RECEPCIONISTA DE HOTEL É ATACADA POR HÓSPEDE Q A QUIS VIOLENTAR E MATÁ-LA - DETALHES DO CRIME
Um dia antes do dia internacional da mulher, em 7 de março de 2026, Maria Niuzete Batista, uma mulher de 55 anos, trabalhava como recepcionista na madrugada quando Jhonathan Reynaldo dos Santos, de 24 anos, quis violentar e matá-la. Ela sobreviveu a tudo e agora espera por justiça. Confira os detalhes de como tudo aconteceu.ENTREVISTA COM A VÍTIMA:https://youtu.be/ROn38aUSS2M#crime #mulher #hotel #entrevista #podcast
Beto Ribeiro
Dr. Jackson
- Feminicídio em hotelMaria Niuzete Batista · Jhonathan Reynaldo dos Santos · Violência de gênero · Tentativa de homicídio · Protocolo de atendimento
- Poder JudiciárioDenúncia de feminicídio · Investigações Policiais
- Consequências do CrimeConsequências psicológicas · Apoio à vítima
diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil, de um dos principais cartões postais na cidade de São Paulo e com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto, que crime é esse?
Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Por favor, não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, ligar o sininho, marque nas suas mídias sociais, marque a todos. Nas mídias sociais, se puder, seja membro. Se não me der, está tudo certo. Deixe você ver comigo até o final deste encontro que eu vou ter com o Dr. Jackson, que está à frente com uma estende acusação de um caso que foi bastante impactante, porque hoje em dia, uma das coisas que mais tem nos angustiado, Dr. Jackson, é o seguinte.
A gente tem tido uma certa espetacularização do crime e eles estão sendo gravados, tem os vídeos, o que nos deixa ainda mais angustiados, porque a gente consegue ver o que está acontecendo. Não existe interpretação, não existe dúvida, existe o fato, existe o ato, existe o terror.
Existe a quase morte. Neste vídeo, especificamente, você vê o leão chegando para pegar a sua vítima em toda a sua crueldade. Não o leão, o bicho que o leão tem sua função. Você vê o demônio mesmo chegando naquele ponto. E isso tudo aconteceu em Curitiba, como a gente estava falando um pouquinho antes, no dia que se antecede o Dia Internacional da Mulher. Então, você tem várias iconicidades nesta história.
E eu queria entender com você como que é esse crime, que crime é esse, como ele acontece. Conseguisse me dar um sobrevoo por ele, para a gente entender a dinâmica e tudo mais? Te agradeço. É um crime que passou bastante forte, uma vez que uma mulher que estava trabalhando foi brutalmente, para mim, quase morta por um hóspede do hotel.
Labeto, prazer sempre estar aqui, cumprimento todas as pessoas que estão nos assistindo, nos acompanhando por aqui. Esse caso, nós nominamos aqui como sendo o caso do feminicídio do hotel, mas...
muito marcante, muito emblemático, por se tratar de um caso que acontece às vésperas do Dia Internacional da Mulher. Eu falava em uma entrevista aqui que a gente não tinha absolutamente nada com o que comemorar nesse dia, tem índices alarmantes, preocupantes acerca da violência de gênero, a violência contra a mulher, os feminicídios em uma crescente já há alguns anos. E...
Esse caso é mais um caso de ódio, um caso de violência extrema contra a mulher. Aconteceu num bairro bastante, bairro nobre aqui da capital do Paraná. E durante a madrugada, esse homem, segundo o relato dele mesmo, numa audiência de custódia, ele ingere bebida alcoólica e cocaína e decide que tem...
tem que ter relações sexuais com alguém e elegeu a Dona Maria Nilzete como sendo o seu alvo. Você dizia aqui de um leão partindo para cima da sua presa, nem no mundo animal nós temos um leão comendo o seu semelhante, devorando o seu semelhante como ele pretendia ali daquela forma.
tirando a vida dessa mulher. Então ele elegeu a Dona Maria Nilzetti como sendo o seu alvo e passa a conversar com ela. É uma situação peculiar também, porque além de imagens aqui nós temos áudios. Tem vídeo agora, né? Eu consigo ter esse vídeo? Eu vi esse vídeo pela internet. Vocês conseguem me mandar esse vídeo?
