ENTREVISTA À SEXTA com Jacinto Pereira – 8 Maio 2026 | Popular FM 90.9
Bem-vindos a mais uma edição do programa "Entrevista à Sexta" da Rádio Popular FM 90.9! 📻✨
Nesta edição, recebemos Jacinto Pereira, Presidente da Direção da Abrigo – Associação Portuguesa de Apoio à Criança, para uma conversa dedicada ao trabalho desenvolvido no apoio e proteção das crianças. 👧👦
Durante a entrevista, ficamos a conhecer melhor a missão da associação, os projetos que desenvolve e a importância do apoio social e comunitário na promoção do bem-estar e dos direitos das crianças. Um momento de reflexão sobre o papel da sociedade na construção de um futuro mais justo e solidário.
📅 Horários:
▶ Transmissão em direto: Sexta-feira às 12h00
▶ Repetição: Sábado às 18h00
💬 Convidado:
🎙️ Jacinto Pereira – Presidente da Direção da Abrigo – Associação Portuguesa de Apoio à Criança
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Mário
Susana
Jacinto Pereira
- Fórum Abrigo 2026Direitos e Afetos: Construindo o Futuro da Criança · Papel da justiça na defesa das crianças · Superior interesse da criança · Acolhimento familiar vs. institucional · Violência filioparental
- Conselho das Comunidades PortuguesasMissão e projetos da associação · Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP) · Projeto de construção da sede · Apoio de empresas e instituições
- Intervenções de especialistas no Fórum AbrigoPaulo Guerra - Juiz Desembargador · Miguel Vaz - Juiz · Ana Lourenço - Instituto de Apoio à Criança · Xavier Urra - Psicólogo · João Pedro Gaspar - Moderador · Carlos Andrade - Moderador
- Relação com a FamíliaConceito e funcionamento · Processo de seleção e formação de famílias · Acompanhamento e gestão de fundos
- Comunicação em redes sociaisSensibilização da opinião pública · Divulgação de temas relacionados com a infância
- Participação de Personalidades no FórumPresidente da República · Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social · Procurador-Geral da República
- Apoio dos Municípios de Montijo e AlcocheteColaboração com a Abrigo · Cedência de terreno para construção · Parceria com o centro de documentação
Intervista à Sexta. As figuras e os protagonistas da região em entrevista. Às sextas-feiras, ao meio-dia. Intervista à Sexta.
Começa agora mais uma entrevista à sexta. É hoje nosso convidado Jacinto Pereira, presidente da Abrigo, Associação Portuguesa de Apoio à Criança, instituição que se prepara para realizar mais uma edição do Fórum Abrigo. A oitava.
E é por aqui que iremos começar, para depois deitarmos um olhar ao momento atual desta Associação de Proteção às Crianças e aos Jovens em Situação de Risco. Boa tarde Jacinto Pereira, antes de mais agradecer por ter aceitado o nosso convite. Direitos e Afetos, Construindo o Futuro da Criança é o tema desta oitava edição do Fórum Abrigo.
que vai ter lugar, é bom que se diga também, já agora, de resto, no Cinema Teatro Joaquim de Almeida, no Montijo, no próximo dia 14, ou seja, na próxima quinta-feira. Um tema à volta do papel da justiça em relação à defesa das crianças. Podemos resumir assim? Impõe-se agora mais do que nunca esta temática.
Boa tarde, boa tarde Mário, boa tarde Susana, boa tarde aos nossos ouvintes. Antes de responder à pergunta, permita-me agradecer à Popular FM esta parceria que já é longa, que já dura há muitos anos.
e que tem sido fundamental na promoção daquilo que é o projeto da Abrigo e na promoção daquilo que tem sido os eventos que a Abrigo tem levado a cabo, bem como o Diário da Região, a Setúbalense, tem sido também um parceiro fundamental desde a primeira hora e, portanto, impõe-se esse agradecimento que é muito importante solidar.
Em relação à pergunta que me coloca, sim, nós já vamos para o 8º Fórum.
e nunca abordámos diretamente a temática da justiça. E achámos que era o momento, e até porque encontramos as pessoas certas para falar sobre este tema, da justiça e das crianças e da intervenção que a justiça tem que ter e tem todos os dias com as crianças e em decisões fundamentais para a vida das crianças e para o desenvolvimento da sua vida futura.
E, portanto, este é o momento, sim, não se proporcionou antes, achámos que é o momento, porque é um tema que está sempre no órgão do dia e que deve ser sublinhado, que deve ser debatido, que deve ser refletido, porque entendemos que as decisões que se tomam nos tribunais todos os dias...
influenciam decisivamente a vida de muitas crianças e, portanto, é sempre importante perceber-se como é que essas decisões se formam, quais são as suas motivações e que consequências é que têm na vida das crianças todos os dias quando se tomam essas decisões.
O doutor Paulo Guerra, o juiz desembargador Paulo Guerra, já participou por duas vezes em fóruns anteriores, aliás teve uma intervenção brilhante no último fórum de há dois anos, e é uma pessoa que tem dedicado na sua carreira uma indangeria muito grande para todas estas temáticas relacionadas com a criança, que tem reflexões que são sempre consideradas de uma profundidade muito grande.
e de uma pertinência e atualidade também muito grandes. E, portanto, sim, a justiça é um tema fundamental quando se fala de crianças, porque, aliás, naquilo que é o espaço de intervenção da Abrigo, são as crianças em perigo.
A justiça ainda mais fundamental se torna. Mas depois temos aqui uma outra vertente na temática e que vai ao encontro da aplicação da lei, se quisermos dizer assim, que são os afetos, ou seja, a vinculação afetiva.
É aquilo que está também aqui subjacente a esta temática que andará em torno da justiça e da relação, do papel da justiça, da aplicação da justiça ou da lei relativamente às questões que têm a ver com direitos da criança.
Essa é uma perspectiva fundamental e por isso nós dedicámos, aliás, o tema central deste fórum, que é direitos e afetos construindo o futuro da criança, sendo que o tema, o subtema, que vai ser do segundo painel, onde estava o doutor Paulo Guerra, mas não só, está o juiz Miguel Vaz, com a moderação do João Pedro Gaspar.
