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A Hora #96 - Flávio escorrega, delação-iceberg derrete, big techs esperneiam

22 de maio de 20261h11min
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Nesta edição do A Hora, José Roberto de Toledo e Thais Bilenky falam a respeito dos rumos da campanha de Flávio Bolsonaro, da proposta de delação de Daniel Vorcaro, a proposta do governo Lula em relação as big techs e mais bastidores exclusivos.

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Assuntos5
  • Campanha de Flávio BolsonaroAdmissão de visita à casa de Daniel Vorcaro · Troca de marqueteiro · Rumores sobre Rogério Marinho · Prazo de 15 dias para reorganização · Mário Frias e sua ausência · Encontro com a Faria Lima · Especulação sobre André Esteves · Possível nome para Ministro da Fazenda · Mansueto de Almeida · Diferenciação da economia em relação ao pai
  • Delações Premiadas e InvestigaçãoRejeição da delação de Daniel Vorcaro pela PF · Negociação da PGR com a defesa de Vorcaro · Delação iceberg · Fim da ideia de delação como prova · Delação como guia para investigação · Rejeição da delação de Beto Louco · Delação de Mauro Cid · Estratégia de defesa desatualizada · Repercussão política para Ciro Nogueira
  • Crimes de Maio de 2006 e PCC20 anos dos crimes de maio · Pesquisa sobre segurança pública e violência policial · Ineficácia da política de execução sumária · Crescimento do PCC apesar da prisão da cúpula · Necessidade de asfixiar financeiramente o crime organizado · Reparação e indenização para famílias das vítimas · Arquivamento de inquéritos e falta de responsabilização · Ação no STJ sobre imprescritibilidade dos crimes · Comissão Interamericana de Direitos Humanos · Caso Bristol · Operação Escudo e Operação Verão
  • Big Techs e Marco Civil da InternetRegulamentação do Marco Civil da Internet · Responsabilidade das plataformas por conteúdo de terceiros · Decretos do governo Lula · Dever de cuidado das plataformas · Remoção de conteúdos ilícitos sem decisão judicial · Tipos de conteúdo proibido (terrorismo, suicídio, discriminação, violência contra mulher, crianças, Estado Democrático de Direito) · Proteção de mulheres em ambiente digital · Prazo de duas horas para remoção de nudes não consentidos · Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) · Ataques coordenados contra mulheres · Liberdade de crítica e sátira
  • Tráfico de Cocaína no Porto de SantosApreensão de cocaína na caixa de mar de navio · Operação coordenada entre Receita Federal, PF e Marinha · Porto de Santos como hub para exportação de drogas · Rotas de tráfico (Rota Caipira, fronteira com Bolívia/Paraguai) · Métodos de tráfico (caixa de mar, içamento) · Rivalidade entre órgãos de segurança pública · Importância da inteligência da Receita Federal · Asfixia financeira do crime organizado
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Opa, Thaís. Salve, salve, Toledo. Eu sou José Roberto de Toledo e esta é a Hora, podcast sobre notícias aqui no UOL. Eu sou Thaís Bilenk e toda semana a gente bate um papo sobre os principais assuntos do noticiário. Hoje, hein? A Hora. Flávio tropeça e a direita escorrega. Delações iceberg derretem. Big Tex, toma que o filho é teu. PCC, 20 anos depois. E a Hora e a Vez da cocaína submersa.

Na hora extra desse sábado, a musculatura suprema. Quer entender o que aconteceu essa semana? Chegou a hora.

Eita, Esbilencki, você sabe que tem gente querendo que a gente faça hora extra, trabalho de madrugada permanentemente, né? Durma. Durma? Não, nem dormir. Não durma. Não durma. Mas mantém o show. Exatamente. A culpa é sua, né? Diga-se de passada, a culpa é sua. Sempre é sua. Por definição, é sua. Porque você resolveu fazer aquela hora extra na madrugada de Nova York, as pessoas gostaram e agora elas querem sempre. Acharam divertido.

acharam uma farra. Vamos fazer uma programação assim, cada madrugada num lugar mais inusitado. Isso, Thaís Bilenk pelo mundo.

Valeu, gente. Patrocínio. Vamos fazer uma caixinha lá. Parig. Uma caixinha dos ouvintes da hora. Vai pagar passagem para... Fazer uma vaquinha online para fazer um tour por aí. É isso aí. Bom, vamos lá que... Estamos recuperados, estamos de volta ao nosso batente, ao nosso bate-local. Exatamente. Não é só porque seis por um naufragou no Congresso que nós vamos implantar a jornada sete por zero aqui, não. Não, não. Vamos embora. Vamos embora.

Thaís Bilenk. Que semana? Essa, eu confesso que eu estou me divertindo, Thaís Bilenk. Tá curioso, assim, porque desde a semana passada, quando teve aquela bomba que a gente já comentou, né, no programa passado, você lá em Nova York, inclusive.

comentando esse assunto, muitas coisas aconteceram, tanto dentro da campanha do Flávio quanto fora. A direita como um todo se sentiu abalada, impactou todo mundo. É como se fosse um terremoto. Um bate-cabeça generalizado. E a campanha foi dando umas demonstrações de fraqueza que quanto mais tentava demonstrar força, mais fraca ficava.

Então foi uma sucessão de problemas que... Fala o termo técnico aqui em homenagem aos nossos ouvintes, aquele que você queria botar na chamada e eu não deixei. Qual que era? Força fraca. A força fraca, que agora a gente usa termos da física. Exatamente. Quântica, é quântica, né? Sei lá. Da física, chique. Já é muito, né? Exato. Física, identificar que é física já tá bom.

Porque o que aconteceu? Bom, depois da revelação dos milhões e milhões de reais do Vorcaro, supostamente destinados à produção do filme, o que aconteceu depois disso de mais relevante? Aconteceu que o Flávio Bolsonaro admitiu que foi até a casa do Daniel Vorcaro quando ele estava de tornozeleira eletrônica sem poder sair de São Paulo. Ou seja, preso em casa. Preso. O Flávio foi até lá. Gostei da desculpa.

Ele diz que foi até lá para botar um ponto final na relação, que ele não sabia da gravidade das investigações, que se soubesse ele já teria ido atrás de outros investidores para o filme sobre o pai. Definitivamente o Flávio Bolsonaro não lê jornal, não vê televisão, nem entra na internet.

Porque o que aconteceu foi que o Metrópolis tinha dado essa informação, o Flávio confirma e aí ele tenta se antecipar dando já uma justificativa. Só que a justificativa gera mais questionamento. E ele está nessa espiral em que ele tenta antecipar e já justificar, isso gera mais questionamento desde que começou a crise. Então, depois disso...

começou uma especulação antes, já tinha começado, sobre uma eventual substituição dele, a Michele Bolsonaro. Ela sorri numa aparição rara, aparição pública, ela estava totalmente submersa, ela aparece publicamente, perguntam para ela sobre o Flávio, ela sorri e diz que isso tem que ser com o Flávio. Ou seja, entregou o Flávio aos leões.

E aí ainda fala que o Alexandre de Moraes, nosso irmão em Cristo, autorizou a ida do cabeleireiro até a casa dela para cortar o cabelo do Bolsonaro. Sobre isso, só vou fazer um parênteses rápido. Eu pedi para a Pauver dar uma monitorada na Michele.

Ela teve alguns pequenos picos, mas ainda números muito baixos. Porém, quando você entra no grupo dos bebedores de detergente, ou seja, bolsonarismo raiz, já tem um processo de vacinação contra a Michele. Os caras já postando, ah, Michele, o Jair vetou a Michele, a Michele não gosta dos filhos do Jair. Ou seja, já tem ali uma tentativa de conter qualquer movimento da Michele em direção a uma candidatura.

E já vai mostrando essa bateção de cabeça, né? Bom, aí ele, no meio disso tudo, decide trocar o marqueteiro da campanha. Então, o Marcelo Lopes, conhecido como Marcelão, que é um amigo dele pessoal de longa data, anuncia que está saindo. E eles colocam um outro marqueteiro, Eduardo Fischer, no lugar.

É completamente diferente o perfil dos dois, porque o Marcelo é um ex-policial civil do Distrito Federal. De relações pessoais, o Eduardo Fischer é um publicitário mesmo do mercado. Publicitário de campanha da Brahma. Do baixinho da Kaiser, enfim. Ou seja, todas essas marcas de cerveja que não existem mais. Exato. Como indústria separada. A Ambev comprou todas, que eu quero dizer.

