Episódios de Espaço Para Ser | Podcast para Empreendedoras e Negócios Digitais

31. Empreender a solo não tem de ser solitário - a importância da comunidade

28 de abril de 202624min
0:00 / 24:46

Empreender a solo é libertador - mas pode ser também incrivelmente solitário. E acredito que todas ressoamos com isso, incluíndo eu.

Neste episódio, partilho a minha jornada de 5 anos a construir um negócio a solo e o que fui aprendendo sobre comunidade pelo caminho. Desde os primeiros programas em grupo no digital até dar o passo para o presencial, e mais recentemente começar a frequentar um espaço de cowork de forma regular.

Falámos sobre:

👉 O mito de "fazer tudo sozinha" - e o que realmente custa

👉 O que aprendi ao participar em programas em grupo, memberships e mentorias ao longo dos anos

👉 O que mudou quando comecei a frequentar um cowork regularmente (e o que o digital simplesmente não consegue replicar)

👉 Como dar os primeiros passos se és introvertida ou se já não fazes isso há muito tempo

Espero que este episódio seja o lembrete de que não tens de carregar tudo sozinha - e que empreender a solo não tem de ser solitário. 🧡

MENCIONADO NO EPISÓDIO:

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Participantes neste episódio1
D

Dalvia Rodrigues

HostEmpreendedora
Assuntos1
  • Empreender a soloMito de fazer tudo sozinha · Importância da comunidade · Participação em programas em grupo · Experiência em coworking · Desenvolvimento pessoal e profissional
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Empreender a sola é talvez uma das coisas mais libertadoras que tu podes fazer. Principalmente quando falamos do digital, poder escolher com quem trabalhar, quando trabalhar, a partir de onde trabalhar, é uma liberdade imensa e faz completamente diferença na nossa vida. Mas ao mesmo tempo pode ser uma experiência bastante solitária.

E eu tenho a certeza que se és uma empreendedora à solo, consegues-te rever nessa sensação e que é algo que à partida não pensamos muito sobre isso, não é? Mas não ter uma equipa, não ter colegas de trabalho, muitas vezes não ter um espaço físico onde tu tenhas que ir, se calhar, trabalhar a partir de casa, tudo isto são fatores que vão aumentando o nosso isolamento e vão nos deixando cada vez mais solitárias, mas também é verdade que não tem de ser assim, que existem outras formas e eu já quero partilhar aqui um bocadinho aquilo que eu tenho aprendido durante este processo e vou começar por dar algum contexto importante.

Eu já trabalho a solo há 5 anos, eu adoro trabalhar sozinha, adoro a liberdade que o meu negócio me dá e realmente é uma experiência completamente diferente daquilo que eu vivia no mundo corporativo e em muitos aspectos é uma experiência realmente muito mais alinhada com quem eu sou, com a forma como eu funciono e com aquilo que é importante para mim. Eu sou uma pessoa introvertida, eu sou uma pessoa sensível, eu preciso do meu tempo sozinha, eu valorizo o meu tempo sozinha, eu valorizo a minha companhia.

E honestamente, às vezes é muito fácil ficar nessa bolha, ficar apenas sozinha ou ficar na bolha das pessoas que eu já conheço, fazer as mesmas rotinas. E durante algum tempo até estive bastante bem com isso, mas mais recentemente comecei a sentir a necessidade de ir para fora e de expandir a minha rede, expandir as minhas conexões.

estar também em ambientes diferentes e explorar o que é que isso significa para mim e tem sido realmente um reajuste e uma aprendizagem contínua. Acho que para algumas de nós existe este mito de que nós temos de fazer tudo sozinhas e nós temos de perceber o que é que nós queremos fazer no nosso negócio e na nossa vida sozinhas. Fazer tudo sozinha é muito difícil.

Eu acho que é fácil resoar com isso, não é? Nós tomamos todas as decisões sozinhas. Nós estamos a fazer as coisas no nosso negócio, muitas vezes, sozinhas. Nós estamos a cuidar dos nossos clientes sozinhas. Estamos a fazer todas as coisas operacionais, administrativas, estratégicas, sozinhas. E às vezes existe esta sensação de que...

Só nós é que estamos a passar por aqueles problemas, só nós é que temos aqueles desafios e parece que toda a gente já percebeu e já sabe o que está a fazer e nós é que não sabemos. Mas, na verdade, quando paramos para conversar com as pessoas, quando temos estas conexões, vemos que somos tão mais parecidas do que aquilo que nós pensamos originalmente.

