EP#63 - HISTÓRIA DO DISCO - PRICLER
A cantora e compositora PriCler conversa com Pedro Antonio sobre o processo de elaboração de cada música que veio a integrar o álbum “Bocaberta”, primeiro lançamento do grupo PriCler e as Panteronas.
“História do Disco” é um programa semanal sobre música, onde o ouvinte acompanha a história da construção de um álbum. O programa é transmitido às sextas-feiras, às 18h, na rádio Parahyba FM (103.9) e é reprisado aos domingos, a partir das 11h.
FICHA TÉCNICA
Data de Veiculação: 08/05/2026
Interlocutor: Pedro Antônio
Produção: Yara Guerra
Edição de áudio: Ivson Lira
Este programa é um produto da Rádio Parahyba FM, emissora da Empresa Paraibana de Comunicação.
- História do Disco: BocabertaProcesso de elaboração do álbum · PriCler e as Panteronas · Bocaberta
- Formação da banda PriCler e as PanteronasInício com PriCler e Pedro Antônio · Colaboração com Luiz Rocha (poemas musicados) · Integração de Bruno Alves (bateria) · Participação de Cassi Cobra (percussão) · Formação com guitarrista e baixista · Entrada de Tamires (baterista) · Adição de Dani Baldissera e Bárbara Pontes (backing vocals)
- Festivais de MusicaParticipação como intérprete em 2020 · Participação com Mar Doce em 2021 · Vitória com Boca Aberta em 2022 · Conhecimento com Pedro Antônio · Participação com Deixa Eu Cantar Aqui em 2025
- álbum da AnittaFragmentação e surgimento das canções · Poemas de livros transformados em música · Influência do Festival de Música da Paraíba · Projeto inicial de EP e expansão para álbum · Parceria com Luiz Rocha e Guga Limeira · Colaboração com Tayoba Music (Sérgio) · Participação de Elon em 'Tua Coleira'
Programa não recomendado para menores de 14 anos. Está entrando no ar o programa História do Disco. Aumente o volume e ouça curiosidades e bastidores de alguns dos álbuns mais relevantes da nossa música.
Está começando agora mais um História do Disco, seu programa semanal sobre música na 103.9 FM. Hoje a história é comigo, Pedro Antônio. Aqui no programa, a ideia é convidar artistas para conversarem sobre um disco de sua autoria, destrinchando a obra e comentando o álbum Faixa a Faixa. Hoje eu tenho aqui comigo no estúdio, Pri Clare. Seja bem-vinda, Pri!
Valeu, Pedro. E aí, galera que tá ouvindo, um abraço pra todo mundo. Ela que hoje tá aqui lançando o álbum de estreia do projeto Prie Clare e as Panteronas, chamado Boca Aberta. Isso mesmo. A Prie que tem uma história já extensa no Festival de Música da Paraíba, né, Prie?
É verdade. Eu acho que foi 2020 o primeiro ano que eu participei como intérprete de uma canção de Larissa Mendes. Foi uma substituição que eu fiz, na verdade, porque na época estava em pandemia e ela testou positivo para a Covid poucos dias antes do festival. E aí eu fui substituí-la, interpretando a canção dela. Minha primeira participação foi assim.
Ah, então começou em 2020. Em 2021 foi quando você foi com Mar Doce? Foi. Festival de Música com Mar Doce, né? Que inclusive tá no... Tá no álbum. Tá no álbum Boca Aberta. Em 2022 você venceu com justamente a canção Boca Aberta. Isso. Certo? E como é que foi essa em 2022? Porque foi quando você também conheceu o Pedro? Em 2022 foi. A gente se conheceu através da visibilidade mesmo que o festival me deu.
Depois que eu ganhei o primeiro lugar, Pedro me procurou nas redes sociais para elogiar o trabalho, o prêmio, enfim. E para te convidar para fazer um som. E aí foi maravilhoso, a gente se conheceu e o som bateu demais, a amizade está aí. E a parceria de trabalho, tudo firme e forte.
Só que a gente está falando de Pedro Medeiros, que também faz parte. Ele é uma das panteronas, digamos assim. Isso, exatamente. Ele é uma panterona. Ele é uma panterona. Ele faz parte do grupo que se formou e está lançando esse disco, né? Exatamente. Então, o 22 foi com Boca Aberta. 25 foi quando você e o Pedro voltam ao festival com Deixa Eu Cantar Aqui. Foi. Foi isso mesmo. A música é uma composição dos dois, né? É uma composição de nós dois.
Antes de a gente falar do álbum em si, vamos falar das Panteronas. Como é que surgiu essa unidade? Você já falou do Pedro, né? Que do 2022, com o festival. Mas como é que se formou esse grupo? Então, começamos eu e Pedro, juntando um repertório e tudo mais. E aí eu tenho um grande amigo maravilhoso lá em Belo Horizonte. O nome dele é Luiz Rocha. Que pegou alguns poemas meus.
Eu tenho dois livros publicados e aí o Luiz pegou o meu primeiro livro, quando ele recebeu, ele leu e já brotaram várias músicas dele, assim. É porque esse meu amigo, ele realmente é uma profusão de criatividade, sabe? Aí ele leu o livro e me mandou três músicas com os meus poemas. Aí eu já passei as músicas pra Pedro, pra gente tocar essas músicas juntos.
E aí a gente fez ali, a gente fechou um showzinho, só eu e Pedro. Na época chamava MP Besta, música, agora eu nem lembro, música séria, mas nem tanto era isso. E aí a gente começou a juntar um repertóriozinho ali, nós dois. Aí as músicas autorais chegaram. Nisso, o Bruno, que é o batista da banda, Bruno Alves, que é meu amigo já, desde quando eu cheguei aqui na Paraíba. Ele já, ei, pode me passar aí a listagem do repertório aí pra eu ir pegando.
E num desses shows do MPB, a gente convidou o Cassi Cobra, né? Pra tocar a percussão com a gente. Então foi assim, de repente, a gente já tinha um guitarrista, um percussionista e um baixista. E aí... E um guitarrista, né? E aí, ficamos... Começamos... Não, peraí, a gente tem uma banda. Vamos atrás de uma baterista. E foi assim que veio o Tamires. Tamires, a gente não se conhecia. Foi indicação de Arizeira. Inclusive, obrigada, Ari, você é maravilhosa.
E ela indicou Tamires. Quando a gente parou pra se conhecer, Tamires é uma pessoa maravilhosa, uma pessoa engraçada, também já bateu a energia, sabe? Eu acho que a gente deu essa sorte também, assim, de juntar, por acaso, juntar uma galera com ideias musicais próximas e também um bando de maluco.
