Episódios de CRIME e MISTÉRIO c/ Beto Ribeiro

ADEUS, NOELIA... VIOLENTADA, SENTINDO A SOLIDÃO DA VIDA, PREFERIU PARTIR

22 de abril de 202640min
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Confira o caso comentado especial sobre Noelia Castillo Ramos, a jovem espanhola, que, aos 25 anos, preferiu partir depois de anos vivendo uma relação conturbada com a família e, principlamnete, depois de ter sido violentada por um grupo de garotos. #crime #vida #misterio #liberdade #podcast

Participantes neste episódio1
B

Beto Ribeiro

HostJornalista
Assuntos3
  • Caso Noelia Castillo Ramosviolência · eutanásia · solidão · saúde mental · abuso · direitos individuais · família desestruturada · autoexecução assistida
  • Violência e Segurançatrauma · memórias afetivas · dignidade
  • Direito à Vidadireito à escolha · legislação sobre eutanásia
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Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, ligar sininho, marque nas suas mídias sociais. Se nos marque a todos nas mídias sociais. Se puder, seja mesmo. Se puder, está tudo certo. Deixe-se venha comigo até o final desta... Ai, meu Deus do céu. A dor da vida, né?

Antes de mais nada, preciso falar aqui para você uma coisa seguinte. A vida merece não uma segunda, mas uma terceira, quarta, quinta, sexta, sétima, oitava chance. Desde que você tenha realmente entendimento da importância que se tem. Todos nós somos importantes para o mundo. Teve uma série chamada Popular, série popular da década de 1990. Uma série que teve um episódio bom, uma temporada só.

E eu lembro que teve um episódio que um menino muito jovem, adolescente, uma série corajosa pra época, ele pensava que ele não precisava ter nascido, que ele achava que o mundo seria muito melhor que ele. E desce um anjo naquele dia e fala pra ele, sabe como é que o mundo seria sem você? E ele mostra a história do mundo sem aquele garoto. O fato do não nascimento dele faria com que a gente tivesse a terceira guerra mundial. Então é muito interessante o quanto todos nós estamos conectados.

De verdade, se você tiver qualquer pensamento, qualquer desejo, se reflita, vá fazer terapia, vá buscar conselhos e ajudas com todo mundo que você puder.

Mas também é muito complexo a gente dizer o que significa viver quando esse verbo não tem mais como ser conjugado por algumas pessoas. É muito difícil, eu imagino, é uma dor que eu não tenho, não consigo entender, mas consigo me compadecer.

dessa ausência, desse vazio total. Eu estou falando do caso da Noelia Castilho Ramos. Acho que muita gente, acho que todo mundo tem acompanhado a garota que quis ir embora aos 25 anos de idade ali na Espanha.

É complexo, né? Teve um grande, um dos maiores poetas que o Brasil e a língua portuguesa já conseguiu construir, um dos maiores letristas que deixou para sempre a sua marca, a sua obra, que é o Antônio Cícero, irmão da fantástica Marina Lima.

com quem eu tive o privilégio de jantar duas vezes, mulher inteligentíssima, fantástica. Pena que não ficamos amigos, pelas coisas da vida, mas uma mulher muito, muito legal, muito cheia de vida. E ela era irmã, inclusive, de Antônio Cícero, um homem que tinha, diferente da Noelia, que a gente vai entrar tudo aqui na história dela, ele tinha muitos objetivos, muitas metas, muitos prazeres, muitos desejos. Mas ele chegou...

já bem mais velho, acho que ele tinha uns 70 e poucos anos, vocês devem ter visto também, e ele se descobriu com Alzheimer, se não me engano foi Alzheimer, e ele resolveu partir dentro da dignidade que ele queria ter.

Porque um homem que trabalhou tanto com a mente, com a alma, com o coração, nas suas letras, música, tudo, o Alzheimer é uma doença muito triste porque apaga a sua história, apaga o seu viver. Você se torna uma pessoa para você, sem uma biografia, você já não se lembra de muita coisa, você vai passar a lembrar de nada. Tem o filme Benjamin Banton, que é muito interessante, que é o Alzheimer ao contrário, tem umas coisinhas.

E ele tomou essa decisão de ir embora através de tudo algo que a gente precisa conversar, que é sobre eutanásia, que é sobre autoexecução assistida e tudo mais. É o direito dele. Ele quis ir embora dentro do que ele via como que era a vida para ele, que era ser ele, ser inteiro.

E eu tenho as minhas convicções a lá ele. Eu acho que a gente precisa ter dignidade. Pra que ser uma Anitta Harley jogada dez anos em cima de uma cama que ninguém mais te visita? Por que você ser deixado por você mesmo para todo o sempre esquecido de você mesmo? Se formos como Fernanda Montenegro, como ela mesma diz, não se queixe da vida.

eu acho isso lindo, mas nem todos seremos Fernando Montenegro aos 96 anos, com tanta lucidez e com tanta clareza e com tanta lindeza. Às vezes o peso de se viver muito, como a própria Fernanda Montenegro diz, é enterrar muitos. Então, o Antônio Cícero fez também o que a Noelia fez no silêncio, na sua descrição, que ele sempre foi muito discreto, deixou uma carta lindíssima para os amigos, que foi publicada.