Consigo, vou mandar para você esse vídeo com o álbum. Manda para a produção, por favor, que daí a gente já põe aqui também.
e que ele passa, então, a conversar com ela. Olha, você não tem medo, inclusive, de trabalhar essa hora, ele diz para ela. Isso eram que horas? Era um... Quando ele começa ali a conversa com ela, era umas 13, alguma coisa, próximas às 4 horas da manhã. E aí ele...
fica bebendo ali na recepção, primeiro ele sobe no quarto, desce, pega a bebida, sobe no quarto, desce, pega a bebida, e aí, depois de algumas latas de cerveja e muito provavelmente a ingestão de cocaína, ele passa a conversar com ela já com um galanteio, digamos assim, lembrando que ele é um homem de 24 anos e ela é uma mulher de 55 anos.
diz que, de repente, ele inventa uma desculpa e diz que está passando mal. E fala para ela, a senhora consegue me ajudar e me levar até o quarto que eu estou passando mal? Isso já era o início da empreitada criminosa dele. Era uma emboscada que ele pretendia ali contra ela, para levar ela até lá em cima, e colocar ela dentro do quarto e estuprar ela lá dentro.
E aí ela diz, não, eu estou no meu ambiente de trabalho, mas de forma muito respeitosa com ele. É assim que ela tratava todos os hóspedes ali naquele local, dizendo que não podia, que se ele quisesse, podia ficar ali na recepção descansando, quem sabe ele melhorava e aí ele podia subir. Ofertou, inclusive, chamar o elevador para ele.
e ele permaneceu por ali e continuou conversando com ela. Saiu, sentou na recepção, ela se coloca mais uma vez para descansar, já era alta madrugada, 4 horas da manhã, se coloca na cadeira para descansar mais uma vez, ele vem até a frente dela, desperta ela, que estava ali descansando, dormindo, desperta ela e diz, olha...
em verdade eu não estou passando mal, é que eu me interessei pela senhora e eu quero ter uma relação com a senhora, em outras palavras. E ela diz, não, não posso, eu sou comprometida, não tenho condições de ter nenhum tipo de relação com você e eu estou no meu ambiente de trabalho. E aí ele, então, passa a ser mais assentoso com ela.
Olha, você me desculpe, mas eu fui direto ao ponto, eu gostaria então que você me desse pelo menos um beijo. E ela disse não. E aí já bem constrangida com todo aquele assédio, aquela hora da madrugada, ela passa a se encostar na parede. Uma mulher...
visivelmente constrangida e acuada ali, se encostando na parede, e ali cobrando a bebida que ele estava consumindo e fazendo mais alguma coisa para que ela não ficasse numa situação vulnerável. E quanto mais ela fazia isso, mais ele encarava ela e mais constrangia ela, isso tudo gravado, cenas gravadas.
E em determinado momento ela pega o celular e ingressa numa área restrita, reservada somente aos funcionários, e ela já tinha falado isso para ele, inclusive, que ele tinha pedido um banheiro, ele falou, nós temos um banheiro aqui dentro, mas é exclusivo para funcionários, você não pode usar. E aí ela entra para ir ao banheiro, toma uma água, entra no banheiro e ele aproveita essa oportunidade dentro daquele plano de emboscada que ele já havia articulado, pula o balcão da recepção...
vai até o banheiro, aguarda ela abrir a porta, quando ela abre a porta, ele empurra e entra para poder ter relações sexuais com ela. E tenta a todo custo ter essas relações, ela luta contra ele, e aí ele decide, depois do não, depois de ter recebido uma invertida dessa mulher, ele decide que iria matar essa mulher. E passa a desferir golpes, socos, chutes.
e em um determinado momento pega uma saboneteira, sabonete líquido, e quebra na cabeça dela e com os cacos passa a atacá-la, tanto na cabeça quanto na sua mão, quando ela se defendia, na mão direita que ela se defendia desses golpes com a saboneteira, e teve lesões que...
talvez sejam irreversíveis, inclusive. Ela perdeu movimentos dos dedos, um corte muito grande no braço, e ela apaga, ela apaga ali, e ele imagina que tenha conseguido o seu intento e vai até a recepção para poder apagar provas. Ele pretendia, no computador, retirar ali o...
