505 - Sajama
Leo Rodriguez relata os desafios de sua escalada ao Sajama, a montanha mais alta da Bolívia, com 6.542 metros de altitude.
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- Escalada no Sajama· EsportesNevado Sajama·Bolívia·Altitude·Condições climáticas·Penitentes
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Portal Extremos, o seu portal de aventura. Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem-vindo a Extremos, o seu podcast de aventura. Eu sou Elias Luiz, escritor, fotógrafo, guia de trilhas e o editor de Extremos. Hoje vou conversar com o Léo Rodrigues e vamos falar sobre as escaladas e perrengues da Bolívia. Olá, Léo, tudo bom?
Fala, Elias, beleza? Tudo bem, e você?
Tá inteiro? Chegou inteiro em casa, cara?
Cheguei depois de uma jornada longa aí. Graças a Deus já estou em casa, deu tudo certo.
Bom, não sei se eu vou avançar ou não, mas perguntei se chegou inteiro porque você escapou de manifestação, escapou de terremoto.
Bom, cara, Menos, né? Acho que sim, tiveram várias mudanças de planos aí por conta da situação atual ali na Bolívia, né? No momento aqui que gravamos, até onde eu sei, ainda estão havendo lá vários protestos e bloqueios de rodovia. Então a situação na Bolívia durante essa viagem, ela tava bastante complicada lá assim, viu?
É, então, e outra, você tinha agendado isso quanto tempo antes? E outra, você não sabia de nada, né? Quando você chegou que encontrou lá os problemas, né?
Pois é, não, foi na chegada lá que tava tudo certinho, todos os planos em dia. E no dia que chegamos em La Paz é que ficamos sabendo que os nossos planos assim já precisariam ser alterados totalmente. Por conta de não ser possível sair de La Paz para o destino que tínhamos planejado, né?
Você gosta de La Paz ou não?
Cara, eu acho La Paz uma cidade no mínimo muito interessante para se conhecer. Ela é muito diferente, né, de qualquer capital que a gente acaba viajando, né, em outros países. Para quem não conhece, né, nossa, é bem diferente, né. Ela é num vale assim e ela já fica a uns 3.700 metros de altitude, né. Então a chegada em La Paz já é, tem o seu componente aí de altitude, né. O aeroporto ele fica na cidade vizinha ali de El Alto, que é como se fosse um vale assim.
A parte de baixo no vale é La Paz E de um lado assim, subindo esse vale, é a cidade de El Alto, né, onde fica o aeroporto, já a 4.100 metros de altitude, né. Então, para quem busca assim experiência com altitude, para entender como que o seu corpo vai responder, aí de cara já é uma boa experiência, né. Então tem isso, né, o aspecto que seria até fisiológico assim. E a parte assim cultural, né, é um país muito pobre, né, um país que você ainda vê presente muito da cultura que foi de muito antes do período de colonização, né.
Então não é assim como outros países da América do Sul que são dominados e tudo que se vê são descendentes da colonização espanhola. E pelo contrário, né, você vê muito do que são os originais de lá ainda, né, os indígenas, né, os povos de montanha lá, né? Então as cholitas, né, estão por toda parte ali andando, os comércios nas ruas são bem assim ainda mantendo, né, as tradições, né, culturas originais. Então eu acho no mínimo, no mínimo, muito interessante tudo isso.
É como se a gente entrasse dentro de um livro de história assim. Nossa, olha só como era isso aqui há centenas, né, séculos centenas de anos, séculos atrás, e continua tudo muito, eu não vou dizer preservado, né, porque também é bem caótico, né, mas é no mínimo interessante de ver que assim, olha só, isso aqui realmente parece que eu estou dentro de um filme que se passa há séculos atrás.
Assim, é legal, você começou a usar os adjetivos, é diferente, é interessante, Aí depois foi para o caótico.
Os adjetivos assim não necessariamente são os mais impressionantes de positivo, né? Então assim, não quero criar expectativa, não quero romantizar nada assim, mas eu já estive agora duas vezes, né, da segunda viagem passando por La Paz, terceira vez na Bolívia, em outras circunstância, em outra região. E poxa, eu gosto, eu acho interessante. Uma vez que você aceita que você tá indo para um lugar que realmente tem, é precário, né, tem muitas circunstâncias ali que é mais precárias, são mais precárias, mas uma vez você aceitando isso e tudo bem, né, é muito legal, é muito interessante assim, é muito bacana.
Eu nunca me senti mal lá, eu nunca me senti, ah, falta isso, falta aquilo. Acho que La Paz até que oferece boas condições assim, minimamente, para quem tá aí buscando uma viagem com aventura, né, para sair da zona de conforto e tudo isso. Então não é dos destinos mais glamourosos, mas para quem tá buscando aventura assim, já dá um astral, já dá uma sensação de estar vivendo uma aventura só de estar em La Paz.
Mas exatamente, você falou, é, lá não falta, já começa faltando ar, né?
Não, mas vale a pena. Eu acho que é um destino para quem gosta de ir para montanha, né? Pessoal assim do Brasil, da América do Sul, é um destino muito atraente assim, porque tem montanhas de altitude, tem montanhas de diferentes níveis assim, né, de acesso. E é minimamente acessível com relação aos seus custos, né, comparado com outros países, outras experiências de montanha de altitude. É um dos destinos mais baratos, eu diria, talvez, muito provavelmente o mais barato de todos, assim.
Então dá uma tranquilidade, né. Por exemplo, ao invés de fazer um investimento muito alto de dinheiro para uma ou duas montanhas, Lá você consegue subir várias montanhas com um valor menos expressivo. Então a parte mental já fica um pouco mais aliviada, pelo menos para mim, né? No sentido, ah, super investimento aqui, tudo ou nada. Em outras experiências, que é assim, você vai lá para 15 dias uma montanha só, né? Em várias outras experiências de altitude.
Enquanto que na Bolívia você tem a oportunidade, ah, beleza, eu tenho aqui 3 ou 4 montanhas que eu vou subir na minha viagem, e então mesmo que uma ou duas não dê certo, tá valendo ainda a pena aqui, né, para o custo da viagem, né. Então essa relação de custo-benefício que é melhor ali, eu acho que traz um conforto mental também, né, para enfrentar os desafios.
Exatamente. A gente tá falando isso também para quem, sei lá, algum dia se interessar e nunca foi, chegar e não assustar, né, porque Eu estive lá em 2006, ó, cara. Nossa, quando eu fui para Machu Picchu, eu passei por lá antes, depois fui para Copacabana, depois para Puno, depois Cusco, né? Aí Machu Picchu, ó, 20 anos, cara. Mas para mim, cara, foi um caos. Cheguei lá e falei, cara, eu tenho que sair daqui logo, né? Poxa, eu cheguei no mesmo dia que eu cheguei, já foi embora, já foi para Copacabana e E aí às vezes eu conto isso para outras pessoas que já estiveram em La Paz e leva de boa. Os cara tira sarro, porra, Elias, é uma delícia La Paz, cara, tô em casa.
20 anos, Elias, você era um moleque assim de 45 anos?
Tinha 5 anos de idade quando eu fui lá.
Tinha uns 45 anos, um menino.
Minha avó era viva ainda.
É, essa avó tá famosa ultimamente.
A gente vai introduzir ela aos poucos, aí o pessoal vai entender. Então, mas realmente, né, para mim é um espanto esse, ainda mais que é tipo um caldeirão ali, está no fundo do caldeirão e você olha para o lado assim, a estrutura é muito precária. Acho que ainda continua assim, porque se eu não me engano tem um negócio do governo, se você pintar a casa você paga um imposto a mais. Então é tudo meio, sabe, tudo É, sem reboco, essas coisas das casas.
E mas, cara, mas é um país muito, é muito bonito a natureza, mas é um país muito pobre. E não sei o que que é mais pobre, se é a Bolívia ou Nepal.
É o Nepal, Nepal é mais pobre. Isso aí eu cheguei eventualmente a pesquisar e vi que a Bolívia inclusive tem mais assim poder econômico do que o país Nepal.
E o bom, né, o que você já comentou, que, cara, tudo lá é muito barato, né? Eu lembro que para comer, para tudo, é muito barato. Então imagina europeu, né, ou americano, ou canadense aí vindo aí para Bolívia, cara. Para nós brasileiros já é barato ir para Bolívia. Então para quem vem de fora ainda com euro, dólar, é fantástico, é bem barato.
E então aí também por isso eu decidi voltar para Bolívia, né? Eu já havia feito uma viagem anterior. Até precisamos, para falar deste, desta viagem, Elias, precisamos voltar ali lá para 2023, tudo bem? É só isso?
Tá bom, vamos lá. Eu voltei para 2006.
Pois é, não, eu até perguntava, 2006 acho que não tinha nem o teleférico ainda lá.
Eu não lembro do teleférico, acho que não tinha.
Eu acho que não tinha 20 anos, hein, porque ele é tão novo e tão moderno e tão bom assim. É um contraste enorme de uma— construíram lá uma rede de teleféricos, né, até acho que é uma empresa suíça, né, exatamente essas mesmas gôndolas que a gente vê em estações de esqui ali na Europa, e que é super importante ali como meio de transporte público, né, do cidadão lá de La Paz, né, para ir para El Alto, descer ou circular até mesmo por La Paz.
E aquilo lá, nossa, já é uma certa salvação assim para as pessoas que têm o dia a dia lá se locomoverem assim de forma não cara, né, super baratinho também e com bastante eficiência, né, porque vai por cima assim da cidade, né, passando todo aquele trânsito e aquela muvuca lá. Então fiquei imaginando como era antes disso quando você tava lá, né, que era só mesmo caos ali, só baguncinha ali, que até difícil de transitar. Mas então, já que é um podcast, vou voltar um pouquinho só para 2023, só para dar um contexto aí nessa, nos planos dessa viagem, tá?
Manda bala!
Em 2023 eu cheguei aí para Bolívia, né, como uma primeira vez para ir subir montanha, né, porque já tava começando a fazer montanha já ali um tempo E todo, a gente fica logo sabendo, né, que todo mundo vai para Bolívia assim, até mesmo como parte de iniciar, né, na alta montanha, né. É um excelente destino para começar com alta montanha. E eu já tinha acabado de ir para algumas outras até, falei, ah, tem que ir para Bolívia aí, que parece ser bem legal também, né, como parte aí do meu, da minha curva, né, de aprendizado e para acumular experiência.
E foi uma viagem muito legal assim, e eu fiquei basicamente só na região de La Paz, né? Eu fiz ali rapidamente, né, o que todo mundo faz numa primeira viagem de alta montanha na Bolívia, que é ali, ah, faz ali uma aclimatação no Chacaltaya, depois vai para o Condoriri, Pico Áustria, Pequeno Alpamaio, Huayna Potosí. Aí eu tinha uns dias a mais Eu falei, ah, seria legal ir lá para o Sajama, né, que é outra região já um pouco distante, que tem várias montanhas, vulcões ali altos também.
Mas eu não tinha tanto tempo, eu não tinha muitos dias. Aí acabei com menos dias encaixando ainda na hora lá mesmo e fiz também o Illimani. Então foi uma viagem bastante assim completa para a região de La Paz, né. Claro, não subi todas as montanhas, mas subi ali, entendo que eu subi as principais e foi muito boa, né? Aí eu fiquei com essa vontade de voltar, né? Ah, tem a região ali de Sarama que não deu tempo dessa vez, um dia quero voltar.
Então deixei guardado na ideia, né, na lista ali. A próxima vez que eu for para Bolívia, eu quero ali para região do Sarama com mais dias, com mais tempo, para até curtir lá direitinho assim, sem pressa. Isso foi 2023, tá? Aí naquele mesmo ano, Elias, lá para setembro, o que acontece? Eu estava ouvindo aí um podcast aí de um canal aí que às vezes eu ouço chamado Extremos, e eu ouvi esse episódio que você gravou com um rapaz que havia feito a viagem para Vila do Sarama, episódio 388.
Você gravou com o Lucas, né? Aí era justamente a viagem seguinte que eu gostaria de fazer para Bolívia, e eu tinha acabado de voltar da Bolívia. Então eu vi esse episódio, ele com dois amigos, né? Esse Lucas, ele que você gravou o episódio, e é o episódio 388.
Legal, serve para alguma coisa podcast então.
Então é isso, eu acabei não te contando, né? De certa forma foi também conectado através do canal. E aí eu fiquei só pensando tal, porque ele chegou aí com os amigos, né, para ir para Vila de Sarama e com o objetivo principal subir o Nevado Sarama, que é a montanha mais alta da Bolívia, né. E por isso que salta aos olhos de muitos de nós que queremos fazer alta montanha, né, na América do Sul. E eu deixei isso aí assim guardado assim Só lembrava disso, né?
Aí tá, aí que mês que você fez Bolívia? Em 2023?
Eu fui em junho.
Olha, o podcast foi gravado, esse 388, cheguei aqui já em 29 de setembro de 2023, logo depois.
Isso, ele fez a viagem tipo em agosto e gravou em setembro. Aí eu falei, olha só, eu fui para Bolívia, o Elias não quis gravar comigo e o Lucas foi e gravou com o Lucas, mas tudo bem. Ok, ok, o meu dia chegará.
Muito bom.
Não, aí não, nada disso. Mas não chegará.
Então deixa eu cortar aqui então. Ó, tem ouvinte pegando meu pé, os haters, né, seus amiguinhos aí, né? Falei, Elias, você fez o episódio 500 que ia ser especial e não foi com o Léo, pô, tá vendo?
Melhor R$20 gastos meus já da minha vida para o cara deixar esse comentário.
Você pagou, só pode, cara.
Eu fiz comentário também, eu fiz comentário. Obrigado aí, Otávio. Otácio é o nome dele, né? Eu acho que é isso. Vou dar uma olhada. Obrigado pelo comentário aí. Bom, então, onde eu estava? Bom, aí eu ouvi esse episódio e pronto, né? Aí falei, a próxima, quando eu for planejar Bolívia, eu até posso ouvir de novo esse episódio, porque ele mais ou menos conta, né, como foi o plano de viagem dele e tal. Posso até seguir com algumas referências ali.
