estão assistindo, essas também têm que ser— Por que uma pessoa está assistindo uma coisa nojenta dessa? Não tem... Também são investigadas? Também são presas? Ou assistir ainda não é um crime?
Só assistir, infelizmente, ainda não é um crime.
O voyeurismo de uma coisa dessas, de tortura, não é um crime?
Não. Agora, se ele foi para o chat e interagiu ou deu alguma ideia, sim.
Aí ele está participando, está ajudando na edição. Nesse caso da menina, teve um cara preso já? Não teve, não?
São inúmeros cumprimentos de mandados, inúmeros.
Mas alguém já foi preso?
Já, já sim, já sim. O autor inclusive foi. O autor, quem determinou. Salvo engano, 19.
Porque ele tá no Discord faz tempo.
Sim, sim, sim.
Ele agora tem 19. Por onde ele já passou? Quais outras vítimas que ele fez? Isso também é levantado?
Sim, sim, com certeza. De acordo com o que a gente apreende no local, né, onde ele estiver, a gente consegue depois fazer extração. Levantar outros dados, conseguir outros, inclusive outros vídeos mais perversos, porque nunca bastam só, né? Eles têm um arquivo ali gigantesco de vídeos.
Mas o Discord, por exemplo, ele não fica registrado, a live não fica registrada. Como é que nem, por exemplo, uma live minha no YouTube, quem assistiu ao vivo assistiu, quem não assistiu pode pegar e assistir gravado. Eles não ficam registrados o vídeo, mas eles não têm o metadados de, por exemplo, esse cara que fez essa menina tirar a própria vida, Não consegue fazer uma cronologia do tempo, por onde ele passou, quais outros servidores ele abriu, ou por onde ele veio, que dia ele entrou no Discord, para saber, olha, tá desde os 13 anos, tem nada, não faz.
E o Discord disse que não, porque eles se anonimizam, né, tem o anonimato online, e aí ele não conseguiria pegar, por exemplo. Eu acho interessante, Beto, porque ninguém é anônimo, não é, mas assim, e há como você fazer tudo isso, porque é muito dinheiro envolvido, né? É só a gente parar para pensar quem está por trás de um Instagram, de um Discord. Gente, é muita, uma estrutura gigantesca com os melhores profissionais do mercado, com todo mundo ali ganhando muito bem para fazer com que aquilo funcione.
Então assim, o mínimo que a gente pode exigir é exatamente isso, é a segurança do usuário, que não tem. Não tem, né? Então ali qualquer um de nós consegue assistir o que você quiser ali dentro, por mais que sejam servidores fechados. E é também uma outra defesa deles, que, ah, como é servidor fechado, eu não consigo ver, né? Não entra na minha cabeça.
Então não seja mais fechado. Tem coisas que às vezes a gente vai mudar, você sabe por quê? É porque eu até vi muita gente muito inteligente que eu respeito bastante falando no Instagram no dia que fecharam Discord, jornalistas que eu acho bons, eu sigo, vejo, que eu fiquei um pouco assim, é um absurdo fechar o Discord, eu até comecei a escrever, eu até apaguei depois, eu falei assim, quantas vidas precisam perder? Uma só não basta?
É isso.
Para o Discord mudar? Não, tem que ter uma coisa, tem que ser matematicamente superior às vantagens. Se uma pessoa se matou, não tem, tudo bem, ah, mas eles migram, migram, mas é o que você está falando, no Instagram cai na hora, A própria Meta, bem ou mal, deve estar reforçando o seu algoritmo. Olha, tem— eu trabalho com YouTube, sou YouTuber, eu diria, eu acho muito difícil conseguir fazer uma live dessa no YouTube.
Muito.
Ele derruba, mas derruba lindo.
Sim.
Derruba e tira o teu canal do ar em 1 minuto, mas é uma, inclusive, uma prerrogativa do YouTube.
Sim.
O que eu tenho a sensação, quando a gente sempre conversa, é que o Discord não parte do princípio princípio que uma vida humana vale.
