Episódios de Washington DC

PADRE JOÃO CARLOS SOUSA

24 de abril de 202626min
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A política e a religião misturam-se na sociedade norte-americana. A recente polémica entre a administração Trump e o primeiro Papa norte-americano divide os católicos dos Estados Unidos. Para o padre João Carlos faz pouco sentido membros do governo quererem corrigir o Papa.

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Participantes neste episódio1
J

João Carlos Sousa

ConvidadoPadre
Assuntos4
  • Religiões PolíticasAdministração Trump e Papa Leão XIV · Divisão entre católicos
  • Visita do Papa à ÁfricaCrescimento da Igreja na África · Diálogo entre muçulmanos e católicos
  • Papa Leao XIVEsperança na Igreja Católica · Crescimento do clero norte-americano
  • Geração Z e a busca por espiritualidadeIncerteza da geração Z · Busca por Deus
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Olá, este é o podcast Washington DC, feito a partir daqui da capital federal dos Estados Unidos.

Uma leitura pública da Bíblia está a envolver os Estados Unidos, passando pela sala oval da Casa Branca. Isto numa fase de grande crispação entre a administração Trump e o Papa Leão XIV. Os católicos norte-americanos dividem-se tal como acontece no radar político. O meu convidado de hoje, o padre João Carlos Sousa, não tem dúvidas. O Papa está no caminho certo.

É o primeiro Papa norte-americano natural de Chicago. A mensagem de Leão XIV chega aos fiéis dos Estados Unidos na língua comum ou inglês, sem filtros ou interpretações. A polémica entre o sumo pontífice e a administração norte-americana tem causado grandes brechas entre vários quadrantes da sociedade dos Estados Unidos.

O padre João Carlos sublinha que, embora Leão XIV seja chefe de Estado, a sua mensagem ultrapassa essas fronteiras, amplia-se como líder da Igreja, num caminho que tem a ver com os apelos à paz e à proteção dos mais fracos, que faz pouco sentido membros do governo norte-americano quererem corrigir o que diz o Papa.

O padre João Carlos Sousa está integrado na diocese de Newark, em New Jersey. Chegou aos Estados Unidos, aos três anos, filho de uma família de imigrantes da zona de Leiria. Antes de chegar aos estudos teológicos, andou por outras áreas. Estudou Biologia na universidade, foi bombeiro na área dos primeiros socorros.

Mais do que ser padre, queria ser pai, formar uma família. Namorou, mas já depois dos 30 anos, mudou de rumo e entregou-se ao sacerdócio. Hoje, o padre João Carlos sublinha que a maior parte dos que procuram a igreja fazem parte da geração Z, dos que navegam numa certa incerteza e por isso procuram Deus.

Papai João Carlos, o Papa Leão XIV tem estado de visita à África, uma longa viagem de 10 ou 11 dias. Que importância é que dá esta primeira visita do Papa à África nos tempos atuais?

Eu acho muito interessante ter começado pela África e os países africanos em que ele visita. São países em que está não só grande crescimento de católicos, a igreja está em crescimento bastante, está projetado que até 2025 vai haver um em três católicos que são africanos.

E então é muito importante. A igreja nesse continente tem tido várias polêmicas. Por um lado, defendendo a ideia de ser independente, independente dos colonizadores. Mas...

Muitos dos governantes que tomaram posse desses países ligados à igreja têm sido ditadores, ainda estão em poder há 50 anos, em alguns casos destas últimas independências, estão estes ditadores em posto com um nível bastante...

diferente de quem tem e quem não tem. Tem uma divisão económica bastante dos dois extremos, não tem quase classe média. E então a Igreja também tem recebido crítica por tentado de parte desses governadores. Então acho importante esta visita do Santo Padre, em que ele põe em questão também todas essas situações, a situação de ter cuidados pela necessidade do povo.

Depois ele estende-se nestas guerras religiosas, destas guerras entre o muçulmano e o católico, pedindo diálogo entre ambos. E então acho que é uma visita que vai ter muito impacto. A independência da igreja de governo também é para proteger a igreja. A criação destes Estados Unidos foi mesmo isso, foi o povo fugir de um rei que impunha o seu catolicismo e o seu povo.

