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Interessa | Maternidade cansada

05 de maio de 20261h1min
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A ideia de que mãe dá conta de tudo e ainda sorrindo começa a ruir diante de uma realidade cada vez mais compartilhada: a exaustão. Conciliar filhos, trabalho, casa e demandas invisíveis tem levado muitas mulheres ao limite. E, no meio disso, ainda aparece a culpa por não conseguir fazer tudo como “deveria”. O resultado é uma maternidade sobrecarregada, onde o cansaço extremo vira rotina.


Casos de esquecimentos, erros e falhas têm ganhado espaço nas conversas - e precisam ser olhados com cuidado. Existe uma diferença importante entre negligência e exaustão. Muitas dessas situações não nascem da falta de cuidado, mas do excesso: privação de sono, solidão, pressão social e acúmulo de funções. A psicologia já nomeia esse estado como burnout materno ou parental.

No Interessa, a psiquiatra Dra. Adriana Gatti conduz a discussão sobre saúde mental materna e reforça um ponto essencial: mães não são super-heroínas. Falar sobre limites, rede de apoio e divisão real de responsabilidades é fundamental para tornar a maternidade mais possível e menos solitária.

Participantes neste episódio2
D

Dra. Adriana Gatti

HostApresentadora
F

Flaviane Pachão

Co-host
Assuntos7
  • Culpa maternaExaustão mental e física · Privação de sono e solidão · Culpa materna · Diferença entre negligência e exaustão · Burnout parental
  • Maternidade e Saúde MentalAnsiedade e depressão materna · Necessidade de controle · Impacto do adoecimento na relação com o filho · Solidão e isolamento
  • Comunidade e Rede de ApoioCentralização de tarefas pela mãe · Dificuldade em delegar e pedir ajuda · Papel do pai na rotina familiar · Importância da rede de apoio · Mães solo
  • Desafios da MaternidadeTransição da infância para adolescência · Síndrome do ninho vazio · Amadurecimento gradual · Mudança de fase na relação mãe-filho
  • O papel da madrastaSer mulher e mãe · Autocuidado e prioridade pessoal · Ser real e não representar um papel · Integridade da mãe
  • Expectativas e realidades da maternidadeExpectativas sobre a personalidade do filho · Rompimento de expectativas · Aceitação da individualidade do filho · Maternidade como construção de um ser
  • O Caso Fernanda Jéssica dos SantosConfusão na medicação dos filhos · Impacto do cansaço mental · Sentimento de culpa e auto-julgamento
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Todas as mães correspondem a um modelo ideal e que não falha. Mãe é quem lembra de tudo, dá conta de tudo, que cuida, trabalha, confere, resolve, sempre com muita paciência e sorrindo. Você já viu? Não à toa também tem muita mãe à beira da exaustão. Por isso que hoje no Interessa Podcast a gente vai falar sobre a maternidade cansada. Bora!

Oi pra você que tá na audiência do Interessa Podcast. Prazerão, eu sou a Renata Zacaroni. Você tá me ouvindo pelos principais tocadores de podcasts e vendo por meio de duas lives nos canais do Tempo e o Tempo Livre no YouTube. Inscreva-se, ative as notificações e solta aquele like pra gente que faz toda a diferença. Aliás, participa, sabe por quê?

Tem promoção rolando. Que tal viver uma experiência única, hein? A gente vai sortear aqui hoje um par de ingressos para a Ópera de Pequim, A Lenda da Serpente. Rola no dia 16 de maio, 8h30 da noite, sabadão, lá no BFly Minas Centro.

A Companhia Nacional de Ópera de Pequim é uma das maiores referências mundiais desse estilo artístico tradicional chinês, que surgiu no fim do século XVIII e mistura aí no palco música, canto, dança, interpretação, acrobacias e artes marciais. É bonito demais, gente. O espetáculo visualmente impressionante. Para participar...

Baixe o aplicativo de O Tempo. Está disponível gratuitamente para download. Clica na abinha de promoções, faz o seu cadastro e responde. Quem vai curtir esse espetáculo com você? No finalzinho do Interessa, a gente anuncia quem levou a boa. Cruza os dedos aí, valeu?

Vamos lá, gente, conciliar filhos, trabalho, casa, aquela lista interminável de demandas, né? Tem levado muitas mulheres ao extremo e não é o extremo solitário. Ele vem acompanhado da comparação constante e de uma culpa silenciosa que você não dá conta de tudo que você deveria, como se espera, né mãe?

dentro daquele mesmo ideal de mãe que nunca falha. O resultado é uma maternidade sobrecarregada, em que o cansaço extremo vira uma rotina. Todo mundo tem um dia pesado? Todo mundo tem um dia mais difícil. Mas a mãe tem que ter todo dia?

Eu acho justo, né gente? O Dia das Mães, celebrado no dia 10 de maio, ele costuma ser marcado por flores, por homenagens. E de fato, nós, galera, as mulheres mães, nós merecemos esse reconhecimento. Mas embora seja gratificante, né, exercer aí o maternar, a maternidade, ela também tem se tornado um fator de risco pra saúde mental da mulher.

Uma pesquisa realizada em 2024 pelas empresas B2Mami e Kirol revelou que 9 em cada 10 mães brasileiras apresentam algum nível de esgotamento mental. Ou seja, 90% das mulheres que criam filhos no país estão no limite da exaustão. Nesse cenário, depois eu trago atualizações.

Neste cenário, relatos de esquecimentos, erros, falhas se tornam comuns. E eles precisam ser compreendidos com muito cuidado, porque tem uma diferença fundamental entre negligência e exaustão. Muitas das situações em que isso acontece, não nascem da falta de cuidado. Muito antes, pelo contrário, é pelo excesso. Está cuidando demais de todo mundo, menos dela. Isso leva a mães, por exemplo, quando as mães estão nessa situação, elas estão se privando de dormir direito, estão sós, acumulando funções. Pensa...

A psicologia já reconhece esse quadro como burnout materno ou parental. Por isso que hoje não interessa. A gente vai falar desse assunto com quem entende disso, que é a nossa convidada do dia. A médica psiquiatra, a doutora Adriana Gatti, que estava bem sumida, mas que bom que voltou para se sentar com a gente aqui. Mais uma vez, seja bem-vinda, doutora. Obrigada, uma delícia estar aqui de volta com vocês.

Você vai mostrar pra nossa audiência, pra gente, que mãe não é super heroína? Com certeza. A capa de Mulher Maravilha não existe. Já deixa em casa, né? Já deixa lá. Coisa boa. Vamos embora. Você veio de capa ou sem capa, Flaviana Pachão? Sim. Eu nunca tive.

Cumprimentar primeiro, né? Oi! Tudo bem? Mas é isso aí, né, gente? É ser realista. Não, e nem quero, nem quero. Nem eu. Ai, não. Guerreira Xena, aquela coisa toda. Nossa! Ainda fui lá atrás, hein? Foi lá atrás. Renatinha Nunes. Oi, gente. Um beijo pra todo mundo que tá acompanhando o Interessa. Pessoal não sabe o que é Guerreira Xena, não. O que é Guerreira Xena, não.

Esqueci que é uma galera de Vera jovem. Eu quero falar o seguinte. A nossa é a produtora. Eu quero dizer que eu não quero flores. Precisa me dar flores, não. O dia que eu quiser flores, eu mesmo compro. Vê o filho. Não, gente. Flores eu não quero. Eu quero eu mesmo compro, enfeito, minha casa. Primeiro eu não sou boa de flores e plantas. Porque eu não molho muito. Porque eu não posso. Eu tenho esse probleminha.

Mas até gosto, gosto pra enfeitar, né, e tal. Mas ganhar, filho, outro presente, tá? Não vai na onda da Zacarone, não. É, não, João Vítio, você também não. Eu já aproveito pra falar que são as outras mães. Olha só, vou trazer um case aqui pra gente partir dele.