E eu entendo, e talvez no local, no lugar, no mesmo lugar dele, por ter vivido tanto e tudo, e ter sido tão inteiro e com tanta história para contar, ele não queria mais não saber contar as suas histórias. E ele prefiriu ir embora ainda como se lembrando de si mesmo. Eu acho, eu tenho aqui as minhas convicções com relação a isso, deixou aqui um testamento aberto, eu não quero não saber quem sou eu.

Eu quero ter a dignidade de poder sozinho, sabe assim, de você se olhar no espelho e se reconhecer. Diferente da Noélia, que preferiu partir, tão jovem aos 25 anos, enquanto Antônio Cícero teve toda uma vida e toda uma construção...

de uma história eterna. Tudo que é do Antônio Cícero, eterno será. Daqui a 200 anos, vamos estar ouvindo as músicas dele. Ele é um artista na sua complexidade e na sua parte mais completa de ser. Então, ele deixa um legado...

que nada paga, que era o que ele não queria, não saber e não lembrar de si mesmo. No caso da Noelia, ela não sabia o que ela era, não sabia por que acordar no dia seguinte. Viver é você acordar no dia seguinte e entender a magnitude que se tem de você poder acordar no dia seguinte. Mas antes de mais nada, eu sou Beto Ribeiro e este é o especial Caso Comentado.

Caso comentado um pouco mais doído, um pouco mais lento, no seguinte sentido. Falar de vida é falar de morte, não tem como. Você vive todo dia mais próximo de morrer. Tirando acidentes, isso, aquilo, um dia todos nós vamos embora. E estamos vivendo mais tempo. A ciência, graças a Deus, está nos deixando viver mais tempo. Mas também, muitas vezes, nos faz viver no custo que custar.

E aí, eu também não gosto. Eu acho que a gente tem que ter qualidade de vida, inclusive, qualidade de se ter o privilégio de todo dia querer viver. E não porque você é mantido vivo durante muito tempo. Eu não sou a favor disso. Mas também não importa muito nesse ponto o que é. A Noelia Castilho Ramos, uma menina de 25 anos, da Espanha, que colocou o mundo à prova em vários temas. Não só pelo desejo de partir.

que lhe foi dado como direito, que hoje na Espanha, desde 2021, existe a eutanásia. A diferença entre a eutanásia e a autoexecução assistida é que a eutanásia, um médico te faz ir embora. Na autoexecução assistida, é você que aperta o botão. E alguém fica te olhando, se tiver algum problema, tá. E na Espanha é a eutanásia. Então, ela tinha...

Muitas dores, dores físicas, mas principalmente dores de alma e dores de memória. Era uma menina que com 25 anos, ela fala, a última entrevista dela é de uma tristeza, uma menina extremamente discreta, ela não transformou a história dela em palco. A sensação que se tem é que a família dela estava vivendo um pouco em função...

dessa escolha final que a garota teve, porque tem uma parte da entrevista que ela fala assim, eu sei que eu sou pilar desta família. Pilar por quê?

financeiro, se fica muito sem... É uma história, você vê que é uma menina com um olhar extremamente vazio. Um olhar que eu nunca vi, um olhar tão sem nada. Tão desconstruído de sua própria alma. Gente, é muito triste ver a entrevista dela, porque você vê o quanto que aquela moça foi tirado tudo dela. Foi tirado o amor, o carinho, tudo. Ela não tinha mais nada.

É tão difícil não ser nada, não se... Não estou falando de dinheiro, estou falando de existência. Se você acorda, se você vai tomar cerveja com seus amigos, você tem uma existência máxima. Se você rir, se você dança, se você pensa no fim de semana da semana que vem, são as pequenas metas da vida que fazem a gente ter vontade de acordar todo dia. Porque, gente, se não, pelo amor de Deus, fica insuportável. Você acorda pra quê? Você paga a conta pra quê?

A gente precisa de... Nossa, a entrevista dela traz tantos elementos. Uma menina com 25 anos, ela já carrega uma dor e um peso.

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de uma alma muito maltratada. Ela vem de uma família extremamente desestruturada, de uma mãe, de um pai, bastante desestruturado. A gente consegue chegar muito forte na biografia dela. Por quê? Como ela é uma menina que foi muito discreta durante a vida inteira, as redes sociais... Ela tem 25 anos em 2026. Então, ela nasceu em 2001. A última foto que ela pôs em uma mídia social dela foi em 2015. Então, ela tinha 14 anos.

