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Dj lLOBATO - GESTOR CULTURAL - Arte NAMESA PODCAST - ep.120 - ESPECIAL CCM Hip-Hop SUL - 10 ANOS

23 de agosto de 20261h25min
0:00 / 1:25:21

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Participantes neste episódio1
D

Dj lLOBATO

ConvidadoGestor cultural
Assuntos7
  • Casa de Cultura Hip Hop Sul10 anos de existência·Gestão cultural·Programação e oficinas·Espaço comunitário e de convivência·Luiz Lobato
  • Gestão de Equipamentos CulturaisDesafios da gestão·Zeladoria e contratações·Divulgação e mapeamento·Relação com o território e a comunidade·Programa Jovem Monitores Culturais (PJMC)
  • Cultura como Direito e Transformação SocialCultura gratuita vs. percepção de qualidade·Impacto da cultura na vida das pessoas·Cultura como ferramenta de ascensão·A importância de ocupar espaços culturais·História de superação pessoal através da cultura
  • Trajetória do DJ LobatoInício como DJ·Atuação como MC·Amor pela música negra·Produção musical e discografia·Vinil vs. Controladora
  • Políticas Públicas Culturais em São PauloEditais e programas de fomento·Programa VAI·Fomento à Periferia·Importância do SUS da cultura·Secretaria Municipal de Cultura
  • Acesso à Cultura e Contratação de ArtistasDocumentação necessária para contratação·Porta de Entrada (sistema da secretaria)·Contratação de pessoa física vs. jurídica·Importância da regularidade fiscal·Orçamento mensal para contratações
  • O Papel da Cultura na ComunidadeCultura como ponte para outras áreas (educação, saúde)·Diálogo com o território e lideranças locais·Exemplos de sucesso de artistas locais·A importância de espaços culturais públicos e gratuitos
Transcrição242 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Seja bem-vindo a mais um episódio do seu podcast Arte na Mesa. Luiz Lobato na área, da hora, satisfação. Obrigado por receber aqui o podcast, pelo convite. Esse é um episódio especial dentro da Casa de Cultura Hip Hop Sul, 10 anos. Que tá fazendo 10 anos esse ano, né?

DLDj lLOBATO

10 anos em 2026.

?Voz A

Vou começar te presenteando com kitzinho aí dos apoios do podcast.

DLDj lLOBATO

Calma aí, surpresa! Eu não vi ainda.

?Voz A

Não viu mesmo?

DLDj lLOBATO

Real reação inédita. Já gostei, já gostei, já era o que eu imaginava.

?Voz A

Aí, ó, canequinha do podcast. Saca que dentro tem um outro presente, né?

DLDj lLOBATO

Não, sim, melhor ainda. Eu gosto de meia colorida. Ó, você já tinha me falado que era uma meia, mas você não falou que era colorida, hein, mano?

?Voz A

Da hora, obrigado! Vou agradecer a BetSaida, que é a empresa que faz as canecas, a Guinarli, que faz as meias. Vou deixar o cupom de desconto para você comprar agora.

DLDj lLOBATO

Só Guinarli, top, hein, mano? Diferente, hein?

?Voz A

São meias com padrão meio premium mesmo assim.

DLDj lLOBATO

Sim, eu gosto de meia colorida, qualidade é outra.

?Voz A

E vou agradecer Skate Até Morrer que patrocina o podcast. Provavelmente você tá vendo a loja agora, cupom de desconto, são 3 lojas na Galeria do Rock, vai lá. Se precisar de shape montado, peça, truque, roda, rolamento, roupa, tênis, meias, tudo, inclusive as gnarlys você encontra lá também.

DLDj lLOBATO

Olha que da hora, mano.

?Voz A

Só ir lá, cupom de desconto, vamos pra trocação de ideia.

DLDj lLOBATO

Vou achar pena essa meia aqui, mano.

?Voz A

Ela é legal, ela é bonita pra caramba.

DLDj lLOBATO

A caneca é show também, porque a gente aqui usa muito a caneca.

?Voz A

A caneca é o seguinte, Aqui é tudo no improviso e ao vivo.

DLDj lLOBATO

Quase, quase, hein?

?Voz A

A caneca, deixa eu dar um som alô. Essa caneca ela é exclusiva, então aqui tem uma frase: arte não é luxo, arte é resistência. Só vão ser produzidas 10 canecas dessas, 4 convidados vão ganhar e 6 vão estar à venda no site da BetSaida que tá aqui. Passou essas 4 canecas, já troca, os outros 4 convidados vão receber outras canecas. Então são canecas exclusivas, entendeu?

DLDj lLOBATO

Da hora, legal a ideia, né? Gostei, gostei.

?Voz A

Aí no próximo lote já vem outro modelo, outro desenho.

DLDj lLOBATO

Gostei, gostei. Bom, vamos dar mais um foco aqui na caneca então, já que é uma peça rara, certo? Ó, que louco, da hora! Parabéns, mano, acho que a ideia era essa mesmo, mano.

?Voz A

Vamos lá, você é DJ, MC e gestor aqui da casa de cultura. Não sei nem por onde começar, velho.

DLDj lLOBATO

É, mano, é isso, mano. Basicamente é isso aí. Eu vou fazer o seguinte, calma aí. Vamos dar um destaque da hora pra essa caneca aqui? Deixa ela em cima aí.

?Voz A

Bora, mano.

DLDj lLOBATO

Deixa separadinho aqui.

?Voz A

É isso.

DLDj lLOBATO

Fazer um flu-flu aqui. Então, mano, é isso basicamente. Eu digo que eu sou um amante da cultura e resgatado pela cultura e também pela educação.

?Voz A

Tá.

DLDj lLOBATO

E aí quando o hip-hop vem pra minha vida, ele já vem com essa carga emocional aí, né? E é o que me manteve vivo e me mantém vivo, né? Hoje já tem alguns, já tem quase, já tem um pouco mais de 20 anos que também é uma forma de trabalho. E aí eu fui buscar meus caminhos, eu tive que de alguma forma me especializar em alguma coisa.

?Voz A

O que veio primeiro, DJ ou MC?

DLDj lLOBATO

DJ. DJ.

?Voz A

DJ.

DLDj lLOBATO

O MC só era uma necessidade, o DJ é amor e é paixão. Eu morro amanhã, mas morro como DJ Lobato, não morro como MC Lobato, não tenho nenhuma pretensão disso daí, tá? Para mim, se eu puder, um dia que eu puder mudar meu nome, eu tiro o Luiz da frente, ponho só DJ Lobato, que já abreviou o Luiz também.

?Voz A

Que que você mais toca?

DLDj lLOBATO

Eu cresci, a minha primeira infância eu cresci já ouvindo música negra. Tanto brasileira quanto internacional, né? Não digo não só norte-americana, de outros países também, que não só os Estados Unidos. Então, cara, o que eu gosto é isso. Então, por exemplo, se for pra mim pegar pra mim ouvir agora, eu vou escutar Sade, vou escutar Tim Maia, tá ligado? Vou escutar Cassiano, vou escutar Hildon, vou escutar Jorge Ben, Giovanna, Juvelina, Dona Ivani Lara.

E aí, tipo, eu não consigo fazer uma separação entre ritmos. Se a música me tocar e se a ideia que aquela pessoa colocou na música e que ela tá cantando me tocar, é o que eu vou ouvir. Então, dentro dessa variação de set, do que eu gosto de ouvir ou do que eu gosto de tocar, obviamente vai ter uma— até do que eu gosto de produzir, do que eu gosto de ouvir para produzir, obviamente vai ter uma— vai ter muito boom bap ali, vai ter muito rap nacional, muito rap de Nova York, da Califórnia, do Sul ali também, né, vai ter também bastante, mas eu gosto muito mesmo da música negra em geral e principalmente da música nacional, tanto de São Paulo quanto do Rio de Janeiro.

Floreado, samba rock, cara, eu gosto de jazz também, mas eu não consigo, eu ainda não consegui ouvir tanto assim, mas eu gosto, conheço alguma coisa.

?Voz A

O que a galera mais contrata pra você tocar?

DLDj lLOBATO

Pô, mas não tem como eu falar que é o rap, que é o hip-hop, né? Aí tem um, tem uma divisão assim. O que que aconteceu lá atrás, né? Hoje já tô já um pouco mais de 25 anos dessa trajetória aí. Lá em 2002, 2000 alguma coisa, eu entendi que dentro do artista produtor cultural independente, autônomo, coletivo, compartilhado, periférico, A gente tinha que criar estratégias e mecanismos pra gente acessar editais e projetos e premiações pra gente conseguir fazer o nosso mercado girar, né?

O nosso sistema andar. Então, na verdade, quase ninguém me contrata, mano. Eu geralmente crio uma proposta, trabalho essa proposta e vou trabalhando, vou enviando pra secretaria, pra SESC, pra iniciativa privada, iniciativa pública. Tanto que hoje eu tô como gestor aqui, tá ligado? Então rola uma contratação de escola pra fazer projeto cultural educacional falando sobre hip-hop, porra, sempre rolou palestras, troca de ideias e tal.

Mas a iniciativa privada, fazer, sei lá, pegar uma casa noturna pra fazer um lançamento de um disco nunca foi a minha prioridade, assim. Eu sempre fui um cara mais de base, de coletivo, de periferia, de favela, de coletivos, né? E aí eu foquei estrategicamente, historicamente falando, eu foquei mais nisso. Então eu construí uma trajetória dentro desse rolê, tá ligado? Uma galera foi para o mercado privado e da hora, legal. E são até pessoas que a gente viu também começar, né?

Na verdade, a gente já tava fazendo, elas estavam começando e elas se deram muito bem nisso. Mas eu preferi ir por esse outro caminho mais orgânico, mais— e não é fácil trabalhar com poder público. Pô, você manda um edital, aí você fica lá um mês, um ano esperando, aí depois executa, presta prestação de conta. Eu faço isso há mais de 20 anos, mano. Hoje eu tô desse lado de cá, tô na gestão.

?Voz A

Você trabalhou muito com edital?

DLDj lLOBATO

Muito, mano. Eu fui praticamente um— a primeira, por exemplo, um edital muito conhecido na cidade de São Paulo, que é o programa VAI, eu participei da primeira edição.

?Voz A

Que louco!

DLDj lLOBATO

Então em 2003 eu tava na primeira edição do programa VAI, tá ligado? Eu participei de um coletivo chamado De Repente o Rap, que foi o primeiro CD gravado ao vivo dentro do Centro de Culturas Negras Mãe Silva de Oxalá do Jabaquara. Isso foi gravado em 2004 pelo Programa Vai. Talvez tenha sido a primeira gravação que o Programa Vai fez. Então a gente participou de várias atividades, né, de várias preparações dentro desse projeto.

E aí no final desse projeto a gente fez um festival, e esse festival foi todo gravado ao vivo E aí algumas músicas, acho que uma música de cada artista foi para uma coletânea que foi inteiramente gravada ao vivo.

?Voz A

Então basicamente, vou só fazer um parênteses, a gente ainda vai falar da questão de ele ser gestor, o corre que é para você chegar aqui e oferecer o seu trabalho e ser contratado, mas é legal esse parênteses porque então por muitos anos você tecnicamente viveu.