É isso, exatamente isso, exatamente isso, exatamente isso. E serão, eu acho, né, na verdade, que serão precisas outras vidas, infelizmente, para que algo seja feito, né? Porque até onde a gente vai com tudo isso? E é uma, é algo, Beto, que não é novo. A gente tá em conversa com o Discord desde 2024, quando o núcleo foi criado. Por quê? Porque tudo começou com o Discord e a gente tá vendo que não evolui. Não tem nenhuma evolução, nem internamente e nem com relação a empresas contratadas por eles.
Por exemplo, não são eles que fornecem os dados. É uma empresa que faz a interface. Até aí tudo bem, desde que os dados cheguem. Desde que os dados cheguem. E a gente percebe que há essa morosidade e sempre, eles sempre pautam e se protegem também com o anonimato. Ah, não, é servidor fechado. Eu não posso intervir. Oi, né? Oi, até hoje.
Eles já estão com escritório no Brasil?
Já.
O que eles falam sobre tudo isso, assim, sobre essa morte dessa menina? Eu vi uma declaração institucional, mas as pessoas, eles se sentem penalizados? As pessoas que trabalham dentro do Discord se sentem mal por trabalhar dentro desse lugar? Como que vocês percebem? Tem uma boa vontade? Não tem?
Então é que tá, a boa vontade a gente percebe que Institucionalmente, né, ou ali dentro da empresa, não tem, né? Isso fica muito claro porque, só para lembrar, né, o pessoal, quando a gente começou a investigação, Beto, nós tivemos o primeiro caso nosso, foi de um adolescente, uma adolescente de 15 anos que se cortou muito, muito durante mais de 50 minutos. Nós acionamos o Discord, primeiro acionamento, a resposta veio: não é urgente nem violento.
O quê?
Sim, reiteramos porque às vezes não entenderam, porque era em inglês o acionamento. De novo, acionamos, não é urgente nem violento. Na terceira vez, a mesma resposta, a live caiu porque a vítima provavelmente derrubou. 50 minutos, ela se cortou durante 50 minutos.
Mas, por exemplo, eu no Discord, eu nunca entrei, não quero, não tenho interesse nenhum de entrar, não tem nem porquê. Nem as mídias sociais que eu uso eu não consigo entrar. Por exemplo, no YouTube tem um negócio que é o que onde eu mais entro, ali, que é denunciar. Eu posso denunciar um canal, porque está se passando por mim, como eu fiz agora, derrubei uns 5 canais que estavam se passando por mim, eu fui só, cheguei lá e falei, olha, denúncia, está se passando por mim e tal, ele pede para analisar, eu boto, claro, meu canal é grande, eu tenho uma série de coisas, mas qualquer pessoa pode denunciar.
Você poderia ter denunciado, esse canal está se passando pelo Beto. É muito rápida a resposta, muito rápida a devolutiva e cair. No Discord, qualquer pessoa pode, eu poderia entrar e falar, olha, esse servidor aqui está tendo um negócio de morte, Pode, pode, mas vai ter essa mesma resposta que vocês tiveram, provavelmente.
Provavelmente é que nós temos um canal diferenciado, mas quem é usuário lá dentro, até para a própria comunidade, a própria comunidade se cuida também de alguma maneira. Sim, mas isso não acontece, né? Porque a gente percebe que exatamente quem tá lá está ou para ver o crime ou para praticar também.
Até porque você precisa de um convite para entrar nesse servidor, nessa sala fechada.
É, mas assim, eles querem ser vistos, né, Beto? Então o convite é distribuído no Instagram, no TikTok, e não é difícil encontrar, não é difícil encontrar. E o convite já vale, o link que eles disponibilizam já vale como um convite.
Por exemplo, você está me falando que eles vão ali, que nem vai, você vai fazer uma festa, manda o convite para o meu grupo do WhatsApp, para pessoas pelo Instagram. O próprio Instagram, a Meta, ela consegue evitar que esses convites sejam enviados? Ou outras mídias sociais, elas não conseguem fazer um algoritmo para que elas não se tornem, na verdade, o lago, né, onde vai ser pescado?