E estas trocas podem ser mais simples ou mais complexas. Pode ser teres uma amiga empreendedora com quem tu partilhas aquilo que tu estás a fazer e às vezes só ter esse espelho e alguém que te ajude a refletir, isso é realmente uma grande ajuda para continuar a caminhar.

Ou só esta partilha de, olha, está difícil, e a pessoa também diz, sim, mas bora, vamos continuar. Ou também pode ser uma coisa, digamos, mais complexa ou mais estruturada, como estares dentro de um programa em grupo, ou teres uma mentora, uma coach que trabalha contigo e também receberes esse apoio dessa forma. Mas o facto é que nós, seres humanos, somos seres.

de comunidade, somos seres que precisamos desta conexão, precisamos desta sensação de pertença e que quando trabalhamos sozinhas, trabalhamos a solo precisamos de intencionalmente cultivar isso, não é necessariamente algo que nos cai no colo, nós temos que ir atrás, temos que criar, cultivar, nutrir e eu sinto que isto é algo que eu sempre cultivei no meu negócio quando eu comecei

Esta procura por apoio, procura por programas em grupo, por mentores, por coaches ou até mesmo cursos, o que for, mas espaços onde eu te pudesse partilhar, onde pudesse também receber acompanhamento, receber suporte e também estar com pessoas que estão a partilhar a mesma jornada, estão no processo, estão a fazer as coisas, também estão a aprender e estão a desenvolver-se.

Se eu bem me lembro, o primeiro grande investimento quando eu decidi que iria começar a empreender foi um programa em grupo. Tinha a parte do curso e de aprender de como fazer e todas estas estruturas de como começar, mas tinha também o elemento de grupo da comunidade. Na altura, um grupo no Facebook onde as pessoas iam partilhando as suas evoluções, os seus desafios, o que é que estavam a fazer, o que é que estavam a experimentar, o que é que estava a acontecer nos seus negócios.

E isso deixava-me motivada para fazer também e começar e implementar aquilo que eu estava a aprender. E, no fundo, esta perspectiva é algo que continuou e continua ao longo de todo o meu processo. Eu estou sempre à procura de espaços, de comunidades, de programas, de mentores, que eu sinto que fazem sentido para a fase onde eu estou no momento. E que eu sei que estar naqueles passos não só é bom porque vai me ajudar a aprender determinadas coisas, seja qual for a parte mais específica e a parte mais intelectual, digamos assim.

mas também porque estar numa energia de grupo, numa energia de comunidade, ajuda à criatividade, ajuda à motivação, ajuda a manter o momento, esta energia de criação viva. E para mim, uma das coisas que eu penso sempre é que eu gosto de aprender com aquilo que as pessoas fazem e aquilo que está a correr bem para elas, mas também gosto de aprender com os erros das outras pessoas.

Eu sou mesmo completamente a favor de, ok, tu fizeste esse erro para eu não ter de cometer. E vice-versa, não é? Às vezes é isso que eu também trago para as minhas clientes. É tipo, olha, eu fiz isto, não correu bem. Tu podes ajustar e fazer mais assim e assado para correr melhor. E eu acho que isto é uma coisa que nós só conseguimos quando estamos rodeados de pessoas e quando temos esta...

Para a minha habilidade de ouvir, de entender, de captar aquilo que é para nós, aquilo que faz sentido para nós e deixar aquilo que não faz, mas de perceber com a experiência das outras pessoas o que é que nós queremos trazer no fundo para a nossa experiência, o que é que nós queremos experimentar, o que é que queremos implementar, o que é que queremos deixar para o lado, o que é que se calhar...

nós achávamos, ouvimos falar sobre alguma coisa ah, isto é interessante, mas tivemos uma experiência vivida de alguém e isso pode ajustar alguma coisa dentro de nós ou motivar-nos para fazer mais rapidamente e implementar mais rapidamente ou então dar-nos esta estrutura de, ok, vou fazer assim mas vou adaptar para que isto possa correr de uma forma mais folida também para mim.

