A esperança em Santa Marta e o temor de um novo El Niño
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Olá, bem-vindo e bem-vindo a mais um Bom Dia Fim do Mundo, gravado diretamente do estúdio da Agência Pública em São Paulo. Eu sou Ricardo Terto e neste podcast a gente traz conversas que buscam transformar a apatia em inquietação, sem derrotismo, mas também sem negacionismo. No episódio de hoje, a possibilidade da chegada de um super-Euninho levanta o alerta. Nossas cidades estão preparadas?
O que acontece? Aqui na Paraíba, cerca de 37 mil paraibanos foram afetados pelas chuvas. E essa rua aqui, para vocês terem ideia, as pessoas para saírem de casa utilizaram esse bote aqui. Até fiquei preso aqui. Me ajuda aqui, amigo. A gente vai conversar sobre as chances reais desse fenômeno climático e as preocupações que ele levanta. E a Giovanna Girardi ainda traz um panorama de como foi a primeira conferência internacional para a transição para longe dos combustíveis fósseis, realizada na Colômbia.
Mas pensemos que este não é o final, mas o princípio. O início de uma nova democracia climática global. Tudo isso agora, no Bom Dia Fim do Mundo. Começando então este primeiro bloco, deixa eu cumprimentar aqui minhas colegas do Fim do Mundo. Primeiro, Giovanna Girardi, surgiu aí da Colômbia, né? Enquanto a Shakira, a colombiana, estava aqui no Rio de Janeiro, estava lá na Colômbia. Bom dia, Giovanna.
Bom dia, Terto. Bom dia, Marina. Tudo bem, pessoal? Tô animada. E você, Marina Amaral? Bom dia. Bom dia, Terto. Bom dia, Giovana. Vamos lá, então. Giovana, acabei de comentar que você estava na Colômbia na semana passada. E na semana passada foi o ar a entrevista que você fez com o Carlos Nobre, diretamente da Conferência Internacional para a Transição para Longe de Combustíveis Fósseis, sinomão, que aconteceu em Santa Marta, na Colômbia.
É sempre muito bom ouvir o Carlos Nobre, né? Que traz aí a sua visão contundente dos desafios que a gente tem enfrentado. Mas seria legal a gente começar esse episódio entendendo um pouco mais de como foi essa conferência em si. Conta pra gente, por favor.
Claro, certo. E realmente ela tem esse nó mão aí, né, que complica um pouco explicar, mas eu acho que ela trouxe, foi uma tentativa de ter uma novidade mesmo nesses processos de negociação climática, né. Como disse a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, a Irene Vélez Torres, estava ali se criando uma nova democracia climática global.
A Irene, aliás, é ótima frasista, então, ela sempre enquadra a coisa de um jeito muito inspirador. E ao contrário do que acontece nas conferências do clima da ONU, as COPES, né, como teve a COP30 em Belém no ano passado, o objetivo ali não era abrir uma negociação.
Uma coisa que a gente já sabe que meio chegou no limite, né? Como a gente até viu em Belém no ano passado. A economista brasileira Ana Tone, que foi a diretora executiva da COP30, ela tava lá, eu conversei com ela, e ela fala, né, que ela resumiu assim que a ideia ali não era ninguém brigar, não era ninguém tentar convencer ninguém, porque todo mundo que tava em Santa Marta, né, na Colômbia, onde foi essa conferência,
estava ali muito ciente de que é preciso, aliás, pôr em ação a tal da transição para longe dos combustíveis fósseis para, de fato, o mundo conseguir derrubar as emissões de efeito estufa e, assim, conter o aquecimento global, né? Então, o objetivo desse encontro, que foi liderado pela Colômbia e pela Holanda e que reuniu representantes de 57 países, era tentar debater esse problema com serenidade, com honestidade, inclusive. Aquela coisa de... A gente brincou tanto ano passado de enfrentar um elefante na sala, né? E...
olhar pra esse elefante na sala e falar beleza, o que a gente vai fazer com esse bicho agora? Com quem já tá preocupado com isso, já tá de fato interessado. Com quem de fato já tá embarcado nessa história de que precisa acabar com os combustíveis fósseis, né? Como resumiu bem o Claudio Ângelo do Observatório do Clima ali não era se a gente vai abandonar os combustíveis fósseis, mas como?
O que a gente precisa resolver internamente em cada país para não ser mais tão dependente de petróleo, carvão e gás, seja em termos fiscais, seja na oferta de empregos, seja até, em última instância, em pensar mesmo em novos modelos econômicos. Quais que são os gargalos? Quais que são as soluções possíveis?
Então, quem estava lá estava tentando pensar sobre isso, né? A gente sabe que apesar de as COPs hoje serem o espaço formal onde esse tipo de ação é definida, né? Você tem ali quase 200 países do mundo negociando. Foi assim que a gente chegou, por exemplo, ao Acordo de Paris, que é, de fato, o grande marco que existe hoje para combater mudanças climáticas.
