Episódios de CRIME e MISTÉRIO c/ Beto Ribeiro

ROUBOU CASAS, VIOLENTOU, MATOU CENTENAS - QUEM FOI O BANDIDO DA LUZ VERMELHA, ENTRE MITO E MAL REAL

28 de maio de 202641min
0:00 / 41:04

Rosangela Monteiro fala do caso do Bandido da Luz Vermelha. A história de João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da Luz Vermelha, é um dos capítulos mais emblemáticos da crônica policial brasileira, misturando crimes reais, pânico social e uma construção quase folclórica pela imprensa dos anos 60. O caso do Bandido da Luz Vermelha é um dos mais fascinantes do True Crime brasileiro. Neste vídeo, analisamos a trajetória de João Acácio Pereira da Costa: desde as invasões a mansões em São Paulo nos anos 60 até sua morte trágica em 1998. Entenda como ele se tornou um ícone do crime, a cobertura sensacionalista da época e os detalhes da investigação que parou o Brasil.#crime #misterio #medo #entrevista #podcast

Participantes neste episódio2
B

Beto Ribeiro

HostJornalista
R

Rosangela Monteiro

ConvidadoAnalista forense
Assuntos9
  • O Bandido da Luz VermelhaJoão Acácio Pereira da Costa · Crônica policial brasileira · True Crime brasileiro · Invasões a mansões em São Paulo · Cobertura sensacionalista da imprensa · Investigação policial
  • Prescrição do crimeAssassinatos confessados · Assaltos · Tentativas de homicídio · Estupros (não provados) · Pena de 351 anos
  • Filosofia da MorteRetorno para Joinville · Briga de bar · Intervenção do irmão do desafeto · Absolvição por legítima defesa · Morte em 5 de janeiro de 1998
  • Modus operandi nos crimes de GainesvilleMáscara social · Sofisticação e requinte · Carreira no crime · Quatro modus operandi distintos · Bandido ventanista · Bandido incendiário · Bandido macaco · Bandido da luz vermelha (lanterna)
  • Prisão e delação de VorcaroPrisão em Curitiba · Identificação por impressão digital · Cumprimento de 30 anos de pena · Libertação em 1997
  • O Diabo Veste Prada: Personagens secundáriosCelebrização pela imprensa · Construção de fama e notoriedade · Pedido de autógrafos · Trauma nas vítimas
  • Estatísticas de abuso infantilÓrfão aos quatro anos · Criação por tio · Trabalhos forçados e tortura psicológica · Abuso sexual
  • Profissionalização do CrimeViver do crime como profissão · Ausência de prazer em matar · Mortes como circunstância · Especialização em crimes
  • Regime de prisão e segurança máximaMudanças sociais e tecnológicas · Desconhecimento do mundo atual · Dificuldade de adaptação · Comparação com outros criminosos notórios
Transcrição112 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Meu desejo é parar de achar que existe um jeito certo de ser mãe. A gente entende que cada gestação é única e que cada fase pede cuidados diferentes. Por isso, Nestlé Materna desenvolveu uma linha completa de suplementos para acompanhar você em toda a jornada da maternidade. Desde o apoio à fertilidade para mulheres que estão planejando a gestação até linhas exclusivas com vitaminas e minerais para cuidados na gestação e no perpério. Nestlé Materna, com você, do seu jeito.

5 de janeiro de 1998, Joinville, Santa Catarina. Naquele dia, chegaria ao fim a história de um dos criminosos mais violentos do Brasil. Com diversas fantasias, ele foi o verdadeiro terror de São Paulo nos anos 1970. Mascarado, invadia, roubava mansões e ainda possivelmente violentava suas vítimas.

Também com marcas de homicídio no currículo, o bandido da luz vermelha fez fama e fez tragédia. Confira com a doutora Rosângela Monteiro a biografia de João Acácio Pereira. Diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil. De um dos principais cartões postais na cidade de São Paulo. E com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista.

Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto, que crime é esse? Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Por favor, não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, ligar sininho, marque nas suas mídias sociais, marque a todos nas mídias sociais. Se puder, seja mesmo, se não me dá, está tudo certo. Dizem que venha comigo até o final desse especial com a minha queridíssima amiga, a doutora Rosângela Monteiro. Que bom estar aqui. Eu adoro estarmos juntos. É muito bom, sim. Gosto muito.

Sempre é muito bom, produtivo. A gente fazendo esses especialistas, a gente não falou de casos impactantes, clássicos já, mas que se tornam sempre crimes atuais, quando a gente começa a olhar o quanto que essa parte toda da maldade e tudo mais, você pode estar falando de 1800, 2025, 2089, que a maldade só vai ficando tecnologicamente mais atualizada, mas o resto vai entrando.

Bandido da Luz Vermelha foi um crime que eu lembro de falarem dele, assim, para mim, já criança, porque ele aterrorizou São Paulo, eu lembro que era do Morumbi, né? É, das mansões. As mansões do Morumbi, que eram assaltadas, mas depois você vai descobrindo que ele também era o outro bandido. Ele era vários bandidos. Exato.

Só que a polícia não sabia que procurava uma única pessoa. Ele tinha uma máscara social. Ele é muito interessante, é uma personalidade a ser olhada quase como uma ficção, de tão requintada que ela é, de sofisticada que ela é.

de uma época, de uma outra época, uma época, vamos dizer assim, mais romântica, não romântico no sentido, mas era daqueles dos ladrões que ficavam famosos, que tinham um tipo de procedimento, que agiam sempre daquela maneira, o modus operandi, a forma dele agir, o que ele fazia, diferente de hoje, que a coisa está...

