Batalha Expansão - ESPECIAL BATALHA DA MENTE - Arte NAMESA PODCAST - ep.105
👉🏼Minhas redes:Instagram: https://bit.ly/3JoQUZPSite Fotografia: https://bit.ly/3U7gYgWSite Originários: https://bit.ly/3TWhleg
Brenner Flows
Cora
David Damas
Kali Yuga
Lucidi
- Batalha da MenteTerceira classificatória · Calendário das seletivas · Conexão com a cena do skate (DIY) · Importância do conhecimento e debate no rap · Batalhas de tema vs. batalhas de sangue · Impacto da competitividade na saúde mental
- Cultura Hip Hop e Formação CidadãHip hop como ferramenta de conscientização · Ressignificação de experiências de vida · Combate ao racismo e alienação · A importância da identidade preta · Crítica à estrutura social tradicionalista
- Estrutura e Monetização das Batalhas de RimaDesafios de infraestrutura (som, retorno) · Dependência de doações e patrocinadores · A força do 'faça você mesmo' (DIY) no hip hop · Dificuldade em visualizar a rima como fonte de renda principal · A necessidade de unificação e educação do público
- Educação e Mercado de TrabalhoEscola prepara para a vida ou para o mercado? · Crítica ao sistema educacional como projeto de morte · O diploma como ferramenta de escravização · A importância da liberdade e do conhecimento
- Batalha da Expansão e Organização de EventosEscolha do local e dinâmica social · Desafios técnicos e falta de apoio institucional · Monetização do rap e do corre da batalha · O papel do organizador e desenvolvimento profissional · Legado para futuras gerações de produtores culturais
- Meio Ambiente e SustentabilidadeProblema da reciclagem · Microplásticos e poluição · Desmatamento da Amazônia · Crise hídrica e a importância da água · Ações conscientes vs. destruição
Seja bem-vindo a mais um episódio do seu podcast O Arte na Mesa Diretamente da Batalha da Expansão
Seguindo a série da Batalha da Mente, essa é a terceira classificatória para grande final. Logo mais vocês vão ver aqui já na apresentação, antes das entrevistas, o calendário. Vamos junto. Eu queria deixar aqui um depoimento bem rápido para ficar um contexto, para vocês entenderem o que a gente já vivenciou. Vi muitos jovens se colocando...
diante das câmeras, diante do outro, com palavras, com arte, arte pura. Os jovens fazendo por eles mesmos. Todo corre, né? Infraestrutura, som, premiação. Isso é incrível porque você... Eu consigo fazer um link da cena do skate, que é do DIY, né? Do Faça Você Mesmo. E essa galera tá fazendo, e tá fazendo pesado.
com qualidade, com amor. Então vamos. Vou agradecer a Gnarly que dá apoio pro podcast. Vou deixar o link aqui pra você comprar sua meia. Quero agradecer também a Skate Até Morrer. Provavelmente você tá vendo cena da loja agora. Se você precisa de roupa, truque, shape, rolamento, roda, tênis, tudo do cenário do skate tem lá na Galeria do Rock. São três lojas. Skate Até Morrer. Chega.
Tem o cupom de desconto, arte na mesa 15, só falar para o vendedor, ele vai te dar 15% de desconto em qualquer compra. Chega aqui, essa camiseta você encontra lá, igual outras. Vamos aqui para as entrevistas que a gente está aqui para isso. Batalha da mente, diretamente da batalha da expansão. Bora!
Salve, salve família! Está chegando o terceiro circuito da Batalha da Mente, conectando as batalhas de rima em diferentes territórios das quebradas de São Paulo. As seletivas começam agora, em abril. Dia 20 de abril, Batalha da VJ, Praça da Joaniza. Dia 2 de maio, Batalha do Cocoles, em Budazate. Dia 5 de maio, Batalha da Expansão, Praça da Bíblia, Estação Vila Mariana. Dia 10 de maio, Batalha da Groove, Jardim Aracati. Em cada etapa, o campeão e o vizinho...
vice-campeão, classificam para disputa para a terceira grande final da Batalha da Mente. E a terceira grande final da Batalha da Mente já tem data marcada. Dia 30 de maio, Casa de Cultura Hip Hop Sul. Batalha da Mente é conhecimento, criatividade e respeito, fortalecendo a cultura hip hop nos territórios. Produção é o choque, produções. Apoio, Agência Solano Trindade, Rádio Mixtura, Bocada Forte, Editora Dandara.
Parceiros na literatura, parceria ação educativa Batalha da mente, a quebrada pensa, rima e transforma
Conhecimento! Eu sou a Cora, tenho 19 anos, vim lá de Santa Catarina, de Floripa. Sou nascida aqui em São Paulo, mas criada 100% lá. 100%. Por que você cola na Batalha? Cara, eu conheci o movimento através de uma amiga chamada Mirella, o vulgo dela é fada. Ela que pegou e me trouxe para o vão da Batalha, não só como MC, mas também como plateia.
Isso foi há uns três anos, quando eu tinha uns 17, assim. Acho que foi quando eu comecei a colar em slam, que eu comecei a divulgar as rimas e competir também, não seguir, mas é um lugar que eu gosto muito de pegar e adequar. O movimento cultural é casa, é lar. Independente de onde você está, você se sente apolhido. O que você achou da Batalha da Mente ter trazido um sistema diferenciado com temas?