De uma história muito recente que foi divulgada pela revista Crescer. Que aí traduz aí na prática até onde que chega a exaustão materna. Lá em Fortaleza, a mãe Fernanda Jéssica dos Santos, de 31 anos. Ela viveu momentos de desespero, porque ela confundiu na rotina ali...

ao administrar a medicação dos filhos, por engano. Ela pegou a medicação do filho mais velho, de 5 anos, que é autista não verbal nível 2 de suporte, e deu para o caçula, o Jorge Daniel, de 2 anos, que não tem diagnóstico de neurodivergência. Ela relatou isso no TikTok e resumiu o episódio como Esse foi o ápice do meu cansaço mental.

Contou que tudo aconteceu em um dos dias normais da vida de uma mãe, né? Um dia muito caótico, com muitas atribuições. Que ela tava tentando dar conta de tudo ao mesmo tempo. Que os dois filhos tomam medicação duas vezes ao dia. Um toma vitamina e o outro toma o antipsicótico. Que ela fez a dose certinha, mas quando ela se deu conta, ela tinha dado a medicação pro filho errado. Desesperada, buscou ajuda no teleatendimento médico, né? E foi orientada a ir pro hospital lá.

respira, um alívio, olha, a dose é baixa, fica tranquila. Ainda assim, a criança teve que ficar no hospital quatro horas, em observação, estava muito sonolenta, que é um dos efeitos colaterais da medicação. Enfim, que bom que ele ficou bem, né? Mas e essa mãe, como é que será que ela ficou?

Ela voltou para as redes sociais para falar que o impacto na vida dela foi enorme. Nas palavras da Fernanda, numa entrevista para a revista Marie Claire que eu citei, ela se sentiu extremamente culpada e se julgou a pior mãe do mundo. Péssima mãe.

Mãe erra, gente. Não, mãe não erra não. Se você tivesse dois filhos, a chance de eu fazer isso era imensa. É isso, sabe, gente? Muito longe de errar ou de ser uma péssima mãe, a Fernanda, ela cometeu um equívoco quando ela se estava cuidando.

Dos filhos? Não foi por ausência de afeto e de cuidado, foi pela presença dela mesma ali, ó, no dia a dia, a pessoa que tá atenta a tudo, enfim, ela cometeu um equívoco que todo mundo aqui, ó, tá super assim, é passível de cometer esse tipo de erro.

Será que, inclusive ela falou que depois disso ela vai priorizar a própria saúde mental. Aí o questionamento que a gente faz é, será que fazer terapia nesse contexto, sem mudar o contexto em que essa mulher vive, sendo a única responsável por todas as questões que envolvem as crianças, a casa, o trabalho, muda a realidade dessa mãe? É uma dúvida que eu já tenho aqui, que você já vai anotando aí, doutora. Pode deixar.

Esse caso, ele mobilizou outras mulheres nas redes sociais, elas trouxeram relatos muito semelhantes. E uma mulher exausta, a gente vai frisar, não é uma mulher negligente. A exaustão nasce do excesso de coisas que ela tem a fazer e não da falta de cuidado e atenção. Nessa cultura que hoje a gente trouxe até na nossa matéria em O Tempo, que exibe uma maternidade perfeita nas redes, muitas vezes sustentada por rede de apoio que é invisível, que não aparece no feed, a realidade é outra. Noite mal dormida, acúmulo de função e solidão.

Se esse cansaço está tão disseminado, o que a gente tem que mudar então? Para que o cuidado com a mãe, esse cuidado que a mãe oferta, volte para ela também. Pergunta do dia na sua casa. Quem você acha que realmente carrega o maior peso da rotina?

Por quê? O que que na sua opinião ainda precisa mudar dentro de casa pra que o cuidado não pese tanto pra uma pessoa só, no caso a mãe? Tô brincando, participo, dê sua opinião, não sei. Você pode mandar aí no nosso chat, tá aberto pra isso mesmo. Esse podcast tem a sua participação e se faz parte da sua vida. Interessa!

É gogó. Que isso! Vamos começar com você, doutora. Porque eu trouxe uma frase lá no meio da minha introdução. Falando, ah, é cansado, cansado, todo mundo tá. E eu queria que você falasse um pouquinho sobre o cansaço materno. Se ele se diferencia desse cansaço que a gente fala, relata mesmo no dia a dia. Se é uma questão mais profunda ou até mesmo um quadro de adoecimento.

Não é cansaço, é exaustão. Eu acho que a maior parte das mães, pelo menos do que eu atendo no consultório, elas não estão cansadas de uma rotina cheia de atividades, elas estão exaustas mentalmente. Não é físico. Uma noite de sono é muito importante, você comentou aí, que às vezes elas estão privadas disso. Mas não é uma noite de sono que vai resolver isso. É um estado crônico de vivência de dia após dia, de semana após semana, de mês após meses. E isso vai trazendo uma sobrecarga tão grande que chega a acontecer.

esses equívocos, igual você disse aí, da mãe lá do Nordeste. E isso traz para a gente um sinal de alerta muito importante, porque cometer um equívoco é algo que a gente, claro que vai ali contornar, vai trazer repercussões, às vezes momentâneas, não graves, mas dependendo do equívoco pode trazer.

Então a gente tem que começar a cuidar disso para não crescer em proporções cada vez maiores, em que a mãe se vê num momento ali em que ela está isolada, sozinha, sem ajuda, exausta. E mesmo assim tendo que continuar a fazer tudo que ela precisa fazer. O cansaço mental da mãe, sem dúvida nenhuma, ele é muito maior do que qualquer outra pessoa. Não é desmerecendo o trabalho, ou às vezes as funções de pessoas, de mulheres que não são mães, ou de homens, que às vezes tem essa demanda também.

Mas é diferente, a gente está num momento de vida em que a maternidade trouxe para a gente algo a mais, ela veio como uma somatória na vida de uma mulher, não saiu nada para a maternidade chegar e ela chega com tudo, ela chega com um filho, com dois, com três, com quatro e você não tira nada para isso chegar e o nosso dia tem 24 horas, a nossa capacidade mental era limitada independente da quantidade de coisas que você tem para fazer.

E é isso que gera a sobrecarga, é o acúmulo. Cada vez mais a gente vai absorvendo, né? Além da sobrecarga de cuidado com o filho, de cuidado com a casa, de cuidado, às vezes, com o relacionamento, de cuidado com o trabalho. E a gente tem ainda a questão emocional, que acaba que o lar e o contexto familiar, ele tá todo voltado pra mulher, né? A famosa frase, se a mulher tá bem, toda a família tá bem, né? E se ela não tiver? Eu fiquei cansada só te ouvir falar isso, não é? Me deu uma receita.

Eu queria fazer uma pergunta, não sei se, enfim, como pode ser interpretada, mas eu queria assim mesmo fazer. Até que ponto é responsabilidade da mãe também esse cansaço? Eu te falo isso, assim, porque quando você traz esse acúmulo de funções e nada disso deixou de se fazer porque a mulher tem um, dois, três, quatro filhos, né? Ela só vai somando.

Mas em vez de só somar, porque também algumas mulheres não conseguem distribuir, não conseguem confiar nas suas parcerias do que elas também conseguem fazer ao seu modo, mas elas também conseguem fazer. Então também queria trazer isso um pouco. Porque a gente tem dificuldade em colocar os nossos limites na mesa. Porque senão vai ficar achando que não é uma mãe boa. Eu também não vou pegando tudo para fazer.

Então, até que ponto também isso é um pouco de responsabilidade da mãe? Aí a gente tem dois cenários, né, Flaviane? Aquela mãe que abraça tudo para fazer e não consegue delegar, ou não consegue confiar com que o outro faça tão bem, ou com uma qualidade até melhor do que a dela, e tem aquela que não tem essa opção.

de que ela tem que fazer porque não tem quem faça, né? O primeiro cenário, quando ela é centralizadora, é muito mais sofrido para ela emocionalmente, né? Porque ela não consegue delegar ali do ponto de vista emocional, aquilo para ela não trazer conforto, não trazer tranquilidade, né? E isso traz um peso muito grande do ponto de vista de saúde mental, né? Agora, a mãe que não tem com quem repartir, né? Já é um outro cenário, né?

A gente tem que trabalhar as duas esferas, porque o apoio e o suporte nos dois são muito importantes. Mas o primeiro a mãe tem que se soltar e permitir que o suporte venha até ela. E na outra ela vai ter que buscar esse suporte externo. E o que muitas vezes é tão difícil quanto.

