Jogos de Tabuleiro Viraram Artigo de Luxo? | Fabuloso Podcast
Didi Braguinha e André Rumjanek discutem como os jogos de tabuleiro deixaram de ser apenas entretenimento para, em muitos casos, se tornarem verdadeiros artigos de luxo. Entre exemplos de títulos icônicos, campanhas gigantescas e jogos cada vez mais caros, eles refletem sobre o impacto dos preços, das edições deluxe e das expansões na forma como consumimos o hobby.
Ao longo da conversa, os apresentadores exploram até que ponto componentes premium realmente melhoram a experiência de jogo, quando uma expansão parece apenas completar um jogo vendido pela metade e como o mercado pode tornar jogos complexos mais acessíveis. O episódio também debate o valor percebido de um board game, o papel do design na experiência do jogador e os desafios de equilibrar paixão pelo hobby e realidade financeira.
Link para o vídeo do No Pun Icluded: Investigating Board Game Miniatures
Para saber mais sobre este episódio e os jogos mencionados:
Jogos de Tabuleiro Viraram Artigo de Luxo?
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- Indústria de JogosEstratégias de marketing e vendas · Edições limitadas e esgotadas · O papel das lojas especializadas · Tabletop Simulator e demos digitais
- experiência de jogoComponentes premium e experiência de jogo · Modularidade em jogos de tabuleiro · Design de jogos e experiência do usuário · Caixas de jogos e seu tamanho · Scythe · Arx
- Duração de Jogos e EngajamentoJogos de tabuleiro como maratona · Complexidade e tempo de jogo · Jogos de campanha e progressão · John Company · Kingdom Death: Monster · Midnight
- Design de jogos e interfaceDesign de jogos e componentes · Produção luxuosa vs. funcionalidade · Valor percebido de componentes · Jogos com miniaturas vs. cartas · Wingspan
- Comida e culináriaCozinhar para grandes grupos · Quebrar ovos com uma mão · Macarrão al dente · Comer devagar vs. comer rápido
André, oi Didi, depois que você virou um jovem adulto, e você até na adolescência, que tu já cozinhava na adolescência, mas que você começou a ter a capacidade de fazer a sua própria comida, a comida ela perdeu ou ganhou o sabor?
Ela perdeu o sabor, porque eu, assim, eu entendo que para mim piorou muito, que eu tava fazendo comida, mas ela, como era, como eu não tinha que cozinhar como hoje, né, de rotina, que eu preciso tipo realizar um almoço para 4 pessoas e tal. Eu ficava pirando em ideias, cara. Uma vez eu fiz um crepe de chocolate, eu fiz a massa fininha rodando com aquele rodozinho de crepe. Eu fiquei pirando, ficou bom. Mas assim, só fiz aquilo ali.
Isso, né, tu botou no liquidinho, fiz um crepe de chocolate. Foi assim que eu consegui vários empregos, cara.
Galera, pô, tu que é um cara de fazer. Sabe como a gente é muito merda? Porque tu falou: "Pô, fiz comida para 4 pessoas." Aí o caralho, chefe André. Aí na hora que eu falei isso, eu parei e falei assim: "Caralho, as nossas mães, avós, a vida inteira cozinharam para família inteira sem falar nada." E a gente nunca levantou um dedo para falar: "Porra, chefe, fez muito bem." Eu não quis te botar como chefe, eu só tô dizendo que existe uma relação.
Eu só tô falando que no momento em que a gente faz um esforcinho, olha só, 'agora a gente merece todo reconhecimento.' É, para mim mudou muito assim, é diferente o almoço do dia a dia.
Tipo, eu tinha essa meta quando eu era moleque, que eu fazia arroz, era um lance. Eu media a quantidade de arroz, eu media a quantidade de água, sal, aí eu ficava de olho na panela. E aí minha meta era assim, meu irmão, eu quero fazer arroz como quem só faz. Que é isso, hoje em dia o arroz chegou, é tipo, me dá um copo d'água, tá fazendo arroz já, sabe? Tô fazendo arroz, e aí agora eu vou cozinhar, sabe? Chegou nesse ponto, não é isso.
Já consegue fazer as paradas super automático?
Não, muito tempo.
Sabe qual é a minha meta na cozinha de verdade? É coisa assim que um dia eu falo, meu irmão, esse é o meu ponto máximo, é quebrar ovo com uma das mãos só, com a confiança que não vai ficar nenhuma casquinha, nem olhar, só soltar e jogar no lixo, jogar ovo, a casca do ovo no lixo, sem nem olhar.
Eu nem tento, eu nem tento. Eu pego uma faca, eu dou uma batidinha assim, que eu tô sempre, né, tá sempre com a faca na mão, mas essa de quebrar com uma mão só, eu tento sempre, cara, eu tento, eu sempre faço isso.
Eu quebro, eu bato ele na beira da pia da cozinha e tento abrir, só que sempre cai.
Porque aí dá side quest, né? De repente você tem uma nova tarefa, que é limpar.
Porque às vezes eu gosto de fazer, às vezes com a frigideira, vou fazer um ovo, alguma parada, eu já boto na frigideira antes. Às vezes, antes que eu botava na tigelinha, dava aquela sacolejada, misturava tempero, tá, não sei o quê, e já entregava ele sememexido. Só que às vezes eu gosto daquela, aquele ovo estrelado, né? Estalado, depende de onde tu mora. É, mas aí eu acho, eu, porra, tem uma parada que quando eu boto dessa forma, bota ele mais inteiro direto na frigideira, a frigideira já tá quente.
E aí quando cai uma casquinha, vira uma missão com tempo tirar, porque ela tá solidificando. É como se tivesse um ser humano ali embaixo da água, a água tá congelando e tu tem que pegar a porra da casquinha.
Pergunta, você pega com a mão ou você pega com a colher?
Não, com a mão, com a mão. Ela já tá embebida na gema, na gema não, na clara.
No espectro oposto disso, cozinhar para um número absurdo de pessoas, e eu só participei dessa tarefa durante 10 dias que eu tava fazendo aquele curso de meditação, e aí tinha que cozinhar para 80, 100 pessoas, tá, cara? Aí é outra parada que é muito doida. Primeiro assim, a panela você lava com uma vassoura, é desse tamanho a panela, sabe? Tipo, é uma pequena banheira. E aí tipo assim, vamos fazer um macarrão, meu irmão, pega todos os sacos de tomate que tu tem aqui, joga, sabe, é outra onda, é divertido, mano.
Colhe 1 hectare de tomate.
Vai descascar? Não temos tempo para descascar esse tomate, eles serão, ah, tá tudo com casca mesmo. É muito louco, Didi, é muita comida, é muita, sabe, e é tipo, e o sabor? Sei lá, joga um saco de sal aí dentro, vai ver o que que, massacre.
Então, mas ó, aí que tá também a parada que é importante dizer, Porque quando tu tá cozinhando pra batalhão, caiu um pedacinho da casquinha de ovo, porra, no universo de 300 ovos, tu não vai se dar o trabalho de tirar uma porra da casquinha.
Não, é tempero, porra. Cortei meu dedo, é tempero.
Fabulosos ouvintes do Brasil, Maranhão e adjacência, está começando o seu, o meu, o nosso Fabuloso Podcast, aquele podcast que fala exclusivamente sobre board game, RPG, eventualmente um pouquinho de espaço, filosofia, e agora culinária.
Esse novo adendo é o novo Fabuloso Culinária Cast.
Olha aí, eu sou o Diogo Brago de Braguinha, estou aqui ao lado do fabuloso André Rumiani, que não entende nada de culinária. E pouquinho, entende sim, moleque, entende, vai tomar no cu, moleque. Aí, na moral, tu foi o primeiro Primeiro amigo da vida assim que eu cheguei e cozinhou um bagulho tipo como um adulto. Ele tava na própria casa, tu falou: pô, vou cozinhar. Aí: mas minha mãe não deixa eu ir na cozinha mexer com o fogo.
Foi o primeiro adulto que eu vi que podia ligar o fogão sozinho.
Pô, moleque, aí tu ainda meteu um: não, vou fazer um macarrão al dente. Aí eu falei: caralho, moleque, aprendi o que que é macarrão ontem. Aí, porra, aí tu, bora. Aí tu fez um, moleque, chegou lá, só que assim, era eu e tu. Aí, porra, tu vai fazer a porra do macarrão, moleque, a gente fez 1kg de macarrão, é um macarrão pra caralho.
Até hoje, Didi, até hoje é um erro consciente que eu faço por uma lógica simples. Eu vou fazer meu almoço, eu faço 3kg de macarrão. Ah, putz, faltou, sobrou, sobrou. Que que vai ser o jantar?
E aí, vou te falar uma parada que me irrita em você sobre essa parte alimentar. Você é um slow eater. Mas é assim, porque normalmente o que eu entendo é o seguinte: eu, quando como, eu como por uma urgência do fomo de ficar de fora, sabe? O fomo do animal.
Se eu não comer, alguém vai comer.
O André, ele tem a evolução do ser humano que ele sabe: essa comida me pertence, a nota tá no meu nome, eu vou comer devagar. Mas normalmente, quando a gente está acostumado, uma pessoa come devagar, ela come pouco porque ela se satisfaz em 15, 20 minutos, ela tá já comeu, machucou, pô, o cérebro já entendeu. O André, ele é um imparável, esse filho da puta come, porra, para caralho. Eu, ele comendo a porra do macarrão, ele falou: tu não vai comer não?