Gosta de fazer piada e rir, se divertir. Então acabou dando tudo certo. E aí a gente fechou inicialmente nós cinco pra clarear as panteronas. E aí depois eu tava sentindo muita falta de outras vozes. E chamei Dani Baldissera e Bárbara Pontes. Pra serem as backing vocals.
E aí depois disso outras músicas foram surgindo também, em parceria minha com o Pedro. O meu amigo Luiz, depois que eu escrevi outro livro, ele saiu e depois musicou mais um bocado de poema meu. E assim as canções foram surgindo.
Você falou que ele musicou três poemas seus inicialmente, né? Foi. Quais foram? Você lembra? Foi A Música Bate no Tímpano, Hum, agora peguei. Amor Cagado, e uma outra que não fui pro disco, que é um poema que chama A Princesa Líquida. Ele me mandou a música, mas eu tenho um ranço do poema. Sabe quando você mesmo escreve? E depois você toma ranço. Aí, enfim, eu tenho um ranço desse poema, então acabei deixando a música de lado, assim, né?
E aí depois, quando eu escrevi o outro livro, ele já me mandou Assim, Assim, que foi o nosso primeiro single. Que inclusive abre o disco, não é? Abre o disco. Abre o disco. E você falou dos poemas, você falou das músicas que estavam no Festival de Música. Então, esse foi o álbum que ele foi surgindo assim, meio que fragmentado. Como é que foi essa elaboração dele enquanto álbum?
completamente fragmentado. Completamente. Pra início de conversa, Amor Cagado, que hoje é uma canção do disco, foi um poema que eu escrevi em 2015, esse poema. E ele ficou ali um tempão na gaveta. Até mesmo que pra publicar um livro você tem que ter mais que um poema, né? Então ele ficou ali na gaveta um tempo. Eu fui escrevendo outras coisas.
Enfim, eu nem imaginava que um dia ele ia se tornar música, eu nem imaginava que um dia eu ia ter uma banda, que eu ia gravar um disco, enfim. Então, o embrião foi realmente a literatura e, enfim, as coisas acabaram surgindo, né? Quando eu participei do festival em 2020, que foi substituindo a Larissa,
Eu fiquei um pouco chateada com a disparidade entre compositores e compositoras. Tinha muito menos mulheres concorrendo. Então isso foi que me deu a vontade de compor também, para fazer uma diferença ali. Até então eu nunca tinha trabalhado com composição diretamente, de pegar uma letra minha, alguma coisa assim. Já tinha feito alguma coisa ali em parcerias, no teatro, né?
Eu sou uma mulher de teatro, antes de qualquer coisa, mas não de pegar, não. Vou fazer uma música minha. Isso começou depois que eu fui no festival e só tinha macho. Não, peraí, peraí, cadê? O que eu posso fazer pra diminuir isso? O que eu posso fazer é estudar composição, botar uma música e ir lá defender. E foi o que eu fiz.
Já no ano seguinte, né? Já no ano seguinte. Foi mar doce. Então, realmente, foi uma criação bem fragmentada. Quando a gente passou no FMC pra ter os recursos, né? Pra gravar, a gente mandou um projeto de um EP. Porque o recurso que tinha no edital dava pra gente gravar um EP. E também, na época, a gente só tinha seis músicas. Então, né? Aprovamos o projeto, fomos gravar as nossas seis músicas.
Desse meio tempo, dessa doideira, participamos do festival com uma música nova, ganhamos, resolvemos gravar a música. Então nisso aí a gente já espremeu mais uma música no EP que seria de 6, agora ia acabar sendo de 7. E aí quando houve o festival de 2025...
Aconteceu uma coisa muito legal, eu conheci várias pessoas no festival, como todo ano acontece, que inclusive é uma coisa muito massa do festival, essa reunião de músicos que ele proporciona. Mas aconteceu uma coisa muito massa, como eu estava cantando uma música que fala sobre o artista paraibano, o artista radicado na Paraíba também, que é o meu caso, e as dificuldades que a gente enfrenta.
uma música que fala sobre migração de artistas, eu queria usar uma camiseta de um artista, uma banda paraibana. E aí eu escolhi a Papangu, que é uma banda inacreditável, de maravilhosa, um nível elevadíssimo.
de música, de complexidade musical, de criatividade, enfim. Então eu resolvi com a camiseta da Papangu, que era uma banda que eu tinha conhecido recentemente e que eu estava percebendo que estava muito mais, muito mais gente conhecia no Sudeste do que aqui. Eu mesma fiquei assim, poxa, como é que eu não conhecia essa banda antes? Pelo amor de Deus, né? E aí eu escolhi a camiseta da Papangu para defender essa canção na primeira etapa.
E aí foi muito legal, porque coincidentemente Pedro Francisco, da Papangu, estava participando também.
do festival. E aí eu já fui falar com ele, ó, sou sua fã, sou fã da Papangu e vou usar a camiseta da Papangu pra defender a canção, porque eu acho que tem tudo a ver com o que eu tô falando e tal. Então, isso já surgiu essa proximidade ali, né, já começou uma amizade. Os outros integrantes, que eu não tinha conhecido ainda, ficaram muito felizes também de eu estar defendendo a canção do festival com a camiseta da Papangu.
E nisso, a Tayoba Music, na figura de Sérgio, a Tayoba Music também distribui, produz, enfim, a Papangu. Ele me procurou no dia do festival mesmo e falou, ó, os meninos da Papangu estão muito felizes que você usou a camiseta e tudo mais. Eles gostaram também da música. Enfim, toma aqui meu cartão, depois vamos conversar. Enfim, realmente eu fui atrás dele depois pra conversar. Falei que a gente tava...
gravando um EP e que eu precisava de ajudas. E aí ele, não, peraí, bora simbora. Então a gente se reuniu, conversou ele e todas as panteronas. E ele falou pra gente que seria mais interessante se a gente lançasse logo um disco, em vez de lançar um EP. Nisso, assim, as sete músicas já gravadas. Não estavam finalizadas, mas tínhamos sete músicas. E eram todas as músicas que a gente tinha, autorais, eram aquelas sete.
Ah não, então peraí, a gente tem que arrumar mais músicas, nós não temos mais músicas. E aí a gente foi nas fontes que geraram as outras músicas, que são os meus livros, os meus poemas e meu amigo Luiz Rocha. Então aí eu já mandei mensagem pra ele e falei, amigo, o negócio é o seguinte, estamos precisando de mais músicas, porque vamos transformar um EP num álbum.