Ela nunca mais apareceu e ela viveu nas sombras de si mesma, em função de as pessoas terem jogado ela nessa escuridão. Ela é uma menina que nasce, nas entrevistas dela que foi dada para uma TV espanhola, ela era um bebezinho, parece muito triste você ver ela indo embora, tão magrinha, tão sem força de física, de mente, de tudo, e um bebê como outro qualquer.

ela cresce nessa família, não se entende direito de onde vem, porque a gente vai ter um problema com o pai dela futuramente, que é totalmente ligado à religião, política, isso aqui não tem nada a ver com o desejo de um pai salvar uma filha, não existe amor paterno. Aliás, eu acho que a Noelia morre sem saber o que é ser amada. Você vê pela entrevista. Ai, como as pessoas...

destrói as outras, é uma coisa que eu não entendo porque acho que às vezes tem um prazer mórbido. E a Noéra vai crescer nessa família extremamente desestruturada, você também dá o estado, parece que ela vai morar tipo nessas casas de apoio, tipo de conselho tutelar, essas coisas assim e tudo mais.

E ela vai ter muitos dissabores. Ela vai ser diagnosticada com borderline e também com transtorno obsessivo e tal. Mas não é o fato de ela ser borderline, transtorno obsessivo, que vai fazer ela tomar essa decisão final.

Tanto que é como a própria Ana Beatriz fala, enquanto o psicopata é gelado no viver, o borderline é cheio de emoções em tudo. E ela, por ser borderline diagnosticada, nas entrevistas dela, afinal, vendo ela, você fala assim, essa moça tem uma clareza, uma lucidez em cima do que ela precisa se fazer, ela precisa se libertar, ela precisa de paz.

E é só a morte que vai lhe trazer. Claro que tem solução, gente. Claro que você pode, mas ela tentou de tudo. Então, ela vai crescer nessa família. E ela vai ter inúmeros abusos ao longo da vida inteira. Abusos físicos, sexuais mesmo. Que ela vai, porque era uma menina. Jogada aos leões e às leuas. Sem proteção, sem nada, sem rede de proteção.

E ela vai crescendo nos trancos e barrancos dentro dessa tristeza de ser preterida e usada e abusada por tudo e todos. A mãe vai chegar internada algumas vezes nos hospitais psiquiátricos. Não vou aqui contar como é que ela tentou partir, não vou entrar nesses detalhes, acho bobagem isso. Mas ela tenta várias vezes não mais viver.

É que não dá pra... não posso usar essa palavrinha. Vocês entenderam, né? Eu tô tentando nunca usar essa palavrinha porque não pode ser usada. Aqui eu não entendo, gente. Até pra você debater a história, você precisa falar sobre ela. Mas às vezes as mídias sociais, elas entram... É assim, se você quiser colocar, de repente, aquele monte de red pill, você consegue colocar. Agora, você conversar sobre algo importante pra própria sociedade se conversar e você...

que se estiver, por exemplo, pode estar vindo e se vir falar assim, não, eu mereço uma segunda chance pra mim mesmo, então eu vou buscar um CVV, vou buscar um psiquiatra, vou buscar um psicólogo, vou buscar um amigo, vou buscar minha mãe, vou abraçar o mundo. Precisamos conversar sobre isso. Você só debate um debate, só ensina de um tema. Agora, fica com as mídias sociais, e aí com essa bobagem de não poder falar essa palavra, que eu não posso falar, eu tenho que usar auto-execução, partir, tirar da sua própria vida, não posso usar essa palavra. Agora vai, Red Pill.

Coloca um monte de besteira no ar falando mal de mulher e tá lá, super ali. Porque se eu usar essa palavrinha, esse vídeo pode ficar pra mais de 18 anos, é uma coisa impressionante. Bom, mas fiquei aqui, bom, mas vamos voltar. Dona Noelia, ela tenta várias vezes, não consegue. A mãe reaparece, a sensação que eu tenho é que ela reaparece. Nessa entrevista, é muito interessante que eles deixaram aberta a câmera pra quando ela é abraçada pela avó e pela mãe. Você sente que existe...

hoje, quase uma sensação, uma teatralidade familiar, em função do que a Noelia está passando e como ela se tornou uma chat mundial. Então a produção pede para a avó ir lá, e ela diz assim, você não quer dar um beijo nela? A menina não sabe nem ser beijada.

Você percebe? Não é que é um desconforto, é um desconhecimento de carinho. Daí a mãe, eles pedem pra mãe dar um beijo nela, ela fica paralisada porque ela não tem isso. Você entende que aquela menina nunca teve um abraço. Um abraço.

um afago, uma coisa que falou assim, fica comigo, você é importante, sim. É uma coisa muito triste, você percebe o quanto que tem essa tela, ou o papai dela não aparece, porque o pai dela na verdade só quer aparecer através da filha, inventando um monte de coisa de Deus e religião. Deus é bom, meu senhor.

Deus é bom, tá? Deus é bom, Deus é uma coisa boa, Deus não vai falar através do Senhor, dos pais dessa mulher. Bom, mas daí a Noela vai passar por uma coisa terrível. Peguei até a data, o que é importante, dia 4 de outubro de 2023. Ela vai passar por um abuso coletivo, como aconteceu no Rio de Janeiro. Gente, as pessoas precisam entender e a lei precisa abarcar.