Cara, eu sou 100% fã do...
do tema de conhecimento, do estilo de batalha de conhecimento. Eu gosto muito de sangue, pá, mas se a gente pegar o que veio, o rap, o que é o rap, o rap é debate, o rap é construção, o rap é você pegar e entrar sobre um afundo e demonstrar a sua ideia, porque quem vai defender essa ideia é você e quem pensa como você. E como que as galeras vão pensar e vão descobrir que você pensa assim? É debate, é construção, é troca de informação, por exemplo.
A música do Racionais é 100% troca de informação. Todo mundo escuta troca de informação, mas todo mundo só quer debater sobre ódio. É uma forma banalizada essa coisa. Então, por hoje, eu particularmente vi no Flyer que ia ser conhecimento, fiquei, porra, é lá que eu vou, é lá que eu quero ver, é lá que eu quero inspirar, porque os temas que são lançados não é tipo, ah, de certo sobre a estrela.
Nada a ver, mas você pegar e falar sobre uma construção social, que é o que está acontecendo nesse mundo, que é o que a gente está lutando para demolir, é totalmente... ...experitório. É incrível. É simplesmente você reconhecer que o que você está fazendo, a sua troca de informação está sendo reconhecida. Obrigado.
É gol, como aí? E mais de três, dois, um. Não abaixa não, porque o grito dos inocentes é alto. O ato que eles pegam nos tem sabotado. Entendeu, cuzão? Eu continuo no BPM. Pente aos que estão frente aos PM, mas que nunca treme. Porque desigualdade não me fez um homem fraco. Me fez ter conhecimento lírico e também tático.
Você percebeu que eu vou confessar? Sistema tirou minhas armas, mas aprende a me armar de conhecimento Isso é plano do Estado, deixar a gente burro e semi-alfabetizado Semi-esterilizado, por isso que eu falo a nata Estado gosta mesmo de classe alta e de casta Mas eu não gosto de nata disso, portanto uiva Eu encontro o cacho e arranco as uvas Por isso que eu pego a minha matilha Se você tá escutando o grito da família, então uiva
Eu pedi pra você começar falando seu nome, sua idade e de onde você é. Cara, meu nome é Kali Yuga, né? Eu vulgo. Eu tenho 23 anos, eu sou da região do Campo Limpo, ali próximo ao Capão Redondo. E nasci no Taboão da Serra, mas desde os meus 8, 9 anos que eu tô na região do Campo Limpo, mano. É, safou, né?
Falando de estrutura social, como que a sua participação na batalha influenciou a sua formação como cidadão? De que maneira suas rimas refletem os problemas e as vitórias da sua comunidade? Porra, de toda forma, de toda forma. O hip hop chegou na minha vida no momento em que eu estava...
com o emocional muito abalado, sabe? E ele foi um divisor de águas no sentido de que ele trouxe sentido pra uma vivência que eu não conseguia mais sustentar, sabe? Ele me trouxe força, ele demoliu a estrutura de visão de mundo que eu tinha anteriormente e recriou uma nova, me fazendo adquirir o que eu considero que são habilidades, como você ressignificar os motivos pra você continuar, porque...
Não é fácil estar aqui, sabe? Então, as questões de sempre, mas que pra cada um tem um peso, como ir ou voltar pra Batalha com Fome, sem perspectiva do amanhã, enxergar pessoas do seu meio, talvez íntimo, ou talvez pessoas que estiveram com você em momentos ali de intimidade, talvez pessoas de escola, etc. Você vê essas pessoas conquistando coisas que, segundo a visão estrutural tradicionalista, são...
grandes conquistas, como faculdade, adquirir bens materiais de grande utilidade, como um carro, ou então você entrar num financiamento que vai levar anos pra você pagar, mas que a sociedade ainda endelsa. E mesmo você entendendo que essas coisas não te fariam feliz, você ainda sente, caralho...
se eu tivesse nesse caminho eu estaria me enquadrando, tá ligado? E talvez, sei lá, isso tenha... Não sei, talvez por tantas gerações a gente fazer isso, isso acaba confortando a gente de alguma forma, mas quando você encontra alguma coisa que dá sentido pra sua existência, é uma coisa que não dá pra explicar, é algo que transcende, é uma coisa que não tem forma, não tem...
É simplesmente algo que você sente e que a todo momento você exala e que a todo momento em que a sua mente racional, por meio da comparação, te faz querer abandonar, você sente aquilo que não tem forma e que a mente racional não consegue explicar e isso te faz passar por todo um processo de ressignificar, de lembrar que mesmo nos momentos que tenha doído, aquilo ainda fazia sentido.
pra você. E a forma como isso afeta as minhas rimas são em todas. Eu me considero um MC muito visceral. Eu encarno aquilo que eu tô falando. E é uma coisa muito inconsciente. Quando uma pessoa fala uma coisa pra mim, isso serve de gatilho pra eu não só visualizar na minha cabeça todo um cenário do que poderia se...
Do que ele tá falando e desse cenário, o meu trabalho é ser o canal, ser o intérprete, sabe? Tipo, desse cenário que ele tá me fazendo visualizar, eu consigo extrair coisas, sabe? Não dá pra explicar direito, mas eu consigo extrair coisas, sabe? Às vezes não necessariamente sai uma resposta que responda a ele no sentido semântico, etc. No sentido lógico, mas foi algo que fez sentido pra mim e eu gritei aquilo na hora. E eu interpreto isso muito como...
o que o rap fez comigo, ele chegou me fez visualizar uma coisa que não necessariamente alguém julgaria como certo ou como válido pra escolher como caminho de vida e mesmo assim eu escolhi, é a mesma coisa que eu faço na batalha alguém me dá uma informação que eu tô ali no verso de resposta, por exemplo alguém me dá uma informação, eu visualizo uma coisa e eu falo, sem pensar se isso vai ser efetivo pra batalha, se isso vai ser bom pro jogo, eu simplesmente faço isso traz malefícios no sentido competitivo, mas
ainda é o que faz sentido para mim, então é o que me dá vontade de continuar. Legal. A gente vai falar de estrutura, mas antes eu quero te perguntar o que você achou da Batalha da Mente trazer temas que são temas importantes para a sociedade? Como que foi para você batalhar em cima desses temas e o que você acha dessa proposta? Batalha de tema é uma coisa que eu sempre tive interesse. Eu sempre admirei batalhas como Santa Cruz, que fazem batalha de tema também.