Eu honestamente acho que já perdi a conta de quantos programas em grupo, quantas memberships, quantas comunidades ou quantos programas de mentoria que eu já participei. Acho que foram mesmo imensos. E no meu caso eu gosto de beber de filosofias diferentes e de perspetivas diferentes ou de focos diferentes para depois criar aquilo que é meu e perceber aquilo que funciona para mim. Então, por exemplo, já fiz um programa onde falávamos sobre negócios.

mas na perspectiva da astrologia e como é que estes detalhes se enquadram dentro do próprio negócio, como é que o teu mapa astral pode influenciar o teu negócio. Ou, por exemplo, outro programa onde eu participo, onde os meus coaches são muito mais estruturados, muito mais, ok, isto é assim, pão-pão, queijo-queijo, trazem um papel muito mais educacional, mas nesta perspectiva experiencial daquilo que eles aprenderam. E eu assim consigo aprender com, lá está, aquilo que eles experimentaram, aquilo que eles fizeram e trazer isso também para a minha experiência de vida.

Estes são só dois exemplos de mundos bastante diferentes, mas que eu vou beber um bocadinho daqui, vou beber um bocadinho dali e vou transformar em alguma coisa, vou perceber aquilo que ressoa comigo, como é que eu quero implementar. Isso faz com que a minha criatividade esteja muito mais ativa, ajuda-me a tomar decisões que estejam alinhadas comigo, porque eu vejo que, ok, funciona para esta pessoa e funciona para esta pessoa.

Eu tenho que agora perceber o que é que funciona para mim e não necessariamente seguir uma fórmula ou seguir outra.

mas descobrir aquilo que funciona para mim. Não só isto em termos das filosofias dos próprios mentores, mas também a experiência das pessoas que estão dentro de cada um dos programas. Ou seja, vai só desenvolvendo e multiplicando exponencialmente. Além disso, eu acho que há uma coisa tão humana e tão... Lá está, nesta sensação de pertença, de perceber que uma pessoa que está do outro lado do mundo, que não conhece-se diretamente, de lado nenhum...

mas que tem as mesmas dificuldades, os mesmos desafios, muitas vezes até as mesmas crenças, que eu também tenho. E eu sinto que isso traz esta sensação de paz, de ah, ok, eu não estou sozinha nisto, há outras pessoas a viver o mesmo, há outras pessoas a passar o mesmo, e se ela consegue, eu também consigo. Este lema do se ela consegue, eu também consigo, é algo que nós precisamos mesmo de trazer e implementar.

Porque deixar-nos inspirar pelas outras pessoas, deixar-nos motivar pelas outras pessoas, pelas suas vitórias, pelos seus progressos, é algo que nos ajuda a avançar também no nosso negócio, a trazer esse entusiasmo, a trazer essa, ok, deixa-me ver como é que eu posso fazer, ela está a fazer isto assim, deixa-me ver como é que eu posso fazer. E isso ajuda-nos a ganhar momentum e a atingir os nossos objetivos de uma forma muito mais rápida.

Honestamente é isso que eu sinto quando entro em qualquer um dos programas, seja em que fase do negócio que eu esteja, ou até a nível pessoal que eu esteja. Quando eu me comprometo com um programa em grupo, existe sempre uma expansão. Pode às vezes ser uma expansão mais externa, de ok, existem realmente resultados mais palpáveis a acontecer no negócio.

Ou também pode ser uma expansão interna de, de repente eu estou a ver tudo aquilo que me limita a atingir os meus objetivos. Eu estou a ver com muita clareza o que é que está a bloquear o meu caminho. E isso também é expansão, também é importante. Se tu não tens este hábito de participar,

de programas em grupo, de comunidades, de memberships, ou mesmo simplesmente ter um mentor que trabalha contigo já é suficiente para tu teres esta perspectiva diferente, para tu teres este sentimento de pertença e de acolhimento, eu convido-te a pensar em como é que tu podes implementar isso no teu negócio, na tua vida.

o que é que tu sentes, quais são as áreas do teu negócio e o que tu sentes que isso seria benéfico trazer esse apoio no fundo é apoio nas variadas formas, mas é apoio e diria também para não ficar só na teoria mas praticar nem todos os programas vão ser um bom fit nem todos os programas vais sair a pensar

Ai, ok, eu ganhei imenso, ou tive imensos resultados, ou expandi imenso. Eu, pelo menos, sinto isto, que às vezes nós vamos só para receber um insight, ou vamos para nos conectar com uma pessoa que depois vai ser um exemplo para outra coisa que nós queremos construir. Eu acho que, como é óbvio, é importante nós termos discernimento, onde nós investimos o nosso tempo, o nosso dinheiro, mas saber definir o sucesso de formas diferentes, e ter esse jogo de cintura e essa flexibilidade de perceber que o sucesso pode se manifestar de formas diferentes.

