OQFF | 30 | "Viver num país de burocracia adoece-nos" | 10 Anos de Festival Mental 🧠
"No Festival Mental não há tabus. Não há estigmas. Fala-se de tudo." | O Que Faz Falta de Luis Leite conversa com Ana Pinto Coelho sobre os dez anos do Festival Mental. O evento acontece no Cinema São Jorge, em Lisboa, 14 a 17 de Maio. Nesta conversa, a resistência faz-se com cinema, ciência e uma honestidade brutal sobre o medo transversal que nos adoece a todos em 2026. Esta não é uma conversa sobre "estar doente", é sobre a saúde que nos faz falta.
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- Festival Mental 10 anosPromoção, prevenção e combate ao estigma em saúde mental · Uso da cultura (cinema, artes, música) para falar de saúde mental · Itinerâncias e internacionalização do festival · Diferenças entre saúde mental e doença mental · Mostra Internacional de Curtas Metragens · Júri composto por psicólogos e profissionais de cinema · Filmes de superação e identificação · A viagem de Laura (filme vencedor) · Importância da arte e cultura na superação de obstáculos · O papel do festival em mostrar que as pessoas não estão sozinhas · Slogan: Pense, fale, saiba, reaja · M-Talks e o radar de temas ao longo dos 10 anos
- Burocracia e PolíticaBurocracia como fator que adoece · Dificuldades de trabalhar com o setor público em Portugal · Comparação da burocracia em Portugal com a Bulgária · Impacto da burocracia na criatividade e na indústria cultural · Crítica à política atual e à falta de representatividade · Política como carreira e não como serviço ao povo · Greenwashing e a falta de mudança genuína nas empresas · A necessidade de um reset · A natureza como força sábia e a destruição causada pelo ser humano · Responsabilidade humana nas catástrofes ambientais · Políticas de capital imediato
- Ciência, Religião e Colonização EspacialAstrotopia (livro de Mary Jane Rubenstein) · A corrida espacial e a colonização de Marte · Lixo espacial · Comportamento tóxico e narcisismo humano · A ligação entre descobrimentos portugueses e o colonialismo espacial · A religião da corrida ao espaço · A visão de que o ser humano pode destruir o planeta
algum tema assim mais tabu ou difícil que se falou, principalmente, eu não consigo ver que haja temas mais difíceis ou menos difíceis, todos são temas, todos são válidos, todos têm mais é que entrar no festival, todos têm mais é que ser rolados, nós todos temos que ser ativistas de alguma forma.
Bem-vindos a mais um episódio do podcast do Que Faz Falta, onde converso com quem tem coragem para mudar o mundo. Hoje falo com Ana Pinto Colho, diretora do Festival Mental, que este ano celebra 10 anos a usar o cinema, as artes, a música para falar da saúde mental, sem medo, sem estigma e com muita beleza. Muito bem-vinda, é um prazer tê-la aqui neste podcast, com uma história tão grande.
Obrigada Luís, obrigada pelo convite. Para quem estiver a ouvir este episódio do podcast do que faz falta, consegue explicar o que é que é o festival e porquê é que é tão importante nesta altura, em 2026, poder assistir e ver e saber mais sobre o festival? O festival mental é um festival de cinema, o Curação é um festival de cinema.
e que tem como objetivo a promoção, prevenção e o combate ao estigma e saúde mental, sempre como plataforma da cultura. Ou seja, seja na área do teatro, na dança, no cinema, na literatura, na música e também, claro, obviamente nas conversas, porque tudo isto são partidas. Partidas seja do ponto de vista artístico, ou seja, do ponto de vista da palavra, não deixa de ser partida. E pronto, o festival já vai fazer agora 10 anos.
Na verdade, acontece em Lisboa, mas também tem as suas itinerâncias pelo país, já há vários anos que fazemos essas itinerâncias, e também de vaguinho esticulamos com outros festivais, mais ou menos com géneros internacionais, que também não está, provavelmente, não é? Portanto, esta parte da internacionalização do conhecimento, não só de eles conhecerem o que é que Portugal está a fazer com o festival de artes e tal, mas nós também conhecermos o que é que outros andam a fazer.
Lamento imenso interromper aqui o episódio, mas tenho que dar as boas-vindas aos novos mecenas, o Gary James, a Sofia Vinhas e o Ricardo Romero. Muito obrigado pelo vosso apoio para que este projeto possa continuar a existir. Preciso de ti para chegar até os 500 mecenas. É a meta que me vai permitir voltar a Portugal para poder elevar a qualidade do podcast.
Conto contigo. Já vamos falar do festival. Já foi muitas coisas na vida. Queria saber se é um camaleão. Como é que podemos contar quem é a Ana Paula neste momento? A toda a gente que ainda não a conhece, mas que devia. Porque tem realmente aqui um tutorial gigante. A camaleão era o David Bowie. Esse aqui era a camaleão. Mas também é a Ana Paula. Porque já teve muitas vidas.
Nada nos define no início o que temos que fazer uma coisa. Será isso para o resto da vida? Deus nos livre. Isso até é só pensar e eu fico sempre. Eu sinto mesmo, porque a minha vida também é assim, salta de um lado para o outro, mas é possível ser assim, não conformista, se calhar é a palavra certa.
Sempre que estão a fazer de outra maneira, cada vez acho que sabemos menos. E ainda bem. Sim, é muita coisa. Transversalmente, da parte de ter estado em direito e depois de ter sido direito, tirar marketing e publicidade, ter agenciamento e manejo de artistas durante muitos anos, andar na estrada como road manager, ser produtora de espetáculos e eventos durante muitos anos.
muito tempo a trabalhar na área da cultura, sem dúvida, 20 e muitos anos. Depois aborreci-me um bocado dessa parte, conheci muita gente ligada à área das edições, por trabalhar com artistas, por trabalhar com um determinado meio. Interessou-me particularmente sempre seguir.
e acompanhar vários processos e conhecer e foi aí que fiz depois a minha clavagem para a saúde mental e a minha especialização em addiction counseling, a partir daí passei a ter, largar um bocado a parte da cultura e dos eventos e das produções e de tudo isso e seguir O que é que ele levou a seguir esse caminho? Porquê que escolheu esse caminho? Depois para podermos falar do festival mental e da importância do mesmo e do awareness então E aí
Basicamente, a responder às perguntas. Basicamente, o festival acaba a ser exatamente a cruzamento disto tudo, não é? É uma história de vida em vários layers e a partir daí é em que depois tudo se combina. E o festival representa exatamente a parte da comunicação, a parte do marketing, a parte da cultura, e a parte da saúde mental.
que depois passou a ser a minha vida. Até o momento em que eu conheci o festival escocese, e a partir daí já deixou de ser só a minha vida a parte de trabalhar com uma terapia e saúde mental na área das adições especificamente. Conheci o festival escocese e a partir daí disse ok, isto combina absolutamente tudo. E assim, muito tranquilamente, as coisas depois começaram a fluir de uma forma muito natural, porque de facto tudo são teclas que eu já toquei e que gosto muito.
