BEBÊ É ENCONTRADO EM SACO DE LIXO, PAIS SÃO PRESOS, MAS ERAM INOCENTES - DETALHES DO CRIME
Em 2021, Luana Souza da Silva, de 23 anos, e Welington Sousa da Silva, de 19 anos, foram presos pela morte do próprio filho, recém-nascido, na zona norte de São Paulo. A jovem teria dado à luz no banheiro de casa e passou mal pouco tempo depois. De acordo com o boletim de ocorrência, o bebê foi colocado em uma sacola plástica e entregue aos médicos do Samu, que acionaram a polícia. Mas tudo foi um mal entendido e o casal era inocente. Confira os detalhes do crime.#crime #familia #advogado #entrevista #podcast
Beto Ribeiro
Bruna Rezek
Nayara Moura
- Caso de Luana e Welingtonmorte do bebê · Investigações Policiais · erro judiciário · aborto espontâneo · defesa legal · impacto emocional · perícia médica · relação entre Luana e Welington · consequências da prisão
diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil, de um dos principais cartões postais na cidade de São Paulo e com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto, que crime é esse?
Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Por favor, não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, ligar o sininho, marque nas suas mídias sociais, marque a todos nas mídias sociais. Se puder, seja mesmo, se não puder, está tudo certo. Deixe-me comigo até o final deste encontro, a três aqui que estamos tendo, com a doutora Nayara Moura, que está aqui comigo, e a doutora Bruna Rezek.
Falei certo? As duas doutoras que fazem parte de um caso que a gente estava conversando um pouco antes. Me lembro até um outro que eu fiz no Paraná também, onde os pai e mãe são colocados como autores da morte de um filho ou de uma filha.
E aí se reverte tudo e vocês que vão me contar toda a história. Sejam muito bem-vindos. Peço desculpa pela minha voz, mas estou com o Sandys Macinus Itiol no meio dela. Não estou decidindo que momento estou aqui comigo. Então, sejam bem-vindos ao canal para a gente conhecer essa história que envolve o Wellington Souza da Silva e a Luana Souza da Silva. Apesar de terem o mesmo sobrenome, nunca foram casados. Não tem parentesco algum. Nunca foram casados, nem namorados.
Apenas uma relação... Foi uma relação esporádica. Que terminou numa gravidez. Vocês vão me contar a história, fiquem à vontade para ver quem começa e para quem vai começando. Eu jogo a primeira pergunta. Vocês são advogadas do Wellington. Não advogadas da Luana, mas as histórias dos dois vão se cruzar. Eu queria conhecer esses dois jovens. Isso tudo aconteceu em 2021.
Nós estamos agora em 2026, ele tinha 19, 18, 19 anos, ele tem o quê, 25, 24 anos agora? É, agora ele está com 25, 26, né? É, 25. Continua jovem. Com a história do Wellington, vou pegar aqui o seu cliente primeiro. Com a história dele, de onde ele veio, tudo aconteceu aqui em São Paulo, como é que ele conhece a Luan, como é que vai tudo sendo construído?
O Eliton é filho de uma serventuária de escola e filho de um recepcionista de condomínios.
Eles moram na Brasilândia, se trata de uma família periférica, muito humilde, porém muito trabalhadores. Pessoas carentes e não envolvidas em nenhum tipo de conduta criminosa. Os fatos se deram no ano de 2020, em 20 de julho de 2021.
Quando, na parte da manhã, o Eliton recebe uma ligação da Luana, que estava gestante, a princípio esperando um filho do Eliton, e que estava entrando em trabalho de parto e pedindo socorro para o Eliton.
E o Elton estava pronto para sair para entregar seus currículos, uma vez que ele tinha acabado de fazer 18 anos e ele ansiava por um trabalho. Ele nunca tinha trabalhado. Nunca tinha trabalhado. Terminou escola. Terminou escola. Nem como um menor aprendiz ele ainda havia entrado numa área laborativa, assim a gente pode falar.
e estava lá com seus currículos separados, pronto para avançar e ir no mercado de trabalho. Quando ele recebeu essa ligação da Luana, clamando por socorro, e ele se deslocou até a casa dela.
Sei que é uma pergunta delicada que eu vou fazer, mas o Wellington tem alguma passagem com a polícia anterior? Nada, absolutamente nada. Nunca ele... Nunca teve absolutamente nada. Nem tráfico, nada, nada. Ele não era envolvido com nada. Apesar de serem moradores de uma comunidade na Brasilândia, mas sempre estudou... Então tem mais gente honesta do que gente desonesta. Sim, com certeza. Tem comunidades, né? Porque eu sempre, de graça a Deus. Sim.
E não tinha nada, nada, nada, nem uma passagem. Os policiais nem o conheciam por lá. Porque como a gente vai entendendo daqui a pouco o que tudo aconteceu, só para ter uma noção da personalidade. Você estava me trazendo dia 20 de julho de 2021, quando é o fato da ligação.
Queria saber um pouco da Luana antes. O Wellington, mais ou menos, eu vi o perfil dele. A Luana é quem nessa história? Eles namoraram? A Luana, pelo que eu me recordo, à época ela era operadora de caixa no supermercado e eles moravam bem próximos ali.
Aí eles eram meio que o tio da Luana, morava próximo deles, então todo mundo se conhecia. E aí eles tiveram um lance, uma paquera, ficaram algumas vezes, e em uma dessas vezes acabou acontecendo a gravidez. Só que a Luana não desconfiou por meses.
E ela até achava que ela tinha uma doença, isso segundo ela mesmo, que a família teve já, a mãe, barriga d'água. E aí ela não percebeu o corpo dela.
Mas a menstruação que não vinha, isso tudo... Não, Beto, porque é outra realidade. Isso a gente trouxe para os jurados também, sabe? Nós temos essa percepção do nosso corpo. Porque ela já tinha 23 anos na época, não é isso? Além disso, da questão da idade, tem também escolaridade. Apesar do Wellington ter feito a escola, a Luana, se não me engano, não.
Enfim, a família do Wellington é muito estruturada, pai e mãe casados, ele é filho único, mas a Luana não teve essa percepção. E aí ela achava que a barriga do Wellington começou a perceber.
Ele chegou a viajar há um tempo, né? Ele foi para... Logo quando eles tiveram essa ficada, esse lance, o Elton foi passar férias no Nordeste com os parentes dos pais. E ele ficou lá, acho que por 30 dias, né? As férias de janeiro ele ficou lá. Depois, quando ele retornou, ele teve essa notícia que a Luana estava grávida. De quantos meses?
Há uns três meses, mais ou menos. Ah, tá. Então ela não descobriu que estava grávida no dia dos fatos? Não, não. Quando isso... Foi assim, eles tiveram uma suposição ali fazendo mais ou menos uma conta, só que fizeram a conta errada no final de tudo isso, que a gente, pelo processo e tudo mais, fizeram a conta errada. O filho pode não ser do Wellington? Não.
Não pode. Não pode porque ela... Ele tem que ser do Wellington. Ela afirma veementemente que o filho é dele. Não fez DNA? Não fizeram DNA, mas o bebê é a cara dele. Os traços são muito semelhantes. O bebê está vivo? Não. Não, né? Mas como é que a gente sabe os traços? Porque o bebê, quando nasce...
Pela perícia, foto. Porque tem a foto do bebê morto no IML. E ele nasceu muito formado. Apesar de ser prematuro, ele não era um prematuro extremo, mas nasceu de 35 semanas.
E ele nasceu gordinho, com 3 quilos e pouco. Nossa, nasceu ótimo. E super formadinho, assim. E os traços eram idênticos, Wellington. Então, isso nunca foi uma questão.
