A Hora #104 - Os donos do mundo, das emendas e das ideias
Nesta edição do A Hora, José Roberto de Toledo e Thais Bilenky falam sobre as tarifas dos Estados Unidos, a proposta de Kassio Nunes Marques sobre pesquisas eleitorais, os embates entre Flávio e Michelle Bolsonaro e mais.
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- Advogado Ostentação Nelson WilliamsFilme Michael Jackson · Fraudes no ICMS · Operação policial · Tráfico de influência
- Sistema Eleitoral BrasileiroSAF · Flávio Bolsonaro e Vorcaro · Pesquisas eleitorais · Intenção de voto
- Selos de Acurácia de PesquisasPosse de Cássio Nunes Marques no TSE · Titãs · Pesquisas eleitorais · Acurácia
- Racismo e o uso pejorativo de 'Zulu'PIX na Argentina · Espanha · Racismo · Decolonialidade
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Opa, Thaís!
Salve, salve, Toledo!
Eu sou José Roberto de Toledo e esta é a Hora, podcast sobre notícias aqui no UOL.
Eu sou Thaís.
Eu sou a Thaís Bilenck e toda semana a gente bate um papo sobre os principais assuntos do noticiário.
Hoje em A Hora: Trump e a decadência do império.
Cássio com K teve uma ideia.
Fábrica de baixarias bolsonaristas.
Os donos das emendas sem dono.
E a hora e a vez do descrédito do advogado ostentação.
Na hora extra desse sábado: atropelo na maioridade penal.
Quer entender o que aconteceu essa semana?
Chegou a hora!
E aí, Thaís Bilenk, você gritou muito, soube pela vizinhança que você gritou muito durante o jogo Argentina-Inglaterra.
Gritei muito nos últimos 20 minutos, 30 minutos na prorrogação, né?
Não chegou à prorrogação, nos acréscimos.
Gritei, gritei. Eu torci para Argentina.
Eu tive uma postura curiosa, digamos assim, para não dizer algo menos benevolente. Eu em tese comecei torcendo pela Inglaterra. Mas a Inglaterra teve uma atitude de jogo tão covarde, especialmente depois que marcou o gol, que foi o único chute real que eles deram a gol e a bola entrou, que eu torci, comecei a torcer pra Argentina, porque não dá. O cara botou 6 zagueiros e tomou 2. Tomou 2, claro, porque virou, eles não passavam do meio de campo, obviamente ia acabar acontecendo. Então, de raiva, eu torci pela Argentina.
E Argentina e Espanha?
É um páreo duro. Se a gente quiser politizar, né, tem essa questão do racismo. Para mim empata, porque do mesmo jeito que tem manifestações de racismo na torcida argentina, você tem ex-primeiro-ministro espanhol dando declaração racista sobre jogadores franceses e reiterando, dobrando a aposta.
Então empatou nesse aspecto. O argumento que se usa contra o racismo praticado na Argentina é a omissão dos jogadores em campo diante de manifestações explícitas de uma parte minoritária da torcida.
Pode ser. Mas eu tendo a torcer para Espanha porque eu gostei mais do jogo da Espanha do que do jogo da Argentina. Mas pode ser que eu mude no meio.
O seu critério é técnico, o meu não. Eu vou manter toda a minha linha dessa Copa, continuo sendo decolonial, vou torcer para Argentina apesar das manifestações de racismo e da omissão, porque eu, como você, vejo que há racismo também. Na Espanha e omissão da mesma forma. Agora, quero já deixar dito aqui que se a Espanha ganhar, eu vou comemorar pelo Yamal, porque ele se tornou símbolo dessa seleção. E ele fez aquele gesto do distrito de onde ele vem, né, nas proximidades de Barcelona, que é um distrito pobre, miscigenado, né.
Então, portanto, eu vou levar em consideração a vitória dele como um critério de decolonização também da própria noção de países europeus, de países de, aspas, primeiro mundo.
Não, acho válido, acho bem defensável, embora a Argentina, entre todos os países sul-americanos, é aquele que se considera mais europeu de todos, talvez.
Considera, mas eu quero pensar também o seguinte: a Argentina vive o governo Milei.
Sim.
Isso não significa que todos os argentinos tenham votado nele ou o aprovem. Então, se a gente for governado por um governo do qual eu discorde ou tenha críticas— Também não pode ser critério. Quero ter a solidariedade dos hermanos.
É, porque isso aconteceu em 1970, né, com a seleção brasileira de futebol, que a esquerda brasileira queria torcer contra a seleção brasileira por causa da ditadura e terminou todo mundo seduzido pelo Pelé e companhia torcendo pelo tricampeonato que acabou vindo.
E no limite, né, que a gente aproveite essa Copa também para perceber o que é o racismo dos outros e o que é o nosso próprio racismo.
Claro, porque também por esse critério, né, Tem racismo aqui também. É isso. Muito bem, então vamos agora falar de coisas mais leves.
A decadência do Império Americano.
Só isso.
Toledo, foi confirmada essa semana, não há grandes surpresas nisso, a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, 25%. Tem uma longa lista de exceções, os principais produtos da pauta de exportação não entraram nessa nova tarifada. Porém, não deixa de ser mais uma punição à economia brasileira que, de novo, repita-se, tem déficit comercial com os Estados Unidos. Isso fala mais sobre o Trump do que sobre o Brasil.
E também na justificativa do governo americano cita-se lá decisões do Judiciário brasileiro sobre big techs, não só do Judiciário, né, decisões de modo amplo, o Pix e outros fatores domésticos brasileiros como desculpa, justificativa para essas tarifas.
Ou seja, elas não têm absolutamente nada de comerciais. Na verdade, foi uma arma, foi um ataque político do Trump ao Brasil, ponto. Nem vou usar a expressão tarifa e tarifaço porque ela por si só já carrega um componente negativo, como se a vítima tivesse alguma culpa, né? Ah, você tomou esse tarifação porque a sua diplomacia foi incompetente. Você acha que ia fazer alguma diferença se o Mauro Vieira tivesse ido 15 vezes lá? Imagina, não tem nada a ver uma coisa com outra.
O secretário de Estado do Trump disse que o Lula negociou de má-fé, né? O Brasil negociou de má-fé.
Não houve nem negociação, né? A má-fé é do outro lado. Mas eu queria falar uma outra coisa, Thaís. É, para mim, esse caso é mais um exemplo da decadência do Império Americano. Porque se você vai lá reler o Gibbon, lá, né, declínio e queda do Império Romano e tal, você vai ver que o Trump, ele, ele não é igual a nenhum dos muitos imperadores romanos, mas ele sintetiza qualidades ou defeitos, melhor dizendo, de vários deles. Tem alguns aspectos, ele é meio Calígula, né, Epstein que o diga.
Em outros, ele é meio Nero, que botar fogo no circo. Mas tem outros imperadores menos famosos que cometeram as mesmas coisas que o Trump está cometendo. Por exemplo, roubar os aliados, que é o que ele está fazendo. Essa medida do Trump é um roubo. Você está roubando a capacidade econômica de um país que pode competir com você. Você está querendo interferir na soberania dos seus aliados, como vários imperadores romanos tentaram fazer.
Isso Acaba como acabou lá, da seguinte maneira: com o império em decadência, porque vai perdendo os seus aliados, as suas fronteiras vão se tornando menores, as ameaças vão se fortalecendo, você vai unindo os seus inimigos contra si. E o Trump ainda tem uma outra qualidade de alguns outros imperadores romanos, que é a cleptocracia. Ele enriquece enquanto o império empobrece. Também aconteceu no caso romano. A diferença que eu vejo é que enquanto o Império Romano demorou séculos para chegar ao seu apogeu e séculos também para cair definitivamente, o Império Americano demorou talvez um século para chegar no seu apogeu e fatalmente terá na mesma proporção a sua queda, se é que o Trump não está acelerando esse processo de queda.