Aí ele falou, me manda aí os poemas que você tem escrito que você ainda não publicou. Aí eu mandei algumas coisas pra ele. E aí ele devolveu uma música incrível, que é Boyzinha. Enfim, eu amei essa música. E falou, ó, eu tenho uma música aqui. Que eu escrevi tem uns 10 anos. Eu já mostrei pra algumas cantoras, mas ninguém...
Ninguém anima a gravar ela, ninguém anima a ficar com ela. Porque a letra tem um conteúdo bastante explícito. Que é Tua Coleira, que eu gravei, inclusive, com participação de Elon. Então é uma música de safadeza, assim. Talvez seja a mais explícita do álbum, né? É, a mais explícita do álbum. E aí, essa música é só dele. E ele falou, ó, escuta aí, vê o que tu acha. Na hora que eu ouvi, eu falei…
Amigo, essa música é muito panteruda. Eu quero agora. Pronto, então nisso já conseguimos ali duas músicas. De 7, 9. É. Aí eu e Pedro fizemos mais uma com um poema antigo meu também, do meu primeiro livro. E aí quando eu penso que não... Ah não, já temos 10 músicas, tudo certo.
Se brotar mais alguma massa, mas se não, dez músicas tá bom também. Aí um belo dia em casa, numa bela manhã de sol, eu recebo uma mensagem de Guga Limeira no meu WhatsApp com uma canção feita com o poema do meu segundo livro, Eu Achei o Amor no Tinder. Um presente, assim, completamente inesperado. Guga não fazia a menor ideia que eu tava atrás de músicas pra integrar o disco. Ele não sabia. Ele simplesmente tava lendo o livro.
se sentiu inspirado, enfim, fez a canção e me mandou. E eu falei, amigo, essa canção é incrível e tu não sabe dar melhor. Eu tô atrás de música pra gravar no disco e essa música vai pro disco. Aí ele ficou super feliz também. Mas é isso, foi uma coisa muito fragmentada sim, porém com uma unidade sólida, que é a minha poesia.
E assim surgiu, Boca Aberta, o primeiro disco de estúdio da Prie, Clare e as Panteronas, que é o assunto de hoje do História do Disco, né? Aqui na Paraíba FM, 103.9. Então agora vamos falar faixa a faixa, Prie? Vamos! Assim, Assim, de Prie, Clare e as Panteronas.
Aproxima-se tudo o meu corpo da minha casa E me ocupar Deixei pra tu uma toalha azul Lavada com brandura e Ariel Ligo a tempestade que cai do céu Da minha boca Estou na tua
Que aspirei meu próprio mel Entranhado na tua barba A gente ouviu agora a música Assim Assim, que ela inicia o álbum, né? Isso. E conta aí um pouco mais, por que ela foi escolhida pra estar ali no início?
Assim, Assim foi escolhida para ser a primeira, democraticamente também. Uma conversa com todas as panteronas. E aí, galera, qual música vocês acham que a gente lança primeiro? E foi unanimidade, assim, assim, porque eu acho que ela tem essa coisa engraçadinha, sabe? Que representa muito.
o som das Panteronas, assim. Então, a gente achava que pra apresentar a banda, que é uma coisa meio safadinha, meio rock'n'roll, meio breguinha, meio engraçadinha, isso representa muito a nossa estética. Então, assim, a gente achou que era a música ideal pra apresentar quem a gente é.
E ela também, ela é bem frontal, né, na letra dela. Sim, ela é bem explícita. Ela é bem explícita também. É, tem sim. Ficamos felizes em saber. Ela tem essa coisa bem, de ser frontal, de ser direta, de lidar com desejo. Isso. Com sentimento, com visceralidade também, né. É. Então acho que é uma coisa que vai acompanhar o álbum inteiro, né. Isso. Ela também era um poema? Era um poema. Eu escrevi esse poema...
Não vou entrar nos detalhes, porque é uma música um pouco explícita. Mas eu escrevi muito apaixonada essa canção. Extremamente apaixonada. Bem no comecinho do meu relacionamento com o Felipe, que é meu marido. Então, apaixonada, besta, nas nuvens. Acho que dá pra ver, né? Na letra da música. Sim, sim.
Mas é bom essa história porque, assim, geralmente a pessoa fala assim, ah, escrevi apaixonado, escrevi amando, e é um relacionamento que terminou. Esse é um que perdura. Então tem essa questão de ser algo que tá aí. É, tá aí. Mas não se engane, vai ter outras aí de amores que se foram. Então essa foi a primeira faixa do disco, Assim Assim. Vamos partir agora pra segunda, pózinha.
De caminhadinha, tropegar E tão pequenos pés Toma cuidado Tu ainda és boizinha Mulher, a flora menina Que tu és uma plantinha brava Se a trava destemida Desembestada e nua A vida conquistará o
O boyzinha, que a vida nunca tardar A brincadeira de casinha só porque tudo é bom Ouvimos agora a segunda parte do álbum, né, que é boyzinha. Quando eu cheguei aqui, que eu vi a galera chamando os outros de boy, né, no começo eu fiquei, que isso, calma aí, galera, pera aí, esse cara nem é playboy. Aí depois eu fui entendendo. E aí, pô, boyzinha, seu feminino de boy, é maravilhoso. E aí, pera aí, boyzinha. E aí...
Obviamente são palavras que eu incorporei no meu vocabulário, não por uma forçação de barro ou nada assim, simplesmente pela fluidez natural da língua, da comunicação, da adaptação linguística que vai acontecendo quando você vai se adaptando numa nova realidade.
novos sotaques, novos vocabulários, enfim. Então esse foi o processo natural, óbvio, né? São 11 anos. E boyzinha eu acho uma palavra incrível, que a galera usa muito pra dizer, ah, minha namorada, minha boyzinha, ou se não, né, falar quase com menina mesmo, e aí boyzinha, segura tua onda aí. E enfim, eu trabalhei na escola, da aula no ensino médio, então eu escutava muito, e aí boyzinha, não sei o que, professora, essa aqui é minha boyzinha.
E eu acho a coisa mais linda do mundo, assim, essa palavra, assim, sabe? A forma como é usada, eu acho a coisa mais linda. E aí um dia Pedro me mandou uma improvisação dele de violão e tal, mandou pra mim, falou, Pri, escuta e escreve alguma coisa. Aí eu perguntei, tu quer que eu escreva uma letra pra isso ou você quer que eu me inspire e escreva um poema? Aí ele falou, eu quero que você se inspire e escreva um poema. E Pedro tem uma filha, né, que é Flor, que é a cara dele, uma fofa.