O instrumento que grava as imagens, que mantém as imagens gravadas, e ele procura até ali e disfarça também, sabendo que está gravando ali, fica disfarçando num telefone, derruba o telefone no chão para poder arrebentar os cabos que estão ali embaixo. Quando ela acorda, tem uma...
uma lucidez do que estava acontecendo, ela levanta, sai pela porta dos fundos, ele vê ela saindo, ele corre em direção a ela, ela tenta alcançar a porta da frente e ele desfere mais um golpe, um soco muito forte que derruba ela no chão.
Ela é desesperada, gritando por socorro. Pessoas que estavam passando na rua viram isso. Ele percebe que essas pessoas viram. E aí ele tem uma mudança de comportamento. Ele passa a dizer para ela o seguinte. Calma, senhora, eu vou te ajudar. Como se ele não tivesse feito absolutamente nada com ela. Como se tudo que tivesse vivido ali, ele pudesse apagar a mente dela. E não ter feito... E não... Reescrever essa história, dizer que...
ele estava ali para ajudar ela. E é quando ele abre a porta, então, as pessoas que estavam ali já se desesperam, né? Outros moradores descem no prédio e aí ele passa a dissimular, dizendo que ela é maluca, que ele chegou do...
que ele chegou do centro, que o centro é próximo a esse bairro aqui da capital, ele começa a dizer então que ele chegou do centro, ela estava no banheiro todo insanguentado, e tentou ajudar ela e que não sabe o que aconteceu. E nesse contexto ela passa a dizer a todo momento que não, esse homem é que tentou me matar, vocês me ajudem por favor, porque esse homem tentou me matar, não acredite nele. E uma situação...
horrorosa, uma mulher de sangue da cabeça aos pés, com cortes profundos na cabeça, nas mãos, e aquele homem ali, como se fosse uma pessoa que estivesse para ajudá-la. A polícia militar é acionada, quando chega até lá, começa a conversar com ele, e já percebe, com ela também, já percebe que se tratava de um crime.
um gerente do hotel chega também até o local, acessa as imagens de um dispositivo móvel, do celular, mostra para eles o que aconteceu, e ele é preso em flagrante. Ele permaneceu ali no local, ele não tentou fugir. Permaneceu ali na tentativa de dizer que nada tinha acontecido.
Mas veja que é uma situação complexa, porque em partes ele consegue convencer as autoridades ali de que se tratava de situação de lesão corporal. E aí começa uma saga absurda. Nós temos aqui no Paraná um protocolo de atendimento sobre a perspectiva de gênero. No caso de mulheres vítimas de violência, obrigatoriamente elas devem ter um...
uma perspectiva de gênero ao caso, na investigação. Isso de todas as autoridades, desde a polícia militar, a polícia civil, o judiciário, as pessoas que atuam ali, os atores processuais devem sempre analisar um incidente envolvendo mulheres sob a perspectiva de gênero. E aí começa uma situação...
que não deveria acontecer aqui no estado do Paraná, mas aconteceu e vem acontecendo em outros casos também. Nós temos outros relatos, infelizmente, de transgressão desse protocolo, onde o protocolo não é observado. Eles levaram esse caso para a Central de Flagrantes de Curitiba, enquanto esse caso deveria ter sido tratado pela delegacia da mulher. Lógico. E levando a Central de Flagrantes, o delegado...
inicialmente entende como uma lesão corporal. O advogado do hotel vai até a delegacia para levar uma testemunha, porque o policial militar pediu que ele levasse, chega na delegacia e se depara com aquela situação, uma lesão corporal. E aí o delegado estava em vias de arbitrar uma fiança e colocar ele em liberdade. E aí o advogado diz, olha...
Eu tenho as imagens aqui, o senhor não teve acesso às imagens ainda, e são imagens estarecedoras, é um crime, no mínimo, um crime de homicídio. Esse advogado não atua na área criminal, mas um conhecimento básico e com bom senso, o mínimo de discernimento, ele já conseguiu observar que se tratava de um crime muito violento e que se tratava de um homicídio, no mínimo.