Aí o Rogério Marinho, que é o coordenador geral da campanha, também começa um rumor em relação ao papel dele na campanha. A Letícia Casado do UOL publica essa informação, inclusive, de que ele vai deixar de ser uma coisa para ser outra. O Rodrigo Sacone, que é o assessor do Rogério Marinho, muito ligado a ele, deixaria de ser o assessor de imprensa da campanha, mas da coordenação...

Um monte de... Uma zona, em outras palavras. Aí saem notícias dizendo que o PL, o partido do Flávio Bolsonaro, dá 15 dias pra ele se reorganizar pra manter a candidatura. Aí o Valdemar vai a público negar que deu 15 dias. E o Mário Frias...

Some. Some, vai para o Bahrein. E sobre o Bahrein já falamos bastante. Voltaremos a falar do Bahrein. Só para deixar claro, Mário Frias é o produtor executivo do Dark Horse, ou seja, o Pangaré que virou presidente. E aí o Mário Frias, que tinha dado uma versão muito diferente da do Flávio, ele tinha dito que não tinha dinheiro do Vorcaro. Garantido, batido o pé. Teve um xilique para falar. E aí o próprio Flávio diz que sim, tinha tido. Depois de ter dito que não, não tinha. Então todo mundo...

Diz, diz, diz. Diz, diz, dizendo uma confusão, né? E aí ele tá sumindo, Mário Frias aí nessa quinta-feira diz, olha, ministro do Supremo, eu estou aqui, eu vou voltar, estou à disposição. É uma tentativa o tempo inteiro de antecipar, mas sempre muito atrapalhado. E aí, na quarta-feira, começa uma corrida nas redações.

para saber onde é o encontro do Flávio Bolsonaro com a Faria Lima. Empresários, investidores. Que encontro do Flávio? Que iam recebê-lo. A campanha, a gente procura a campanha, eles falam, agenda fechada. Aí começa a procurar pessoas próximas. Ou seja, alguém vazou que tinha esse encontro, mas a campanha não confirmava.

A campanha diz que era um... não negou, mas diz que era uma agenda fechada. E aí começa uma grande especulação de que seria um encontro com o André Esteves, dono do BTG Pactual, inicialmente no próprio BTG, depois na casa de outra pessoa. O fato é, não houve um encontro com o André Esteves nem no BTG Pactual e não só o próprio André Esteves, como outras pessoas do BTG, passaram o dia atendendo telefonemas e respondendo mensagens, negando que houvesse esse encontro, não houve sequer uma conversa por telefone.

Mas você acha possível que a campanha do Flávio Bolsonaro seria capaz de vazar uma notícia falsa só para fazer de conta que eles estão bem? Olha, eu não sei se eles fizeram isso. O que eu sei é que eles não impediram... Que o ato prosperasse. Porque virou aquela não notícia que se torna a notícia. O BTG passou o dia negando esse encontro. Se houve outro com empresários ou investidores.

Ninguém quis ir a público dizer, eu estive lá, eu fui, eu estive convidado. Tampouco o próprio Flávio quis dar publicidade a esse encontro. Então houve uma tentativa de criar um ambiente que, de alguma forma, legitimasse a candidatura do Flávio, no momento em que a gente noticiou em Nova York. Os empresários, os investidores, os banqueiros estavam desanimados com a candidatura dele.

Antes mesmo de ter estourado o escândalo. Até antes, quanto mais depois. E é curioso isso, esse encontro que não houve. Um tempo atrás, na busca de legitimação da candidatura do Flávio Bolsonaro também, começou uma especulação de que ele já teria um nome para ministro da Fazenda. E esse nome seria o Mansueto de Almeida, que é economista-chefe do BTG Pactual, do Banco do André Esteves, que foi secretário do Tesouro.

O Mansueto de Almeida passou pela Fazenda, pela Secretaria do Tesouro, Secretaria de Acumpriamento Econômico, nos governos Temer e Bolsonaro. Essa notícia até hoje circula ainda. E até hoje o próprio Mansueto, o pessoal do BTG, diz que não, não é verdade. Que ele não tem nada encaminhado com...

o Flávio Bolsonaro, muito pelo contrário. Se eventualmente for convidado para trocar ideias, conversar, sugerir propostas, ele pode avaliar e aceitar, mas mais do que isso não existe. E esses ruídos que sempre acabam batendo na porta do BTG Pactual, acabam deixando também um pé atrás nesse setor, nos bancos de modo geral, porque é um ruído, de onde que vem? De onde que vem esse tipo de informação que não procede? Por que essas informações estão vindo?

O Flávio Bolsonaro, quando se posiciona sobre a postura dele na economia, ele tenta se diferenciar muito do pai. Ele diz que o pai não se interessava pelo assunto, delegou tudo ao Paulo Guedes, o Paulo Guedes ultraliberal, dizia que o Estado tinha que ser mínimo e tudo mais. E o Flávio Bolsonaro, em algumas conversas...

com investidores, com banqueiros, com empresários, e ele diz, não, olha, o Brasil precisa sim de programa social. Na minha gestão vai ser diferente da que era do meu pai, porque eu me interesso por esse assunto e tudo mais. Então ele está tentando, com isso, criar alguma robustez para essa plataforma de campanha dele, só que nessa tentativa, às vezes fica só a fumaça e mais nada. Então é mais uma indicação de que a campanha, nessa bateção de cabeça, acaba batendo mais a cabeça.

Thaís, não foi só na campanha do Flávio Bolsonaro e dentro do bolsonarismo que esse terremoto se manifestou, né? A interpretação, por exemplo, do novo, do caso do Romeu Zema, que é pré-candidato a presidente da república, foi de que valeu a pena ter batido no Flávio. Ele acha que cresceu e teve um outro impacto lá em Minas Gerais. Ele deixou o governo do estado para se tornar candidato a...

o presidente, assumiu no lugar o vice o Matheus Simões, que estava tão mal nas pesquisas que estavam empurrando ele pro palanque do Flávio, lá em Minas Gerais. O Matheus Simões do PSD, né? Ele não é do novo. Ele mudou pro PSD pra sair candidato.

E o Matheus Simões já está se sentindo desobrigado a subir no palanque do Flávio, né? Se é que vai ter palanque do Flávio. Tem um processo de divórcio para ser assinado, mas que está em curso. Exatamente. E isso é só um exemplo, porque tem muita gente reavaliando essas alianças. A gente já falou semana passada, né? Como é que o Moro, com essa agenda legalista, anticorrupção, vai apoiar um candidato que pediu milhões para o maior vilão do Brasil.

E o Moro ainda se prestou a ir a público na terça-feira, depois de uma reunião interna do PL, do Flávio Bolsonaro com deputados e senadores, em que ele admite que foi a casa do Vorcaro. Depois dessa reunião, ele faz um pronunciamento e um monte de parlamentar do PL está junto. E viraliza a imagem do Moro olhando meio para o nada, meio para o além, enquanto ele fala das relações dele com o Vorcaro. Ele de papagaio e de pirata.

Sérgio Moro ainda se prestou esse papel. Tem gente que nem isso, tipo o Nicolas Ferreira não foi. Então, o Nicolas Ferreira tá esperando ver pra que lado bate o vento pra ele seguir o vento, né? Então, ele tá dando aquelas declarações vasilinas do tipo assim, não, vamos ver, esperar, né? Direito à defesa, não sei o que lá. Não defende nem ataca. Já o Cleitinho, senador por Minas Gerais.

possível, talvez, quem sabe, candidato a presidente, cotado para ser candidato a governador de Minas, ele pode ser tudo... Esse é verdadeiramente um político quântico. A personificação da física quântica na política, porque ele está em todos os lugares ao mesmo tempo e em nenhum também. Esse daí está mais mudo do que passarinho na muda, entendeu? Não abre o bico, e o que é muito indicativo, né? Porque, teoricamente, ele seria um aliado do Flávio.

Mas não é um bolsonarista raiz, muito pelo contrário. Então, sabe-se lá o que acontecerá. Em suma, o quadro mudou. É, porque os partidos do Centrão, Republicanos, o PP do Ciro Nogueira, o Partido Progressista, o PL é dependente do Bolsonaro. Então, a decisão do pai vai determinar a posição do partido em 2026. Mas os outros partidos do Centrão que formam essa aliança com eles atualmente...

são partidos que querem fazer bancada. O objetivo deles é esse. Se eles avaliarem que é muito melhor sair sem apoiar ninguém a presidente e fazer bancada com os puxadores de voto deles próprios, eles eventualmente vão fazer isso. Se isso significar para os republicanos lançar o Cleitinho a presidente para puxar voto para bancadas no país inteiro, eles fazem isso também. A avaliação vai ser bastante pragmática. Já estava sendo, porque o Flávio nunca foi o candidato favorito.

