181. Como entender um mundo complexo?
Como lidar com a complexidade da vida, que é imprevisível, que nos desconcerta com seus paradoxos? Isso está sendo difícil porque o nosso modo de pensar é simplificador, diz o filósofo francês Edgard Morin. Para lidar com uma realidade complexa, é necessário um modo de pensar complexo, que considera a profunda interrelação entre tudo e todos que existem no planeta – o que, também, nos permitiria viver mais em paz. Já está mais o que na hora de a gente começar a entender isso
== Um retiro para você desacelerar e se conectar com você mesmo: https://voceautoconsciente.com.br/retiro-vida-autoconsciente-2025
Por Regina Giannetti
Eu sou a voz e o coração que falam no Autoconsciente. Como mentora de vida interior, ajudo pessoas a viverem mais em paz consigo mesmas e conectadas com sua essência. Ofereço retiros presenciais e mentorias online. Encontre-me na Comunidade Autoconsciente, uma comunidade on line para autoconhecimento, meditações guiadas e espiritualidade.
Sobre meus trabalhos: https://voceautoconsciente.com.br/meus-trabalhos/
Livro citado neste episódio:
"Introdução ao pensamento complexo", de Edgard Morin
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- Pensamento ComplexoEdgar Morin · Teoria das Mudanças Aceleradas · Paradoxo do uno e do múltiplo · Pensamento simplificador · Inter-relação entre tudo
- Críticas ao Pensamento SimplificadorLimites do método científico · Fragmentação da realidade · Incerteza e imprevisibilidade
- Mudanças geracionaisRevolução Agrícola · Inteligência artificial · Mudanças sociais e políticas
Chega um momento na vida em que certas coisas não estão fazendo sentido. Aquilo que sempre nos motivou perde o brilho e ficamos um tanto perdidos. Se você se sente assim, eu te convido a fazer um retiro comigo. Um retiro para você vivenciar a conexão com o seu eu interior e ver a sua vida por uma perspectiva diferente.
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Isso está sendo difícil porque o nosso modo de pensar é simplificador, diz o filósofo francês Edgard Morin. Para lidar com uma realidade complexa, é necessário um modo de pensar complexo, que considera a profunda inter-relação entre tudo e todos que existem no planeta, o que também nos permitiria viver mais em paz. Já está mais do que na hora de a gente começar a entender isso, né?
Eu lhe dou as boas-vindas ao Autoconsciente, um podcast que fala de vida interior, a vida que a gente tem aqui com a gente mesma. Eu sou Regina Gianetti, mentora de vida interior, e a minha intenção é que ao terminar este episódio, você se sinta melhor do que quando começou.
O meu trabalho é ajudar pessoas a viverem mais autoconscientes, mais conectadas com a sua essência, mais em paz consigo mesmas. Eu dou mentorias online e retiros presenciais. Tem links para você conhecer meus trabalhos na descrição deste episódio, tá? Olha, o Autoconsciente é um podcast serial. Os episódios têm uma sequência em que os temas vão se aprofundando. Então, se você está chegando agora...
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Ultimamente eu tenho me sentido motivada a refletir e escrever para compartilhar aqui com você sobre o momento histórico que nós estamos vivendo. Como podemos entender o que estamos vivendo? Para passar por isso de uma maneira mais lúcida, talvez.
Na minha visão, isso também é assunto da nossa vida interior. Todos os seres humanos criam coletivamente a realidade que vivemos. E não criamos só de modo consciente, mas principalmente de modo inconsciente. Como dizia Jung, até você se tornar consciente, o inconsciente vai dirigir a sua vida assim.
e você vai chamar isso de destino. Isso vale para o indivíduo e para o coletivo também. Bem, no episódio anterior, o assunto foi a crise psicológica do homem moderno, segundo Carl Jung. E neste, o papo é uma crise de mentalidade, poderíamos dizer.
que nós estamos vivendo. O ponto de vista que eu vou apresentar aqui é que a humanidade, em geral, precisa de uma mudança do modo de pensar para entender o mundo altamente complexo em que vivemos e que se transforma rapidamente. Nós vamos explorar aqui algumas ideias do filósofo, sociólogo e antropólogo francês Edgar Morin, autor do livro Introdução ao Pensamento Complexo.