E beleza. Aí 2024 eu tava com outros planos, né? Fui ali para outras viagens e tal. É difícil, né, encaixar. 2025 outros planos ainda, né, que requerem assim muitos meses e tal de planejamento e tal. Aí quando eu fui ver, 2026 já. Aí eu comecei a planejar essa viagem. Ah, então tá, 2026, agora sim. Eu acho que uma viagem que tá aí para sair é essa volta para Bolívia, né? Comecei a planejar, ouvi de novo esse episódio. Aí como quem não quer nada, eu mandei uma mensagem ali para o Lucas e falei assim: ó, Lucas, é o Léo aqui, tô planejando aqui de ir para a Bolívia de novo, na Vila do Sarama.
Né, ouvi aí o seu episódio com Elias, tá a fim de montar parceria aí? Porque que acontece, né, aí é spoiler já, né, naquela ocasião, ele, pelos motivos lá que tá, ele tá explicando e contando lá no episódio, ele acabou não conseguindo nem mesmo tentar fazer o Nevado Sarama, né, que é um que seria também meu principal objetivo para essa volta Então eu fiquei assim com um sentimento, uma sensação de que ao ouvi-lo assim, ah, esse cara ele tá com Sarama engasgado, né?
Ele vai querer voltar para fazer. E ele já tem o plano, já fez até, já tinha feito com os amigos dele ali o Isala, o Acotango, Parinacota, e para ir para o Sarama, que parece assim que daí não deu certo, né? Eles precisaram voltar para La Paz e tal, mudaram os planos Reserva. Aí eu mandei uma mensagem para ele, como quem não quer nada assim, e assim, ó, já estou planejando, né, conforme for. Até vou sozinho mesmo, mas já é bom já ir conectando, né, quem sabe até uma parceria, que seria até melhor ter, né.
Aí, para minha surpresa, ele se animou, ele falou, cara, eu não tava pensando em ir agora, mas você me deu essa ideia e eu tô a fim agora, agora tô animado, eu quero ir. Aí a gente começou a planejar juntos, né? A gente via a melhor data que funcionava para os dois e tal. Ele tinha lá as férias dele, ele tinha lá compromissos pessoais de família também. E encontramos as datas. Eu tinha mais ou menos um itinerário assim que eu tinha montado, que eu imaginava que funcionaria.
E pronto, emitimos passagens aí alguns meses antes mesmo, né? E fomos daí se conversando para refinar os detalhes. Então aí chegamos praticamente no mesmo dia lá em La Paz, né? E aí que a gente se conheceu pessoalmente, mas já com tudo montado, o plano. E agora voltando lá no início da conversa, né, era assim: eu saí de casa uma terça-feira e cheguei em La Paz na quarta, e ele já estava lá, ele tinha chego na terça à noite. E na quarta-feira fizemos ali um descanso em La Paz, né, que a gente já tem uma altitude, né, vale a pena respeitar nessa chegada na altitude.
Eu que moro aqui quase nível do mar e tal. E à noite estávamos ali comendo uma pizza e a pessoa que tava organizando para gente o transfer para Vila de Sarrama no dia seguinte já me liga e fala assim, olha, tá tendo esses protestos, bloquearam as estradas. A gente não sabia de nada até então, tava tudo normal. Nessa quarta-feira. E aí ligaram, falei assim, olha, não, não dá, não tá saindo amanhã porque bloquearam as estradas. Então para mim começou ali os bloqueios, até que realmente estavam começando a impedir seriamente os planos.
E aí eu falei, poxa, e aí agora então? Então tá, vamos descansar, amanhã a gente resolve. Então já não fomos para Vila do Sarama de cara assim, isso já afetou completamente os nossos planos. Principalmente para o Lucas, porque no nosso itinerário tínhamos lá uns 12, 15 dias certinho assim de fazer o dia a dia para o objetivo principal, Nevados de Sarama. O Isala, ao invés de fazer a Cotango, ao invés de fazer Parinacarata de novo, porque ele já tinha feito, a gente faria o Pomerapi.
Que depois a gente vai falar mais, né? São 4 montanhas as principais ali da Árvore de Sarama, de 6.000 metros, né? Que é o Pomerápio, Paninacota, Ocotango e o Nevado de Sarama. E então faríamos uma que ele não tinha feito ainda, e ia dar certinho ali com os descansos e tal, fazer o Nevado de Sarama. Enfim, não deu certo. Na quinta-feira então a gente falou, poxa, vamos fazer o quê? Estamos aqui, vamos tentar encontrar uma forma de aclimatar então, né?
Vamos matando, porque até então o problema não tinha uma data assim para terminar, e todo mundo dizia que ia terminar em poucos dias. Então a gente só precisava esperar ali 2, 3 dias que a gente conseguiria seguir viagem e ir lá para Vila do Sarama. Na Bolívia, até onde eu estou entendendo melhor agora, é bem comum, parece, esses protestos, né, essas, essas até bloqueio de rodovia. Mas eu ouvi falar bastante depois que a gente tava vivendo lá, né?
Até o pessoal que trabalha lá fala que é comum, mas normalmente dura poucos dias, tipo, coisa de 2, 3 dias. Isso aí já é só um zumzumzum aí popular e já resolve. No início estavam falando que a população tava apenas satisfeita com— apenas entre aspas, né— satisfeita com o preço do combustível combustível, que tinha subido demais, e o valor do dólar também. Logo depois, conforme foi avançando e a situação não foi melhorando, que a gente começou a ouvir falar que eles estavam realmente querendo derrubar o presidente, tal, que a situação tava escalando assim a outros patamares mais graves, mais sérios.
E aí depois foi piorando, piorando, mas enfim, estávamos lá na esperança de que em alguns dias resolveria. Então, com essa pessoa que tava nos ajudando com o transfer, a gente falou com ele, ó, o que que a gente consegue fazer, né? E a gente ainda não tá aclimatado, acabamos de chegar. Aí inventamos de ir para essa outra montanha que não estava nos planos. Eu já havia ouvido falar, não tinha, não estava no meu plano, no meu radar.
Chama Cerro Charquini. Então naquela mesma quinta-feira a gente fechou com esse cara meio-dia, ele organizou lá uma van e um guia para nos levar, né, já que não tínhamos feito nem mesmo nenhuma pesquisa nem nada. E entramos na van 4 da tarde, fomos para o refúgio ali que dava para chegar até nas proximidades do Huayna Potosí, que é uma montanha muito popular ali na região de La Paz, né, muito acessada, né, muito acessível. E muita gente faz até como sua primeira montanha de 6.000 metros.
E ali na região, né, e a gente foi fazer essa outra montanha, ela dá de 5.392, um pouco abaixo de 5.400. Então tá, né, vamos fazer essa aí como aclimatação. Eu fiquei um pouco com o pé atrás, né, porque na terça-feira eu estava a nível do mar, Quarta-feira 3.800, quinta-feira a gente pegou a van para o refúgio que já é 4.700, né? Comemos alguma coisinha lá, não conseguimos dormir nada assim. Eu não consegui dormir nada porque subimos muito rápido, né, para o 4.700.
E naquela madrugada uma subida de tentativa de cume, né? É uma montanhazinha legal de subir assim, ela já tem a a necessidade de atravessar geleira com crampon, né, e tudo mais, apesar de ser mais simples tudo. Então bastante legal para quem tá se aclimatando em La Paz para ir para outras mais altas, e também para quem tá iniciando. Enfim, eu senti, eu achei bem difícil, achei assim, chegou ali próximo dos 5.000, né, era meu terceiro dia de viagem, eu tava assim um um pouco arrependido da minha decisão, assim, putz, realmente foi demais, tal.
Mas enfim, fazendo uma analogia, né, para todo mundo que ouve bastante aí, até mesmo temporada de Everest, né, Everest a gente acaba se familiarizando bastante com as altitudes, as localidades. Seria mais ou menos a mesma coisa que chegar assim no primeiro dia Katmandu No segundo dia ir lá para Perichê, que já é uns 4 e tralá lá, né? E no terceiro dia ir para o acampamento base, né? Seria mais ou menos isso assim, porque é de altitude, né?
Porque o cume dessa montanha ela é 5.392, similar à altitude do acampamento base do Everest. E normalmente a gente faz isso em 9, 10 dias, é que é mais prudente, né? Mas é saudável, digamos assim. Eu sabia que eu estava sendo um pouco ousado, mas eu encarei isso como um desafio, assim, ah, quero ver como o meu corpo vai reagir numa dessa, já que eu tô aqui decidindo isso de última hora. Então eu gosto quando tem uma dose de desafio assim em algum aspecto, né, para me conhecer melhor, né, saber como que vai funcionar.
E realmente foi difícil, sofri lá, eu acho que das outras montanhas que acabei seguindo nessa viagem, essa aí foi uma das que eu mais senti sensação de arrependimento, do tipo, putz, não era para ter feito isso, né? E duvidar, e duvidar até mesmo de se vai dar certo ou não, que é alguns dos pensamentos negativos que às vezes a nossa cabeça assim tenta ir contra a nossa vontade, né? Tenta colocar a gente numa mais zona de mais segurança, né?
E aí precisou rolar ali uma negociação comigo mesmo da parte mental para seguir. Então já nas outras eu já fui aclimatando e não tive tanto essa incerteza, né? Eu estava mais seguro de que mesmo cansado eu conseguiria, mas nessa eu tive mais dúvidas. É interessante, né? Enfim, mas deu certo. Eu acabei ficando um pouco assim assim mais lento, né, com relação ao Lucas e o guia. Mas em algum momento eu falei para eles, ó, pode ir indo aí, uma hora eu chego.
E eles também estavam super de boa, né, respeitando o ritmo do grupo tal. E chegamos ali mais para cima, passando o glaciar. A gente ainda chega a remover os crampons, que é meio que mais calaminhada assim, bastante nas rochas, até que tem um trecho com alguma exposição assim que você tem ficar esperto para qualquer erro lá, pode ser até perigoso. Mas chegamos e deu tudo certo e foi bastante satisfatório, foi bem legal.
É um cerro, né? Não é um vulcão, né?
Não, não. Essa região é interessante, daí de La Paz, dessas duas regiões aí que se diria assim principais, né, que as pessoas vão para fazer alta montanha, nessa região de La Paz não são vulcões, são mais uma cadeia de montanhas, né? Ali é chamado até Cordilheira Real, né? E na região do Sáhara são vulcões. Então, conhecendo as duas regiões, fica claro como é diferente a parte do solo, né? A trilha onde vai pisar, e também conforme a escalada, a subida, como é em geral, né?
Tô generalizando, mas Um vulcão muitas vezes vai ser uma subida assim que sobe, sobe, sobe, não acaba mais. E quando é uma cadeia de montanhas, ela é mais, eu acho até mais legal, que ela é mais diversificada assim. Você sobe um pouquinho aqui, passa pelo passo, desce, vai para outro vale, aí sobe, entendeu? É montanha em cima de montanha, né? Isso regra geral assim, né? Quando você olha de longe um vulcão e uma montanha, você já percebe, né?
A montanha ela é mais acidentada assim, o relevo. E eu acho que aí oferece até melhores condições de variedade durante, porque às vezes você tá subindo lá durante 7, 8, 9 horas, é legal que mude, né, o cenário. Legal que mude o que tá acontecendo, né. Quando é todas essas horas de uma forma só, eu sinto que é um pouco mais maçante assim, né, a subida e descida. Então na região de La Paz você vai encontrar mais montanhas, né, dessas cadeias assim de montanhas dos Andes mesmo.
E lá no Sáhara é uma região mais vulcânica, né, onde o solo é também mais arenoso e tal, mas mais marrom escuro assim, né. Então muda bastante até mesmo a cor, né, o aspecto assim da montanha. Quem está no Huayna Potosí enxerga o Cerro Charquini pela rota normal assim do Huayna Potosí, dá bem de cara para o Cerro Charquini e vice-versa. Na subida e descida do Charquini tinha uma vista de um ângulo bem bonito assim do Huayna Potosí o tempo todo, e de um ângulo que eu não conhecia ainda, né?
Quem só sobe o Huayna Potosí já chega na montanha, já tá na montanha, né? Não tem essa vista tão perto daquele ângulo que se vê até mesmo a rota. Durante a noite a gente via ali as lanternas de cabeça assim das pessoas fazendo, subindo lá, né? É super legal. E isso foi então essa primeira montanha que não estava nos planos, né? E fizemos eu, Lucas e um guia que a gente acabou conhecendo lá na hora, né? E deu tudo certo, foi muito legal.
Depois você foi para o Isala, que é próximo?
Não, então aí, calma, você tá acelerando. A gente volta para La Paz, né? O Isala na verdade já é parte ali da Vila do Sarama, né? Então a gente volta para La Paz, não tem ainda estrada, não tem como ir para Vila do Sarama. A gente tá lá, a gente já tá se mexendo para tentar fazer alguma outra coisa para de novo esperar 2, 3 dias. E uma coisa legal ali de La Paz, Bolívia, é isso, né? Você tem várias opções de saídas mais curtas.
De 2, 3 dias que você pode fazer outras montanhas, né? Tem uma, tem o Illimani e o Annapotosi de 6.000, que são mais próximas, e tem outras de 5.000 também ali. Já estava começando a me familiarizar com as opções que eu nunca havia pesquisado antes. E então isso foi quinta e sexta, né, essa montanha aí, o Cerro Charquini. No sábado estávamos em La Paz já pensando o que faríamos a partir de domingo para matar tempo, né, com a esperança de ainda um dia para Vila de Sarramas e com os bloqueios liberando, os bloqueios.