Tu não vai terminar o teu não? Falei: André, é impossível caber essa porra mais. Ele: não, não, pode chegar o João.
Black, uma hora comendo devagar é esse que você já tá na próxima refeição enquanto você come, você já tá digerindo.
Tô vendo, porra.
Eu tô Eu tô pagando esse pecado porque a minha filha, ela come 3 vezes mais devagar do que eu, tá ligado? Ela fica em pé na cadeira, aí ela senta, aí ela dá uma garfada, aí ela: "Mas pai..." Aí puxa o assunto, aí eu fico assim: "Filha, come, por favor. Por favor, come só, dá uma garfada. Por favor, bota alguma comida na boca, pelo amor de Deus, come, eu quero sair da mesa." Aí eu lembro da minha mãe falando: "André, vai todo mundo sair da mesa, você vai ficar sozinho." Saiam da mesa. Aí eu enfiava toda comida na boca pra sair.
Caralho, aí é muito bom. Mas é que o universo tá te punindo com a sua filha.
É, claro, é o karma, né?
Porra, e tu tem moral? Tu fica, tu se sente honesto com você mesmo falando: come mais rápido, come?
Não, eu saio da mesma hora, fico puto. Imagina, eu fico, eu encho o saco também, né? Eu levanto, aí ela, enfim, aí ela come rápido também. Eu sei, eu já diria inclusive que por conta disso eu já nem sou mais esse slow eater aí que tu falou, sabe?
Eu já tipo 'Ah, vamos lá, vamos comer rápido aqui.' É que quando também fica adulto, é tipo assim, não tem mais, é tipo, pelo menos eu, porra, tem um péssimo momento de almoço, de refeição, né? A gente come num espacinho rápido e o mais rápido possível para fazer outra coisa. Na verdade, a gente deveria preservar aquele momento, né? Mas, pô, isso é até uma pauta maneira, André, porque a gente pode fazer uma pauta de jogos de comida, né? E jogos que te dão fome, porque você fica 12 horas sentado.
Eu preciso sair da mesa para comer, pelo Pelo amor de Deus, alguém me solta! Eu estou há 8 horas e a gente está chegando agora no late game. É, mas zoeiras à parte, eu te falei isso, tem um podcast que eu escuto que é o Space Cats Peace Turtles. Para quem não conhece, é um podcast exclusivamente, é inglês, sobre Twilight Imperium. Os caras decidiram fazer um podcast sobre um jogo, só que assim, é um jogo que dá caldo, né?
Já até comentou nesse programa aqui, e eles bancam, tá?
Eles estão há mais de, sei lá, 4 anos na parada ali. Enfim, tem campeonato, uma partida. E eles puxam um campeonato anual do Twilight Imperium e é super complexo porque primeiro tem gente jogando da Europa, tem gente dos Estados Unidos, então você tem que acertar um fuso. Só que não é uma horinha que você acerta, né? Você tem que garantir que a pessoa vai estar 12 horas ali presente. E aí eu vi uma entrevista com o cara que ganhou o campeonato e eles perguntaram para ele assim: pô, tu tem dicas, né?
Porque tu ganhou. Ele falou assim: cara, no intervalo, quando não é tua vez, tipo, ele ficava se mexendo, se exercitando comendo, fazendo lanche, porque é um jogo que te ganha no cansaço, sabe? É o jogo de tipo uma maratona. Então assim, nem deu dica estratégica. Ah não, olha, com a facção tal. Não, não, meu irmão, é o teu corpo. Cuide do teu corpo para poder ganhar. Não é um jogo trivial.
Eu fiquei sabendo que eles fazem esse campeonato em 4 em 4 anos, né? E não porque para dar um intervalo, é porque emenda um campeonato quando termina no outro já direto.
É quando dá, né? Mas zoeiras à parte, é de ano em ano. Mas zoeiras à parte, teve um ano que realmente empurrou para frente porque Quando acabou, um atrasou, e aí eles ficaram assim, cara, a gente não vai começar um outro agora, dá um tempinho e vai empurrando. Mas é um jogo que é isso, não, jogo complicado demais, né?
Não é um jogo, falando em Twilight Imperium, falando em jogar 12 horas, falando em alimentação, é o tema desse programa é board game virou artigo de luxo, é um bibelô na sua estante aquilo que tá lá. É, e a pergunta vem muito tipo disso, né? Em algum momento que a gente, no momento que a gente tá vivendo, a gente tá tendo os jogos, lançamentos de jogos e tal, e até jogos usados que são vendidos acima de um salário mínimo aqui no Brasil.
E aí isso levanta diversas considerações de que assim, cara, a gente não vai nem entrar na minúcia do que compõe o preço do jogo, parará, desse tipo de coisa. Mas a parada é, independente de ser honesto, justo, certo ou errado, é algo de luxo, é, virou uma extravagância, extravagância.
Nós estamos, né, até usando o gancho do Twilight Imperium, né, o Twilight Imperium Ele é um jogo que custa R$1.000, assim, quer dizer, tô vendo, tô vendo aqui enquanto falo, tô vendo R$1.000, mas assim, o comum dele é um pouco mais, né, R$1.200, R$1.300. E por muito tempo ele era, ele era o jogo de R$1.000, né, junto com Gloomhaven, né. E cada um com a sua justificativa. O Gloomhaven, como que diz assim, na minha pira, tá, comprei o jogo, esse é o meu jogo.
Juntei dinheiro, comprei o jogo. E qual jogo que eu jogo? Gloomhaven. Por quê? Porque eu tenho, sei lá, 1000 horas de jogo aqui dentro desse. Se eu quiser fritar e só jogar Gloomhaven, você consegue por muitas e muitas e muitas noites. Só é só jogar ele.
Não, faz a matemática, é simples, cara. São 104 missões no jogo. É, cada missão, vamos supor que a gente demore 3, 2 a 4, 2 a 3 horas. Por baixo, tá? 2 a 3 horas, vamos botar assim, vou botar 2 horas para arredondar. 104 vezes 2, sem levar em consideração o setup, cara, são 200 dólares.
Você faz uma missão por sessão, são 104 sessões, sabe? Sem falar assim, você consegue dar um reset? Eu não lembro, porque eu sei que você bota os adesivos, mas se você finaliza o Gloomhaven, você pode continuar jogando.
Então eu, pois é, eu não sei assim. Primeiro que eu conheço só uma pessoa que jogou tudo. Gloomhaven, não conheço alguém que tenha jogado todas as missões. Isso já diz muito sobre o tamanho do jogo. E 2, eu acho que isso é uma questão que, cara, porra, comprar Gloomhaven usado é complicado porque você vai ter que relativamente que colar, jogar em cima do que aquela pessoa jogou, porque você tá alterando, né? Ele agrega assim, então você vai ter que— eu já vi de galera falando que dá para você tranquilamente refazer isso, né? Você ignorar umas paradas e tal, porque não é tanta mudança assim, mas sei lá.
É bom, meu ponto sendo só assim: o Gloomhaven, ele cobra essa etiqueta de preço como quem diz: eu sou o seu jogo definitivo. Você é isso assim.
Quantos jogos você jogou?
Quantos jogos grandes de partida de 2 horas você jogou 104 vezes, tá? Porque eu joguei Trio 104 vezes, beleza, também numa tarde, sabe? Agora, então, assim, jogo grande, quando é que você jogou 104 vezes? É o Twilight Imperium, ele também se vende como o seu jogo do grupo. Esse é o jogo que assim, meu irmão, se você tem um jogo que você demora 12 horas para jogar, eu sei que, ah não, André, consigo jogar em 8. Se todo mundo for profissional do jogo na mesa, você consegue jogar em 8, ninguém conversar e ninguém se divertir muito.
Rola de jogar em 8 horas. A questão é, se você tem um grupo que joga isso, isso é um lance para você. Isso com certeza é um lance. É isso, uma, se uma, se a gente for botar o preço sobre horas de jogo, uma partida de Twilight Imperium te dá 8 horas, 12 horas de jogo, sabe? Então é incrível. Se você jogou duas partidas, já tem 16 horas, que é muito mais do que vários jogos. Mas ele tá te propondo assim, olha, esse jogo aqui é o nicho do nicho, não é qualquer um que vai jogar.
É um 4X diplomático super complexo que demora para caramba, E depois, porque assim, ainda tem outra parada, tá? O Twilight Imperium, ele tem a simetria das facções, é uma simetria grande. Então você tá dizendo assim, quando você joga um jogo, joguei um jogo com uma facção, ah, acho que entendi, pô, precisa jogar mais uma vez para entender. Aí você tem todas as facções, então assim, até você dominar esse jogo, meses se passaram, anos se passaram.
Total. Não, é muito bizarro, assim, perdão, dá uma olhada.
Ele também se vende como o seu jogo definitivo, alguma capacidade, né? O seu o seu carinha, eu sou um jogador de Twilight Imperium. Isso não é isso. Ah, eu queria ter Twilight Imperium, eu queria, eu vou jogar? Realisticamente, provavelmente não. Então assim, se eu, André, tenho Twilight Imperium, provavelmente é para botar na minha coleção porque eu acho bonito. Mas aí não vale os R$1.300, eu não tenho esse dinheiro para ficar gastando no jogo que eu não vou jogar.
