Episódios de Haja Saúde, Rafaela

O Hyrox é Estúpido

07 de maio de 202631min
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Viva!

A máquina da verdade não repousa e ei-la para mais uma semana de confraria.

No verdadeiro ou falso de hoje temos: registo poligráfico do sono, hyrox e entre etc's.

Isto e mais no meu podcast preferido.

Haja Saúde, Rafaela!

Assuntos12
  • Moda HyroxComparação com CrossFit · Merchandising e apoio a amigos · Envelhecimento da moda
  • Registro poligráfico do sonoExperiência do exame · Comparação com pornografia · Instruções para o exame
  • Política: Cristina Ferreira vs. Pol PotMarxismo-Leninismo e partido único · Democracia liberal · Carlos Moedas
  • Carro mijadoHipóteses iniciais (máfia, marketing) · Causa real (cão na varanda) · Sugestões para sinalização
  • Plano Nacional de LeituraQualidade dos livros · Intemporalidade das obras · Livros para adultos e crianças
  • O Belo e a PolíticaVariação do Belo com o tempo e espaço · Relação entre beleza e política · Movimentos artísticos e beleza
  • Homens pintando unhasHomens pintando unhas de preto · Homens pintando unhas de outras cores
  • Fuck, Marry, Kill: Rita Marrafa de Carvalho, Bárbara Tinoco, Clara NãoBárbara Tinoco · Rita Marrafa de Carvalho · Clara Não
  • Conceito de MarDiferença entre mar e oceano · Diferença entre rio e mar · Branding de conceitos geográficos
  • Comédia em PortugalNecessidade de mais comediantes · Criação de um sindicato de comediantes
  • Zoofilia e VegetarianismoZoofilia comparada a sexo com pessoas · Canibalismo como end goal
  • Vitor Bahia vs. Bruno de CarvalhoVitor Bahia travestido
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Então não é que o vosso papi chulo foi fazer um registro poligráfico do sono? That's tough. That's kinda tough. Eu posso estar na vanguarda das práticas médicas no nosso país. No nosso país, certamente. Nem a posso. Mundialmente, posso estar. Se calhar até ao contrário, porque nós somos um país desenvolvido. Portanto, posso estar em Portugal? Mundialmente, estou certamente.

E eu digo-vos uma coisa. Eu arrependi-me, eu puse uma fotografia no Instagram, porque temos que rentabilizar aquilo que nos acontece para o conteúdo meu. Foi o que sempre me ensinaram e é aquilo que eu estou a pôr em prática. Eu arrependi-me no momento em que fui colocar os fios e aqueles aparelhos.

No momento. Porquê? Porque os médicos têm uma coisa particular, que é, quando vocês vão ter de fazer o exame, eles conseguem menorizar o aparato desse exame na vossa vida. Ah, agora vai ter que fazer aqui um registro poligráfico do sono, mais ou menos para percebermos qual é a sua atividade cerebral e respiratória durante o mesmo, e portanto, ok, está-se bem, vou-me meter uma máquina apetrechada, um apetrecho aqui acoplado ao peito, e dá, não pá.

Eu parecia aquilo que vocês quisessem que eu tivesse parecido. Bombista, o Stephen Hawking, parecia que estava em coma, parecia, como eu disse, a máquina da verdade do programa da Fátima Lopes, a própria máquina da verdade. Eu era a máquina da verdade, fez-se um morro em plataforma digital. E a verdade é que os médicos têm que parar de fazer isto, porque se eu soubesse que era assim, eu não me importava de ter dormido mal para o resto da vida. Porque eu digo-vos uma coisa, eu dormi pior do que alguma vez dormi.

Eu dormi muito mal. Muito mal. De tal maneira que tive uma experiência de sono diferente daquela que me levou a procurar ajuda.

E quando eu disse isto, estava a partilhar isto com amigos, eles disseram-me, pá, isso é normal. Isso é normal. Eles sabem perfeitamente que o teu sono vai ser pior. E os resultados, aliás, os parâmetros de avaliação têm isso em consideração. Eles sabem que vais dormir pior. E eu primeiro pensei, pá, isso não faz sentido nenhum, porque os resultados não vão ser fidedignos. E depois comecei a pensar e pensei assim, claro, isto é lobby da saúde.

Eles querem que eu durma pior para o diagnóstico revelar problemas que eu não tenho para depois eu pensar que os tenho e adequar a minha vida às soluções que eles apresentam a um problema que eles criaram. E ficas preso num loop, mano.

