RECEPCIONISTA DE HOTEL É ATACADA POR HÓSPEDE Q A QUIS VIOLENTAR E MATÁ-LA - ENTREVISTA C/ VÍTIMA
Um dia antes do dia internacional da mulher, em 7 de março de 2026, Maria Niuzete Batista, uma mulher de 55 anos, trabalhava como recepcionista na madrugada quando Jhonathan Reynaldo dos Santos, de 24 anos, quis violentar e matá-la. Ela sobreviveu a tudo - que foi gravado pelas câmeras de segurança - e consegue contar ela mesma sua história. #crime #mulher #hotel #entrevista #podcast
Beto Ribeiro
Maria Niuzete Batista
- Assédio contra MulheresMaria Niuzete Batista · Jhonathan Reynaldo dos Santos · Hotel em Curitiba
- Impactos Psicológicos e SociaisTrauma pós-violência · Apoio psicológico
- Inadequação da resposta policialAtendimento policial · Depoimento na delegacia
- Dinâmica familiarFilhos e netas
- Mudanças de VidaValorização da vida
Diretamente de um dos endereços mais famosos do Brasil. De um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo. E com as transmissões feitas dos nossos estúdios na Avenida Paulista. Eu sou Beto Ribeiro e eu pergunto, que crime é esse?
Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Por favor, não deixe de se inscrever, curtir, compartilhar, ligar o sininho. Marque nas suas mídias sociais. Marque a todos nas mídias sociais. Se puder, seja membro. Se não puder, está tudo certo. Deixe-se bem comigo até o final do encontro que eu vou ter com a Maria Neuzete, a mulher que teve a sua quase morte gravada, filmada. E essas imagens terríveis, tristíssimas, é que servem, inclusive, como prova de que ela...
ficou ali no limite de perder a vida pelas mãos de um feminicida. Ela trabalhava no hotel, trabalha, trabalhava no hotel ali em Curitiba, e um hóspede dali resolve, em plena madrugada, se serviciar ali daquela mulher que estava apenas trabalhando.
Como eu gosto de lembrar da Gisele Pelicô, a vergonha num caso como esse, que também envolve uma tentativa de estupro, a vergonha não é da vítima, a vergonha é do autor. Maria, muito obrigado pelo seu tempo, muito obrigado pela sua disponibilidade em conversarmos.
Sim, obrigado. Queria, antes de mais nada, saber como você está agora. Eu estou conversando com você 12 dias depois, tudo aconteceu no dia 7 de março de 2026, o dia que antecedia o Dia da Mulher, e eu estou falando com você agora no dia 19 de março de 2026. Como você está agora 12 dias depois? Olha, senhor Beto, eu... Para mim é muito difícil falar de novo, né? E relembrar tudo que eu passei.
Eu estou me recuperando, graças a Deus, só com poucas lesões no olho já, tudo que eu estou seguindo está bem melhor, a mão ainda dói um pouco, mas já está melhorando, só que o psicológico ainda está muito avalado, porque eu fecho os olhos, eu lembro, eu vejo aquela cena, foram os minutos aterrorizantes e que nem as minhas imagens mostram depois, um pouco antes, mais uns cinco minutos que eu fiquei dentro daquele banheiro.
isso está muito forte ainda na minha lembrança, só eu sei o que eu passei lá. Eu lutei muito por não ser estuprada e me ir lutando pela minha própria vida. Então, isso me deixa mal, sabe, lembrar e ter que falar tudo de novo, mas eu sei que foi muito importante para mim, porque...
para o caso ser conhecido, porque senão ele ia ser solto. Eu ainda tenho muito medo, ainda acordo muita noite apavorada, mas nada que um dia após o outro. É uma luta, né? Eu te pedi para você não me chamar de senhor e nem de seu Beto, nós temos quase a mesma idade.