Era o Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. E aí, agora, menos ainda. Bom, e a prova dos nove virá nesta sexta-feira à noite, quando sai uma pesquisa de verdade. Sai o Datafolha, que vai ser a medição perfeita. Porque o Datafolha terminou de fazer a pesquisa que foi divulgada no final da semana passada, no dia que estourou, horas antes de estourar o escândalo. E agora ele fez uma pesquisa...

uma semana depois. Então vai dar para saber exatamente qual foi a variação do Flávio, se é que houve uma variação. Está todo mundo apostando que vai ter aí uma queda, mas quando eu falar isso, já vai estar meio vencida a minha opinião, porque nem vou dá-la, porque já vai ter o número do data folha. Eu acho que isso daí vai moldar se o terremoto vai continuar.

ou se eles vão ter uma estabilidade para tentar reorganizar a casa. Enfim, o cenário, aquela metáfora da mineira, por sinal de que política é como nuvem, cada vez que você olha está de um jeito, no Brasil é como furacão, né? Porque cada vez que você olha, a casa voando.

Vaca voando, asno voando, enfim. Detergente voando. Essa frase originalmente é pensada assim, pelas circunstâncias da política, alianças, negociações. Aquela nuvenzinha branca. Aqui não, aqui é nuvem de tempestade. Raios, trovoada. Aqui o filme é de terror. É isso aí.

Bom, Toledo, essa semana nós tivemos a informação de que a delação do Daniel Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal, que não escondia de ninguém que estava vendo as possibilidades de informação que o Daniel Vorcaro estava vendendo. Eram fracas diante do que eles próprios tinham investigado, policiais federais.

Mas, ato contínuo, a Procuradoria-Geral da República diz que segue em negociação com a defesa do Daniel Varcário. Isso diz um pouco sobre a relação da PF com a PGR, mas diz também muito sobre o papel das delações premiadas no Brasil. Exatamente, Thaís. Conversando com...

Outros investigadores, eles usaram uma expressão que eu vou adotar, que é a chamada, eles estão chamando de delação iceberg. Mostra só a pontinha e tudo que interessa está embaixo d'água, né? Ou seja, eles não revelam. E a explicação que me deram é a seguinte, isso é uma coisa do passado.

Essa ideia de que delação é prova acabou. Isso foi uma ideia da Lava Jato, que se confundiu com esse instrumento, que na época era relativamente novo. Considerou que a delação, só o fato de um criminoso, em busca de benefício, dizer alguma coisa, constituir a prova contra alguém ou contra outras pessoas, isso não existe mais entre quaisquer investigadores sérios hoje no Brasil. A delação serve como um guia para complementar...

uma investigação que já existe, que realmente interessa e que vai conduzir a uma eventual condenação, são provas materiais, são coisas que você consegue demonstrar fisicamente. Bom, o que eles dizem aqui, então, essas delações iceberg?

Estão derretendo e vão continuar derretendo. E não é só a do Vorcaro. A do Beto Louco, por exemplo, o operador financeiro do PCC, que dizia que queria falar tudo, menos que era do PCC, já foi rejeitada, não formalmente, mas na prática já foi para o espaço. Ou já foi para baixo d'água, sei lá.

E assim outras que viriam na esteira da do Vorcaro, que estavam na fila esperando o Vorcaro delatar. O que os investigadores dizem? As defesas ainda não se adequaram aos novos tempos. Elas ainda estão com o raciocínio lavajatista, de que basta entregar umas migalhas que você consegue safar o seu cliente. Isso acabou, segundo os investigadores. Você precisa dar algo que eu não sei, algo que seja realmente importante, substancial para a investigação, e não é o que tem acontecido.

De alguma forma, a delação do Cid, do tenente coronel Mauro Cid, que resultou em toda a investigação da trama golpista, não resultou porque já tinha sido iniciado, mas ela foi desbravadora em termos de investigação. É um exemplo bem sucedido de delação 2.0. Mas você lembra como foi dura? Dura. Porque ele vinha, falava uma coisa... O Alexandre de Moraes bancava ali.

Não, quero mais. E daí vinha mais. Já era um primeiro sinal de que não bastava vir com qualquer coisa. Você tinha que vir com coisas que você não queria falar. Você tinha que entregar o seu chefe. Não adianta vir entregar o subalterno. Exato.

E essa troca-troca de advogados, toda vez que começa uma negociação, é muito sintomático também. Porque não basta trocar por um que aceita fazer a delação. Esse novo pode, eventualmente, não concordar com os termos da proposta do cliente. Isso está acontecendo com o próprio Vorcar e outros que estão agora em negociação.

provavelmente porque o advogado antecipa para o cliente e falar isso daí que você está querendo falar não vai adiantar nada, eles não vão comprar. Aí o cara bate o pé, troca o advogado e dá no que deu. Mas enfim, tem um outro aspecto. Isso é um aspecto mais técnico, digamos assim, mas que tem muita repercussão política. Por quê? Em Brasília, o que eu ouvi é que foi uma decepção para os outros potenciais envolvidos nesse escândalo, como o Ciro Nogueira, de quem falaremos em breve,

Porque contavam com uma delação iceberg, que ia revelar muito pouco e nada sobre eles, como elemento de defesa. Porque é isso, se o principal delator não cita o seu nome, ou o meu, a gente fala, não, a gente é inocente. O cara não falou na gente, a gente é inocente. Vira um argumento.

favorável à defesa deles. Exatamente. Então, isso meio que desarticulou a estratégia que eles tinham montado em torno da delação do Vorcaro. E o Ciro Nogueira, presidente do PP, mostrou-se já tinha indícios disso, mas agora ainda mais. É um para-raio.

De bandido, é uma coisa impressionante, porque além de ter feito emendas, como você já relatou várias vezes, para ajudar o Vorkário e o Master e ter recebido o dinheiro deles, etc., agora uma reportagem do Breno Pires mostrou que ele recebeu dinheiro da Refit, do grupo que foi fechado.

pela Justiça, pela Receita, Polícia Federal, Ministério Público, porque era o maior senagador do Brasil. Ele até admite para o repórter, o senador, que uma empresa ligada à família dele recebeu dinheiro pela compra de um terreno lá no Piauí, perto de Teresina, etc.

mas que recebeu a maior parte do dinheiro, mais de 10 milhões de reais, mas ainda não passou a escritura porque está faltando uma complementação. Suspeito que essa complementação nunca virá e a escritura ficará onde está. Mas diz que não tem nada a ver.

O Ciro Nogueira teve um papel importante na tramitação da lei do devedor com Tomás, que enquadra figuras como a refite, que sonegam como modelo de negócio. E ele se opôs frontalmente, publicamente, a esse projeto, ou pelo menos tentou apresentar emendas que mudavam o perfil do projeto.

Exatamente, e eram específicas para o setor de combustíveis, e tornavam praticamente inviável você classificar alguém do setor de combustíveis como um sonegador quanto mais. Então, é um modo desoperante, a gente não acredita em coincidência, pero que lá sai, lá sai, porque não é a primeira, não é a segunda, não é a terceira vez que o Ciro Nogueira se mete numa situação como essa. Agora, aproveitando que a gente está falando de refit,

Houve na semana passada uma operação que teve como alvo o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, em relação à refite. Os investigadores apontam que o governo Cláudio Castro no Rio favoreceu a refite, que deve bilhões aos cofres estaduais. A gente deu essa notícia aqui. Talvez tenha passado despercebido, mas a gente contou essa história muitos meses atrás.

O Ricardo Magro, que é o dono da Refit, mas diz que não é, simplesmente nomeou o secretário da Fazenda do Cláudio Castro. O secretário mais importante do governo. E não só o secretário, como metade do staff. E esse cara agora foi demitido, porque trocou o governador, saiu o Cláudio Castro e boa parte da equipe dele. Agora, sabe quem mais nomeou secretários do Cláudio Castro? Que também foi alvo dessa fação. Flávio Bolsonaro, que também nega que tem...

nomeado secretários no governo Cláudio Castro. Então, assim, as investigações, elas estão avançando. Não é na velocidade de um filme de ação, mas é numa velocidade de novela. Um pouquinho toda semana. Ou de minissérie semanal. Agora...