Eu não sei se o exame ao sono e as inovações médicas são assim tão diferentes da pornografia. No fundo, esta era a punchline do exame todo. Era comparar pornografia a bondagem, a prática sexual e o comediante. Agora vamos ver. Porque depois há outra. Eu já estive a falar com pessoas que me disseram Ah, o meu avô também fez isso, fez esse exame ao sono, puseram-no a dormir no hospital.

Eu tive sorte, fui dormir a casa. Só que, como ele apanhou um senhor que ressonava muito alto no quarto dele, não conseguiu dormir, então o resultado deu inconclusivo. Epá, vocês estão a apontar para uma experiência muito precisa, que é, não podes dormir bem, é normal não dormires bem, mas também não podes dormir muito mal. Estás a apontar para um... Isto é mentalismo. Diz-me o que é que... É o oito, não é? Tem que ser o oito.

É o oito espadas. Tu queres o oito espadas a dormir. Isto é impossível. Teve coisas engraçadas.

nomeadamente o documento que tinha a preparação para o exame. E eles, entre outras coisas mais normativas, tinham um ponto que eu achei fascinante, que era trazer boné, gorro ou lenço.

Porquê? Porque um gajo vai estar com fios na cabeça e cola na cabeça e tal. E à frente dizia facultativo. Que é como quem diz. Eu não recomendo para seres um atrasado mental no meio da rua, mas... You do you. E eu pus-me a pé... Ele veio um lenço. Ele veio um lenço. Porquê? Poucas vezes eu tenho problemas de saúde que me permitam... A macacar. E eu...

Que é inacreditavelmente. Engraçado, na minha opinião. Eu levei um lenço que eu gosto de chamar de lenço de cancro.

Lenços de cancro, na minha opinião, são macacados. Têm padrões. Um lenço de cancro que seja uma cor sólida, parece que és empregado num churrasco brasileiro e estás com aquelas merdas vermelhas que se fazem sempre acompanhar de uma farda preta. Se tu tens cancro e usas um lenço vermelho, traz-me uma maminha, Manolas. Traz-me uma maminha, Manolas. Traz-me uma picanha.

Então levei lenço padrão de cancro, sim, lenço padrão de cancro com padrões. E é delicioso vocês receberem olhares de pessoas, quem vocês passam no hospital, porque vê um gajo com lenço e com fios a cair em ele da cabeça, e poderem olhar de volta, porque sabem que elas vão ser as primeiras a desviar o olhar. Qualquer ansiedade social que vocês tenham, extingue-se com um lenço na cabeça. Vos garanto isto.

E depois comecei a pensar mais. Porquê que eu não levei um véu cigano? Porquê que eu não levei um turbante? Cancro ou um exame ao sono, são normalmente as duas coisas que dá para fazer isto, são os melhores e maiores pretextos para a apropriação cultural.

talvez vocês possam andar de burro, passar à frente em filas, explodir aeroportos com cancros e fios na cabeça. Outra coisa da qual eu gostava de vos falar aqui na intro, não há grandes introduções, passando o plenarmo que eu possa fazer este tópico. A verdade é que mijaram-me no carro.

Ah Miguel, isso é perfeitamente normal. Possivelmente colocar-se-o num parqueamento de vida noturna e isso de quando em vez sucede. Não overthinks. Manolas, eu estacionei numa zona residencial e mijaram-me na parte de cima do carro.

Não foi no pneu, não foi nas jantes, não foi no para-choques, nem na matrícula, na parte de cima do carro. Portanto, ou há gigantes porcos que andam a mijar no meio da rua para cima de carros, ou um macaco se meteu a mijar da varanda para cima do meu carro. E eu primeiro pensei, quando me mijaram em cima do carro, pensei assim, pá, ou isto é máfia,

Isto é máfia, isto é vingança. Isto é a versão portuguesa de cabeça do cavalo dentro da cama quando vais dormir, como o filho do padrinho. Ou a máfia está a prestar contas comigo. Eu até pensei que quando eu chegasse ao carro estivesse lá um gajo com uma esfregona e um balde a dizer, tens o carro mijado, deixa-me limpá-lo por um euro.

