Revisitado | 35. Esse nosso desejo de aprovação
Até que ponto o desejo de aprovação é saudável e quando é que passa a ser problemático? Quais são os sinais de que necessitamos da aprovação alheia, ou tememos a desaprovação, que é o outro lado da moeda? Equal seria o caminho para reduzir isso? Essas são algumas questões que exploramos neste episódio, originalmente publicado em maio de 2019. Vale a pena revisitar, é um bom complemento para o episódio anterior, em que exploramos a construção do nosso senso de valor pessoal.
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Por Regina Giannetti
Eu sou a voz e o coração que falam no Autoconsciente. Como mentora de vida interior, ajudo pessoas a viverem mais em paz consigo mesmas econectadas com sua essência. Ofereço retiros presenciais e mentorias online. Encontre-me na Comunidade Autoconsciente, uma comunidade on line para autoconhecimento, meditações guiadas e espiritualidade.
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- Hype e a busca por aprovaçãoOrigem do desejo de aprovação · Aprovação e bem-estar infantil · Necessidade de aprovação na vida adulta · Sinais de necessidade de aprovação
- Ego e ValidaçãoTodos têm que gostar de mim · Tenho que agradar para ser gostado · Tenho que fazer tudo certo · Não posso errar
- Validação e Criação PessoalTerapia cognitivo-comportamental · Prática de mindfulness · Desafiar crenças limitantes · Aprender a pedir ajuda
- Auto-perdãoAutoestima vinda de dentro · Autocompaixão e autocuidado · Coerência pessoal
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Nós estamos vindo de um episódio, o 186, em que o assunto foi no que é que nós baseamos o nosso senso de valor pessoal e vimos o quanto esse valor está condicionado à aprovação social. Depois eu pensei, puxa, nós temos aqui no Autoconsciente um episódio que explora bem a fundo essa necessidade tão humana de sermos aprovados pelos outros. Como é que isso surge em nós? Quais são as crenças que sustentam essa necessidade? Que comportamentos essas crenças nos levam a ter?
Sabe, tem uma grande contradição nessa questão da aprovação alheia. Nós buscamos aprovação para nos sentir bem, ou no mínimo nos sentir seguros, mas pagamos um preço por isso, não é? No nosso íntimo, a gente sabe quanto custa obter aprovação. Quanta energia é preciso investir para agradar, para contentar, para impressionar. Como é incômodo o conflito de querer uma coisa e fazer outra, pensar uma coisa e dizer outra. Aqui no nosso íntimo, a gente sente que a aprovação do outro é como um castelo de areia, é frágil, é algo que nunca nos deixa completamente seguros.
Que a qualquer momento pode ruir. Aí eu pensei: esse é um tema que merece ser revisitado.
E aqui está ele.
Para quem escuta um episódio do Autoconsciente pela primeira vez, muito prazer, eu sou Regina Gianetti e aqui a gente conversa sobre assuntos da nossa vida interior. O que você vai escutar a seguir é o episódio 35 do Autoconsciente, esse nosso desejo de aprovação, originalmente gravado em áudio. E se você gostar, deixe o seu like, siga o Autoconsciente e compartilhe o episódio com os amigos.
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No episódio anterior, a gente refletiu sobre a comparação social. Por que nos comparamos aos outros? Que papel isso tem no nosso desenvolvimento? E quando é que as comparações se tornam prejudiciais. Um tema que está muito relacionado à questão das comparações é este que vamos abordar aqui: o desejo de aprovação pelos outros. E vamos combinar, né, como esse desejo é estimulado pelas coisas do mundo, o mundo virtual das redes sociais, onde a gente posta as nossas fotos e comentários caça likes e loves e uaus, e o mundo concreto das relações pessoais, em que procuramos ser bem avaliados no trabalho, socialmente reconhecidos, correspondidos no amor, lembrados pelos amigos, compreendidos pela família.
Em princípio, ser aprovados, estimados, reconhecidos pelos outros tem um papel fundamental no nosso desenvolvimento emocional e social. É algo que traz satisfação, e permite criar um senso de autoapreciação. Mas, se a aprovação pelos outros se torna uma necessidade, uma carência, aí gera problemas para a nossa vida: ansiedade, baixa autoconfiança, dificuldades nos relacionamentos com os outros e, principalmente, no relacionamento conosco mesmos.