No caso específico da Refit, tem um outro caso interessante, porque além da refinaria em si, que foi fechada, são dezenas, talvez centenas de outras empresas que estão nessa mesma rede. E é muito difícil de identificar, porque muitas estão em nome de laranja, estão em nome de associados não diretos. Ricardo Magro tem empresas em nome dele.

do pai, da mãe, do avô materno, do tio, é da família inteira. E aí quando você vai pegando as relações, você encontra, sabe? Você pega todas as empresas que foram alvo, por exemplo, da operação da Receita Federal Poço de Lobato, ou da Carbonoculto, que foi um desdobramento da outra operação.

que pegou a REAG aqui na Faria Lima, elas se conectam, podem estar com muitos graus de separação entre si, mas tem um link entre elas, entendeu? E eu sei que os investigadores estão atrás de desvendar todas essas, se não todas, a maior parte dessas empresas que não estão diretamente ligadas ao grupo, e não só os investigadores policiais, como a Receita Federal também. Então...

são os próximos capítulos dessa minissérie que a gente verá em breve e sabe-se lá onde vai bater, porque daí você descobre que uma dessas empresas fez negócio com a empresa de um senador da República. Vai saber quantas empresas dessas fizeram negócio com quantos senadores. É isso. That's it. That's it. Agora vamos falar de outras empresas, um pouquinho maiores.

Thais Bilenk, nesta quinta-feira acordamos com a notícia de que a influencer Deolane Bezerra, que tem sei lá quantos milhões de seguidores, não sei quantos milhões de redes sociais, foi presa de novo. Ela é advogada, mas ela é notória por ser uma celebridade. Celebridade é aquela pessoa que é famosa e a gente não sabe porquê.

E ela foi presa, acusada de estar ajudando ninguém mais, ninguém menos, do que a família Camacho, do Marcola, chefe supremo do PCC, a lavar dinheiro. Tem transações envolvendo a conta pessoal dela e empresas ligadas ao PCC. Saiu mandar de prisão, curiosamente, para ela, para o Marcola, que já está preso, para o irmão do Marcola, que também já está preso, e para o sobrinho, que mora no exterior.

Isso é muito revelador do PCC, né? Que a gente vai falar no próximo bloco. Exato, é. Mas a gente está usando esse gancho para falar de outro assunto. Exato, porque ela, antes disso, já tinha sido presa acusada de envolvimento com o jogo do bicho que fez uma ponte para as bets, legais ou ilegais, e ostentava, né? Carros e joias, etc, etc.

Então essa função do influencer das redes sociais está se mostrando que é mais apenas do que ostentação. Aparentemente é também um mecanismo que pode ser usado pelo crime para lavar dinheiro. Por exemplo. E agora temos uma decisão do governo que vai ao encontro de uma decisão do Supremo que transforma as big techs em... leva elas para a maioridade?

Entrega a elas a responsabilidade pelo conteúdo de terceiros, pelo filho, né? Toma que o filho é teu. Esse caso da Adelone, a gente tá mencionando ele porque o lugar central que ela adquiriu nessas investigações, que fez com que ela fosse presa mais de uma vez, é porque ela é essa influenciadora de milhões e milhões de seguidores. Se não fosse isso, provavelmente ela não estaria nesse esquema, pelo menos não com essa centralidade, o fato de você ter uma atividade cujo valor...

Não é mensurável, do ponto de vista, assim, você não pode dizer quanto custa um post na sua rede social? Ah, o meu eu sei, zero.

É um valor subjetivo. Sim. Mas, até ontem, até quarta-feira, as redes sociais de alguma forma, as plataformas, mesmo quando ganhavam dinheiro para veicular conteúdos patrocinados, elas tinham, por conta da decisão do Supremo, o anterior. Mas agora, quando o decreto fica regulamentado, elas não tinham que ter a proatividade de zelar pela legalidade dos conteúdos que elas veiculam. E agora isso mudou. O que aconteceu?

O governo Lula editou dois decretos para regulamentar o marco civil da internet. Então, o marco civil da internet é de 2014. O decreto que regulamentava eles é de 2016. O Brasil foi muito pioneiro, inclusive, com essa lei. Agora, o governo atualizando, dez anos depois, em 2026, ele está dando uma forma...

para a lei que rege as relações na internet mais atualizada e mais atinada com situações como essa em que muita coisa acontece na rede social. Eu conversei com a Nina Santos, que é secretária adjunta de políticas digitais da SECOM e está na elaboração, a posição central na elaboração desses decretos.

O Supremo, a gente falou aqui, ele reformulou o artigo 19 do Marco Sigfield da internet, dizendo que sim, as plataformas são responsáveis por conteúdos de terceiros, dependendo do caso. Então, se é crime contra a honra, tipo calúnia, difamação, precisa de uma decisão judicial para tirar o conteúdo do ar.

Se houver a veiculação de um conteúdo que configura um ilícito, um crime grave, as plataformas são obrigadas a remover, mesmo que não tenha havido uma decisão judicial nesse sentido. Tipo, se alguém incitar alguma pedofilia, elas têm que tomar a atitude de tirar do ar sem que a justiça determine isso. São sete tipos. Ah, vamos lá então.

Conteúdos relacionados à propagação ou preparação de terrorismo, terrorismo e atos preparatórios. Isso quem definiu foi a nova formulação do Marco Civil da Internet que o Supremo julgou, né? Artigo 16b. Induzimento ou instigação de... ou auxílio de suicídio, portanto, conteúdos que, de alguma forma, instiguem e facilitem a prática de suicídio. Discriminação de raça, cor, etnia, religião.

violência contra a mulher, violência contra crianças e adolescentes. Por violência, eu estou falando de uma maneira genérica, há vários tipos de exploração das crianças e adolescentes, que podem haver tráfico de pessoa e crime contra o Estado Democrático de Direito. Então, são esses os sete tipos de conteúdo que é considerado crime e que as plataformas passam a ter o dever de cuidado, que é o termo técnico.

de remover, então elas têm o dever do cuidado de zelar que as plataformas delas não veiculam esse tipo de conteúdo. Se eu entendi bem, se essa determinação tivesse valendo em dezembro de 2022, janeiro de 2023, não teria havido a festa da Selma.

E é muito importante esse comentário que você está fazendo, porque o dever de cuidado não significa que cada conteúdo publicado pelos bolsonaristas que estavam articulando a festa da Selma, que cada um desses conteúdos deveria ter sido retirado, removido, se essa mudança de artigo já estivesse em vigor, que cada um deles deveria ter sido removido sob pena da plataforma ser sancionada.

O que o dever de cuidado impõe é que elas vão ser sancionadas, eventualmente, por um comportamento sistêmico. Ou seja, muita gente postando e as plataformas não reagindo a isso. Ao ponto de criar um ambiente em que determinados conteúdos ilícitos sejam veiculados livremente. É fechar os olhos, né? A festa da Selma só existe porque tinha muita gente articulando o mesmo ato criminoso.

Não porque uma pessoa ou um influenciador postou alguma coisa. O órgão que vai ser responsável por vigiar, monitorar e aplicar sanção eventualmente é a Agência Nacional de Proteção de Dados. E eles não vão nunca acionar você, plataforma, por uma coisa só e sim por um comportamento sistêmico. Viralizou, tem que tirar do ar.

inclusive está explícito isso num artigo que eles estão vedados de notificar para a moderação de forma isolada. Só foram dois decretos que o governo baixou um primeiro que fala de forma mais geral desses vários tipos de conteúdo ilícito e tem um específico de proteção de mulher em ambiente digital. E esse, ele estabelece um prazo para a retirada do conteúdo íntimo não consentido, portanto...

nudes que foram feitos à revelia da mulher ou fabricado por inteligência, as plataformas têm duas horas para tirar esse conteúdo. Duas horas. E as plataformas estão reagindo mais a isso do que ao outro decreto, porque, de alguma forma, o outro decreto já era o que o julgamento do Supremo estabelecia. Agora tem forma.

Aqui elas estão dizendo que é muito difícil fazer nesse prazo, mas o decreto diz isso e diz inclusive que elas têm que, as plataformas, avisar os usuários do que elas estão fazendo. Tiramos porque esse conteúdo violava isso e aquilo. Ou se julgar que não era uma violação, que aquele conteúdo não deveria ser retirado, também prestar contas em algum momento de por que tal conteúdo não foi removido.