Sentiu que juntava todos os seus conhecimentos e que era realmente o espelho da sua personalidade, no fundo. Isto tem a ver com comunicação, porque nós queremos falar de promoção, prevenção e combate ao estigma e literacia e saúde mental. Agora, como é que uma pessoa faz uma promoção, prevenção e combate ao estigma? Tem que ser com comunicação. Comunicação através de quê? Através da cultura, através da arte. Comunicar o quê? Comunicar a saúde mental. Portanto, está obviamente tudo este tipo 4.
Fazia mesmo, fez sentido. Tanto que fez que 10 anos depois cá continuamos. Ainda há tabus sobre a saúde mental? Exato. Nós temos tabus sobre muita coisa. Não é só sobre a saúde mental. O ser humano tem tabus. Enquanto houver ser humano, há tabus. Em relação à saúde mental.
Acho que está melhor, não é? Até à Covid era pior. Depois do Covid e do confinamento melhorou. Pelo menos o falar-se mais. Sem tantos medos. E temos diferenças colossais entre o que eu estou a falar de saúde mental e o que eu estou a falar de saúde mental em Grande Adoloro.
No Covid também terá sido diferente, as pessoas teriam mais liberdade, por assim dizer, no interior, não tiveram essa necessidade de se confrontarem consigo próprios. As realidades são mesmo muito diferentes e num país tão pequeno como o nosso é incrível, tem ainda diferenças tão grandes.
Uma pessoa quando está em Miranda do Douro e chega à Miranda e lá, parece que é um trajeto pequeno, mas é imenso. Em termos humanos, em termos de tudo, de tudo. E para o lado oposto, nomeadamente, podemos pegar nas redes sociais e tudo isso, não é? Como se imensa gente começou desvaradamente a falar de sobre o mental. Muitas vezes sem qualquer validação científica.
isso infelizmente é transversal é que não há trevois não há filtros, não há nada a questão é que os órgãos que nós temos com credibilidade podem e devem fazer veículo de comunicação em saúde mental que é importante as pessoas não seguem as pessoas preferem seguir quem conhecem figuras públicas, artistas portanto temos aqui um problema né
E o festival, neste caso, dá lugar e espaço a pessoas que sabem sobre o assunto para poder, não só através da arte, mas também tem ciclos de conversas.
Sim, as nossas MTOPS são sempre com pessoas que são absolutamente validadas para falar de que não há ninguém que se sente naquela cadeira. Houve uma exceção, de Mônica Vizendeza. Há Pimais, estas conversas são todas depois filmadas e como serviço público estão no canal do YouTube do Partido Comentário. Podem ser ouvidas a qualquer momento, se alguém quer ouvir falar de um tema.
Olha, estou ansioso, quero ouvir o que é que estes já estiveram a falar sobre ansiedade. Vai lá, o canal do Festival Mental. É um toque de ansiedade. De certeza, e eu há tempo de dizer isto, todas as pessoas que estão têm validação científica, que estão a falar, que estão a ir a falar. Nós temos a parceria de co-produção e co-produção nacional das políticas de saúde mental, nem de outra maneira poderíamos estar a trabalhar.
impossível. Tudo o que está de conteúdos no canal do YouTube do Festival Mental é válido. Existe uma congregação de festivais acerca da saúde mental pela Europa, não é? O nosso ADN é muito próprio, o português é muito próprio, para já porque nós temos o cinema. Muitos de bairros não têm o cinema. Têm mais a parte das artes plásticas, a parte dos workshops e muitos trabalham mais a parte da doença mental e nós é mais a saúde mental, que são coisas diferentes, não é?
que até articulam com associações e com outro tipo de coisas. Há muita exposição de arco plásticas também, há muitas coisas. Agora, a nossa ADN é muito própria e é muito bonito e é muito rico. O festival português é muito rico. Não sei o que gostaria de fazer e minha equipa é comparado com todos os outros. Porque se há alguns, vamos imaginar, por exemplo, há um em Barcelona, que eu sou absolutamente fã.
mas que é sobretudo artesânico, passa-se tudo na rua, ou não fosse Barcelona, não é? Claro. Vamos para a Grécia, a Ops do Içambim, Perú, Djei e não sei o que, também há umas aí, é tudo mais conversas e workshops, muito, muito, muito workshop pequeninos e não sei o que. Então, todos festivais de saúde mental e arte, todos, o nosso ADN é talvez um bocadinho mais rico, já que tem tantas disciplinas culturais integradas.
E qual seria então essa diferença? Fiquei curioso, vou ter que perguntar. Qual é a diferença entre a saúde, as doenças e a saúde mental? Se nós pudermos focar na doença, isto é um festival que promove a saúde mental, como poderia, um dia, com calma, vamos tranquilamente deixar cair a palavra mental, saúde mental. Isto é só festival da saúde, porque de facto a nossa saúde combina as duas coisas, o físico e o mental.
Nós estamos a falar agora, neste momento, Luís, ainda temos estas coisas separadas. Na nossa cabeça, nos nossos ministérios, nas nossas políticas, em tudo. Mas o ser humano é único. E único que tem. Físico e mental, e somos só um. Isso nem devia estar separado, mas ainda está.
Se calhar o estigma até começa um bocadinho por aí, não é? Portanto, a doença é quando já estás com um estado patológico de alguma coisa que tens que tratar. Aqui não, aqui promovemos a saúde, prevenimos para que essa saúde continue mental, ok? Não trabalhamos com a parte da doença. Nós temos as nossas patologias todos, nós temos episódios de menos saúde mental ou mais fraco. Todos nós. É assim.
Como temos de qualquer outra doença física, não é? Obviamente não somos pedras, nem roxas, nem roxas. Obviamente que todos temos os nossos episódios, todos temos isso. Portanto, é uma questão de ser físico. Agora, não é a doença no sentido disso, porque aí há gente a fazer trabalhos válidos e consistentes e excelentes, mas mais focados nas doenças. No nosso caso, é mesmo a promoção da saúde através da cultura. O tipo de filme é que as pessoas vão ver?
Todos os anos a Mostra Internacional de Cortes, são curtas, são curtas metragens. A Mostra Internacional de Cortes Metragens todos os anos é diferente. Todos os anos abrimos uma col na Film Freeway, que é uma plataforma internacional para receber os filmes todos. Nós tivemos 200 e tal filmes submetidos este ano, todo mundo. Depois temos um júri que faz a seleção desses filmes e são esses os filmes que as pessoas vão poder ver na nossa Mostra Internacional de Cortes Metragens, que é no Cinema São Jorge.