E bom, estávamos lá com plano de ir para uma montanha no domingo, que no sábado mesmo, depois de todo, todos os planos já montados, nos ligaram e falaram, não dá para ir nem para essa montanha já. O Lucas, que não havia ainda feito o Huayna Potosí, já estava engatilhando lá de fazer então Huayna Potosí, que era uma montanha que dava para ir. E eu já havia feito Huayna Potosí. E por outro lado, no meu plano eu tinha mais dias, né?
Eu tinha as datas com o Lucas, o Lucas voltaria para o Brasil, e eu teria uns dias extras lá. Que indo para Bolívia eu já tinha mais ou menos uma sensação de que valeria a pena ter dias extras. Se tudo desse certo com o Lucas, ele voltaria para o Brasil e eu ficaria uns dias a mais ali, faria o Parinacota, que não tava no nosso plano juntos, faria alguma coisa, né? Eu resolveria na hora. E esses dias extras meus começaram a serem muito úteis porque eu tava já usando no início da viagem, na verdade, e o Lucas começou a torrar demais os menos dias de viagem dele, né?
Enfim, chegamos num ponto lá, até encontramos um outro brasileiro que estava ali para escalar outras montanhas também. E no domingo, que a gente não conseguiu ir para nenhum lugar, fomos ali naquela feira do Día Alto. É uma feira de rua assim que vendem desde, desde, poxa, bala, chocolate, até carro. Eles vendem vende carro, sério, cara. Você tá andando na feirinha, tem uma parte que é carros, assim, sério.
Aqui em Campinas tem algo parecido, a Feira do Rolo. Nunca fui, mas meu irmão adora.
É mesmo? Olha, não conheço essa feira aí do aeroporto. Então, mas quando eles falavam isso para mim, eu achei assim, beleza, vende de tudo, né? Mas de repente a gente tá andando lá, tem um setor com umas caminhonete, tudo uns carrão assim bonito, sabe, que eles vendem no meio da feira junto com as roupas, tênis falsificado, chinelo. Aí tem uns carros, enfim, fomos dar uma volta lá, tal. E nesta, nesse dia eu fiquei sabendo de uma pessoa ali conversando ali com um, com outro, de uma pessoa que estava vindo da vila de Sarama com uma 4x4, que era a única forma de fazer esse trecho, né, Sarama-La Paz, através de fora de pista assim, totalmente desviando dos bloqueios que estavam nas rodovias principais, pelas ruazinhas do interior assim, pelo meio do mato, praticamente de 4x4, por onde só passa 4x4.
Eu falei, olha, esse cara vindo de Serrama, ele vai querer voltar, que ele era de Serrama. Então, poxa, me dá o contato aí, eu vou ver se eu posso ir para o Serrama com ele. Resumindo, apareceu essa 4x4. Eu e o Lucas lá ficamos discutindo e conversando se dava tempo ainda de ir, o Lucas ir para o Sarama. E falei, ó, chegamos lá, a gente já faz, a gente já tá melhor aclimatado agora, a gente não precisa fazer o Isala, já vai direto para o Acotango, Pomerape, ou pula o Pomerape, vai para o Nevado do Sarama, entendeu?
A gente tava de uma certa forma encontrando tentando encontrar maneiras para que funcionasse ainda o nosso plano inicial. E no final, ele já tava lá encaminhando os planos de ir na Apotosi. Aí ele falou, quer saber, acho melhor não, acho muito arriscado. Porque ele não tinha garantia nenhuma que ele já conseguiria, já na sequência, voltar para La Paz facilmente, né, para não perder o voo dele, né. Depois disso veio se comprovar que foi uma decisão decisão acertada, ele acabou não indo para Sarrama.
E já eu, que tinha mais dias, eu, a gente lá decidiu juntos e eu fui. Eu acabei indo sozinho para o Sarrama mesmo. Foi uma pena, né? Perdi aí a parceria, mas ele seguiu a viagem dentro dos dias que ele tinha e ele fez o Aina Potosi e gostou para caramba, tal. É uma montanha super legal de fazer mesmo. Mesmo, né? E ele voltou para casa e não teve problemas com os compromissos pessoais dele. Então deu tudo certo, mesmo com a situação da Bolívia cada vez piorando até, né?
E eu fui parar no Sarama essa segunda-feira aí. Então no domingo era Feira do Alto, né? Na segunda de madrugada, 1:30 da manhã, eu estava indo nessa 4x4 aí, totalmente assim de off-road, Demoramos 14 horas para chegar na vila de Sarama. Chegamos 3:30 da tarde lá e grande parte pela madrugada tinha bastante neblina assim e vários bloqueios também nas proximidades dos vilarejos ali da parte mais rural, né, daquela província. E alguns bloqueios com barricadas assim com tambores com fogo, parecia coisa filme assim, de ter que negociar com os caras.
Tinha que parar a caminhonete e negociar. O próprio motorista, né, é um cidadão que vive na Vila Sarrama. Então assim, pessoa super simples, sabe, que mal sabia mexer assim no celular. Então ele falou, eu preciso de ajuda porque eu também não conheço, né, como a gente tá indo. Aí ele passou o celular dele para mim com aquele aplicativo lá, o Maps.me. E ele falava, me fala aí onde que eu vou virar, para onde eu vou, em que direção eu vou.
E aí eu precisava ficar ali, eu não conseguia colocar assim ponto a ponto que nem um Google Maps, porque ele me levava para rodovia, né? E na rodovia, todas as vezes que a gente chegava, tava cheio de caminhão assim, todos os caminhões parados, totalmente bloqueado. Eu tinha que sair de lá e mais para o meião ali, que não tem nem rodovia. Então era complicado durante a madrugada assim, eu tinha que afastar assim o mapa, apontar para um lugar que mais ou menos o motorista sabia que, ah, vamos na proximidade ali, sei lá, de Patacamaia, mas não podemos chegar em Patacamaia que também tá tudo bloqueado, que é mais ou menos no meio do caminho ali onde muda de rodovia.
Enfim, foi tenso e cansativo, né? Aí chegamos 3:30 e pronto. Estou na Vila Sarama, pelo menos, né? Cheguei aqui, quem sabe nos próximos dias aí eu consigo já ir fazendo minhas, assim, meus planos aqui. E ao mesmo tempo a situação vai melhorando dos protestos, né? E quando for o momento de eu voltar para La Paz, vai estar tudo resolvido. E foi aí que nos separamos. E na verdade foi, foi a decisão assim mais conveniente para os dois, né? Para cada um de nós. Nossa, falei! Alguma pergunta?
Não, não. Já que você fez uma pausa aí, manda um abraço então para o Otacílio Antunes Santana. Foi ele que mandou a mensagem. Isso, ele que mandou mensagem lá: parabéns, Extremos, episódio 500 sem o Léo Rodrigues?
Não, não, não, não, não, não, não. Eu li assim, diferente. Valeu, Tarcísio.
Então aí, chegando lá, pô, cheguei lá, segunda-feira à noite, região das montanhas que são vulcões, né?
Isso ali, ali a Vila Sarrama é muito interessante, é muito legal mesmo conhecer. Quem nunca foi e pretende incluir aí como uma, colocar na lista, né, como destino de aventura, independentemente até mesmo mesmo de escalar montanhas e tal. Eu notei lá, né, nos vários dias que eu estive lá, que tem muita gente, muito turista assim meio que mochileiro fazendo mochilão pela América do Sul. E com relação à Bolívia, o primeiro destino é Salar de Uyuni, né?
Você pensou em Bolívia, se for para ir para um lugar, o turista ou o mochileiro é Salar de Uyuni. Que na verdade, pelo que eu vi lá, é umas 8 horas, tá, de estrada do Serrano ainda. É bem longe, mas eles fazem, eles pegam 1, 2, 3 ônibus, tal, vai de mochilão. E do Salar do Uyuni era o próximo destino assim de muitos mochileiros que estavam fazendo uma viagem de América do Sul. E lá tem também, é um parque nacional, né, parque Parque Nacional Sarama.
Então tem trilhas e tal, é bem bonito, tem lá geysers, tem termas, né, as águas termais. Então para quem nem pensa em, às vezes tá ouvindo aqui episódio e falar assim, ah, mas eu quero só conhecer e tal e não quero nem pretendo subir montanha, vale a pena também. E daí tem para diferentes gostos, né, quem só quer ir lá passear e conhecer, que já tem uma vista bonita ali dos vulcões ao redor. E aí tem as variações, né? Eu fui encontrando turistas que passavam lá menos dias com objetivos de mais assim de trilha.
Então aí sim, tem ali do lado, não precisa nem a pé mesmo, você tem essa montanha chamada Uysala, que já é uma montanha de 5.000 metros e é trilha. Não precisa de crampon, não precisa de nada assim. Então assim, não é todos os dias que a gente tem oportunidade de fazer uma trilha, né, com roupa de trilha só, bota de trekking, e chegar nos 5.000 metros, né, de altitude. Então é interessante, né? Só isso aí já, eu acho que já vale a passagem por lá.
Tem uma trilha também que parece que era mais procurada lá, que é de uns 20 km, já é o dia inteiro de trilha. Que começa nos geysers. Aí você pega ali uma 4x4 de alguém da vila que te leve até os geysers. São 20 km passando pelas que eles chamam lá de lagunas altiplânicas, né, que são lagos assim na altitude, já mais ou menos a 5.000 metros também, e entre as montanhas ali nevadas e tal. Bem bonito assim. Eu acabei vendo de cima assim subindo as montanhas, né.
E um guia lá me mostrou, olha, ali são as lagunas altiplânicas. Então parecia ser uma trilha bem legal também, finalizando ali nas águas termais. Então, poxa, nada mal, né? Um dia legal assim, de super, super trilha. Essa acabei não fazendo, deixei essa para uma próxima oportunidade lá. É sempre legal ter algo assim para deixar para uma próxima visita, né? E eu também estava mais assim focado e querendo subir as montanhas mesmo, né.
Então eu fiz o Huayllala assim, eu cheguei lá na segunda tarde, né, descansei, né, foi um dia bastante exaustivo. Fiz o Huayllala no dia seguinte, que eu saí assim 9 horas da manhã e nada, nada, umas boas 5, 6 horas, tá, para subir e descer assim tudo. E ali tem uma boa vista já assim no topo assim do próprio Nevado Sajama, que montanha imponente ali, né? O Nevado Sajama dá para se ver lá da região de El Alto quando você tá indo para Huayna Potosí, quando você sai do Vale de La Paz assim, vai para cima, passou El Alto, tá indo ali para as montanhas ali próximo do Charquini, você vê uma montanha bem longe assim, dá para ver o Nevado Sajama de tão— e é uns 300 km assim de distância, de tão imponente que é o Sajama. Então é bonito, é bonito se vê.
E esse sal, ele começa, oi, esse sal, ele começa com terreno de terra e depois termina com neve, é isso?
Não, você sai da vila, é todo seco, tá? Em nenhum momento você passa por neve. Você sai da vila assim, por um solo arenoso assim, que é toda a vila um solo mais arenoso, né? Não tem asfalto, nada. Uma vilazinha bem simplesinha, bem pequena. E você vai andando na direção dele já, e em algum momento você vai começar a subir mais, né, um pouco mais inclinado assim. Porém é tudo trilha e rocha assim, tá? Aí conforme vai mais para cima vai ficando mais rochoso, mais rochoso de caminhar na trilha com rocha, não escalada, entendeu?
Então com bastões de trilha e uma boa bota de de trilha, é uma trilha de 5, 6 horas subida e descida. A descida, inclusive, você continuando depois do cume, é mais propícia para descer porque você cai numa parte mais, numa face mais arenosa dessa montanha. Então para descer é mais confortável assim e rende mais com o terreno mais arenoso, né, vai mais rápido assim, e não é tanto impacto. Então, bom, tem nos aplicativos, né, para seguir a trilha.
Eu acabei fazendo o teste mesmo sozinho, até apelidei a montanha naquele dia para mim de Ui Solo, porque eu fiz o Ui Solo. Então, para mim, foi o dia que ela se chamava Ui Solo.
Legal! Oi, sozinha, perrengue, hein?
É, não, foi legal. Foi uma segunda oportunidade que eu tive de subir uma montanha de 5.000 metros sozinho, por conta delas também não exigia assim a necessidade de travessia de geleira, no qual nós precisamos em geral encordar, né, por um perigo que haja de algum se escorregar lá, ou até mesmo greta, né. É bom estar encordado contra a pessoa. Só estar contra a pessoa já cria uma segurança muito maior do que estar sozinho, né? E nessa, eu lembro de ter tido uma ocasião de fazer uma montanha que era de 5.000 metros nessas circunstâncias e ter me trazido uma satisfação assim bacana, né?
Eu que tenho, faço bastante trilha sozinho, assim, nossa, legal! E aí o Isala, que eu já sabia que era uma trilha como essa montanha, mais de aclimatação, eu falei, essa aí eu acho que dá para fazer sozinho, né? Então vamos lá, mais uma montanha, uma segunda montanha de 5.000 metros sozinho. E eu gosto, eu gosto da sensação de estar sozinho ali na montanha, eu comigo mesmo. As preocupações, né, precauções, né, só depende de mim.
Já não tenho nem mesmo uma pessoa como backup, então tem que triplicar a atenção, né, e tal. E isso não me deixa muito, muito desgastado, isso me deixa mais envolvido com o senso de aventura, sabe. E mas cada um tem seu nível, né, cada um tem sua zona de conforto. Então o que eu busco às vezes é sair um pouquinho da minha zona de conforto para saber o que que eu poderia fazer fazer, né, por conta, desde que eu não sinta que eu esteja comprometendo a minha segurança, né.
E essa aí foi o sala. Falei, ah, vamos ver, né. E o interessante que eu estar lá com a agenda completamente agora alterada, né, e com os dias que eu tinha lá, era que eu não precisaria necessariamente seguir uma agenda. Eu poderia ir fazendo uma coisa de cada vez, de acordo como eu me sentia, né? Essa era uma grande vantagem de estar sem a correria, né, de um itinerário que tem que fazer aquela coisa, aquelas coisas exatamente naqueles dias.