DLDj lLOBATO

Eu sou cria de casa de cultura, mano, ganhando dinheiro da cultura. Eu sou cria de casa de cultura, comecei a frequentar a Casa de Cultura Manuel Mendonça lá em Santo Amaro e a Casa Amarela, as duas, três casas, a Biblioteca Prestes, Biblioteca Kennedy, sei lá, com 8, 9 anos de idade eu já tava lá fazendo trabalho de escola com grupo.

?Voz A

A Manuel Mendonça é onde rola o Samba da Vela? Não tô falando besteira.

DLDj lLOBATO

Não, não é o Mendonça, é onde rola o Samba da Vela. Lá a gente tinha um projeto lá em 2007, 2008 chamado Mercado Hip Hop, era os terceiros domingos do mês.

?Voz A

E é louco isso porque às vezes eu pergunto para muitos artistas, você olha, eu não tô aqui criticando ninguém, né, mas eu pergunto, você olha para questão cultural, para questão dos editais? E às vezes o cara tá passando o maior veneno e não observa isso.

DLDj lLOBATO

Não, e aí agora eu vou falar, eu vou falar, não vou chegar nesse, não vou queimar a largada, mas, meu, a Secretaria Municipal de Cultura tem um monte de editais abertos. Os editais de oficineiro, tanto das casas de cultura quanto dos centros culturais. Aí você tem o PA, você tem o PAPI, você tem o vocacional, tem um monte de oportunidade de trabalho como arte educador. E aí você também tem o porta de entrada e é SMC Editais, que é para editais um pouco maiores, e a porta de entrada para contratação artística direta.

E eu vou falar aqui, ó, existe, existe, só desculpa, existe hoje, né, A quantidade de políticas públicas culturais que a gente tem na cidade de São Paulo, meu, é infinitamente maior do que era 25 anos atrás. E talvez, talvez, eu não tenho essa informação concreta, mas podemos pesquisar, procurar tese aí da FGV, da USP, da onde tiver. Talvez seja a maior rede de programas públicos culturais, de políticas públicas do Hemisfério Sul.

Obrigado. E que a rede da cidade de São Paulo é muito grande, são 20 casas de cultura, 56 bibliotecas, vários pontos de leitura, bosque de leitura, centros culturais, teatros. Então, meu, e todas elas têm programação gratuita, todas.

?Voz A

O ano passado, e eu acho que eu já falei até, teve um projeto que me tirou da insegurança alimentar, que era da Aldir Blanc, que eu trabalhei como fotógrafo e filmmaker para uma galera que passou nesse projeto, me contratou, e foram 4 meses que, meu, recebi uma grana para trampar para eles no projeto deles, que salvou meu ano.

DLDj lLOBATO

Então é isso, olha que loucura.

?Voz A

Não foi nem eu que me inscrevi, eu não fiz todo o corre, foi uma outra galera, uma outra galera.

DLDj lLOBATO

Só que você é um profissional que tá ali já tem alguns anos fazendo, e a galera precisa de— sim, hoje em dia, mano, já tem pelo menos uns 15 anos que eu vejo isso muito. Periferia, cultura na periferia não é mais aquela coisa largada. Aliás, nunca foi largado, mas hoje, a cada dia que passa, ela tá mais profissional, tá ligado? E aí existe da parte da gestão, e aí eu tô falando porque eu tô desse lado agora, eu consigo falar um pouco mais profundidade, essa preocupação de entender isso.

Então, por exemplo, meu VAI, eu só fui ter acesso ao VAI no meu nome em 2007. 2007, se eu não me engano, 2007 ou 2008, era R$13 mil, ok, R$13 mil há 20 anos atrás por ano dava para você fazer alguma coisa, mas era um projeto muito pequeno. Hoje o VAI 1, se eu não me engano, já tá com R$54 mil. Ah, mas não é uma evolução tão grande, cara. R$54 mil no ano, dividir por 12, é, na verdade você não vai fazer um ano, é 6 ou 8 meses, sabe.

Pode aumentar, pode ficar muito maior, mas já tá perto do que a gente não tinha nada, sabe? Não, obviamente precisa, não tô também, não tô passando pano, certo? Mas obviamente precisa aumentar muito mais, porque no meu ponto de vista, e aí não é o gestor, é o artista produtor cultural periférico, quem faz a cidade de São Paulo andar da questão cultural é a periferia e essa produção cultural.

?Voz A

Com esse pouco recurso que temos, esses R$54 mil não vai na mão de uma pessoa, né?

DLDj lLOBATO

Vai na mão de um coletivo. E é o primeiro, só desculpa, é o primeiro, talvez é o primeiro, é a porta de entrada dos projetos culturais na secretaria. Porque aí você vai para o Fomento à Periferia, que são 2 anos, que é R$462 mil. Então a esfera muda. A quantidade de profissionais e técnicos da cultura que você consegue inserir hoje num projeto desse é extremamente maior do que há 20 anos atrás com R$13, R$15 mil.

?Voz A

Boto fé.

DLDj lLOBATO

Tá ligado? Mesmo que o mundo era outro, a realidade financeira era outra, mas o recurso ele sempre foi reduzido, né? Ainda é reduzido hoje, mas eu acredito que hoje tá um pouco melhor. E eu acredito que vai crescer, eu acho que vai melhorar mais porque tem mais gente participando, mais gente cobrando, e aparentemente a coisa tá mais— a demanda é maior, né?

?Voz A

Sim. O DJ Lobato, vinil, controladora, o que que você prefere?

DLDj lLOBATO

Vinil.

?Voz A

Mas se precisar tocar na controladora, toca também.

DLDj lLOBATO

Toco, eu tenho controladora. Controladora, ela me ajuda a trabalhar e ganhar dinheiro.

?Voz A

Mas vinil é o foco?

DLDj lLOBATO

Vinil.

?Voz A

Que louco.

DLDj lLOBATO

Tanto que de 2013 pra cá a gente lançou o vinil do A Favel, que é um grupo do qual, um coletivo do qual eu faço parte, de hip-hop.

?Voz A

A Favel?

DLDj lLOBATO

A Favel. A Favel basicamente é favela, mas a gente tirou o A de, a última letra e jogou pra frente. E aí fica brincando com a favel e a Favel, né? Tirou acento e tal. Mas na verdade é uma analogia que na favela minha vela ilumina o meu caminho, tá? Então é A Favela, o nome seria, né? Mas a gente fala que é A Favela e a marca é essa.

?Voz A

Onde que entrou MC nessa história toda?

DLDj lLOBATO

Ele entra por necessidade de querer cantar, de querer fazer música, de querer produzir, de querer fazer, fazer.

?Voz A

E você escreve as letras?

DLDj lLOBATO

Hoje eu não escrevo mais, né? Porque eu não tenho paciência nenhuma para escrever, irmão, tá? E nem lembro mais do que eu escrevo. Então eu fico, eu já trabalho mentalmente muito tempo eu faço isso, fica ali com a música na cabeça. E aí sempre tem uma batida, sempre tem uma outra música que me coloca, me coloca aquela música com aquela minha música com um pouco mais de energia. E aí eu vou para gravar. Eu sempre gravei em casa, então tem o meu computadorzinho já mais de 25 anos, ligo ele lá.

Não é o mesmo, rapaziada, eu tenho computador há mais de 25 anos, né? E aí eu vou gravando, mano, gravo no celular e tal, e depois eu vou para o estúdio finalizar. Nessa história aí a gente já fez o disco da Favela, que saiu em vinil e saiu na época, não existia plataforma, não existia nada, tinha só o Trama Virtual e o SoundCloud. Acho que ainda deve estar no SoundCloud, a Trama Virtual já morreu tem um tempo. Fizemos alguns CDs, acho que um pouco mais de 2 mil CDs na época.

?Voz A

Que legal.

DLDj lLOBATO

Foi bem distribuído. É 2012, né? 2013, 2010, por aí. Já tem 17 anos, quase 17 anos. E aí, por último, fiz o meu disco Palavras Pretas em 2000 e comecei em 2000 e alguma coisa, entreguei em 2022. Aí em 2023 eu fiz uma, fiz uma coletânea chamada, de beats e de algumas vocais que estavam lá jogadas dentro do HD, chamada, nem sei o nome, mas é alguma coisa com fita fantasma, black ghost tape, alguma coisa assim.

?Voz A

Legal.

DLDj lLOBATO

É isso, mano. Enquanto MC, enquanto artista, a minha entrega mesmo autoral, minha solo ou coletiva, são esses produtos aí.

?Voz A

Que louco.

DLDj lLOBATO

Aí tem outras coletâneas que eu participei com o pessoal aqui de São Paulo, que eu fiz parte por muitos anos do Fórum Municipal de Hip Hop, né? Então a gente sempre fazia coletâneas, né? 2012 até 2014, 15, fizemos algumas coletâneas. Tem algumas coisas minhas ali. Largadas ali, jogadas ali e tal, que eu participei. Mas o meu trampo autoral mesmo se resume talvez em dois trampos: meu solo e o trampo com o coletivo.

?Voz A

Muito louco, mano. Agora não tem como não cair muito para essas ideias, que é você aqui é coordenador de equipamento cultural, certo? Qual que é o corre aqui seu?

DLDj lLOBATO

Porra, mano, é foda, hein? Esse corre é mil graus. Eu trabalho praticamente, mano, de terça a domingo, praticamente aí umas 8 horas por dia, às vezes até mais, quando dependendo muito da demanda. Minha vida basicamente é 70% dela hoje tá aqui dentro da casa de cultura. Aliás, parabéns, Nego House, por ter ficado aqui por mais de quase 8 anos. O antigo gestor, o antigo gestor, qual o nome? Nego House, lembro dele aí, alguma coisa, mas no hip-hop a gente conhece ele como Nego House.

Ele tá fazendo várias correrias aí pelas casas de hip-hop no Brasil. Tem que parabenizar ele porque não é fácil ser gestor de uma casa de cultura, e principalmente de uma casa de cultura hip-hop, né? Só tem duas, só tem duas em São Paulo, na cidade toda, 12 milhões de pessoas, só tem duas casas de culturas temáticas, que é essa daqui, Hip-Hop Sul, e a Hip-Hop Leste, que hoje tá o Paniquinho lá. Não é fácil porque é cultura, é o que a gente ama, é o que a gente vive, e a gente se relaciona com pessoas que a gente conhece, às vezes que a gente já ouviu falar que estão na mesma, no mesmo universo que o nosso culturalmente falando, né?

E outras pessoas também que não são do hip-hop e tal. Então a gente tá ali a todo momento trampando, garantindo que a política pública cultural aconteça de fato, né? Eu tenho que me preocupar com a zeladoria da casa, tenho que me preocupar com as contratações, tenho que me preocupar em divulgação, mapeamento. Meu, conversar com todo mundo, sabe, principalmente com os vizinhos, com o território. Graças a Deus eu tô dentro do meu território, né, eu moro aqui na Vila Joaniza há mais de 40 anos e tô a 1,5 km da Vila Joaniza.

Então toda hora tá passando um vizinho meu aqui ou alguém que eu conheço, a gente tá trocando ideia, e aí eu não me sinto tão isolado e tão sozinho. Isso me ajuda muito, cara, porque é horrível você trabalhar no num projeto, numa casa de cultura onde você tá meio que só você empurrando a parada. Então eu tenho a estrutura da secretaria, né, da Secretaria Municipal de Cultura da cidade de São Paulo, o núcleo de coordenação de casas de cultura, que hoje é gestado pelo Lucas Dantas, né, ele que é o coordenador do núcleo.