É o Acordo de Paris que falou, a gente precisa se esforçar para conter o aquecimento do planeta em no máximo um grau e meio. Essas decisões todas, elas acontecem no nível da ONU. Mas a gente percebe, e de fato foi por conta dessas decisões que a gente vê um aumento muito significativo que a gente teve no mundo de energias renováveis.
Só que a gente ainda não está vendo uma substituição dos combustíveis fósseis pelas renováveis. A gente ainda vê que as emissões de gás carbônico, de CO2, apesar de terem desacelerado...
desde 2015 pra cá, né, quando o acordo foi fechado, elas ainda estão batendo recorde ano a ano e o planeta tá ficando mais quente e mais rápido, o que é mais preocupante. Porque nem os cientistas previam que ia ser tão rápido o aquecimento como a gente tá vendo. Então, quer dizer, é na mesma velocidade que a gente tá vendo o planeta aquecer que, na verdade, a gente precisaria estar vendo a transição acontecer, né?
Por isso que se considera que é tão necessário que os países comecem a traçar seus caminhos para abandonar os combustíveis fósseis. Em Belém, no ano passado, como a gente já falou aqui no programa, não houve um acordo nesse sentido. Na Colômbia, talvez a gente tenha começado a ver um começo disso, né? Isso foi pensado depois de Belém? Ou já estava planejado antes?
Quando terminou Belém, já lançaram a ideia de ter essa conferência de Santa Marta. Lá, inclusive, essa Irene Vélez Torres, que eu citei no começo, ela lá falou, então, daqui a alguns meses, a gente vai ter uma conferência na Colômbia para tratar desse assunto. E aí, uma coisa que chamou a atenção também, que eu acho que é interessante, que mudou nesses últimos...
cinco, seis meses de Belém pra cá, é que aconteceu a guerra no Irã, né? Que tanto a gente falou aqui. Então, se é que a gente pode usar aí as palavras positivo e guerra numa mesma frase, é que a guerra escancarou que a dependência dos combustíveis fósseis não é só um problema climático, enfim. Todo mundo que nos escuta que sabe disso de core salteado, mas foi legal ver os países trazendo isso nas falas deles.
Então, todos eles falando, a gente sabe que lidar com combustível fóssil vai garantir uma segurança climática, mas também uma segurança econômica, uma segurança energética. É uma questão de paz, né? E eu achei que isso apareceu de modo muito expressivo lá na Colômbia. Ali estava mais todo mundo que concorda, né? Entre si.
Eu fico pensando se a gente consegue pensar num avanço concreto desse encontro, se essa aliança aí traz alguma coisa mais prática, né? Porque a gente sabe que há um lado aí. Exato, Marina. De fato, tinha ali, além de Colômbia e Holanda, mais 57 países. E todos eles, em algum momento, ou eles tinham se comprometido com essa ideia de fazer um mapa do caminho.
ou eles já tinham dito que eles concordavam, que eles estavam acelerando suas transições energéticas, eram países que já tinham se comprometido de alguma maneira. Você não teve ali, por exemplo, Estados Unidos, óbvio, né? Nem seria convidado mesmo, mas também não tinha Rússia, não tinha Índia, não tinha nenhum país árabe grande produtor de petróleo e não tinha, por incrível que pareça, chamou atenção, não tinha China.
Que a China, por mais que... Até um pouco da diplomacia da China, né? A China não se compromete com esse tipo de coisa, virar e falar assim, eu vou acabar com os combustíveis fósseis. Por outro lado, a China é a campeã de transição energética no mundo. Então, assim, considerando isso tudo, eu acho que é importante. E, de fato, o que saiu de lá, até porque não era uma coisa no âmbito da ONU, era tipo um encontro, é uma coalizão dos dispostos, uma coalition of the willings, como disse a Irene Velhos Torres.
Então, não saiu de lá um acordo vinculante, não é um tratado. Talvez seja isso mesmo que ela falou, né? Uma arquitetura política nova, né? Uma democracia climática nova, como ela falou. Que é uma tentativa mesmo de pôr os pratos todos na mesa e olhar para eles e tentar organizar esse jogo. Foi uma semana de debates, dois dias com representantes dos países mesmo lá discutindo. E ao final eles falaram, isso aqui é um primeiro passo.
No ano que vem vai ter uma segunda conferência, que vai ser em Tuvalu, Paísilha, no Pacífico. Olha, ano que vem vai valer a pena ir nessa conferência. E Tuvalu, assim, foi até interessante, porque eles querem ir pra Tuvalu, que é o lugar que, né, assim, um pouco mais que subir.