E, cara, eu acho essencial num ponto de que é uma proposta completamente diferente, então ela é desafiadora no sentido performático, porque você necessariamente precisa se adequar à proposta da batalha que você está, se propondo a fazer parte, então a partir do momento que a batalha tem um formato pré-estabelecido e você está colocando seu nome ali, você também está concordando em fazer aquilo que a batalha propõe.
O que também não só é desafiador no sentido de performance e competitividade, mas também é desafiador pra você porque ele expande as suas fronteiras, os seus limites e você consegue identificar o que você acertou e o que você errou. Eu, por exemplo, consigo... Claro, não todos, mas eu consigo...
pelo menos lembrar um pouco quais foram os meus erros, o que eu identifiquei como erro e como acerto durante todas as batalhas do meu chaveamento até a final. E isso é uma coisa que lapida muito o MC, porque você, no cotidiano das batalhas de sangue, você fica tão preso a um determinado nicho, a um determinado arquétipo de ataque, resposta ou forma de desenvolvimento.
que você acaba não pescando os erros que mesmo dentro do arquétipo que você constantemente usa, você está cometendo. E a batalha de tema faz você... Não só a batalha de tema, mas qualquer outro formato faz você enxergar isso. Mas a batalha de tema, especialmente, ela traz uma coisa diferente, porque a ausência da necessidade de atacar o oponente...
ela é uma coisa que entra na sua mente e você simplesmente não sabe muito como proceder. Porque você sempre, na batalha de sangue, na maioria das vezes, você sempre inicia algo para chegar em algum lugar. No desenvolvimento, você também inicia algo, você quer chegar em algum lugar, mas você não necessariamente precisa fazer ataques durante o processo. É como se fosse uma sequência de argumentos ou um único argumento muito bem construído, parecendo, sei lá, uma... E aí
peça teatral, sabe? Onde o intuito é realmente o desenvolvimento. E as pessoas poderem absorver isso, não só você... É algo que faz bem pros dois, é as pessoas conseguirem se conscientizar através dos seus versos, da sua visão de mundo e você conseguir se desafiar. Então, se todo mundo falasse do mesmo tema da mesma forma, não teria graça, né? Cada um consegue filtrar o tema pra sua visão de mundo e eu acho que isso é o mais interessante, porque traz identidade pra cada freestyle feito dentro do tema.
A próxima pergunta é de estrutura. Você frequenta outras batalhas ou só essa? Eu frequento outras batalhas. Beleza. Como que você avalia a estrutura atual das batalhas em comparação ao que você precisa para entregar a sua melhor performance artística? Exemplo, acústica, retorno de som, essas coisas.
Eu acredito que, num âmbito geral, todas as batalhas precisam de mais estrutura. Todas. Seria ótimo se elas conseguissem fazer isso, sabe? De maneira orgânica, mas, infelizmente, a gente ainda vive num cenário onde a batalha de rima ainda não é valorizada, ainda não se paga. Então, infelizmente, muitas batalhas acabam tendo que depender de doações ou então de um patrocinador externo. Enquanto isso não ocorre, as batalhas ficam muito reféns daquilo que elas têm. A grande dádiva do hip-hop.
como o meu mano afrorraga da escola do Flo sempre fala, é conseguir fazer coisas gigantescas com pouco recurso. Isso tanto na música, tanto na estrutura das batalhas, quanto em eventos de hip hop organizados de maneira orgânica, como, por exemplo, a família de rua que está há anos na estrada, inclusive o Máximo Respeito.
E eu concordo completamente com essa fala. Acredito que a grande dádiva, a grande magia, a grande força do hip hop no geral é conseguir fazer coisas monumentais, iniciando isso com pouco recurso. E, sei lá, simplesmente a força de vontade das pessoas de continuar e de não desistir é o que parece que vai alimentando isso.
E no final isso se torna algo magnífico. E a forma, e o que falta, é que eu acho que todas as minhas questões são muito pessoais. Não tem como chegar uma pessoa na batalha e conseguir, eu pelo menos ainda não vivi um momento assim, que uma pessoa chegue na batalha e consiga fazer algo que me mude no sentido emocional. Porque é todo um processo, leva tempo. Eu acredito que é um processo muito mais individual essa questão de trabalhar o meu emocional. Porque são diversas questões que eu vivi até aqui.
E eu acredito que o que as batalhas precisam pra melhorar no geral seria uma unificação, no sentido de educar as pessoas que colam no movimento. Porque as pessoas que colam no movimento, elas parecem que, mesmo elas indo pra um lugar onde a mente aberta é prezada, elas ainda permanecem com a mente fechada. Como, por exemplo, público de batalha grande, que eles literalmente tratam aquilo como um rolê, eles, sabe, parece que não respeitam aquilo que tá acontecendo. Parece que eles...