Então, dito isso, acho que é importante situar porque o sujeito da frase aí é Trump, não é Lula, não é Flávio, é Trump.
Exato, nem Lula, nem Flávio, e como tá fazendo com outros vários países por contextos políticos diferentes. Ou seja, ele usa a desculpa que ele quiser, mas ele tá aplicando isso no mundo inteiro.
Exatamente. Então assim, não é político, claro, porque ele tá tentando segurar todas as pontas de todas as maneiras possíveis, as pontas da queda do Império Americano, e não tá conseguindo, obviamente, né? Ao contrário, tá acelerando o processo. Dito isso, vamos para os impactos aqui. Todo mundo diz, ah, isso vai ser muito ruim para o Flávio, que a maioria das pessoas acha que o Flávio é culpado pelo tarifaço, não sei o que lá e tal.
Só da gente falar tarifaço, tarifa, você já tá dando um argumento, é uma expressão que é intrinsecamente ruim para o governo. Existe um negócio chamado framing em inglês, que é como você enquadra uma discussão. Isso passa pelas palavras que você usa. O enquadramento disso como uma disputa comercial em que a palavra mais importante é tarifa é ruim para o governo, seja ele qual for. É ruim para o Lula, mas poderia ser ruim para o Bolsonaro se tivesse sido no governo Bolsonaro.
Não interessa. Então, nesse momento, nessas primeiras horas após a confirmação da supertarifa dos 25% a mais, essa primeira reação é negativa para o governo. Se vai reverter, como já aconteceu em outras vezes, E vai depender de o governo conseguir transformar uma discussão sobre tarifa em uma discussão sobre traição à pátria, como ele fez quando o Trump ameaçou pela primeira vez. Porque é disso que se trata também, né? O posicionamento do Flávio Bolsonaro é um posicionamento subserviente ao império, né?
É mais ou menos, é um governo do Vichy, para pegar uma metáfora da Segunda Guerra Mundial, aquele governo consentido.
Esse governo é Vichy?
É, Vichy. Boa, Thaís Bilencki. Nós saímos do Vichy para o Vichy. É isso que o Flávio tá propondo. Vamos nos submeter completamente. Se é vontade do império, nós temos só que acatar. Não podemos nos insurgir contra isso. E eu tenho lá um irmão que prefere morar lá do que aqui.
É porque o argumento dele, deixa para depois da eleição, tá aí subentendido dois pontos, né? Se o Lula ganhar, o problema vai ser dele, não me importa. Se eu ganhar, aí a gente negocia em outros termos. Então, em ambos os cenários, ele tá colocando o interesse do Brasil posterior ao interesse dele próprio.
É, provavelmente o que vai acontecer com Flávio é que ele vai emigrar para os Estados Unidos, como o irmão já fez, né? Porque ele não vai ficar sem mandato se ele perder a eleição. E aí, obviamente, ele vai buscar refúgio no terreno onde ele acha que ele vai ser mais bem recebido do que aqui. Mas enfim, então, resumindo a história, embora em tese essa decisão prejudique mais o Flávio do que o Lula, No momento, enquanto a gente estiver discutindo, a indústria vai deixar de faturar não sei quanto, o Brasil vai deixar de exportar não sei quanto, vai perder não sei o que lá. Essa discussão é danosa para o governo, não tem dúvida nenhuma.
E as pesquisas, a última rodada mostraram algum fôlego para o Lula diante de uma abertura de intenção de voto para ele em relação ao Flávio, etc. Qual que é a tua percepção considerando isso, né? A agenda que está colocada agora.
Brasília tem mais ou menos o mesmo comportamento em relação a eleições presidenciais que aquele Polimarket tem, que é aquele mercado de apostas preditivo sobre eleição no Brasil. No Polimarket, o Lula tem mais de 60% e o Flávio não chega nem a 30%, tá? Abriu uma distância absurda assim. E é mais ou menos como tá em Brasília também. Eles estão achando que a eleição já acabou. A eleição não começou. Mais uma vez estão completamente enganados, porque Brasília ou tá em depressão porque já perdeu a eleição, ou tá em euforia porque já ganhou a eleição, sendo que ela não começou oficialmente. Não tem nem candidato oficial, não estamos— todo mundo é pré-candidato.
Mas o governo tem razão para ficar otimista?
Eles olharam a pesquisa Quest e acreditaram, né? Viram Lula abrindo, viram aprova, desaprova saindo do vermelho, entrando no azul, e acharam, projetaram isso, já ganhamos. Se você pega Datafolha, Nexus BTG, pega Ideia Meio e pega as outras pesquisas que eu vi, que eu não posso dizer aqui, tá tudo igual. Tá parado, tá estável, não tem nenhum movimento claro e evidente de ampliação da vantagem do Lula, nem de melhora ao ponto dele ter um saldo positivo inequívoco de avaliação.
Não vi isso em nenhuma outra pesquisa. Pode ser que a Quest tenha detectado um movimento que os outros ainda vão detectar? Em tese, sim, mas a gente vai tirar a prova na semana que vem porque vai sair Datafolha, e aí eu vou acreditar se isso acontecer.
Agora, mesmo que se comprove, se confirme esse movimento, de qualquer forma forma, tem uma campanha ainda pela frente e nem começou. E o cenário que tá dado pelas pesquisas, esse retrato do momento, não permite também cravar nenhum resultado, nem que sim, nem que não, mesmo que tenha havido um respiro. Primeiro pelas tarifas que você já mencionou, que podem ainda pesar na conta do Lula, apesar de todo o papel do bolsonarismo nisso.
E como o Trump, o objetivo do Trump é político, ele não vai parar por aí. Quem acha que o Trump vai se dar por satisfeito metendo 25% a mais nas importações brasileiras? Ele pode fazer muito mais coisa. Vide Venezuela.
O governo tá colhendo também seus frutos dessas medidas tomadas nas últimas semanas e meses, né, de desenrola para várias categorias, benefício para motorista de aplicativo, enfim, tudo que a gente vem tratando aqui e que de fato tem um impacto no bolso do eleitor num momento decisivo, né, de pré-eleitoral. Então realmente há motivos para interpretar uma eventual melhora nas pesquisas, mas há motivos também para ter cautela aí, porque tem semanas e meses pela frente complexos.
Eu vou voltar ao básico, que a gente acaba ficando preso no noticiário, no calor do momento, e acaba do estrutural. Primeira coisa: é uma eleição de mudança, uma eleição de continuidade? Enquanto não houver uma sequência de pesquisas com saldo positivo de aprovação, ou com ótimo e bom maior do que o ruim e péssimo, Eu vou continuar dizendo que é uma eleição de mudança. E daí vou acrescentar: nem toda eleição de mudança leva a uma mudança.
Já houve 3, pelo menos, em que a expectativa das pessoas era de mudança e que houve continuidade, tá? 98, 2014, por aí vai. Bom, então continua sendo, por enquanto, uma eleição de mudança, o que é ruim para o Lula. Segundo, se todas as pesquisas mostram uma divisão muito forte do eleitorado com mais de um terço contra o Bolsonaro, mais de um terço contra o Lula e um miolo muito estreito que vai definir a eleição. Eu não acredito que nada que o Flávio Bolsonaro ou o Trump façam vai mudar o voto de um eleitorado antilulista e pró-bolsonarista.
