Interessa | Sexo e menopausa: nem tudo está perdido - e ainda existe (e como!) libido nessa fase
Durante muito tempo, a menopausa foi tratada quase como um encerramento, especialmente, quando o assunto é sexo. Como se o desejo simplesmente desaparecesse e a vida sexual virasse página virada. Mas será que é assim mesmo?
O corpo muda, sim. Oscilações hormonais, novas respostas aos estímulos e até desconfortos podem surgir. Mas transformar isso em sentença definitiva é reduzir demais uma experiência que é muito mais complexa e cheia de possibilidades. A própria Fernanda Lima falou abertamente sobre o período em que perdeu a libido no início da menopausa. O que pouca gente considerou é que, depois, ela também contou sobre a retomada do desejo, os ajustes na rotina e a redescoberta do prazer. E quantas mulheres vivem isso em silêncio? Quantas acham que o desconforto é “normal” e que não há o que fazer? Informação faz toda a diferença. Entender o corpo, adaptar o ritmo, incluir novos estímulos, mais diálogo, tudo isso pode transformar a experiência.
Para falar sobre esse tema sem tabu e com profundidade, o Interessa recebe a Andréa Rufino, ginecologista e sexóloga. Na apresentação, Renata Zacaroni, ao lado das jornalistas Flaviane Paixão e Jana Fonseca compondo a bancada.
- Menopausa e EnvelhecimentoImpacto das mudanças hormonais na sexualidade · Queda da libido e seus efeitos · Adaptação e redescoberta do prazer · Fernanda Lima e relato sobre menopausa · Angélica e menopausa precoce
- Desafios da MaternidadeImpacto da maternidade tardia na energia · Cansaço crônico e falta de disposição · Priorização da filha em detrimento de si · Fernanda Lima e sua experiência com maternidade tardia
Quem lembra do barulho que tomou conta das redes sociais quando a Fernanda Lima, ela mesma, contou sem medo, sem rodeio, que estava negando fogo para o marido? Aquele mesmo que muita gente coloca num pedestal quase inatingível.
A frase rendeu julgamento. Mas ninguém parou pra olhar o contexto. A Fernanda Lima tava no início da menopausa. E aí a conversa muda, meus amores, porque não é sobre falta de interesse assim do nada. Não é que o Rodrigo Hilber ficou desinteressante da noite pro dia, não tem nada disso.
É que, gente, teve um corpo feminino que passou por transformações hormonais, físicas, emocionais que impactam e muito a vida sexual. Mas existe luz e olha a luz de farol no fim desse túnel. Sexo e menopausa. Diferente do que vendem por aí, nem tudo está perdido muito antes, pelo contrário. Existe e como libido nessa fase da vida. E é disso que a gente fala hoje no Interessa Podcast.
Olá, seja bem-vinda ao Interessa Podcast. Coisa boa ter você na nossa audiência. Um beijo pra você, eu sou a Renata Zacaroni, você me ouve pelos principais tocadores de podcasts e tá vendo por meio de duas lives. Tamo aí nos canais do Tempo e o Tempo Livre no YouTube, onde você já pode se inscrever e soltar aquele likeão que a gente gosta. Lembra que eu disse que tem uma luz no fim do túnel, quando o assunto é sexo na menopausa? Pois muito que bem.
Logo na abertura do programa eu citei a declaração da Fernanda Lima Limão, não foi? Depois de toda a repercussão sobre a queda da libido, ela voltou ao tema numa entrevista para a revista Marie Claire e falou Gente, sério? Vocês estão reduzindo a menopausa só a isso? Ao sexo?
Mas muito bem. Falou, olha, tem outros sintomas que são muito mais intensos, nem deram a mesma importância, não deram espaço, enfim. Querem saber da minha libido? Ela está de volta. Tanto que ela falou com muita naturalidade sobre um momento de adaptação. Inclusive que ela passou a fazer uso de gel lubrificante. Falou que é um item indispensável na necessaire dela nesta fase da vida. Ou seja, todo mundo colocou como fim uma situação da vida de Fernanda Lima.
Mas era um momento, uma fase. Gente, é fase. Ajuste de rota. E é exatamente isso que a gente precisa colocar na mesa. A gente cresce ouvindo que a menopausa é ladeira abaixo, como se o prazer tivesse prazo de validade, mas não é bem assim. O que existe é uma mudança no corpo, um corpo diferente, pedindo novos caminhos, mais informação, menos tabu.