Eu acredito que é mais difícil, sabe por quê, Beto? Não tá explícito ali que o que vai acontecer. É um link comum, é um link de um, por exemplo, de um curso do Discord, que tem muito curso ali dentro. Há um curso, eles não sabem identificar, né?
Hoje vai ter pedofilia ao vivo.
Isso, exatamente. E tiver escrito isso no convite, porque é um link.
É porque eu fico pensando o seguinte: o trabalho de vocês só tende a aumentar sem a conscientização que a gente falou e sem a conscientização de tudo, seja da sociedade como um todo, seja das leis, como bastante, e sejam também— isso também abarque também, principalmente as mídias sociais, porque tudo tem que ser, porque, ah, mas eles vão migrar para o físico. Tudo bem, mas você já tá diminuindo um mundo de pessoas, ele tem que alugar um lugar, é mais fácil a polícia chegar e prender todo mundo de uma vez, tem uma série de coisa.
No online você desliga o seu celular, acabou, não tem o que fazer. Por exemplo, para os pais, o que que você me diria? Porque eu acho que a primeira, primeiro O primeiro investigador, na minha opinião, tem que ser os pais. E aí até alguém falou, ah, mas sabe o que é? Não tem tempo para nada, então não tenha filho. Isso, tá? Não quer ter tempo? Não tenha filho. A coisa fácil. Mas agora que você tem, a responsabilidade é tua. Porque se você estiver construindo um monstrinho que tá fazendo uma pessoa se cortar, olha aqui, olha a responsabilidade que você criou para o mundo.
Como que os pais podem fazer? Controle parental, tem que abrir mesmo o celular, não tem essa de liberdade, eu tenho que ter... O que você diria para os pais se ligarem e não serem surpreendidos com você chegando lá e prendendo o filhinho dele?
Criança e adolescente não tem que ter privacidade com relação a telas, não tem, não tem. Eles não têm discernimento, não têm o cérebro formado completamente, eles não são penalmente imputáveis, então não tem que ter. Exceto se o pai ou a mãe for técnico e souber muito bem de, enfim, que sabe ali entrar e entra o tempo inteiro, porque assim, pai e mãe tem que ter senha de celular de filho. Não adianta questionar. Ah, mas meu filho não vai ter privacidade. Eu acho muito melhor não ter a privacidade, você ter o controle do seu filho.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Filho, porque ele não tem discernimento para escolher o que é bom e o que não é. E também nós não demos educação digital para eles, né, Beto? A gente não explicou, a gente não explicou pra eles o que é o Telegram, o que é o Discord, o que acontece ali dentro. A gente não sentou e explicou, olha, inteligência artificial é uma ferramenta, viu? Ela não é pessoa, né? Não compartilha dados, documentos com inteligência artificial. Então assim, a gente não falou nada disso pra eles.
Então tem que ter sim. E quem deu o celular? Quem pagou o celular? Compete a você também o controle do que ele acessa. E tecnologia, eu combato com tecnologia, eu instalo um bom controle parental, eu faço leitura dos relatórios, porque também não é só instalar, né? Eu tenho que me interessar pelo que meu filho consome, eu tenho que me interessar como que tá a vida dele fisicamente, né? Mudança de comportamento. Eu sempre digo que o primeiro sinal, primeiro, é isolamento social repentino e busca por telas, busca excessiva por telas, ou Se a menina, no caso, minhas vítimas, maioria meninas, isolamento social repentino e fuga, fuga de telas.
Ela foge de telas, ela não quer mais. O que era bom, né, hoje não é mais e ela passa a fugir de telas. E qualquer, qualquer mudança brusca de comportamento que chame atenção. Automutilações também, muitas vezes.
Você tem que ver o corpo do seu filho, da sua filha.