O indivíduo consegue uma arma, uma moto, acabou, não precisa mais nada. E assalto é quem está no ponto de ônibus, a senhorinha que foi buscar o pão, se é onde levar a aliança. Ele era sofisticado. No mundo do crime, vivia, gostava de estar no mundo do crime, era a profissão dele o crime. Ele escolhe o crime como carreira, né?

Ele é o típico indivíduo que escolhe, é aquele que vive, ele gosta dessa adrenalina do que acontece, nesse tipo de ação, ele tem plena consciência do que pode acontecer com ele, que ele vai responder por isso, que vai ser preso, mas é isso que dá o barato e ele curte e vive em função disso. A maneira dele conseguir é uma profissão, ele encara a atividade criminosa como profissão.

1942 foi o ano onde nasceu Chico Picadinho e o ano que nasceu o José Acácio Pereira da Costa, o famoso bandido da luz vermelha, ou o mascarado, não sei das quantas, vai contar a história dele. Então, em 24 de 1642, Joinville, Santa Catarina.

Ele era alto, né? Era, era, era alto, tinha até uma aparência interessante. Eu me lembro que quando ele saiu, porque ele cumpriu todo o tempo dele, acho que foi um dos poucos que cumpriu 30 anos, ele estava acabado. Então, deu para ver que você passar 30 anos na cadeia não é fácil. Mas é um indivíduo interessante. E teve uma vida também, uma próxima...

do Chico Picadinho, na infância, infelizmente. Ele ficou órfão aos quatro anos, não sei exatamente o que aconteceu aos quatro anos, que ele acabou ficando órfão, e ele e o irmão, ele tinha um irmão, passaram a ser criados por um tio. E esse tio o submetia a trabalhos forçados, em troca de comida. Então, eles tinham que trabalhar.

Então, ambos também eram torturados psicologicamente. É um abuso também. É um abuso, sim. É um abuso total. Não se fala em abuso sexual aqui. Mas eles eram torturados psicologicamente. Depois ele vai sofrer abuso sexual. Entraram em contato com o tio. O tio negou isso. Falou que não tinha nada disso.

Não se sabe. Ele vai falar, né? Eu estou aqui aguardando uma pessoa que abusa de criança. É, e vai falar, não, realmente. Quando não realmente abusava. Abusava. Eles tinham que trabalhar em troca de comida, tinha quatro anos, mas tudo bem. Não é porque ele fez tudo o que ele fez que o tio não possa ter feito tudo o que ele disse que o tio fez.

E aí, na pré-adolescência, ele acabou sendo estuprado por meninos mais velhos. Não foi um menino, não. São vários que seriam os rivais dele. Aquela coisa, acho que de briga de vizinhança, esse tipo de coisa. Foi estuprado. Adolescente, já adolescente, ele saiu disso. Então, não deveria ser realmente um lar muito legal junto com os tios, porque adolescente, ele já veio para São Paulo.

porque ele já viajou, acho que tanto para sair dessa família, como para fugir dos furtos que ele começou a praticar, lá em Joinville. Então, pré-adolescente, no início da adolescência, ele já começou a fazer pequenos furtos. Para fugir disso...

Era uma cidade maravilhosa, linda, mas na época, na década de 50... Mais fácil você saber quem está entrando já na malandragem. Exato, na década de 40, 50, ia chegar nele. Ele, adolescente, fugiu para São Paulo. E aí, ele foi se especializando, Beto, muito inteligente, já foi amadurecendo. Ele fixou residência em Santos.

Em Santos, olha só que interessante, em Santos ele se passava por filho de fazendeiro, com muito dinheiro, mas de onde vinha esse dinheiro? Dos crimes que ele cometia em São Paulo e no Rio de Janeiro. Eram os assaltos que ele cometia. E os desmanches de carros que ele vai fazer no Rio. Desmanche de carro. É maravilhoso, porque ele vai criar uma personalidade para uma sociedade onde ele poderia até mesmo...

Construir família, amizades, dentro de uma mentira histórica.

Ele devia rir muito das pessoas. Isso dá prazer, né? Isso dá, claro que dá. Você manipular e enganar, e as pessoas todas acreditando, né? E ele falava que era um bom moço, mas ele já tinha um comportamento meio extravagante. Ele gostava de pôr uns ternos coloridos, perucas diferentes, chapéu extravagante. Sempre gostou de chamar atenção. Só que ele fazia isso em Santos.

E o crime ele cometia em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ele chegou a roubar 50 veículos em pouquíssimo tempo. Lá no Rio. É engraçado, porque no Rio era carro. Em São Paulo, eram os assaltos.

As residências, as mansões. Ele era muito ligado nesse negócio de joia. Por que será que ele determinou? Eu acho que talvez a facilidade, o conhecimento, não sei. Ou mesmo uma construção de... Aqui eu vou fazer uma personalidade. Também. Aqui eu faço isso. Aqui eu vou fazer tal coisa. No Rio. Não, mas ele trabalhava quatro, cinco vezes por semana. Ele era assim, trabalhava assim. Ele faz todos os dias da semana. E aí, final de semana, ele era o fazendeiro em Santos.

Você vê, fora que assim, por que Rio de Janeiro?