E para ajudar a gente a atravessar esse assunto e essa fase para as mulheres que estiverem na menopausa com muito mais leveza, nós estamos recebendo hoje no Interessa a ginecologista e sexóloga doutora Andréa Rufino, pela segunda vez, mas agora pela primeira vez comigo.
Ela é autora do livro Menopausa, muito prazer, que traz um olhar muito mais acolhedor, direto, necessário, sobre essa fase, sem romantizar, tá? Mas também sem condenar, especialmente com importantes dicas pra nossa audiência feminina viver a sua sexualidade em plenitude. Então, seja muito bem-vinda, doutora. Obrigada, Renata. Um prazer estar com vocês aqui de novo. E agora pra gente falar de prazer de verdade, né? Desconstruir essa crença.
que talvez a grande maioria das mulheres tenham, né, de que a menopausa e as modificações do corpo vão acabar com a nossa libido. Vem muito dessa construção social de que a gente é um corpo para o outro.
Ela já começou assim, eu só queria avisar vocês, se vocês não estavam preparados, ainda bem que não tem nem 10 minutos de programa. Prepara, que agora é hora do show das poderosas. E nesta bancada, eu tenho o poder todo comigo, gente. Pelos poderes de Grayskull, eu anuncio.
as jornalistas Flaviane Paixão é gente tudo bem com vocês Nossa estou feliz demais inteira doutora aqui conosco novamente que ela não falava com a amiga minha que assim é um prazer quando a gente recebe mulheres inspiradoras potentes hipnóticas porque ela é potrizão não
É bonito demais, é inteligente demais. Isso é uma grande verdade. Isso é muito, isso é muito, sabe, inspirador mesmo. Eu não encontrei, eu falei assim, gente, eu tô tentando achar palavras. Porque é muito bom receber mulheres assim. E tem uma outra fofa aqui do meu lado, não, do meu lado é essa aqui, essa aqui eu falo pra ela todo dia. Mas eu tenho aqui na minha frente, que eu gostaria muito de saber se ela tem a noção do poder dela.
Parece que não sabe. Eu acho que ela também não sabe, não. Tanto que ela é... Ah, a Jana. Ela é foda mesmo. Nem sei. Olha, na hora... Eu ia falar, vocês botam um pi na mente de vocês, tá? Jana Fonseca. Um balão estourou de tão enxá. Ah, que linda.
Ah, foi, minha amiga. Meu amor, estou tomando consciência disso. E tanto que eu falei que... Outro dia eu cerquei a doutora e queria conversar com ela, queria o livro dela também, porque eu tô nessa fase da menopausa e no início foi muito difícil, foi uma ladeira abaixo, mas eu consegui voltar e eu tô tomando a consciência de toda essa minha força e meu poder. Muito bem, minha amiga, que coisa legal de ouvir.
Olha só, gente, uma coisa que eu sempre digo aqui no Interessa é que envelhecer a depender das circunstâncias é uma bênção. Afinal, quem envelhece está o quê? Vivendo. Mas até nesse campo biológico existe uma diferença muito importante entre homens e mulheres. A gente vive mais, não é? Só que a gente entra na menopausa.
Quando eu era mais nova, eu gostava muito de sexo, e não que eu não goste hoje, eu gosto muito, diga-se de passagem, mas eu dizia que uma das grandes vantagens de um ser imortal, olha só pra vocês verem o nível de apreciação pelo sexo, era nova, é poder transar pra sempre, olha que coisa incrível. Só que eu tinha esquecido, mais uma vez, dele, do recorte de gênero. Menopausa no meio do caminho.
As mudanças hormonais dessa fase, ela tem um impacto muito direto na vida sexual, principalmente por conta dessa questão da queda da libido, tá? A diminuição do estradiol, por exemplo, altera a mucosa vaginal e aí a região fica mais seca, fica menos elástica, mais sensível, o que muitas vezes faz com que a relação sexual fique dolorosa, e isso é lógico, vai afetar o prazer. E convenhamos, quem é em sã consciência vai querer sentir dor.
Além do impacto físico, essa dor acaba interferindo no desejo. Se eu vou sentir dor, eu vou querer desejar? Vou querer... Ah, desce pra lá, bota Netflix aí. É um efeito em cadeia, gente. Isso porque o estrogênio também não atua só na reprodução. Ele participa da lubrificação, da vascularização da região íntima, da resposta sexual e até da sua disposição, mulher.