Não tem espaço para surgir ninguém no meio aí. Não vejo esse espaço de jeito nenhum. Então, no final das contas, o cara lá no escurinho da urna, que não é tão escuro assim, Vai pensar o quê? Mas porra, o Lula eu não aguento mais. 22, entendeu? Vai ser uma eleição disputada, vai ser uma eleição que vai ter uma margem de vitória provavelmente menor do que 4 milhões de votos. A última foi 2. Nada indica que mudou esse quadro estrutural, entendeu?
Então assim, eu tô dizendo que o Flávio vai ganhar a eleição? Não. Tô dizendo que vai ser uma eleição disputada, que ninguém ganha antes da eleição começar, antes do cara ir lá votar. Só isso.
E aí que é cada 1 milhão de votos, meio milhão de votos muda muita coisa. Vamos falar disso, mas antes vamos fazer uma paradinha lá no TSE entender qual foi a ideia do Cássio com K.
Pois é, Thaís Bilenck, Cássio com K teve uma ideia. Você quer descrevê-la?
Não, ele decidiu lançar essa semana um projeto cujo nome é provisório, mas que ele já anunciou, é um selo de acurácia de pesquisas eleitorais. Em que isso consiste? Consiste na premiação de institutos de pesquisas que chegarem mais próximos dos resultados colhidos nas urnas, né, que suas previsões sejam as mais acertadas. Esses serão premiados.
Bom, eu não tenho, eu não vou dizer tudo que eu gostaria de dizer sobre essa ideia porque Pode dar ruim para mim, então eu vou ser contido, tá? Sendo contido, dá para dizer que conceitualmente tá errado, metodologicamente é inexequível e institucionalmente é perigoso. Então é errado, inexequível e perigoso. Tá errado pensar, não dá para fazer e as consequências podem ser desastrosas, tá? Por quê?
Porque começa pelo errado.
Primeiro, intenção de voto é o que a pesquisa mede. O ato de votar é outra coisa. Então você já tá querendo comparar duas coisas diferentes. Se, ah, mas eu acho que pesquisa mede voto. Não, se você acha isso, você acha errado. Pesquisa mede intenção de voto. Primeiro que tem uma diferença temporal, né? Vamos supor, a última pesquisa é feita entre 72 e 24 horas antes do cara ir lá votar, do eleitor ir votar. Então já são momentos diferentes que você tá comparando.
Muita gente decide nesse momento ou depois dele. Cada vez mais pessoas definem depois que a última pesquisa é publicada, inclusive às vezes em resposta às pesquisas.
Muitas vezes em função— então você quer que a pesquisa adivinhe O resultado de algo que está no futuro. Isso chama-se prestidigitação. É isso que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral quer fazer, quer adivinhar, quer dar o título de acurácia em adivinhação. Então assim, não faz nenhum sentido, porque está comparando coisas diferentes. Segundo, como você vai fazer isso? Eu queria muito que o Cássio, com K, elaborasse a ideia dele e me dissesse qual é a fórmula matemática que ele vai usar para medir, já que ele usou uma palavra bonita, acurácia. Como é que ele vai medir a acurácia?
Quais são as opções que ele tem?
Pois não, tem muitas. Ele pode escolher N, existem N fórmulas possíveis de serem aplicadas. Mas eu vou dar um cenário aqui mais concreto para ver se as pessoas entendem o que eu tô falando. Imagina um cenário em que um instituto deu 50% para o candidato A, 30% para o candidato B, 20% para o candidato C. Outro instituto deu 48, 32 e 20, e o resultado da urna foi 51, 28 e 21. Qual dos dois acertou mais? Veja bem, um deu 50, o resultado foi 51, mas ele deu 30 e o resultado foi 28, e ele deu 20 e foi 21.
O outro deu 48 e foi 51, erro maior, Mas ele deu 32 e foi 28, erro maior. Mas ele deu 20, foi 21. Enfim, se você somar o erro absoluto médio, vai dar igual para o Instituto A e para o Instituto B. Como é que você vai fazer? Quem recebe o selo, quem não recebe o selo?
Qual é a conta?
Exatamente. Ou então, um outro cenário possível: o Instituto XY deu 51 para o Lula e o Lula teve 52 ele deu 48 para o Flávio e o Flávio teve 46. Numericamente teve diferenças, mas ele acertou a ordem. Aí no outro instituto deu o Flávio em primeiro, mas um ponto só errado, e o Lula em segundo, um ponto só errado. Matematicamente ele acertou mais que o outro, teve menos diferença numérica em relação ao Instituto Correia, só que o outro acertou o resultado, quem ganha, quem foi eleito, entendeu?
Então assim, é inexecuível. Porque, ah, mas eu tenho outras fórmulas que— sim, mas a fórmula que você escolher vai determinar o resultado de quem vai receber, quem não vai receber a porra do selo, entendeu? Desculpa o palavrão, mas é isso mesmo. Sem contar, perigo é o seguinte: você é um instituto, a sua reputação é todo o seu capital. Capital do instituto é que nem jornalista, é a sua reputação, é a sua credibilidade. Se você não tem credibilidade, você não vale nada.
Então você receber um selo instituto desse, um aval de acurácia da justiça representa muito. Vamos supor que você começa a ver que todos os outros institutos estão dando um determinado resultado e o seu resultado difere.
Você vai atrás, é óbvio, né?
Porque você fala: bom, eu não vou correr o risco, eu posso até tá certo, mas se tá todo mundo dando esse outro, vamos errar todo mundo junto pelo menos, entendeu? Não vou ser eu que vou errar sozinho e vou ficar desacreditado aqui. Então você tem um efeito manada potencial nisso daí. Além disso, são tantas questões.
Começar pelo fato de que o Tribunal Superior Eleitoral não tá aí para dar selo para instituto de pesquisa, né? A Justiça Eleitoral tem que organizar assim e vigiar as eleições para que elas ocorram de acordo com a legislação.
Não, exatamente. A lei não diz nada sobre isso, não tem nada na lei dizendo que você precisa ter acertado, errar, não sei quanto. Assim, se o instituto fez a última pesquisa 3 dias antes da eleição, ele vai ser medido por essa pesquisa? Se o cara contou— porque o que interessa, por que que existe pesquisa? Para contar a história da eleição, para orientar as campanhas e para a gente poder contar. Olha, falar, tal candidato tem mais chance, tal candidato tem menos chance, tal candidato tá crescendo, tá parando, tá caindo, etc., etc.
Para isso que serve, é assim que é usado. Não é para cravar o resultado, porque é impossível cravar o resultado. E quando acontece de cravar, é sorte, não é acurácia, é sorte, entendeu? Então assim, você pega um outro caso: instituto contou a história errada o tempo todo, botou o candidato que perdeu na frente toda a campanha, e daí chega na véspera, ele inverte o resultado para não ficar mal na foto e receber o selinho do TSE.
Esse cara merece um selo? Merece um selo de acurácia, sendo que ele contou a história errada o tempo todo? O que que o TSE tem que fazer? Fazer o que ele já faz, que já é até um pouco demais, entendeu? Registro, tem que divulgar com 5, no máximo, só depois de não sei quantos dias de registro. Tem que ter lá um registro de um estatístico responsável, quanto custou a pesquisa, quem pagou pela pesquisa. Já faz muito, mas é o máximo que ele pode fazer.
Não vai ser ele que vai dizer, porque ele não tem capacidade técnica de fazer isso. E não dá para fazer isso porque vai misturar, vai comparar laranja com abacate. Então é errado, é perigoso e é inexecuível.
É isso. Enquanto isso, vamos, antes de sair esse selo ou não, vamos ver o que que de fato pode impactar o resultado da eleição.
De fato, vamos lá então. Thaís Bilenck, abaixaria No bolsonarismo só aumenta, ao ponto de o Flávio não poder nem mais ver o pai até o primeiro turno, porque acabou divulgando nas suas redes sociais uma carta do pai que tá preso em casa, mas tá preso e portanto não poderia ter acesso e tal. Conta pra gente, que foi tanta coisa, né?
