Episódios de CRIME e MISTÉRIO c/ Beto Ribeiro

PARTE 2 - RAPHAELLA BRILHANTE CONTA COMO SOBREVIVEU À TENTATIVA DE FEMINICÍDIO DO MARIDO JOÃO LIMA

12 de março de 202634min
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Confira a segunda e última parte da entrevista que fiz com Raphaella Lima, que em apenas 3 meses de casa com o cantor de forró João Lima, quase morreu vítima de feminicídio pelas mãos do então marido.PARTE 1 DA ENTREVISTA:https://youtu.be/KzsKZckKJDg#crime #casal #casamento #entrevista #podcast

Assuntos13
  • Direitos das MulheresAgressão física · Ameaças de morte · Violência psicológica · Tentativa de corte de pulso · Aprisionamento doméstico
  • Violência contra a mulherAgressões físicas repetidas · Manipulação emocional · Controle comportamental · Acusações infundadas · Ciclo de agressão e arrependimento
  • Relacionamentos AbusivosCasamento precipitado · Duração curta (3 meses) · Diferença de idade · Status social do agressor · Promessas de impunidade
  • Manipulação e controle do relacionamentoPressão para casar · Saúde Emocional · Gaslighting · Acusações de infidelidade · Controle sobre decisões
  • Fuga e busca de segurançaTentativas de fuga frustradas · Ajuda de vizinho · Trancamento da porta · Medo de represálias · Escape final
  • Reabilitacao FisicaTrauma e Comportamento · Reconstrução emocional · Terapia · Autoaceitação · Ressignificação da experiência
  • Revelações e descobertasComunicação com pais · Reação dos pais · Apoio familiar · Sentimento de culpa dos pais · Proteção familiar
  • Mensagem para a filhaAmor incondicional · Referência de força · Proteção materna · Dignidade feminina · Aceitação de si
  • Importância de falar sobre feminicídioVisibilidade de casos · Educação social · Prevenção · Exemplo para outras vítimas · Resolução de problemas
  • Comportamento e Apoio SocialAcolhimento de mulheres · Proteção estatal · Segurança para denunciar · Abraço comunitário · Justiça reparadora
  • Pilares da Saúde EmocionalDor dos pais · Impotência familiar · Apoio de amigos e homens bons · Solidariedade de outras vítimas · Responsabilidade social
  • Investigações e gravações de áudioConfissão do agressor · Evidência para processo · Reivindicação de justiça · Documentação de culpa
  • Crítica a relacionamentos e comportamentoMulheres que namoram feminicidas · Normalização da violência · Solidão como castigo · Julgamento de gênero · Responsabilidade coletiva
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26 de janeiro de 2026, João Pessoa, Paraíba. Naquele dia, o Brasil conheceria o terror pelo qual a jovem médica e influencer Rafaela Brilhante passava em seu recente casamento com o cantor de forró João Lima. Com apenas três meses de casados, João mostrou sua verdadeira personalidade de monstro entre agressões e tentativa de feminicídio.

A entrevista que fiz com Rafaela, que fala do passado e encara o futuro com força e coragem. Eu não quero também te... É o máximo que eu consigo falar. Vamos pular aqui. Então a primeira agressão foi na Lua de Mel. A segunda agressão, quanto tempo depois? Já na sua casa, é isso? É essa que ele faz uma tentativa da indução à autoexecução? Preciso de um tempo. Tempo que você quiser. Quer parar a entrevista? Diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil.

Um dos principais cartões postais na cidade de São Paulo. E com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto, que crime é esse? Tem alguém para te dar um abraço? Também está aí. Está ali, mas não quero preocupar. Quer sair um pouco? Não. Quer tomar uma água? A entrevista aqui não é para te machucar mais. É uma oportunidade de você contar, falar.