E realmente eu consigo perceber que houve programas onde foi um 10 em 10, onde eu estava satisfeita com o programa em si, com o mentor, com o grupo, com o meu desempenho também. E houve outros em que foi tipo, eu acho que se calhar ficava um bocado bem sem isto, mas aprendi aquela coisa, tive aquela outra perspectiva, conheci aquela pessoa. E pronto, vou um bocado relevar, não vou lá estar a sério.

Foi bom, não foi ideal, não foi perfeito, mas é sempre bom. Eu acho que isto é também o mindset. O mindset de onde quer que eu esteja, eu estou a aprender.

Eu acho que isto é muito importante. Onde quer que eu esteja, eu estou a aprender. Eu posso estar num sítio que é em 10 em 10 e eu vou aprender, mas eu posso estar num sítio que é um 0 em 10, mas eu vou transformar em pelo menos 1 em 10, porque eu vou aprender alguma coisa, não é? Eu acho que isto também é uma forma de nós respeitarmos o nosso dinheiro que nós estamos a investir, respeitar o nosso tempo, a nossa energia que nós estamos a investir e nos comprometermos com aquilo em que nós dissemos inicialmente que queríamos.

Então, eu vou estar, eu vou às sessões, eu vou aprender, eu vou ver os cursos, vou ver as aulas, vou participar.

vou arranjar uma forma, mesmo que não seja o ideal, mas eu vou arranjar uma forma de aprender com isto. E para ser sincera, eu poderia muito bem ficar por aqui. Eu poderia mesmo ficar por aqui. Para mim é super confortável esta parte de estar no digital, porque estes programas que eu tenho falado são muito no digital. E durante muito tempo eu estava confortável com isso, estava ok com isso, estava segura com isso. Mas desde o ano passado que eu comecei a sentir esta necessidade de...

Ok, isto é ótimo, mas eu preciso de estar com pessoas, eu preciso de estar frente a frente com alguém, eu preciso de outro tipo de conversas, outro tipo de interações que não acontecem no digital. E isso significa fazer coisas que eu nunca tinha feito antes e permitir-me redescobrir também algumas outras coisas, não é? Porque às vezes...

Por exemplo, nós temos a palavra networking. E já para mim faz-me sentir algumas coisas, principalmente o tempo da faculdade, que na faculdade de gestão é uma palavra que é muito usada e a mim fazia-me comichão. Sempre me fez um bocado comichão. Tenho flashbacks para conexões do LinkedIn só para ter números, mas eu acho que é algo que vale a pena reformular.

O que é, no fundo, networking? É nós conectarmos com as pessoas. O que eu tive de fazer o ano passado, principalmente, quando comecei a pôr o pezinho de fora, foi reformular a minha relação com as conexões, com as interações, com colocar em espaços onde eu possa nutrir essas relações, possa conhecer pessoas novas, possa ter essas conversas.

E honestamente no início foi um bocado esta sensação de eu nem sei bem o que fazer. Eu já não faço isto há muito tempo. Eu não sei o que fazer, não sei por onde começar. Não sei. E até isto vem de mim, que eu sou uma pessoa introvertida, sim. Mas eu considero-me uma pessoa bastante social. Ou seja...

quando eu estou com pessoas, eu estou bem e tenho conversas que são interessantes, tenho esta perspectiva mesmo de curiosidade e de querer saber conhecer as pessoas, mas mesmo assim é um pouco algo assustador principalmente depois de e talvez soube isto contigo ou não, mas depois do período onde estivemos de quarentena onde estivemos mais mais sozinhos, mais no nosso espaço, de repente estar num espaço partilhado é uma sensação diferente, para mim eu sinto que a resistência era um bocadinho maior desviatrado desviatrado

Então comecei aos poucos. Comecei primeiro, ainda no digital, a fazer, por exemplo, a mandar mensagem a uma pessoa ou que eu tinha ouvido num podcast e que eu gostei, e mandar uma mensagem a partir desse tema, de algo que tinha sido falado, alguma coisa que tinha ressoado comigo, ou combinar até cafés virtuais, onde poderia estar a conversar com as pessoas, e depois aos poucos, através destas primeiras pessoas.