Porque assim, Rio de Janeiro era longe, ainda mais naquela época e tudo, a Dutra era ainda pior. Ele ia de ônibus, olha só, e voltava com o carro que ele roubava e mandava para o desmanche. Olha só, ele ia de ônibus e voltava de carro. Você imagina ele fazer isso todos os dias da semana. É uma estratégia, né? Porque você pega um carro do Rio e desmanche em São Paulo, fica mais complexo a investigação. Década de 60, década de 50.

Você lembra que ele nasceu em 42? Isso é década de 50, 60. E ele conseguia manter essa farsa.

em Santos, que ele era o bom moço, conseguia o dinheiro e ostentava. E aí ele chegava. Então, em Santos, ele pegava o carro, no Rio, ele pegava o carro, vinha para São Paulo para o desmanche. E em São Paulo, ele agia de que maneira? Para ele ser chamado de bandido da luz vermelha. Então, aí tem outra característica. O que ele fazia? Para enganar a polícia, porque o lance dele em São Paulo era assaltar, era roubar, porque ele não estava preocupado se as famílias estavam dentro da residência ou não.

Isso não importava para ele. O negócio dele era entrar nessas residências e ali tirar os bens de valor. Dinheiro, o que ele encontrasse. Objetos de decoração, joia. Esse era o lance. E ele sempre agia de madrugada. Isso é uma coisa dele. Entre duas e quatro horas da madrugada.

ele adentrava nessas residências luxuosas, que eram aqui no bairro do Morumbi, mansões mesmo. O bairro do Morumbi era o bairro das mansões. Exatamente. Então, ele entrava e tinha uma característica. Ele era especialista em entrar, além do horário, apesar de criar várias pessoas, ele criou quatro tipos.

de modus operandi, porque o modus operandi não tem a ver com a assinatura dele. Isso também vale, não precisa ser serial killer. O modus operandi muda. Então, ele inteligentemente criou quatro maneiras de agir.

dessa pessoa, que confundia a polícia. A polícia estava achando que estava lidando com quatro bandidos, quando, na verdade, era um só, era ele. Então, durante seis anos, a polícia ficou em cima disso, porque é óbvio, sem contar que, em muitos casos, essas mansões nem levavam para a polícia o que tinha acontecido.

Muitos desses casos. Então, não era tudo assim notificado. Deve ter mais casos ainda. E a polícia investigando quatro tipos de ladrões diferentes, pessoas diferentes, sendo que era um só. Então, como é que ele agia? Duas coisas que eram características dele, que a gente pode falar como assinatura. Entrar de madrugada.

entre duas e quatro horas da manhã. Era para assustar quem estivesse lá dentro. Exato, pegava o pessoal dormindo. Ele devia adorar amedrontar. E sempre pela janela. Então é o que a gente chama do tipo de ladrão ventanista, que vem de ventana, janela em italiano. Então, porque tem o telhadista, porque tem vários tipos. Nessa época, os ladrões se especializavam também. Não é como hoje, não. Então é interessante isso. Mas o que ele fazia?

Em alguns casos, ele era o incendiário. Então, a polícia estava atrás de um ladrão incendiário. Por quê? Porque ele entrava nessas casas e colocava fogo nos corredores dos quartos.

para assustar. Então, a família saía assustada, acordava no meio daquilo, e era uma maneira de ele conseguir pegar todo mundo, para justamente acordar e criar desespero nas famílias. Com isso, ele pegava todas as pessoas, deixava no canto, para ele poder roubar. De cara limpa. Não, ele usava um lenço, sempre usou um lenço. Tipo aquele... É aquele lenço, era lenço. Uma máscara. É uma máscara. Esse era um tipo. Aí, o mascarado.

mas ele sempre usava isso. Só que, em alguns casos, ele não colocava fogo. Então, ele só entrava mascarado e roubava joia. Então, para roubar joia, ele usava esse tipo de coisa. Aí, o bandido macaco. Por que macaco? Porque ele usava um macaco hidráulico para abrir as janelas. Era a forma dele abrir as janelas e adentrar dentro das residências, porque ele era um ventanista, era especialista nisso. Então, em ferrolho, fechadura.

E começou, em alguns casos, a usar um macaco hidráulico para poder abrir as janelas.

Então era isso. E depois, o bandido da luz vermelha. Porque ele foi, numa ocasião, no mapping, e comprou uma lanterna. Pra ajudar, pra poder iluminar, porque as casas estavam todas escuras. E essa lanterna, ela tinha um aro e uma lente vermelha.

Então, foi no Mapping que ele cobrou. O Mapping era a grande... Era a loja de departamento. Era a nossa Masons aqui de São Paulo. Era a Mésbora no Rio e Mapping em São Paulo. Era a nossa grande magazã. Era uma magazine. Tinha de tudo. Primeiro andar. Cada andar. Tinha ascensorista. Primeiro andar, cama, mesa e banho. Segundo andar, anjo e rima. Terceiro andar.

Eu fui muito. E no MAP do centro de São Paulo tinha a Casa de Chá. Eu cheguei a ir lá, mas na minha época já não era mais... Tanto assim, mas eu fui. Não era chiquérrima, mas ainda era um lugar. Vamos almoçar no MAP. Era uma coisa. Eu cheguei muito a frequentar o MAP na cidade, lá no 24 de maio. É que hoje vai virar um Sesc ali. É na frente do Teatro Municipal. Eu fui muito lá. Frequentei muito na minha infância e adolescência.

Ah, Praça Ramos. É, na frente do municipal você tem ele ali. Então, ele estabeleceu essas formas justamente para burlar a polícia, para a polícia achar que está lidando com quatro bandidos diferentes, enquanto, na verdade, era ele. E ele não era só um ladrão. Então, o que aconteceu?