São dois cenários muito complexos. Agora, a mãe centralizadora tende a sofrer muito nessa esfera, de não conseguir delegar porque ela acredita que a forma que ela faz é a correta, é a melhor, é a forma que talvez consiga ter um resultado mais rápido, vai resolver logo, não tem que explicar tanto para o outro fazer, então ela pega e sai fazendo. Mas isso gera um desgaste, isso gera um acúmulo muito grande mental. Eu nunca achei que a minha forma de fazer fosse a melhor,

Pelo contrário, também nunca me... Sabia que outras pessoas... Eu olhava outras mães e pensava... Essa pessoa tão organizada... Essa pessoa tão... Mas também nunca me diminui tão profundamente por causa disso... Acho que a primeira coisa que a gente tem que colocar aqui na mesa... Nessa mesa é... Vamos desromantizar a maternidade... Ensinaram pra gente lá quando a gente era criança...

Ser mãe era algo até supremo, assim. A gente era colocada num pedestal mesmo. Maternidade está acima do bem e do mal. Eu não acho. Eu acho que existem dentro da mesma mãe... Eu que já tenho um filho adulto, posso falar isso com muita convicção. Dentro do meu maternar, existiram muitas mães.

Eu fui uma mãe já que sentiu culpa, eu fui uma mãe em outra fase que já foi um pouco maluquinha, assim. Em outra fase, eu acho que eu fui uma mãe extremamente preocupada e centralizadora. E eu fui precisando me reinventar como mãe.

Dentro do meu processo de maternidade, a cada fase do meu filho, eu precisei me reencontrar dentro do meu processo de maternidade. Então, acho que a própria mulher, quando ela sai dessa... Quando ela rompe com a romantização maternal que foi imposta socialmente para todas nós, a gente começa a se entender como mãe em diferentes processos.

projetos, momentos, filhos, não é o meu caso, porque eu tenho um só, mas eu imagino que pra algumas mães, a relação maternar que ela vai ter com o filho, não é com o outro. Se eu com um mudei ao longo desses 24 anos, imagina se eu tivesse mais de um, né? Então eu entendo que, eu fico olhando pras mães lá de trás, né? Eu sei que elas tinham, às vezes, menos trabalho fora de casa do que a gente hoje, né? Que trabalha muito.

Fora de casa. E eu, pra mim, falo isso pras mães que são donas de casa. Eu acho o trabalho de vocês muito mais difícil. Sabe? É uma coisa que a gente também precisa valorizar, né? Muita mãe, muita mulher é desvalorizada porque é só mãe e dona de casa. Tratada como só. Eu acho isso um montão. Eu acho isso muita coisa. Porque...

Porque as pessoas são muito julgadas por causa disso. E eu acho que é hora da gente bater palma pra essas mulheres, sabe? Porque cuidar de uma casa, cuidar de um filho integralmente, é muito desgastante emocionalmente. Às vezes, os momentos que eu vinha pro trabalho, era o meu momento de respirar. Era o momento de descanso, né? De descanso, de ocupar minha mente com outras coisas. Então, eu acho que...

Tudo isso que eu tô falando faz parte das diferentes formas de maternar. Então é muito ruim a gente pôr essas mães em caixinhas, como a sociedade às vezes quer colocar. Então eu acho que é uma discussão que a gente precisa ampliar nesse sentido. E eu queria voltar essa pergunta pra vocês sobre as fases. Eu fico falando, brinco muito com isso, já falei aqui no Interesse, que ter filho é igual brincar de videogame, né?

A gente vai mudando de fase. Ficando mais difícil. Vai ficando mais difícil. Algumas coisas mais fáceis. Hoje eu olho pro meu filho que tá adulto. Eu acho muitas coisas mais fáceis. Eu já tenho muitos alívios. Mas tem outros tipos de preocupação que vão surgindo, né? Como é que a mulher enfrenta essas mudanças? Porque muita mãe...

fica parada no mesmo lugar, naquele lugar da infância ou da adolescência, apegada àquele filho que não existe mais, porque ele já cresceu. Como é que a gente pode lidar com isso mentalmente mesmo, para a nossa saúde emocional?

Isso é um desgaste muito grande, né? Quando a gente tem crianças pequenininhas ali que demandam um esforço físico braçal, né? A gente queixa. Ai, eu tô cansada, queria dormir. Depois as crianças esquecem. Você fica assim, ai, minha cabeça, o que eu vou fazer agora, né? Vamos pra onde vou? Fica, jogar pra brincar. Esse menino tem que ter um coleguinha. Tá na escola, não tá? Sai do esforço físico e vai pro esforço mental, né? E a gente tem que acompanhar esse crescimento deles, né?

Não adianta ele chegar lá na adolescência e eu estar preocupada com segurança física. Não, que é o...

vai ser desconsiderada, claro, mas nesse momento já são outras preocupações, né? E isso faz com que a gente vá amadurecendo e criando as estratégias para lidar com esse novo processo da criança, né? Quando a gente não tem essa virada que você teve de se reinventar e de ir amadurecendo à medida que a criança vai crescendo, gera um lugar de isolamento, né? Porque aquela criança pequena já não existe mais. Você está ali sozinha naquele momento tentando contornar uma situação que já não é mais existente.

Você impede, muitas vezes, do adolescente ou do adulto crescer e criar a sua própria independência, porque ainda está apegado fisicamente a você. E, por outro lado, você não preenche esse lugar com mais nada. Essa é a maior queixa, muitas vezes, das mães quando os filhos saem de casa. É o famoso ninho vazio. Esse ninho se esvaziou e vai preencher com o quê agora?

E isso é um processo que a gente tem que ir trabalhando ao longo do crescimento. Esse amadurecimento tem que acontecer gradativamente. À medida que a criança vai mudando de fase, a gente também vai mudando de fase. O videogame muda para ele e para nós. Para nós.

Eu queria trazer o relato de uma personagem citada na matéria da Renata Abrita, que está no tempo.com.br, na nossa versão impressa, que eu acho muito interessante, principalmente que abrimos como flores, e eu achei essa ideia incrível que ela traz na matéria, mas ela ouviu a Mariana Bicalho, que é uma das... Community Builder.

do Dia das Mães, eu confesso que é a primeira vez que eu me deparo com essa expressão, então não sei se ela é criadora, me desculpa, mas ela é empreendedora e faz parte desse grupo MAMIS, que atua em Belo Horizonte, tem uma grande comunidade em rede social. E ela falou que em um Dia das Mães, ela pediu um presente para a família, que era uma diária de hotel para ficar consigo mesma.

sensacional Mariana você brilha eu achei as ideias isso é que é presente mas sabe uma coisa que ela fala e eu acho muito interessante porque ainda quando você se depara com essas mulheres que trazem essa queixa do cansaço porque as mulheres ainda quando elas tem rede de apoio

elas ainda não conseguem colocar pra fora que elas precisam de tempo pra elas. Você tá agarrada nisso, hein, Flavio? Não, mas eu já... Eu senti um apego ali também. Porque eu acho que é importante. Não, mas eu já... Gente, eu já me organizei tão bem nisso que assim... Já melhorou, né? Total, total. Porque eu tenho uma rede de apoio. Então, pra mim, assim, se eu quero dormir, eu estou cansada, eu preciso dormir. E não só a rede de apoio.

Meu filho tem pai. Então, assim, ele faz o papel dele. Lembrando, vou fazer um parênteses aqui.

Pai não é rede de apoio. Pai é pai. Rede de apoio é outra coisa. É outra coisa. Eu tenho os dois. Então, assim, se eu estou... E se eu quero ter uma noite de sono tranquila, cara, eu vou ter uma noite de sono tranquila. Você vai ficar com seu filho. E, às vezes, eu vou até para a casa da minha mãe.

Porque lá não tem nem barulho de nada, é só passarinho. Parece que eu tô até fora de Belo Horizonte. Então, assim, qual é o constrangimento que a gente ainda tem em falar, gente, eu preciso de ajuda, eu preciso dormir, eu preciso tomar um banho, eu preciso... Você acha que esse tipo de constrangimento tá reduzindo com a evolução...