Foram surgindo algumas oportunidades para ir para fora. Eu lembro-me que a primeira foi um workshop presencial no início do ano. E eu estava tipo, ok, eu quero fazer isto. Eu acho que é importante eu permitir-me fazer isto. Experimentar e estar uma pessoa que eu tinha conhecido desta forma através do digital. Então, para mim, é sempre importante estar lá e apoiar os meus amigos e pessoas que eu conheço.

E então era um win-win e fui. E simplesmente permiti-me ir e colocar o pé fora de casa, digamos assim. Com essa vulnerabilidade de estar a aprender ou a reaprender a fazer algo. E surpresa, que não é de surpresa nenhuma, mas cheguei lá e foi super bom. Foi super simples, foi super leve. Comecei logo a conversar com a pessoa que estava ao meu lado. Tivemos espaço para conversas e para nutrir estas conexões. E cheguei a casa cheia de energia.

entusiasmada com aquilo que via que as outras pessoas estavam a fazer, entusiasmada porque lá está esta sensação de que, afinal, não estamos assim tão sozinhas, estamos aqui com várias pessoas numa sala e estamos todos a passar, muitas vezes, pelos mesmos desafios, a sentir as mesmas coisas, mas não existe, às vezes, esta ligação e esta conexão para nós percebermos isso. E aí começa o bichinho de, ok...

se eu consigo fazer isto, o que é que mais eu consigo fazer? E novamente, aos poucos, aumentando esta capacidade gradualmente e não ser também uma coisa do zero ao mil, mas aos poucos fui encontrando outras oportunidades para me conectar com as pessoas de uma forma presencial. Então, por exemplo, o ano passado fui ao Porto e conectei-me com outras pessoas.

por lá, que eu já conheci através do digital, mas que depois conheci presencialmente. E um ponto de viragem importante, que foi no final do ano passado, mas que só começou realmente a ser de uma forma consistente este ano, foi começar a fazer co-work num espaço específico. O ano passado fui, no final do ano, para experimentar. Eu, para mim, é muito importante o ambiente onde eu estou, ou seja...

O ambiente tem vários sentidos. O ambiente físico, de como é que é o ambiente, se é amplo, se é iluminado ou não, se é muito barulhente, porque, lá sabe, fico sensível e com muitos estímulos, então não consigo sequer trabalhar ou concentrar-me, nem que seja conectar-me com essa leveza. E também ambiente em termos de pessoas, não é? Que pessoas é que estão aqui? Será que consigo me relacionar? São estes tipos de pessoas com quem eu quero também pertencer e quero nutrir conexões ou não?

E este ano tenho feito de uma forma muito mais regular e tem sido fenomenal. Porque eu tenho esta dualidade de, eu gosto de uma certa estrutura, e no caso a estrutura é, ok, isto acontece todas as semanas, num certo dia da semana, durante 6 horas. Eu gosto disso, de saber, ok, posso pôr no meu calendário e sei que é isso que vai acontecer.

Mas depois, a outra parte é esta flexibilidade e esta abertura de ok, eu não sei quem é que vai estar, não sei quais é que são as conversas que vão acontecer. Não sei se vai ser, como eu costumo dizer, mais work ou muito pouco work. Normalmente é muito pouco work. E também estar ok com isso. Esta mistura funciona muito bem para mim. E, novamente, estou a partilhar aqui, mas no fundo o objetivo é tu encontrares alguma coisa que funcione para ti.

Mas o facto de começar a frequentar este co-work com frequência... Deixa eu aproximar.

abriu-me a cabeça para aquilo que é possível. As conversas que acontecem quando menos esperamos, as conexões que surgem, as oportunidades que surgem, simplesmente porque estamos no espaço, simplesmente porque estamos ali. Isso para mim é surreal e é algo que é muito difícil do digital replicar.

Não dá para replicar conhecer um grupo de pessoas e sentir que já nos conhecemos há imenso tempo, irmos almoçar e de repente forma-se ali um grupo interessante de pessoas com áreas diferentes, países diferentes, vivências diferentes e as trocas que acontecem nisso. Ou não dá para replicar uma conexão que tu fazes a partir daí no presencial, olho no olho, as conversas que se têm e aquilo que pode nascer a partir daí. Mesmo que vás só por...

