PARTE 1 - RAPHAELLA BRILHANTE CONTA COMO SOBREVIVEU À TENTATIVA DE FEMINICÍDIO DO MARIDO JOÃO LIMA
Confira a entrevista em duas partes que fiz com Raphaella Lima, que em apenas 3 meses de casa com o cantor de forró João Lima, quase morreu vítima de feminicídio pelas mãos do então marido.PARTE 2 DA ENTREVISTA:https://youtu.be/YnqZRTVCi54#crime #casal #casamento #entrevista #podcast
- FeminicidioAgressão física e sufocamento · Tentativa de morte no banheiro · Ameaças constantes à vida · Busca por justiça · Medo do agressor em liberdade
- Violência contra a mulherPrimeira agressão na lua de mel · Pedidos de desculpa e promessas de mudança · Repetição de agressões · Gastos emocionais para acreditar na mudança · Aumento progressivo da violência
- Manipulação e Construção de MáscaraFachada de homem perfeito antes do casamento · Namoro de 1 ano e 10 meses sem sinais · Pressão para casamento rápido · Insistência para ter filhos · Atos romanticos após agressões
- Relacionamentos FamiliaresApoio dos pais na delegacia · Proteção da filha das agressões · Mãe como exemplo de força · Pai como figura masculina importante · Segurança providenciada pelo pai
- Reabilitação e Propósito de VidaSobrevivência como segundo propósito · Desejo de ajudar outras mulheres · Uso da voz pública para alertar · Ressignificação do trauma · Importância da justiça e prevenção
- Perfil do AgressorHomem mais velho buscando mulher jovem · Pressão para casamento acelerado · Insistência em ter filhos imediatamente · Uso da gestação como âncora · Isolamento da mulher
- Ameacas Pos-AgressaoAmeaças mesmo após prisão · Mensagem de amigo do agressor · Medo durante liberdade condicional · Boletim de ocorrência por ameaças · Possibilidade de vingança
- Isolamento social e emocionalDificuldade em contar o que acontecia · Incompreensão de amigas · Máscara do agressor conhecida publicamente · Pressão para manter segredo · Revelação gradual de histórico de violência
- Trauma e ComportamentoCrises de pânico ao chegar em casa · Pesadelos e acordar assustada · Acompanhamento psicológico · Medicações prescritas · Dia a dia difícil
- Atuação familiar de agressoresFalta de apoio da família · Tia do agressor atacando vítima nas redes sociais · Pai do agressor bloqueando vítima · Mãe do agressor sem apoio · Entrega do filho à polícia sem conforto
- Reconhecimento de Sinais de AbusoGrosseria no caminho para aeroporto · Rouxo visível após agressão · Mudança de comportamento pós-casamento · Mentira para mãe sobre lesões · Conscientização dos sinais posteriores
- Expectativas e RealidadesCasamento como conto de fadas inicialmente · Transição para horror · Bênção torna-se maldição · Fotos felizes vs realidade escura · Desconstrução do mito
- Carreira e Realização PessoalMédica especializada em hematologia · Especialização em psicologia e transpráctica · Profissão escolhida para ajudar · Paixão pela área de atuação · Desejo de focar na carreira
26 de janeiro de 2026, João Pessoa, Paraíba. Naquele dia, o Brasil conheceria o terror pelo qual a jovem médica e influencer Rafaela Brilhante passava em seu recente casamento com o cantor de forró João Lima. Com apenas três meses de casados, João mostrou sua verdadeira personalidade de monstro entre agressões e tentativa de feminicídio. Confira a entrevista que fiz em duas partes com Rafaela.
Que fala de medo, fala de coragem, força, resiliência e justiça. Diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil. De um dos principais cartões postais na cidade de São Paulo. E com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto, que crime é esse?
Se puder, seja membro. Se não puder, está tudo certo. Então, você vem comigo até o final deste encontro que eu não gostaria de ter. Eu sempre digo isso quando eu vou entrevistar ou familiares de vítimas ou, principalmente, as vítimas que ainda conseguem contar a sua história. Todos nós fomos impactados agora, no começo de 2026, com a triste história da Rafaela Brilhante, uma moça jovem, uma médica jovem, uma influenciadora, casada com um... já nem tão jovem, já um homem.
já de mais de 35 anos, cantor de sucesso ali na região nordeste do Brasil, onde tudo parecia ser quase um conto de fadas, quando, na verdade, era um filme de terror. E a Rafaela teve a coragem, a humanidade com ela mesma e com os outros, de trazer à tona a sua história. E, com certeza, através da voz dela, de quem ela vai agora contar tudo o que aconteceu, ela salva outras mulheres, porque ela passa a ser também uma projeção,
de um futuro que, geralmente, Rafaela, seja muito bem-vinda ao canal. Geralmente, eu estaria entrevistando a sua mãe. Geralmente, eu estaria entrevistando uma amiga sua. Sempre me dói demais quando eu consigo entrevistar a vítima viva, porque ela passeou perto demais da morte. E me dói pelo seguinte, eu imagino a solidão que deve ser esse momento, o medo que deve ser, mas é você quem vai me contar tudo. Antes de mais nada, eu queria te agradecer pela oportunidade de conhecer.
Eu acompanhei o seu caso desde que começou a sair na mídia e fiquei estarrecido. Seja bem-vindo ao canal. Muito obrigada, Beto. Muito obrigada pela oportunidade também de estar falando, de estar usando a minha voz para ajudar outras mulheres. Isso traz um novo significado. Uma coisa que veio em minha mente quando eu sobrevivi a tudo isso é que eu não renasci à toa. Eu não sobrevivi à toa.
me salvou naquele momento, teve um propósito e eu acredito que com toda certeza é ajudar outras mulheres a não passarem por isso e a não chegarem ao ponto que eu cheguei. Exatamente. Eu vi a sua entrevista que você deu logo após, quando tudo começou, o burburinho todo, me impressionou bastante, você tremia muito, você chorava muito, daí eu tenho te acompanhado no Instagram, vi que você está fazendo terapia, isso é excelente.
lá atrás, mas eu quero saber de você agora. Como você está hoje, gravando com você hoje, dia 10 de fevereiro de 2026, tão recente tudo. Como você está agora? Eu queria muito chegar aqui e dizer que eu estou bem, sabe? Porque eu sei que eu tenho sido, de alguma forma, força para muitas mulheres, mas não é fácil. Eu estou sendo acompanhada,
psiquiatra, tô fazendo uso das medicações, tudo direitinho, sendo acompanhada com psicólogo, mas é um trauma muito grande. Eu até falei nas minhas redes sociais que ontem eu voltei a trabalhar e assim, é um, traz uma paz pro meu coração cuidar, foi por isso que eu escolhi a minha profissão de ser médica, né, e assim, eu dei ali o meu melhor pra cada paciente, mas antes de
ser médica, eu sou humana. Então, quando eu cheguei em casa, eu desabei, sabe? Assim, meu coração tava ali a mil por hora quando eu cheguei em casa. Já tava iniciando uma crise de pânico e algumas vezes de madrugada eu acordo com ele me sufocando, né? Tudo pesadelo, né? Tudo resquício do transtorno de estresse pós-traumático que eu desenvolvi.
