Episódios de Extremos

506 - Kungsleden North

25 de setembro de 20261h19min
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PODCAST 506 - Com apresentação de Amandina Morbeck, neste episódio Elias Luiz conta como foi a experiência de guiar um grupo pela Kungsleden Norte, na Suécia, em uma caminhada de mais de 200 km pelo Ártico.

São histórias sobre os dias de caminhada, a preparação, a cultura local, os desafios de percorrer uma região tão remota e a experiência de ver a Aurora Boreal rasgando o céu. Ouça e comente!

www.extremos.com.br

Participantes neste episódio2
A

Amandina Morbeck

Host
E

Elias Luiz

Co-hostEscritor, fotógrafo, guia de trilhas e editor
Assuntos6
  • A experiência de Elias Luiz na Kungsleden Norte, na Suéciaguiando um grupo·caminhada de 200 km·preparação para a trilha·cultura local
  • A experiência de ver a Aurora Boreal na Kungsledenpressão para ver a aurora·aurora riscando o céu·cores da aurora·espetáculo da natureza
  • A Kungsleden como trilha de longa distância e suas divisõestrilha do rei·440 km de Abisco a Remavã·divisão em 3 partes·associação STF
  • A vivência das cabanas e a cultura da sauna na Kungsledencabanas de montanha·sauna e banho·trabalho comunitário·temperatura nas cabanas
  • A beleza e os desafios da Kungsleden em diferentes estaçõescores de outono·paisagem diferente·trilha mais fácil·comparação com Rocky Mountains
  • A experiência de jogar golfe acima do Círculo Polar Árticocampo de golfe em Abisko·aquecimento para a trilha·descanso da viagem
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AMAmandina Morbeck

Portal Extremos, o seu portal de aventura.

ELElias Luiz

Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem-vindo a Extremos, o seu podcast de aventura. Eu sou Elias Luiz, escritor, fotógrafo, guia de trilhas e o editor Extremos. Hoje a Mandina Morbeck será a host do programa e falaremos sobre a Conqueslade Norte, que eu acabei de percorrer. Oi, Amandina, tudo bem?

AMAmandina Morbeck

Oi, Elias, tudo bom e você?

ELElias Luiz

Tudo jóia, quanto tempo, hein?

AMAmandina Morbeck

Pois é, mas você sabe que eu fico pulando assim, ó, de alegria cada vez que você me chama para gravar com você.

ELElias Luiz

E já foram muitas e há muito tempo, né, Amandina?

AMAmandina Morbeck

Pois é, e eu espero que venham mais outras aí.

ELElias Luiz

Verdade, verdade. E além disso, Amandina é quem eu sempre mando os livros para ela quando eu acabo de escrever, eu mando o manuscrito para a Mandina ler, né? Então sempre tem o dedo dela também.

AMAmandina Morbeck

Mas eu posso contar que uma vez você contou que mandou o manuscrito para— ah, tô mandando para uma pessoa, não falou que era eu, e eu não recebi. Eu fiquei assim, tipo, como assim? Como assim?

ELElias Luiz

Não sou eu! Será que foi o Rocky Montez?

AMAmandina Morbeck

Não lembro. Não, foi— ai, foi esses últimos aí que você lançou. Aí depois você me mandou um outro, eu mandei Via Alpina, você leu?

ELElias Luiz

Patagônia você não leu, será?

AMAmandina Morbeck

Não, foi o de ficção.

ELElias Luiz

Ah tá, não, mas esse ninguém leu ainda. Então, mas esse de ficção, mas a aventura eu até escrevi primeiro, mas tô segurando ele, talvez vai ser o segundo de ficção meu.

AMAmandina Morbeck

Esse ninguém leu ainda. Ai, aleluia!

ELElias Luiz

Mas por quê?

AMAmandina Morbeck

Porque Porque eu fico com ciúmes, né?

ELElias Luiz

É o perdido no Himalaia.

AMAmandina Morbeck

É isso, isso aí.

ELElias Luiz

Isso não mandei para ninguém.

AMAmandina Morbeck

Ah, então aleluia!

ELElias Luiz

Ufa! Mas legal, legal. Então fui para Kong Slider.

AMAmandina Morbeck

Elias, quando eu vi lá no Insta que você tinha ido de novo, eu falei, cara, eu não acredito! Muito, porque assim, é dessas que tá, né, assim, de trilhas que estão na minha lista. E aí comecei a acompanhar cada foto linda que você tava postando e tal. Mas me conta, você, a primeira vez que você foi, foi em 2000 e foi 2017 que eu fui com a Laura, né?

ELElias Luiz

E eu fui só para escrever o livro, então foi só duas pessoas, eu e ela. E o objetivo era percorrer a Kungsleden inteira, que tem 440 km, mas como a gente subiu uma montanha lá, então tem que colocar que é 450 que eu percorri.

AMAmandina Morbeck

Claro, tem que contar cada metro.

ELElias Luiz

Exato. Então ali o objetivo era completar mesmo, escrever um livro. Então agora o objetivo, 9 anos depois, quem diria, né? Eu até na Kungsleden que eu criei aquela frase que é: não há liberdade maior que uma mochila nas costas, né? Isso eu coloquei até no livro, e foi porque eu tava no meio do nada e eu falei: cara, eu tô no meio do nada, eu tô com uma mochila e tudo aqui, né? Eu só dependo da mochila, né, para eu estar aqui. Foi por isso que nasceu essa frase.

E agora, dessa vez, nasceu uma outra frase que eu tava caminhando lá, falei: cara, eu tô de novo aqui, né? Que a frase é: nem nos meus sonhos mais loucos, que não são poucos, Imaginava que um dia retornaria com Insider.

AMAmandina Morbeck

Ai, eu gostei desses sonhos mais loucos, que não são poucos.

ELElias Luiz

Exatamente. Não, é aqueles lugares que você passa, você fala assim, ah, de tão longe, ou inóspito, ou sei lá, né, diferente. Você fala assim, ah, daqui eu nunca mais volto, né? Aí tava 9 anos depois, tava eu lá.

AMAmandina Morbeck

Então, ó, 2017, né, você foi em agosto de 2017, e agora você voltou voltou e você me contou que começou dessa vez no início de setembro.

ELElias Luiz

Isso, eu viajei para lá, acho que era dia 30 de agosto, mas a trilha começou no dia 3 de setembro. Então até para quem tá vendo as fotos que eu tô publicando, as coisas que eu tô fazendo, dá para comparar a paisagem como mudou.

AMAmandina Morbeck

É, eu achei lindo até que você fez uma comparação com né, da paisagem que você fez a foto de costas com a mochila. Ficou linda.

ELElias Luiz

Então essa é a foto da capa do livro. E quando eu fui, na hora eu imaginei, né, quando eu tiver lá quero fazer a mesma foto, né, repetir a foto. E só que aí eu tava lá, eu, Gustavo, que tirou essa foto de mim, né, dessa vez. E você olha, é totalmente diferente, né. Eu gosto visualmente, eu gosto mais de quando eu fui em agosto, dessa foto da capa. Agora, de todo o resto da trilha, eu achei muito mais bonito ter ido com essas cores de outono, né?

Não é outono lá, outono agora começou agora, né? Nós estamos gravando aqui dia 23 de setembro, agora que começou. É, exato, antes de ontem, algo assim. E agora que tá começando outono, só que lá, como é muito no norte, então aquelas cores que vocês vão ver nas fotos, até na capa do podcast, lá começa amarelar muito antes, né? Então as cores totalmente diferente. E como é uma coisa que a gente não vê no dia a dia, para mim eu achei muito mais bonito, né?

AMAmandina Morbeck

Então, e você destacou bem que você fez dessa vez a Kungsleden Norte, né? Então vamos explicar para o ouvinte o que que isso significa.

ELElias Luiz

Então, a Kungsleden é uma trilha de longa distância que ela foi, né, não concluída, né? Ela ficou pronta de Abisco a Remavã em torno de 1975. Ela nasceu desde o início do século passado, né? Isso trechos, né? Depois foi aumentando. E ela tem 440 km de Abisco até Remavã, mas ela é dividida em 3 partes: a norte, que são 216 km, que é de Abisco a Kivikiok. A parte central não pertence ao STF, né? Que é turista. Associação Sueca de Turismo, mas não tem nada a ver com o governo.

É como se fosse um clube alpino paulista, entende? Agora imagina o clube alpino paulista com umas 250 cabanas pela Suécia, né? Então é mais ou menos isso. Não, nem tudo isso pertence ao STF. Acho que umas 90, 80 pertence ao STF, e o resto são associados ao STF, as cabanas. Então quando você vai fazer uma trilha lá, o ideal, né, se você vai fazer uma trilha longa, é você ficar sócio do STF, né, desse clube, porque aí você tem descontos nas cabanas.

Aí você tem que contar, você vai ficar só em 3 cabanas, não adianta, não vale a pena ficar sócio, porque você paga um valor para ficar sócio, né. E é um, e é uma associação sem fins lucrativos, então tudo é depois retorna para para manutenção, para melhoria, para desenvolvimento de todas as cabanas que eles têm.

AMAmandina Morbeck

Então, mas no seu caso, por exemplo, quando você foi para fazer os 450 km, você fez associação ou não?

ELElias Luiz

Eu fiz associação, eles mandaram a carteirinha aqui para Campinas. Dessa vez, né, 9 anos depois, é tudo digital. Então eu me associei novamente E a carteirinha fica, você pega online ela, então tranquilo, entende? Ficou até mais fácil agora. Então aí você tem desconto nas cabanas. E pelo menos antigamente, não sei se ainda hoje continua assim, a carteirinha vale por um ano. Então se depois você quiser viajar pela Suécia e usar alguma cabana deles, você vai ter um descontinho nas cabanas.

AMAmandina Morbeck

E dessa vez você ficou nas mesmas cabanas? Você se lembra exatamente?

ELElias Luiz

É exatamente isso. É só uma cabana que eu não fiquei e dobrei o dia. Quando eu fiz da outra vez, fiquei em todas as cabanas. Mas desde 2022 que eu quero levar clientes para lá. Mas você fala com o guia, o pessoal fala: o quê?

AMAmandina Morbeck

Que isso?