Aqui é uma conversa Não precisamos ter Fica à vontade, mas não precisa Não precisamos dessa cerimônia Eu fico com muito Vou tentar ser o mais delicado possível Aqui na nossa conversa
para não fazer você revisitar um momento de terror e também não fazer você ter que ficar repetindo. Como todo o caso é importante para as pessoas entenderem, eu queria um pouco antes conhecer você. Você saiu, você tem 55 anos, você trabalhava naquele hotel. Quem é você? Quem é a Maria Nuzete? Qual a sua história? Você tem filhos? Não tem? Você é casada? Não é casada? Qual a sua história? Para a gente entender quem é que ele quase matou.
Sou mulher, já fazia quatro anos que sou divorciada. Sou uma mulher sozinha, moro sozinha. Tenho dois filhos, um filho de 23 anos, vai fazer agora 24 anos. E tenho uma filha de 36 anos, tenho três netas. Uma neta de 14 anos, que está bem abalada com tudo. Ela viu isso aí, 14 anos, e tenho mais duas netinhas.
uma de quatro anos e uma de um aninho, que inclusive eu estava me preparando, eu estava contente naquele dia, porque eu ia no domingo, eu ia descansar no sábado, que seria minha falta, e só voltaria a trabalhar no hotel no domingo à noite, eu ia visitá-las, as minhas netas, que moram a 100 km daqui de Curitiba, em Ponta Grossa, eu ia visitá-las, eu estava bem feliz aquele dia.
inclusive até agora eu não fui ver minhas netas, porque eu não posso, porque elas são pequenininhas para ver eu tudo machucada, é complicado para elas verem. E sou mulher muito... trabalho bastante, trabalho bastante, inclusive eu já fazia, além do hotel, fazia 15 dias que eu estava trabalhando em outra empresa, estava limpando os escritórios dessa empresa também, fazia quatro horas por dia nessa outra empresa.
porque no hotel eu trabalhava 12 por 86. E é isso. Sou muito mãezona mesmo, vó, coruja, e... nunca imaginei que poderia acontecer isso comigo. Eu pergunto isso até porque... Pode falar antes?
Antes de eu entrar nesse outro emprego, fazia 15 dias que eu estava já, uns dois meses atrás, eu estava fazendo Uber, era motorista deprecativa. Só que eu já estava meio com receio, eu estava meio com medo, porque eu já estava indo até sete, oito horas da noite, para complementar a renda. Eu decidi ter um pará com Uber, daí peguei esse outro emprego. De medo, porque a gente também entra dentro do carro, a gente não sabe quem que...
a gente estava pegando, né? E aconteceu isso logo no meu local de trabalho, que eu me senti segura. É um bairro novo de Curitiba, nunca aconteceu nada assim, que a gente, né, possa ter visto. Estava me sentindo bem segura lá dentro, porque a gente nunca espera o perigo de dentro, onde está, a gente espera o de fora. Comigo foi ao contrário, foi ali dentro. Então, foi muito...
foi muito cruel, muito rodizante, e para mim, olha, é bem difícil estar relembrando e falando, sabe, mas estou aqui, graças a Deus. Interessante o senhor falou, você parou o Uber com medo de alguém entrar no carro.
Ou de alguém vir no carro. E tudo acontece com você dentro de um outro local. O perigo está realmente em todos os ambientes, em todas as horas que a gente está uma coisa. Eu até perguntei quem era você, perguntei, queria te conhecer mais, porque eu sei que você pede pelos seus filhos e pelos seus netos, não é? Na hora. Você fala para ele, eu tenho filhos e tenho netos. Verdade. Você tentou humanizar o demônio.
Você tem um filho da idade dele. Exatamente.
Meu Deus. Exatamente. Vou pedir para a gente caminhar para o dia 7 de março para a gente entender mais ou menos como foi aquele dia e você entra onde você puder entrar. Eu já entrevistei o seu advogado, inclusive, o doutor Jackson, ele já contou um pouco mais a dinâmica. Se você não se sentir confortável, a gente pula, não tem o menor problema. Mas para a gente entender, até porque, até para você entender o canal...
ele acaba sendo uma forma de outras mulheres se perceberem o risco começando a acontecer. Você estava, quando você entra para o trabalho, você entrou que horas naquele dia? Às 19 horas. Você fez o check-in desse Jonathan, não? Sim, era mais ou menos em torno de umas 21 horas que eles chegaram. Ele chegou acompanhado de mais de 5 pessoas.