O Papa Leão XIV está quase a completar o seu primeiro ano no Vaticano. Ele é de Chicago, teve uma longa experiência no Peru e é, acima de tudo, o primeiro Papa norte-americano. Que importância tem isto para os cerca de 70 milhões de católicos aqui nos Estados Unidos? A minha resposta a isto que é mais esperança na nossa igreja aqui nos Estados Unidos, porque se podemos olhar ao impacto...

que um João Paulo II, um cava-voitela, teve na Polónia, com o grande crescimento da igreja na Polónia, nos anos depois da queda do bloco frio, da guerra fria, da queda do comunismo na Europa.

E então teve um grande impacto, essa igreja cresceu imensa, muitos sacerdotes. Então, eu para mim tenho essa esperança e foi a primeira coisa que eu pensei, que será que dá esse impulso à nossa igreja aqui nos Estados Unidos, principalmente, em que possa haver este aumento de clero norte-americano e não só dependente do clero que vem de fora. E então acho que vai ajudar bastante.

O Papa tem demonstrado o coração de Francisco, mas ir buscar ainda umas raízes bastante tradicionais da Igreja. No vestimento dá sinal que ele vai seguir o ortodoxo, vai seguir a ortodoxia da nossa Igreja, a nossa doutrina concreta.

bem fomentada nestes últimos dois mil anos de doutrina, mas ainda com o coração de Francisco, como se vê mesmo nesta visita da África, pedindo a paz, pedindo diálogo, pedindo cuidados pelos mais necessitados porque o povo não seja aquele povo que está a ser

usado pelo governo e dar também essa necessidade e estar atento às necessidades do povo em cada nação. Então eu espero isso, mas sobretudo que haja um crescimento da nossa igreja. Nós somos quase uma quarta parte da população nos Estados Unidos, mas não somos uma igreja unida. A nossa igreja é tão diversa aqui, norte-americana, tão diversa como o povo que a compõe.

não podemos dizer que a gente olhando para religiões como o islã ou o judeu são religiões que levam uma ideia mais unânime e a nossa igreja tendo esta abertura a diálogo intelectual não temos tão unidos

e num unânime de ideias e de moral que podia afetar-se como é que nós comunicamos a nossa moral, a nossa ética católica nos movimentos sociais de um país e de um povo.

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Nesta altura estamos com um ambiente de alguma crispação entre a administração norte-americana e o Papa. Tem havido uma certa polémica, jogos de palavras...

menos habituais, o que é que pensa desta situação que está a acontecer? Eu acho, eu lamento só porque dá um mal entendimento entre ambas as duas partes que estão em discussão, tanto o nosso Papa Leão, o nosso sumo pontífice, e o Presidente desta nação. É lamentável. Eu acho que é um grande desentendimento.

Ambos falam não só na sua capacidade de posição que têm, mas sobretudo na sua sabedoria e defender os seus princípios. O Papa, corretíssimo, pedindo paz, pedindo desarmamento, pedindo que haja diálogo para que chegamos a um ponto em que a guerra possa desistir-se, possa não haver guerra, mas vivermos um mundo de paz.

O presidente, na sua capacidade, no seu interesse de defender os princípios da sua própria nação, de defender-se o país, vai por um lado criticar, porque também não entendeu o que o Papa quis dizer. Porque o Papa também não o expôs diretamente ao presidente.

Se nós entendemos o Papa quando tem as suas ideias e começa a apontar o que quer falar, o que quer apresentar, o que quer pôr em público, primeiro ele escreve, depois vai dar aos seus...

secretários para poder escrever o que vai ser o seu discurso. Depois ainda vai à Congração da Doutrina e da Fé para ver que não está nada aí que seja herético. E então é um processo longo. E então eu acho que foi inoportuno desse...

Essa comunicação do Santo Padre vir mesmo na onda do início da guerra entre o Irão e os Estados Unidos e Israel, e então ele achou que foi um ataque pessoal contra ele. Pelo contrário, o presidente muitas vezes não pensa duas vezes. O que ele tem que dizer diz e solta e põe para fora.

e há pessoas que gostam pois tem gente que o elegeu mas eu tenho que ter cuidado também por expor dessa maneira embora o Papa seja um chefe de Estado, ele não falou como chefe de Estado, ele falou como líder da Igreja Católica, líder e vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo quis trazer a paz, quis trazer a união mas reconhecendo que de vez em quando há que haver uma intervenção mais forte que vai ter juntos que vai ter juntos