ELElias Luiz

Você fala Patagônia e fala Everest, todo mundo quer, entende?

AMAmandina Morbeck

Assim, você junta isso, pega suas fotos que você, né, fotografa super bem, poxa, Dá muita vontade de fazer, de conhecer, de estar ali naquele ambiente também.

ELElias Luiz

Obrigado pelo elogio. E é o seguinte, eu tenho vários leitores que sempre me falam, ah, se tem uma que eu quero fazer é a Kongu's Lair, sabe? Eu vejo que as pessoas têm um carinho, e eu sempre tive um carinho pela Kongu's Lair e nunca soube muito bem o porquê, entende? Porque eu lancei, eu fiz o Trek do Everest, fiz o Tour do Mont Blanc, né, que é muito chique, muito gostoso, tudo de bom, tudo bonito, né? E a Kungsleden, ela não tem essa beleza gritante de montanhas escarpadas à sua volta, tipo Everest, o Turm Blanc, né?

Ou até no Canadá, as Rocky Mountains. Mas ela tem uma beleza diferente que é difícil explicar para as pessoas, só estando lá, né? Tudo bem, acho que essas fotos com esse tom de outono ajuda as pessoas a enxergar um pouco isso. Mas desde quando eu fiz com as outras colorações, né, com mais verde, mais flores, eu tinha gostado. Eu achei que era um lugar mais inóspito. Eu lembro que você uma vez fez uma pergunta para mim no podcast, falou: seria qual a trilha mais inóspita, né, mais selvagem, acho que você falou, né, que você fez?

E eu respondi que era as Rocky Mountains. Você ficou espantada, mas não é com o Slayer? E hoje, acabando de voltar de lá, né, realmente, se eu for falar pelo lado mais selvagem, é as Rocky Mountains, é que você todo dia é um lugar muito ermo, você tá longe de tudo, tudo. Mas tudo bem, 3 dias, 4 dias de caminhada, você chega numa cidade. Lá na Cunguizleira, talvez eu tenha que— vou demorar mais tempo para chegar numa cidade. E só que lá no Canadá você dorme, do lado de fora tem urso, puma e alce, né?

Já lá na Cunguizleira não tem tanto problema assim. Tem até urso, mas eu nunca vi, não vi pegada, e é muito difícil de encontrar. Que eu ouvi dizer que o povo sami tá, ao longo do tempo, foi matando para poder fazer a criação de renas, né? Então não sei quanto isso é verdade também, mas tem, tem urso na Suécia, mas é muito, muito pouco. Então na trilha não tem problema.

AMAmandina Morbeck

Então, mas aí dessa vez você voltou e foi com clientes, como é que foi?

ELElias Luiz

Então, desde 2022 eu tava tentando e nada. Aí o ano passado eu levei a família Mano, é o senhor Kenji, que ele fez tudo Mont Blanc. 75 anos, ele fez tudo Mont Blanc completo comigo, né? E fez muito bem. Aí eu propus para eles, né? Falei, ah, vocês não quer fazer com Insider, né? E aí eu peguei uma coisa deles. Na verdade, uma das filhas dele que falou para mim, né? Falei, Elias, quer oferecer alguma coisa para gente? Ofereça com golfe junto, né, que tenha golfe junto. Eu falei, tá bom. Fui lá pesquisar, eu não sabia.

AMAmandina Morbeck

Ai, que barato! Que legal que eles são fãs de golfe lá no Turbomblaze.

ELElias Luiz

Jogaram golfe e eles jogaram, né? Então achei o máximo. Falei, cara, que fantástico! E aí quando eu fui fazer a proposta para eles, eu falei, deixa eu ver se eu acho. Como eu vou achar? Como eu vou achar campo de golfe lá na impossível. Falei, ah, então deixa eu tentar pelo menos em Estocolmo, né? Aí tinha, né? Aí eu falei, ah, beleza, vai ter campo de golfe em Estocolmo. Mas eu falei assim, ah, não custa nada, deixa eu pesquisar campo de golfo próximo a Abisko.

O que acontece, para quem leu o meu livro da Kungsleden, eu peguei um trem, eu e a Laura, lá de Estocolmo até Abisko. Tem Abisko, que onde fica o vilarejo, é pequenininho, eu acho que é uma cidade, não sei, mas é tamanho de um vilarejo pequenininho. E depois tem o Abisko Tour Station, que onde é a cabana do STF, que é um pouco depois da cidade. Tanto é que o trem parou em Abisco, depois ele andou um pouco e parou, mas andou muito pouco e parou.

Só que a gente tava nos últimos vagões e a gente olhando, a gente tava no meio do mato, não é nada, né? Na verdade, ele já tinha andado de Abisco para a cabana e era para a gente ter descido. A gente não desceu porque a gente achou que andou pouco, né? E a gente sabia que era depois, só que como a gente não enxergava cabana nenhuma, a gente falou, não é nada. Aí daqui A Laura deu um estalo nela, saiu correndo, achou o cara lá da estação ali, é que fica dentro do trem, né?

E perguntou para ele, falou, não, era para vocês ter descido aí. Então a gente desceu na próxima estação, que é 8 km à frente, que não tem nada, né? E tanto é que a gente desceu, aí tinha uma van lá, aí o cara já pegou nossa mochila, colocou. Falei, que legal, não sei o que tem. Aí depois o cara percebeu que a gente não ia para o hotel deles. Aí o cara pegou, tirou, a gente quase chorou.

AMAmandina Morbeck

Ai, que ótimo!

ELElias Luiz

A gente parou 8 km para frente, falei, pô, beleza, agora uma van vai resolver nosso problema. Daqui a pouco o cara tira as mochilas da van.

AMAmandina Morbeck

Aí vocês tiveram que fazer como?

ELElias Luiz

Aí a gente foi para estradinha, e porque ele ia para um hotel ali perto que a gente nem enxergava, não dava para ver, né? A gente foi para rua que passa ali E aí caminhou um pouco, viu estacionamento de trailers, e aí pedimos carona. Aí um cara deu carona para gente e deixou lá onde a gente precisava, né? Aí eu peguei e fiz uma pesquisa, né? Tem campo de golfe? De bobeira, né? Porque não vai ter, né, lá, né? Aí eu descubro que tem um campo de golfe exatamente onde a gente parou.

Aquele estacionamento ali sobe uma ruinha e era o hotel O hotel lá que o pessoal tava indo era o hotel do campo de golfe. E só que a gente não enxergava porque fica mais para cima, né? E aí quando eu descobri, falei, ah, vocês vão jogar golfe acima do Círculo Polar Ártico? Pronto, vendi o pacote. Que legal, que história fantástica, né? Imagina a pessoa que gosta de jogar golfe, vai jogar golfe Cara, lá no Abisko, quem vai pensar nisso? Lá no norte da Suécia, né?

AMAmandina Morbeck

Mas aí vocês ficaram nesse hotel do campo?

ELElias Luiz

Não, ficou, a gente ficou, eu peguei duas noites no hotel, nesse, na cabana do STF, só que é uma cabana de montanha. Tem uma diferença as cabanas que a gente dorme no meio da trilha e as cabanas de montanha. Cabana de montanha tem mais estrutura, normalmente o pessoal vai para esquiar, E então ela tem mais estrutura, tem restaurante, tem cabanas melhores, dormitórios melhores, né? Então a gente pegou uma cabana só para gente, a gente tava em 4, né?

E aí, pô, show de bola, totalmente diferente que da outra vez tinha dormido em dormitório, a gente tinha jantado na cozinha comunitária, a gente fez nossa própria comida. E ali com o cliente a gente jantou no restaurante, tomou café da manhã, aquele jantar de 3 pratos, né? Entrada, prato principal.

AMAmandina Morbeck

Pera aí, Elias, que aventureiro é esse, Elias?

ELElias Luiz

Não, é fantástico. E a Bisco, tanto a Bisco, Salto Lótica, que são cabanas de montanha, tem essa estrutura. E a gente comendo ali carne de rena e não sei o quê, daqui a pouco vem.

AMAmandina Morbeck

Nossa, que barato! E aí, como foi assim a experiência da caminhada em si? Você sentiu aquela energia, aquela coisa de ver tudo de novo, mas ao mesmo tempo, porque a paisagem mudou, não deixava de ser a primeira vez, né, com as cores e tudo.

ELElias Luiz

Então é aquela coisa, eu não sei quanto a você, né, algo assim que você fez há muito tempo. Eu lembro alguns detalhes, porque são 450 km, né, que eu percorri. Tudo bem que dessa vez ia ser 200, né, então eu teria que lembrar de 200 km. A gente lembra de tal coisa, algumas coisas que aconteceram, lembro até visualmente, né? Você tem imagem daquilo, mas são muito pouco. Outras coisas que você lembra é porque você tem foto. Ainda mais eu que escrevi o livro, eu tenho que rever as fotos, então eu lembro por causa das fotos.

Tirou as fotos, você não lembra mais nada. Se você vai caminhar 18 km num dia, a foto ali é de 2, 3 trechos que você vê. Mas tá bom, e a distância? Aí isso que acontece também, às vezes, tipo assim, eu penso, ah, legal, mas para fazer esse trecho é curto. Mas por quê? Porque você viu uma foto aqui, outra foto ali, mas você não lembra da distância entre uma e outra. Então é você, tipo assim, praticamente eu tava fazendo a trilha pela primeira vez, entende?

Com alguns, legal, com alguns flashes que eu lembrava. Então é, tanto é que até algumas risos eu achava que ia ser mais curta, parecia mais longa. Até o lance que eu sempre falei que é uma trilha mais fácil, e realmente é uma trilha mais fácil, muito mais fácil que o Tour du Mont Blanc, né, por causa de ganho de altimetria. Ali o ganho de altimetria por dia em torno de 350, né? Tour du Mont Blanc em torno de 1000. Então olha a diferença.

Mas mesmo assim tem tábua, tipo assim, para as partes mais alagadas, úmidas, tem uma tábua que é característica até da Cumbre Brasileira, essas tábuas. Então você anda na tábua, mas ela não é de chão batido como Tour du Mont Blanc, como Via Alpina. Tem a parte de chão batido, mas vira e mexe tem pedras, né? E a pedra cansa um pouco, né? Mas é muito mais fácil que realmente do que o tour Mont Blanc. Então, bom, antes da trilha a gente foi jogar golfe. Eu dei uma tacada lá, eu vi que o negócio não é tão simples assim.