Aí eu fiz o check-in de todos eles, um por um, peguei a documentação, como é de plástico, e ele já ficou por último. Ele já ficou por último, fiz o check-in de todos eles, aí quando eu pedi, ele sentou, enquanto eu fazia o cadastro de todo mundo, ele sentou umas poltronas atrás do balcão, atrás da distribuição. Aí ele veio por último, eu pedi o documento dele, ele disse que não tinha de posse, só tinha no celular.
Aí eu falei, o senhor pode me enviar aqui no WhatsApp da empresa. Aí ele enviou ali para mim, eu vi que era um documento de São Paulo, aí eu fiz a ficha, preenchi ali, peguei os dados dele, ele disse que morava em Joinville, passou o telefone e tudo, enfim. Aí eu dei a chave, eles se dividiram, na realidade ele estava com mais, num quarto que ele ia ficar, eram mais duas pessoas, ele era o terceiro, e o outro quarto seriam os outros três.
Aí eles pegaram, eu dei a chave para eles e eles subiram. Aí logo de seguida ele desceu com os outros dois, acho que foram jantar, fazer alguma coisa, já voltaram. Quer dizer, voltaram de torno de meia-noite. Aí eles subiram, ele pegou mais umas cervejas ali e subiu, umas latas de cerveja na recepção, pagaram, subiram. Só que daí ele começou a descer ele sozinho. Pegava uma, duas, subia, dava um tempo e descia, subia.
Aí ficou nesse sobe e desce. Aí ali por umas quatro horas, cinco horas da manhã, que eram umas quatro horas, que eu já achei que ele subiu, pegou uma cerveja e subiu, e disse que ele não ia descer mais. Aí até me recompus ali para me dar uma descansada, que estava frio na madrugada, né? Aí ele desce e pega uma última lata de cerveja. E vem ali, paga, e queria ficar bebendo ali.
Aí eu falei... olha, senhora, aqui... não pode ficar bebendo aqui no hotel... você pode consumir lá no seu quarto... eu falei... não. Aí ele falou assim... e daí ele sentou... e falou... é que eu não estou me sentindo bem... e posso sentar um pouco... eu falei... é... então eu sento aqui... eu tenho a sua melhorar... mas antes disso ele veio... aí ele falou para mim... a senhora não me leva... não me acompanha até o meu quarto... que eu não estou me sentindo bem... eu falei... olha, eu sinto muito... mas eu não posso sair da recepção... deixar ele sozinho... o que eu posso fazer é chamar o elevador para o senhor...
No problema, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
Aí ele falou... ah, então tá... aí eu falei... você pode sentar ali... se eu melhorar... eu chamo o levador de sessão. Aí ele sentou... só que logo em seguida ele levantou... aí nisso eu cobrei dele ali... eu já estou de pé... ele levantou e falou para mim... na realidade eu não estou passando mal... é que eu me interessei muito pela senhora... estou passando um momento muito difícil... e... me separei da minha mulher...
Desculpa o que é. Não precisa pedir desculpa. Até enquanto você se recompõe nesse momento, uma pergunta antes. Quando ele começa a subir e descer, você achou ele estranho? Alguma coisa? Você ficou preocupada? Ou nada? Não, ele estava normal. Às vezes os óbvios chegam lá, descem realmente, pegam uma cerveja e sobem, depois descem. Até então estava normal.
Ele te olhava de jeito estranho? Ou você hoje nem consegue perceber? Na hora nem ligou para ele, nem registrou? Não, eu não lembro. Aí eu sei que quando ele me aborda dizendo que estavam te interessando, eu falei, até eu falei, não. Ele me perguntou se eu sou casada, eu automaticamente falei que não. Aí ele me interessei pela senhora. Aí eu falei, mas eu sou comprometida. E depois eu falei para ele, você serve para ser meu filho.