Quando uma mulher, um menino, uma criança, até um homem qualquer, quando uma pessoa é violentada, não é apenas o corpo dela que é usurpado dela. Quando uma pessoa é violentada, é tirado dela tudo. Tudo. A sua alma é eternamente machucada, as suas lembranças e as suas memórias afetivas passadas e futuras vão ser para sempre, para sempre marcadas e manchadas.

Manchadas de dor, manchadas de vazio, manchadas de socorro, manchadas de omissão. Uma pessoa que é violentada é tirado dela tudo, gente. Não é apenas, se pusesse essa palavra apenas com muitas aspas, o seu corpo. Você não se lava e acabou, porque você não lava a alma.

Você não consegue tirar da mente, do coração, o quanto você foi nada para alguém. E essa moça, eu tenho certeza que além do vazio da família, do vazio do ser amada por pai e mãe, mas que poderia ter sido ao longo da vida dela, ser reorganizado, e ela fazendo terapia, se reentender, porque tudo é possível, ela...

vai ser... Ela vai ser violentada em 2012, não é? Em 23, eu estou falando. É, em 2000... Dia 4 de outubro de 2023 acontece outra coisa. Ela é violentada por esses três ou quatro garotos, que eu não sei o que aconteceu com eles, se eles foram presos, se eles não foram presos, o que aconteceu com todos esses abusadores que ela teve ao longo da vida. Então, quando uma pessoa é violentada nesse nível, você tira dela o futuro.

Porque como que ela vai se relacionar futuramente com um homem ou com uma mulher, como que ela vai se relacionar com a sua sexualidade, com a sua afetividade, com o seu despir e se entregar ao outro, se lhe foi tirado o direito de ser inteiro e ser somente uma coisa a ser usada.

Não tem... isso a lei precisa abarcar, esses crimes de estupro tem que ter pena, sei lá, não tem perpétua. Olha, pra mim eu desejo outra coisa, mas era uma coisa assim, que seja assim, 99 mil anos de prisão. Que o corpo dessa pessoa podreça e morra e fique morta dentro de uma cadeia. Porque não merece nem enterro, nem dignidade, porque ele não deu dignidade pra sua vítima. Porque essa vítima, vítima para sempre será.

Com terapia a gente se resolve, com tudo, tudo é possível. A gente tem a transmutação interna, a gente tem o ser humano, ele tem a possibilidade de se refazer em si mesmo de fênix. Sem dúvida nenhuma, mas é muito complexo. E no caso da Noelia foi mais ainda. Esse último abuso que ela sofre, ali entre 2022 e 2023, toca tão profundamente nela. Imagina de uma solidão, porque ela não tinha muito por onde caminhar.

Mas ela tinha lá seus 19, 18, 19, 20 anos. Uma moça, uma moça que já estava sendo abusada o tempo inteiro. Ela então, no dia 4 de outubro de 2023, ela resolve novamente tentar ir embora, partir. E ela pula do quinto andar. Essa eu tenho que falar por conta do resto, do lugar que ela morava. Parece que ela até liga pra mãe falando o que ela vai fazer e tal. Só que ela não morre. Ela fica paraplégica.

E uma paraplegia extremamente dolorida, em todos os sentidos, né? Da nova vida que ela vai ter que ter e eu acho que a gente, de novo eu falo também, não existe limite para a gente, para o ser humano se superar. A superação está no ser humano. A gente tem que buscar dentro da gente mesmo.

Mas pra ela, que já vinha com tantas, tantas, tantas batalhas, tantas amputações de alma, tanto arrancar dela de coração, mente e tudo mais, aquela dor que aí se torna física, de fato, porque é uma dor física sem remédio pra tirar dor, se torna insuportável. Porque todo dia, quando ela acorda com essa dor, quando ela consegue dormir,

Ela sabe que essa dor é referente... Tá vermelho, gente. Olha como eu tô vermelho. Essa dor é referente. Aqui fiz a barba. Por isso tá vermelho. Saco. Essa dor, ela é... Eu vou ficar de lado pra ninguém ver que tá vermelho. Essa dor é referente. Essa dor pra ela, todo dia, relembra ela.

da violência que ela sofreu ao longo da vida e da sua última tentativa de partir, onde ela se torna, inclusive, devedora de si mesma, no sentido de não ter conseguido. Em 2021, isso acontece, ela faz isso em 2023. Em 2021, a Espanha tinha já liberado a eutanásia como lei, como possibilidade, como escolha de seus cidadãos.

Ela, como uma cidadã espanhola, ela pede em 2024 fazer parte da eutanásia. Ele é liberado porque pra você... Não é você chegar lá, bate na porta e falar, ai, desculpa, eu vim aqui pra dar tchau. Não é assim. Você passa por uma junta médica, você passa por uma junta psiquiátrica, uma junta psí... É uma coisa muito séria e muito demorada. Não é também você chega e vai, ai, ai, paga em dez vezes. Não é assim.

