TRÊS TIROS - MEU EX QUIS ME MATAR E ME DEIXOU NA CADEIRA DE RODAS - CREUZA KARLA CONTA SUA HISTÓRIA
Confira a entrevista que fiz com Creuza Karla Sousa, mulher pernambucana que se tornou símbolo de superação após sobreviver a uma tentativa de feminicídio. O Crime: Creuza foi baleada três vezes pelo ex-namorado há mais de 13 anos. Os disparos a deixaram paraplégica, resultando na perda dos movimentos das pernas. Vida Atual e Trabalho: Mesmo em uma cadeira de rodas, Creuza trabalha de forma autônoma vendendo doces e lanches, com foco especial no Carnaval de Olinda e áreas do Grande Recife, para sustentar sua família. Objetivo de Vida: Ela vende doces por um preço simbólico (como R$ 1,00) para realizar o sonho de sair do aluguel e comprar sua casa própria.#crime #casal #casamento #pernambuco #entrevista #podcast
- FeminicidioCreuza Karla Sousa · Gessé Francisco da Silva · Violência doméstica · Impacto psicológico · Superação e resiliência
- Violência no MaliAdaptação à cadeira de rodas · Venda de doces e lanches · Sonho da casa própria · Relação com o filho · Luana Piovani
- Poder JudiciárioJulgamento e pena · Regime semiaberto · Medidas protetivas · Falhas na justiça
- Paternidade e MaternidadeImpacto no filho · Sonhos do filho · Cuidado materno
- Libertação e curaPolidamida e Tatiana Coelho · Cadeira de rodas automática · Independência e autonomia
- Histórias de vida e superaçãoInfância e adolescência · Relacionamentos anteriores · Trabalho como marisqueira · Amor pela dança
diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil, de um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo e com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto, que crime é esse?
Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Por favor, não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, ligar sininho, marque nas suas mídias sociais, marque a todos nas mídias sociais. Se puder, seja membro. Se não puder, está tudo certo. Desce bem comigo até o final deste encontro, que tem dois lados de emoções. O primeiro, a possibilidade da vítima contar a sua própria história. Ela está viva.
E viver, com certeza, é o maior milagre que a gente pode querer ter. Geralmente, no caso dela, eu estaria entrevistando a mãe dela, uma amiga, um filho, alguém ligado a ela, e não ela, porque o feminicídio mata. As mulheres morrem pelas mãos dos homens.
A Creuza com quem eu vou conversar agora, ela teve a oportunidade de ter uma segunda chance de viver, uma vez que ela foi abordada por dois homens, um deles, claro, aquele que um dia disse que amava ela. Ela leva um tiro e ela tem uma mudança drástica de vida, ela tem que se reaprender a se entender, inclusive com o seu próprio corpo, uma vez que foi tirado dela a possibilidade de andar.
Mas isso não é de maneira nenhuma a tristeza. A tristeza seria a morte nesse caso. Creuza, seja muito bem-vinda. É Creuza, não é, Cleuza? Não é Creuza, é Creuza Carla. É Creuza Carla. Então eu falei certo, então está bom.
Eu fico muito feliz de te conhecer, de você estar viva, para contar a sua... Um pouquinho antes da gente começar a gravar, você até falou que você vai contar a minha história. E eu te disse que quem vai contar a sua história é você. E essa é uma oportunidade única, não do canal, mas uma oportunidade única de uma pessoa estar viva. E você não deveria estar viva, segundo os autores da história que eles queriam contar sobre você. Hoje é 2026.
Tudo aconteceu em 2012. Você tinha quantos anos? Eu tinha 28 anos e meu filho apenas 9. Vamos comigo, para antes de tudo. Tudo acontece no dia 23 de julho. De junho. Junho de 2012 em Carpina, em Pernambuco. Aqui em Pernambuco, em Carpina, aqui em Pernambuco.
Quero conhecer sua vida antes. Sua vida vai mudar naquele... Você tem duas datas de aniversário. Você acabou de me contar também que você faz aniversário dia 29 de fevereiro. Então, você deve ter 10 anos, porque você só acaba a 4 anos. E você tem duas datas de aniversário. A sua, porque você nasce lá, 29 de fevereiro, mas faz aniversário dia 1º de março.
E 23 de junho. Queria conhecer você antes desse 23 de junho existir. Qual é a sua história antes daquele trágico dia? Quem é você? Me conta quem é você, de onde você veio. Quero conhecer a Creuza antes do dia 23 de junho de 2012. Meu nome é Creuza Carla de Souza Galvão. Nasci no dia 29 de fevereiro de 1984.
Então, eu fui criada pela minha avó, que hoje não está mais aqui. Ela era uma pessoa pescadora, eu pescava com ela. Desde criança, então, eu aprendi a pescar marisqueira e virei marisqueira, né? Então, eu morava em Tamaracá e lá, todas as pessoas lá vivem de pesca. E eu era feliz, não amava dançar, sempre amei dançar. Dançava quadrilha, fui rainha do milho, fui princesa.
Fui noiva, eu amava, amava dançar com todo o meu coração. E nisso eu tive um relacionamento, meu primeiro relacionamento, que tive um filho, durou 11 anos o relacionamento.
Não deu certo porque ele bebia muito, cada cá foi para o seu lugar e eu criei meu filho sozinha. E quando eu falo que criei meu filho sozinha, o pai dele nunca ajudou em nada. E eu não botei na justiça nem nada, comecei a pescar como eu pescava, vendia lanches, almoço, tudinho para dar vida, né? E criei o meu filho, eu era muito feliz.
Então, depois de três anos que eu tinha deixado o pai do meu filho, a minha genitora, a minha mãe, que não me criou, apresentou esse rapaz, que parecia ser uma pessoa boa, mas ele não foi uma pessoa boa comigo. A gente ficou num relacionamento de um ano e seis meses. No início eu não queria ficar com ele, mas ele insistiu bastante. Eu fui cedendo, cedendo, comecei a gostar dele.
E nisso, já com um ano do relacionamento, de namoro, ele me bateu, né? Ele me bateu e eu disse que não queria mais ficar com ele. Aí eu fui para a casa da minha avó, né? Que ela me criou com o meu filho e não queria mais ficar perto dele. Aí nisso ele ia atrás de mim, me pediu desculpa e disse que não ia fazer mais. Eu perdoei.
e voltei, aluguei novamente a casa para morar e ele ia lá sempre. E minha avó não gostava dele, que disse que não gostou dele. Então, nisso ele me bateu outra vez, me bateu outra vez que cortou o meu cabelo de faca e tudo, ele cortou. Aí eu fui, dei parte na delegacia de polícia, e disse que não queria mais ficar com ele. Aí a mãe dele falou, olha...
Carla, que meu nome é criança Carla, mas as pessoas me chamam de Carla. Carla, deixe ele, tá entendendo? Se você viver com ele, você não vai ser feliz. Foi a mãe dele mesmo falando pra mim. Aí eu disse que não ia mais ficar com ele. Aí nisso, ele tinha cortado meu cabelo de faga tudinho. Eu sempre amei dançar, como eu falei pra você, né, do início. Eu queria ir pro show de Belo, só que era no dia depois. Eu fui pro show de Alexandre Pires.
E ele já tinha cortado meu cabelo, já fazia três meses que eu estava separada dele, e eu pensava que estava tudo bem, porque lá a polícia botou para ele, eu dei parte, eu pensava que ele tinha ficado com medo, e foi no dia que minha avó estava fazendo 80 anos, eu fui ver minha avó tudinho, e fui para o show de Alexandre Pires.
Eu estava com uma coisa tão ruim no meu coração. Parecia que era Deus me mostrando assim, que eu não fosse. Eu estava com um pressentimento ruim, tudinho. Deixei meu filho na casa da madrinha dele e fui com uma colega minha. Ela foi criada com ele desde pequena. A gente foi. Quando chegou lá, eu curti o show todinho lá com ela. Eu não bebo, sabe? E ela bebia. Então, eu disse assim, vamos embora, Kelly? O nome dela era Kelly.
Aí a gente foi. Aí tinha um rapaz lá que queria, ele era sócio da microlinha, saiu com a gente tudinho para beber tudinho. Eu disse que não, queria para casa, eu fui para casa. Quando a gente foi chegando em casa lá, eu abri o portão assim da casa que eu morava e tinha outra grade para entrar dentro de casa, sabe? Aí quando eu abri o portão assim, aí que ela entrou, aí quando eu olhei assim, na porta estava ele e o colega dele.
Ele quem, desculpa, quem que estava na porta? O meu ex-namorado, o Jessé, estava o Jessé e o amigo dele, que o apelido dele é a Juba. Estava assim, de longe. Aí eu pensava que ele só ia me bater de novo, né? Só ia te bater. Só ia me bater novamente. O só já é dolorido demais. Já é dolorido demais. Aí eu fiquei assim, sem ação. Aí Kelly bebia, ela correu.