Então eu podia mais, eu podia ficar mais atento com condições climáticas. Ah, esse dia tá ruim a condição climática, eu vou no dia seguinte, entendeu? Eu tinha uma certa possibilidade que foi bastante ao meu favor, né, nesses dias. Mas eu me senti bem. Então, na sequência do Uysala, que foi nessa terça-feira aí pós-chegada, eu combinei ali com o rapaz da pousada e falei, ah, eu acho que eu vou fazer o Acatango assim já nessa, no dia seguinte, que seria na madrugada, né.
Já é uma montanha de 6.000, uma que você começa a subir a partir das 3 da manhã. Você sai da pousada de 4x4 às 2 da manhã para começar às 3, algo assim, né? E nesse dia eu tava assim um pouco talvez empolgado ou feliz de ter chego, né, na vila e ter saído de La Paz, daqueles zum zum zum todo, e tava finalmente começando a fazer as montanhas nas quais eu tinha planejado tanto tempo, né? Assim, infelizmente sem o Lucas, mas por outro lado com a possibilidade de fazer com calma assim, né, nos dias que me conviesse.
E aí o Lucas até tinha, quando a gente tava conversando, né, nessa decisão de cada um ir para um lado, ele até deu uma cutucada assim, não sei quanto foi intencional ou não, ele falou: ah, Léo, Mas chegando lá eu falei, porque uma das coisas que tava em jogo era assim, ah, eu ia fazer com ele o Aco Tanco, ele já conhecia, então tá muito provavelmente não precisaríamos de guia. E agora estaria sozinho, né? Então eu teria que colocar um guia para eu não ir sozinho.
Mas daí, mas daí o Lucas cutucou, ele falou assim, ah, Léo, por que que você até não vai sozinho lá? Acho que ia ser legal fazer sozinho Aco Tanco, acho que dá, viu? Aí eu lembro de responder para ele, não, nem nem a pau, cara. Nunca vou me atrever a fazer uma montanha de 6.000. Eu já fiz outras de 6.000 antes, né? Então 6.000 já começa a ser um negócio meio de responsabilidade assim, sabe? Não é para bobear. Eu nunca vou me arriscar a fazer uma montanha de 6.000 sozinho.
Não é para mim, né? Não sou esse cara. Aí ele falou isso aí, ficou assim, entendeu? Ignorei. Eu falei, não, nem a pau. Mas naquele dia eu falei, meu, Será que não dá não? Daí eu dei uma olhada nos aplicativos e tal, pela rota. Falei, ó, tem a rota aqui. Outra coisa, eu conversei com o dono da pousada lá, será que dá para eu ir? O que que você acha?
Tal.
Ele perguntou mais ou menos se eu havia tido experiência antes. Falei, ah, tenho, tenho todos os equipamentos aqui, já tem mais ou menos um pouco de experiência. Falei, ah, então acho que dá, porque é uma montanha de 6.000 que as pessoas costumam fazer assim como seu primeiro 6000, né, uma de iniciante. Eu falei, aí eu peguei todas essas informações assim que me ajudavam a aumentar a minha teimosia. Então tá, então eu só contratei o transporte até o início da trilha e fui sozinho.
O rapaz lá que me levou até o início da trilha, ele ficaria ali no carro, né, enquanto eu faço ali a subida, descida mesmo que muitas horas, mas eles costumam esperar no carro, os motoristas. E mas o único motivo de eu também ter me atrevido assim, né, para não ser tão ousado, é que eu teria comunicação então com o motorista. Então o proprietário da pousada me emprestou um rádio, testamos ali o rádio, Testei de novo depois com o motorista.
E qualquer coisa que acontecesse ali, torcer um pé, uma coisa, estaria na roça, né, total. Mas eu teria comunicação com o carro que tava ali embaixo, né, seja ali algumas horas de diferença e tal. E aí assim fui para essa montanha de 6.000 e sozinho, e foi super legal, Elias. Foi, nossa, uma das experiências mais assim bacanas assim, eu e a montanha, para praticamente o dia inteiro eu não vi. Eu tinha um outro grupo só que estava à minha frente e eu sozinho.
Esse grupo até se encordaram lá na reta final para o ataque ao cume final ali. E eu olhando isso, eu falando, putz, eu não tenho ninguém, né? Não tenho encontrado nada, cara. E eles já fizeram o cume, estão indo embora, e eu sobrei na montanha, né? Então teve todas essas, lógico, preocupações, né? Tudo que você tem tem que redobrar a atenção. Mas, cara, eu fiz no meu tempo. Teve uma hora ali que começou o sol nascer, Elias, que assim, mesmo quando você tá você e alguém, eu acho que você já não tá simplesmente você com você no seu tempo, né, para fazer aquela foto que você quer, para curtir.
Eu lembro de quando o sol começou a nascer, eu parei lá e falei, cara, eu vou só curtir agora esse sol nascendo, porque não é todo dia com essa vista. O Acatanga é muito bonito, né, nessa época do ano que tá todo nevado assim, super bonito. Achei assim a subida, escalada. E diferentemente de outros vulcões, apesar de que ele é um vulcão, aquilo que a gente falou de vulcão antes, ele tem mais aspecto de montanha. Então você entra pelo vale, você sobe para um lado, aí você vai, chega na crista e vai subir subindo outras montanhazinhas assim, tipo, dá a impressão que não chega nunca, uma hora lá, tá?
Não chega a ser fácil assim como muita gente fala. Para mim não era fácil assim, né? Mas foi super legal, foi super legal mesmo.
E a montanha tem 6.052 metros.
Isso, ela é cadastrada aí, catalogada como 6.052. Para quem tiver indo pela primeira vez para o Aucotango.
E a montanha não, é o vulcão.
Esse aqui já é vulcão, são vulcões que são inativos, né, bastante, muito tempo inativos. Então essa aí tem bastante um aspecto assim até de montanha, de tão, não tem muito a cara, o formato assim de vulcão como outros são mais vulcão assim, mas a gente imagina. Um aspecto que vale a pena mencionar, caso alguém esteja ouvindo e falar Se até o Léo, aquele Zé Mané, foi sozinho, eu também vou.
Primeiro pense bem, mas até minha avó faz essa montanha.
Até a avó do Elias fez, né? Desceu de papelão ali, de esquibunda de papelão. É, muitas montanhas dá para descer de esquibunda, né? Essas aí eu não vi muita oportunidade não, depende muito das condições da neve, né? Como que tá ali a época do ano.
Mas normalmente não se usa papelão, né? Normalmente você senta vai e desce, né?
Sim, sim, depende da montanha, né? Depende da montanha. Muita montanha que já tem os trilhos assim de que a galera vai descendo, aí o outro desce assim, vai ficando marcadinho assim, parecer de bunda na neve, né? Aí você aproveita e vai também. Então, mas no Acotango, um aspecto também que vale a pena deixar registrado aqui é: eu usei aquele aplicativo que eu uso pelo nos Estados Unidos, no Canadá, é muito popular, chama AllTrails.
Na América do Sul é mais utilizado o Wikiloc, né? E eu não tinha assinatura do Wikiloc, eu tinha da AllTrails, usei do AllTrails. Ah, vai funcionar, né? Uma montanha bastante acessada e tal. E fui. E tá, de outras pesquisas que eu andei fazendo de um outro tempo, assim, outros anos, eu me lembrava que Montango, muita gente fala que existe, você sobe ali, é uma subida que normalmente o pessoal fala é mais suave, né? Então em nenhum momento ela é difícil, subida demais assim, né?
Só vai devagarzinho, uma hora chega. Mas já na descida tem o que eles chamam de uma via mais direta, né? Uma via mais retona assim, que você não precisa tanto de zigue-zague assim, porque como é descida pela neve assim, você desce numa boa. Então eu tô indo assim ainda na subida, né, pelo vale. Aí tanto o carinha, o motorista que me levou, como o dono da pousada que eu estava, eles haviam falando: olha, Léo, quando você chegar lá, instruções básicas assim, né, da subida.
O crampão, estão dizendo aí que no momento assim, dependendo da época do ano e tal, nesses dias tal, você só vai colocar o crampão 5.800 metros de altitude. Então lá para cima, quase depois de subir até sair do vale assim para cima. Eu falei, legal, fiquei com isso em mente. Os dois falaram a mesma informação. Aí eu tava olhando, eu tava ainda nos 5.500, nos 5.600, e começou a ficar inclinado, tava ruim de andar sem crampão. Falei, meu, quer saber, esses caras aí, sei lá, ou me passando informação errada, ou eu tô fraco aqui.
Aí, vamos pôr o clampão para ter mais segurança. Aí eu botei o clampão. Aí quando eu fui ver, eu tô no vale ainda e tem uma subida assim muito direta para cima, sabe? Não tem zigue-zague nada. Ou seja, pelo aplicativo do AllTrails, ele me jogou para subir também no que é a descida direta.
Ah, tá, entendi.
Aí já era tarde demais assim, já não sabia, era escuro, né? Está escuro ali até 6:30 da manhã, né? Então, putz, cara, tá aqui nessa parede que não era para ter isso, pelo que tu me falou, né? Mas beleza, tô aqui, eu vou devagar, vou usar como treino. E aí fui devagarzinho, fui subindo pelo que normalmente o pessoal desce. Então acho que por isso que eu achei também mais difícil, né? Quando eu cheguei lá em cima, estava bem cansado assim, e falei, poxa, eu queria ter sabido as a trilha que é a subida mais suave, e eu perdi.
Depois, olhando no aplicativo, eu percebi que tinha mais ou menos marcado assim, não utilizada, né, não era trilha que eu deveria seguir, mas teria uma saidinha ali para direita que eu acho que seria mais suave para sair desse vale. Enfim, deu tudo certo, graças a Deus. Só demorou mais e foi mais cansativo, mas vai ficar tudo bem.
Eu uso o Alltrails porque quando eu fui para o Canadá, que eu vi o pessoal falando, e eu usar lá na Great Way de treio desde 2018, e até hoje assino. E os mapas que eu faço no meu livro, né, todos os meus livros é baseado em cima do Alltrails.
Ah, e uma outra coisa que eu aprendi do Acotango nessa viagem é que dependendo da época do ano, é mais temporada de subir montanhas nessa região é mais ou menos assim, esses meses de abril até agosto, dá para ir, é mais ou menos o período mais seco e tal. A neve, ela varia muito, né? Não são assim geleiras glaciares que é o ano inteiro super neve e gelo, né? São montanhas predominantemente nevadas. Então, por exemplo, a Cotanguê, o Parinacota, Agora estava completamente nevado, né, uma rampa de gelo e neve.
Porém, outros meses mais para frente na temporada fica mais seco, fica mais terra. Então, por exemplo, o carro para começar, o carro para chegar na base do Acatango e começar a subida nessa época, ele para mais embaixo, ele para na cota do mais ou menos 5.150, e esse sobe até os 6.050. Já lá para frente na temporada, julho e agosto, o carro sobe mais. Até tem uma mineradora ali perto, tem uns acessos, ele sobe mais. Então já até ouvi falar do carro subir até 5.500, 5.600, tornando a subida da Cotango muito mais curta, né, mais rápido e tal.
Então fica aí também essa informação, caso alguém ouça o podcast podcast, chega lá, encontra informação, encontrar algo muito diferente, é por conta disso também, tá? O Parinacota, que seria a próxima montanha que eu decidi subir, já que eu, né, que é o que o pessoal sobe lá, Cotango, Parinacota e Nevado Serrano em geral. O Lucas, quando ele foi, e era em agosto, lembra que ele fez a viagem, gravou com você em setembro, ele disse que nem precisou crampon Ele foi até o topo da cratera do Parinacota com as botas assim, acho que até de trilha assim.
Na foto você vê que no chão, na foto do podcast, você vê que no chão ainda tá meio terra e pedra assim. Então condições completamente diferentes, né? Já me antecipando aqui, 2 dias depois eu decidi ir para o Parinacota, né? E para mim foi uma rampa de gelo assim com 4, 5 horas subindo assim bastante, né, no gelo.
São 6.380, 6.348.
Então, por partes, né, eu voltei do Aconcagua, deu tudo certo, beleza. Aí no dia seguinte eu descansei, e no dia seguinte eu combinei com o dono da pousada lá, falei, ah, tô a fim de subir o Panamericano, então vamos. Aí eu já fui com guia, eu não quis ir sem guia porque eu já sabia que ia ser mais puxado e também mais arriscado, né? É uma rampa de gelo assim inclinada para cima que você sobe, sobe, sobe, sobe. Então é bastante cansativo também.
Então você tá lá cansado, você dá uma desequilibrada lá, ou sei lá, até pode desmaiar, né, com altitude, essas coisas, cara. Aí é um tobogã assim, você vai descer. Então é super perigoso mesmo ir sem guia lá, eu achei assim para mim. Então fomos eu e esse guia aí que eu já havia conversando antes lá, que era o dono da pousada, e fomos para o Paninacota. Então como sendo aí esse segundo objetivo, porém ainda não sendo objetivo principal, né, porque dependendo da viagem percebe, né, algumas montanhas, elas, a gente chama, a gente começa a ver que elas são umas montanhas de aclimatação, né, não chega a ser um objetivo, você tá fazendo ela como para ajudar nessa aclimatação.
Já outras são objetivos, né, então assim, ah, por exemplo, eu vou para fazer o Parinacota, que é um vulcão bem bonito assim visto de longe e tal, então chama atenção, é o meu objetivo da viagem. Aí você pode até fazer o Acatango antes como um objetivo menor e o Parinacota como objetivo principal, né? E no meu caso, objetivo principal é o Nevado Sarama. Então eu estava fazendo essas porque eu tava lá e gosto e quero curtir e subir mais montanhas, mas também com objetivos menores assim para me ajudar no chegar no objetivo principal.
