THATA ALVES - MULTI ARTISTA - Arte NAMESA PODCAST - ep.117
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THATA ALVES
- Sarau da Ponte para CáOrigem e propósito do sarau · Ocupação de espaços públicos · Gastronomia como ferramenta de inclusão · Revitalização territorial · Intervenções artísticas em espaços urbanos
- Trajetória artística de Thata AlvesPoesia como válvula de escape · Superação de traumas familiares · Maternidade e empoderamento · Quebra de ciclos hereditários · Filosofia africana e ancestralidade
- Publicações literárias de Thata AlvesEnriquicências · Iá · IB Jeans · Negras daqui, negras de lá · Troca de livros como forma de arte
- Memórias e Experiências com VideogamesCombate ao racismo religioso · Preservação da filosofia africana · Educação lúdica para crianças · Protagonismo infantil em produções artísticas
- Marca Bença MãeValorização da arte e literatura · Conceito de bênção e ancestralidade · Empoderamento feminino e maternidade · Coleções e produtos
- Producao Audiovisual· CulturaFotografia como registro de memória · Direção artística em projetos audiovisuais · Parcerias com produtoras e jornalistas · Desafios da monetização em plataformas digitais · Valorização da informação e bibliotecas vivas
Seja bem-vindo a mais um episódio do seu podcast de arte, Arte na Mesa. Hoje, Tata Alves.
Aê, obrigada, que agradeço.
Tamo aqui com uma multiartista de novo, mais uma mulher que as mulheres dominem o podcast e que a voz delas ecoe por todos os lados. É isso, seja bem-vinda.
Obrigada.
Vou agradecer a Guinárli, vou te presentear com essa meia.
Que legal! Ai, arrasou! Ai, quentinho, gente, eu sinto muito frio do pé. Nossa, o pé é o lugar que eu mais sinto frio. Ai, arrasou!
Obrigado, Guinárli, por apoiar a arte. Agnarli tem meias premium de qualidade com as estampas mais iradas do mercado. Vou deixar o cupom aqui, você pode ir lá no site e adquirir a sua. E vou agradecer a Skate Até Morrer que patrocina o podcast. Esse shape aqui, ó, você encontra lá na Skate Até Morrer para você personalizar. Você deve estar vendo a loja agora, tem skate montado, truque, shape, roda, rolamento, tênis, camiseta. São 3 lojas na Galeria do Rock.
Tudo que você precisa para o skate você encontra lá. E é claro, é uma skate shop feita por skatistas, são 3 lojas. Cupom de desconto, vai lá na loja e fala que você viu o cupom de desconto aqui no Arte na Mesa, que você ganha o desconto. Vamos falar de arte?
Bora, bora, cara!
Eu não sei, assim, de verdade eu não sei nem por onde começar, porque ela é escritora Poetiza, trabalha com artes gráficas, locutora, videomaker, lançou um sarau. Mano, vamos por partes.
Bora, bora.
Você é a idealizadora do sarau da ponte para cá.
Sim.
Quando começou? Qual que foi o rolê? Aonde era? Como que tá hoje? Bem genérico, né?
São várias perguntas em uma, mas acho que dá para sintetizar. Primeiramente, muito obrigada por estar aqui, fico muito feliz. Acho que esse convite de materializar o registro de artistas, né, que que estão aí fazendo movimento artístico de forma independente, contribuir para documentação desses feitos, dessa história. Então agradecer você e ao Michael, que foi quem indicou. Então valeu, Michael, aí pela indicação mais uma vez.
O Sarau da Ponte para cá surge de uma dor, que é uma dor de eu quanto mãe. Fui mãe muito nova, aos 19 anos, e aí me deparo logo com saraus, entendendo esse movimento dos saraus, essa enfervescência na época. Meados de 2012. E aí, com a experiência dos saraus, eu começo a querer ter um sarau mais próximo da minha casa, né, onde eu pudesse ir com os meus filhos, mas que fosse menos perigoso, que tivesse menos risco, né. Então, sarau geralmente acontecem à noite nas periferias de São Paulo, e obviamente não é tão seguro para mulheres para essa volta, né.
E eu queria assistir da primeira até a última poesia assim. Então comecei a entender quais os espaços da minha quebrada a gente podia começar a fazer essa ação. E aí a gente fez ali em frente ao bar da Gol, que hoje não existe mais, em 2014, junto com uma galera assim, né? Então tinha o filho dela, Wesley, Rogério Gonzaga permeou também esse início, alguns artistas que frequentavam esse bar, mas que não conseguiam se expressar quanto artistas do território, porque todo o resto das lojas adjacentes eram muito masculinas, então barbearias ou botecos, né?
Então esse lugar de cantar ou de trazer essa performance de— ai meu Deus, me fugiu a palavra agora— drag queen. Então eles não podiam fazer isso cotidianamente lá, mas na segunda-feira era o dia dessa transformação e era o dia também que esse bar passava a ter um pouco mais de lucro do que numa segunda-feira convencional. Então ao mesmo que a gente ocupava esse espaço, a gente também fazia uma transformação do território, que era limpar essa praça, educar a galera a não Guruja, foram tragos monumentos para ficarem ali instaurados, né, na praça.
Então eu lembro que teve, se eu não me engano, o Jeff fez um urso enorme de papelão, né, trazendo, e ficou exposto por um período na nossa praça. E assim o sarau passou a permear várias linguagens, né. E entendendo que o território tava ficando pequeno para aquilo que tava vindo de atração, como maracatu, capoeira, a gente migrou para Praça do Campo Limpo. E aí Praça do Campo Limpo, a gente se depara com um número muito expressivo de pessoas em situação de vulnerabilidade.