Eu queria que as entrevistas fossem sempre uma oportunidade. E eu sei que são. Uma oportunidade de lutar contra isso. Mas às vezes as pessoas são muito cruéis. Às vezes as pessoas tentam culpar a vítima. E você está se recuperando de uma dor. E ainda vem pessoas em cima de você. Tentando colocar a culpa. Ah, porque continuou. Ah, porque não foi embora depois da lua de mel. Ah, porque...

as pessoas não perguntam por que as mulheres não se sentem suficientemente protegidas para sair depois da primeira agressão. Eu acho que essa deveria ser a pergunta que deveria ser feita, e não as perguntas que fazem para as vítimas. O que eu sofri foi uma violência, o que eu sofri foi um trauma, um trauma com o qual eu estou tentando lidar da melhor forma possível. E muitas pessoas têm me abraçado, inclusive muitas mulheres, muitos homens, que eu agradeço muito pelo apoio também dos homens, porque eu tenho um homem de verdade,

casa, que é meu pai. E eu acho que, assim, esse apoio realmente, assim, é crucial. Homens que apoiam a gente nesse momento também são verdadeiros heróis. Então, agradeço de todo o coração, mas é muito doloroso você ver que ainda tem pessoas que tentam, sabe? Isso a gente espera do agressor, a gente espera da família do agressor, mas a gente não espera pessoas de fora possam fazer isso, mas infelizmente fazem, sabe? Então...

Concordo, 100%. O canal tem essa função da coletividade, de, inclusive, a gente conversar sobre isso. É um canal visto por muitas mulheres. Muitas falam que entrevistas como a sua libertaram elas de não serem uma próxima entrevistada minha. Elas se espelham exatamente nisso. Concordo, a pergunta, se você quiser, a gente faz a pergunta, deixa no ar,

Por que a mulher não se sente forte o suficiente para poder sair? Porque aí eu te respondo dentro de um pouco o que a gente já fez. É um quarto cuja porta e janela estão escondidas. A pessoa não sabe que tem saída. Ela começa... O abusador sequestra a alma, o coração, a mente daquela pessoa. O seu não entendeu a sua base emocional, que são os seus pais e a sua filha. Ele achou que tinha ganhado o jogo.

da jogadora ainda. Então, você foi muito forte e muito rápida num tempo, Rafaela, que as pessoas demoram às vezes 10 anos. Quando conseguem. E ainda tem gente que diz que eu demorei. E quando conseguem. Porque, exatamente por isso que eu te perguntei, ele bateu em você, o que em seguida? Em seguida, aparece o ser mais rastejante do mundo pedindo perdão. E você acabou de casar com ele. Você casou. É que você, talvez em terapia, você vai percebendo

manipulado até pra casar, porque você mesmo parece que você não tinha certeza, e ele consegue te colocar a ferro e fogo que você tem que casar. Então, você foi... Me dá muita raiva, sabe? Me perdoa falar, eu sei que é muito feio, assim, mas me dá muita raiva, porque eu fico pensando, poxa, eu nem queria casar esse ano, sabe? Ele literalmente pressionou minha cabeça pra isso, pra fazer tudo isso com a minha vida, sabe? Por quê? O que é que eu fiz pra ele?

e dar amor para ele, além de orar por ele, além de ser boa para ele, sabe? Rafael, os maus, eles têm prazeres que só eles conseguem entender. O mal pelo mal, por isso que não pode chamar de psicopata isso aqui, porque você está caracterizando ele dando um transtorno de personalidade, então ele não é culpado, passa a mão e vamos embora. Os maus, os abusadores, eles têm o prazer da conquista? É aquela música, no céu multicolorido existe uma estrelinha que não coloria, ele quer aquela que não coloria,

coloriu. Pelo único bel prazer de ele colorir. E de destruir. Talvez você tenha trazido pra ele uma série de elementos que o perturbavam, como ser amada por pai e mãe, ter uma relação com a sua filha, ser uma moça que batalhou a vida inteira, que construiu carreira bonita, jovem. Você tem a juventude, ele já está indo para os 40. Você tem a força, que ele pelo jeito não tem.

possibilidade que o atormenta. Então tem muitas pessoas, principalmente abusadores, que querem destruir na mulher aquilo que ela tem de mais precioso, porque aquilo o irrita. E é uma conquista. É o prazer dos maus. E esse prazer não tem explicação. É uma coisa impressionante. Por mais que a gente queira construir explicação humana, existe o desumano. Você não vai conseguir. A culpa não é sua, a responsabilidade não é sua.