E eu fiquei parada, sabe? Aí, quando ele deu um tiro na direção dela, aí eu pensei que aquele tiro tinha pego nela. Aí eu fiquei assim, aí quando eu fui tentar correr, o colega dele me deu uma rasteira, aí eu caí. Quando eu caí, que eu estava com um salto, aí eu me levantei assim, o colega dele segurou no meu braço aqui assim, o meu ex me deu um tiro no bumbum. Quando ele deu um tiro assim, eu botei a mão, aí foi como um choque. Se ele desse só aquele tiro ali...
Eu estaria andando hoje. Aí, quando eu botei a mão aqui, ele deu dois tiros aqui no meu peito. Quando ele deu dois tiros no meu peito, começou a sair muito sangue da minha boca. Eu caí e já não sentia. Do tórax para baixo, eu não sinto. Eu não sinto. Então, dali, eu caí no chão e fiquei... Minha voz é rouca hoje. Antes não era rouca.
Naquele momento ali eu perdi a voz, ficou bem fininha, porque furou meus dois pulmões, né? E saindo muito sangue, muito sangue pela boca, assim. E eu estava perdendo a minha voz, gritando, pedindo socorro, e ninguém via, porque era véspera de São João, aqui no Pernambuco tem bastante quadrilha, tudinho, e tem fogos. As pessoas confundem o tiro com...
com fogos. E eu fiquei ali agonizando, aí ele me balançou, ele, meu Deus, eu matei carro. E me balançou assim, correu. E eu chamando, Kelly, Kelly, e ela não acordava. Eu pensava que tinha pego nela. E o quintal era bem grande, sabe? Que é interior, é bem grande o quintal. Aí eu chamando ela, ela não vinha. Mas só que tinha um policial que morava em cima da casa que eu morava, ele...
Eu demorei muito tempo para ser socorrida. Isso foi de duas horas da madrugada. Eu já fui socorrida de manhã, de manhã já, quando ele foi largando, porque ela não se acordava, minha colega. Aí ele me pegou no colo e eu só estava com sede, bastante sede, tá entendendo? E tremendo bastante. Aí ele me colocou no colo, no carro, acordou ela e me levou lá para o hospital e lá não tinha nenhum médico.
porque tinha acontecido naquele tempo ali um feminicídio, uma mulher tinha sido morta mesmo. Ela não teve a mesma chance que eu tive de sobreviver, de estar aqui contando a minha história. Então, me levaram para outro hospital aqui no Recife. Aí lá eu fiquei em coma três dias. Eu não me lembro de nada nesses três dias. Então, quando eu voltei, os médicos pensaram que eu não ia resistir, que eles falaram que...
mais de 20 anos de medicina, que ele estava no conjunto de médicos que estavam me assistindo, e se eu sobrevivi ali naquele momento foi porque Deus permitiu, porque eu passei quase 7 horas para ser socorrida, tudo assim, ter assistência, tudo, ficar na sala vermelha e eu sobrevivi, eu sou um milagre de Deus. Aí aquilo ali, quando eu estava no hospital, foi como se o mundo tivesse caído na minha cabeça.
Tu tá entendendo? Porque eu queria me levantar, não conseguia. E ali a minha vida desmoronou. Eu não queria, tá entendendo? Nem saber que eu queria criar o meu filho. Eu só queria morrer pra mim. Foi a pior coisa, tu tá entendendo? Que aconteceu na minha vida. E eu dizendo que eu não queria viver. Aí eu arrancava os aparelhos.
Aí eles me dopavam, tá entendendo? Porque eu tenho uma cirurgia bem grande aqui, né? Que eles tentaram tirar a bala, mas não conseguiram. Porque se tirar a bala, eu fico tetaplégica. Ela tá aqui dentro de mim ainda, essa que tá na medula. Então, assim, eu só queria morrer. Tô entendendo? Dizia, não, não vou andar, eu só tenho 28 anos.
porque eu quero ficar assim, eu não nasci assim porque Deus quis. Foi o meu ex-namorado que dizia que me amava, que me deixou em uma cadeira de rodas, e eu não queria aceitar aquela situação, no início foi muito difícil eu aceitar. Demorou bastante, ficou muito tempo eu com medo de sair na rua, eu não queria falar com as pessoas, se eu falasse eu ficava, eu não estava aqui, falando contigo se fosse hoje, ou se fosse há seis anos atrás, eu ainda não conseguia. Você está entendendo? Eu tinha um bloqueio.
E tinha muito medo de falar assim. Ele dizia ainda que ia me matar. Ele dizia ainda hoje em dia, na audiência que teve, há dois anos atrás ele falou que ia me matar ainda. Ele ainda confirma que o desejo dele era você morrer. Eu queria parar aqui agora e só entender um pouquinho mais algumas coisas. Esse homem fazia... Como é o nome dele? Desse monstro? Gessé Francisco da Silva. Ele tinha quantos anos na época?
Ela é da minha idade, ela é da minha idade. Quem apresenta ele para você é a sua mãe biológica, sua genitora. Ele faz o quê? Como é que ele chega? Por que a sua mãe apresenta ele para você? O que ele fazia?
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
Quando ela me apresentou ele, ela dizia que ele trabalhava numa fazenda, ela contava uma história dele, só que a minha mãe...
Ela tem problemas, tu tá entendendo, com drogas. Ela nunca, tu tá entendendo, foi uma mãe, que foi minha mãe, foi minha avó. Então, depois que eu já tava envolvida com ele tudinho, eu soube que ele era desse viciado também, tu tá entendendo, igual a ela tudinho. Então, assim, ele ficava dizendo que ia me matar e eu ficava com medo da minha avó. Tu tá entendendo que ele ameaçava, ameaçou meu filho, meu filho só tinha nove anos.
Aí ele dizia, se eu deixasse ele, ia matar eu, meu filho, meu tio, tentei do minha avó. Então, para eu não acontecer nada com minha avó, que só era uma senhorinha de 79 anos na época, porque no dia que aconteceu isso comigo, ela tinha feito 80. Mas ela só tinha 79, né? Então, eu estou entendendo quando eu conheci ele. Então, assim, eu saí do lugar que eu morava, que eu tinha a minha vida, para ir para um interior, me esconder dele. E mesmo assim, ele me achou.
Tu tá entendendo? Aí eu coloquei lá Carla Lanche, comecei a vender lanche, botei meu filho no colégio e fiquei vivendo a minha vida. E eu não pensava que ele ia atrás de mim e fazia isso comigo. Eu nunca imaginei estar com uma cadeira de rodas. Você já pensou que você só tem Deus, você e seu filho e sua avó que ele criou? Tá entendendo?
E tudo muda completamente. Ela só era uma senhorinha, não podia levar meu filho para o colégio. Eu fazia isso tudo. E eu deixei de fazer. Eu não tive o prazer de estar com minha avó até ela morrer. Porque ela ficou com um problema no coração. Quando ela me via, o coração dela ficou inchado. Não tem um problema emocional que o coração fique inchado. Então ela não pode ficar junto comigo. Eu tive que morar só. Então só foi Deus, eu e meu filho.
Então foi muito complicado, ela não poderia morar comigo. Agora só para entender uma coisa ali também. Então vocês ficam um ano juntos, até para as pessoas às vezes se entenderem através da sua história que elas estão vivendo algo próximo e parecido. Ele vai ter uma violência física um ano depois.
de que vocês começaram a namorar, é isso. Mas antes... Antes disso, ele falava comigo com ignorância, ele gritava, tu tá entendendo? Já tinha violência. Violência física foi depois de um ano, mas até chegar na violência física, quais tipos de violência? Ele era grosseiro?
Ele falava um monte de palavrão comigo, ele chamava um monte de palavrão comigo, que é tão feio eu falar aqui, tu tá entendendo? Ele chamava de viva de palavrão, tá entendendo? Ele dizia que eu era uma pobre coitada, falava um monte de coisa comigo e mexia muito com o meu psicológico, porque ele dizia que eu não podia arrumar um homem melhor que ele.
Ele dizia que eu não conseguia. Clássico. Então, assim, mexia muito. Eu desculpava ele, porque ele vinha me pedir desculpa. E eu desculpava. Tu tá entendendo? Eu desculpava. Eu ficava chorando, fingindo que estava chorando. E eu perdoava ele.
E minha avó mandou eu deixar ele, meus amigos próximos mandaram eu deixar ele, disse, Carla, tu tem tua vida, tu vai viver sua vida, não fique com ele. Aí a mãe dele, a última coisa foi a mãe dele, fez, olha Carla, deixa Guitinho, que o apelido dele é Guitinho, deixa Guitinho e vai viver sua vida, porque a mulher que viver com ele nunca vai ser feliz. A mãe dele que me falou. E quando aconteceu isso comigo, a primeira pessoa que estava lá no hospital foi a mãe dele.
Ele foi me ver e disse, Carla, não deixe de ir dar parte, dê parte, porque você não merecia isso, não. Porque eu não traí ele. Porque eu fico muito triste que tem muitas perguntas que fazem assim, ó.
