Episódios de para todas as pessoas intensas.

#170 - não cometa o erro de ser compreensivo demais com quem só te machuca.

07 de maio de 20267min
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Participantes neste episódio1
Y

Yandê Albuquerque

Host
Assuntos3
  • Compreensão e Limites PessoaisEmpatia vs. Autoabandono · Respeito e Autovalorização · Maturidade Emocional · Amor Próprio e Autocuidado · Escolha de Relacionamentos Saudáveis
  • A Armadilha da Compreensão ExcessivaConfundir Tolerância com Maturidade · Esperança Mal Direcionada em Relações · Cansaço Emocional por Falta de Reciprocidade
  • O Poder dos Limites ClarosDefinição de Limites Pessoais · Proteção Emocional Através de Limites · Ajuste de Relacionamentos com Base no Respeito
Transcrição21 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Oi, tudo bem? Eu sou Yandel Buquerque e esse é o podcast para todas as pessoas intensas. O texto que você vai ouvir hoje se chama Não cometa o erro de ser compreensivo demais com quem só te desrespeita. Não esquece de compartilhar nas redes sociais, de compartilhar com outras pessoas que você ama, com seus amigos, com pessoas que você acha que vão gostar desse episódio, que vão amar esse podcast. Um cheiro e até o próximo episódio.

Não cometa o erro de ser compreensivo demais com quem te desrespeita. Ser uma boa pessoa não exige que você se machuque. Você merece ser respeitado e isso é inegociável. Em algum momento da vida a gente aprende a ser compreensivo demais, né? Aprende a entender o silêncio do outro, a grosseria disfarçada de sinceridade.

a ausência travestida de fase difícil, e quase sem perceber, começa a usar a própria sensibilidade como justificativa para permanecer em lugares onde não existe mais cuidado.

A verdade é que nem toda compreensão é sinal de maturidade. Às vezes é só o medo de se retirar. A gente fica em muitos lugares aceitando muitas coisas só pelo medo de se retirar. Existe uma linha muito delicada entre empatia e autoabandono.

Entender o outro não deveria exigir que você se desrespeite, que você se diminua ou se acostume com o que te machuca. Quando a sua compreensão começa a servir mais para aliviar a culpa de quem te fere do que para proteger você, algo já não está mais alinhado aí. Empatia não foi feita para sustentar relações desequilibradas. É bonito sim ser alguém que tenta compreender.

Porque isso diz muito sobre a sua capacidade de sentir, de enxergar além da superfície, de não reduzir pessoas aos seus erros, mas isso não te obriga a permanecer. Compreender não é sinônimo de aceitar tudo, nem ficar onde o básico não existe. Maturidade emocional também é reconhecer quando a sua presença não é respeitada. Tem horas em que o gesto mais adulto não é explicar, nem insistir ou tentar fazer o outro entender. É se retirar mesmo.

É parar de oferecer compreensão para quem não demonstra o mínimo de consideração, é entender que você não precisa adoecer emocionalmente para provar que é uma boa pessoa. Cuidar de si não te torna frio, duro ou egoísta, te torna responsável pela própria saúde emocional. E aprender a direcionar a sua compreensão para quem sabe te tratar com respeito talvez seja uma das formas mais honestas

de amor próprio que existem. Porque existe uma armadilha em ser alguém muito compreensivo. Você começa a acreditar que a sua capacidade de entender tudo é uma obrigação de suportar tudo. E não é. Você não foi feito para ser depósito emocional de ninguém. Nem campo de teste para pessoas que ainda não aprenderam a se responsabilizar pelo próprio comportamento.

Existe uma diferença enorme entre ter um coração aberto e viver com as portas escancaradas para qualquer tipo de desrespeito. Muita gente sensível, inclusive, cresce ouvindo que precisa ter paciência, que precisa relevar, que precisa entender o momento do outro. E de tanto ouvir isso, passa a confundir tolerância com maturidade emocional. Mas maturidade de verdade não é sobre aguentar mais do que deveria.

Maturidade é saber reconhecer o limite entre acolher o humano do outro e permitir que esse humano te fira repetidamente. Às vezes o que mantém você preso em certas relações não é o amor, é esperança mal direcionada. Eu li isso esses dias e isso foi como um soco no meu peito.

Porque é como se essa esperança mal direcionada fosse uma fantasia, acreditando que se você for compreensivo o suficiente, paciente o suficiente, presente o suficiente, o outro vai finalmente perceber o seu valor.

Mas relações saudáveis não exigem esse tipo de convencimento. Quem quer ficar, cuida. Quem respeita, demonstra. Quem valoriza, não te coloca constantemente no lugar de quem precisa entender tudo isso sozinho. E eu sei que pra quem sente muito, pra pessoas intensas, se retirar nem sempre é simples. Porque pessoas intensas costumam ver potencial onde quase ninguém vê.

Costumam lembrar das versões bonitas do outro, costumam dar mais uma chance, mais uma conversa, mais um voto de confiança. Mas chega um momento em que insistir deixa de ser qualidade emocional e passa a ser negligência consigo mesmo. Existe um cansaço muito específico em ser sempre a pessoa que entende.

E é cansativo ser sempre a pessoa que entende, a pessoa que releva, a pessoa que dá o benefício da dúvida ao outro, porque com o tempo você começa a perceber que está oferecendo uma profundidade emocional que não encontra reciprocidade. E isso cansa, isso desgasta. Isso vai aos poucos fazendo você se perguntar se está pedindo demais, quando na verdade você só está pedindo o mínimo e nem o mínimo é oferecido.

Talvez uma virada de chave bem importante para a gente entender na nossa vida emocional é entender que você pode ser uma pessoa empática e ainda assim ter limites muito claros, muito bem definidos. Você pode continuar sendo alguém que enxerga o outro com a humanidade, mas que também se enxerga com respeito. Uma coisa não anula a outra, pelo contrário, se complementam.

Porque amor próprio, na vida real, nem sempre vem em forma de grandes discursos ou decisões dramáticas. Às vezes, ele aparece em movimentos silenciosos mesmo. Em conversas que você decide não prolongar, em vínculos que você escolhe não sustentar sozinho, em lugares onde você simplesmente para de se explicar demais, em limites que você coloca.

E quem realmente se importa com você não vai exigir que você se diminua para permanecer. Não vai usar sua sensibilidade contra você. Não vai transformar sua capacidade de compreender em desculpa para continuar errando com você.

No fundo, cuidar de si é também uma forma de organizar quem pode permanecer por perto de você. Porque quando você aprende a não negociar o seu respeito, muita coisa se ajusta sozinha. Algumas pessoas se aproximam com mais verdade, outras se afastam. E embora isso doa no começo, isso também é proteção emocional acontecendo em tempo real. Você deveria agradecer, inclusive.

Então, se você precisava de um lembrete hoje que seja este, ser compreensivo é uma qualidade bonita, sincera e transparente. Mas só continua sendo bonita enquanto não custa a sua paz, tá? No momento em que a sua empatia começa a te ferir mais do que te acolher, é sinal de que algo precisa ser revisto.

E ó, você não precisa endurecer seu coração, não precisa deixar de ser quem você é, mas talvez precise com urgência aprender a escolher melhor onde você é realmente bem-vindo e onde você só está sendo usado por conveniência. E lembra disso, tá? Maturidade emocional de verdade não é sobre quantas vezes você consegue entender o outro. É sobre quantas vezes você consegue, com a mesma honestidade, escolher não se abandonar nesse processo. Tá bom?

Um cheiro. E até o próximo episódio.