Essa base toda que você está construindo agora em terapia é o que vai te fortalecer ainda mais para o resto da sua vida, que graças a Deus é muito nova, então você pode se perdoar várias vezes, você tem uma boa figura masculina que é o seu pai, então você pode vir a não negar a possibilidade de ter um amor, porque você não pode amar ser amada por um bom homem. Tudo isso ele tentou destruir e os abusadores querem destruir,

marcar para sempre. Então, o que você fez foi conseguir... Você saiu tão rápido. Tanto que eu e a Rosângela falamos na live. Nossa, como ela foi inteligente por ela mesma. Em três meses, ela caiu fora. Dois. Dois meses, né? Falam três. Dois meses, porque foi em novembro. Mas que dia que você casa de novembro? Eu casei dia 1º de novembro. Realmente, foram quase três meses. Quase três meses. Mas se você quiser voltar comigo,

na linha do tempo, você não precisa descarafunchar tudo, é só para saber, eu não quero mais te tomar a tua emoção, não é a minha intenção, não é isso que o canal quer ser, aqui eu quero que você converse, porque eu percebo que as vítimas quando conversam é bom para elas depois, também todas elas me contam, então é o que eu não quero de maneira nenhuma te usar para audiência, não é isso de forma alguma, de verdade não.

teve essa agressão, a segunda agressão, e ele continuou nessa montanha-russa? Porque as agressões verbais devem ter continuado. Quando eu tentava, por exemplo, quando ele começou a ficar me devendo, que eu comecei a dizer pra ele, olha, o que é que tá havendo? Vamos sentar, me fala exatamente quanto você tá ganhando, me fala, vamos fazer um planejamento juntos, vamos ver uma forma de você, assim,

se ajustar, a gente não precisa viver uma vida de tal forma, a gente pode viver uma vida de uma forma mais simples, eu não tenho problema com isso, vamos ver como, como a gente pode fazer, sabe? Isso é um casal, isso é um casamento. Exato, como eu posso te ajudar, só que ele surtava, ele começava a dizer que eu estava querendo humilhar ele, quando eu falava nisso, aí surtava, me chamava de burra, dizia que eu não sabia de nada da vida,

que eu era só uma menina, que eu não sabia de nada. E eu... Ah, quem faz dívida é ele e quem não sabe de nada é você. Exato. Eu, graças a Deus, tenho minhas contas todas certinhas. Quem faz dívida é ele, quem paga as contas é você e ele que sabe de tudo e você é só uma menininha. Ah, claro. Exatamente. Era o que ele dizia. E depois disso, ele me agredia. E foram várias e várias vezes. Foram várias e várias vezes. Tapa na cara? Meu Deus. Você chegou a falar pra ele, acabou, eu vou embora? Vamos separar?

alguma coisa assim? Cheguei. Cheguei a falar várias vezes. E quando eu falava isso, ele surtava ainda mais e ele dizia, ele falou, ele falou claramente que ia me matar. Claramente. E disse que não ia acontecer nada com ele, porque a família dele é uma família de políticos, porque ele tem tio que já, eu não sei que tio é, tá? Mas ele falou isso, que tem tio que já matou gente, que tem várias pessoas que ele já mataram, que ninguém fica nem sabendo. E...