Tem o apoio de vários outros gestores de várias outras casas que a gente trabalha em rede, trabalha conversando com todo mundo.

?Voz A

Rola isso?

DLDj lLOBATO

Rola, rola. Ontem mesmo tava em reunião lá no centro, lá com todos os coordenadores. Então tem essa troca dentro da cidade de São Paulo muito positiva e muito fortalecedora. E é isso que faz o nosso trabalho em rede, ou até mesmo territorial, funcionar, né? Obviamente tem dificuldades, né? A gente tem a questão de mobilização do território, de engajamento de público.

?Voz A

A gente vai falar disso daí.

DLDj lLOBATO

Tem um monte de questões aí que precisam ser pautadas e faladas e tal, mas Meu, existe um trabalho coletivo muito forte e, meu, conheço muitos gestores, se não quase todos, que amam o que eles fazem, tá ligado?

?Voz A

Você é contratado ou concursado?

DLDj lLOBATO

Sou contratado. Meu cargo é um cargo de comissionado de indicação, né? Mandei meu currículo, foi feito o convite, passa por uma análise, né? E aí você quer, quero, vamos fazer, vamos. Como é que vai ser? Vai ser assim, vou conversar com as pessoas, vamos fazer desse jeito. Pra mim é importante estar aqui porque são 10 anos de Casa de Cultura Hip Hop Sul, então eu também sinto que eu tô num momento... Quando a gente pensou na Casa de Cultura Hip Hop Sul há uns 20 anos atrás, existia um planejamento coletivo do movimento da cidade de São Paulo pra esses equipamentos, inclusive pra esse equipamento.

Isso foi conversado muito. Foi feito um planejamento coletivo envolvendo várias esferas do hip-hop. E aí, num determinado momento, isso aconteceu na gestão do Nego House, mas num determinado momento isso um pouco que se perdeu. Então, quando eu assumo esse cargo, que já vai fazer quase um ano, eu já venho com esse olhar de, cara, tem que fazer algumas reparações aí, tem que fazer algumas mediações, trocar as ideias, mudar um pouco a atuação da casa.

Eu acho que hoje a casa tá um pouco mais conversando com território, eu acho, né? Você é um cara mesmo que é do território, você mora muito perto daqui, e a gente se conheceu aqui, tá ligado? Eu não te conhecia antes, você veio aqui, trocou ideia, a gente trocou ideia, você fez as suas propostas, trocou ideia, tua exposição tá aqui, tá da hora, a gente tá gravando. Eu quero que você, por favor, venha gravar mais podcasts aqui.

Olha esse cenário aqui, isso aqui é inclusive, cara, eu acho que sintetiza o que é a Casa de Cultura Hip Hop Sul. Animal, porque é uma construção coletiva que os artistas em 2016, 17 começaram a trazer, começaram a fazer doação.

?Voz A

Parece um templo do hip-hop essa parte aqui, mano.

DLDj lLOBATO

A gente começou a fazer essas doações porque a gente falou assim, meu, por que que a gente não tem um museu aqui? Já era uma deliberação desses coletivos de 20 anos atrás ter um museu coletivo, ter uma parte da história do hip-hop coletiva, né? Obviamente teve algumas coisas que a gente não fez, por exemplo, documentar quem doou o quê, tá? Não existe isso, não temos, não temos um inventário do museu. Isso foi um erro, né? Tanto que, por exemplo, mas dá para ir atrás, dá, dá para ir atrás, mas é mó trampo.

É, cara, porque tem muita coisa que foi muito espontâneo. A pessoa falou assim, ó, teve uma reunião de coletiva, a pessoa trouxe um, sei lá, um vinil do Muralha Negra que tá ali. Aí teve um outro irmão, uma outra irmã que trouxe um MD.

?Voz A

Mas seria legal isso, seria.

DLDj lLOBATO

A gente teria que ter, na época a gente não pensou nisso, a gente tava tão, a vaidade ela tava tão distante do nosso pensamento que a gente não se preocupou em falar, ó, fui eu que fiz a doação do CDJ Pioneer S100, mano, nem existe mais, sacou? E a gente tem um modelo aqui, tem o EV-D da Sony, coisas que fazem parte da tecnologia da cultura, disco, livro, CD, foto, premiação, quadro. Então é isso. Então para mim ser gestor hoje aqui, cara, é basicamente isso, é poder estar nesse lugar desses 10 anos.

Eu não pretendo, de novo, parabéns, eu não pretendo ficar muito tempo aqui, não, não é meu objetivo. Essa cadeira ela não é minha, tô só sentado nela por enquanto, tá ligado?

?Voz A

É um processo, é um processo.

DLDj lLOBATO

Mas eu gostaria que durante esse processo e a minha estadia aqui que eu pudesse iniciar esse processo de reparação e trazer coisas novas pra dentro da Casa de Cultura Hip Hop Sul, fortalecer coisas que já acontecem dentro da cidade de São Paulo, dentro da cultura hip hop, e promover coisas que podem vir a acontecer no futuro. Então, meu principal objetivo é esse. Não é fácil.

?Voz A

Não é fácil, eu boto fé.

DLDj lLOBATO

A gente se conheceu por causa do evento do Batalha da Mente, do nosso parceiro Jaime, vulgo Dico.

?Voz A

E eu vi aquele dia ali, mano, Você corre de atender as pessoas com carinho, cuidado, até comigo mesmo. A gente se conheceu e pá, e de repente tava trocando ideia e você se envolveu ali no sentido de, pô, mas quem que é esse cara, né? Quem sabe?

DLDj lLOBATO

Foi muito louco.

?Voz A

Eu tenho dois temas aqui. Um que é como você pode vir aqui apresentar o seu trampo para ele para ser contratado, por favor.

DLDj lLOBATO

E público.

?Voz A

Eu acho que o mais importante é o público, porque naquele dia Cara, um puta evento dentro de um puta equipamento que é esse lugar. Sim, não tinha 100 pessoas, velho, não tinha 50.

DLDj lLOBATO

É, vamos lá, é realidade da cultura periférica, né? É, a realidade é essa. O que que a gente pode fazer para isso se fortalecer, para que a gente tenha mais pessoas, aumentar a demanda, aumentar investimento, aumentar as contratações? Deixar esse mercado mais profissional é conversar mais com as pessoas, engajar mais as pessoas, comunicar mais e tentar ao máximo trazer, fazer com que as pessoas entrem dentro do espaço e que continue dentro do espaço e que frequente o espaço e que saibam que aqui de fato é uma casa de cultura e que acontece, e que acontece os eventos.

?Voz A

Não só os eventos, tem as oficinas, tem oficinas contratadas pelo edital de oficinas. Tem umas 10 ali na porta, velho.

DLDj lLOBATO

São 6 oficinas contratadas pelo edital de oficinas que estavam acontecendo agora, né, em agosto de 2026. E eu tenho mais umas 8 oficinas que são sessão de espaço. Então, total são 12. Mano, tem capoeira, tem aula de cinema, dança, dança de salão, ginástica terapêutica, futsal, basquete, vôlei.

?Voz A

Tudo de graça.

DLDj lLOBATO

Breaking, MC, vídeos para rede social, improvisação musical, tudo de graça, tudo de graça, tudo de graça. As oficinas que são contratadas pelo edital de oficineiro, você vem, faz uma, faz uma inscrição no QR code para que a secretaria saiba que tem pessoas aqui dentro e que essa demanda se fortaleça, aumente, que a gente tenha mais oferta, enfim, que fique tudo melhor. E as oficinas que são sessão de espaço é gratuita, você pode vir, conversa com os professores, os organizadores, e participa.

?Voz A

Como que é o fluxo?

DLDj lLOBATO

Tem gente vindo? Tem, tem, tem. A aula, a oficina de capoeira do Júlio, ele já faz oficina aqui acho que uns 4 anos, é toda quarta-feira, quarta-feira, quarta-feira, quarta-feira à noite, e já é para um público muito específico que é adolescente e o jovem, mais ou menos umas 15 pessoas, né? O espaço do vôlei, ele é absurdo, ele é segunda e sexta-feira, geralmente 200, 100, é muita gente, muita gente. Vem gente de Mauá, vem gente da praia, gente de Francisco Morato.

Aqui é um, aqui nesse lugar, nessa casa de cultura, nós temos uma quadra poliesportiva que tá dentro da praça, né, que é um polo, além de ser um polo cultural, é um polo esportivo e educacional. É porque existe aula de vôlei, existe uma aula de basquete, de streetball, de basquetebol, que é o Paçoca, terças, quintas e domingos, são 3 dias na semana. E existe as aulas de futsal também. Então, e tem o pessoal do Afro Mix que se reúne quartas e sextas pela manhã, que também uma galera, é muita gente, cara.

Por exemplo, nesse evento que tinha mais ou menos 50 pessoas, que é o da Batalha da Mente, é que vieram 50 pessoas A Batalha da Mente trouxe 50 pessoas para participar do evento deles, mas só não tinha só 50 pessoas na casa e na praça, tinha uma outra galera. Eu acho que foi um dia de sábado, não tinha um movimento, mas concorda que é um naipe de um evento para 1000 pessoas?

?Voz A

Tô falando besteira, que 1000 eu tô exagerando porque talvez não comporte, mas umas 250 pessoas, eu acho que 300 pessoas, eu acho que, meu, tá bom, sabe? Viagem minha?

DLDj lLOBATO

Não, eu acho que é. Não, não, não é viagem, mas tipo assim umas 250, 300 pessoas. É o ideal. Acho que é uma lotação máxima para a gente aqui, porque a gente não comporta isso. Nós não temos estrutura para um evento com mais de 300 pessoas, porque foi um puta evento. Sim, foi um puta evento, uma puta jogada do Dico. Batalhadamente é um evento excelente. Eu acho que em breve a gente vai ter uma outra Um exemplo, o Batalhadamente foi um evento voluntário aqui.

?Voz A

Como assim? Explica aí.

DLDj lLOBATO

Não foi contratado.

?Voz A

Ah, tá. Você cedeu o espaço?

DLDj lLOBATO

Eu cedi o espaço, eles estavam organizados, tinha uma programação que foi no dia 30 de maio, e eles fizeram o evento.

?Voz A

Essa é minha. É a sua?

DLDj lLOBATO

Essa é minha.

?Voz A

Vamos passar gripe.

DLDj lLOBATO

É, não, já adianto que você tá gripado também. Então, foi um evento voluntário.

?Voz A

E isso pode acontecer?

DLDj lLOBATO

Pode.

?Voz A

A galera pode vir aqui?

DLDj lLOBATO

Pode. A pessoa pode vir aqui, ela pode ter a proposta dela de trazer uma contratação pra gente, Havia porta de entrada ou por email, mas tem que estar na porta de entrada. E pode ser um evento de cessão de espaço também. A gente vai falar disso.

?Voz A

Mas você falou uma parada lá dentro antes, em off, desse lance do público. O que falta para comunicar essa galera?

DLDj lLOBATO

O Brasil, ele tem uma dificuldade gigante do entendimento, tá ligado? Da cultura, da cultura de eventos, de eventos que de repente a pessoa, sei lá. E eu acho que esse é um bagulho. E aí do nosso lado a gente tem que criar estratégias para cercar isso, né?