E foi uma coisa que o Papa está a pedir que não faça. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sua rede social, usou imagens que de algum modo colocavam na posição de Cristo Salvador, o que levantou crítica de alguns eleitores de Trump, alguns católicos, que consideraram isso uma blasfémia. Acha que isto é uma situação delicada? É mesmo, tem que ser delicada. Por um lado, eu acho que estamos a viver...

uma presidência que já há muito tempo eu próprio também não tenho visto. Este é um que fala, põe Deus, põe a sua identidade como cristão muito à frente, que mexe com muitas pessoas, querendo essa separação da igreja e do Estado.

que a igreja não deve influenciar o Estado, mas o Estado também não deve influenciar a igreja. Sendo uma pessoa que se expõe e que pensa, é um momento em que uma bala está a milímetros de lhe tirar a vida.

ele pode se sentir um bocadinho protegido pelo Altíssimo. Mas acho que é muito arrogante e acho que é uma feia comparação de se pôr como Cristo no mundo, porque Cristo realmente é só um e é aquele que nos une e ele não é uma pessoa que nos une assim tão eficazmente. Há uma maior mistura entre religião e política.

do que na Europa, por exemplo, ou seja, as coisas estão mais misturadas. Como é que isto se explica? Como é que explica esta situação? É assim, porque, por exemplo, eu como padre também sou cidadão americano. E eu como padre tenho os meus princípios, tenho e sigo a nossa doutrina, e como padre...

não posso me desfazer do meu moral e da minha ética nas minhas opiniões do Estado. Então, eu acho que nós não nos podemos separar da nossa ética, dos nossos princípios, quando assumimos algum cargo de gerência no governo.

Entretanto, acho que há uma maior crítica naqueles que são da parte judeo-cristiana, não é? Enquanto vimos muitos também dos nossos políticos que são muçulmanos ou que são judeus, até têm o seu vestuário publicamente e também nas reuniões do...

e nos senadores, a Câmara dos Representantes, e no Senato, vem com o substuário, com as suas marcas da sua religião. E eu acho que isso também está bem. Nós estamos abertos a diálogo. Mas as nossas decisões, nos princípios da ética e da cristã, é fazer uma decisão para o bem de todos.

Somos uma mistura de muitas religiões. Embora os que são cristãos podem chegar até aos 60%, mas só 24% é que são mesmo católicos. Enquanto no nosso país ou são católicos ou não são. Ou são católicos não praticantes, mas continuam a ser católicos. E na maioria dos europeus. A sua diocese de Newark dá-lhe alguns limites, é aconselhado.

a ter alguns limites nas circunstâncias atuais do mundo, enfim, nas pregações que faz, ou é inteiramente livre de fazer a sua interpretação conforme o deseja?

É, temos completamente essa liberdade. O que nós, não só na nossa diocese, mas como igreja nos Estados Unidos, o que nos acautelam é tirar uma participação, tirar expor-se que somos de um partido ou do outro, ou que somos de um candidato ou de outro. Portanto, não dizer se são simpatizantes de uma força política ou de outra, é isso? Não dizer no momento de...

pregação no púlpito, pessoalmente, não é? Eu tenho as minhas ideias como cidadão e posso expressar pessoalmente, mas não quando estamos em funções de sacerdote, não expor-se essa ligação, essa simpatia, ou se simpatizar de um lado ou do outro. Mas não somos, podemos, sobretudo, dar doutrina, ensinar o que é os nossos princípios como cristãos.

Por exemplo, quando falamos da vida, não é da vida natural, desde a concepção até a morte natural, nós temos dentro da nossa responsabilidade.

como portadores desta doutrina, para comunicar o que é a doutrina. Uma pequena história interessante que me aconteceu quando estava na universidade, porque eu fui para o seminário já com mais idade, eu entrei no seminário quase com 35 anos, e então voltei a uma faculdade, um seminário que está numa faculdade de colégio normal, não é?

Então, eu estou com 35 anos numa faculdade com jovens de 19 a 24 anos, não é? E um dia estávamos a conversar-se e então estava um rapaz a dizer-se que me disse assim, pois é que vocês também não têm a coragem de falar porque não querem perder a isenção de pagar impostos perdiais.