Sim, os afetos são fundamentais. A perspectiva de que as decisões que se tomam relativamente às crianças não pode ser uma puridura, digamos assim, para facilitar a aplicação do direito e da lei, mas tem que levar em linha de conta muitos outros fatores, nomeadamente aquilo que é fundamental.
e que faz parte daquilo que tem vindo a ser construído enquanto conceito através de decisões judiciais, que é o superior interesse da criança, e o superior interesse da criança pode ter muitas perspetivas, mas, como dizia, tem vindo a ser construído ao longo do tempo, não de uma forma teórica, mas de uma forma prática, com as decisões que os tribunais tomam todos os dias, e, portanto, esse superior interesse da criança parece um conceito de uma subjetividade muito grande. E...
acaba por ter alguma subjetividade, mas tem que ser concretizado na prática. O que é o superior interesse da criança? É um conceito que tem sido muito debatido, mesmo ao nível da Assembleia da República já foi debatido, e ele tem realmente, e de facto, que ser concretizado pelas decisões que os tribunais tomam todos os dias. E esse superior interesse da criança...
tem que ser perspectivado não só na aplicação ou quando se aplica a lei, ou sempre que se aplica a lei, tem que ser levado em linha de conta, mas numa perspectiva mais lata. Ou seja, quando se toma uma decisão sobre a vida de uma criança, a quem entregar uma criança, ou retirar ou não retirar uma criança de uma família.
da sua família biológica, a questão da afetividade, a questão dos laços emocionais, dos laços afetivos, concretamente, tem que ser levado em linha de conta, porque é um fator fundamental. O que infelizmente não se verifica sempre.
Não se verifica sempre, sim, não podemos dizer que se verifica sempre. Felizmente cada vez se verifica mais, porque quando uma decisão de um tribunal é tomada com a coadjuvação, digamos assim, de muitos parceiros, de várias entidades, e que têm necessariamente que levar em linha de conta uma avaliação psicológica, não só da criança como da família.
O fator afetividade, o fator emocional, o fator vinculação ou ausência da mesma tem que ser levado em linha de conta e é fundamental, na nossa opinião e na minha opinião em particular, é fundamental ser levado em linha de conta porque pode ser decisivo naquilo que é o futuro da criança com essa família, seja a família natural, seja uma família de acolhimento, seja uma família de adoção, este fator e a criação dos tais vínculos é fundamental.
Mais do que suficiente, ou motivo mais do que suficiente para justificar a temática escolhida para esta edição do fórum. Olhando para o programa, os participantes dispensam apresentações, de resto, dizê-lo também, que neste fórum com periodicidade, julgo eu, bienal,
essa é uma característica desde a primeira hora, não é por aí que temos novidade. Mas olhando para o programa da edição deste ano, os participantes de facto voltam a ter peso considerável, entre aspas. Se quisermos dizer assim, a começar pelo Presidente da República, António José Segur, que está previsto para abrir o evento.
E pela Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, prevista para encerrar o fórum, sem esquecer o Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, esse que sim já está confirmado, entre outros nomes.
que depois integram o painel, já falamos aqui de alguns, mas é um painel de luxo, ou são painéis de luxo, digamos assim. O que está na gênese do fórum, desde o primeiro gênese de 2007, para o ano que vem já fazem 20 anos que foi o primeiro fórum de abrigo,
O que está na gênese do fórum é criar um espaço de reflexão e trazer pessoas que obviamente tenham, digamos assim, a importância no país e que sejam ouvidas, cuja voz seja ouvida, ao fórum.
Durante os sete anteriores já vieram muitas personalidades, não só personalidades públicas, digamos assim, ao nível do Estado, mas também muitas personalidades ao nível da temática das crianças, vozes muito respeitadas e muito ouvidas, e podia sublinhar aqui uma série delas, a doutora Manoel Lianos, aliás, a doutora Manoel Lianos vai estar presente, não está no programa, mas fez questão.
de estar presente e penso que até fará questão de dirigir algumas palavras ao fórum. A doutora Manoel Lianes dizia eu, a doutora Maria Barroso, o doutor Labrinho Lúcio, falecido recentemente, o doutor Armando Leandro, etc, etc, etc. Tivemos em determinada altura a oportunidade de ter uma mensagem em vídeo do doutor Dom Barroso quando era presidente da Comissão Europeia, aliás vamos ter agora uma mensagem em vídeo da Roxana Mizato.
que é vice-presidente da Comissão Europeia, e para além de ter responsabilidade na área social no âmbito da Comissão, e portanto sim, essa foi sempre uma preocupação, porque no fundo, se tivermos pessoas cuja voz seja ouvida, despertam interesses, e o objetivo é esse mesmo, ou seja, que as pessoas venham até nós.
que ouçam aquilo que é dito nos fóruns e que até participem nos debates e colocam-lhes questões que a entender é colocado, porque vai sempre, em qualquer dos dois painéis, vai haver um espaço para colocação de perguntas e de debate com a plateia e isso é um fator importante. Queria sublinhar, porque acho que é importante, que desde o primeiro fórum o Procurador-Geral da República, que em determinada altura era uma procuradora, aliás...
duas, nós já passámos salvo os dois primeiros e no terceiro os últimos procuradores-gerais da República tiveram sempre presentes, com uma única exceção de uma coisa de última hora, que teve um vice-procurador-geral ou um procurador-geral distrital assim é que é, em representação da senhora procuradora-geral, na altura era a doutora Joana Marques Vidal, que por um imprevisto de última hora não pode estar presente mas foi uma única vez em sete fóruns que não teve o procurador-geral da República e desta vez vai voltar a estar, é a primeira vez que o doutor Amadeu Guerra Amadeu Guerra
até porque é procurador-geral recentemente, mas, sim, está confirmado e é com a expectativa que aguardamos aquilo que ele nos vai dirigir. Aguarda-se as confirmações, como é normal neste tipo de situações, do Presidente da República e da Senhora Ministra.
Sim, não temos ainda as confirmações, mas sim, não podemos garantir que eles vão estar presentes, mas aguardamos com expectativa que o façam. A senhora ministra, ou alguém que a senhora ministra indique, no último fórum que encerrou foi a senhora secretária de Estado da Inclusão Social, a doutora Clara Marques Mendes.
Portanto, neste momento não temos indicação se a senhora ministra estará ou se fará representar e em relação ao Sr. Presidente da República ainda não temos a confirmação, mas tivemos uma expectativa muito grande que ele esteja, talvez... Até pela recente eleição. Exatamente. E penso que é uma pessoa preocupada com estas temáticas e, aliás, isso foi sempre uma coisa que eu sublinhei.
nos anteriores fóruns, porque esse também é o objetivo dos fóruns, é despertar as temáticas e colocar estas temáticas das crianças, e em particular das crianças em perigo, na ordem do dia. Nada melhor do que estas personalidades, que além de transformarem este evento numa referência nacional, como já é, de resto com cobertura de comunicação social a nível nacional bastante ampla, o que ajuda à causa.
da defesa dos direitos da criança, que é o objetivo primordial. Infelizmente, com honrosas exceções, normalmente o que desperta interesse e que é divulgado na comunicação social são os casos...
não sei como é que é de adjetivar, mas pronto, os mais mediáticos, quando há tragédias, quando morre uma criança, enfim, algumas situações que normalmente despertam muito o interesse da comunicação social. E não deve ser assim, ou seja, não devemos estar despertos só para os problemas quando eles verificam e de forma mais grave. Devemos ser, acima de tudo, preventivos.
devemos ter um papel sensibilizador e a comunicação social tem um papel fundamental na divulgação da temática e tudo o que envolve esta temática numa perspectiva de sensibilização da opinião pública e, por exemplo, no trabalho que a Abrigo faz e que tem agora abraçado mais recentemente.
que é uma resposta que em Portugal continua ainda a ser residual, mas pretende-se que seja uma resposta cada vez mais desenvolvida. É, a falar do acolhimento familiar. Já lá iremos. Com uma perspectiva de diminuição muito significativa do acolhimento institucional, vamos-lhe chamar assim, e portanto é preciso sensibilizar a opinião pública.