A gente tem uma novela pra falar aqui das relações familiares e das decisões e implicações políticas que essas relações todas têm. Antes de contar, né, a novela em si da semana, porque toda semana tem, eu acho que vale a gente dar um passo atrás e olhar para isso e dimensionar o que que isso tem de valor político.
Ou seja, é baixaria só, é fofoca, e a gente não deve nem falar a respeito, ou isso tem uma importância e merece ser notícia?
Se o bolsonarismo desde o dia 1 provoca baixarias, né, eu lembro muito bem, né, quando chega a bancada bolsonarista em 2019, a primeira bancada bolsonarista eleita na onda do Bolsonaro quando se elege presidente, era muita baixaria, era baixaria como num que a gente tava acostumado até então no Congresso Nacional. Esse é o modelo de fazer política dessa força, né, de política nacional. Eu entendo que essas baixarias são ao mesmo tempo sintomas, mas ao mesmo tempo também técnicas, né, técnicas de construir resultados políticos desejados.
Você vai perguntar então, bom, isso tudo é intencional? Eles fazem isso para partir dessa combustão tirar energia para continuar fazendo suas movimentações políticas. Eu quero crer que em parte sim, em parte também é uma característica de lideranças que não seguem a tradição política brasileira.
É, com certeza eles mudaram essa tradição, eles recontaram essa história. Mas o ponto que eu queria te perguntar é: você acha que nessa briga específica, vai, Michele e Flávio, Os dois perdem, um perde e o outro ganha, ou os dois ganham?
Você que tem essa resposta.
Mas você acha que é assunto? Você acha que isso é notícia? Que isso mudou a tradição e, portanto, precisa ser coberto?
É, eu só acho que tem que escapar da armadilha de ver a novela só pelo fator entretenimento dela e entender que eles fazem sim as baixarias para ter audiência, para ter atenção, entender esse movimento como uma estratégia mesmo política eleitoral. E ao mesmo tempo ler os movimentos que estão por trás, né, talvez dessas baixarias.
Concordo totalmente. Eu acho que só faz sentido você contar uma história de sucessão de baixarias se você contextualiza aquilo e extrai disso algum significado político. Eu particularmente acho que nessa disputa Flávio-Michele os dois ganham. Fala, pô, Toledo, como é que o Flávio pode ganhar sendo desautorizado e piorando a imagem entre as mulheres, tal. Lei Maluf: falem mal, mas falem de mim. A pior coisa que pode acontecer para um político é ele ser ignorado, ninguém falar dele, ninguém pensar nele.
Mesmo que ele fique na defensiva permanente.
Mesmo, porque estão falando. E para o eleitorado dele, que como eu disse lá no escurinho da urna vai votar nele de qualquer jeito, porque é contra o Lula, não é a favor do Flávio, é importante. Se você pega o Google Trends, que não é o melhor dos termômetros, longe disso, mas Pelo menos tem um histórico longo. O grau de exposição que o Flávio tem hoje com toda essa baixaria que salvou ele do ostracismo, que era muito pior, é menor do que o pai dele tinha nessa época do ano na eleição de 2022.
Então ele precisa da baixaria, ele precisa ser notícia, mesmo que seja pelos motivos errados.
O pai dele na eleição de 2018, antes de estar no governo, ele vivia da fama de atos misóginos, racistas, homofóbicos, né?
Ele provocava, fabricava polêmicas para ser notado e foi catapultado à presidência através de uma facada em que ele foi vítima. Por isso que eu digo, mesmo quando o noticiário é negativo, ele ajuda em geral os políticos, porque eu repito, não tem nada pior do que para eles do que o ostracismo.
Então, até eu recebi um levantamento de monitoramento de redes sociais ao qual o Flávio também teve acesso, que mostra exatamente isso que você tá falando. Eu vou chegar lá, mas acho que antes era só bom a gente dizer o que que aconteceu nessa última semana de novela, porque é isso que tá sendo medido aqui. Primeiro, né, o Flávio Bolsonaro foi sábado às redes sociais mostrar uma carta escrita de próprio punho pelo pai elegendo o Flávio Bolsonaro como seu único porta-voz.
No momento que ele precisa dessa carta que o autoriza como porta-voz do pai, já sendo candidato a essa altura do campeonato, depois de já ter tomado decisões e ter tido divergências públicas com a Michele, mostra que ele tá fragilizado, certo? Senão ele não ia precisar de novo ser autorizado.
Chama-se carta-recibo. Tem a carta-testamento do Vargas e tem a carta-recibo dos Bolsonaro.
Aí ele vai lá e faz toda uma live, uma aparição ao vivo nas redes e se autoriza novamente. O Alexandre de Moraes disse que ele fez propaganda antecipada, e ele, Flávio, fez propaganda, quer dizer, pediu para a PGR, Procuradoria-Geral da República, investigar a propaganda antecipada, e diz que o Jair Bolsonaro descumpriu as medidas impostas para prisão domiciliar dele, que implicam inclusive o não uso de rede social nem de terceiros.
A explicação da defesa do Bolsonaro foi maravilhosa, né?
E aí veio a defesa do Bolsonaro falando que o Flávio usou a carta sem o consentimento, sem o conhecimento do pai, porque o pai mandou a carta que é para ele não usar, né? Imagina, ele foi lá, escreveu toda uma carta falando, né, da importância pública da candidatura, e era só para o filho ter um carinho do pai.
Claro, foi só, foi assim um acolhimento.
Só que o Alexandre de Moraes impôs, em consequência dessa veiculação dessa carta, o veto da visita do Flávio Bolsonaro, que tá constituído como advogado do pai, ao domicílio dele onde ele tá preso por 90 dias. Né, às vésperas da eleição. E aí o Flávio Bolsonaro fez uma outra aparição indignada nas redes sociais, ao vivo e tal, reclamando que era perseguido, que o pai era perseguido e tudo mais. Ele teve esses dois movimentos nas redes e foi a um podcast em que disse que não tem mais relações com a Michele Bolsonaro, que nem sequer viu o vídeo dela.
Imagina que ela fala dele tantas coisas importantes sobre as quais ele respondeu, né? Obviamente que não faz isso nenhum sentido. E diz que basicamente eles não se falam, né? É isso que ele fez. A Damares Alves, a senadora pelo DF do Republicanos, a principal talvez aliada da Michele, disse que não faz mais campanha para ele, que já deu a contribuição que tinha que dar. Ele, por sua vez, começa a testar o nome da Daniela Marques, que foi presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo do pai, era uma auxiliar muito importante do Paulo Guedes.
Ele começa a testar esse nome para ser uma vice, ou seja, tá reagindo uma crise com o público feminino tentando uma mulher, né?
Só um parênteses, não posso deixar passar. A Daniela Marques só virou presidente da Caixa porque teve um escândalo de assédio sexual contra o presidente da Caixa, que precisou sair na reta final, perdeu maluco.
Então esse foi o cenário. E que que essas pesquisas de monitoramento de rede, que são largamente utilizadas por todas as campanhas, estão medindo, né, o contraste entre Michele e Flávio. Ou seja, essa disputa entre os dois, este, aspas, drama familiar, baixaria familiar, ela tá sendo usada eleitoralmente pelas campanhas todas para saber que direção tomar e como agir, né, como cada candidato. Então eu vou citar aqui um levantamento feito com a Brandwatch, que é a maior ferramenta de monitoramento digital do mundo, certo?
E aí eles compararam a reação ao vídeo da Michele no 24 de junho a 1º de julho, que foi logo depois do vídeo que ela fez. As redes do Flávio, de 11 a 15 de julho agora, medindo essa reação dele com a carta.