E aí a gente começa a adotar uma outra metodologia pra que esses transeuntes ficassem residentes do sarau e também se transformassem através da arte e da cultura. Então a gastronomia passou a ser aí uma forte adesão ao nosso projeto. A empresa O Diô Baiano, que é da Ana Rita Dias da Encarnação, que é a IA, ela fazia assim a maioria dos cardápios trazendo camarão da Bahia, leite de coco da Bahia, para fazer para os moradores que são de rua.
Jura?
Sim, sim.
Até hoje assim, se eu aciono ela para vender, não, é para dar para galera.
Porque aí no Ceará a gente não tinha essa questão de comercializar comida, não é, não isso, mas de hierarquia. Então todos os artistas, produção e os transeuntes comiam a mesma comida. Não tinha o camarão com as uvas, né, verdes, azuis, para você degustar. Não, a gente comia da mesma comida. Comida. E a arte trazia esse lugar de equidade para todos nós, porque desde o trazer o um tchau ao que mora ali na praça, né, a gente tinha essa relação de comungar no mesmo lugar.
E aí, a partir do Sarau, houveram várias gastronomias, né. Então teve comida africana com o Chef Sebastian, por exemplo. A gente teve comida libanesa com o Restaurante Luciano. Já teve comidas asiáticas com— fantástico! E essa experiência comungada com a comunidade, com todo mundo.
Que legal! E agora vocês não estão mais lá, vocês estão...
Aí a gente entendeu que o processo do sarau é itinerante também, então ele leva essa linguagem para outros territórios e também fazer essa revitalização em outros ambientes. Então a gente fez aí ano passado uma ocupação no Beco, ali no Jardim do Marizal, que não é atualmente onde o sarau reside, nasceu, mas é adjacente, né? E a gente fez lá uma intervenção de grafite que foi ocupar o Beco com cobertura da Doceê, que é uma jornal, né, do Doutor K, que traz aí o que que a quebrada tem feito de valor e que a galera não tem registrado, né, que as grandes mídias não vão lá reportar.
E aí a gente grafitou, a comunidade participou, as crianças participaram, teve oficina de tranças, teve gastronomia da IA fazendo alimentação com a casca da banana para ensinar a galera sobre o consumo com consciência, né. Então aproveitar todo o produto ali.
Tem um alimento que é feito pela casca da banana que eles processam e transformam em pó e distribuem em vilarejos de menos acesso na África, que é um dos alimentos mais nutritivos do planeta. Sabia disso?
Não, eu não sabia. Eu soube inclusive, olha só, esses dias através da Ana, que é uma amiga minha baiana, que a banana é conhecida como a musa, né, das frutas assim. Então a gente não tem noção do quanto que essa variedade, né, o quanto que ela é próspera. Tem umas, uma, tava vendo esses dias no Instagram que tem uma mulher que tá fazendo fibra de cabelo com a folha, né, da bananeira. Então isso é nosso, né, isso que a gente tem que exaltar em vez aí dos fast foods que a galera vive, né, exaltando.
Tem uma influência da Cooperifa esse rolê seu? Você começou, você frequentava?
A Cooperifa foi um sarau que eu conheci bem mais tarde. A minha relação foi mais com o Sarau do Binho, com o Pra Sarau, que era um sarau adjacente à minha quebrada. E a Cooperifa eu conheci já no lançamento do meu primeiro livro, assim, eu já tava rodando. Mas foi acho que um ano de ouvir falar assim, né, depois que eu começo a frequentar, porque é isso, os saraus começam com essa tríade, que é o Sarau do Binho, a Coperifa e o I Love Laje do Marcos Pezão.
Então eles começam juntos, aí depois cada um migra e traz a sua identidade, né, para o seu sarau. E aí eles fazem o trabalho de forma junta e separada ao mesmo tempo, né, que a gente sempre se frequenta. Os saraus, eles conseguem manter essa relação de coirmãos, né. Então acho que isso é uma coisa fraterna interessante coletivos.
Que legal! O que que vem primeiro na arte para você? A poesia? O que que foi? A poesia foi escrita?
É a poesia, sim. A poesia como um mecanismo de válvula de escape, né, dentro de um cenário dentro de casa muito violado pelo alcoolismo. Então a poesia ela vem nesse lugar de tentar abster todas as situações que eu vivia de violência.
Eu tenho visto muito que a arte ela é um grito de alguma angústia, de algum trauma, né?
Nossa, cara, Eu tenho feito uma reflexão durante os últimos anos e principalmente depois desse luto do meu irmão, que sim, eu acho que todo artista acaba colocando as suas dores na arte, na poesia, na música, na dança, mas que o correto é que a gente faça um mecanismo de entender a sanidade mental, que a gente procure essa relação de procurar psicólogos, entender esses processos, entender também e principalmente a gente que trabalha e fala sobre ancestralidade, quais são os traumas da vida anterior, como que os seus pais viveram um casamento, E como que você pode estar ou não reproduzindo as mesmas coisas.
Então hoje eu me entendo como um elo importante de quebrar algumas relações hereditárias da minha família e eu tenho feito assim, né? Eu fui a sua primeira escritora da família, né? A compor livros, sua primeira a comprar um automóvel, né? No meu nome, pagar à vista. Que legal. Através de salários vindos da cultura, né? Então não necessariamente a cultura que deveria, né? Com a política pública, mas empresas contrataram o meu serviço e eu fiz esse investimento em outros bens pra quebrar essa relação hereditária da gente não ter as coisas, né?