Até mulheres, estão entendendo, falam assim. E por que ele fez isso contigo? Como se tivesse um porquê. Tem alguma justificativa? Se você tivesse... Tem justificativa para matar gente, pelo amor de Deus? Não tem. Ele tinha violência financeira também com você? Se é um drogado, se aquilo ele trabalhava de fato? Ou você ainda bancava ele em algumas coisas?
Eu não bancava ele, não, estou entendendo, mas assim, quando eu comprava perfume e tudinho, ele pegava isso aí tudinho, estou entendendo, assim, e eu, por ser cega, estou entendendo, ele dizia que ia usar, mas eu sabia que a pessoa não pega um piso de perfume e acaba em menos de uma semana, estou entendendo, dizia que acabou, tudo assim.
Eu pensava que eu gostaria de tudo para a gente tentar, para tu ver. Até numa virada de ano, eu queria que a gente fosse para a igreja para ver que ele aceitava ser evangélico para mudar, né? Que eu pensava que ele mudaria. Mas a gente foi para uma virada de ano.
exatamente desse ano, de 2001, de 2013, de 2012 para 2013, de 2011 para 2012. A gente foi para essa virada aí, que foi em 2012, no dia 23 de junho, que aconteceu isso comigo. Mas só que nessa virada de 2011 para 2012, eu estava com ele. Aí eu estava lá na igreja, pedi para ele ficar lá, pensando que ele ia mudar, mas não muda não.
Ele chorava, mas era tudo falsidade. E eu acreditava que ele mudaria. Quando você vai ao show do Alexandre Pires, você falou até que foi com uma colega, uma Mia Kelly, que você falou. Criada pela família dele. E ela foi minha testemunha. Só que em toda testemunha ela foi. Só que lá dentro, quando teve...
Uma penúltima audiência que ela foi comigo, ele ameaçou eu e ela e meu filho lá. Só que ela ficou com medo. Então, ela foi embora e eu não sei mais dela. Até o juiz mandou procurar ela, né? Tudo que ela é minha testemunha. Tudo que ela falou antes, quando eu já estava entubada. Tudo que ela falou antes de eu contar o que aconteceu comigo. Ela que tinha contado, né? Que não chega a polícia para perguntar tudo o que aconteceu. Ela que falou.
Foi o ex dela que não aceitava o fim do relacionamento e deu três tiros na ela. E ele dizendo que ela traiu ele. Olha, diante de Deus, a coisa mais importante da minha vida é o meu filho. Eu nunca traí ele. Eu só não queria mais apanhar. Se tivesse traído, não é crime. Adultério não é crime. Tentativa de feminicídio é crime. Feminicídio é crime. Você, e sem precisar nem justificar isso, mas assim, você me fala que você chega com a Kelly até a sua casa. Sim.
A Kelly também foi atingida por um tiro? Não entendi isso. Ela deu um tiro nela, só que a Kelly bebia. Eu não, ela estava muito bêbada. Então, quando ele deu um tiro na direção dela, ela caiu, porque ela correu, assim, ela caiu. E ela até torceu o pé, tu tá entendendo? Ela até torceu o pé. Eu não sei se ela bateu em alguma coisa, porque eu sei que ela não levantava, eu sei que ela ficou lá no chão. Ela estava junto com você caída ali. Não, eu estava aqui, tu tá entendendo? Ela estava assim, há uns...
15 metros. O que ela vem dizendo é o que... O que eu quero dizer é o seguinte, é por isso que ela não busca socorro, é porque ela também caiu. Pô, ela caiu e ficou lá, como se tivesse desmaiado, eu acho que ela ficou desmaiada, porque era escuro lá, tu tá entendendo? Era escuro. Eu sei que ela ficou caída lá no chão, e pra você ver, amanheceu o dia, quando o policial foi me socorrer, o Heraldo lá, que é o Zemo, foi me socorrer.
que é o policial que é meu testemunho também, ela estava lá no chão e eles acordaram ela. Eu acho que ela tinha desmarado, tu tá entendendo? Só que eu não tinha que chegar perto dela, porque eu estava paralisada, né? Você já estava paralisada. Foi. Aí eu só ficava gritando por ela, tu tá entendendo?
Só que ela não escutava e não acordava. Só que quando o policial subiu assim, você sabe, no primeiro andar, eu morava embaixo, ali em cima. Quando ele subiu assim a escadaria, viu agonizando, aí ele correu e mascava. E ele ficou se sentindo culpado, porque quando ele disse assim, nada vai acontecer com você, porque eu tinha dado parte, ele dizendo que ia me proteger. Tu tá entendendo? Então ele ficou com isso na cabeça dele, que aconteceu isso.
isso comigo porque ele me protegeu, mas não foi. E estava o seu ex-namorado e um amigo, quem é esse amigo? Esse amigo dele era Juba, é Júlio o nome dele e o apelido dele era Juba. Ele pegou 25 anos, mas também já está no semiaberto e ele também, o meu ex pegou 25 e também já está no semiaberto.
E ainda ele me ameaçou, como eu falei para você, dois anos atrás teve a última audiência. Eu disse ao juiz, lá dentro mesmo do fórum de Carpini, ele disse que quando se soltasse ia me matar. Ele falou, aí eu falei lá na audiência, eu disse, olha, ele está aí. Ele falou, exatamente, quando saísse ia me matar. Eu e meu filho, meu filho só era uma criança de nove anos, que ele cresceu sem nenhum ódio dele, porque eu disse, o nome do meu filho é o Willian. Eu disse, Willian, não adianta você crescer com ódio.
porque não vai virar, eu não vou voltar a andar, porque você está com ódio dele, entregue ele a Deus, porque a justiça de Deus não falha. E lá eu falei para o juiz, meu filho não tem nenhuma maldade com ele, a gente entregou ele a Deus, eu só quero que ele fique longe de mim, do meu filho, da minha família. Falei assim. Mas ele já está no semiaberto, eu vou pular para esse momento, depois a gente volta. Ele é da cidade onde você mora?
Aqui não, da outra cidade que eu morava, tu tá entendendo? Que é aqui perto, é duas horas daqui. Você não mora onde tudo aconteceu? Não, não moro, eu não consigo ficar. Ele tentou algum contato com você? No início, ele estava assim, entrando na minha cabeça, eu não dar parte dele, para tudo bem que ele é tão covarde, que ele queria que eu dissesse quem fez isso comigo.
Foi o colega dele, e não ele. Ele não ser preso. Eu disse, não, vou dizer o que aconteceu. Vou dizer o que o seu colega deu, eu arrastei ele em mim e você me deu. Mas ele foi falar com você? Aí o delegado, que é meu amigo e que pagou o colégio do meu filho desde pequenininho, tá entendendo? Que é Gilmar Rodrigues. Ele que prendeu ele. Ele que prendeu ele. Então ele falou assim, fique tendo contato com ele.
Eu prender ele? Então vamos voltar. Então depois a gente volta aqui para o futuro. Vamos voltar lá. Você estava, então, no dia 23, você chega na sua casa, a sua amiga Kelly acaba até caindo e desmaiando, o amigo dele vai te dar uma rasteira, ele te dá um tiro no bumbum e dois tiros no peito, você fica agonizando das duas às sete horas da manhã.
Já é um primeiro milagre, porque cinco horas sangrando, pulmão, tudo mais, você é resgatada, vai para Recife, e não tinha nem como você não dar parte, porque com um tiro já entra imediatamente a polícia. Você vai para Recife, você fica três dias em coma, você acorda.
Você não faz ideia ainda do direito que tinha acontecido com você. Como que você recebe? Você já me contou que ficou arrancando tudo, que você queria morrer, mas como que você recebe a notícia de que você não vai mais andar? Fica tranquilo, fica calmo. Você tem água? Tem um copo d'água junto com você aí?
Tem alguém aí para te levar uma água? Não, meu filho saiu, mas eu vou... Porque mexe muito, né? Quando eu falo assim, você não vai mais andar. Peço desculpa de te perguntar, mas... Mas quando eu fico à vontade, é porque mexe, né? Assim, quando eu recebi a notícia que eu não ia mais andar, que eu fiquei, ao total, 28 dias internada. Foi no 28º dia que eu ia receber a alta.
E eu falei assim para o médico, eu quero que o senhor fale a verdade. Qual é a chance de eu andar? De mil. Aí sabe o que ele falou? Um por cento. Eu já sabia que eu não ia mais. Foi a pior notícia da minha vida, tu tá entendendo? É por isso que nesse momento assim, só veio só depressão. Só veio depressão de você.
Se não fosse Deus e o meu filho, olha, foi muito difícil de eu aceitar. É muito difícil. Foi um mundo caindo na minha cabeça de uma hora para a outra. E esse monstro, esse assassino, ele ficou te ligando?