E ela vai e consegue mostrar o que ela fala. Ela até fala uma coisa assim, a minha família vai ficar com a dor. Eu até tentei anotar, não sei se eu anotei tudo. Ela fala até uma coisa assim, minha família vai ficar... Ela está desconfortável, ela está aqui. Ela fala, minha família vai ficar com uma dor, mas e a dor que eu sinto todo dia?

Eu tenho que não partir para que o outro não sofra e eu sofrer todo dia por mim mesmo. É muito difícil essa conversa que a gente precisa ter de... A gente vive por nós, mas também pelos outros.

Só que como você não tem uma construção de ligação real familiar com essa menina, ela nem entende direito hoje as dores que as pessoas dizem que vão ter por ela, porque se lá atrás ninguém teve quando ela era criança, todos os abusos que essa menina passou, gente. Agora vem falar comigo só porque agora tá ficando... Entendeu? Então fica uma coisa muito assim. E ela consegue. Só que o pai dela, o pai da Noelia...

Ele vai virar agora um super cristão, né? Um homem que ela mesma diz, a Noelia fala o seguinte, que hoje ela mora, ela mora, e ela fala, ela mora sozinha, ela fala, eu consigo, ela deve ter alguma bolsa do Estado, alguma coisa assim pra se manter, ela mora sozinha, ela tem sua vaidade, ela se maquia, ela acorda todo dia pra se maquiar tal.

E ela diz, a minha mãe vem me visitar sempre de transporte público. E ela diz assim, o meu pai, que tem carro e moto, nunca vem me visitar. Mas ele impede que a Noelia possa exercer o direito sobre ela mesma, de ir embora, através de uma lei, através de uma eutanásia e tudo, porque ele se junta com o grupo aí metido a cristão. É tudo política, gente. É o seguinte, deixa eu te falar uma coisa. O seu Deus não é maior que o meu. O meu Deus não é maior que o do outro.

E o Deus de quem é ateu, o ateu também tem o direito de não querer Deus nenhum. Então não põe a tua religião como base para a vida de ninguém. Você gosta da sua religião, viva a sua religião. Mas não coloque os seus preceitos, os seus mandamentos sobre o outro. Você não pode fazer isso.

E olha, antes que fale aí, eu sou batizado, sou católico, tal, não sei o que lá, porque minha família é assim. Mas você não pode, você não pode, evangélico não pode dizer como é que as pessoas têm que agir, judeu não pode dizer como as pessoas têm que agir, muçulmano não pode dizer como as pessoas têm que agir, cristão não pode, católico não pode, você pode virar e falar assim, eu sou espírita, então eu vou viver os preceitos espíritas. Beleza, vai viver, mas você não pode exigir que eu viva.

Você não pode dizer que eu, pra onde a minha alma vai, se eu não acredito na sua história, na sua religião. Então não pode, gente, que cada um viva a sua religião em paz, mas pra si, e não como uma forma de dominação sobre o outro. Isso é a história do mundo, a história do homem, a gente não melhora, a gente não evolui. Eu não tenho nada contra o seu Deus, de verdade, viva ele, mas não imponha ele na minha existência.

Porque o meu Deus é bom. O meu Deus, ele perdoa. Não tem esse papo, não, de quem faz o que a Noelia fez, vai pro inferno. Não, uma pessoa que faz tudo isso, pelo amor de Deus, gente, quer alguém dar uma faga pra essa pessoa, dê paz pra ela. Você acha que todo mundo quer ir embora? Pra você perceber que você não tem mais porquê, e que essa única saída, deve ser terrível. Deve ser horrível.

É a Noelia fala, eu não tenho meta, eu acordo todos os dias da minha vida sem meta, a única coisa que eu faço é me maquiar. Ela fala, eu não consigo ter objetivos, eu não consigo ter planos, eu não tenho, eu sou vazia, eu não tenho. Eu não tenho porque esperar chegar sábado. Sabe aquela sextou? Todo mundo pode ficar se manter esperando sextar, encontrar os amigos, beber, dançar, beijar na boca. Aí chega domingo, ouve a música do Fantástico, entra em depressão porque é segunda, mas isso é viver.

É esperar as férias, é ter um desejo de comprar uma casa, é ter desejo de construir uma família, é desejo de não construir nada, é desejo de ser solteiro mesmo, que tá tudo certo. Cada um dos seus desejos, mas o que foi tirado da Noelia foi o desejo de ter uma história. Ela não tem, ela não quer, ela não vê como construir a sua biografia.

E deve ser devastador se sentir tão vazio assim, tão fora do mundo, gente. Deve ser horrível, horrível, horrível. Aí vem um pai que nunca lhe deu carinho, que nunca lhe deu atenção, que nunca lhe deu paternidade, que nunca foi pai de nada dela, decidiu o que ela tem que fazer com o resto da vida dela. Ah, meu senhor, o senhor vá pra sua casa. Esse homem, gente, não ajudou nem a pagar o enterro. Ele ainda fala com essa menina?