Como os sicilianos faziam? Davam um tiro na rótula de um gajo, agora estás a precisar de uma cadeira de rodas, não estás? Ah, não estou. Estás, estás, caralho. Pensei que fosse isto. Estás a precisar de um par SMIs, não estás? Ah, não estou. Estás, estás. Tens aqui. Bal, desfregona, um euro e uma pistola. Como é que é? Ou foi isto, pensei eu, ou era isto, ou lá está. Ou era um daqueles anúncios de marketing brasileiro. Sabem? Em que é...

Hamburgaria... Imagina, tu vais contra... Finges que és atropelado por um carro,

O teu cameraman está lá, filma-te debaixo de um carro e tu diz assim, caraca, ainda bem que eu trazia esse hambúrguer da Hamburgueria Santos. Por causa desse hambúrguer, o impacto foi mitigado. Ainda pensei que, não sei, que fosse alguém sair debaixo do carro com o hambúrguer. Mas depois vieram-me a dizer, amigos, que viveu nessa zona que aquilo é um lugar no qual ninguém estaciona porque há um cão de uma varanda no terceiro andar que costuma mijar lá para baixo.

Eu fui humilhado por um coque espanel. Eu fui humilhado por um coque espanel. Se tu tens um cão que mija varanda abaixo, tu tens que fazer uma coisa. Tu tens que meter um sinal de cuidado com o cão. E não é na tua varanda, nem na tua porta. É no lugar. Mete cuidado com o cão.

Porque isso leva-me a outro raciocínio. Porque um cuidado com o cão não bastaria. Eu tenho de saber porque é que tenho de ter cuidado com esse cão.

Se o cão morde, tem de estar essa informação no sinal. Pode ser graficamente, pode ser cuidado com o cão e o cão a atacar alguém. Se o cão ladra, metam o cão a ladrar. Se o cão mija, metam o cão a mijar. Pior do que isto tudo. Se o cão te vai atacar para dar beijinhos, eu quero saber isto. Porque o meu comportamento é de coa-se a isso. Se tu tens uma casa... Ehm...

Ela pode ser assaltada e tu metes um sinal de cuidado com o cão e o problema é o cão poder-te mijar nos pés, eu tenho de saber isso, porque se for isso eu assalto-te a casa na mesma. Se o cão morder aí é diferente. Mas por favor sejamos mais descritivos nos sinais de cuidado com o cão. E tu, meu mano, de cacilhas que tens um cão que mija terceira andar abaixo.

Ajuda as pessoas. Esta semana, em alta, neste oceano de ações, neste rebuliço, vocês sabem que é uma palavra que me é muito querida, é algo que eu faço por utilizar. Adoro esta palavra. Em alta temos pintar as unhas. Homens que pintam as unhas sintam-se abraçados por mim. Com exceção daqueles que as pintam de preto.

Para mim, um homem que pinta as unhas de preto é um homem que quer pintar as unhas, mas tem medo de ser gay. Ou de parecer até gay. Se fosse de ser gay era muito mais engraçado. Mas tem sobretudo medo de parecer homossexual. E não há nada mais gay do que tu fazeres ativamente por não pareceres gay.

Para mim, um gajo que pinta as unhas de preto é, pá, eu quero pintar as unhas, mas tenho medo de ser julgado. Portanto, vou pintá-las de preto, que é a cor mais masculina que há. Porque é tipo, eu meio que sou do metal. Não sou como esses rabilos que pintam as unhas de verde, o que é esta merda. Ser homem. Pinta as unhas de cor de rosa. Faz-te homenzinho.

Pintar as unhas de preto é, eu quero seguir uma moda, tenho medo de ser julgado, ai, o que é que vão pensar de mim? Se eu pintar as unhas de preto, quando for visitar os meus pais a casa, consigo justificar com alguma facilidade, porque pá, toda a gente agora faz isto, mas eu estou aí com calma, estás a perceber? É a versão de, eu não como homem, já beijei um amigo na noite, mas vamos com calminha, calma. Estás a pintar as unhas de preto, estás a beijar um amigo na noite.

E isso, se tu quiseres fazer mais do que isso, mas não fizeres por falta de coragem, é gay.

Não estando a parecer gay ou fazendo por isso, estás a parecer muito gay, mano. Um grande beijinho para todos os meus homens que pintou as unhas de mil e uma cores. Outra coisa que valorizou, eu quero, pá, trazer-vos isto há algum tempo. Fala-se pouco da qualidade do nosso plano nacional de leitura. Os livros do nosso PNL. Que não vos vou mentir, a primeira vez que me falaram desta sigla eu pensei que fosse programação neurolinguística.