E eu comecei a me rir nesta minha brincadeza. Ai, quem me dera poder pagar os impostos perdiais das nossas igrejas? Porque depois daí todos tinham que pagar. Não só a católica, mas o judeu, o muçulmano, tudo que é bautista, o bautista e coisa. E aí já me podiam soltar a língua para eu falar em candidatos. O Papa diz que não tem medo da administração de Trump, que não quer polémica com o presidente e quando falou sobre tiranos era um discurso que já estava...

Escrito há algum tempo, a mensagem do Papa deve ter limitações de acordo com as opiniões dos dirigentes políticos ou não? Desde que ele esteja a falar na sua capacidade como Santo Padre, como líder da Igreja, e expressando os princípios da doutrina social da Igreja, ele não deve ter restrições nenhumas.

Quando o Papa diz que Deus nunca está no lado dos que amam a arma, há uma tradição de mais de uma mil anos de teoria de guerra. Foi Deus no lado dos americanos que liberaram a França dos nazis? Acho que é muito importante para o Papa ser cuidado quando ele fala sobre as coisas de teologia. Houve também, por parte do vice-presidente, J. Dives, que é católico,

fez um reparo ao Papa Leão XIV, dizendo que ele deve ter cuidado quando fala em teologia e centrar-se nas questões morais, não intervir noutro tipo de assunto, nomeadamente na política externa dos Estados Unidos. Acha que faz sentido este tipo de reparos ao Papa por parte de um vice-presidente?

Curiosamente, a pessoa que visitou o Papa Francisco na véspera do falecimento do próprio Papa Francisco no ano passado. Qualquer chefe de Estado não pode olhar para o Papa simplesmente como um chefe de Estado, que o é, mas é o defensor da nossa doutrina e, sobretudo, da nossa doutrina social cristã, que é o que ele estava a fazer, deve fazer e ninguém deve impor crítica, porque não é opinião, é doutrina.

Os seus fiéis aí na Diocese de Newark têm tido alguma reação a estas polémicas que têm acontecido entre o Papa e o Presidente ou não?

Temos tido alguma conversa, é algo quando estamos em almoçar com os porquianos ou estamos em momento social. Eu tenho amigos que estão nas duas pontas de política, tanto no nosso Portugal como aqui nos Estados Unidos, mas que é uma coisa que eu acho bem lamentável nos tempos de hoje.

porque a política é um assunto que se possa debater, se possa discutir, mas não levar ao limite de ser um ataque pessoal à pessoa. Eu tenho em referência o...

juiz supremo, que era o Antoine Scalia e Ginsburg, que eram, ela, tanto em religião, não eram da mesma religião, um filho que é padre, católico, ela judia, ele bem conservador, bem constitucionalista, ela bem liberal, bem moderna.

e às vezes os debates entre eles em função de juízes era extremo. Aquilo era às vezes forte e feio. Mas fechando o escritório, saindo para fora, eram amigos íntimos, muito bons amigos, iam ao ballet, iam às óperas juntos, conviviam muito porque eles sabiam deixar.

a sua função no trabalho, no escritório, e não fazer dar ataques pessoais, que é o que hoje em dia vê-se muito.

O seu padre nasceu na região de Leiria, mas chegou aos Estados Unidos muito cedo. Qual foi a razão para ter atravessado o Oceano Atlântico com a sua família e como é que foi a sua adaptação aqui aos Estados Unidos? Bem, eu digo que a razão fui eu. Aos três anos é que convenci os meus pais para migrarem.

Como assim? Mas por um lado, quer dizer, não, foi uma apresentação de PowerPoint e tudo. Eu digo que assim nessa brincadeira, mas é interessante, a primeira vez que eu falei nessa brincadeira, comecei a realizar que realmente a razão dos meus pais emigrarem podia ter sido, em grande parte, por minha causa.

Na altura do princípio dos anos 70, o meu pai já tinha emigrado, o meu pai já tinha feito uma imigração de 5 ou 6 anos para a França, depois esteve na África do Sul, no momento, na altura que se casa com a minha mãe. Minha mãe estava 6 meses grávida comigo quando saiu da África do Sul, então o meu pai já vivia uma vida de imigrante. E chegando a Portugal, no princípio dos anos 70, não havia muita possibilidade de trabalhos, então decidiu fazer essa imigração.