Por não conhecerem a importância histórica daquilo, eles acabam banalizando. Eu acredito que se as pessoas realmente estivessem dispostas a serem reeducadas pelo ambiente que elas estão frequentando, elas se tornariam pessoas melhores, com uma visão de mundo mais aprofundada, porque o hip hop tem muitas camadas e cada uma delas te ensina sobre uma coisa, não é só sobre performance no âmbito das batalhas. Eu acredito que todas as pessoas que eu conheci nas batalhas até hoje me ensinaram mais sobre vida do que necessariamente sobre performance.
Isso que é a magia. Porque ao mesmo tempo que você pode desenvolver sua identidade, pessoas dentro ou fora da batalha podem te ajudar a se desenvolver como pessoa. Seja um organizador, um amigo que você faz lá dentro, um MC que você admira, que você pode chegar ali e tocar na mão do cara. Enxergar o cara ali de igual, que ele pode ser a mesma fita que você, te dar um conselho que te ajude. E eu acho que isso é o mais importante.
São pessoas que se permitiram ter a cabeça aberta e moldada pelos conceitos do hip hop. E a visão de mundo delas mudou. E eu acredito que as pessoas precisam se permitir serem reeducadas dentro do movimento.
Legal. Como que você equilibra o corre da batalha com a necessidade de monetizar a sua arte? Você já consegue ver a rima como sua principal fonte de renda ou ela serve como uma vitrine para outros projetos?
Ainda é difícil visualizar, ainda é difícil visualizar, mas ainda por conta também de questões pessoais, de vários momentos você olhar, duvidar que você pode conseguir, mas eu acredito que possa ser sim a cena, pelo menos em comparação com anos atrás, ou o que era 10, 15 anos atrás, ela está passando por um momento...
muito bom, pelo menos do ponto de vista midiático, sabe? Onde muitas batalhas conseguem ter números grandes, onde muitos MCs conseguem ter uma ascensão, e isso é muito bom, sabe? Isso é de se admirar e ficar feliz por todos eles. Mas eu também acredito que...
é difícil você olhar pra isso e ainda se... É difícil você olhar e ter uma visão, ok, vou conseguir me manter estável nisso, só no freestyle. É possível sim, ok? Mas são coisas que como estão fora do seu controle, e que mesmo você apresentando a melhor performance que você pode naquele momento, ainda não estão no seu controle se vão acontecer ou não, então é difícil você enxergar isso como algo que vai te trazer uma estabilidade ali.
Retorno financeiro até pode acontecer, talvez uma grande premiação, talvez alguma coisa, mas uma estabilidade ali pra você se desenvolver financeiramente ainda é difícil visualizar, pelo menos assim, no meu caso. Mas torço muito grandemente pra que a cena caminhe o mais breve possível pra que mais MCs consigam visualizar isso.
[trecho inaudível]
já tenho vontade de fazer, ainda não surgiu a oportunidade, e por conta de outras questões pessoais eu ainda não tive como me preparar para fazer essa oportunidade acontecer também. Mas visualizo, visualizo sim, e quero que aconteça, quero sim. Acredito que cada degrau que a gente caminha é uma lição aprendida, e eu quero aprender mais e mais lições, superar mais e mais coisas que eu ainda tenho que superar até chegar nesse patamar. Tem coisas que eu não gostaria de...
estar sentindo quando eu fosse gravar uma coisa que vai ficar registrada pra sempre no meu nome, sabe? Eu não gostaria de estar me sentindo mal ou não merecedor ou qualquer outra coisa, qualquer pensamento de auto-sabotagem, sabe? Cara, pra finalizar, como que você lida com a pressão competitiva e qual o impacto disso na sua saúde mental e a sua longevidade na cena? Isso é uma coisa que afeta muitas pessoas, é um pensamento que eu tenho.
Não sei se de maneira tão constante, mas é um pensamento que a gente tem de forma recorrente. Pelo menos eu não consigo dizer pra você um mês assim que se passou onde isso não tenha se passado pela minha cabeça. E sempre me ocorre o seguinte, que a competitividade da cena é uma coisa que...
Isso em qualquer lugar, eu acredito que não só dentro do cenário de batalhas, mas eu acredito que a competitividade, a exigência de performance, ela vai necessariamente matar algumas personalidades. Seja antes delas começarem, por medo da rejeição, seja durante o processo de desenvolvimento dessas identidades, por não estarem se encontrando na cena, ou de personalidades já estabelecidas, mas que saturaram dessa competitividade.
Eu vejo MCs que têm muita personalidade, tanto no freestyle quanto como pessoa, tendo que se enquadrar em... Tipo, não necessariamente propostas. Porque, como eu falei, se você está saindo de casa para participar de uma batalha de sangue e você constantemente vai para batalhas de sangue, tudo bem, a sua escolha é estar ali se propondo a participar disso. Mas eu vejo no cenário geral, mais amplo. Eu vejo o público de internet massacrando MCs através de comentários. Eu vejo MCs sendo ridicularizados na rua. E isso são coisas que...
a pessoa pode não se importar no primeiro momento, mas que necessariamente vai se acumulando dentro dela, a não ser que ela tenha realmente uma válvula de escape muito boa pra transmutar isso em ou algo bom, ou simplesmente ter a capacidade de espelir isso pra fora, pra que isso não seja nutrido dentro dela.