AMAmandina Morbeck

É aquela coisa da virada de quadril, aí a perna vai junto e tem que ter o movimento fluido. Eu também já tentei quando eu morava nos Estados Unidos. Eu tinha uma amiga e o namorado dela e eles me levaram um dia, sabe quando você só põe aquele negocinho no chão e fica batendo, né? Eles me deixaram lá fazendo aquilo, mas nossa, não achei nada assim. Aí ficam te corrigindo e você não percebe direito, né, o que que você tá fazendo.

ELElias Luiz

A gente chegou lá, 9 buracos, eles jogaram, né? Eu tava mais fotografando, só dei umas tacadinhas ali com a bola perto do buraco. Buraco. E mas só de caminhar já cansava, nos 9 buracos. Caramba, aquecimento para trilha, né? Mas foi super interessante. Então aí teve esse dia que foi o golfe. Então a gente teve um dia de descanso em Abisco, isso que foi legal. Quando eu fui com a Laura, a gente chegou em Abisco, no outro dia já foi caminhar, entende?

Então é uma viagem longa, você chega lá e já no outro dia tinha que caminhar. Com eles eu coloquei essa foto de folga. E até o próximo grupo, se ninguém jogar golfe, eu vou ter esse dia de folga também, porque é para descansar da viagem, para depois no dia seguinte começar a trilha, né? Então a ideia é essa. E aí o primeiro dia de trilha foi uns 16 km, tranquilo, mas é fantástico. Eles mudaram o início da trilha, agora tem um portalzinho lá feito de madeira com uma coisa que parece bambu assim por cima.

Ficou bonitinho, tem o desenho da trilha, tudo. E isso para evitar que as pessoas atravessassem a pista, né? Então faz esse caminho que passa por baixo da ponte, que aí começa a trilha. Então eu achei fantástico, achei tudo legal, tudo diferente. A gente pesou mochila da outra vez, acho que eu tinha uns 17 kg. Dessa vez eu tinha quase 13 kg, tava mais leve, né? Isso porque eu levei jogo, levei várias coisas que não precisava, né?

AMAmandina Morbeck

Dessa vez teve o barquinho, que eu me lembro no livro, né, você falando da travessia com o barquinho que atravessava, deixava o barquinho do outro lado para o próximo que viesse.

ELElias Luiz

Teve travessias de barco, tá? Mas tem aquela travessia lá que é de 1 km e era um laguinho, um córrego lá, sei lá, riozinho que a água praticamente parada. Então foi tranquilo. Agora, e nessa parte, acho que a parte central, então a gente não ia passar. Então, mas eu, a gente chegou numa parte lá que é 1 km de, é quase 1 km, 900 e poucos metros de travessia que o pessoal chega e atravessa, tá? E só que a gente ia atravessar no dia seguinte de manhã e atravessar com barco a motor.

A gente optou por não. Nisso é É o seguinte, não tinha ninguém, né? Tinha pouca gente. É o seguinte, eu fui, a gente saiu fechando a trilha praticamente. Esse ano não sei por quê, e tanto é que o pessoal também achou estranho, a trilha fechou no dia 13 de setembro. E os outros anos às vezes é em torno do dia 20, 21, 24. Tanto é que o ano que vem parece que já é próximo do dia 20 que vai fechar, o dia 19.

AMAmandina Morbeck

Tem a ver com mudança climática?

ELElias Luiz

Não sei se tem a ver com clima, não sei, mas Vai variando. E esse ano, tanto é, quando eu fui fazer as reservas, o meu último dia de trilha, e aconteceu isso real, a gente saiu para o último dia de trilha, né, para terminar a trilha, e o host, né, a host, né, a mulher que tava cuidando da cabana, ela ia sair 2 horas depois também para fazer a mesma trilha porque ela tava fechando a cabana. Então a gente foi quase que um fecha-trilha, né?

AMAmandina Morbeck

Mas vocês encontraram muita gente?

ELElias Luiz

É o seguinte, tem uma parte inicial que é até Nicalótica, que é uma parte muito, muito turística, e dá acho que uns 5, 6 dias de caminhada, algo assim. Então nesse trecho você encontra muita gente, as cabanas sempre cheias. E só que depois, quando você passa ali desse trecho que é Singe, né, que seria a curva, a partir dali some as pessoas, né. A gente tava caminhando assim, de repente, isso caminhando sozinho, né, Aí de repente a gente olha assim mais para frente, assim, sei lá, quase uns 500, 600 metros para frente.

A gente viu duas pessoas vindo na nossa direção, né, fazendo a trilha ao contrário, e duas indo seguindo para frente. Aí ele pegou e falou, nossa, quanta gente! Tinha 4 pessoas.

AMAmandina Morbeck

Que multidão é essa aqui, né?

ELElias Luiz

E só duas fazendo no nosso sentido, né? Teve cabana que a gente chegou Porque é o seguinte, até Singe, né, que depois vira para Nicalótica, é o mais movimentado. Aí depois começa a diminuir. Aí vai até Vactuavari, que é um trecho que tem asfalto, e muita gente termina ali, desiste, finaliza ali. Que muita gente tá chamando isso de parte norte, né? Só que é 100 km a menos praticamente do que eu fiz. O que eu fiz é a parte norte.

Né? E mas por quê? Porque é fácil acesso para pegar um ônibus e ir embora dali. Na onde eu termino já é o acesso já é mais difícil, entende? Lá em Kvikkjokk. E então até ali aí você encontra mais pessoas. Aí quando passa desse trecho, aí você não encontra quase ninguém, entende? Aí é pouca gente. No dia assim você vai encontrar umas 3 pessoas, ou porque fazendo ao contrário, que aí você acaba cruzando. E tanto é que teve cabana que a gente ficou, só tava gente.

AMAmandina Morbeck

Gente.

ELElias Luiz

Então, e isso a parte norte. Imagina depois que avança para parte central, que não tem nada. Então é menos gente. Tudo bem que tinha pouca gente porque a gente tava indo próximo do encerramento, que seria dia— todas as cabanas ia fechar dia 13 de setembro. Então teve isso também. Teve uma cabana que a gente chegou, chama Batesé, que é a cabana, é a foto da capa do livro, é um pouquinho para baixo da cabana que eu fiz a foto da capa do livro e que eu fiz a foto lá no Instagram com a comparação do antes e depois, né.

A gente chegou lá, um monte de gente, e tem o Monte Skiff ali, que é uma montanha que em 2017 a gente subiu. E muita gente vai para lá para subir o Monte Skiff, então pega um final de semana para conhecer ali. E como as pessoas chegam? Porque a gente levou 4 dias para chegar ali, né, 3 dias acho que para chegar ali, né, de um asfalto mais próximo. Mas tem um barco, a gente no dia seguinte a gente atravessa de barco, barco motor, né, isso atravessa acho que uns 600 metros o rio ali.

É só que existe um outro barco que são o povo Sami que controla, que o barco ele percorre, se eu não me engano, 18 km pelo rio. E aí ele para num lugar próximo de um estacionamento de carro, que o carro chega Então por isso que tem muita gente nessa cabana, entende? Ou não só na cabana, a maioria das pessoas vai acampar, na verdade, né? Nem todos ficam em cabana, então a maioria vai acampar. Então aí a gente chega lá, fala, nossa, que agitação!

Quanta gente a gente tá encontrando! Como chegaram aqui? Que que eles comem, né? Que eles fazem, né? E aí, e da outra vez, quando a gente chegou, tinha várias, tinha mais gente, né? Porque era no meio de agosto e a gente viu as pessoas atravessando. Tanto é que quando a Laura viu que era difícil, ela foi lá e comprou o ticket para fazer a travessia de barca a motor e comprou para os dois já, só para não ter problema de eu querer atravessar remando, né?

E quando eu cheguei lá, tinha um francês e eles estavam lá e eles queriam atravessar. E era tarde, durante a tarde, e não tinha ninguém antes, né? Eles pegaram o bote. Não, a gente, nós dois vamos atravessar. Tem uma boia no meio do rio, né? Porque você mirar a boia, como a correnteza da da direita para esquerda, a boia fica mais para cima. Por quê? Porque você vai remando um pouco contra a correnteza, porque quando você chegar na boia é mais ou menos o meio do caminho.

Aí depois a própria correnteza vai te ajudar a chegar lá no outro ponto, né? Lógico que você vai continuar remando, né? Mas a correnteza vai te levar para baixo. Você não pode mirar uma linha reta, porque senão a água vai te levar, a correnteza vai te levar para baixo. E aí entraram os dois na na canoa pequenininha, tinha uns franceses.

AMAmandina Morbeck

Ai, nossa, que isso!

ELElias Luiz

Quando, tipo, eu também não sabia, não manjo de remar, mas quando eu tava lá eu tive sorte de outras pessoas tá remando e eu ver eles remando, eu falei, opa, então quando eu precisar já sei como faz, né? Não que eu saiba remar, mas tipo assim, eles começaram, tem o ponto que você sai e tem que mirar a boia lá para passar pela boia.

AMAmandina Morbeck

Só ali na saída eles desceram uns 50 metros, quer dizer, saíram da direção que eles tinham.

ELElias Luiz

Já saíram, já na saída eu falei, nossa, já deu errado já, né? Não é que vai dar errado, já deu errado. Tipo assim, os dois embananado, e o cara tipo assim pior ainda, né? Aí eu falei, nossa, cara, e eles não sabem o que fazer, e eles não saíram da borda. Eu tenho foto deles, eles estão de costas remando remando, né, no remo, e a borda e as pedras estão aqui, a margem tá atrás deles. Se ele for remar, vai subir. Nossa, mas pô, e a gente falando com eles, não sei o que tem, e depois eles conseguiram, acertaram e foram.