Dizendo que só porque estava bêbado, que foi sem querer. Ah, sem querer. Como é que ele tinha uma arma? Do nada é sem querer ter uma arma, leva um outro covarde como amigo para dar rasteira. Por que eles não se dão rasteira neles? E ele ficou te ligando para ainda tentar te convencer. Você contou para ele que você não ia mais andar por causa dele? Contei. E ele falou o quê? Eu acredito que eu demorei dez meses.
Para dizer, para dar parte mesmo oficialmente dele, 10 meses. Por quê?
Eu fiquei pensando que eu ia voltar a andar, e que realmente ele estava arrependido. Foi nisso que o meu amigo, que é delegado, falou que ele acabou com sua vida, literalmente. Ele acabou. Você é um milagre por estar viva contando sua história, mas ele acabou com sua vida. Você não pode levar seu filho para o colégio, seu filho só tem nove anos. Você não pode pescar como você pescava, você não pode dançar como você dançava.
bote o pé no chão e veja que ele acabou com sua vida. Ele falou assim, aí eu disse assim, você está vendo que ele só está lhe enganando, ainda está usando ou está vendendo o psicológico para você não dar parte dele, aí eu fujo do seu vô hoje.
Hoje eu vou, aí o doutor Gilmar estava me esperando, atendendo lá na delegacia e mandou vir me buscar. Aí era muito difícil para eu sair, porque eu só vivia chorando, eu não podia olhar para nenhum canto, eu dei lá parte dele. Oficialmente, depois de 10 meses ainda, ele já estava com o filho, a mulher já estava grávida, tudinho, ele já estava com a família. Depois, quando eu fui vir da parte dele, eu para ir.
para você ver como que eu acho que eu era muito demente, eu acho que eu não estava tudo entendendo, a ficha não tinha caído, que eu não ia dar mais. Só deixa eu falar só uma coisa que eu acho que é importante aqui, eu não sei qual é a sua dor, eu não estou sentado literalmente na sua cadeira, eu não sei como, mas assim, é importante, porque como o canal é muito visto, as pessoas também se apoiam, é importante a gente perceber uma coisa assim, é possível sim, mesmo na cadeira de rodas, você dançar.
levar o seu filho para a escola, ir à igreja. É mais complicado. Mas é...
Mas o que eu quero dizer é que a sua vida não pode ser limitada só, porque senão a gente... Entendeu o que eu quero dizer? Eu tenho certeza que você tem um ponto já de virada aí, porque você está uma mulher bonita, você está produzida, você está vivendo, porque senão uma outra pessoa pode estar começando a chegar no lugar que você estava e achar que a vida dela acabou, não acabou.
Não acabou, estou falando naquele momento. Não sei, mas é que o delegado fala para você, sua vida acabou, você não vai mais poder levar o seu filho. Sua vida vai mudar. Entendeu o que eu quero dizer? Eu tenho essa realidade dentro da minha vida. E eu sei o quanto é dolorido para quem passa e para quem está do lado também, que a gente também muda a nossa vida. E é possível, dia de amanhã a gente vai se reaprendendo. Mas você demorou dez meses.
E ele solto. E ele solto. Ele já estava com outra mulher. Já tinha engravidado ela. Sério. Já tinha engravidado ela tudinho. Ele só foi mal comigo. Tu tá entendendo? Olha, no momento que ele fez isso comigo. Ou ele fez isso comigo hoje. Hoje mesmo ele já estava com outra mulher. Na mesma noite.
Tu tá entendendo? Ele tava com uma mulher. E a cidade é pequena, todo mundo sabia o que tinha acontecido com você e todo mundo sabia que era ele. E todo mundo sabia que era ele. Então ele tava com outra mulher e ele fala no meu juízo que tava arrependido tudinho. Depois eu descobri tudinho que ele tava com outra pessoa. Pra você ver.
Vai fazer 14 anos agora que eu estou paraplégica, que ele me deixou paraplégica. Então, é a idade do filho dele, que tem 13 anos, tu tá entendendo? Ele vai fazer, é a mesma idade, só os meses que tem, pra você ver.
Então ele não sentiu nada. Ele fala assim, que se arrependeu. Ele não se arrependeu. Ele foi frio e calculista. Tu tá entendendo? Porque ele ainda usou o psicológico pra eu não dar parte dele. Pra dizer que tava arrependido. E eu acreditava. Olha, eu não sei o que eu tava com a cabeça. Que eu pegava assim, ó. O versículo da Blíbia. Porque eu não sou evangélica, não. Tu tá entendendo? Eu cresço em Deus. E respeito qualquer uma religião. Mas eu lia lá que ele pedia pra eu ler.
o versículo da Bíblia, porque ele dizia que não conseguia dormir pelo que fez comigo. E eu rezava, eu orava o versículo da Bíblia, mas foi bom, o doutor Gilmar dá um sacode em mim, você orava para ele? Você orava para ele poder dormir? Meu Deus do céu. Gente, como ele te sequestrou, a tua alma, a tua mente, tudo, por que você acha que ele conseguiu te sequestrar tanto? O que te ligava a ele?
porque ele dizia que eu não era capaz de pegar uma pessoa, que gostasse de mim como ele gostava. Ele entrou tanto assim, eu acho que eu estava numa carência, você está entendendo, assim, tão grande naquele momento que...
que eu estava doente, isso daí não é amor. É uma doença, isso não é amor não, isso é doença. Porque amor cuida, você quer ver aquela pessoa bem, mesmo que você não esteja com ela, você quer ver aquela pessoa bem, que ama ela sim. Então não, ele me conseguiu deixar eu doente, porque tipo, ele mesmo me maltratando todos os dias com palavras tudinho, eu perdoava e pensava que era feliz com ele, eu não era. Hoje em dia, eu posso botar para hoje em dia?
Não, hoje em dia eu quero saber daqui a pouco. Antes eu quero saber tudo lá do dia passado. Você demorou os dez meses, você não encontrava com ele. Ele falava com você. Ele foi ainda uma vez me ver pessoalmente lá. Vê só. Sim, ele foi uma vez me ver pessoalmente. Pediu pra me ver. Aí eu deixei ele me ver. Ele levou o revólver que o cara emprestou a ele. E falou assim, ó. Toma.
pode me matar. Aí eu comecei a chorar naquele momento. Não, eu não sou como você. Você sabe que eu não merecia isso. Eu comecei a chorar e disse que entregava na mão de Deus. Eu digo, sai, querido, isso daqui, tu tá entendendo?
para dizer que estava arrependido e levou a arma e me deu para dizer que eu desse um tiro nele para fazer, porque ele sabia que eu não ia fazer. Tu está entendendo? É para fazer cena.
Ele sabia que eu não ia fazer. Aí o meu tio ficou reclamando. Não sabia não que ele estava usando o teu psicológico não, rapaz. Ele estava olhando contigo. Todo mundo assim dizia, porque eu era sempre muito... Eu sou muito extrovertida. Eu sempre... Eu sei que é capaz da gente fazer tudo. Mas naquele momento ali, quando acontece, você fica para a festa. É tudo muito difícil, tu tá entendendo? É bem complicado.
Eu fui morar num lugar que era cheio de ladeira, mesmo que se eu tivesse hoje, assim como eu sou hoje... Onde eu morava não dava, porque é muito ladeira mesmo, nem para subir, nem para descer. E não tem ônibus, não. A pessoa tem que ir andando mesmo, que é a comunidade. A comunidade lá não dava. Então, assim, o delegado pagou o colégio do meu filho todinho.
Então, eu não queria sair e fiquei com essa depressão. Só que eu disse assim, caramba, minha avó conversando comigo fez, olha, tu deveis levar essa tua história para outras pessoas lerem, porque tu tivesse a chance de estar viva, tu tá entendendo? Tu tem como dar a volta por cima. Aí eu tô botando isso na cabeça, tu tá entendendo que eu conseguia, que eu era capaz e eu sou capaz, tu tá entendendo, de ser feliz.
da forma que eu estou, que me deixaram. Sim. Lá atrás, daí você pega ele... Dez meses depois, você se liberta de alguma maneira e consegue fazer o boletim de ocorrência. Eu achei até que o Ministério Público já teria que ter entrado, mas tudo bem. Começa ali a investigação, é isso?
Sim. Aí ele já é preso? Como que é a história da investigação? Sim, aí eu falo com ele no telefone, você está entendendo? Eu falo com ele no telefone, como o doutor Gilmar Rodrigues manda, e o doutor Gilmar vai lá, e ele estava fazendo uma festa, comemorando o filho dele que ia nascer. Você está entendendo? Ele já estava com oito meses, em convê, dez meses, e a mulher dele estava com o que ele conseguiu, estava com oito meses.
O doutor atendido de gravidez estava comemorando, o doutor Gimã prendeu ele logo numa festa que ele estava, que ele descobriu que era menino tudinho, estava comemorando lá.