E mais ou menos o mesmo período em quantidade de dias, e imediatamente depois.
Bom, a repercussão da carta do Bolsonaro foi muito menor que a do vídeo da Michelle. Em números absolutos, o vídeo dela teve quase 550 mil menções e o dele, o vídeo, teve 260 mil, menos da metade. Mas o que que esse monitoramento tá apontando? Tudo bem, porém 66% das menções à Michelle foram negativas, 8% foram positivas e 26% neutras, que é sobretudo veículo de comunicação noticiando a história. No caso do Flávio, foi 23% positivo, 33% negativo e 44% neutro.
E aí eles vão afunilando mais o filtro e veem que dos comentários negativos nas redes do Flávio, 100% vem da esquerda, ou seja, já vem de opositores e críticos. No caso da Michelle, nos 66% de comentários negativos que ela recebeu, 100% vem da direita, ou seja, da própria base dela. E os comentários positivos vieram de Marina Silva, que solidarizou, e todo o engajamento que ela gerou com isso, gente da esquerda defendendo, né, a Michelle de violência de gênero, defendendo desse caso como violência de gênero, tem lá 2% no levantamento que o Flávio teve acesso, que corresponde a um público feminino evangélico que defendeu a Michele nessa disputa.
Esses 2%, se o número é esse mesmo, enfim, isso é só um levantamento de rede social casual, né, episódico, não é uma, não dá para extrair nada mais disso. Além disso, é um lugar onde mais preocupa a campanha, que são essas mulheres que votaram no pai e não estão querendo votar no filho por conta da questão com a madrasta, né? Depois eles expandiram ainda mais esse monitoramento comparando desde o vídeo da Michelle até a carta e a reação do Flávio quanto isso.
E aí de novo diz que as menções ao Flávio são mais que 5 vezes numerosas do que as da Michelle, né? A dele chega quase 3 milhões e meio de menções, ela dá 700 mil. Ou seja, ele tá movimentando muito mais as redes, ainda que um terço seja comentário negativo, é menos negativo que o dela e é muito mais volumoso. O que leva à conclusão, guardadas aí questões metodológicas, disputas de como esses monitoramentos são feitos, enfim, a percepção que as campanhas usam de que isso que você falou, né, é bom para os dois, fale bem ou fale mal, falem de nós outros.
E se não fossem essa sequência de divergências, brigas, declarações polêmicas de família, de família com família, falaríamos Falaríamos do quê? Da foto do Flávio Bolsonaro com o sicário que foi o cara que amedrontava jornalistas para o Daniel Vorkaro, aquele que foi preso pela Polícia Federal, acabou se matando dentro da prisão. Falaríamos do resultado da Quest dessa semana, que não foi boa para ele. Falaríamos também da responsabilidade da família Bolsonaro sobre as tarifas do Trump.
Enfim, ou não falaríamos, que seria pior, né? Ainda pior para ele, quer dizer. É, não tem dúvida de que a polêmica é bom para quem tá envolvido na polêmica, se você tem queixo duro e pele grossa, né?
Claro, né?
Não é para qualquer mortal, mas se você tá na política, isso é do jogo. Muito bom, Thaís Blenck, excelente, bem resumido, bem contado e bem exemplificado.
Pois é, vamos continuar fazendo isso para ver se a gente recebe um selo de acurácia dos nossos oristas quando a eleição acabar.
Tá afiada hoje. Temos agora os donos das emendas sem dono, né, que a gente falou muito, né, alguns meses atrás sobre as emendas de comissão, as emendas de bancada, que era aquela filho sem dono, né, porque todo filho tem muitos pais, ninguém é pai, né. Mas a Polícia Federal descobriu que elas têm pai, que tem dono. Quem são os donos das emendas sem dono, Thaís Belen?
O Flávio Dino deu essa decisão bloqueando mais de R$100 milhões do Valdemar da Costa Neto, né, presidente do PL, e mais de R$6 milhões do Eduardo Cunha, ex-deputado da Câmara que quer ser candidato a deputado de novo agora por Minas Gerais. E na decisão dele, ele fundamenta com investigações da Polícia Federal mostrando que na verdade tanto Valdemar quanto Cunha indicaram milhões e milhões, valores correspondentes desses que foram bloqueados em emendas parlamentares sem que eles sejam parlamentares, sem que eles exerçam mandato.
Até aí já tem um estranhamento, né? Como que uma pessoa que não tem mandato tá indicando emenda?
Você já indicou alguma emenda de comissão? Alguém assim, queria mandar uma emenda lá para Matão, né? Não conseguimos, né?
Não. Mas eu vejo uma diferença fundamental no papel do Valdemar do que o papel do Eduardo Cunha. E o Valdemar deu uma entrevista na GloboNews em que ele desempenhou o melhor papel Valdemar Costa Neto possível, dizendo: claro que eu influencio, esse é o papel do presidente do partido, eu e todos os presidentes nacionais influenciamos, porque a gente tem uma visão nacional da necessidade. Muitos deputados ou senadores nem sabem para onde indicar emendas, vive de tiririca. Que não queria devolver, e eu indiquei por ele, né, deu essa justificativa.
É uma visão nacional estratégica, é isso que ele tá passando. Beleza, vamos lá.
E aí a gente pode examinar para onde foram, né, as emendas estratégicas e nacionais do Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. Vamos fazer isso. Só que antes vamos olhar só para as emendas do Eduardo Cunha, porque elas foram destinadas sobretudo para municípios em Minas Gerais, para onde ele se mudou há pouco tempo. Ele foi eleito pelo Rio de Janeiro, fez toda a carreira dele lá, ele é do Rio de Janeiro. E depois que ele foi cassado em 2016, perdeu o mandato, ele tentou voltar à Câmara primeiro por São Paulo e não funcionou.
Então agora ele tá tentando por Minas Gerais. E ele mandou essa quantia toda milionária de emendas, embora não seja parlamentar, ele mandou para municípios onde ele comprou rádios ou levou rádios compradas de municípios vizinhos.
Que foi como ele começou a carreira política eleitoral dele no Rio de Janeiro, né, através da rádio.
E aí ele mandava emenda para o prefeito do tal do município, estabelecia relações políticas ali, tudo isso por meio da interlocução com a Mariângela Fialé, que é conhecida como Cuca, que foi a grande operadora executora do orçamento secreto na gestão do Arthur Lira e continua na Câmara até hoje, tá se defendendo dizendo que tava fazendo o trabalho dela.
Mas assim, não foi sem percalço essa estratégia do Eduardo Cunha. Ele tem lá nas trocas de mensagens com a Tuca, ele reclamando desses políticos mineiros aí enrolados, né?
A impaciência dele com burocracias ou mesmo a postura de algum desses políticos e tal. Mas o fato é que ele conseguiu fazer alianças pontuais com vários prefeitos. E Minas é um estado com maior número de municípios. Então, de prefeitos, prefeitos têm muito poder local e ele não pretende ter voto de opinião, ele pretende ter voto de curral, como a gente falava antigamente, né?
Exatamente. Agora vai ser muito legal, vai ser um experimento que a gente chama em ciência de experimento natural, né? Porque a gente vai poder comparar a votação do Eduardo Cunha nos municípios onde ele não mandou emenda com onde ele mandou emenda, para ver se houve, aspas, compra de Jota.
E essas emendas que a Polícia Federal mapeou e entregou para o Dino são emendas de 2024, às vésperas da eleição municipal, né? Então a gente vai ver aqui nas emendas, sobretudo do Valdemar da Costa Neto, como que isso se encaixou nos contextos, né? Então um tá querendo comprar, só para dizer, como você mesmo disse antes do programa começar, que nada indica que eles tenham só feito esse tipo de indicação naquele momento, né, de 2024.