Exatamente. Beto, hoje, infelizmente, com as vítimas que a gente conversa, com os autores, Beto, eu não sei o que tá acontecendo com a humanidade, de verdade. É um desabafo meu. Não sei, porque assim, hoje eu não tenho mais uma refeição em família, eu não tenho mais olhar no olho do filho e perguntar como foi seu dia, o que tá te incomodando. Você tá diferente, filho, o que tá te incomodando? O que aconteceu? Não existe, Beto.
Eu fico me perguntando onde que a gente vai parar. Eu peço para o filho não usar o celular, mas eu vejo pai e mãe que não desliga. Boa! Não é verdade?
Tem que ter controle parental dos dois lados.
De todo mundo, de todo mundo. E ter uma vida social, uma vida saudável juntos. É isso que a gente tá pedindo, porque é isso que inibe o crime mesmo. Exatamente isso.
Tem um controle parental, não lembro agora o nome, se você lembrar fala, que é importante, um aplicativo que parece o seguinte, vamos supor, que é um saco também, eu me lembro, vou pegar um exemplo meu. Minha sobrinha queria porque queria um celular e queria porque queria um Instagram. Meu irmão falava, não, você é muito criança. Ela tem 21 anos e isso ela tava falando quando tinha 12. Ela não tinha celular. Ela começou a falar, pô, só eu não tenho.
O meu irmão falava, só você não tem, e ponto. Aí ela chegou 13 anos, Instagram, aquilo. Eu falei, pô, meu irmão para minha cunhada, cara, também fugir do mundo não dá, eu não sei. Minha cunhada falou, deixa eu te falar uma coisa, Eu não tenho tempo, não vou conseguir ficar olhando o Instagram dela. Você vai? Porque se você ficar olhando o Instagram dela, eu deixo, em você eu confio. Falei, ah, tudo bem, pode pôr para mim. Gente, deu 3 meses, falei, Rafael, é o seguinte, desliga.
Porque como que você começa a ficar angustiado, você começa a ver todas as mensagens, começa a falar, o que que essa menina... Eu que não entro no meu, eu não parava de entrar. E você tá em reunião, você se sente responsável. Hoje, pelo que eu entendi, tem alguns aplicativos de controle parental que Você vai ser avisado de acordo com a navegação? É isso?
Todos praticamente estão nessa dinâmica, né? Tem custódio, tem... Custódio, ouvi desse custódio aí. Tem outros também gratuitos, né? Da Google tem. Mas assim, Beto, isso que é importante a gente dizer, inclusive no ECA Digital, tá? O ECA Digital diz o seguinte: a plataforma tem que se responsabilizar por criança e adolescente. Eu não tô falando de controle parental pago, tô falando dentro da plataforma. E a minha regulamentação com relação à classificação etária, por exemplo, porque vamos lá, Discord acima de 18 anos, tá?
Então quer dizer, eles entram exatamente pela mãe então.
Sim. E também porque lá dentro eles não fazem nenhuma verificação etária, não faz.
Discord não faz, não faz. Saco aquilo, fica até mostrando a cara.
Discord não faz. Mas assim, a rede social, por exemplo, Instagram, ele fala, olha, eu posso controlar desde que, desde que você cria uma conta de adolescente para o seu filho e vincule a uma conta de adulto, entendeu? Então assim, a rede social também faz a parte dela, mas joga para os pais. Então de qualquer maneira você tem que estar ligado no que tá acontecendo.
Por exemplo, o celular tem que estar com os dados da criança, porque você já viu um negócio compartilhar faixa etária? Eu entro nos aplicativos, aparece compartilhar sua faixa etária, falo assim, lembrando Agora, se o celular da criança tá com os dados do pai ou da mãe, tá compartilhando a faixa etária do pai, da mãe. Se ela tem 12, 13 anos, então ela vai ter acesso.
Sim.
Quanto mais você transformar aquele celular da criança, do adolescente, no celular da criança, do adolescente, inclusive com os dados de faixa etária, isso, aquilo, já é um primeiro, já é uma primeira coisa, né?