Quem que pode notificar as plataformas? Porque esse dever se aplica quando há uma notificação. Então, no caso, por exemplo, das mulheres, é a vítima ou seus representantes legais, fora, claro, Ministério Público e outras autoridades, né? Os crimes em geral, aqueles que a gente falou, é uma notificação genérica de usuário e a classificação de usuário precisa ser regulamentado pela própria Agência Nacional de Proteção de Dados que vai fazer um regulamento sobre os notificantes autorizados a fazer esse tipo de reclamação.

E é um tema que o Supremo, inclusive, vai voltar a julgar. Nos próximos dias, o Toffoli pautou esse julgamento sobre quem é o usuário que pode notificar. Isso está em debate ainda, é um tema que está em aberto. Agora, você vai me dizer o seguinte, bom, muitas vezes alguém notifica, a plataforma pode contestar, e aí vai depender de quem está certo, e vai judicializar. Sim, isso é uma coisa que está, de alguma forma, sendo esperada, que haja judicialização. Mas como...

o dever de cuidado olha o todo, olha para uma coisa mais ampla da responsabilidade que as plataformas passam a assumir com o conteúdo de terceiros que elas veiculam, a expectativa é que isso mude o ambiente, de modo geral, das redes sociais, que sejam ambientes muito mais seguros. As sanções não estão definidas ainda.

A NPD vai ter que reglamentar, mas pode ir de advertência, a multa, até, eventualmente, uma suspensão da plataforma, dependendo da gravidade do caso. Isso ainda vai ser elaborado e descrito. Mas o que a Nina diz é que, assim, o objetivo desses dois decretos é tornar esses ambientes...

são hoje em dia os mais básicos de fontes de comunicação. A gente procura informação, se informa, troca informação, fala com a família, qualquer coisa a gente faz em rede social. Então, que agora as plataformas estejam à altura da responsabilidade que elas têm, sobretudo quando diz sobre violência contra a mulher, fraudes e golpes, e evitar publicidade enganosa, né? Isso inclui o WhatsApp.

Boa pergunta, mas entendo que sim. Porque as fraudes hoje são cometidas basicamente pelo WhatsApp, né? Não só, mas grande parte delas. E aí vai obrigar a meta, se eu estiver entendendo corretamente, é tomar alguma atitude que não sejam as atitudes paliativas que eles tomaram até hoje, né? Porque é isso que você estava falando. A gente vive um ambiente de total permissividade, é uma lei do mais forte, né? Se você tem mais seguidor, você ganha. Não importa que você esteja...

promovendo uma mentira ou expondo a intimidade de uma pessoa. Eu chamaria esse decreto de decreto pequeno príncipe, porque é uma coisa tão básica que vou apelar para o livro favorito das Misses, que eu gosto muito, inclusive.

que é, tu és responsável por quem cativas. Se as redes sociais cativaram bilhões de pessoas, elas são responsáveis por essas pessoas. Interessante. É importante essa história da lógica que sustenta tanto a decisão do Supremo quanto o decreto agora.

Porque, no caso desse decreto específico sobre violência contra mulheres, tem uma passagem específica sobre ataques coordenados contra as mulheres. Porque, de novo, individualmente, determinada postagem pode não ser um ilícito que seja remoção imediata, automática.

Mas quando é um conteúdo articulado com outros que se torna um ataque coordenado contra uma figura, uma mulher, ele é uma violência contra ela. Então o que o decreto coloca é que a plataforma, quando identifica um ataque coordenado contra uma pessoa, uma mulher, porque esse é o decreto específico sobre mulher,

ela tem a obrigação de reduzir o alcance e a visibilidade, especialmente nos casos de violência política ou em que a vítima tem exposição pública, que é para proteger também jornalistas que estão cobrindo política e passam a ser alvo de ataque coordenado de um grupo político.

que isoladamente cada uma daquelas postagens você não pode dizer que aquilo lá é um crime, que não tem algo explícito contra ela, mas que quando é articulado, que é uma coisa que, guardadas as proporções, acontecia com um processo judicial em massa, de igreja contra o Vira Lobato, por exemplo. A gente chama isso de assédio judicial. Na rede social, quando você tem ataque coordenado de todos os lados inundando uma mulher para intimidar o trabalho dela, evitar que ela continue fazendo o que ela faz, o decreto tenta protegê-la, dizendo que a rede social tem que dar um break.

ela tem que diminuir a visibilidade e a circulação, sobretudo porque muitas vezes são postagens pagas portanto, estão incentivadas para circular mais dá um break e depois as críticas podem ser retomadas livremente um cuidado muito claro sobre liberdade de crítica de sátira e tudo mais então isso é o que está colocado, agora estou lendo já foram três PDLs, projetos de decreto legislativo para tentar ou derrubar o decreto do governo Lula ou mudá-lo na essência, então não vai ser assim tchau

É, porque o Congresso está fechado com as big techs, depende delas. Muitos parlamentares, não só parlamentares, mas muitos candidatos nessa eleição, eles dependem de puxar o saco das big techs. Muito bom, Thaís Belenki. Até que enfim, uma boa notícia. É, vamos lá.

A Sbilenk 2026 marca 10 anos dos chamados crimes de maio, que foi uma onda de assassinatos que começou com ataques do PCC em 2006. Policiais, agentes penitenciários, bombeiros, qualquer pessoa que representava a lei e a ordem, principalmente no estado de São Paulo, e que foi revidado.

com 10 vezes mais assassinatos de pessoas, algumas talvez ligadas ao PCC, mas muitas delas que não tinham nada a ver com nada, né? É uma data, obviamente, que não é para se comemorar, mas é uma boa oportunidade para a gente falar o que aconteceu com o PCC nesses últimos 20 anos e o que aconteceu com as famílias das vítimas, né? Dessas mortes de maio de 2006.

Você sabe, algumas organizações da sociedade civil estão fazendo muita pesquisa sobre segurança pública, de modo geral. E o Soldapaz, o instituto, fez uma pesquisa mostrando que 20% da população concorda com a frase bandido bom é bandido morto. Mais de 70% acha que criminoso tem que ser julgado e preso.

Da mesma forma, as favelas do Complexo do Alemão, da Penha, da Maré e da Rocinha se uniram, organizações da população, da sociedade civil dessas favelas também fizeram uma pesquisa em que 91% dos moradores, foram ouvidos mais de 4 mil moradores dessas favelas, 91% acham que tem excessos e ilegalidades por parte da polícia nas operações e essa percepção é compartilhada, inclusive, por 85% daqueles que apoiam as operações dentro das favelas.

Os excessos da polícia, a violência, muitas vezes empregada durante operações, não é consensual na sociedade, apesar de haver muitos candidatos usando esse tipo de discurso e medida para fazer campanha e conseguir voto. Na prática, no chão, no dia a dia, na rua das pessoas, não é isso que as pessoas querem. Tem um espaço para debater outros tipos de resposta à violência que não mais violência.

Isso é interessante, é uma ótima questão e é bom que o Sol da Paz tenha feito essa pesquisa, porque todas as pesquisas que foram feitas imediatamente, depois do maior massacre já cometido no Brasil, que foram aqueles 120 mortos pela operação policial do Cláudio Castro lá nos Morros Cariocas, houve pesquisas mostrando um grande apoio à operação. Então, assim...

Há que se discernir duas coisas. Uma é quando há um fato específico e você mexe na cabeça das pessoas e cria-se uma onda favorável àquilo, e aquilo acaba ressuscitando até políticos que estavam enterrados eleitoralmente, como era o caso do Cláudio Castro, que se não fosse ter sido julgado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral, talvez virasse senador da República, sendo uma figura completamente obscura.

Outra é quando você, fora do calor dos fatos, faz uma pergunta genérica, se você é contra ou a favor, aí entra um fator que é muito difícil de você evitar em pesquisa de opinião, que é o desejo de o respondente agradar o entrevistador no sentido do que é a resposta correta, o que eu tenho que falar. Então, são duas situações diferentes e eu acredito nas duas, porque mostra que, na essência, o ser humano...

Não é favorável a uma violência genérica, mas dadas determinadas circunstâncias, depende de como se alimenta ele, até pode ele se tornar a favor.

E esse pool de organizações da sociedade nas favelas do Rio de Janeiro, que fizeram essa pesquisa, eles fazem menção a isso. A aprovação popular depois da operação no Rio de Janeiro, ela tem o calor do momento, como você disse, só que também tem um aspecto que é o ponto de vista dos moradores das favelas que são alvos da operação. Que já eram contra, né?

que já eram contra e que quando são ouvidos, e no caso dessa pesquisa em particular, pelos próprios moradores, num ambiente seguro, conhecido, a resposta é muito diferente. Então, não inviabiliza aquelas pesquisas. É que isso mostra... Nenhuma das duas está errada. Exato. Nenhuma das duas. Revela momentos diferentes, circunstâncias diferentes. Essa daí revela talvez a índole.

genérica. O problema é que, como diria o diabo, nos detalhes que eu vivo. Se você tem ali uma circunstância, você pode mudar a opinião das pessoas. Isso é política, isso é campanha eleitoral. Esse preâmbulo todo para falar sobre os 20 anos dos crimes de maio, porque, de alguma forma, é a mesma coisa que a gente está falando.