E a comunicação social tem um papel fundamental e se nós trouxemos ao fórum, como é sempre o objetivo, pessoas cuja voz é ouvida e cuja voz é ouvida com propriedade e com credibilidade, como aliados desta temática, como aliados desta causa e desta missão, é fundamental.
Estão agendados dois painéis, como é característica deste evento, um para a parte da manhã, o primeiro, o outro para a parte da tarde, seguidos de debates, que é também uma outra característica e bastante importante, porque...
É um complemento essencial para as intervenções que são feitas ao longo desses mesmos painéis. O segundo painel, como dizia há pouco, é aquele estritamente focado na temática desta edição, com dois nomes sonantes, o juiz desembargador Paulo Guerra e o juiz Miguel Vaz. E o que eu pergunto é o que podemos esperar, se é que consegue antecipar de alguma forma.
das intervenções quer de Paulo Guerra quer de Miguel Vaz Sobre o conteúdo das mesmas eu não consigo antecipar ainda e mesmo que conseguisse talvez não o fizesse porque acho que a expectativa é importante e levantar o véu nestas coisas às vezes
diminui essa expectativa e acho que não devo fazer. Mas, de qualquer modo, sinceramente, não conheço ainda o conteúdo das intervenções, porque eles não as enviaram ainda. Mas conhecemos os temas que escolheram. Mas conhecemos os temas e conhecemos a qualidade dos oradores. E o Dr. Paul Guerra, o Dr. Miguel Vaz é a primeira vez que está no fórum, mas o Dr., como dizia há bocado, o Dr. Paul Guerra já esteve algumas vezes no fórum e foi sempre extremamente elogiado nas suas intervenções, porque...
voltando um bocadinho atrás da nossa conversa, é uma pessoa muito, muito sensível a esta questão dos afetos. Aliás, a intervenção dele está intitulada a criança na justiça, os colos da lei e das boas práticas. Esta palavra, os colos da lei, não é aqui colocada despropositadamente. Ou seja, o colo já é uma palavra que tem uma carga emocional grande, uma carga afetiva grande.
E portanto, já só pelo título da intervenção, nós percebemos qual é que vai ser a perspectiva que ele vai apresentar, que era um pouco aquilo que eu estava a dizer há pouco, que é a lei não pode ser aplicada de uma forma puridura, de uma forma fria, digamos assim, não. Quando se aplica a lei, quando se toma uma decisão na justiça, tem que se levar em linha de conta muitos outros fatores, nomeadamente este fundamental.
que é o colo, ou seja, a afetividade, a emoção. É uma pessoa ligada à área da infância. É uma pessoa que tem trabalhado muito, há muitos anos, nesta área. Aliás, não deixa de ser curioso que ele...
faz questão de ser apresentado no programa como juiz desembargador do Tribunal da Relação de Coimbra e trabalhador da infância. Este é um título muito próprio dele, trabalhador da infância, ele intitula-se enquanto tal. Isto quer dizer o quê? Quer dizer que ele tem dedicado a sua carreira muito a trabalhar em prol de todas as temáticas que dizem respeito à criança.
e à infância. E, portanto, só esta denominação, este título que ele nos pediu para colocar aqui na sua apresentação, diz muito daquilo que é o Dr. Paulo Guerra e da sua preocupação constante em refletir sobre estes temas e em transmitir o seu conhecimento.
sobre estes temas. E, portanto, eu acho que podemos aguardar com grande expectativa estas duas intervenções. Como dizia o doutor Miguel Vaz, é a primeira vez que está presente, o doutor Paulo Guerra, quem esteve em outros fóruns sabe, e em outras instâncias também, que ele intervém muitas vezes.
porque tem esta missão de espalhar, digamos assim, esta mensagem em prol dos direitos da criança constantemente. E, mais uma vez, é isso que ele vem fazer de certeza. E Miguel Vasco está também ligado entre o... É formador do Centro de Estudos Judiciários também, neste âmbito, e, portanto, é uma voz autorizada também para falar sobre estes temas. Por certo.
Portanto, estão reunidas todas as condições para se debater com profundidade esta temática do papel da justiça em relação às crianças, até porque depois, por aquilo que me apercebo no programa, há também um moderador que está bastante identificado com o tema.
Sim, o João Pedro Gaspar, do João Pedro Gaspar, que foi o mentor desta plataforma de apoio a jovens ex-acolhidos e é investigador nesta área, na Universidade de Coimbra. Portanto, é uma pessoa também com muita experiência nesta área, com muito conhecimento, que aceitou ser moderador. A paz. O que muito nos honra. A paz, exatamente. E, portanto, é também... Ele, enquanto moderador, obviamente não tem o papel de um orador, mas eu acho que este painel vai ser muito interessante porque...
Os três conhecem-se muito bem e, portanto, vão interagir entre os três com grande facilidade e grande naturalidade acima de tudo, o que vai gerar muito interesse nas intervenções e no próprio debate que se vai gerar à volta destas questões. É importante sublinhar.
que os fóruns da Abrigo são abertos ao público, quem quiser pode inscrever-se, aliás, pode se inscrever. A entrada é gratuita? A entrada é gratuita, quem quiser pode se inscrever, e até é aconselhável que se inscreva com alguma antecipação, o que pode fazer no site da Abrigo, em abrigo.pt.
Mas não o fazendo também no próprio dia, se aparecer pode-se inscrever na hora e ninguém lhe vai negar a participação, assim há julgados na plateia. Que normalmente está sempre completa. Sim, nós já temos cerca de 140 inscrições, mas pela nossa experiência dos fóruns anteriores, a maior parte das pessoas inscreve-se sempre cada última dúvida.
hora, há dois anos aliás, também foi assim o ritmo foi mais ou menos este e depois tivemos para cima de 300 inscrições mas estava-lhe a dizer que o fórum é aberto a quem quiser a quem quiser aparecer mas no entanto é muito também
é vocacionado para as instituições que trabalham nesta área, não só as IPSS, que são muitas no país todo que trabalham sobre esta área, mas também para as comissões de proteção de crianças e jovens, para as equipas que trabalham junto dos tribunais, para os próprios tribunais, para quem trabalha nas pediatrias e nas neonatologias e na área social dos hospitais nesta área, etc, etc, etc. E a disseminação dessa informação junto dessas entidades para que possam comparecer, tem sido feito?