E aí, quando veio a notícia da gravidez, eles, como qualquer casal jovem que não tem um relacionamento, não tem estrutura financeira, ela não tinha uma família estruturada como a do Wellington, mas ambos ficaram com muito medo. Enfim, eu acho que até quem é adulto e não planeja uma gestação fica assustado, a priori. E aí
E aí, então, eles começaram a pensar em formas de não ter o filho mesmo. Aí eles conversavam muito por WhatsApp. Então, a Luana falava, o que a gente pode fazer? Toma chá de não sei o quê. Ah, tem o tal daquele medicamento que todo mundo conhece. Só que eles não tinham dinheiro para comprar, porque é muito caro. Os pais dele não sabiam? Não, de ninguém.
E aí foi passando o tempo, só que a Luana tem uma complexão física mais cheinha. Então, ela usava roupas largas e ninguém desconfiou da gravidez. E foi passando o tempo. Foi passando, foi passando. E aí não deu certo o aborto, daí eles foram aceitando.
uma hora a gente vai contar para os pais, só que como eles fizeram a contagem errada, para ela, ela estava, sei lá, com cinco meses, seis meses. Ela não fez prenatal, não foi a México? Nada, absolutamente nada. Foram levando e ela estava ensaiando para contar para os pais dela e ele para contar para os pais dele. Só que aí ela já estava de 35 semanas, uma idade gestacional avançada, embora não a termo.
Eu não sei, tá, gente? Quantas semanas são de uma gestação normal? 37, 38. Até 40, né, Bruna? 40 semanas. Ela estaria o quê? Então, seis meses, sete meses? Por aí. Por aí. Enfim, daí eles estavam nessa de ensaiar, só que assim, sem essa mentalidade de vamos fazer um pré-natal, precisa fazer os exames todos, né? Para ver se a mãe está bem, se o bebê está bem. E foram tocando.
Aí, até que chegou no dia... Não, três dias antes ou uma semana antes. Você se lembra da queda da escada? Foram três dias antes a Luana. Como eles moram numa área periférica, são casas em cima de casas. E a casa da Luana ficava numa parte superior da periferia. É uma favela ali.
E para ter acesso à casa da Luana, tem uma escada, e essa escada é muito íngreme. E três dias antes dos fatos, a Luana teve uma queda, ela sofreu uma queda naquela escada. Proposital, não? Não, ela sofreu uma queda. Eu tenho fotos da escada, porque eu fiz essa pesquisa em loco mesmo. Mas para saber, como elas estavam tentando abortar...
E até na mídia saiu isso. Maria de Fátima do Vale Tudo. Não, mas saiu isso, inclusive, na mídia, que poucos dias antes do ocorrido ela teria se jogado propositalmente. Mas isso não é verdade. Eu falo isso porque, como eu estive no local, se eu não tomasse cuidado, eu também poderia escorregar. Eu já sei como estão essas escadas. Até porque, no dia que eu fui, estava chovendo, o piso estava liso e não tem corre-mão.
Eu já gravei lá atrás e eu me lembro de ser, são degraus diferentes, não é uma escada feita com engenharia e tudo mais. Nada estruturado e seguro, né? E daí a Luana sofreu essa queda acidentalmente e foi para o hospital. Chegou no hospital, ela fez uma radiografia, passou na radiografia, no raio-x, e daí detectou que ela estava grávida, né? Foi. No raio-x.
Ela não contou que estava grávida? Não. E passou. E daí o médico, simplesmente, o atendente ali do PS, deu um remédio para a dor e dispensou ela. E ela foi para casa. Isso pode ter sido o início do trabalho de parto? Sim. É que assim, Beto, uma proteína pode. Esse caso, a gente fala que foi muito marcante.
Porque ele tem uma sequência de falhas e de atos que é desde o atendimento no hospital, quando ela cai da escada, porque ela diz para o médico que ela não sabia da gravidez. Ao invés de encaminhá-la para uma ginecologista, obstetra, não. Ela simplesmente foi medicada com uma dipirona e dispensada.
E aí, depois disso, ela acaba... Quantos dias foram? Três. Depois disso, três dias. Três dias. Aí, passam-se três dias, ela está na cama, na cama da casa dela, olhando o celular e tal. No dia que o Wellington saiu para entregar os currículos, ele já estava até numa copiadora tirando o Xerox.
Quando ela manda mensagem para ele, ela liga, liga, liga, ele não atende a princípio, aí ele fala, ela fala, olha, estou passando muito mal. Ele sabia que ela tinha caído da escada? Eu não me recordo se ela contou para ele. Ela contou alguma coisa ou nada? Eu acho que ele soube depois só. Porque eles não estavam juntos. Então, eles falavam muito pouco, sabe? E aí, depois que decidiram não abortar e seguir com a gestação, então, eles falavam pouco, ele mandava mensagem, ah, você está bem? Ah, quando que a gente vai contar?
Quando eles conversavam sobre a gestação, eles falavam o quê? De casar, de não casar? Nada, nada, nada. Mas eles teriam a criança com o pai e mãe? Teriam a criança, a mãe e o pai do Wellington. Eles são super assim... O Wellington tem, salvo engano, seis afilhados de primos. Ele adora crianças. Então, se não ficasse com a Luana, ficaria com o Wellington e família. Isso.
E com ele também, porque ele gosta muito de crianças. Isso a gente levou para o júri, todas as fotos dele. No dia do plenário mesmo foram as crianças lá.
Aí ela mandou mensagem dizendo que estava passando mal e, como ele estava perto, aí ele foi. Na hora que ele chegou lá, ela já estava em uma casa muito pequena, e aí ele subiu essa escada e ela já estava no vaso sanitário e o bebê coroando. Por quê? Ela sentiu uma cólica muito, muito intensa e achou que era uma cólica com vontade de defecar.
E aí o que ela fez? Foi ir ao banheiro. E aí aquela dor nas costas e tal. E o bebê nasceu. Ele nasceu. E aí nisso... Saiu no vaso sanitário? Saiu no vaso sanitário. Naquela água? Uhum. Meu Deus do céu. E inclusive ela realmente defecou.
Sim, isso às vezes acontece. Sim. E aí, um banheiro muito pequeno, a Bruna foi lá, porque isso que deveria ter sido feito pela Polícia Civil, não foi feito nada disso. Aí a Bruna, poucos dias antes do segundo plenário, esteve lá, gravou, filmou. No dia do plenário, nós levamos um vaso sanitário para fazer a simulação, porque não houve...
reprodução simulada, não houve absolutamente nada, porque é pobre. A investigação profunda é, na maioria das vezes, feita quando você tem algum tipo de status social. Porque, só para contextualizar, nós pegamos este processo nas vésperas do primeiro plenário.
Em 2024. Em 2024. Eu só vou ter que fazer uma defesa aqui. Eu entendo o seu apontamento, eu ouço isso muitas vezes de advogados, mas, como eu também não trabalho como vocês trabalham, mas por conta de entrevistas e tudo mais, eu vejo muitos casos de pessoas que não têm recursos, que são muito bem periciados. Eu sempre pego o próprio caso da Isabela Nardone por causa da Rosane, que está aqui no canal. Ele se torna famoso depois.
Tudo foi feito antes da fama Só para dar uma defendida E eu concordo plenamente Isso não é uma regra É que Temos casos que a investigação É muito bem conduzida
mas também temos muitos casos que, se você não tiver isso, dos dois lados. Se você não tiver um assistente de acusação, um advogado da família, para acompanhar, e se você não tiver uma defesa muito boa também para fornecer provas, coisas que o Estado deveria fazer, é problema.
Concordo 100%. Eu sempre falo para todo mundo da importância do advogado criminalista e da importância do assistente de acusação para a família da vítima, que às vezes também fica sem resposta, sem saber o que está acontecendo, fica num vácuo, e da importância da defesa. E até mesmo isso que eu vou pegar a casa do Henrique Borel. Eu acho que a casa do Henrique Borel tem um problema muito sério. E não sei o que falo, as pessoas que entendem apontam.