Agora, o cara que investe, compra, ou compra em grupo, tá falando o quê? Eu sou um jogador de Twilight Imperium.
E quando a gente vai para o quesito das expansões, vou trazer um exemplo mais recente, é que eu acho que talvez seja válido. Cara, Zombicide é uma franquia de jogos, porra, super conhecida, e é um gateway maravilhoso. Não só como gateway, mas é um jogo divertido, um jogo que tem o seu valor como além da porta de entrada. Ele, cara, ele é fácil de ver mesa porque ele perto do nível de jogo ele é simples, ele é bonito na mesa, ele diverte.
Por mais que você já tenha jogado várias vezes, já esteja em outro nível, uma partida de Zombicide ela tem a sua, seu ponto de diversão Independente de como você esteja no hobby, sabe? Já prefiro, porra, jogos mais pesados, estratégicos. Tudo bem, mas você ainda jogaria tranquilamente um Zombicide com algum nível de diversão com um grupo certo. E aí dentro do Zombicide a gente tem, óbvio, né, o pacote básico, a caixa básica, no caso a segunda edição.
E aí você tem as expansões, que são caixas que vão adicionando novos conteúdos dentro dessa segunda edição, mas você também tem é meio que cenários específicos, como Black Plague, como, pô, Velho Oeste, super-heróis, e esses mundos, né, porque ele tem as suas expansões, eles têm o seu character pack, agora foi anunciado lá do Ozzy também, muito legal, cara. E aí, porra, o Zombicide é um jogo, agora entrou na parte de mercado, ele teve, tava passando por um momento meio complicado, né, porque a Community Ela tava meio complicada com o Zombicide, não sei o quê.
A Asmodee pegou, entrou, e ela meio que reviveu o barulho de Zombicide com esse financiamento que rolou em abril do Zombicide Pirates, né? Acho que é Deadman Tales, se eu não me engano. Isso. E ele meio que um marco de retorno da franquia, né? Após ela, a community enfrentar essa dificuldade, a Asmodee meio que entrou em cena e resgata aí os zumbicides desse futuro incerto. E aí eu boto o seguinte, cara, nesse quesito, quando a gente vê um jogo como esse, com uma temática de pirata e sendo um zumbicide, pô, meu irmão, é um jogo novo, é, mas é o mesmo jogo que você já tem.
E aí tu fala, tá, ele vai custar ali os 600 conto porque ele é um jogo de valor, né, preço mais alto, vai custar, vai ser mais carinho, miniatura para caralho, é um jogo pesado. Você tem necessidade de comprar essa parada? Você precisa dele? Você sabe, eu tenho que ter esse jogo para jogar, cara. Eu já tenho Zombicide. Por que que eu vou pegar essa parada?
Eu te falar que assim, o Zombicide eu acho tão perfeito porque ele faz assim, o Zombicide, tá, o número 1 ou a segunda edição, eu sou um jogo de zumbi, é um filme de zumbi, você tá lá numa sobrevivência no apocalipse zumbi e é sobre, é um dungeon crawler sobre matar zumbi. Ele tem uma mecânica divertida, co-op. Eu tenho questões com a coisa de ter que pilotar todos os players sempre, independente da quantidade de jogadores, mas isso é uma questão de processamento mental meu.
Mas assim, o que que ele faz que eu acho maneiro? Ele tem um jogo e ele tem uns cenários dentro do jogo. Manual vem com um bando de cenário. Então você pega a dinâmica do jogo, que é um quebra-cabeça, né? Ele tem um quebra-cabeça dele que é de como é que você resolve aquele problema, e você tem vários cenários que exploram diferentes ângulos para isso. Isso em si já é maravilhoso. Ah, pô, zerei, gostei muito. Porque é um jogo assim, um jogo vai te custar uns R$600, R$600 a R$700, vamos botar R$700 para ser realista, tá?
Esse é o jogo base, ele vai vir com muito conteúdo. Se você chegou no final desse jogo, e é um jogo que vai ter aquele outro tipo de rejogabilidade, que é se você pegar o mesmo cenário com um grupo novo, vai rolar diferença, já rola, né? Você pode ter o mesmo grupo jogando todos os cenários, ou você pode ter os mesmos cenários sendo jogados por diferentes grupos. Já faz uma diferença. Agora, para você entrar no, na pira das expansões, é porque você e seu grupo zeraram, já, já fizeram tudo.
E aí tem aquelas outras coisas, tem expansão que é mais miniaturas, né, mais zumbis diferentes, adiciona outros monstros, né, que eles separam. Tem expansões mesmo cenário, tipo Rio de Janeiro, Forte Hendrix, Que aí são novos mapas e novas coisas, novos vilões também, mas novas histórias. Mas também tem os cenários feitos, né, na antiga. Eu não sei se ainda mantiveram isso, mas na community não tinha. É, você vinha só o cenário que falava assim, ó, pega a peça tal e os bichos tal e monta.
Mas você disse esses feitos pela comunidade?
Tinha uns oficiais, tinha uns. Eu acho que pena que o Fel não tá aqui para falar.
Eles lançavam lá, acho que Zombie Friday, uma parada dessa, que toda sexta-feira tinha uma periodicidade muito bem, muito seguida lá, que eles lançavam uma aventura. Eles lançavam uma parada.
É a beleza da modularidade, porque aí você pode chegar e falar assim: toma aqui as peças, você já tem. E abre espaço até para você ter um pack de tiles, né, de peças de tabuleiro. Sim, para quê? Não sei, meu irmão, a gente vai lançar novos cenários usando isso. Pô, isso é maravilhoso. Porque aí você tá falando assim, olha, qual é o preço de entrada? É caro, é R$700. Mas você não precisa chegar com o pé na porta e gastar R$1.400 para ter tudo.
Vai com calma. Eu sempre falo, eu acho que advogo muito essa ideia de tipo, como é que a gente faz o jogo base ser o mais barato possível para pessoa poder começar a jogar? É o equivalente no jogo de PC a quando tem demo, quando tem demonstração do jogo, que eu acho que devia ser obrigatório, tá? Eu acho que você ter o demo do jogo é o mínimo do mínimo, que é a sensação de, tá, eu joguei o jogo, eu entendi qual é, e agora eu, agora eu engajei e posso comprar.
Eu sei que no Board Game a gente tem o Tabletop Simulator, o Board Game Arena, algumas coisas que são o demo completo do jogo, né, mas não é ele físico, cara.
Mas olha só, dentro desse ponto que você trouxe da modularidade, caramba, a gente tá falando de uma, de um pensamento que não necessariamente, óbvio que passa pelo game design e tal, você tá pensando, mas você não tá falando literalmente da estrutura do jogo, como a fórmula do jogo funciona necessariamente. Aí você já tá falando uma questão de componente, que é lógico que o game design precisa acompanhar o que tá dentro da caixa, né?
Você tá, você desenvolve o jogo e determina os componentes e tal, e você, o jogo tá uma coisa meio que baseada na outra. Mas ao mesmo tempo, os elementos que você tem, essa modularidade ou miniaturas, tudo isso é substituível de alguma maneira. O próprio Gloomhaven, como exemplo, ele, o cara, ele quis criar, que você comentou, o jogo definitivo, né? A ideia do Gloomhaven, ela vem daí. O cara queria criar o jogo definitivo de dungeon crawler que ele achava que seria o ideal.
Só que parece que ele teve que fazer as miniaturas todas em papel, em papelão, né? Isso, dos monstros e tal. E aí tudo foi decidido para baratear, porque senão não ia caber. E aí eu te pergunto, é, a gente quando paga um jogo A gente paga pelo design, pelo bom design que a gente tá jogando, a gente aprecia aquilo, mas também a gente tá pagando por outros confortos, né? Por exemplo, miniaturas, certas coisas personalizadas, moedinha, é, pô, tabuleiro em neoprene é um, pô, tu mesmo sabe, Wolf, né?
Aquele que ela me deu opção no Wolf, vem o neoprene, né? Pois é. E aí, cara, a produção luxuosa, tu acha que ela realmente melhora o jogo ou ela aumenta o desejo da compra, tá ligado?
Assim, é claro que vai depender sempre do teu nível, com aquele, a tua relação com aquele jogo, tá? Eu dei esse exemplo lá, o Gloomhaven, ele não te dá essa opção. O Gloomhaven você comprou, beijo, tchau, teu jogo tá pronto, nunca mais compre outro jogo, diz o autor. Mas estamos aqui, Twilight Imperium é, eu sou esse cara que joga isso, nunca mais compre isso, salvo os codex novos que vão sair, para você nem necessariamente compra.
E se tiver uma edição nova, talvez você troque porque você tá tão engajado nisso, que maravilha. Agora, componente de luxo, se você tem direito a comprar ele separado, acho maravilhoso isso. O próprio osso, para mim, foi isso. Comprei o osso, o jogo, a gente jogava. E aí ele vende as moedas de metal, que são lindas demais, e os livrinhos de resina. Alternativa que vem na caixa de papelão. Eu, como estava jogando muito, eu gosto, eu acho maneiro aquela coisa de você poder ficar com dinheirinho na mão, fazer xing xing, sabe?
