Episódios de Escuta Matricial

Intimidade não é fusão: Proximidade, diferença e presença na relação

11 de setembro de 202638min
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Durante muito tempo, aprendemos a imaginar o amor através da ideia de união: duas pessoas que se aproximam tanto que parecem tornar-se uma.

Esta imagem pode conter beleza. Podemos viver momentos de enorme proximidade, entrega, sintonia e comunhão. Mas o que acontece quando transformamos a fusão num ideal da relação?

Neste episódio de Escuta Matricial, proponho uma reflexão sobre intimidade e diferença:

  • O que acontece quando amar começa a significar querer o mesmo, sentir o mesmo ou precisar da mesma quantidade de proximidade?
  • Quando compreender o outro nos leva a deixar de reconhecer aquilo de que necessitamos?
  • Quando adaptação e desaparecimento começam a confundir-se?

Somos profundamente afetados pelas pessoas com quem nos relacionamos. Mas ser afetados não significa deixarmos de existir como experiência própria.

Falamos também de sexualidade, desejo, ritmos diferentes, limites, adaptação e da possibilidade de proximidade e distância participarem ambas de uma relação íntima.

Porque adaptar-me não significa necessariamente abandonar-me.

Compreender-te não exige concordar contigo.

E sentir algo no meu corpo não me oferece automaticamente uma verdade sobre ti ou sobre a relação.

No final, proponho uma pequena microprática para observar uma diferença presente numa relação importante, sem precisar corrigi-la, explicá-la ou decidir imediatamente quem tem razão.

Talvez intimidade não seja tornarmo-nos um.

Talvez seja permitir que a proximidade exista sem retirar dignidade à diferença.

www.anataboada.com

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