De uma vez que ele fala, porque é o seguinte, quando ela entra em 2024, pedindo o direito de fazer o seu fim dar, pela lei e tudo mais, o pai que descobre que ele tem uma filha, mas que aquilo inclusive vai lhe dar cartaz para alguma coisa, se junta com um grupo de cristãos lá na Espanha, abogados, advogados, sei das quantas.

e vão entrar com processos impedindo que essa menina tenha direito de ser o que ela é, sendo que lhe foi dado o direito, porque ela passou por toda junta médica, por toda junta psiquiátrica, psicológica e tudo mais. Então ela tinha um aval científico, um aval que ela realmente tinha o direito de ir embora. Ela tinha uma doença, uma doença no seguinte, uma doença de alma, né? Porque a queda que ela deu, a paraplegia dela...

que é uma paraplegia. Ela chega, eu sei ver vídeos de ela andando pela escada com muita dificuldade, mas ela andando e tal. E esse pai fala pra ela, daí ele entra com um monte de processo, ela entra com um processo, aí se torna midiática a história, aí deve ter gostado mais ainda, porque ficou midiático, começou a ficar conhecido, e ela ganha, no final porque não tem lógica, tá dentro da lei e tal, ela passou por todos os preceitos, ele vai subindo em cima de instância, vai até...

Sei lá. Até o Papa. Também pouco interessa. O Papa pouco interessa para o mundo nesse sentido. Papa é Papa da religião católica, gente. Ponto. Ele não vai decidir lei da Espanha. Foi-se o tempo que precisava da bula papal pra alguma coisa. A religião não pode se meter na política. A política tem que ser feita laicamente. Tem que ser laico por quê? Porque você não pode colocar a sua religião acima da religião de ninguém.

As leis são feitas para toda a sociedade, não em cima do que você acha que é ser isso ou aquilo, porque na sua igreja ali foi colocado tal coisa. A tua igreja é tua, não me interessa a tua igreja, não me convida que eu não vou, mas também não falo pra você não ir.

Oh, meu Deus, a gente não pode conviver cada um na sua. É isso que eu entendo. Aí esse pai consegue fazer isso. E ele vai perder. Tanto que agora, em dia 24, 23 de março de 2026, ela ganha a história de que ela vai poder passar pela eutanásia.

E ele liga pra ela e começa a rir, fala, ha, ha, ha, bom, agora você ganhou. Pra mim você não é mais nada, pra mim você já está morta. Que, que, onde está? Ela contando isso é de uma tristeza. E ela conta, meu pai nunca veio me visitar. A mãe vai visitar ela, a mãe aparece. Ela fala, nunca, mas assim, o pai fala pra mim, você já está morta.

E ri e falar, era isso que você queria? Você ganhou. Você que paga o seu enterro sozinha. Eu não vou no seu enterro. Gente, se eu não me ajudou no enterro, não me ajudou em nada. Nada, nada, nada, nada. Ainda parece que tem um processo em cima da mãe dela pedindo 70 mil. Não entendi direito dessa parte.

A mãe, então, se apega mais, tem uma avó que aparece também e tudo mais. Daí a mãe até pede para ir com a filha até o final, porque uma vez que ela deu à luz à filha, naquele momento à vida à filha, ela gostaria de estar com ela, assim como ela viu, a primeira vez que ela abriu os olhos, ela queria ver ela fechando os olhos, e a Noelia fala, não, não quero.

A mãe dela foi dormir com ela no hospital no dia 26 de março de 2026, que foi o dia que ela partiu. Mas ela falou, no momento do desligamento, eu quero estar só, porque só ela foi a vida inteira.

Você sente que existe um pouco ali um desejo familiar de se até dar uma lapidada e não se tornar tão triste aos olhos da própria Noelia. Mas a vida fez isso, a história dela, pouca história que ela tem, revela o quanto ela foi sozinha a vida inteira. A mãe pode ter visto ela abrindo os olhos pela primeira vez, mas essa menina, minha filha, o que ela já passou...

Ela tem algumas irmãs e tal. Os pais são separados, óbvio. Divorciados, ele tem uma outra família. Deve ser super, né? Regradinha dentro da religião dele. Deve ser um saco esse senhor. Aí ela vai partir. Ela parte dia 26 de março de 2026. Agora eu tô pondo esse vídeo dia, sei lá, 2 de abril. Mas pode assistir quando você quiser. E ela vai deixar essa conversa importante para todos nós.

que é o direito que nós temos que ter sobre nós mesmos em todos os sentidos. Da vida e da partida, da chegada até o fim. É muito interessante a gente... Entenda o que eu estou falando. Eu acho feliz da Fênina da Montenegro, mas poucos serão a Fênina da Montenegro. Pouquíssimos serão a Fênina da Montenegro.