Então, eu vejo que muitas vezes existe uma diferença muito grande entre você torcer para que a vítima fique bem e você cobrar. Às vezes a sociedade cobra. Poxa, sai disso, sabe? Mas não é simples assim. Faz pouquíssimo tempo do ocorrido e eu estou dando o meu melhor, sabe? Eu estou dando o meu melhor. Eu acho que é um dia de cada vez.
Eu preciso ficar bem, então eu estou lutando com todas as forças para isso pela minha filha, que precisa de mim, ela precisa me ver forte, ela precisa me ver bem. Mas se eu dissesse que é fácil, que simplesmente é você ir embora e a dor, o trauma, o medo simplesmente desaparece, eu estaria mentindo.
Então, a gente sabe muitas vezes como são os casos, como alguns casos acontecem, e eu acredito na justiça, principalmente na justiça de Deus, mas também na justiça humana, e eu toço para que o meu caso seja diferente, e para que a partir daí outros casos sejam diferentes também. Mas, enfim, é isso. Se você me respondesse que você está ótima, eu perguntaria quando você vai mudar de terapeuta,
a pessoa estar ótima. Agora, não tem como você estar bem. Seria muito estranho. Se alguém te cobra isso, é uma pessoa ainda mais cruel, tão cruel quanto quem fez tudo com você. Como diz a minha amiga Ana Beatriz Barbosa, todos nós temos uma fênix dentro de nós mesmos. Só que o tempo é parte dessa equação. Para a gente se renascer, para a gente se revisitar, para a gente sair, tem que esperar o tempo. O tempo é o tempo que é o senhor de tudo.
Você me falou de um habeas corpus, a gente vai entrar em todo crime. Mas você, além de estar com todo esse trauma carregando agora, literalmente na sua pele, na sua alma, no seu coração, você está com medo de ele sair? O medo de você ter que ficar frente a frente novamente com o monstro? Nossa, muito, muito medo. E, na realidade, para ser 100% sincera, eu estou com medo até agora.
Como eu disse, eu sofri muitas ameaças dele. Ele, inclusive, falava que a família dele, como eu já comentei em outras entrevistas, tem matador histórico, enfim, e de outras pessoas que poderiam me matar. Eu recebi uma ameaça de um amigo dele recentemente. Ele disse que eu merecia ter todos os meus ossos quebrados, que eu iria ter todos os meus ossos quebrados. Eu fiz um boletim de ocorrência,
mostrou a cara mesmo e fez essa ameaça pra mim. Então, mesmo ele preso, eu ainda tô com medo. Imagina ele solto, né? E pensar nisso, pensar no habeas corpus com toda certeza é algo que é aterrorizante. Você é... Uau! Eu ia te perguntar se você fez boletim de ocorrência, você já fez. Você tá com segurança? A polícia está te dando segurança? Como você está com isso?
pela Delegacia da Mulher de Cabedelo. Eu sei que muitas vezes, quando a vítima procura, às vezes não é recebida da forma que deveria. Então, eu enalteço, sabe? A delegada que me recebeu lá, salvo engano, o nome dela é doutora Ivanise, ela me recebeu muito bem, me acolheu muito bem. Eu me lembro que quando eu fui, tive que falar o nome do agressor, eu chorei muito, porque,
Eu me lembrei que foi por aquela pessoa que eu passei tantos meses orando. Orei muito pelo sucesso dele, pela carreira dele, que ele estava, quer queira ou não, reiniciando, tentando. Eu sonhei muito os sonhos dele. E eu vi que aquele nome que muitas vezes eu citava em oração para ser visto de uma forma, foi o mesmo nome da pessoa que tentou me matar, que eu estava ali.
tendo que denunciar para proteger a minha vida, foi algo muito doloroso para mim. E eu lembro que eu me levantei na hora, me tremendo, porque eu fui sozinha para a delegacia, e eu comecei a me tremer de medo, comecei a me tremer por tudo, começou a vir tudo na minha mente. E ela olhou para mim e falou, você não está sozinha, nós estamos aqui por você, nós estamos aqui para te acolher, não deixe de denunciar,
que uma vítima que chegou nesse estádio, que você chegou aqui, que eu cheguei toda machucada, toda ferida, ela disse que ela fez isso, se levantou, foi embora, decidiu não denunciar, e uma semana depois ela estava morta, e ela, assim, realmente me deu forças ali para eu finalizar o boletim de ocorrência, sabe? Então, ela me deu depois toda a assistência, né?
necessária. Estou com segurança. Meu pai providenciou. Esse segurança, obviamente, ele disfarçado, não se mostra. Mas o medo existe. Não tem como não existir. A família dele não te apoiou? Porque eu vi que o pai entrega o filho para a polícia. Achei até uma atitude muito difícil de acontecer. Mas a família dele não te procurou, não te abraçou.
Beto, é até muito difícil pra mim falar sobre isso, porque quando eu iniciei meu relacionamento com o agressor... Você não pode falar o nome dele ou você não quer falar o nome dele? Eu não quero, eu prefiro não falar. A família dele, eu tive como minha família, sabe? Eu abracei mesmo, eu escutei do pai dele que eu era uma filha pra ele, ele tem uma filha da minha idade, o irmão dele.
irmão pra mim. Desculpa. Imagina você pedir desculpa de nada. Quem tem que pedir muitas desculpas são essas pessoas pra você. A mãe dele, do mesmo jeito. Até hoje eu não recebi a mensagem de nenhum. E quanto ao pai dele, a mãe dele, algumas semanas antes, ele havia tido uma discussão porque eu descobri que ele tava devendo várias pessoas. Eu tentei conversar com ele pra entender de onde estavam vindo essas dívidas. Eu sofri violência
também, ele me deu um tapa na cara, saiu de casa surtado, eu liguei para a mãe dele, contei do ocorrido, então, quer queira ou não, de alguma forma ela sabia o que estava acontecendo, mas até agora eu não recebi nenhuma mensagem dela de apoio. O pai dele, dias antes de entregar ele, inclusive antes de tudo vir à mídia, eu liguei para ele porque a tia dele, a irmã do pai dele, no caso,
sociais, tentar falar coisas terríveis, absurdas, mentirosas sobre mim, sobre minha mãe. Chegou a chamar minha mãe de narcisista, uma coisa que minha mãe não é narcisista. Minha mãe, ela faz tudo por mim. Tudo isso porque ela descobriu, né? Ela percebeu que eu estava tentando sair do relacionamento. E começou a rolar nos grupos de WhatsApp, as pessoas me detonando, acreditando.