E a testosterona, Zaca, é pouquinha? É, mas faz diferença também, tá, gente? Tem um papel no desejo e na queda ao longo do tempo, influencia diretamente a motivação e o prazer. E aqui, com aquela questão que eu trouxe da atrofia vaginal, além da dor, que deve ser muito, né, assim, evidente, podem surgir coceira, eu não sabia, ardência e até infecções recorrentes. Mas eu não sou, graças a Deus, a médica desta bancada. E logo mais ela vai destrinchar tudo isso com a gente.
Ponto essencial, envelhecer, gente, não é sinônimo de sofrimento. Hoje existem recursos, caminhos, alternativas que ajudam a mulher a recuperar o conforto, prazer e a confiança no sexo. Então, minha pergunta, quais são esses recursos? Quais são essas alternativas? É o que a gente te conta, não interessa desta sexta com S de sextou com sexo. Pergunta pra você que é mulher e tá na nossa audiência e que já está na menopausa.
Você deixou de ter relações sexuais por desconforto? Achou que era isso mesmo? Era uma sentença? Acabou ali? Preferiu não investigar o motivo? Você sente que recebeu informação suficiente sobre a menopausa, essa fase na vida? Porque a gente não fala muito, né?
Não falava. Não falava. O Interessa, inclusive, veio pra mudar esta cena. Participa do nosso bate-papo, tá? Você pode mandar a sua participação por meio do chat. Tá aberto pra isso mesmo. Esse podcast tem a sua participação e se faz parte da sua vida. Interessa!
Pode chamar a doutora pra falar também. Eu quero é que a doutora... Porque agora ela vai... Toda vez que ela estiver em Belo Horizonte, ela vem aqui. Já tá intimada. Você já participou desse programa, você sabe que a gente grita. Esse podcast tem a sua participação e se faz parte da sua vida... Interessa! Gostei de ver! Muito bem!
Doutora André, vamos começar falando sobre essa questão da dor durante a relação sexual, durante a menopausa, para além desses motivos que eu falei aí, que eu julgo até um pouco óbvios para a mulher não querer se relacionar sexualmente, por que a gente não pode normalizar essa dor?
Vamos lá. Primeiro, eu queria parabenizar você pela descrição que você fez da falta que o estrogênio faz pra essa vagina. Muito obrigada. Né? Eu dei uma estudadinha. Estudou muito bem e aprendeu. Grey's Anatomy, meu nome. Maravilhosa. Então, assim, acho que é muito importante dar essa informação porque...
Muitas mulheres não têm essa consciência de que a falta do estrogênio causa tudo isso. E muitas mulheres acham que a falta do estrogênio só tira a lubrificação. E a falta do estrogênio tira a capacidade do clitóris, vamos dar nome aos bois.
Perde um pouco da capacidade de ficar ereto. Então, o que vai causar lubrificação vaginal, aumentar o volume dessa vagina, o tamanho dessa vagina, é o estímulo clitoriano na prática sexual.
Então, se há estímulo clitoriano, mas não há uma base biológica, um estrogênio favorecendo aquela ereção do clitóris para aquecer aquela região, aumentar a quantidade de sangue, fazer a vasodilatação, aumentar a quantidade de sangue e causar dali 15, 20 minutinhos de carícias clitorianas, uma lubrificação vaginal, esse prazer vai ser ruim.
Então, muitas vezes, quando a gente prescreve o estrogênio vaginal para a mulher nessa fase, seja de transição para a menopausa ou já menopausada, quando a gente passa um lubrificante, ele não resolve tudo.
Porque o lubrificante devolve a facilidade para deslizar um vibrador, um dedo, um pênis. Mas ele não melhora a qualidade da mucosa, para que ele fique confortável. Então, o lubrificante ajuda, sem dúvida. Mas aquela mucosa não aguenta muito tempo de fricção.
Então, o segredo sim é usar estrogênio. E esse estrogênio vaginal, ele tem raríssimas contraindicações. Porque ele absorve no restante do corpo menos de 1% daquele estrogênio que a gente coloca na vagina. Então, é muito seguro o estrogênio vaginal.
E ele não é inferior e nem é igual às tecnologias tipo laser, tá? Então, laser, radiofrequência não é melhor do que o estrogênio. Então, estrogênio vaginal custa 70 reais.
Ele é diferente do estrogênio que a gente usa? Não, mas ele vem numa formulação específica pra vagina. Aí ele seria usado, além de usar esse estrogênio que a gente usou no interno de coxa, de braço, usaria ele também? Depende.
