Intimidade não é fusão: Proximidade, diferença e presença na relação
Durante muito tempo, aprendemos a imaginar o amor através da ideia de união: duas pessoas que se aproximam tanto que parecem tornar-se uma.
Esta imagem pode conter beleza. Podemos viver momentos de enorme proximidade, entrega, sintonia e comunhão. Mas o que acontece quando transformamos a fusão num ideal da relação?
Neste episódio de Escuta Matricial, proponho uma reflexão sobre intimidade e diferença:
- O que acontece quando amar começa a significar querer o mesmo, sentir o mesmo ou precisar da mesma quantidade de proximidade?
- Quando compreender o outro nos leva a deixar de reconhecer aquilo de que necessitamos?
- Quando adaptação e desaparecimento começam a confundir-se?
Somos profundamente afetados pelas pessoas com quem nos relacionamos. Mas ser afetados não significa deixarmos de existir como experiência própria.
Falamos também de sexualidade, desejo, ritmos diferentes, limites, adaptação e da possibilidade de proximidade e distância participarem ambas de uma relação íntima.
Porque adaptar-me não significa necessariamente abandonar-me.
Compreender-te não exige concordar contigo.
E sentir algo no meu corpo não me oferece automaticamente uma verdade sobre ti ou sobre a relação.
No final, proponho uma pequena microprática para observar uma diferença presente numa relação importante, sem precisar corrigi-la, explicá-la ou decidir imediatamente quem tem razão.
Talvez intimidade não seja tornarmo-nos um.
Talvez seja permitir que a proximidade exista sem retirar dignidade à diferença.