Na parte da autópsia do menino, até mesmo a perícia. Tem pontos ali que eu acho que no plenário vão um pouco gritar. Com certeza. E é o Henrique Borel. Mas voltando aqui, antes de você me trazer essa parte já lá na frente, eu queria voltar para esse dia 20 que você estava falando. Ela liga, ele atende com o currículo. E ela está... Como é que é? Coroando?
Ela já está no vaso sanitário. E o bebê está coroando. A cabecinha já está saindo. Aí ele sai. Aí o bebê sai. E o Wellington já chegou? Aí o Wellington acaba de chegar. Ela conseguiu falar com ele. Conseguiu falar. Quando o Wellington chega, o bebê já tinha acabado de nascer. E aí, só que ela teve uma hemorragia muito grave. Tanto que ela ficou internada alguns dias. Aí ele levanta a Luana. Fica preocupado em socorrer. Imagina o menino com 18 anos. Com uma situação daquela. Nunca viu um parto na vida.
Aí ele levanta, já coloca ela no chuveiro, dentro do box, liga o chuveiro e ela esvaindo em sangue. E com o cordão umbilical.
O cordão foi rompido naturalmente. Ah, é? Eu não sabia o que acontecia. Por conta do impacto. Da própria queda do bebê. Isso. Quando o Eliton chegou na casa, a casa é muito pequena. Eu ia perguntar se ela não gritou, não tinha vizinhos, ela mora sozinha?
A mãe tinha acabado de sair para trabalhar e o irmão também não estava em casa. Mas vizinho colado, ela não ficou gritando socorro? Não, não. Beto, por incrível que pareça, apesar de ser primigesto, primeira gestação, esse bebê, assim, não tem explicação desse parto, né, Bruna? Aconteceu muito rápido.
Muito rápido. Eu sou um exemplo. Minha mãe conta que eu nasci. E falavam para ela assim, espera. Minha mãe falou assim, espera, ele saiu. Não deu nem tempo de anestesia. Eu não tive nada. Eu nasci de parto natural, que eu falo hoje. Então eu sou um exemplo de... Minha mãe disse que ela não deu um grito, porque eu simplesmente fui. Pode ter sido uma coisa dessa maneira. A erogatória ela falou nas duas vezes. Ela sentiu essa dor intensa. E eu pesava 4 quilos. Nossa Senhora.
Mas ela pensava que era uma cólica, uma cólica, dor de barriga. Aí ela só disse que sentiu essa dor de barriga e dor nas costas e ele nasceu. Mas nasceu vivo? Aí ele nasceu arrocheado, não chorou. Aí quando o Wellington coloca a Luana, porque para eles ela estava tendo um aborto espontâneo, porque na contagem deles ela não estava pronta ainda para ter um parto.
E aí ele nasceu arrochadinho, apesar de grande, bem formado, mas estava roxo, ele tirou o bebê do vaso, o bebê não chorou nem nada. Aí ele pegou uma sacolinha que estava ali do lado do lixinho do banheiro e colocou o bebê em cima. E foi ajudar a Luana, acudia a Luana, ligou para o Samu imediatamente.
E aí tem a ligação do Samu, que foi apresentada também no julgamento. O Samu não falou bate no menino? Ele tentou, eu acho que é o menino. Na verdade, Beto, aí é que entra toda essa história, o porquê que eles foram levados à plenária. Bate que eu digo para aquele choro, que você bate na bunda para chorar, acho que é isso, é real.
Eles foram levados a plenário por puro erro do socorrista e por puro erro também da pessoa que acompanhava o motorista do carro do SAMU, o socorrista. Porque eles estavam desprovidos de todos os materiais de primeiros socorros para um bebê.
Eles não tinham cânula para fazer uma aspiração no bebê. Quando eles chegaram, eles simplesmente pegaram um saco do socorrista e colocaram a criança dentro de um saco. Disseram que a criança já estava sem vida.
Mas quando ele liga, o SAMU não fala? Vamos fazendo juntos o primeiro socorro? Não, na ligação ele diz que teve um aborto e a Luana estava passando muito mal. Ela teve uma queda de pressão abrupta, porque perdeu muito sangue. E aí o SAMU demorou mais de 30 minutos para chegar. 30 minutos.
E, nisso, ele ficou do lado do bebê e o bebê imóvel. Então, assim, para ele... Na verdade, a gente não sabe se esse bebê durou um segundo, se ele nasceu com vida. Porque daí a gente vai entrar nessa parte também. Isso. Que aí tudo começa da seguinte forma. Não foi feito o isolamento do local.
Quando o SAMU chega, a socorrista, ela nem tinha visto o bebê, ela vai primeiro atender a Luana, pedir para ela se trocar e tal. Aí ela não conseguia ficar em pé, foram pegar uma cadeira de rodas.
E aí foi um problema... Imagina essa escada. Exatamente. Teve esse problema para que ela conseguisse descer da escada. Estava sangrando muito, manchou a escada toda, porque isso é uma questão que também foi levada, foi tida como importante para a acusação.
E aí o outro socorrista, porque teve fraude processual. Não teve, né? Ele foi denunciado por fraude. Foi denunciado por fraude porque ele lavou a escada. Mas aí o outro socorrista, ele chega e o Wellington chega para ele com o bebê. Não estava numa sacola. Chega para ele e entrega o bebê. Ele fala assim, o bebê, eu acho que está morto.
E aí tem toda essa questão da reprodução que deveria ter sido feita lá atrás, porque tem muito desencontro. O socorrista diz que o Wellington chegou com uma sacola amarrada e o bebê dentro. E a manchete que a mídia trouxe, que foi extremamente sensacionalista e causa uma comoção social...
Que os pais mataram o bebê recém-nascido porque eles não queriam o bebê. E o pai colocou o bebê dentro de uma sacola plástica. E o bebê teria morrido asfixiado dentro da sacola plástica. É, porque o que sai muito é que a sensação que se pode ter é que tudo foi organizado para aparecer um aborto. Isso. E, na verdade, foi um homicídio. Isso. Não, um infanticídio. Não, não foi nem infanticídio. Não é o que que é. Não foi.
Porque quando a gente teve acesso aos autos... Não, estou dizendo que tem aceito. Então, eu falei, mas homicídio, porque se fosse para acusar de alguma coisa, seria pelo menos infanticídio, estado porperal e tal. Que é até mais fácil. Mas foi homicídio qualificado.
E aí colocaram na qualificadora, na primeira denúncia, a asfixia, porque teria sido asfixiado dentro de uma sacola plástica. Mas depois, quando a perícia foi completa, o exame necroscópico, ele não morreu de asfixia. Tanto que o promotor teve que fazer o aditamento da denúncia, porque a causa da morte não foi asfixia. Foi qual? Foi insuficiência respiratória aguda.
E por ordem biodinâmica, só que o agente causador dessa insuficiência expiratória, que pode ser várias, não tem. Estava indeterminado.
Mas poderia ser o que? O próprio cordão umbilical? Poderia ser sofrimento fetal. O bebê poderia estar em sofrimento por conta da queda que ela teve dias antes. Poderia ser algum problema genético, alguma causa que aconteceu durante a gestação, já que ela não fez pré-natal.
Poderia, no hospital, ter tido o mesmo fim. Aí teve a questão da aspiração de mecônio, porque aí a gente contratou um perito para fazer no segundo plenário, porque nós tivemos um tempo maior para trabalhar melhor com as provas. E aí nós contratamos um perito para que ele fizesse as perguntas.
porque foi encontrado no exame necroscópico um líquido escuro na traqueia, nas vias respiratórias superiores. E poderia ser mecônio, porque ele aspirou mecônio. E aí o que deu, na verdade, a narrativa que começou pela delegada.