O nível do mar, eles desaparecem. Exatamente. Então, eles querem levar a conferência pra quem tá no... Literalmente, ali no olho do problema, né? E aí, eles estabeleceram, então, isso, né? Um cronograma, vai ter uma nova conferência e estabeleceram, tipo, umas forças tarefa.
que é a ideia de colocar aqueles países que estavam ali para trabalhar, né? Para mostrar a que eles vieram. Então, a primeira coisa que esses países combinaram, eu não posso dizer que eles se comprometeram, porque acho que talvez seria muito forte, mas eles meio combinaram que cada um vai fazer os seus próprios mapas do caminho.
E aí, por exemplo, houve a sugestão de que isso seja integrado àquelas NDCs, que são as metas que cada país tem junto ao Acordo de Paris. Porque, por exemplo, hoje um país que só exporta petróleo, está até tentando internamente fazer a sua transição energética, fala que é limpinho, mas exporta todo o petróleo. Quem que conta essas emissões? Eles acham, por exemplo, que isso tem que ser contado no país exportador, porque aí ele precisa controlar, por exemplo, a sua produção.
Outra força-tarefa que eles combinaram é para tentar analisar as dependências macroeconômicas e a arquitetura financeira. Então, por exemplo, a existência de subsídios, o endividamento dos países, como que um país vai fazer a transição energética se ele está devendo. Enfim, colocar isso tudo que no final das contas é muito crucial.
E uma terceira tentativa ali de falar realmente sobre essa relação entre produção e consumo e criar o que eles chamaram de sistemas de comércio livres de combustíveis fósseis. Não ficou muito claro como seria isso, mas um pouco essa ideia. Eu acho que se esses mapas do caminho saírem desses 57 países...
pode ser um sinal aí, uma prova de sucesso dessa conferência, né? E só pra gente ver como isso é difícil, todo mundo vai se lembrar aqui, os nossos ouvintes, que depois que acabou a COP de Belém, o presidente Lula foi lá e falou, não, no Brasil a gente vai ter um mapa do caminho, né? A presidência da COP falou que ia tentar fazer um modelo global e tal, mas isso paralelo às conferências, mas o Lula falou que nacionalmente a gente ia ter um mapa do caminho.
encomendou isso pros ministros da Fazenda, do Ministério do Meio Ambiente, Energia. Já se passaram também quatro meses aí e até agora o nosso não saiu. Então, dá pra ter uma ideia de que não é tão simples assim, né? Tem gente que fala, por exemplo, que talvez devesse ter um novo tratado. Um tratado pra não proliferação de combustíveis fósseis. Uau!
Seria incrível, né? É, seria feito como das armas nucleares. Precisamente, Marina, essa ideia de, bom, a partir de agora não vai ter novas explorações, né? Mas nenhum país adere a essa ideia. Em geral, eles falam, a gente já tem o Acordo de Paris, é pra isso que ele serve. Lá, no balanço global que foi feito do Acordo de Paris em 2023, na Copa de Dubai, foi já incluída essa necessidade de fazer a transição pra longe dos combustíveis fósseis, só bastaria por em ação. Enfim.
Tá tudo sendo muito rápido. A transição, ela precisa ser mais rápida. Pois é, Giovanni, não é por falta de aviso, né? Eu tava lembrando aqui que esses dias viralizou uma imagem de umas pessoas que estavam numa praia em Bertioga, aqui no litoral de São Paulo, e surgiu uma nuvem bizarra, né? Então, vários vídeos de uma nuvem meio bizarra, com formato meio esquisito, que dava até uma ilusão de ser um tsunami, uma onda gigante. E aí teve até gente que apelidou essa formação de nuvem do fim do mundo. Então, eu acho que é a natureza nos dando sinais.
E por falar, enfim, do mundo, né? A gente tem uma incógnita aí pro segundo semestre, e é bem apavorante, que é a possibilidade da gente enfrentar, ou não, um elninho, aliás, um super elninho, como tem sido chamado por aí. Giovana, conta pra gente essa história de super elninho. Elninho já não é o suficiente, tem que ter um super elninho? Tem um pouco de alarmismo nisso? Isso é realmente algo provável, do que se trata?
Pois é, bom, sim e não, Terto. Acho que o que se sabe no momento é que, de fato, deve ter mesmo um elninho a partir da metade desse ano. A Organização Meteorológica Mundial, a WMO, divulgou um relatório no dia 24 de abril, falando que há uma probabilidade grande de acontecer um elninho, eles já estão vendo os sinais, a temperatura da superfície do mar ali na região do Pacífico Equatorial.
que é justamente onde o El Ninho começa, ela tá elevando muito rapidamente, o oceano tá ficando quente, então deve vir, e o El Ninho, a gente sabe, é um fenômeno natural, ele acontece de tempos em tempos, ele interfere nos padrões de chuva e de seca no mundo inteiro, os mais conhecidos aqui pra gente, é seca ali na região norte, em especial na Amazônia, e chuvas intensas no sul do país, acho que todo mundo vai se lembrar, a gente teve um El Ninho entre 23 e 24, e foi...
enfim, né, tudo aquilo que a gente viu aqui. Amazônia queimando, Rio Grande do Sul, alagado, né. Exatamente. E assim, só dois anos depois, né, então, também chama atenção aí, mas a periodicidade do El Ninho, ela não é muito certinha, assim, então. Agora, se ele vai ser forte, muito forte, se vai ser um super El Ninho, a verdade é que não dá pra cravar ainda.