?Voz A

Trazer as pessoas, né?

DLDj lLOBATO

É, trazer as pessoas. Ó, eu quando eu comecei a fazer evento, 98, 97, eu fazia eventos de fechado, de salão, de baile, tipo baile de nostalgia. Mano, eu já toquei no clube das mulheres, mano. Olha que loucura fazer um evento de samba rock no clube das mulheres lá na Inkshower. Muito louco, muito louco. A gente era moleque, conseguimos alugar o salão numa domingueira e fizemos lá, botamos, sei lá, 200 pessoas, foi legal porque era um evento de nostalgia, mas com festival de samba rock.

Então qual era o nosso truque? A gente fazia o baile e aí tinha a premiação dos casais e aí a galera vinha também pra competir e aí a gente também contratava uns professores pra ensinar a galera a fazer samba rock. Isso em 97, 98. Porra, Ia lá na Rua Harmonia, mandava fazer um monte de lambilambi, saía colando lambilambi nessas quebradas tudo aqui. Aí, Hervântico, PC, Largo do Socorro, Grajaú, Belmina Marim, Santo Amaro, Largo 13, mano, inundava de lambilambi.

Óbvio, né, juntavam dinheiro, todo mundo contribuía, fazia os cards. Aí tinha um lance que, como a gente tinha uma relação com algum salão de cabeleireiro, a gente divulgava dentro dos salões de cabeleireiro. Esses salões de cabeleireiro, eles eram apoiadores nossos. Aí, tipo assim, tinha um, dentro desse festival de samba rock, a pessoa que ganhasse o festival, o casal, né, ganhava uma premiação em dinheiro e ganhava alguns brindes: caneca, meia, tatuagem, um voucher para alguma outra coisa.

Então a gente tava sempre trabalhando com apoiadores. Mobilizava, gerava engajamento. Aí tinha um lance do carro do som que a gente passava, por exemplo, ali no Largo do Socorro, 5 horas da tarde, né?

?Voz A

Isso funciona, né?

DLDj lLOBATO

Quase 30 anos atrás funcionava muito, mano, para caralho. Carro de som funciona hoje também, muito. Passava com carro de som lá. Aí tinha um lance dos 10 mil flyers que você fazia, que você não jogava no bueiro, você não jogava no lixo, você distribuía 10 mil flyers. Então fazia aquele rolê às vezes 40, 60 dias antes de ir numa balada, ia lá nos forró lá que tinha lá no Largo de Pinheiros, lá divulgava dentro das baladas, ia na Vila Madalena fazer divulgação, entendeu?

Pra gente conseguir o público. E aí o que eu percebo hoje, só pra chegar nesse lugar, é que não existe essa mobilização por parte nossa. E a secretaria, ela tem os canais dela de comunicação, mas talvez não seja tão eficiente quanto a nossa, quanto o nosso canal. O boca a boca, o papel na mão, ou você comunicar via WhatsApp, via Instagram, via rede social, porque obviamente tem vários outros canais. E aí eu acho que isso aí também é um— eu acho que rola um— de parte do poder público, a gente precisa aumentar essa sensação de que cultura é um direito e é uma, é uma, um direito inalienável, ou seja, não pode ser trocado, não pode ser vendido, é um direito.

Todo cidadão tem direito à cultura, todas as formas de cultura, todas, tá ligado? E aqui é a prática do povo, certo? Então se a nossa prática é o hip-hop, a cultura periférica, é um direito nosso fazer isso. Eu acho que falta essa, essa publicidade, essa aumentar essa comunicação por parte do poder público, que quer garantir que a gente saiba que isso é um direito nosso. Do outro lado, a gente tem que ter eventos, concordo, tem que ter eventos contínuos, com mais frequência, todo momento, trazer artistas consagrados, artistas do território, artistas que estão começando, artistas que já começaram, juntar nos mesmos eventos, tá ligado?

E aí a gente às vezes acha que é só música, mas não é música. É, no seu caso, é fotografia, é audiovisual, é pintura, é exposição, é troca de ideia. Aí tem a galera que gosta de fazer feira de carros antigos, que a gente recebe aqui também. Aí tem a galera que gosta de fazer feira de economia criativa junto com a batalha de rima, trazer para cá também, mobilizar as pessoas.

?Voz A

É um núcleo, né?

DLDj lLOBATO

Mobilizar as pessoas. Então, por exemplo, quando eu venho Quando eu assumo esse cargo e venho pra cá, eu venho com essa visão, mano. Eu falei, mano, eu não tô mais no meu projeto do meu coletivo, mas eu tenho que fazer uma gestão mais desengessada possível.

?Voz A

Pra todos.

DLDj lLOBATO

Pra todos, tá ligado? Garantindo uma participação mais efetiva do movimento hip-hop, da temática hip-hop, mas também acolhendo outras mobilizações que vão ajudar a cultura hip-hop se fortalecer.

?Voz A

Eu vou fazer uma pergunta que é mais para você, fora do gestor, você como ser humano. Você acha que a sociedade acha que a cultura é para rico? E aí quando ela vê uma programação gratuita numa casa de cultura, ela classifica como, ah, não é bom porque é de graça?

DLDj lLOBATO

Também. Eu acho que tem esses dois lugares aí da gente achar que não é para gente, porque infelizmente a gente, eu tô falando a gente que é assim, né, mano? Eu sou um moleque de favela, tá ligado? E poucas vezes eu tive acesso à cultura na minha infância. Eu só fui ter acesso à cultura mesmo porque eu cresci dentro do ambiente que era muito cultural, assim. Mas teve gente que não teve acesso da minha geração. Então acho que essa percepção ainda ela é esvaziada.

E tem esse lance de achar que cultura é paga, que tudo que é, na verdade, não é só cultura, né? A gente infelizmente tem esse entendimento de achar que tudo que é gratuito não é bom. Por exemplo, a maior rede gratuita de saúde do mundo é o SUS, e tem gente metendo pau no SUS todo dia, mano. Aí agora a gente tá num planejamento nacional, que é o Plano Nacional de Cultura, que é mais ou menos um— tem assim um certo— usou uma base um pouco do SUS de ser universalizado no Brasil todo, que é o Plano Nacional de Cultura. Tem gente que até fala que é o SUS da cultura e tal.

?Voz A

Só um detalhe, hein, A galera lá de fora manda cientista político para vir estudar o SUS, porque o negócio é monstro.

DLDj lLOBATO

Eu não tinha essa percepção.

?Voz A

E a gente aqui metendo a madeira.

DLDj lLOBATO

Eu não tinha essa percepção. Aí, trocando ideia com um parceiro que tá lá na gringa, uns 5, 6 anos atrás, ele falou assim, mano, não existe casa de cultura hip-hop pública aqui nos Estados Unidos, tá ligado? É tudo vinculado a Centros comunitários que é bancado por algum tipo de instituição ou que o movimento se organiza, a sociedade civil se organiza e realiza aquela ação, mas não é, é com recurso público direto, mas não é gestado diretamente pela Secretaria Municipal de Cultura, por exemplo.

?Voz A

Esses dias eu fui descobrir que o MISA é casa de cultura. Eu sempre achei que era uma parada privada, velho.

DLDj lLOBATO

Não, tem vários lugares aí que recebem dinheiro público, que são bancados pelo poder público, vários. Aqui, graças a Deus, quando a gente construiu essa ideia, a gente falou assim, precisa ser uma casa de cultura 100% direta com a Secretaria Municipal de Cultura. Não pode ser através de uma OSC, não pode ser através de uma ONG, porque as pessoas não vão participar. Então, quando a gente brigou lá politicamente, se organizou há 15, 16, 20 anos atrás, foi que a gestão daqui fosse direta.

?Voz A

Você tava nesse rolê desde o começo?

DLDj lLOBATO

Tava nesse rolê. Mano, tô nesse rolê já tem uns dias já. Que loucura! Cansado inclusive de estar nesse rolê, mas faz parte da nossa vida, né, mano?

?Voz A

Você tá aí assistindo, é artista, tem um projeto, vai colar aqui para trocar ideia. Qual que é o rolê, velho?

DLDj lLOBATO

Tem várias possibilidades.

?Voz A

Antes, antes, quanto a casa tem de verba para contratar a galera?

DLDj lLOBATO

Ah, isso aqui é— solta, solta o Pix hoje, mano. Teve um mano que chegou aqui um dia e falou assim: é, quando eu vou receber? Quando você vai me pagar? Eu li, mano, e falei assim, cara, nessa hora eu falei, porra, eu podia não ser gestor hoje, porque, mano, essa porra é sagrada, mano. O dinheiro da cultura, como você falou, ele salva vidas, mano, ele muda a realidade de pessoas. Às vezes a pessoa tá ali, mano, porra, mano, a minha várias vezes, mano, várias vezes.

Eu, o único dinheiro que eu tinha era o dinheiro da cultura. E olha aqui, vamos lá, eu Tô trabalhando com cultura efetivamente. Eu abri a minha empresa em 2010 e trabalho com cultura efetivamente, rapaziada. Sobrevivo de cultura, só de cultura, desde 2017.

?Voz A

Que louco!

DLDj lLOBATO

Então eu fiquei no mínimo uns 25, quase 20 anos trabalhando com cultura e trabalhando na iniciativa privada. Eu trabalhei numa corretora de seguros fazendo administração e gestão lá de sinistro. De contratos, 18 anos, mano. Entrei lá com 16 anos e saí de lá com mais de 36, tá ligado? Então hoje eu tô lá, 36 não, 20, 30 e 34. É isso aí, nossa, nem lembro, mas foi isso. E aí, e aí eu sempre trabalhei com cultura e com outra coisa.

Então a verba da cultura, o recurso da cultura não era minha principal renda, tá? De 2017 para cá virou a minha principal renda. E aí eu hoje sou muito feliz por isso. Não financeiramente, né, que eu tô melhor. Não tô. Hoje o que eu tenho de renda hoje era o que eu tinha 10 anos atrás lá trabalhando na corretora de seguros. Então meu padrão de vida mudou.

?Voz A

Só que agora você tá feliz porque você trabalhou com o que você gosta.

DLDj lLOBATO

Minha qualidade tá muito melhor de vida, mano. Você é louco, porra, mano. Só de poder ir para o continente africano de boa, parça. Eu fiquei 20 dias em Angola em 2017, suave, fazendo intercâmbio cultural com visto de com visto humanitário do consulado angolano aqui em São Paulo, sabe?

?Voz A

Que legal, mano.

DLDj lLOBATO

Porra, eu cheguei lá, vi uma realidade que foi assim, cara, tipo, a gente ficou numa estrutura lá que não existia naquela época que a gente foi pra lá, não existia uma estrutura pública cultural como existe aqui. Então eu cheguei lá e falei, caralho, mano, olha o quanto a gente tá avançado e às vezes não entende isso, tá ligado? Sim. Obviamente, é porque lá também tá muito pra trás, tava muito pra trás, não sei como tá hoje. Né, mas assim, é isso, cara. Aí, como a pessoa faz, né? Eu, desculpa fugir da resposta.

?Voz A

Não, fica sossegado, elas estão anotadas aqui, você não vai fugir dela. Vamos por partes, depois a gente fala de valores.

DLDj lLOBATO

Não, não, vamos chegar no valor. Nós temos hoje, em agosto de 2026, R$30 mil por mês para contratação dentro das casas de cultura.