Não é só o conteúdo, é a história que conta, a forma como conta a história, a cinematografia, a fotografia, a qualidade do filme. Tudo isto é muito importante. Porque aqui é um festival com características específicas, enquanto festival de cinema. Porque o filme pode ser excelente, mas há que ter aqui outra vez a validação científica. Pode ser incorreto ou inválido, ou aquilo não é assim que funciona, em alguns casos, por muito bom que seja o filme, ele não vai poder entrar.
Por outro lado, há histórias que merecem e têm de ser contadas, e nós temos a obrigação de dar o palco a isso, mesmo que o filme seja o nadinha mais sofrível, em termos de cinematografia. Daí que o nosso júri seja um bocadinho eclético, e que o nosso júri é composto por pessoas da área da psicologia submental e da área do cinema. Entre eles é que articulam. Por isso é que é uma excelência poder ver a mostra internacional que os metrages de cada filme conta uma história.
de maneira nenhuma é o nosso ADN ter que deve ser tudo uma desgraça e uma choradeira eu não vou ouvir porque o problema já eu tenho, eu estou farta de ouvir esse tipo de conversa ai, o que é para isso? já é a minha vida, é pá, esqueço não é isso, não é isso que vão encontrar no festival sim, falamos das coisas como se os dedos nas feridas, sem medo nenhum mas há sempre uma superação porque nós somos humanos, o humano supera-se, o humano só não supera aquilo que destrói
como o planeta, como todas essas coisas que o humano se concentra em querer destruir, com a potência que nós sabemos. Mas aqui não, quando nós estamos a falar, já há uma delicadeza e uma subtileza muito bonita nos filmes, histórias são lindíssimas, e depois há esta partilha, é muito importante para o público, que é as pessoas saberem que não estão sozinhas, estão a sentir alguma coisa. Não é oito a ver filmes em que eventualmente se pode identificar.
fazem sentido. É a superação, os filmes são sempre muito bons. Os nossos lecineadores são muito bons. E temos sempre muito orgulho nos filmes e a partir daí fica o gosto. Certeza porque os filmes são muito, muito, muito bons. Todos eles, da curta. Eu não podia estar a nomear nenhum, obviamente que há um vencedor.
O que este ano penso que vem da Polónia até, é uma vencedora, é uma realizadora. E, de facto, é assim, o cinema é isto, são histórias. E não há nada como uma mostra internacional de portuguesas metragens do Festival Mental para ouvir histórias.
Boas. Isso que está a dizer é muito familiar eu trabalhei em cinema em Moçambique e claro que também entendo eu costumo definir um bom filme quando a gente acaba de ver o filme e fica parado no banco e não se consegue levantar, acho que é um sinal de que é um bom filme quando nós ficamos sem conseguir levantar da cadeira e normalmente são sempre filmes de superação. E a subir e a rir e a partilhar e partilhar emoções, não é? Seja elas, seja rir, seja o que for mas que haja uma reação aí nós estamos bem.
Em termos de histórias, então, de superações, já que estamos a falar disso, nestes 10 anos de festival, há alguma história que tenha sido aquela que realmente ficou para sempre na sua mente? São tantos e tão bons. Há um. Por exemplo, nós vamos ter no warm-up que vamos fazer no Atmosfera M, um warm-up onde vamos mostrar alguns dos últimos vencedores destes 10 anos.
E houve um de facto que eu... Mas assim, isto é um bocado injusto de estar a dizer uma coisa. Os chamos são bons. Houve um em particular que eu gostei muito e que vai passar lá, que é a viagem de Laura, e que nos conta a história de uma rapariga que em trabalho foi a Marrocos. Foi a Marrocos, viagem, não sei o que mais. E enquanto estive em Marrocos, foi violada múltiplas vezes por mata de gente. Quando regressou...
Não sei o que é de origem, voltou para a Europa, teve mal, teve vários problemas, variadíssimos, de stress post-traumatic, de tudo o que se pode imaginar, não é? Depois de uma situação destas. E o que é que decide para superar, e por isso que calhar é que eu gosto tanto do filme, um filme é muito bonito, um amigo dela é realizador, mas lá para os filmes. E ele sugere então porque é que não vamos tentar superar tudo isto.
fazendo um filme sobre o que aconteceu. Isto parece uma coisa inimaginável, não é? Quem é que vai fazer um filme sobre o sítio? Mas ela aceitou. E então o filme passa-se tudo a isto, com a equipa de filmagem, portanto, ela, o amigo, e a coragem desta rapariga de voltar a Marrocos, aos sítios por onde passou tudo o que tinha. Acontece tudo, a tragédia e o horror que passou, com uma câmera atrás. Esta é a viagem de Laura.
que tem aqueles pratos morrinhos, não é? Muito grandes. Ela fragmenta os pratos e vai fazendo depois a junção de tudo para voltar a ter o prato completo. Aí ela sente que, ok, consegui completar as coisas, estou bem. E é interessante porque isto explica em como quantas vezes a criatividade, ou exatamente a arte, as diferenças, as formas de arte, nos ajudam a superar vários obstáculos. Seja como criador ou artista,
seja como espectador e a receber. É muito importante, por exemplo, a música é outra coisa, é um contexto incrível, quer dizer, quem é que não tem emoções contra a música? Antes de nós não temos lugares imaginários, ouvimos determinado som, determinada música e nos transporta imediatamente para aquela pessoa, para aquela situação, para aquela emoção, para aquele lugar, para aquele sítio. A arte e a cultura têm esta capacidade de nos fazer
de nos fazer encontrar, de partilha, de identificar-se. Mas porquê que este sentimento de superação é tão importante no nosso processo mental, por exemplo, em desafios como esses?
Esta coisa do pro resto da vida, sobretudo em coisas que nos são desconfortáveis, que são patológicas, que não nos fazem sentir mais, é absolutamente aterrador. É muito importante perceber que há forma de desbloquear coisas e de seguir em frente. É muitíssimo importante nós termos a certeza de que é possível superar, mesmo quando nos sentimos frágeis, mesmo quando nos sentimos deprimidos, mesmo quando estamos em situações de burnout, mesmo quando estamos em situações de burnout.
tudo é possível, basta pedir ajuda a parte importante, não é? é importante e se calhar se não houvesse festivais de cinema como o Mental em que as pessoas possam saber que existem outras pessoas que passam pelas mesmas coisas se calhar pedem menos ajuda
Ora, é exatamente isso. Tal e qual. Ok, esta pessoa também... Eu já passei por isto. Eu julgava que tinha sido só eu. Muitas vezes. Muitas mesmo. Em situações de episódios menos boas sobre o metal. Ou de uma pessoa se está com qualquer tipo de problema. Muitas vezes pensamos para nós próprios que somos os únicos a sentir isto. E que isto que está a acontecer é só connosco. É mentira.