Aí eu já meio que fiquei meio assim, fui me afastando. Aí ele vai, pega mais uma água, vem ali, eu cobro dele, só que eu me afastei. Daí já fui, fiquei entre a parede, já fiquei meio que desperta. Só que foi tão rápido demais, tão rápido, que daí eu... Lembrei da porta da recepção, que a gente tem ali, é fechada, é trancada. Fui lá verificar se ela estava trancada, ela estava. Aí eu tomei um golo d'água e entrei, já fui no banheiro, entrei, falava, vamos só que fechei a porta.
Quando eu abro, eu já dou de frente com ele. Ali já acontece tudo. O que ele fez? Ele pulou o balcão, é isso? É, enquanto eu entrei, eu virei o espaço que eu entrei no banheiro, ele dá a volta, tem um espaço do balcão que é um pouco menor, onde ficava o monitor das câmeras. Ele pulou por ali e já, quando eu abri a porta do banheiro, eu já dei de cara com ele. Ele veio para me abraçar.
E eu empurrei ele, aí ele já me deu um soco no olho, tentou puxar meu vestido assim para baixo, eu empurrei ele e ele já me derrubou no chão. Oh, meu Deus, você tem mágoa. Dá uma mágoa aí, por favor. O doutor Jackson está aí com você? Pega uma água para... Gente, alguém dá uma água para ela, por favor.
Pode entrar. Fica... Aí aconteceu tudo o que aconteceu. Quando você abre a porta, ele está na sua frente. Você não... Você o reconheceu na hora? Você viu que era ele? Como foi? Como você só foi perceber depois?
Não, na hora eu já vi que era ele, fui levando um susto, falei, ainda perguntei, o que está fazendo aqui? Aí ele já veio para me abraçar e foi muito rápido, daí eu soltei ele, já me deu um soco no olho, e tentou puxar meu vestido, já me derrubou, já começou a me esganar, me esganar, me esganar, e eu gritando, só que daí quase não saía a voz, eu lutei, puxava, empurrava a mão dele, tudo se empurrava, aí ele já tentou a segunda vez, na terceira vez que ele pega e começa.
na segunda vez que ele via que eu não apagava, ele pegou uma saboneteira e começou a tacar na minha cabeça. E daí pegou o caco. Quando eu fiz assim, ele cortou a minha mão com tudo assim. Porque a hora ele voltou a me esganar, que foi a hora que eu meio que perdiu o sentido. Quando eu acordei, ele já acho que não estava em cima de mim. Foi a hora que eu levantei e saí correndo ali, porque ele veio correndo e saí correndo atrás de mim. Foi muito horrível, foi muito.
monstruoso, muito cruel. Ele falava alguma coisa, você lembra? Pelos vídeos não dá pra ver. Ele estava me esganando, ele dizia assim, vou te matar, vou te matar. E eu, quando eu dizia, eu falei, por favor, eu voltava, por favor, não faz isso. Eu não conseguia falar, porque eu estava sendo desdenada. É uma hora que eu não aguentei mais, que foi o momento que eu apaguei. Aí você fez... Eu me meio que apaguei, mas eu já retornei.
O consciente que eu vi, que ele não estava ali, que eu fujo, que eu saio dali. Aí você foge, mas ele vai atrás. Sim, ele vai atrás. Na câmera é angustiante ver aquele momento. Parece um filme de terror, que o Jason está chegando. Ele te pega. Ele me dá um soco nas minhas costas, que eu caio, e ele vai para cima de mim. Aí foi como eu falei, não, por favor, não faça isso. Ele falou, calma, senhora.
Quando ele começou a dizer calma senhora, é porque ele já sentiu que tinha alguém, se assustou com o carro, alguém já passando na rua. Ele começa aquela cena, calma senhora, calma. Aí ele abre a porta, eu saio correndo de volta para a rua e falei socorro, socorro, a senhora está querendo me matar. Ele disse não, eu já encontrei a gracia. Eu falei não, não, gente. Aí começou gente ali, até pessoal do hotel mesmo, escutaram meus gritos a hora ali, na saída ali, porque enquanto estava no banheiro não dava para escutar meus gritos.