me dando mal-estar. Tem um copo d'água aí? Você quer tomar uma água? E eu liguei pro pai dele e falei, tio, chamava ele assim, eu falei, tio, olha só, o seu filho me espancou, ele vem me espancando desde que a gente casou, várias e várias vezes, ele tentou me matar agora, dessa última vez, ele lesionou o meu braço, que eu tô com o meu braço imobilizado, e a sua irmã está tentando falar de mim e da minha família,
nas redes sociais. Então, além de tudo que seu filho me fez passar, a irmã dele, a irmã dele não, perdão, a tia dele, a sua irmã no caso, né? Falando pra ele, ainda está tentando sujar a minha imagem. E eu não aceito isso. Isso não é justo comigo, sabe? O que ele me falou foi, não, minha filha, fique quieta, se cale, vamos resolver tudo na paz, vamos resolver tudo na tristeza.
Peça direcionamento a Deus. Vamos resolver isso na paz. Não fale nada. Desligou o telefone comigo. Mandou uma mensagem dizendo que me amava. Depois disso sumiu. Desapareceu. Não fez um pedido de desculpa. Não falou absolutamente nada. E só quando foi realmente cobrado pela mídia. É que ele veio realmente se pronunciar em público. Mas ele me bloqueou das redes sociais.
Então, o pedido de desculpa dele, eu não entendo como esse pedido de desculpa foi para mim, porque se eu estava bloqueada, se ele tinha meu WhatsApp, no meu WhatsApp ele não estava bloqueado, e ele não mandou uma mensagem para mim, ele não falou comigo em nenhum momento, ele em nenhum momento me deu apoio, em nenhum momento ele fez isso, a menos quando ele foi realmente cobrado, eu não vejo dessa forma.
ou não tem influência política. Enfim, a realidade, o que realmente aconteceu foi isso. Foi zero apoio da parte dele. Lembrando sempre que a gente entrevista a todos os lados, se alguém quiser, a família dele, a defesa dele. Em respeito à própria Rafaela, não vou citar o nome do agressor, vamos chamar ele aqui de agressor, todo mundo sabe que é o cantor e tudo mais, mas em respeito a você, eu não vou falar o nome desse homem que te maltratou
que você ainda carrega esse terror do dia a dia. Se a família, o advogado quiser, é só mandar e-mail para equipebetorriveiro.com. Uma coisa que eu percebo muito é uma pesquisa empírica da minha parte, das entrevistas que eu fiz e faço ao longo da minha vida. Todos os agressores, e não estou falando especificamente deste, mas ele se traz um retrato que corrobora com o que eu vou falar, eles têm e são o que são por conta de terem o apoio familiar que carregam.
Eu não consigo ver famílias organizadas que não tenham vergonha dos vídeos que você trouxe a público. Eu não consigo ver uma cunhada, sabe? Você ficar, não se colocar junto de você. Então, isso daí aparece consagrar o que a gente tem percebido, que os agressores são formados dentro de casa e os familiares precisam entrar em contato com essa realidade,
Nunca vai mudar absolutamente nada. Rafaela, eu queria voltar um tempo mais feliz. Eu queria conhecer você. Lá atrás. Porque tudo aconteceu agora. Que dia de janeiro de 2026 que vem à tona tudo? Dia 18. Dia 18 de janeiro. Não, na verdade, tudo veio à tona depois, né? Do dia 18. Pouquinho depois, mas... 24? É, acho que sim. Por aí. Primeira, segunda quinzena de dezembro de 2026. Foi. Eu vou conhecer você através do seu desespero.
Mas você tem uma vida muito grande. Antes, apesar de ser muito nova, você já é mãe, você é médica. A medicina é uma carreira muito complexa de ser construída. Exige muito trabalho, muito estudo, muita dedicação. Então mostra um caráter seu já evoluído, muito mais maduro e amadurecido. Eu vi a entrevista da sua mãe e eu fiquei muito tocado por tudo que ela falou. Quando ela diz, eu nunca toquei na minha filha, eu nunca briguei com a minha filha.
filha dela sendo maltratada daquela maneira. Como é a sua história? Você nasceu, cresceu, de onde você veio? Como é que você vai ter a sua primeira filha? Me conta a sua biografia, nesse tempo até conhecer o seu agressor. Queria saber de você. Eu nasci numa família, graças a Deus, maravilhosa. Meu pai é um exemplo realmente pra mim de homem, um exemplo de marido.
Levanto café da manhã na cama pra minha mãe. Então, assim, ele é um homem extraordinário, sabe? Nunca me faltou amor na parte dos meus pais. Minha mãe é minha melhor amiga. Ela realmente, assim, é uma mulher extraordinária. Tanto como esposa, como mãe, como vó. O meu pai, ele não só é avô da minha filha, como ele é um pai pra minha filha. E, assim, eu cresci cercada de muito amor. Eu sou filha única.
Esse foi o exemplo que eu tive dentro de casa e foi com isso que eu sempre sonhei. Eu acho até isso muito importante de ser falado, porque muitas pessoas acreditam que vítimas de violência doméstica acontecem apenas casos quando a pessoa não tem uma base familiar. Isso não é verdade. Muitas vezes você, justamente por acreditar no amor, por você não ter enxergado essa maldade, você acaba não conseguindo,
acreditar que isso possa acontecer com você. Mas com toda certeza, quando você tem uma referência de amor, você tem força pra sair, pra se retirar. E assim, eu sempre fui muito estudiosa, sempre amei estudar. Isso sempre foi um prazer pra mim. Você é da Paraíba mesmo? Você nasceu da Paraíba? Eu nasci criada em João Pessoa. Entrei pra medicina muito cedo, me formei aos 22 anos apenas. Você entrou com quantos anos? Entrei bem novinho.
14? São 6 anos de medicina. São 6 anos de medicina. Exatamente, foram meus 22. E eu, assim, fiz especialização em dermatologia em São Paulo. Foram 3 anos, né? E depois fiz tricologia e transplante capilar em conjunto. E hoje estou atuando na área, principalmente de tricologia e transplante capilar. Realmente é uma área que eu sou completamente apaixonada.