Já viste os livros da Programação Neurolinguística? Tem Gil Vicente e João Blumel. São os autores que saem no Exame Nacional. Mas eu tenho a ideia de que nós adultos pensamos nos livros, pelo menos os menos letrados, como é o meu caso, pensamos nos livros do Plano Nacional de Leitura enquanto livros para crianças. E eu tenho percebido que isso não é verdade.

Eu pus-me a ler na FNAC o livro Cidades Invisíveis, de Itálogo Calvino. Só tive a oportunidade de ler 20 páginas na medida que não tinha tempo nem dinheiro para comprar aquele livro, quando fizeram uma atuação em que me encheu uma pedala de dinheiro. Se calhar vou investir parte dele nesse livro. Pus-me a lê-lo, li 20 páginas de uma assentada e estava a adorar aquilo que estava a ler. E pensei, porquê que isto está no plano nacional de leitura?

Porque eu acho que os livros que estão no plano nacional de leitura são livros intemporais. E há outra questão que é a intemporalidade, como nós a percebemos, associada à arte, regra geral, é ligada a um conceito de, ou que assenta na premissa, a mensagem que está neste livro é válida em qualquer altura do tempo.

E eu, conseguindo perceber isso, eu sinto que a intemporalidade tem mais que ver, é mais subjetiva. Ou seja, tem mais que ver com quem contacta com essa obra. Ou seja, não é como se a mensagem de cidades invisíveis fosse percepcionada por quem tem 18 anos e por quem tem 45 da mesma maneira. Porque não acho que seja. É sempre percepcionada. Estão comigo?

É percepcionada de maneiras diferentes, mas faz sempre sentido. Os sentidos são diferentes, mas a carga está sempre lá. Eu acho que se tivesse lido aquele livro com 16 anos, teria pensado de uma maneira, e agora com 30, faz-me sentido na mesma, mas de uma lógica distinta. O significado muda, mas está sempre lá.

E eu acho que existe uma espécie de capacidade que esse tipo de livros tem de parecer sedutor. O que me faz dar os parabéns ao curador do Plano Nacional de Leitura. Porque há ali merda, não é? Por exemplo, acho que os Lusíadas não se justificam para crianças. Não, ponto final, para crianças. Agora, estes livritos...

são-me... ou têm-me sido muito caros. E eu sinto que, se porventura vocês, como eu, estão a fazer esta jornada de quero ler mais, eventualmente, investir no Plano Nacional de Leitura pode ser... pode ser frutífero.

Eu também já tinha agarrado num livro nos contos de Edgar Allan Poe, que também estavam no PNL, e diverti-me bastante. Portanto, queria dar aqui este charoto ao PNL. Ações a sério. É aquela ação que nunca vos vai fazer ricos, mas vai fazer-vos acordar sempre de bom humor. É bom. É muito bom.

Por outro lado, não pode ser só coisas boas, não é? Não pode ser só fazer dinheiro. Um gajo está a perceber, está a perceber, e tem sobretudo que perceber quando é que ou estamos agarrados a coisas que nos fazem mal ou não devemos entrar numa moda. Porque é disso que se trata.

O que está em baixo esta semana, a primeira das coisas, é o Irox. Já me tinham falado aqui na nossa plataforma predileta do Irox, no Ciberdúvidas, não me lembro quem, mas tinham-me feito uma pergunta nesse sentido. E eu, quando respondi, estava um bocado desfasado e não era um conhecedor de todas as características que essa moda envolve, que é mesmo assim.

E a verdade é que eu tenho contactado com o Aerox através de redes sociais. E eu estou saturado do Aerox.

O Aerox é uma parulice. Não necessariamente a parte desportiva, mas a maneira como estão a pintar a parte desportiva. E a maneira, sobretudo, a maneira como estão a pintar o Aerox, um movimento Aerox. A primeira vez que me falaram do Aerox, disseram-me assim, epá, aquilo é crossfit, mas mais fácil e mais acessível. Que é já uma lógica... barata.

Isto não faz nada pelo movimento. Isto é como tu dizes assim. Estás a ver... Estás a ver a Gucci. As peças da Gucci. O dinheiro que se pede pelas peças da Gucci. Isto vende um modo de vida. Como tu não tens dinheiro para esse modo de vida, tens aqui a Primark.