A própria WMO, ela fala isso, olha, existem alguns modelos indicando, mas eles dizem que tem até uma questão a ver com a época do ano. Parece que agora é primavera, né, no hemisfério norte, e a primavera cria condições meteorológicas, que eu não vou nem me arriscar aqui a tentar explicar, mas que elas criam uma espécie de barreira para previsões meteorológicas. Então, eles dizem que essa barreira agora é muito difícil de você prever a intensidade desse alninho, mas que agora, já no fim de maio, talvez...
venha uma previsão mais, uma confiança maior na previsão. Vamos deixar para falar se vai ser euninho ou não no fim do mês. De todo modo, mesmo não sendo um super euninho, a gente precisa ficar preocupado, por quê?
Bom, 23 e 24 foi um exemplo bem ruim do que significa, do que é um elninho, quando a gente tem um planeta quente. Essa é a grande problema. Porque elninhos existem desde sempre, eles já causaram problema aqui a colar. Mas assim, a verdade é que o planeta hoje não é igual ao que elninho sempre foi, né? Ele tá vindo num planeta já aquecido.
É colocar mais lenha na fogueira, literalmente. Veja que 23, 24 teve esse elninho e 2024 foi o ano mais quente do registro histórico. Porque é como se uma coisa alimentasse a outra. Você já tem o CO2, efeito estufa, vem o elninho, o ano fica ainda mais quente e foi aquilo que foi. A gente teve, no ano passado, um ano relativamente mais comum.
Ele tinha tido uma laninha, que é o oposto do El Ninho, né? Então, em vez de aquecimento do Pacífico, você tem um esfriamento. Então, o mundo fica um pouquinho mais normal. Mas é isso. Seja como for, se vier agora um outro El Ninho, já tem gente imaginando que esse agora 26 pode já virar o segundo ano mais quente. Então, assim, seja como for, é pra se preparar.
Pois é. Falar nisso, né, com o Super El Ninho, ou sem, ou só com o El Ninho, a gente tem que se perguntar se a gente tá preparado, né, se as nossas cidades estão preparadas. É isso que a gente vai falar no segundo bloco, mas por enquanto vem a trombeta ou a super trombeta, logo depois da vinheta.
A gente está vivendo entre o saco de cimento que vira camarote VIP no show da Shakira e o ator decadente que vende curso de R$4.000 ensinando como a ser homem. Mas mesmo nesse mundo maluco, tem coisas que ultrapassam os limites da falta de sentido e lógica. Essa semana surgiu a notícia de que São Paulo foi escolhida a cidade mais feliz da América Latina pelo Instituto Happy City Index.
No site eles dizem que utilizaram 64 atributos para chegar a essa conclusão que me lembra o concurso O Maior Brasileiro de Todos os Tempos do SBT, que colocou Rodrigo Faro acima de Machado de Assis. Se você não é de São Paulo e quiser conferir, aqui vai um breve guia de experiências muito felizes da cidade.
Ficar quatro dias sem luz toda vez que bate uma brisa forte. Ser esmagado no corpo e na alma ao pegar o metrô na hora do rush. Pagar um valor obsceno de aluguel pra morar num cativeiro que dá de frente pra outro cativeiro. Fora a temporada de enchentes e vem aí ainda os telões com propaganda de bete que é pra não sobrar nenhuma serotonina viva no fim do dia. Nem vou comentar sobre o bolovo com recheio frio que eu acho que você que tá aí no Recife ou no Rio de Janeiro vai sair agora mesmo correndo da praia pra alugar um Airbnb na frente do Rio Pinheiros, não é verdade?
E eu vou correndo terminar essa trombeta antes que a gangue da bicicleta volte pra pegar meu celular. Que felicidade! E essa foi mais uma trombeta da semana. Um sinal do fim dos tempos e um sinal de que o bom dia fim do mundo só está na metade.
Eu saí de um show de Paul McCartney direto para o hospital. E essa é a história de como eu morri. Na balança, tive que me livrar de 58 quilos. E nesse sarapatel teve de tudo. Obesidade, ultraprocessados, canetas emagrecedoras. Uma investigação com rigor de ciência, mas toda trabalhada num temperinho pernambucano. Eu sou Ed Vanderlei e esse é o A Última Bolacha, o novo podcast narrativo da agência pública. Em todos os tocadores de podcast.