Eu fiz transplante faz um ano, um ano e um mês. É muito interessante. Muda a vida, né? Muda a última. Tem uma filhinha de quatro aninhos, de um relacionamento anterior, eu não tive filhos com esse atual. Seu agressor. Isso. Essa filhinha veio de um relacionamento anterior, mas eu não falo sobre justamente por proteção a ela, porque eu não acho que seja relevante,
Ele está seguindo a vida dele, eu estou seguindo a minha. Mas não existiu violência entre esse seu primeiro relacionamento do pai e da sua filha? Foi uma boa relação? Sobre o relacionamento com o pai da minha filha, eu realmente prefiro não... Não falar nada, tá? Não falar nada, por proteção a ela. A gente tem fotos dela, acho ela linda, mas eu não vou mostrar exatamente. Você me mandou umas fotos, já agradeço pela confiança,
a gente não vai mostrar até pra preservar ela também. Perfeito. Ela é uma princesa. Você olhando pra ela é muito feliz. Você é uma mulher mãe muito realizada por ter ela de filha. É muito bonita a foto sua com ela. Ela é a razão também, né? De obter forças pra lutar, pra sair de tudo isso. Quando a gente é mãe, a gente não pode se dar o direito de cair, sabe? É duro.
falar isso, porque mães são humanas. Então, não me entendam mal, não estou dizendo que a gente não cai, mas a gente tem que arranjar a força de onde a gente acha que nem tem para se levantar, porque eu vou ser um exemplo para ela, sabe? Então, eu quero que ela olhe para mim e ela saiba que ela não deve permanecer onde não há amor e que ela saiba o que é ser amada, como é ser amada. E eu agradeço muito a Deus
todo o amor que meus pais dão a ela e que eu dou a ela, porque eu sei que ela é uma criança que se você ver, não precisa nem falar, ela é muito feliz, ela segue muito feliz, porque eu consegui, graças a Deus, proteger ela de tudo isso, ela não sabe de nada, e ela tá assim, com a mentezinha dela toda protegidinha, feliz, brincando, quando ela viu meu braço imobilizado, ela perguntou, mamãe, o que foi isso?
Eu fiz, ah, filha, você não achou fashion? Eu achei super fashion. Então, eu tô levando pra ela, mesmo com o coração sangrando, tudo com muita leveza. Quando eu tô nos meus momentos mais difíceis, os meus pais acolhem ela, então ela não me vê assim. Ou eu digo pra ela, ai, mamãe tá dodói, filha. Mamãe pegou uma gripe, a mamãe tá deitadinha por isso. Então, tudo eu tô tratando com ela de uma forma pra que realmente ela não tenha a mentezinha dela.
atingida de nenhuma forma, que ela siga sendo essa princesa doce, amável, que ela é, que é realmente apaixonante. Quem conhece se apaixona por Mel. Você falando dela, já te pergunto algo que eu ia fazer lá na frente, durante o crime. Ela chegou a presenciar, ela estava no local onde as agressões aconteceram? Ela ouviu alguma coisa? Não. Como a primeira agressão aconteceu na Lua de Mel,
Eu tentei acreditar na mudança dele. Ele disse, na agressão da Lua de Mel, ele pediu muito perdão. Ele disse que foi um monstro, que ele não podia ter feito isso comigo, que eu não merecia e que isso jamais iria acontecer. E eu realmente tinha cinco dias de casada, eu quis acreditar naquilo.
Não tenho nada. Não tenho prova nenhuma. Não tenho... Enfim. Isso me angustiou muito quando você falou de prova. Eu sei que eu estou te cortando, mas a gente vai voltar. Você não precisa provar nada para ninguém. Você sabe o que você viveu. Mas você sentia a necessidade de provar que você falava a verdade. É isso? Se uma mulher sai de um relacionamento onde há ameaça de morte sem provar o que aconteceu, o agressor continua solto. Concorda? Entendi.
ainda por cima, ela é atacada pelas pessoas. Então, se você não consegue provar o que aconteceu, você está em eterno risco de vida. Tá correta. Entendi. Entenda a palavra só que eu vou falar. Não foi só uma agressão. Foi uma ameaça contra a sua vida. Foi uma ameaça contra a minha vida até chegar na tentativa realmente. Até na tentativa real. Então, realmente, você precisava de algo que o colocasse na cadeia.
bastaria apenas você se separar pelo que você sabia que tinha vivido. Entendi. Isso. Muito bom. Você foi muito inteligente, mas deve ter sido muito dolorido ter sido tão inteligente, racional nesses momentos. Aí, só voltando, sua filha, então, ela não estava na Lua de Mel? Claro que não. E depois? Eu nem consigo... Não. Aí, depois, eu realmente fui tentando afastar ela do ambiente. Então, a gente morava vizinho aos meus pais,
uma rede de condomínios, então era muito próxima a nossa casa, da casa dos meus pais. E por Melissa ter sido nascida e criada aqui, perdão, na casa dos meus pais, então ela tem uma relação muito forte com o meu pai. Ela tem ele como uma figura realmente masculina, uma figura paterna muito forte para ela. Então eu sempre estava trazendo ela para cá,
Comecei a fazer assim, quando eu ia dormir na casa com ele e ela junto, eu chamava meus pais e dizia, vamos tomar um vinho, e dizia, aproveitem e durmam aqui no quarto de visitas, porque eu sabia que na presença deles ali, eu imaginava, né? Jamais iria acontecer. Mas, graças a Deus, ela nunca presenciou nada. E no dia da tentativa realmente de feminicídio, quando ele realmente tentou me matar,
pais, mas aqui tem mais de um andar. Eu estava no andar de baixo, meus pais no andar de cima e Melissa estava dormindo com eles. Então, ela não ouviu nada da mesma forma que infelizmente meus pais, minha mãe, ninguém ouviu nada. E eu queria tentar esclarecer uma coisa. Não é que eu fui pensando em formas de provar algo. Eu realmente
sabia que eu não tinha como sair sob a ameaça que eu estava. Mas eu não tinha como saber quando ele ia me agredir, nem nada do tipo. E eu estava num ciclo onde eu queria acreditar na melhora, na mudança. Mas quando eu vi ele realmente tentando me matar, eu vi que realmente eu não tinha saída. Então, ali naquele momento, eu não sei, eu iria ter que tentar sair de qualquer forma.