Na verdade, a polícia imputa a ele o seguinte, quatro assassinatos nesse período, que também foi curto, viu, Beto? Ele agiu de quando a quando? Foi de 60... Ele foi preso... 66 a 67, é pouco.

Em um ano ele conseguiu fazer 50 carros roubados. Sim, praticamente. Ele tinha 20 e quantos anos? Ele nasceu 42, 25, 24 anos. Isso, mesma idade do Chico Picadinho. Mesma idade do Chico Picadinho. 24 anos. O Chico Picadinho vai ser preso a primeira vez em 66. Ele é preso em 67. E ele em 67. Eles estavam ali agindo juntos. Contemporâneos, exatamente.

É isso mesmo. Aí o que aconteceu? Dentre esses casos, o que a polícia fala? Que imputa ele? Quatro assassinatos, 77 assaltos e mais de 100 estupros. Esses estupros nunca foram provados. Então, ele não respondeu por isso. Existe essa coisa. Talvez...

Não dá para saber. Agora, de onde surgiu essa história dos estupros? É uma coisa meio nebulosa. Mais de 100. Mais de 100. Então, ele estuprava as mulheres dessas residências. Muito provavelmente, elas não relatavam isso. Então, nunca ficou... Exatamente. Mas sabia-se, mas sem prova, não dá para fazer. Então, quatro assassinatos. O que aconteceu? Ele, gente, foi preso...

Em 1900... Não, Morel. Ele acabou sendo preso em 1967, em Curitiba. Porque a polícia descobriu, num desses casos, conseguiu levantar a impressão digital, ele deixou na janela. E conseguiram fazer a identificação dele, chegar até ele. Ele estava em Curitiba, conseguiram prendê-lo. Aí o que acontece? Ele confessou, Beto, os quatro assassinatos. Como é que aconteceu isso?

Ah, e tudo isso, assim, ele era super vaidoso, ele andava sempre com essas roupas extravagantes. Ele roubava para viver bem. Para viver bem, gastar com mulheres, boates, prostitutas, bebidas. Ele morava bem até em San Francisco, porque ele era filho de fazendeiro. Então, ele roubava para isso, para ostentar e para gastar com o que ele achava que podia ter. Ele matou o esposo e feriu o moço.

Olha só isso. Prisão, preso bandido da luz vermelha em Curitiba. Ele vai ser preso lá. Daí a gata fuzila a rival. Olha, olha. Notícias populares. Notícias morador do segundo andar. Nossa senhora, maravilhoso. É muito bom. O que ele confessou? Que isso ficou provado. Quando ele foi preso, ele não mentiu. Ele realmente falou, não, eu matei quatro pessoas. Quem são essas no interrogatório?

O primeiro foi em 3 de outubro de 1966, Beto. Ele entrou numa casa e tinha um estudante de 19 anos, residente no imóvel, que percebeu que tinha alguém no quintal. Ele pegou uma espringadinha de chumbo e resolveu... Atirar. Ah, é. Ir lá e confrontar. Só que era ele. Quando ele percebeu o João Acácio aqui, ele saiu correndo. Mas, provavelmente, o rapaz deve ter feito um disparo, alguma coisa assim. Ele se virou e atirou. Ele nem viu. Ele se virou.

Se ele tinha acertado ou não. Porque ele ia roubar com arma mesmo. Com arma. Ele usava arma. Por isso que ele conseguia conter todas aquelas pessoas. Se ele bota fogo na casa, sai todo mundo lá, como é que ele vai? Então, o que aconteceu? Esse caso especificamente, a gente tem detalhes, porque o doutor Moraes atendeu esse caso primeiro.

da morte dele, em 1966, era estagiário, ele foi com o perito. Então, ele foi lá, ele se virou e atirou. Foi um tiro no escuro. Ele atirou no escuro, acertou no pescoço do rapaz e foi a primeira morte, morreu lá. O Horá está aqui. Ele era estagiário. Você está aqui. Pela que eu não estou com o microfone aqui, mas você vai me contando o que você sabe. Você atendeu outros locais também?

Eu vou traduzindo aqui porque está sem o microfone. Você estava com estagiário na Polícia Técnico-Científica? É, estagiário, estagiando ainda. Virou para a Polícia Técnico-Científica? É. Foi um tiro no escuro mesmo. Foi um tiro no escuro, é.

coincidiu estudando, estava na janela. E aquela coisa que era muito comum nessas casas, a edícula vira a casa do filho, mas vai crescendo. É, que tem que estudar, exato, exatamente. E nessa... Edícula. Nessa edícula ele estava estudando lá. E ele viu, ouviu ali. Entendi. O barulho lá. Está dando para ouvir, Sal? Não, não é? Entendi.

Ele viu que entrou alguém. A mãe estava lá. A mãe foi chamar a polícia e ele saiu com as pingadinhas de chumbo. A mãe saiu.

Já vou contar aqui. E aí foi o tiro no escuro e pegou ele.

Pegou onde o tiro? Na nuca do rapaz. De cara, matou na hora. De cara, matou. Então, ele entrou para o medícola, aí estava lá o rapaz estudando, amanhã até estava próximo, ele fala, mãe, chama a polícia, ele pega os brigadinhos de chumbo e sai, dá alguma coisa, ele vira, dá um tiro e pega na coisa. Ele já... Porque eu me lembro...

uns telidos de pessoas falando assim, que um bairro do Morumbi já estava com medo. Essa morte, você sabe se é já no meio dos assaltos ou é logo no começo dos assaltos? Foi logo no começo, porque foi no Sumaré. Ah, essa é no Sumaré, não é nem no Morumbi. Nenhuma das mortes, só uma aconteceu no Morumbi.