Essa palavra matar pode falar? Pode, pode, pode. Matar pode. É só essa suíça que não pode, porque o estúdio tem um problema com essa palavra. Entendi, desculpa. Aqui você não pede desculpa nunca, estamos combinados? Aqui é teu espaço, teu lugar, você é inteiramente seu aqui. Eu que tenho que pedir muitas vezes desculpa de você entrar, de precisar fazer certas perguntas. Obrigada. E assim, ele falava nitidamente.

eu faço e ninguém fica sabendo. Inclusive, ele até dizia, você tá falando isso porque você tá com outro. Você tá falando isso porque você tá com outro macho. Era a palavra que ele usava. É porque daí te rebaixa, né? Porque se você tem um macho, porque você é uma fêmea, né? Te rebaixa em tudo. Porque a criação que eu tive, na minha família, não tem isso. Eu fui muito bem criada pelos meus pais. Então, ele desconfiar da possibilidade

trair, ele já é uma violência comigo, já me machucava, porque, poxa, ele tava não só me machucando quando ele fazia isso, ele tava machucando a minha família, a minha filha, porque, poxa, eu sou a referência dela. Como é que ele ouça dizer que eu tenho capacidade de fazer isso, sabe? Então, isso me machucava muito. E ele dizia que era por isso e que ele ia me matar ou mandar me matar, que ele conhecia gente que era matador de gente,

Inclusive, chegou a fazer ligação de vídeo com pessoas do lado dizendo, quer ver aqui que eu conheço? Aí ligava de vídeo do meu lado e falava, e aí, macho, não sei o quê. Aí o cara falava, tá precisando de quê? Aí pegava e falava, não, nada não, era só pra falar contigo mesmo, tava com saudade, muito desligava, olhava pra mim e dizia, tá vendo aí? Então, assim, eu sofri realmente ameaças reais de morte, sabe? Ameaças reais de morte, várias e várias vezes. E, assim,

agressões que... Teve uma vez que ele... A gente tava no nosso... No que era o nosso apartamento, né? Você já saiu de lá, agora você tá com seus pais. Com seus pais. E assim, ele... Eu quis ir embora e ele me colocou contra o parapeito. E eu... E ficava me esculhambando, falando coisas terríveis. E eu ia querendo me colocar pra cair. E veio um... Me segurando ali, me mantendo ali. Eu não podia sair.

Ele não me deixava fugir. Eu queria fugir para a casa dos meus pais por toda a violência que estava acontecendo. E chegou um vizinho. Na hora que chegou esse vizinho, eu olhei para o vizinho e fiz assim, moço, você pode me ajudar? Ele estava segurando, acho que, meus braços na hora. O agressor estava segurando meus braços na hora contra o parapeito. E eu fiz, moço, você pode me ajudar? O rapaz, o homem, prontamente pegou e falou, posso, claro? E deu um passo para frente.

um passo pra frente, o agressor deu um passo pra trás e me soltou e fez assim, como quem diz, eu não tô fazendo nada. Aí eu peguei, aí o cara pegou e falou, do que você precisa? Eu peguei e falei, você já ajudou. Eu acho que pra bom entendedor, meia palavra, eu acho que ele entendeu. E eu peguei e saí e fui pro elevador. Corri pro elevador. Ele foi, assim, realmente um anjo que Deus enviou, sabe? Naquele momento.

Depois, ele pegou e falou para o cara que tinha sido só uma discussão, mas para mim, no outro dia, ele pegou e falou, ah, você agiu como uma louca, o cara deve estar pensando que você é uma louca, eu disse para ele que você estava completamente embriagada, que você estava completamente louca e tudo mais, que eu não fiz nada, você quis queimar a minha imagem, você quer acabar com a minha imagem, sabe? Então, ele queria jogar a culpa toda para mim.

E eu me lembro que eu fiquei super nervosa e com vergonha até, porque eu fiquei pensando, meu Deus,

Agora o cara deve estar pensando que eu sou uma louca, uma mentirosa. Mas não era isso. Então, eu não sei falar a ordem das agressões. Não tem problema. É que eu fiquei bem impressionado. Isso que ele cortou o seu braço, é isso? Isso. Se isso te doer demais, a gente não precisa falar. Eu vou tentar falar até onde eu conseguir, tá certo? Tá bom. Daí a gente vai pra frente. Ele começou a me agredir no quarto da gente, no nosso apartamento.