Porque quando essa mulher está bem estrogenizada com uma terapia hormonal transdérmica, ela pode não precisar do vaginal. Ela pode ficar tão bem com essa dose que ela não precisa do vaginal. Mas para aquelas mulheres que ainda sentem alguma queixa, a gente pode complementar. Ou para aquelas mulheres que não podem, ou não querem, ou não têm indicação para usar o transdérmico.
Elas podem usar o vaginal sem nenhum medo. E ele é uso diário também? Ou é só quando você tá pensando em... Depende. Isso é muito importante, porque a ação do estrogênio na vagina precisa ali de 15, 21 dias pra o efeito ótimo. Então não dá pra usar como lubrificante. Vou ter prática sexual hoje, amanhã e vou usar na véspera. Não funciona. Então a gente precisa da continuidade desse uso. E eu brinco muito com as mulheres, eu gosto de fazer comparações pra que elas entendam.
Eu digo assim, sabe a tinta do cabelo que você usa pra raiz não ficar branca? Se você parar de usar, o que acontece com a raiz? Mesma coisa, você para de usar o creme vaginal, mas ressecar de novo. Então, é a constância, né? Algumas formulações você usa duas vezes na semana, outras você usa três vezes na semana. Mas você precisa de uma dose inicial e depois fazer a manutenção. Mas tem que estar...
em uso. Para garantir essa... Interessante, ele não conhecia, não sabia que tinha essa possibilidade. Bem, não. Agora, doutora, eu gostaria de voltar, inclusive, nessa abertura que a Renata Zacaroni fez, que citava a Fernanda Lima, eu acho que o relato dela é impactante por quem ela está casada há 20 anos, com quem ela se relaciona há mais de 20 anos, que eu acho que é um cara que...
Quase todas as mulheres, vamos falar todas as mulheres, já desejaram ele em algum momento da vida, né? É, o cara levou o sarrafo, né? Nossa senhora, nossa senhora. E eu resgatei uma dessas entrevistas, ela deu várias desse momento da menopausa, e eu acho que isso é muito importante, porque é isso, inclusive ela casada, ela não quis reduzir a sua menopausa à sexualidade, mas essa foi uma das questões que eu acho que mais reverberou o país afora por ser casada com quem é.
Mas me chamou a atenção numa entrevista que ela deu para o Saia Justa, em junho de 2025, que ela, dentre todos os sintomas que ela falava, ela usou uma expressão que me chamou muito a atenção, que ela falou assim, a menopausa tirou toda a minha libido, todo o meu tesão, inclusive pela vida.
Eu achei isso forte. Fortíssimo. Porque o que a Janaína falou, né, dessa questão de ladeira abaixo, ela foi explicar um pouco sobre esse sentimento e ela falou assim, por um momento eu fiquei assim, achando tudo muito chato, muito cansativo, não tinha vontade pra nada. Por outro lado...
Eu resgatei também uma entrevista que a Angélica deu em outubro de 2022, quando ela começou a falar sobre a menopausa dela, que hoje ela está com 51, 52, mas começou aos 43 anos. Ela entende que a medicina não trata como uma menopausa precoce, mas ela chama de menopausa antecipada, porque para ela era muito nova.
E ela falou que não afetou em nada na libido dela. O desejo não diminuiu, pelo contrário, a vida dela sexual melhorou. Se ela vai fazer uma comparação, inclusive é melhor de quando ela era mais nova. Então a gente tem aqui dois exemplos interessantes sobre como a menopausa, como essa fase afeta a vida da mulher.
Só que eu acho que tem gente que deve trocar. Ah, será que a Angélica está falando a verdade? Sabe? Você vai ser a Fernanda Lima. Porque tantão passou dificuldade, será que é... Mas é possível as mulheres terem vivências diferentes com a menopausa na sua sexualidade? É possível eu chegar na sexualidade e curtir tanto ou melhor do que eu nessa fase aí que a Renata Zacaroni falou aí que dava que nem chuchu na ar.
Acerca. Certo, vamos lá. É completamente possível que as mulheres tenham experiências completamente diferentes. E o marco é entender que a libido é energia vital criativa.
É pulsão sexual, pegando bem o conceito de Freud. Então, é a energia que coloca a gente para fazer as coisas, para a gente levantar de manhã, para a gente estudar, trabalhar, reproduzir, transar, fazer tudo o que a gente faz.