E uma coisa do Aparinacota, Elias, não sei se eu vou lembrar de falar tudo aqui. Cada montanha daria um episódio, né? Não sei o quanto que a gente foi. São experiências muito intensas assim, pelo menos para mim assim, foram subidas muito legais. Na do Aparinacota, infelizmente teve um aspecto assim que eu, que foi o guia. Eu não gostei do guia, achei o guia assim Como, perdona a palavra assim, um cuzudo. Depois você coloca um pi aí.
No La Paz ele rodeou, rodeou, rodeou, agora ele já soltou o verbo já.
É não, depois coloca um pi aí. Enfim, logo de cara assim, já no no caminho para montanha de 4x4, eu já fui percebendo qual é, qual era do guia, sabe? Depois de fazer várias montanhas com guias, né, e guias diferentes, começam a perceber assim, sabe, qual é a do guia. Muitas vezes, né, tem guias muito bons e tem guias que não são muito bons, é simples assim, né? E esse aí, puxa, tava bem, bem assim não satisfatório. Ele era uma pessoa assim, todos os comentários dele eram meio, era bem negativo assim, sabe?
Era bem contando casos já no caminho assim, contando casos das pessoas que não deram certo de subir, sabe? Em vez de falar, ó, é assim, assim, vamos fazer isso aqui, pá pá pá, isso aqui é o momento mais crítico, e tipo ajudar, né? Você contrata um guia para te ajudar, né? E não é só mostrar o caminho, né, te ajudar assim na experiência. Esse aí, ele não, ele tá claramente, ele não tava a fim, ele não tava a fim. E já aconteceu comigo antes também em outros lugares, ele não tá a fim e ele de alguma forma ele mais ou menos ele fica minando a sua cabeça para você, para você desistir ou para você não querer mais subir, sabe?
E não sei, eu tive bastante essa impressão, a ponto de ficar bem claro para mim que ele não tava a fim. E enfim, para mim, eu entendi como apenas um desafio a mais. Falei, cara, além de subir a montanha, tem que subir com esse cara. Esse cara vai ter que ficar comigo o tempo todo, né? Não quero no meio do caminho falar para ele assim que eu não quero mais estar com ele, né? Ele vai ter que— ele é importante para mim, tá? Subimos e ele foi, saiu do carro, ele falou assim, nossa, Nossa, como que tá vento, né?
Lá para cima vai estar ainda muito mais. Era assim eles, era assim eles. Aí começamos a andar, ele: nossa, precisamos parar aqui porque parece que tá muito ruim o dia hoje para ir, sabe? Já mandando umas ideias assim. E eu tentava revidar de forma positiva, falava: não, montanha assim mesmo, né? É montanha, vai fazer o quê? Tem vento. Evento é, não tem esse evento? Aí não, não vamos parar muito não, vamos parar e vamos ser eficiente na parada para otimizar o tempo e tal, né? Eu precisava falar essas coisas para ele, sabe?
Imagina se eu tivesse junto depois, fosse escrever o livro, que delícia!
Ah sim, você ia adorar, você ia adorar. Mas é, primeiro tem que passar por esse desafio aí, né, de um guia sem vontade. E eu já fui decidindo que não ia querer mais, além daquela montanha, ter nenhuma experiência com ele, tá? Então, por assim, ah, deu sorte daquele dia na montanha ter somente um outro grupo também. Isso que é legal dessas montanhas menos escaladas, né? A experiência é mais assim você e a montanha, né? Não tem bagunça, não tem muita gente.
E esse ano, mais ou menos. Não, experiências completamente diferentes, né? Não dá nem para colocar uma do lado do outro assim. Tinha um outro grupo, um outro grupo de um guia com umas 2, 3 pessoas assim, e pareciam mais até profissionais, estavam assim uniformizados, tava mais decente o negócio. E a gente, conforme subíamos, eu e esse guia, estavam mais ou menos parecido com esse grupo, para minha sorte. Porque apesar do vento, do frio que tava, né, que poderia ser uma razão do guia falar, olha, tá muito vento, vamos descer, quando na verdade é porque ele nem queria mesmo, né, esse outro grupo estava indo.
Então na minha cabeça era assim, olha, meu, lógico que dá para ir, ó, porque aqueles cara tão indo, então vamos, entendeu? Então eu já tinha todo o contra-argumento caso ele viesse com algum papinho para cima de mim, coisa que já aconteceu aconteceu em outras experiências, né? E eu não queria passar por isso de novo. Tava lá, tava firme, queria chegar no cume dessa montanha. Então mais ou menos fui trabalhando o psicológico dele assim. Tudo que ele falava e parava e tal, eu falava: não, vamos aí, tá ok, tá beleza.
Você motivando ele?
É, eu mesmo estando cansado, ele ficava perguntando: você tá cansado? Como assim? Querendo encontrar em mim uma desculpa assim falar assim, ah, então tá perigoso, vamos voltar, sei lá o que que ele ia falar, né? Eu falava, não, não, não, tô bem, vamos lá, porque o cansaço existe, né? E nesse caso eu entendi que eu poderia mentir para ele, falar que não estava cansado, para não agravar o negativismo, né, que tava ali. Porque apesar de cansado, dava para ir.
Eu sabia que eu me senti firme e forte. Nenhum momento desequilibrei, nenhum momento eu tive nenhum sinal de que a exaustão seria um agravante, né, na situação. Porque cansar, que sempre cansa, né? Não é uma atividade que você não cansa assim. Eu, pelo menos, eu canso sempre. Então conseguimos, chegamos no cume ali um tempinho depois desse grupo, né? Foi bem legal, tá? Muito vento mesmo. Mas suportável, não era um vento assim de, ah, tava desequilibrando a gente ou comprometendo assim a nossa firmeza ali na passada e tudo, né.
Então Parinacota foi também experiência assim legal, porém com esse desafio a mais aí que sempre tem, né, alguma coisa, né, seja montanha, seja o clima, ou seja esse fator humano também, né, do grupo com o qual estamos, sempre tem alguma coisa que agrega assim às vezes ao desafio, né? E eu acho legal, acho que são todas histórias para contar assim, experiência para viver, né?
Qual a altitude que você tem do Parainacota?
Ah, o Parainacota, interessante que assim, o carro ele para mais ou menos assim 4.900 metros, então já já bem mais do que o Acatango é o ganho de elevação. Dá ali uns bons 1.300 metros de ganho de elevação. Então, entre as outras montanhas lá que eu fui assim analisando, comparando, é mais longo, tá? É mais demorado para chegar. E ali, quando você dá um Google Parinacota altitude, as primeiras 5 respostas são 5 altitudes diferentes.
A primeira, 6.380, 680, aí você vê lá 6.330, 6.342. Apesar de ser uma montanha bonita lá e procurada e escalada com frequência, parece que ainda não se acertaram na altitude dela, tá? Você pode dar um Google aí, você vai ver, você vai ter respostas diferentes, cara. Aí eu fiz o meu post lá de Parinacota, não sabia colocar, falei, colocar o mais baixo para não aparecer que eu tô aumentando a da altitude dela, de todas as respostas que eu vi. Mas é tudo nessa faixa aí, sim, 6.330 a 6.380, mais ou menos.
E ali você chega lá no cume, dá para ver a cratera lá?
Ah, sim, ali é bem bonito, né? Uma cratera muito bonita assim, impressionante. Conforme antes de chegar no cume, você já começa a ver ela se abrindo assim à sua esquerda. Assim, é impressionante, é legal para caramba. Bem bonito. E a escalada em si, ela não é tão diversificada com relação a passagens de lugares diferentes ou terrenos. Você anda, anda ali. Para mim foi umas 2 horas, 2 horas e meia na terra pedra, põe crampon, mais umas 4 horas, 4 horas e meia de subida.
Eu subi em 7 horas do carro até o cume. E desci mais umas 3, 4 horas. Então total aí de umas 11 horas de atividade.
Legal. Só para comparar com as montanhas que a minha avó gosta de subir, né, o Parinacota você subiu aí 6.350 metros, vai, vamos pôr por aí. E depois você já subiu também o Lobucheiste lá no Nepal, ali perto do Everest, 119, né, perto de 6.000, né. E qual que é mais difícil?
Nossa, muito diferente uma da outra. O Lobuche East você faz em mais de um dia, né. Você primeiro vai para um acampamento alto, e do acampamento alto você sai para um ataque ao cume, e dependendo da logística lá você já estar fazendo trilhas e subindo e descendo por vários dias, é muito difícil comparar. Mas se a gente comparar dia de cume com dia de cume, sendo que no Parinacota você tá dormindo na pousada, né, todos os dias, e só sai para fazer essa montanha de madrugada e volta assim, o Parinacota é mais longo, né, o Parinacota tem mais ganho de elevação no dia.
Já o Lobochiste na época que eu fui, que era final de abril, começo de maio, ele estava mais assim inclinado de gelo e neve. E Nepal é sempre, temos as cordas fixas, né? Isso é uma característica que muda bastante a natureza ali, a dinâmica da escalada. Você vai nas cordas fixas, o o tempo todo no Nepal. E na América do Sul é você encordado por uma questão de segurança com o guia, e não tem nem— você não puxa um jumar, né? Você vai só usando os bastões ou piolet para se impulsionar para cima.
E com o jumar você puxa o jumar assim e sobe. Então uma dinâmica muito diferente, Elias. Com relação a ganho de elevação, eu acho que pega muito Parinacota, porque você sai do 4900, como eu disse, chega nos 5, 5100, não lembro direito agora, é uns 1200, 1300. Mas pega esse início, esse fim do Parinacota, e soma aí, vai uns 200 metros, os 5100 e os 6300, é mais ou menos em correlação à altitude, tá? Então falando de regiões diferentes do planeta, a pressão atmosférica diferente, tudo mais.
Mas o ganho de elevação, a gente tá falando que é que nem quando a gente sai ali do acampamento base do Everest e faz no ciclo de cume, já vai para acampamento 2 do Everest.
Sim, exatamente.
O ganho de elevação, salvo as suas grandes diferenças, né, porque no Everest você atravessa a cascata de gelo, mas o ganho de elevação é parecido e é bastante, viu? É você sair que nem no acampamento Base Everest, 5.300, e naquele mesmo dia chegar no acampamento 2, 6.500 quase. Esses 1.200 aí para escalada assim com crampona, neve, gelo, de madrugada e tal, é bastante. Passou de 1.000 metros de ganho de elevação é bastante, tá, no dia.
Então, Pananacota é longo. Como um dia único, eu diria que é mais puxado que o Lobo Cheiste, tá? Mas como tecnicamente não, é tanto um quanto o outro não são tão técnicos, né? Mesmo o Lobo Cheiste usando de Jumar, que é mais assim equipamento, mas ele tá ali para te ajudar também. Então não chega a ser uma uma escalada muito técnica também, uma vez que você tá ali só com o Jumar indo para cima, né, e para baixo também no rapel.
É, não, Ouro do Cheiro é um pouco mais técnico sim, né, vamos, vamos concordar, porque é o uso do Jumar na subida e o uso de vários rapéis na volta, né. Então sim, você tem que estar um pouco mais confortável com o uso desses equipamentos e essas descidas aí.
Muito bom, muito bom.
Já parei na cota, uma rampa, né? Uma rampa que nem você falou aí, que só a sua avó gostava de subir. Ele fica mexendo o saco que na América do Sul é tudo rampa. Coloquem aí seus comentários aí para o Elias, que tá ali sentadinho bonitinho e acha que América do Sul é só tudo rampinha, rampinha.
Fala da canaleta do Lopes.
Que vovó fazia e descia ali, cara.
Canaleta do Lótus é muito fácil, cara, que na minha visão, né, de outras fotos que eu tinha visto, cara, era muito aterrador, entende? Eu falei, cara, ali é uma canaleta, qualquer coisinha ali desce uma avalanche e varre tudo, né?
E eu vendo nessa época, não deixa de ser, é, mas não deixa de ser, mas não é tão, rola rocha, cara, rola rocha, qualquer Caiu uma dessas montanhas, você vê as rochonas assim caindo e você fala, cara, se eu estivesse lá nesse lugar que a rocha caiu, já era. Não tem capacete, não tem nada, entendeu?
Então, mas ela não é tão inclinada e com tanta neve assim, né? Então é tipo assim, eu acho talvez seja até mais fácil do que o Everest, entende? Tudo bem que o Everest tenha um— é que é uma canaleta, cara, ela não é tão inclinada.
Eu não gosto de pegar uma montanha e falar que é mais fácil que a outra. Eu costumo dizer que é menos difícil.
É menos difícil.
Porque assim, é sério, Elias, porque assim, mesmo essas que as pessoas falam, ah, essa é mais fácil, vai lá.
Eu ponho você no desafio, cara.
Vai para o Alto de Sarrama e faz só o Acotango, entendeu?
Então, mas o que eu tô comparando é você subir ali a Parede do Lótus, você tendo que atravessar um Hiller Step, ou lá no K2 você tendo que atravessar alguns trechos, ou no Everest na face norte você tendo que atravessar umas partes de rocha lá. Ali tipo assim é uma rampa e tudo bem, ela não é tão inclinada assim, é você piolê ali ou com o jumar puxando e subindo, entende? Então você não tem uma canaleta ali, mas conforme vai ficando mais inclinado e na altitude fica tão cansativo Mas eu acho, o nosso pelo menos, minha avó faria, cara.
Aí o Léo falou assim, uma vez eu zoei ele com isso, aí o Léo falou assim, porra, sua avó era da pá virada, hein?
Essa avó sua é da pá virada mesmo, hein? Pelo amor de Deus. Continuar o legado da sua avó e fazer uma montanha de 6.000? Deixa aí comentário, galera. Elias, fazer lá o hashtag Elias vai para os 6.000.
Teve uma menina, uma moça ontem, Elias, quero te ver lá no cume do Everest. Falei, mas nem eu quero ver. Como assim você quer me ver?
Ah, eu acho que querer todo mundo queria, vai, Elias. Como que você não queria?