Foi porque ela ficou... Na verdade, ela teve uma hipótese ali na hora de suspeita, quando o Ellington chegou, por livre e espontânea vontade. Então, espera aí, só vamos voltar ali. Ela chega, ele liga para o SAMU. Ele liga para o SAMU. 30 minutos, o SAMU chega. A Luana está no chuveiro. Ninguém subiu, ninguém chegou, ele não chamou a ajuda de ninguém ali dentro dos vizinhos. Acho que o tio dele estava lá, não é?
Não. Chamou alguém de uma mãe e falou, mãe, pelo amor de Deus, meu filho morreu. Isso eu não me recordo quem que estava lá. Não, quando... Porque foi tudo muito rápido, né? Mais 30 minutos, precisamos chegar. Ele ficou 30 minutos com a mulher lá dentro do chuveiro. Não, porque assim, como a Luana mora na parte de cima, daí tem as casas da parte de baixo e não tinha ninguém ali naquele momento.
Ninguém. E era muito cedo. A hora que ele chegou, era por volta de 5, 5 e meia da manhã, 6 horas. Não, eu vou contar que horas que isso tudo aconteceu. Foi tudo muito cedo. E as pessoas que são da periferia também, elas saem muito cedo das suas casas para trabalhar. Então, não tinha ninguém ali ao ponto de ajudá-lo a prestar esse socorro.
que ela liga para ele, pedindo para ele? Cinco horas da manhã. E ele estava xerocando coisa? Não, não estava xerocando, ele estava se arrumando para sair também para arrumar o currículo. Não, posso fazer uma correção? Foi às nove da manhã. Não foi às cinco e meia, foi às nove. Ela ligou para ele. Ela ligou para ele. Ele estava indo para entregar o currículo, mas tudo bem. É com a gente, vocês decidem. Eu era muito cedo.
Por que eu digo o seguinte, ele ficou meia hora com ela dentro do chuveiro? Ele ligou para alguém? Ficou só falando... Nesse tempo ele ficou falando com o SAMU. Com o SAMU direto. Com o SAMU. E aguardando lá e tentando acudir. Aí pegou uma cadeira, colocou dentro do chuveiro, colocou ela em cima da cadeira. Porque ela estava toda hora desfalecendo e tal. E deixou o bebezinho ali que estava imóvel. Ele não teve...
O bebê tinha nome? Não chorou, Gabriel. Eles chegaram a falar de nome de Gabriel. Ele chorou pelo Gabriel? O Wellington, até hoje, ele tem uma coisa assim, ele ficou porque eles ficaram presos três anos preventivamente. Então, quando a gente teve o primeiro contato com ele, foi um dia antes do primeiro julgamento. Aí ele aparentava um menino duro, seco, sem sentimento. O interrogatório dele, do primeiro plenário, não foi bom.
Porque ele era muito assim, sabe? Ele criou uma coraça, na verdade, porque ele sempre foi um menino doce. Isso a família inteira, os amigos, sempre trouxeram para a gente. Aí já nesse período que volta, que o primeiro julgamento é anulado e volta para o segundo, aí nós tivemos um ano para trabalhar. E aí ele passou, ele fez terapia. E quando fala do bebê, ele desmonta.
Mas lá no dia ninguém diz que ele estava... Porque você ter um bebê morto, se eu não tenho nada com o bebê, já ficaria emocionado. Ele estava chocado. Ele ficou em estado de choque. E a forma como as coisas foram conduzidas, porque daí chega a polícia militar, aí pede para ele aguardar, pega ele às duas horas da tarde, leva ele para a polícia civil. Na polícia civil ele é coagido... Você falou que ele foi à delegacia por livre e espontânea vontade.
Ah, sim, ele não ofereceu resistência, porque ele ficou umas duas horas aguardando a polícia buscá-lo. E aí ele chegou como testemunha. Na verdade, não é a polícia buscá-lo, né? Porque você fala, você me perguntou, por que ele não chamou ninguém ali para socorrer? Primeiro, porque era cedo.
E segundo, porque quando você chama um socorro pelo SAMU, você pressupõe o quê? Que seja rápido, tendo em vista a sua emergência. Tanto é que a gente vê pelas ruas os carros do SAMU atropelando o trânsito, pedindo passagem.
Por essa questão, ele ficou ali também prestando o socorro na maneira que ele podia, de acordo com o que ele tinha em mente. Mas, depois disso que o Samu fez, a retirada da Luana do local, o Samu também errou. Porque se o bebê estava sem vida ali, aparentemente sem vida, o bebê tinha que ter permanecido no local. Exatamente.
A socorrista do SAMU simplesmente pegou a criança, enfiou numa sacola e deu para a acompanhante dele, uma enfermeira que estava ali, a técnica de enfermagem que estava ali acompanhando, ela simplesmente colocou o bebê no vão das pernas da Luana e fizeram a retirada do bebê e da mãe da criança.
É porque aí é um cadáver, tem que ficar, um cadáver fica no local dos fatos. Feito isso, com a saída da mãe e da criança do local, o Eliton foi orientado pelo SAMU que a PM já estava se deslocando, porque o socorrista chamou a PM juntamente com a perícia. Então, ele ficou ali aguardando a perícia.
E como a escada é muito íngreme e a Luana perdeu muito sangue, estava caindo sangue na casa de baixo. E na casa de baixo quem mora é o tio do Hélito. Aí já vendo a comunidade toda, vendo a Luana saindo, daí começaram a aparecer as pessoas. E o tio do Hélito apareceu ali na casa.
Ele viu, ó, o Elton, tá caindo muito sangue aqui. Olha só o jeito que tá. Eles começaram a limpar, não pra ocultar vestígios do local, mas sim por uma limpeza mesmo. Por não saber. Por não saber. Fato é que ele ficou ali aguardando a polícia técnica chegar no local. Só que a polícia, como a Nayara tava...
falando, demorou muito tempo para chegar. Ele ficou em torno de duas horas, mais ou menos, ali, Ele ficou aguardando o cutil dele, sentado ali. Depois que foi feita... Não tinha nem foto do local, para você ter noção do processo. Por isso que... A perícia chegou aí, o local? Chegou, a PM foi no local. Mas não preservou o local. Bom, se tivesse preservado, não teria tido.
Só foi ali para ver, nossa, aqui foi um local de crime. E falou, olha, o senhor pode nos acompanhar até a delegacia para prestar declarações a respeito de tudo o que aconteceu aqui. O Wellington. O Wellington. Então, o Wellington, ele entrou na delegacia de livre e espontânea vontade para colaborar com a elucidação dos fatos. Ele foi uma testemunha apenas.
E ali chegou... Aí ele não saiu mais. Na delegacia... Ele já foi preso naquele momento? Ficou um tempo. Primeiro teve a questão da coação. Um investigador de polícia levou ele até o pátio ali, o estacionamento da delegacia, e falou para ele, ele falou assim, olha, confessa logo que você matou seu filho.
Porque daí você vai tomar 20 anos, você vai conseguir a confissão, a menoridade relativa e tal. É que ele tinha 18 anos. E ele falou, não, mas eu não matei meu filho. Para ele tinha acontecido um aborto ainda. Ele falou, não, não vou confessar nada, não fiz nada. Daí esse investigador conduziu ele até a sala da delegada.
E aí lá eles redigiram um interrogatório, que na época foi como declarações, mas totalmente falso, tanto que não tem nem assinatura do Wellington. E, da mesma forma, eles se dirigiram ao hospital, porque a Luana estava lá internada, falando que o Wellington tinha confessado que eles tinham matado o bebê.