E aí o delegado pega essas imagens, recebe ali dois takes das agressões e ele tem acesso a isso, então enquadra esse caso como uma tentativa de homicídio com duas qualificadoras. Mas por que não feminicídio? Exatamente. Isso nós não sabemos, por qual motivo ele não enquadra isso. Talvez por desconhecimento, que eu não...
não tenho isso como uma primeira opção, ou porque os números aqui no Paraná têm elegido pessoas, são candidatos a deputado estadual, candidatos a deputado federal, nosso governador, inclusive, vai pleitear uma vaga agora como presidente.
e não estou atribuindo a ele de forma alguma, é uma pessoa muito séria, é bom trazer isso à tona, mas em outros momentos, Beto, nós tivemos aqui no estado do Paraná um delegado com uma expressiva votação como deputado estadual, ele era delegado da homicídios, e o discurso dele era em cima dos números, olha, eu solucionei 100% dos homicídios aqui na capital enquanto fui delegado.
Enquanto fui delegado, os crimes de homicídio reduziram X%. Os crimes de feminicídio reduziram X%. Então, as pessoas se elegem em cima desses números. E aí, quando você tira esse caso, quando coloca o...
o feminicídio como uma lesão corporal, os números, obviamente, de feminicídios vão ter uma discrepância com uma média nacional. Quando você tira um caso de homicídio e coloca como uma lesão corporal, você está reduzindo os números também de homicídio.
E aí colocando tudo na conta de uma lesão corporal, vias de fato. Mas eles nem tentaram colocar como tentativa de estupro também? Porque teve tentativa de estupro. Não, nem o estupro. Porque ela está no ambiente de trabalho dela, ele propõe sexo para ela, ela diz não, ela vai para o banheiro, ele vai atrás. Dentro do banheiro, ele bada aí. Por ela não permitir o estupro acontecer, ele tenta matar ela.
E ele só tenta matar ela porque é na condição de mulher. Exato. Então é uma tentativa de estupro, se não for estupro mesmo, porque eu não sei o que ele fez com ela no banheiro, não sei o que mais que ela pode colocar, e tentativa de feminicídio. E eu vi assim... Eu entendi. Se ele coloca como tentativa de homicídio, diminui o número de feminicídios. O número.
Isso, como números gerais, né? Olha aqui, nós temos uma redução... A política não pode sobrepor a realidade e nem a justiça. É por isso que eu não tenho como aceitável a questão do desconhecimento, já que é um delegado que foi aprovado em um concurso público e que deve ter um mínimo de conhecimento. Assim como o advogado naquele momento, ainda que não um criminalista, ainda que não alguém concursado.
já teve esse discernimento, não precisa muito para isso. Então, a justificativa que nós temos, e aqui eu estou também lançando essa hipótese, não digo que é isso mesmo, não posso afirmar, mas é possível que seja uma redução de números.
E aí, Beto, ela chega, nós recebemos essa situação no escritório, por parte da família dela, chega esse caso ao escritório e passamos a denunciar isso, que esse protocolo, que há muito já existe no estado do Paraná, é um protocolo que já vem desde o ano de 2012, aqui no Paraná, existe um protocolo nacional também de investigação sobre a perspectiva de gênero.
mas nós temos um específico aqui no Estado do Paraná, foi editado no Estado do Paraná para que as autoridades tivessem conhecimento e seguissem o protocolo. E aí nós passamos a denunciar isso, de que esse protocolo não foi seguido.
nos aprofundamos numa investigação, essa investigação defensiva. Obtivemos, então, as imagens, uma qualidade melhor das imagens, e logo em seguida, essas imagens com áudio, uma das câmeras de uma gravação com áudio. E aí ele deixa muito claro, deixa muito evidente...
de que se trata então de um crime de feminicídio na modalidade tentada, um estupro na modalidade tentada e um crime de fraude processual, já que ele vai até as câmeras e tenta destruir provas, ou no mínimo deixar essas provas em partes, cortadas, ou danificadas. Ele chega a tirar os cabos? Não. Chega, ele danifica inclusive o...