Se você tivesse toda boa, não, eu tô falando querer de tipo assim, aquele querer e já é objetivo, entende? Esse eu não tenho nenhum. Agora, se é para estar aqui e falar assim, eu fiz, pô, queria também, né? Sem ter o sufoco de escalar, sem o perrengue. Exatamente. Aí é difícil, né? Mas enfim, voltando então para América do Sul, né, porque senão o Léo falou assim: qual é o nome da sua avó, Elias? Né, eu falei Cristina. Falou: não é, não é possível isso!
Cristina não é nome de vó, não existe vó que chama Cristina.
Pior que é, pior que era Cristina. Aí eu falei o primeiro nome dela, ele assustou, falou: que isso?
Não! Daí você falou o primeiro nome, que é Sérvula. Sérvula. Aí eu falei, agora sim é o nome de vó escaladora ainda, hein?
Vovó Sérvula. Enfim, beleza. E aí, aí a descida.
Cansei só de contar, só de lembrar.
Deixa eu usar a bombinha aqui.
É bom, então vamos, vamos descansar agora, fazer uma pausa aqui, porque para ir para a próxima montanha, 1 hora e 18 já. É, então o próximo objetivo seria o Nevado Sarama, né? Falei, ah, para mim assim, Cotango, Panacota, Sarama é normalmente o que um roteiro assim que também se faz, e é melhor fazer essas 3 do que se você se você colocar mais, teria mais o Pomerápio antes do Sarama, né, mais baixo que o Sarama. Mas vai acumulando um cansaço também, né, você não quer se queimar todas as energias subindo todas as outras e deixar o Sarama para o final e não sobrar nem energia, ou não sobrar dias, não sobrar tempo.
Aí pronto, aí já não queria fazer com esse guia. No dia seguinte então, dia de descanso, eu já me mexi ali na vila conheci um outro guia de montanha lá. Aí conheci ele, fui falar com ele pessoalmente, já mandei direto para ele dizendo assim, olha, acabei de fazer o Parinacota com aquele cara lá e não gostei. Daí ele fala, mas por quê? E tal assim, né?
Foi direto ainda.
Ah, tem que ser, né? Eu acho que eu precisei assim, porque eu já mandei a real. Falei, olha, eu fiz com ele lá, não gostei, por causa disso. Aí ele perguntou, ele deu risada, porque se conhecem, né? Uma vila assim que moram 100, 150 pessoas, né? Uma vila pequena, todo mundo se conhece. Então, e eu aqui falando mal do outro, e assim, né, falando que não tinha gostado da experiência com o outro, e de repente era o primo dele, o tio.
Exato, né? Eu fiquei pensando isso. Depois, depois que a gente estreitou o relacionamento, até fizemos piadas disso e tal, mas eu eu cheguei direto para ele porque eu tava focado em partir para o meu principal objetivo e falei, olha, não gostei porque— ele falou, mas por quê e tal? Eu não falei muito, mas eu falei assim, ó, ele parecia que não tava afim, eu preciso de um cara que esteja afim. É isso que eu falei só, eu resumi nisso para ele também ficar ligado assim, tipo, ó, tô indo com você aqui desde que você esteja afim, né?
Aí pronto, negociamos lá. E aí eu falei, olha, eu tenho um dia sobrando aqui eu também tô de olho na previsão do tempo, né? Eu tava olhando tanto Mountain Forecast como Windy, né? Windy é um pouco mais detalhado. E naqueles dias tava muito vento, tava muito vento assim, 60 por hora, 70 por hora, todas as manhãs que seriam para tentar o Nevado Sarama. E lá o Nevado Sarama é conhecido pelos ventos, é complicado. Eu já conheci exigente, que poxa, chega lá e chega no acampamento alto, não consegue sair para o Atacacume porque tá muito vento.
É uma montanha que da Vila Sarama se faz normalmente em 2 dias, né? O primeiro dia já vai de 4x4 mais umas 4, 5 horas de trilha até o acampamento alto. Aí instala acampamento lá, não tem refúgio, acampa lá e na madrugada parte para a tentativa de cume, né? E nesse mesmo dia de cume já desce tudo e volta para vila. Então são 2 dias. E a previsão do tempo tava todos os dias ruins. Daí eu falei para ele, olha, vamos esperar aqui então.
Parece que nesse dia aqui, dali uns dias mais para frente, vai diminuir um pouco o vento. Não tá ideal, mas eu também quero tentar. Vamos indo, né? Não vou poder ficar aqui esperando tantos dias assim. Aí ele estava disponível, né, esse guia. Falei, então tá, vamos. Daí fomos eu e ele, né, saímos ali, que era uma terça-feira, e para uma tentativa de comer na quarta. Nesses dias que eu tive a mais, costuma se ficar meio à toa lá, sabe?
Você já descansou, já arrumou as coisas, né, e tudo, né, já lavou o que tinha que lavar, já tá lá. Começa a sobrar tempo, né? Aí fica aí também o parênteses, né, de quem tiver interessado em ir passeando. Eu aluguei uma bicicleta, fui ali nos geysers de bicicleta e fui também nas termas no mesmo dia, assim, relativamente próximo assim da vila. É, e tomei banho lá nas águas termais, só eu assim ali, porque nessa altura do campeonato a situação em La Paz foi piorando, né?
As protestas. Então ninguém mais estava indo para Vila de Sarama, e quem estava na Vila de Sarama estava já saindo, providenciando as suas voltas para sair de lá. Então eu comecei a perceber que isso, eu comecei a ficar sozinho lá. Aí chegaram tipo um casal de bicicleta que estavam viajando há 3 meses de bicicleta ali na pousada e tal. Aí a gente conversou e tal, e era o pouco que eu tive ali de poder conversar com alguém ali pessoalmente assim, sabe?
Da onde eles eram?
Esse casal era da Escócia, estavam viajando de bicicleta de A3.
Que diferença, hein?
Foi umas conversas muito legal porque eu tava muito assim com a minha cabeça só em montanhismo, montanhismo, subir montanha e tal, e eles não, né? Eles é um outro mundo, né? Eles usam um aplicativo lá para entender, para conhecer as pessoas que viajam bicicleta pelo mundo. Então foi legal saber mais de um mundo paralelo ali que se encontrou naquele momento, né? E assim eu relaxei um pouco também.
Ele saindo de uma região nublada, chuvosa, tudo bem, é uma graminha baixinha, eles estão, ele tava ali no deserto.
Ah, sim, não, super viagem, né? Eles estavam começando lá do Ushuaia em janeiro, estavam subindo assim conforme e acabando o verão mais para o sul assim, né, pegaram o verão lá e foram subindo. Em alguns momentos pegando também até ônibus e tal, não é necessariamente só pedalando, mas super legal, né, uma super viagem na qual eles estavam até Torres del Paine, eles foram, né, o Chaltén, sabe, super legal a viagem que eles, que o pessoal faz de bicicleta também, né, pela América do Sul.
Exatamente. E o Nevado Sajama tem 6.542 metros, já seria a sua montanha mais alta aí. Esse era o objetivo principal?
Esse é o objetivo principal, é a montanha mais alta da Bolívia, né? E almejado aí por muita gente que eu andei conhecendo, de que gosta de fazer alta montanha, tá? Por ser a mais alta da Bolívia e por ser assim bastante desafiadora, né, bem conhecida como bastante desafiadora. Ah, inclusive, antes de ir, uma das coisas que eu ouvia falar bastante eram os famosos penitentes também no Nevado Sarama, tá. Todo mundo vai e fala que assim é uma, é um perrengue ali de ficar atravessando penitente sempre.
Nessa eu também, que é penitente, ah, É uma formação de gelo assim que ocorre em altitude normalmente, quando é muito frio e muito vento. Aí essa neve, esse gelo que tem nas montanhas, elas formam assim um espetão de gelo assim, que ocorre em altitude normalmente, quando é muito frio e muito vento. Aí essa neve, esse gelo que tem nas montanhas, elas formam assim um espetão de gelo assim, e um campo disso assim, né, uma superfície toda disso, que torna muito difícil atravessar.
Passá-los, né? Muito complicado. Então é uma ponta assim, é quase como se fosse uma pessoa congelada, vai, mas não tem formada pessoa, né? Pode ser mais alto, mais baixo, né? Mas aí vira um campo de isso, né?
E ele não é constante, né? Ele vem e vai todos os anos, dependendo da época do ano. No início dessa temporada, que vai de abril, maio até agosto, setembro, no início eles são menores, eles são mais tranquilos de passar. E eu percebi isso tanto no Sarama como depois numa outra montanha seguinte também.
Lá com o Cago você encontrou também penitente, não foi? Eu acho que ali no acampamento base, naquela lateralzinha ali mais perto do núcleo, senão não tem uns penitentes ali também não?
Você tá falando do Campeonato Base do Everest, então isso é, vamos para o participante. Obrigado por ter, assim, tem alguns trechos assim, alguns trechos que às vezes você até passa por eles rapidamente assim ou não, de temporadas que eu acompanhei. Na temporada que eu estive lá, eu vi eles ao meu lado assim, mas não precisou passar por eles. Então eles variam, né, eles são, vão se movendo assim de posição. E lá no, lá no acampamento base Everest para cima são seracs, né, são blocões de gelo.
Não, não para cima, ali no acampamento base mesmo.
Ah, eu vi bastante rocha misturado com gelo, né, que é onde se forma o acampamento base. E de lá você atravessa assim a parte mais plana da Cascata do cumbu assim, não, não, que ali é mais serakis mesmo, né? Havia uns gelão assim, uns pedação de gelo de escalar na parede.
Não, não, entendi o que você tá falando aí. É exatamente lá começando, ou toda a Cascata de Gelo é assim. Mas ali no acampamento básico, eu cheguei até ali, eu fiz umas fotos ali, algo parecido aos Penitentes. Depois você manda a foto para para você, mas não sei se ali chama penitente, mas é bem parecido. Se não é, é primo, pode ser, né, dependendo da condição climática.
Mas o que eu andei vendo mais foi nos Andes, foi assim nessas regiões do Cerro Plomo, na região lá do Arroz do Salado, tem algumas montanhas lá que você vê vários penitentes. E agora na região do Sarama, regiões mais assim secas, né, de vulcão e tal. Enfim, aí então tá, partiu Nevado Serrama, né? Acho que estávamos nesse pé.
Isso, você passando os penitentes.
Ah, sim, os penitentes estavam mais baixinhos, vamos dizer assim, penitentes de 20, 30 cm no máximo, sabe? Então o que eu percebi é bem mais tranquilo, inclusive principalmente na subida. Não chega a ser um plano assim, um tapete de gelo como era até o Paninacota, era mais assim uma rampa mesmo. Então no Sarama já é mais difícil assim, porque você tem que olhar cada lugar que vai pisar assim, onde vai encaixar a bota. E na subida eu acho que é menos difícil.
Na descida eu achei tão mais difícil assim, ficar procurando lugar para pisar, sabe? É super ineficiente assim, mesmo sendo penitentes baixinhos, sabe?
É como um campo com vários, assim, que pisar neles você não consegue contornar ele, que nem um labirinto.
Você tá passando por uma superfície forrada desses espetos para cima, espeto de 20, 30 cm no caso. Dizem que dependendo da época ele chega a 2 metros de de altura assim. Então você tem que passar por entre eles assim, ombro, corpo inteiro. No meu caso era 20, 30 cm, eu tinha que é só encontrar um lugar entre os espetos para pisar, sabe? Então na descida eu achei bem mais difícil, mais penoso, bem penoso assim, de, putz, pisa aqui, pisa ali.
Aí você pisa, não é plano, né? Pisa assim, dá aquele medo de torcer o pé assim, desequilibrar. Então É penoso. Então o Nevado Serrano, ele é mais difícil também por causa disso e pelas inclinações. Tem uns trechos mais inclinados. E já haviam me falando lá, né, o pessoal que tá na vila lá, que já subiu várias vezes, são na subida duas partes mais difíceis, né. Saindo do acampamento, para o acampamento alto é uma trilha que deu demora umas 4 horas, mas sobe, viu, Elias?
Você começa assim de boa, tal, você já de cara assim para montanha, aquela montanha super intimidante mesmo que é o Sarama, tá? Você olha para ela, você fala assim, cara, não acredito, cara, que dá para subir isso, não acredito que eu tô fazendo isso, sabe? Aí você lembra, né, ó, tem gente que já subiu, tem uma rota. Então se eu for um passo de cada vez, é provável que eu consiga, mas é intimidante aí porque o carro te larga 4.800 mais ou menos, né?
Sai da vila ali, a vila de Sarama já é 4.200 de altitude, né? Aí de 4x4 ele te deixa no 4.800. Aí a trilha para o acampamento alto, o acampamento alto é 5.800. Então é bota de trilha, é bota, não precisa de equipamento, nada, não tem neve, nada. Mas é uma trilha que lá mais perto do acampamento alto sobe, viu? Sobe, é subida. Inclusive entra num trecho ali, quem já foi vai lembrar, ou teve essa mesma associação, que eu entrei assim, era igual a famosa Canaleta do Aconcagua.
Isso durante a trilha, que é só pedra e rocha, não tem gelo, nada, para chegar no acampamento alto. Você entra assim, você já andou bastante, umas 3 horas, 3 horas e meia, e a última meia hora você ainda sobe uma canaleta assim, que quando eu olhei assim era muito igual a do— a canaleta do Aconcagua, que no caso do Aconcagua é de cume já, né? E nesse caso você tá indo para acampamento alto ainda. Chegamos no acampamento alto, né?
Ali, Elias, já 5.800 metros de altitude, viu? Quase a altitude do cume do Kilimanjaro, né? Como lá no Kilimanjaro algumas pessoas até planejam de acampar ali na cratera, né, ali no alto e tal. Mais ou menos isso de altitude. E um espacinho ali até curto, né, onde tínhamos a nossa barraca. Fizemos ali uma comida, fizemos água, né, com o fogareiro, e fomos lá nos ajeitando para descansar o resto do dia preparando para saída de madrugada.