Eu gosto. Agora, você já comprar com isso sem nunca nem ter jogado o jogo, aí começa a cair na coisa do fomo, na minha opinião.
Será?
Se você nem conhece o jogo, é só porque eu queria diferenciar. O jogo, o jogo definitivo, o ISS Vanguard, que a Mipo BR trouxe, também se propõe a ser um desses jogos que assim, meu irmão, esse aqui vai ser o seu jogo do ano, porra, tá? Você pagou R$1.000 e você vai jogar todo dia Aí, SS Vanguard, você vai ter 60 mais horas de jogo, tá? E joga solo ou joga com outra galera, por aí vai. Agora tem essa categoria de jogos que custam, sei lá, R$800, que é muito próximo de mil, mas que não tem essa premissa de esse é o jogo, o jogo definitivo.
Ele vai só te dizer assim: eu sou um jogo lindão, entende? Ele tipo assim: eu não tô, eu não tô te propondo aqui que eu vou ser O grande jogo, tá?
Que você vai, eu vou ser o suficiente para você durante anos.
Isso é porque eu acho que esse, esses que a gente super citou foi isso. Quando, quando veio aquele do Freud, O Inconsciente, O Inconsciente chegou assim, chegou R$800. E eu acho que ele tinha uma coisa que ele vinha com as expansões, alguma expansão dentro já, tá? Por isso que ele já veio com uma etiqueta mais cara. Mas ele não, apesar de ser um jogo bonito e tal, ele não é um jogo que tá se propondo assim: meu irmão, tu vai jogar isso aqui só.
Não é esse aí, cai nessa categoria que acho que você tá falando, que é um item de luxo. Ele é um jogo maneiro, ele já é um jogo que vai te dar muita diversão, etc., mas ele não é o jogo definitivo. Ele é caro porque ele tem muita coisa bonita e bem feita. Poderia não ter, poderia talvez ter uma versão. Quer ver, quer ver um exemplo interessante disso, tá? De engajamento com o jogo que não necessariamente é um item de luxo. O Root.
O Root é um jogo que o jogo base vai oscilar entre R$350 a R$500, tá? O preço do jogo não é barato, mas também não é um lançamento. É por isso que eu botei R$350 a R$500, por isso que ele teve essas oscilações todas. Dava para pegar entre esses valores. Por que que ele não é um item de luxo? É, ele é, porque todo jogo de tabuleiro até segunda página é um Item de luxo, até a primeira página é um item de luxo. Mas assim, o nível de engajamento com o jogo, se você só comprar caixa base, é isso.
Agora você pode comprar todas as expansões, você pode comprar impressãozinha 3D para as clareiras, você pode comprar os pacotes de Marcos, aí os capangas, aí vai indo. Mas isso para mim é, eu acho interessante que não é proposta de faça isso na porta de entrada. Saca? É tipo, você tá gostando? Você sentiu falta de alguma coisa? Você quer mais novidades?
Toma. Só, é, eu entendo que quando a gente fala que é o game design do jogo, o design do jogo, ele precisa ter, entender todos os componentes, ele precisa passar por isso. Eu acho que o desenvolvedor, ele pensa também no manuseio, de como é que aquilo vai ser. E esse manuseio, ele vai fazer parte de jogar. Essa parada que você fala: adoro ficar com as moedinhas na mão fazendo tch tch tch tch. Isso não necessariamente ficar com a moedinha na mão fazendo barulhinho, isso não é um elemento de game design, mas é um, mas ele compõe o jogo, mas ele tá ali e você fica.
Tanto que tem, pô, tem jogo que você vai ter um pool de moedas, eles mandam saquinhos para você guardar suas moedinhas. E aí isso tá previsto dentro do design do jogo para que você guarde sua moedinha ali, você tenha a ação de botar a mão dentro do saquinho da moeda e pegar moedinha e tal, porque isso agrega algum valor. Eu acho que, como, e aí a minha pergunta vem do sentido, do seguinte sentido: a gente, quando tem esses elementos de luxo que a gente bota, moedinha de ferro, sabe, esses outras miniaturas de plástico ou de resina, o caralho, que vai compor, eu entendo que para num certo ponto isso pode ser considerado uma parada de luxo, um adendo, mas o quanto isso não deveria também ser parte do jogo básico para que a gente não entenda, não fica aquela dúvida, pô, será que eu tô, o jogo, será que o jogo base ainda ele é completo ou eu tenho que pegar a parada?
Porque o pensamento do criador, ele pensou com miniatura, e aí tem todo esse movimento, sabe, o design tem toda essa, esse pensamento, ó, o cara tá andando com a mão movimentando a miniatura desse jeito ou de outro jeito. Não sei se tá ficando claro.
Eu acho que eu tô entendendo da seguinte forma, tá, é uma decisão, é uma escolha de design. E aí quando tu chama design aqui, eu não tô falando design visual só não, tá, tô falando design como experiência do usuário. Da parte tátil, a mecânica do jogo é como se jogar, tá? Então vou dar, vou ter que, para fazer a trinca aqui, eu falei de ovo, falei de root. Então no Arx, na campanha de expansão, vem umas bandejas de plástico com tampa, tá?
Por que isso? Porque o Arx, ele vai ser jogado, a expansão, em 3 atos, provavelmente 3 noites diferentes, né? Porque a gente joga de noite.
Então é o save game, a tampa é o save game.
Aí já não é um componente de luxo, é uma parada funcional. O Wolf vem com uma caixinha de papelão para você guardar o estado do jogo, porque é muito mais simples a forma de guardar, e a própria caixa também guarda as cartas. Eu tô dizendo assim, o Sintonia vem com aquela roleta maravilha, roleta não, né, que ela, não sei qual o nome daquilo, a máquina do Sintonia, que você vem com a, que abre, ela tem um termômetro de certa forma, e ela tem aquela coisa de revelar com revelada triunfal que faz Só falta uma parede hidráulica ali dentro.
Aquilo é o jogo. Se você falar, mas tem uma versão de papelão, meu irmão, não interessa. Assim, dá para fazer, dá para fazer, mas não interessa, porque o jogo é isso. O jogo é você puxar aquela caixa, botar em pé.
E aí vem a pergunta, André, não existe então componente de luxo? Porque o designer é aquela parada, o designer, quando ele idealizou o jogo na cabeça dele, e ele pensou naquele projeto, ele pensou, ele pensou dentro de uma configuração. E aí quando a gente compra a versão standard, né, ou a edição de varejo padrão na loja, é, cara, aquilo ali é o que deu para fazer.
Não, então, mas não, calma, que existe sim, existe luxo sim. Por exemplo, é lógico que existe, tanto que existe, mas assim, qual é a diferenciação no Cypher? A mecânica do jogo tá lá, O designer elencou que as miniaturas dos mechas tinha que ser de plástico e dos personagens principais também, para ser lindona e a gente ficar achando que ia ser um baita de um wargame, e não é, porque ele é um vacilão. Mas os recursos do jogo são coisinhas de madeirinha simples, é um barrilzinho, é, e funciona porque o jogo é sobre coletar essas paradinhas e levar.
Mas você tem os recursos de luxo do site. Que aí é um coisinha, o barrilzinho de óleo escrito bonitinho com a manchinha de óleo na lateral pingando. Só tô dizendo assim, isso aí é uma melhoria puramente estética, não afeta o jogo, mas que para uns vai ser maravilhoso. Eu concordo com essa, tá? Porque assim, para mim ele bota mais na fogueira, mais lenha nessa fogueira de que o Scythe é um jogo visual que bota na mesa, etc. e tal. Isso afeta a mecânica? Não afeta.
É porque assim, para mim, todo jogo de tabuleiro, ele é, é porque assim, é uma relação muito bizarra. Se a gente ignorasse a questão financeira, tá, imagina que a gente foi numa loja de board games e a gente vai jogar um jogo, a gente não vai comprar ele, tá, a gente só vai sentar para jogar. Você sentar para jogar o Scythe com todos os recursos aprimorados, óleozinho, barrilzinho, tudo pintadinho, bonitinho, as miniaturas do caralho, para lá, para lá, para lá, Cara, você jogar isso dessa forma, você está jogando o jogo como ele é feito para ser jogado.
Você tá tendo experiência tátil, visual, resplendorosa, o caralho. Quando a gente compra o jogo e leva para nossa casa, a gente tem uma aproximação desta versão ideal. E é isso, infelizmente é, não é muito, não tem que fazer, a gente tem que entender que, cara, é o capitalismo, compadre.
Eu não gostaria, claro que é o capitalismo, mas assim, é uma questão de escolha De até onde é um comprometimento do— não é compromisso, como é que é compromise? É tipo quando você— eu faço menos e você faz menos e tá tudo bem, a gente se encontra no meio do caminho, sabe? É esse meio termo. Que é, se o Dani falando assim: meu irmão, eu queria que esse jogo fosse feito num tabuleiro de ouro, sabe, com peças de diamante. Aí assim: olha, isso vai ficar muito caro.