Até que ponto o desejo de aprovação é saudável E quando é que passa a ser problemático? Quais são os sinais de que necessitamos da aprovação alheia ou tememos a desaprovação, que é o outro lado da moeda? E qual seria o caminho para reduzir isso? Bom, se essas perguntas interessaram você, então escute aqui. Para começar, como sempre fazemos aqui no Autoconsciente, Vamos entender a origem das coisas. De onde vem o nosso desejo de aprovação?
Esse é mais um daqueles nossos comportamentos instintivos ligados à sobrevivência de que eu sempre falo aqui no podcast. Vamos lembrar que nos primeiros anos de vida, os seres humanos são totalmente dependentes do cuidado de outros humanos mais capazes. Se ninguém nos alimentar, nos proteger e cuidar, não sobrevivemos. Então, receber atenção, um sorriso, um carinho ou demonstrações de apreciação de algo que fizemos são sinais que o nosso cérebro interpreta como positivos, nos fazem sentir seguros e geram bem-estar.
Casualmente, eu encontrei um vídeo no YouTube que mostra muito bem essa relação entre aprovação e bem-estar. O vídeo mostra um bebê com cerca de 1 ano brincando de empilhar bloquinhos na sala de casa. Ele coloca um bloquinho em cima do outro e dá um sorrisinho maroto, como se estivesse dizendo: Oba, consegui empilhar um bloquinho! E aí, ele olha para os adultos que estão na sala e eles começam a aplaudir a façanha do bebê e dizer palavras de aprovação para ele.
E, quando é aplaudido, o bebê tem uma explosão de alegria. Ele grita de alegria, e quanto mais ele grita, mais os adultos aplaudem e acham graça. O bebê fica tão eufórico que perde o equilíbrio e cai sentado. É uma fofura o vídeo! Você pode assistir na página deste episódio no site do Autoconsciente. Mas o que a gente vê ali é a reação de prazer que a criança tem quando recebe a aprovação do seu círculo familiar. Nessa situação, o cérebro libera o neurotransmissor serotonina, que é uma substância que produz bem-estar, um baita bem-estar.
Na criança, essa sensação é muito intensa, e ela se sente motivada a repetir a ação que gerou a aprovação, para ter mais bem-estar e novamente obter aprovação, e assim por diante. A recompensa da aprovação é fundamental para o nosso desenvolvimento no começo da vida, para o aprendizado, para a aquisição de comportamentos socialmente adequados. Fica para nós um entendimento assim: as pessoas gostam de mim quando faço isso ou aquilo.
Nessa fase de formação, a aprovação também tem um papel na construção de um senso de autoestima. Ficamos felizes e satisfeitos conosco quando os outros demonstram apreciação por nós. É claro que as coisas não funcionam sempre do mesmo modo. Nem sempre os outros aprovam o que a gente faz, e nem sempre queremos fazer o que os outros aprovam. A gente começa a perceber que a aprovação dos outros tem certos limites e condições, e, de alguma forma, adaptamos os nossos comportamentos para continuar nos sentindo seguros.
Teoricamente, conforme a gente cresce e adquire cada vez mais autonomia, diminui a necessidade de aprovação dos outros, porque isso é cada vez menos vital para nossa sobrevivência. Até que chega um momento na vida em que somos donos do próprio nariz, independentes, autorresponsáveis, senhores das nossas escolhas, não é? Bom, talvez não seja exatamente assim. É bastante comum continuar tendo necessidade de aprovação em alguns aspectos da vida ou com relação a pessoas específicas.
E aí, por aprovação, adotamos certos comportamentos e atitudes. Por aprovação, deixamos de fazer o que gostaríamos de fazer. Por aprovação, fazemos o contrário do que gostaríamos de fazer. Quer ver alguns exemplos? Eu vou descrever agora 10 situações que estão ligadas à necessidade de aprovação. Não são as únicas, mas talvez aquelas bem típicas, para você refletir com que frequência elas acontecem na sua vida. Vamos lá! 1. Dizer sim quando você gostaria de dizer não.
Por exemplo, alguém lhe pede para fazer algo que você não é a fim de fazer, algo que pode te sobrecarregar, e mesmo assim você diz sim porque não quer contrariar a pessoa ou talvez queira contentá-la. 2. Se comprometer a fazer determinadas coisas para agradar ou socializar com os outros, sem avaliar se você pode mesmo fazer aquilo. Depois você fica numa sinuca de bico porque não dá conta. 3. Sentir-se arrasado ou extremamente preocupado com o que os outros vão pensar quando você erra, quando falha, quando recebe um feedback negativo. 4.