A gente é muito louco. No dia que ele tentou te matar, ele conseguiu fazer uma criança quase nascer. Entendeu? Ele teve a morte e a vida praticamente na mesma noite. Ele te mata e ele transa com a mulher dele para ela ficar grávida. É uma coisa muito louca, porque... Ele ficou com ela depois que a gente separou. Não sei, mas no dia que ele tentou te matar, praticamente ele te mata, no mesmo dia, ele quer a morte e a vida.
Quase simultaneamente, é muito louco isso. E aí ele é preso na comemoração da gravidez do filho dele. É, já estava com uma barriguna, já estava perto de... Eu, dez meses, paraplégia, que ele tinha me deixado. E a mulher, ele já estava com oito meses, já pertinho de ter o bebê.
Que bom que tirou ele de comemoração, não tem que comemorar nada. Aí ele é preso. E o amigo dele também é preso. Sim, aí ele é preso. Aí passa na TV, sabe? Só que no início eu não queria, tu tá entendendo, ter filmagem comigo, tu tá entendendo, vieram as emissoras, eu não queria que fizeram filmagem comigo, que eu tinha medo. E nem mostrava o meu filho. Aí fizeram a filmagem com ele. E sabe o que ele diz lá, quando o repórter pega ele?
Você tentou, você deixou a sua ex-mulher que fala assim, paraplégica, você tentou deixar ela paraplégica, ele falou, não, eu não dei o tiro para deixar ela paraplégica, não, eu dei o tiro para matar.
Ele fala... Então que bom, ele confessa que era homicídio e não lesão corporal. Ele falou assim, eu não dei o tiro para deixar ela aleijada não, porque ele não fala assim para a Béjiga não. Ele fala assim, eu não dei o tiro para deixar ela aleijada não, eu dei o tiro para matar mesmo. Ele fala bem assim na entrevista, é porque eu não sei qual entrevista, tu tá entendendo o que foi, mas foi até na entrevista que o doutor Jiméu aprendeu, em 2012, né, é muito tempo.
Eu tinha até um tempo desse, há muito tempo, mas depois eu tirei tudo, foto dele, tudo. Não quis nada, mas ele disse na entrevista mesmo que deu os três tiros, não foi para me deixar aleijado, foi para me matar. E você estava com dois caminhos seguindo, paralelos. Um que é você voltar a entender qual era a sua nova vida e a busca agora pela justiça.
Como foi viver esses dois momentos e qual foi o mais rápido? Você se reentender ou a justiça chegar? A justiça, para mim, demora. Porque, para me entender, foi complicado também. E eu acho muito falha a justiça. Para mim, eu acho isso da justiça muito ruim. Porque...
Eu estou aqui e ele vai ser solto e pode me matar, tu está entendendo? Ele falou que vai. Tu está entendendo? Foi através do meu filho e da minha avó, porque eu vi o meu filho ali, que ele não saía para canto nenhum, nem nada. Então, foi muito difícil. E o meu filho começou a andar comigo na cadeira de rodas e ele era muito pequenininho, né? Tu está entendendo? Só nove anos ele.
e ele me levou no tudinho e eu ficava muito triste eu comecei a andar com ele e eu queria eu queria ter uma vida melhor para a gente porque eu era marisqueira sou aposentada recebo um salário mínimo e disse assim eu vou vender alguma coisa posso posso falar isso pode o que posso falar que que eu disse assim que eu queria vender alguma coisa para o outro
Tá travando, né? Às vezes tá travando o seu celular. Pode ser um pouco o sinal daí. Pode ser. Vendi o quê? Água mineral. Aí eu colocava o culé no colo, tô tendendo o culé no colo, e o meu filho empurra a cadeira e a gente vai vendendo pela beira da praia por dois reais pra tentar sair do aluguel. Eu boto uma plaquinha assim, sou sobrevivente, levei três filhos dos meus namorados, recebo um salário mínimo, tenho um sonho de sair do aluguel. Quem comprar uma água aqui tá me ajudando a realizar o sonho.
Então, aí eu comecei a vender água, né? Aí, nisso, eu marquei a Luana Piovani. Pode falar? Pode, eu sou fã da Luana. Eu gosto da Luana Piovani. Aí, a Luana Piovani... Tá travando, voltou, desculpa. Agora voltou. Você falou que você marcou a Luana Piovani. Eu marquei a Luana Piovani. E não foi que ela me viu na primeira vez.
Aí ela me viu, me seguiu, compartilha a minha história. Quando eu estou doente, ela compartilha. Ela falou, criança, você vai longe. Pode ter certeza que não viralizou sua história, mas vai viralizar. Sempre ela compartilha a minha história. Uma hora ou outra, ela compartilha. Ela me segue, fala comigo mesmo no direct. Ela fala, tá entendendo comigo. Eu gosto que a Luana Piovani, ela...
se empoderou e empoderou as mulheres de uma maneira muito legal. Eu acho que tem gente que acha ela metida. Não, ela é uma mulher com o poder dela. E ela sabe o poder que ela tem e acabou. E eu acho isso fantástico nela. Ela não precisa pedir licença e nem desculpa para ninguém. Eu gosto muito dela. Além de atriz, eu acho ela uma ótima atriz.
Não, mulher metida não. Ela é a melhor mulher para representar as mulheres, porque as mulheres deviam conhecer a lua que vive nela. Ela é uma pessoa maravilhosa. Ela me acolheu. Ela falou, olha, Creuza, começa a vender suas coisinhas, pequenas, para não ser muito pesado para você e seu filho. E meu filho ficou com problema no tornozelo. Ele faz fisioterapia. Tentou empurrar minha cadeira de rodas.
Aí eu comecei a vender, deixei de vender água mineral, comecei a vender amendoim, paçoca, juba, chiclete, fico vendendo, e aí fico lá, ela fica compartilhando a minha história. Só por eu ter ficado paraplégica, tem um defeito, tá entendendo? Que eu uso sonda de alívio. É uma sonda que tem, que a pessoa coloca a lua na mão tudinho e faz esse procedimento.
Se eu não beber muita água, sempre eu fico com infecção urinária, eu fico internada uma vez ou outra. Ela vai e compartilha. Gente, deu uma força aqui, eu ganho esse que deu por conta dela. Deu uma força. Ela é guerreira, é vítima de tentativa de feminicídio. Ela sempre me dá força, tudinho. E ela fez, olha, criança, eu não tenho vergonha de você. Tem que ter vergonha da pessoa que fez isso com você. É quem tem que ter vergonha é ele, não você.
Só uma coisa, o áudio está abafado dela, não? Será que a mão... Você está com a mão no microfone, não? De tudo, agora está...
Agora está melhor? Agora melhorou. Para mim aqui melhorou. Obrigado. Não, quem tem que... A Gisele Pelicô, que é aquela senhora francesa que foi estuprada pelo marido e pelos nojentos que ele levava em casa sem ela saber, ela falou que quem tem que ter vergonha são eles, não eu. E quem tem que ter vergonha, quem tem que ter horror a si mesmo é esse seu ex-namorado, não você. E esse amigo desse ex-namorado, tal de Juba aí.
Aí, só para eu entender, voltando ali para trás, você, então, vai buscar a justiça e o seu reentender da sua vida. Ele é preso. Que momento que ele fala? Ele fala no julgamento que ele vai te matar? Na audiência de instrução? Sim. Quando ele entra, ele passa por mim. O fórum dá para passar um pelo outro. Aí, quando ele passa no corredor, o policial segurando ele. Ele fala assim, quando eu sair, eu vou te matar.
Ele disse todas as vezes, todas as audiências que teve, ele disse assim, o policial nem liga. Na frente dele mesmo, ele fala, não é por trás, não. E eu disse, o juiz, ele disse, na frente dos policiais, tu ninguém ia me matar. Aí, uma vez, um policial disse que isso é só porque ele está com raiva. Imagina, como o policial fala isso? Só porque ele está com raiva. Ele falou, tu está entendendo assim. Isso é macho defendendo macho.
Da última audiência, quando ele falou, ele estava me olhando assim, tipo, ele estava me amedrotando. Nessa última audiência, dois anos atrás, o policial olhou para ele assim, esse policial, esse da última, foi bom ali. Por que está olhando para ela? Olhe para cá, entendeu? Não permitiu que ele ficasse me olhando. Ele ficou como se estivesse me jurando, tu está entendendo? Sabe, né? Quando a pessoa está olhando para outra, ele estava olhando para mim e para o meu filho daquela forma.
Aí eu falei lá, eu deixo sempre bem claro na audiência, se acontecer alguma coisa comigo, com o meu filho.
É ele, que ele me ameaçou novamente, eu e meu filho. Eu disse lá tudinho. Aí o juiz disse que isso é um cabra safado. E eu falo por mim, que eu sou mulher, que ele não era nem para ser chamado de homem. Tu tá entendendo? Porque os homens são maravilhosos. Tu tá entendendo? Nem bicho, não pode comparar ele nem com rato. Porque o rato é um rato.