Desse tipo de debate, né? A Flaviane citou o grupo Mams, que é um grupo que debate muito, conversa muito, cria redes, que é um grupo que fortalece muito as mães, né? Um grupo que ganhou aí muitas seguidoras, muitas mulheres, né? Esse tipo de trabalho é...

um sinal, né? Mostra que as mães estão evoluindo? Sem dúvida nenhuma. Eu acho que essa é a nossa maior função. É desmistificar essa maternidade e entender que nós somos humanas. Não existe o esforço sobrenatural. Por que que a mãe tem que fazer, né? Por que que a mãe precisa disso? Eu falo com as minhas pacientes no consultório que existe uma fila de prioridades. E tá tudo bem você não ser a primeira, mas você tem que estar nessa fila. E a sua hora tem que chegar.

Então pode ser seu trabalho, pode ser seu filho, e cada dia isso muda, não necessariamente é na mesma ordem, mas você tem que ter algum momento que seja a sua própria prioridade, porque senão a conta não fecha. E através desse incentivo e dessa conversa de entender que a gente não tem capa de Mulher Maravilha, a gente não vai dar conta de suportar isso.

por muito tempo, se a gente não mudar essa estrutura, é que a gente vai conseguir mudar aos poucos esse pensamento dessas mães mais centralizadoras que têm essa dificuldade de pedir ajuda ou de aceitar ajuda. Porque é um processo, não é de uma hora para outra. Mas em um determinado momento a gente tem que se colocar em primeiro lugar. Porque senão a conta não vai fechar. Eu queria bater palma por um outro perfil de mães aqui, que são as mães solo.

porque eu que tive muita ajuda, meu marido foi um pai efetivo, né? Um pai que trocou flauda, que deu banho, que fez mamadeira, que fez tudo. E faz ainda hoje, né? Nas questões relacionais assim com o filho, presença. E ainda assim eu me senti extremamente cansada e muitas vezes, enfim, principalmente porque a minha preocupação sempre foi maior que a dele, o grau de preocupação a essa questão, né?

Da culpa ali, da preocupação aqui, né? Principalmente na fase escolar, que era algo muito importante pra mim. Meu filho não me ajudava nesse vídeo. Ajuda de lá no meio. E aí, eles eram muito mais tranquilos com isso, né? Sofreram bem menos que eu, ambos. No final deu tudo certo, mas...

Até esqueci o que eu ia falar, porque eu fiquei tão presa nisso. Mas em relação a essas mães solos, eu fico pensando, eu falando do meu cansaço, tendo ali uma rede de apoio e um companheiro da ação. E essas mulheres, elas merecem também toda a nossa valorização, né? Porque muitas vezes, mães solos, por exemplo, e eu queria citar o exemplo da Renata aqui, tantas outras amigas que eu tenho, que precisaram mudar para outras cidades.

E construir novas redes, às vezes com filhos pequenos, né? Sem apoio nenhum dos pais dessas crianças. Ou, às vezes, só com apoio financeiro, enfim. Então, assim, é preciso reverenciar também essas mulheres aqui no programa de hoje.

Quero aproveitar então só a oportunidade, já que você citou o grupo Mames, que hoje a Virginia foi gravar com a Liliana Azine. A Liliana tem 41 anos, ela faz parte desse grupo, que reúne 11 mil mães de Belo Horizonte e região metropolitana. E ela conta por lá, nesse grupo inclusive que ela tem no Facebook.

que o assunto vai muito além da fralda e da mamadeira. O que mais tem ali, que as mulheres se reúnem para falar da maternidade, é choro, desabafo, pedido de ajuda por conta da sobrecarga. Bora ouvir.

Maternidade parece sinônimo de exaustão. Exaustão física, exaustão mental e emocional. Parece que vivemos em função de provar o nosso valor. Temos que dar conta de tudo, carregar o mundo nas costas, mas muitas vezes no meio do caminho esquecemos de nós mesmos.

esquecemos que não somos mulheres maravilhas, que somos seres humanos, que temos nossas fragilidades, que temos nossa humanidade. Eu vivo maternidade integralmente e por muito tempo eu tive dificuldade de entender que eu podia pedir ajuda, que isso não me tornava uma mãe pior, menos mãe.

Eu precisei chegar a uma exaustão física, mental e emocional para parar, pausar, analisar toda a minha volta e entender que eu precisava de ajuda, que eu precisava de uma rede de apoio, que eu precisava cuidar de mim para além da maternidade. Ter um tempo para fazer uma atividade física, fazer uma unha, sair com as amigas e que isso não me tornava menos mãe.

Hoje, no mundo em que vivemos, em que performance é tudo, parece que maternidade se tornou uma corrida para sermos mães perfeitas. Só que essa perfeição não existe e essa corrida nunca vai ter fim. Talvez tenha fim o dia que aceitarmos nossa humanidade, nossa vulnerabilidade, deixarmos de lado a culpa por estarmos nos cuidando.

Com toda certeza absoluta, hoje, em que eu me permito me cuidar, eu tenho mais leveza para cuidar dos meus filhos. O meu maternar é mais tranquilo. Entendi que não é sobre performance, é sobre presença, é sobre cuidado. E eu mereço também esse cuidado.

Muito obrigada pela participação. Ela merece tantas outras mulheres. É, não, e é muito legal ela trazer esse relato, que eu acho que é muito importante a gente sempre bater nessa tecla do pedir ajuda. Saber pedir ajuda. Gente, isso não é demérito em circunstância nenhuma, na vida, eu acho. Não só na maternidade, mas eu acho que é pra vida.

Porque é isso, a gente não é sobrenatural, nem superpoderosas, porque nos tornamos mães. Mas eu acho interessante quando a gente, né, que enquanto passava a gente só fez alguns comentários. Mas eu vou até trazer um exemplo pessoal, porque 48 horas depois do nascimento do meu filho eu caí na real.

Eu precisei só de 48 horas. Porque eu batia muito no peito. Não, deixa comigo. Eu vou dar conta. E a gente precisava se entender como família. Então, assim, nós morávamos em casas separadas. Um mês antes do parto acontecer, que a gente foi... Ele falou, eu quero ver meu filho crescer. Eu falei, você vai ver cada um. Eu na minha casa, você nasceu. Não, desse jeito eu não quero. Então, um mês antes, a gente ainda estava organizando mudança.

Aí o neném nasceu, então a gente não tinha nem aquele contexto ainda de uma casa com nós dois no mesmo lugar. Então aí ficou uma casa com três mais apiquitidas que a nossa cachorra. Então a gente tinha que se adaptar. Eu imaginava ser necessário um tempo de adaptação.

Mas foi isso, foi 48 horas de nascimento do meu filho. Pra eu falar assim, como eu sou boa com escalas, já vou fazer a escala de quem faz o quê, que dia, que horas, quem vem dormir comigo. Vou adorar. Vou adorar receber pessoas. Que maravilhosa, videomática. Você tá doido. 24 horas. Nem sei. Quantas horas? O meu foi pra chorar.

Pra sentar e chorar, foi diferente. Não, minha filha, eu fiz escala assim, ó, quem vai dormir na minha casa de atal? Quem vai dormir na minha casa de atal? Quem vai fazer isso? Quem vai fazer aquilo? Pode ir ficar aqui e esquecer? Flá, Flá, Flá. Eu tô doida. É porque é uma flor. Flá, Flá, Flá. Eu fui durona, assim, minha mãe falou, você vem do hospital pra cá, né? Eu fiz uma cesariana, você vem do hospital. De jeito nenhum que eu vou pra sua casa.

Nós vamos nos virar, não vou pra sua casa jamais. Imagina, que bobagem, não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê.

E aquela confusão, e fiquei uns dias na casa dela, porque eu passei mal no final da gravidez ali. E aí tava na casa dela, que era mais perto da maternidade. Saí da maternidade pra minha casa, e assim, né, plena. Nós vamos dar conta de tudo. E aí eu tive uma hemorragia, precisei voltar pro hospital. Voltei pro hospital, e nisso o bebê, né, meu filho...