E também esse depoimento não era verídico. E aí, depois disso, ele ficou lá um tempão, não teve acesso ao celular, tomaram o celular dele. Que isso já começa daí uma questão de quebra da cadeia de custódia. Ele estava sem advogado. Ele conseguiu só falar com os pais dele.
E descobriram tudo junto. Isso. E aí a delegada já criou essa narrativa, chamou a imprensa.
E aí a imprensa já divulgou que teria sido dessa forma, que ele teria colocado o bebê e tal. E aí ela ficou aguardando até de madrugada para ver se o perito conseguia constatar se o bebê tinha nascido ou não com vida.
E aí tem um teste que chama docimásia hidrostática de galeno, que pega um fragmento do pulmão, coloca em meio líquido, e se ele boia é porque o bebê respirou, porque tem oxigênio. E sim, ele nasceu com vida, ele respirou. Só que isso não significa que ele... A gente não sabe se ele respirou por um segundo, por um minuto, por, sei lá, dez minutos.
E depois que saiu essa parcial de que ele teria respirado depois do teste, ela já pediu a prisão dele. E aí que tudo começou.
E a Luana no hospital? A Luana no hospital, só que com... Entre a vida e a morte, de fato. Só que com os policiais lá, fazendo escolta. E, na verdade, Beto, tudo isso foi ganhando essa proporção pela falta de cuidado, de cautela na...
Na investigação ali, ainda que prematura do caso, né? Porque quando o SAMU chegou, não tinha os aparatos de primeiros socorros, retiraram o bebê do local, não preservaram o local. E, acima de tudo, a placenta, que era a prova principal disso tudo, ela simplesmente sumiu. E a sacola? Sumiu.
Foi dada para o SAMU? Nunca ninguém viu, não tem nos autos, não tem em lugar nenhum, a tal da sacola, mas onde ele teria amarrado, não existe essa sacola. Ou seja, é uma coisa que a doutora Solange Beretta me ensinou aqui, é que para ser pronunciado por homicídio e tal, tem que ter um arcabouço muito forte de provas técnicas, porque só confissão não é prova, porque o cara pode mudar...
o depoimento dele a hora que ele quiser, só no Brasil, que eu entendo isso muito bem. Testemunha também tem uma prova um pouco complexa. Agora, provas técnicas é que fazem um bom embasamento para um crime de homicídio. Você vai ser pronunciado porque tecnicamente está aqui.
Perícia diz isso, o laudo cadaverco diz, o laudo necroscópico diz isso. Então, toda a parte pericial, não são pareceres, são laudos, eles te dão a munição para botar uma pessoa em plenário de júri por homicídio.
Beto, aqui são suposições. Não, são suposições. Teve uma hipótese da delegada e que foi seguido de vieses confirmatórios. Sai do inquérito.
Isso, aí a mídia acaba endossando isso, e aí gera uma comoção, porque é aquela coisa emocional. O pai que mata o bebê recém-nascido de uma forma cruel, a mãe também de uma forma cruel, asfixiado dentro da sacola. Daí as pessoas já pensam o quê? Imaginam um bebê agonizando dentro de uma sacola, querendo viver.
Se eu tivesse pegado desde o início, eu sempre acho que o crime, as pessoas... Porque esse seria um crime premeditado. Vamos matar o bebê, porque tentamos abortar. Sim, então, teve essa questão da premeditação também. Mas aí eu acho que uma premeditação, pelo menos eu, não teria ela feito tudo isso no banheiro da casa dela, no meio da comunidade, onde todo mundo contiu dele embaixo.
Eu não sei, acho que eles poderiam ter feito tanta coisa. E, assim, a delegada ainda levantou a hipótese de que ele, em plenário, nós fazendo a inquirição da delegada, ela levantou a hipótese de que ele...
Na verdade, como a mãe não morreu, só morreu o bebê, por isso ele teria ligado para o SAMU e esperado a polícia. Porque a ideia era matar também a Luana. Na cabeça da delegada, sim. Seria um homicida, então, não dois. Isso.
Ela, então, na verdade, seria uma tentativa de feminicídio. É, na cabeça... Sim, sim, sim. A delegada trouxe questões muito fantasiosas ali para se eximir da responsabilidade da placenta ter sido extraviada. A placenta seria importante para quê? Só para entender, porque eu realmente não entendo... Nós fizemos um estudo com profissionais mesmo, ginecologistas.
A placenta, ela diz muito sobre a causa da morte do bebê. Então, ela poderia ter elucidado, porque até hoje a gente não sabe qual foi o fator determinante. Qual foi o fator determinante da insuficiência expiratória? Se foi a aspiração de líquido, se foi a aspiração de mecônio. Já poderia ter sido a própria queda que você falou. Aliás, me corrijo, não foi a aspiração de líquido que causou a morte, porque isso configuraria uma forma de asfixia e meio líquido. Então, não teve asfixia.
Isso foi comprovado. Ele não morre de asfixia. Ele morre de insuficiência respiratória. Sim, que poderia... Que pode ter sido já naquela queda. Isso, e de energia de ordem biodinâmica. Biodinâmica pode ser um pontapé, pode ser... Qualquer fator externo. Qualquer fator... Ela caiu da escada. Ou um complexo de fatores.
Do bebê mesmo, uma causa genética, um sofrimento fetal, alguma coisa relacionada à placenta. A insuficiência respiratória poderia ser dentro da barriga da mãe? Dentro da barriga. Só que a gente não tem, isso não está no laudo. O perito oficial, o médico legista, ele não conseguiu concluir qual era a causa efetiva da morte. O agente, na verdade. A causa é a insuficiência respiratória aguda. Agora, o agente vulnerante, o agente que causou isso, não tem.
E aí, quando a gente viu esse laudo, falou que está tudo errado isso daqui. Então, como a Bruna falou, a delegada, a autoridade policial, criou uma história muito fantasiosa, só que aí o Ministério Público formalizou isso em forma de denúncia e prosseguiu até chegar no plenário.
E aí, a delegada é um caso à parte, porque teve muita coisa que beira uma história de novela mexicana. Porque, primeiro, a Bruna que fez a inquirição delas duas vezes, e ela ficou tão desestabilizada com as perguntas...
que ela levantou da cadeira, a juíza teve que pedir para ela sentar, porque ela levava para o pessoal, porque realmente a investigação foi horrível. E ela muda, porque é o seguinte, só para entender, eles foram os dois denunciados por homicídio. Sim, sim, qualificado. Quando a delegada chega, ela quer dizer na verdade que o Wellington aqui queria matar.
Também. E a mãe não. Ela tem hipóteses. Ela tem hipóteses. Ela é muito divergente. Se tem ET ou se não tem ET no mundo. E aí a pergunta, eu não me lembro se... Num crime você não pode ter hipóteses. O crime tem que ter clareza mediante as provas. Você não pode condenar alguém baseado em incertezas, suposições, meras conjecturas. Você não pode condenar alguém.
Falta de laudos periciais, de provas técnicas que comprovassem toda essa possibilidade de... Eu acredito que não deveria... Nem ter sido pronunciado. Nem denunciado. A gente em plenário... Se fosse promotor, eu já me metei numa coisa que eu nem posso falar. Mas é porque eu acho que... Mas para aí o motor, o que pesou, na verdade, foi a questão dos prints. Não houve a quebra do celular.
Ah, então, isso não está sabendo. Que foi apreendido, mas, na verdade, foi arrancado dele. Ele estava sem advogado, enfim. Que descobrem que eles estavam querendo abortar lá atrás. E aí tem essas conversas, de fato. E aí, só que também tem um erro nisso.
Porque o fato de, no início da descoberta da gravidez, eles não terem querido essa gestação, desejado essa gestação, e de fato, pensado e até procurado formas de aborto, mas não veio a cabo.