Tem, tem sido. Nós temos uma base de dados destas entidades todas a quem enviamos convites. Temos tido muitas inscrições, nomeadamente na área das CPCJs. E temos gente sempre de todo o país. Temos gente que vem de vários pontos do país para assistir a este fórum, precisamente porque, modéstia à parte, os painéis e os programas têm sido sempre bem construídos, no sentido de despertar esse interesse.
E não é só despertar o interesse, porque obviamente, egoisticamente, digamos assim, a Abrigo também aproveita sempre este momento para promover aquilo que são os seus projetos, como é natural. Mas acima de tudo, acima de tudo, queremos ser um veículo, uma ferramenta de divulgação e promoção dos direitos da criança e de, acima de tudo...
E esse é o objetivo primordial destes fóruns, é pôr na ordem do dia e na agenda mediática o tema das crianças e das crianças em perigo, tudo o que se faz neste país, que é muita coisa, muitas instituições que fazem um grande trabalho no país, com milhares de crianças todos os dias, em interação com várias entidades. É um trabalho duro, é um trabalho duro, que cria um desgaste muito grande nos técnicos que trabalham todos os dias com estas temáticas.
Porque se deparam todos os dias com problemas muito complicados, muito complicados de resolver, com dramas muito complicados. E isto cria um desgaste psicológico, acima de tudo, nos técnicos que fazem um esforço muito grande. E há também que reconhecer esse valor. Não é das nove às cinco, porque as famílias estão lá 24 horas, porque os problemas surgem 24 horas.
porque é preciso tomar medidas de urgência e de emergência, muitas vezes, porque é preciso colocar uma criança, retirá-la da frente, por um problema que surge à última hora e que tem que ser resolvido, e portanto é duro, é duro, mas também é apaixonante. E é a nossa missão, e queremos que a nossa missão tenha utilidade, e essa utilidade só existe, não falando agora concretamente do trabalho que a Abrigo vem fazendo ao longo dos últimos anos, mas...
relativamente aos fóruns, se conseguimos divulgar a mensagem, se conseguimos sensibilizar. E um outro objetivo é, ou seja, é muito vocacionado para quem trabalha todos os dias com estas temáticas, mas acima de tudo, não diria acima de tudo, diria também muito importante.
que a opinião pública não tenha só também aqui noutra perspectiva a noção do lado negativo, mas que tenha também a perspectiva do grande trabalho, extraordinário trabalho que muitas instituições e muitas pessoas fazem neste país todos os dias no âmbito desta missão.
Já falamos aqui do segundo painel, vamos puxar um pouco a fita atrás para tentarmos olhar aqui também para o primeiro painel que ocorrerá durante o período da manhã. Até porque o fórum decorre ao longo de todo o dia no Cinema Teatro Joaquim de Almeida, no Montijo, e também valerá sempre a pena lembrar que está agendado já para a próxima quinta-feira, dia 14 deste mês. E aí E aí
No primeiro painel são oradores Ana Lourenço, do Instituto de Apoio à Criança, e Xavier Urra, que dispensam também, julgo eu, muitas apresentações, eles que vão brindar a plateia com algumas reflexões, até porque este primeiro painel do evento tem sempre essa característica de desafiar os convidados.
a apresentarem reflexões próprias, ou não? Sim, sim, dá-se a ver há dois ou três fóruns a esta parte. Decidimos que o painel da tarde seria um painel mais direcionado, mais fechado em termos de tema, digamos assim, e que o painel da manhã devia ser um painel de reflexão, dando liberdade aos oradores que convidamos para escolherem um tema sobre o qual achem importante e estejam avalizados para refletir.
Ana Lourenço, foi o Lua Brincar. Exatamente. O título da intervenção dela é muito curioso. Eu brinquei, vocês brincam e eles brincam, com um ponto de intenção. Vai andar à volta também do direito a brincar e da evolução ao longo do tempo. Passado, presente e futuro. Que é uma questão fundamental.
e isto, o brincar, quer dizer muita coisa, não é só o significado estrito do conceito do que é brincar, mas isto está aqui para mangas e tem a ver com muita coisa. Estávamos à bocada a falar do superinteresse da criança, por exemplo, o direito a brincar é fundamental.
Nunca ninguém pensa nisto nesta forma, mas é assim. A criança tem direito a brincar. E este brincar encerra muita coisa. Eu não quero me adiantar muito porque não sou eu que vou fazer essa reflexão. Eu quero deixar a doutora Ana Lourenço porque é a área dela para fazer essa reflexão. Mas vai andar muito à volta disto e eu acho que é muito interessante. O doutor Xavier Urra é a terceira vez que vem ao fórum.
É um nosso amigo já de algum tempo. De Espanha? É uma pessoa extremamente conceituada em Espanha. E não só. E não só. Tem publicado muitos livros. Ele, aliás, está a trabalhar agora num outro livro. E...
Ele, por exemplo, não me traz powerpoint nenhum. O que ele faz sempre é lançar temas e refletir sobre os temas e depois suscitar o debate. E é sempre muito interessante porque é daquelas pessoas que nos prende de uma forma muito atenta às suas palavras. Ele fala castelhano, mas percebe-se perfeitamente porque ele está muito habituado a vir a Portugal e faz-se entender perfeitamente. Mas aqui já estamos a entrar no domínio da psicologia, ou não?
Sim, mas a reflexão dele vai muito para além disso. Apesar de ser a base de formação dele, aliás, ele foi o primeiro defensor do menor em Espanha, ele tem intervenções constantes na comunicação social espanhola, porque é uma pessoa que é muito requisitada, porque é realmente uma voz muito avalizada para falar sobre todas estas temáticas. O tema que ele escolheu, e eu também não conheço qual é que vai ser a intervenção, até desde logo que ele não...
não traz nada escrito, pelo menos ele disse que não necessitava, como somos realmente experimentos psicológicos. Portanto, isto também põe-me para mangas. Um pouco de sucesso. Aquela que é a natureza humana. Exatamente. E ele está muito nessa fase. Ele manda muita coisa, não digo todos os dias, mas quase todos os dias. Ele tem uma coisa que se chama, na cadena CERF, se não me engano, em Espanha, ele tem uma coisa que se chama Minuto Psicológico.
constantemente, não sei se aquilo é diário mas estou desconfiado que tenho emoção que é diário em que durante um minuto ele fala sobre um tema e é extremamente interessante estamos a falar de uma das maiores cadeiras de rádio em Espanha e ele suscita sempre uma reflexão e é muito interessante porque num minuto ele consegue pôr-nos a pensar sobre uma série de temas diferentes mas sempre relacionados com a natureza humana
com realidades atuais. E ele gosta muito de falar sempre da atualidade e daquilo que está a acontecer no momento e de fenómenos sobre os quais ele se debruça e que depois reflete sobre eles e partilha essa reflexão e é isso que ele vem cá fazer. Como, por exemplo, ultimamente ele tem se dedicado muito à questão...