E aí eu escrevi Boyzinha pensando nessa relação de Pedro com a filha dele, tipo assim, aconselhando a filhinha dele, a boyzinha dele e tudo mais. E aí escrevi um poema, mandei pra ele. Beleza, o poema ficou ali na gaveta, nunca foi publicado. E aí quando a gente já tinha gravado sete músicas e precisávamos de novas canções pra integrar o disco...
Eu mandei esse poema pro Luiz, entre outros escritos, e ele escolheu o Boyzinha pra musicar, e ele também ficou maravilhado com a expressão, sabe? Inclusive ele me perguntou, amiga, peraí, mas me explica aí o que é Boyzinha, pra eu poder fazer uma música que tenha a ver e tudo mais, e ele entregou essa música incrível.
Então nesse caso, esse boyzinho tem uma conotação de ser uma menina jovem. Isso. Uma criança. Uma criança. Uma criança. E como você falou, tem bem esse tom de conselho. Isso. Eu fiquei me perguntando se isso é assim. São conselhos que você ouviu ou que você gostaria de ter ouvido na sua época de boyzinha, digamos assim? São conselhos que eu gostaria de ter ouvido e não ouvir. E é uma música feminista. Totalmente. É uma música feminista. Dança tua, dança. Improvisa teu repente.
Vai atrás da tua paz. Vai atrás do teu poder. Lembra que você é capaz. Aliás, o álbum todo tem essa pegada. Não tem como dizer que não tem uma pegada feminista. Não tem como. É, não tem como não dizer. Porque é de propósito. Totalmente, né? É. Perfeito. Então, essa foi Vozinha, segunda faixa do disco. Vamos agora pra terceira. Essa daqui eu acho bem interessante. Nem todos os poemas são sobre você.
Mas esse é. Tem todos os poemas são sobre você. Tem todos os poemas são sobre você. Tem todos os poemas são sobre você. Tem todos os poemas sobre a estrada, sobre a cura.
Sobrevoa, sobrepor Sobre o rio, sobre a enchente Sobre a vela, sobre dor Nem todos os poemas são sobre você Nem todos os poemas são sobre você Nem todos os poemas são sobre você Nem todos os poemas Sobre o sangue, sobre a feia Sobre o corpo, sobre a vida
Então, Pri, esse poema é. Esse é. Esse é sobre você. Esse é. É uma música que começa com negação. Isso. Até aquela... Como se fosse fase do luto, né? Eu neguei, eu neguei, até eu admitir. Tem a raiva até eu admitir. Ai, que ódio. Só de lembrar, agora que eu tô contando a história, né? Já me dá uma raiva. Como eu te disse, tem alguns que são de amores que se foram, né? E aí eu ficava com o cara...
há uns anos atrás, que ele se achava muito, assim, tudo bem que ele era bem gostoso mesmo, mas, é, ai, ele, enfim, tinha uma autoestima deveras elevada, vamos dizer assim, o que é o clássico, né?
do macho hétero. E na época eu estava escrevendo muito, e eu compartilhava com ele os poemas. E ele ficava achando, toda vez que eu falava de amor, alguma coisa, em algum poema, ele achava que o poema era pra ele. Olha só. Só que não era, entendeu? Aí ele falava, nossa, mas... Por que não? Calma, amigo. Esse aí eu escrevi pensando num cara...
que eu me apaixonei há 10 anos atrás, segura tua ondinha aí. Então ele ficava nessa, achando que tudo que eu escrevi era sobre ele, entendeu? Sendo que não, sei lá, tinha um que eu tinha escrito que tinha a ver com ele. Aí eu fiquei com essa frase na minha cabeça, ai meu filho, francamente, nem todos os poemas são sobre você. E aí eu escrevi esse poema, depois que já tinha acabado ali o babado.
Eu já tinha guardado essa frase na minha cabeça desde quando eu estava enrolada com ele ainda. E aí depois que acabou, eu escrevi o poema. Começou como poema. Inclusive o poema nem chama nem todos os poemas são sobre você. Chama Sobreveio. E esse poema foi publicado no meu primeiro livro. E aí quando a gente estava procurando canções para enterar o disco...
Pedro foi lá, né? Não, pegou o livro, entendeu? Vamos ver o que eu tiro desse livro aqui. E aí musicou esse poema, não inteiro. Inclusive, eu escrevi coisas a mais para inteirar ali as estrofes. Então, dessa vez, essa música não é o poema exatamente como está publicado no livro, como outras são. Então, eu fui lá e modifiquei algumas coisas também. E saiu a música. Foi Pedro que escolheu o poema para ser musicado.
Vamos agora para a próxima faixa, amor cagado. Tira essa mão da minha gaveta Que o amor passou ventando e a esvaziou Jogou cruzado as minhas calcinhas
Minhas contas atrasadas Minhas espinhas por sair E todas as minhas menstruações
O amor desarrumou meu quarto Me fez bater o carro Queimou minha comida Sumiu com meu dinheiro E apagou minhas possíveis demais Amar soltinho era o que eu queria Mas só tinha amor cagado Tava na promoção e eu levei
Então, vimos agora a quarta música do álbum, Amor Cagado, que é uma certa cacofonia por si só. Exatamente. Que você falou que era um poema antes, né? Isso. Também, mais uma que foi um poema. É. E como é que foi a transformação dela? Ela foi a primeira transformada em música?
Foi uma das primeiras. Uma das primeiras, né? Foi uma das primeiras. E é o poema mais antigo do disco. Esse poema que eu escrevi em 2015, realmente foi um amor cagadíssimo. Inclusive, eu demorei um tempo pra conseguir gostar desse poema.
quando era só poema. Não porque eu não gostava do poema em si, mas porque realmente me trazia lembranças muito horríveis, assim, de um psicopata, vou dizer mesmo, que eu tive um relacionamento, assim, um cara horrendo. Espero que ele esteja queimando no mármore do inferno uma hora dessas. Mas é porque esse realmente é um criminoso.
Enfim, não vou entrar nessa vibe agora Pra não baixar o clima Mas eu escrevi esse poema Porque eu estava vivendo esse amor Cagadíssimo E a letra fala que foi um amor que bagunçou muito a vida E mandando a pessoa se sair Tira essa mão da minha gaveta
porque tá uma bagunça que é a minha vida, sabe? Queimou minha comida, me fez bater o carro. Tipo assim, realmente foi um amor cagadíssimo que me destruiu. Mas a poesia, ela serve também pra arte, né? Ela serve pra você vomitar as coisas. E Amor Cagado foi esse poema vomitado de um momento que eu estava um lixo.