Nós copiamos os designs da Gucci, mas tornámos-los tão acessíveis que até um gajo como eu posso comprar. Isto é o argumento de é crossfit, mas mais fácil. E há coisas piores do que isto, que é o circo todo em torno do Aerox.

é nas redes sociais, é pessoas que até há um mês viviam vidas normalíssimas a sentirem-se atletas de alta competição. Eu acho que é por isso que a Aerox também é tão sedutor. Porque com facilidade, dá-te a possibilidade de viveres uma vida que não era a tua. Isto faz com que nós vejamos pessoas de 40 anos a irem apoiar outras pessoas de 40 anos a competições com merchandising.

T-shirts com o nome dos amigos. Parece uma despedida de solteira. Nós somos a turma da noiva. Somos loucas e fazemos broches. É como quem diz, nós somos a turma da Matilde e temos a certeza de que ela consegue levantar 40 quilos em deadlift. Pá, o que é isto? Só há dois motivos que justificam usar-se merchandise com o nome de amigos.

ou despedidas de solteiro, ou se os teus amigos tiverem uma doença terminal. Aí percebo. Percebo. É pá, se o teu amigo infelizmente tiver cancro, pá, está ele na quimioterapia, tu estás lá fora com uma tijera de dizer força João, já não vais conseguir fazer ad-lives de 40kg. Pá, porquê que eu estou a ver, fiquem comigo, porquê que eu estou a ver stories e eu estou a ver,

da Vanessa Martins a apoiar outra influencer numa competição da Aerox. E mais, eu acho que o Aerox é daquelas modas que vai envelhecer mal. Porque o CrossFit envelheceu, mas continua a ser uma coisa de respeito. Uma cena dura. O Aerox vai ser só uma moda que envelheceu e ficou para pessoas que não são boas o suficiente para fazer CrossFit. Isto é problemático.

Se tu és uma moda, lá está, que se assemelhem quase tudo, a nível social, a uma despedida de solteiro, tu não estás bem. É como uma despedida de solteiro. Há o noivo, que neste caso é o participante, os amigos vão com o noivo ao sentido da despedida de solteiro, vêm o gajo a trair, e no fim percebem que a melhor coisa a fazer é nunca mais falar disso daqui a 5 anos, porque vai ser uma vergonha. Outra coisa que eu vos queria trazer aqui, que eu acho que está em baixa, é o conceito de mar.

Eu pus-me a pensar, tive uma atuação em Sesimbra. Estava a ir para Sesimbra e no carro pus-me a pensar assim. Todos os oceanos são mares. Mas nem todos os mares são oceanos. É verdade. Vocês podem banhar-se no mar Mediterrâneo e isso não é um oceano. Mas vocês podem banhar-se no oceano Atlântico e isso é um mar. Porquê?

Nós temos de fazer um branding mais claro dos conceitos.

Porque depois também há outras merdas, que é... O que é que separa um rio do mar? Porque eu estou em Lisboa, se eu me banhar até... Ou, perdão, de Algex, sou um porco de merda que toma banho no rio. Se eu me banhar em Santa Mardoeira, já sou um gajo que gosta de água de mar. Aliás, se eu fizer jogging ao pé do rio, sou o meio paroulo. Se eu fizer jogging ao pé do mar, eu subteria esses escalões de IRS. O branding está confuso e nós estamos a deixar-nos comer.

Comer pela malta que tirou 18 a geografia no secundário. A primeira pergunta é do Roberto. E o Roberto pergunta, a ideia de Belo varia de época para época? Obrigado, Roberto, pela outra pergunta. Olha, eu não sou inteligente. Ponto final. Tu és muito mais do que eu. Sabes muito mais isto do que... Eu não sei isto. Acho que sim, não é?

É de tempo para tempo e de espaço para espaço. Eu acho que não tem uma resposta muito disruptiva. Mas eu acho que faz sentido. Porque o belo tem assim associado uma noção de ruptura. Os movimentos artísticos são porque rompem com os passados.

Portanto, se isto existe, o belo tem forçosamente que mudar. Não acho que aquilo que foi ultrapassado o tenha sido por completo e por isso passado a ser feio. Mas, estou aqui a cingir-me a uma perspectiva artística, porque não quero bem entrar em questões relacionadas com corpos, pessoas.