Mas graças a Deus, as câmeras de segurança do meu quarto, que aqui na casa dos meus pais tem câmera de segurança em todos os locais... Aquela câmera de segurança, ela já existe na casa? Já existe sempre, desde sempre. Porque é na cama, eu achei até meio... Não, não é pra cama. Ah, o que é aquele lugar? Ali é pro closet, só que pega parte da cama. Inclusive, eu acho que ele achava que não ia pegar a cama. Ah, entendi.
ela é mais voltada para o closet, é porque as filmagens estão aproximadas. Entendi. Mas ela é uma câmera voltada para o closet e acaba pegando a cama. No banheiro, os banheiros da casa são os únicos lugares onde não tem câmera, que foi para onde ele me levou no final. Ele já tentou me sufocar ali na cama, né? Ele já me sufocou ali. É angustiante aquela cena. E depois, no banheiro, foi pior, né?
tive que fingir de smile, porque eu comecei a me sentir tonta, e eu vi que ele não ia parar, e foi quando ele realmente botou a mão na boca pra sentir se eu ainda tava respirando, eu segurei, e ele foi embora como se nada tivesse acontecido, eu vi isso nas imagens das câmeras. Ou seja, só pra confirmar uma coisa que você tá falando, não é que você construiu provas, é que existiam elementos que te ajudariam a provar, sendo que ele tinha consciência,
das câmeras, ele tenta inclusive fugir delas, ele te leva até pro banheiro porque ele sabe que lá não tem e ele acha que no quarto a câmera do close não pega onde ele está exatamente, eu não tentei construir provas é ele que tentou se livrar das provas ele que tentou sair eu sei que seria muito bonito, inteligente chegar aqui e dizer, ai gente eu fui muito, mas não não foi o caso, porque realmente eu queria acreditar na mudança dele, eu vinha orando
Eu vinha lutando por isso, eu vinha lutando por isso, mas quando eu vi que só ia piorando e ele realmente tentou me matar, eu precisei realmente, naquele momento, veio na minha imagem a minha filha e eu sabia que eu precisava fugir dali. Inclusive, eu não sabia se as câmeras tinham conseguido pegar a agressão.
porque eu vivi novamente aquilo e eu vi... A gente não vai mostrar o vídeo, tá? A gente não vai mostrar o vídeo porque eu não preciso, se alguém quiser, já viu. E é uma questão respeito a você e eu acho tão agressivo aquilo que aquilo é prova para tentativas de feminicídio. Aquilo a gente não precisa mostrar aqui. Só você contar isso já é bastante gráfico. Enfim... Você viu o vídeo? Eu vi que pegou,
eu pensei, meu Deus, eu tenho que sair disso, eu tenho que fugir disso, e foi quando eu fui na delegacia para denunciar, mas até então nem eu tinha certeza que as câmeras tinham conseguido pegar, porque as câmeras são voltadas para o closet. É isso. Rafaela, você, por exemplo, você me contou que você liga, inclusive, e fala com o pai do agressor. Você fala, seu filho fez isso, seu filho fez isso,
seu filho fez isso, o pai do agressor te bloqueia, a mãe, a tia do agressor começa a querer falar mal de você nas mídias sociais, assim por diante. Os seus pais tinham consciência do que você estava passando? Não, o mais importante eram eles, mas eu... Como é que você conta isso pra... Como é que você... Eu contei pra minha mãe depois que eu tinha... Depois que chegou no extremo. Antes disso, eu não contei pra ela realmente. Uma falha minha, mas... Desculpa, não é falha. O abusador, o agressor,
Você, até pegando um ponto que você falou lá atrás, as vítimas de violência doméstica, muitas vezes elas repetem o que elas veem em casa. E você passou a repetir o que você viu em casa, aquilo que você nunca viveu com ele. Então, como você não tinha essa referência do certo, você sabia que aquilo era errado, você consegue viver até um tempo muito curto, para quase ter morrido, inclusive, mas se perceber que tem que sair disso, porque isso não é bom.
a educação que você teve, a confiança dos seus pais que você teve, é que te faz com que você esteja viva aqui agora. E não deve ter sido o mesmo. Fácil, estou tentando te ajudar nisso. Você mostrar para sua mãe, para seu pai, inclusive, o seu sofrimento. Pai e mãe não querem ver filhos sofrendo. Você tem todo esse ponto. Agora, você vai para a delegacia sozinha. Você nem chama a sua mãe, seu pai, você vai sozinha, dirigindo e vai para lá. Foi dirigindo sozinha para lá. Quando cheguei lá, eu fiz o corpo deles,
Delito fiz. Não consegui fazer no mesmo dia. Estava me tremendo muito, muito assustada. Estava com muito medo dele descobrir que eu estava ali por conta das ameaças. Mas no dia seguinte, eu fui. Tomei coragem, fui. Fiz o corpo delito. E fui dando seguimento a tudo. Aos poucos, eu fui falando para algumas amigas. Na verdade, eu não falei. Eu não conseguia falar. Como é que você fala? Entenda, na minha situação, existem situações,
em que as mulheres vivem um relacionamento no namoro, onde no namoro elas são agredidas, as amigas sabem, a família sabe, tentam separar e ela quer continuar e ela vai casa. Não foi o meu caso. No meu caso, eu me casei com um cara que era um príncipe até então. As únicas coisas que ele demonstrava eram os ciúmes, mas era algo pontual, perto de todo o amor, o carinho que ele dava,
se tornava algo muito pequeno. Então, na minha cabeça, quando eu estava entrando ali naquele altar, eu estava casando com um homem completamente diferente. Ele construiu uma máscara não só para mim, como para toda a minha família. Então, imagina como é duro eu chegar para as pessoas para quem eu sempre falei, poxa, ele é o amor da minha vida, ele me trata super bem, ele me enche de carinho. E eu pegar e dizer, eu casei,
E ele virou outra pessoa. Eu tava... Eu não conseguia falar isso. Eu não conseguia sequer acreditar nisso. Eu ainda tava tentando entender na minha cabeça o que tava acontecendo comigo. Quem era aquela pessoa, sabe? Que conseguiu utilizar aquela máscara por tanto tempo. Três anos que vocês namoraram? Não. A gente namorou um ano e dez meses. Inclusive, isso é uma informação que tá circulando que foram três anos, mas não foi. A gente namorou por... Na verdade, a gente começou a namorar em janeiro.
em março de 2024, ele me pediu em casamento só dois meses depois, ele tinha muita pressa em casar, eu consegui segurar, até 2025, quando ele realmente me deu um ultimato, disse, se você não casar agora, eu não quero mais, porque você não me ama, e foi quando eu disse, poxa, eu realmente senti que ele, na hora eu parei e pensei, poxa, esse homem realmente me ama muito, porque eu realmente estou esse tempo todo só, né, vamos lá.