Só que ele é um poema massa, entendeu? Ele é um poema engraçado, apesar de ter surgido numa situação muito ruim. É. E aí no começo eu ficava, ah, esse poema me lembra aquele cara e tal. Só que aí o tempo vai passando, a gente vai se curando também das feridas. E a escrita ajuda muito nesse processo, né? Cada vez mais eu, peraí, esse poema é meu. Esse cara já me tirou muita coisa. O meu próprio poema que eu escrevi não vai me tirar, não. E aí eu fui me apropriando cada vez mais desse poema.
Hoje eu adoro ele, adoro a música. Tô te contando porque a gente tá falando a história do disco, mas assim, não tenho nenhum ranço do poema, né? O cara, como eu já disse, né? Que morra. Mas o poema é meu amorzinho. E aí foi essa situação de Luiz, pegou o livro e fez a música. E mandou, e eu amei. Vamos melhorar um pouco o clima? Vamos sim, vamos sim.
Vamos agora pra Mar Doce, que é a quinta faixa do álbum, que também foi a canção de 2021 no Festival de Música da Paraíba. Isso. Elevada pelo mar, bem leve, eu não sei mais, não sei mais o que sou. Se sol sai.
Se sou água, se sou peixe Se sou nuvem, sou vento ou sou flor Eu voei
Então, Pri, essa música estava no Festival de Música 2021, né? Você participou com ela antes de você ganhar em 2022 com Boca Aberta. E quero saber o que ela mudou nesses cinco anos, de lá pra cá. Agora ela tem o arranjo panterudo, rock'n'roll mesmo. Porque no festival, inclusive a banda maravilhosa do festival, parabéns pra todos os músicos, os arranjadores que trabalham no festival.
Mas é aquela coisa, tem uma instrumentação padrão pra todas as canções que estão ali competindo. Então, tem um tipo de arranjo ali, uma coisa mais próxima. Tem uma unidade dos arranjos ali, digamos, né? Das músicas do festival. Até mesmo pra ser uma coisa justa, né?
Afinal de coisas, é um negócio competitivo. O arranjo mesmo dos meus sonhos, né? Pra Mar Doce, não é bem o arranjo que a banda do festival fez, apesar de ter ficado incrível também. Mas agora, com as panteronas também, com a contribuição também de todo mundo, a música foi evoluindo pra um lugar mais rock'n'roll, que me agrada muito. Então, a Mar Doce de Boca Aberta, agora do álbum, é uma Mar Doce bem mais rock'n'roll. Bem mais rock'n'roll do que a do festival.
Então você diria que no festival era da Pliquer, agora é da Pliquer e as Panteronas. Exatamente. É o anjo das Panteronas, né? Exato. E essa canção, Mar Doce, foi uma das primeiras que eu escrevi sozinha na vida. Você diz enquanto canção, mesmo sem ser...
Sem ser poema. A Letra de Mar Doce está publicada no meu livro enquanto poema. Mas não foi um poema que eu escrevi e depois musiquei, não. Foi uma música que eu fiz. Como eu tinha dito, em 2020 eu participei do festival e queria depois participar para poder diminuir a diferença entre homens e mulheres. E aí, era pandemia e tudo mais, eu fiz uma oficina de composição online. Justamente para dar esse gás, porque era uma coisa que eu nunca tinha feito sozinha.
Então, sim, já tinha contribuído nas composições de alguém, alguma coisa assim, música de teatro que faz junto ali e tal. Mas sentar e fazer, vou escrever a minha canção, isso eu nunca tinha feito. Inclusive, eu achava que nem era pra mim, composição. Não, eu sou intérprete, já dá muito trabalho, realmente dá muito trabalho ser intérprete.
Não, eu nasci pra cantar a música dos outros, ó que viagem, né? E aí eu fiz essa oficina, aí eu compus uma música lá na oficina que eu não gosto muito. Foi a primeira ali, né? Só pra abrir os caminhos.
Aí eu fiz uma música lá para encerrar a oficina, que eu não gostei muito. Aí depois eu pensei, bom, os conhecimentos estão aqui. Vou sentar e tentar fazer esse exercício mais uma vez de compor uma canção. E se der certo, eu vou mandar para o festival. E foi Mar Doce, que é uma letra extremamente sensorial, que descreve muitas sensações ao invés de sentimentos, porque as outras falam muito de sentimentos.
Essa é uma música sobre, realmente, sensações, sobre como o mar lava, purifica até a nossa alma, assim, sabe? Esse contato com o mar.
que é muito especial para mim, eu sou uma mineira, né? Vim de um lugar que não tem mar, para vir morar perto da praia. Então, querer estar perto do mar, querer estar perto da natureza ali, da água salgada, foi uma das coisas que me fez vir para cá. E esse poder do mar de lavar, a sensação mesmo tátil que o mar traz quando a gente está lá, quando a gente sai, a areia, enfim, essa...
Essa viagem. Essa viagem aí. Tem algum motivo pra ser Mar Doce junto? Escrito dessa forma? Tem. Inclusive, o Boca Aberta segue essa linha também. Essa mesma lógica, né? A música não explica isso e eu nunca expliquei isso pra ninguém. Então, informações siméticas. Em primeira mão. Mar Doce é o nome que eu coloquei nessa sensação de lavada que o mar te dá. Sabe que você chega meio mal, aí você vai lá, toma um banho de mar.
E essa sensação que tá descrita na música, o nome dessa sensação pra mim é sensação de… Mar Doce. Que lindo, é. Que bom que você gostou. Gostei. E que bom que a gente teve essa informação aqui em primeira mão, né? Primeira vez que ela tá sendo dita. Essa foi Mar Doce, vamos partir agora pra Tua Coleira.
Suar a noite inteira, lamber tua nuca, mudar teu cheiro, trocar saliva, gastar a língua nas tuas costas.
Então, vimos aí Tua Coleira, que realmente, assim, o álbum já vem nessa pegada de ser explícito, mas ela chega como um baque, né? É. Ali no meio do álbum. Me confirma isso, porque a voz do álbum é você com as backing vocals, certo? Isso. São todas vozes femininas.
É, só que nessa tem a participação de Elon. De Elon, é isso que eu ia falar. Que é a primeira vez que a gente ouve uma voz destoante disso, assim, no meio do álbum, né? Primeira parceria. Isso, isso. E a música já abre com a voz dele. Abre. E como é que foi essa parceria? Como é que surgiu? Como é que foi a ideia da música já começar assim, com uma voz diferente?