Ele aponta os limites do modo de entender o mundo que a humanidade adota há séculos, desde o surgimento da ciência clássica. É um modelo de pensamento que procura fragmentar e simplificar as coisas, fragmentar e simplificar a própria realidade. E isso não funciona para entender o mundo na sua complexidade.
Segundo Mohan, nós precisamos de uma verdadeira reforma no nosso modo de pensar, para poder lidar com as múltiplas dimensões das coisas, as contradições e incertezas da vida.
E mais do que isso, o entendimento da complexidade da vida nos elevaria à consciência de que está tudo interligado, de que há uma profunda inter-relação entre tudo e todos que existem no planeta, no universo, o que também nos permitiria viver mais em paz. Já está mais do que na hora de a gente começar a entender isso.
Nos últimos tempos, o mundo criado pela humanidade muda cada vez mais rápido. Mas a nossa mentalidade não acompanha as mudanças que nós mesmos criamos. É um ritmo muito acelerado, de grandes transformações, que mal dá tempo de a gente assimilar.
Mudanças no mundo sempre houve, mas no passado elas aconteciam tão lentamente que não eram percebidas no tempo de vida de dezenas, centenas de gerações. E pensar que nos primeiros 190 mil anos de existência da humanidade, as pessoas viveram absolutamente do mesmo jeito, como nômades caçadores-coletores.
Até que por volta de 10 mil anos antes de Cristo, nós começamos devagarinho a praticar formas rudimentares de agricultura e viver em lugar fixo. Até esse momento da nossa evolução, o progresso foi linear.
Mas a partir da Revolução Agrícola, o progresso humano passou a ser exponencial, ou seja, num ritmo de aceleração crescente. Só para dar um exemplo, da invenção da escrita, 3.500 anos antes de Cristo, a invenção da imprensa, no ano 1440, foram necessários 5.000 anos.
Da imprensa à internet foram 550 anos. Da internet à inteligência artificial generativa foram 30 anos. Veja que o intervalo entre essas grandes invenções foi encolhendo progressiva e drasticamente. Eu estou aqui me lembrando da minha avó linda, que viveu entre 1917 e 2010.
Ela se orgulhava de ter visto o surgimento do rádio, da televisão, do computador, da internet e do telefone celular. O mundo que ela deixou era espantosamente diferente daquele em que ela havia nascido. Em todos os aspectos sociais, econômicos, culturais, de costumes, de modo de vida.
Agora, olha para nós hoje. O que dizer do ritmo das mudanças que se desdobram diante dos nossos olhos hoje? E não apenas mudanças tecnológicas, mas também sociais, econômicas, políticas, geopolíticas, em todos os níveis.
E isso ainda vai longe. Como leigos, nós suspeitamos que ainda vai longe com a inteligência artificial na parada. E cientistas procuram estimar o quão longe. Na minha pesquisa para este episódio, eu topei com a Teoria das Mudanças Aceleradas, de Ray Kurzweil.
Ele é um inventor da área de tecnologia, escritor, e nessa sua teoria, ele se baseia no crescimento exponencial de complexidade dos circuitos eletrônicos para projetar o seguinte cenário, que no século XXI, nós não teremos a experiência de 100 anos de progresso, tá? Será algo mais parecido com 20 mil anos de progresso. Eu não consigo nem imaginar isso.
Com o nosso desenvolvimento progressivamente acelerado, nós tornamos o mundo e a vida altamente complexos. E a grande questão é que não sabemos, em geral, lidar com essa complexidade. Sequer entendemos essa complexidade. Complexidade que não é, na verdade, algo novo. É uma propriedade da natureza.
Nós não precisamos nem olhar para fora para concordar com uma natureza complexa. Basta olhar para o nosso corpo. Nós temos uma ideia da complexidade do nosso corpo. Sabemos que aqui dentro tem trilhões de células realizando suas funções ordenadamente, organizadas em tecidos que formam órgãos, que trabalham de forma interdependente para manter tudo funcionando.