G4.
Não, continua. Eu posso atestar que o Valdemar continua em 2026 influenciando com emendas. Ele próprio admitiu nacionais estratégicas. Mas eu tô ansioso para chegar no nacional estratégico.
Então vai, começa.
Vamos lá, emendas nacionais estratégicas do Valdemar da Costa Neto. Por exemplo, para Prefeitura de Iepê em São Paulo. Para quê? Um um show estratégico, um show, né, de uma música, sempre é de música sertaneja, né. Iepê, Guaimbê, Cafelândia, Macedônia, e por aí vai. Que a gente olha aqui, tem um padrão, que quando não é para saúde, que é o maior volume, aí ele manda para Suzano. Suzano é do lado de Mogi, que é a cidade natal do, onde o pai do boy, né, Valdemar Costa Filho foi prefeito várias vezes, tal.
Suzana é vizinho e o prefeito de Suzana é um aliado histórico, tanto o ex-prefeito quanto atual prefeito são aliados históricos do Valdemar. Então é por aí que se explica. Agora, a estratégia nacional de fazer um monte de, pagar um monte de show, e assim, não cachê qualquer, é R$200 mil no mínimo para pessoa cantar 90 minutos.
Mas que pessoa?
Ah, cantores sertanejos vários, né? Cantoras, cantores, duplas, são os mais conhecidos do que outros. Mas assim, isso daqui merece uma investigação à parte, porque você vai bater em algumas empresas que são, ou são, pertencem aos maiores empresários do ramo, ou são de sócios desses maiores empresários do ramo, que leva a crer que existe uma indústria toda ela financiada com o meu, seu e o nosso, através de emendas sem dono, mas que tem dono, para financiar esses shows de prefeitura.
É um dinheiro, R$200 mil, que evaporam em 90 minutos. O que que deixa para cidade um show numa festa? Nada. Lembrança daqueles 90 minutos, na melhor das hipóteses, é que as pessoas não vão esquecer. E não fica dinheiro lá, porque obviamente a pessoa que ganhou faz o show e vai imediatamente pegar o seu aviãozinho, seu carro, vai embora.
Tem esse modelo de repasses, né? E tem um um outro modelo de repasses aí, falando de Fundo Municipal de Saúde, que eu levantei junto com o Marco Sérgio Silva, que é secretário de redação do UOL. A gente mapeou alguns exemplos e mostra o famoso Marcão, é como não dá para atribuir às emendas dele, obviamente, mas dá para contextualizá-las no cenário político local. Então você veja Suzano, né, que você mencionou, que é uma cidade muito polarizada entre o petismo e o antipetismo.
O ex-prefeito Rodrigo Ashiuchi se elegeu em 2020 já pelo PL, mas ele tinha uma uma coligação amistosa com o petismo de modo geral, porque o vice dele era o Valmir Pinto, que tava então no PDT, mas que tinha sido um petista de longa data, candidato pelo PT, enfim. Então não tinha uma oposição ao petismo muito explícita, embora o próprio vice já tivesse saído do partido, tinha essa associação. Durante o mandato, ele foi fazendo uma guinada ao bolsonarismo.
Em 2024, Suzano foi a cidade que recebeu o maior volume de emendas do Valdemar naquele ano, que foram R$27 milhões milhões de reais em dois repasses em junho, pouquíssimo antes da eleição acontecer. Quando acontece a eleição, o que que acontece? O Ashiuchi—
detalhe, junho é importantíssimo você ter dito isso, porque julho começa o defenso eleitoral. Então você tem que gastar até junho, fazer o showzinho até junho, senão não pode mais, né?
O prefeito Ashiuchi apoia um outro candidato, Pedro Ishi, do PL. Ele próprio, Ashiuchi, vira secretário do Ricardo Nunes em São Paulo, vira de ver de meio ambiente, tá totalmente bolsonarizado a essa altura, e rompe com o Valmir Pinto. E o Valmir Pinto sai candidato contra o nome do PL, nome do PL se elege. Ou seja, teve um processo de retirada, né, do petismo, ou pelo menos, né, de uma convivência pacífica do PL no município, né, para abrir espaço.
Tanto é que depois, na eleição seguinte, ele tinha feito uma grande coligação. Nessa eleição ele faz uma coligação bem bem mais restrita assim, concentrada mesmo no PL.
Quer dizer, você conseguiu achar um sentido nacional estratégico, mais ou menos, né, Toledo?
Porque é muito, muito local, é literalmente o quintal do Valdemar. Aí tem outros exemplos aqui, por exemplo, Bebedouro. O prefeito era do DEM, em coligação com o PSD. Em julho de 2023, tá, ele deixa. Luca Serenho, nome do prefeito, prefeito, deixa o DEM e se filia ao PL. O Valdemar foi lá abonar a ficha dele, inclusive junto com o André do Prado, que é o presidente da Assembleia Legislativa e o pré-candidato do Valdemar ao Senado agora.
Eles foram lá em julho de 2023, abonaram a ficha do prefeito de Bebedouro. E aí, em junho de 2024, Bebedouro recebeu quase R$9 milhões em emendas do Valdemar. Em outubro, o Saren, esse prefeito, rompe com o PSD, que era o vice dele. O PSD lança um candidato, perde, e quem se reelege é também o PL, que era o novo partido do prefeito, numa coligação bem mais restrita também. E para terminar os exemplos, para chegar numa conclusão de o que que isso mostra da política do Valdemar, é o caso de Ubatuba.
A prefeita Flávia Pascoal era do PL, foi eleita em 2020 com aliança com o PSB e o PSB. Então também era uma composição com a centro-esquerda. Em 2024, depois de receber R$7 milhões em emendas do Valdemar, ela rompe com o PSB. O PSB lança candidatura própria, mas ela se reelege numa aliança restrita ao PRD. Então nesses 3 casos ele tirou da órbita do prefeito que é popular na sua cidade, que se reelege ou faz o sucessor, ele tirou qualquer composição com a esquerda ou centro-esquerda, com o petismo, e tenta fortalecer o bolsonarismo local.
Isso é uso partidário de dinheiro público, né? Porque você tá beneficiando só um partido, você não tá beneficiando a população daquela cidade, você tá beneficiando o seu partido. Isso aí realmente é um uso nacional estratégico, só que para o mal.
É assim, são 3 casos pontuais de uma emenda que não explicam a política municipal dos últimos Mas não é coincidência não, Thaís.
Você achou um padrão aí que faz muito sentido. Marco Sérgio Silva, muito boa essa história, muito bem localizado.
Porque as emendas deles são quase todas elas, né, desse montante todo de dinheiro, mais de R$100 milhões, são para municípios, a maioria deles concentrados em São Paulo, no estado de São Paulo. Tem alguma coisa na Bahia, alguma coisa em outros lugares, mas é quase tudo em São Paulo, que é o estado dele, onde ele opera a política mais de perto, né? E para municípios pequenos, boa parte deles são municípios pequenos que fazem essa política bem local, mas que no limite vão ajudando a fazer a capilaridade do PL para ajudar também na eleição de bancada e tal.
Lembrando sempre qual que é o objetivo desses presidentes de partido. Agora todos eles vão ter que explicar para o Dino se, como disse o Valdemar, mandam emendas mesmo. Mesmo. Tem um prazo aí para eles se manifestarem. Mas qual que é o objetivo? É fazer bancada de deputado, porque isso vai aumentar o fundo partidário, isso vai aumentar o fundo eleitoral, isso vai aumentar também a fatia de emenda não impositiva, que é orçamento de comissão, orçamento de bancada e tal, para os partidos.