Pronto. Essa canção foi o Luiz que me presenteou. É uma canção que é 100% dele. Que eu falei que ele tava guardado na gaveta há muito tempo. Ninguém tinha coragem de gravar. Mas eu acho que tem totalmente a cara das panteronas. E eu não queria que a música ficasse um negócio muito heteronormativo. Porque fala do membro, né? Não queria que ficasse uma coisa...
muito heteronormativa. Então, falar, né, de falo com voz masculina é uma coisa que quebra a heteronormatividade. Então, foi por isso que eu queria que Elon começasse cantando a primeira estrofe. Entendi. Ele já quebra esse padrão logo de início, né, na música. Exatamente.
Muito bom. E realmente, assim, ela é bem visceral, né? Fala abertamente de vontade, de desejo, descreve e dá nome aos movimentos, digamos. É, coloca os nomes explícitos e os nomes poéticos, tudo ao mesmo tempo. Agora a gente vai falar da faixa título do álbum.
Boca Aberta, assim, junto mesmo. E como foi a escolha dela pra ser a faixa título? O que que levou a isso? Eu acho que Boca Aberta, ela traz uma... Não tô falando da música, não. Tô falando desse título, né? Desse nome, Boca Aberta, tudo junto, né? Também. Na mesma linha de Mar Doce. Porque Boca Aberta, junto, pra mim é um estado. Igual o Mar Doce é um estado de espírito, um estado sensorial.
Boca aberta, para mim, é um estado de ação. Então, significa dizer o que tem que ser dito e o que eu quero dizer. O que eu preciso e o que eu quero. Boca aberta é isso. É esse estado de dizer. E de dizer com força, dizer com coragem, dizer com ímpeto. Então, boca aberta junto, é isso que significa. É esse estado.
de botar pra fora. Então, o disco, pra mim, é um grande botar pra fora. É um lugar onde eu tô dizendo o que eu preciso e o que eu quero. Então, é esse estado de boca aberta. E é um disco que tem suas temáticas, mas que são temáticas variadas. E esteticamente, musicalmente, eu acho que tem variações também. Então, eu acho que tudo isso combina com boca aberta. Boca aberta que é uma coisa que engloba.
Uma coisa que engole tudo. E a capa foi desenvolvida a partir do título? Do título, sim, e de todas as canções. Tainha foi a maravilhosa da Tainha que fez essa arte. Eu mandei pra ela as músicas, mandei as letras, pra ela ouvir tudo, se inspirar, pensar e poder chegar nessa coisa incrível que ela fez.
Vamos descrever aqui pros ouvintes, a capa é a Pri, é uma ilustração da Pri, né, com a boca aberta, assim, bem, como se estivesse gritando, vociferando. E as panteronas são emprestadas por duas panteras do lado dela, fazendo o mesmo movimento. Tem até uma estética meio, não sei, tropicalista, talvez, uma coisa bem colorida. Bem colorida, é.
E falando nisso, né, tem uma referência à Cálice, até as outras músicas também, mas a Cálice acho que foi mais evidente, assim, quando você fala mesmo com a da boca resto do peito. Porque eu acho que cabe completamente com a música, né? Isso. E, sei lá, você acha que essa pode ser a sua Cálice, a Cálice do século XXI, a Cálice fala sobre gritar, sobre abrir a boca e falar o que tem que ser falado?
Nossa, acho que seria muito pretencioso eu dizer que é a cálice do século XXI. Não, a sua cálice. Mas é a minha. Exatamente. Pronto, é a minha cálice. A música é valendo ali. Cada palavra ali eu escrevi com o meu coração sangrando. Porque eu puxei lá no fundo as minhas dores. E são reais.
E a gente falou da referência cálice, né? Mesmo com o Calhão da Boca e o Resto Peito. Também tem... Você fala de enfiar uva no céu da boca. Tem muitas citações. Muitas citações, né? Beijo na boca é coisa do passado, que eu lembrei de um funk do Fleckão 2000, já bem antigo. Isso. Eu queria saber o quanto isso reflete, dessas referências refletem na sua música, na sua música em geral, assim. O que você puxa dali, daqui, desses ritmos que são diferentes?
Sim, eu acho que ser uma pessoa eclética, né? Porque eu gosto muito de coisas muito diferentes. É muito legal, porque tudo isso me alimenta, né? A minha música é alimentada pela literatura. Não só a literatura que eu produzi, né? Mas a literatura que eu leio, que eu consumo. Pelos filmes que eu assisto, das músicas que eu escuto. Do teatro que eu vivo, o teatro que eu faço, o teatro que eu assisto.
É a sala de aula também na minha vida. Toda a arte que eu consumo, toda a forma que a arte está envolvida na minha vida, ela aparece nas minhas músicas. E como eu gosto de coisas muito distintas, isso é legal, porque traz muitas pecinhas diferentes de Lego ali pra eu montar, sabe, minhas coisinhas. Então eu acho que isso aparece, assim, no disco.
Com certeza, e acho que nessa música tá mais evidente do que em qualquer outra, né? Isso, eu queria, quando eu fiz essa parte da citação, eu queria pegar referências, né, da música brasileira, tudo que fala de boca, então eu fiz essa pesquisa mesmo, pedi pros meus amigos, ei, conhece alguma música que fala de boca? Essa foi a metodologia ali da pesquisa, né, músicas que falam de boca. E aí eu queria juntar...
Músicas engraçadas, músicas leves, músicas nem tão leves, músicas pesadas. Pra falar um negócio pesadão. Então tem o funk, né, que é um funk engraçado. É aquela, né, do Iaí, chupa toda. É uma música massa, de diversão e tal. Mas eu queria usar tudo isso pra pesar o clima. Essa foi a faixa do título do álbum, Boca Aberta. Agora a gente vai pra uma faixa aqui, Sanyahuagua.
Sem saber nem mesmo o sonho que virá Te vi Absurdo em águas mornas apoiar Feri Os meus pés na pedra em ponta apontar Abri Um portal pela ferida sangrar Eu verti
Como um nadão, peixe Respirar por dentro Água Água Canta Canto de baleia Inspirar de fora
Nossa, que é uma doideira, né? O nome é uma loucura, a letra é muito louca também, essa música é bem maluca. Foi uma música que Pedro fez, ele fez a harmonia e fez a melodia e não tinha letra. Aí ele chegou lá em casa e falou, ó, eu tenho essa música que queria botar uma letra.
Aí eu ouvi e falei, amigo, tu quer falar sobre o quê? Porque às vezes eu faço isso, a pessoa chega com uma música e pede pra eu botar uma letra, eu pergunto qual tema que a pessoa quer falar. Aí ele falou, ele falou Rio Sainhauá. Não sei se ele falou Rio, ou se ele falou Rio Sainhauá, mas foi uma dessas coisas que ele falou. E a própria melodia da música eu já achava muito torta, muito quebrada, sabe?