Começando então o nosso segundo bloco, e como sempre, fico convite para você seguir e assinar o Bom Dia, onde você estiver nos escutando, aproveitar e já curtir, compartilhar, e caso esteja nos escutando no Spotify ou na Apple, vale nos dar aquelas cinco estrelas que melhoram sempre a moral do programa nos algoritmos das plataformas. Comentários são sempre bem-vindos, e não se esqueça, continue sendo o nosso profeta do apocalipse, leve a palavra do Bom Dia Fim do Mundo para mais longe.
E no bloco anterior, a gente terminou falando sobre o El Ninho, ou o Super El Ninho, que pode ser um El Ninho mais potente e que pode trazer consequências graves. E como a gente já falou em vários outros programas, atingem majoritariamente pessoas que já vivem em áreas vulneráveis. Nós tivemos eventos climáticos extremos no Brasil nos últimos anos e fica sempre a pergunta se depois deles, algum tipo de programa sério para adaptação das cidades foi feito.
Acho que cabe a gente fazer um percurso, então, pelas áreas do Brasil, algumas áreas do Brasil, né, para tentar entender o tamanho do risco que estamos passando. Marina, alguma coisa tem sido feita? A gente aprendeu alguma coisa? Como é que está esse panorama? Então, Teto, eu vou falar das últimas chuvas, né, que a gente teve uma situação bem calamitosa aí a partir do 1º de maio, né, o dia do trabalhador. Inclusive, uma coisa terrível, que dois trabalhadores foram eletrocutados justamente num evento para trabalhadores na Paraíba, né? Quer dizer...
Ali é uma precariedade também de montar o evento, mas o que a gente vê é que vai para os lugares mais vulneráveis sempre e que não tem preparo. Vou falar de duas cidades do Nordeste que até receberam a visita do ministro da Integração.
nacional, porque foram cidades que teve um problema muito grande, Recife e João Pessoa, além de outros municípios. Mas, principalmente em Pernambuco, se concentrou muito na região metropolitana ali, bem na região do Recife mesmo.
Também choveu muito e teve estragos no Rio Grande do Sul, que ainda não conseguiu nem reconstruir o que foi destruído nas inundações de 2024, né? Por isso que por ali o próximo Eoninho, assim, se vai ser super ou não, tá bombando nas redes sociais, é só meteorologista falando nos jornais, porque o medo é que a tragédia se repita, até porque o plano de prevenção de enchentes, aquele plano...
Rio Grande, que eles fizeram, tá longe de ser concluído, né? Nessa semana mesmo, eu tava vendo, segunda-feira, o prefeito de Porto Alegre tava anunciando que vão acelerar as obras de prevenção no aeroporto, que não foram feitas até agora, e que ele diz que vai ficar pronto em fim de julho e agosto, né? Quer dizer, quando você vê o céu desabando por lá, é um pouco assustador, né?
Mas eu vou falar do Rio Grande do Sul mais pra frente, vou começar pelas chuvas do Nordeste, que já deixaram quase 6 mil pessoas desabrigadas na Paraíba e em Pernambuco, e mais de 10 mil desalojados, né? Aquelas pessoas que estão em casas de parentes e tal. Também morreram 8 pessoas até o momento. Em Olinda e Recife morreram 2 mães e 3 crianças pequenas, né?
E sempre o que? Desboronamento de casas, uma barreira que caiu em bairros vulneráveis. Então, você vê, na hora que acontece uma emergência, vem o povo lá, os políticos dão dinheiro, mas a situação estrutural continua.
Até porque essas duas cidades têm bacias hidrográficas importantes, né? O Rio Paraíba, que corta ali toda aquela área de João Pessoa, ele chegou a subir sete metros. Quer dizer, é uma coisa que não tem como não inundar ali. E Recife, que Recife já é uma cidade que é considerada vulnerável há muito tempo, né? Por quem estuda clima.
Então, Tandoec é uma das poucas cidades do Brasil que tem um plano de ação climática, foi aprovado em 2020, mas a crítica que se faz justamente é que não se determinou as áreas mais vulneráveis, nem se consultou a população daquelas áreas para fazer um plano. Então, é um plano genérico sobre a cidade, sendo que você tem pontos específicos em que a gravidade do problema é maior e que a adaptação é mais necessária.
Você vê, porque Recife é uma cidade que fica numa planície de inundação, já vem o nome, com três bacias hidrográficas importantes, o Capibaribe, Beberibe e Tgp. E ainda tem mais de 100 corpos d'água que cortam a cidade, canais, riachos, lagos, lagos, tem água pra todo lado, né?
E aí, esse risco de inundação é um dos apontados pelo plano de ação climática, assim como o calor, né? Que lá também chega a temperaturas muito altas. E o aumento do nível do mar, que é um problema de todo o litoral brasileiro, né?
Quer dizer, ela é uma cidade vulnerável ao clima estruturalmente, então você tem que olhar para ela e pensar nela assim. E aí você tem dois fatores que se repetem nas capitais brasileiras e que ali estão fazendo muito estrago, que é a poluição dos rios, o assoreamento.
por uma série de problemas urbanos, lixo, esgoto, desmatamento das margens e o confinamento dos mais pobres nas áreas de risco. Recife tem quase 30% da população vivendo em favelas, que ficam preferencialmente em morros, mangues e áreas inundáveis. Então, qualquer plano de adaptação já começa com um problema muito grande de prever moradias populares adequadas para um milhão de pessoas.