Eu acredito que o que faz a gente desenvolver essa habilidade é a reflexão. É você realmente aceitar que as coisas aconteceram, que você não pode mudar como elas aconteceram, e que o que te resta é aceitar aquilo, entendeu? Mas sim, a competitividade da cena mata muitos talentos, na minha visão. Os que persistem têm que se enquadrar dentro dessa competitividade, e ela existe de diversas formas, através de competições grandes que se resumem a...
arquétipos repetitivos, como a gente chama de rima de carterada, etc. Ou rima de autoafirmação, etc. O ouvido do público, que não é educado o suficiente para entender quando o MC faz uma coisa diferente e quando o MC tenta uma coisa diferente, consequentemente não é valorizado em gritos, porque não que a plateia não gostou, é que ela não entendeu para então avaliar e gostar ou não, e decidir se gostou ou não, e gritar ou não.
o processo da absorção daquilo que é diferente, parece que o público não faz porque o ouvido deles ainda não é educado, porque eles estão acostumados com um determinado tipo de rima, determinado tipo de métrica, e enquanto os MCs continuarem não tendo coragem de quebrar esse ciclo, eles vão continuar entregando a mesma coisa para o público, e o público vai continuar gritando para a mesma coisa, sem valorizar o novo. Então, eu acredito que deva ser tipo...
90% responsa dos MCs e 10% responsa do público, sabe? Porque o público, quem entrega a arte pro público é o MC. Então se os MCs estão sempre entregando a mesma coisa, o público sempre vai esperar a mesma coisa. Então é uma consequência. E um ciclo também. Mano, obrigado. Valeu.
Então vamos mandar vibe! Uou! Uou! Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah! Existem várias aves, elas são fascistas ou imperialistas, mas o Berni Akima tá sorrindo. Favela poderia já ser urvo, mas como se eles têm ódio de americanos e latinos? Por isso que como a gente ainda vai latir, falou só de potência, então já pode par! A favela não foi a potência abandonada, é a única potência que tem capacidade a mudar. Tudo é por isso que eu tô aqui, e olha que eu tô...
Pobre e filho do dono Por isso que eles tão privatizando o céu Já que a favela é o próprio trono Tão tentando pisar na gente Eu sou culpado ou sou inocente Pra que eu tô servindo para o sistema? Não tô aqui pra ser mestre, eles me querem o rosto ervente Mas eu não sou serpente A minha mudança, ela é referente A revolução, ela precisa atitude Porém o que conduz o carro é se seu ato é consciente Uou!
Só vem para a Alanis aí, o amor da minha vida, tá ligado? Vou começar pedindo para você falar seu nome, sua idade e de onde você vem. Meu nome é Felipe Brenner, tenho um vulgo artístico, carrego como Brenner Flows, como a rapaziada das Batalhas Conhece, jornal da DMC, tenho 26 anos, sou morador da Zona Leste, tá ligado? Arturo Alvim, pai aqui do Carmo, tamo aí.
Hoje a gente participou de uma batalha de tema, né? Aham. O que você achou da proposta da Batalha da Mente, trazer essa proposta de temas? Você já batalhou assim e como foi pra você? Resgate, mano. Quando eu comecei a batalha de rima, quando eu conheci na internet, eu achava, né? A gente...
pelo fato de ser entretenimento, era uma parada muito avulsa, eu tinha muito equívoco sobre o que era o movimento, tá ligado? E aí a segunda batalha de rima que eu consegui na minha vida era de tema, só que muito mais só do que tema era um projeto político, mano, tipo assim, de conscientização da rapaziada. E aí eu sinto que foi através disso que uma semente foi plantada na minha cabeça, que eu precisava...
trazer pra minha vida. Eu era uma pessoa muito alienada, muito desconectada da realidade e o hip hop trouxe esse resgate. Sobre a batalha de tema, é o que deveria ser padrão, mano. Não que eu não tenha problema de batalha de sangue, eu gosto de batalha de sangue, mas eu vejo que a banalização que acontece hoje no movimento é por conta da ausência de movimentos de batalha de tema. Tá ligado? Então, pra mim foi resgate essencial.
Como que a sua participação na batalha influenciou sua formação como cidadão e de que maneira suas rimas refletem os problemas e as vitórias da sua comunidade? Mano, faz a pergunta de novo.
Como que a sua participação na batalha influenciou a sua formação como cidadão e como que a maneira de suas rimas refletem os problemas e as vitórias da sua comunidade? Pode crer. Mano, o hip hop pra mim foi um projeto de conscientização, acima de tudo racial, tá ligado? Tipo, apesar de ser um moleque preto, eu tive acesso... Mano, eu nasci no meio da classe média, tá ligado?
Só que qual é o ponto, mano? Eu era o único moleque preto da minha área e isso acabou afetando, trazendo problemas sociais que a gente não sabia dar nome, tá ligado? Eu era tratado de forma diferente, eu era visto da forma diferente, eu me via de uma forma diferente.
E isso tinha muito a ver sobre o ambiente que eu fui, tipo assim, que eu cresci, né, mano? Eu cresci numa casa onde minha mãe falava que meu cabelo era feio, então eu tinha que raspar, onde eu era muito estranho, que eu não podia agir de tal forma porque as pessoas iam me olhar diferente, tá ligado? E eu percebia que as regras sociais que eu tava ali no meio, que eram aplicadas pros outros, não eram aplicadas pra mim, tá ligado?
Eu via que qualquer coisa que eu fazia, e por mais que eu seja uma criança mais educada, mano, naquele meio, eu era sempre uma criança olhada de forma diferente, tá ligado?