Como é que foi a adaptação? Para mim, com três anos, não foi quase adaptação nenhuma. Foi fácil. Foi fácil, embora não falava inglês quando comecei a pré-primária. Então, a primeira semana da pré-primária foi um bocado difícil. Mas, por fora disso, com sete anos, uma pessoa também aprende rápido e apanha o idioma facilmente.

Tenho sempre, quase todos os anos, visitado Portugal. E então sinto que também fui criada em Portugal. Eu sinto que faço parte, sou portuguesa e sou americano ao mesmo tempo. Andou por outras áreas antes de chegar a essa formação religiosa? Como é que foi esse processo?

Eu, quando comecei a universidade, a minha intenção era estudar Biologia, eu queria ser médico, queria ir para uma escola de medicina, e então foi o princípio do meu estudo universitário era Biologia. Depois, quando vim para casa, há aquele processo americano que era fazer o exame de entrar-se na faculdade mesmo de medicina, que é o prós-graduado, a medicina, a gente só entra na medicina após os graduados.

E então estudando tudo isso, entretanto, estava a viver em casa e comecei a trabalhar nos primeiros socorros, fui bombeiro de primeiros socorros e também, entretanto, comecei a trabalhar com uma agência funerária.

Então trabalhei aqui no local de Elisabeth, numa agência funerária, e então comecei a ter esse interesse e formei-me então como um licenciado nos serviços funébres.

Entretanto, olhando para trás, eu fui sempre uma pessoa que participei na nossa religião. E então foi sempre parte da minha vida, enquanto muita gente dizia que um dia ia ser padre. E eu, pronto, não me via nisso. Eu via que realmente queria ser pai de filhos. E houve uma situação muito interessante que eu...

com uma amiga que realmente já faleceu Márcia de Jesus e ela diz assim para mim porque é que quando a pergunta de seres padre surge e tu respondes sempre que queres ser pai mas nunca falas em casar diz, ó Márcia tu conhece-me como um católico praticante eu vou às missas tento não falhar, estou quase sempre presente nas missas tu achas que eu ia ter filhos sem me casar?

E ela olhou-me e disse, mas não é assim que o dizes. Tu dizes sempre ser pai e nunca dizes em casar. Porque o casar é implícito. Mas eu acho que devia ser explícito. E isso começou a...

a mexer-se na minha consciência, na minha ideia e tal. Eu namorei uma pessoa que eu pensei que iria casar um dia, mas não foi por aí. E eu digo até agora, nesta paróquia nova onde estou, que eu, sim, tive uma pessoa que estava muito enamorado.

Sou padre porque não estava com ela, mas não sou padre porque não estava com ela. E essa questão de ser pai preencheu-se no meu sobrinho. Tenho uma irmã de 9 anos mais nova que eu e quando nasceu o meu sobrinho eu senti que esse menino também é meu. E então aí começou o meu passo. Nós vivemos atualmente uns tempos de grande incerteza e de muitas turbulências a vários níveis. Como é que encara o futuro? Há uma sondagem que o maior número...

de pessoas que estão a procurar-se a igreja, são a geração Z, que chegaram a um ponto que, por serem tão incertos, terem tanta incerteza, tendem a ser um bocadinho amalados, eles querem procurar uma coisa concreta, uma coisa firme, e estão a sentir uma falta dessas espiritualidades. E o maior crescimento, o que mais procuram esses jovens, que são esses dos seus...

20 e tal até 30 e tal, essas Generation Z, estão à procura mesmo da Igreja Católica, porque vêem nessa formação, nessa estrutura, algo que é certo. Deus o ontem, hoje e sempre. Deus é constante. A Igreja tem sido constante. E vejo muita esperança nesse nível. Na incerteza do mundo...

vimos que quem é procurado é Deus, que é aquele que é sempre constante, aquele que é sempre o mesmo, aquele que está sempre presente. O mundo vai voltar-se, mais uma vez, a estes princípios bem fundamentais que o Nosso Senhor Jesus Cristo trouxe e que nos deixou.

Brevemente volto com o podcast Washington DC e vamos olhar, de outro ângulo, para a realidade deste país, os Estados Unidos. Este é um podcast RTP Antena 1, que pode encontrar no site RTP Notícias e na RTP Play, para além dos habituais plataformas de podcast. A edição é de Daniel Mota, tem a colaboração de Ricardo Guerreiro e a imagem gráfica de Jorge Pérez. Eu sou a Candida Pinto e estou aqui, em Washington DC.