Isso na melhor das hipóteses. Na pior das hipóteses, vai para um show que vai pagar um cachê altíssimo para uma pessoa só, coincidentemente sempre a mesma. Mas tudo bem, vamos lá, vamos lá então agora para a hora e a vez do descrédito do advogado ostentação. Vamos lá, Thaís Bilenck, quem é o advogado ostentação que caiu em descrédito?
Toledo, a história do Nelson Williams, que é o advogado que foi alvo de uma operação essa semana. É a segunda operação da qual ele é alvo, dessa vez operação policial, policial, da polícia. Exato, numa investigação que apura fraudes no ICMS em São Paulo e Paraná, que segundo as autoridades causaram um rombo de quase R$4 bilhões, R$3,8 para ser precisa, em imposto sonegado. Esse esquema usava empresas de fachada, boa parte delas inativas, para vender crédito falso de ICMS.
Você explica isso aí, porque basicamente assim, algumas empresas têm, digamos, tem direito a não pagar uma parte do ICMS porque tem crédito por N motivos, N leis, N brechas que existem. E você pode ter um mercado que você pode vender esses créditos para outra empresa que precisa pagar ICMS. E esse mercado é um mercado muito ativo, E o papel dos advogados, pelo que se leu nas reportagens, é de intermediar entre quem queria vender e quem queria comprar.
O único problema é que esse crédito era falso, porque a empresa não existia, já tinha sido fechada, o que implica que obviamente alguém na Secretaria da Fazenda estava covalidando um crédito no mínimo suspeito.
É, então essa foi a segunda operação. A primeira batida foi em 2025, no esquema do do INSS, que levou à prisão do famoso, aspas, careca do INSS, de um outro empresário. Nesse caso, eles eram acusados de cadastrar aposentados e pensionistas em associações, descontavam dos rendimentos sem conhecimento das vítimas, nem autorização, muito menos. E isso também provocou um rombo de quase R$6 bilhões nas aposentadorias e pensões. O Nelson Williams foi alvo dessa operação, não foi preso, como não foi dessa vez, mas foram apreendidos muitos bens dele e chamam atenção esses esses bens, porque essa é a faceta mais conhecida do Nelson Williams.
Naquela operação, por exemplo, apreenderam Ferrari, Porsche, Rolls-Royce com banco de couro, teto estrelado, avaliado em R$11 milhões, obras de arte. Ele é o advogado ostentação que usa as redes sociais dele, que já tem mais de 1 milhão de seguidores, para mostrar viagem, charutos, jatos, helicópteros, terros, ternos sob medida, ternos. Enfim, é um personagem que já se tornou conhecido pela—
até fez um perfil sobre o Nelson Williams anos atrás na revista Piauí, vale a pena ler.
E lá eu aprendi, fazendo essa reportagem, ouvindo ele, conversando inúmeras e longas vezes com o Nelson Williams, um pouco, claro, só um pouco, de como que ele cresceu tão rápido e tanto, a ponto de hoje de se considerar o maior escritório de advocacia do Brasil e da América Latina. Critérios aí cada um usa os seus, mas ele é grande. Ele primeiro surgiu, só lembrando rapidamente, como aquele advogado do João Dória em 2017, quando Dória era prefeito, cujos jatos foram usados pelo Dória para viajar para outros estados em agenda oficial.
Revelou-se que ele tava indo de carona no avião do Nelson Williams. Daí eles disseram que era troca de permuta de hora de voo, porque o Williams também usava avião do Dória e mas como ele tava cheio de ação contra a prefeitura, começaram a perguntar se aquilo lá não era conflito de interesse. E aí ele acabou renunciando todas essas ações e ficou muito famoso. Depois ele rompeu com Dória, depois perdeu contato com ele, mas continuou crescendo na política, né?
Ele disse que era muito próximo do Michel Temer, que foi professor de direito dele em Bauru. Depois tinha uma grande adoração e idolatria pelo Ives Gandra. O Ives Gandra era o principal o principal homem propaganda das peças publicitárias do escritório dele. Então você ia lá, tinha aqueles vídeos institucionais, e era sempre o Ives Gandra falando dele. Pois ele ficou muito também em evidência porque ele foi o advogado da mãe dos filhos do Gugu Liberato no processo de disputa da herança do apresentador.
Então ele apareceu muito. Em suma, Toledo, quando eu entrevistei ele em 2022, ele tava ainda em franca expansão, não tinha acontecido dessas operações. E ele disse algumas coisas importantes que depois eu fui agora apurar para entender melhor o método. Você olha lá no escritório, ele tem no site, ele tem unidades em quase todos os estados. No Maranhão, por exemplo, o diretor, sócio-diretor da unidade é uma pessoa muito ligada ao Zé Sarney, foi secretário da Sarney, quando ela era governadora do Maranhão.
Foi candidato pelo MDB a deputado estadual. E isso não é à toa. Ele mesmo me contou como é que ele conheceu o Sarney. Ele tava na unidade do escritório lá em São Luís e o sócio falou: você conhece o Sarney? Ele falou: ah, não sei quem é, né? Ele falou: você quer ir na casa dele? E ele: como assim? Ele mora aqui, tá em São Luís. Apontou para uma menina que tava lá trabalhando, uma advogada, e falou: é afiliada dele. Se você quiser, eu falo com com ela.
Ela passou a mão no telefone e em poucas horas ele tava lá tomando um cafezinho na casa do Sarney. O Sarney o recebeu cordialmente, falou: o que que o senhor deseja? Não, não, eu só gostaria de conhecê-lo e tal. Tiveram um papo agradável, disse que a casa dele é muito chique, cheia de obra sacra e tal. E depois Nelson Williams diz: eu encontrei várias vezes em Nova York, em muitos lugares, E sempre que eu encontrava, tinha aquela intimidade de quem tinha ido na casa do outro conversar.
Então foi muito mais fluida a relação das palavras dele a partir desse momento. Da mesma forma, ele falou do Davi Alcolumbre, que na época não tava como presidente do Senado Federal, mas tinha sido já e voltaria a ser. Falou, olha, toda vez que um advogadão do São Paulo, Rio, Brasília precisa tratar com Davi Alcolumbre, ele pede uma agenda, vai lá na residência oficial, encontra ele, dele naquele ambiente institucional. Eu não, eu tenho minha, meu escritório em Macapá, e eu sou recebido pelo Davizinho em casa de bermuda lá em Macapá, na casa dele, né?
Então toda vez que ele o encontra— e por que que é importante ter esse tipo de intimidade com políticos poderosos, segundo ele? Porque ele tem momentos em que o cliente dele tá em apuros, ele recebeu uma multa de um órgão de fiscalização, e a multa tava certa, tinha que ser aplicada mesmo. Mas a pessoa que deu, né, o fiscal lá que deu, acabou aplicando uma penalização de mais longo prazo, de 2 anos, qualquer coisa assim e tal.
E aí era uma decisão política que esse fiscal, ele podia ter aplicado a multa, mas ele foi além. Então ele, que que ele fez? Ele foi acionado pelo cliente, cliente contou a história, ele falou, peraí, preciso destravar isso com alguém. Aí ele liga para um senador da República Ele não quis falar quem era e diz que o senador tava em Londres. Ele atendeu o telefone ofegante, ele falou, o que que é, tá transando? E o senador dá risada e fala, não, tava na esteira e tal.
Então ele gosta também dessa intimidade, né? E aí ele relata o caso, fala como tá a relação com o governador. O senador desliga, liga para o governador, retorna para o Nelson Williams e fala, segunda-feira, 9 horas, pode ir lá que ele vai te receber. Aí recebe lá um coronel que ele disse que é muito bom porque a gente destravada, que não é gente do Sul que é metida, cheia de firula. O coronel resolve, resolveu, ligou para o fiscal, fiscal deu a multa, tirou o resto da penalidade e o cliente dele ficou feliz. Qual que é a estratégia, né?