Quem é o teu público? Ah, eu quero que o jogo custe R$500. "Então não vai rolar o tabuleiro de ouro e não vai rolar o diamante, mas a gente pode fazer ele amarelo, olha que legal, e as peças..." Então você concorda comigo que não existe versão de luxo?
Existe a versão mais próxima do que o cara idealizou? Existe. É obviamente que eu estou extrapolando.
Beleza, eu acho que foi... Não, eu estou contigo, não existe versão de luxo. Existe o mais simples que o cara conseguiu, o mais acessível que ele conseguiu E o que que ele topou? O que que ele topou? Porque é isso que você faz. A gente tava falando Sintonia. No Sintonia a gente poderia ter uma, o termostato lá de papelão e o jogo seria mais barato. Mas em algum momento o designer falou assim: não, pera aí, não, é aqui que eu desenho a minha linha no chão e falo: não quero passar dessa.
No Wingspan as cartas poderiam ser mais baratas. Pô, a carta ela é, você vê que é um papel trançado de fios de penas de pássaros, os pássaros que fazem ela, eles exatamente, podia ter sido feita só com carta normal de papel.
Sabe a parada que eu achei que o Wingspan deu mole? Eles podiam ter usado aquele papel ecológico que quando você enterra ele brota, nasce uma plantinha. Não, não, que vem com uma semente dentro dele.
Sim, sim, ele é biodegradável e ainda tem uma sementinha.
E aí podia fazer semente de mato, hein, só pra fuder o planeta.
A galera tá fazendo Earthborne Rangers, a proposta original do Earthborne Rangers era que quando você cansasse de jogar Earthborne Rangers Você cava um buraco no chão e bota a caixa lá. Essa era a premissa original. Eu não sei se quem tá trazendo para o Brasil, não lembro agora se é Ludofan, não lembro quem tá trazendo, se vai manter. Eu imagino que quando eles falaram anúncio, eles falaram que iam tentar manter essa premissa do jogo biodegradável.
Vou te dar a premissa do primeiro jogo da Fabulosa Editora, tá? É uma caixa que cada um compra o seu deck, tá? O seu deck, você precisa de um jardim. E aí você planta suas cartas próximas do seu adversário e deixa a natureza seguir seu curso. A árvore que dominar, a planta que dominar, era das guerras.
Porque com era, era quadrada, tá ligado?
Caralho, vai ser um sucesso! Isso é um legacy, isso é um legacy.
Só precisa de um jeito das eras terem, sei lá, cor diferente. Só isso, só isso. Foda!
Ah, deve ter alguma tecnologia genética que você possa manipular isso na semente.
Aí tu bota no muro e tem assim a era azul, a era vermelha, e elas tipo, quem é que vai ganhar?
Imagina uma Twitch, uma live da Twitch, que fica o dia inteiro vendo a planta crescer.
Chato pra caralho. Depois tu acelera, né? Não, eu só acho assim, vamos lá.
Perdão, antes só pra gente não esquecer um ponto muito importante desse do que a gente tá falando, que é o seguinte: quando a gente fala de artigo de luxo, de deluxe, versão deluxe, é, e expansões e tudo mais, a gente tem que lembrar também que é óbvio que existe essa parada do designer, ele precisar entender que tem o custo de mercado, ele precisa adaptar o caralho. Mas também tem aquele desgraçado que vende uma expansão que claramente era para fazer parte do jogo básico e ele vende como forma de expansão para lucrar.
Não, é o Arx, né? O Arx, o jogo base é mais barato do que a expansão.
Jogo.
E a expansão traz o verdadeiro jogo, que acho que até uma questão de design, né? O jogo foi feito para ser uma campanha de 3 atos. O jogo base não tem isso. O jogo base é para te ensinar. Se ele vendesse tudo junto, talvez ficasse muito caro. E aí, o que que ele faz? Ah, toma o jogo base, você aprende com o jogo base, depois você compra a campanha. Só que a campanha, a expansão é mais cara. Então você fala assim, peraí, a expansão é o jogo completo?
E é sim, a resposta é sim. Dá para jogar o jogo base? Dá. É divertido? É. Mas o jogo, jogo que foi desenhado é a campanha, e ele tá só na expansão. Então cai um pouco nisso mesmo. Tá, meu irmão, tu não tá me vendendo uma expansão, tu tá me vendendo um jogo parcelado. E aí nem acho que é só com objetivo de lucrar não, foi com objetivo de, cara, se ele lançasse o jogo full, ia ser isso, um jogo de mil e tanto, que acho que justifica porque é um jogo enorme.
Mas aí, sei lá, ia ter menos adesão. Optou-se por fazer ele modularizado, até porque ele tem esse modo base. É como se tivesse dentro do Twilight Imperium o jogo, é o jogo inicial, que é um jogo que dura 3 horinhas só, e ele é mais simples, sabe? Tipo isso.
Então, mas nesse ponto, cara, quando a gente lança esse modular, esse primeiro jogo base muito simples, é quase como se tivesse falando dos demos de videogame que você comentou.
É meio que uma versão limitada. Com alguma diferença, que assim, não é uma limitação por tempo que acaba, né? Tipo jogo, se acabou você não pode mais jogar. É só assim, eu não sei se compete aqui, mas é porque tem isso. O Gloomhaven trouxe o R$1.000 e o Twilight Stripes trouxe R$1.000. Aí depois tem o ISS Vanguardia, aí é o Dragon Eclipse, aí pô, o Elder Scrolls tá tipo R$1.600, sei lá quanto. O Frosthaven veio com R$2.000. Eu acho que fica uma pergunta que é assim, O Frosthaven é o Gloomhaven vezes 2 mesmo.
Então acho que ele já tá 1400, porque acho que encalhou, porque a gente aqui no Brasil não está disponível para pagar R$2000 assim. Acho que a minoria das pessoas, né?
Ainda ele bate no fomo de outros lançamentos e a galera faz a balança, fala: meu irmão, eu compro para jogar essa porra ou eu compro o lançamento agora?
Não, eu compro esse um jogo, eu compro, sei lá, 5 outros, né? É comida para minha família. Mas tipo assim, eu me pergunto quanto que não começa uma coisa assim. Acho que a premissa base é: todo jogo de tabuleiro é um item de luxo. Pensando em dependências da vida, a gente não precisa, né? Aquela coisa assim meio é um item de luxo porque a gente não precisa.
Eu acho que a gente precisa de jogo dentro de uma escala, dentro da escala, mas não necessariamente um jogo de tabuleiro, né?
A gente precisa jogar do lúdico conforme a gente precisa, que o baralho sobreviveu desde sei lá quando que foi inventado, né? Mancala. Eu jogo bem dado e roleta e tal. Eu só tô dizendo assim, mas esses jogos que a gente joga, eles são itens de luxo porque eles são caros em comparação com outras coisas. É isso. Você pode comprar um tablet com o preço de um jogo, você pode comprar um celular, sabe? Tô dizendo que o celular ou tablet vale mais, eu só tô dizendo assim, comparável com tecnologia de ponta.
Agora, existe uma faixa de preço que são os jogos mais acessíveis. Eu diria que os que ficam ali na casa dos 200, 300.
Até menos de 100, você tem excelentes jogos que você vê.
É porque assim, eu não tô sendo preconceituoso, é que os jogos abaixo de 100 tendem a ser jogos rápidos que acabam não tendo uma profundidade de conteúdo. Eu não tô falando que não tem profundidade estratégica não, tá? Não tô desmerecendo o jogo, por favor, pega lá o episódio do jogos abaixo de R$100, que tem várias dicas maneiras.
Não é isso que você tá comendo, André, porque eu tenho certeza absoluta que os jogos que você mais joga são os festivos, os homebrew.
Não é isso, eu sei que é tua onda, tua vibe de jogos.
Aqui não conhece minha vida não, sacanagem.
Aqui só joga o jogo cabeçudo, corrida com a tua família.
Aí tu não acha que é festivo?
Não, moleque, tem um site para manter as paradas.
Tem um site para manter a parada rolando. Que faz o maior argumento de 1990. A gente tem um site, tá?
A gente tem uma homepage, tá? A gente tem uma homepage para surfar quando a gente precisa. Não, vamos lá, eu não tô, eu tô querendo desmerecer, eu tô dizendo assim, existe um nível de mergulho do jogo que não é assim, ah, o jogo de carteado, o jogo de carteado você consegue fazer mais barato. Agora eu me pergunto se não tá, se não tem uma coisa da indústria que é assim, opa, a galera tá pagando R$1.000 em jogo, hein? E se a gente começar a fazer mais jogo de 1000, porque assim, o próprio Dragon Eclipse 1500, 1600, é a versão básica dele.
Aí tem a versão lá com neoprene, 2500. E aí eu me pergunto assim, será primeiro que isso é esperto? Porque assim, Dragon Eclipse é um jogo que eu gostaria de jogar, mas não vou pagar 1500 nele, tá? Ele não é, não sei, o suficiente para poder pagar isso. Se tivesse a versão introdutória sabe, que fosse assim, olha só, esse aqui é R$500, vem com o tabuleirinho, vem uma campanha, né? Pô, aí eu sou convidado a entrar no jogo.
É o demo que você tá falando, o tempo todo é o demo.
É que não é o demo, é assim, é o primeiro ato da história, ou é uma história, é a historinha principal.