?Voz A

Não que o cara vai chegar aqui, vai fazer um projeto de R$30 mil, você divide isso com vários artistas.

DLDj lLOBATO

Exatamente, eu eu tenho que ter pelo menos umas 5 ou 6 contratações por mês, né, porque eu tenho no mínimo 24 dias, R$30 mil, R$30 mil. Eu tenho no mínimo 24 dias de programação para cumprir. Então eu tenho todas as oficinas, algumas sessões de espaço gratuita que o voluntário, e outras contratadas pela secretaria através do edital de oficineiros. E aí eu tenho projetos que são contemplados pelo VAI, pela, pelo pelo PROAC, pela PNAB, pela ESPCINE, pelo Fomento, tem uma série de demandas que a gente também acolhe, recebe, também acontece aqui.

E aí do outro lado você tem a programação regular que a gente chama. Na programação regular eu tenho demandas de programações para o público infantil, para diversidade cultural, eu tenho demandas para o movimento hip-hop e os seus elementos, elementos linguagens que complementam outros elementos da cultura hip-hop, né? E aí eu faço essa curadoria, né? Aí tem uma equipe de gestão que a gente vai conversando, faz junto essa curadoria.

E aí existe uma Portaria 34, que é a forma com que a gente contrata, que estipula quais são os valores, né? Então, por exemplo, uma pessoa manda uma proposta de fazer um show aqui de R$20 mil, tá? Eu não consigo. O máximo que eu consigo nem na Portaria 34 para uma apresentação musical é de R$7.400.

?Voz A

Beleza.

DLDj lLOBATO

Se eu fizer, que é o teto, se eu fizer 4 contratações de R$7.400, acabou meus R$30.000, entendeu? E eu não vou colocar uma única atração por dia, eu tenho que colocar pelo menos 2 atrações por dia. Para quê? Para a gente conseguir engajar e otimizar público. Tem uma técnica, exatamente, e fazer com que o seu público consiga visualizar o meu público. É porque o horário vai ser intercalado, vai ter um evento às 3, vai ter um outro evento às 4:30.

Então as coisas elas se organizam ali. É mais ou menos a estratégia que a gente realiza aqui, que outras casas também realizam. Então eu tenho esses 30 mil hoje em agosto de 2026. Eu acredito que isso vai aumentar, acredito muito que isso vai aumentar. Quero que aumente, quero muito. Nas reuniões que a gente tem dentro da secretaria, a gente tá sempre falando sobre isso. Para aumentar um pouco mais esse recurso, para que a gente tenha um pouco mais de punch, um pouco mais de pegada e consiga ter um pouco mais de força, de movimentos contínuos, movimentos já estabelecidos, por exemplo, batalhas de rima, feiras de economia criativa, né, feiras criativas, mais exposição, que você consiga vir fazer a sua exposição como você tá fazendo e ter uma intervenção dentro da sua exposição.

Aí é onde a gente consegue conversar com as escolas e os CCAs e tudo todo o entorno, todo território para que eles tragam jovens, né, e as famílias para cá. Então tem toda essa demanda dentro desses R$30 mil aí, cara.

?Voz A

Muito louco.

DLDj lLOBATO

E só, solta, solta. Em 2016 não existia dinheiro, não existia, era tudo no amor. Era, não, nem sei o que que era aquilo, ou na dor, né? Não tinha dinheiro. Aí em 2017 passou até R$5 mil. Aí na pandemia esse dinheiro aumentou um pouquinho, mas já não teve. Teve 5, teve 15, depois teve 20, depois teve 25, depois teve 30, 35, 40, 50, 60, voltou para 30. Então assim, é uma questão também, cara, é o orçamento da cidade, né? Cidade de São Paulo é como eu te falei, é a maior, é o maior produtor de cultura do hemisfério sul.

Zuca. Então eu tenho atividade aqui, eu tenho atividade lá, sei lá, eu tenho atividade na Vila Missionária, eu tenho atividade no Grajaú, eu tenho atividade no Campo Limpo. É tudo pago com o dinheiro da cultura, que é o dinheiro dos impostos. Então às vezes não tem uma atividade aqui pontual, não tem uma programação regular aqui, mas em outros lugares da cidade tem programação regular. 200, é muito, produz muito show, muito evento.

E aí, por exemplo, ah, mas não tem atividade na casa de cultura, mas tem atividade lá no fundão do Jardim Eliana. Mano, pode ter certeza que o público tá lá, o público vai encostar. E essa atividade é uma atividade paga com dinheiro da cultura, não é uma atividade aleatória. Então é ainda o direito à cultura sendo promovido pela Prefeitura Municipal de São Paulo através da Secretaria Municipal de Cultura. Então, como eu também, enquanto gestor aqui e coordenador de equipamento Cultural, eu também sou fiscal de alguns eventos.

Então eu recebo essa notificação de ou de fiscal ou de suplente. Então quando eu sou fiscal, eu tenho que me deslocar até esses locais para verificar. É dinheiro público, não tá acontecendo. Se tá acontecendo, quando eu sou suplente, quem vai é o fiscal. Mas se eventualmente o fiscal não puder ir, sou eu, ou vai os dois, enfim, tá? E tudo é muito, muito organizado, 60, 90 dias antes de tudo acontecer. Ah, mas que não divulgou.

Não divulgou, aconteceu, faz parte do princípio da gestão pública a publicidade.

?Voz A

Sim.

DLDj lLOBATO

Então não tem como a gente executar.

?Voz A

Eu vi da minha exposição aí, vocês estão—

DLDj lLOBATO

vamos continuar. E no dia que a gente conseguir trazer os jovens aqui vai ser um outro rolê, que eu acho que já é semana que vem aí.

?Voz A

Bora! Como o cara chega aqui, troca ideia com você, que que ele precisa Para, porque, cara, a gente sempre foi um dia ali, você me deu o maior suporte ali, me orientou, né, me explicou. Que o cara precisa para ser contratado?

DLDj lLOBATO

Ele precisa ter os documentos, tá? Hoje em dia eu não consigo mais contratar, hoje, agosto de 2026, eu não consigo contratar pessoa física.

?Voz A

É portfólio?

DLDj lLOBATO

É quando eu puder contratar pessoa física, aí é o currículo, portfólio, release, clipe. Currículo, portfólio, release, clipe e 16, 17 certidões no CPF da pessoa.

?Voz A

16, 17 certidões? Tem que votar, tem que tudo isso aí? Não precisa lembrar das 16, 17.

DLDj lLOBATO

As principais é a CND, que é federal, a CNDT, que é federal também, que as que demoram mais.

?Voz A

Que certidão é essa do quê?

DLDj lLOBATO

Ah, mano, aí você já—

?Voz A

não, tudo bem.

DLDj lLOBATO

A CND, você digitar no Google lá, certidão CND, vai vir para você. Já joga o seu CPF lá, sua data de nascimento. Se você tiver com as informações todas ok, tá tudo certo, conseguimos. Só que não adianta só ter a CND ok, mas quando tá muito ruim, a primeira que cai é a CND. Então você tendo a CND ok, a CNDT, que é trabalhista, OK. CTM, que é a Certidão de Tributos Mobiliários da cidade de São Paulo, OK, mesmo sendo pessoa física.

O CADIN, que é o mais importante, porque, meu, se você tiver com uma multa atrasada lá e tiver R$2 no CADIN, que nem eu tinha até 3 anos atrás, trava sua certidão por nada, por causa de R$2, por causa de R$2 que você pagou a multa, mas teve um reajuste de juros que não tava ali, tinha que pagar.

?Voz A

Aí você não pode ser contratado.

DLDj lLOBATO

E aí você fala, ah, eu tô com CADIN travado. Aí quando você vai pesquisar, vai ver o que que é R$2. Aí você fala assim, porra, e demora para baixar, demora até 10 dias. Eles falam 5 dias úteis, mas não demora, demora. Se pagar no Pix, a coisa fica um pouco mais rápida. Então tem que ter uma jogadinha aí, paga no Pix com a sua conta, não paga com a conta de terceiros que você pode perder um dia ou dois aí, tá? Cadim, CTM, mas tá fácil, a gente tem um link com todas essas informações E se encaminharem um email pra gente aqui, que é o CCM Hip Hop Sul, a gente manda esse link, tá tudo lá, tá tudo lá.

E aí a pessoa baixa todas essas certidões e faz o cadastro no Porta de Entrada e envia um outro email pra gente.

?Voz A

Tem que estar no Porta de Entrada, tem que estar no Porta de Entrada, que foi o processo que eu fiz.

DLDj lLOBATO

E aí esse Porta de Entrada é um sistema que ele faz a gestão dos contratos dentro da secretaria. Então não é uma coisa aleatória, é extremamente importante. Eu não consigo contratar projetos, ações e artistas e empresas representando artistas e projetos e eventos que não esteja no portal de entrada. Não existe isso, porque uma das questões da gestão pública é a legalidade, a imparcialidade, né, e também a eficiência, que entra muito nesses lugares de transparência, uma forma de controlar, né, exatamente, é um dinheiro público, né.

?Voz A

Bloco de nota fiscal.

DLDj lLOBATO

Eu venho com esse CM aqui e falo assim, meu, cadê a contratação do Leandro?

?Voz A

Tá no sistema.

DLDj lLOBATO

Como assim não tem a contratação do Leandro? Eu falei, não, não tem porque não aconteceu, uma cessão de espaço. Então eu tenho que justificar tudo enquanto coordenador, gestor do equipamento. Todas essas funções são minhas.

?Voz A

E no meu caso, que eu Tem, eu tô como artista representado, o que que é isso? Explica aí pra galera.

DLDj lLOBATO

Aí vamos pra outro rolê. Hoje, em agosto de 2026, eu não consigo contratar pessoa física porque eu não—

?Voz A

Só jurídico.

DLDj lLOBATO

Exato, eu não tenho recurso para isso mais. Na pessoa jurídica eu consigo até esses R$30 mil. Ok, ok, você é um artista pessoa física e você precisa de uma empresa para te representar dentro do processo jurídico de contratação. Porque a legislação federal exige que seja dessa forma. E aí você faz uma, cria um contrato de exclusividade, que é a carta de exclusividade, cria uma relação com essa empresa. É algo que eu não posso intervir, eu não posso indicar, não posso indicar.

Não, esquece isso. Ah, mas eu não tenho empresa. O que eu vou falar para você é como eu te falei aquele dia: abre uma MEI. Ah, mas eu já tenho MEI e não paguei a DAS, que é o que acontece muito. Cara, se você não pagou a DAS, a sua CND tá travada e provavelmente a sua CTM também, que é a Certidão de Tributos Imobiliários. Então esquece essa MEI, se organiza aí, cria uma parceria criativa com um CNPJ, e com esse CNPJ você é representado dentro da Secretaria Municipal de Cultura, no porta de entrada.

Então quando eu entrar lá e tá o seu cadastro completo, vou ver o seu evento, Tô tentando lembrar a ordem, mas é mais ou menos isso. Eu vejo o seu evento, aliás, eu vejo quem você é, o seu evento, os seus dados de pessoa física, e depois os seus dados de pessoa jurídica. E aí você não precisa, você criador do evento, CPF, não precisa puxar as 16 certidões. Na verdade não é 16 certidões, são 8 certidões e 8 ou 9 listas de apenados, que não é bem uma certidão, mas ela tem Ela tem, a gente precisa desse, dessa validade jurídica.