Eu conversei com a Carolina Diniz, que é coordenadora da Conectas, uma organização da Sociedade Civil, que está desde maio de 2006 atuando na reparação e indenização das famílias das mais de 500 pessoas mortas naquele momento. E desde maio de 2006, quando acontecem as mais de 500 mortes, já houve um problema gravíssimo de saída, que foi nenhuma cena.

de morte foi preservada, nenhum agente de Estado foi ouvido, não houve nenhum cartucho ou projétil recolhido na hora pra perícia depois, nenhuma testemunha foi ouvida, e o IML tava uma zona, eles foram, várias organizações foram até lá, até gente do CREMESP, dos médicos mesmo, pra tentar ajudar no exame dos corpos.

Eram 20, 30, 40, 50 mortos todo dia. É um absurdo, mortos violentos. O IML não foi projetado para atender esse volume de assassinados. E isso resultou em um monte de inquérito, centenas de inquéritos arquivados.

pouquíssimo tempo depois. Aqueles inquéritos que foram abertos se resumiram a basicamente analisar a ficha das vítimas e depois praticamente todos arquivados. 20 anos depois, nenhuma morte dessas mais de 500 pessoas foi elucidada, nenhum agente de Estado foi responsabilizado, nenhuma família teve reparação ou indeníduo.

organização concedida pelo Estado. O que aconteceu desde então é que formaram-se organizações, então uma delas, a mais importante, é a Mães de Maio, que tem mães de várias dessas vítimas que se articularam e formaram um movimento e em atuação com a Defensoria Pública, outras organizações da sociedade civil, entraram com oito grandes ações no judiciário e em órgãos internacionais. Nenhum deles teve desfecho favorável, as familiares têm um.

que a gente vai relatar aqui, que ainda pode mudar o curso dessa história. Em 2006, centenas de casos foram arquivados. Em 2008, o caso Bristol, que foi dentro desse contexto dos crimes de maio, cinco jovens conversavam, foram alvejados por pessoas encapuzadas, três morreram na hora, outro morto seis meses depois. Esse é o caso Bristol, foi arquivado em 2008. Em 2009, houve um pedido de federalização do caso Bristol.

que só foi aceito pela Procuradoria-Geral da República em 2016, sete anos depois. E só em 2022, o Superior Tribunal de Justiça mandou a Polícia Federal reabrir os inquéritos, agora federalizados. E a Polícia Federal reabre o caso em 2024, só que em 2025 eles prescrevem. Então, nenhum policial foi ouvido. Provavelmente, tudo isso vai ser arquivado, aquilo que ainda não foi.

Quer dizer, 20 anos não é só uma efeméride, marca a prescrição legal, a possibilidade de qualquer pessoa que tenha cometido um crime ser punida. Por isso que um dos pedidos mais importantes, que foi esse pedido, uma ação...

requerendo, aconteceu em 2018, requerendo um pedido formal do Estado e o reconhecimento desses crimes como graves violações de direitos humanos, porque crime de grave violação de direitos humanos é imprescritível. Isso aconteceu em 2018, o Ministério Público entrou com uma ação e o fato de ter sido o Ministério Público não é trivial. Por quê? Porque em um desses processos, uma promotora...

foi ouvida como testemunha de policiais que estavam sendo acusados por familiares. Ela chama Ana Maria Frigério Molinari. E ela disse, no depoimento que ela deu à justiça, que as mães de maio eram mães de traficantes, eu estou citando, entre aspas, mães de traficantes que gerenciam biqueiras e atuam em coluio com o GAECO do Ministério Público de Santos. Ela disse isso, e aí foi aberto procedimento em investigação contra ela, e foi arquivado quatro vezes.

Só que até hoje, esse depoimento dela é usado na defesa de policiais que têm que se defender por seus atos na justiça. E uma dessas mães, que é a grande articuladora da Mães de Maio, que é a Débora Silva, ela, ao longo desses anos, deixou de acompanhar as mães que chegavam até o movimento.

com medo de atrapalhar, porque ela ficava sendo associada a ela ao PCC, ou seja, sendo revitimizada por causa desse depoimento, cujas consequências foram arquivadas quatro vezes. Então, quando o Ministério Público entra com uma ação requerendo o pedido de desculpas formal do Estado e o reconhecimento de que é grave violação, existe um movimento muito importante dentro do próprio Ministério Público, a despeito dessa promotora, de reconhecer a gravidade daqueles fatos.

Só que essa ação, primeiro é julgada em procedente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, depois há um recurso lá no próprio tribunal que não dá em nada, e aí esse recurso chega no Superior Tribunal de Justiça, e este ano agora, em março, o relator do caso, o ministro Teodoro Silva, deu um parecer favorável à imprescritibilidade desses crimes, dizendo que eles são, sim, graves violações de direitos humanos. Um outro ministro vota contra, que é o Marco Aurélio Belize, e o julgamento vai ser retomado no dia 10 de junho agora.

Então, é basicamente o último recurso para que esses crimes de maio de 2006 sejam reparados. É a última chance. É mais ou menos a última chance, é a retomada desse julgamento. A turma do STJ não dá para saber ainda antecipar qual vai ser o veredito, mas é a última chance disso acontecer.

Aí a outra chance de reparação de alguma forma está na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, tem três denúncias tramitando lá, uma delas deve dar uma sentença já de caráter vinculante, porque o Estado brasileiro é signatário, então ele vai ter que aderir, em tese ele tem que aderir como força de lei a sentença da comissão desse caso Bristol, que a gente falou, isso deve sair até 2027, mas nas instâncias judiciais brasileiras...

Tem um julgamento no STJ que pode ser a última chance de que essas mortes, porque você imagina que mais de 500 pessoas foram mortas, muitas delas com indícios de execução, nenhum caso investigado, você pode presumir que tinha gente inocente como tinha gente não inocente, mas tinha muita gente inocente e essas mães estão aí, muitas delas adoeceram e morreram no caminho, mas guardadas todas as...

diferenças, tem muita similaridade com alguns casos da Operação Escudo e da Operação Verão da Polícia Militar de São Paulo, na mesma Baixada Santista, onde boa parte dos crimes de Maia ocorreu, em que matou-se, por exemplo, um menino de quatro anos, o Rian, cujo inquérito agora foi encerrado como legítima defesa.

É, incrível. Agora, essa história tem um outro aspecto, Thais, que é o seguinte, essa política de execução sumária, que vira e mexe, a gente vê se repetir, seja na Baixada Santista, seja nos morros do Rio de Janeiro, seja no Brasil inteiro, ela é absolutamente ineficaz no combate ao crime organizado. Porque vamos lá.

cúpula inteira do PCC está presa. Marcola está preso há décadas. E, no entanto, a organização só cresce. Nesses últimos 20 anos, apesar de terem matado 500, o PCC...

virou uma máfia. Ele deixou de ser uma facção criminosa que operava a partir dos presídios, cometendo crimes violentos, para dominar o tráfico de drogas em várias rotas, que são das principais rotas do mundo, faturar bilhões de reais e ter influência...

Na política, no Estado, operar negócios supostamente não criminosos, a economia real, linha de ônibus. Se infiltrar na política. Exato. Então, ele deu um salto.

O que mostra que prender apenas não resolve. Precisa prender? Claro que precisa prender. Mas não resolve. Se você só prender, só vai crescer. Você não consegue prender duas vezes, que é o caso do Marcola. Exato. Outra mandada de prisão contra o Marcola. Vai fazer alguma diferença? Vai ficar mais tempo preso? Sim, mas o cara comanda de lá de dentro. Então, o que precisa fazer? Precisa asfixiar financeiramente. Essa palavra talvez seja difícil de as pessoas entenderem da maneira que precisa ser entendida, né? Para se tornar uma política pública.