Hoje em dia tá acontecendo muito isso, cara, você baixa os demos, que é muito legal que você comentou, a gente voltou à era dos demos, tá voltando essa parada na Steam, ficou apagado durante muitos anos, a gente ficou sem acesso ao demo do nada, Sendo que é uma das maneiras ideais para os videogames de você testar as coisas, e para o board game também. Tem algumas editoras que fazem algumas, algumas, alguns kits pequenininhos de alguns jogos para você poder experienciar, mas normalmente, cara, são jogos até mais simples que se resolve mais fácil.
É, porra, o Azul recentemente saiu um menorzinho, nem era no sentido de ser demo, tá ligado?
É uma boa palavra porque o demo dá essa sensação de que é limitado. Eu entendo, por exemplo, usando o exemplo do Dragon Eclipse, que você quer uma campanha completa, que você vai começar com seu dragãozinho pequeno, vai treinar ele, vai encontrar uns bosses maiores, etc., etc. E eu entendo também que logisticamente é complexo você ter 7 versões diferentes do jogo, tá? Agora, é desconvidativo chegar na porta de entrada de um jogo que você essencialmente não conhece, porque você, para conhecer ele, você vai ter que ter ele em mãos, por mais que você tenha jogado no TTS, no Tabletop Simulator.
E sim, pô, bem-vindo ao meu mundo, ele custa 1.600 para entrar. Será que não tem um outro caminho?
E aí, e a problemática que isso gera vários problemas, né? Isso volta numa questão que a gente comentou, que é se a gente gerar, entregar o jogo inteiro, ele fica caro demais e parece overwhelming. Mas também se a gente gerar ele pela metade, pode parecer que é um jogo incompleto. 2, se a gente gera esse jogo separado é o jogo que a gente tá, a gente tá entregando o jogo que a gente queria, tá mais trabalho, especialmente se é uma campanha, né?
Imagina assim, ah, vamos lançar aí esse Vanguard e a gente vai separar em blocos, cara.
E pensa na questão de, eu acho, de por cabeça aqui rápido, desculpa te interromper, cara, que se o preço não for muito bem calculado, você tá, vai pagar muito mais no fim das contas.
Vamos supor que você divida, mas eu tô concordando com isso, eu acho que a pessoa Pessoa que mergulhou, ela deve pagar mais para que outras que não vão mergulhar paguem menos. Então, por exemplo, digamos, eu vou falar, eu vou falar números totalmente que não existem, tá? Mas digamos que das 100 pessoas que compraram Dragon Eclipse, só 20 jogaram até a metade.
Ah, tá, só 2 números mesmo, tipo, 11.
E aí, aí desses 20, só 3 chegaram no final. Então a gente tá falando que 80 pessoas pagaram o preço cheio de um jogo para experimentar a primeira parte. Então talvez se tivesse o jogo pequenininho, aí todo mundo chegava. E aí as pessoas que— esses 20 comprariam a segunda caixa e esses 3 comprariam a terceira caixa, que no total dá mais do que 1.500. Se você compra as 3 caixas, dá 2.000. Mas entende a divisão da coisa?
Sim, sim. É que assim, isso você entra em uma questão também que é interessante, que a gente até pincelou no começo, que são jogos gigantescos. É não só gigantesco, são caros o caralho, mas cara, jogos que são pesados pelo tempo de se jogar entram nesse mesmo quesito dessa dificuldade. Será que não é melhor dividir essa porra? Será que não é melhor botar em capítulos esse design para você facilitar a entrada? Porque não é só o dinheiro que é uma barreira de jogo, né, que é uma barreira de jogabilidade que vai impedir que os jogadores entrem para jogar aquilo lá.
O tempo da duração e a complexidade do jogo também o são. Ao mesmo tempo que são atrativos, eles também são barreiras que impedem que as pessoas entrem, saca? Outro dia eu tava vendo uma parada de um manual, cara, de uma— cara, qual foi o tamanho? A gente tava conversando sobre o lançamento de uma expansãozinha que ia rolar, se eu não me engano, do Warhammer, uma porra assim. E aí falando que era um starter set, não sei o quê, uma parada simples.
Meu irmão, o manual do jogo tem 68 páginas, sabe? Cara, não é um starter set assim. Para Warhammer é, beleza.
E pensando assim, se isso fosse um livro, já era um livro maneirinho, sabe? Se fosse, cara, já se lançando o livro, o manual já é considerado um livro, sabe? Um pequeno livro, uma pequena publicação.
Agora, André, você acha que existe um pensamento estratégico e logístico até de lançamento de grandes jogos, jogos pesados. E aí, quando eu boto pesado no sentido de demorados, profundos e caros, é onde a gente coloque as lojas especializadas dentro de uma dinâmica que faça a venda desse jogo melhor. Por exemplo, cara, antes de eu abrir esse jogo para venda, eu vou mandar ele para todas as lojistas que tem loja para as pessoas jogarem, vou treinar os lojistas, e aí eles vão ensinar.
E a partir do momento que a pessoa joga, ele pode fazer a compra, sacou? Você vê algum futuro nesse sentido?
Cara, seria fundamental, né? Assim como acho que liberar mod oficial do Tabletop Simulator. Eu acho fundamental, porque eu sempre falo, o mod do Tabletop, ele pode te entregar o jogo inteiro, não é? Ele não precisa se preocupar com limitar o jogo. Ah, mas as pessoas vão ter acesso ao jogo. Porque aquilo não é o produto. Quem joga board game joga board game. Aquilo ali é uma primeira etapa, aquilo ali é um simulacro do jogo. Tá, sabe?
Então assim, não tenha medo de botar o teu jogo no board game, no tabletop simulator, porque não é o teu jogo.
Quer dizer, tenha se você não confia no teu jogo, porque se você não confia no teu jogo, as pessoas vão jogar no tabletop simulator, em qualquer lugar, e não vão comprar porque tu jogou uma merda. Mas aí é culpa tua.
É, aí é, beleza. Aí se você, se o teu marketing é o meu jogo é merda e as pessoas precisam comprar para descobrir isso depois, beleza. É, agora botar na mesa das pessoas seria ideal, mas É complicado. Eu tô pensando um exemplo diferente um pouco, que é o Slay the Spire, tá? O Slay the Spire, ele é totalmente autocontido, ele é aquilo, não tem como separar. E ele chegou R$1.000, sei lá, também. Até o antigo era R$800, sei lá, antigo que eu digo a primeira versão que lançaram.
E assim, não tem ali muita justificativa de porque ele é grandãozão, ele é porque ele é assim, é o preço das coisas, sabe? E aí É bizarro, né? Porque a gente falou, são elementos de luxo, são componentes de luxo, porque é isso. Você pode ter, você quer um carro que te leve daqui para lá, não precisa ser uma Ferrari, não precisa ser um Porsche, mas quem gosta disso pode comprar e tem dinheiro para isso, pode comprar. Então assim, também o que a gente tá falando de ter que democratizar tudo, ah, eu quero jogar jogos do Lacerda, mas eu quero pagar barato, eu quero Weather Machine, R$200. Aí tem o quê, uma versão de tenis, o tabuleiro de papel vegetal.
Essa tu falou uma parada que me trouxe um pensamento, que é muito engraçado, porque quando terminar esse programa, as melhores, os melhores questionamentos vão aparecer para gente. E pelo menos por mim, eu falo aqui, eu vou falar: puta, tinha que ter entrado nisso, tinha que entrar naquilo, uma porrada de assuntos tópicos que a gente poderia ter entrado. Então já vou avisar, vamos voltar para fazer uma parte 2 para trazer as perguntas que a gente deixou de fazer nesse programa.
Deixa eu te perguntar uma coisa então, para ver se, se você tinha um ponto.
Você só tava fazendo assim: ferrou, a gente vai É porque quando você tava falando me veio esse questionamento, eu lembrei disso, que vão vir diversos outros questionamentos. Tenho certeza que a galera que tá ouvindo também vai ter. Mas ó, é uma parada que eu acho também que é interessante. Na hora que a empresa, né, que a editora, ela tá desenvolvendo aquele jogo, não necessariamente o design dele, mas ela tá pensando naquele jogo enquanto produto para venda, ela obviamente ela tem que levar em consideração uma série de fatores que visem aumentar a chance de venda daquele produto.
E aí uma das paradas que eu acho muito engraçadas é quando eu compro um jogo que claramente caberia numa caixa menor, e a intenção da editora é, ao botar ele numa caixa maior, é trazer um peso que o jogo não tem.
O jogo não precisa. Deixa eu só te perguntar uma coisa: você esliva todos os seus jogos?
Então calma aí, não é isso que eu tô falando.
É porque, calma, é porque tem caixas que se você não esliva realmente vai dar a sensação assim, pô, por que que tem esse espaço todo?
Não, não, então eu não tô falando desse micro ajuste de 2mm, 3mm. É tipo assim, tem um slot, porra, onde você guarda lá no insert, você guarda as paradas, e aí ele não tá preparado para receber 3 vezes mais.
É o dobro do tamanho de cartas.
Ah não, você tá falando da altura do monte? Tá, tá nesse ponto, sim, nesse ponto, beleza. Tô falando porque às vezes quando você esliva, ele, a caixa não, a carta, uma carta não encaixa lateralmente.