Não é assim. Por muito que a situação seja de facto única, a pessoa é única, tudo isto é único, não é da situação, a validação e aquilo que se pode fazer para superar. Para ir para a frente, o Bonn é imenso similar. E de facto pode-se, através desta panopla e de todas as disciplinas que há na cultura, é possível identificar-nos com...
E dizer, ok, eu não estou sozinha. Daí que o nosso problema também seja sempre, o nosso slogan é como se pode sentir. E depois a resposta. Pense, fale, saiba, reage. Com estas quatro palavras nós temos garantidamente a nossa saúde mental controlada. Pense.
fale, taiba, literacia e reaja, faça alguma coisa não é preciso mais não sei se está a par das redes sociais de coisas que têm vindo a falar e também da política do governo mas estou-me a lembrar agora de um healing específico não vou dizer uma pessoa não sei se é quem se é disso não mas que basicamente estava só a dizer que precisamos dos problemas só temos que andar para a frente é esse reage, não é? no fundo mas assim isolado falta o contexto não é?
Bota todo o resto do contexto. E o reage muitas vezes é pedir ajuda profissional. Não é só reagir por reagir, é pedir ajuda. Por isso é que penso, falo, saiba, saber o que fazer. É reagir.
Como é que lida com este panorama político atual? De certa forma pode-se estar em contraciclo com a filosofia do Festival Mental, por exemplo, relacionado com o transgênero, que ultimamente tem sofrido mais perdas nas suas conquistas. Como é que se lida com estas duas diferenças? Nós temos o Festival Mental, tentar alcançar objetivos, em que depois temos o mundo a caminhar para outro lado. Como é que se lida com essa?
Temos o mundo a caminhar para uma extinção, ok? Todos os problemas e todos os retrocessos têm a ver com o facto de nós estarmos a cavar a nossa própria extinção do planeta. Só que esta é a primeira vez em que é o próprio ser humano que está a fazer.
pensando assim em termos macro todas as coisas passam a estar ligadas o retrocesso começa a partir do momento em que nós desrespeitamos a nossa causa comum da maneira que o fazemos
Todos os temas. Há tempos, alguém me perguntava há algum tema assim mais tá bom, difícil, que se fala principalmente ao... Eu não consigo ver que haja temas mais difíceis ou menos difíceis. Todos são temas, todos são válidos, todos têm mais é que entrar no festival, todos têm mais é que ser falados. Nós todos temos que ser ativistas de alguma maneira. Então, não estamos aqui a fazer nada. Portanto, as coisas estão faladas. Agora, é a maneira assim, maneira de se fazer as coisas. Então, é importante que haja
de facto é depois público, é as pessoas assistirem, porque tu distas a falar de estrangeiros, de tudo, tudo, tudo, tudo, se pode considerar mais tabu, o horrível retrocesso que está agora a acontecer em outras situações. De alguma maneira, seja através dos filmes, seja através das conversas, seja através da nossa própria atitude.
Não há nada que nos assuste, não há tema nenhum que eu deixo de ser falado e não há presença nenhuma. Portanto, como é que eu vejo retorcesso? Quem gosta de um retorcesso? Ninguém. É assustador o que está a acontecer. Mas a partir do momento em que nós estamos a destruir tudo e que isto vai mesmo tudo acabar, é para talvez dê-me a respirar um bocadinho e pensar daqui por um tempo, não vai haver absolutamente sequer nenhum humano aqui para contar a história e, portanto, vai ser tão grave como isso. Eu acho.
É assim um bocado acertador, não é? Pensar assim. Ou se calhar é libertador. Não sei. É porque estamos a fazer tudo para isso. Nós estamos a cavar a nossa própria cor. E mais engraçado é que temos tudo. Instrumentos e informação, modos operandios para resolver, para mudar comportamentos e para reverter ainda o que está a acontecer e ninguém está a crescer. Nem políticos, nem nós próprios.
E qualquer alteraçãozinha que seja que venha a ver com o conforto que estamos cada vez mais habituados nesta cena do capitalismo, nesta cena económica em que vivemos, obviamente. Tira-se um conforto. Ah, Jesus, porque é o combustível que subiu, é o que não se... Por quê? Porque nos tira o conforto. E de onde é que isso vem? Qual é a raiz? Nos combustíveis, fósseis, tudo isso. O que é que nós estamos a estragar? Eu já estive há porquíssimo tempo com o Chile. Vim agora de uma viagem muito longa lá.
Eu ouvi alguns riles. E que eu estou muito bem dizendo para o Atacama, o que tem a ver com os textos e com o o lixo, o lixo que se está a mandar inclusivamente para a atmosfera. Nós fazemos o lixo como se não houvesse amanhã, como se isto fosse com recursos, nunca mais acaba. E quem é que são os países mais desfavorecidos, ou as regiões mais desfavorecidas, por exemplo, do Chile é um país desfavorecido, porque não é, de todo, mas em determinadas horas, sim, compram o lixo.
E são, é que a gente veio fazer uma viagem, ver o lixo que andou a produzir, ver o que é que de facto, o que tem impacto é que cada vida está a ser aprendida.
um tanto real nas coisas, na nossa casa e portanto sim dizias libertador, se calhar até é não tinha visto isso para o difícil mas se calhar é isso mas também não é um bocado naquela pronto, vai tudo acabar, portanto não vou fazer nada mas não é por aí, não é? Sim, também não pode ser por aí, é verdade porque se não...
Podemos nada. Senão nada vale a pena. Eu recebo aqui alguns ativistas climáticas e sinto sempre que são uns episódios que têm menos interesse. E as pessoas não querem saber muito, se calhar porque é muito complexo, ou se calhar porque faz pensar muito nos problemas apenas. Mas é que não é tão simples. É se nós sermos humanos, fazer sentir que sabemos parte de uma coisa, se há coisa que é mais natural, é isso.
Nós a quisemos, de uma forma perpetua, virar as coisas. Há uns anos atrás, o festival aumentou a falar da eco-ansiedade, quando eu ainda não tinha falado da eco-ansiedade. Inclusive, fizemos um livro, dedicámos um livro sobre a eco-ansiedade, nem sei se é entre tantos ou outros, não. Há uma taxa de suicídio nos jovens adultos na Europa que está a acontecer por causa da eco-ansiedade. Não é bom isto a sério, então eu não sei o que é não o que fazer.