Ele é uma coisa inexistente, ele é uma coisa, porque ele não é um homem, ele não é um animal, ele é uma coisa, porque, olha, quando eu saio para vender minhas coisas, os homens, chamam suas esposas, suas namoradas, vão comprar comigo, são acolhedores, são bem acolhedores comigo, compram as coisas comigo e eu fico bem feliz. Não é porque essa coisa me deu três tiros, me deixou para a plécia, que os homens são ruins, os homens são maravilhosos, ele que não é homem.
Ele é um cabra safado, me desculpa falar assim. Mas é um cabra safado mesmo. Eu falo coisas piores sobre esse tipo de coisa. Quando ele foi julgado, que ano? A última vez foi em dois mil e... Há dois anos atrás, em 2024. Doze anos? 2014. Em 2024. A última agora foi em 2024. 24? Então faz dois anos só? 21.
Ah, faz dois anos que ele foi julgado. Mas ele ficou preso todo esse tempo ou ele soltou? Foi preso, ficando no semiaberto. Foi preso, ficando no semiaberto. Mas ele foi julgado. O julgamento dele é quando? Se ele já está no semiaberto... Em 2024, mas só que já conta o tempo que ele estava preso. Já conta. Ele foi julgado em 2024 e já saiu para semiaberto. Ele pegou uma pena de 25 anos.
Sim, porque essa pena minha não é da agora, da Lei Maria da Penha, não. Sim, sim. Porque foi em 2012. E eu posso tocar nesse assunto, veja. Deve. Mas várias pessoas falam, tá entendendo? Como teve uns repórteres que falaram, marcaram uma entrevista comigo, tô entendendo? Aí falaram assim, não, vamos fazer, tô entendendo uma matéria com você, Creuza. Porque é muito interessante a sua história.
Aí, nisso aconteceu, né? Como acontece todos os dias, todas as horas, feminicídio. Aí falaram, olha, criança, me desculpa, a gente vai fazer a matéria contigo, porque mataram uma mulher que, então, sua história já é antiga.
Então não tem tanta relevância. A minha história é antiga, mas eu vivo com isso todos os dias. Para eu acordar, eu tenho que usar a cadeia de moda. Não existe isso, não existe história antiga. O crime é eterno, não tem história antiga. Aí não quiseram estar reportando isso comigo.
Se não fizeram a reportagem comigo, não está tudo marcado. Tudo coisa assim, disse que teve uma história. É tipo, eu queria que as pessoas dessem a oportunidade que você está me dando. Você está entendendo? De eu contar a minha história viva, de sobrevivente, que eu não desisto da minha vida. Quero lutar até o fim, eu quero ser feliz. Mesmo na cadeira de rodas, você está entendendo? A você que dá a oportunidade de eu falar aqui tudo o que aconteceu comigo, para várias mulheres verem. E não as pessoas que deixam outras mulheres morrer.
para ganhar em cima daquela tristeza que aconteceu, daquele fato. Então você tem que dar oportunidade, enquanto ela está dando um grito de socorro, como eu estou dando. Porque eu estou na cadeira de rodas e ainda posso ser morta. Porque ela ainda me ameaça, quando ele disse que ainda vai tirar a minha vida ainda. Sim. Ele, nesses últimos anos na cadeira, tentou ligar para você ou não?
Não, não tem meu número. Então, talvez ele não tenha tentado ligar, porque ele não sabe o seu número, não porque ele não gostaria de ter ligado para te atormentar. Ele já está em regime sem aberto, ele e o... E o Júlio, que é o ordinário 2. Sim, sim. E ele não te procurou? Ele não te procurou porque ele não sabe onde você está?
Porque ele não pode, né? Porque quando está no semiaberto, a pessoa não pode ir para todo lugar. Mas é, amor, mas assassino respeita o quê? Se respeitasse, não tinha dado tiro. Sim, sim, não tinha dado tiro. Então, assim, eu não confio, né? Eu não confio, porque a justiça para isso era para ter umas medidas, o 70 no mais, severa.
Eu acho assim, porque além dele me deixar numa cadeira de rodas, a qualquer momento ele pode me matar. Porque a qualquer momento, mesmo ele usando tornozeleira, ele pode me matar. E há dois anos atrás, na audiência, ele me jurou de morte. Ele disse que ia terminar o que começou. Isso agora, há dois anos. Há dois anos. O juiz te deu uma medida protetiva, alguma coisa assim? Não. Entendeu?
Olha, pra tu ver, a justiça é bem complicada, tu tá entendendo? Demorou tanto isso tudinho, aí já desconta o tempo que ele tava preso, aí é bem ruim. Por isso que ele já tá no cinema aberto, a justiça é bem falha nisso, era pra ser mais severa. Tipo, se uma pessoa faz isso com a outra, deixa paraplégica, pra mim era pra ficar da mesma forma. Ou se não, não sair mais, tu tá entendendo? Mas dentro do presídio a pessoa tem...
Tem visita, tem tantas coisas lá dentro da cadeia, então fica bem complicado. As pessoas vão fazendo mais coisas, vai matando cada vez mais, vai agredindo, deixando as vítimas assim, né? Eu sou sobrevivente, olha, tem tantas crianças que não teve a mesma força e está aqui a mesma sorte de estar viva. Porque eu realmente sou um milagre para estar aqui contando a minha história. Tem tantas que não tem essa chance de estar aqui contando, não é isso?
É pouquíssimas pessoas. Eu entrevistei pouquíssimas sobreviventes, porque a maior parte das mulheres acaba morrendo. E as mortes estão cada vez mais cruéis. Você me falou até um pouco antes que você até conhecia a mãe dele, a própria mãe dele tinha falado. A família dele ainda tem contato com você, ou você cortou?
Não cortei com todo mundo, não quis contato com ninguém, porque de toda forma ela me defendendo tudinho, mas ela é mãe dele, né? Então, assim, eu não quis contato com ninguém. E peço a Deus que livre ele bem longe da minha vida, da vida do meu filho. Tu tá entendendo? Porque, veja só, mesmo ele sendo preso, ficando um tempo preso, ele ainda tá me ameaçando, então eu vou querer ter contato pra quê? Tá entendendo com alguém da família dele, eu não quero, né?
Porque ele pode fazer alguma coisa comigo. E eu posso falar uma coisa que o meu filho me disse que me machucou muito? Deve. Depois, né? Assim, teve... Eu vendendo minhas coisas, aí fizeram uma matéria comigo. Pode falar alguma emissora? Pode, você pode falar o que você quiser aqui. Aí fizeram uma matéria comigo no G1, eu nem sabia.
O Detendino não sabia, fizeram uma matéria comigo, eu estava me olhando aqui. Trabalhei o carnaval todinho com o meu filho para comprar uma cadeira elétrica, Detendino. Olha que bom. Para comprar uma cadeira elétrica, então eu trabalhando com ele, eu sou alegre, eu pensei que eu sou alegre, brinco tudinho. Aí eu estava lá vendendo toda ajeitada, aí veio o rapaz do G1, da TV Globo, e disse, eu posso, eu achei tão interessante, Detendino, sua placa de sobrevivente, eu posso fazer uma matéria com você? Eu disse, pode.
Mas só que na TV, né, não pode colocar o CPF, né, era no meu Pix, né, tá entendendo? Aí tava o meu CPF, aí ele tirou assim, mas contou a minha história todinha. Aí um monte de gente, é, Léo Lins, tudinho, disse, mas rapaz, nem sou eu, tô um filho da... Pra não deixar o Pix aqui da pessoa, mas só que eles não entendem que não podem deixar, porque era meu CPF, né. Mas ele contou a minha história todinha e eu nem sabia.
E eu fiquei bem feliz, né, por isso. Aí o meu filho falou assim, pra mim, depois, quando me chamaram do G1 pra fazer outra matéria comigo, pra dizer como foi, tudinho, né, que foi a TV Guarará que eu fiz aqui. Aí falou, Carla, criança Carla, aí falou com o meu filho pela primeira vez, tudinho, e disse assim, o que o seu filho é, né, pra mim, eu disse, meu filho é tudo, tudinho. O que, desculpa, não entendi, o que o seu filho é? O meu filho é tudo pra mim, é tudo pra mim. O meu filho é tudo pra mim.
Aí eu disse assim, o meu filho, depois do carnaval, disse que ele começa a andar sozinho. Sempre, de nove anos, ele está empurrando minha cadeira. Até hoje, 14 anos, ele empurra na minha cadeira. Eu nunca tive uma cadeira automática. Ele empurrando para todo canto, ele vai comigo. Para todo canto, para médico, para mercado, para todo canto, ele vai comigo. Então, assim, ele parou. Depois do carnaval, eu disse assim...
Mamãe, quando a senhora tiver uma cadeira automática, vai ser tão estranho eu andar. Eu disse, por quê? Porque quando eu não estou empurrando sua cadeira, eu acho diferente. Ele falou que quando ele não empurra minha cadeira, ele não acha que ele ia andar normal. Ele acha que está faltando alguma coisa. É engraçado porque ele andou mais tempo te empurrando do que sem te empurrar. É praticamente a forma que ele anda.