Não dar feedback por atitudes inadequadas ou uma fraqueza que o outro tem, mesmo que seja para o bem dele. Você deixa de dizer o que pensa por receio de como o outro vai reagir. Receio de que isso possa estremecer o relacionamento. 5. Concordar da boca para fora com a opinião ou a vontade do outro, enquanto internamente você discorda, porque você não quer se indispor com ele ou tem receio de como ele pode te interpretar. Você engole o sapo e não se posiciona. 6.
Mudar ou suavizar a sua opinião porque alguém discordou do que você disse. Você sente como se tivesse dado uma mancada e volta atrás, ou tenta consertar o que disse para amenizar a discordância do outro. 7. Dizer coisas que as pessoas gostam de ouvir, mesmo que o que você diz não seja totalmente sincero. 8. Pensar frequentemente em como você está sendo percebido, o que os outros estão achando de você.
9.
Fazer coisas com a intenção de chamar atenção, se destacar. Talvez seja com a forma de se vestir, de se expressar, de se comportar. Talvez seja com os conteúdos que você posta nas redes sociais. E 10. Orientar suas ações para obter o reconhecimento das pessoas, para ouvir que você é o cara. E aí você quer estar em todas, se envolver com tudo, saber tudo, acertar tudo, ter um nível de desempenho absurdo, ser impecável. Algo aí é familiar para você?
Se for, está tudo bem, sem julgamento. Primeiro, é preciso reconhecer para poder entender, e entender para então poder lidar. Há uma grande contradição nessa questão da aprovação alheia. Nós buscamos aprovação para nos sentir bem, ou no mínimo seguros, mas pagamos um alto preço por isso, não é? No nosso íntimo, a gente sabe o quanto custa obter aprovação, quanta energia é preciso investir para agradar, contentar, impressionar.
Como é incômodo o conflito de querer uma coisa e fazer outra, pensar uma coisa e dizer outra. No nosso íntimo, a gente sente que a aprovação do outro é como um castelo de areia, frágil, algo que nunca nos deixa completamente seguros, que a qualquer momento pode ruir. Ainda assim, continuamos buscando aprovação dos outros em alguns aspectos da vida. E por quê? Porque nesses aspectos nos sentimos vulneráveis. Temos medo da rejeição, do abandono, da falta de amor, do julgamento, do castigo.
Nesses aspectos não amadurecemos completamente e, de certa forma, continuamos fazendo o que fazíamos lá atrás, no começo da vida, quando dependíamos de outras pessoas e adaptamos o nosso comportamento às condições que elas colocaram para nos dar aprovação. Na origem desses comportamentos também vamos encontrar crenças que se formaram naqueles tempos em que dependíamos dos outros. E como a gente não tinha discernimento naquela época, porque éramos só crianças, essas crenças têm uma lógica imatura, não correspondem à realidade.
Por exemplo: todos têm que gostar de mim, eu tenho que agradar os outros para ficar bem com eles, eu tenho que fazer tudo certo para os outros me darem valor, o outro não vai gostar que eu discorde dele, eu tenho que fazer o que os outros esperam de mim, eu não posso errar, é melhor eu fazer o que os outros querem, As pessoas têm que prestar atenção em mim. Essas crenças são lógicas? São razoáveis? Correspondem à realidade? Vamos discuti-las sob a luz da razão.
Todos têm que gostar de mim. É realista esperar que todo mundo goste da gente? Não é. Nós também não gostamos de todo mundo. Da maioria das pessoas a gente não gosta nem desgosta, são pessoas neutras para nós, e elas vivem muito bem assim. E nós também podemos viver. Eu tenho que agradar os outros para eles gostarem de mim. Será mesmo? Pense nas pessoas de quem você gosta. Elas vivem te agradando? Você precisa disso para gostar delas?
Eu tenho que fazer tudo certo para os outros me darem valor. Será que o valor de uma pessoa depende exclusivamente disso? Pense em alguém para quem você dá muito valor: um colega de trabalho, um amigo, um parente. Ele sempre faz tudo certo? Eu não posso errar. É realista descartar completamente a possibilidade de um erro acontecer? Não é. Existe sempre a possibilidade de erro, até num computador que é programado para não errar.