Mas é mais ou menos a diferença entre a visão policial que tem um papel a cumprir, que é a visão de punir quem já cometeu o crime, e a visão de prevenção ao crime, que é como? Você acaba ou tenta sufocar, estrangular os mecanismos que o crime usa para poder cometer o crime. E isso como se faz? Com investigação?

e com medidas preventivas para evitar que o crime seja cometido. Seja o tráfico de drogas nos portos e aeroportos ou nas fronteiras, seja justamente prendendo e punindo todos os instrumentos como...

fundos, bancos de mentirinha e senadores da República que, de alguma maneira, ajudam a lavar o dinheiro do crime. Essa discussão infelizmente vai ficar contaminada pela eleição e não vai conseguir, embora eu espere o contrário, prosperar, mas ela é absolutamente fundamental, porque senão a gente vai ficar enxugando o gelo eternamente e o PCC vai agradecer. Não, e assim, a gente fala de crime organizado cada vez mais.

Só fala. Esse programa de hoje é praticamente um monopólio do crime organizado. Porque agora você fala de política, você fala de crime organizado, você fala de economia, crime organizado, você fala de endividados. Direitos humanos, é tudo, né? É incrível isso. E não é uma coincidência nesse caso? Não, é causa e efeito. É isso. Tudo bem. Vamos falar de crime organizado, então. Mais um pouquinho, que a gente falou pouco.

Bom, Toledo, que história é essa de cocaína debaixo d'água? O que é isso?

Então, Thais Bilenk, nessa segunda-feira eu fui fazer uma visita, a convite da Receita Federal, às áreas alfandegadas do Porto de Santos, que é o maior porto da América Latina, por onde passa. Esse dado é impressionante. 28% da balança comercial brasileira passa pelo Porto de Santos. E a gente pensa Porto, a gente imagina aquela meia dúzia de guindastes, uns armazéns.

Porto de Santos tem 8 milhões de metros quadrados, 16 quilômetros de área molhada, ou seja, lugares de atracação de navios. Só um parênteses, o morro onde ocorreu a Operação Escudo tem a vista.

desse gigante complexo que é o Porto de Santistão. Não é nada disso a coincidência. Não. E assim, por que os crimes se concentram na Baixada Santista? Por causa do Porto. Porque o crime organizado depende do Porto.

Para exportar droga, basicamente. Não é só droga. Eu aprendi lá que não é só cocaína, pasta base, armas que entram. Já tem até minério ilegal sendo exportado por vários portos do Brasil.

Combustível adulterado. Combustível adulterado entra por ali, enfim. O porto, ele tem algumas características muito interessantes, mas eu vou começar, para não ficar aqui só falando de estatística, eu vou começar com uma historinha que aconteceu recentemente. Agora, meados de maio, houve a apreensão...ètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètres

de 342 quilos de pasta base de cocaína na chamada caixa de mar de um navio que estava na barra do Porto de Santos. Deixa eu então explicar o que é caixa de mar, o que é barra.

O que acontece? O porto, você fica esperando uma janela para você poder atracar e desembarcar ou embarcar a sua carga. E os navios ficam parados bem longe do porto, cerca de 20 quilômetros do porto, na boca da Bahia de Santos.

dezenas, às vezes centenas de navios, esperando a sua hora de ir lá atracar. É a torre de controle e falar, pode pousar. É como se fosse um avião que estaria sobrevoando o aeroporto, em círculos. Ali fica ancorado lá. E é uma grande oportunidade para um tipo específico de tráfico.

que é cíclico, que vai e vem, que é você colocar a cocaína escondida numa caixa que, incrivelmente, fica do lado de fora do navio e abaixo da linha d'água, às vezes a nove metros de profundidade.

Se colocar nessa hora? Exatamente. A pergunta que eu sempre me fiz foi por que que raios, um navio enorme, tem um buraco, uma caixa, do lado de fora do navio? Essa caixa chamada...

Sea chest, na verdade é como se fosse um baú, ela é usada para tomada de água do mar para refrigerar os motores do navio. Então é uma reentrância que você tem no casco, que é fechada com uma grade, onde quando o motor está ligado, ele aspira aquela água para refrigerar. Os traficantes falaram, bom lugar para esconder cocaína, porque ninguém vai ver, ninguém vai procurar, ninguém desce lá nessa caixa, está certo?

Mas é curioso, porque ela é fechada por uma grade, com parafusos grandes, grossos, e tem lacres. Curiosamente, os mergulhadores que são contratados pelo...

PCC, pelo Comando Vermelho, para fazer essa operação, eles descem, retiram o lacre, retiram os parafusos, tiram a grade e enfiam 100, 200, 300, 400 quilos, meia tonelada dentro desse lugar, fecham, parafusam, põem o lacre de volta e o navio segue viagem. Mas aí o navio atraca? Não.

Essa operação é feita, pode ser feita enquanto o navio está atracado, mas em geral, nesse caso específico, ela foi feita na barra. Então, antes de atracar. Antes de atracar. Então, aí o navio atraca. Ninguém vê. Está seis metros embaixo d'água, a água dentro... Mas por que? Eu não entendi. Por que eles vão fazer lá na barra?

O Porto é um lugar extremamente vigiado. Eu visitei um terminal. Hoje os terminais são privatizados. Então tem várias empresas que operam no mesmo Porto. Esse terminal que eu visitei, que não é nem o maior, é um terminal grande. Você tem uma ideia, Thaís? Sabe quantos containers passam diariamente pelo Porto de Santos? Quantos? É.

Eu fiquei assustado, até perguntei, eu acho que você se enganou, né? Falou um número exagerado aí. São 12 mil importados ou exportados por dia. Falei, como é possível fazer? Aí você vê operando, a máquina que opera um guindaste de 50 metros de altura, aliás, o vão do guindaste tem 50 metros, o guindaste tem uns 75, 80 metros, e a rapidez com que ele tira e põe é uma coisa assustadora, assim.

Mas enfim, o que acontece? Por que os traficantes vão se dar um trabalho de pegar um barco, ir até a barra à noite, botar lá? Porque lá fora a água é mais transparente. No porto a água é extremamente escura, turva. Então é mais difícil de fazer essa operação para o mergulhador que está colocando a droga lá.

Mas mais do que isso, o porto é extremamente vigiado. Nesse terminal que eu visitei, eu fui na sala de controle, onde ficam os operadores de segurança vendo todas as câmeras. Tem mais de mil câmeras, um terminal, mirando vários lugares do porto, inclusive as áreas molhadas. O costado do navio, o costado que não está atracado, ou seja, o lado de fora, tem drone.

Tem o que você imaginar, é um negócio enorme. Então, é muito mais difícil para os traficantes operarem nessa área, não que eles não operem, eles operem também, mas tem muito mais risco, né? Então, por que que Santos é um ponto crucial? Mas o que acontece com essa cocaína?

Ela vai para o seu destino e Santos é visado porque é o maior porto da América Latina e tem navio que para lá e segue viagem. Ele não só recebe importações e exportações, como é também um hub de parada.

Tem muita frequência, o que cria muita oportunidade. E você tem todos os destinos do mundo à sua disposição. Preciso mandar droga para o Sudeste Asiático. Tem navio saindo de Santos todo dia para o Sudeste Asiático. Preciso mandar droga para a Austrália. Tem navio indo para a Austrália. Tem indo para a África. Tem indo para a Europa. Tem indo para todo canto.

Então o destino dessa droga não é o Porto de Santos, ele está lá para sair de lá. Essa droga veio da fronteira seca, pela Rota Caipira, do Brasil, principalmente com a Bolívia, mas também um pouco da fronteira com o Paraguai. Chega até o Porto de Santos pela chamada Rota Caipira, por aviãozinho, carro, todas as maneiras que imaginar, e lá precisa ser colocado dentro do navio. Tem 50 maneiras já identificadas de fazer tráfego a partir do porto.

E eles vão trocando. O pico do uso dessa cocaína submersa, que a gente chamou, foi em 2023. Depois teve uma queda. Daí eu perguntei, o que aconteceu? Não, não necessariamente aconteceu alguma coisa. Simplesmente eles vão trocando.

Porque quando a vigilância começa a apertar para um determinado tipo de tráfico, eles apelam para outro. Tem o içamento. O içamento é você passa com um barco lá, 20 quilômetros da costa, joga a sua carga de cocaína, compra uns marinheiros dentro do navio, eles pescam e puxam para dentro. Esse é um jeito.

50 jeitos, né? Mas esse específico, Thais, eu queria mencionar porque é um caso extraordinário porque envolveu três instituições públicas. E a gente sabe que a coordenação na segurança pública não é um primor, né? Ao contrário, tem muita rivalidade entre os órgãos. O que aconteceu foi, a Receita Federal recebeu uma denúncia, que eles obviamente não é uma denúncia anônima, ou pelo menos anonimizada pela Receita.