E aí, eu nunca sabia dar, eu sentia sempre o racismo, tipo assim, na minha vida, mas eu não sabia dar nomear para aquilo, dar nome para aquilo, tá ligado? E eu cresci sem nenhuma referência preta. E aí, quando eu acabo caindo na bolha de batalha de rima, eu descobri, eu consegui dar significado para todas as experiências de vida que eu passei, tá ligado? E via que aquilo não se tratava sobre mim.
Era só um sintoma de uma sociedade muito problemática, tá ligado? E aí, através do hip hop, eu soube dar conhecimento. Foi onde trouxe a minha conscientização como agente, como conscientização política e fez olhar pra... e ressignificar tudo o que tinha na minha vida, tá ligado? Ao mesmo tempo, eu vejo que eu era...
uma pessoa privilegiada e acabar valorizando mais as coisas que eu tinha, tá ligado? E entender que esses privilégios, na verdade, não era que eu era privilégio, né? Eu só tinha direitos humanos que as grandes outras pessoas não têm.
E aí eu individualizava tudo, né? A gente acha que... Eu cresci numa mentalidade de casa que... A gente acha que existe a mentalidade rica e a minha mentalidade pobre. E as coisas não são assim, tá ligado? Eu conheci um aquário e aí o hip hop me apresentou um oceano inteiro de como que as coisas funcionam, resumidamente.
Como que você avalia a estrutura das batalhas para você entregar o que você precisa entregar? Tipo, som, retorno, essas coisas. Mano, eu acho que é uma coisa que potencializa, tá ligado? Mas da mesma forma que você pode colocar melhor gasolina, você pode colocar o melhor equipamento no carro. Se ele não tem roda para andar, isso não adianta de nada. Eu acho que é bom, é importante essa estrutura, mas acho que existem coisas...
Acho que desde a organização, aos MCs, a plateia é que precisa mudar. Porque antes da gente querer estar lá, a gente precisa ter algo para mostrar. E ainda sinto que as batalhas de rima deu essa degradativa em muitas paradas que precisam ser corrigidas. Então, antes de vir a estrutura, antes de vir o palácio, antes de vir a pintura, a gente precisa primeiro fortalecer a arquitetura e reconhecer quem são os engenheiros sociais que estão construindo isso. Tá ligado? Animal.
Como que você equilibra o Corre da Batalha com a necessidade de monetizar a sua arte? Você já consegue ver a rima como sua principal fonte de renda ou ela serve como vitrine para outros projetos? Mano, eu já sonhei em ser um atleta de freestyle, tá ligado? Um atleta de batalha. Mas hoje eu entendo que a Batalha de Rima não é um palco. É só uma plateia. Das várias plateias que você pode conseguir. E que nem todo mundo vai estar na Batalha de Rima.
Eu tenho um propósito de mensagem, eu vejo que as batalhas de rima, sim, são uma potência muito grande, mas a gente precisa entender que essa cultura, mano, não é um produto para a gente consumir e só ficar... Não é um produto que a gente consome, mano, é um espaço que a gente contribui. Então, se você pensa em ficar nas batalhas, colocar as batalhas na sua vida, coloque.
Mas antes de você pensar na key, seu coração precisa estar aqui, tá ligado? Porque a gente perde muito, mas a gente... Nem que a gente perde, mano, é que você sacrifica muita coisa. Eu acho que o sucesso não tem a ver sobre os lugares que você vai alcançar. É o que você está disposto a abrir mão. Maravilha. Meio que já encerrando, você falou que gravou um EP, né? E o jornal do MC, né? Qual que é a dificuldade pra fazer esse corre?
Mano, pra começar, eu trampo de escala 6x1, segunda a sábado. Aí o pouco tempo que eu tenho, que é a noite, eu preciso dividir esse tempo em divisão de edição de vídeo, registro de vídeo, ir pra batalha, rimar, e aí quando... Mano...
É escasso, mano. Porque quando eu não tô no trampo, ou eu tô editando. Quando eu não tô editando, ou eu tô batalhando. Quando eu não tô batalhando, ou eu tô treinando. Quando eu não tô treinando, eu também preciso estudar. Eu estudo muito, mano. Estudo muito. E aí eu perco tempo com a família e com as pessoas importantes que eu tenho na minha vida, tá ligado? Hip Hop não é só um veículo de vida, é o meu projeto de vida. Mas é isso, mano.
Eu sou muito grato só por estar vivendo isso, tá ligado? Eu poderia estar trancado numa faculdade, frustrado.
Só atuando pra conseguir um diploma. Mas graças a Deus eu estou em oportunidade de viver. Não é sobre ter. O hip hop é sobre ser. Então, sou grato por ser. Mano, falamos. Obrigado. Tamo junto? Atenção, tema! Pode ou não ser o último round. Então dê o máximo de atenção e o máximo de vibe, certo?
Educação! Escola prepara pra vida ou só pro mercado? Escola prepara pra vida ou só pro mercado? Kalilga no ataque... não, Brenner no ataque, Kalilga na resposta. Geralco, a mão pro alto!
Cadê aquela vibe, família? Rata, mata, mata!
Eu não sei garoto o que eu podia ter Já que a escola sempre obrigou o que eu não podia ser Não podia me render pro CLT Nessa questão, quero liberdade Consequentemente a corrente vai ser usada como ocitação Garoto, tô pra pegar visão Isso daqui é narrativa, ponto de vista, não ficção Então cadernação É por isso que eu vou te falar Porque a escola é um projeto de morte Ele tá aqui só pra entregar o diploma que pode escravizar
Mestrão, vou pedir para você começar falando o seu nome, sua idade e de onde você é. Satisfação, eu sou o Lucidi, tenho 24 anos e eu sou criado da Azez, mas agora eu estou morando na Zéle com a minha mulher. Legal. O que você achou da proposta da Batalha da Mente trazer temas que são necessários para a sociedade?