Há a questão das redes sociais, da utilização das redes sociais, que efeitos é que isso tem, da utilização do telemóvel, de quando é que deve ser utilizado, consequências é que tem. Sobretudo nos jovens. Sim, sim. As reflexões dele são sobre direções e jovens. Acima de tudo, aliás, ele tem um...
O Xavier, para além de tudo aquilo que representa em Espanha e da sua intervenção enquanto psicólogo, e é um psicólogo muito acreditado, é professor universitário na Universidade Complutense de Madrid, ele tem uma instituição que foi ele que a criou.
que se chama Urra Infância e que se dedica a um tema que ele já se desmobilizou e nós já conversámos com ele sobre isso para trazer para Portugal que nunca esteve, aliás, na ordem do dia que nós... No nosso país? No nosso país que é uma coisa...
Quando eu agora disser isso, quem nos tiver ouvi, se calhar vai pensar, mas é uma coisa óbvia, mas ninguém fala nisso, que é a violência filioparental. E ele tem uma instituição em Espanha que se dedica a acolher e a tratar.
acima de tudo adolescentes, não tanto crianças de mais tenra idade, acima de tudo adolescentes jovens, que exercem violência sobre os pais, sobre os avós. E isto tem várias origens. Ou seja, olha para uma outra perspectiva, para o outro lado da equação.
E isto é um problema. Porque também existe. Isto é um problema que existe. E muito. Não tanto como... Em Portugal não está diagnosticado. Não está diagnosticado. Sabe-se empiricamente que ele existe, porque é mais ou menos óbvio que existe. Mas não está cientificamente tratado.
Pelo menos, e não está ao nível do Estado tratado. Eu já lancei esse desafio mais que uma vez. Vou continuar a lançar esse desafio de que o Estado deve se preocupar com este tema, deve caracterizá-lo e deve começar a pensar, a implementar no terreno soluções para resolver esta problemática.
à luz daquilo que o Xavier Urra faz numa instituição que tem, num centro que tem, perto de Madrid, que eu já tive o prazer e o gosto de visitar, e o Xavier Urra está disponível para trabalhar com o Estado português, para trabalhar com instituições, nomeadamente com a Abrí, que se desenvolvisou para isso.
para começar a avançar com esta resposta no nosso país. Antes de mais mapear, digamos assim... Caracterizar, diagnosticar, porque esse trabalho ainda está por fazer. Apesar de haver alguns académicos que já se têm interessado sobre o tema, na prática ele não está a ser tratado. Não está. E deve ser, porque ele existe e deve ser tratado. E, portanto, este é um desafio que temos que abraçar, que o Xavier está disponível, totalmente disponível, para ser nosso parceiro a fazer esse caminho.
E isto para dizer, voltando ao início daquilo que estávamos a falar há pouco, que as intervenções dele, pelo conhecimento que ele tem, que lá está, para além do conhecimento teórico, porque ele também é um universitário, acima de tudo, um conhecimento da prática, daquilo que ele faz no dia-a-dia.
da sua intervenção operacional nestas temáticas. E, portanto, as reflexões dele são sempre muito interessantes e são daquelas que nós desejamos, quando estamos a ouvir-lo, estamos a desejar que ele não parte de falar, porque é daquelas pessoas que têm uma capacidade de prender a atenção enorme. E, portanto, acredito que vai, mais uma vez, ser assim.
E depois teremos também a participação dos presidentes das câmaras municipais de Montijo e Alcochete, respectivamente, Fernando Caria e Fernando Pinto, mas o que eu pergunto é como é que tem sido, tem sido forte o apoio e suficiente à causa da abrigo por parte destes dois municípios?
Antes de ir a esse tema, queria só sublinhar, porque acho que é importante, porque nós somos sempre muito gratos a quem está connosco, a quem aceita os nossos convites e os nossos desafios, sublinhar que o moderador do primeiro painel vai ser o Carlos Andrade, que é um jornalista que toda a gente conhece, quanto mais não seja pelo programa que ele tem há muitos anos, primeiro na TSF e depois na...
dois canais de televisão, primeiro na CIC e agora na CNN penso que ele tem me dado nome várias vezes agora é a quadratura do CIC agora já tem outro nome qualquer a quadratura do CIC pegou destaque acho que já tem outro nome agora agora não me recordo exatamente
toda a gente o conhece daí que é um programa semanal de há muitos anos e o Carlos Andrade é uma pessoa extraordinária que já é a segunda vez que aceita o convite para vir moderar um painel no fórum e eu quero aproveitar para agradecer tal como a todos os outros a disponibilidade de fazerem parte deste fórum de abrigo
Mas em relação à pergunta, sim, temos tido uma relação sempre muito estreita, muito próxima, com os dois municípios, desde logo com o município do Montijo, como é evidente, porque a Abrigo tem a sua sede e nasceu no Montijo, e tem havido sempre uma disponibilidade muito grande, na medida daquilo que é o possível, por parte do município em colaborar com a Abrigo. Vamos ter a presença agora do novo presidente da Câmara, o Fernando Caria, que já conhece a Abrigo há muitos anos, e já teve muitos fóruns enquanto presidente da Junta.
de freguesia, mas que é um amigo da Abrigo. É com expectativa que eu aguardo a intervenção do Presidente Fernando Caria, porque é a primeira vez que ele vai intervir no fórum enquanto Presidente, e obviamente, e tenho a certeza que ele vai manifestar, ou reiterar, o apoio que o município sempre tem dado à Abrigo, que aliás, mesmo nos fóruns tem dado, desde logo, quanto mais não fosse.
pela destenulização do cinema de ato de uma forma graciosa, e tem sido sempre um parceiro importante, aliás, como é natural que seja. Em relação ao Crescete, também, o Fernando Pinto tem estado sempre connosco, tem feito sempre umas intervenções extraordinárias de apoio, é uma pessoa muito sensível também a esta temática, a área das crianças, das crianças em perigo em particular.
e temos estado sempre muito próximos do município de Alcochete, que nos tem apoiado, aliás temos um projeto que temos vindo a desenvolver, que tem estado parado nos últimos tempos, mas queremos retomá-lo muito rapidamente, que tem a ver com o Observatório da Criança e com, na Valência, Briga e Investigação, mas é bom de sublinhar que desde há muitos anos temos tido um centro de documentação especializada nesta área das crianças e das crianças em perigo.
na Biblioteca de Alcochete, em parceria, portanto, com o município, e, portanto, sim, é muito importante, aliás, são das duas primeiras pessoas sempre a convidar, são os dois presidentes de Câmara, porque é fundamental, porque é onde a Abrigo trabalha todos os dias, onde tem a sua sede, onde faz a sua intervenção, e as autarquias locais são, para ser, fundamental. Vamos olhar para o atual momento da Abrigo.