Aí ele fala que estava tentando me ajudar, eu falei, não, é mentira, esse homem está tentando me matar, esse homem está tentando me matar, aí eu já fiquei... as pessoas já vieram para o meu lado, ficaram perto ali, foi até um momento em que eu tive que sentar, eu já estava quase desmanhando, eu já estava muito fraca, eu estava perdendo muito sangue, eu estava molhada, que no momento em que eu estava ali no vaso, quebrou o vaso sanitário e veio toda aquela água do vaso para cima de mim, com sangue, tudo. Fiquei muito mal, fiquei. Só sobrevivi porque eu lutei pela minha vida.
Muito. Aí, quem que chama a polícia? Um hóspede hotel que estava lá, que estava no primeiro andar. Quando ele discutiu, ele já desceu. Foi a primeira pessoa que já desceu. Aí ele viu ali, daí ele segurou, fez assim para o rapaz, para esse monstro, não dá para dizer nem de rapaz, para ele não se aproximar, e começou a ligar para a polícia. Aí ele já veio uma pessoa. Ele que impede do demônio sair, é isso? Isso, aham.
Ele dizia assim, para ele não se aproximar, daí já veio mais uma hóspede do hotel, aí veio mais uma advogada, se não me engano o nome dela, André, que morava no prédio ao lado dela, ela veio e me acolheu ali, falou, fica calma, eu estou aqui, não vai se aproximar de você. Aí vai ter a chegada da polícia e ambulância.
Como foi nesse momento de você perceber que você, de alguma... Você ainda ia... Você não sabia ainda que você ia ficar viva, porque você não sabia o que tinha acontecido com você. Mas quando você viu a polícia chegando, isso e aquilo... Que sensação é essa? É uma sensação de reviver? Como que é esse momento de você olhar para ele? Quando a polícia chegou, o SEAT chegou, eu falei, eu vou viver.
Porque no último momento, antes de eu apagar, que eu lembro que eu pedi para Deus, eu falei, eu não quero morrer agora. Porque eu estava muito fraca, eu já não estava aguentando segurar ele assim, sabe? Eu só pedi para Deus, dizendo que eu não queria morrer naquela hora. Aí quando eu leio, eu lembro tudo, quando chegou a polícia, chegou a ambulância, que eles me recolheram, daí eu comecei a pensar mal. Comecei a sentir muito frio, comecei a sentir...
Uma coisa muito estranha, porque daí a ambulância já me colocou... aquela manta, uma coberta... que eu comecei a sentir enjoo... só que eu sabia que daí eu ia sobreviver... eu falei... agora... já me salvaram... agora eu estou na mão de pessoas que vão cuidar de mim agora. Porque quando eu cheguei também no hospital... em fevereiro eles disseram que... era como ficar tranquila que eu estava... que eles iam cuidar de mim agora... de mim ali...
Daí eu fiquei mais tranquila que eu ia viver. Mas, olha, foi muito horrível. Ali no hotel, naquele momento, você estava com a maior da solidão.
Com ele, você estava só você e ele. Daí, no hospital, quando uma outra pessoa fala, nós vamos cuidar de você, você entende a diferença da balança da vida. No hotel era a solidão da morte e no hospital era a junção da vida. Muitas vias em cheneiro, os médicos, muito ansiosos, me acalmando, porque eu estava ali.
Eu fiquei muito tempo até fazer a cirurgia da mão, para ser procedido, muito tempo sentindo o meu cheiro, do meu sangue ali, todo mundo, né, mesmo molhado. Eu não poderia tomar banho ali aquela hora, não podia ter os procedimentos médicos. Mas toda hora vinha alguém que passava a mão na minha mão, me dava um carinho, dizendo para mim ficar mais calmo, já estava sentindo dor, porque eu já estava medicada, que elas iam cuidar de mim. Foi muito bom isso aí.