Eu me lembro que ele me deu vários tapas, acho que foram três tapas na cara de uma vez, e falava coisas terríveis, dizendo que eu merecia morrer, que eu devia me matar, que o mundo era melhor sem mim, que todo mundo ia ficar melhor sem mim. E ele gritava coisas horríveis, dizia que eu merecia tudo de ruim que já tinha me acontecido na vida, tudo de ruim que estava acontecendo comigo, que eu merecia tudo aquilo, que tinha nojo de mim. Coisas terríveis, mexendo com o meu psicológico,

me lembro que eu precisava correr dali. Eu queria ir embora dali. Eu queria correr, eu queria ir para a casa dos meus pais, eu queria ir para o meu ambiente seguro, eu queria parar de ouvir aquilo, porque ele estava falando tudo aquilo. Eu acredito que ele... Eu acho que uma pessoa normal, eu não sei o que é que aconteceria, sabe? Ele realmente quis mexer com o meu psicológico. E eu corri. Saí correndo e ele veio atrás de mim e ele trancou a porta. A porta do apartamento era daquelas,

que você coloca o códigozinho. Então, eu destravei para sair. Só que ele trancou por dentro também. Ele trancou pela chave também. E escondeu a chave. Então, eu clicava para abrir. Não abria. Não abria. E eu não entendia. E depois eu me toquei. Ele tirou a chave. Ele trancou com a chave e tirou a chave para eu não sair. Porque teve outra vez que eu tentei fugir, como a que eu contei, né? Do parapeito. E outras vezes que eu também tentei fugir. Enfim, isso.

Ele pegou e a cozinha ficava logo ao lado da porta. Ele pegou uma faca e ficou falando, você merece morrer. Você merece morrer, você devia se matar, você devia se matar, você devia se matar. E me entregou a faca. E eu ficava pensando só na minha filha, pensando só na minha filha, só na minha filha. E eu sei que ele pegou, não sei exatamente como, só sei que ele pegou e cortou o meu pulso. E começou a sangrar muito, sangrar muito.

muito, muito, muito, muito sangue. Mas era muito sangue que saía. E eu comecei a entrar no desespero terrível, porque eu comecei a pensar, eu vou morrer, a minha filha vai ficar sem mãe. Ele pegou um... Eu peguei uma toalha branca, perdão, e coloquei no meu pulso pra segurar. A toalha ficou toda ensanguentada, toda ensanguentada. E... Você teve que ir pro hospital levar ponto? Não. Foi mais superficial. Não precisou de ponto, mas é uma região que sangra bastante.

Sangra bastante. Por pouco, né? A região que pegou por muito pouco, eu não preciso... De fato, ele não esfaqueou meu pulso. E ele fala o que depois disso? Ah, no outro dia, morreu e eu te pedi perdão. Você ainda teve que dormir ali? Você conseguiu sair da casa? Não consegui sair da casa, ele não deixou. Você tentou ligar pra polícia, alguma coisa ou não? Foi nesse dia que depois de cortar meu pulso com uma toalha cheia de sangue, segurando meu pulso,

tentou ter relação depois. Nossa, não. Sim. Você... Eu vou começar a pular para o dia que você vai embora, porque senão você vai ficar revisitando e acho que você precisa revisitar mais na sua terapia e tudo mais. Você tem uma ligação que ele faz, que é gravada. É você que grava essa ligação, é isso? Essa ligação eu fiz realmente para ter prova. Você conseguiu ali ele confessar tudo, lua de mel e tudo mais. Essa sim.

