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Luana Ozemela, do iFood: Estratégias de impacto social e sustentabilidade corporativa

06 de maio de 202612min
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“O iFood é uma empresa muito singular. Eu nunca tinha trabalhado com uma empresa que queria tanto me receber, que queria tanto escutar as ideias que eu trazia.”

Luana Ozemela, Vice-Presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood, é entrevistada pela jornalista Renata Varandas, e apresenta sua trajetória acadêmica e profissional até a chegada à companhia. Ela também detalha os processos de implementação da vice-presidência de Impacto e Sustentabilidade no iFood, destacando o método de imersão para diagnóstico organizacional e a importância do diálogo técnico para a resolução de desigualdades estruturais.

O episódio foi gravado durante o 5º Prêmio Mulheres Exponenciais, na Casa ParlaMento, em Brasília, no dia 03 de março de 2026.

Este episódio é um oferecimento da multiplataforma TMC. Quem escuta, sabe.

Assuntos3
  • Trajetória de Luana OzemelaPorto Alegre · Família humilde e intelectualizada · Estímulo intelectual e busca por universidade pública · Carreira em tecnologia · Universidade Federal do Rio Grande do Sul · Desigualdades · Economia · Bolsas de estudo · Europa · Inglaterra · Escócia · Mestrado e doutorado em análise de políticas públicas · Mercado de trabalho · Banco Interamericano de Desenvolvimento · Washington, D.C. · Políticas públicas sólidas baseadas em evidência · Promoção da equidade racial · Questões de gênero · Empoderamento das populações indígenas · América Latina · Catar · Centro Financeiro do Catar · Desigualdades no mercado financeiro · Setor privado · Setor público · Mover o capital para onde ele é mais necessário · Noruega · iFood · Economia · Desenvolvimento econômico social · Multilateralismo · Vice-presidência de Impacto e Sustentabilidade
  • Implementação de Impacto e Sustentabilidade no iFoodMétodo de imersão para diagnóstico organizacional · Diálogo técnico para resolução de desigualdades estruturais · Imersão de quatro meses (VP em residência) · Conversa com mais de 300-400 pessoas · Análises e pesquisas · Dados com profundidade · Oportunidade de fortalecer reputação e crescer sustentável e inclusivo · Identificar oportunidades ou riscos · Desafio do carbono na logística · Testar soluções · Alavancar em cima da tecnologia · Cultura empreendedora e inovadora · Permitir falhar para construir algo grande · Postura correta numa grande empresa · Empresa correta para o líder · Diversidade de pensamento · Desafiar o status quo · Crescimento do negócio com impacto social exponencial · Fricção (destruição criativa de Schumpeter) · Acordo de alta qualidade (high quality agreement) · Agenda de condições de trabalho no Fórum Econômico Mundial
  • Lideranca FemininaBarreiras enfrentadas por mulheres · Mulher negra em cargos de liderança · iFood como empresa singular e receptiva a ideias · Diferença de background (multilateralismo vs. varejo/logística) · CEO Fabrício Bloise buscando diversidade de pensamento · Disruptividade e fricção na liderança · Gerenciamento da fricção para não afetar níveis juniores · Pauta urgente: Equidade para mulheres em cargos de liderança
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O iFood é uma empresa muito singular. Eu nunca realmente tinha trabalhado com uma empresa que queria tanto me receber, que queria tanto escutar as ideias que eu trazia. Olá, eu sou a jornalista Renata Varandas e este é mais um episódio do Espera Cash. A nossa convidada de hoje é a vice-presidente de impacto e sustentabilidade do iFood, Luana Ozemela.

Este episódio é um oferecimento da multiplataforma TMC. Quem escuta, sabe. Luana, me conta como é que foi o seu caminho para você chegar aqui onde você está hoje? Como que tudo isso começou? Bom, tudo começou em Porto Alegre. Eu nasci em Porto Alegre, nos anos 80, de uma família humilde.

mas ao mesmo tempo muito intelectualizada. Cresci com sempre muitos tios que estavam no ensino superior e sendo muito estimulada intelectualmente para estudar, para buscar, sobretudo uma universidade pública de qualidade. Então, acho que foi implantado esse sonho em mim muito cedo e eu acabei entrando na carreira em tecnologia.

fiz técnico em tecnologia e depois entrei na Federal do Rio Grande do Sul. Eu acho que ao longo da minha trajetória como estudante, teve momentos que me despertaram para a questão das desigualdades. Então sempre, desde muito cedo, isso era muito perceptível e me tocava muito, me movia muito, eu queria resolver as questões das desigualdades. Então eu estudei economia na Federal do Rio Grande do Sul.