Essas, isso aqui foi no Sumaré, por exemplo. Na Avenida Sumar, no bairro de Sumaré. Que tem umas casas gigantes também. São bonitas, umas casas lindas. Sim, ele só entrava em casa, que ele falou, onde eu vou encontrar alguma coisa? Porque ele vai encontrar dinheiro, preciso pagar minhas contas. Precisa pagar, precisa ser o filho fazendeiro. Dez dias depois... Isso foi que dia, que ano? Isso foi 3 do 10 de meia-meia.

Foi a primeira morte. Ele já deveria estar nessa vida de assalto e nunca precisou atirar em alguém, porque ele respondeu por esses quatro. Dez dias depois, a vítima foi um operário, mas foi briga de bar. Ele estava lá no bar... É engraçado, porque é como lá no futuro...

E se a briga de bar vai voltar na vida dele. Vai voltar na vida dele, olha só. E ele matou José Inéas da Costa. O outro era Walter Bedian. Mas, por exemplo, essa briga de bar, tudo bem, na casa a mãe do menino não viu. Ela falou se ele estava mascarado. Ela deve ter falado. Então era mascarado. Mas no bar ele estava com a cara dele. Não, estava com a cara dele. Ele já sabia, a polícia, mas ninguém apontou para ele. Não, acho que ainda não.

Porque isso foi dez dias depois, em 66. Ele só foi preso no final de 67. E isso ele já tinha um tempo. Ele deve ter começado, se seis anos, ele deve ter começado na década de 60, no ano de 60. Isso que ele sabe São Paulo, ele veio de Joinville, não sei onde ele parou entre Joinville, foi para Santos, ele vai para o Rio. Vai para o Rio. Não sei se no Rio não tem uma morte nas costas, além do carro. Mas as mortes mesmo que foram investigadas, que ele cumpriu, foram essas quatro.

Do menino, dez dias depois. Uma briga de bar, ele mata um cara, um operário. Você sabe como? Também tiro? Tiro. O José Enés da Costa, há 23 anos, foi morto. Dia 7 do 6, quer dizer, 3...

3 do 10 de 66, aí dia 7 do 6 de 67, no Jardim América. O Jardim é um riquezíssimo, a mais pesada que o Morumbi, bem mais. Ele entrou para roubar e deu de cara com um industrial de nome Janosch von Christian. Que era o dono da casa. Que reagiu. Eles trocaram tiros. O cara estava armado também. Ah, meu Deus. Mas ele acabou sendo morto pelo João Acácio, pelo bandido da Luz Vermelha. Tá?

Aí, dia 6 de sete, de meia a sete, quer dizer, tudo muito próximo, né? Estava ficando meio... Um é junho, julho. Ele matou o vigia, o José Fortunato, porque ele tentou, esse vigia era da residência, da mansão, tentou impedir. Aí, Morumbi. Morumbi tentou, não, no Ipiranga, tentou impedir.

E ele acabou sendo morto por ele também. Ele foi mais esperto e acabou matando. Ele confessou essas quatro mortes. E pela investigação, essas ficaram comprovadas mesmo de que foi ele. Não tem mais qualquer outro. Tanto que ele foi condenado por quatro assassinatos, 77 assaltos, sete tentativas de homicídio, nesse meio aí. E a pena foi de 351 anos, nove meses e três dias de prisão.

Os estupros, ele é apontado como estuprador, mas não tem nenhuma prova. Nada, não tem. Não é julgado por isso. Ele é julgado por sete tentativos, eles falam que é mais de 100 estupros. O que aconteceu? Provavelmente, ele estuprava as vítimas dessas residências onde ele entrava.

Mas como é que sabem que estupravam se elas não falam nada? Exatamente. Ou se falam e não querem... Não querem fazer inquérito. Não querem denunciar. Ainda mais pessoas... Se hoje já é complicado... Há pessoas de alto padrão daquela época, então, mais ainda, né, Rosângela? Porque você não era vítima de um estupro.

Você era culpada do seu estupro. E ele mesmo pode ter confessado. Os maridos também não queriam. Então, o que acontece? Ele mesmo pode ter falado. Eu entrava na residência e fazia. Mas não tem denúncia sobre isso. E o fato de ele confessar, só a confissão não é crime. Não é crime no seguinte sentido. Você não tem como penalizar a pessoa. Você tem que provar. Posso ser uma pessoa louca, posso estar confessando para te salvar. Posso estar confessando porque fui obrigado. E posso confessar porque estou recebendo.

E aí, nesses seis anos, virou terror aqui em São Paulo. E ele já estava como bandido da luz vermelha. Aí a polícia já conseguiu juntar. Falou, espera aí, esses quatro que nós estamos procurando é o mesmo.

Então, tem alguns casos que ele entra e coloca fogo no corredor, tem outro que ele usa o macaco, tem outro que ele força a fechadura porque ele sabe mexer. E perceberam e encontraram a impressão digital, devem ter encontrado mais de uma. Chegaram, uma monodactilar, porque o cara não deixa cinco mãos lá, mas ele acabou deixando digital.

Pela digital chegou o que? No documento dele? Provavelmente. A carteira de identidade. Então já sabia que era o João Acácio. O bandido da Luz Vermelha, que ele ficou mais conhecido.