Eu sabia que ele, a família dele já tava tentando colocar a culpa em mim, na minha mãe, né? Pelo término. E eu já imaginava... E vocês já tinham terminado, você tinha conseguido sair. Eu já tava dizendo pra ele que eu não queria mais ver ele, que eu não queria mais ter o relacionamento e tudo mais. Mas tudo de uma forma muito sutil. Eu dizia pra ele, não, olha, eu tô pensando, eu tô pensando, porque eu tinha medo que ele viesse me matar, entende? Eu ainda não tinha segurança necessária. Então, eu falava pra ele,

eu não tenho mais certeza, eu pelo menos não quero lhe ver agora, eu não quero ter contato com você agora, então ele já estava entendendo que eu estava querendo sair, mas ele também tinha esperança de que eu ficasse, porque se ele tivesse certeza que eu ia sair, eu temia pela minha vida, entende? Aí, quando ele me ligou, e quando ele me ligou, eu falei com ele sobre tudo, muita coisa que ele tinha feito, as agrações, e foi ali que ele confessou, pediu perdão, chegou a dizer que foi um demônio que entrou

nele. E, enfim, isso daí, e eu pergunto pra ele, o que foi que eu fiz pra você fazer isso comigo? E ele pega e fala nada, não tem nada que... E você não fez absolutamente nada. Porque eu queria deixar isso muito bem claro, pra ele não usar, não tentar dizer que, ah, como muitos fazem, né? Ah, ela fez isso. É que você me deixa louco. É que você... Aquele dia passou o macho e você olhou

Para ele, você me provoca. Além de eu viver a violência que eu vivi, além de eu por pouco não sobreviver, ele ainda não tentar colocar a culpa toda em mim. A culpa vai ser sua. Afinal de contas, ele é um fofo. Exatamente. Então, por isso que foi aquela ligação. Está certíssima. Com isso, com essas provas, você consegue sair. É aí que você sai. É aí que você sai. Como foi contar para sua mãe e para o seu pai? Como foi para eles verem aqueles vídeos?

Como é que foi para os seus pais? Como foi o abraço que eu imagino que eles tenham te dado? Porque eu imagino a dor deles de não conseguir ter te protegido. Uma filha que eles protegeram sempre. Eu não consegui falar. Eu só consegui mostrar. Então eu mostrei para minha mãe. Fiz, mãe, olha, isso aqui que aconteceu. E eu chorei muito. E eu lembro que ela ficou muito nervosa. Ela chorou muito. Ela me abraçou. Ela fez, por que você não me falou? Por que você não conversou comigo?

Porque você não me pediu ajuda, filha. E meu pai. Meu pai olhou pra mim e fez, filha. Eu já te bati alguma vez. Eu fiz, não. Pai. Meu pai nunca me bateu. Ele fez, então como é que você aceita isso de outro homem, meu amor? É que tá, você não aceitou. Eu não aceitei, eu sei. Você não aceitou. Eles ficaram, eles estão. Sendo uma fortaleza pra mim, mas eu sei que eles estão por dentro quebrados, sabe? Foi uma decepção pra eles também.

E eu acho assim, pro meu pai, eu fiquei de uma dor no meu coração muito grande, porque eu fiquei imaginando, poxa, eu pedi pro socorro por ele, né? Ele deve ter ficado pensando, eu não consegui proteger minha filhinha. Ela chamou por mim várias e várias vezes. Ainda bem que eu sobrevivi, porque se eu não tivesse sobrevivido e ele visse aqueles vídeos, eu não sei o que ele ia sentir. Então, os meus pais vão estar sendo terríveis.