E como que você achou que fluiu a batalha hoje, por ter esses temas? Mano, eu acho engraçado como a batalha de tema não está muito no nosso cotidiano. Então, muitas vezes a galera não sabe que tem que puxar conhecimento ao invés de sangue. E, às vezes, pode acontecer de uma pessoa atacar a outra ou não. Mas eu acho que foi muito bem, conseguiu fluir da hora. E, porra, falar sobre o DS é uma brisa que, tipo, a gente não vê tanto acesso, não vê tanto...
oportunidade de trocar ideia sobre isso, sendo que é um objetivo nosso global até 2050. Então achei que foi muito bom, fundamental e satisfação ter fechado com vocês.
Como que vocês escolheram o local aqui para realizar a batalha aqui? E como que vocês entendem que a dinâmica social e de segurança desse local altera no dia que está acontecendo a batalha? Quando a gente estava fazendo a batalha no Campo Belo, por conta de acesso, estava muito dificultoso para MCs que eram de extremos. Então a gente decidiu vir para a Praça da Bíblia, porque aqui consegue sair tanto de Santa Cruz, quanto Vila Mariana, quanto da Ana Rosa. Os três têm tempo diferente, Vila Mariana é mais perto.
mas tem um acesso. Quanto à segurança, é aquilo que a gente fala, tá ligado? Gosta de usar o que quer que seja, pode usar, mas se destaca porque infelizmente a gente está na mão de um policial bom ou ruim. E como a nossa cultura é marginalizada, a segurança a gente tenta garantir o máximo, mas infelizmente se chegar alguém mal intencionado não tem como. A gente só realmente reduz os danos. Quais são os maiores desafios técnicos para manter a regularidade do evento?
Som, iluminação? Como que a falta de apoio institucional afeta a qualidade da experiência?
Mano, desde que eu comecei a organizar a batalha, eu entendi que pra monetizar o rap você tem que ser muita exceção e não necessariamente o seu esforço consegue te trazer isso, tá ligado? Então todo o corre da batalha tem que ser valorizado, desde quem chama pra sorteio, desde quem puxa confirmado, a galera que tá fazendo a vibe na plateia, a caixinha de som, é tudo fundamental e é como se fosse uma orquestra. Se faltar um instrumento, realmente falta o movimento inteiro, tá ligado?
Legal. De onde que vem a grana pra fazer tudo acontecer? Isso é louco, mano. Agora que eu vou ser pai, vem de pai e trocínio, tá ligado? É tudo nosso. A gente já conseguiu parceria contra as batalhas, que nem vocês que estão fortalecendo agora, tá ligado? Mas é aquilo, mano. Como a cultura é muito marginalizada, tem que trampar no 5x2, no 6x1, no meu caso, no 7x7, pra conseguir trazer aquela monetização que a gente não tem.
Você trabalha com o quê? E me conta, como que o papel de organizador mudou a sua visão sobre gestão de eventos e quais competências profissionais você desenvolveu que hoje aplica em outras áreas da sua vida? Caralho, é uma pergunta muito boa, mano. Eu comecei a organizar batalha também pra conseguir melhorar minha dicção e minha projeção vocal, porque eu sou tímido por natureza, né? E hoje eu trampo como marketing, como captação, como edição, como tudo que envolve a mídia social, né? Por causa das batalhas.
E também por conta da batalha, isso me intensificou muito mais o conhecimento que eu precisava saber sobre tendência, sobre o que está rolando. Então assim, mano, a batalha me agregou muito, tanto para eu entender como pessoa, como vulgo e como profissional. Legal, para finalizar...
Qual o maior legado que a sua organização pretende deixar para as próximas gerações de produtores culturais da região? Você é louco, mano. Acima de tudo que o rap é resistência, tá ligado? Se você saber o certo que tá rolando, independente de qualquer coisa, mano, sempre siga o certo pelo certo, faz o que você acha que é bom. E lembra que a cultura existe se tiver um de pé. Então, enquanto a gente tá de pé, a gente vai puxar mais pra que esteja com a gente.
Obrigado. Até mais. Até mais.
É como se fosse o que conserve Eles querem a gente num super emprego Trabalhando em uma bomboniere Mas eu quero uma bomba de gás Somada a uma bomba de gasolina Pra ser capaz de ser conhecimento Capaz de gerar luz como uma turba Terceiro! Terceiro! Terceiro! Mestrum
Obrigado, parabéns pela batalha aí. Vou pedir para você começar falando o seu nome, de onde você é e sua idade. Mano, meu nome é David Damas, eu sou aqui de São Paulo, eu nasci lá na Zona Oeste, mas agora eu já moro há nove anos na Zona Sul. Eu tenho 18 anos, eu conheci o hip hop de uma forma bem...
Bem do nada mesmo, porque eu estava voltando da escola. E aí meu amigo falou, nossa, está acontecendo uma batalha lá perto da sua casa, que eu moro, tipo, acima do Campo Belo. E eu desci e conheci a Batalha da Expansão, tipo, quando era lá para umas...
sei lá, a quarta edição. E desde então eu tô, tipo, vindo em todas as batalhas, conheci mais, fui pra outras batalhas, gostei muito. E é uma coisa que agora eu fui chamado pra participar da organização, da expansão. Eu aceitei, vai fazer, acho que um mês ou um mês e meio.
que eu entrei para a organização e eu estou gostando muito. É uma coisa que querendo ou não me dá mais oportunidades para conhecer novas pessoas, conhecer novas perspectivas, tirar boas ideias das rimas. E eu também tenho uma vontade de ser MC, então eu estou treinando bastante, estou rimando bastante, mas ainda não reuni coragem para colocar meu nome na chave, mas algum dia, quem sabe. Hoje rolou uma seletiva da Batalha da Mente.
que trouxe um propósito diferente, que são os temas. O que você achou de como foram as batalhas, o que você achou do desenvolvimento e da importância de trazer esses temas?