Qual é o número? Peço desculpa, só para concluirmos esta questão do programa, eu acho que é importante também sublinhar que vamos ter, como temos tido sempre, uma pessoa que, numa sessão de encerramento, e antes, imediatamente antes da sessão de encerramento, propriamente dita, vai apresentar as conclusões. Passámos por cima das conclusões, eu peço desculpa.
vai lá estar o dia todo como é evidente, porque para fazer as conclusões tem que assistir àquilo que se passa durante todo o dia e desta vez vai ser a doutora Laurentina Custódio, que é procuradora da República assessora do Supremo Tribunal de Justiça uma pessoa também muito sensível a esta temática e portanto a ela também agradecemos obviamente a desnovidade
A César o que é de César, porque é justo e merecido. Mas perguntava eu, olhando neste momento para, e deixando agora de lado o programa do Fórum Abrigo, qual o número de famílias e jovens atualmente abrangidos pelas valências da Associação, da Abrigo, ou seja...
Qual o número de jovens e de famílias a que a Associação consegue, neste momento, dar resposta? Há dados quanto a isso? Há. E eu posso dar os dados mais atuais que nós temos, que são os dados que foram, aliás, aprovados agora na Assembleia Geral e que fazem parte do relatório de atividades relativamente a 2025. Portanto, a 31 de dezembro de 2025, no âmbito do CAFAP.
o Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, que é uma valência, já podemos falar um bocadinho sobre isso, que a Abril tem no terreno desde 2015, portanto fez 10 anos há relativamente pouco tempo, aliás já sinalizámos os 10 anos num evento que realizámos no Montijo, e que abrange os conselhos do Montijo e ao Rechete, e que tem na sua base um acordo de cooperação com a segurança social, como tem que ser evidentemente.
para apoio permanente a 80 famílias no âmbito dos Conselhos do Montijo e Algecete. E destas 80 famílias, são 68 naquilo que nós chamamos de preservação. A preservação é um trabalho que é feito no sentido de evitar a retirada das crianças dessas famílias.
para institucionalização ou para famílias de acolhimento, seja o que for. Ou seja, trabalhar no sentido dessas crianças permanecerem nas suas famílias biológicas. São 68 famílias no âmbito do protocolo com quem temos de fazer esse trabalho. E depois temos o protocolo também de se estenda a mais 12 famílias naquilo que se chama reunificação. Ou seja, famílias é que tenham sido retiradas crianças, criar condições para que essas crianças regressam a essas famílias. A casa, a família biológica. Portanto, 80 famílias em permanência.
E posso lhe dizer que, obviamente, o trabalho é feito, as famílias são sinalizadas, é feito todo um trabalho e depois, quando o trabalho está concluído, outras famílias entram, digamos assim, para aquilo que é a base da intervenção da abrigo.
É um processo dinâmico. É um processo dinâmico. Posso dizer que em 2025, dados a 31 de dezembro de 2025, durante o ano de 2025, a Abriga interveio entre 134 famílias, abrangendo 259 crianças. Portanto, acho que é um número relevante. Infelizmente, significativo. E é preciso dizer também que, salvo o erro neste momento, a Abriga deve ter mais de 20 famílias em lista de espera.
E isto é permanente. Portanto, se a estrutura fosse maior, se o acordo fosse por um maior número, portanto, são 80 em permanência, mas umas saem e outras entram. E, portanto, em 2025 foram 134 famílias e 259 crianças. E ao longo destes mais de 10 anos...
Já foram muitas, muitas, muitas centenas de crianças em que a Abrigo interveio e muitas famílias. Montijo e Alcochete, apenas. Apenas. A Abrigo tem como principal objetivo a criação de uma casa de acolhimento residencial para crianças em risco, um edifício, podemos chamar-lhe, porque julgo que é isso mesmo, um edifício sede, onde também pretende concentrar serviços, valências.
Em que pé está este projeto que até tem terreno cedido ao abrigo de um acordo de cedência de direito de superfície pelo município do Montijo? Certo, temos esse direito de superfície que foi cedido pelo município para fazer essa construção e temos o projeto aprovado e ele vai ser, e está licenciado numa primeira fase, ele vai ter duas fases.
Se calhar andando um bocadinho atrás. É verdade, a Abrigo nasce com esse objetivo como sendo o seu objetivo primeiro. A criação num centro de acolhimento temporário, como se chamava na altura, para a casa de acolhimento residencial. Acontece que os tempos evoluem. E neste momento...
e desde há não muito tempo, há algum tempo a esta parte, essa evolução vem sendo no sentido de reduzir cada vez mais o acolhimento residencial, ou seja, o acolhimento institucional, e daí a aposta, nomeadamente, no acolhimento familiar, que a abriga abraçou. Esta é a nova orientação, digamos assim, não estamos a falar só do nosso país, estamos a falar a nível europeu, vamos dizer assim, não só, mas essencialmente a nível europeu.
O que acontece? Nós vamos avançar com a construção de uma primeira fase que não vai abranger ainda a casa de acolhimento residencial. E até porque, entendemos, não vamos abandonar a ideia da construção da casa de acolhimento residencial, que vai ser, digamos, a segunda fase da construção, já vou explicar qual é a primeira fase e em que ponto é que está. Mas entendemos que o próprio acolhimento residencial...
tem vindo a ser repensado e nós também já fizemos essa reflexão. O acolhimento residencial, se se pretende que seja residual, porque se dá prioridade a outros tipos de resposta, deve ser especializado. Ou seja, porque há muitas crianças, infelizmente, que não...
têm possibilidade ou não estão em condições, melhor dizendo, de ser acolhidas, por exemplo, por uma família. No âmbito do acolhimento familiar, por anos razões, de saúde, de ciências, etc. E, portanto, tem que continuar a haver acolhimento residencial. Mas o acolhimento residencial deve ser especializado. E cada vez mais, e cada vez mais, no âmbito dos problemas mentais. Cada vez há mais necessidade de respostas no âmbito dos problemas mentais.