É muita dor. É uma dor que só quem passa entende. A maioria das mulheres que passaram pelo que eu passei não sobreviveram. E às vezes, quando eu estou falando, eu sinto, sabe? Que eu estou falando realmente por todas elas. Por todas essas que não tiveram o último fôlego, sabe? E eu acho que o que a gente precisa é de mais proteção, menos julgamento. É de mais abraço. É de mais acolhimento. É se sentir mais segura para pedir socorro.

corpo, sabe? Isso é foda de nós. E os homens precisam parar. Isso. Precisa parar. Assim, as coisas estão acontecendo, gente, eu faço canal aqui, eu fico impressionado como os casos que vão, é agora esse moço que esfaqueou a cara da menina no Rio de Janeiro, ela está entre a vida e a morte, é o outro que matou a professora de direito porque queria namorar com ela, ele não queria. É assim, precisa parar, porque a futilidade da futilidade

da futilidade, está sendo cada vez mais, eu não sei por onde caminharmos mais. Ele hoje está denunciado pelo quê? Ele está preso preventivamente, já está preventivo, né? Está preso preventivamente, está tentando abrir os corpos, que no nome do Senhor, que Deus toque no coração desse juiz, e que ele seja, assim, luz para proteger a minha vida, né? Então, estamos lutando e orando por justiça, até para que

isso sirva de exemplo para outras pessoas. Porque eu acho que é isso que precisa, sabe? Eu acho que casos como esses precisam sim ser falados, precisam sim ser comentados quantas vezes for necessário. Por mais angustiante que seja, pelo seguinte motivo, ainda não resolveu. É um problema que ainda não resolveu, é um problema que precisa ser falado para ser resolvido. Lógico.

grite, que a gente grite mesmo, sabe? Mas pra que isso tudo pare. E ele tá no habeas corpus, no caso, essa parte, essa parte aí, realmente... Você sabe da denúncia, se é tentativa de feminicídio, porque o que você tá me contando... Tentativa de feminicídio com toda certeza. Sim, e o que você me contou aqui agora, eu espero que o promotor pegue isso, inclusive, não sei se ele já pôs, tem estupro aí. O que você relata é tentativa de feminicídio, é estupro, tem vários crimes.

Meu advogado e meu advogado, eles dois sabem bem melhor toda essa parte, como é que está o andamento. Eu realmente não entendo disso, mas tem todos esses crimes. Eu sei que tem todos esses crimes. Tem tentativa de feminicídio, lesão corporal, eu fiz corpo de delito, tem estupro de vulnerável. Tem tudo, tem muito. Ele pega uns bons anos, ele pega uns 20 e poucos anos. Que ele pague a dívida que ele tem,

e o que eu digo que a solidão precisa ser, como já cantou Johnny Hooker, aí do Nordeste, pernambucano, que eu gosto muito, ele fala que a solidão vai ser o seu pior castigo. O que mais me incomoda nos feminicidas, ou nesses machos, que de macho não tem nada, é que muitas vezes, quando eu vou ver o julgamento, existe uma nova namorada sentada esperando por ele. Eu não consigo compreender como que uma mulher tem relações e relacionamentos

com homens que claramente, sabidamente, com feminicídio nas costas, vão lá e... Então, assim, ele precisa ter a solidão como castigo para ele. Se ele não vai ficar para sempre na cadeia, que a solidão o acompanhe. E é apenas uma construção de algo que ele criou. E assim como eu acho que a gente precisa ter... Os homens precisam parar de matar, as mulheres precisam se unir também e não se permitirem se relacionar com homens

que já claramente sabemos o que são. Verdade. Então isso é um desejo também. Eu desejo que a filha dele não tenha um homem como o pai dela. Do fundo do meu coração. Eu desejo de verdade. Não vai ter o nome de Jesus. Não vai ter. Que não tenha. Eu tenho um bom exemplo, que é o padrasto dela, que é maravilhoso. Então ela tem um bom exemplo. Que bom. Você me toca muito, não sei se você sabe, a minha sobrinha chama Rafaela, ela tem 21 anos e ela é muito parecida com você.