Então eu fiz a letra também muito numa coisa de sensações do que lógica, sabe? De sensações que o Rio traz, explorar os sentidos também, né? Do tato, cair aqui, o calor do sol, o frescor da água.
escutar o canto, cantar um negócio, sabe? Uma coisa bem sensorial do corpo em relação ao rio. Acabou virando o título da música a partir disso. Exatamente. Então, Sanhauágua, aí mais uma faixa do álbum Boca Aberta. Isso, Sanhauágua é a água do rio Sanhauá. Perfeito. Vamos para a próxima agora, a música Bate no Tímpano, que você também chegou a mencionar ainda agora.
A música bate no tímpano Do tímpano explode o choque Chega pro pé, pula pro peito Faz craquelar a capa do coração Eu fico muda Coisa que nunca acontece Minha cara congela
Dois olhos fritos, completamente mexidos, os cantos da boca apontando pra baixo, o balanço da cabeça, acendendo o sensação.
E nessa música, eu acho interessante que talvez seja a primeira vez que você fala algo sobre ficar quieta. Porque você fala, eu fico muda, coisa que nunca acontece. Coisa que nunca acontece. E realmente, nunca acontece. Até agora no álbum você só falou de falar, de gritar, de tirar a mordaça. Coisas desse tipo. E parece que tem um contraste agora quando você fala, eu fico muda. Essa música é sobre ouvir. Então tudo é muito sobre falar, gritar, pá pá pá. Essa é sobre ouvir.
Então ela se destaca no álbum por ter essa natureza distinta, né? De ser justamente oposta. É, ainda na mesma temática, porém, o outro lado da moeda. Exatamente. Sobre a música que eu escuto. Essa foi uma canção também que nasceu sendo um poema.
que foi publicado e que o Luiz leu e musicou maravilhosamente. E quando eu escrevi esse poema, foi quando eu conheci o disco De Nada Mais Algo Além, do Arrigo Barnabé, da Lívia Nestrovskis e do Luiz Tati, que é um disco incrível, que disco maravilhoso. E quando você escutar, por exemplo, Babel, que é a primeira música...
Tem uma energia panteruda aí, assim, né? Na verdade, eu bebi dessa música, né? Pra comprar muitas coisas das panteronas, inclusive nessa música, que é a música Bate no Tímpano, que foi o poema que eu escrevi quando eu ouvi esse disco pela primeira vez.
A noite não chegou, o tigre na floresta se entregou A terra não girou e quem faria a festa cancelou A noite não chegou, o tigre na floresta se entregou A terra não girou e quem faria a festa cancelou
Eu escutei esse disco, esse disco de Nada Mais Algo Além, e esse disco me nocauteou, foi uma voadora na caixa dos meus peitos. E eu amei, sabe? É maravilhoso quando você escuta a música e a música faz isso com você. A música dá um soco na sua cara, a música bate no seu timbre, dá um choque no seu corpo.
Eu acho maravilhoso quando isso acontece. E aconteceu comigo quando eu vi esse disco e eu escrevi esse poema. Pensando nesse disco aí do Arrigo, da Lívia e do Luiz Tatia. Inclusive, se um dia eles conhecerem essa música, eu vou ficar muito feliz, assim. Porque foi a música deles que me inspirou. É isso. Então essa foi Bate no Tímpano. E estamos chegando ao final do disco. Essa é a penúltima música. Deixa eu cantar aqui. Dá triste
Picudar o bumbo E atirar os pratos no chão Então, essa música foi a vencedora Do Festival 2025, né? Você com o Pedro Isso E você falou que quando você interpretou Você cantou sozinha Foi E como é que surgiu essa parceria com o Chico César? Foi um convite? Foi um convite que também foi
Muito obrigada, Festival de Música, por ter aberto essa porta, porque o Chico, ele me notou por causa do festival. Eu cantei na primeira etapa, deixa eu cantar aqui, lá em Campina Grande, né, 2025. E aí eu publiquei o vídeo da minha apresentação da primeira etapa, publiquei no meu Instagram. E aí o Chico Cesar compartilhou o meu vídeo. Aí eu...
Meu Deus, o Chico César compartilhou o meu vídeo. Mas nisso você não conhecia o Chico César. Não! Ele só era o Chico César. O Chico César, lá no céu e eu aqui na Terra Realismortal. E aí, ele compartilhou. Eu fiquei louca. Depois que a minha alma voltou para o corpo.
que eu acreditei, né, me belisquei várias vezes, aí eu mandei uma mensagem pra ele, agradecendo muito por ele ter compartilhado o meu vídeo, e aí ele falou de nada, eu gostei muito da canção, o tema, a forma, isso me chama atenção, me identifico, aí eu morri de novo, né, tive um troço, novamente, esperei minha alma voltar pro meu corpo, enfim, beleza, aí o tempo passou, festival, ganhamos, tudo mais, o tempo passou, e aí...
Pedro chegou no meu ouvido. Ei, Pri, pô, você já trocou ideia em box ali no Instagram com o Chico César? Chama ele pra gravar com a gente. Ele, não, Pedro, você tá doido? Você tá maluco? A gente não é ninguém não, pô, incomodar o Chico César na paz do lar dele. Deve receber 800 convites por dia, deixa o cara quieto na paz de já dele. Quem somos nós pra incomodar o Chico César com isso? Pedro, incansavelmente, falando no meu ouvido, falando no meu ouvido, todo dia, toda semana.
Aí uma hora eu falei, amigo, tu quer chamar o Chico César? Eu adoraria, mas enfim, sei lá, velho, tenho vergonha. Eu tenho vergonha, ele é um cara muito foda. Um grande nome da música e eu aqui, enfim, começando e tal. Chamo você, então. Chamo você, fale com ele você. Aí Pedro, mas eu nunca conversei com ele.
E tal, você já conversou com ele, ele elogiou a música. Aí ficou lá no meu ouvido, aí eu falei, tá, tá bom, tá bom. Pedro me venceu pelo cansaço. Mandei lá no Instagram, muito direta também. Sabia nem se ele ia visualizar. Boa tarde, Mestre Chico. Tenho um convite pra fazer, serei direta. Tamo gravando o nosso disco. Vai ter aquela música do festival, deixa eu cantar aqui. Se eu gostaria de gravar ela com a gente.
Mandei e deixei lá a mensagem, entendeu? Pensei, vai entrar na fila dos pedidos de solicitação de mensagem dele, né? Quem sabe daqui a quatro anos, né? Quando ele estiver olhando uma por uma, né? E nem é assim, né? Ele é um cara tão acessível, tão maravilhoso, assim, tão aberto, que ele visualizou a mensagem rápido e disse que sim, assim. E até hoje, acho que a minha ficha não caiu, que a gente gravou com o Chico César.