E até lá, bota de trilha mesmo normal. E eu tive também um porter, um carregador, para que levou a bota, barraca, crampon, esses itens mais pesados que é de acampamento alto para cima, né. Então no meu caso foi bastante conveniente ter um carregador, que é o que se faz, eu acho que grande parte das pessoas que tentam ali subir o Nevado Sarama. Beleza. Aí, cara, dia de cume, né? Dia de cume tem principalmente ali duas partes mais difíceis, que é uma depois, começando assim a subida para cima do acampamento alto, tem uma rampinha ali de gelo barra neve mais inclinada, que nós costumamos usar ali, usamos o piolet assim para ajudar assim um pouco na segurança e subir.
Tem várias pisadas assim de outros grupos anteriores, então dá para ir escalando neles, nessas pisadas, usando o piolet assim para dar uma segurança. E passando essa parte, tem uma crista com mais exposição assim que vale a pena ficar atento lá. Eu tirei a mitom luva, né, que é uma luva que não me dava muita, perdi um pouco a funcionalidade de usar as mãos, né, nas pedras. E coloquei outra luva com mais dedos assim para ficar com mais firme nas rochas.
E de noite, né, muito no escuro ainda, então nem se via o que que eu estava enfrentando, né. Eu fui ver só na descida de dia que ali realmente tem uma satisfação assim até impressionante, né? Eu li assim, caramba, passei aqui, passei aqui, né? Onde eu fui me meter, né? Ainda bem que a minha avó não tá olhando o que eu tô aprontando aqui, nem a avó do Elias, senão tomar um puxão de orelha aqui. É a sensação que eu tenho muitas vezes.
Hoje, cara, na descida Eu sinto isso várias vezes. Eu falo assim, cara, olha onde eu fui me meter, o que que eu fiz nessa subida?
Ainda mais escrambo, né, que você faz, que na subida é uma coisa, por mais que seja difícil, né? Agora imagina descer as partes mais complicadas.
Às vezes você tá na subida, já tem alguns pensamentos do tipo, caramba, depois eu vou ter que descer, hein? Mas em geral eu percebo que assim funciona, tá? Apesar da subida às vezes dá uma impressão assim de ser meio assustador, e daí a descida vai ser mais difícil ainda. Na subida tem o esforço de subir, não que na descida tudo ajuda, né, mas até perigoso às vezes você colocar um passo para baixo do outro assim, é mais exposição, né, você tá olhando assim para baixo.
Mas em geral funciona. Então, de outras experiências que veio funcionando eu prefiro acreditar que vai dar certo também, né? Então tem muitos momentos de oportunidade de pensar positivo, tá?
Digamos assim, você já tinha descartado o guia negativista lá.
Isso, esse aí deu certo. Esse novo aí foi bem legal, foi bem— ele já foi esperto também, né? Ele falou, não vou poder ser pessimista, que esse cara tá afim, tá com sangue no zóio. Não, mas ele foi bem positivo, ele foi bem legal, esse cara. E foi bem bacana assim a escalada com ele. Aí deu certo, aí foi bom, subimos. Ah, muito vento, muito forte assim o vento, e por isso também muito frio. Eu lembro de na subida fazer mais ziguezagues.
Num sentido do ziguezague tava bem o vento na cara assim, congelando assim. Nossa, eu tinha uma balaclava, mas o pouquinho que tinha assim de nariz, de rosto Tava congelando assim, e as mãos também. E no outro sentido do zigue-zague, quando fazia assim a curva para esquerda, eu lembro que dava um alívio, porque essa rajada, tava uma rajada que não parava assim de vento, tava batendo nas minhas costas, até ajudando um pouquinho assim, mas já não era tão tortura quando eu virava para direita e dava de cara de novo com essa rajada contra a minha cara, sabe?
Então tava muito frio isso. E aí beleza, aí começa a amanhecer, beleza, dá uma energia a mais, tal, né. E lá eu tive de novo essa oportunidade de ver a sombra da montanha, né. Eu até postei aí esses dias a sombra da montanha quando tá amanhecendo o dia. E neste caso ela tá ali do lado dos vulcões Parinacota e Pomerápia, vistos à distância assim. Então Foi bem especial, uma vista assim de sombra de montanha, de vulcão, ao lado de outros dois vulcões, que para mim assim foi bem especial.
E nesse momento falei, não, agora tem que tirar uma foto, né? Tirei a mitom, peguei o celular no bolso. Só de ficar assim 30 segundos, 1 minuto assim, os dedos já começaram a congelar. E eu tive mais do que nunca, nunca tinha tido antes, uma sensação de caramba, vai dar M aqui. Aqui, porque eu não tô mais sentindo os meus dedos. Só te falo um minuto assim para foto. É, foi uma primeira sensação assim de caramba, vou ter frostbite aqui.
Eu achei que ia ter uma frostbite ali. Enfim, eu tive até inclusive o mental, a parte que eu tava mais firme assim, indo, indo, indo, desmanchou um pouco assim, diminuiu um pouco. Eu fiquei um pouco abalado ali pedindo para o guia não para, para, balançando assim braços para recuperar esses dedos, né? Não queria perder o dedo. E num primeiro momento eu precisei assim ficar pedindo para parar e preocupado de dar um problema maior, né?
Aos poucos foi passando, ficou só o dedinho assim da mão sem sentir. Falei, nossa, cara, vou olhar. Quando olhar ali vai estar preto, né? Que nem a gente vê aquelas fotos e tal. É um dos maiores, um dos maiores medos que eu tenho no montanhismo, que eu tô tava me atrevendo aí, me arriscar e chegar a também ter um problema mais grave de extremidade, né? E essa parte aí eu percebi que me abalou mental e eu fiquei mais fraco, até mais cansado.
Foi até uma hora, uma hora e meia ainda para chegar ao cume, e eu tava já bem menos eficiente, bem menos seguro de mim mesmo, só por conta desse quase congelamento aí. Mais umas 40 minutos, uma hora, segui subindo. Eu tinha que me movimentar e isso foi passando, né, com mitom. Eu tinha na mochila um desses aquecedor de mão e tinha aquecedor de pé, que eu não sei nem mesmo como que ia colocar o de pé, né. Mas o que apareceu primeiro foi o de pé, que é um que cola assim na meia.
Eu coloquei dentro da mitom e toquei para cima. Putz, isso aí daqui a um tempo deve me ajudar a melhorar no aquecimento aquecimento das extremidades. E por fim chegamos no cume. Então éramos só nós esses 2 dias, somente nós. A saída do campamento alto por volta de 1 da manhã, acordamos à meia-noite para sair à 1, e a chegada ao cume 6 horas e 40 depois, às 7:40, uma hora e pouco depois da hora do sol nascer. Eu não, eu fui percebendo, já venho percebendo, eu não sou dos mais rápidos, eu não sou dos mais fortes, mas eu tô na média ali para um pouquinho melhor às vezes.
E também não sou dos mais lentos, então tô lá na média assim do que normalmente. Parecido com a minha avó, mais ou menos como a sua avó, dá para virada. E é isso, super vento, só ao mesmo tempo de fazer mais umas fotos e vídeos, coisa que o guia fez melhor que eu assim. E começamos a descer para dar aí quando tivesse um momento com menos vento, mais protegido, que a gente parou para tomar uma água, comer um negócio. Porque essa subida e descida foi muito difícil para mim e prejudicada por não tá conseguindo nem fazer umas paradas decentes assim para hidratar e se alimentar, sabe, com medo de congelamento.
Então vamos, vamos, vamos, vamos, vamos, vamos. E na descida só conseguimos fazer daí uma parada ali no meio do caminho para alimentar, hidratar melhor, né? E mas aí já eram muitas horas, né? Então, poxa, foi bastante desgastante a descida para mim. E estávamos de volta no acampamento alto, saímos do cume umas 8 horas da manhã e de volta ao acampamento alto umas 11 horas da manhã, umas 3 horas até de descida aí. Então até que descemos bem, tinha bastante neve fofa também, então eu usava assim o piolet de caminhada, né, para apoiar e me ajudar assim na direção da montanha.
E ele afundava inteiro assim, ele afundava inteiro. Então a cada passo eu acabava me abaixando assim, sabe? Era bem ruim. Então isso na subida. Na descida, na verdade, isso é bom assim, é uma neve fofa que você dá um passo mais largo assim e rende, né? Você ganha bastante com afundada do pé na neve. E com isso voltamos então para aquelas duas partes que na subida eram as mais difíceis, que daí na descida começa pela crista, né?
Quando eu olhei, falei, nossa, o que que eu tô fazendo aqui? É um pouco assim alarmante, mas ok, vamos ali com calma que vai dar certo. E a parede, né? Na sequência, descida pela, o que era uma parede, mas parede provavelmente uns 60 graus, não sei dizer ao certo inclinação, mas já é considerável para ir com bastante cuidado, com calma. Mais um pouquinho, já chegava de volta acampamento alto. Desmontamos o acampamento. Como estava muito vento os 2 dias, né, antes de sair para atacar o cume, a gente desmontou assim as varetas da barraca só, sabe, para deixá-la assim mais no chão, e enchemos de rochas em cima para não correr o risco de chegar ali na volta e ter perdido a barraca, né, e com as coisas e tal.
Mas aí tal, desmontamos tudo isso, arrumamos as mochilas, o porteador chegou lá, deixei com ele as botas, crampon, piolet, e descemos de trilha até o início da trilha, que é onde o carro estava nos esperando. E assim encerrou a descida toda do Sarama no segundo dia.
Tá, tem umas coisas aqui. Ah, então a subida e a descida até esse ponto do carro levou quantas horas?
Bom, a subida é no primeiro dia, né, que a gente vai somente até o acampamento alto, são 4 horas mais ou menos que eu levei. Aí o dia de ataque, aí fica ali umas, isso eu cheguei assim 12:30, 3 da tarde no primeiro dia, eu cheguei ali para arrumar a barraca, tudo, demos uma cansada. Acordamos meia-noite, saímos a 1 da manhã, cume às 7:40, desce do cume às 8, chega no acampamento alto às 11 da manhã, uma hora ali para arrumar as mochilas e desmanchar, sai do acampamento alto meio-dia, 2, 2:30 a gente tava no carro, e aí 3:30 na vila, de volta para vila.
É outra, outro lance, é Você ficou um pouco mais meia hora lá no cume, e a vista dali também é bonita, porque antes você tinha vista como o Sarama como principal, né? Agora não.
Isso é de outras montanhas, você vê sempre o Sarama, né, a distância. E ali você via as outras, via o Parinacota e o Pomerape já distante assim, a vilazinha entre os, entre o Sarama e essas duas, a vila ali embaixo. E a sensação do cume ali, cume, ele é muito plano assim, muito amplo, e tem uma neve bastante irregular, né? Você anda, vai afundando assim a bota, e aquela sensação, né, de você olhar 360 graus e não ter mais nada mais alto, né?
Então a sensação do real verdadeiro cume, né? Diferente do lobuche este, né, que não tem essa sensação, porque lobuche, você chegar numa crista lá, você olha para mais adiante, tal cume real logo ali do lado, né, de 6.119. Mas assim, aí com mais essa história, né, essa confirmação aí do lobuxista, que eu mais ainda, quando eu chego num cume, quando você olha ao seu redor e não tem mais nada para cima, né, não tem como ir mais para cima.
E lá era bem interessante, você fica bem amplo ali, bem assim, dá para caminhar ali, tamanho de, sei lá, bem mais de um campo de futebol assim, eu diria, muito grande. Grande ali em cima.
A outra coisa, eu mandei uma foto aí, acho que você viu. É, não chega a ser penitente, né, o que eu fotografei lá no—
deixa eu ver aqui. Ah, eu chamaria isso de Serac, porque são blocos de gelo assim imensos. E essa imensa, mas é que tá aqui embaixo, né, mais ou menos aqui embaixo. Sim, são pontinhas assim pequenininhas e tal. Mas não chega a formar um campo, né? Normalmente os penitentes, eles formam uma superfície muito ampla assim.
Não, não tô falando pequeno não, tô falando que é maior que a Jusprado aqui.
Aí são cerax, né? Da forma que eu vejo, apesar de serem bastante irregulares, né, e bastante pontiagudos em alguns momentos, são blocões de gelo.
Legal.
Bom, missão cumprida, né? A principal cumprida, objetivo principal cumprido. Só faltou o parceiro, né, que infelizmente nesse momento já teria, já tinha feito o anapotosi e já tinha voltado para casa. Daí eu, poxa, eu voltei para vila, Elias. Eu falei, cara, agora Eu preciso me concentrar, que ainda tá a situação lá de protesto e rodovia. Preciso me concentrar em voltar para La Paz, ficar uns dias lá de boa, já perto do aeroporto para poder ir embora.
Esse é que eu tinha em mente. Missão cumprida, tô satisfeito, beleza. Aí só terça, quarta-feira, os dois dias de Serrana. Aí quinta-feira tava com a mala pronta, fazendo os contatos, ligando aqui, telefonando ali, caminhando, caminhei pela a fila lá perguntando assim, de porta, batendo de porta em porta, falando: ó, quem tá indo para La Paz, por acaso, né, de 4x4 que seja, né, que demore aí de novo umas 12, 15 horas, preciso ir para La Paz para não perder meu voo.
Ninguém mais ali, ninguém mais. Já tava uma situação meio assim pandemia, lockdown, as pessoas só assim preservando combustível, comida, sem fazer nada. Falei, nossa, tô preso aqui. Aí a única coisa que apareceu, isso era quinta, foi um morador lá disse, olha, apareceu aqui um carro que vai para Arica, no Chile, porque ali é perto da fronteira do Chile, e Arica é cidade litorânea ali, até mais próxima assim, maior, no domingo.