Lindo, pleno, bonzinho, tudo acontecendo, o caos acontecendo e ele ali de boa. Quando eu saio dessa internação, desse retorno do hospital e volto pra casa, eu chego em casa, eu olho aquela sala, aquele apartamento que a gente morava pequeno e bagunçado, eu com o bebê no braço, uma bagunça pra todo lado que eu olhava, uma pia desse tamanho, meu marido em pé assim, eu olhei pra ele, entreguei o bebê.

E comecei a chorar. Chorar copiosamente com a sensação... Eu não vou dar conta. Eu não vou dar conta disso. O que eu faço com esse bebê agora? Eu não sei fazer. Eu tinha lido tanto e nada do que eu tinha lido... Era suficiente para preencher aquele vazio... De entendimento do que eu tinha que fazer dali para diante.

Mas parece que vem uma fadinha mágica e faz assim na gente, plim, e a gente começa a andar e se virar e a entender. E aquela relação entre mãe e filho, aquela simbiose, ela nutre a gente de alguma forma mentalmente também. Eu acho que a gente acaba sendo nutrida, mesmo com sensações de desespero, sendo nutridas pelo amor.

que tá ali dentro da gente eu vou deixar pra guardar minha experiência pra outros momentos eu quero aproveitar pra falar da culpa pra outros momentos aí detalhe, só uma coisa aí eu voltei pra casa da minha mãe voltou? voltei, aí eu fui lá pra casa da minha mãe tava guardando esse plote voltei, aí eu fiquei lá acho que sete dias mais ou menos até eu me ajeitar falei bora amor, aí peguei o marido meu filho, vamos lá pra casa da minha mãe que ela vai me ajudar e foi e

Foi lindo, assim. Ai, como é bom ter ajuda pra contar. Eu também tive, tá? Me considero privilegiada. Mas hoje, antes do programa começar, falei com a Flaviane sobre a culpa materna. E a nossa Liliana, ela trouxe um pouquinho da culpa também. Acho que aqui todo mundo carrega um cadinho. Que é uma questão que eu trato em terapia. E eu falei sobre isso com a Flaviane. Porque eu falei assim, nossa, tava tudo fluindo muito bem. Na terapia tá tudo maravilhoso, já não tenho problemas.

Opa, uma cupinha, deixa eu pegar pra mim. Falei, deixa eu trazer essa cupinha pra mim.

E o teste que o meu psicólogo fez comigo, porque a gente tem uma tendência a se julgar sempre menos, né? Nós no papel de mães aqui, por conta desse ideal da mulher aí, da mãe que não falha. E eu sempre achei que eu sou insuficiente. Não sou suficientemente boa em vários aspectos. Posso fazer uma pergunta? Dentro disso que você tá falando...

Você acha que a sua culpa é maior pra determinadas coisas dentro da maternidade? Tipo, uma coisa mais que outra, sei lá. Presença. Entendi. Então é, né? Você tem focos maiores. Tenho. E aí eu foquei naquela culpa. Não é uma culpa generalizada, não. Não, não. Na questão da presença. Eu sempre acho que eu não dou tempo suficiente pro meu filho. Acho que o que eu dou de recurso pra ele não é o suficiente. Eu sempre acho que nunca é suficientemente bom.

E aí eu passei por um teste lá, assim, hard rock com o meu psicólogo. Ele falou assim, ó, toma, depois eu conto o teste, porque é muito longo também o contexto. Mas eu queria que você falasse um pouco sobre isso, sabe? Que eu cheguei à conclusão de que eu sou uma ótima mãe. Modéstia, parte. Sou excelente, meu filho vai completar 19 anos esse fim de semana. Saudável, 1,80m, inteligente, estuda, desembolado, bonito.

tranquilo, menino educado, entendeu? Então eu fiz um bom trabalho, claro, muito mérito dele ali também no desenvolver dele, né? Mas fala dessa questão da culpa materna, que a gente pode estar olhando ali para aquele projeto super concluído com sucesso e ainda achar que fracassou.

Nasce uma mãe, nasce uma culpa, né? Eu tenho uma raiva dessa expressão. Eu também odeio ela. A culpa vem do processo, eu acho que é da diferença entre a expectativa e a realidade, né? A expectativa que a gente acredita que vai ser com aquilo que a realidade nos impõe, que a gente consegue ser, né? E aí vem essa culpa da gente sempre tentar ir além e buscar além e tentar entregar além daquilo que a gente dá conta, né? E se a gente não dá conta do ideal, vem a culpa pela realidade.

Esse é um processo extremamente delicado, assim. Eu vivo isso na minha rotina de mãe e vejo isso no consultório todos os dias, assim. Ontem mesmo fiquei extremamente culpada lá em casa. Falei, vou levar esse programa amanhã.

porque tinha 30 minutos pra tomar banho 30 minutos, o dia tinha 30 minutos pra tomar banho eu falei, nossa, são 30 minutos, é luxo não é todo dia, né, então eu vou tomar o banho na hora que eu entro no banheiro abre o chuveiro, nossa, esqueci de ler o livro com a menina e o livro era pra hoje, então volta volta, aborta o banho banho rápido, de 5 minutos sobraram 20 então vamos lá ler o livro com a criança só que não era um livro, eram dois livros

Porque eu tenho outro filho. São dois livros. O segundo ficou. Falei, vai ficar de noite. Você pede seu pai pra ler com você. E é isso aí. Seguiu a vida. Mas fiquei me martirizando. Por quê? Porque eu tive o fim de semana. Por que eu não pensei nisso no final de semana? Por que eu não adiantei esse processo? Por que eu deixei pra segunda?

Que culpa que eu tenho de esquecer? Que culpa que eu tenho de descansar no final de semana? Nenhum. Mas a sensação de culpa veio. Veio porque eu tive o final de semana e não adiantei isso. E não realizei com ele o que tinha que ser realizado. Então foi feito do jeito que deu. Bom, não. Péssimo. Um detalhe, o livro voltou na mochila hoje porque não era pra hoje. Era pra amanhã. Porque hoje tinha escutado.

Olha o universo falando, toma sua segunda chance, vai filha. Mas não vai ter jeito, vou trabalhar hoje, não vou ler o livro hoje de novo. Vai na mochila do jeito que ele tá. Eu fico pensando, assim, e eu já pensei muito sobre isso ao longo dos meus processos, que obviamente eu senti culpa em alguns momentos, outros nem tanto, isso que eu ia falar com a...

Perguntei aqui pra Rê, aconteceu muito comigo. Eu não tinha culpa em algumas coisas. Às vezes eu tinha um pouco de culpa com a questão da alimentação. Porque meu filho tem uma alimentação muito seletiva. E eu achava um absurdo aquilo. Eu queria que ele... Eu também tenha uma alimentação seletiva, mas eu achava ele ter um absurdo.

E eu não fazia tudo do jeito que ele queria, do jeito que ele gostava. Aliás, ele gosta muito mais da comida do pai dele do que da minha. E eu senti um pouco de culpa. Ah, eu não tô fazendo a comidinha, assim. Ah, eu não tô cuidando tão bem da alimentação dele. É por minha causa que ele não come de tudo. Porque as pessoas adoram julgar a mãe, né? Quando o menino não come, certamente a responsabilidade é da mãe. E de alguma forma é, né? Indiretamente, acho que pode até ter uma influência.

Mas aí eu resolvi trabalhar isso e ser quem eu sou. Chegou um determinado momento da minha maternidade que eu decidi que o meu... Ser a mãe que eu dava conta de ser. E isso não me deixava menor, não me deixava uma mãe pior. Eu não diminui o amor que eu sentia pelo meu filho e sinto. Eu não diminui também quem eu sou. Porque eu acho que isso é muito importante.

E eu quero, quis e quero que o meu filho me conheça na minha integridade. Eu não quero que ele conheça um papel, sabe? Então a mãe dele, a Renata, não cozinha do jeito que ele gosta. E essa é a mãe dele. Eu tenho muitos outros atributos e outras coisas que eu faço do jeito que ele gosta. A comida eu não faço.