Tanto que aconteceu... Eles foram mudando de ideia. Eles foram mudando de ideia. A conversa até inteira. Só que aí, isso está muito errado, porque, gente, isso foge do que a gente estudou a vida inteira. O dolo, ele teria que ser ali de matar o bebê, certo? Já que eles foram acusados de homicídio qualificado. Não dá para você jogar esse dolo ali no começo, quando eles descobriram, e lá eles não queriam e não conseguiram abortar.
E aí criaram uma história para fazer sentido, para dar um nexo causal, de que ela foi premeditada, então que eles combinaram, isso não tem em WhatsApp nada. Uma perversidade horrorosa. Que eles combinaram, mas Beto, pelo amor de Deus. Uma perversidade horrorosa. Mas você vai gestar uma criança, você vai parir uma criança.
E olha como que você vai ter a lógica, vai ter sã consciência de uma... A menina nunca engravidou, nunca passou por um parto, normal ainda. Aí como que ela vai ter a frieza de aguardar, exatamente, de aguardar o bebê na sua hora. Porque pode ser que ela morresse, dependendo de um parto não feito. E aí ela iria ligar para ele e falar, chegou a hora. E aí eles iam afogar o bebê, sei lá o que passou na cabeça dessa delegada. E...
É absurdo falar em premeditação no caso desse, porque foi um... Tanto que depois o investigador no plenário falava assim, porque eles abortaram, ele nem sabia o que estava fazendo lá. Vamos combinar uma coisa, se você abrisse o celular de todo casal, que acaba de descobrir que vai ter filho, inclusive casais, casados... Sim! Muitos deles, eu não vou botar porcentagem aqui para não ser... Mas, boa parte, começaria conversando. Meu Deus, será que é a hora?
E agora? E agora? Será que a gente tem que chegar até o final? Será que dá um jeito? Tem certeza? Sim, sim. Isso daí é uma questão humana. Sim, e nós falamos no plenário. E o Gilberto... Coloquem-se... Hoje, eu lembro que eram jurados mais velhos. Não pensem nessa situação com a idade que os senhores têm hoje. Não, você coloca com 18 anos.
Pense lá com 18 anos e ainda numa outra realidade, não é? Eles não são garotos privilegiados. Por que você foi ter filho com 18 anos? A gente fala isso. Beto, na verdade, o que o Hélio Tontim mente? Nossa, eu vou fazer 18 anos, eu vou integrar o mercado de trabalho, eu vou juntar o meu dinheiro e eu quero ir embora para os Estados Unidos. Esse era o sonho da vida dele.
O sonho da vida dele era trabalhar, estudar fora do país. Diferente do da Luana. Tipo, olha, ela era uma operadora de caixa, a família dela não era estruturada, mas eles tiveram um lance ali num dia, numa festa, sei lá o que aconteceu. Por isso que se ele tem tantos planos, usa camisinha, né, gente? Exatamente. E ela... Não se cuidaram. Não se cuidaram. Todo mundo, não tenha filhos, você não quer.
Exatamente, não se cuidaram. E como que ele se viu? Ele se deparou com uma situação, puxa, estou com uma menina que está falando que está grávida, tem uma menina que está falando que está grávida, que eu só fiquei com ela uma vez só. Você questionou se ele era o pai?
Que é natural e... Não entendi. Ele nunca se questionou se ele era o pai? Claro, várias vezes. Porque é lícito ele perguntar se eu sou o pai mesmo. Eles não tinham uma relação? Ele ainda falava, tem áudios dele falando, olha, mas a gente só ficou uma vez. Olha, mas eu já vim direto para cá. Você não ficou com mais ninguém? Questionando a Luana acerca disso.
E ainda daí tem um áudio dele que eu admiro muito para um menino de 18 anos até, embora tenha tido essas mensagens, tipo, vamos fazer isso, fazer aquilo, e não acabaram não fazendo. Mas assim, tipo, tá, mas eu vou acompanhar essa gravidez com você.
Ele poderia muito bem falar, não, nem sei se esse filho é meu, se vira você. Entendeu? Tipo, está com dor, chama você, o Samu, não tem nada a ver com isso. Ele poderia muito bem ter feito isso. Mas ele ainda teve uma hombridade até mesmo pela idade dele. E uma humanidade mesmo. Uma humanidade. E essa questão toda, aí entra, tipo, olha...
Tem uma menina que está grávida, que não quer saber de crescer na vida, e eu quero, então, assim, os propósitos não são os mesmos. Não é não se casar, mesmo se tivesse o mesmo propósito. Exatamente. Não era a relação com isso. Então, essa é uma das questões que a gente vê aí, até por ele ter acompanhado essa gravidez, mesmo diante de tantos propósitos divergentes, dos propósitos deles. Interessante.
E aí, então, ele pega, vai, tem essa coação que você está trazendo ao investigador, tem esses prints do celular, que só mostram um casal, para mim, um casal normal, descobrindo, um casal não, duas pessoas que não são um casal, descobrindo que tem um filho em comum e se é uma idade que você pare para pensar. Essas conversas, eu acho que são até naturais.
Ele vai preso e ela também. Vai preso e ela também. Os dois foram presos em flagrante, converteu para preventiva e ficaram presos três anos até o primeiro plenário.
Ela também sem nenhuma passagem de polícia? Nada. E ela ficou... Não tiveram nenhum direito de velar o próprio filho e enterrar. Eles não tiveram. Eles saíram dos ambientes que eles se encontravam, hospital e delegacia, direto para uma penitenciária. E quem enterrou o bebê? A família. A família. Dele? Dele e a dela. Dos dois. E aí eles ficaram presos. Nós tivemos contato com ele um dia antes do plenário. Como vocês entram no caso?
Foi através de dois amigos criminalistas também. Aliás, um beijo para o Daniel e para o Matheus. Eles não fazem plenário.
E aí eles comentaram conosco sobre esse caso. Eles que estavam à frente. Eles estavam, desde o princípio, isso. E aí falaram, vocês não querem fazer o julgamento? A gente, lógico. E era um processo extenso até, de não sei quantas mil laudas. Por que dois advogados separados? Por que advogados separados? Porque não a mesma defesa.
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Porque eles não tinham nenhum tipo de vínculo. Então, a Luana foi atrás do advogado dela. Não, porque às vezes, para você ter uma única conversa, você ter um único interlocutor. Mas não teve nenhuma colisão. E ali não teve nenhum problema de querer jogar a culpa do... Não, porque era uma verdade tão simples, Beto. Só que o que... Julgados no mesmo dia? Desculpa interromper. Sim, no mesmo dia. Não era aquela coisa de explitar. Não, não.
Só que o que tornou isso grave e teve esse aspecto maior foi a questão da mídia, de ter dado essa pitada sensacionalista, porque, na verdade, quem acionou a mídia foi a Polícia Civil.
para trazer aquilo também, olha, nós estamos trabalhando, e olha que caso grotesco, e a resposta foi muito rápida para a sociedade, mas foi uma resposta não verdadeira. E como um sistema de justiça inteiro vai validando uma história fantasiosa? Porque, na verdade, o que aconteceu foi muito simples.
E aí a gente começou, no primeiro julgamento, não teve tempo de trazer nenhuma contraprova. Então, a gente trabalhou ali na RAS. Eu lembro que no primeiro julgamento nós levamos um balde para fingir que era um vaso sanitário, porque não tinha nem tempo de arrumar um vaso sanitário. Compramos uma bonequinha lá para simular o bebê.
E foi na base de... Aí deu tempo de... Porque tem um prazo que chama 479, que é para constar os documentos que vai apresentar para os jurados. E aí nós colocamos, por exemplo, que também poderia ser uma causa da morte do bebê, a taxa de mortalidade dos bebês que nascem em domicílio.