Eu já senti que eu estava ali colhida, né? Você ficou quantos dias no hospital? Eu entrei no sábado de manhã, saí no domingo em torno de 11 horas da manhã. Ah, então eles já operaram tudo, você já conseguiu ter algo? Eles operaram no sábado mesmo. Como foi contar para os seus filhos o que aconteceu com você? Foi difícil porque assim que eles já souberam, né? Já veio, meu filho mora em Ponta Grossa, ele já veio para cá.
ficou comigo ali, daí minha filha também, já faz todo o trabalho, ficou comigo... em casa, tá comigo, em casa. E elas viram daí tudo, né, e eu comecei a conversar com eles. Aí o meu filho ficou muito barato, sua mãe, né, ele é o caçula, né, o meu filho, homem. E eu sempre eduquei ele, sempre, né, ensinei toda a vida a ele, que ela é casada, falei, filho, um dia, se você começar uma discussão em casa, saia, vai de andar, hein.
não... não... não... entrem... tenta... depois que acalmar você volta... para não chegar a brigar com a esposa... uma situação de agressão... sempre... ensinei ele a isso... e ele ficou muito... revoltado... abalado... mas ficou ali comigo... e ele falou assim... Mãe... eu não... estou acreditando que tudo que eu estou vendo... a minha mãe é assim... eu falei... calma... a mãe é forte... a mãe sobreviveu... e eu vou...
Por isso, eu vou passar por tudo isso, se Deus quiser. Com certeza, já está aqui passando. Já faz 12 dias, daqui a pouco já faz dois meses. O tempo vai te ajudar.
Mas ele não vai pagar tudo. Como foi você chegar em casa? Como é dormir, por exemplo? Como é que você está? Você consegue dormir? Você mesma falou no começo da conversa que você ainda vê muito o rosto dele. Nossa, na semana passada, eu estava muito recente, eu não estava conseguindo dormir nada. E eu não gosto de tomar remédio, não quero tomar remédio.
para dormir, porque eu acho que não adianta, porque eu tenho que viver a realidade, o que está acontecendo, eu tenho que passar por isso. Aí eu... hoje em dia, essa semana eu já estou um pouco melhor, eu durmo, as duas, três horas, acordo, vem aquele lanço, daí eu peço oração, falo, meu Deus, tire as imagens da minha cabeça, eu me voltar dormida, eu volto, eu... essa semana eu já estou me alimentando melhor, porque... eu vivi.
E o que eu mais quero agora é viver, viver. Estou me alimentando melhor. Estou indo, já consegui, estou indo no posto de saúde fazer as minhas... todos os dias eu estou indo lá fazer meus curativos. Estou sendo bem atendida. As meninas do posto são muito prestativas, sabe? Os enfermeiros, os médicos saem, vão ali me ver, ver como é que está, minha mão ali. Estão sendo bem prestativas comigo.
Graças a Deus, estou encontrando muitas pessoas boas que estão me apoiando nesse momento difícil que eu estou passando. Você está fazendo acompanhamento psicológico? Você está tendo essa ajuda de terapia? Como é que está isso? Sim, eu já tive a primeira consulta com a escola. Foi o Ministério Público mesmo que amou para mim. Uma pessoa muito, muito...
Bem mais nova do que eu, mas muito inteligente, muito carinhosa, muito compreensiva. Eu já, eu sei que ali ela vai ajudar bastante, sabe? Está sendo muito bom para mim, eu já passei já a primeira fase com ela. Agora eu vou ter continuidade do acompanhamento dela. Você teve que fazer o exame de fala, desculpa. Aí tem o doutor Jackson também, que está muito prestativo.
O meu advogado. Está sendo muito prestativo, muito humano. Está sendo, olha, uma pessoa incrível. Como foi a polícia? Que entrou na minha vida de uma forma assim.
A gente não esperava. Como foi a polícia no teu caso? Como é que foi a história com você, a polícia? Porque o doutor Jackson me contou que a polícia tinha colocado como tentativa de homicídio, não feminicídio. O Ministério Público arrumou o embrólio da polícia. Mas como você foi tratado? Você fez amicopo de delito? Eles te apoiaram? Como é que a polícia te tratou? A militar...