Pois, não existe nada mais certo que isso. Eu acho que estou a viver, não se calhar é com a sociedade, mas uma depressão política, que é algo que se começa a falar hoje em dia, porque realmente o ambiente político à nossa volta, e que lido com muitos assuntos que são sempre problemas dos meus episódios, acabo por criar aqui uma bolha à volta mental, não é? Porque parece que não há solução, não é?
Mas isso pode ser um problema, pode tocar o que nós falamos de saúde mental. Ou seja, a partir do momento em que nós estamos a sentir a palavra está corretíssima, é essa mesmo bolha. Não é saudável ninguém viver numa bolha, seja ela qual for.
A partir do momento em que uma pessoa se sente e começa a ver, até porque o algoritmo ajuda, não é? O algoritmo ajuda. Sim, infelizmente. É isso, é isso. De repente o que é que nós sentimos? Que o mundo é tudo isto. Política. Parece que tudo é guerra, parece que o mundo inteiro só fala disso, parece que tudo é bolha, bolha, bolha, bolha. Ela fica mergulhada nisso tudo e de repente deixa de ter esperança, deixa de ver para fora, deixa de... E começa a achar que essa é a realidade como é o espelho.
A única realidade. Isso não existe. Essa coisa de uma única realidade não existe. Não existe. Pelo menos estamos criando já. Estamos então a sair da bolha. É obrigatório sair da bolha. É apatinar um avião. Logicamente não é muito ok. Mas às vezes é preciso mesmo fazer uma viagem muito longe. Muito longe mesmo. E olhar para outras colhas, ver outras coisas, ouvir outras coisas, sentir de outra maneira.
perspectiva. Perspetiva faz sempre muita falta. É importante. Nós podemos ver a mesma cadeira, ok? Temos aqui uma cadeira, Luís. Eu estou aqui, estou de frente para ti, certo? Estou de frente. Eu vejo a cadeira de frente. Estás do outro lado, às vezes gostas da cadeira. A pessoa que está de lado vê outra parte da cadeira a outra vê outra. A cadeira é a mesma. Exato, exato. Portanto, a perspectiva é tudo. E quando nós estamos a sentir isso, bolha, que parece que está tudo fechado e que não há saída.
É importante fazer o esforço, e às vezes o esforço é muito, muito mesmo. Não há energia sequer já, estamos sugados de energia. Psicológica, tem que estar intelectual, até tudo. Temos energia já para nada. Aí é que é mesmo obrigatório.
dar o salto de ver e depois voltar. E depois sim, olhar, ok, mas eu continuo a sentir assim, eu continuo a achar assim, eu continuo a pensar assim, eu continuo a ver que isto afinal é assim. Mas já é com outro tipo de sentimento. E com outro tipo de discernimento. É super importante. Não é uma pessoa afunda. É política. Está tudo horrível. Já vamos, não é com ansiedade, estávamos a falar da política, tudo isso são, por ser muitíssimo pesado. E não vou dizer que não é real. Obviamente que é real.
mas não é só isso que existe você vai viver num período político bastante intenso com guerras no sírio e com muitas coisas a acontecer cortar
Acabou, a televisão é a hora da primeira. Direito a desligar, não é? Direito a desligar, a obrigação de desligar. Até porque nós temos na comunicação social sobre todas as televisões um problema gravíssimo do monotema. Sim. É gravíssimo, isto não acontece mais lá do mundo que eu tenha visto. Nem falam-se das coisas. Não é só isso. Aqui é só guerra e futebol, futebol e guerra.
Estrema à direita, futebol e guerra. Estrema à direita, futebol e guerra, basicamente. Portanto, nós já falamos sobre isso no Festival Mental, a comunicação social e saúde mental. Temos sempre jornalistas a moderar as hematólogas por algum motivo. A comunicação social também, não para fazer cortes. O que é que podem fazer diferente? Em termos de... Oito.
A questão da informação monotomática em Portugal é muitíssimo complicada, faz mal. Tira a saúde mental, põe as pessoas preocupadas, põe as pessoas a pensarem que tudo é só e apenas, exclusivamente isto que existe. Não é verdade. É mesmo muito importante falar disto. É mesmo muito importante desligar, desligar mesmo.
Falo com muita gente aqui no podcast e também há sempre problemas, mas também tento trazer sempre outras perspetivas de soluções, que é algo que são os episódios habitualmente que as pessoas gostam mais, que é apresentar aqui alternativas. Tudo passa. A partir do momento em que a vida passa, porque todos morremos, tudo passa. Tem que estar assim, no trigo eu fico num grande imã. Tudo passa. É verdade, mas é totalmente verdade.
Como é que tu dizes uma coisa dessas, Ana? Porque a minha própria vida vai acabar.
Ao longo destes 10 anos de edição do Festival Mental, o que é que mudou a sua forma de ver a vida? Ui, de que maneira, muito.
Muito. É muito importante quando se está a fazer programação, receber projetos constantemente, a ler o que chega, ouvir quem vem falar conosco, ouvir, ouvir, ouvir, ler muito, conhecer, estar atento. Ter quase como modo de vida de radar, ok? É estar atento ao outro, estar atento ao que está a passar. Se uma pessoa vai para trás dos montes, está de uma maneira a ver as coisas, ela está no lente, ela está no estilo, não interessa.
O ser humano pode ser absolutamente incrível, em termos de curiosidade, não só intelectual, mas até forma de vida, de bem-estar, do que é que é importante para o mundo, como é que se pode ajudar outra pessoa?
tudo isso faz parte, então não se pode fazer um festival se uma pessoa não está atenta permanentemente a isso, portanto, obviamente mudou e muito, porque transformei uma pessoa em que tento ou dou o meu melhor, pelo menos, nada garanto que consiga, mas dou o meu melhor e mais não sou obrigada.
nesse sentido de ouvir, de escutar, de ler com muita atenção todos os projetos que nos chegam, seja de teatro, seja peça, seja do que for. Não interessa depois se são boas, mas alguém teve o trabalho de os fazer, alguém quis mandar, então o nosso papel é ler tudo, é ouvir, é depois adaptar. Portanto, isto é sempre muito orgânico.
E quando as coisas são muito orgânicas, mudamos, obviamente. Muda a perspectiva, muda o perceber como as pessoas podem ser tão diferentes umas das outras e que o que é importante para uma é respeitar, mesmo que não se concorde, mesmo que não se goste. Por causa do festival ficou mais tolerante? Só se uma pessoa acredita mesmo muito, convictamente, no que está a fazer.
e tem e sente genuinamente honestidade no trabalho e a certeza de que quer fazer bem feito, e acredita profundamente no que está a fazer, como é o meu caso, como é o meu caso desde o início, não há nada que...