Você gravou com o Chico César. Nossa, é verdade esse bilhete? É verdade. Meu irmão, eu gravei com ele. Ele está lá, isso aí. Nossa, Chico, se você estiver ouvindo isso, muito obrigado. Você é um gênio. Você é louco, eu não consigo nem dizer isso, porque eu não é goçada. Então, eu já tinha esse mote na minha cabeça, que é essa frase. Deixa eu cantar aqui. Eu tinha isso. Um verso.
Era tudo que eu tinha. E aí Pedro sentou comigo. Pri, vamos mandar uma música pro festival? Vamos mandar uma música pro festival. Aí eu fiz a minha pergunta de sempre. O que você quer falar? Nessa época, o Pedro Índio Negro, que é um cantor daqui maravilhoso, ele tinha acabado de se mudar pra São Paulo. E Pedro, Pedro Medeiros, estava arrasado porque o amigo dele foi embora. Porque tá difícil viver de música na Paraíba. Tá difícil viver de música, sabe? Eu sou professora do Estado, então...
Eu tenho um salário que paga as minhas contas. As pessoas que não têm, que vivem realmente só de música, estão desistindo de ficar aqui. Estão mudando para o Sudeste, porque está muito punk. Então, o Pedro falou, eu quero falar sobre isso. Eu quero falar sobre o êxodo cultural, que os artistas daqui estão indo embora para o Sudeste, porque aqui está muito difícil. Então, isso já veio de encontro com o verso que eu tinha na minha cabeça.
Eu falei, então vai, Pedro, fala tudo que você quer falar sobre esse tema. Aí ele falou, usou o termo êxodo cultural, sabe? Usou umas palavras ali interessantes. Depois eu cheguei em casa, anotei tudo, juntei tudo que Pedro tinha me falado com a dificuldade que é de ser músico, que eu sei como é que eu concordo. Nem sempre eu fui.
professora do estado juntando com essa experiência horrível e completamente desrespeitosa que a gente passou no bloco Tome Ladeira então joguei tudo isso, bati numa coqueteleira, eu e Pedro fizemos essa música perfeito e surgiu, deixa eu cantar aqui terminando aqui a última faixa do disco Eu Achei o Amor no Tinder Prickler e as Panteronas
É mentira, eu lembro sim Mas se bobear, esqueço Eu achei o amor no Tinder E é difícil acontecer No trabalho, na rua ou no rolê Eu não sei se eu dei sorte Eu não sei se...
Eu achei o amor no Tinder. Isso. Eu achei mesmo o amor no Tinder. É, e é difícil acontecer, né? Tá falando aí na música. É verdade. E aí, esse poema, né? Como vários dos outros, né? Foi um poema que eu publiquei no meu segundo livro.
que se chama A Mulher Doida. E no começo do livro tem um poema chamado O Macho do Tinder, que engraçado, que é falando mal dos caras do Tinder. Experiências péssimas que eu tive no Tinder. Que é um poema antigo que eu já tinha, que foi publicado nesse livro.
E aí depois que eu tinha escrito esse poema, eu encontro um grande amor no Tinder, né? Estou cinco anos já com o meu amorzinho que eu encontrei no Tinder. Então por isso que no poema eu falo, se eu já xinguei o Tinder, me desculpa, eu não me lembro. É mentira, eu lembro sim, mas se bobear, esqueço, porque eu achei o amor no Tinder. Então foi um poema meio que de resposta ao outro poema que eu tinha feito antes, que aparece no começo do livro, falando mal dos machos do Tinder. E aí era isso, um poema publicado no livro.
E aquela história que eu contei anteriormente, a gente precisando de músicas pra inteirar um disco. Guga Limeira tava lá lendo o livro, sem saber que eu tava nessa demanda. Compôs essa maravilhosa canção e me mandou. Então foi assim, a cerejinha que fecha o disco, sabe?
Foi isso que eu me referi, quando eu falei pra você que eu achava que o disco terminava num tom muito romântico. Ele é bem escrachado e tudo mais, mas quando ele chega no final, ele vai, ele se assenta. Isso, é como se fosse uma piada essa música pra gente, como se fosse uma piada. Tanto que a gente coloca, né, o... Precler e as panteronas.
A bateria. Não é bateria de verdade, é bateria de tecladinho Cássio Velho, entendeu? Então tem essa referência aí da Seresta, da música gravada ali do tecladinho Mequetrefe. Então é uma piadinha, assim, pra terminar o disco. Eu achei que ela retoma algo meio clássico, né? Aquela coisa meio de rádio, anos 70, 80. E o disco todo é muita loucura, né? Muita vanguarda, doideira. Aí a gente termina ali com a música…
Que traz uma coisa mais antiguinha, assim, sabe? Uma coisa mais fofa e, ao mesmo tempo, com uma piadinha ali embutida. E se anuncia, né? Acho que é a primeira vez do álbum que vocês se anunciam. Priclera e as Panteronas. Isso. Acho que dá um tom muito maneiro, assim, de encerramento. E realmente, fechou perfeitamente. E ajuda as pessoas a aprenderem o nome da banda. Porque Priclera não é o nome mais fácil do mundo.
As Panteronas é bem marcante. É, ainda bem que tem, né? Porque aí já ajuda. Então fechamos agora o disco Boca Aberta. Esse foi mais um História do Disco, dessa vez com o Prie Clare. E falando do álbum de estreia do grupo Prie Clare, As Panteronas. Ficamos por aqui. Prie, muito obrigada pela sua presença. Eu que agradeço. E fica aí o convite pra voltar quando outros trabalhos forem lançados.
Tá certo, muito obrigada. Esse foi o História do Dish, o programa de sexta-feira, no qual convidamos um artista e vamos comentando faixa a faixa de uma obra sua. Hoje comigo, Pedro Antônio. Eu fico por aqui, vocês ficam com a voz do Brasil. E vida longa e próspera.
Este programa é um produto da Rádio Paraíba FM 103.9, uma emissora da EPC, Empresa Paraibana de Comunicação. Diretora-presidente, Naná Garcês. Diretor de Rádio e TV, Lujoi Leitão. Gerente de Rádio Difusão, Berlim Carvalho. Gerente Executivo de Conteúdos e Programação, André Cananéa.
Você acompanhou o programa História do Disco, um completo raio-x dos álbuns mais relevantes da nossa música. Até o próximo programa. Tchau.