Aí a empresa puxa isso, atualiza no porta de entrada. E aí eu acho que é uma parte um pouco chata, porque tem documentos que expira a cada 30 dias e não é legal quando eu entro lá, tá, o evento tá completo, tá tudo certinho, lindo, maravilhoso, mas a lista de apenados, que é uma coisa simples, venceu há 3 meses atrás.

?Voz A

Entendi.

DLDj lLOBATO

Então, cara, é aí entra na gestão executiva do trampo. E aí quando você se relaciona com representante, esse representante ele tem que cuidar de fato dos documentos da empresa, né? Porque você pode ser prejudicado de uma não contratação porque a empresa não atualizou uma CNDT a tempo, uma CND ou uma lista de apenados, que inclusive já aconteceu muito comigo. Eu já perdi contratos quando eu tava ali enviando propostas para secretaria e a certidão da minha empresa, né, não era empresa que me representava, a minha empresa, eu não atualizei.

Ou ia vencer, sei lá, o evento é dia 10 e a minha certidão vence no dia 8, e aí eu tenho que atualizar, eu tenho que abrir uma nova certidão. E aí eu fui ver que, pô, não paguei aqueles R$2 lá do, de alguma coisa. E aí você liga para o contador, procura na internet, paga, e não dá tempo, e aí não dá tempo para fazer o processo, e aí você perde aquele evento que vai acontecer daqui a 2 meses.

?Voz A

Eu lembro que você me mandou uma mensagem, tá faltando assinatura de algum documento. Você falou, mano, tem que ser hoje, no máximo amanhã. Aí eu liguei lá para o Dico, falei, Dico, é isso aí, mó correria. E ele correu porque ele tá ligado, né?

DLDj lLOBATO

Ele já— não, e vou te falar, a probabilidade de cair um evento é, mano, é 100%. E aí esse é um trampo que eu faço aqui. Eu chego todo dia de manhã, é muito doido isso, mas eu agradeço aos 18 anos que eu fiquei lá dentro da corretora de seguros, que é um hábito que eu peguei desse trampo. Eu comecei lá como office boy, então para mim fazer o trampo de hoje eu começava a me organizar 2 dias antes.

?Voz A

Você adquiriu uma disciplina.

DLDj lLOBATO

É, para mim poder saber qual era o melhor roteiro para mim fazer, quanto tempo que eu ia gastar. Quanto que eu ia gastar de passagem, porque naquela época era tudo passe. Então eu criei uma organização prévia de tudo que eu faço.

?Voz A

Trocava os hot dogs por passe, coisa dessa época, cara.

DLDj lLOBATO

Mano, era a melhor coisa que eu posso falar. Comprei, vou falar para você uma história que eu nunca contei para ninguém. Comprei um tocadisco com passe de ônibus, chegou com a pasta de passe. Não, porque, porra, era, não tinha bilhete único. Eu comecei a trampar de office boy antes de 2002, Não tinha bilhete único. Eu comprava os passes. Adriana, César, vocês não sabem disso, tá?

?Voz A

Loucura, né?

DLDj lLOBATO

Eu comprava os passes, Adriana ia lá, sacava o dinheiro e me dava o dinheiro. Eu descia na República, comprava o passe de bilhete de ônibus e do metrô. E eu ainda estudava nessa época, estudava lá no México. Então eu tinha um rolê que se eu tivesse que fazer a Paulista Eu fazia a Paulista toda a pé, mano, para mim economizar 2 passos.

?Voz A

Eu era desse rolê.

DLDj lLOBATO

E aí eu tipo fazia, mano, eu fazia isso 4 vezes por semana. E aí você pagava tipo assim, não, mas dá para ir a pé. Aí tipo às vezes sobrava uns passos, tá ligado? Mas é porque eu gastava só de sapato. E aí eu saía da Rua da Consolação, olha o rolê, ia até a Brigadeiro Luiz Antônio a pé. Pegava o 5175 e tava aqui na Joanisa no horário certo. Só que o meu rolê era tá na Paulista, da Paulista eu pegava o trem até o Jabaquara e depois eu pegava o busão para mim ir para casa, que eu já tinha acabado o trampo.

Então eu preferia andar a pé, gastava mais sola de sapato para economizar os passes, andava um pouquinho mais, demorava um pouco mais para mim economizar o passe. Porque eu descobri que o passe lá é R$2, eu conseguia, sabe, dentro daquelas compras ali sempre sobrava uns R$10. E aí eu fui juntando, juntando, juntando, juntando, juntando, juntando. Comprei um toca-disco, comprei uma Stanton ST-100, mano, 2000, 2000 não, acho que 99, mano, que era meu sonho ter um par de toca-disco em casa.

Comprei um, juntei acho que uns R$400 de passe, aí eu dei entrada no toca-disco, aí eu fui, o restante foi tudo na folha de cheque lá.

?Voz A

Da hora!

DLDj lLOBATO

Aí tipo uns R$1.500 e 10 folhas de cheque lá, mas comprei meu toca-disco, foda-se.

?Voz A

Muito louco.

DLDj lLOBATO

E aí eu já tinha toca-disco em casa, mas eu queria um toca-disco mais moderno.

?Voz A

E aí você tava falando da experiência, né, da corretora, com esse lance de me organizar.

DLDj lLOBATO

E aí uma coisa que eu aprendi foi o seguinte: dentro dessa organização de cronograma 2 dias antes, era muito complicado, porque assim, eu peguei a transição do email para o fax. E aí o nosso fax, ele era automático lá, aí chegava um monte de fax no final do dia devolvendo propostas do dia anterior. Então antes de eu ir embora, eu tinha que olhar todos os fax e o meu email para ver se tinha alguma proposta pendente ou para ser devolvida.

E aí é a mesma coisa que eu aplico aqui. Então eu chego de manhã, olho todas as propostas, tudo que tá lá pendente dos contratos. Aí antes do almoço olho de novo, depois que eu vou olho de novo. Aí quando Vou embora, olha de novo. Eu tô em casa, eu abro meu computador, eu olho de novo, tá ligado?

?Voz A

E aí se der uma trava, ainda tem que corrigir.

DLDj lLOBATO

Porque assim, lá a gente tinha que refazer tudo de novo. Aqui é o seguinte, aqui eu perco a grana. Então se eu não conseguisse resolver o teu problema do teu contrato, a gente ia perder a grana do teu contrato.

?Voz A

A grana ia passar um mês, você não ia poder usar retroativo.

DLDj lLOBATO

E aí no mês que vem eu ia ter que te contratar, então ia perder duas vezes, tá ligado? Então já aconteceu isso aqui.

?Voz A

Então é tipo prioridade, prioridade mil para vocês.

DLDj lLOBATO

Então a primeira prioridade é ver se o artista tá com a documentação ok, se a empresa tá com a documentação ok, tá tudo dentro do prazo. E aí eu fico ali acompanhando diariamente, diariamente eu tô acompanhando. Chego aqui, eu paro tudo, tá todo mundo falando comigo, eu tô lá olhando, tá tudo certo. Precisa mandar lá para o mano assinar a parada, o mano não assinou, mano, você tem que assinar essa parada hoje, mano. Saio daqui pensando nisso, tá ligado?

Eu só não faço pelo meu celular porque é perigoso. Tá ligado? Às vezes você tá dirigindo, o hábito de ficar olhando ali é horrível. Mas eu faço no meu computador, eu não saio de casa, eu não venho trabalhar sem o meu computador pessoal. Então às vezes eu tô com a tela do porta de entrada aberta e tô olhando ali no meu outro computador ali para ver o que que tá acontecendo em relação à documentação que não enviou, o que que precisa ser resolvido do WhatsApp, do email, enfim.

Mas isso daí é uma coisa minha, é uma loucura da minha cabeça, não é nem tão saudável Mas eu me preocupo muito com essa grana, com essa grana pública do artista não ter acesso. Isso é uma coisa que me chateia, isso me tira do sério hoje, tá ligado? O lance da gente perder R$4.000 assim de uma contratação, isso me deixa puto, muito puto, porque não acho, eu acho, sei lá, não pode acontecer. Perdeu, não pode acontecer, não pode acontecer.

A gente não vai ter programação aqui, o artista, porra, de repente precisa desse dinheiro para fazer uma foto, fazer um vídeo, investir na cultura. Esse trampo que ele vai gerar com esses R$4.000, vamos imaginar assim bem genericamente, certo? Vamos bem genérico, vamos imaginar que seja uma música. O cara foi lá, ele nem precisa de dinheiro para gravar a música, gravou dentro do banheiro da casa dele, mas ele precisa de R$2.000 para fazer o ADS, e que é o tráfego pago, e mais R$1.000 para fazer uma compra dentro de casa.

De repente, com esses R$1.000 que ele fez a compra dentro de casa, ele saiu de um lugar ali mentalmente gigante, tá ligado? De uma problemática mental de porra de insegurança alimentar, de não ter, tá ligado? E aí ele consegue aspirar por uma parada mais louca de uma outra coisa, e essa outra coisa pode mudar a vida dele pro resto da vida, sacou? E de várias outras pessoas, mano, assim como mudou a minha. Então eu sou meio loucão com essas paradas de acreditar que tá tudo muito conectado e tá tudo muito direto.

E aí quando eu percebo que tem coisas que não estão, que não rola conectividade, isso me preocupa. Mas eu também aprendi com a vida a me organizar espiritualmente, mentalmente e psicologicamente, até emocionalmente, para conduzir isso de uma forma mais fluida. Aqui, spoiler, né, não tem nada a ver com a conversa, mas aqui eu já tive umas 3 crises de ansiedade. Boto fé de falar assim, não, preciso resolver essa porra agora, mano, não dá para resolver amanhã.

Aí já teve uma aí que uma crise que eu tive aí que eu falei, ah, foda-se isso daí, vai, vamos ver o que que essa água vai passar. E aí eu acredito nessas mitologias, né, desses ensinamentos aí espirituais de ver como é que a água vai passar pelas coisas. Sim, porque às vezes não tá no meu controle, mano, não tá no seu, não tá no de ninguém, não tá no de ninguém, mano. É tanto uma parada espiritual quanto uma parada de universo.

Eu moro na beira de um rio, ó, se liga, eu moro na beira de um rio há quase 40 anos, que é um córrego, né, um esgoto a céu aberto, mas eu ainda consigo escutar o barulho da água. Aí de vez em quando eu não tô aqui na Joanisa, tá ligado? E aí, mano, você acredita que eu preciso de um barulhinho de água para dormir, mano? Para ficar suave, bagulho, 5 minutos, da hora, muito louco, entendeu? E é muito doido isso aí, você só percebe quando você tá num outro universo, no caralho, mano. Preciso dessa merda aí, mano. É foda, entendeu?

?Voz A

Me conta uma coisa assim, meio que a gente indo para os finalmentes. Jovem Monitor Cultural, rola uma parada aqui muito legal, velho, que eu naquele dia eu fiquei, descobri, eu achei que isso é fantástico, velho.