Já, com certeza, já não consegue acessar. Sim, é o mínimo ali, né? É isso. Exatamente isso.
Aí tem controle parental no iPhone, eu sei porque eu tenho, que eu ponho limite de horas. Isso já é uma coisa também, como assim você não pode ficar abrindo o tempo inteiro?
E antes de dormir, recolha tudo. Criança, adolescente não tem que ter acesso a telas de madrugada, não tem. Hoje, 90% dos crimes que a gente investiga é de madrugada. O episódio da Lívia, de madrugada, é tudo de madrugada. Exatamente.
Porque é exato quando você me contou na entrevista, convido assistir, tem aqui o link no descritivo do vídeo. É assustador porque a menina tá matando o gato, cortando a pata, se introduzindo com os 4 da mãe ao lado.
Sim.
E tudo no silêncio sepulcral, é uma coisa absurda assim, porque tem que ter o controle de tudo, né?
Exatamente.
Toda essa parte. E aí tem o controle parental, que é uma das coisas, tem essa Porque eu achei interessante, eu não sabia disso, que se ele entrar, por exemplo, uma criança foi pega por um pai de 10 anos entrando em site pornográfico, o pai tinha esse negócio, falou, o que você tá fazendo isso aqui?
Exato.
Não, porque você não vai ficar vendo todas as buscas também, porque pelo amor de Deus, né? Também é desumano, né? Hoje escola, todo mundo faz busca, assim por diante e tal. Então essa é uma das coisas, o pai ter o controle do filho já vai diminuir e muito, muito, tanto você uma vítima como um autor.
Sim. Sim, com certeza. A linha que distingue, né, autor e vítima nesse tipo de crime é muito tênue, muito tênue. E assim, não tenham os pais a falsa percepção de que, olha, meu filho tá num colégio maravilhoso, minha filha também, não vai acontecer com eles, não tem contato. Gente, hoje o crime digital que vitima criança e adolescente é o mais democrático do universo, do universo. Qualquer um, qualquer um tem, pode ser autor ou vítima. E desde que só precisa do acesso a telas, acabou, acabou.
Em qualquer lugar do mundo, né? Vocês também estão monitorando ações fora do Brasil?
Na verdade, quando chega o crime, né, Beto, a gente não sabe de onde é, nem autor nem vítima. E um dos nossos alvos tá na França, né? Ele é francês e foi inclusive feito já compartilhamento voluntário de informações. Ele tá com alerta azul na Interpol.
Então temos também um brasileiro morando na França. Ah, tá, como aquele brasileiro morando em Portugal que tinha, tava organizando um ataque à escola, não é isso?
Exatamente.
O que aconteceram com essas pessoas? Elas ficaram presas, mas já estão soltas, é isso? Não tem que ter um monitoramento do Estado? Não da polícia, mas do Estado? Porque um jovem que mata 200 gatos, um cara que organiza ataque em escola, um outro que— Porque esse cara de 19 anos foi preso com 19, mas ele podia estar tendo preso com 16, porque isso daí ele já tá na vida. Para um cara chegar nesse nível, ele já, né, ele já quebrou aquilo.
A maturidade criminal dele já tá mais alta, ainda muito novo, mas já tá mais alta. O Estado não tem um monitoramento sobre esse tipo, porque já são jovens. Caraca, não é que ele roubou o celular da mesa do vizinho, ele fez uma menina se matar, ele matou 200 gatos. Ele organizou um ataque em escola. Não tem, né?
Não existe ainda, né, Beto? Tudo muito novo.
E nem uma possibilidade de banimento. Eu achei interessante isso que saiu agora, que você compra passagem aérea, tal, não sei o que lá, você é cliente, mas você faz uma besteira no avião, você vai ser penalizado com multa e podendo ficar um ano sem pegar avião. Essas pessoas não podem ser banidas? Tem como banir? Porque tudo que é Face ID vai entrar a cara dele e falar, você não pode.