Tanta coisa corre mal, em termos de produção, em termos de financiamento, pouquíssimo dinheiro, em termos de querer fazer muito mais e lidar com a frustração porque não consegue fazer mais, não tens como pagar porque não tens muito desse aquilo. Lidar com tudo isso é super difícil. Eu podia fazer outra coisa e ninguém me obriga a fazer um festival salimental.
Ninguém me encomendou o sermão. Não, tenho que fazer nada disso. Estou a fazer porque eu acredito, porque eu quero mudar coisas. Porque eu tenho a certeza que ali as pessoas têm direito de ser ouvidas. Podem mostrar as coisas, podem falar, podem... E isto é muito válido.
Sempre foi muito perseverante desistir, nunca foi assim uma palavra que estivesse no seu vocabulário. Não, não. Ou então não faço. Faço a possibilidade. A partir do momento em que faço, tem a ver com o caráter, não sei, a minha maneira de ser. A partir do momento em que eu meto uma coisa para fazer e dar o meu melhor. É com o princípio e meio e fim. Ou então, por isso simplesmente não faço. É muito simples.
Aquele mais ou menos nunca foi um lugar onde eu gostasse de estar. Eu gosto de estabilidade. E estabilidade sou eu que a crio e construo. Nem eu nunca do céu. Temos que trabalhar para construir. Portanto, não vou meter-me em coisas assim mais ou menos. E a tirar o som. Qual foi a decisão mais arriscada que teve durante estes 10 anos de festival? Mas que valeu a pena.
É difícil nomear uma coisa dessas. Eu posso dizer que houve temas mais complicados. Houve situações em que, por causa da própria Coordenação Nacional de Política e Resultamental, há determinadas coisas que não é preciso estar a falar, que não é preciso, mas são todas válidas. As coisas fluem. Permite o tom natural.
se não é esta coisa como eu disse há pouco do frigorífico as coisas que fluem, não é? Continua. Passa, sim. Tudo passa. Passa com todos. Agora, o que me aborrece tremendamente e de um artigo já me tirou o saldo mental, de verdade aqui há uns anos, de verdade mesmo seriamente, é a burocracia.
Isso sim. A burocracia que existe a fazer as coisas, uma pessoa quer é fazer, bem feito, estruturado, não é despachar, não é em cima do joelho. Ah, mas é com a toleridade. Quando entopem de papéis, de processos, disto e daquilo, deixe-se respirar. Isso é o grande problema.
Não consigo mesmo, é antinatura para mim, percebo que haja formalidades, percebo isso tudo, mas é um certo ponto, a partir daí começa só a ser tonto, mesmo, as coisas são completamente tontas e nós trabalhamos sobretudo com o setor público, seja só autarquias, seja ministério, seja o que for.
E é que uma pessoa fica a olhar e diz, mas estas pessoas têm muito tempo na vida. Não é normal a quantidade de requerimentos e papéis e de tudo. A burocracia é, daí já tem sido também tema no festival mental. Burocracia e saúde mental. Burocracia.
Faz-me. Faz-me. Acredito profundamente. Eu também identifico-me muito com a Ana, porque muitas vezes na minha vida fui a primeira pessoa a fazer projetos, ou seja, lancei-me sempre. Foi a primeira turma na universidade que existiu naquele curso, foi a primeira vez que isto aconteceu, fui a primeira a lançar isto e aquilo, sempre a primeira, sempre a primeira. Identifico-me muito com isso e a burocracia realmente também mata a criatividade e muitas vezes tem ideias para fazer, mas uma pessoa esbarra.
Sinceramente, há muitas pessoas a defender o aspecto político de esquerda, mas acho que faz falta falar mais sobre isso, mesmo pensando de forma de esquerda, este é um programa de esquerda.
A burocracia não nos ajuda em nada. Não ajuda, ajuda, ajuda. Não é a nós não, mas ajuda muita gente. E vou dizer que tem. Ajuda os juristas. Não somos um país de juristas, não é? Então eles têm mesmo é que fazer. Isto que vem ser papéis que tu não consigas ler para precisar de ajuda e pagar, não é? Nem que seja para ler um documento. Justifica o trabalho. Papilários. Eu estou em português. Eu leio 30 vezes o papel e digo eu não estou a perceber o que é que está. Mas é de propósito.
Portanto, sim, sim, muita gente está muito feliz com isto, senão não continuava. Muita gente muito feliz. Um caso pratico-mático, eu sou imigrante, vivo na Bulgária, e demorei três dias a tratar dos meus papéis aqui. Em Portugal, imigrantes estão há dois anos à espera de um papel. É uma coisa que é muito diferente, não é? Uma pessoa queixa-se e acha que somos um país mais avançado que os outros.
não, não, não, isso tira saúde mental isso tira-nos mesmo energia tira-nos saúde mental definitivamente, é muitíssimo difícil trabalhar em Portugal, então em determinadas áreas como seja a indústria cultural em geral e tudo isso, é de loucos portanto, somos uns resistentes somos uns resilientes, somos incríveis se olhasse para trás para o primeiro ano do festival mental, o que é que diria a si próprio? Vai embora, força continue, sempre com força e coragem sempre para a frente
Pô, se é que a coragem vai e mora. Vai com tudo. Vai porque as pessoas precisam. As pessoas precisam. As pessoas precisam. O público precisa de ouvir falar. E bem, sou mental. Os artistas precisam de algo para mostrar os seus trabalhos quando querem fazer trabalho sobre este tema. Eu já tenho vários realizadores a dizerem e pá, bora, deixa eu ver se este festival é outro ou outro. O meu filme nunca era exibido.
triste. Muito triste. Não, não. Porque as salas normais não não acontecem. E temos pouco investimento público em cultura em Portugal, se compararmos com a Espanha, por exemplo, que produz imenso dinheiro. Nós temos nem sequer um porcento. Não sei qual é a porcentagem em Espanha, mas eu tenho noção que é muito maior e que cria riqueza.
O nosso desinvestimento em cultura e educação é atroz e estamos a levar onde estamos. Depois voltamos então aos monotemas e estudo e andar aqui tudo nesta última. E como é que mudamos isso? Como é que conseguimos? Houve tanta gente tão inteligente que não souber de certeza. A pensar sobre o assunto. Costumam dizer que cada país tem os políticos que merece, certo? Vou eu dizer.
Eu tenho soluções um bocadinho mais drásticas na minha cabeça, mas não as vou falar, porque não devo. Ah, gostava de ouvir. Não, não, não, vou para aí, não, vou para aí, porque às vezes eu tenho aqui no Funk, para um dia, no Funk, será que é cocuc. Cocuc, quer dizer, é um termo que diz muito. Eu tenho o meu lado cocuc. Há algumas coisas que eu acho que, pura e simplesmente, já não dá para te curar de forma nenhuma. E a partir do momento em que já não dá para te curar de forma nenhuma algumas coisas, mesmo tendo consciência de que tudo passa.