ao nível psiquiátrico e não só. E, portanto, a resposta deve ser especializada. E estamos a repensar essa segunda fase da construção já no âmbito desta lógica de uma especialização. Não já do projeto âncora, porque isso é uma realidade que já não existe. E nós temos que evoluir com o tempo e não nos podemos atar a conceitos que eles próprios já evoluíram e, portanto, já não faz sentido fazer uma coisa...
que não têm necessidade de resposta como tinha há 20 anos atrás, quando a Abrigo nasceu, há mais de 20 anos, já um bocadinho mais de 20 anos, que a Abrigo nasceu em 2002. E, portanto, nascemos com essa ideia. Mas as coisas evoluem, nós temos que evoluir com os tempos. E, portanto, evoluído com os tempos, nós evoluímos.
e criámos o CAFAP, Centro de Apoio Familiar e Conselho de Parental em 2015, e evoluímos também abraçando a resposta de acolhimento familiar, que aliás temos vindo a defender, e isso na prática, na medida do possível, tem vindo a ser feito, que é...
uma integração das duas respostas, ou seja, porque o acolhimento familiar é uma resposta em que famílias, eu já posso explicar como é que funciona, que acolhem crianças, mas essas crianças, agora já é possível, elas seriam nos acolhimento a adotar, e até há relativamente pouco tempo não era, mas independentemente disso, não é essa a perspectiva, a perspectiva é que essas crianças vão para uma família de acolhimento.
E quando tecnicamente se chega à conclusão que o acolhimento já não se justifica, podem voltar, que é esse o objetivo aliás, para as suas famílias biológicas ou serem encaminhados para um processo de adoção. Voltando à primeira fase da construção do projeto. Sim, e portanto...
Sendo a resposta ao acolhimento familiar prioritária, deve o acolhimento residencial ser residual por consequência. E, portanto, nós vamos avançar com uma primeira fase, está licenciada, estamos num processo de avaliação do projeto financeiro, ou seja, do financiamento, felizmente a abrigo não precisa de recorrer.
na totalidade a financiamento bancário, porque tem fundos próprios e vai entrar como uma parte substancial de fundos próprios na construção. Estamos a falar de uma construção que está orçada em cerca de 1 milhão e meio de euros. E, portanto, vamos avançar com o edifício onde vamos instalar, não só a sede da associação, como é natural, mas as valências com que temos vindo a trabalhar, com que temos vindo a trabalhar, que é o CAFAP e o Acolhimento Familiar.
Numas instalações que nos vão dar outras condições para os nossos técnicos, para a intervenção, estamos a falar, e temos umas instalações que são recentes, são arrendadas, mas em que investimos algum dinheiro numa adaptação de um espaço que arrendámos, porque o anterior já não era suficiente, e até para criar outras condições aos nossos técnicos e às famílias, porque há muito trabalho que é feito nas casas das famílias, mas também há muito trabalho, nomeadamente na área da formação, que é feito.
nas instalações da Abrigo pelos nossos técnicos. E quando é que se espera que possa arrancar a construção dessas primeiras fases? Esperamos que este ano ainda consigamos lançar o concurso público para a construção dessa primeira fase. Para a adjudicação da empreitada? Sim. Esperamos que este ano ainda isso aconteça, porque, como dizia, o processo de avaliação de qual será...
o financiamento e como é que será, está a evoluir bastante rapidamente. E portanto, quando chegamos... Vai contar com apoio, naturalmente? Ou nem por isso? Neste momento não estamos a contar com apoio. Neste momento estamos a contar com uma parte de financiamento e com outra parte de fundos públicos, perdão, fundos próprios da Abrigo. Ainda não sabemos exatamente quanto, mas será uma parte bastante relevante. Obviamente.
Não vai contar com apoio, não é bem assim. Porque a Abrigo também tem a capacidade financeira que tem neste momento para avançar com fundos próprios, porque muitas instituições nos têm vindo a ajudar ao longo do tempo e, devo sublinhar, algumas instituições fazem questão e até nos pedem porque querem sigilo. Por isso, simplesmente ajudam por convicção de ajudar por isso, simplesmente. Não querem sequer que se saiba que ajudaram. E nós temos que respeitar isso.
mas temos uma instituição que tem sido um apoio para, aliás, e são agora, e aparecem como parceiros no próprio fórum, e não é a primeira vez, e a Lusoponte tem sido fundamental para a Abrigo, tem sido um apoio fundamental para a Abrigo. O Quarto Inglês, que é parceiro da Abrigo, também há algum tempo esta parte, e o Quarto Inglês não só tem apoiado os fóruns, como...
Nos últimos dois anos e este ano isso vai acontecer de novo, vão fazer uma campanha nos supermercados do Corte Inglês de engariação de fundos para a abriga. Já aconteceu dois anos e este ano vai acontecer de novo. Durante uma semana a abriga é a instituição de eleição do Corte Inglês, nas leis do Corte Inglês, para quem quiser ajudar.
pode fazê-lo através do corte inglês. Não só nos supermercados, propriamente ditos fisicamente, digamos assim, mas também no online. Ou seja, quem faz compras online no corte inglês pode fazer o donativo, porque está lá um campo que permite fazê-lo.
E, portanto, isto para dizer que, obviamente, a Abrigo tem tido muitos apoios de empresas e de pessoas individualmente falando, e isso, obviamente, é de sublinhar. Portanto, quando se me perguntava se não tem apoio, claro que a Abrigo tem apoio.
O sentido da sua pergunta era se há um apoio, por exemplo, do Estado à construção, zero. Era por isso. Não há fundos disponíveis para a construção, para esta construção, especificamente, que há a briga a avançar. Nem fundos comunitários, nem...
zero. E, portanto, este tempo que temos levado também a avançar com as coisas, também se prende um bocadinho com isso. Estamos a falar de um investimento avultado e, portanto, com o passar do tempo, temos vindo a angariar e há ver que, felizmente, é uma instituição que tem muita saúde financeira, nunca se...
se, vamos dizer assim, me estou em loucuras de investir, seja no que for, não. Tem sido sempre o foco naquilo que é a nossa missão e aquilo que são os nossos objetivos.