Olhei para essas questões e aí recebi bolsas de estudo para estudar fora. Eu saí do país, fui para a Europa, Inglaterra, Escócia, fiz mestrado, doutorado em análise de políticas públicas, depois mercado de trabalho e depois fui trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento em Washington, D.C.

E lá no BID, eu embarquei num mundo que me encantou, um mundo que era como que a gente constrói políticas públicas sólidas, baseadas em evidência de promoção.

da equidade racial, das questões de gênero e também para promover o empoderamento das populações indígenas. E eu trabalhei em mais de 20 países da América Latina, meio bilhão de dólares em projetos aprovados e muitas pessoas impactadas com o meu trabalho.

E aí, por temas pessoais, eu me mudei com meu marido para o Catar. E lá no Catar eu decidi abrir uma empresa, foi a primeira empresa de uma mulher lá no Centro Financeiro do Catar, 100% de propriedade de uma mulher estrangeira. E lá no Centro Financeiro do Catar eu despertei para as questões de mercado financeiro, desigualdades no mercado financeiro.

Eu trabalhei no setor privado, no setor público, através da multilateral, percebi algumas das possibilidades, mas também dos gaps, e aí percebi que se eu conseguisse mover o capital para onde ele é mais necessário, eu teria ainda mais impacto do que eu tinha tido até então.

E aí lá no Catar, do Catar eu fui para a Noruega e da Noruega o iFood me encontrou. E dentro do iFood eu pude levar toda essa bagagem de economia, de desenvolvimento econômico social, da multilateral, do mundo global que eu me contatei.

para dentro do iFood. E aí no iFood, nos últimos três anos, eu tenho estruturado uma nova cadeira, uma cadeira de vice-presidente de impacto e sustentabilidade. Tem acontecido muita coisa também lá dentro. Caminhou bastante.

Bastante. Agora me diz como é que você tem ideais muito fortes, você tem ideias muito consistentes. Como é que faz para transformar esse discurso que é incrível e colocá-lo na prática, principalmente dentro de uma empresa que é gigante também? Como que você dribla isso daí e como que você consegue de fato efetivar?

É chegar numa empresa que já é grande, que já tem o seu sistema de governança, a sua cultura, o seu jeito de fazer as coisas, né? E levantar a mão e dizer, tem alguma coisa errada aqui, precisamos mudar, né? Não é tão simples, né? E não é só identificar o problema, é também construir as soluções. E para te construir soluções dentro de uma empresa que é muito grande, primeiro...

Tu tem que conversar com muita gente. Eu, quando cheguei no iFood, eu tive quatro meses de imersão, que a gente chama, eu cheguei numa posição de VP em residência. O que significa isso? É a mesma coisa um médico, né? Quando ele faz uma residência, tu faz muita coisa, tu generaliza o teu trabalho para te aprender muita coisa e aí definir o que é que eu vou me especializar. É a mesma coisa um vice-presidente em residência.

Eu cheguei, conversei com mais de 300, 400 pessoas, fiz as análises, as pesquisas, né? E olhei para os dados com profundidade e consegui identificar que onde existia uma oportunidade, não só de fortalecer a reputação da empresa, mas também de encontrar uma maneira de crescer diferente, uma maneira de crescer sustentável e de maneira...

cada vez mais inclusiva, era construindo uma cadeira, uma vice-presidência de impacto e sustentabilidade, que teria como responsabilidade identificar as oportunidades ou os riscos.

E é o passo que identifica já dizer, olha, tem um desafio aqui. Por exemplo, carbono é um desafio. O carbono está concentrado na nossa logística. Esse desafio a gente tem como atacar. E está aqui alguns caminhos. E testar soluções. E se alavancar em cima da tecnologia que a empresa já domina. E se alavancar em cima de uma cultura que é muito empreendedora. E que é muito inovadora.

e uma cultura que te permite falhar para poder construir algo muito grande. Então eu acho que é um misto de chegar com a postura correta numa grande empresa, mas ao mesmo tempo chegar na empresa correta para ti, como líder, a empresa que te permite fazer essa construção.