Então, desencane. Você pode errar, sim. Todos podem. E, aliás, todos erram. O outro não vai gostar que eu discorde dele. Olha, isso é um pré-julgamento. Como é que a gente pode adivinhar como o outro vai receber uma opinião diferente? Ele pode nos dar razão, pode até agradecer. A reação do outro também pode depender de como a gente se coloca. Se for com respeito, com cordialidade, ele pode receber bem. É melhor eu fazer o que os outros querem.
Isso tinha sentido quando estávamos sendo educados e os outros nos davam ordens e limites, mas hoje as coisas são diferentes. Como adultos, temos o direito de escolher, de dizer não. Também somos capazes de negociar. Eu tenho que ter a atenção das pessoas. Olha, sendo muito realistas, as pessoas dão atenção ao que interessa para elas a cada momento. Com todos nós é assim, ainda mais hoje, quando mal damos conta da nossa própria vida.
É irreal esperar que as pessoas vão prestar atenção em nós quando queremos. E, na verdade, não vamos nos desintegrar por causa disso. Bom, a gente contemplou aqui só alguns exemplos de crenças. Existem muitas outras. Elas estão enraizadas num nível profundo da nossa mente e, mesmo sem termos consciência delas, influenciam os nossos comportamentos. Então, veja, diminuir a nossa necessidade de aprovação passa pelo reconhecimento das crenças que nos fazem buscar aprovação.
Existe a opção da terapia, que ajuda as pessoas a identificar as suas crenças e transformá-las. Uma abordagem muito usada é a da terapia cognitivo-comportamental. E um outro recurso é a prática de mindfulness. Com a prática, nós tomamos consciência dos nossos pensamentos. E crenças são pensamentos, certo? E além de tomar consciência, No mindfulness, a gente pratica se desidentificar dos pensamentos. A gente pratica observá-los com distanciamento, sem nos julgar por tê-los, e deixá-los ir.
Eu costumo dizer que pensamentos são apenas pensamentos. São interpretações da realidade percebida. Não são verdades absolutas sobre nós, sobre os outros, sobre a vida ou o que quer que seja. Eu vou até repetir para você não ter que voltar o áudio: pensamentos são apenas pensamentos, são interpretações da realidade percebida, não são verdades absolutas sobre nós, sobre os outros, sobre a vida ou o que quer que seja. Uma vez que a gente reconhece os nossos pensamentos e crenças, essas crenças que fazem a gente ansiar pela aprovação alheia, Uma vez que a gente se pega tendo esses pensamentos, podemos também trabalhar com eles da forma como a terapia cognitivo-comportamental trabalha.
Como exemplo, vamos imaginar que alguém tenha pedido algo para você, algo que é fora de propósito, que você sabe que vai te sobrecarregar, vai te complicar. Aí vem um pensamento assim: é, mas eu tenho que fazer. Eu tenho que agradar fulano para ficar bem com ele. Ou seja, o pensamento que vem é o da crença de que você tem que agradar para estar bem com as pessoas. E você, como uma pessoa autoconsciente, flagra essa crença na sua mente, obrigando você a atender o outro para agradar.
Muito bem, o que fazer então? Afirmar o que você está observando na sua mente naquele momento. Assim: eu estou pensando que preciso agradar o outro para ficar bem com ele. Dizer isso várias e várias vezes: eu estou pensando que preciso agradar o outro para ficar bem com ele. Ao fazer isso, você está reconhecendo aquele pensamento pelo que ele de fato é: um simples pensamento. Não é uma verdade absoluta, não é uma ordem que você tem que executar.
É só um pensamento. E na sequência, o que é que você faz? Nada. Não faz o que o outro pediu. Diz para ele: olha, eu sinto muito, eu não posso te ajudar com isso. Eu sei que vai dar uma dor de barriga não fazer algo que o outro pediu, depois de passar uma vida inteira querendo agradar as pessoas por aprovação. Mas no que depender dessas pessoas, elas não vão parar de pedir coisas. Ficaram mal acostumadas, né? Só quem pode acabar com isso somos nós.
Só nós podemos soltar a crença de que precisamos fazer tudo o que nos pedem para agradar. Olha, não tem outra maneira de nos libertar das crenças que nos mantêm reféns da aprovação alheia. É preciso desafiá-las. É preciso experimentar não fazer aquilo que sempre fizemos em busca de aprovação. Para ver o que acontece. E o que acontece é que a gente não morre porque não contentou o outro, não agradou, não recebeu atenção, não concordou com ele.