E a recuperação ambiental, pelo menos, né, em toda essa área inundável, poluída, né, rios, mangues, então é uma coisa bem grande. E no fim, o que fica é isso, chega lá, vem verbo emergencial pra cá, tem o plano de ação climática, as ações são muito lentas, né, parece que é isso, né, que os políticos chegam quando acontece uma tragédia e vêm liberar verbas, né.
A gente viu. Eu achei até uma maldade, de certo modo. Mas, né, que o pessoal colocou o Hugo Mota, que ele é deputado federal pela Paraíba, lá na área VIP da Shonda Shakira, dançando enquanto a Paraíba estava... Estava, né?
embaixo da água, 31 municípios atingidos, né? E ele até já saiu, daí logo anunciando verbas, e ele precisa tomar cuidado, né? Porque essa semana mesmo saiu essa investigação do TCU por uma emenda PIX de 18 milhões de reais que o Hugo mandou para seu papai, que é prefeito do município de Patos, o feudo eleitoral da família, né? Agora, Patos não está nessa lista dos municípios atingidos pelas chuvas, viu?
Pois é, Marina, fica parecendo meio um escárnio mesmo, né? E a situação é muito apreensiva. Agora, você falou na primeira parte aí da sua última fala sobre o Rio Grande do Sul, e realmente, quando a gente fala de chuvas, eventos climáticos extremos, não tem como a gente não lembrar daquelas imagens de 2024, né?
ficou para sempre marcada a nossa memória. Então, queria saber como é que está o Rio Grande do Sul agora, né? Como é que o Estado está lidando com a possibilidade de eventos climáticos estranhos? É, eles já enfrentaram chuvas muito fortes, né? No feriado e no fim de semana. Houve quatro mortes. Uma pessoa morreu eletrocutada, outra por uma queda de árvore. E aí, os pescadores, tinham quatro pescadores na Lagoa dos Patos, ali na região de Pelotas, e já encontraram o corpo de dois e dois estão desaparecidos, né? Então...
pode subir para seis. Não é uma chuva como aconteceu em 2024, né? Não é incomparável. Mas é aflitivo você ver novamente, na mesma época do ano, muita chuva e ainda mais com essa previsão do super eleninho, né? Então, os gaúchos, eles estão bem apreensivos. A gente vê que, além de tudo, não chegou a ser reconstruído o que precisava ser...
é construído na totalidade. Então, se cai novamente uma chuva, vai destruir o que ainda nem acabou de ser feito. Foram mais de 100 mil moradias destruídas no Rio Grande do Sul. Aí, os dados do governo do Rio Grande do Sul é que ainda há 500 famílias morando em moradias provisórias e centenas, que eles não dizem precisamente quantas, vivendo de aluguel social.
O governador Eduardo Leite, ele disse, ele mesmo disse agora, que entregou apenas 200 moradias das 2.500 planejadas. Caramba. E disse que vai correr e tal, mas ele só entregou 200 nesses dois anos, né? Ainda há também 42 escolas em obras, né? Eles tinham 164 que foram destruídas para reconstruir. A gente sabe, Ibi, isso aí é uma matéria da Folha essa semana, dizendo que 105 foram concluídas.
Então, sim, ainda tem 42 em obra e 17 que ninguém sabe o que aconteceu. E o sistema de prevenção de enchentes, que talvez seja o mais importante, né? Que pelo menos é o que os gaúchos estavam esperando. Não está funcionando bem em todos os lugares. Até os sistemas de alarme. Tem lugares que as pessoas receberam e falam, inclusive, que elas teriam passado muito mal se não tivesse esses alarmes como aconteceu antes. Quer dizer, já está fazendo alguma diferença.
mas eles ainda não estão funcionando totalmente. E em Porto Alegre, especificamente, lembra aquelas comportas que tinham que ter funcionado do Rio Guaíba, né? Em 2024, e na verdade se descobriu que o departamento que cuidava dessas comportas estava totalmente sucateado e nunca mais ninguém cuidou daquilo.
Então, eles replanejaram, não todas replanejaram para áreas específicas onde elas seriam importantes. Foram algumas, estão sendo reconstruídas, mas ainda não estão prontas. Então, se a chuva aumenta, elas ainda não estão prontas. E no caso dos diques, tem até uma situação de um planejamento errado mesmo. Eles eram o dique mais baixo do que precisaria, então estão tendo que refazer um deles.
E essas são só as obras de reconstrução. Porque se a gente for para prevenção, aí não tem nada. A Pública fez uma reportagem um ano depois da tragédia, em 2025, né? Falando desse plano Rio Grande, foi aprovado, tipo, 20 dias depois que começaram as chuvas, e não tinha nenhuma obra de adaptação prevista, nenhuma.
