Inflação, custo de vida e salários baixos não são responsáveis pelo alto endividamento do brasileiro
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- A inflação e o custo de vida não são os principais responsáveis pelo endividamentoinflação·custo de vida·salários baixos·juros altos·endividamento
- O acesso facilitado ao crédito como fator explosivo para o endividamentoacesso ao crédito·cartão de crédito·Pix no crédito·empréstimo consignado·juros
- O analfabetismo financeiro como principal causa do descontrole financeiroanalfabetismo financeiro·educação financeira·descontrole financeiro
- O consumismo excessivo e a busca por um modelo de sucesso baseado em bensconsumismo·modelo de sucesso·decisões de consumo
- Aplicativos de consumo e a comodidade da tecnologia impulsionam gastos descontroladosaplicativos de consumo·Uber·iFood·Amazon·Shopee·Shein·Mercado Livre
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A inflação, o custo de vida e salários baixos não são os principais responsáveis pelo alto endividamento do brasileiro. Eu quero falar com você sobre esse assunto agora. Eu sou Júlio Santos, eu sou especialista em educação financeira e quero abordar esse tema porque eu tenho visto uma infinidade de artigos e matérias e entrevistas que ressaltam essa questão, que o grande problema do endividamento do brasileiro é a inflação, é o custo de vida, é salário baixo, é juros altos e por último sempre é colocado a educação financeira.
Eu quero te colocar o ponto de vista de um educador financeiro, de uma pessoa que tem muita experiência, que já atendeu centenas de famílias. Portanto, eu vejo no dia a dia essas famílias fazendo e refazendo os seus orçamentos financeiros, aprendendo a organizar as finanças e identificando os reais erros que acontecem. Essa justificativa, inflação, custo de vida, salário baixo, ela é recorrente. Entra ano, sai ano, sempre elas estão em pauta.
Quer a inflação esteja alta, quer a inflação esteja baixa. Quando tem desemprego, fala-se de desemprego. Mas na verdade isso desvia o foco do verdadeiro problema. Esses fatores podem até ter uma influência. Eu particularmente, eu sou um consumidor, eu faço supermercado, eu compro as coisas. Sinceramente, eu não vejo que a inflação está galopante, aquela coisa desesperadora. Eu até pesquisei dados oficiais dos últimos 10 anos e nos últimos 4, pelo menos, a inflação está mais ou menos estável entre 4,5% e 5%.
Logo, não existe uma grande variação desta inflação e eu, como eu disse, não vejo isso no dia a dia. E eu vou explicar o que que realmente inflaciona a renda do brasileiro, é onde eu quero chegar. O que acontece é que sempre que há problemas financeiros, as pessoas sempre terão bodes expiatórios, sempre terão justificativas. E essas são as justificativas mais comuns. Poderia entrar aí também a alta do dólar, a alta do combustível, a guerra aqui e acolá, o tempo de eleição, todas essas coisas.
Mas na verdade existem 3 problemas muito mais profundos, muito mais sérios, que afetam diariamente a vida vida financeira das pessoas, eu vejo que esse tipo de conteúdo, esse tipo de informação, de maneira objetiva, não ajuda a melhorar a saúde do brasileiro. E se nós sabemos que custo de vida está atrelado à inflação, não existe tanta diferença assim. Ok, eu sei que dependente da localidade, que dependente de certos produtos, existem essas variações.
No geral, o problema não é esse. E em relação a custo de vida e inflação, nós sabemos que quando esses dois estão presentes na nossa rotina, o que que a gente vai fazer? A gente vai administrar, a gente vai conter gastos, vai reduzir o consumo daquelas coisas mais caras, vai rever comportamentos para fazer os ajustes. A questão também é a seguinte, é só você notar: quando a inflação tá baixa, quando tá muito estável, as pessoas continuam fazendo o quê?
Economizando. Não, elas continuam gastando. Em outras palavras, o brasileiro não guarda dinheiro, ele não poupa, muito menos ele tem o hábito de administrar. E aí fica muito mais simples encontrar esse tipo de justificativa. Então vamos lá, eu vou te mostrar com base na minha experiência prática, conversando com centenas de pessoas, com famílias de todos os níveis intelectuais, financeiros, profissionais, de diversas localidades.