O HD, né? Que guarda as imagens. Teríamos ainda mais imagens. Ele consegue parar as imagens, é isso? Isso, ele consegue parar. Quando ela está tentando fugir, dá para ver também. Ele ainda pega ela pelo cabelo, uma coisa assim, quando ela está chegando à porta. É, isso. Isso ficou gravado.
Isso estava em uma nuvem também, então o Brás disponibiliza no seu servidor as imagens, então nós conseguimos obter por lá essas imagens, uma imagem de boa qualidade e com os áudios. E encaminhamos isso ao Ministério Público, levamos ao conhecimento do Ministério Público, fizemos uma reunião, inclusive presencial, virtual, com o promotor de justiça do caso.
Levamos essas considerações por meio de uma petição no processo endereçada ao juízo, com as nossas considerações acerca dos crimes que entendíamos cabíveis a esse caso, aplicáveis, a legislação aplicável a esse caso.
E logo em seguida, então, o promotor de justiça, de forma muito lúcida, um grande promotor de justiça aqui do estado do Paraná, o doutor André Glitz, e o que faço aqui, rendo todas as homenagens, já que merece, porque tratou esse caso como ele tem que ser tratado, denunciou, então, da forma como nós colocávamos, um feminicídio tentado com duas causas de aumento, essa causa pelo...
pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, já que ali era uma emboscada, ela estava no seu ambiente de trabalho, ela não tinha condições alguma de se defender desse homem, superioridade física, inclusive, 24 anos, uma senhora de 55, e uma causa de aumento também relacionada aqui ao...
a forma como esse crime se desenrola, uma asfixia também nós temos nesse caso, e um estupro qualificado também pelas lesões que ela sofreu, por violência, porque tenta de forma violenta e causa lesões nela, um estupro na modalidade tentada e aí também uma fraude processual qualificada.
que se encaixa nesse caso aqui. Nós temos esses três crimes, o juízo recebe essa denúncia e encaminha esses autos para que a defesa presente as suas razões iniciais. Só um ponto aqui, só para entender, a polícia, desculpa te interromper, a polícia não fecha, não indicia por tentativa de feminicídio, mas o Ministério Público arruma na denúncia, é isso?
Exatamente. Então o Ministério Público fez certo. Tentativas de feminicídio, estupro qualificado e tudo o resto que você falou, entende? Exatamente, exatamente. O promotor de justiça não fica vinculado ao relatório da autoridade policial. Então ele poderia até ter um entendimento diverso, por se tratar de um clima menos grave, mais brando.
o que não é o caso, obviamente, e está absolutamente correta a denúncia. Ele podia até ter baixado, ele podia ter colocado denunciado por lesão corporal. Sim, se fosse o caso, o entendimento dele fosse nesse sentido. Mas ele elevou, então ainda bem que ele elevou. Exatamente. Aí ele entrega ao juiz Pai e à defesa. E a defesa, então, está agora no prazo para apresentar suas razões. Não deixamos nenhum espaço para a defesa aqui contornar essas...
essas acusações, a prova é muito sólida, muito eu não via um feminicídio na modalidade tentada, com tanta riqueza de...
de probatória, né, e eu imagino que nos próximos dias essa defesa seja apresentada, nós vamos ter aqui um processo tramitando de forma muito célere, o juiz dessa causa, o doutor Leonardo De Chara, já é uma pessoa conhecida da sociedade curitibana, da sociedade do Paraná, um dos maiores, se não o maior juiz que nós temos aqui no estado do Paraná, é ele quem vai conduzir esse caso.
Ele tem uma vasta experiência no tribunal do júri, ele tem muita firmeza e tem uma nota distintiva na sua atuação, é que é pela celeridade. Ele costuma, inclusive, produzir tudo em audiência, inclusive as alegações sinais sendo orais e a sua decisão já saindo também em audiência.