Mas tipo assim, eles estavam longe da direção, né? Eu falei, nossa, isso não vai dar certo, né? Dificilmente. Mas eu lembro que, aí tudo bem, a gente cansou de ficar olhando eles, aí depois foi cortar lenha, né? Porque tem algumas tarefas que você pode fazer na cabana para ajudar. A gente foi cortar lenha e conversou assim. Quando eu olho lá depois, eles ainda estão atravessando. Acho que uns 40 minutos depois ainda faltava.

AMAmandina Morbeck

Não, mentira!

ELElias Luiz

Eles chegaram do outro lado, deu tudo certo. Até porque a gente encontrou eles depois, mais para frente, né? Mas sofreram, sofreram. Mas é porque não tem experiência. Eu também, quando fui para lá, não tinha experiência.

AMAmandina Morbeck

Mas pelo menos o lado que tinha que queimar É, mas são esses perrengues que acabam virando histórias para contar depois, né?

ELElias Luiz

Depois que eu falei com a Fabiane, né? A Fabiane tava escrevendo diário, eu brincando com ela, eu cutucando ela: escreve livro, escreve livro! Eu falei: ó, pelo menos eles têm história para contar. Exatamente. A gente atravessou 4 trechos de barco, tá? Então isso, mais barco a motor, você paga para o pessoal. Tem lugar que é o próprio host da cabana que vai atravessar você, tem lugar que é o povo sami, né, que é do povo nativo de lá, que da região norte, que vai, que ali é conhecido como Lapônia, né, que o povo sami é da Lapônia, que abrange tanto o norte da Noruega como da Finlândia também.

Nessa cabana onde tem uma cabana à parte do povo sami, tudo pintadinho de azul, que que é uma cor mais náutica, né? Eles são a terceira geração que faz o transporte com a canoa, né, na Cunguizleira. Então interessante.

AMAmandina Morbeck

E eles curtiram assim, à medida que você foi com eles, eles também curtindo tudo?

ELElias Luiz

Então eles gostaram muito, acho que de tudo, né? Porque é outro visual, né? Não tem nada parecido, né? Então tanto é que eu tava fazendo a trilha, comecei a entender porque eu tenho carinho tão grande por lá, né? Porque o visual é muito diferente, tudo é diferente. Você dorme em cabana, é para tomar banho, tem sauna, né? Nos primeiros dias são sem sequência, mas chega um momento que é dia sim, dia não, tem sauna. E quando tem sauna, você toma banho.

Então, quer dizer, chega um momento que tem dias que você não toma banho porque você não tem sauna. E sauna lá tem horário das mulheres, depois dos homens, depois horário misto, né? E lá todo mundo pelado, né? Dessa vez eu tava guiando, eu levei uma sunguinha, né?

AMAmandina Morbeck

Ah tá, não quis mostrar seu corpite para os seus clientes. O corpite não, né? A pingola. Porque o corpite você mostrou, só a pingolinha que não.

ELElias Luiz

Então, mas ali da outra vez acho que tinha mais pessoas, acho que tinha mais gente pelada. Dessa vez acho que tava meio Pelo menos para nós brasileiros é muito estranho, entende?

AMAmandina Morbeck

Ah, mas é que é tudo vale como experiência, né, Dias? Tipo assim, para a gente ver como tudo é questão de cultura. Imagina, você nasceu lá naquele país, ou sei lá, em outro lugar em que isso não é problema, pronto, né?

ELElias Luiz

Não é, não. Da outra vez eu não levei nada. Outra vez tava tudo pelado, eu ia pelado também, né? Vamos entrar na cultura local. Mas é legal. E por que a gente toma banho? Porque a cabana, né, a primeira parte da cabana é onde você tira a roupa, né, você deixa sua roupa ali. Na segunda parte tem vários baldes, e na terceira, né, terceiro compartimento é onde tá a sauna, né, a lareira ali, e o pessoal coloca lenha, tudo com lenha.

E aí tem uma arquibancada, né, uma uma tábua embaixo e outra mais em cima, mas para ficar duas fileiras de pessoas sentadas, né? Teve lugar lá que eu entrei assim lotado, mas lotado. E tinha isso na parte inicial, lotado de homem, lotado de homem pelado. Falei, puta, não deu para mim meter, cara. Aí beleza. Aí que acontece, algumas tem uma tubulação que sai para esse quartinho do meio, E tem uma torneirinha. Então ali você abre, sai água quente, que o vapor passou pela água.

Então você pega água quente, pega a água gelada que tem ali do balde, que o rio, normalmente o rio é do lado, que você pode, você faz sauna, mergulha no rio, volta para sauna, né?

AMAmandina Morbeck

E aí você mistura, né?

ELElias Luiz

Isso, aí você tempera a água, aí você toma banho. E é o seguinte, a temperatura lá, a gente tava pegando a trilha, caminhando em torno de 8 a 10 graus. Quando você toma banho, né, e tá frio para caramba, né, aí você vai lá na sauna, esquenta. Eu sou de tomar pouco tempo sauna, que eu já tenho o corpo quente. Fazer sauna para mim é um sofrimento, né. Então eu fico menos tempo que o pessoal, e ou já vou, dou um mergulho e volto, ou eu já saía.

Tinha dias que eu saía da sauna, já ia tomar banho, nem ia mergulhar. E ali tomava banho, então você saía limpinho. Só que depois que você dá um mergulho, né, na água gelada, ou você toma ali o banho, o corpo esquenta. Tanto é que você fica de camiseta depois, que eu acho que o corpo reage, entende? E tanto é que na trilha, durante o dia, eu caminhava de camiseta manga comprida, comprida. Usava isso e carregando a mochila e a calça e o tênis, não usava agasalho.

Isso 8 graus. Uau! Por quê? Porque não tava ventando e também porque você tá carregando peso, né? Então seu corpo tá em movimento. Agora imagina se aqui no Brasil você vai fazendo uma trilha com 30 graus, né, e carregando peso, você, nossa, vai estar derretendo, né? E lá você tava de boa. Às vezes quando esfriava um pouquinho mais eu colocava o anorak, nunca coloquei um agasalho no meio, entende? Sempre no máximo anorak para cortar o vento.

AMAmandina Morbeck

E já tava bom.

ELElias Luiz

Chegava lá nos lugares onde ia dormir, só quando chegava aí às vezes eu usei poucas vezes o agasalho. Dentro da cabana ela não é exatamente calafetada, não é bem vedada, mas acho que uns 80% é, entende? Então é, dentro da cabana é mais tranquilo, dá para você ficar de camiseta ou manga comprida. Uma hora ou outra, se você vai sair para fora, aí tudo bem, você põe um. Aí eu levei pluma de ganso, eu ia levar fleece, acabei levando pluma de ganso. Deveria ter levado fleece, que é menorzinho, mais fino, daria conta.

AMAmandina Morbeck

E dessa vez eu vi também que vocês conseguiram ver a aurora boreal, certo?

ELElias Luiz

Então, quando eu divulguei, né, que eu tava divulgando a trilha, eu falei, ah, é possível, né, pode ser que a gente veja, não depende da— então, e olha o que aconteceu no início da viagem, isso no início, a gente tava em Estocolmo ainda, né. Aí o senhor Kenji falou assim, ah, eu nunca vi aurora boreal. Se eu ver aurora boreal nessa viagem, já tô satisfeito.

AMAmandina Morbeck

Olha que lindo!

ELElias Luiz

Eu falei assim, como assim? Isso colocou pressão em cima de mim, né? Falei, pô, não é garantido que a gente vai ver, não é garantido. Só que é o seguinte, a gente passou uns 12, 13 dias lá na parte norte, então tipo assim, a possibilidade, a chance aumenta, né? E é tipo assim, tem aurora boreal o ano inteiro. Lógico que, ah, o começo do ano é mais forte, mas vai, tem o ano inteiro. Então, quer dizer, um dia ou outro é possível.

O senhor Kenji, que é o, ele tem 76 anos, ele fez a trilha, tá, pessoal? 76 anos, vocês estão chorando por quê aí? Tô reclamando que não faz por quê. Aí foi a Fabiane, que é filha dele, com o marido, que é o Gustavo. Eu e Gustavo, a gente fazia plantão, né? A gente fazia ronda. Eu acordava no horário, ele acordava no outro, e para ver se a gente via aurora boreal. Então toda noite era assim. E nas primeiras noites eu que tava acordando primeiro.

E aí chegou lá pela, sei lá, quarta, quinta noite. Na quarta noite em Salca, o Gustavo acordou. Tanto é que eu tava, a gente tava dormindo num quarto para 4 pessoas, né, duas beliches. E naquela noite E eu não escutei ele levantando. E ele saiu, depois eu escutei algum barulho, e de repente eu escuto ele voltando. Ele vai na cama, fala: Elias, vem dar uma olhada que tem alguma coisa diferente, né? E aí eu peguei, levantei e saí.

Nisso, a Fabiane também acordou por causa do nosso barulho, né? E a Fabiane falou que só ficou escutando, né? A gente andando, aí ela escutou a gente abrindo a porta.

AMAmandina Morbeck

Na hora que eu abri a porta, eu falei, nossa, essa coisa diferente é isso, né?

ELElias Luiz

Na hora que eu abri a porta, eu vi os negócios riscando o céu. Falei, nossa, tem hora, vou acordar eles. Aí eu fui lá, já acordei os dois. Já fui, tinha mais gente na cabana, abri a porta dos quartos, fui lá acordar o pessoal, mas ninguém levantou. Não creio isso, porque tinha umas meninas que estavam loucas para ver, que eu tinha feito uma foto uns 2 dias antes que tinha aparecido um pouquinho de aurora boreal, só que a olho nu nada, nada, mas na máquina apareceu um pouquinho, né?

E tanto é que aquela noite tava estrelada e sem nuvem nenhum, que é difícil isso, só que não deu aurora boreal. E nessa noite que o Gustavo chamou, quando eu saí lá fora, nossa, coisa mais linda, era uma aurora meio diferente, que ela tava riscando, né? Então acordei eles, eles viram, né? Foi legal. Não foi uma aurora muito forte, mas deu para ver acho que durante uns 20, 30 minutos. E foi legal, ela movimentou, mudava de lugar tudo, e tinha um pouco acho que de nuvem.

