Episódios de para todas as pessoas intensas.

#168 - respeite o desinteresse do outro em você e se retire.

26 de abril de 20266min
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Participantes neste episódio1
Y

Yandê Albuquerque

Host
Assuntos3
  • Desinteresse e rejeição
  • Maturidade Emocional
  • Expectativas e realidades em relacionamentos
Transcrição16 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Oi, tudo bem? Eu sou Yandê Albuquerque e esse é o podcast para todas as pessoas intensas. O texto que você vai ouvir hoje se chama Respeita o desinteresse do outro em você e se retire. E a partir desse episódio vocês vão perceber que vão ser um pouco mais longos porque eu quero conversar mais com vocês. Eu espero que vocês gostem, que vocês estejam comigo nessa nova fase do podcast de conversas mais longas.

E fala comigo lá no Instagram também, tá? Se você curtiu esse episódio, me marca no Instagram, interage comigo por lá também, diz o que você achou do podcast, me conta também aqui nos comentários desse podcast o que você sentiu, o que você achou, tá bom? Um cheiro e até o próximo episódio.

Respeite o desinteresse do outro em você e se retire. Esses dias eu li essa frase por aí e sei que na teoria é fácil, mas na prática dói pra caramba. É tão difícil que às vezes a gente precisa ser cruel com a gente, aceitando que pra se retirar é preciso também se despedir de uma parte nossa. Uma parte de boas intenções, de expectativas, de tempo que a gente dedicou, de entrega.

Outra verdade nua e crua que a gente precisa engolir é que a gente precisa recolher nossos sentimentos e simplesmente seguir, como se a gente estivesse fazendo as malas mesmo, como se a gente tivesse que pegar um outro voo, alterar o destino e carregar o que é nosso porque não faz diferença para o outro. E talvez a parte mais genuína e madura desse processo seja entender que a viagem se torna mais leve quando recolhemos a nossa insignificância para aquela pessoa.

É que às vezes nem adianta ficar com raiva de quem alimentou o interesse por você. O outro não é obrigado e talvez o livramento esteja aí. Partir do lugar que não valoriza sua presença ali. Sair de um ciclo que não te enxerga como algo válido pra estar. Isso dói, eu sei. Mas vai passar quando você entender que foi um livramento.

Eu sei que é doloroso não ser querido, receber rejeição de alguém que você amaria por muito tempo, mas é muito mais doloroso acreditar que está sendo querido quando está sendo usado, só para não ter que lidar com a rejeição. Uma vez eu ouvi por aí o seguinte, nunca dê o poder a alguém de mostrar que não te quer mais de uma vez. Algumas pessoas vão parecer desinteressadas em você e é justamente isso que será, desinteresse.

Tem gente que vai gostar apenas do seu gostar, mas não de você exatamente, porque o seu gostar é confortável e o alimenta de alguma forma. E isso não significa que o outro seja recíproco. Apenas é conveniente ter você gostando. E você não tem que esperar que te falem não, tá? Você precisa ouvir o seu coração quando ele te alertar que você está onde o amor não é dado. Talvez esse texto seja o que você precisa ler, mas não quer admitir.

Porque existe uma fase muito silenciosa da rejeição que quase ninguém fala sobre. Não é aquela rejeição explícita, dita em voz alta, como um ponto final. É aquela que vem disfarçada de demora nas respostas, de presença morna, de interesse que aparece só quando convém. É aquela fase em que você começa a se perguntar se está exagerando, se está sentindo demais, se está criando coisa onde não tem.

E é aí que mora o perigo, porque a pessoa intensa, e você sabe disso, não sofre só quando perde. Ela sofre principalmente quando começa a duvidar da própria leitura emocional, quando começa a negociar com o próprio instinto, quando começa a se convencer de que talvez esteja pedindo demais, quando no fundo só está pedindo o mínimo.

E olha, quase nunca é falta de aviso interno, tá? O corpo fala, o silêncio fala, a ausência de esforço do outro fala, mas a gente quando quer muito que dê certo, começa a traduzir errados sinais. A gente chama de fase o que já é padrão. A gente chama de confusão o que já é desinteresse. A gente chama de ele só está passando por um momento ruim, o que na verdade já virou posicionamento. Eu sei.

Eu sei, admitir isso rasga, dói. Rasga porque quando a gente aceita que não é recíproco, a gente não perde só a pessoa, a gente perde a história que estava escrevendo na nossa cabeça. Perde os planos que ninguém viu, perde a expectativa que já tinha criado raiz. É por isso que dói desse jeito.

Não é só sobre ir embora de alguém, é sobre ir embora da versão de futuro que você imaginou, que você idealizou com aquela pessoa. E tem mais uma coisa difícil de engolir. Às vezes, o outro não mentiu. Ele só não sentiu na mesma proporção. E a gente sofre não porque foi enganado, mas porque inspirou profundidade de quem só tinha superfície para oferecer. Isso também machuca.

Machuca perceber que você estava inteiro numa história onde o outro estava só parcialmente presente. Machuca perceber que você estava construindo casa em um terreno onde a outra pessoa só estava de passagem. Mas existe um ponto de virada nisso tudo, e presta atenção nisso, tá? Que é quando você entende que o amor não correspondido não diminui a sua capacidade de amar. Não diminui a sua intensidade. Não diminui quem você é. Só revela que você entregou no endereço errado.

E endereço errado não se conserta insistindo, se corrige redirecionando, mudando a rota. Crescer emocionalmente em muitos momentos vai parecer frio, vai parecer duro, vai parecer até que você está se tornando alguém mais distante. Mas na maioria das vezes você só está se tornando alguém que se abandona menos. E existe uma paz muito específica que chega devagar.

Quando você para de tentar caber, onde já ficou claro que você transborda. Uma paz de quem entende que reciprocidade não se implora, não se negocia, não se força, se reconhece. Então se o seu coração já entendeu, se o seu corpo já cansou e se a sua intuição já sussurrou várias vezes, talvez não seja a falta de sentimento. Talvez seja só o momento de ter coragem suficiente para se escolher.

Porque no final das contas, maturidade emocional também é isso. Não é só saber amar. É saber a hora de recolher o que é seu e ir, mesmo doendo. Principalmente quando dói. É isso. Um cheiro e até o próximo episódio.

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