Então eu tenho certeza, Beto, que isso vai tramitar de forma muito cédere, como tem que ser, e que num futuro muito breve esse homem vai estar nas barras do tribunal do júri, sendo julgado por esse crime de feminicídio. É porque isso vai para o júri, né? Vai ser pronunciado, possivelmente, e vai fazer para o júri.
inclusive o crime de estupro, inclusive o de fraude processual, o povo é quem vai decidir, a sociedade curitibana tem um histórico de muito rigor com os crimes de feminicídio aqui, e entendemos que não vai ser diferente nesse caso, já que as provas são muito sólidas, e vai condenar esse homem, aí é uma pena bastante elevada. Doutor, eu vi um vídeo, acho que do autor falando que ele só quis bater.
Ele já também fala do álcool e das drogas. Ele fez laudo? Está confirmado que ele estava usando álcool e drogas? Fizeram exames de corpo de delito nele, aqueles exames toxicológicos? Não, ainda não.
Mas já há um requerimento defensivo nesse sentido, a defesa, inclusive, está pleiteando isso, que ele faça o exame toxicológico. Mas ele não fez no dia da prisão dele? Ele está preso. Não, não. Está preso. Mas a cocaína é uma substância que permanece no corpo, especialmente no cabelo, exatamente. Mas o álcool não. Por um período...
mais elástico, e até seis meses ele consegue ainda detectar no cabelo. Tudo bem, se ele usou seis meses atrás, é diferente. É, é o exame que está sendo requerido aí pela defesa, mas nós não desconfiamos dessa versão dele que ele trouxe aí, de que ele estava realmente sob efeito de cocaína, é uma droga devastadora e que tem sim um um, um.
um poder de tornar aquelas pessoas mais agressivas, aquelas pessoas... Mas não pode vir aí com uma conversa de surto? Aí é que eu quero chegar, Beto. Isso não o torna inimputável, isso não o torna semi-inimputável e também, de maneira alguma, excluir o crime.
Isso, assim, é muito tranquilo. Só explica por que ele estava tão violento. Ponto. Exatamente. E ainda, Beto, isso tem o condão, no momento da prolação de sentença lá no Tribunal do Júri, na primeira fase, de levar a pena, inclusive. A ingestão do ilícito de forma deliberada, como ele fez, ninguém forçou ele a usar essa droga.
ele usou porque já tinha, inclusive, problemas pretéritos com drogas. Ele mesmo afirma isso na audiência de custódia. Então, isso, inclusive, vai elevar a pena dele. Mas não o torna incapaz de receber uma pena e também não reduz a sua pena e muito de longe vai afastar esse crime, porque é o estado de embriaguez.
não tem, ainda que sob efeito de drogas, não tem o condão de nenhuma dessas três possibilidades ser alcançado. Entendi, que bom, pelo menos isso. Ele foi preso, foi feita a audiência de custódia, ele permanece preso, ele já está em prisão preventiva ou não? Sim, ele foi flagranteado, houve um flagrante dele no momento do fato.
foi levado à delegacia, depois passou por uma audiência de custódia. Na delegacia, é importante dizer que ele ficou em silêncio. E depois, na audiência de custódia, num ajuste com o seu advogado, após conversar com o seu advogado, é que ele traz meias verdades e algumas questões de interesse defensivo. Ali, ingestão de droga... Que ele só queria bater.
de que ele não teve intenção de matá-la, mas sim... Mas ele queria bater, porque sabe que ele já deve saber que a lesão corporal a pena é mais baixa. Exatamente, onde era possível que ele respondesse o processo em liberdade. E aí ele traz essas informações, logo em seguida o advogado faz um pedido de liberdade provisória, com base nesses elementos novos que ele trouxe, mas o juízo não caiu nessa...
nessa esparrela, e acabou decretando a prisão preventiva dele. Prisão preventiva também muito sólida, que foi reafirmada, foi reposicionada pelo juiz da causa, o doutor Leonardo Bechara, no momento do recebimento dessa denúncia. Então, ele está preso preventivamente, vai responder esse processo inteiro, preso e...
nós esperamos que logo após a sua condenação pelo tribunal do júri, confiamos nessa condenação, ele dê início ao cumprimento da pena, como já é entendimento pacificado dos tribunais. Quem é esse homem? Qual é o nome dele?