Como é que foi chegar numa empresa como essa? Você é uma mulher, você é uma mulher negra, e a gente sabe que como mulheres nós enfrentamos várias e várias barreiras. Como que foi você chegar e conseguir implementar esse discurso? Teve uma dificuldade inicial?

Olha, o iFood é uma empresa muito singular. Eu nunca realmente tinha trabalhado com uma empresa que queria tanto me receber, que queria tanto escutar as ideias que eu trazia, que enxergou em mim uma possibilidade de dizer, cara, ela não vem do varejo.

Ela não vem da logística, ela não vem, talvez eu tenha um background de tecnologia, mas eu não vinha da tecnologia, eu vinha do multilateralismo, que muitas vezes é maravilhoso, é gigante, mas é conhecido como uma instituição burocrática.

Então, tinha tudo para meio que dar errado. Eu penso completamente diferente, talvez, do que a cabeça da liderança que estava lá. Mas era justamente isso que o CEO, então, Fabrício Bloise, buscava. Era alguém que pensasse diferente, alguém que traria as ideias, que desafiaria o status quo, mas, ao mesmo tempo, tinha um intelecto e um entendimento de que negócios precisam crescer.

Só que o desafio é como ajudar o negócio a crescer de uma maneira que a gente crie um impacto exponencial socialmente. Então, eu acho que, nesse caso, eu encontrei um solo fértil para receber as minhas ideias e que estava sedento dessa diversidade de pensamento. Então, foi muito incrível. Até uma história super interessante.

durante o meu papo, talvez o último papo de entrevistas, etc., o processo com o Fabrício, eu disse para ele assim, Fabrício, eu sou muito diferente de todo mundo que está no teu C-level. Será que não vai ser disruptivo demais? Será que não vai criar algum tipo de fricção que depois possa ser maléfico para a empresa?

Você tinha essa consciência? Eu tinha essa consciência. Eu disse, porque eu queria que ele me permitisse criar a fricção. Eu queria ouvir dele. Não, tu virá para criar. Essa fricção é boa. É o que a gente chama da destruição criativa, de Schumpeter. É o que a gente chama, é preciso um pouco isso. É preciso tu desoptar, criar essa fricção para poder criar algo magnífico.

E a resposta dele foi, eu quero essa fricção, mas a gente tem que saber fazer isso da maneira certa. A fricção tem que estar entre nós, ela não pode fazer o trickle down, não pode descer para os níveis mais júniores, porque isso cria muita insegurança na empresa.

mas numa sala fechada, vamos discutir, vamos debater, vamos dialogar, vamos discordar, vamos encarar os fatos brutais, mas no final dessa conversa a gente vai entrar num acordo, no que a gente chama de um high quality agreement, num acordo de alta qualidade, e o que for decidido ali vai ficar ali e a gente vai mover a empresa adiante.

Então, eu acho que isso são tudo elementos da cultura que me permitiram, então, fazer as mudanças, né? E poder implantar uma série de iniciativas que hoje colocam a agenda de condições de trabalho num palco global, como o Fórum Econômico Mundial, por exemplo, né?

Luana, eu passaria horas conversando com você. Pena que eu não tenho esse tempo e nem você. A gente tem um minuto para você responder cinco perguntas. Vamos ver se vai dar tempo. Vou colocar aqui para rodar. Posso? Qual é a pauta que você considera urgente para garantir a maior presença de mulheres em cargos de liderança? Equidade. O que você aprendeu sobre liderança que nenhum curso te ensinou?

Gestão de pessoas. Gestão de pessoas. Gestão de pessoas. Qualquer pessoa ou personalidade mudou sua forma de ver o mundo? Acho que o reverendo Martin Luther King. O Brasil de 2026 em uma única palavra. Incerteza.

O que você gostaria que escrevessem na sua biografia daqui a 50 anos? Mostrou como fazer. Muito obrigada por acompanhar mais um episódio do Esfera Cash. Não se esqueça de nos seguir neste e em outros canais. Os links estão aqui na descrição. Até a próxima!

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