Mas esse aí, a caixa vai estar no tamanho certo.
Agora, quando você, o meu Bang Bullet sliv. Ele não aceita sliv.
É, pois é, pois é, é uma merda. O Century edição Golem também, na outra, tive que tirar um insert e deixar dentro da caixa solto porque não cabe. Mas assim, não, porque quem não sliva bota as cartas tudo, aí fica assim metade da altura faltando. Aí o cara fala assim, pô, por que que fez isso? Porque o cara pensou em quem sliva.
Vamos lá, Resistance precisava daquela caixa? Não precisava, André. Resistência claramente caberia numa caixa menor. Menor, tipo, claramente, assim, tipo a caixa do Coop, porra, claramente caberia numa caixa menor, numa parada menor. É um deck, cara, basicamente. Então, tipo, ele, a opção de você botar ele dentro de uma caixa um pouco maior, ela tem um peso distante, ela tem um peso de venda para agregar um valor, para você ter uma arte bacana.
É que tem aqueles jogos que vem caixa de baralho, aquilo não fica bem na estante, né?
Não, ele fica normalmente pendurado naquela, naquela parada que fica rodando, é preso com um negócio, sabe, num bagulho de carne. Porra. E aí isso, para muitas pessoas, na hora da venda, onde você, quando você tá tentando seduzir o cliente, essas paradas têm peso. Mas precisava? Não precisava.
Eu entendo, é tipo assim, justificando o preço, né, a esquerda de preço ali.
Total. Da mesma forma que tem horas que o jogo fica enorme, tipo, claramente quando você desmonta, fala assim: cara, essa caixa precisava ser maior.
Que que é essa? Eu estou falando com você, pelo amor de Deus. Tudo que eu queria no Quiquesse é ver a tampa encostar no fundo, mas meu irmão não encosta, porra.
É o dilema masculino, né? Precisava só de mais 2 centímetros. Só mais 2 centímetros.
Ai, meu irmão, 2 centímetros. Deixa eu te perguntar uma coisa.
Manda.
Se você tivesse dinheiro descartável, dinheiro infinito, tá?
Tecnicamente é descartável.
É, ele é sempre, né? De 3 a 4, dá uns 3 ou 4 jogos pesadões assim na casa dos R$1.000 que você Só não comprou porque custa muito caro, moleque. Midnight, ele foi lançado caro ou ele tá caro agora?
Porque eu nunca comprei Midnight porque ele sempre foi caro. Eu nunca vi ele vendendo oficial, só vi usado, e ele sempre era caro, sempre foi caro. É a Gloomhaven, claro. Eu já achei, cara, eu cheguei a pegar uma versão do Gloomhaven usada lá fora nos Estados Unidos, né? Porra, cara, mas era assim, era usado, só que ele não era, era usado de loja, E o cara abriu para mostrar, falou: olha, não tem nada utilizado realmente, ele foi aberto, mas ele não foi jogado.
Então o cara abriu, olhou as paradas, mas não jogou. Então ele não tava marcado, ele não tava com as peças lá zoadas e tal. Cara, tem um boss battle que eu acho foda, porra, ele já é um pouquinho antigo, que é o Kingdom Death: Monster. Eu, foi assim que eu conheci o Fabrício do Aftermath, acessando o canal dele para primeira vez. Eu conheci o Fabrício jogando esse jogo. Ele tem uma, ele teve uma mão aqui, né?
Ele é só lá fora, né?
Ele lançou, cara, eu só lembro dele lá fora, só lembro dele lá fora, não tenho entendeu essa referência. Cara, tem alguns wargames que eu gostaria, o próprio Warhammer eu não entro porque não conta nessa parada, porque Warhammer você não compra uma parada e vai.
Warhammer você tem que ter dinheiro infinito para sempre, né? Então, não, é uma coisa, alguém tipo assim, eu te dei um voucher de R$4.000 que só pode ser gasto em board game. Se você fizer com Warhammer, você tá comprando uma dívida, sabe?
Total, total.
O Gloomhaven é um jogo de campanha. O Kingdom Death: Monster também é um jogo que você vai poder sentar e jogar uma campanha. O Midnight é a mesma onda também, você vai poder sentar e fazer. Todos têm essa sensação que eu tenho desse, essa sensação de tipo assim, meu irmão, eu vou engajar com uma jornada por um tempo. É a minha sensação, porque eu penso para afeta. Porque assim, eu, para mim, eu penso muito no ISS Vanguard, que é um que eu gostaria também, o Raven Case.
Eu vou sentar, eu vou jogar. O próprio Dragon Eclipse é que eu sei menos do Dragon Eclipse para poder justificar esse valor, mas a premissa dele de você vai andando com teu bichinho e tem uma historinha, acho maneiro para caramba. Agora, quando eu penso de novo lá no Mundo do Inconsciente, e eu não quero implicar com esse jogo, mas eu tô falando assim, ele é um jogo euro, é um jogo de sessão. Sessão, né? Cada sessão assim, você vai sentar, vai jogar aquele jogo, depois você vai sentar e vai jogar aquele jogo.
Nesses que a gente super citou, Midnight, você vai sentar, você vai jogar um cenário e depois o próximo cenário. O Gloomhaven, você vai evoluir o teu personagem, vai jogar o próximo cenário. Quando a gente fala de comprar um jogo, é tipo isso. Se Wingspan custasse R$1.000, aí eu já fico receoso.
Então eu poderia o croque o tabuleiro original de campeonato nessa lista.
Mas aí é uma pira, né? É uma parada de madeira feita.
Eu tô contigo, eu vou, é o mesmo jogo, tá ali, eu vou rejogar ele, a mesma coisa. É tipo quando você diminuiu os jogos pequenos ou mais baratos assim que você botou nessa conta, falar, mas é muito simples, tal, tipo xadrez, é um jogo simples, um tabuleirinho ali e tal, mas o mesmo preço do tabuleiro de xadrez é infinito, o teto da parada, né? Você tem para baixo também, ele ao ponto de você poder desenhar num caderno e jogar com Papel recortado, né?
Porra, é engraçado. Eu não sei se tá ficando claro, mas assim, sei lá, o Trickerion que veio para o Brasil, acho que só com a versão deluxe assim, eu acho que ela tava na casa dos R$1.000. Pô, é lindo o jogo, é isso, ele vale os R$1.000 como um item de colecionador, mas o jogo vale R$1.000, entende? Assim, a repetitividade do jogo vale. Eu não sei, é complicado o que eu tô falando, cara.
Eu acho que é muito, eu acho que no momento em que a gente começa, a gente tá entrando, a gente entrou na real, né? No range onde é completamente aceitável que um jogo custe mais de R$1.000. E como um jogo, você pensando como game design, não só como colecionável, a gente entra num espaço onde um jogo como esse ele não pode errar. Na minha cabeça é assim, não, senão tu vai ficar putaço, acabou. Eu nunca mais vou comprar a porra desse jogo desse cara porque eu tive uma merda.
Eu queria só deixar dito o fenômeno que acontece que acontece, que é o fenômeno do eu não posso ter feito merda. Então se você compra um jogo de R$1.000, se você compra uma garrafa de vinho de R$500, meu irmão, esse vinho vai ser gostoso, ela vai ser boa, né? Vai ter gosto de vinagre podre, você vai falar notas requintadas, frutadas de vinho podre, sabe? Porque você tá assim, meu irmão, isso vai ser bom demais, você tem que, você não pode aceitar que você jogou fora esse dinheiro, sabe?
Ter que tomar cuidado com isso. Eu só queria diferenciar Twilight Imperium de Gloomhaven. Como que é o jogo repetitivo, repetitivo muito entre aspas, né? E o Gloomhaven é uma escalada. Para mim, esses que são escalada me dá uma sensação mais de tá bom, tá bom, aí pode ir mil reais.
O valor ele vai ser, tá, entendi, porque você tá sempre jogando uma parada nova, é com aventuras diferentes. Entendo você ter colocado, não acho que seja o suficiente para para definir, mas é interessante, cara, interessante.
Porque isso na minha cabeça, mas é isso, o Twilight Empire não tem igual. Você pode até querer comprar o Eclipse, que tem umas nuances parecidas, joga mais rápido, mas Eclipse é R$1.000 também. Então assim, estamos no mesmo mundo, né?
E a gente está falando dessa parada de um ponto de vista da nossa realidade brasileira. E cara, tu não vai me ouvir dizendo que o Brasil é um estado de merda porque eu não acho que esse tipo de coisa, não acho que seja essa pegada. O que eu acho é que nós temos coisas que temos que correr atrás, ainda tem uma discrepância gigante entre as paradas lá fora. Você percebe que a maneira como as pessoas lidam com jogos de tabuleiro, ela é diferente.
E um dos motivos não é só o fato dele ser mais acessível, mas quando a gente fala de acessibilidade, a gente tá falando de é menos custoso para um indivíduo adquirir um jogo de tabuleiro. O valor de $29 $50 do caralho, é algo que cabe dentro de um orçamento mensal de uma família com muito mais facilidade do que 800, 600, 1.000 reais que a gente paga aqui, que é metade, um terço, quiçá, o, porra, um salário mínimo, sabe qual é, uma integralidade de uma parada.