Para estar num espaço, lá está, esta energia de estar num espaço às vezes é só o suficiente de ok, eu estou aqui, até estou a trabalhar, mais focada na parte de trabalhar, mas só a energia de estar num espaço é completamente diferente do que, por exemplo, estarmos a trabalhar no nosso escritório em casa. Quem diz que eu work num espaço específico pode ser convidares uma amiga empreendedora e vão trabalhar num café ou vão trabalhar numa biblioteca e vão ter esse momento de novamente estar num ambiente diferente, estar num espaço diferente.

E de ver o que é que isso acontece à tua energia. Eu acho que isso é uma boa experiência para fazer. Perceber que a nossa energia é diferente quando nós estamos em grupo, quando nós estamos em comunidade. E, no fundo, de fazer este trabalho detetivo, de perceber, ok, como diferente, o que é que eu gosto, o que é que eu não gosto, o que é que eu preciso. Lá está para mim, eu preciso desta mistura de estrutura e de flexibilidade.

Então encontrei um sítio, ou uma rotina, digamos assim, que me permite ter isso. Mas para ti pode ser algo diferente. E aqui pegando novamente naquilo que eu falei sobre o networking.

O que nós queremos não é propriamente esse networking antigo, digamos assim, que é transacional, que às vezes até pode ser um incómodo e às vezes é um bocado egoísta de o que é que eu posso ganhar com isto. A outra face da moeda é esta comunidade, este sentimento de pertença, de conexão, de generosidade, de conhecimento partilhado, de oportunidades que surgem organicamente, de conexões que surgem organicamente.

E a comunidade traz ao teu negócio algo que o networking nunca conseguirá trazer, que vai muito além daquilo que é prático e daquilo que é benéfico para o negócio, é aquilo que é também benéfico para ti enquanto empreendedora, que é esta confiança, é esta sensação de entusiasmo, esta troca que acontece quando duas pessoas se encontram ou mais pessoas se encontram.

e partilham um espaço, partilham uma conversa, partilham ideias. E no fundo, quando tu te sentes vista e tu também consegues ver as outras pessoas. E quando isso acontece, nós expandimos mais, nós crescemos mais e o que acontece no negócio depois é uma consequência. E eu diria também que se és uma pessoa introvertida como eu, ou também sensível como eu, às vezes pode ser um pouco assustador de pensar, ok, como é que eu vou fazer isto?

Como é que eu vou começar? Novamente, estamos habituadas a trabalhar sozinhas e a fazer as coisas sozinhas, então como é que fazemos esse passo?

E eu diria que é sobre dar pequenos passos pelo caminho, ou seja, não ir do zero ao 100. Qual é que é um pequeno passo, uma pequena ação que tu podes fazer hoje, de uma forma que seja confortável para ti, que seja segura para ti, mas fazer esse movimento. Então para mim foi mandar, primeiro foi mandar uma mensagem a uma pessoa que eu tinha ouvido num podcast. Depois fui ir a um workshop onde eu conhecia uma pessoa que estava lá. Depois fui ir a um co-work onde eu não conhecia ninguém.

Então foi uma coisa gradual, não é de um dia para a noite, é nós irmos ganhando esta confiança aos poucos de que, ah, eu consigo. E honestamente, isto aqui pode ser polêmico, mas eu vou dizer, mas as pessoas introvertidas são das melhores pessoas a conectar-se com os outros.

nós ouvimos mais, nós temos realmente interesse e curiosidade para saber as pessoas fazemos boas perguntas e isso é uma mais valia quando estamos a falar sobre conexões e a minha experiência, pelo menos de vida, tem sido que eu arranjo sempre um extrovertido para me adotar ou eles é que me arranjam, eu não sei o que é que acontece primeiro, mas existe sempre alguém que nós conseguimos nos conectar e nem que seja ir com essa crença de que, ok, eu pelo menos como uma pessoa consigo-me conectar, eu sei disso eu diria que este é o meu convite para E aí

explorar como é que tu podes construir mais comunidade no teu negócio, para que realmente não seja mais tão solitário. Sim, nós estamos a tomar as decisões sozinhas, estamos a fazer as coisas sozinhas muitas vezes, mas não precisa de ser uma coisa solitária. E foi também fruto destas experiências e com este objetivo que eu criei o Incubator, que é a Membership, a comunidade, para empreendedoras que querem crescer um negócio leve e sustentável.