Os dois soldados que atenderam a ocorrência ficaram horrorizados, né? Horrorizados quando me viram de um jeito lá. Aí depois eu lembro que eu já tô no hospital, a polícia vai até lá, vai pegar meu depoimento. Todos, eles estavam totalmente, né? Eles ficaram muito horrorizados o que aconteceu. Foram até lá, no hospital. Aí depois eu tive que, eu fui até a delegacia, tá o meu depoimento.
depois que eu saí do hospital, acho que foi na segunda-feira, ou na terça, eu não me recordo, porque eu fui até a delegacia, e da delegacia eu fui fazer o corpo de delito. E você fez todos os exames, tiraram as fotos e tudo mais? Fiz, fiz todos os exames.
Como foi para você quando, não sei se você viu, você viu a fala do demônio dizendo que ele só queria bater em você, ele não queria matar. Você viu isso? Eu vi. Ai, me senti insustressada. Eu estava com muito medo, com medo dele sair, dizer para o doutor, não, doutora, ele vai sair, ele vai atrás de mim, ele vai atrás de mim e vai terminar o que ele começou.
Eu fiquei muito com medo. Até semana passada eu tinha medo, medo, medo dele sair atrás de mim. Aí foi tudo, né, teve toda a superflução, o Ministério foi com isso aí, que eu vi que ele realmente vai ficar preso, que, cara, não vai apagar. O seu homem mais continua, o meu psicológico está balado, mas eu já estou me sentindo um pouco aliviada, porque eu sei que a justiça está sendo feita.
Os amigos, os parceiros, não sei se são amigos, parceiros, colegas de trabalho desse demônio, eles desceram, eles ajudaram? Porque eu fico pensando, por que ele pede para você subir para o quarto com ele? Se tinham mais dois homens lá. Pois é. Ele já estava mal, aliás, eu sei, ele já estava mal intencionado.
Porque imagina, porque ele poderia me atacar dentro do elevador, porque Nini não tem câmera dentro do elevador, ou até mesmo levar no quarto, não sei. É, com os outros dois, não vou botar crime em quem não fez nada, mas é só uma... Ah, mas ele tem um ato criminoso, quando ele desliga as câmeras, quando ele percebe o que tem. Você falou um ponto importante, ele devia estar vendo locais...
pelo hotel que seria um sem registro, o elevador sem câmera. É, porque ele foi várias vezes, subiu e desceu, ele andava um pouco na recepção, porque ele ia até o Regobar, ele voltava. Ele já estava, acho que, um tipo assim, olhando. Porque quando ele me ataca, quando ele sai, a primeira coisa que ele vai é atrás do computador.
Mesmo uma pessoa drogada, ele teve a inteligência de ir lá tirar, apagar, arrancar os fios das câmaras, para que ele veja o que tinha se filmado. Tanto é que quando eu saio correndo do banheiro, que ele olha para trás e ele vê que eu estou saindo, ele corre atrás de mim, que daí eu corro até a porta, onde ele me dá um outro mundo. Ele tem falado muito, o Jonathan Demônio, ele tem dito muito que ele usava drogas, estava usando cocaína e tomando bebida.
Ele estava alterado? Não que, como até o próprio Dr. Jackson já explicou, isso não dá atenuante a nada. Ele apenas, ele pode até piorar a pena dele. Mas ele estava alterado? Ele estava violento? Pela câmera que a gente vê, ele não parecia nada. Não, ele ia lá, pegava cerveja, pagava ali, normal, falava normal. Não vi nenhuma autoração dele. Por isso que nunca imaginei, porque eu ia passar por isso. Que ele ia... Né? Pato, é...
Quando eu meio que senti que a hora que ele me dá, que ele começa a me sediar, que eu já fico meio na parede, que eu já fiquei ali... eu fui desconfiada que eu fui ver se a porta estava trancada. Foi o horário que eu fui ver se a porta estava trancada... peguei uma água e entrei no banheiro... foi muito rápido... questão de segundos... ele pulou por ali.