E nem de prevenção, a não ser essas contenções físicas, né? Mas não tem nada do tipo, você melhorar a situação onde as pessoas estão. Aquelas pessoas que moram nas ilhas do Guaíba continuam morando nas ilhas do Guaíba. Não tem remoção de gente. Não tem remoção de gente. O que eu andei lendo pela imprensa gaúcha é que a impressão deles é que se tiver uma chuva agora, eles vão estar na mesma situação, né? Então, a gente continua tendo que rezar pra São Pedro, né, gente?
Pra não chover e pra chover também, né, Giovana? Pois é, Marina. Exato, né? Porque o outro lado aí do risco do El Ninho é levar seca pra Amazônia, como a gente viu acontecer em 2024. Os rios chegaram aos menores volumes históricos, né? A gente teve aquele cenário de...
Comunidades isoladas, peixes mortos, botos mortos, as temperaturas altas demais. E o que foi mais visível foram os recordes de incêndios florestais. Uma análise recente do MapBiomas falou que a Amazônia registrou em 2024
A maior área queimada é na Amazônia desde 1985, né? Quando essa análise começou a ser feita. E mais de 15 milhões de hectares queimados, que era uma área 117% superior à média histórica de queimada por ano. E veja, em 2024, não foi o pior eleninho do registro. Considera-se que o de 1998 foi o pior.
Talvez a gente tenha ouvintes aqui jovenzinhos, mas 1998 foi um ano que queimou muito na Amazônia, mas não queimou como queimou em 2024. Por quê? Justamente por causa dessa combinação nefasta, né? Que a gente já falou aqui várias vezes, que é...
A Amazônia já foi muito desmatada, combina com as mudanças climáticas, com a terra mais quente, aquela região que é úmida fica mais seca e a floresta fica mais suscetível ao fogo. Então, quer dizer, mesmo se o El Ninho não é o mais grave, a Amazônia tá penando mais hoje, né? Porque o El Ninho, pra Amazônia, ele traz mais seca.
Então, vamos supor, essa previsão que a WMO fez, pode começar ali por volta da metade do ano, esse euninho começar a agir nos oceanos. Se começar por volta de junho, quando chega setembro, que é o mês em que historicamente a Amazônia já tem mais fogo, porque a temporada de seca, aí vai ser bem o pico, pode ser o pico do euninho.
E qual que é o cenário que a gente tem, né? Acho que igual a gente olha para as cidades e a gente fala que não tem adaptação, acho que é um pouco diferente, claro, quando a gente está pensando aqui em áreas de floresta, né? Não dá para pensar em adaptação do mesmo jeito, mas a verdade é que não deu tempo de recuperar. O que perdeu, e não foi só 24, né? 23 já tinha sido um ano também com bastante queimada, porque...
O El Ninho começa a atuar em 23, né? Foi pior em 24, mas ele já começava ali. Então, você tem dois anos seguidos de muita queimada. Estava conversando com a Erika Beringer, que é uma pesquisadora que é uma das grandes especialistas em fogo no Brasil, e ela disse que na academia os pesquisadores estão, de fato, acompanhando essas previsões com muita apreensão. Porque ela falou que o que acontece é o seguinte, essas áreas que, né, então passou fogo, queimou, você até pode não ter destruído a floresta inteira, né?
uma região de floresta, mas quando o fogo passa, ele causa mais ou menos uma mortalidade de cerca de 50% das árvores. Então, a gente está falando metade das árvores de uma área, né? Claro que a gente não está falando da Amazônia inteira, mas pegou ali, elas não morrem instantaneamente, mas elas vão morrendo. Aí você tem uma floresta...
Amazônica, que é uma floresta fechada, né? Quando você anda na floresta, ela é sombreada, porque ela é muito densa. Só que se você perde metade das árvores, esse docel se abre. O que acontece? Entra mais sol. Quando entra mais sol, aquilo que fica no chão da floresta, né? A serra pilheira, né? Que o pessoal fala. O sol vai ressecando isso. Outra coisa que acontece. Abriu esse docel, entra muito vento.
O vento também ajuda a ressecar esse material todo. Então, a situação hoje da floresta é que ela ainda é vulnerável a novos incêndios florestais. No ano passado, depois que teve esse pânico de 23 e 24, o governo intensificou muito as operações, tanto de prevenção quanto de controle. Tanto que, de fato, em 2025, a gente teve os números mais baixos de fogo depois de ter batido esses recordes de 24. Mas exatamente isso, assim.
Assim, acho que não dá pra falar que o governo não agiu porque de fato agiu, mas o clima colaborou, né? O clima foi favorecido no ano passado. A verdade é que a gente não tem uma situação de recuperação ainda pra segurar onda esse ano se o El Ninho vier forte, né?