Apesar de eu cozinhar direitinho, tá? Mas assim, eu não faço. E tudo bem, isso não me diminui em relação a outras mães. E isso principalmente não me diminui em relação ao meu filho. Então eu entendo que precisamos muito disso. Precisamos ser nós mesmas para nossos filhos. Não representar uma maternidade. Então, meu filho, eu falo pra ele assim, nossa, eu tô muito cansada. Faz tal coisa. Não, não, porque eu tô muito cansada.

Então sim, ele sabe dos meus cansaços, das minhas dores. Eu sou uma mãe que fala palavrão e ele...

Sabe disso, aprendeu a falar com a minha causa. Então assim, muitos defeitos do meu filho são meus. Eu olho ali os defeitos dele, são defeitos meus. Que ele reproduziu. Só que é essa pessoa que eu sou, essa mulher que eu sou, é a mãe que eu sou. Eu melhorei ao longo do caminho, eu melhorei muito. E por causa dele. Porque ele me ensinou coisas, essa troca, essa relação. Eu aprendi muito como ser humano com meu filho.

E ele aprendeu comigo, né? Só que eu também tenho esses defeitos. E eu, alguns, eu consegui melhorar dentro do processo da maternidade. E outros, nem tanto. Mas é essa mãe que eu sou. É essa mãe que ele conhece. É essa mãe que ele se relaciona.

E eu dei abertura pra ele também se colocar e falar as coisas que ele discorda. Então a gente conseguiu ter ali uma relação de concordâncias e discordâncias importante pro meu crescimento como mãe e o dele como pessoa. Eu acho que é isso, sabe? É a gente ser...

pleno dentro do que a gente é. Porque eu vejo muitas pessoas exercendo papéis. Ser real, né? Eu acho isso perigoso, né? E isso é importantíssimo pra eles, né? Pra não tentar ali buscando aquilo que não vai dar conta de exercer lá na frente, né? E trazendo os excessos. Isso é tão bacana, assim, pra trazer essa reflexão. Eu acho que até levar pra vida, né? Não é só refletir, não. Fazer isso entrar e ser.

Porque eu fico pensando, né, você entra nesses conteúdos, eu nem sei direito explicar o que é, mas aí todo mundo falando que você tem que praticar dentro da sua casa uma educação positiva, e nananã positiva, e nananã positiva. Cara, eu...

Não, não consigo E assim, é igual a Renatinha falou Sobre essas questões de culpa Também não tenho sensações De culpa Cara, eu faço o que eu consigo Eu tento fazer o meu melhor E dentro daquilo que é a Flaviane Também, porque assim, eu sei das minhas limitações Por exemplo, se a gente tá falando de cozinha Cara, o que eu faço com meu filho é ovo

É a única coisa que eu consigo fazer. E eu acho ótimo, que dizem que é o alimento mais completo, né? Então nós vamos lá, ele quebra ovinho, quer misturar, você pode misturar. E eu vou lá pro fogão e é o que eu consigo fazer. O resto é com o pai. Eu vou... Assim, o que eu quero é que ele tenha acesso a outras coisas com...

qualidade, mas isso não é um problema pra mim. A coisa do relacionamento, né, às vezes a intempestividade, né, aquelas reações. O que é isso? Eu falo uma, falo duas, falo três, mas na quinta, eu não consigo ter essa educação positiva mais, né? Aí já vai...

falar mais alto, já vai gesticular isso é a única coisa que me afeta, então eu acho que assim a gente precisa entender a gente nesse processo maternar a gente precisa se entender e se reconhecer como a pessoa que a gente é e entender que a gente vai mudar no caminho, né, por exemplo eu, quando chegou a adolescência ali, quando o ímpeto do filho aumenta

você acaba baixando o seu, pra essa relação continuar. Porque a gente precisa achar subterfúgios ali, a gente precisa achar caminhos pra esse diálogo e esse amor se fortalecer. Então vai mudar a fase ali, você vai precisar achar um ponto de encontro. Novamente, porque senão a gente se distancia dos filhos. E isso eu acho que é o pior erro das mães, né? É perder a conexão. É perder essa conexão. Você tem que reestabelecer conexões, porque eles vão mudando.

Não é isso? Exatamente. Assim como nós vamos mudando, né? Assim como nós, exatamente. Tem participação, adivinha de quem? Opa, quem? Dani Bittar tá aqui na nossa reunião. Tá maravilhosa. Maravilhosa, falou. Maravilhosas, boa tarde. Vivemos o maior número de burnout entre mulheres mães. Afinal de contas, o burnout acontece só em ambientes de trabalho e na maternidade. A culpa nasce no patriarcado, que deixa e coloca a responsabilidade toda na mulher.

Se eu acerto, a culpa é dela. Se deu errado, a culpa também é dela. Exatamente. O Rafa falou que, meninas, o valor da mãe não pode ser medido por uma mensagem no Instagram. A mãe é a força da natureza mais linda que a gente tem. Antes da mãe, vocês são mulheres e em todas as facetas dessa manifestação, linda de amor.

Uau! É o nosso Rafa? É o nosso correto. Saudade. E ó, tem uma enquete rolando aqui, gente, no canal, falando na sua casa. Quem que você acha que realmente carrega o maior peso da rotina? Sua mãe ou seu pai, 100%. Todos os votos responderam? Mãe. Por que será? Minha mãe.

Uai, gente, vocês estão todo mundo assistindo isso aí Ninguém tá fazendo nada Sabe? As mulheres que tinham 13 filhos 10 filhos, nossas avós, né? E que colocavam os irmãozinhos É isso, mas A escadinha vai E assim vai

Mas sabe uma coisa também, que eu fico tentando aí, já é uma questão muito pessoal, que eu tento falar muito, dentro da minha casa, eu não sou obrigada a tudo sozinha. Nós entramos num projeto de vida juntos. Eu sei que cada um tem as suas limitações, cada um vai se dar o máximo e o melhor daquilo que consegue. Mas eu não estou sozinha.

então assim, às vezes tem homens que não entendem esse cansaço até o mental, que pode parecer uma bobagem, assim, organizar uma logística do dia quem busca, quem pega quem leva não sei o que, quem faz para casa, quem coloca para dormir, quem vai ler o livrinho cara, isso aí é um dia inteiro é uma logística de um dia inteiro, aí às vezes ah, mas...

Não tô entendendo o seu cansaço. Mas quem que organizou isso tudo para acontecer? É essa chave que eu acho que ela precisa, sabe? Ela ser colocada e ser virada. Nossa, sim. Porque alguém precisa fazer a coisa acontecer. Então tem que... Você tá falando da organização. É. Zacarone falou da presença. Que foi uma da sensação de culpa. Talvez a sua, o cansaço venha pela organização. Aqui é culpa, aqui é cansaço pela organização. Qual seria o seu, doutora? Dois juntos.

Um pouquinho de cada. Sabe o que mais me cansou? Se mexeu com a minha saúde mental, mexe na maternidade, a preocupação.

Ah, mas nasce o filho, nasce uma preocupação. Nem a organização, mas a preocupação. Porque às vezes, essa coisa de preocupar, de estar falando o que vai acontecer antes ali na minha cabeça. E eu nem sou uma pessoa tão ansiosa, né? Mas isso me gerava muita aflição, sabe? E foi algo que mexeu muito comigo, que foi o que me levou pra terapia. Esse excesso de preocupação.

de querer que tudo desse certo demais. É, sofrimento puro, né? Necessidade de controle. E é esse o maior problema, porque muitas vezes a gente chega nesse momento de exaustão e isso transborda em adoecimento, né? Se a gente não busca uma terapia, se a gente não busca um suporte, se a gente não busca uma rede de apoio, se a gente não busca mudar quem vai organizar essa rotina, né? A gente adoece, né? E a gente adoece com ansiedade, com depressão, com burnout. Isso pode interferir na minha relação com o meu filho? Com certeza.

A questão da relação com o filho é multifatorial, mas quando você está num processo de adoecimento, normalmente o seu vínculo afetivo não é o mesmo. Não porque você não quer, não quer estar presente, você não ama e você não tenha sentimentos, mas você não tem disponibilidade para que isso aconteça. Você não está emocionalmente disposta e aberta para esse vínculo acontecer.