Mas hoje a gente tem exatamente um ano e dez meses de namoro. E passamos dois meses casados. Então foi um total de dois anos de relacionamento. Então por um ano e dez meses ele construiu uma máscara completamente diferente. E por que ele estava com tanta pressa de casar? Um homem já veio, formado, 34, 36 anos. Qual era a urgência? Ele queria ter filho? Nossa, ele me pressionava muito para ter filhos. Muito, muito, muito.
muito mesmo. Inclusive, ele falava, queria usar comparações porque eu tinha uma filha, achava que, queria dizer que eu não amava ele, porque eu não estava tendo uma, porque eu não tinha filho com ele, queria porque queria ter filha a todo custo comigo. E eu dizia pra ele que eu não estava pronta, que eu queria que Memel fosse sentindo mais o meu amor, quer queira ou não, vir um irmão, poderia gerar um
enfim, toda essa questão, eu não tava pronta, eu não tava pronta pra isso, eu sou muito nova ainda, eu fui mãe muito nova dela, então assim, eu tava realmente querendo focar mais na minha carreira, e no futuro, depois, realmente, aí sim, ter outros filhos, mas ele insistia muito por isso, ele dizia que queria, porque ele já tinha certeza, porque ele já me amava, mas hoje eu vejo como se tivesse sendo muito duro pra ele segurar aquela
Rafaela, é tudo novo para você. Violência doméstica, violência contra a mulher, feminicídio, não é? É que se você assistiu o canal desde o começo, você ia ver o quanto que esse tipo de... Você me trouxe um desenho clássico do homem mais velho que busca uma moça nova porque ela tem menos... Ela ainda está numa maturidade da vida. Ele já está com tempo. O diabo não é diabo porque é mal. O diabo é diabo porque é velho.
mais idade, buscam meninas mais novas, pressionam, são super românticos no começo, pressionam muito para um casamento rápido, para ele poder logo já ter a certeza, querem pôr um filho na mulher imediatamente, porque aí a própria gestação e a maternidade se tornam as âncoras para aquela mulher muitas vezes não sair da relação abusiva. E a mulher tem um filho, ele já faz outro, às vezes tem dois, três, porque a mulher fica com uma gestação, filho pequeno, filho pequeno,
Tira ela do trabalho muitas vezes, afasta dos amigos. Eu falo muito isso, porque eu não precisava trabalhar, mas em compensação, enfim. Você vai me contar até do patrimonial que você passou. É que você trouxe um desenho que pode ajudar muitas mulheres também a entenderem que o abusador não chega com um tapa na cara. Até ele dar a violência física, ele tem um tempo de construção
para ele poder chegar naquele ponto, que é o que ele fez com você. Ele bate, aí ele pede perdão, diz que não foi nada tal, você quer salvar ele, você não está entendendo o que está acontecendo, aí ele repete, aí ele vai de novo. Você viveu a situação mais clássica que tem do abusador, principalmente porque você não tinha conhecimento da vida, de ver, com certeza suas amigas não passaram por isso, dentro da sua casa você não viveu isso, então isso tudo é zero quilômetro para você.
Ele foi o clássico do clássico. Deixa eu perguntar uma coisa. Como vocês se conheceram? Na realidade, eu, entre aspas, sabia quem ele era a vida toda, né? A família dele cresceu, era próxima da casa onde minha mãe morava. Então, vez ou outra eu cumprimentava ele, né? Mas assim, de longe não existia aquela amizade. Quando foi em janeiro,
de 2024, mais ou menos, eu encontrei ele, reencontrei ele num churrasco de uma amiga em comum. Inclusive, ele até disse que foi de Penetra. Mas ali, ele me chamou para sair. A gente saiu, começou a realmente se conhecer mais dessa forma. E pouco tempo depois, eu acho que
Uma semana, 15 dias depois, ele já me pediu em namoro. Acho que foi 15 dias depois, ele já me pediu em namoro. Então, realmente, assim, foi tudo muito rápido. Foi tudo muito rápido. Mas ele, no começo, ele era muito bom pra mim. Ele não era uma pessoa ruim pra mim. Eu não casei achando que eu estava casando com uma pessoa ruim. Inclusive, eu acho um absurdo quando alguém até supõe isso, porque eu tenho uma filha. Eu estaria colocando a minha vida em risco.
Eu jamais casaria com ele se passasse pela minha cabeça a possibilidade de ele ser um agressor. Sabe? Então, não. Isso não existiu. E eu sei que é muito duro. Porque é assustador você saber que tem pessoas que conseguem segurar essa máscara. É assustador. É muito mais fácil pra qualquer pessoa, pra qualquer mulher, pra qualquer ser humano pensar. Não. Eles dão sempre sinais muito claros. Não. Às vezes os sinais não são claros. Ele já tinha 36 anos.
hoje, 36? Então, ele tinha 34 quando te conheceu. De novo, já é um homem formado, 34 anos. Ele tem, se você puder me contar, até pra você saber se você sabia do passado dele. Ele tem outras ex-mulheres, tem filhos, tem outros históricos de relação hoje, que talvez você tenha que descobrir hoje, outros históricos de relação violenta com outras mulheres. Quem é essa pessoa? Ele tem uma filhinha de 8 anos, que é uma
princesa, eu também não vou entrar em mais detalhes sobre ela, porque, por proteção a ela, a mãe dela, eu conheci, falei com ela, ela é um amor de pessoa, uma pessoa por quem eu tenho um grande carinho, mas ela não teve um relacionamento com ele, realmente ela não tinha como saber jamais que ele era uma pessoa, ela não tinha como me avisar, e assim, fora isso,
Eu soube que teve uma mulher que foi agredida por ele, que tiveram, na verdade, tem relatos de outras agressões. Mas você está sabendo isso agora? Eu soube disso só agora, só depois que tudo veio à tona. Mas, infelizmente, essa pessoa, as outras eu não sei, mas uma dessas pessoas disse que não quer se envolver. Não quer representar contra. Não quer representar.
de cada pessoa, eu também não vou jamais expor ninguém. Você está fazendo isso também por você e pela sua filha, porque, de novo, era para eu estar entrevistando sua mãe, e não você. A primeira agressão, vocês se casam, foi um casamento de contos de fadas, eu vi algumas fotos que circularam pela internet, você está muito feliz no casamento. E vocês vão para onde, Lua de Mel? A gente foi para o Caribe, Ponta Cana. Então, no lugar distante,
onde estaria mais preservado, inclusive, para... A distância ajuda o monstro a aparecer. O que acontece? Eu vi que você conta que começou a chover, você subiu. Como que foi essa primeira... A primeira agressão física. Quando o Aliá te agride, você consegue perceber outros sinais que ele foi dando dias anteriores ou aquele foi o único sinal que veio? Depois do casamento, ele ficou mais estranho. Eu me lembro que no caminho para o aeroporto, no carro, ele já estava sendo mais grossoso.
ser comigo. E eu até lembro que eu estranhei isso. Eu peguei e falei poxa, no ouvido dele, né? A gente tava indo com o motorista, então eu falei no ouvido dele, eu falei não me trata assim na frente das pessoas, sabe? Não precisa me responder. Aliás, não me trate assim, ponto. É, exato. Nem na frente de ninguém, não na frente de ninguém. Isso, claro. Aí eu peguei e falei pra ele no ouvido, né? A gente acabou de casar, a gente tá em lua de mel, o que que tá acontecendo?
percebendo que ele foi ficando mais grosseiro, no aeroporto a gente chegou a perder o voo, ele tava assim, ficando cada vez mais grosseiro comigo, sabe? Impaciente, mudando aos poucos, mas de uma forma muito rápida, porque como eu disse, a primeira agressão foram cinco dias, mas o que me choca é que a primeira agressão não foi só um tapa, como eu vejo que as pessoas
Dizem, ah, ele começa desse jeito, depois vem o tapa, depois vem... Não! A primeira agressão foi extremamente grave. Eu fiquei toda machucada. Ele entrou no quarto do hotel bravo porque eu não fui procurar ele. O que aconteceu? A gente estava na piscina. Começou a chover. Eu sou asmática. Eu falei pra ele, amor, vamos pro quarto? Até porque a gente tinha um jantar marcado à noite. Então, eu ia aproveitando, ia me arrumando.