Aí beleza. Acho que 2 dias depois, em Salto Norte, que é uma cabana de montanha aqui— cabana de montanha sempre atrai mais gente porque tem acesso fácil, né? Para essa tem que atravessar num barco grande, mas mas vem bastante gente passar uns dias ali, né? Então aí era mais movimentado. E acho que deu umas 10 e pouco, nem tinha ido dormir ainda. O Gustavo falou, ah, vou dar uma descida lá, dar uma olhada, né? Falei, ah, tá bom.

E a gente tava no quarto ainda se arrumando para dormir, e daqui a pouco o meu celular pisca, né? Porque ali em Salto Lótica tem internet. Isso depois de 7 dias sem internet, em Salto Lótica tem. E aí ele mandou uma foto no WhatsApp, falou, pode descer. Aí na foto já riscando assim, sabe, o céu, mas era meio fino assim, nem ficava tão bonito. Aí todo mundo desceu, aí começou a dança. Ali foi um espetáculo que, nossa, ali ficou mais de uma hora, espetáculo, e movendo e mudando e fazendo outros, outros, né, outros desenhos. Ali foi, nossa, ali foi.

AMAmandina Morbeck

E você sabe o que que provoca essa dança? É vento? É o quê?

ELElias Luiz

Então, é que são as explosões solares, né, que os raios vêm e penetram na atmosfera, que aí colide, aí acontece essas cores. Então, como são os raios vindo, então por isso depende como ele entra, ele dá, ele chega em movimentos diferentes. E é o seguinte, tá, eu fiz um, até fiz uma chamada ao vivo com meus amigos, né, só que ficou tudo escuro, eles não tavam, a gente não tá vendo nada. Pelo WhatsApp. A Fabiane fez uma chamada com os filhos dela, os filhos dela falaram que estavam enxergando alguma coisa assim.

Mas é o seguinte, tá, eu tirei as fotos, eu mandei algumas fotos para você aí, eu também publiquei no Instagram, o verde, né, estourando, né, aquela coisa aí. E cada foto que eu tirava eu ia no lugar diferente para ter uma paisagem diferente, né, na cabana, aí fui mudando. E a cor intensa, né, ela é praticamente branca. Essa, nesse dia que tava mais forte, eu não sei se é o lado psicológico, mas a gente tava vendo um pouquinho de verde, mas é aquele verde água, quase branco, tá?

Então, se aurora boreal você enxerga verde, eu nunca vi, tá? E eu já vi algumas vezes aurora boreal, né? Mas sei lá, de repente a pessoa fala, ah não, em janeiro tem aurora boreal. E tem pessoas que vendem pacotes, né, de caçada aurora boreal, essas coisas. Então eu fico imaginando as pessoas pagando, sei lá, R$50 mil ou mais do que isso, chega lá ver uma nuvem, né? Nossa, será que se colocar óculos assim, que nem quando a gente olha É, então a gente tava falando isso, não tem óculos para daltônico, podia ter óculos para aurora boreal, né?

AMAmandina Morbeck

Ia ser fantástico. Exatamente.

ELElias Luiz

Mas é o seguinte, a gente não faz nenhuma mágica com a máquina fotográfica. A máquina que lê, o sensor da máquina que lê algumas cores que a gente não enxerga, né? Então por isso que fica esse verde, né? Então é, se você ligar o celular, automaticamente você já vê pela tela do celular que tá, que tem aurora boreal. Tudo bem, o celular não é tão bom, né, para capturar enxergar, mas você já começa a enxergar. Quando você liga a máquina fotográfica, aí aquele verde intenso, né?

E outra, eu deixo em torno de 10 segundos, 20 segundos, né, com abertura e batendo a foto, registrando. Então fica mais intenso ainda. E mas se alguém falar que viu verde, tudo bem, né?

AMAmandina Morbeck

Mas tipo assim, não acredite totalmente, né?

ELElias Luiz

Também. É o seguinte, ah, mas poxa, é branco, então é espetacular, quase do mesmo jeito, entende? Que é muito legal. Tipo assim, você tá vendo uma coisa que não é nuvem e é uma coisa muito fininha, tanto é que você enxerga a estrela por trás, né? E você vê movimentando. Daqui a pouco o risco tá aqui, daqui a pouco ele vai se movimentando, ele vai ganhando curva, daqui a pouco some. Aí no outro lado começa a surgir de outro jeito, de outra forma.

Então, quer dizer, é um espetáculo do do mesmo jeito, né? Lógico, se fosse verde do jeito que a gente vê nas fotos, seria mais espetacular ainda. Mas a sensação que você tem ali, e você vê todo mundo em volta extasiado, né? Não é à toa, né? Então, mas se dá para ver a olho nu verde como a foto, aí já não é comigo, entende?

AMAmandina Morbeck

Mas eles curtiram, né?

ELElias Luiz

Ah, fantástico! Todo mundo, todo mundo que tava na cabana, todo mundo saiu para fora e todo mundo, sabe, extasiado de ver. E Foi quase uma hora assim de aurora boreal, e eu só parei porque já tava ficando fraquinha, né, e chegando nuvem. Aí eu fui para dentro. Então, mas vale a pena, eu acho fantástico, mesmo sendo esse verdão que a gente vê nas fotos, não sendo, né, mesmo não sendo, mesmo não sendo. E outra, a gente viu duas noites.

Isso teve uma noite que eu fotografei que só aparecia na máquina, e depois teve outra uma noite que o Gustavo colocou a GoPro dele fazendo timelapse. Como tinha nuvem, ele falou, ah, vou colocar aqui, vou dormir. Mas a gente nem acordou porque a gente já tinha visto tanto da outra vez, uns dias antes, né, que a gente acabou nem ficando para ver.

AMAmandina Morbeck

Ah, que legal! Elias, em 2017, quando você fez a primeira vez, que você comentou, né, ah, eu fiz com a sua companheira de viagem para escrever o livro, livro, né, Laura? E aí você realmente escreveu o livro, né, e lançou em 2018. E aí depois, né, depois disso você fez várias outras aventuras e tal. Agora você já tem o livro da Kungsleden, essa experiência já tá contada. Então é assim, esse material de essas fotos e tudo que que você fez, essa nova vivência que você teve, o que é que você pretende fazer com ela?

ELElias Luiz

Olha, eu tô quase para lançar a segunda edição do livro da Cungileira, que tá quase acabando, né? Mas o que eu devo fazer é vários artigos. É isso, durante a trilha eu tava pensando sobre isso, né? Dá para fazer, escrever vários artigos para o Extremos usando essas fotos e material, né? E vários assuntos que aconteceram ali na trilha, né? Mas não pareceu ver um livro.

AMAmandina Morbeck

Então, porque, né, você tá mesmo, falou, quer dizer, foi como ver tudo pela primeira vez. Então tem suas vivências internas, né, suas reflexões também. Eu gosto quando você faz suas reflexões, acho bacana, legal.

ELElias Luiz

Então eu fiz com a Laura Sete. Eu e a Laura fomos os primeiros brasileiros a cruzar a Kungsled por completo. Alguns brasileiros tinha feito um trecho antes de mim, mas foi só um trecho. E eu e a Laura fomos os primeiros brasileiros. E até onde eu sei, eu, depois de mim, eu sou o primeiro brasileiro a fazer. E depois eu fazendo a trilha, eu comecei a pensar, né, como eu e a Laura, isso a primeira vez fazendo isso em 2017, né, e vendo como ela foi guerreira também, e a gente ter feito junto, e ela ter aguentado tudo.

Porque a trilha trilha, ela não é muito difícil, mas também ela tá longe de ser uma trilha fácil. E outra, a gente fez 450 km, né? Eu tava com Gustavo, o senhor Kenji e a Fabiane. Eles não quiseram fazer o Monte Skirf, que é essa montanha que aparece na foto da capa do livro. E ela ali tá quase terminando a trilha, tem um desvio para fazer. O Gustavo falou, ah, vamos! Eu falei, vamos, né? Aí foi eu e ele. Na minha cabeça era perto, tanto é que quando você olha assim não tá longe, é uma andina.

Mas você anda, você já começa andando, já começa ferrando, porque você já passa uma parte de lama. Então ali você já molha o pé e é meio lameado. Aí depois que eu falar, beleza, mas depois da parte de lama acho que tinha uma parte que subia, depois uma parte plana, e acabou, e começa uma subidinha. Nossa, andava, andava, andava. A gente andou 2 horas e 10 minutos e a a gente, quando a gente chegou, enxergou a montanha e as pessoas.

Aí começou a vir as pessoas subindo a rampa para ir para o cume, que é uma rampa, né, uma inclinação que você não precisa escalar, e também não é nada plano também. E a gente via as pessoas pequenininhas lá. Dava mais uns 40, 50 minutos para chegar no cume. Isso no outro dia, a gente tinha um dia longo para fazer. Aí quando chegou lá, eu vi que ele ficou meio assim, né, parou assim, tava descansando. Falei, você desistir. Aí ele falou, então a gente não chegou no cume do Monte Skiff, a gente chegou perto, né, perto da montanha, e mas é muito mais longe, né.

Só essa brincadeira, a gente ir e voltar até o trecho que a gente tinha desviado foram 3 horas. Isso porque é o meio da trilha, a gente tá fazendo uma trilha, quando tá quase terminando a gente desvia para fazer isso, entende? Então se a gente tivesse subido ia levar mais 1 hora e meia no mínimo, entende?

AMAmandina Morbeck

Isso era o quê? Que horas do dia?

ELElias Luiz

Isso já é, a gente chegou na cabana, acho que era umas 4 horas, quase 4 horas, né? Daria tempo, né? Mas ia ser muito desgastante e não tinha porquê, entende? E ali nem faz parte da trilha, mas a gente gosta de ir porque é baita de um lugar bonito. Mas algo que ele queria ver, que era o delta, né, que o rio começa a abrir vários braços assim, da onde a gente tava já conseguia ver, né? Então fotografou tudo e a gente acabou abortando.

Tudo aquele pessoal que eu falei que aparece nessa cabana é exatamente para subir essa montanha. Quando a gente tava na trilha, ia iniciar o desvio, o céu tava limpo, tava coisa mais linda. Falei, nossa, dia perfeito, né, para estar lá em cima. Só quando a gente já chega na montanha, já o céu já fechou e o tempo tava fechando. Tanto é que algumas pessoas que a gente cruzou e depois tava na cabana falou que pegou muito vento lá em cima, muito frio.