A gente, enquanto povo preto, ter sido empobrecidos. Então, acho que a arte vem nesse lugar. E aí eu vim entendendo, né? Poxa, eu sempre lidei com todos os traumas da minha vida, que não foram poucos, né? Que começa dessa relação da maternidade gemelar, o abandono familiar, né? Sem rede de apoio. Você teve gêmeos?
Tenho. Era para ser gêmeos, né? Olha só, um deles, o feto parou de bater o coração. Era para ter um irmãozinho.
Que loucura! É importante entender também essas crianças que vêm para cumprir missões, né? Tem uma pontualidade nesse cumprimento de missões. Então eu entendo isso de uma outra maneira por conta da filosofia africana, né? Então tem os Abikus, são crianças que vêm para cumprir alguma missão, para deixar alguma mensagem.
Tá, abicus. Que legal, eu não conhecia esse termo.
E aí essa relação dos saraus traz a importância do que que é ser uma mulher negra mãe de gêmeos na sociedade. Então os saraus junto com a filosofia africana me empoderam no lugar aonde socialmente eu era só vista como a mãezinha dos gêmeos. Então não, né? Então dentro tanto das religiões de matrizes africanas como filosofias indígenas trazem essa maternidade gemelar como um potencializador harmonizador, né, tanto para o seu território quanto para a relação da sua família, de quebrar relações de falta de prosperidade, por exemplo.
Então quando nasce uma, principalmente na Nigéria, quando nasce ali crianças gêmeas, essa mãe de gêmeos é cortejada, né, na sociedade. Ela sai com um balaio e dentro desse balaio são colocados presentes como frutas, tecidos, ouro, mirra. Então a compreensão do que que é essa maternidade gemelar para mim só passa a valer a partir da filosofia africana. Porque infelizmente na nossa cultura indígena, que é, né, brasileira, a gente não enaltece como deveria.
E eu acho assim, que é um papo para outro rolê, mas tipo, eu acho que falta, e eu falo muito isso aqui, né, nós homens temos que bater nessa tecla de enaltecer as mulheres e valorizar e trazer o valor. E às vezes a pessoa, o homem só vê a mãe como mãe, né, e não é esse o rolê, né.
Eu tenho dito assim algum tempo, né, eu tenho tentado trazer esse discurso de que tem que entender e respeitar, porque sempre quando você tá fodido é para uma mulher que você recorre, seja mãe, seja amiga, né. E mesmo assim, quando isso não é pessoalizado numa mulher, você vai refrigerar sua cabeça na praia, né, no mar, na cachoeira, que também são de matrimônio feminino, né. Então é entender para quem que você tá se refugiando.
A floresta né? A água, a cachoeira, a terra. Então, para além da mulher nesse sentido físico, existe aí as forças também que são femininas.
Cara, espetacular! Eu quero saber dos seus livros. Qual foi o primeiro?
Ó, deixei aqui já na ordem cronológica. Esse aqui é o primeiro, Enriquicências, que na verdade ele começa com essa capa aqui em preto e branco, porque era um projeto pensado para não chamar atenção pela capa. Eu queria que o que tivesse importância era o conteúdo. Então a gente fez esse projeto com o Paulo Verdun, quem faz esse trabalho na Casa de Cultura Candearth.
Ah, Candearth, eu conheço lá.
É, sim, Mestre Magellan, querido. Bom, e aí aqui a capa renovada depois de umas 3 edições. E aí a gente faz esse material com a intenção de que fosse um livro que as pessoas tivessem mais trabalho para ler. Então tem poesias que são Tem umas que são umas incógnitas.
Essa era a intenção mesmo, é um trabalho de poesia.
É, tá, sim, sim. Então esse é o primeiro, claro, adoro livro, assim, que foi lançado a partir do trabalho que eu fiz para Dove de cabelos cacheados.
Então eu pego esse valor desse projeto para Dove, a empresa Dove de sabonetes e shampoos, tá. Que legal!
E aí com o valor deles eu faço esse investimento nessa primeira edição.
Foi investimento deles?
Foi investimento meu, né? Foi o meu cachê.
Ah tá, entendi. Você fez um trabalho, pegou o cachê, entendi.
Isso.
Então até um investimento seu.
É. E aí eu fiz com esse recurso, né? Então foi a primeira vez que eu vi tanto dinheiro na conta, foi pago em euros, né? Que legal! A gente não tem administração financeira nas periferias, né? Não tem essa educação.
Não tem na escola, não tem em lugar nenhum.
E aí eu Eu tentei entender um mecanismo junto com o Rogério Gonzaga na época para onde destinar melhor esse valor, né? E aí uma das coisas que ele sugeriu foi fazer a impressão do primeiro livro. Eu não acreditei que fosse ser um bom investimento, mas aí a gente lançou no Praçaral em janeiro de 2000, não vou lembrar o ano, mas foi em janeiro, dia 25, que era aniversário de São Paulo.
Cara, mas você não queria dar valor para capa? Meu, que capa é essa, velho?
Essa é as próximas, né? Cara, que capa é essa? Coloca 3 imagens por conta de ser reticente, né? Então representando as 3 bolinhas.
Sim, que incrível, maravilhoso! E como que foi o processo de ser tirado do forno assim?
Porque são poesias dos meus 11, 15 anos assim, era, são poesias de eu muito jovem, é. E aí eu não entendia que isso fazia sentido para alguém, né? Não achava que aquilo era, né, para ser compartilhado. E aí quando ele começa a sair de casa, ele começa a ver os cadernos e fala que tinha potência. Aí eu começo uma seleção, eu não tinha computador, é um mal assim que eu ainda quero vencer, porque nossa, toda vez dá um pânico meus computadores, é uma questão.