É difícil porque eles buscam técnicas para se anonimizar. Então nunca a gente percebe, não são, nunca serão eles. A gente nunca bate numa pessoa correta, bate, que eu digo, na investigação, né? Eu nunca vou apontar diretamente para uma pessoa, nunca ela, né, de início. Então a gente investiga, investiga para chegar no autor do crime. Então eles usam técnicas de anonimato online, para, enfim, mascaramento digital.
E o... Você não tem futuro, não é? É uma coisa que você fica olhando e fala, gente, a gente não consegue fechar nunca. E os ataques a você continuam? Você me falou de um agora.
Continuam.
Continuam? São virulentos? São como?
Continuam, continuam. Via email, tentam fazer dívidas com cartões em meu nome.
Mentira!
Ah, sim. Sim, tentam invadir meu celular. Eles têm todos os nossos dados, tá?
Todo mundo tem.
Exatamente, tá tudo vazado. Isso em bots ilegais no Telegram, ninguém— não é novidade para ninguém o que a gente diz.
As pessoas falam da Deep Web, fala que não é Deep Web, paixão, tá no mundo claro. É uma tecnologia na vida, tá tudo nos aplicativos aqui, facinho, facinho de você baixar.
É isso, é isso. Então assim, mas o que me preocupa não é só com relação a mim, mas que os pais vejam o que eles fazem com as vítimas, né? Exatamente isso. Inserem mandados de prisão falso no Banco Nacional de Mandados. Hoje eles têm feito muito... Como assim?
Pra quê?
Pra que... Foi o que na verdade motivou a deflagração da nossa operação com relação ao caso Felca, que ele foi ameaçado junto com a psicóloga. Eles iriam inserir um mandado de prisão contra o Felca.
Outro Velka.
Falso no Banco Nacional de Mandados. E foi a hora que eles conseguiram essa inserção, foi aí que a gente deflagrou a operação. Ou seja, há inúmeros artifícios, inúmeros vácuos aí dentro desses sites, em logins que eles conseguem acessar. E eles têm feito muito bloqueio de contas de vítimas também, inserindo processos falsos de dívidas trabalhistas, enfim. E conseguem bloquear contas de vítimas.
O núcleo está com mais verba depois de tanta divulgação e tudo mais?
Sim, sim, a gente tem.
Estão conseguindo ter mais força? Porque é importantíssimo isso daí, e isso demanda verba, porque você precisa ficar de madrugada buscando essas coisas, você precisa ter tecnologia, você precisa ter entrada dentro das empresas, isso demanda tempo, energia. A sua vida pessoal envolvida nessa história?
Então, que bom, né?
Mas tem que ter, né, doutora?
É difícil desligar, é muito difícil, porque são crimes muito graves, muito graves. Não tem como desligar, né?
E todo dia, né? Como eu digo, aqui no canal tem vídeo todo dia. Para você tem crime toda hora, né? Ali, todo mundo, infelizmente, em plataformas diferentes. Doutora Alice, Tem alguma coisa que eu não perguntei que você queria? Algum caso a mais que você quer abarcar aqui? A gente pode deixar para o terceiro encontro.
Ah, vamos deixar para o terceiro.
Foi um prazer estar com você, adoro muito ter te conhecido e admiro muito o seu trabalho, o trabalho de toda a sua equipe que tá aqui também.
É maravilhosa.
Beijo grande para você e a gente infelizmente, felizmente para nós, mas infelizmente a gente se encontra em breve porque verdadeiramente as coisas vão continuar. E você que é pai e mãe, entenda exatamente o que a Dra. Alice falou: começa com vocês o impedimento que o seu filho, a sua filha, sua paixãozinha da sua vida seja uma pessoa horrorosa. E principalmente começa com vocês que o seu filho, a sua filha não seja uma vítima.
Então faça a sua parte, use os controles parentais, faça conversa Transforme a relação entre vocês de confiança, entre pai e filho, em amizade. Transforme na coisa boa. Vai jantar, conversa. Não é isso, doutora?
Isso.
Obrigado, doutora. Até a próxima.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.
— Anúncios inseridos dinamicamente —