O nosso corpo é, em si, um ecossistema que está inserido em um ecossistema ambiental que integra o ecossistema planetário, que, por sua vez, integra um sistema solar, que faz parte de uma galáxia, que faz parte de um universo, que tem ainda um nível subatômico. Olha a absurda complexidade disso. Novamente, é inconcebível, né?
O problema é que nós não olhamos para as coisas dessa forma, contemplando a sua complexidade. Historicamente, tudo sempre funcionou tão bem, sem a gente precisar se preocupar com isso. Era só fazer um buraquinho no solo, colocar uma semente ali dentro, talvez regar de vez em quando e ver uma planta crescer. Depois colher os seus frutos e comê-los.
Era só colocar um monte de barro e palha numa forma de madeira, tirar dali uma massa retangular, deixar a massa secar ao sol para virar um tijolo.
Por milênios, nós lidamos com coisas tangíveis, fenômenos observáveis que podíamos entender na base do... Se fizemos isso, acontece aquilo. Mas conforme o nosso conhecimento foi se desenvolvendo, nós passamos a lidar não apenas com as coisas tangíveis da realidade concreta.
mas com coisas abstratas, com ideias. Criamos uma sociedade complexa, uma economia complexa, uma tecnologia, uma vida, um mundo complexo com o qual não estamos sabendo lidar, o que nos traz uma inquietante incerteza.
Por quê? Porque constatamos que essa realidade complexa é impossível de controlar. Essa é a questão. Já não se trata mais de se fazemos isso, temos aquilo. Na realidade, não é possível saber ao certo o que as nossas escolhas, decisões e ações vão provocar.
Mas o que é complexidade? O filósofo Edgar Morin parte da origem da palavra que deriva do latim complexus, que significa tecido junto, entrelaçado. Ele define então complexidade assim, um tecido de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas, o que coloca o paradoxo do uno e do múltiplo.
E também um tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações e acasos que constituem o nosso mundo fenomênico. Eu sei, eu sei, essa definição soa complexa, mas pensa no corpo humano.
Complexidade é como um organismo de elementos diversos, como células, que são individuais e são, ao mesmo tempo, inseparavelmente associadas. Elas só vivem porque fazem parte do organismo. E o organismo existe porque tem as células. É isso que o Mohan quer dizer com o paradoxo do uno e do múltiplo. E esse organismo é também as ações, reações, interações que acontecem nele.
Mohan sustenta no seu livro que para lidar com uma realidade complexa é preciso desenvolver o pensamento complexo. E para isso é preciso superar duas barreiras. A primeira barreira é a carga da palavra complexidade, que normalmente se usa para expressar algo difícil de entender. Quando a gente não sabe explicar alguma coisa, como é que a gente fala? Hum, isso é complexo. Aí a gente coça a cabeça, pronto, acabou o assunto.
Diz o Mohan, a palavra complexidade só pode exprimir o nosso incômodo, nossa confusão, nossa incapacidade para definir de modo simples, para nomear de modo claro, para ordenar nossas ideias. Complexidade é uma palavra-problema e não uma palavra-solução.
A segunda barreira é o que Mohan chama de pensamento simplificador, que é como, em geral, a gente compreende o mundo. O pensamento simplificador é a base da ciência clássica e moldou toda uma visão de mundo que a gente tem até hoje.
Quem é que não se lembra das aulas de ciência ou de história quando nós aprendemos sobre o grande filósofo René Descartes? Foi com ele que nasceu o pensamento simplificador no século XVII, quando o conhecimento do mundo e das leis naturais não estava organizado. Misturava religião, filosofia, saberes isolados e pontuais, era tudo a mesma coisa. Não havia também um método científico.
Então, Descartes queria organizar tudo isso e começou colocando de um lado o mundo das ideias, da mente, da alma, e de outro...
as coisas do mundo físico material. A sua ideia é que o universo material pudesse ser estudado como uma máquina, sem envolver questões teológicas e nem filosóficas. Então ele cria um modo de entender a realidade com base em três operações mentais, que são, um, a separação, que significa dividir os objetos de estudo em partes.