E aí eu lembro que o Jeff Campos inclusive me emprestava o computador da mãe dele. E aí era um computador que a mãe dele tinha um xodó porque ela era mais velha e tinha concluído a faculdade com esse computador. Ele ele não tinha uma tecla que era tecla J. Então eu fazia isso na madrugada, depois de colocar os meninos para dormir, e aí ficava lá escrevendo as poesias. Até uma foto, claro, depois eu vou te explicar por quê, tá bom?
E aí eu ia lá e fazia esse movimento de devolver para ele de manhã, para ele devolver para mãe dele. Então era uma labuta assim, até que eu consegui finalizar o livro. Mandei para o Rogério para fazer a as coordenadas que tinha que ser feita. E aí deu certo, foi um best-seller da quebrada, eu costumo dizer, pelo menos para mim, porque é isso, a minha família foi. Eu convidei na época os donos de bares que iam para onde meu pai bebia, né?
Então convidei, eu falei, ó, meu pai bebe aqui e tal, e muito do que eu escrevi tem a ver com essa relação do alcoolismo dele. E aí eles, alguns deles foram. Convidei os traficantes da rua que trocavam ideia com meu pai, com meu irmão, ó, vou fazer um sarau lá, tô lançando livro, porque eu sei, a minha família mora num bairro há muitos anos, então todo mundo conhece ali a família do Todd, né? E a gente fala assim, a família do Todd.
Então tinha uma consideração, a gente sempre foi crianças muito bem quistas, né, dentro do nosso bairro. E aí a galera foi, os meus professores foram, diretores da escola do Solito foram também. Então no dia, uma impressão pequena, que foi uma tiragem de 100 livros, a gente vendeu 80. Então para mim foi muito, nossa, foi muito expressivo. Foi o único lançamento, inclusive.
Vocês venderam 80 livros no lançamento?
No lançamento, sucesso! Aí achei que ia ficar rica, não fiquei com a literatura, mas foi a primeira vez também que minha mãe esteve, né, comigo num projeto. Então assim, vendo o meu trabalho, vendo todo o rolê, né? Meu pai ainda não teve esse privilégio. Tô cobrando já, viu, pai?
Não colou ainda?
Não, é um lugar muito difícil assim para ele. Eu É isso assim, né? Eu entendo que eles sempre me viram artistas, artista em algum lugar, porque eles fomentavam isso da leitura em mim. Então eu começo a ler muito cedo, com 3 anos eu já sei ler e escrever meu nome, que não é nada simples, né? É um nome complexo. Mas eles não têm esse hábito de falar, de colocar para fora, né? Ou de elogiar e tal. Então a minha família toda é muito autodidata, todos têm empresas assim de forma autodidata, desde os mais novos aos mais velhos, e todos são artistas.
Né? Então esse lugar da arte ficou muito oculto por essa obrigatoriedade, né, do CLT.
De certa forma, eles acompanharem agora seria meio que colher o fruto do que eles ajudaram, né? De alguma forma, né?
Sim, eu vejo assim os meus primos começando a desenvolver coisas na internet, quando o Israel, por exemplo, que canta muito, começando a colocar isso na rua. Um pouco mais novos que eu, cerca de 30. Anos assim.
Seus filhos?
Ah, meus filhos não, meus filhos têm, vão fazer 15 agora, dia 3. Eu falava dos meus primos.
Qual que é o segredo da longevidade? Eu quero aqui.
Um dia eu chego lá. Mas tem esse lugar de eles começarem a mostrar, né? Então eu tenho admirado assim, meu primo é super sarrista, tem feito uns vídeos engraçados assim no Tiago, mas é um lugar que pouco se fala, até a relação das religiões de matrizes africanas, né? Que é um embasamento na minha família não se toca nesse assunto. Meu pai jogava capoeira, meu pai era percussionista, mas eles não falam desse lugar. E para mim que sou, né, historiadora assim, falo, caramba, mas como que eu consigo escrever sobre mim se eles não falam, né? Então é um lugar muito complexo assim.
Que loucura. E aí você lança, você lançou 3 livros ao total.
Isso.
Que que vem de segundo?
Aí eu não queria ficar reimprimindo sempre o mesmo livro, que era uma relação que eu via muito nos saraus, né, da galera ter um livro ali clássico, mas sempre reimprimir o mesmo. Aí me organizei reimprimi esse, que é uma homenagem a Iá, porque numa dessas trocas ela fala que ela tem, que é, que o único medo dela era cair no esquecimento.
Quem que é Iá mesmo?
A Ana Rita, que fazia as comidas para o sarau. Isso, a sacerdotisa de candomblé. E aí eu faço essa poesia desse livro, surgem vários outros projetos, como meu programa Tata Troca, como uma música chamada Bênção uma música a partir da poesia Bença Mãe com o Jonatas Petróleo, chamado Bençam, que aí tem ele, Miltinho e Beto Sorriso. E aí também a grife de camisetas da Bença Mãe, né, com a remixação.
Vai falar isso daí.
Então, sabe, venho nesse, né, muito mais nesse lugar de querer trocar esse projeto com os alunos. Então, quando eu lanço esse primeiro livro, as escolas adjacentes querem que eu vá fazer o lançamento lá Alguns professores fazem aquisição, outros não. E aí eu vejo que a questão do valor era uma limitação, né? A galera não acha um investimento.
Quanto você vendia, você lembra?