Mas sei lá, 2 horas depois lá no cume também já tava melhor. Né? Mas não dá para você ficar 2 horas no cume lá com aquele vento esperando, né? Então quem saiu mais tarde até pegou um tempo melhor lá em cima. Mas aí depois eu pensando isso, eu falei, nossa, e eu, a Laura, fomo. Tipo assim, eu não lembro em nenhum momento a gente ter pensado em desistir ou não, sabe? Eu acho que a gana era tanta, e a primeira vez a gente tá indo, que a gente foi. E ela também fez, fez tudo, né?

AMAmandina Morbeck

Então eu acho que tem uma coisa do tipo, eu tenho que aproveitar tudo, não sei quando que eu vou voltar aqui. E se eu vou voltar, né?

ELElias Luiz

A gente nem pensa em voltar, né?

AMAmandina Morbeck

Não tem porquê voltar. Então aí que tem essa coisa assim, não, eu vou, né? Poxa, eu vou, tem que aproveitar, já tô aqui mesmo.

ELElias Luiz

E ali é um lugar que a gente deixa a mochila e vai, então fica na beirada da trilha, então fica passando gente ali, né? Mas quem vai roubar roupa suja, né?

AMAmandina Morbeck

Mas acho que isso é tão tranquilo, né, nesses lugares. Lugares, igual lá no W, né, lá em Torres del Paine, que para você ir para o italiano, lá para o francês, você deixa as mochilas lá no italiano, no acampamento italiano, ali no começo, na entrada, fica tudo uma encostada na outra e você vai embora, né, para evitar o peso.

ELElias Luiz

Exato, exato.

AMAmandina Morbeck

Nós só esquecemos de uma coisa, Elias, de falar o que que significa Kungsleden, né?

ELElias Luiz

Kungsleden é a trilha do rei. Já Kungsleden, ele, toda cabana tem um livro de visitas, né? E você assina ele e é legal que você vê, fala da onde está vindo, para onde você vai, suas nacionalidades. Então você vê isso, eu encontrei muito belga, muito muito, muito alemão e um pouco de sueco. Mas o que acontece, essa trilha é para ser feita no verão, né? E o sueco, ele passa 6 meses de inverno, né? Porque tem o inverno e tem resquícios do inverno, né?

Então, quando chega o verão, ele não quer subir para o norte para pegar frio, né? Quando eles fazem, eles fazem a parte mais curta, Então é, eu entendo eles, né? Eles querem verão, eles querem aproveitar, sei lá, Estocolmo que tá quente.

AMAmandina Morbeck

Então é, não, ou então eles vão para Grécia, né, para Espanha, para países mais, até mesmo no verão eles descem mais para pegar mais verão, né?

ELElias Luiz

Ou se eles querem verão no inverno, também para o Brasil, né?

AMAmandina Morbeck

É, também. Aliás, esse seria o ideal, né? A gente mora lá no verão e depois quando for inverno lá a gente vem para o Brasil. Olha que delícia!

ELElias Luiz

Então lá também era como se fosse o nosso inverno. O verão deles lá é como se isso lá no norte, né, da Suécia, é como se fosse o nosso inverno. Então não tem muita diferença, tá?

AMAmandina Morbeck

E você gosta de um friozinho, né, suave?

ELElias Luiz

Então para caminhar eu acho fabuloso, né? E até eles, né, para qualquer pessoa, né, para caminhar assim no friozinho é melhor, né, você cansa menos, você fica menos suado, então você rende mais. E normalmente lá a caminhada era 18 km, 13 km, teve dia de 9 km, era meio-dia e pouco, a gente já terminava a trilha.

AMAmandina Morbeck

E aí preparava o rango, é, como que era isso aí?

ELElias Luiz

No dia que tem sauna, tem lojinha também. Então a comida que você vai comprar é normalmente liofilizada. Então você vai comprar um saquinho de comida liofilizada do sabor que você quiser, esquenta a água, porque lá tem, normalmente tem 3 fogareiros lá, né? E tipo, os fogareiros são de 2 bocas, então tem 2 estações de trabalho, né? Às vezes até 3. E a água para você lavar o prato, ele Eles têm prato, tem talheres, tem tudo lá, o fogão, panelas.

Então você só compra comida e vai lá fazer. E eles têm o balde de água, você tem que ir lá no rio pegar um balde de água limpa. E normalmente ficam uns 2, 3 ali em cima da pia, e tem 2 baldes de água suja que fica embaixo. Então, se você pega uma bandeja, uma bacia, e põe a água ali junto com os pratos, com os copos, você vai lavando essa água que sujou, você joga no balde de água suja. Quando o balde tá quase enchendo, você pega o balde, vai jogar num lugar próprio deles lá, reservado, que eles têm, que é com a madeira lá, tudo.

Você joga ali, então você joga água suja. E quando tá faltando água, água limpa, você vai lá e reabastece. Então tem esse trabalho comunitário na cabana. Ajuda, né? Todo mundo ajuda, né? Teve uma alemã lá que chegou, que ela tava fazendo em dias diferentes, só que chegou um dia que a gente dobrou. Então a gente começou a encontrar ela todo dia. Então ela encerrava a trilha também com a gente até uma certa parte ali, no mesmo dia que a gente.

E a gente viu ela primeiro, a primeira vez, a menina já, uma alemã, né, já pegou a água suja, já foi lá, despejou e trouxe depois uma água limpa. É, no outro dia de manhã a gente acordou, ela tava varrendo a cabana. Então tipo, todo mundo ajuda um pouquinho. Limpo, né, e para deixar a cabana sempre limpa. Tem um host, normalmente uns 2 hosts, às vezes 4 hosts, depende do tamanho da cabana, que eles ficam gerenciando mais ali, né.

Mas se você quer cortar lenha para ajudar, porque tem lareiras dentro da cabana, né, então a gente usa lenha. E então se você quiser cortar lenha, você pode cortar, que você vai ajudar. Às vezes a lenha nem vai ser usada agora, vai ser usada no inverno, né, porque eles abrem inverno. Então a lenha fica. Então, exatamente, exatamente, porque tem até uma caixa que eles deixam separada, uma caixa que é o tanto que vai usar na cabana, né?

Então depois você pega essa caixa, leva para dentro da cabana de lenha e vai trocando ali na lareira, e o ambiente fica quentinho. Tanto é que o saco, eu levei saco de dormir, eu toda vez, acho que não teve um dia que eu usei saco de dormir fechado. Todo dia dormir com saco de dormir aberto porque tava quente. Então a lareira ajudava a esquentar os quartos, né?

AMAmandina Morbeck

Então Ah, é uma experiência muito incrível, né? E como que você pretende fazer agora? Eu vi que você já tá anunciando para o ano que vem. Como que vai ser?

ELElias Luiz

Então, eu levei muito tempo para conseguir levar alguém, né? Desde 2022 tentava e ninguém, né? Aí a família Mano topou. E eu, você olhando assim, você não entende porque as pessoas não vão. Lógico que Normalmente, maioria das pessoas, elas faz uma trilha grande fora do Brasil, né? E quando faz uma ou duas, ela opta por ou Patagônia ou Everest, né? Então só pessoas normalmente que já fez essa que vai procurar coisas diferentes.

Lógico que pode ter uma pessoa, né? Tanto é que hoje teve uma cliente que tá querendo ir com o marido dela e ela tá querendo fazer a Kungsleden. Então eu quero levar o ano que vem um novo grupo grupo, porque a trilha é muito diferente, as experiências são maravilhosas. Você vai fazer sauna, você vai caminhar numa região que você pode ver aurora boreal. E outra, esse lance da mudança de cores das árvores, que você passa assim, você vê meio amarelado, meio avermelhado, a vegetação também.

Para mim isso é surreal, entende? Isso é muito diferente. Então, e outra, você passa 11 dias sem conexão com internet. Então, nossa, tá tendo uma campanha aqui no Brasil de, acho que, um dia sem tela, né? Pô, vai lá que você fica 11 dias. Então aqui, com certeza, né, hoje em dia a gente fica muito na tela, né? Isso até ruim. Isso todos nós, né, ficamos, né? Então você ficar sem tela é bom, mas um dia eu acho que nem vai fazer diferença.

Quando você passa 11 dias, primeiro trecho a gente atravessa 7 dias, né, sem ver nada. Estrada sem ver nada. Aí quando chega nesse final de 7 dias que a gente pega um ônibus, porque você chega numa estrada, não tem acostamento, então é obrigado pegar um ônibus, andar 30 km. Só que como a gente tava em setembro avançado, o ônibus não passava mais. E eles de uma hora para outra resolveram que não ia passar. Mas falei, mas e agora?

Isso aí ia passar de manhãzinha, então a pessoa tinha que dormir numa cabana ali próximo. Só que o nosso cronograma não ia, não ia estar naquele horário ali, não tinha como. Aí sorte que hoje em dia é o seguinte, todas as cabanas têm rádio. Isso em 2017. Então uma cabana se comunica com a outra. Tanto é que teve uma cabana lá que eu, quando a primeira vez que eu vi aurora boreal em 2017, que eu acho que uma cabana informou a outra, tanto é que ele veio me acordar.

Hoje em dia tem Starlink, todas as cabanas têm Starlink, só que a Starlink é só para o host, não nada liberado, nem um minutinho, nem se você quiser pagar, né?

AMAmandina Morbeck

A não ser numa emergência também, né?

ELElias Luiz

Então, mas normalmente, ó, tipo nesse caso, né? Mas ela faria se fosse com rádio também, né? Ela, a gente explicou a situação, falei, não, mas o horário que a gente vai chegar lá não bate, né? Ela falou, eu vou tentar resolver para vocês. Aí depois ela veio com uma solução, falou, tem um, eu arrumei um táxi para vocês que ele vai vir até mais para baixo da onde a gente tava, a gente teria que dá 30 km. Acho que o tiozinho ia vir de uns 40 km para baixo, e o tiozinho mora do outro lado do rio.