E tem um outro ingrediente que eu acho que é importante a gente levar em conta aqui, e é legal a gente já começar a pensar nele agora, pra tentar evitar narrativas erradas aí daqui a alguns meses. A gente tem um ingrediente extra nessa combinação nefasta que eu tava falando, que são as eleições.
Vamos lembrar, segundo semestre de 2022, a gente teve uma explosão de desmatamento na Amazônia. Ali, segundo semestre de 2022, último ano do governo Bolsonaro, véspera da eleição, tinha muita gente desmatando naquela onda do bora aproveitar pra derrubar enquanto o governo é o Bolsonaro, porque a gente não sabe o que pode acontecer no ano seguinte.
E de fato, a gente teve o controle intensificado, a gente falou isso diversas vezes aqui, o governo tem aquela expectativa de fechar esse ano com a menor taxa de desmatamento da história, enfim, eles estão trabalhando pra isso. Só que o fogo é um instrumento muito mais fácil de usar, né? É muito mais fácil você botar fogo do que você desmatar.
Se tiver um el ninho, se a floresta tiver seca, enfim, acho que dá pra imaginar sim que a gente pode ver isso sendo usado, tendo um uso político, né? Tendo um, usar o fogo como um elemento político pra desestabilizar. Não seria a primeira vez, né? E não seria a primeira vez, de fato. É, bom, eu procurei o Ministério do Meio Ambiente pra ver se eles estão se preparando. Eles falaram que eles estão em reuniões constantes com meteorologistas.
vendo as previsões mais atualizadas para ir calibrando as ações, disseram que estão também se reunindo com outros ministérios, né, para ter ação interministerial, estão falando com os estados amazônicos, com os municípios, essa tentativa aí de articular ações conjuntas e também disseram que já contrataram mais brigadistas em relação ao número que tinha no ano passado. E também, assim, por exemplo, vocês veem que curioso, né, porque o ano passado, como teve pouco fogo, quando foi aprovada a lei orçamentária desse ano, entendeu? Obrigado.
o Congresso foi lá e diminuiu o orçamento para ações de prevenção e controle de incêndio. Eles já conseguiram recompor um pouco, porque começaram a ver essas previsões, já conseguiram recompor. Estão falando também que, óbvio, que se as previsões forem, aliás, se a expectativa da ciência for de que vai ser um super-eoninho.
eles vão tentar recompor mais, mas fica isso, né? Tem que realmente trabalhar muito agora pra prevenir, pra não deixar o fogo começar, porque se ele começa, e se tiver fogo, e se estiver seco de novo, olha, quero nem imaginar o que vai ser. É assim, né? Desculpa, gente, nunca trago boa notícia. É, e a gente termina o programa meio com uma... Mas enfim, tem que prevenir, né? A gente começou com esperança, Santa Marta, mas não adianta, né? A gente termina com inundação de um lado,
cerca do outro e entre nuvens de fim do mundo e nuvens de fumaça, seguimos, mas só na semana que vem, porque a gente vai ficando por aqui. Mas antes de ir embora, vale agradecer a nossa Arca da Salvação, que são as pessoas que contribuem com o programa de Aliados, que viabilizam mais uma temporada do Bom Dia Fim do Mundo. Para colaborar com tudo o que a Pública faz, acesse apoia.apublica.org ou faça um pix de qualquer valor agora mesmo para contato arroba pública.org. E aí
Agora eu me despeço daqueles mais colegas do fim do mundo. Um abraço, Giovana. Até semana que vem. Abraço, Terta. Até semana que vem. Tchau, tchau, Marina. Tchau, pessoal. Abraço, Marina. Até semana que vem. Até semana que vem, Tertos e gente. Semana que vem estaremos de volta, quinta-feira, às seis da manhã, em todos os tocadores de podcast no YouTube da Pública. Fiquem bem. Bom dia, fim do mundo.
Neste episódio, usamos áudios do canal Bande Jornalismo no YouTube e do perfil de Irene Vélez Torres, no X. O Bom Dia Fim do Mundo é uma produção da Agência Pública de Jornalismo Investigativo. Esse podcast é apresentado por mim, Ricardo Terto, e por Marina Amaral e Giovana Girardi. A gente também faz o roteiro dos episódios em conjunto com a diretora do programa, Sofia Amaral. O Pedro Vituri compôs a tria sonora do programa e a Beatriz Lago fez a nossa identidade visual. Edição e design de som são feitos por mim, Ricardo Terto.
A produção dos podcasts da Agência Pública é feita pela Estela Diogo com apoio da Thaís Santana e coordenação da Sofia Amaral A coordenação das redes sociais é de Lorena Morgana O vídeo para as redes é da Etienne Karen e a publicação no site fica com Guilherme Silva e Rafaela Ribeiro Se você gostou desse programa ajuda a gente a chegar mais longe compartilhando com os amigos e se quiser falar com a gente pode deixar um comentário ou nos escreva no e-mail