Na época, nossa, era R$25. E aí eu via que era uma barreira.
iPhone a galera compra, né?
Aí, Nikita, etc.
Vamos falar de coisas mais básicas, né? Então, litrão tá fácil, né?
Muito louco. É essa compreensão de quem investe.
Hoje não seria 25 um livro desse porte, né?
Até pela questão da demanda, onde que ele já alcançou, e pela qualidade, cara.
Olha o papel, né, cara?
É papel pólen. Bom, e aí a gente faz para trocar com as crianças nas escolas. Então, ah, tia, eu quero o seu livro, como que faz? Você tem uma poesia? Ah, não tenho. Você tem uma música? Ah, não tenho. Desenho? Ah, um desenho eu tenho. Então tá, então eu te dou meu desenho, você faz uma poesia. E aí era esse movimento de troca assim. Legal. Ele também já foi trocado por pedra de craque.
É um livro para troca?
É.
Como assim?
Já a gente foi convidado pelos poetas Poesia na Rua, e aí a gente fez uma edição dentro de um instrumento, né, para recuperação de pessoas que são de rua e tal, de drogadição. E aí o cara falou assim, meu, eu quero esse livro aí e tal, mas pô, não tenho dinheiro. Eu falei, mas o que que você tem aí de melhor para trocar comigo. E aí foi o que ele me entregou assim, ó, mas não posso abrir e tal. E ele colocou nas minhas mãos. E aí é isso, né?
Aquilo para ele não era só o vício, né? É o calor, é a família, era o melhor que ele tinha ali para mim, era o mais precioso que ele tinha para me oferecer.
E assim, o cara entregou o que ele tinha pela literatura, que a gente sabe que quando o cara tem um negócio desse na mão vale ouro.
E aí foi impactante, né? Entendi a proposta do material e o quanto que apesar dele ser o menor de todos, o quanto que ele é grandioso, que tem alcançado várias ramificações, né, com essa, com a intenção de dar continuidade a quem tá vivo, de homenagear quem tá viva, né. Então aí ela foi esse mote para que esse projeto e esse livro nascessem assim.
Que legal, sensacional!
Bom, aí tem o IB Jeans, que eu falo que é um livro dos meus filhos, que eu só organizei, que são frases que eles falavam, tanto de vivência dos saraus quanto de filosofias que eles, né, entendiam e tal. E esse aqui também é, foi lançado como uma forma de provocação.
E tem ilustrações.
Sim, é.
Quem fez as ilustrações?
A Dora Lia.
Dora Lia?
Isso, ela tem uma empresa chamada Dila 7. E aí ela fez esse. Sim, é linda.
Depois você tem a arte das capas para colocar no final.
A gente fez duas versões, né, para que cada um escolhesse uma cor. Então tem essa versão verde oliva e tem a Azul também, que aí foi o Breno que escolheu.
Que legal!
Sim, então esse livro foi uma resposta, né, para dizer para a galera que, ó, as crianças estão aqui nesse ambiente, estão ouvindo o que vocês estão falando.
E você pôs o nome deles, né? Que legal! São frases, essa aqui é a frase do Breno, né?
São eles quem escrevem os números, para eles terem esse pertencimento de que é um material deles, né? São frases deles. Mas muito para mostrar o quanto que eles são potentes, né? O quanto que a criança permeando esses ambientes, escutando ali, né, no bastidor. Esse podcast, por exemplo, ele tá sendo formado, né? Então é a mesma coisa com os saraus. Eles estavam no sarau sendo formados, ouvindo alguma coisa que ficava nesse subconsciente.
Então desde sempre o sarau da Pod Pra Cá pensa apresentações e programações também pensadas para as crianças, aonde a comunidade tem obrigação de cuidar dessas crianças ali.
Espetacular esse aqui, eu adoro a ilustração. Passou um escritor aqui que fez Beneu Saruê, um livro para crianças.
Legal.
E é a história de que quando derrubaram aqui uma área de verde que a gente tinha e os saruês tiveram que fugir.
Opa, ao vivo, ao vivo esse aqui.
E aí, bem legal, cara. Então adoro livro com ilustração.
Sim, tem gente que nem conhece.
Tô me ouvindo aí.
É isso. Bom, e aí esse último é uma antologia que é uma das mais importantes assim para mim, que chama Negras daqui, negras de lá, que é um projeto que seria lançado em Moçambique. É aqui na capa, é a Tula Pilar, né? Então a gente faz essa homenagem a ela. E aí eu sou uma das escritoras brasileiras que compõem esse Então foi muito bonito. Essa aqui é a Tueki Ava, que é angolana. Então foram 4 escritoras negras e 4 escritoras negras brasileiras e 4 escritoras negras africanas.
E aí seria lançado em Moçambique, mas aí infelizmente no ano a Pilar faleceu e a gente adiou o lançamento lá e lançamos uma parelha Luzia, que foi bem interessante também, também de poesias aqui.
Sim, ação quilombo, cara, espetacular. A gente vai pôr aqui algum deles. Você tá vendendo ainda?
O Troca, o Troca tá disponível, os outros já estão esgotados.
Depois manda o link que é para a gente colocar aqui no episódio. Vai lá e compra, vai estar na descrição. A mãe é a bênção mãe. Me fala sobre a marca.
É, a Bença Mãe foi essa compreensão do quanto que o brasileiro não valoriza a arte e muito menos a literatura, né? Então é muito mais fácil eu vender um show de música do que eu vender um show de poesia, onde que a pessoa vai ter que se concentrar na palavra, né, na interpretação. Então a partir disso as vendas caem, né? Passa esses lançamentos, aí faço as impressões, as vendas começam a cair e eu preciso pagar aluguel, eu preciso dar, né, comida para os ibejes.