Essas pessoas têm questões em comum que na verdade representam a maioria da sociedade brasileira, que é uma sociedade que sim não tem educação financeira. Portanto, em primeiro lugar, o primeiro elemento que deveria ser colocado para justificar o autodescontrole financeiro do brasileiro e o autoendividamento é o analfabetismo financeiro. Ou seja, a falta de educação financeira. A partir de então, existem 3 questões modernas, extremamente atuais, que estão afetando a vida das pessoas.
E eu quero aqui te sugerir que você tome também esse ponto de vista para tomar as suas decisões. O primeiro aspecto, na verdade, ele vem de muito tempo, mas ele tem se intensificado muito, que é o consumismo. O excesso de consumo. As pessoas continuam excessivamente consumistas. Ainda está valendo o modelo de sucesso que é baseado no consumo, nas coisas que eu compro, naquilo que eu tenho, naquilo que eu faço gastando, nos serviços que eu uso.
Em outras palavras, é a compra do celular, é a compra da roupa de grife, do tênis importado, do carro financiado, da compra da casa em um bairro sofisticado também financiado. E tudo isso, cada um faz o que bem quiser com o seu dinheiro, mas normalmente essas decisões de consumo, elas não são dimensionadas com base na realidade financeira da pessoa. Então tem havido uma desproporcionalidade. Eu não vou aprofundar aqui, isso a gente aprofunda numa consultoria financeira, Mas as pessoas não têm noção de quantidade, de valor.
Vou dar um exemplo prático. Esse dia eu recebi uma planilha que nem é de um cliente meu, estava no LinkedIn, e lá dizia o seguinte: a pessoa ganha R$30 mil e não consegue viver, ela tá gastando R$38 mil por mês. Ele mostrava aquele controle financeiro dessa pessoa, um dos itens era um carro de R$6 mil comprado em 48 parcelas. Volto a dizer, O dinheiro é da pessoa, ela compra do jeito que ela quiser, ela faz o que ela quiser. Só nisso já é 20% da renda dela.
Ainda sobre o item automóvel, ele gastava R$3.000 de combustível, então aí já era R$9.000. E depois tinha mais R$1.000 de outros itens que eu não me lembro qual que era. Portanto, era R$10.000 com este automóvel, uma renda de R$30.000. Portanto, ali já começou a desequilibrar. Na sequência, a pessoa ela tinha uma viagem de férias, tá tudo bem, não há nenhum problema, que era também várias parcelas de R$5.000. Logo, só nesses dois itens, carro e viagem, eram R$15.000, era metade do orçamento dessa pessoa.
E aí tinha as outras despesas de moradia, de escola dos filhos, de consumo em geral. Aí tinha o item lá que era despesas de cartão de crédito, que eram R$8.000, mas não se sabia o que era porque estava como cartão de crédito. E esse é um grande erro dos controles financeiros feitos pela população. Cartão de crédito não é despesa que vai para uma planilha. Cartão de crédito é apenas um meio de pagamento. Então, quando a gente bate o olho, a gente vê uma desproporcionalidade.
E quando o orçamento estoura, a primeira justificativa que vai aparecer é: eu ganho pouco. Eu já vi pessoas ganhando R$30.000 e falando que ganham pouco. Em relação à realidade brasileira. Esses dias teve um juiz que ele ganhava R$71 mil e foram cortados R$30 e pouco lá, que era aqueles penduricalhos, sobrou R$41 mil, ele falou que não daria para viver, que ele estava envergonhado, não sabia o que falar com a família com aquela redução salarial.
Então assim, de maneira bem clara, e não se sinta ofendido, eu vou te falar, eu vou usar uma expressão aqui que é fruto do desconhecimento, é o seguinte: as pessoas não têm noção na hora de usar o seu dinheiro. Elas gastam e depois elas vão analisar. Isso reflete uma realidade da vida financeira. As pessoas tomam decisões emocionais que acabam impactando os seus orçamentos e depois elas começam a dar justificativas racionais: ó, é a inflação, é o custo de vida, é o meu salário que está defasado, é o dólar que tá alto, é o combustível que está muito alto, as pessoas estão consumindo, consumindo e consumindo.
Elas não param para pensar, elas não param para analisar. E aí a tendência é o orçamento estourar. Ora, para reforçar esse consumismo, existe um outro item mais moderno que fica muito bem claro quando eu vejo as planilhas financeiras das pessoas que eu atendo, que são os aplicativos de consumo. Uber Transporte, Uber Comida, iFood, Quita, Amazon, Shopee, Shein, Mercado Livre e muito mais. Hoje existe uma infinidade de aplicativos de consumo que estão levando as pessoas a perderem o controle.