Gente, pensa bem, ninguém passou por isso, assim, a criança querendo brincar e você querendo dormir. Aí você começa a brincar com a criança, quando você vê, você já apagou ali com o bonequinho na mão. Como brincar de quem dorme primeiro, hein? Não é, exatamente. Não é? Brincar de quem dorme primeiro. É um cansaço extremo e que gera o adoecimento, que gera a relação estremecida ali entre a mãe e os filhos. E isso traz consequências, sem dúvida nenhuma. A criança...

ver esse adoecimento. E pra essa situação a gente também fez combinados. Tô cansada? Então agora é só a hora, né? Acorda geralmente muito cedo.

Aí sempre se espera a mãe levantar, né? Essa é uma coisa. E sabe uma coisa que eu ouvi do meu filho outro dia? Que eu falei assim, gente... Que aí ele falou assim, mamãe, deixa o papai descansar. Ele nunca falou isso pra mim. Não, não vai falar isso pra mim. Com pena de Antônio. Mas aí eu perguntei, eu falei assim, o papai pode descansar. E a mamãe? A mamãe depois. Mas por quê? A gente tem uns combinados. Então, pela manhã...

Aí acaba que eu acordo. Então, assim, se a gente não tem um plano imediato ali de fazer alguma coisa, então a gente vai fazer os nossos programas. Mas na hora que bater o meu cansaço, é seu. E agora eu vou para os meus aposentos. Entendeu? Então a gente já tem esses combinados estabelecidos. Então, assim, aí pode...

Eu vou pro meu quarto, se eu quiser tirar minha soneca, se eu quiser ver uma novela, se eu quiser ler um livro, é o meu momento. Então a gente já tá, a gente criou uma... Isso é raro, né? É raro. Eu acho que essa organização é bem... É raro. A gente tá falando aqui... De uma minoria. De uma minoria, né? Porque, ah, mas eu falo. Às vezes só falar não basta, né?

Gente, minha sorte na vida, enquanto mãe sola, é que meu filho adora. Ele dorme de cama. E eu falava assim, mamãe cansada, vem com a conchinha. Pronto, ia. E os dois de conchinha. Alegria. Delícia. Mas esse é um privilégio, gente. Privilégio de uma mãe de taurina. O meu era o contrário, né? Porque o meu era... Sempre dormiu, mesmo bebê, até mais tarde.

E ficava acordada até mais tarde também. Queria rave. Rave desde sempre. Mas você ia falar, desculpa. E eu sou noturna, né, também. Então era um facilitador. Tudo certo. Fechou a conta. Mas você ia falar alguma coisa, eu te interrompi. Não, eu ia perguntar. Já esqueci o que eu ia perguntar. Hoje eu tô com a nossa menor. Memória, gente. Desculpa. É, aí a névoa mental. Mas tem alguma coisa a ver com o diálogo? Foi nesse momento que você ia falar alguma coisa? Nas rotinas?

Eu ia perguntar sobre esse processo dentro do consultório, o que mais chega para você?

É porque a gente falava aqui que esse perfil de mãe Flaviane, paixão, ele é uma minoria. E eu queria saber de casos, de casos clínicos ali, o que que chega e se teve algum que te assustou mais, assim. Chega muita solidão, muita solidão. E isso me assusta muito, sabe? De mães que às vezes tem companhia, tem companheiro, que tem família, mas que sentem sozinhas.

sentem sozinhas e na maior parte das vezes com medo de verbalizar o que sente, né? Com medo de julgamento alheio. Eu acho que é isso que mais me comove, assim, nos atendimentos. E essas pessoas sozinhas, às vezes, tem parceiros? Tem. Na maioria das vezes? Na maioria das vezes. Na maioria das vezes. E como é que ela se traduz essa solidão pra você? Como é que ela traz assim, eu tô sozinha? Mas aí talvez a pergunta, mas como que você tá sozinha se você tem alguém dentro de casa?

Como é que ela explica isso pra você? A sensação de estar sozinha consigo mesma.

de não ter com quem falar, de não ter abertura para falar e se fala não é compreendida, na maior parte das vezes. É uma sensação, muitas vezes, de isolamento. E a pessoa vai, à medida que vai se sentindo cada vez mais sozinha, ela vai entendendo que é esse o caminho dela e ela vai se isolando cada vez mais. Ela deixa de falar, ela deixa de se abrir, ela deixa de sair com os amigos, ela deixa de se encontrar, deixa de momentos de lazer.

E isso vai trazendo um adoecimento importantíssimo, que é a depressão. Acho que tem um perigo também nessa solidão.

Pensando aqui, eu já vi isso acontecer com algumas pessoas conhecidas, da mãe entender e ver naquele filho sua única fonte de apoio. E ela acabar ali trocando coisas com o filho, que às vezes é uma criança ou um adolescente, que não é...

Não é pra idade dele, né? Não são dores que aquela criança, aquele adolescente tem que sentir. Não que eles não tenham que ter essa relação de diálogo. O filho tem que entender. Eu sou muito a favor da transparência, né? De que o filho entenda. Mas eu acho que cada fase tem até onde pode ser dito, né? Então, de repente, ela jogar toda essa...

dor e essa solidão focada na criança, existe um risco, né? Um risco também de colocar essa criança numa redoma ou de tornar essa criança adulta cedo demais. Exatamente, exatamente. Acaba que é uma forma de escape, né? É uma forma de suporte que ela encontra de dar vazão para o que sente, né? E aí encontra ali no filho um amigo, né? Com quem pode desabafar.

Você acha que filho é amigo de pai e mãe? Não. Não. Acho que filho é filho, mãe é mãe, pai é pai. Amigo é amigo. Eu acho que pais e filhos têm relações de amor intenso. Relações saudáveis, de troca. Mas não é exatamente uma amizade. São relações...

que podem parecer amizades, né? A gente às vezes fala, eu sou amiga do meu filho. Eu sou amiga do meu filho no sentido de que ele me conta as coisas, de que a gente tem boa troca, eu sei disso, mas eu não sou, eu continuo sendo a mãe dele, eu penso assim, sabe? Isso não me impede de ter uma relação fraterna com ele. Com certeza, uma relação de confiança, em que ele pode trazer as informações e você também passar as informações. Mas o que você passa tem que ter limite. Sim.

Amigo é amigo, né? Exatamente. Gente, mas eu viajei aqui numa coisa que veio puxando um pouco do que a Renatinha trouxe, mas veio aqui uma participação de uma querida, a Camila Fardim, que uma vez no programa, ela falou assim que ela escutava muito assim mães falando assim, nossa, meu filho é minha vida, meu filho é tudo pra mim.

E ela deu uma resposta na ocasião que ela até me deixou, eu fiquei até meio assustada, que eu falei assim, não deveria ser. A gente tem que se colocar também como tudo pra gente mesma. A gente precisa se cuidar, a gente precisa se olhar. Ontem mesmo eu falei isso com você, né Renata? Ele não pode ser sua vida, porque em algum momento ele vai constituir a vida dele. Você tem que ter a sua vida. Pra mim aquilo foi no momento que eu ouvi aquilo assim, Brão!

Nossa Ficou brava Inclusive a gente verbaliza Isso é tudo pra mim O amor da minha vida Cuidado com o que você fala O amor da sua vida é você também Eu acho que verbalizar que é o amor da vida Eu não vejo problema O problema é como essa vida vai ser vivida Porque geralmente essas pessoas Que verbalizam, colocam no filho Tudo ali

elas se anulam, elas se esquecem então tomar cuidado nisso, mas ao mesmo tempo é engraçado, quando você tira o eixo do seu filho aí pode parecer entrar uma coisa assim, nossa, mas eu sou mãe por causa dele, ele não vai ser tudo pra mim? é o que te faz mãe

Mas você, além de mãe, você é mulher, você é trabalhadora. Você tem da carreira. Você tem muitas facetas. Dentro de uma Flaviane existem outras tantas Flaviane. E mãe é uma parte delas. Talvez a parte mais importante? Pode ser que sim. Então, ok. Mas, sei lá, eu acho que essa coisa de falar...