E aí eu vou entender o que que a gente poderia fazer? Aí eu, a minha prima Vanessa, Wesley, começa a procurar por poesias que a gente pudesse fazer ilustrações para fazer camisetas. E aí A Bênção Mãe foi, né, era uma das que já tava na seleção dessa curadoria e foi a que mais vendeu, né. Então essa grafia foi traduzida pelo Thiago Lima, que é o designer, né, que faz aí esse logotipo. E aí foi um sucesso de vendas, né. O Nordeste compra muito porque é isso, a bênção é um conceito.
Então Então quem vai vestir a camisa é quem geralmente respeita a ancestralidade, respeita seus mais velhos para além desse campo espiritual, né? A gente tá falando de seu pai, do seu avô, dos seus tios, né? Quem veio antes de você. Então a gente teve também a coleção Mão Preta, teve Estado Civil, mas a que mais repercutiu foi a Bênção Mãe.
E você trabalha até hoje a marca?
Até hoje, sim. São 7 anos já de marca.
O que que você já lançou que foi mais louco assim?
Para mim, acho que é o jogo do Baobá e Memória. O jogo Baobá e Memória é um jogo que eu desenvolvi por conta de um racismo religioso que o amiguinho dos meus filhos sofreu. E ali me vem uma intuição rápida do que fazer, né, diante de crianças que estavam ociosas por conta da pandemia nas suas casas, suas mães trabalhando, e estavam brincando ali, né, no Marizal, na Caranapatuba. E esse menino tinha horários para brincar, né, porque quando você tá de preceito por conta da religião região você não pode sair em uns determinados horários.
E aí quando ele podia sair, as crianças colocavam ele sempre para ser a brincadeira, a parte pejorativa da brincadeira. Então eles inventaram uma brincadeira de, como que é, coronavírus. Obrigada, amor. De coronavírus, aonde eles colocavam a mãozinha assim, né, para ser a máscara, e o Kelvin era sempre o vírus assim. Aí os meus filhos entenderam, vieram me falar. Eu trabalhava em home office em casa e eu falei, mas como assim?
O que que você entendeu disso? Ah, mãe, porque não tô achando legal e tal. Eles pararam, eu fui pra sala pra observar e de fato era, né? Aí o Sarau da Ponte pra Cá sempre recebeu doações, né, de cestas básicas, de alimentos, de umas dezenas de coisas. E aí eu propus pra eles, ó, vou fazer um macarrão aqui, tá? A gente vai comer macarrão, a gente vai brincar, mas enquanto isso vamos procurar papelão. Aí coloquei eles pra procurar papelão, coloquei o macarrão pra ferver e fiquei buscando imagens na internet pra ver se tinha alguma referência, né, de orixás, pra aqueles Eles não tivessem medo, né, algo assim.
E aí não achei muita coisa, achei tipo umas ilustrações de festa de aniversário, mas baixei aquilo mesmo e comecei a brincar com eles explicando cada entidade, explicando o poder dessas entidades. E aí eles começaram a ter essa outra pergunta: nossa, tia, então perguntei qual que é o videogame que vocês gostariam? Ah, tia, o Play 5, Play 2, Play 3. Então você sabia que quem é o dono da tecnologia é Ogum? Esse daqui, ó, esse daqui é Ogum. Então eu sou Ogum.
E aí começaram a ter uma outra relação.
Aí isso é adormecido, né? Resolvo ali, a gente come macarrão, cada um para sua casa. E aí, passado um tempo, eu escrevo a minha outiblanca e esse projeto é contemplado. Então consigo fazer impressão desse jogo, aonde eu preservo a filosofia africana dentro da linguística também. Então não tem letra X, né? Não tem letra Y, porque dentro da filosofia africana essas letras são estrangeiras. Então é tudo feito com S, né? Xangô é com S, enfim.
E aí Oxum também tudo com S, Ogum com N. Então todo esse lugar do que era americanizado, europeu, é um lugar europeu, a gente vai na raiz. E aí a gente, a galera não tava tendo compreensão, achava que as cartas era uma coisa mística, né, como jogo de cartas, e não uma coisa lúdica, educativa. E aí eu faço o documentário, eu faço a direção do documentário, para explicar e coloca o Kelvin, que era essa criança que sofria esse bullying, como protagonista desse material.
Então, Kelvin, menino de Oxã, Oxã abençoa esse jogo e beijos Oxum. Então pode ir para rua com essa autorização, né, dessas entidades.
Putz, que espetacular! E hoje vocês fazem, você faz roupa, né, também é a base do negócio, é a empresa que mais 30, internet. Vocês têm e-commerce ou pelo Instagram?
Pelo e-commerce.
Você que faz todo esse corre?
Eu e Ezequiel que faz a logística comigo. A gente pensa assim, as coisas mais loucas da grife sou eu, assim, as ideias, a mistura de cor e tal.
Eu vi que esse top é lançamento que eu vi no Instagram.
Sim, é o top sem censura. É uma intenção de que mulheres tenham, percam, né, esse medo de entender a sua beleza, independente de qual formato do seu corpo assim. Então é um top para caber em todos os corpos, ele é bem, amarração dele é infinita. Então nessa intenção de que as mulheres, limitação, né? É, não, a gente fez até o S3G para experimentar, mas se tiver, por exemplo, S3G não deu, a gente consegue confeccionar sob medida.