Então as pessoas gastam R$500, R$1.000, R$1.500, R$2.000 com Uber, com iFood, com os mais diversos consumos, e isso gera um descontrole. Eu vou repetir, eu acho que você entendeu a minha linha de raciocínio. Eu não estou dizendo que as pessoas têm que se privar, mas essa comodidade da tecnologia faz com que as pessoas gastem muito mais. Ao invés de ir para cozinha e fazer a comida, fazer um lanche, ao invés de usar o transporte público ou até fazer uma caminhada, eventualmente o seu deslocamento é de 1, 2 km.
Depois da chegada de Uber no Brasil e os similares, as pessoas não andam mais de ônibus, não andam mais de metrô. E mesmo tendo à disposição esse meio de transporte. Então o que eu tô dizendo aqui é que essa facilidade, essa comodidade e essa falta de visão de educação financeira, porque a educação financeira ela diz o seguinte: para você economizar, para você gastar menos do que ganha, o que você tem que fazer? Você tem que fazer sacrifício.
Sacrifício não é passar fome, não é fazer uma caminhada de 10 km. Sacrifício é você respeitar o seu dinheiro, porque o dinheiro, se você não respeitá-lo, ele vai muito fácil. Então você veja que essa combinação do consumismo mais os aplicativos de tecnologia tem estourado os orçamentos das pessoas. Esses dias eu gravei um vídeo que eu dizia o seguinte: você quer mudar a sua vida financeira em 30 dias? Retire todos esses aplicativos do seu celular durante 30 dias e faça um esforço de se organizar em casa, andar mais de transporte público, fazer mais comida, fazer mais lanche, fazer um mercado mais inteligente, Não vale também desinstalar o iFood e os 99 foods da vida, ir no mercado e fazer uma compra de R$8.000.
Bom, e para concluir, para fechar com chave de ouro, o terceiro item que potencializa esse descontrole financeiro do brasileiro se chama o acesso muito fácil ao crédito. O jovem, ele começa a trabalhar, ele já recebe um cartão de crédito. As pessoas hoje têm 1, 2, 3 cartões de crédito. As pessoas têm cartões de crédito com limites acima da sua renda. Logo, se ela tem um desejo de consumo, tem o aplicativo na mão e tem o crédito, pronto, essa é uma combinação explosiva.
E cada vez mais o sistema financeiro ele vai continuar oferecendo isso. Esses dias eu recebi um email para eu fazer o Pix no crédito. O banco onde eu tenho conta ele mandou esse convite: não, faça agora e depois você pensa como pagar em até 12 vezes. Pix no crédito. Então é uma banalização do crédito. Recentemente o governo lançou o empréstimo consignado para funcionário CLT. Isso já era um problema para aposentado e funcionário público.
Estava na cara. Eu até dei uma entrevista para uma rede de televisão lá no ano passado, quando saiu essa liberação, e falei: não vai dar certo. E hoje eu sou procurado por muitas empresas porque elas falam: eu preciso ensinar educação financeira para os meus funcionários, orientá-los sobre esse uso descontrolado do crédito. Em especial o consignado, porque eles estão piorando as vidas financeiras dele. E olha bem, o crédito consignado ele tem supostamente juros mais baixos.
Eu estou dizendo supostamente porque na verdade as pessoas na hora de fazer o empréstimo lá no aplicativo elas não se preocupam muito com a taxa de juros. E o banco ele fala: se eu estou cobrando 4% e o cliente não reclama, para que eu vou cobrar 2% no consignado? Deveria ser 2. As pessoas não olham para isso. E aí é muito fácil, hoje liberou-se, você vai lá no gov.br e já faz o seu consignado. Antigamente havia uma certa restrição, anteriormente isso era mais difícil, a pessoa tinha que ir no RH, tinha que comunicar, era o RH que liberava, o RH que fazia o convênio com o banco.
Agora não, quando a pessoa entra no aplicativo tem todos os bancos lá que ele pode escolher. Então veja, são 3 elementos. Esses elementos, sim, esses elementos estão em primeiro lugar. Então eu colocaria nessa ordem: a falta de educação financeira, o consumismo exagerado que as pessoas não conseguem se controlar, a tecnologia que oferece ferramentas para você potencializar esse consumismo e o acesso ao crédito que potencializa ainda mais.