E também, eu acho que também é político. O Belo também é... Agora apareceu a Catarina Martins no Jirinhas. Tudo é político, meu. Tudo é político. Estás-me a perguntar de que cor é que era o meu primeiro cão? Era castanho porque eu quero que os castanhos venham todos para cá porque tudo é político para eu ter votos, mano. Tudo é político. Mas é. Mas é. Eu acho que há movimentos artísticos e por isso correntes de beleza que só podem surgir consoante...

tempos políticos em dados lugares estás a perceber o que eu estou a dizer? eu sinto que devia concretizar melhor mas como estou a pensar nisto on the spot posso parecer muito trapalhão mas eu acho que sim acho que a noção de Bel varia com o tempo com o espaço e com a política, diria que sim obrigado Roberto pela tua pergunta, espero ter-te respondido de maneira minimamente satisfatória a próxima pergunta é do Chico e ele pergunta, zoofilia tchau

o meu tipo pergunta é melhor ou pior se não fores vegetariano é pior é pior eu acho que zoofilia é melhor se eu for vegetariano da mesma maneira que sexo com pessoas é bacana porque eu não sou canibal

Não sei se é melhor, também dou teste, mas sei que é bacana para mim por isso. Porque eu também quando vejo casos de canibalismo, ou quando ouço falar de casos de canibalismo, mesmo que lhes estejam associadas práticas sexuais, o end goal é sempre o canibalismo.

normalmente a prática sexual até é é um presságio daquilo que aí vem, é uma desculpa para depois eles te poderem matar e comer portanto eu vou dizer que vou dizer que não, vou dizer que se tu fores vegetariano

A zoofilia é melhor. Obrigado, Chico, pela tua pergunta. A próxima é do Dani. E ele pergunta, estás mais próximo politicamente da Cristina Ferreira ou do Pol Pot, ex-ditador do Camboja? Muito boa pergunta. Eu vou-te explicar. Eu vou-te explicar. Permite-me explicar, já que te armaste aqui em... Armaste-te tão em arrogante que tiveste dizer quem é que era o gajo. Na própria pergunta. Portanto, não me venhas com merdas.

O marxista-leninista é Pol Pot. Porquê que eu não gosto do marxismo-leninismo? Porque a mim dá-me pau, dá-me tuza viver numa democracia liberal, camarada. Percebes? Porque por muito de esquerda que um gajo seja, e eu sou um bocado de esquerda,

a ideia de partido único dá menáuseas. Compreendes? A cena de vamos formar aqui um partido único, porque o jogo das eleições é de um interesse burguês e é sempre permeável à ação e ao subterfúgio dos mais poderosos para comandar os mais pequeninos, a mim dá menáuseas.

Eu gosto muito de ter uma coisa e daqui a 4 anos poder ter outra. Portanto, eu vou situar-me politicamente mais próximo da Cristina Ferreira. Apesar de eu saber que a Cristina Ferreira é uma admiradora com festa de Carlos Moedas e isso me fazer agora reconsiderar a minha resposta. Entre o Carlos Moedas e um sanguinário do Sudeste Asiático, venha o diabo e escolha, mas aqui o débil sou eu e eu vou escolher o Mayor de Lisboa. Bom dia, haja saúdinha. Vou escolher a Cristina Ferreira. Agora.

Se daqui a 10 anos eu continuar sem conseguir comprar casa, eu não sei se não vou para o marxismo leninista e não começo a apoiar o partido único, o partido proletário. Dani, beijinho, obrigado pela tua pergunta. Mas embora, eu senti que era apropriado dar esta intubação e esta reflexão de voz para acabar de responder esta pergunta. A próxima é do Paulo, e ele pergunta o que é que faz falta à comédia em Portugal? Nada, Manoel.

Número, venham mais. Quantos mais a fazer mais dinheiro envolvido? É o que eu acho. O que me vai, de certo modo, frustrar mais se não conseguir vingar.