Eu falei, putz, né, vou ficar aqui então quinta, sexta e sábado dia de domingo vou para Arica, né, vou para Chile, a única opção. Aí reservei com ele e fui vendo as passagens minhas, né, cancelar um voo, mudar outro, né. Aí eu tava ali, conversa com um, com outro lá, até o Pedro Raul que também me deu uma dica assim, me deu uma mensagem de motivação e falou, Léo, se fosse você aí, eu ia para Pomerapi, que seria quarta lá dos 4 de 6 mil que tem ali, né?
Daí eu falei, ah, cara, não sei, né? Já desci do Sarama satisfeito e tal, tá bom. Mas daí eu pensei, ah, tem quinta, tem sexta, tem sábado, né? Aí sexta ainda me organizei com esse negócio de passagens, tudo assim, estava ali com bastante tempo. E sábado eu conversei com esse guia aí que eu havia gostado e falei, ah, tá disponível? Vamos para o Pomerape. O Pomerape, ele é conhecido por ser mais longo, longo, ser também mais difícil, tá?
Então falei, ah, vamos, tô me sentindo bem, cara, poxa, vai ser para fechar com chave de ouro. E mandei o Pomerape no sábado, Elias. Desfiz as malas lá, peguei os equipamentos de novo e mandei o Pomerape, 6.232 metros de altitude, é o que fica ao lado ali do Parinacota, né? E é mais baixo, Parinacota, só que ele é mais difícil mesmo porque ele é mais longo, né? A a rota, né, que se faz, ela é mais inclinada, é mais longa, ela é mais toda recortada assim.
Então tem uns trechos mais chatinhos e acaba sendo bem mais longo. Foi essa subida, eu levei 9 horas, tava muita neve, neve fofa assim de pisar. Não fosse o guia, o guia foi abrindo a rota na minha frente assim, fazendo umas pisadonas assim nos buracão, e eu ia pisando nos buracos que ele que eu fazia. E mesmo assim era muito cansativo para mim, então imagina para ele. Então mesmo se ele tinha acabado de pisar, eu pisava, não era firme, afundava mais assim a minha bota, né?
Então muitos, muitos dos trechos eu precisava assim, antes de pisar, dar uma compactada na neve antes assim com a bota para firmar o pé, para economizar energia, né? Senão gasta muita energia Quando você faz a pisada e ela afunda mais assim no seu pé. Enfim, isso, por isso que foi bastante demorado também, eu acredito, né? Demoramos até mais do que o normal. Mas a descida, por outro lado, foi também, eu tava preocupado, mas foi bem rápido assim.
A gente desceu em 3 horas para o carro. Então, mas nada, nada foram 12 horas. Então foi bastante longo, bastante puxado, mas deu certo. O guia, graças ao guia também, de novo, No caso do Sarama, eu agradeço esse guia dele não ter amarelado, né? Porque com o vento que tava, o frio que tava, eu tava já vendo a hora que ele ia falar assim, ah não, tá muito vento, vamos dar meia volta. Não sei, eu acho que eu tenho esse trauma, ele tava achando que ia acontecer isso.
E não, ele continuou, ele foi firme, ele respeitou o meu ritmo, ele foi indo, indo, indo. Achei top isso. E já no bumerangue, ele basicamente abriu a rota. Ele podia muito bem falar, olha, cara, não tem nem rota aqui direito, não tá tendo nem, não tô nem vendo nada no escuro, tal, não vai dar. Mas ele foi também assim ponta firme, raçudo, e fez acontecer, sabe? Então agradeço muito esse guia que acabei conhecendo lá, tanto numa montanha como na outra, por esses dois motivos assim.
E pô, aí sim, né, aí terminei com chave de ouro, fiquei feliz, resgatei um pouco da minha autoestima, que depois da expedição do ano passado tava assim meio em dúvida e tal. Então foi bastante interessante essa viagem para ter vários momentos de satisfação, né, de estar nas montanhas de novo.
E com a chegada, né, porque eu lembro quando você chegou, você mandou mensagem para mim, falei Caramba, chega na Bolívia, pega confusão, não vai poder escalar nada, né? Até conseguiu fazer, acho que quase tudo que você tinha planejado, né?
Exatamente, o objetivo que era ali a Vila de Sarama foi feito, e eu teria dias a mais para, se desse certo tudo no Sarama, eu voltaria para La Paz e faria ainda alguma coisinha por lá, as montanhas assim que eu, para mim, eu considero já mais secundária, sabe? Teria ali uma possibilidade de fazer sei lá, Chachacumane, Xiaroco, mas já são montanhas, já assim, não são das principais mais, né? É para quem tá querendo passar o rodo mesmo em todas assim, né?
Então acabei usando os dias extras com esse negócio de protesto e tudo, e acabou dando certo, né? Às 4, 5 da Vila do Sarama, né? Se incluir ali o Isala, mais o Cerro Charquine que teve nos primeiros dias. Então acabou sendo duas montanhas de 5.000, quatro montanhas de 6.000, né? Então eu nunca havia feito nada parecido com isso assim, em termos de até eficiência de viagem assim, de com relação às montanhas que eu consegui fazer. 18 dias, 6 montanhas, né?
Não é sempre que a gente consegue fazer isso. Então foi legal, foi bem legal. Vou sempre me lembrar dessas duas viagens para Bolívia com bastante assim ter sido das melhores viagens assim para ir para montanha, viu?
E dali a gente fala, né, da estrutura, né, de ser um país pobre, mas ele é muito bonito, né, e proporciona boas aventuras ou para quem tiver 4x4, para quem tiver de bicicleta ou escalando. É bem bonito a Bolívia.
Tem que considerar, né, tem que incluir Bolívia mais aí nos roteiros, porque não, eu acho que sempre é uma boa experiência. Tem que estar disposto, é claro, a condições um pouco mais precárias. Não é a mesma infraestrutura do Chile, da Argentina, né? São países muito mais desenvolvidos, mesmo sendo países também pobres. Mas a Bolívia é muito mais precário tudo, mas atende sim, é bastante interessante.
E dali você pegou o carro para Arica, quantas horas?
Sim, entrei num carro lá, que já iriam outras pessoas para Arica. Arica, de Sarrama para Arica, se não fossem o tempo que se perde com fronteira, né, por terra, seria 4 horas. De jogar a mala de um carro para o outro, aí o outro carro que veio do Chile nos buscar trouxe gasolina para esse primeiro carro que só foi até a fronteira, sabe? É, nossa, é assim, um casal de alemão alemães lá, eu falei para eles, ó, bem-vindo à América do Sul, cara, que nesse esquema assim, né, eles adoram isso, cara.
Assim, fazer parte da aventura, né, já tá no pacote, né. Porque na Europa você não passa por isso, nem nada desses perrengues, tudo redondinho.
Você para o carro, pega o teleférico, sobe na montanha.
Exatamente, tá tudo lá um tapete para você. Mas ele daí no carro ele, eu percebi que eles na verdade não iriam para Arica, eles iriam na verdade para Tacna, que é no Peru. Então ali, Arica é a cidade mais ao norte assim do Chile, e é bem perto da fronteira com o Peru. Chegando logo depois, já chega em Tacna, que é a cidade mais ao sul ali do Peru, naquela fronteira. Então eu estava ao mesmo tempo vendo passagens com a minha esposa, que tava me ajudando de casa, procurando assim, deixar aqui o agradecimento para ela, né? Certeza que ela não vai ouvir até aqui esse episódio, né?
Já sabemos. Mas se ela ouvir, o que que ela ganha?
Bom, se ela ouvir, ela pode vir me pedir assim o que quiser, que será atendida. Vamos ver, vamos ver.
Ó, sem ninguém dedar, hein, pessoal?
Vamos ver. Exatamente, assim, vem falar, vai lá e ouve no minuto tal. Exatamente. Bom, aquela, ela tem bastante prática assim, que ela trabalhava em agência de viagem, né? Então ela foi vendo as passagens, falou, não, para cá também a viagem vai ser mais fácil, voo de Táquena. E eu não queria, falei, pô, mais fronteira tal, né? Não tá prático. Quando eu soube que esse carro ele levaria os alemães para Táquena, eu já coordenei lá, foi resolvendo na hora.
Ou seja, naquele dia passei por Bolívia, Chile, fui para o Peru, aí peguei meus voos de volta para casa, para Lima, mais 2 voos. Aí foram 30 horas assim em trânsito, mas pelo menos eu fui vindo direto, não precisei parar na cidade, dormir, sair também, entendeu? Já fui vindo, vindo, vindo, vindo. Não só sair da Bolívia como eu consegui chegar em casa são e salvo. E até esse momento ainda tá a situação lá na Bolívia, né, de mal a pior.
Então é super preocupante para quem tá indo e para quem tá lá. Eu recebi várias mensagens de pessoas que perceberam que eu estava indo para Bolívia, que estão para ir, né. Muito brasileiro sempre vai para Bolívia e para montanha e tal. E aí eu tô tentando ajudar, trocando ideia, passando as minhas impressões do que andei vivenciando quando estava por lá. Espero que dê certo para todo mundo, né? Dependendo da viagem ainda dá para fazer, mas tem que lembrar que vai ter alguma restrição, algum problema ali.
É isso. Você no início do podcast falou não, não, menos também, né? Vamos ver se é menos. É, qual o último dia que você tava em Arica? Que dia que você tava em Arica?
Eu passei só para o uma pancadinha de carro assim. Ele deixou uma pessoa que também tava no carro ali e seguimos para Taquina.
E era o dia 24 de maio, acho que pode ter sido isso, deve ter sido isso, né? E aí eu falei que você escapou do terremoto, né? No dia 25 teve o terremoto lá em Calama, que é próximo ali do Nossa, e tem um terremoto 6,9 de magnitude, foi sentido, foi sentido em São Paulo.
Eu não fiquei sabendo, a não ser que uma hora ali o carro ele quase caiu na ribanceira assim, era isso então.
Aí, ó, para quem já leu o meu livro Via Alpina vai lembrar disso aí.
Aí, nem fiquei sabendo disso.
É, você pagou e não recebeu ainda o livro, né?
Pois é, enquanto várias pessoas aí ganharam o livro, eu paguei e não recebi.
Vem buscar, pô, viu? E eu fiquei sabendo também que você já tá lendo um novo livro aí, leu os primeiros capítulos?
Comecei a ler, sim. O episódio 1, mas acabou, né? Acabou o primeiro episódio, acabou a história também.
Calma, não fala assim.
É, pronto, o livro tem um capítulo só, tipo tem 10 páginas, 14 páginas, eu acho. Chegou a hora da merchan. Então esse é o gancho que você tá falando? Chegou a hora.
Não, esse é quase um merchan, esse aqui tô escrevendo, devo lançar daqui uns 2, 3, 4 meses, não sei.
Tá demorando, hein, Elias? Vamos lá, bora, hora de vender livro, bora lá, bora lá.
Esse pessoal vai ter que comprar ainda na pré-venda, calma. É o Voyage que você tá lendo aí, que é, esse é ficção científica, acontece no espaço. Então, mas o Léo leu só o primeiro capítulo, mandei para ele. É legal. Então é isso, gente.
Só que eu ouvi, eita, cansada, né? Imagina a epopeia que foi ali. Mas valeu, tá? Eu vou sempre lembrar dessas viagens, que foi muito legal, mesmo com todas essas alterações de plano, tá vendo? Fizeram parte dessa viagem, dessa história, e sempre vou lembrar com bastante boas lembranças assim, né? É interessante, né? A gente vai para esses perrengues, cada montanha ali eu lembro de ter momentos assim muito difíceis e até chegar a pensar, pô, para que que eu tô fazendo isso e vai ser minha última?
Mas essas ideias, pensamentos, a sofrência, é interessante como ela se dilui assim no tempo e ficam as memórias boas, né? E a vontade de ir para montanha de novo. Então é sempre assim e deve continuar sendo assim. E é isso que é o legal das aventuras nas quais a gente realmente tá se colocando fora das nossas zonas de conforto, né? Então é para mim, né, eu gosto de lembrar sempre quando eu tô fazendo trilha ou até mesmo os scrambles lá, eu sinto que eu tô mais ou menos numa zona de conforto.
Quando eu vou para essas montanhas de altitude, é assim, logo nos primeiros momentos já percebo que é onde eu estou saindo mesmo de minha zona de conforto. E assim, a ponto de não querer estar lá, mas depois o que vem de satisfação e ensinamentos assim é tão válido, né, é tão gostoso. Então por isso devo continuar fazendo algumas viagens assim em cima.
E como você falou, né, a gente esquece muito rápido os perrengues, né.
Então, exato, é incrível quando você Volta, dorme uma noite, dia seguinte tá descansado, só fica aquela sensação das partes boas, né, do nascer do sol, do cume, das vistas, né. É interessante demais isso aí, viu. A psicologia, né, quem estuda a parte de psicologia aí de alta montanha e também de, acho que esportes que são mais intensos, talvez tenha uma explicação mais razoável para isso. Coloquem aí nos comentários, né, ou entre em contato comigo, que adoro saber essa parte da psicologia assim de alta montanha e tal.
Mas eu, eu na prática assim, por sentir, eu certamente tem alguma coisa assim que deve, a ciência deve explicar, né? O que que acontece no nosso cérebro que ele realmente apaga essas sensações? Mas é, exato, é muito estranho, mas é assim.
Olha, quem quiser seguir o Léo lá no Instagram É M-E-L-O-C-I-A, Mileucia.
Não, Léo, é Mileucia.
Mileucia. Então você falou L-E-O. Isso, eu comi o E, né?
É que nem melancia, mas é Léo no meio, então fica Mileucia.
Boa, boa, boa, legal, Léo. Boa, né? Obrigado, Elias. Tá, deixa só a última pergunta. Tem mais alguma aí agendada?
Tem que ter, né? Sempre, né? Tem. Cedo ou tarde já estarei de volta e será de novo nos Andes.
Tá bom então, valeu, feliz Natal.
Você também, um abraço.