É pouquíssimo. Ela deu uma entrevista agora para a BBC, ela falou assim, ela está incrível. Você fala assim, meu Deus, essa mulher não tem. Ela fala de Cícero, pelo amor de Deus, essa mulher não tem. Que sumidade é essa? Mas é ela, é a única. É a única. A gente precisa se ver e se rever como donos de nós mesmos e das nossas decisões.

Cada um sabe a dor que tem. Claro que, de novo, eu digo aqui, para tudo pode ter solução, tratamento, esperança. Não vamos desistir. Desistir jamais. Mas tem pessoas que não têm essa...

A Fênix, o que fazer, né? Daí eu deixo os psiquiatras também conversarem. Essa história, deixa eu ver se tem mais coisa aqui, porque eu fiquei vendo a entrevista dela enorme. Ali, os pais são divorciados, a mãe acompanha, tem uma bolsa. A mãe fala assim, ah, eu tenho uma bolsa preparada pro dia. A mãe dela, que aparece ali no vídeo, gente, a Noelia fica assim, ó. Parada. E a mãe falando com... A sensação que eu tenho, vendo a mãe falando do lado da Noelia, é assim. A Noelia fala assim, de quem essa mulher tá falando?

Porque eu não estou conseguindo entender. Eu cheguei até este momento, inclusive por causa da ausência de todos. Dá uma sensação dessas vendo a entrevista. Você vê que ela não curte. Ela fala assim, eu não aguento mais. Gente, ela fala uma coisa assim, eu não aguento mais esta família. Ela fala, ao mesmo tempo que ela fala.

A avó vai lá, dá beijo, e ela fala, lembra quando você era criança, não sei o que, a avó começa a contar uma historinha de quando ela era criança, ela fica assim, tipo, não lembro, acho que deve estar falando de outro neto. Aí beija, beija, beija ela, ela não sabe, não é que ela é avessa ao beijo da avó, ela não conhece essa sensação de carinho, ela está acontecendo agora, porque tem uma câmera na frente. A mãe falando, você fica falando, meu Deus, sabe o que está acontecendo? Ela fala, não aguento mais esta família. E a mãe diz assim, ah, eu tenho uma bolsa preparada.

pra gente ir pro hospital assim que sair a decisão dela. Afinal, a mãe fala que ela não gostaria que a filha partisse, mas ela entende, tem uma série de coisas e tal. E eu tenho aqui, assim como um dia eu tinha minha bolsa, quando nós fomos para a maternidade no nascimento dela, e eu vi ela abrindo os olhinhos pela primeira vez, eu quero poder ver ela lá fechando os olhinhos. Ela fala, não, não, não, eu vou estar sozinha. Quer? Fiquei sozinha. Para você dar o subtexto dela, eu fiquei sozinha até agora, e agora você quer ir comigo até o final? Pra quê? Não, né?

Daí ela fala assim, quando ela fala, eu sou o pilar dessa família, eu falo, mas você é pilar como? Financeiramente? Pilar em que sentido? Você é uma família que nunca te teve, né? Fico pensando o quanto que estão usando essa menina para outros fins futuros. Ela não queria que a mãe ficasse até o fim, foi isso e tal. Ela é muito sozinha.

Ela fala muito da solidão, da solidão de tudo. E não é o fato de você se dar bem consigo mesmo. Não é o ser só e gostar de ser só. É uma solidão, inclusive, de ela com ela mesma. É o vazio, é o pleno vazio. Ela mesma fala que a vida inteira só viu o mundo escuro, ela nunca viu o sol, nunca viu nada. Para ela o mundo é muito escuro.

Ela fala que não tem metas, não tem objetivos. O que ela nunca gostava, porque ela gostava de se maquiar. E ela fala, não tenho ganas de nada. Ela fala, gente, eu não tenho vontade de nada. Ela não tem vontade de tomar um sorvete.

Ela não tem vontade de tomar uma tarde de ver um filme. Ela fala que não tem vontade de nada. De absolutamente nada. De absolutamente nada. Ela fala assim, até gostava de algumas coisas, mas eu nunca vivia. Ela disse que nunca viveu nada. Ela fala que ela não consegue comer, e você vê pela magreza dela. E ela fala que não consigo dormir. Porque ela só fala uma coisa, eu quero descansar, eu tenho muita dor.

Ai, minha mãe de Deus. Ela disse que ela... tem certos rancores, que ela vai carregar, que ela... assim, ela fala do pai, né? Mas um pai que não vai nem... É um horror. E ela fala, quando ela fala assim, que o pai fala assim, você ganhou, parabéns, e ri, ela fala, mas isso não era um jogo. Eu não estava jogando com você para ver quem é o melhor jogador. Eu estava falando do meu fim.

É uma menina que deixa muitas conversas, né? Ela fala que ele nunca ligou para ela, então é um homem que só estava querendo no final aparecer com a filha para aparecer para alguma coisa, vai ver que vai ter coisa aí política.