Ou não usou Ness Dia, ou nessa vez deixou uma maca. Não tem nada que reporte a isso. E foi na janela? Na janela. É maravilhoso ter deixado na janela. É por onde ele entrava. Daí você força, e janela tem vidro, o vidro é mais forte. Exatamente. Então criou-se isso. A imprensa, em função das pessoas sempre repetirem, ele tinha uma lanterna vermelha, com aquela luz vermelha. Então ele virou o bandido. Foi a imprensa que denominou, que deu essa alcunha para ele, o bandido da luz vermelha. Aí...

Aí ele foi preso em 66 e ele é solto em 96. Em 97. Como você falou, ele é um dos poucos que cumpriu 30 anos, que era o máximo da época que podia ficar. Exatamente. Então ele foi preso em Curitiba.

após conseguir essa impressão digital, passou 30 anos e foi libertado em 26 de 8 de 1997. Em 1997. Ele retornou para Joinville. E é interessante uma coisa, se você ainda não assistiu, se você assista ao especial sobre o Chico Picadinho...

Que além de ter nascido no mesmo ano Que o Bandido da Luz Vermelha Quando o Bandido da Luz Vermelha é solto Tem sim uma comoção Um cara condenado a 300 anos Cadeia, já tá solto e tal E ele vira e fala Ué, falem também do Chico Picadinho Que ele tá lá e daqui a pouco ele pode ser solto também É

E aí o Chico Picadinho volta a ser notícia. Então, assista, a gente fez também, aqui com a Rosângela, o especial sobre o Chico Picadinho. E eu lembro, quando ele foi solto, que, nossa, reportagem, todo mundo fez, filmaram, falaram, entrevista com ele, o que você vai fazer agora? Vou para Joinville e tal. E ele ficou, sabe, numa notoriedade lá. As pessoas pediam autógrafo. O que era interessante, quando as pessoas pediam autógrafo, ele escrevia autógrafo, né?

Mas ele ficou daquele mesmo jeito, andando assim, de uma maneira mais chamativa. Lá para Joinville. Lá em Joinville.

Só que quatro meses depois, ele acaba sendo morto, numa briga de bar. Quatro meses só. Como lá, 30 anos antes, ele tinha matado um homem numa briga de bar. Ele terminou também numa briga de bar. Segundo as informações, ele mexeu com uma mulher nesse bar, o marido estava lá, o marido foi tirar satisfações dele e ele parece que dominou o cara e estava com uma faca. Aí ele estava com uma faca.

Aí o irmão desse rapaz falou, esse cara vai matar meu irmão, pegou e atirou nele. Então teve o julgamento desse indivíduo e ele foi absolvido. Em 2004 aconteceu o julgamento e ele foi absolvido porque entenderam que foi legítima defesa mesmo. Ou seja, ele ficou um ano solto, meses solto. Meses, quatro meses. Ele morreu no dia 5 de janeiro de 1998, é isso? De 1998, exatamente. Então o ano começou e ele já perdeu a vida. Exatamente, quatro meses. Já foi para o bar que era.

E situação diferente. Ele acabou, ele não estava mais sabendo como as coisas andavam. Ele ficou 30 anos na cadeia. Ele estava vivendo em 60. Ele saiu com quantos anos? 50 e poucos. Ah, Beto, olha. Ele é de 142, ele saiu com 56, coisa assim que seja. É, por aí. Mas ele estava bem acabado.

E ele passou a maior parte da vida na cadeia. Então, ele saiu, ele estava vivendo ainda na década de 60, né? Quando ele ia para o bar, etc., ele estava achando que era como as coisas se resolviam na década de 60. Ele não tinha mais 20 anos.

provável até que ele viesse a matar o rapaz, porque a justiça entendeu, no julgamento, se entendeu que foi legítima defesa mesmo. O cara falou, se eu não matasse, não atirasse nele, ele ia matar meu irmão. Ele nem estava sabendo quem era ele. Mas uma coisa que você falou, eu nunca tinha parado para pensar dessa maneira. Ele entrou em 1966, 67, na cadeia, e ele saiu em 1997. Foram 30 anos de profunda mudança.

Da sociedade. Da sociedade. E de tecnologia. Assim, quando ele entrou, telefone fixo era uma coisa rara e cara, e rica. Exato. Quando ele saiu, já tinha telefone celular. Já tinha telefone celular, exatamente. Já tinha internet. Já tinha TV a cabo. Já tinha DVD. Ele não pegou nem o VHS. Já tinha DVD. Exato. A moda era outra, o mundo era mais conectado. A Daniela Pérez já tinha acontecido com ela. A novela já tinha invadido o crime na novela. Exato. Exato.

Uma pessoa que fica tanto tempo na cadeia e já é solta, não tem que ter um... Um período de adaptação, né? Um período de adaptação, uma aula, sei lá, uma escolinha. Deixa eu te contar como é que é o mundo. É, as coisas se modificam. Então, por mais que ele tenha algum tipo de informação, que ele leia jornal, que ele veja o noticiário na TV, ele não está vivendo aquilo, ele não sabe, não dá. Para ter noção, você tem que ter um período de adaptação mesmo. E ele já se jogou, né?

Já começou a frequentar a barra. Ele estava em Tremember? Não. Não sei se Tremember não. Porque se ele estava numa cadeia, ele também está de uniforme, muitas vezes. Ou seja, você é totalmente desindividualizado. É uma pessoa que fica 30 anos, que entra com 20, sai com 50.

que ele vai começar a escolher a roupa que ele vai pôr para vestir. Tudo é muito difícil. Por isso que você vê, por exemplo, o Pedrinho Matador também. Ainda mais bandidos que ficaram muito notórios. Exato. Porque não tiveram saídinha.