2. A redução. Reduzir cada parte aos seus componentes mais elementares, mais básicos, para entender como eles funcionam. E 3. A abstração, que transforma o funcionamento do simples em leis e fórmulas que explicam como as coisas complexas funcionam. Esse jeito de pensar, analítico, ordenado, geométrico, se tornou a base do que chamamos de método científico.
A partir de Descartes, o funcionamento de tudo poderia ser estudado em laboratório e explicado por fórmulas, princípios e equações. A partir dessa visão, se originaram os diversos ramos da ciência, como a física, a química, a biologia.
também as ciências humanas, como a economia e tantas outras, ramos da ciência devidamente separados uns dos outros, cada um estudando os seus fenômenos, cada um no seu quadrado.
O modo cartesiano de entender o mundo foi fundamental para a construção do conhecimento científico. Mas com o tempo, se percebeu que ele tinha limites. A natureza não é uma máquina tão previsível. Há fenômenos que não basta investigar só com o método da separação das partes, mas precisam incluir a interação entre as partes.
Fenômenos em que o funcionamento daquele pedacinho simples não explica o funcionamento do todo. A ciência precisou criar um modo de entender os fenômenos complexos e graças a isso nós temos hoje áreas de conhecimento como a física quântica, a ecologia, a medicina integrativa. Mas esse modo mais complexo de entender o mundo ainda é muito restrito.
A maioria esmagadora das pessoas compreende a realidade segundo o paradigma simplificador, nas palavras de Edgar Morin. E isso causa problemas.
A principal crítica de Mohan ao pensamento simplificador é que ele fragmenta a visão da realidade. E isso impede que se perceba as várias dimensões de um fenômeno e como essas dimensões se relacionam. Para ilustrar isso, vamos pensar em um problema ecológico. A poluição do rio de uma cidade.
O rio é poluído não só porque ele recebe o esgoto da população daquela cidade, mas também o de outras cidades ao longo do rio. E isso decorre de deficiências da administração de todas as cidades envolvidas, de problemas econômicos, sociais, políticos, tecnológicos, culturais, das populações dessas cidades, das indústrias da região. Veja quantas dimensões tem esse problema.
Dimensões que se relacionam. E assim são os problemas da nossa vida pessoal, social, planetária, complexos. A visão fragmentada em partes separadas inviabiliza a solução deles.
A fragmentação também impede a visão do contexto em que as coisas estão inseridas. Por exemplo, para entender o comportamento de uma pessoa, não basta considerar só a sua personalidade. É preciso olhar também para o momento que ela está passando, as influências do ambiente em que ela vive, suas relações familiares, sociais, sua visão de mundo.
enfim, o contexto da pessoa. Sem considerar o contexto, se compreende uma parte muito limitada de quem a pessoa é.
Mohan também critica a redução da complexidade que o pensamento simplificador faz. Esse modelo de pensamento busca explicações únicas e genéricas para fenômenos que, como nós estamos discutindo aqui, são resultados de vários fatores. E isso gera um entendimento superficial da realidade.
Por exemplo, numa visão simplista, se poderia dizer que a prosperidade material depende do esforço individual. Muita gente acredita, aliás, que é simples assim. Mas, na verdade, tem outros fatores que influenciam a prosperidade. Fatores sociais, educacionais, psicológicos, no mínimo.
Outra deficiência do pensamento simplificador. Ele tende a eliminar a tensão entre os opostos. Ou seja, ver as coisas como uma questão de isso ou aquilo. De certo ou errado. De positivo ou negativo. Funciona ou não funciona. 8, 80 e por aí vai.
E essa é uma baita limitação do pensamento, porque muitas coisas na vida não são assim, binárias. Algumas funcionam com a coexistência dos opostos. Quer um exemplo? Disciplina e liberdade na educação dos filhos. O pensamento simplificador coloca essas duas ideias como opostas. Ou se educa com disciplina, regras e limites, ou se dá liberdade para a criança se expressar.
Mas na prática, as duas coisas devem coexistir. Uma criança precisa de limites para se sentir segura e aprender a conviver em sociedade. E também precisa de liberdade para desenvolver a autonomia, a criatividade e a confiança.
Há outras situações em que a tensão entre opostos produz paradoxos. Você encontra um paradoxo quando tenta eliminar algo que não quer, focando no oposto dela, e isso leva você diretamente para aquilo que você não quer.
