Autoridade disfarçada de Assertividade (e porque não funciona)
Recebes um email do teu chefe a meio da tarde. Uma linha, sem assunto: gostava de falar contigo ao final do dia. Mais nada. E o teu dia muda de cor ali mesmo. Se uma frase neutra consegue fazer isto a ti, imagina o que o teu tom, a tua cara e a tua pressa fazem todos os dias à tua equipa.
Este episódio é sobre o atalho mais caro da liderança: resolver problemas de pessoas com ordens. Funciona hoje, cobra juros daqui a seis meses, e a conta chega tão longe da compra que nunca ligas as duas.
Falo do mecanismo todo, por dentro:
. porque é que qualquer mensagem é carimbada com uma emoção antes de chegar à razão, e porque és tu o coautor desse carimbo sem fazeres ideia
. as três reações que confundes com personalidade: fuga, combate e apatia
. o dois em um que torna a ordem seca tão tentadora: resolve a tarefa e descarrega a tua frustração no mesmo gesto
. a assimetria que explica equipas apagadas: a energia do medo contagia-se como fogo, a do entusiasmo planta-se grão a grão e perde-se num sopro
. a escolha que quase nenhum líder quer fazer: teres razão ou teres resultados
E, sobretudo, a parte incómoda: a autoridade é um comprimido, não é uma dieta. Cada toma custa mais e rende menos, e o líder que a usa como língua materna passa a vida a replantar aquilo que ele próprio arranca nos dias maus.
Um episódio para quem lidera pessoas e sente a equipa cada vez mais tarefeira, com menos ambição no ar, sem conseguir dizer quando é que isso começou.
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