E sem nenhuma assistência médica. Qual que é? Curiosidade. Eu não lembro agora, mas é muito grande. É curioso. É muito grande. Até por risco de contaminação, por não ter a questão de aspiração. Só imaginar de cair nessa privada já foi uma vez. Tanto que, a princípio, uma das reportagens aventou que a morte teria sido porque o Wellington teria batido a cabeça do bebê.
E não teve nada relacionado a isso, porque no exame microscópico não teve lesão interna. Ele só bateu a cabecinha na hora mesmo da queda.
E aí, no interrogatório da delegada, foi um show de horror. Porque, primeiro, ela se contradisse muito, muitas vezes. E aí ela fala o seguinte, a gente pergunta da questão da placenta, por que ela não preservou a placenta para que fosse periciada junto com o bebê? Aí ela começa a ficar nervosa. Aí a Bruna pergunta, você viu o bebê? Ela não viu o bebê. Ela não viu o bebê, ela não viu o sacola, porque sacola não existe.
Não tem. E ela não foi nem no local. Ela não foi nem no local. Aí a Bruna pergunta, mas por quê? A senhora tem quantos anos de polícia? 27 anos na época. Por que a senhora não foi ver o bebê? Porque eu sou mãe. E eu não aguento um negócio desse. Mas, escuta, a senhora é delegada de polícia.
Ela é mãe também, eu não posso ver animal sofrendo, mas se fosse do meu trabalho, se eu fosse veterinária, ou ela vê, ela viu o bebê lá, é uma coisa que... Mas é seu trabalho, você tem que se despirar da sua pele de mãe nesse momento, porque você tem que fazer seu trabalho bem feito.
E aí ela ficava nervosa, assim, e você está duvidando do meu trabalho e da minha equipe, que meu trabalho foi mal feito? Enfim, disse que foi no local dos fatos, na verdade não foi, se a gente conseguiu desmantelar na cara dela.
Porque, Beto, como ela não foi... Como que a gente conseguiu esse desmantelamento da delegada? Porque comecei a perguntar para ela as descrições do local dos fatos.
Ela falou que lá é cheio de casa. Lá é cheio de casa. Eu falei que é lógico que é cheio de casa. É uma periferia. É uma casa em cima da outra. Tinha uma portinha.
Falei, a senhora, sim, minha senhora, a senhora estava numa periferia, não estava num condomínio de alto padrão, onde as portas, a maioria são largas, são altas. Então, por favor, me descreva com detalhes o local dos fatos.
Mas ela não foi, ela começava a cair em contradição. Nós temos, que nem você levantou aí no início, que as provas são muito importantes para levar uma pessoa a um plenário, para a pessoa ser pronunciada. Da mesma forma que a gente tem o artigo 121, que rege matar alguém, a quantidade de pena...
que você vai ser responsabilizado a cumprir, nós temos também os artigos que prescrevem, que preservam e que zelam pelas provas. E uma delas é a delegada, a autoridade policial, tendo notícia de crime, ela tem que se deslocar imediatamente para o local dos fatos.
E ela assim não fez. Então, se tem uma pena para um artigo que fala matar alguém e que a pessoa vai cumprir tantos anos, por que não cumprir esse artigo também? Que se trata das provas. Até porque é uma prova importante. A placenta que vocês estão apontando, essa placenta foi entregue para quem?
Para o socorrista. E as pessoas viram? Tem testemunhas? Não, porque eles podem dizer que ele jogou na privada. Não, a placenta foi colocada junto, e isso ambos, socorrista e enfermeira confirmam. Que estava junto com o bebê. Estava junto com o bebê. Só que eu acredito, porque isso ninguém soube dizer, que ela foi descartada no hospital.
Ao invés de ter sido levada junto com o bebê para ser... Mas na ausência de provas que confirmem, dúbia pró-reo. Dúbia pró-reo. Dúbia, dúbia. Absolve-se o réu. Na dúvida, absorve-se o réu. Não é isso? Se eu não tenho provas que confirmem nada, eu tenho que partir do princípio que eu não tenho. Mas aqui no Brasil a gente tem visto que tem um... Antigamente... Um autor que chama... O Alexandre Moraes da Rosa, ele tem uma coleção de livros...
Ele tem uma coleção de livros que chama Indúbio Pro-Hel. Não é o ministro do STF. É um desembargador de Santa Catarina. Ele tem o mesmo nome. Ele tem uma coleção de livros que chama Indúbio Pro-Hel de Inferno, em inglês. Ah, de real-real. Porque, na verdade, aqui é Indúbio, vá para o inferno. O mundo mudou muito. Antigamente...
Eu que te acuso que tenho que provar que você... O ônus da prova é para a acusação, mas também é... Hoje o meu ônus é mostrar que sou honesto. Isso, bem isso. Exatamente. A gente já partiu do princípio que não é... E aí cabe a defesa ser diligente e produzir essas provas, porque, na verdade, o que acontece é assim, a acusação vai lá meia boca, mostra alguma coisa, e aí você tem que batalhar para provar o contrário.
É isso, eu tenho visto muito advogados criminalistas que estão com uma equipe muito forte de investigação. Sim, sim. Me lembra muito dos seriados americanos. E foi bem interessante que no primeiro plenário, quando ele foi absolvido, no corpo de jurados, na hora da escolha dos jurados, uma pessoa levantou e a gente perguntou, qual a sua profissão?
porque na relação dos jurados estava como estudante. Falei, qual é o seu nível de escolaridade? O que você estuda? Ela falou assim, eu sou médica.
Aí a gente escolheu essa jurada e ela integrou a banca dos jurados. E foi tão legal que depois da absolvição, que a gente pode ter um contato com os jurados, ela veio até nós e ela falou, vocês foram totalmente congruentes com o que vocês explanaram aqui. Realmente não tinha como ter sido asfixia ali.
Ele respondeu a todas as perguntas, o Wellington, tanto da promotoria como do juiz, ou ficou só para defesa? Eu não lembro no primeiro. Ele respondeu sim. Ele respondeu no da Luana também. Como ele está? Como foi o encontro dos dois?
Assim, como eles não tinham nenhum vínculo, nenhum namoro, nenhum nada, foi só uma... Mas eles estavam vinculados... Transas, processualmente. Mas é um vínculo de... Gente, eles poderiam ter pegado, já fazendo spoiler, eles foram inocentados, mas eles poderiam estar na cadeia há anos. Sim, sim, poderiam.
Aí é um vínculo eterno. O primeiro, como eles estavam presos ainda, aí ficam algemados, um do lado do outro, mas sem contato nenhum. Não pode conversar. E no segundo, eles já estavam soltos. No primeiro, eles são inocentados.
Foram absolvidos. Tem aqueles placar? Tem, né? Eu não lembro, acho que foi 4 a 3. Não lembro. Não, foi 5 a 2. 5 a 2? 5 a 2, bastante. É. E aí... Aí o MP recorre, não se conforma. Foi. Ele recorreu, mas daí eles já foram soltos. Daí não volta para a cadeia. Foram soltos imediatamente.
Aí não voltam para a cadeia. Como foi para ele? Nossa, ele, tanto que hoje, ele faz engenharia de segurança. Você vai me contar o futuro dele daqui a pouco. Mas eu digo, naquele momento que ele é inocentado, e ela também, os dois se conversam? Não, cada um para a sua vida. Porque é uma comemoração, né, gente? Pelo amor de Deus.
E aí ele sai, fica um ano, ainda sem saber direito o que vai acontecer com a vida dele. Não, ele já estava super tranquilo. Quando houve apelação, a gente conversa muito com a mãe dele. 24 tem o primeiro julgamento e a primeira absolução. O segundo foi 25.
Um ano depois, um ano. Um ano praticamente, um ano. Foi rápido. Foi. E aí a gente conversa muito com a mãe dele, porque apesar dele ser já um jovem adulto, ela trata ele como um bebê. Então imagina para ele três anos na prisão. Foi uma coisa de louco. E ela sempre acompanhou tudo.