O nome dele é Jonathan. O Jonathan. Quem é esse Jonathan? Um homem de 24 anos que estava em Curitiba num hotel. Ele tem uma vida até os 24 anos. Você já trouxe que ele tem problemas com drogas. Ele tem antecedentes criminais? Quem é ele? Quem já está fazendo em Curitiba? Quem é esse homem? Sim, o Jonathan é um pintor.
que veio por meio de uma empresa de Joinville, em Santa Catarina, essa empresa tem sede em Joinville, e essa empresa aluga, então, essa hospedagem aqui em Curitiba para que seus funcionários pudessem pernoitar. Essa empresa de Joinville presta serviços à Caixa Econômica Federal aqui de Curitiba, em uma reforma de uma agência aqui de Curitiba. E aí...
O Jonathan tem vínculo empregatício com essa empresa e nós pretendemos também, Beto, acionar a empresa que é empregadora dele, já que ela tem isso na esfera civil, obviamente, numa reparação de dano, já que ela tem uma responsabilidade também por seus funcionários que aqui estão em Curitiba para prestarem serviço à Caixa Comunista Federal.
O Jonathan não tem nenhum antecedente criminal, nós, na data em que assumimos esse caso, providenciamos aqui uma busca, tanto na Justiça Estadual de Santa Catarina, como na Justiça Federal, e não encontramos nenhum antecedente criminal conhecido, não que ele não possa ser um criminoso já, mas pelo menos que as autoridades tenham tomado conhecimento. Não. Então, eu vou aqui o...
O seu canal tem grande alcance. Nós, inclusive, rogamos que se eventualmente alguém já tenha sido vítima de um crime sexual desse homem ou de algum tipo de violência, que possa buscar as autoridades da sua cidade mesmo ou entre em contato aqui com o escritório para que a gente possa denunciar esses crimes e para que esse homem pague, não só por esse, mas por todos os crimes que eventualmente ele possa ter cometido.
Porque a violência que ele faz, e gravada, você vê um ato conhecível dele, conhecido. Porque ele já sabe chegar, se ele tivesse conseguido fazer ela ir até o quarto, o que teria acontecido. Ele tem as armadilhas, a sensação que se tem, não estou dizendo o que é, que é um ambiente...
confortável para ele. Ele bater numa pessoa da maneira que ele bate, ele ir atrás, ele querer tirar as... Por que ele quer tirar a câmera? Porque ele sabe que a câmera traz prova. Porque ele já passeou perto disso. Então, realmente, ele pode ter tido alguma coisa. Ele estava há quantos dias ali no hotel? Eu tinha feito o check-in naquele dia mesmo. Ele tinha chegado na tarde.
do dia anterior, na verdade, ele comete o crime na madrugada, já no dia seguinte. Primeira vez que ele vai no hotel? Primeira vez que eles vão até lá, ele faz o check-in e sai, eles estavam em cinco trabalhadores, e aí ele faz o check-in no hotel e sai para jantar ou para se embriagar ou para usar drogas, não sei o que ele saiu fazer, mas ele sai de lá.
E aí retorna já, próxima meia-noite, e fica nesse, sobe e desce lá para buscar a bebida. Os cinco retornaram? Os cinco retornaram. Ele estava sozinho no quarto? Estava ele mais um homem no quarto com ele. É estranho, né? O que ele poderia ter feito? Não vou poder aqui falar que mais uma pessoa ia virar estupro coletivo, mas... Mas poderia sim. Ia levar para o quarto?
O que poderia ter acontecido a mais? Bom, a vida não tem realidade paralela. Tem essa que foi. Ah, como considerar isso, sim, sem dúvida. Porque ele estaria tão confortável assim de levar a mulher para o quarto. Porque quando ele fala, não, na verdade eu não estou passando mal, na verdade eu quero transar com você, significa que ele estava mentindo que estava passando mal para ela subir com ele para o quarto. Para um quarto que não está ele sozinho.