O Maníaco do Parque. Quando o Maníaco do Parque sair, o mundo é outro também. É outro também. Totalmente. Porque a saída ainda você vai se ressocializando de alguma maneira. Você sai, você encontra... Mas você fica em regime fechado pelo que você fez. Nessas cadeias. E, de repente, fala assim, vai. Sai aí. Sai aí. Não sabe nem onde ir procurando o que é ponto de ônibus. Exatamente. Exatamente. Tudo muito diferente.

Então, é... Até as formas de relacionamento. Ele ainda era de uma época que, numa briga de bar, a coisa podia terminar do jeito que não é mais assim. É, o Manetra não é mais assim. Tem um outro cara que está lá com uma espingarda. Quer dizer... Ele vai morrer por desconhecer o mundo.

É, exatamente. E já quis sair, ele voltou para o mesmo ritmo que ele tinha, que era frequentar bar, boteco, boate, rolo, mulher. Nossa, ele é muito louco ter gostos, sabores. É. Porque você não tem a comida, aquele mesmo gosto, mesmo sabor. As relações entre as pessoas, homens e mulheres, é tudo muito diferente.

30 anos, muita coisa acontece. Sem sair de dentro de uma cadeia mesmo, sem bater pau com ninguém? Vai lá, não, não dá. É um choque. Uau, é? E o cara, às vezes, entra numa fria assim, porque ele não sabe nem como as pessoas estão se relacionando mais. Na época dele era uma outra história. Ele tinha uma outra idade. É como se ele parasse esses 30 anos e ficasse parado no tempo. Ele sai achando que ele tem 30 anos ainda.

São pessoas que saem sozinhas e solitárias Ele tinha filho? Ele teve filho? Não Não teve filho, não teve relacionamento Não, já era órfão

Quer dizer, o tio, ele vai procurar aquele tio, que provavelmente já morreu. O irmão dele também devia ter caído fora também. O irmão não sei o que aconteceu. Ele volta para a cidade natal, né? Ele volta, é, para Joinville. Então, não sei se ele voltou para a casa do irmão, se o irmão deu a colhida, como é que é. Mas até ele se adaptar e entender as coisas como eram, mas o instinto dele está lá, né? Já foi arranjar confusão no boteco.

Sim, é. Saiu e foi arranjar. Provavelmente, se o outro não tivesse interferido, ele tinha matado um cara.

Ia voltar para a cadeia. Olha o que é o instinto. O cara passa 30 anos, ele ia falar assim, pelo amor de Deus, não vou nem passar na porta de um bar, não quero confusão. Mas é dele. Mas é dele, para você ver como é. É dele. E podia ter sido o contrário, ele podia ter matado o cara. Então, exatamente, por pouco. Se não tivesse o irmão lá, que de repente falou, esse cara vai matar, e atirou, ele tinha matado uma outra pessoa, num bar, como ele fez.

Olha que coisa louca. O que adiantou os 30 anos que ele ficou preso? Nada. Paralisou o monstro. Eu não sei como foi dentro da cadeia.

Pedrinho Matador, mesma coisa. Ele foi arranjar confusão lá em Mogi das Cruzes, que já tinha, que daí os caras já foram lá para pegar ele. Não consegue se desvencilhar dessa vida. O cara pode passar 30 anos na cadeia, 40 anos na cadeia. Ainda mais quando é bandido profissional. Ah, bandido profissional. A característica do bandido da luz vermelha é essa coisa, dele viver do crime e gostar disso. Ele escolheu o crime como forma...

dele viver, de onde ele tira o sustento dele, ou para ostentar, ou para os gastos, era isso. E ele ainda bolou um esquema interessante. Claro que hoje as coisas estão muito mais fáceis, porque a comunicação é muito grande. Mas na década de 60, o que você está fazendo em São Paulo, não aparece em Santos. Ou que você vai no Rio de Janeiro, como é que você vai associar que o cara mora em Santos?

Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia. Tchau.

É porque ele pode até ter deixado... Não, porque ele roubava o carro e trazia para São Paulo. Ele ia de ônibus, roubava o carro, e o cara chegava a fazer isso todos os dias da semana. Cinco dias na semana ele fazia. E voltava, e voltava. E já tinha o canal certo para o desmanche dos carros.

Podia ter os carros Brasília, Fusca. Já estavam determinados. Passat, não sei se tinha. Não, Passat não, década de 60. Fusca, com certeza. Brasília também, acho que sim. Brasília na década de 60. Eu lembro do meu pai de 70. Eu lembro de Brasília em casa, mas é década de 70. 70, já.

Agora, 60, 50, 60, que ele começou com isso, tinha muito daqueles carros importados, aqueles carros grandes, né? Ainda eram, não é verdade. Ford, Chevrolet. Um ferro pesado. Exato. Se você encostar, você se morre. Os pretões, assim, todo fechado. Buíque, aquelas marcas. Itamaraty, sei lá, Cinca, Chambor.