Porque a intenção é que esse lugar, né, de se pedir a bênção, a bênção, mãe, mas quem é essa mãe, né? A sua mãe ainda usa batom? Como que era, né, o batom que a sua mãe usava? Como que isso manifesta? Por que que esse lugar maternidade, mãe é sempre às vezes colocada no lugar muito de servir, né? Então não, é para você se sentir bem, é sem censura, se enalteça, põe um salto, põe um batom. Então é pedir a bênção, mas também entender que as mães não deixam de ser mulheres, né, depois da maternidade.
Espetacular! Eu vou, eu dei uma olhada no seu YouTube, eu vi que você trabalhou seu YouTube ali, né?
A gente tem uma parceria a Vulcans, que é a empresa que eu gosto de trabalhar quando eu penso YouTube assim.
O que que eles fazem?
A Vulcans é uma empresa de filmagens, né? Eles fazem, sim. E aí a maioria do que tem lá no Cerro da Ponte para cá foi feito por eles. Na Tata também, alguma, a maioria das coisas que estão lá são deles. E agora a gente vem com essa parceria também com o Doutor K. Então são as empresas que eu geralmente costumo sempre tá trabalhando me ajudando, porque enfim, foram leais comigo no sarau, né? Consegue registrar aqui, não tem nenhum dinheiro, tem verba.
Claro, cola. Assim, quando tem também oportunidade de ter verba, eles estão comigo ali. Então são pessoas que eu tenho andado assim nos últimos anos.
Que legal. E você, o seu YouTube é monetizado? Porque eu vi que ele tem mais que 1000 inscritos.
Eu nunca recebi nada assim de YouTube, mas também é isso, eu tenho que me educar nesse sentido, porque é isso, eu não as plataformas pensando essa ser influencer, sabe, essa renderização. Não, eu quero que a mensagem chegue para as pessoas que não têm essa visibilidade ou conseguir enaltecer empresas que têm menos visibilidade do que eu e colocar, né, eu não fomento esse mesmo mercado que tá ali fazendo com que a gente surte, né, trends, né, fazer conteúdo.
Não quero falar de pretitude, quero falar sobre corpos que estão sendo racializados, né, enfim, isso não é interessante para essas plataformas. Então é isso, através disso eles não entreguem, né, da mesma forma. E aí é onde entram jornalismos como a Dois Neguinhos Traz, né, que é uma coisa de veracidade que você vê ali, que é uma galera— eu tive numa produção com eles que eu tava ali quanto aprendiz, eles me colocaram numa produção que era uma produção foda, né, mas me confiaram esse lugar da sensibilidade do meu olhar, né.
Então acho que o que valida esse meu trabalho é entender que eu posso fazer com meus, né? Claro que se vier remuneração dessas plataformas, a gente tem estudado alguns mecanismos para entender isso, mas que eu não quero que a gente se rivanize por conta disso, sabe?
Eu tenho estudado YouTube há uns 5, 6 anos, mas mais para esse lugar de tipo, eu entendi que o YouTube pode ser uma renda passiva. Então, por exemplo, o canal aqui que tá o podcast é um canal de fotografia porque eu sou fotógrafo. Então lá Ah, eu falo sobre fotografia, mas eu tenho uma mente tão aberta assim, tipo, eu não vejo o outro cara que fala como concorrente, sabe? E tento trazer da forma mais autêntica possível. Eu gravo aqui na sala, gravo ali naquela mesa, sem muito, sabe assim?
E no intuito de ajudar. E tem sido um puta desafio muito louco assim. Mas tenho que concordar com você que às vezes com esse lance de monetização, às vezes a cabeça dá uma bugada assim.
É porque você se sente menos competente do que o outro que tá ali. Se você faz esse mesmo trabalho no sarau, você vai ser ovacionado, né? Então a gente tem que entender a compreensão dos valores, porque eu não vejo essa galera que tá aí nas redes sociais ostentando que ganhou perfume da Prada ostentando que ganhou 5 cestas básicas para sua quebrada, sabe? Eu não vejo a galera ostentando que ganhou uma caixa de água para ajudar o sarau da Ponte para cá, o sarau da Progresso, ou enfim, uma associação X.
É, então a gente tá invertendo os valores, entendendo que o auge de estar ali nas redes sociais é ter conquistado essas grandes marcas que estão usando você como uma massa de manobra, né? Total. E enquanto a gente não tá aqui, ó, vou usar meia, vai aquecer meu pé, meia quentinha, né, produzida aqui, eu posso conversar com a dona, posso trocar essa ideia, enfim. Então a gente tem que entender essas tecnologias, utilizar dessas tecnologias, mas a nosso favor, compreender o que é de fato que marombo e se reaquilombar, né?
O Racionais fala: está perdido, volta para base. E eu vejo aí um monte de influencer que tá precisando voltar.
Me fala o que você tá fazendo agora, o que você vai fazer.
Massa! A gente tem alguns projetos em andamento. A gente tem estado aqui na Avenida Morumbi junto com o Stur, né, fazendo aí uma residência. Então são duas empresas coligadas, né? Abençoa, a produtora Abençoada, e o Store, que é um espaço de dança que eu conheço através do Eze, né, que é meu companheiro, que faz esse movimento com artes de danças urbanas. Sim, coloquei ele já aqui no jogo também. Amanhã a gente vai estar junto com Amanda Negracin nesse evento, né, no tendão da Lápiz, Pondo Abençoa Mãe.
Então quem quiser aí adquirir o Top Sem Censura, a gente vai estar levando alguns modelos lá. A gente tá comemorando, né, indo para comemoração de 12 anos do Sarau da Ponte para cá. E aí esses 12 anos vão ser celebrados aí no Campo Limpo, que é o nosso território.