Vai ter um tempo agora, vai ter audiência de instrução, depois provavelmente esperamos a pronúncia, ou seja, para ali a júri. Tem um tempo agora até você ver a justiça sendo feita. Como que você está se preparando para isso? Para esse tempo novo na sua vida? Da espera por justiça? Olha, eu... Como está muito recente ainda, para mim tudo...
eu não sei o que eu... o que eu vou fazer... se eu vou voltar lá... eu não sei... eu não acredito que... se eu vou voltar para o meu trabalho... não sei o que eu vou fazer ainda... só que eu vou me preparar... eu vou ficar... eu vou passar por tratamento psicológico... eu sou uma mulher forte... graças a Deus... porque se não... e outra coisa... se não fosse a minha força... eu não teria sobrevivido... porque eu lutei muito pela minha vida... e vou continuar lutando... e vou...
Eu sei que Deus vai me ajudar, vou ser forte, eu vou passar por isso. Sabe, vou... Eu não pedi a justiça só para mim, pedi para as outras mulheres que às vezes passam por violência, têm medo de relatar, por medo até do próprio companheiro, ou... têm medo, eu peço para elas não terem medo para ir atrás, porque senão até quando a gente vai ficar sofrendo violência?
Porque se eu não tivesse na minha fonte, não sei de onde eu terei tanta coisa, afastar de mim, se fosse uma pessoa assim, que nem essas moças novas, fosse mais fraca, elas não teriam sobrevivido, ele tinha conseguido matar. Porque tem as mulheres bem frágeis, né? Então ele teria conseguido matar. De feito outras coisas mais. Você nunca mais voltou para o hotel? Não. Nem passou ali na frente nada?
Não, eu passei no hotel, acho que dois dias depois, porque meu carro estava no estacionamento do hotel. Mas não entrou, você pegou... Eu tive que ir para mim para tirar o carro de lá, mas lá eu já me senti muito mal, né? Porque eu voltei naquela cidade, eu me senti muito mal.
Mariana Zete, eu desejo que você consiga se recuperar 100%, que você consiga... Você teve uma grande vantagem nesse terror todo. Geralmente, eu estaria entrevistando a sua filha e não você.
Você está tendo a oportunidade de você contar o filme de terror pelo qual você passou, mas estar viva mudou para você o significado de viver? Mudou, muito. Nossa, agora eu tenho mais vontade ainda, sabe? Eu tenho vontade de fazer coisas que eu nunca fiz antes, né? Porque, mano, a vida é só trabalho, trabalho, mas eu quero aproveitar, pegar minhas netas e ir para um parque, sabe?
passear com elas, ficar mais tempo com elas. E todos os dias eu estou orando bastante a Deus por lutar, de lutar. Quero viver mais a minha vida. Com a minha família, com as minhas amigas. Os valores mudam, né? Os valores passam a ter valores. O que tem valor, passa a ter valor, né? Verdade.
Você consiga manter isso, essa vontade de viver ainda mais e mais intensamente, que a vida realmente, e a gente vê pelos seus vídeos, que a vida é um segundo.
Um lugar diferente que ele pegasse, uma coisa diferente, você não estaria aqui, mas que bom que você está. O canal vai acompanhar o seu caso, já falei para o Dr. Jackson também, que quando vierem as novas fases, avisar, a gente faz novas entrevistas. Desejo que você vá logo ao parque com suas netas, que você consiga encontrar elas mais rápido. A gente está chegando na Páscoa agora, que você tenha uma ótima Páscoa com eles também.
E parabéns pela sua coragem, parabéns por você entender que você é a vítima e ele é o demônio. Então ele tem que ter vergonha de ser o que ele não é. Ele não é um homem, isso não é um homem. Isso é um...
Não vou chamar nem de bicho, porque bicho tem mais dignidade e mais respeito entre os seus do que aquela coisa. É uma coisa, uma coisa inominável. A gente se vê em breve. Se Deus quiser que sua justiça seja feita em breve para você poder descansar mais em paz com ele preso e pagando a sua conta.
Muito obrigado, senhor Beto. Eu que agradeço. Imagina, eu que agradeço. Não me chama de senhor da próxima vez. Tá bom. Tá bom. Nilzete, muito obrigado. Um abraço. Um abraço pessoalmente, mas fica aqui pelo Zoom. Até a próxima. Obrigado. Tchau, tchau.