Por exemplo, o paradoxo da ansiedade. Você combate a ansiedade fazendo de tudo para ficar calmo, mas esse desejo de ficar calmo é tão intenso que gera a ansiedade, que é o que você está querendo evitar. A vida está cheia de paradoxos, e o pensamento simplificador não os entende e fica empacado neles.
Por fim, Mohan critica a ilusão de certeza que o pensamento simplificador procura criar. A simplificação é uma tentativa de tornar a realidade previsível e controlável, o que é enganoso. A realidade, como nós podemos constatar, envolve incerteza, imprevisibilidade e transformação constante.
Em vez de tentar enquadrar a realidade numa visão cartesiana, a vida requer que a gente aceite a incerteza. Aceite que nem tudo está sob o nosso controle. Aceite a complexidade. E aprenda a lidar com tudo isso.
A proposta do Edgar Morin não é negar a capacidade analítica que o pensamento simplificador ensinou, mas ir além, para algo mais abrangente, o pensamento complexo, ou ainda paradigma da complexidade, que busca religar o que foi separado, que busca reconhecer a multiplicidade das causas, aceitar a presença de contradições e lidar com a incerteza de forma consciente.
O modo como ele propõe isso é um tanto complexo. Sabe como são os filósofos, eles são profundos. E Mohan é um filósofo absolutamente notável, com 80 livros escritos ao longo dos seus 104 anos de idade, completados em julho de 2025.
Agora, se não dá para encarar uma obra complexa como a dele, nós podemos ir por um outro caminho para desenvolver o pensamento complexo. O caminho de princípios filosóficos e espirituais muito antigos, presentes, por exemplo, no budismo e no taoísmo. Pois é.
O paradigma da complexidade que a humanidade pós-moderna está apanhando para incorporar faz parte de princípios conhecidos há séculos e séculos. O que, sinceramente, a mim não surpreende, porque esses ensinamentos vão na essência das coisas.
A realidade, o mundo, a vida, tudo isso é complexo desde sempre. Ser humanos já tinham essa compreensão desde sempre. E não é nem preciso ser intelectual para entender isso. O próprio Mohan se aproxima muito desses ensinamentos quando na sua obra ele afirma, por exemplo, que a parte está no todo, assim como o todo está na parte.
Essa é também uma ideia do budismo, o princípio do inter-ser. Aliás, o filósofo, que é ateu, expressa respeito pelos saberes ancestrais que a ciência tende a rejeitar. No seu livro, ele escreve assim.
Eu creio que a verdadeira racionalidade é profundamente tolerante com respeito aos mistérios. A falsa racionalidade sempre tratou como primitivas, infantis e pré-lógicas populações em que havia uma complexidade de pensamento. Não apenas na técnica, no conhecimento da natureza, mas nos seus mitos.
Olha, eu estou aqui pensando em explorar os pontos em comum entre os princípios do pensamento complexo e os da tradição budista. Eu acho que isso dá episódio. O que você acha? Bom, por ora, já é bastante refletir sobre os limites do modo de pensar dominante dos nossos tempos, que busca a resposta simples, que é reducionista, que toma decisões unilaterais, sem considerar os impactos.
E isso precisa mudar. Nós estamos vendo as consequências que esse pensamento limitante e fragmentado traz ao mundo. O Edgar Morin considera que a civilização contemporânea pode até oferecer certo grau de bem-estar e tecnologia avançada. Mas do ponto de vista do espírito humano, vive num estado de pré-história, de barbárie das ideias, em que a atomização das relações humanas conduz a agressões...
e insensibilidades incríveis. Não sabemos, no plano das ideias, ser verdadeiramente conviviais, ele diz. E isso, entendo eu, não é apenas porque não somos capazes de ver como os fenômenos da realidade estão integrados. É porque também não somos capazes de ver como todos nós estamos integrados.
Mas apesar das suas críticas, o filósofo não é pessimista e acredita que nós estamos próximos de um recomeço. Ele diz, a humanidade não nasceu de uma vez, ela nasceu várias vezes. E eu sou um dos que espera um novo nascimento. Que você esteja bem. Um abraço.
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