A gente não perde um pedaço porque disse o que pensa, porque disse não. Eu vou compartilhar uma história agora. Uma das minhas crenças era: eu não posso pedir. Eu tenho uma lembrança muito antiga de quando eu acredito que eu formei essa crença. Eu devia ter uns 10 anos e o meu aniversário tava chegando. Eu tava ajudando minha mãe a arrumar a cozinha e pedi pra ela uma bicicleta de aniversário. Ela me olhou e disse algo assim: Você sabe, nós estamos construindo uma casa nova e precisamos fazer economia.
Eu não sei se podemos dar a bicicleta agora. Eu lembro que eu fiquei sem graça. Eu senti que não deveria ter pedido um presente tão caro de aniversário, sendo que o meu pai estava sem dinheiro. Bom, chegou o meu aniversário e eu ganhei a bicicleta que eu queria, porque os meus pais sempre fizeram tudo e mais um pouco pelos filhos. Mas você acredita que eu não comemorei? Eu me senti culpada por acreditar que eu não podia pedir E por ter medo de ouvir um não, eu também comecei a achar que deveria conseguir tudo sozinha, sem ajuda de ninguém.
Quando eu entrei numa universidade pública, o meu pai me deu um carro. Eu estudei, me formei, me empreguei, comecei a ganhar dinheiro. Pra você ter uma ideia de como eu pensava, uns 2 anos depois, quando eu já tinha uma grana guardada, eu resolvi devolver pro meu pai o dinheiro que ele havia pago no carro. Gente, quem é que faz isso? Devolver um presente que o pai deu? Pois eu fiz, porque eu tinha a crença de ter que conseguir tudo sozinha, sem ajuda.
Tempos depois, eu passei por uma crise financeira e a alternativa mais ao meu alcance para sair daquela fase era pedir ajuda para o meu pai. Eu relutei muito em fazer isso, Me sentia muito desconfortável em pedir algo para ele. E o medo. Mas eu não tive alternativa. A necessidade financeira era maior do que o medo da desaprovação. Então eu tomei coragem e pedi ajuda para ele, o coração quase me saindo pela boca. E aí ele me olhou com serenidade e perguntou: de quanto você precisa?
Que alívio eu senti quando ele falou isso. Alívio por ele ter concordado e alívio principalmente por eu ter conseguido pedir. Foi como se eu tivesse cruzado uma barreira. Na verdade, uma barreira invisível que a minha mente criou. Quantas vezes eu devo ter deixado de pedir ajuda não só para os meus pais, mas para outras pessoas também, por acreditar que eu tinha que fazer tudo sozinha e por medo de ouvir um não. Eu nem imagino.
Bom, essa barreira eu rompi. Aprendi a pedir ajuda quando preciso. E vez ou outra eu ouvi um não, mas eu sobrevivi. Se o outro diz não, é porque ele não pode ou não quer. A resposta não é ao nosso pedido, não à nossa pessoa. E ainda que seja uma desaprovação à nossa pessoa, a gente não morre por causa disso. Agora eu convido você a refletir sobre a necessidade de aprovação na sua vida. O quanto ela tá presente? Em que situações ou com que pessoas ela está presente?
Eu transcrevi para página desse episódio os 10 exemplos de atitudes que temos por necessidade de aprovação, que eu citei aqui. E se você se sentir confortável, Deixe nos comentários da página o registro do que você faz para obter aprovação. Isso pode ajudar outras pessoas a reconhecer os padrões delas. E não se preocupe, é possível deixar um comentário anônimo, é só não estar logado no Facebook. Para acessar diretamente a página da internet, digite a URL que está na descrição desse episódio.
Olha, nós somos seres sociais e precisamos sentir que pertencemos a um grupo, nos sentir incluídos e ter relacionamentos saudáveis. E é legítimo a gente desejar ter a estima, o reconhecimento e o respeito dos outros. Até aí, tudo bem. Agora, nós não podemos depender da aprovação alheia para nos sentir bem conosco mesmos, nem que o outro nos dê valor para nos sentir valorizados, nem que o outro goste de nós para gostarmos de nós mesmos.
O que vem do outro é sempre bem-vindo, mas não basta para nos preencher. O que nos preenche é o que damos a nós mesmos. A autoestima tem que vir de dentro, tem a ver com nos apreciar como somos, nos respeitar, nos cuidar, ser coerentes conosco mesmos. Que você esteja bem. Um abraço.