E aí isso mexeu tanto comigo, eu disse lá, tá entendendo? Na entrevista eu disse, caramba, me machucou tanto, tá entendendo, Beto? Porque o meu filho...
que era para ter uma vida normal, que ele não tem uma vida normal. Vocês sabem que eu tenho uma vida mais normal que ele, porque ele para todo lugar vai me empurrando. Mamãe, eu não sei andar. Normal, eu acho diferente. Ele está topando, eu não acho diferente, porque ele não está me empurrando na cadeira. Mas o seu filho tem amigos, namora? Ele tem uma vida dele? Ele namorou? Não. Eu peço muito a Deus, o meu sonho.
Mas se quer ter uma casa, é que meu filho tem a vida dele, que ele merece muito. Ele é um filho tão maravilhoso, Beto. Ele é um filho maravilhoso. Ele teve uma namorada que ele gostou bastante dela, tu tá entendendo? Mas é binário. Ele ficou três anos com ela. Mas ele é novinho ainda. Quantos anos ele tem? 22?
22, tá entendendo? Ele tá pensando, porque o que eu pergunto é o seguinte, estenda com toda delicadeza. Ele acabou sendo as suas pernas muito tempo e ele acabou se tornando, se fundindo a você. E isso deve ser dolorido pra você e deve ser dolorido pra ele. Ele tem sonhos dele de fazer faculdade fora, de morar em São Paulo, alguma coisa assim? Tem, o sonho dele é sair daqui, né? Que ele tem medo.
Desculpa mais uma vez. Ele tem medo de ficar aqui, tu tá entendendo? Por conta disso tudo, né? Da ameaça que tem entre eu e ele. E ele só era uma criança e leva essa culpa sem nada, da pessoa dizer que vai matar ele sem ter nada a ver. Ele só era uma criança. De nove anos. Então, assim, ele só terminou o ensino médio. O meu sonho é ver ele formado. Ele tem um sonho de fazer biologia, né? Tá entendendo que ele gosta muito. Ele queria fazer biologia e queria que a gente saísse daqui.
mas a gente não tem condições de que eu receba um salário mínimo.
Eu pago mil reais da casa e ainda não adaptada. O meu sonho é tomar banho sozinha no banheiro. Eu não consigo ficar a casa não adaptada, não dá para eu tomar banho sozinha no banheiro. Faz 14 anos que eu tecido o meu filho para me botar no banheiro para tomar banho. Eu quero ver o meu filho que tem a vida dele. Ele vai para a escola e não vai para show. Ele começou a ir para show agora, ele não vai para show. Ele não tem amizade, a amizade dele é da internet assim, porque ele vive mais a minha vida do que a vida dele. Isso me dói muito.
Porque ele é uma pessoa maravilhosa. E você? Você sai? Qual é a sua vida hoje? Desde então, você teve algum namorado? Qual é a sua vida social, sua vida afetiva, depois de tudo? Olha, a minha vida é... Eu acordo, faço as coisas dentro de casa com o meu filho, a gente almoça e vai trabalhar, vender meus amendoins, porque o meu sonho é sair do aluguel.
Então, assim, por enquanto a vida da gente só é isso, trabalhar para tentar sair do aluguel. E só no final de ano e carnaval, que eu já fui quatro vezes para a virada do ano, que tem as bandas tudinhas, ele me leva. E foi maravilhoso, foi maravilhoso para mim. Você não sai com amigos, você não vai...
Nada. Para as pessoas entenderem o quanto o crime mata muitas coisas da vida de uma pessoa. Um sobrevivente de um crime vai viver com mais medo, mais recluso. O crime não pode ser visto somente... Ela ficou paraplégica, agora põe uma cadeira de rodas, ele vai... Tentativas de feminicir... Na verdade, ele matou coisas em você, de fato. Ele matou a sua liberdade.
de tomar banho sozinha, a possibilidade... É essa a sensação que eu tenho, que a justiça não abraça e não abarca. Porque ele ficou na cadeia, mas você teve apoio, por exemplo, de alguma coisa do Estado. Eu sei que é o Estado da cadeira de rodas, mas você não ficou... Entendo o que eu vou dizer, você não se tornou paraplégica apenas como se isso fosse pouco. Você quase morreu.
Você foi vítima de um homem mau, de dois homens maus. Você ficou para... Ele quebrou 500 coisas na sua vida. E, claro, que o Estado não te ajudou em nada também. Agora, se ele trabalhasse com carteira registrada, ele teria tido uma pensão por nove meses se ele tivesse filho. Ele teria ganhado. O Estado ainda ia pagar alguma coisa para ele. Certo ou errado? Eu não sei.
Eu recebo um salário mínimo porque eu era a marisqueira. Então, a única diferença é que eu tenho um décimo, mas é um salário mínimo. Só isso que eu recebo, tu está entendendo? Mas um salário mínimo. Para eu pagar mil reais de casa, aí vem a energia que é por fora, vem a água, a alimentação. O Estado não adaptou a sua casa. O Estado não adaptou a sua casa. Não é minha casa, a casa é da realidade. O Estado chegou e falou assim, olha, vamos te abraçar, vem aqui.
Se eu vou te ajudar, você vai fazer... Nada. Ele estava lá. Se ele ficar dodói na cadeia, vai todo mundo cuidar dele. Ele tem visita íntima. Ele tem saídinha, porque ele pega ainda a lei anterior. Ele já está em semiaberto. Ele é novo. Ele ficou 10 anos na cadeia. 10, 11 anos. Ele entrou com 28 anos, ele saiu com 40. Ele é um homem novo.
O filho dele não vai empurrar a cadeira de rodas da mãe dele. E ele ainda se faz de tudo para dizer que vai te matar. E o Estado também não faz nada, te dá uma medida protetiva. É uma beleza. Eu não sei nem o que te falar. Desculpa, acabei, fiquei irritado aqui um pouco com toda essa situação. É assustador isso tudo, é assustador.
O filho dele tem uma vida, né? Ele não tem uma mãe para levar no colégio tudinho. E ele tirou isso de mim, né? Tirou do meu filho. Tirou o seu filho. Tirou do seu filho. De andar ao lado da mãe e não empurrando a mãe. Ai, meu Deus do céu.
Meu Deus, ô Creuza, tem ninguém, teu filho não tá aí, menina. Não, mas é porque mexe um pouquinho, né, tá entendendo? Eu sei que faz 14 anos, mas mexe. Mexe com a gente, como não vai mexer com você, Creuza? Você mexe com a gente, tem que mexer com... Quando eu falo do meu filho, ele tirou tudo do meu filho, tipo assim. Ele tirou a infância do meu filho, ele roubou. Ele roubou a infância do meu filho. Porque o meu filho deixou de ser criança pra ser um adulto, pra cuidar da mãe. E assim... E aí
É bem complicado, é bem complicado porque ele não vai numa festa, desde pequenininho ele não ia, porque eu estava com depressão, eu não ia para as festas do colégio, porque eu chorava, eu tinha medo, então ele também não ia para a festa do colégio, nem para a formatura ele foi, porque eu não ia e ele não queria isso em mim, então ele tirou isso do meu filho, tirou de mim, deu ver meu filho formado. Ele não roubou nada, ele não roubou, porque roubar eu posso devolver, ele matou.
Ele não te matou, mas ele matou muitas coisas em você, no seu filho, na sua avó, que foi sua mãe. Matou, matou, que eu não sei nem onde meu filho bate em mim, ele de lado, de lado.
Andar de lado a lado com ele. Eu posso andar na cadeira de rodas, mas é diferente, né? Eu queria ver o tamanho que eu batia nele e tudo isso eu não posso ter. Estou entendendo? E assim, eu posso dançar na cadeira de rodas, mas eu amava dançar, de pular, de descer frevo. Eu moro em Pernambuco, eu amava frevar. Estou entendendo? Isso mexe muito comigo. Eu sei que eu posso dançar na cadeira de rodas, mas é a mesma coisa. Você sabe, né? Tipo, veja, se eu tivesse nascido do ventre da minha mãe...
paraplégica, seria mais fácil, porque eu nunca sabia o que é andar, mas você, né, isso é normal, e depois de 28 anos... Se tivesse sido um acidente, se tivesse sido uma queda, mas um tiro, é tudo ainda mais cruel. Muito, muito, e de uma pessoa que dizia que te amava, tu tá entendendo, não foi um acidente, se fosse acidente era livramento de Deus.
se fosse uma doença também, era livramento de Deus, mas foi um ex-namorado que dizia que te amava, te dar três tiros e te dar até um andar. Está entendendo? Isso é muito difícil. Você ainda tem a esperança de voltar a andar? Agora, com esse advento todo da polidamida, que fala da cientista brasileira Tatiana Coelho, que conseguiu...
colocar isso em prática nas lesões recentes, mas nada impede que as lesões mais duradouras também possam ser retomadas. Você tem essa esperança agora mais forte? Ô Beto, para ser sincera, eu não tenho mais não, porque eu só tinha 28 anos quando aconteceu isso comigo, eu já estou com 42. Então assim, eu sou bem sincera, o rapaz lá no...