Há interesses e coisas instaladas, não há tanto mais. E que continua a interessar, que continuam. E não quer que isso aconteça, porque nós não temos política. Do meu ponto de vista, nenhum, nenhum, nenhum, que quer ser esquerda, ser direita, ser anarca, se o que é contido, nenhum que queira realmente saber dos cidades.
Não conheço ninguém. Do meu ponto político, na altura de Platão, de Sócrates e tudo isso, é alguém, é político, em princípio, seria uma coisa para servir o povo, para servir as pessoas, o representante do povo, ok? Com poderes para gerir depois a polis, certo?
Aprendi há muito tempo em ciência e política e filosofia. Isso acabou. Há muito tempo. Política passou a ser uma carreira, uma profissão, feita por carreiristas. Eu não conheço absolutamente ninguém que queira realmente.
Podem dizer que sim, como o Greenwashing, agora em relação à ecologia, não é? Pensei que é que o Atlântico quer dizer que é biológico, que é verde, que é não sei o quê, até McDonald's já tem hambúrgueres veganos e vegetarianos. Isto quer dizer tudo, não é? Obviamente a indústria e a empresa multinacional não mudou. A sua conduta não mudou absolutamente nada, é exatamente a mesma. Mas agora é isto que vende, é isto que se põe. Não acredito que alguém queira realmente, genuinamente, saber do bem-estar das pessoas.
Mas o que é que faz falta? O que é que faz falta? Um reset. Acho que aquilo que faz falta, infelizmente, é mesmo o reset. E o reset vai ser feito. Portanto, mais uma vez, o melhor é estar tranquilos, porque... Tudo passa. A natureza vai sim. A natureza. A natureza que tem força, a natureza que sabe, é sábia. E nós já não vamos aqui fazer absolutamente nada que não seja estragar, destruir.
por causa de dinheiro, por causa da economia, até mais, mais, mais, mais, mais. Tudo bem. É ok podermos estar a fazer isto. Vemos perfeitamente. Vamos lá para as consequências, já estamos a levar. Não venham aí depois as notícias, as tragédias de leiria e os incêndios e as inundações e depois dizer, ah, coitado das duas pessoas, epá, calma, calma.
expliquem porquê que isto está a acontecer primeiro. Deem literacia às pessoas para as pessoas saberem que isto está a acontecer por culpa dela. Primeiro, porque nós podemos assumir a culpa do que estamos a fazer. Isto é só a resposta ao nosso comportamento. Nosso comportamento imediato, não é? E as políticas de criar capital imediato não pensam muito nessa... Nem pensam nem devem ir no dicionário.
Exato. No fundo é um trampolim para ter uma carreira, como disse há pouquinho. Não sei se trouxe um livro para recomendar. Eu não conheço. Vai ter que falar sobre ele. Então chama-se Astro Tóquia, da Mary Jane Rubenstein, que é quem é que ela é. Ela é uma investigadora nas áreas da filosofia, da ciência e da religião.
Foi co-presidente da Unidade de Filosofia de Religião na Academia Americana de Religião. É um livro religioso? Não, não é. O que é que ela faz aqui? Ela faz aqui um exercício, um livro daqueles que eu, quando cheguei ao fim, só disse, epá, bem Anja, obrigada pelo teu trabalho. É absolutamente incrível o trabalho, a recolha.
que esta mulher faz num livro tão pequeno, isto tem até que dizer, tem que explicar a luz da ciência da religião e não só da ciência política, porque é que as coisas estão como estão neste momento em relação à política, e aqui sobretudo focada na loucura que está a acontecer com a Elon Musk.
por exemplo, e com toda esta vontade de colonizar Marte, que está em andamento. Não sei se as pessoas têm noção disto, mas não só. A quantidade de lixo que o ser humano já conseguia pôr no espaço neste momento é de louco.
Nós já temos lixo a pairar por tudo que há ao volto do planeta. As pessoas não falam disto. Então, o que é feito é isso da colonização, da tentativa de colonização da mar. Mas isso é impossível por causa da atmosfera, por causa disto e daquilo. Não, leiam o livro para explicar. Está aqui explicadinho como é que é feito, como é que pode ser feito, o que é que eles estão a fazer, onde é que estão a ir este dinheiro todo a ser investido e como isto está a contar e a acontecer, as we speak, neste preciso momento. Ela conta também.
a parte do comportamento tóxico, mas vai como sendo ela literada também em ciência da religião, vai desde o Génesis e à Bíblia e explica-nos porque é que o humano tem esta atitude de achar que pode destruir e fazer tudo o que vai entender no planeta. É tudo explicado à luz da ciência da religião, que vem desde o Génesis e tudo isso, e o trabalho que ela faz aqui de colar e dar pistas de coisas que nós sabemos isto, sabemos isto, sabemos isto, mas nunca colamos tudo.
da maneira que ela faz neste astrotopio. É absolutamente brilhante. Ela se chama a perigosa religião da corrida ao espaço, porque é isso que está a acontecer, numa espécie de novo colonialismo.
em que os pobres ficam cá em baixo, em pó vai para cima, mas seja como for, a ligação é absolutamente brutal. A explicação de como é que trampos e afins sentem que podem fazer tudo, onde é que isso vem, porquê? Porque é que uma pessoa... Nós conhecemos a doença do narcisismo, certo? Mas isto vai para além disso, estrapou-a para além do narcisismo, sendo que esse é facto.
Mas há mais. E de onde vem não sendo só eu. De onde é que isto vem? E está tão bem. Claro que fala dos descobrimentos portugueses, claro que fala dos colonizadores, claro que fala de tudo isso. Como isto está tudo ligado e como é que se explica que o ser humano consiga estar nesta posição de perpotência perante o planeta e perante tudo.
que tem, e, enquanto, ainda bem explicado, não vou estar aqui a lembrar mais, não, porque também já são só postos rápidos, mas é um livro que vale mesmo, muito a pena ler.
Eu fiquei bastante curioso para ler, honestamente. Acho que vou ler. Vou tentar encontrar. Toca nesses pontos de todos, na verdade, o livro. Tudo o que temos estado aqui a falar, só porque ela está com uma perspetiva única que ela tem. A Mary Jane Rubenstein dá-nos aqui, de facto, uma perspetiva de quem sabe, conhecedora, de que tranquilamente te diz olha, isto, isto, isto, isto, isto, por isso é que isto está a acontecer. E tu dizes, nunca tinha pensado dessa maneira que isto vai fazer.