Ele pegou e falou, não, eu quero continuar. Eu não vi problema. Se você ficar aí, eu vou subir. Eu vou subir. Relações saudáveis são assim, a gente não precisa ficar o tempo inteiro. Aí eu peguei e fui para o quarto. Ele passou mais ou menos uma hora, uma hora e meia, duas horas para poder retornar. Eu acho que foi cerca de duas horas. Eu lembro que demorou um tempo considerável. Só que eu não fiquei, eu não fui atrás dele realmente. Eu fiquei tranquila no quarto. Eu fiquei me ajeitando, fiquei deitando.
eu fiquei mexendo no celular, eu fiquei tranquila. Na minha cabeça, como até então ele não tinha apresentado nada, eu não sabia de traição, eu não sabia de nada, eu não tinha desconfiança dele, entende? O que é que acontece? Ele entrou no quarto revoltado comigo, porque eu não tinha ido procurar ele, e se eu não tinha ido procurar ele era porque eu estava com um outro homem, ele usou a palavra macho,
replicar a palavra que ele usou, é porque eu acho muito... Não sei, mas é o que ele falou. Você estava contra o macho, é isso que você estava fazendo. Exato. Falou que eu tinha certeza que eu estava traindo ele, me pegou, me jogou na cama, começou a me agredir, me chutou, me bateu, me agrediu de formas terríveis, me deixou toda roxa. Eu gritava por socorro, do mesmo jeito que eu gritei pelo meu pai, eu gritei muito por socorro. E ninguém ouviu, na verdade, ele só parou,
quando chegou um grupo de pessoas do quarto do lado. E como era o Caribe, Putacana, quer queira ou não, a gente estava num resort, é um ambiente meio que de festa, à noite acontecem algumas festas lá, eles estavam, assim, fazendo barulho, realmente, como quem estava bebendo, rindo, alto, sabe? E deu para ouvir. Nesse momento, ele parou. Ele parou. E eu comecei a chorar muito. Eu já estava chorando, mas eu comecei a chorar,
assim sem parar, porque eu fiquei numa confusão mental imensa, porque como assim? Quem é essa pessoa? Quem é essa pessoa que ontem, ele inclusive, quando ele tinha as crises de ciúme dele no namoro, ele dizia, eu sou ciumento, mas eu nunca vou encostar a mão em você, eu sou incapaz de encostar a mão em você. Então, como? Como? Como aquela pessoa se tornou aquela outra num espaço de tempo tão curto assim?
Terceiro dia de Lua de Mel? Quinto dia. Quando você falou no carro, só botar uma coisa, quando você falou no carro, não me trata assim na frente dos outros, o que ele respondeu? Quando você estava indo para o aeroporto? Ele me ignorou. Ele olhou assim para mim e fez... Daí no avião foi tudo certo, primeiro dia... Ele fazia pequenas grosserias, por exemplo, se eu andasse rápido no... Porque são coisas que parecem pequenas, mas para o relacionamento que a gente tinha, era uma diferença, sabe?
Ai, meu Deus, não sabe andar do meu lado, mulher casada tem que andar do lado do homem, sabe? Coisas desse tipo. Ah, vai no banheiro, não vai no banheiro sozinha, eu vou lhe acompanhar. Tá querendo o quê? Isso eram coisas novas pra você? Isso ele não tinha feito durante esse um ano e pouco? Não. O que tinha acontecido durante esse um ano e pouco era a questão realmente que ele me regulava na questão da academia. Que sim, isso era um sinal.
muito mais depois do casamento. Antes do casamento, ele mesmo dizia, ah, não, amor, poxa, isso aí realmente é algo que eu preciso trabalhar em mig, é algo que eu estou errado, sabe? Mas depois do casamento, não. Depois do casamento, ele ia com tudo mesmo. Inclusive, tinha vez que ele me agredia e no outro dia, quando eu ia colocar a roupa de academia para malhar, ele falava, você está indo para me provocar, você sabe que eu não gosto,
Aí porque a gente brigou ontem, você tá indo pra academia pra me provocar. Eu falava, eu tô indo pra academia porque eu vou todos os dias. Não é pra lhe provocar, sabe? Mas assim, ele se irritava muito. Você falou, ele me agredia mesmo no namoro? O que é isso? Verbal? Não, eu tô falando isso no casamento. Ah, já no casamento? Claro. No namoro ele nunca me agredia. Nada, tá. Nada, sério. Mas vocês brigavam por causa dos ciúmes? Não. O ciúme da academia no namoro, só pra ficar claro aqui, porque às vezes...
a gente vai e volta. Pra ficar claro aqui, no namoro, ele tinha sim ciúme da academia, mas era aquele ciúme que ele sempre dizia. Não, eu realmente tô errado. Ele reconhecia, sabe? Ele começou perto do noivado a querer que eu malhasse apenas com a minha mãe ou que eu tivesse realmente aquele horário. Por exemplo, se passasse uma hora na academia, ele achava ruim. Mas o que eu tô querendo dizer é que no casamento, isso piorou
muito, sabe? Ele regulou muito mais. Ele me ameaçava muito mais. Ele já regulava suas roupas, já regulava nessas coisas, assim, tem que andar no meu lado, mulher casada anda no meu lado. Ele regulava tudo, tudo, tudo, literalmente tudo. Mas em três dias sua vida virou assim, você falou o que tá acontecendo. Cinco dias a minha vida virou do avesso. O príncipe virou outra pessoa. O sapo se apresentou. Ele, aí você chegou,
quarto, então nesse dia específico, ele bate muito em você, você grita pro socorro, ninguém ouve. Chega esse grupo, e só o terceiro dia de casamento que você apanha? Quinto. Quinto dia. Você ainda teria mais quantos dias no hotel? Pelo menos são sete, né? Acho que foi duas semanas, eu acho, que a gente passou. Nossa senhora, então você ainda tinha mais dez dias. Ele bate em você, o grupo chega... Eu posso ficar confusa na quantidade de dias, tá?