Então, te ver relatando isso, eu que sou um tio muito protetor, essa menina é protegida por todos, eu fico imaginando a dor do seu pai, só imaginando, eu não posso dizer que eu sei, porque eu realmente não passei, mas me tocou demais conversar com você, exatamente por essa projeção em várias coisas da minha vida pessoal. Eu desejo que a minha sobrinha tenha a sua força, se um dia ela passar, por isso que ela seja a grande mulher que você está me mostrando, você tem 1,58m, mas você tem 10m de altura,

vida emocional e tudo mais. Eu não vou te perguntar de perdão, porque isso cabe à vida e vocês, mas eu queria que você deixasse uma mensagem para uma mulher que vai ser muito especial para você, que é a sua filha. Você está protegendo muito ela hoje, para ela não saber de nada, mas o tempo vai passar, ela vai crescer, naturalmente ela vai se gugar, vai gugar a mãe, e pode ser que um dia ela caia aqui nesta entrevista. Quando ela estiver lá pela sua idade já de 15 anos,

o que você gostaria de deixar de mensagem para ela? Além de todo esse altruísmo que você trouxe todo nessa entrevista, essa sua dignidade, essa sua força de mulher, o que você gostaria de deixar para sua filha quando ela estiver na idade aqui? Veja a gente, você jovensíssima e eu ainda jovem senhor, vai ser mais velha. Lemel, eu quero te dizer, meu amor, que desde o dia que você nasceu,

uma força pra mim. Você foi meu suspiro de vida. Você foi minha força pra continuar. Eu quero te dizer que você é e sempre foi muito amada por mim. E que eu seja sempre uma referência de amor pra você. E que você se lembre sempre de todos os beijinhos e todo carinho que eu te dei. E que você nunca aceite menos do que isso, meu amor. Você é o ser humano mais lindo e mais doce que eu já conheci. A mamãe

sempre vai estar aqui por você. Sempre vai estar aqui para lutar por você. Inclusive, a mamãe não é fraca. A mamãe é muito forte. E a mamãe está sendo muito forte por você. Para você saber que você não precisa aceitar nada menos do que você merece. Eu te amo. Com amor, mamãe. Que as pessoas tenham o respeito que todos nós merecemos ter. Rafaela, muito obrigado por toda a confiança

você teve, o canal está aberto aqui para você, para a gente acompanhar a sua história, me manter informado, você tem meu WhatsApp direto, se mais para frente os seus advogados quiserem trazer toda a análise técnica, jurídica, que eu acredito que ele já deva ter saído a denúncia, agora não estou me recordando, mas existe uma pronúncia, essa tentativa de feminicídio, para a gente ir acompanhando até o julgamento final, que ele pague o monstro que ele se revelou ser no espelho dele mesmo,

que é o pior dos reflexos que uma pessoa pode ter. Muito obrigado. Tem mais alguma coisa que você queira falar, que eu não perguntei, que você gostaria de deixar registrado? Quero lhe agradecer, Beto. Quero lhe agradecer por ser voz também para tantas mulheres, para tantas causas tão importantes. Por mais seres humanos como você. Com toda certeza, por mais pessoas como você no mundo, o nosso mundo seria muito melhor. E pedir para não soltarem a minha mão. Agradecer o apoio de todos.

e dizer que vocês têm me ajudado todos os dias a levantar e a ser mais forte. E essa luta é de todas nós. Muito, muito obrigado. Muito obrigado por tudo que você falou. Eu acho que todo homem tem que lembrar que ele veio de uma mulher. E sempre pensar se ele gostaria que a sua mãe sofresse o que ele faz com outra pessoa. Muito obrigado, Rafael. Um beijo grande pra você. Eu queria te dar um abraço. Quem sabe... Eu tenho que fazer um tour aí pelo Nordeste.

Eu adoro Nordeste. É maravilhoso. Eu adoro Nordeste. Um dia eu ainda vou morar no Nordeste. E eu quero começar a fazer um...

viajar mais pelo Brasil. A gente viaja, às vezes, tanto para fora e não viaja pelo Brasil. Eu vou aí na Paraíba, a gente se conhece com certeza. Quando vier a São Paulo, me avisa também. Tá certo. Deus abençoe. Um beijo grande. Obrigado. Tchau, tchau.