E que ela quer morrer sozinha. Ela quer estar em paz sozinha, porque sozinha ela viveu a vida inteira. Mas que ela quer morrer bonita. Ela disse que ela vai estar maquiada. Estava, né? Porque já partiu. Que ela estaria maquiada, ela estaria arrumada, ela já estava com tudo planejado. Que ela queria partir de uma maneira muito bonita. É uma coisa que você vê que ela tinha ainda uma vaidade, né?

Ai, meu Deus. Ela foi abusada por todos os homens da vida, inclusive pelo pai. No sentido de, no final da filha, não estou falando que o pai abusou sexualmente, estou falando que o pai abusou dela. No final, quando a menina que resolveu partir, o pai, ela foi lá e impediu e fez ela viver com todo o seu sofrimento mais algum tempo, ao invés de abraçar a filha e pedir perdão. Pus até um branco para desviar para a Noelia que ela esteja bem. Onde ela acreditar que ela esteja?

que ela tenha dado pra gente a vontade de viver, que ela tenha dado pra quem passa pelas dores que ela tem,

o espelho do que ela não precisa chegar. Eu acho que a gente, se você tiver qualquer pensamento, saiba que você é importante. Importante para você mesmo. Você não precisa ser importante para ninguém na sua vida. Você não precisa ser importante para um namorado, para uma namorada, para pai, para mãe, para filho. Você precisa ser importante para você. Você precisa se olhar no espelho e falar assim, eu preciso de você.

É essa força individual que vai fazer com que a gente possa se tornar um conjunto de uma sociedade mais positiva. Quando a gente se entende importante para nós mesmos, é que a gente vai estar mais preparado para dividir uma emoção. A gente vive muito em função também.

Isso por conta de música, de cultura, de cinema, de teatro, de tudo. De sempre estar à espera de alguma coisa. A gente está à espera da sua cara metade. A gente está à espera da tampa da sua panela. A gente está à espera da sua magia. Meu Deus, nós somos inteiros. Você é uma panela inteira. Entendeu? Você pode querer ter um outro conjuntinho de panela para você fazer conjuntinho de panela porque você quer. Você quer encontrar uma outra alma, mas não gêmea.

Uma outra alma compatível com a sua, para que você seja mais feliz, ou para que você entenda o que é uma relação a dois, ou a três, ou a quatro, você faz essa relação de quanto você quiser, não tem nada do que a tua vida. Eu acho que essa coisa da gente sempre estar vivendo em função da espera de algo, aquele viver nos felizes para sempre, meu Deus do céu, não chega, não vai chegar nunca, porque é mentira.

Tem que viver feliz para sempre agora. Felicidade no seu sentido, né, gente? Ninguém vai ser feliz o tempo inteiro. São as pequenas felicidades certas da vida, como escreveu Cecília Meirelles. É você estar num bar com seu amigo tomando uma cerveja. Se você tá num bar com um amigo seu tomando uma cerveja, é porque você tá com saúde, é porque você tá com tempo, é porque você tá podendo, é porque você quis estar lá.

Você não precisa estar num bar, sentado com seu amigo, bebendo uma cerveja, achando que aquele é o grande dia que você vai encontrar o grande amor. Pelo amor de Deus, as pessoas vivem em função do outro, em função de uma história. Você não vive hoje, você vive pensando amanhã. Tem que ser um pouco tudo, a gente tem que pensar amanhã, guardar dinheiro, mas também tem que viver o dinheiro agora, entendeu?

Sei lá, a Noelia me fez pensar e repensar muito. É muito bom quando você vê uma história como a da Noelia e você fala, é uma dor que eu não entendo. Me compadeço. Mas eu não entendo, e não faz parte de mim essa dor. Mas eu me compadeço e peço para que se você tiver, você procure a melhor ajuda, que você se entenda, que você se permita.

ser alegre, feliz e forte, como já cantou Marisa Monte.

Se entenda, se entenda, de verdade, gente, todo mundo tem as mesmas possibilidades. A gente, às vezes, não foi educado a se entender, a abrir essas caixinhas internas. Abre essas caixinhas, se entenda por inteiro, seja você mesmo, de verdade, fundo do meu coração eu peço para que você se dê uma segunda, terceira, quarta, quinta, sexta, sétima, oitava chance. Às vezes a gente dá a segunda chance para a gente que não merece e a gente não dá a segunda chance para a gente mesmo.

Quantas vezes você fica, minha culpa, minha culpa, minha máxima, ah, religião aí, de novo. E você não entende que você pode se abraçar, se perdoar? Nem todos os dias vão ser bons dias pra gente. Às vezes a gente vai estar mais irritado, a gente vai estar mais triste, a gente vai estar mais feliz, a gente vai estar mais alegre. Faz parte, mas se perdoe, se permita uma segunda chance com você mesmo. E a gente dá segunda chance pra tudo que a gente que não merece. Se der uma segunda chance, terceira, quarta, pra você mesmo, você pode dar milésimas chances.

A gente sempre merece. Beijo. Obrigado. Espero que vocês tenham aqui. Noelia, esteja em paz. Esteja sem dor. Você merece. Até já.