Ele ia ter que pegar barco, atravessar o rio e pegar o carro dele para fazer o nosso táxi, né? Tanto é que quando a gente chegou lá, a gente não sabia quem era, o que que era, sabia que tal hora o cara ia aparecer lá, né? E aí chegou com uma caminhonete velha, mas ele salvou a gente, não importa. Todo equipamento assim jogado, mas eles salvou.

AMAmandina Morbeck

Vamos embora, né?

ELElias Luiz

Vamos embora, tá ótimo! E foi legal. Então, quer dizer, e coisas que a gente não sabia, isso não tava no planejamento. A gente não sabia que eles iam encerrar tão cedo assim a parte do ônibus, né? Então tem isso também. Então nessa parte, aí depois você pega, anda 30 km, pega um barco que é já um barco maior fechado que te leva através de uns 3, 4 km, que vai, chega em Salto Luótico, que é uma cabana de montanha, e ali tem internet.

Então você anda 7 dias, aí você vai ter internet no final da tarde até de manhã, né? Só que você dorme, então você vai ter pouco tempo de internet ali, que para quem precisa resolver problemas isso é bom. E depois são mais 4 dias sem internet. Foi legal nesse dia que a gente tinha passado 7 dias sem ver nada, aí quando a gente chegou nessa parte de asfalto que a gente ia pegar o nosso Tinha um carro parado lá. A Fabiana olhou, nossa, carro!

O problema não era só 7 dias sem tela, era 7 dias sem nada. Quando eu vi um carro, assustou.

AMAmandina Morbeck

Falou, nossa, existe isso, existe carro! Já pensou se desse um pau no mundo assim? Aí é tipo aqueles filmes, né? Vocês chegam e tá tudo acabado, vocês não sabem nem por quê, né?

ELElias Luiz

Chega lá na beira da estrada esperando ônibus, nada de ônibus. E imagina, passou 2, 3 dias, nada, e você não sabe que o mundo acabou ainda.

AMAmandina Morbeck

É, exatamente. Que doido! O Elias, então assim, primeiro vamos ver com as pessoas para elas se inspirarem para fazerem a é comprar o seu livro. Como que compra o livro?

ELElias Luiz

O livro ou compra no Mercado Livre, procura lá Elias Luiz ou Kungsleden, ou entra direto no site, que lá no site tem link ou para o Mercado Livre ou para Amazon, ou pode comprar direto comigo, né, no extremos.com.br, né. Então o livro se chama Kungsleden, né, e uma caminhada no Ártico. Então para quem quiser ler o livro, aproveita que tá nos últimos livros.

AMAmandina Morbeck

Então eu super recomendo.

ELElias Luiz

E já tá também no site lá na parte de viagens o roteiro para Kungsled, para quem quer fazer ali, tá bem detalhado, né? Então o que que oferece, o que que é, quantos dias vão ser. Então é uma experiência legal, conhece, você vai conhecer Estocolmo, que é fabuloso. Eu não conhecia. A Fabiane que foi comigo, a Fabiane ela fez intercâmbio Intercâmbio na Suécia, né? Olha, é interessante isso, né? Porque são 3 irmãs, uma fez no Canadá, a outra fez na Nova Zelândia e ela fez na Suécia, né? Mandina, quem que vai fazer e por que vai fazer intercâmbio na Suécia?

AMAmandina Morbeck

Qual o motivo? Me conte agora, porque eu também não entendi. Um lugar frio, um lugar frio, eu que corro do frio.

ELElias Luiz

Você fez intercâmbio, né, Madina?

AMAmandina Morbeck

Não, não fiz não, mas morei fora muito tempo.

ELElias Luiz

Até que você sempre fala para mim que você tem a mãe americana.

AMAmandina Morbeck

Minha mãe americana é a Penny.

ELElias Luiz

Isso. E é o seguinte, você quer aprender inglês, você vai para os Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, né, Austrália, né. Mas você vai para Suécia aprender o quê? Sueco. Sueco. Ela já tinha inglês, então ela foi para Suécia e aprendeu sueco. Então durante a trilha lá ela conversava em sueco. Então foi super legal.

AMAmandina Morbeck

Nossa!

ELElias Luiz

E ela aproveitou também para visitar a mãe dela que mora em Linköping. A gente zoava que era Linkping, né, porque se escreve assim, mas se lê Insider Store. E ela foi visitar, aí eu tava junto, também visitei, né? Isso eu achei fantástico.

AMAmandina Morbeck

Olha, essas experiências, meu, são impagáveis. É disso que eu gosto, que eu gosto do inesperado, né? A gente tá aberto para esse novo. Ah, é muito, muito legal, cara.

ELElias Luiz

E a gente pegou trem, acho que uma hora e meia para até chegar na cidade lá. Então eu achei fantástico. Então passou o dia lá, depois voltamos. E uma coisa que eu não sabia, que na volta a gente ficou mais um dia também em Estocolmo, e a gente tava numa lojinha lá. Eu sempre compro chá, né, eu tenho chá de várias partes do mundo. Eu falei, ah, deixa eu comprar aqui. Aí eu ia comprar uma latinha que tinha os desenhos assim da característica de Estocolmo.

Aí a Fabi, não, não, não compra aqui não, tem uma loja de chá aqui, né. Ela já foi diversas vezes para lá, né, porque às vezes ela vai a mãe dela, né, a mãe de intercâmbio. E aí a gente tava andando lá no centrinho, daqui a pouco chegou naquela, sabe aquelas lojas só de chá e aquele cheiro, aquele chá ortodoxo, né, que é as folhas assim? Nossa, é uma Paloma! Aí ali eu me diverti também. Nossa, eu já trouxe chá também, então eu já tô abastecido.

AMAmandina Morbeck

Vai ser assim, Elias, você vai levar as pessoas e levar a Fabiane junto junto para ela mostrar os pontos, ela vai te ajudar.

ELElias Luiz

Não, exatamente. Sei lá, quando eu vou sozinho eu nem ligo para conhecer tanta coisa, até saio para conhecer alguma coisa, mas como ela conhecia muita coisa ali, eu tava junto, né? Então a gente foi visitar a parte, a cidade velha. Então fabuloso, Estocolmo é maravilhoso. Então de Estocolmo a gente voa para Kiruna, de Kiruna a gente pega um ônibus até Abisko. Na volta, como a gente desceu, o nosso voo é por Luleu, né? Se escreve Luleia, né, mas aquele, aquela bolinha em cima do A, então se lê Luleu, que é litoral.

Então quando termina a trilha, são 350 km até o Luleu. Todo mundo, que que faz? Termina a trilha, aí chega numa cabana de montanha, tem restaurante, dorme ali. Quando dá 5:40, quer dizer, tem que acordar lá pelas 4:30, porque 5:40 passa um ônibus que você vai andar até meio do caminho, até uma cidade, e ali você pega um outro ônibus para ir até Luleå, que é o litoral, e ali tem um aeroporto, né? Então você voltar para Estocolmo.

Que que eu fiz com eles e também pretendo fazer com o próximo grupo? Nós terminamos a trilha, falamos sair mais cedo, vamos, saímos 7 horas da manhã, eram 16 km. Quando deu 1:30 a gente chegou em Kvikkjokk, isso porque a gente tava bem lento, tá? E fotografando e não tava querendo terminar a trilha, enrolando, né? Foi legal. A gente chegou na última, a gente chegou na última cabana, né? A Fabiana falou, nossa, essa é a última cabana!

Deu um nó na garganta. Aí beleza, saímos, chegamos em Kivikjokk, na cabana de montanha, a 1:30. Entramos e fomos ver alguma coisa para comer, alguma coisa assim mais palatável que tinha ali durante a tarde, né, porque à noite tem jantar. Era hambúrguer. Aí a gente pegou, já sentou, pediu hambúrguer, restaurante. E porque o restaurante só ficava aberto às 14h, então a gente chegou no horário certinho e a gente comeu. Quando deu umas 14h15, a gente saiu do restaurante e foi para a área de espera ali, no salão social ali, né, esperando.

Por quê? Antes de eu viajar, eu tinha visto um jeito de sair dali. Ou seria dormir, pegar o ônibus de manhã, ou seria de táxi. Eu consegui achar um contato de táxi que era daquela cidade do meio. E no ano passado eu tinha feito contato, a mulher falou, é tanto. E só que entre em contato comigo quando tiver mais próximo, que a gente vê se o valor é o mesmo por causa inflação, né? Aí para ela, falei assim, tô interessado, queria fechar para o dia 13 às 15 horas.

Ela falou, tudo bem. Aí ela pegou, respondeu, o valor é tanto, onde o senhor gostaria? Aí eu respondi para ela, e ela já falou, você pode pagar no momento lá, então você pode pagar com dinheiro ou cartão. E ela, eu passei o endereço, passei o nome da cabana de montanha e até printei no Google Maps e mandei para ela, e ela não respondeu e fui viajar. Então às 15 horas do dia 13 era para ela, para alguém aparecer ali de táxi. E se fosse aqui no Brasil, juro para você, para mim era 50/50.

AMAmandina Morbeck

E lá estava a pessoa te esperando.

ELElias Luiz

A gente, numas cabanas anteriores, a gente comentou isso. A Roxy falou, não, se vocês combinaram, então tá certo. Mas, mas tá bom, então é nesse lugar legal. Passar bem, né? Quando eu cheguei em Salto Lote, que faltava 4 dias para terminar e tinha internet, mandei um email para ela, ó, tá tudo certo. Foi legal isso também, porque se precisasse desistir eu iria cancelar ali. Tá tudo certo, tudo correndo bem, e nós estaremos lá no dia 15, dia 13 às 15 horas. E ela não me responde.

AMAmandina Morbeck

Quer dizer, para ela, tipo assim, nossa, mas esse cara já falou nisso, né? Por que que ele tá insistindo de novo nesse assunto, já tá agendado aqui, cara.

ELElias Luiz

Mas para um brasileiro isso aí tá cancelado, isso aí é 10% de chance de aparecer. Aí quando deu 5 para as 3, tava o táxi lá, uma van grande, confortável para caramba. Aí qual foi o legal? A gente saiu de manhã da cabana de montanha, que nem tinha banho, né? Então a gente não tinha tomado banho, fez a trilha, chegou Chegou, comeu um lanche, e logo depois o táxi pegou a gente e levou 3 horas e meia. Chegou lá, a gente já tava no hotel tomando banho na banheira.