Eu acho que o risco muito grande, muitas mulheres entram em depressão quando os filhos crescem, né? E saem de casa, justamente porque depositam todas as expectativas. Agora, falar que mãe não tem expectativa, gente, a gente tá mentindo. É hipocrisia, né? Toda mãe tem expectativa.

Ponto. E aí é muito legal isso. Eu acho incrível, porque a gente fica ali esperando o filho e a gente cria tantas expectativas. Primeiro, como eles são, né? Por exemplo, eu imaginava meu filho moreninho, com o cabelo bem pretinho, ele nasceu com a pele super clara, o cabelo claro. Então assim, você vai falando, mas como assim? Eu já imaginava outra coisa, já tem essa questão. E ali você imagina uma personalidade que é, na maioria das vezes, próxima à sua. É. Uhum.

Você imagina uma continuidade de você. E aí, de repente, você vai vendo se formar outra pessoa, com outra personalidade. Aí você fala assim, meu Deus, isso é assustador em um determinado momento pra mulher. Mas a gente precisa entender isso.

que essa diferença é que faz dele um ser único. As semelhanças vão acontecer, mas ele vai andar com as próprias pernas ali e a gente vai ter que acompanhar, a gente vai ter que dar a mão e estar com a mão ali para puxar quando for preciso.

Mas eles são eles, a gente cria, a expectativa é toda nossa. E eu acho esse problema da expectativa também, doutora, um ponto importante, né? Porque existe muito sofrimento materno em função desse rompimento de expectativas.

Porque a mãe tem que dar conta de tudo, né? A expectativa, na verdade, a nossa expectativa, né? A expectativa é sobre quem o filho é ou vai ser. Com certeza, com certeza. Entendeu? Nesse sentido, assim. A gente quer as características boas ali, né? Porque a gente fez tudo tão perfeito, né? Teoricamente. Entregou tudo. Como que ele não vai fazer aquilo que elas queriam, que nós queríamos? Como que ele não dá conta daquilo que a gente gostaria que eles dessem, né? Exatamente.

A gente quer passar as coisas boas. Ninguém quer passar os defeitos, né? Mas eles criam uma mutação ali num processo de construção de personalidade que eles têm os defeitos deles e nossos, né? Teve um dia que até achei engraçado que o meu marido falou assim, gente, de onde que vem essa característica? A gente tá falando sobre o meu filho mais velho. Ele falou assim, ó, de uma mutação genética.

Não é daqui nem de lá. Isso é muito legal, gente. Eu acho isso incrível. É um processo de construção de um ser, né? Eu acho isso mais incrível. Você olhar pra um ser que você gerou e ver alguém que é igual em muitas coisas, mas tão diferente ao mesmo tempo. E aí você olha ali e ele vai te ensinando. Fala, não, né? Assim não. Isso aí que você planejou, esquece. Aí você fala...

A vida é dele. Chega um momento que a vida é dele. E aí, você fala assim, é isso aí. Se a gente não se coloca de novo no eixo, se a gente não volta pro lugar, vai viver essa maternidade da solidão, do afastamento, da dor. E qual vai ser o nível dessa relação com o filho, doutora?

A relação tem que ser leve, o que eu falo com as pacientes no consultório é não precisa sofrer para ser mãe, pode ser leve, a gente só tem que encontrar estratégias para driblar esse peso que a gente carrega nas costas, não precisa disso tudo, eles vão chegar lá na frente saudáveis, tendo as suas realizações ali, independente do peso que você carrega hoje ou não, isso não vai mudar o futuro deles, vai mudar o seu futuro e às vezes até o seu presente, dependendo do peso que está ali por trás.

e é um processo que a gente tem que começar e deixar pelo caminho. Agora tem uma pergunta que eu não posso deixar de fazer, que é sobre comparação. Tempos de redes sociais, mães em redes sociais, filhos em redes sociais.

A outra mãe que segue o filho da colega, que segue o filho daquela coisa toda. Como é que é isso? O quanto essa comparação impacta no sofrimento materno? Aquilo é uma vitrine para vender ali uma vida irreal. A vida real não é aquilo. A gente tem 24 horas. Ali é um recorte, por mais que uma pessoa seja um influenciador, etc. Ela não consegue postar ali 24 horas da vida dela e ela nem quer. O objetivo nem é esse.

Essa comparação, ela gera um sofrimento muito grande porque desvaloriza muito o que você tem. Porque na maior parte das vezes, você compara pra cima. Você não compara vendo o que você tem além do outro. Você compara com o que o outro tem acima de você. Então, você tem uma sensação de desvalia muito grande. Como se tudo que você fiz

que já não é pouco, que já é ali se dando ao máximo e tentando fazer além da sua capacidade ainda é insuficiente porque a vitrine vende muito melhor do que a vida real, né? Isso é um processo extremamente doloroso até pra nós mesmo, né? Que vamos descansar vai pro Instagram, que descanso é esse? Que você chega lá e fala assim, nossa, esqueci disso, esqueci disso não tinha que ter feito isso, olha que ideia boa que eu não fiz você só vê coisa que falta, você não vê nada que te preenche. Depois a gente pensa por que que tá exausta, né? Agora, dá,

Só voltar aqui a sua última fala Dessa questão de criar estratégias Para tornar a maternidade mais leve Ela não precisa ser sofrida E não precisa ter tanto sofrimento Quais estratégias que são essas que você traça Para seus pacientes

A primeira que eu acho que vale para todas nós é apoio. É rede de apoio. E rede de apoio de todas as formas. Rede de apoio, por exemplo, para você tomar um banho. Rede de apoio para o seu filho ficar na escola. O apoio não é só dentro de casa. Naquele contexto do dia a dia. Do que a gente tem que fazer do ponto de vista de rotina. De cuidados com a casa. Mas é rede de apoio para você passar um final de semana mais leve.

É uma escola que você consiga entregar ali, não que você vai delegar a educação da criança, mas que você consiga delegar parte desse dia dessa criança sem preocupação, né? É um apoio. Eu acho que é esse o ponto-chave pra gente tentar minimamente descansar a cabeça. E quem não pode contar com a família, contar com amigos, né? Exatamente, de todas as formas, né?

Gente, vamos terminando o interesse de hoje. Recebemos a doutora Adriana Gatti, que é uma gata. Toda vez eu falo isso. Ela continua uma gata. Miau, miau. A doutora Adriana é médica e psiquiatra, especialista em saúde mental materna. Exatamente.

E tem arroba, tem redes sociais. Inclusive, eu vi fotos belíssimas. Tinha um 4.0 lá, uma coisa assim. Que queira aquilo? Já chegamos. Chega pra todos. Maravilhosa. Deixa seu arroba, então, pro pessoal te seguir nas redes. Arroba, dr.a.adriana.s.gat. Muito que bem. Se você tem dúvidas, você tá na tela. Eu sou o Brito entrevistado a falar. Dois tesinhos.

Mais uma vez, obrigada. Eu que agradeço. Você volta mais vezes, por favor. Com certeza. Vamos diminuir esse intervalo de visitas. Com certeza. Obrigada, doutora. Flávia e Anipachão. Nós vamos cortar esse último pedaço, né? Daquela fala de rede de apoio, de apoio, de saber pedir. Fazer viralizar. E fazer viralizar. Colocar, inclusive, lembrar dos amigos, das pessoas próximas, da família. Vamos fazer viralizar.

Renatinha Nunes. Eu queria dizer pra quem ouviu esse programa, pra abraçar uma mãe, né? Mas abraçar, ontem eu falei do abraço das mães de colo vazio, hoje eu queria falar do abraço das mães para mães, né? Ou das mulheres para as mulheres, né? Porque eu acho que a gente que conhece esse cenário, que conhece essa situação que as mães vivenciam, não custa olhar pra vizinha, né? Olhar pra colega que tá do lado no trabalho e parar pra fazer uma pergunta, tá tudo bem?

Você precisa de ajuda? Quantas vezes a gente deixa isso passar ali no nosso dia a dia? É com essa que a gente fecha o Interessa. Um beijo pra você. Segue no arroba, programa Interessa no Instagram e no TikTok, interessa.tempo.

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