Não, eu tô dizendo, o que eu quero dizer é o seguinte, ele bateu em você, você chora, as pessoas chegam,
O que que acontece no minuto seguinte? Ah, ele morreu de pedir perdão. Ele chorou muito. Ele disse que ele foi um monstro. Que ele nunca devia encostar em mim. Que isso nunca mais iria se repetir. Que, pelo amor de Deus, eu perdoasse ele. Então, que isso nunca mais ia se repetir. Mas as grosserias se repetiram, sim. É tanto que eu me lembro que os roxos que ele deixou em mim foram tão grandes que quando eu estava voltando de lua de mel, ainda tinha roxo, sabe?
Tivemos outras discussões na Lua de Mel também, além dessa. Como é que foi jantar? Vocês saíram pra jantar nesse dia? Mais romântico possível. Depois da agressão, ele veio com o maior romance do mundo. Fez um jantar surpresa pra mim. Colocou o pessoal de lá pra cantar pra mim. I love you, Rafaela, sabe? Tudo o maior romance do mundo. E olhava pra mim e dizia, é isso que você merece, minha princesa. Você não merece outro tipo de tratamento.
fez acreditar que ele realmente ia mudar. Eu precisava acreditar nisso. Fazia cinco dias que eu tinha casado, sabe? A minha mente queria realmente acreditar nisso. E ele ficou, sempre vinha com aquele romance maior do mundo. Mas eu me lembro que quando eu tava voltando de avião pra casa, eu ainda tava com roxos e eu ficava me perguntando o que eu vou dizer pra minha mãe, porque minha mãe vai ver. Aí eu até inventei pra ela. Falei, ai mãe, a gente fez um passeio de barco,
acabei levando uma queda. Inventei. No rosto ele não bateu? Tapa na cara. Não ficou roxo? Não. É muito inteligente. Os roxos dava para você esconder no hotel, pelo menos? Dava. Dava para esconder. Gente surtada não escolhe lugar, né? Inclusive, quando ele tentou realmente... As duas vezes. Na verdade, tiveram três ocasiões. Só que uma foi a que eu realmente temi
que eu vi realmente o ódio no olho dele, que eu vi que realmente ele ia me matar, que foi essa última, né? Que realmente na cabeça dele, né? Ele me deixou lá, né? Enfim. Que foi a indução, algo que eu já falei sobre, que ele pegou uma faca e acabou cortando o meu pulso. Ele queria dar um ar de autoexecução sua, é isso? Todas as vezes, se eu for parar para pensar, iria parecer que fui eu que me matei. Mas deixa eu te entender uma coisa. Você pega, ele te bate lá em Punta Cana,
no jantar super romântico. No dia seguinte, tranquilo. Você se escondendo, mas você conseguiu dormir com ele? Você ficou com medo já? Como foram os dias seguintes a isso? Eu fiquei com bastante medo no primeiro dia, assim que aconteceu. Ele me levou a acreditar que realmente ele iria mudar, mas a gente fica com uma certa... muda algo na gente quando isso acontece.
Sabe, aquela pessoa já não passa a ser vista com os mesmos olhos. Eu até então não sabia o que ele tinha capacidade de fazer. Depois disso, eu sabia o que ele tinha capacidade de fazer. E principalmente da força dele. Porque eu tenho 1,58 de altura. Nossa. E ele deve ter quase 2 metros. Então, assim, ele é bem maior que eu. Bom, é o dobro. Praticamente quase o dobro, né? Então, a força dele, assim, é muito grande.
ele tem noção da força dele. Mas ele, no outro dia, tentou ser a melhor pessoa do mundo. Ele seguiu tentando ser a melhor pessoa do mundo. Quando a gente voltou da lua de mel, começou... Na lua de mel você perdoou ele? Na lua de mel você conseguiu... Você acreditou? Porque ele fala pra você o quê? Que ele surtou? Que ele não lembra isso? Ele fala que acha que ele surtou, que ele bebeu demais. Só que ele me agrediu outras vezes,
sem ter bebido nada, tá? Que isso fique claro. Porque eu sei que... Enfim. Aí vocês vão... A lua de mel acaba, você volta pra casa. Vocês vão morar na casa... Vocês construíram uma casa juntos? É uma casa dele, é uma casa sua? Não. Você vai morar onde? Você é no mesmo condomínio dos seus pais? Foi, mas estava alugada. Tá. Aí foi quando começou a violência patrimonial, né? Que, assim, é um assunto... Muito ruim, assim, de se falar.
sabe? Se você não quiser, a gente não fala, é que é mais como você mesma citou. Ele tava com dívidas, é isso? Ele tava com muitas dívidas, com muitas pessoas e eu não sabia. E isso eu só vim ter conhecimento já perto agora de separar. Inclusive, como eu contei, foi quando eu tive conhecimento, ele me deu um tapa e foi quando eu liguei pra mãe dele e tudo mais. Mas ele começou a ter dívidas comigo. Tinha coisas que ele combinava que era pra ele pagar e ele não pagava no prazo. Aí eu pagava
e ele ficava de me pagar depois e ele não me pagava. Teve coisas do casamento, o casamento foi todo, quer queira ou não, tiveram coisas que ele disse que ia pagar e ele não pagou, então ficou tudo, né? Entre outras coisas. E assim, não só comigo, como com várias outras pessoas, né? Teve essa violência também. Eu vou tentar ser mais discreto,
e delicado possível na pergunta que eu vou fazer. Se você não se sentir à vontade, você não responda, a gente passa para a próxima. Mas é que eu preciso te perguntar isso, porque isso também faz parte do combo do homem desse nível. Existiu violência sexual? Nessa vez que ele tentou me matar, os vídeos circularam. Obviamente não circulou essa parte, mas eu estava dormindo e ele começou a tentar
ter relação, só que eu disse que estava com sono, eu também já não estava mais querendo, por conta das agressões que vinham acontecendo, eu já estava querendo me separar, estava tentando, né, mas estava naquilo. E eu estava dormindo e ele começou a tentar, e eu me lembro que eu virei assim, e os vídeos mostram isso, né, então ele teve essa ocasião, como também teve outras ocasiões em que depois de me agredir ele quis,
E eu não queria, e eu chorava, chorava. Ele tinha me batido. Isso no nosso apartamento aconteceu algumas vezes. Ele me bateu e eu não queria. E durante a relação, eu chorava. Eu não quero também te... É o máximo que eu consigo falar. Vamos pular aqui. Então, a primeira agressão foi na Lua de Mel. A segunda agressão, quanto tempo depois? Já na sua casa, é isso? É essa que ele faz uma tentativa da indução à auto-execução? Preciso de um tempo.
Até parar a entrevista. Às vezes as pessoas tentam culpar a vítima e você tá se recuperando de uma dor e ainda vem pessoas em cima de você tentando colocar a culpa. Ah, porque continuou. Meu pai olhou pra mim e fez, filha. Eu já te bati alguma vez. Eu fiz não, pai. Meu pai nunca me bateu.