Depois disso, a inflação, juros altos, custo de vida, essas coisas que são faladas para eles ficariam por último. Volto a dizer, no contexto atual não é todo esse bicho-papão para esses elementos aí. Mesmo com guerras, com taxa do Trump e assim por diante, a economia não desandou de maneira desesperada. Quando a gente olha para o orçamento das pessoas, o maior responsável por esse descontrole são esses elementos que eu citei aqui para você.
Eu estou dizendo isso aqui como educador financeiro, alguém que quer ajudar, quer orientar e quer apresentar uma outra perspectiva. Mesmo que a gente considerasse alta inflação, juros altos, custo de vida, nesse mesmo contexto existem pessoas que gastam menos do que ganham, existem pessoas que economizam, E existem pessoas que continuam gastando desenfreadamente. O que diferencia essas duas pessoas é o comportamento, é a educação financeira.
Se a inflação está alta, se o custo de vida está alto, eu tenho que usar menos crédito, eu tenho que usar menos iFood, eu tenho que usar menos Uber, eu tenho que andar mais de ônibus, eu tenho que andar mais a pé. Mas as pessoas não querem ouvir isso, elas querem ter o máximo de conforto possível. Esse dia eu vi aí um post de uma pessoa que disse que o custo de vida mínimo para um cidadão brasileiro é R$15 mil. Ou seja, essa pessoa deve estar em outro planeta, ela não sabe da realidade do brasileiro, ou ele só olha pro umbigo dele, ele não entende a realidade que nós temos no Brasil, onde uma renda de R$5 mil, R$6 mil já é uma renda privilegiada.
É evidente que você tem que ganhar R$15 mil, R$30 mil, R$40 mil, R$60 mil, R$70 mil. Mas um outro fato que comprova que o problema não é inflação, não é custo de vida e não é salário baixo, É que eu já atendi pessoas que ganham R$20.000, R$30.000, R$40.000, R$50.000 e estão totalmente descontroladas, e exatamente porque usam essas mesmas ferramentas que eu apresentei aqui. Isso faz com que caia por terra esse argumento. Eu acredito muito numa sociedade com saúde financeira, toda a sociedade, ou pelo menos a maioria da sociedade.
Eu imagino um dia, ao invés de nós termos 80 milhões de brasileiros endividados, nós temos 80 milhões de brasileiros investidores. Eu imagino um dia onde, ao invés da gente ouvir 10% dos mais ricos têm muito mais renda que 50% dos mais pobres, é ter uma notícia de mais equilíbrio, onde existe uma melhor distribuição de renda. Mas a distribuição de renda começa comigo que tenho baixa renda. Isso que as pessoas têm que entender.
Eu digo que muitas vezes as pessoas mais pobres, elas distribuem renda para os mais ricos. Quando elas fazem tudo isso que eu disse aqui, O que a pessoa tá fazendo? Ela tá entregando o dinheiro para o outro. Não existe aquela máxima que o dinheiro não se cria, ele muda de dono? É exatamente isso que acontece. Se eu não respeitar o meu dinheiro, eu vou me livrar dele e vou entregar para as outras pessoas, e o outro ele vai acumular.
E é claro que existem outros aspectos educacionais, culturais, existem também aspectos religiosos, mas para resumir, eu queria aqui trazer para você um novo ponto de partida. Quando você ver essas notícias, essas informações, que você possa ser mais crítico e você possa usar algo para sua vida. Uma pessoa com pequena renda que reduz o seu consumismo, que reduz o uso do crédito e que reduz o uso da tecnologia tende a ter uma vida mais equilibrada.
É muito comum a pessoa ganhar R$1.500, R$2.000, R$3.000, mas ela tem todos os seus aplicativos nesse celular. Há quem priorize bens materiais e, por exemplo, deixa de investir em conhecimento. Eu, como educador financeiro, eu quis trazer a minha experiência. Não é de todo verdade que a inflação, custo de vida, salário baixo, juros altos são os principais causadores do endividamento do brasileiro. Se você quer aprender educação financeira de forma consistente, de forma simples, a partir de um método que eu criei, que já ensinou mais de 1.500 pessoas, que é aplicável para qualquer pessoa, entre em contato comigo.
A gente vai conversar, eu vou te conhecer e eu vou te dizer como é que eu posso te ajudar.
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