Então me avisa, por favor.
Dia 15 de agosto, né, é assim, dia 15 de agosto na Casa de Cultura do Campo Limpo e dia 27 de setembro, que é aniversário, né, oficial, lá no Espaço Nave. Você deve conhecer, isso, a gente vai fazer lá com essa celebração. Então a gente tá organizando aí as atrações, mas já tá bem recheado aí. Bom, acredito que não, é a primeira vez que eu vou estar residindo esse espaço. Foi através do Maicon também que ele indicou lá para a gente fazer essa parceria, e a gente vai estar residindo lá.
Foi outro lugar que fechou o Mavi. Eu coloquei acho que um quadro meu no evento da Evag, que foi, puta, esqueci o nome do evento agora, são tantos rolês que acontece. E esse lance de audiovisual aí, que lugar que ele tá aí na sua vida? Que você falou que tá filmando, produzindo, isso é tudo para vocês?
É, eu tento, já tem cerca de 5 anos assim que eu faço esse estudo de, eu não falo da fotografia porque eu não uso falar desse lugar, é um lugar muito de uma amante da fotografia, mas eu tenho feito toda a parte de publicidades, né? Então sou muito acionada para fazer produtos. Então sou eu mesma que encapo, edito, tem a direção artística desses projetos todos, né? Então todos os vídeos do Tarô da Ponte para cá tem a minha direção, porque eu sou muito perfeccionista, chata.
Uma vez eu me deparei com um videomaker que ele falou assim, ah, eu sou um fotógrafo. Eu, oi? E eu tava ali começando no audiovisual. E aí eu entendi, agora eu entendo esse lugar que aí falou, o cara que filma é a mesma coisa que fotógrafo, só que o cara que filma é pior ainda, porque é uma parada em movimento com som. Então você é fotógrafa, não é? Fotógrafa tá aqui intitulada a partir de hoje. E aí você faz todo esse corre.
É, aí eu tenho entendido, tem a página Poesia Fotográfica, que aí vocês estudam assim de coisa que eu acho bonito, vou fotografar para não perder.
Mas é muito isso, sim, Poesia Fotográfica.
É, mas é muito nesse lugar de que eu quanto escritora e entendendo todo o histórico quanto mulher negra, quanto a dizimação de documentos nessa negritude, é muito nesse campo assim de fazer registros, de historificar, né? Então são imagens que eu falo que não são imagens para viralizar, são imagens para contar sobre um episódio, aquele bairro, né? Enfim.
Cara, animal, animal! Assim, eu só tenho que agradecer. Você tá trazendo uma enxurrada de cultura, né? Você— eu tenho umas rapidinhas assim que eu sempre faço com a galera. Me fala uma comida.
Ai, cara, peixe!
Uma viagem que você já fez?
Bahia.
Uma que você sonha em fazer?
Moçambique.
É um cantor.
Brian McKnight.
Uma cantora.
Puta que pariu. Erika Badu.
Uma poetisa.
Tula Pilar.
Um sonho.
Conseguir viver com dignidade da literatura, da arte.
Cara, você falou uma parada agora, velho, que eu vi ontem. Tem uma IA que tá comprando livros, digitalizando esses livros e queimando esses livros. E são livros tipo raros, únicos, alguns de exemplares únicos. E isso, e assim, eu vi um, é um news, né? Isso pode, não sei se isso é uma fake news, mas eu já tinha ouvido falar que tinha uma IA, não é a primeira fazendo isso. E isso tá no lugar de ter o poder da informação, sabe assim? Que loucura, né?
Eu acho que a gente já faz isso de alguma maneira, traduzido por esse não pedir a bênção. E aí, quando eu falo isso metaforicamente, é falando sobre não ter essa compreensão de que os baobás que guardam essas memórias estão vivos, que a gente não os aciona, que a gente não convoca eles para protagonismos. Que assim, do que eu tenho estudado e visto, até é sobre podcasts, tem uma idade, né? Então cadê essas senhoras, né? Cadê esses senhores?
Eles estão ociosos por quê? Por que que a gente não aciona mais essas bibliotecas vivas, né? Que é como os africanos entendem esse ancião dentro das suas comunidades. Subomfu Somé tem um livro chamado Espírito da Intimidade, que é um livro que eu descobri há uns 3 anos atrás que ele é valioso. Eu tenho ele lá na minha prateleira, a primeira edição, que vale de R$500. Então pense, né, eu tenho isso guardado em casa, já li ele umas duas vezes, e tem uma galera que nem sabe quem é Subumfu Somé.
Então a gente precisa ter essa compreensão do que que é valorização e fazer isso em vida, né. As IAs estão aí também para uma melhora da humanidade. A gente tem que ter a compreensão desse uso, né. O Gun, ele vem aí com as tecnologias para melhorar o mecanismo da humanidade, mas a gente tem que compreender essa não alienação informação, né, para a gente não se alienar. Porque os baubás, as bibliotecas estão aí, né? O seu vizinho é essa biblioteca, aquela vizinha que me ensina ali fazer o chá com a planta dela que tá no quintal é essa biblioteca. E a gente não encontra isso nas IAs, não tem, né?
Eu, falamos.
Obrigado, obrigado de coração. Tamo junto.
Fala seu Instagram principal aí, que massa.
É @jogatataalves, com TH no primeiro tá, poetiza, que aí vão ter todos arrobas lá das demais empresas. Obrigada, gente, brigadão!
Eu que agradeço. Para você que ficou até agora, um beijo e até o próximo fim de semana!