Eu gosto disso. Quando eu digo ah, nunca tinha pensado assim, isso é emocional. Sim, faz sentido. Sim, sim, sim. Ou quando alguém nos diz algo e eu penso, ah, nunca tinha pensado nisso, dessa forma, isso é bom sim. Normalmente todas as edições têm um tema, não é? E esta edição eu não percebi qual era o tema ainda.
E muito bem, porque não há. Ah, ok. Então é mais amplo. Porquê que não? Sendo a edição da Universidade, estarmos de facto porque estamos. Isso eu vou dizer. Nós, toda a equipa, nós estamos muito contentes, muito orgulhosos de chegar a uma décima edição com um festival de saúde mental, cinema, arte e informação.
Então, decidimos celebrar. Então, as M-Talks este ano, o que vão ser é reunir algumas, algumas não, todos os participantes das M-Talks este ano, são pessoas que já se sentaram numa cadeira do Festival Mental. Cada uma nos seus temas, outros temas. Todos os anos sempre tiveram temas. Buscaram um tema de outra pessoa do tema, outra pessoa do outro. E vamos fazer uma espécie de radar. Ok, tu estiveste aqui sentado no ano de tal e falaste sobre isto. Como é que tu achas que as coisas estão agora?
Mudou ou não mudou em relação a isso? Fazer um radar com todos estes sábios, com todas estas pessoas incríveis e ver a leitura delas. O interesse é de burnout, é de demências, é de vários. Portanto, não há um tema que cada pessoa vai fazer, vai nos pedir. O moderador é isso que vai fazer o trabalho, não vai ser fácil.
mas de ver se conseguimos trair daqui um sumo de 10 anos de saúde mental, um sumo do que aconteceu e se calhar eventualmente e sobretudo do que não aconteceu. Pode muita coisa não ter acontecido. Pode muita coisa ter resbalado. Pode muita coisa ter voltado para as backwards. Vamos ouvi-los. Vamos ouvir quem sabe. Há algum desses temas que seja mais próximo de si, que tenha mais motivação, mais interesse.
Eu estou preocupada com o código-seu entre o ser humano e a natureza e o impacto que isto está tendo no seu documental em geral. Acredito que isto seja dos grandes erros fatais até para destruir o seu documental. Este virado costas.
no mesmo assumido o que estamos a fazer com a natureza, e com tudo isso, nós fazemos parte dela. Portanto, a partir de nós fazemos parte de uma coisa e viramos costas, nós estamos a vir às costas de nós próprias. E, portanto, estamos a tecer aqui uma malha perigosíssima, em termos de saúde, do meu ponto de vista, tem de ser um enorme disparate. Mas isto me preocupa, porque...
Depois as pessoas andam muito infelizes. Infelizes, preocupadas, viradas para si próprias, com medo. O medo está a ser uma coisa... Parece que está sempre parado aqui, o medo. Às vezes é um medo até irracional. Medo de quê? Também é medo de coisas com características, mas é um medo, com M maiúsculo, transversal. Sente-se. Eu sinto.
Uma ansiedade, não é? Uma ansiedade, no geral. Quando andas na cidade, sobretudo nas grandes cidades, além da descaracterização completa, sente-se as pessoas tão reativas. As pessoas tão com medo, as pessoas reativas. As redes sociais também não são propriamente a melhor coisa se pusermos dentro deste puzzle essa peça também. Ok? A impunidade de dizer tudo o que quer, o que lhe apetece, é hipócrita que guarda e é o que tem.
Eu tenho uma relação muito difícil com as redes sociais, apesar de ter as minhas. Mas cada vez sinto menos vontade de as ter. E por isso é que eu tenho uma newsletter que as pessoas podem subscrever. Então, todos os meses eu lanço uma newsletter com os episódios que são lançados. O que é preciso posicionar a newsletter? O que é que é preciso posicionar a newsletter e a recebê-la?
Para receber é só escreverem oquefazfalas.substack.com e basicamente basta subscrever, é gratuita e também recebem as novidades aqui do podcast com os novos episódios e com as reflexões que nós temos aqui. Só queria falar mais de um tema porque é um tema que está recentemente a ser falado por causa da saúde mental e do estrangeiro. Houve uma política que está recentemente a ser alterada.
É preocupante tirar direitos seja quem for, qualquer ser humano. E tudo que vai, viola qualquer tipo de direito humano, não. É ok, não pode acontecer. Mas acontece. Está lá, é feito, é leis. E ora, são aprovadas, portanto. Como é que conseguimos manter a expressa assim no mundo para o futuro? Mesmo com essas preocupações todas ecológicas e tudo que temos os problemas à nossa volta, como é que conseguimos manter-nos com a expressa?
Olha, tendo amigos, pessoas de quem estamos, ajudando o outro, não há nada tão gratificante como estar com atenção ao outro. Não há nada tão gratificante como uma pessoa conseguir sentir empatia, conseguir calar-se ou ouvir.
escutar. E isso, parecendo que não, alimenta-nos. Alimenta-nos de uma forma extremamente positiva. Alimenta-nos porque vai se sentindo bem. Vai se sentindo bem pela sua forma de estar. É uma maneira de estar na vida que eu acho que nos ajuda a continuar e a pensar que não, não tudo é mau. Não é verdade que é tudo mau.
Não é verdade que está tudo errado, não é verdade. Há muita coisa bonita, há muito por onde olhar, mas é isto que eu estava a dizer já há bocado e que reforço. Não há nada como ter perspectiva sobre as coisas, tentar não afundar. Assim como a pessoa consegue ter perspectiva. Não vamos manter a esperança. É, manter a esperança. É tal coisa, não olhar para a cadeira só de frente. Vamos ver toda a boca toda. Vamos ver se todos os pontos devemos descobrir algum. Nos faz sentido.
Chegamos aqui ao fim do episódio. Muito obrigado por ter vindo falar comigo acerca do festival e não só. Outros temas também importantes sobre a atualidade. O Festival Mental acontece entre 14 e 17 de maio no Cinema São Jorge em Lisboa. Espero que toda a gente possa ir, quem puder, quem estiver presente, quem estiver na cidade também. Não porque precisem de ir, mas porque todos nós precisamos. Ana, obrigado por existir e por fazeres parte deste espaço do podcast do que faz falta.
Muito obrigada, Luís, pelo convite. Tudo bom. Até breve. E agora vou subscrever.
O que faz falta é um projeto totalmente independente Espreita a descrição, há formas muito simples de ajudar Como cantava o Zeca, venham mais cinco de uma assentada Conto contigo para espalharmos esta mensagem Porque o que faz falta é agir Muito obrigado por estares desse lado