Mas pode ser um pescador, pode ser um capitão de navio, enfim. Alguém que viu um movimento estranho junto a um determinado navio que estava na barra. E isso gerou uma ação da Receita, que já tinha um serviço de inteligência, uma análise de risco dizendo que aquele navio, sim, poderia ser alvo de tráfico. Aí a Receita avisou a Polícia Federal.

e avisou a marinha. E foram três lanchas, uma da Receita, uma da Polícia Federal e uma da marinha, e desceram dois mergulhadores, um da Polícia Federal e um da marinha, foram até a caixa de mar, tiraram o lacre, tiraram os parafusos, tiraram a grade e encontraram quase 400 quilos de droga lá dentro. Aí você vai dizer, é uma operação modelo? É uma operação...

que deveria ser rotina. Todas as operações deviam ser coordenadas, como foi o carbono oculto, como foi tantas outras. Mas há uma rivalidade, está cheio de reportagem, a gente até já comentou aqui sobre a rivalidade que existe entre a Polícia Federal e praticamente todos os órgãos, e com a receita especialmente grande.

É uma rivalidade que passa por ego, por quem bota lá o seu ícone, né? A sua flama mostrando quem fez a apreensão, quem aparece como chefe dono da notícia, mas também é uma disputa por dinheiro. Por exemplo, quando você tem uma recuperação de ativos...

crime, esse dinheiro vai para o Fundo Nacional de Segurança Pública e a Polícia Federal é que tem a maior fatia. A Receita não tem nenhum tostão do Fundo Nacional porque não é reconhecida como uma força de segurança. Embora hoje ela tenha a melhor e maior inteligência contra o crime no Brasil. Porque imagina uma instituição que tem todos os dados econômico-financeiros de todos os brasileiros e de todas as empresas constituídas aqui. Eu comecei a perguntar que eleètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètresètres

Mas vocês têm acesso à nota fiscal? Ou seja, você consegue saber se uma empresa recebeu de outra empresa numa investigação? Sim, se houver um inquérito administrativo, eu tenho. Eu não preciso nem de autorização judicial. É um dado interno da Receita que já está sob sigilo. Então, eles têm uma capacidade, eles estão usando inteligência artificial para fazer a junção de todos esses dados.

Então essa operação aqui eu só estou destacando por duas razões. Primeiro porque é espetacular, né? Segundo porque ela é frequente. Já houve momentos em que foi tão comum, porque assim, detalhe, esse mergulhador, ele sai do mar, volta para São Paulo, vai para Guarulhos, pega um avião, vai até o local de destino, fica esperando o navio chegar lá, e ele mesmo desce e vai catar a droga que ele colocou a milhares de quilômetros de distância, entendeu?

E é tão comum, Thaís, que em 2022, um desses mergulhadores do tráfico estava fazendo essa operação na Austrália, um brasileiro, e ligaram o motor do navio. E ele foi sugado e morreu. E foi encontrado o corpo depois, porque ele é sugado e ele não consegue sair. É tão forte a força de sucção que ele vai acabar morrendo asfixiado por falta de ar. Mas...

É tão comum que já teve até acidente fatal com o mergulhador. E você vai dizer, bom, mas tem como evitar? Cara, não tem como você evitar todos os 50 tipos de crimes de tráfico simultaneamente. O que tem como fazer é você buscar, fazer uma investigação que não pare na apreensão da droga, né? Que vá buscar quem colocou a droga.

não a mulazinha que levou lá, não o mergulhador, mas o dono da droga, vai tomar esse dinheiro, vai tomar os bens dessa pessoa, tomar os bens das empresas, fechar as empresas dessa pessoa ou dessa organização, porque daí você vai sufocar ela financeiramente. Então é um pequeno exemplo de um caso bem sucedido, mas eu fico imaginando, se tinha 400 quilos numa...

Caixa de mar. Imagina quantas caixas de mar em outros portos brasileiros também não estão cheias de cocaína diariamente, né? É, passando... Como é que é aquela expressão? Ver o navio passar? Como que é? Não fugiu, mas é bem oportuna. Bem apropriada. A ver navios. A ver navios. É, exatamente. Mas é isso, Thais Bilenk. Isso é impressionante. Estou lendo. Boa investigação. Vamos... Vamos falar de coisas mais leves. Vamos falar de inteligência superficial.

Isso, nada de inteligência artificial.

A gente está no torneio das falas ditas supostamente por ex-governadores. Quem será o desta vez? Eu estou adorando esse torneio. Você está, né? Eu estou ganhando. Estou sabendo. Está dois para mim, um para Thaís e um para Horácio. Você estava adorando, Toledo. Você estava adorando. Opa, Toledo. Salve, Thaís. Vamos continuar o torneio com frases supostamente ditas por ex-governadores. O personagem da semana é Paulo Maluf, ex-governador de São Paulo.

Frase 1. Vocês vão me ver por bem ou por mal em todas as eleições. Frase 2. Governo é como um formigueiro. Metade carrega peso e tem quem só fique andando pra lá e pra cá. Frase 3. Política é vocação. É como se você fosse perguntar para um padre. O senhor vai deixar de ser padre? Olá! Tchá tchá tchá! Iiii!

E a gente concordou, tudo verdade. É tudo verdade. A gente disse que as três frases são verdadeiras. Só pode ter dois agora. Ou eu mantenho a liderança ou a Horácia assume por goleada. Vamos lá. Resposta. A primeira frase é verdadeira e foi dita em campanha em 2008. A segunda frase é falsa.

A terceira é verdadeira e foi dita em entrevista ao UOL e à Folha em 2014. Ou seja, basicamente sua liderança perdeu um pontinho só, mas você continua na frente, fica calmo. Quatro para o Toledo, três para a Thaís, porque eu fiz um ponto. Ah não, não, estava igual, né? Eu tinha, estava dois a um, né?

É, agora tá 4 a 3. É que matemática, física, essas coisas são muito simples. Não, você tem razão que percentualmente a diferença diminuiu, tá certo? Obrigada, Adolero. É por isso que eu gosto de você. Eu tinha o dobro, agora, né, você tem... Eu tenho só... Um quarto. Um quarto a mais. Então, ficou mais perto. Relativamente ficou mais perto. É isso. Diz que a gente quer saber. Relatividade.

Vamos agora à cartinha dos ouvintes. Eu vou começar com o Gustavo Leutviller Fernandes no Spotify. Vale um agradecimento por terem um episódio tarde da noite, em especial a Thaís, que fez isso no meio do aeroporto, ainda mais nessa semana em que todo mundo estava esperando ansiosamente por vocês. Obrigada, Gustavo, pelo reconhecimento do nosso esforço.

Obrigado, Aloysia, que colocou o Gustavo com esse sobrenome para Thaís falar. O Matheus Oazen escreveu no Spotify. Eu amo tanto vocês fazendo episódio, inclusive no aeroporto. Nós precisamos sempre. Façam até embaixo d'água. A gente fez a hora e a vez. E queremos a hora e a vez da voz. A gente fez hoje, a gente fez a hora e a vez de baixo d'água. Exato, a hora e a vez submersa. O Jeremoca no Spotify. Episódio e edição de colecionador.

será que vale mais? pedir aumento? Caio Cesar Pedron no Youtube Thaís no seu momento Tom Hanks em O Terminal adorei Caio

Não só em o terminal, mas também como aquele corredor. O Forrest Gump. O Forrest Gump. Está em todo lugar ao mesmo tempo. E Rafa OR no Spotify. A cara e a voz do Toledo de quem acordou assustado na madrugada pela bilenque para gravar. Está ótima. Parabéns, querido. Gente, o Toledo foi... Brilhou. O Toledo brilhou na edição passada. É só eu explicar para o Rafa que não era sono.

Era rouquidão, porque eu tinha desenvolvido, com a mudança do tempo, uma rinite que me deixou com aquela voz de Itacoara rachada. Fábio Nunes Moraes no YouTube. Muito bom esses cortes cinemáticos do Toledo. Um tom documental foi adicionado ao programa. Se tivesse um projeto nesse modelo dele e da Thaís, seria sucesso. Tipo um jornal curto bissemanal. E às sextas vem a hora amarrar tudo com os comentários. Obrigado pelo trabalho e um abraço. Deus me livre.

Mas ficou bom mesmo, Fábio. Eu concordo com você. O Zoledo tem amanhã. Até a próxima semana. Até semana que vem.

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