Então assim, enquanto lá fora o jogo ele é utilizado como uma, você usa a sua reserva de entretenimento para poder jogar, Aqui no Brasil não funciona desse jeito. A gente gasta mais, a gente se endivida para poder ter acesso àquela parada. Então não era para ser um artigo de luxo, não era para ser uma—
eu acho que item de colecionador é um bom nome. Sabe por quê? Item de luxo é uma parada que assim, nesse significa caro. Item de colecionador significa que para você colecionador aquilo faz sentido, aquele valor. Você tá em busca de— é porque eu entendo o lado do jogo também, tá? Mas é isso, é, você jogou todos os jogos que estão na sua estante? Você jogou todos os jogos que estão na sua estante 10 vezes?
Não.
Então é porque tem uma componente colecionador também, e eu não, eu não recrimino, tá? Eu acho maneiro. Eu só tô dizendo assim, porque ir para o próximo jogo— só que assim, aí quando começa a ficar coisa de colecionador e tudo mil reais, começa também inviabilizar, né?
É engraçado, eu respeito tu botar como colecionador porque eu entendo de onde você tá tirando isso, mas eu não concordo com essa nomenclatura porque acho que a gente restringe a uma parada que não seria correta na minha maneira de ver.
Nem todo mundo coleciona, né? Exato. Tem gente que eu quero só jogar e tá tudo bem, né?
E assim, quando a gente fala de colecionar, a gente fala de uma parada quase contemplativa. É óbvio que existe pesquisa, estudo, existe um relacionamento, não é nostalgia, mas existe um relacionamento com aquilo que você coleciona pessoal, onde aquilo te afeta de alguma maneira. Positivo ou não, sei lá, mas tem essa relação. No board game também tem, mas ainda assim o ponto inicial é, por mais que eu não tenha jogado todos os jogos, por mais de 80% de tudo que eu tenho, eu não tenho os jogos porque eu não vou jogá-los, eu tenho porque eu vou jogar.
Da mesma forma que eu compro livro, claro, eu vou, eu quero, eu quero, tipo assim, cara, o preço tá bom, eu preciso aproveitar essa oportunidade porque esse jogo vai sair, vai sair de linha. "Porque esse jogo vai acabar." A gente tá falando de produtos que são finitos. E finitos não só porque a árvore vai morrer e tal, é porque eles vão deixar, daqui a pouco vai acabar esse lote. E pode ser que ele fique out of print durante anos, não sei. Então existe uma urgência dentro da compra, e certo jogo—
Isso é a parte que eu acho mais horrível, que você fala assim: "Eu não, não, depois eu vou esperar baratear." E aí parece: "Tãn, nunca mais." E aí, acho que aí o pensamento maquiavélico do mercado e olha para esse lado e mexe com fomo.
E aí começa a fazer lançamentos e compra lotes menores, fazendo coisas menores para poder manter um custo mais alto, para um custo, um valor mais alto de venda, para lucrar mais. Tem várias estratégias que o mercado ele pode manipular para fazer com que trabalhar com teu fomo, que é aquela parada. Eu até me pergunto, outro dia tava pensando sobre isso, se o fomo, se essa urgência que a gente tem, ela está inserida dentro de um planejamento de game design.
Por exemplo, na hora que você lança uma parada básica, você vai lançar expansões, você meio que já avisa isso, você cria essa expectativa, deixa essa ansiedade com o público de que isso vai acontecer. Esse planejamento já pode ter vindo do game design, sabendo que essa parada tá chegando.
Vou te dar um exemplo, é aquele que veio o G.I. Joe, que veio G.I. Joe e Power Rangers. Depois eles começaram a anunciar que vai vir Thundercat, headsets. Depois chegou uma coisa meio assim, e vai ter integração entre eles. E aqui que ele tá falando assim, meu irmão, tenha todos os, tenha todas as caixas. Aí você fica, mas assim, nem tem nenhuma garantia de nada, sabe? É só você tipo, ah, eu quero, né? É assim, esse hobby tem inúmeras armadilhas, e essa armadilha do eu vou ter tudo, ou no futuro vai vir isso, essa eu acho que é uma que ninguém deve cair.
Eu acho que a gente precisa lembrar que, apesar de eu ter falado de item de colecionador, a principal coisa dos jogos de tabuleiro são jogar. O jogo tem que mexer com você, você tem que ser jogável, sabe? Você tem que jogar aquilo. Eu acho assim, por mais que eu seja adepto da coleção, eu não gosto da ideia de ter um jogo na estante que nunca foi jogado, sabe?
Que aí é frustrante, e dá gatilho. Tipo, quando eu disse, cara, 80, eu já joguei mais de 80% dos jogos que eu tenho. Para mim é uma dor olhar para esses 20%, menos 20%, é, porra, ver eles ali, caralho. E eu não jogo não é porque eu não queira, é porque eu não tenho às vezes o grupo, não tem o tempo, que são normalmente jogos mais pesados e tal. E aí, porra, eu fico nessa, caralho, porque tem que ver, tem que achar um grupo, não sei o quê. É uma coisa que atormenta. Vai andando.
Não, você tá falando isso agora, eu tô pensando assim, cara, 'Como é que eu vou fazer para incluir aquele jogo?' Sabe? 'Como é que eu vou jogar?' Porque assim, tipo, tá brabo assim. Eu tenho um jogo aqui na minha estante que é o John Company, segunda edição. Esse é aquele jogo que eu falei que no manual tá escrito assim: 'Prepare um café e separe uma horinha para a gente só fazer a introdução do manual,' sabe? Nesse nível. E esse assim, eu quero, mas esse eu preciso assim montar o grupo Sabe, esse eu comprei porque saiu uma mega promoção.
Eu falei assim, meu Deus, eu quero! Agora me dá angústia de saber que ele tá ali, tipo, oi André, e aí, quando é que a gente vai fazer isso?
Sabe, cara, esse tipo de jogo é muito maneiro porque eu sempre olho para esse tipo de jogo e penso que na ideia do Wizard of the Coast para o D&D, eles gostariam que todo jogador de D&D comprasse o Player's Handbook, né? A ideia deles é isso, ó, o Player's Handbook todos os jogadores têm porque você vai criar o seu personagem. O DM, o Master Guide, né, o guia do mestre, só o mestre tem. Então o DM tem que ter o guia do Player Handbook, o DM Guide e o Monster Manual, Monster Manual.
Isso é coisa do DM. Agora o jogador é só o Player Handbook. Só que a realidade é: existe um Player Handbook que é do mestre, a maioria nem tem o livro do mestre, e o Monster Manual. Tipo, acabou. E aí esse jogo é tipo isso. O ideal seria que todo mundo chegasse com o seu próprio manual, tendo lido as regras, todo mundo aprendeu sozinho e sentou para jogar, o que não vai acontecer. Não, porque vai ser só uma pessoa passando 3 horas ensinando uma parada e não vai jogar, porque a galera fala: ai, muito cansativo, ai, não queria ler, tinha muitas páginas.
Olha, eu acho assim, claro que não tem regra, claro que cada bolso tem o seu tamanho, claro que cada um tem suas prioridades. Eu acho só assim, eu me preocupo com essa coisa quando o mercado começa a entender que nós estamos disponíveis para pagar mais e a gente vai aceitando pagar mais. Eu vi, alguém postou lá no nosso Discord um vídeo daquele No Pun Intended, o cara explicando os custos reais de miniatura, que ele explica que miniatura na prática é mais barato que papel.
Para você ter um jogo com muita miniatura é mais barato que ter um jogo com muita carta. Veja o vídeo, tá lá, eu vou botar o link também nessa descrição. E mas a gente enquanto público, que que a gente aprendeu? Miniaturas valem mais. Então se você fala assim, pô, jogo tem muita miniatura, ah, então tudo bem, o preço ser mais caro. E aí essa noção de valor que a gente tem, se ela é de verdade ou não, eu sei que ela é entre aspas manipulável, tá?
A gente vai comprar, não, mas é porque o papelão é bom, sei lá, sabe, ele tem gramatura maior ou ele tem dupla camada. Claro que aumenta de fato o preço. Agora o quanto que a gente tá pagando, eu não sei. Dito isso, eu acho que é o nosso hobby, ele é o nicho do nicho. Nós gostamos de jogar e nós gostamos de jogar jogos de tabuleiro. Então acho que não tenha vergonha de gastar o dinheiro que você guardou para isso. Eu acho que isso é o que a gente faz.
E ah, mas é R$1.000, cara, se tá tudo bem, se tá todo mundo alimentado na sua família, não tá ninguém doente, tá tudo ok, e aquilo ali é uma parada, vai lá agora, foda-se.
As pessoas estão passando fome porque não tem dinheiro, né? Só que, sacanagem, sacanagem. Caralho, fiquei me sentindo mal. Mas peraí, tu nunca ficou com peso na consciência de ter comprado jogo caro?
Sim, mas isso aí você vai entrar na questão da desigualdade social com tudo. Fiquei com peso na consciência por ter um carro maneiro, fiquei com peso na consciência por ter um iate, por ter 3 casas em Mônaco, por todo final de semana assistir Fórmula 1 ao vivo. Eu tenho peso na consciência com essas paradas.
Ah, porra, tu tem consciência? Porque