AMAmandina Morbeck

Que legal! Não tô falando que você tá no hotel, Elias. Banho de banheira, fala sério, no hotel!

ELElias Luiz

Você vê coisa saindo assim que você, nossa, tinha uma folha aqui, a folha boiando.

AMAmandina Morbeck

Parece que é a mesma pessoa com quem eu conversei correndo de de urso na Rocky Mountains, entendeu?

ELElias Luiz

Não, não, falando em urso, eu comi urso. Que eu comi urso lá, delícia. É tipo isso em Estocolmo, né? A gente foi no mercadão de Estocolmo, aí tinha uma tipo um salame de rena. Carne de rena eu comi duas vezes lá.

AMAmandina Morbeck

E tem matar urso para consumo.

ELElias Luiz

Então também não sabia. Aí lá no Mercadão vendia salame de rena, salame de urso, salame de várias coisas, né? Aí o cara pegou, cortou assim para a gente experimentar, né? Que nem o Mercadão de São Paulo, né? Ele cortou, a gente experimentou a de rena, mais ou menos, a gente achou um pouco forte. Aí de urso, melhorzinha. Aí eu comi carne de urso. Agora eu tô cismado, Amandina. E se eu fizer alguma trilha agora, o urso sentir o cheiro, falar É, agora você vai se ver comigo. E tinha foto do cara lá com o urso. Mas sim, eu achei estranho também, né?

AMAmandina Morbeck

Mas tava na chuva, né?

ELElias Luiz

Tá vendendo no mercado, ainda mais lá em Estocolmo. Então quer dizer que pode, né?

AMAmandina Morbeck

É permitido. Nossa, eu nunca tinha ouvido falar, juro.

ELElias Luiz

Também não, também não.

AMAmandina Morbeck

Tá vendo como que é legal isso de conhecer outras histórias, né, e coisa diferente, né, bem estranho.

ELElias Luiz

Então foi isso. Aí depois de Luleå pegamos um voo e descemos em Estocolmo. Então aí tava de volta à civilização. Ali Luleå já é legal, né, a cidade é legal, que você já conhece um outro lugar também. Então uma coisa que eu aprendi com eles também, né, que eu achei super legal, e já tenho feito isso desde o ano passado, O que que eles fazem, né, que eu também agora faço? A gente vai no mercado e compra coisas locais, produtos locais e de comer, tá?

Porque depois você traz para cá e você vai fazer. Eu fui fazer um risoto, comprei um molho, é cogumelo cantarelli, e o outro que é de carne de caça, né? Então aí eu fiz risoto. Aí você usa alguma colher só lá como se fosse um caldo, que né? Você põe na água lá para ferver. Então aí tem várias coisas. Eu comprei também para trazer, sabe, pasta de dente? Eles têm lá tipo pasta de dente, só que é queijo, ou é queijo brie. Eu trouxe do queijo brie, né?

Ou queijo amarelo, ou pode ser maionese. E é só que é em formato de pasta, só que uma pasta maior, né? Então por quê? Porque é prático, você tampa muito fácil e você espreme e você tem ele pastoso. Então é, normalmente você compra uma bolacha lá, uma salgada que ela é dura. Então para você comer coisas na trilha, você pega essa bolachinha com, ou você pode comprar um salame também, algum embutido que eles vendem também. E aí você põe na bolachinha então alguma coisa para você comer na trilha, e é bem prático, né?

AMAmandina Morbeck

Então acabou?

ELElias Luiz

Não, ainda não, ainda não. Esse aí tô comendo devagarzinho.

AMAmandina Morbeck

Ah, então vou aí.

ELElias Luiz

Ainda tem carne de urso aqui.

AMAmandina Morbeck

Esse eu passo. Você tem que estar falando assim, mas eu sou tão curiosa também que aí eu experimento. É, posso gostar ou não, né? Vai, eu só vou saber depois de comer. Vai que eu gosto tanto que eu vou querer fazer a só para comprar carne de urso.

ELElias Luiz

Vai correr atrás de você, cuidado.

AMAmandina Morbeck

Mas é isso, eu vou comprar depois que acabar, depois que acabar. Não vou correr risco não. Mas é isso, né, Elias? Alguma coisa mais?

ELElias Luiz

Eu deixei uma coisa na trilha.

AMAmandina Morbeck

Deixou? É o quê? Não, você não vai me falar que você enterrou outra coisa para a gente achar.

ELElias Luiz

Matou! Não, mas não tá enterrado.

AMAmandina Morbeck

Tá enterrado, não tá enterrado, não tá numa cabana, tá numa cabana, tá numa cabana.

ELElias Luiz

É o seguinte, é no livro das Rocky Mountains, é uma palavra secreta, né, uma frase secreta que eu faço essa campanha desde quando. Agora no livro da Via Alpina também tem frase secreta, mas eu deixei lá sobre o livro das Rocky Mountains. Então é o mesmo tubinho que eu tô deixando, eu já deixei na Patagônia, já deixei no Tour do Latam, já deixei na Avialpina e agora tem na Kungsleden. Então é uma dica final para quem achar esse tubinho, vai ter várias curiosidades ali, tá escrito em português, inglês, e tem meus contatos.

E ali no tubinho tem a página que tá a frase secreta. Então não revela de uma vez, mas eu já tô dando a página.

AMAmandina Morbeck

Então é isso, quer dizer que isso é estímulo também para a gente fazer a Kung Sledden.

ELElias Luiz

A outra coisa que eu deixei foi o livro. Eu levei um livro, o livro da Kung Sledden, e deixou em qual? Na mesma cabana.

AMAmandina Morbeck

Ah, então vai ser fácil, vai ser fácil, vai ser fácil.

ELElias Luiz

Essa é a dica de ouro, hein?

AMAmandina Morbeck

Uau! Mas e se uma pessoa estrangeira encontrar?

ELElias Luiz

Então tá escrito em inglês também, então vale também, né? Vale, vale sim.

AMAmandina Morbeck

Ela só não vai entender o espírito.

ELElias Luiz

Ela não vai entender. E outra, mas vale, ela vai ter que comprar o livro, ela vai ter que traduzir. Só o livro da Via Alpina que tá— não, o livro da Via Alpina, Turno Mont Blanc, o Rocky Mountains. Ah, o Rocky Mountains tá em inglês. Eu recebo o email: achei aqui seu tubo.

AMAmandina Morbeck

Legal, já pensou?

ELElias Luiz

Imagina se você pegar o livro das Rocky Mountains ou da Via Alpina e achar a frase, você vai saber que você achou a frase. Frase.

AMAmandina Morbeck

Só, só não vem com essa não, porque, ó, eu já revisei o livro, eu já li o livro, eu já procurei essa frase, eu já tentei honestamente.

ELElias Luiz

Amandina, mas é o seguinte, se você encontrar, é porque é o seguinte, muita gente copia o texto e fala assim: ah, Elias, é essa frase? Se a pessoa tá na dúvida, quer dizer que ela não achou. E quem achar, não existe dúvida, a pessoa vai falar: ah, te peguei, Ou bobão, então é isso aqui, não tem dúvida. Ah, pode ser isso? Você acha que pode? Então não é. Quando você achar, você vai entender o porquê, né? Então você vai falar, você vai saber que a frase, que tudo ali diz isso, entende?

Então, então na verdade não existe dúvida. As pessoas adoram mandar mensagem para mim perguntando se é, mas a realidade que nunca precisaria ter mandado nenhuma mensagem.

AMAmandina Morbeck

Frase, porque olha, vocês estão ouvindo, né, ouvinte? Vocês estão de encher o saco do Elias com essa história de frase. Ou vocês vão ter esse uau, é essa frase, ou então parou aqui.

ELElias Luiz

Sabe aquele uau que eu falei quando abri a porta, eu via na hora? É o mesmo. Na hora que você olhar, vai falar assim, puta que pariu!

AMAmandina Morbeck

Então estão ouvindo, né? Vocês estão ouvindo.

ELElias Luiz

Não, eu não ligo, pode mandar quanto quiser, adoro conversar com você. O recado foi dado, pode à vontade, pessoal. Mas é o seguinte, na hora que você descobrir, o negócio vai esfregar na sua cara, vai falar: é isso, não tem dúvida, entende? Porque é tipo você revelou um segredo, entende? Isso já é uma dica também, né? Então agora é o seguinte, pessoal, vocês podem descobrir, achar esse tubo, né, que eu deixo, né? Ou no Tudo Mont Blanc, ou lá na Patagônia, ou lá na Via Alpina, ou lá no Insider. Pronto, tem. Olha, simples assim.

AMAmandina Morbeck

Aproveita, tá vendo? Eu quero ganhar mochila até hoje, eu quero. Então tá, meu benzinho, é muito delícia falar com você de novo. A gente se diverte, né, Elias?

ELElias Luiz

Sempre, né, bandida?

AMAmandina Morbeck

Acho que é o mais importante. Gente se diverte com esses bate-papo nossos.

ELElias Luiz

Exatamente. E obrigado por ser host novamente do podcast.

AMAmandina Morbeck

É um prazer, é um prazer. Adoro quando você me chama, fico lisonjeada com esse monte de amigos, de seguidores de todas as partes do planeta, e você me escolhe.

ELElias Luiz

Tudo bem que às vezes eu não mando livro, mas eu vou mandar.

AMAmandina Morbeck

Não, mas hoje eu fiquei muito tranquila só de saber que ninguém recebeu. Já vou dormir mais aliviada.

ELElias Luiz

Legal, legal. Obrigado, viu, Madina?

AMAmandina Morbeck

Então tá, Elias. Obrigada também, querido ouvinte, querida ouvinte. Obrigada aí também aqui mais uma vez, né, por dar preferência para o Elias, por seguir o Elias. Esse cara aqui eu admiro e você deve admirar também. Então é isso, amigos para sempre.

ELElias Luiz

Beijão, beijão, obrigado, até mais, Feliz Natal!

AMAmandina Morbeck

Não acredito, eu ia falar!

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