Cara, então, tema é uma coisa muito... Eu sou meio suspeito pra falar porque eu gosto muito. Mano, tema é o assunto mais gostoso de você, principalmente quando você tá aprendendo e principalmente quando você já é experiente de rimar com outra pessoa, tá ligado? Esse negócio de sangue, tipo, vai matar, vai morrer...
É da hora, eu gosto muito, mas tipo, quando eu tenho um tema, quando eu tenho uma pauta que você consegue, tipo, conversar sobre, discutir sobre, e tipo, trocar uma ideia da hora sobre aquilo, sem precisar necessariamente estar um atacando o outro, eu acho que isso é tipo, querendo ou não, revolucionário, porque... E também uma coisa, tipo, do passado também, porque antigamente também tinha com Batalha de Tema, tipo, quando você vai ver o Emicida, o... Não, Emicida não, o... Como é que é o nome do cara lá, mano?
Eu esqueci o nome do cara, mas tudo bem. Mas, enfim, os temas são, tipo...
Uma coisa absurda, porque, querendo ou não, quem tá de fora, quem tá vendo a batalha passando e vai ouvir, às vezes quando a pessoa vê um bate e volta, que é um pouco mais agressivo, que é tipo, nossa, que isso? Mas quando é um tema, você consegue literalmente trazer conhecimento pras pessoas de fora, pras pessoas que frequentam a batalha, que conseguem discutir tudo sobre aquilo em formato de rima, que aí as pessoas gostam e vão pra ouvir, entende? É mais ou menos isso.
Falamos, obrigado, mano. Valeu. Tá bom, bó.
Eu podia ser engenheiro, mas o meu pai ele é pedreiro Tinha falado que eu precisava comprar um palácio, eu não tinha herdeiro Eu não pude estar herdeiro em primeiro lugar, essa é a prosa Eu não sei se o aquecimento é consequência, e seu projeto...
Reciclagem não funciona, esse é o problema que eu falo pro C Racionais tentou evitar o problema, antes mesmo dele acontecer Só que as pessoas esqueceram e preferiram ser burras ou estrume Essa é a parada, podiam ser reciclagem, mas preferiram produzir linhas de chorume
Essa fita, cuzão, por isso mesmo eu trago na sessão Problema da nossa era contemporânea Se chama microplasticos, naque no pulmão Você entendeu, seu cuzão? Por isso mesmo, que aqui jaz O problema da reciclagem era 50 anos atrás Mas foi ignorado pelos ancestrais A natureza tá sangrando Tem muita gente morrendo A favela tá se afogando Você tá se perguntando o que tá acontecendo?
Acha que reciclado de infanta ainda vai mudar? Filho, para de frescura O problema é a estrutura Ou você muda a ferida, não se coloca tatura O problema, se você fala da tatura Esse que é o problema, a armadura Então seia, você seja Eles fuderão com a nossa casca Capaz de queiram sofrer da seiva Essa que é o parada, cuzão Por isso mesmo que se é viagem Criam até mesmo máquinas que Em menos de 10 segundos derrubam uma toda paisagem
Ok, Bernice da P. tem qualquer regra Porque a floresta que eu quero é madeira Só que eu tô vivendo na floresta de pedra Você falou sobre roubar a seiva Esse é o fim Pegaram toda a Amazônia e venderam pros gringos E hoje tão chamando isso de jardim Chamaram isso de jardim Eu achamos isso de tragédia Eu gostaria de falar um fera verto Pra poder reestruturar a água média e Minerva Essa que é a parada, cuzão Sai da minha frente porque Isso que eu falo, falar Aí governo não é levioçar Você chama destruição, se chama replantar
Cada contexto foi pretexto, acho que te falta de texto É por isso filho, se você quiser ganhar de fato logo o domínio vai ter que rezar um texto É, isso é jardim do Ed, mas a gente anda tão frustrado Podemos ter meios de produção, porém para Deus é o fruto do pecado Só que a floresta também tá morrendo, isso que eu vou te falar Eles não rezam para Deus, pois são os deuses da floresta Rezam pra vitória, reja em Yorubá, essa que é a parada
Esse que é o problema, eu saio do ninho Se o governo não parar de desmatar a Amazônia Nem oceano vai ter pra gente dar sete pulinhos
Salve, salve família. Tranquilidade. Hoje estamos aqui na Batalha da Expansão. A chapa foi daquele jeito, tá ligado? Hoje o campeão foi o Kaliuga e o vice-campeão foi o Brenner. Eles que vão se encontrar com todas as outras batalhas que vão acontecer dia 30 de maio na Casa de Cultura Hip Hop Sul. A terceira grande final da Batalha da Mente. Essas seletivas estão sendo da hora. Segue acompanhando a série que tá daquele jeito. Obrigado aí, podcast, arte na mesa. Vamos que vamos.
conhecimento ou ou ou
Hip Hop lendário, firme e forte, segue em frente, na mente a batalha, batalha da mente, batalha da mente, batalha da mente, batalha da mente, batalha da mente.
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