O Cadillac Que o Roberto Carlos cantava O meu Cadillac É uma coisa maravilhosa Bom, desse caso é essa a história Do Chico Cadinho Não, do Bandido da Luz Vermelha Ele morre dentro Da sua própria forma de ser

Exatamente Ele sai depois de 30 anos Uma das primeiras coisas que ele vai fazer é ir num boteco Arranjar confusão Uma pessoa que não construiu nada para o mundo O interessante é isso O que a cadeia trouxe para ele Esse período que ele ficou preso Nada Porque ele saiu do mesmo jeito Ainda numa sociedade totalmente diferente Ele achando ainda que é um cara de 30 anos 20 e poucos anos, já estava com 60 quase Querendo entrar em luta corporal Quer dizer Eu vou ler

E deixou nada de bom para o mundo. Nenhum deles nunca deixa, mas eles também... E teve uma repercussão, eu lembro bem disso, quando ele saiu, nossa, entrevista, e todo mundo falando, filmando. Eu tenho uma lembrança, em 97, eu lembro de verem falando, eu fui indo falando dele, eu pergunto para o meu pai, esse daí é quem? Ele falou, não, o cara que roubava as mansões do Morumbi. Ele roubou muita, mas você não tinha ainda... E a característica do indivíduo que escolhe o crime como meio de vida.

Não necessariamente é psicopata Eu acho que ele foi o primeiro criminoso Celebrizado Ele tinha também Ele escreve autógrafo Você pedir autógrafo para um criminoso Eu acho Não é uma personagem Exato

É um cara que matou quatro pessoas, é um cara que roubou muita gente, é um cara que traumatizou. É, muita gente. Porque você ser vítima de um assalto é traumatizante mesmo. É um indivíduo dentro da sua casa. Você não dorme, ainda mais de madrugada, você nunca mais vai ter um sono completo. Porque você vai ter... É um trauma não, mas é uma marca eterna da sua vida. E se ainda tem o grau de violência... Porque o cara já botava fogo no corredor da casa, para você imaginar.

Ou só de encontrar esse indivíduo dentro da sua casa, um indivíduo estranho, armado.

Se houve ainda essa... Os estupros, imagina. Estuprar uma mãe na frente de filhos. Ou você estuprar uma esposa, uma filha do dono. Com o pai na sala e a filha no quarto. É de uma insanidade, uma maldade que ele deixou marcas em pessoas que com certeza até hoje são eternas. Exatamente. Exatamente.

É uma das pessoas que precisavam ter nascido. Na verdade, ele tem quatro homicídios, que ele confessou, mas tem sete tentativas de homicídios também, que não se concretizaram, mas houve intenção. Então, as pessoas colocam ele como um serial killer. Eu não vejo ele como um serial killer. Essas mortes são... Não é aquele que ele mata por prazer, um serial killer?

Nem acho que seja, viu, Beto? Ele pode ser até um fronteiriço, essa mistura, mas existe uma categoria de criminoso que ele gosta de viver do crime. Em geral, é isso, assalto, estelionatário. Esses dias, eu estava vendo aí uma família, o cara é estelionatário, a mulher, os filhos, o cara já é estelionatário faz 50 anos, caramba. Pegaram um pouco de tempo, é interessante.

A perna é muito pequena. Exatamente. Então, eu acho que ele se encaixa naquela categoria do indivíduo que gosta de viver do crime. Eu te cortei sobre o serial killer, não é por quê? Serial killer, porque as mortes não estão ligadas a prazer. O serial killer mata por prazer. Não está ligado a isso. É uma circunstância que o cara vem enfrentar.

Nós estamos trocando tiromato. Primeiro ele nem viu. É, ele nem viu. O segundo é uma briga de bar. Briga de bar. O terceiro é o confronto com a sua... Com a surpresa que ele... O outro foi o quê? Um vigia também tentando não deixar ele entrar na casa. Então não tem ali o componente do prazer. Ele não foi para matar. Ele não escolheu a vítima. E teve lá o sadismo.

e tortura. Uma forma de matar. Uma forma de matar específica. Não, isso não é serial killer. Ele pode ter muitas mortes na vida dele, mas isso não caracteriza ser um serial killer. Porque o serial killer é o prazer. Ou, se for um esquizofrênico, é para uma missão que ele está fazendo aquela coisa. É outra história.

Entendeu? Então não é. Mas ele tem essa característica de uma época que os indivíduos se especializavam. Era um... Era profissional. Era profissional. Era profissional. Hoje a gente tem o cara mata o outro porque é o celular, porque o cara olhou do lado, ou porque... Sabe por causa de uma aliança que nem é de ouro às vezes?

Mas que ele é de máscara, era para não ser reconhecido. Isso trazia já uma sensação de que ele não queria que apontassem para ele. Ou seja, as pessoas ficariam vivas. Porque o terror é você olhar para a cara de um bandido, porque aí você sabe que o cara não vai querer que você...

Aponte quem é ele e quem é. É que você reconheça. É o terror. É o terror. Exatamente. Mas é interessante. É um caso interessante. E tem outro também. Meneghete também foi um cara muito... Esse acho que é anterior, década de 20, 30. Meneghete também foi um grande. Ele entrava nas casas para roubar. Um assaltante. E uma das marcas dele era ele defecar no local. Antes de ir embora.

Esse fica para a gente conversar Numa próxima também Muito obrigado Por vocês estarem ficando aqui com a gente Tem vídeo todo dia Até já

Anunciantes2

Magalu

Promoção de volta a se ver do tamanho que de fato somos gigante
external

Nestlé Materna

Linha completa de suplementos para maternidade
external
ROUBOU CASAS, VIOLENTOU, MATOU CENTENAS - QUEM FOI O BANDIDO DA LUZ VERMELHA, ENTRE MITO E MAL REAL | Castnews Index — Castnews Index