DLDj lLOBATO

São 400 na cidade, tá, por ano. Que que é esse rolê, mano? Isso aí é uma briga também dos movimentos culturais periféricos, né, de ter essa esse programa que é o PJMC, Programa Jovem Monitores Culturais, para trabalhar dentro das casas de cultura, dentro dos equipamentos culturais e alguns também dentro de equipamentos de educação. Não chega a ser bem educação, é mais numa biblioteca que tá dentro de um céu. Mas é uma briga dos movimentos culturais ali de 15, 18 anos atrás para que a gente conseguisse dentro das— vou trazer para casa de cultura, para que a gente conseguisse dentro das casas de cultura ter esse lugar aonde, para que os jovens estivessem dentro desse lugar.

E aí é uma atuação, dessa atuação tem uma formação. Eu aqui também tô enquanto agente orientador dessa formação deles e delas. E é isso, cara. E aí eles têm uma série de várias coisas que eles desenvolvem. Praticamente a gestão daqui ela é compartilhada. E aqui eu tenho 4, hoje eu tenho em agosto de 2026, eu tenho 4 jovens monitores culturais aqui, a gente conversa muito sobre o processo. Por exemplo, documentação, eles podem conversar com artista, com a empresa, para saber o que que precisa.

Se alguém entrar em contato aqui para saber o que que precisa para ser contratado, eles sabem informar. Então eles fazem parte da gestão também, fazem parte da produção, fazem parte de todo o processo, participa de praticamente tudo dentro da casa. Tem algumas coisas que a gente não pode repassar porque eles estão atuando aqui, Eles não estão trabalhando, tá ligado? Então a gente não repassa. E tem coisas que é de responsabilidade minha, que sou coordenador do equipamento, e também do meu apoio, que é um funcionário público de carreira, né?

Fora isso, eles cuidam de tudo, mano, de comunicação, de atendimento ao público, fazem monitoração dos eventos. Não é fiscalização, é monitoração. Se tiver que produzir alguma coisa para que aquele evento aconteça da melhor maneira possível aqui dentro da casa, Eles atuam nisso também. Todo evento contratado regular tem que ter a participação do jovem monitor cultural, assim como tem que ter a participação da gestão e do gestor, porque a gente é fiscal disso também.

É isso, cara. Não é nem um braço direito, mano. É basicamente quem dá esse suporte para que as casas de cultura, centros culturais, bibliotecas públicas, bibliotecas dentro de CEL, aconteça, né?

?Voz A

Sim.

DLDj lLOBATO

Dialoga com território, dialoga com os agentes do território, né? Porque a gente aqui não dialoga só com a cultura. Isso é uma coisa que precisa ser falada. A Casa de Cultura Hip Hop Sul, ela não dialoga só com a cultura, rapaziada. Ela dialoga com a educação, com a saúde, com a prevenção, também dialoga com os artistas, dialoga com a comunidade do território, com as lideranças locais, com as lideranças no território. Eu falo por mim, né, é o que eu tô vendo hoje.

Então a Casa de Cultura Hip Hop Sul, ela tem toda essa preocupação de cobrir esses leques aí, esse rolê todo. E aí os jovens monitores, eles estão junto com a gente. E aí obviamente eu aqui enquanto gestor, já de experiências anteriores que eu tive, até mesmo experiências de quando eu tinha 18, 16, 17 anos, eu dou uma segurada em algumas coisas que eu vejo que Mano, calma, porque você não pode segurar esse BO sozinho. Às vezes é melhor até você dar um passo para trás, deixa que eu vou, porque quando bater em mim eu vou trazer desse jeito a ideia, por conta da responsabilidade que eu tenho e da forma com que eu vou.

A sociedade, ela é machista, ela é racista, ela é preconceituosa, ela tem uma série de questões que às vezes quando o gestor fala é diferente do jovem monitor, tá ligado? Então a gente aqui também vai por esse caminho aí, né? E infelizmente tem uma galera que quer a decisão da hierarquia, né? É isso. Então estamos bem aqui, temos um núcleo bom trabalhando, que é o Otávio. É, o Otávio, ele é um ingressante, o jovem ingressante.

A Misha, ela já é uma jovem continuista. Ou seja, já tá na fase de início do fim dos 2 anos dela dentro do programa. A Sam também tá nessa mesma realidade. E a Giovanna também, que veio de uma biblioteca dentro de um CEL, e ela tá tendo agora essa experiência em casa de cultura, tem um pouco mais de 3 meses também, que também é uma jovem continuista e tá aí se desenvolvendo, conhecendo contratos, né, porque eles têm acesso a isso, têm acesso a contratos, têm acesso a documentos.

É, eu converso muito com eles aqui e com elas no sentido de que, meu, isso aqui é só um ponto de passagem. Vocês precisam se organizar para que daqui a um tempo vocês ou continuem trabalhando dentro da gestão pública ou façam os projetos de vocês e tenham autonomia para vocês desenrolar a caminhada, tá ligado? Aí eu tento, eu também tô aprendendo muito com eles, né, no sentido, e com elas, no sentido de que não é tudo que eu vivi todas as experiências positivas e negativas, ou não negativas, não vai, todas as experiências positivas e não tão positivas que eu passei sejam referência de fala e de caminhada para eles.

Então eu dou uma segurada um pouco nisso, porque às vezes eu passei por isso, serviu para mim, e pode ser que não sirva para outras pessoas no geral. Mas é também por conta desse outro rolê da gestão, compartilhar lá dentro da favela, dentro da periferia, de entender que que às vezes serve muito para mim, serve muito para você, mas não serve para o nosso irmão que tá ali com a gente. Total. Então é o tempo também. Eu dou, eu dou não, né, que também não dou porra nenhuma, mas eu exerço muito essa questão da autonomia e do tempo.

Então eu também sou mau com isso, né? Sou filho de Oxóssi assim como você, né? Não é isso? Sou mau, eu deixo bater cabeça, deixo bater a cara no chão, arrebentar tudo para falar Eu te falei, entendeu? Eu tenho, eu tenho esse lado, essa visão, né? Porque às vezes você fica ali, pô, não, filho de vó, vem aqui comigo, papapá, pipipi. Aí você cria uma casca que a pessoa não vai— quando ela sair dali, ela vai tomar tapa na cara e vai achar que é normal, e não é, mano, não é, tá ligado?

E assim, eu até falei, contava esses dias, a gente não veio para esse lugar para esse universo, para esse plano, para ser prejudicado. A gente veio para ascender, para ter coisas boas e positivas. Então o nosso lugar é buscar coisas boas e positivas dentro do trabalho, dentro da vida pessoal, dentro do dinheiro, tá ligado? A gente não veio, irmão, para ficar ali em situação ruim. Eu tive uma situação ruim aí um pouco mais de um ano atrás que eu caí na depressão, mano.

Comecei a chorar, eu falei, caralho, mano, eu velho desse jeito Apanhei pra caralho já, pancada pra caralho, e tô chorando por causa disso aí, mano. Não para. E você não acha saída, você não acha saída. E é essa insegurança, né? Pai, 3 filhos nas costas. Hoje eu tô, hoje eu tô na— eu até não gosto de falar muito sobre isso, mas eu estou hoje mais— sou solteiro hoje, tá ligado? Não tô casado mais. Eu tô na vida, voltei pra vida louca, catando papel na ventania.

Só que vou falar de coração, de coração e peito aberto, estou vivendo o que eu gostaria de ter vivido há 20 anos atrás, 25 anos atrás, que é observar o movimento cultural. Então o meu objetivo hoje é observar o movimento cultural, trabalhar com isso e levar sustento para dentro da minha, dos meus filhos e da minha família e da minha casa, tá ligado? Porque para mim isso é muito mais importante do que qualquer outra coisa. Então a minha prioridade é essa.

Então eu, estando aqui, eu abri mão de coisas pessoais minhas que eu tenho muito, muito prazer em ter tido acesso e viver isso. Mas eu sei que o momento agora, o Luiz, ele precisa ficar focado nisso. Então eu tenho meu filho de 16 anos, que é o Cassiano, o Adile, que vai fazer, vai fazer 8 agora, e a Vi, que é uma pessoa maravilhosa, que é nossa filha adotiva. Que eu conheci ela com 13 anos dentro do, dentro do meio do hip-hop.

E, mano, é por essas pessoas aí que eu tô, que eu tô trampando aqui também. E obviamente eu tenho outras relações, outras parcerias, pessoas com quem eu convivi por muito tempo que me ajudam muito, tá ligado? E que eu quero continuar dentro do possível dialogando com elas também da melhor maneira possível. Mas hoje meu objetivo é esse, mano, trabalhar na Casa de Cultura Hip-Hop Sul, fazer com que essa essa porra aqui, esses 10 anos tem algum tipo de validade social e principalmente algum tipo de validade cultural para o movimento hip-hop, para Vila São Pedro, para Zona Sul.

E aí é difícil, não é fácil, não é fácil, tá ligado? Mas o meu plano é esse, meu planejamento é esse. Amanhã ou depois pode ser que a mata chame de novo, né? E aí você volte para caça, e aí você vai, né? É isso, mano.

?Voz A

Acho que é isso. Eu queria finalizar dizendo, se você chegou até aqui, divulgue esse episódio, mas divulgue no sentido de que comunique para as pessoas ocuparem esses espaços. Eles estão aqui, tem oficina todo, quase todo dia tem evento, cara, é um lugar incrível. Vocês, a gente precisa ocupar esses lugares, eles são feitos para gente, né?

DLDj lLOBATO

Não estão, eles são feitos É, pra gente utilizar culturalmente, educacionalmente, socialmente. Troca de ideia.

?Voz A

É isso.

DLDj lLOBATO

A gente tá numa praça linda aqui, que é a Praça do Pixo, né, da Vila São Pedro, que já tem uma história muito anterior à Casa de Hip Hop. E, meu, é um espaço comunitário, coletivo, de convivência, de relações. Não existe agressividade aqui da nossa parte, da Casa de Cultura. Não existe nenhum tipo de distanciamento das pessoas, não pode haver. Então a gente é sempre o contrário, é sempre imparcial e é sempre muito acolhedor com todo mundo, tá ligado?

Obviamente a gente tem umas, enquanto gestor aqui, enquanto gestão, enquanto equipamento cultural, a gente tem algumas limitações, tem algumas coisas que tem que ser observada para poder garantir o direito do outro também poder usufruir do espaço. Mas só te pontuando uma coisa, ó, eu tenho oficinas de futsal e de vôlei na segunda-feira na quadra, que mesmo a casa fechada a praça fica aberta e a quadra tá aberta. Na terça-feira eu tenho oficinas de improvisação musical, eu tenho oficina de teatro e palhaçaria, e também tenho oficina de dança de rua de break na terça, além da oficina de basquete e streetball com paçoca na quadra à noite, que é uma aula que ele já faz aqui há 10 anos na terça-feira.

Na quarta-feira eu tenho, eu tenho um programa vocacional com Guilherme, que também é teatro, que atua aqui e também atua no nosso território em outras casas de cultura, funciona super bem. E também tenho aula de capoeira do Júlio à noite, e também tenho Afro Mix sábado, 7 horas da manhã, na quarta-feira, na quadra. Na quinta-feira eu tenho também oficina de palhaçaria, tenho dança de salão com a professora Gislaine, que já atua aqui há uns 4 anos, das 11, aliás, das 10 até umas 11:30, funciona super bem.