Caminhamos a passos largos para o final desta nossa conversa, mas eu gostava que fizéssemos aqui, ou que nos traçasse aqui um retrato, já falámos do CAFAP, o Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental que funciona nos Conselhos de Montenegre Alquecetor,
Um balanço ao CAFAP, a funcionar desde 2015, mais recentemente esse acordo de cooperação com a segurança social, que foi feito em 2022, e que permite a Abrigo funcionar então como instituição de enquadramento, de aplicação da tal medida de acolhimento familiar, mas...
aqui, já numa perspetiva muito mais abrangente, já que incide sobre os seis conselhos do Arco Ribeirinho Sul, também saber como é que tem estado a correr e apelando à capacidade de sinto que sei que tem. Muito rapidamente. A Abrigo tem um acordo de cooperação no âmbito do acolhimento familiar para ser instituição de enquadramento, que eu já explico o que é que é, abrangendo esses seis conselhos, ou seja, Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montagiocos, e aí estamos a falar de uma população cerca de 550 mil pessoas, não é coisa pouca.
e tem um acordo de cooperação que nós esperemos seja alargado muito rapidamente e aliás, eu agora vou ser imodesto, mas como não estou a falar de mim próprio não me importa nada, estou a falar da associação do trabalho que a associação faz mas tem sido considerada pelas instâncias oficiais, ou seja, estamos a falar da segurança social do Instituto da Segurança Social, do Centro Distrital
como uma referência do trabalho que tem vindo a desenvolvimento no ambiente de acolhimento familiar. Tem sido, aliás, usado como exemplo para outras instituições do país, que estão a abraçar agora esse trabalho também. E é uma das duas instituições no Distrito de Setúbal que faz este trabalho. Ou seja, nós abrangemos os seis conselhos, e depois há a Caritas de Susana de Setúbal, que abrange o resto dos conselhos do Distrito de Setúbal.
E temos um acordo de cooperação para 30 crianças. Neste momento temos 19 crianças em acolhimento familiar em 17 famílias.
E atenção, no acolhimento familiar, tal como na adoção, por exemplo, estamos a falar de um conceito mais abrangente de família, com todas as tipologias de famílias. Todas as tipologias. E tem corrido muito bem, felizmente tem corrido muito bem. O trabalho da Abril e Instituição de Enquadramento é promover, ou seja, divulgar esta resposta. Voltamos um bocadinho ao início da nossa conversa, que é a necessidade de divulgação desta resposta, porque é uma resposta que está agora a ser desenvolvida.
e que o Estado quer desenvolver cada vez mais em substituição, digamos assim, do acolhimento residencial institucional. E, portanto, as campanhas de divulgação são fundamentais. Nós lançámos uma campanha, aliás, apresentámos uma campanha há relativamente pouco tempo. Temos estado a preparar o lançamento da campanha no terreno, que envolve...
inúmeras entidades, desde espaços comerciais, autocarros, máquinas, ATMs, multibanco, etc. Foi apresentado numa opção também, de resto. Exatamente. Sensibilização da opinião pública para a existência desta resposta e da possibilidade de serem família de acolhimento.
E depois, obviamente, quem está interessado manifesta o interesse à abrigo. Manifestando o interesse, há todo um processo... Ou seja, as pessoas que estão recetivas a acolher... A querem acolher, no máximo três crianças, em permanência. E, portanto, manifestam o interesse, passam por um processo de seleção, se forem aprovadas, passam por um processo de formação, e este trabalho é todo feito pela abrigo.
Esse processo de formação chega ao fim, são certificadas enquanto famílias de acolhimento, assinam um contrato de acolhimento, vamos chamar-lhe assim, e estão disponíveis e preparadas, digamos assim, para acolher crianças. Acolhem essas crianças, esse trabalho é, na pendência, digamos assim, na duração do acolhimento, as crianças são acompanhadas pela Abrir. E é um acolhimento temporário, digamos assim. Temporário, é um acolhimento, é um acolhimento, tal como se fosse uma instituição, só que é uma família.
E, obviamente, as famílias são, cada criança, equivale a um ressarcimento mensal que essa família recebe, obviamente, para fazer face àquilo que são os custos inerentes a tudo o que é envolvido, porque o que é a vida de uma criança, com certeza não chega para tudo, mas é uma base essencial e fundamental, que é paga pela segurança social.
e que é a Abrigo que faz essa gestão desses fundos e que paga diretamente às famílias. Portanto, o trabalho da Abrigo é desde montante até ajudante. Todo este processo é gerido pela Abrigo enquanto instituição de enquadramento. E o balanço é positivo. Muito positivo. Tem corrido muito bem. E quanto ao CAFAP?
Sim. O CAFAP, pronto, era como falávamos há bocadinho, foram as tais 200 e tal crianças em 2025, tem sido um trabalho importante, tem sido um trabalho importante e com muito bons resultados, felizmente. E, mais uma vez, não sou eu que o digo, são entidades que avaliam a abrigo, enquanto IPSS e enquanto entidade que gera fundos que vêm do Estado, e é assim que tem que ser, é escrutinada.
e é auditada quando tem que ser auditada e obviamente nós somos apologistas que deve haver a maior transparência possível e o maior cuidado com isto com tudo isto e nós temos muito cuidado quando estamos a falar de dinheiros públicos, estamos a falar de dinheiro dos contribuintes portugueses e portanto tem que ser bem aplicado e muito bem gerido e felizmente eu acho que nós temos feito esse trabalho bem porque os resultados estão à vista
Para terminar, num minuto, apenas uma mensagem para quem nos esteja a ouvir relativamente, e vamos voltar ao início, ao fórum, a Brico vai decorrer no Cinema Teatro Joaquim de Almeida, no Montijo, na próxima quinta-feira. Voltando também um bocadinho àquilo que já falámos no início da nossa conversa, todos os temas que envolvem as crianças sensibilizam sempre muitas pessoas.
Mas estas coisas não podem ficar pela rama, não podem ficar só porque, coitadinha da criancinha, peço desculpa pela expressão. Não, nós temos que ter noção do que é que se passa, temos que ter noção do que é que é preciso fazer, temos que ter noção que são precisos meios para fazer esse trabalho. E, portanto, esta sensibilização e este conhecimento deve chegar à opinião pública. E o Fórum da Abrigo é uma forma fundamental para que se chegue a estes temas e que se conheça mais destes temas. E o Fórum da Abrigo é um dos anos.
não só pela rama, mas com um bocadinho de maior profundidade. E por isso apela toda a gente que apareça no dia 14, são todos bem-vindos. E muito obrigado mais uma vez à Popular FM, à Suzana, ao Mário, pelo apoio que nos sempre têm dado.
Fica lançado este repte para que compareçam na 8ª edição do Fórum Abrigo, a ter lugar na próxima quinta-feira, 14 de maio, no Cinema Teatro Joaquim de Almeida, no Montijo, com a participação das mais proeminentes individualidades ligadas à temática da proteção.
das crianças, também altas individualidades do Estado e da Justiça na edição deste ano. Agradecer Jacinto Pereira. E podem escrever-se em abrigo.pt E podem escrever-se em abrigo.pt para marcar presença. Ou no dia. Ou até no próprio dia. Fica assim lançado o repto. Despedimos-nos. Agradecer também Jacinto Pereira Presidente da Abrigo por ter estado connosco. Voltaremos na próxima semana.