Estamos cá para isso. O que é que faz falta? Nada, mano. Também temos a chegar a um nível de popularidade que acho que nunca tivemos tão próximos de criar um sindicato e acho que é um sindicato que vai ser parecido com o dos treinadores de futebol. Se não tiveres o curso da banca ou do futebol de Comediclub ou do Lisboa Comediclub nós não te reconhecemos como comediante, meu.

nós vamos fazer um open mic sem curso aquilo que os outros tentaram fazer ao Ruben Amorim. Não te sentes no banco. E ao João Pereira, não treines enquanto não tiveres o nível, o grau 3 de comediante do UEFA. Obrigado, Paulo, pela tua pergunta. A próxima é do Manel e ele pergunta Fuck Mary Kill, Rita Marrafa de Carvalho, Bárbara Tinoco, Clara Não.

vou já matar a Bárbara Tinoco pá, não suporto, não suporto não só pela mensagem irritante que ela tem como pela figura, não é a minha cena não me dá tuza nem vontade de casar portanto, depois vou vou fazer fuck com a Rita Marrafa de Carvalho

Porque é uma pessoa experiente que já fez reportagem de guerra e, portanto, quando tu tens a vida a passar-te pelas mãos, eu sinto que aquilo que estás na cama é incomensuravelmente mais do que qualquer outra pessoa e vou casar-me com a Clara não. Porque se faz parte da noção de casamento de não ter sexo e ela tem uma namorada, está tudo bem.

Está tudo bem, não vou estranhar a grande coisa. Por outro lado, acho que quando tivermos vai ser uma coisa romântica. Porque a mensagem separa-nos, mas a verdade é que acho que o âmago nos une. Na medida da justiça social. A diferença é que eu não sou ao que ela é um bocado. Mas vou casar-me. Vou casar-me com a Clara não. Vou fazer sexo com a Rita Marrafa de Carvalho. Vou fudir. É o que tu queres ouvir, não é?

Rita Marrafa de Carvalho e vou foder... Vou foder, matar e depois canibalizar Bárbara Tinoco. Obrigado, Manuel, pela tua pergunta. A próxima é... Pergunta fácil, meu amigo. E é do Tomás, desculpa-me. Pergunta fácil, meu amigo. Como é que tens estado? Maravilhosamente. Eu sempre que puder vir aqui falar-vos das minhas experiências e assim racionalizar aquilo que se passa na minha vida, transformando-a em comédia, eu estou bem. Não tenho muito mais a dizer-te para além disto, meu querido.

Muito obrigado pela tua pergunta. E a próxima é do Vitor. Ele pergunta, preferias o Vitor, bem-a, travestido?

ou o Bruno de Carvalho com implantes mamários? Muito boa pergunta. Epá. Caramba, pá. Eu não sei se não preferia o Bruno de Carvalho com implantes... Ai, que merda de pergunta. É uma boa pergunta, mas ao mesmo tempo é uma merda de pergunta.

eu acho que preferia o Bruno de Carvalho com implantes mamários porque estás-me a perguntar isto numa lógica que eu tenho que interagir sexualmente com um dos dois, não é?

Se fosse com os dois, era de loucos. Mas preferi o Bruno de Carvalho porque acho que o pré era menos estranho. Porque se eu fosse visto na rua com o Bruno de Carvalho, era tipo, pá, este gajo está com o Bruno de Carvalho. Giro. Se eu fosse visto na rua com um Travis Chee, acho que era mais complicado de explicar. Eu acho que isto pode ser altamente transfóbico, mas estou colocado-me nesta situação. Portanto, vou dizer, Bruno de Carvalho com implantes mamários, até porque depois era tipo, eu singia-me só aquela parte do corpo dele, na interação sexual, sabes? Com o Vitor Bahia. O corpo era o do Vitor Bahia.

Eu estava a foder um campeão europeu de peruca e batom. Isso é bizarro. Eu prefiro foder as mamas de Bruno Carvalho. Esta semana, Carlos, se detrás de nós uma piada complexa. Uma que envolve diálogo, que envolve, como já é panagem, problemáticas sociais. E, sobretudo, uma entrega endiabrada. Então diz-nos, Carlos, esta semana. Miguel, fui com o meu amigo Roberto a uma corrida de cavalos no outro dia. Já sentados, eu disse-lhe o seguinte. Apetece-me apostar.

Por mim, podes meter a dinheiro ali no preto. E ele diz-me assim, epá, calma. Dinheiro no preto. Isto é uma corrida de cavalos. E isso agora é ilegal. E eu, estás parvo, mano. Isto é uma corrida... Cavalo. Ele, cavalo. Epá, tem calma. Isto agora é um problema. E eu, problema. Mas tensão que estás com algum problema, meu. Gás, por acaso aqui estou com um no bolso. Que é, a Joana e a Rita têm duas laranjas a dividir por cada uma.

Quanto é que fica para cada uma? E eu disse, laranja. Esperai que eu prefiro ladeiras.

Legendas por TIAGO ANDERSON