Aí eu tenho também uma oficina que acabou de ser contratada agora, a quinta-feira, que é com a Léo, também de teatro e de escrita. Meu, tá fluindo, tá sendo bem interessante observar que a Casa de Cultura Hip Hop Sul tá se tornando um polo de teatro periférico, palhaçaria, que conecta também algumas coisas com hip hop, conecta com a comunidade do entorno. Na sexta-feira, que é o nosso dia mais livre, a gente ainda tem outras atividades aí, mas não temos oficinas às sextas ainda.

Então sexta-feira, em tese, é o dia que você pode propor uma sessão de espaço, pode vir fazer um ensaio aberto, pode criar algumas, pode criar algumas situações para cá. Sexta-feira é esse dia. Então, por exemplo, quando tiver a sua visita técnica guiada da sua exposição, vamos tentar marcar numa sexta, que é um dia que a gente tá um pouco mais livre. A gente tá chamando aqui a princípio de sexta free, sexta livre. Mas ainda assim tem o voleibol na quadra, que tem essas quase 200 pessoas participando o dia todo.

Eu tenho também na sexta-feira o Afro Mix, 7 horas da manhã, que é com a galera, né, com as senhoras aí acima de 50 ali e tal, que é bem legal. Já é uma coisa cultural, já é uma comunidade que se estabeleceu em torno disso. E aí sábado eu tenho futsal praticamente o dia todo. Geralmente sábado é o dia que a gente tem a nossa programação regular da casa. Ou é o dia que a gente abre pra sessão de espaço. E também tem a oficina de MC, que é uma oficina contratada com a Fromax, que é o Vitor, no sábado.

No domingo a gente tem oficina com o Pedro, que é de audiovisual e de vídeos pra internet, que você quer vir. Então, inclusive, o Pedro é morador aqui do entorno. E também tem o programa PIA, que é pras crianças, né, que é programa de iniciação artística aí. É pras crianças, né, é pras crianças, né, de 7 a 8, 12, 13 anos ali. E aí a gente consegue, ó, cumprir um processo de formação que passa a partir dos 6, 7 até os 12 com PA, depois vem com vocacional a partir dos 14.

E aí você já olha esse outro movimento, que é esse movimento de sessão de espaço. Tem um grupo de jovens estudantes aqui do Ibrahim, que é uma escola estadual, que frequenta aqui às quintas e sextas para ensaiar. Né, eles sempre olham por aqui, cara. Então é isso, meu, por favor venham na Casa de Cultura Municipal Hip Hop Sul, ela tá aberta.

?Voz A

Volta o vídeo depois de assistir, toma nota e cola.

DLDj lLOBATO

Eu quis falar item por item porque, é, porque, mano, faz parte da minha vida e da nossa rotina aqui dentro da casa todos os dias.

?Voz A

Vou trazer meu filho para fazer capoeira.

DLDj lLOBATO

É, traz, mano, eu acho que ele vai curtir.

?Voz A

Ele tava fazendo com a mãe também no espaço.

DLDj lLOBATO

E a galera da idade dele, tem umas, tem umas jovens, tem uns jovens na galera dele ali e tal, ele vai ele vai curtir. Eu só não consigo trazer os meus porque um mora, um mora em Cotia e o outro tá lá na Vila Matilde, a outra tá lá na praia, volta para cá. Então não consigo ter essa relação de buscar trazer, fica muito ruim. Mas aqui, ó, boa, isso é uma coisa boa para ser falada. Teve um moleque que inclusive ele é filho de uma amiga minha, que ele começou a fazer capoeira aqui há uns 8 anos atrás que é o Gustavo.

Vou até expor ele, hein, Gustavo, hein. E aí ele fez capoeira, depois ele começou a fazer propaganda, tá ligado, com essas empresas aí de agência. Pega a visão, mano. Moleque, ele fez aquele, aquela série com a Lineker, Manhãs de Setembro. Ou seja, mano, é aquele moleque lá, mano.

?Voz A

Desenvolveu na capoeira aqui, desenvolveu aqui, mano.

DLDj lLOBATO

Aqui ele começou a fazer capoeira, depois ele foi fazer teatro, foi fazer fotografia, fotografia. E hoje o moleque, mano, fez série. Um dia que eu vi ele na televisão, eu falei, caralho, mano, que louco, mano! Partiu do território, partiu do território. Moleque mora aqui na cidade de Demara, que eu estudei com a mãe dele, estudei com o pai dele. E quando eu vi esse moleque na televisão, eu falei, mano, Gustavo tá na Prime fazendo uma série calírnica e viajando para Argentina, para outros lugares para gravar.

E, mano, é uma série que eu assisti toda por causa dele. Eu falei, mano, Eu me identifiquei com aquele moleque, moleque pretinho, retinto, cabelinho assim e tal. Falei, mano, e ele vem jogar basquete aqui ainda, tá?

?Voz A

Que legal!

DLDj lLOBATO

Os pais dele traz ele aqui toda terça-feira pra vir fazer aula de basquete com o Paçoca.

?Voz A

A cultura venceu, mano.

DLDj lLOBATO

Quando eu vi essa fita, não, eu tô quase chorando. Quando eu vi essa fita, eu falei, fez sentido a gente ter brigado.

?Voz A

A cultura venceu.

DLDj lLOBATO

É porque, tipo assim, não é pra gente, tá ligado? É quem a gente vai atingir, mano. Aí quando eu vi isso aí, eu falei, porra, valeu a pena, mano. Eu espero que continue, né, mano? Porque se não, mano, tipo, nós vai morrer, tá ligado? Os nossos filhos vão continuar esse processo, os filhos dele. E, mano, nós vamos sair daqui amanhã, eu espero que esse prédio seja demolido e que eles construam 4 andares e que consiga trazer mais gente, mais gente, pra gente sair dessa pauta de por que não tem público. Porque não tem engajamento, tá ligado? Porque, mano, é possível, tá ligado?

?Voz A

E é pra todo mundo.

DLDj lLOBATO

E é pra todo mundo, e é público, é universal, não é só pago. Aliás, aqui é um equipamento público cultural gratuito, mas ele é pago com dinheiro público. Eu tenho 10 vigilantes, 2 pessoas na equipe de limpeza, 4 jovens monitores culturais, 2 pessoas na gestão. Eu tenho contrato com equipamento de som, com estrutura de som, eu tenho contrato de contratação artística. De Wi-Fi, de internet, não é barato isso aqui, muito caro. É um custo, manutenção.

E aí aqui a gente tem, sei lá, 20 pessoas trampando lá na Secretaria de Cultura, deve ter mais umas 15 pessoas trampando para as outras 20 casas. É uma estrutura gigante, mano. E aí quando a gente põe isso na ponta do lápis, ah, é o equipamento na casa de cultura, não tem ninguém. Não, mano, tem gente sim, mano. Tem gente que às vezes tá ali, ó, tem um rapaz que vem aqui frequentar aqui que ele começou a pedir o violão pra gente.

Ele tá aprendendo a tocar. Até falei, pô, tá, mano, você vai ter que pegar uns dias aí, dar umas aulinhas pra ele básica. Mas o violão tá aqui, a casa de cultura tá aqui, o moleque vem pra praça, é o mínimo que a gente pode fazer, dar o violão na mão dele. Só que vai chegar um momento que a gente também vai ter que, ó, você precisa se desenvolver, entendeu? Mas se a casa de cultura não tá aqui, se o violão não tá aqui, só tem a praça.

Ele vai pra onde, mano? Entendeu? Aí a gente vai, não, você não vai entrar, você não vai pegar o violão. Não, é o contrário, é acolher e se puder ajudar, ajudar. E aí a gente tenta criar uma programação, uma política pública cultural para atender essas pessoas, como já tem, tem o PIA, tem educacional, programação regular, oficina, tem um monte de coisa que ele pode. De repente ele não quer nem tocar violão, ele só quer que alguém converse com ele. Estamos aqui para isso também.

?Voz A

Mano, sensacional! Gratidão por esse espaço, por gravar aqui, né? Acreditar na minha loucura de vir gravar aqui gripados, né?

DLDj lLOBATO

Sinusite.

?Voz A

E para você que assistiu até agora, obrigado, né? Muito obrigado, né?

DLDj lLOBATO

Ou só lamento, irmão. Obrigado, fica à vontade, venha quando você puder vir, quando você quiser vir. A casa tá aberta para você fazer outras gravações com outras pessoas. Eu acho que é importante que os artistas do hip-hop do território, as lideranças comunitárias locais e pessoas que estão atuando por aqui. E participem, conversem, tá ligado? E coloquem suas falas. E a gente agradece muito a Secretaria de Cultura, né, Municipal da Cidade de São Paulo, ao secretário Totó Aparentes, ao Luca Dantas, por permitir que a gente tenha esse espaço, que esse espaço respire e que ele faça tão bem para as pessoas, tá ligado?

Agradeço também ao prefeito Ricardo Nunes por sempre tá incentivando a cultura aí, sempre tá promovendo ações culturais por toda a cidade de São Paulo. Então é que eu falei, tem coisas que às vezes não acontece aqui, mas tá acontecendo em outros fundões, tá ligado? E aí às vezes a gente só olha, só olha para aquele edital, mas não olha o recurso que tá chegando para outros cantos, tá ligado? E a gestão pública é isso, tá ligado?

A gente tem muita coisa pra crescer, pra aprender, pra resolver também, né? E tudo isso é muito novo pra gente. A nossa geração, que já tá acima dos 40 e alguma coisa, é a primeira geração que tá vendo isso de forma pública e universal, mano. Antes da Constituição de 88 não tinha nada disso, tá ligado? Então a gente ainda tá nesse front. A gente construiu o VAI, construiu o Fomento à Periferia, construiu vários outros editais.

E agora a nossa briga é continuar construindo outras coisas também. E eu tô aqui à disposição da cultura da cidade de São Paulo e estou também muito à disposição à cultura hip-hop da cidade de São Paulo e também estou muito à disposição a esse lugar coletivo e comunitário de fazer cultura, de fazer ações culturais, sociais. Minha vida é isso, eu estou aqui porque eu vivi isso e fui salvo por isso. Então, para mim, não há desconectividade nem distanciamento dessa realidade.

É basicamente o que eu sou, o que eu vivo, e o que me fez ter força para poder buscar outros lugares, né, outros caminhos. E é isso, agradeço mais uma vez. A caneca tá aqui, a meia também. Por favor, curte, compartilha, comenta, dá um apoio aí para rapaziada que dá um apoio para a gente também, para os irmãos e para as irmãs. Cultura não faz mal a ninguém, cultura salva. Talvez, talvez seja, não vou dizer que seja o único caminho, mas talvez seja um dos caminhos em paralelo com a educação. E a gente tá aqui para isso, para fortalecer. Mas você não vai dar um salve?

?Voz A

Bora, só agradece.

DLDj lLOBATO

Obrigado, irmão.

?Voz A

Até o próximo domingo aí para vocês.

DLDj lLOBATO

É nós, encosta aqui, Casa de Cultura Municipal Hip Hop Sul, 10 anos.

?Voz A

Cola, dá o endereço.

DLDj lLOBATO

Rua Santana 201, Vila São Pedro, cidade de São Paulo, SP, Zona Sul. O CEP eu não lembro, mas começa com 046. Só cola, mano, dá um Google, né? Antigamente a gente tinha que olhar naquele guia, puta, aquilo era trágico. Hoje é só você dar um Google lá, mano, a própria IA te responde ali onde é. Fechou, família? Nós até mais, hein? Até a próxima! Vem, vem!

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