Tráfico de influência, é isso que chama. É muito sensacional esse exemplo, é muito bom. Quer dizer, não existe almoço, nem cafezinho grátis, né?
Não tem. E Toledo, em algum momento a gente vai ter que olhar para advocacia brasileira hoje e entender que dentro deste grande guarda-chuva você tem um monte de categorias de atividades sendo desempenhadas, né?
É verdade. E aparentemente a principal delas é isso, né? É você ter acesso aos poderosos. Você sabe que quando a gente decidiu, você sugeriu fazer esse perfil na Hora e a Vez, eu liguei para um investigador que tá próximo dessa, dessa operação aí que o nosso William foi alvo e perguntei se havia algum risco dele ser preso, já que o montante é bilionário, já que envolve corrupção de servidores públicos, enfim, sonegação. Aí a resposta do investigador foi: me surpreende que ainda não esteja.
E eu perguntei: mas por quê? Falei: olha, porque veja bem, isso daí precisa de um núcleo dentro do poder público, precisa de um núcleo de quem fabrica esses créditos fictícios de do ICMS, só da participação de quem compra. E precisa de alguém que intermedie, que faça intermediação de tudo isso. Isso é mais do que crime organizado, são vários grupos organizados dentro de si, entre eles. Então isso já seria uma caracterização para pedir uma prisão preventiva.
Mas mais do que isso, você, na ordem de bilhão de reais em prejuízo para o Estado, você também está comprometendo a segurança econômica da população. Porque você tá tirando bilhões que poderiam ser usados na saúde, educação, etc., etc., que também seria um argumento para prisão preventiva. Então falou, me surpreende que esteja solto. Mas aí eu falei, bom, mas é um grande advogado famoso, isso geraria obviamente uma reação muito forte.
Você falou, sem dúvida nenhuma. E é o tipo de reação que talvez explique por que que não está.
É, e essa semana mesmo a OAB saiu em defesa do Flávio Bolsonaro porque enquanto advogado foi impedido de visitar o pai, né? Então você pode usar a sua carteirinha da OAB de muitas formas diferentes, né? E não necessariamente todas elas têm o mesmo propósito, né?
Dado tudo que o Flávio tem feito com absoluto sucesso, né, se ele fosse de fato advogado do pai, o pai dele provavelmente essa altura estaria na papudinha.
O Nelson Williams do escritório emitiu uma nota se defendendo das investigações. Essa nota diz que a gestão das operações mencionadas de CMS era responsabilidade exclusiva de outro escritório, DePaulo Advogados e Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com Nelson Williams Advogados. E ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes. Na medida cumprida nessa data, o escritório recebeu as autoridades, prestou integral colaboração e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários, e reiterou compromisso com a legalidade, a ética e a transparência.
Perfeito. Quer dizer, a explicação é: sim, tem, tem pepino, tem problema, mas quando eu cheguei já tava assim. Tá certo, Homer Simpson. Muito bom, Thaís Bilenck. Agora é a vez do descrédito geral e restrito.
Michele Bolsonaro contrariou a trajetória convencional de uma ex-primeira-dama. Desde que Jair Bolsonaro deixou a presidência, ela não sai do Se o Bolsonaro não tivesse perdido a eleição, ela não seria presidente do PL Mulher. Michele tem se tornado uma das figuras mais influentes da política brasileira, mas também uma das mais difíceis de acessar. Boa parte do que o público sabe sobre sua trajetória vem da própria versão que ela escolheu contar.
Nós não passamos fome, mas nós passamos dificuldade.
Mas o que existe para além dessa narrativa? Eu decidi que era hora É hora de mergulhar na história de Michele.
Os filhos não consideram a madrasta como família.
Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou, e eu não tinha feito nada contra ele.
Descobri como Michele de Paula Fimo Reinaldo se tornou Michele Bolsonaro. Este é Michele, um podcast original UOL Prime, disponível no UOL, no YouTube do UOL Prime e em todas as plataformas de podcast.
Thaís Bilenck, é com enorme pesar que eu comunico que estou perdendo de 0 a 1 para Horácia e a 2 para você. É isso, Toledo, apenas uma rodada. Nós estamos agora nas ex-primeiras-damas.
Vamos ver quem é que é essa semana.
Opa, Toledo, salve, Raiz, vamos continuar o torneio com frases supostamente ditas por primeiras-damas e ex-primeiras-damas. Hoje a personagem é Michele Bolsonaro. Frase 1: Nunca deixei que a política mudasse quem eu sou. Frase 2: Eu não mando recados. Quando eu tenho algo a dizer, digo olhando no olho. Frase 3: não existe direita forte sem famílias fortes.
Tá, Thaís acha que a primeira é verdadeira, eu também. Thaís acha que a segunda é verdadeira, eu acho que é falsa. E a terceira, acho que é falsa, eu digo que é verdadeira. Portanto, temos uma chance ou dela me golear e abrir 4 pontos de vantagem, ou eu empatar com a Thaís. Diga lá, Horácio.
Resposta: A primeira frase é falsa. A segunda é verdadeira e foi dita em vídeo postado por Michele neste ano. A terceira frase é falsa.
Opa, Thaís Bilenck, 4. Horácia, 2. Toledo, 0. Sensacional! Eu e as primeiras-damas nos damos muito bem.
Temos que continuar daí.
Não, eu acho que a gente devia mudar de assunto. Bom, vamos mudar de assunto aqui agora, falar sobre os recadinhos do nosso público. Paulo Barney escreveu lá no Spotify: quando você acorda 4:30 da manhã por causa do neném dentro de casa e se sentindo a única pessoa acordada no mundo, já tem A Hora no ar para te fazer companhia.
Muito bem, Paulo Barney, ótima companhia nesse momento, Paulo. A Maris no Zap: podcast é a minha bet, começa escutando no carro e me atrapalha de trabalhar porque quando chego no emprego não quero parar de ouvir.
A gente não ganha como as bets ganham, posso te garantir, Marisa, tá bom? E a Patrícia escreveu no WhatsApp: passei mal com o Toledo falando que assustou os gatos na hora do pênalti perdido, porque aqui em casa foi do mesmo jeito. É solidariedade aos seus gatos. Patrícia.
Antônio Monteiro no YouTube: não perco um programa de vocês, parabéns mesmo. Obrigado.
Silvia escreveu no Spotify: precisamos de 2 A Hora por semana na campanha eleitoral, muita coisa acontecendo. Sugiro um a meia hora e o outro a hora, só até o término das eleições.
Só, só, só, só, tá tranquilo.
Aliás, né, vamos já avisar, vamos, porque vai dar reclamação. Então já vamos deixar aqui vacinado: na semana que vem, Thaís Bilenk, não estará aqui porque estará conhecendo outras partes, merecidamente, de férias. Então ela não estará apresentando o programa, eu estarei. E na outra semana subsequente a essa será o inverso, eu estarei em outras plagas e Thaís Bilenk estará apresentando o programa.
Então vocês já fiquem avisados que vai ser um pouquinho diferente, mas vai ser nós aqui.
Bom, deixa eu fazer uma correção antes da gente acabar, Thaís Bilenk, porque no programa passado eu declarei aposentadoria injustamente do Patrozananias, que continua na política. Não só continua, como é deputado federal por Minas Gerais. Perdão, errei.
Quanta semana? Até daqui 2, 3 semanas, Toledo.
É, 3 semanas. Nossa, nossa, eu já tô com delírios extremos aqui, já tô tremendo aqui também.
Mas a gente vai sobreviver.
Isso, mas eu Volto a semana que vem.
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