No carnaval daqui de Olinda, ele foi fazer essa pergunta minha. Eu comecei a chorar, porque ele fez assim, Deus queira que dê tudo certo para você.
Da médica, né? Eu comecei a chorar. Porque eu tenho um pé no chão que eu não sinto mais que eu vou voltar a andar. Só se for um milagre mesmo, tu tá entendendo? Porque já vai fazer 14 anos. 14 anos é muito tempo. Tu tá entendendo? Eu entendi. É interessante o que você está falando. Porque também se você parar nessa esperança, você vai deixar de se entender como você está de fato. O mais importante pra você do que voltar a andar é ter uma casa.
É completa para você poder tomar o seu banho sozinha, você ser mais independente, o seu filho ser mais independente. É muito interessante. O andar para você não é o mais importante. Se voltasse, beleza, até porque para voltar ia ser um monte de coisa. O real é esse, a realidade é essa. Para você, dentro da sua realidade, ser mais completa, é muito mais importante ter uma casa do que andar.
Eu, depois de 14 anos, falo para você que é o mais interessante, a minha felicidade é ver meu filho formado, com o ensino superior completo e ter uma casa adaptada para eu tomar banho sozinha no banheiro, andar nela sozinha. Porque aí você vai andar.
Sim, que eu vou me sentir que eu estou andando. Você vai andar, aí é andar também. O andar não precisa ser obrigatoriamente em cima de duas pernas. É você andar sozinha. Andar, eu fazer vídeo, eu fazer vídeo. Quem quiser ajudar a Creuza, entra no Instagram dela, que lá tem formas de você poder ajudar, ela está numa...
campanha para... Eu não divulgo vaquinhas por conta de uma coisa que eu teria que colocar o diretor em cima e tudo mais. Não tenho... Não tenho como fazer isso. Até financeiramente não tenho como fazer. Mas se você quiser ajudar a Creuza, entra no Instagram dela. Lá tem formas de você poder ajudar ela a realizar o sonho de andar. Qual é esse sonho de andar? Ela ter a liberdade de andar pela sua casa.
de uma forma mais completa. E aí você... Nossa, muito interessante o que você me falou. A gente fica muito tarado, muitas vezes, no milagre.
E a gente não entende, às vezes, que o milagre real é o da vida real. A gente quer que você volte a andar. Sim, ela volta, se ela estiver no espaço. É muito interessante. O andar não é, de novo, em cima das duas pernas. O andar é você ser livre. Hoje você está com uma cadeira elétrica. É elétrica que fala?
Não, é elétrica não, é uma cadeira manual ainda. Olha aqui. Manual ainda. Entendi. Está perto de eu ter a cadeira automática, porque eu trabalhei no carnaval. Ah, no carnaval você trabalhou com uma automática?
Não, eu trabalhei para conseguir uma. Ah, entendi. Agora entendi. Então, vamos voltar aqui. Você está trabalhando muito para conseguir uma cadeira automática, elétrica e uma casa. Entendi. Eu tinha entendido que você tinha trabalhado no carnaval em uma cadeira automática. E aí o seu filho falou, não, o seu filho já está antevendo. O dia que você tiver a cadeira automática, como vai ser para ele voltar a andar sozinho?
Sim, é isso. Ele tudo entendeu. Quando eu tiver a cadeira automática, aí ele vai dizer que vai ser difícil dele andar sem mim, empurrando. Foi isso que eu quis dizer. É porque eu não soube explicar. Tu tá entendendo? Não, não. Você soube sim. Eu é que me perdi aqui. Eu te sigo já no Instagram, Cresla? Qual que é o seu Instagram?
Creuza Carla, creuza.carla mas você vai me seguir é porque eu uso pouco o Instagram eu não entro muito no Instagram as pessoas falam assim pra mim, você não entra muito gente, eu fico o dia inteiro gravando como é que eu vou ficar no celular? eu não fico muito no celular creuza.carla? creuza.carla carla com K ah, com K, porque eu não tava achando eu não entro muito eu não entro muito eu não entro muito eu não entro muito eu não entro muito
Por que eu não te acho? É Creuza com S. C-R-E-U-Z-A. Eu vou fazer o seguinte, eu vou pegar com eles aqui, que vocês têm o Instagram, não tem? Ela tem a sua página. Eu vou pegar aqui, eu já te sigo. Terminando a entrevista, eu já te sigo. Tá certo. Creuza, foi um prazer te conhecer. De verdade, a sua trajetória é uma trajetória de muita coragem e de muito alto perdão.
porque você acabou abrindo a porta para o vampiro, você abriu a porta da sua casa para o demônio, e todos nós podemos ser uma vítima como você, não existe ninguém que está livre de encontrar uma pessoa ruim.
Eu queria dar parabéns de verdade pela sua força, sua coragem. Espero de fundo do meu coração que o seu filho consiga ter a vida dele e que você consiga ter a sua. Não vou te falar de perdão para esse homem, porque esse homem não merece perdão nenhum. Se você perdoa, tudo bem, mas não é possível. Eu não vou perdoar, ninguém que está assistindo vai perdoar. Então, eu não vou entrar nesse papo com você de se é possível perdoar uma pessoa tão horrorosa e nojenta.
Espero que você consiga ter a sua vida plena, de verdade, mais ainda. Você é muito solar e sou muito feliz.
Posso falar uma coisa? Eu quero te agradecer do fundo do meu coração, que eu sou muito tua fã, de coração mesmo, tá entendendo? Você é uma pessoa de luz e eu luto há muito tempo, para você conseguir me notar, e graças a Deus você me notou, e eu pude contar a minha história aqui com você. Você é uma pessoa maravilhosa, e meu filho gosta muito de tu também. Ah, mas um grande abraço para o teu filho.
Tá certo, obrigado por tudo a você e a sua equipe, que é maravilhosa. Obrigado por tudo do meu coração. E eu creio em Deus, eu queria te pedir o pedido. Quando eu realizar meu sonho, de ter minha casa própria, pra eu andar sozinha, venha me fazer uma visita, aonde for, na minha casa.
Eu estou merecendo, estou precisando ir para o Recife. Eu quero visitar o Jefferson também. Estou precisando dar uma viajada pelo Brasil. O canal é em um dos endereços mais famosos. Na Vida Paulista ele me toma. Mas eu quero sim. Eu vou te prometer que eu vou te conhecer. Por favor, venha conhecer eu e meu filho para dar um abraço. Eu não mostro ele assim, porque eu tenho medo. Está entendendo? Claro, lógico. Mas eu quero que você dê um abraço na gente pessoalmente.
Viu? Que você é uma pessoa maravilhosa De luz, obrigado de coração Estou muito feliz E só sendo justo Não fui eu que te achei, foi o Alan O produtor, eu agradeço o Alan De você estar aqui Eu uso muito pouco celular
É um hábito meu de não ficar... Então, eu não vejo muitas mensagens de verdade, mas precisa continuar marcando nas mídias sociais e tudo mais, porque o canal existe dessa maneira também, e as pessoas que às vezes recompartilham por mim no Instagram. Eu não consigo ver tuas mensagens de verdade, mas eu fico feliz que o Alan conseguiu que você estivesse aqui. Um beijo grande, eu queria te dar um abraço pessoalmente, se Deus quiser, em breve, na sua casa nova.
E peço que as pessoas entrem no teu Instagram para poder te seguir também mais e continuar conhecendo mais você. Você é uma mulher muito vitoriosa. E como você mesma disse, a vergonha é dele. O medo tem que ser dele, da polícia, e não o seu dele.
Então, obrigado de coração mais uma vez a você, ao Alan e a todos da produção, da sua produção, que é maravilhosa, viu? Um cheiro para vocês, que eu sou nordestino, eu chamo o cheiro. Eu adoro o cheiro, adoro esse papo do cheiro. Tem uns amigos nordestinos que falam o cheiro, eu acho incrível. Eu amo o Brasil, eu amo todos os papos, mas eu amo o Nordeste, eu tenho uma atração forte pelo Nordeste. Eu adoro o jeito que vocês contam a história.
Eu gosto da voz, dos diferentes sotaques ali dentro. Acho que vocês todos são Caetano e Betânia, sabe assim? São todos Adriano e Suassuna. Vocês são todos... O primeiro show que o Willian foi, para te contar, de Caetano, que ele é louco, o Caetano Veloso. Show dele.
Vocês são todos, vocês têm uma... A sonoridade de vocês é algo que gruda na gente. Eu adoro tudo, assim. Eu amo o Brasil em todos os sentidos. Um beijo grande. Obrigada, coração, Brasil. Um cheiro para vocês. Para nós todos. Outro cheiro para você. Tchau, tchau. Um beijo. Gratidão. Beijo. Tchau, tchau.
Léo Santana
Magalu