Foi, no fundo, pegar em tudo aquilo que eu aprendi de todos os programas, todas as memberships, todas as mentorias que eu participei ao longo dos anos, de perceber aquilo que ressoa, aquilo que não ressoa, aquilo que é demasiado e nós ficamos assim meio assoburbadas, aquilo que pode ser que faltassem algumas delas.

e criar um espaço que, no fundo, continua a ser cocriado com as pessoas que estão presentes, mas criar um espaço onde nós podemos ser vistas, nós podemos receber apoio e podemos crescer, expandir de dentro para fora. Porque eu sei que para mim sempre foi importante ter uma comunidade, seja em que nível for, mas ter uma comunidade para acompanhar o processo, para partilhar a jornada, para não sentir também sozinha e perceber que existiam outras pessoas. E é por isso também que quis criar algo nesse sentido dentro do meu negócio.

e que no fundo, como eu disse, é algo que eu continuo a construir, continuo a desenhar, de acordo também com aquilo que eu vou vivendo. Por exemplo, agora claramente eu tenho noção de que trazer isto para o presencial é algo que eu quero fazer no futuro, porque já percebi que a magia está muito aí. Ou seja, também começar a organizar eventos presenciais onde as pessoas da comunidade podem participar e podem conhecer-se.

presencialmente e no fundo tantas outras coisas que surgem como consequência da comunidade. Para mim eu sei que mesmo enquanto coach é importante ter esse estímulo de olha, esta pessoa tem esta dificuldade, esta pessoa está a trabalhar naquilo e deixa-me criar alguma coisa para apoiar nesse sentido. Isso para mim funciona também muito bem e eu sei que também funciona muito bem o facto de termos uma comunidade bem definida.

Não está cheia de coisas, que eu acho que para mim, eu já participei em muitas comunidades ou muitas memberships que estavam cheias de coisas e eu sentia-me sempre que estava em falta. Ou então que tinham muitas sessões todas as semanas ou várias vezes por semana e eu sentia sempre que não conseguia estar a par e não conseguia acompanhar. Então, no fundo, foi...

com tudo aquilo que aprendi, criar aquilo que eu também gostaria de ter acesso e que no fundo também tenho e por acaso é interessante porque a membership existe sensibilmente a seis meses e nós temos uma sessão mensal onde no final barra início de cada mês onde nós tentamos para refletir aquilo que foi o mês anterior e criar as intenções e objetivos para o mês seguinte.

Isto é algo que eu já tentava fazer sozinha há anos, literalmente há anos, mas sempre ficava perdido porque não conseguia priorizar fazendo isto sozinha. Mas na última sessão que fizemos, eu pude ver o registro, desde setembro do ano passado, de todos os meses onde fiz isto, exatamente porque tinha essa accountability, esse compromisso com a comunidade.

É este tipo de coisas, até às vezes pequeno e subtil, que acontece quando nós temos também esse suporte e esse apoio. E novamente eu tenho a certeza que quanto mais eu vou experienciando, eu própria vou desenvolvendo a minha relação com a comunidade em termos gerais, ou seja, até com as comunidades onde eu participo.

eu vou também integrando mais em todos os meus programas, mas principalmente no incubator. Espero que este episódio possa ser este lembrete de que tu não tens de fazer tudo sozinha, não tens de carregar tudo sozinha. Às vezes só precisamos de ter pessoas ao nosso lado que estão a torcer por nós ou ter espaços onde nós nos sentimos seguras, onde podemos partilhar, ver e ser vistas e que cada um dá sim a sua jornada individual, mas também estamos juntos e também podemos partilhar esse caminho, partilhar aquilo que vamos aprendendo, partilhar experiências.

E assim, cada um individualmente também vai mais longe e como é óbvio, em grupo também vamos mais longe. Eu acredito que esta parte da comunidade muitas vezes é o pensamento que vem depois, mas o meu convite é que seja algo que tu priorizes e que tu coloques à frente. E claro, se estives a procurar desse espaço, eu convido-te a espreitar o incubator, será um prazer ter-te por lá, mas no fundo é sobre encontrar aquilo que funciona para ti. Os espaços, as comunidades, as pessoas que...

servem a ti. Onde tu também podes crescer, evoluir, partilhar, experienciar e receber todo esse suporte que tu mereces. Se tiveres alguma pergunta sobre este tema Diz, eu convido-te realmente a agir e a dar esse primeiro passo, porque os outros depois vão se tornar cada vez mais leves. Como sempre, obrigada por estares desse lado e vemo-nos em breve.

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