O colega de quarto dele ia falar que não ia me meto na vida de ninguém, não sei o que está acontecendo, ou aquilo lá já era uma ratoeira? É uma coisa... Você vai pensando no que poderia ter, até onde vai. E, de novo, ele está muito confortável dentro de uma conversa criminosa que parece já conhecida.
Principalmente quando ele volta para as câmeras para tentar tirar a câmera, ele tem já o pensamento criminoso de sentido, tem que tirar aqui prova. Quando ele vê esse testemunho, ele já inverte, ele já cria uma nova personagem, fala que ela... Eu estou ajudando ela. Ele já tenta trazer todo mundo para perto dele, falar que ela é uma louca que estava batendo a cabeça por aí e eu estou tentando ajudar. E vai. Exato. Como que... Fala, desculpa. O crime sexual é...
nele é um traço de personalidade, né? E nós percebemos ele se utilizando de um ardil, como você mesmo disse, para que ela pudesse subir até lá, uma emboscada, e depois uma malandragem absurda, para poder tentar se ver livre do crime. E é uma questão bem típica da violência de gênero, da violência contra a mulher.
atribuir a culpa de todas as questões relacionadas ao crime à mulher. Isso é, se não 100%, muito próximo de 100% dos casos que o homem tem esse tipo de conduta. Se a gente analisar os últimos casos que aconteceram, agora recente do tenente coronel, inclusive, em São Paulo. Eu vou fazer o caso agora também.
ele passa a dizer também que a culpa é toda dela e que ele queria se separar, e que ele é o melhor, ele é isso, ele é aquilo, e que a mulher é um bicho, e que a mulher é a culpa. E como ele pede para se separar, ela não vai nunca poder viver sem ele, ela tira a própria vida. Exatamente. Se não tivesse essas imagens, é capaz de ele falar que ela tentou ainda violentar ele. Ou assim, que ele não fez nada. As imagens são fundamentais.
para que a Maria Nilzá tenha justiça. Como ela está agora? Ela vem se reconstruindo. Para a mulher é muito difícil sofrer esse tipo de violência, uma violência sexual, uma tentativa de feminicídio, e ter que...
voltar, bater de cara com a sociedade novamente, voltar ao trabalho, voltar a cuidar das suas coisas. Mas ela é uma mulher muito forte, Beto, ela já venceu esse criminoso, ela venceu a morte, e tenho certeza que essa força que ela teve para vencer o crime sexual, esse abusador, esse estuprador, e a força que ela teve para vencer a morte...
também a gente vai ver nessa reconstrução, nessa retomada de vida. Ela está tendo apoio da família, agora está no seio familiar recebendo os cuidados da família, está recebendo um auxílio médico também, por conta dessas lesões, foram lesões importantes e que precisam de cuidados especiais. Está recebendo também auxílio psicológico, é muito importante que ela tenha...
há uma estrutura psicológica agora, um apoio para retomar a sua vida, e logo, logo, deve retornar ao seu trabalho. Eu não sei se ela retorna para o hotel, já que aquele palco ali vai ser... É traumático, né? Traumático para ela revisitar toda aquela situação, mas é uma mulher muito batalhadora e vai voltar para o mercado de trabalho, vai ser acolhida, sem dúvida alguma.
O hotel está dando apoio? Está dando apoio, são pessoas também que têm amparado ela aí, né, nessas questões, até mesmo questões financeiras que ela vem precisando de ajuda e tenho certeza que não vão abandonar ela e vão dar todo o apoio para que ela possa tomar as decisões aí que serão importantes para a sua vida e para o retorno, né, recomeço da sua vida.
Doutor Jackson, é sempre um prazer nos encontrarmos. Vamos acompanhar o caso. Quando tiver novidades, me avisa, por favor, quando tiver as audiências de instrução, se ele for pronunciado, se me mandar pronúncia, tudo, a gente vai acompanhando. Quando tiver o júri, a gente faz uma nova conversa, antes e depois. Também fica sempre o convite para todas as partes falarem. Se a defesa do Jonathan...
do Jonathan, que quiser falar é só mandar e-mail para a equipe betorribeiro.com que a gente entrevista todo mundo. Então, muito obrigado e até a próxima. Eu que agradeço, Beto. Um abraço. Um abraço.