E aí, quando houve apelação, a gente mesmo estava super convicta que não haveria a anulação do julgamento. Aí, quando saiu o acordo, nossa, a gente ficou assim, perplexa. Foi um balde de ano frio. E aí, para contar para essa mãe, o nosso maior medo era para ela, o Wellington ficou bem mal também, óbvio, porque a vida dele estava seguindo.
Super bem. Logo que ele saiu, ele já entrou numa faculdade. Ele já começou a trabalhar. Ele trabalha na linha férrea do metrô. Não sei a cor da linha, mas ele trabalha na linha férrea do metrô. Então, assim, foi um balde de água fria. Tipo, minha vida acabou tudo de novo. Eu vou ter que voltar para aquele lugar. Serei vítima do sistema novamente. Ele estava tremendo?
Não, é CDP de Guarulhos. Ela passou por Tremembé? Ela passou em Tremembé na Penitenciária 1. Ela ficou? Ficou. Será que ela vai entrar na temporada? Nossa! Não, por favor, não. Não, porque é um caso interessante, porque você tem uma pessoa inocente presa.
Ah, sim, sim. Eu, como personagem, vou contar para ele. Inclusive, ela ficou muito com... Não posso falar sequelas. Não, é sequelas emocionais. O Wellington ficou. Se eu ficar um minuto na cadeia, ainda mais sendo inocente, a minha sequela é eterna. Um minuto, imagina três anos.
A Luana, quando a gente conversava com ela no plenário, tipo, que é uma água, que é tal. Ela era uma pessoa, um passarinho. Você deve morrer de medo. Toda encolhida. Ela é muito alta. Ela é alta e ela ficava toda encolhida. E o interrogatório dela, ela mal conseguia falar.
Mal conseguia. Aí vem o segundo, ele já entra na faculdade e tal, e o segundo foi muito rápido, geralmente realçou tudo, demorava mais tempo. Foi, foi rápido mesmo. Mas daí já teve... Só que aí teve esse tempo para a gente construir provas, né? E então teve a questão dos quesitos. Na verdade, quem apresentou primeiro os quesitos foi o CAEX, que é um órgão dentro do Ministério Público.
que faz diligências e tal. E aí requer as diligências para o juiz, e aí pediu para que fosse novamente, fizesse uma perícia complementar. E aí nós contratamos, acho que foi a equipe do doutor Elde, né? Sim. Nós contratamos uma perita ginecologista, doutora Priscila, e aí fez também outras perguntas, perguntas excelentes que ajudaram muito.
E aí a gente foi trabalhando, trabalhando, trabalhando. Só que dá aquele medo, porque são sete pessoas diferentes. Então, aquele conselho de sentença entendeu o que a gente passou e que tudo aquilo foi um...
Sei lá, nem sei te dizer, foi um grande erro de investigação, de acusação. Volta tudo, a delegada volta, todo mundo volta. Volta tudo. E aí dá aquele medo até na gente, porque são sete cabeças diferentes. Mesmo escolhendo jurados que têm mais ou menos um perfil que a gente acha, porque também tem três dispensas só.
Mas eles, graças a Deus, entenderam da mesma forma. Também foi 5 a 2? E o interessante foi... Foi 4 a 0? Eu não lembro. Mas foi muito alto. Foi alto. Mas o interessante, Beto, é que nem no primeiro e nem no segundo plenário o promotor quis ir para a réplica. Não quis ir para a réplica.
E por que ele pediu anulação, gente? O que tinha que fazer? Teve um outro plenário que nós estávamos assistindo, e ele que era o promotor da causa, e assim, no intervalo, a gente acabou conversando com ele, ele falou, nossa, vocês duas são as advogadas do júri, do Elton, da Luana, né? Sim, doutor. Doutor, eu fiz essa pergunta para ele, por que o senhor recorreu, doutor?
O Eliton está com a vida dele todinha estruturada. Voltar para um plenário é uma grande penitência para ele novamente. Ele falou assim, porque acho que tinha que recorrer. Existem certos ritos que são mantidos em ampla. Não apresentou um motivo... É porque está no meu dia a dia. Já está no mal. Eles foram inocentados.
Agora em 2025? Outubro. Outubro há pouquíssimos meses. Isso. Como é que está agora essa história? Acabou.
Não pode recorrer de novo? Não pode ficar recorrente sempre? Não, o promotor na hora mesmo já disse que não recorreria. E aí transitou em julgado e acabou. Graças a Deus. Encerrou três anos. E agora ele faz terapia, lida com todos os traumas da cadeia. Porque, como eu disse, ele era um filhinho de mamãe mesmo. Ela fazia tudo para ele. E, a princípio, quando ele foi preso, ele chorava muito lá.
E aí os parceiros lá de cela começaram a implicar com ele. Então ele ficou enrijecido. E agora ele está voltando. Ele pensa em ser pai? São três anos de... Sim, ele ama criança.
A Luana não vai perguntar, porque vocês não têm contato. Não, a gente não tem contato com ela. Foram três anos de prisão mesmo, reclusão, e mais um ano aguardando esse tribunal do júri, esse novo júri. Então, coloca-se aí quatro anos. Quatro anos de penitença. Ele ainda pegou a Covid, não é? Foi na época da Covid. Foi na época da Covid ainda, não é? Foi na época da Covid. Foi. Uau.
Muito interessante, doutores, a explanação toda aqui foi muito bem contada para vocês. Muito obrigado, gostei muito de conhecer. Vocês têm alguma pergunta que eu não fiz que vocês gostariam de falar desse caso?
Não, eu acho que nós temos outros casos também. Nós estamos convidadíssimos a voltar. Ainda mais que eu soube que você trabalhou em Tremembé, tem a segunda temporada aí chegando. Trabalha por longos anos em Tremembé. Então temos muito assunto para conversar também. E essa questão do erro judiciário é muito grave. Vocês fizeram um caso aqui, que a gente não falou com vocês esse caso, mas que é do Léo Soares.
Léo Vieira. Léo Vieira, desculpa. Léo Vieira, que ele perdeu os três filhos pela mão do ex-companheiro. Foi. E vocês foram assistentes de acusação, foram as advogadas dele. Ele falou muito bem de vocês durante a entrevista também. Foi um dos casos mais impactantes da minha carreira. Tem aqui no canal uma entrevista longuíssima com ela e a segunda entrevista...
Uma primeira entrevista em duas partes e a segunda entrevista pós-julgamento, que foi ali também, vocês participaram também. De todos os meus anos de advocacia, 18 anos de advocacia, mais cinco de experiência de prática, 23 anos, esse foi o caso mais impactante da minha vida. E foi o único caso que atuei em assistência de acusação, foi o do Léo. É muito interessante. Ficou um vídeo para a gente conversar sobre outros casos também. Obrigada. Que vocês já fazem.
Gostei muito de conhecer vocês. Muito obrigado. Eu tenho certeza que as pessoas também. Muito obrigado. E se o Wellington quiser dar uma entrevista, não sei se ele quer entrar nesse universo, porque eu acho que quando você entende a cadeia através do olhar de uma pessoa inocentada, você se coloca no lugar real daquele. Porque uma coisa é você falar, eu entrevistar um assassino, até confesso. Ele tem mais a que está na cadeia. Outra coisa é você entrevistar uma pessoa que passou pelo inferno.
sem ter que ter estado lá. E ele poderia ter se corrompido, sabe? Mas ele voltou à sociedade, assim, e ele está ótimo, está trabalhando. Não sei se interessa para ele. Às vezes também... O convite será dado. Está dado, o canal está aberto aqui para ele também. Muito obrigado, doutoras. Obrigada. Nos vemos em breve com essa frase. Obrigado.
Nestlé Vital
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