Então, a libido é essa energia muito maior do que só relacionada à sexualidade. A libido também é essa busca pelo prazer, pela recompensa, recebendo o prazer pelo que você faz. E se a gente prestar atenção, essa é a energia, a poção de vida que nos move o tempo inteiro.
Uma parte dessa libido, sim, ela é influenciada pelos hormônios sexuais, sejam eles androgênios, que incluem a testosterona, estrogênio e a progesterona. Então, algumas mulheres podem sentir um impacto nessa libido, energia vital, sim, energia para a vida, quando esses hormônios sexuais, eles dão aquela diminuída.
né aquele momento em que a alma diminuição e a um estranhamento do que eu era depois aquilo volta para um novo normal né e sim a terapia de reposição hormonal ela é maravilhosa para equacionar e colocar tudo isso nos eixos seja eu não preciso
Se eu me descobrir essa mulher cuja libido para a vida caiu tanto, eu não tenho que ficar esperando isso passar e melhorar. Os recursos de terapia, de reposição, nós estamos aí para isso. Mas sim, algumas mulheres vão sentir menos impacto. Entende? Para algumas mulheres, esses hormônios sexuais impactam no corpo, sim.
Isso é inegável. No corpo vai acontecer a modificação vaginal, vai acontecer ponto final em todas. É inegável. Mas não necessariamente nesse sentir, nessa mente. Então, podemos ter isso de maneira completamente diferente. E uma outra coisa interessante...
É a construção social da sexualidade, né? Que a gente não pode separar. Então, sexo é transar, mas sexualidade envolve afeto, envolve o próprio sexo, envolve construção de gênero, como foi que eu me entendi como mulher, o que é ser mulher pra mim. Envolve também reprodução, envolve direito sexual de não sofrer violência, de não sofrer assédio.
Então, tantas coisas envolvem essa sexualidade. A sexualidade envolve relacionamentos interpessoais, qualidade de relacionamento, né? Então, acho bacana a gente olhar pra isso, assim, quando a gente olha e pensa, puxa, essa pessoa ou aquela pessoa tem um parceiro atraente, bacana. Mas olha como a gente foi educada pensando em ser um corpo pro outro.
né? Quer dizer, e o mais importante é assim, ó, não... A gente, claro, a gente precisa de um estímulo sexual potente. A gente pode falar mais sobre isso, que é muito importante. Mas o estímulo sexual, ele não é só externo. Ai, que gatão. Ai, que cara gostoso. Ai, que...
é interno, né? E acredito, possivelmente, que a Fernanda estava falando de questões internas, de como foi sentir o impacto da saída desses hormônios e como a vida ficou, trouxe ela para reflexões muito internas, e eu estou indisponível para o externo, estou indisponível para o outro, né?
Pode baixar aqui quem for, Brad Pitt, sei lá quem. O marido dela. O próprio marido dela, né? Pegar de sunga. E é uma coisa muito louca. E eu tô indisponível, internamente indisponível. Eu tô fechada pra balanços internos. E é muito engraçado, porque a Fernanda Lima, ela apresentava um programa sobre sexo. Então tinha toda essa questão, essa...
vamos dizer, idealização do público de que ela era sexo ser mais transente, né? Ser mais transente desse mundo, porque é linda, que se cuida, né? Tem a cabeça aberta, a mente aberta para o sexo, o marido maravilhoso, ou seja, tudo era perfeito. Mas aí eu queria dar um pouco do meu depoimento nisso, porque... E aí, ressaltar uma coisa que eu acho muito importante. Eu senti todas essas mudanças físicas e internas.
E eu falo assim, eu cheguei ao fundo do poço. Eu cheguei a um momento que eu falava assim, eu não tinha vontade de sair da cama, eu não tinha vontade de... Eu sempre gostei de sair, de ir ao cinema, de dançar, de conversar com as pessoas. Tinha dias que eu falava assim, eu não quero ver ninguém, eu não queria ir trabalhar, porque o trabalhar eu tinha que estar disponível para as outras pessoas. Então, às vezes eu chegava no trabalho, eu estava ali quietinha, a gente falava assim, nossa, está tão quietinha hoje.
Aí eu falava assim, eu estou com uma dor de cabeça, mas não era, porque eu não estava...
Eu tinha medo até de responder mal as pessoas, de tão irritada que eu estava comigo.
me achava feia, assim, foi péssimo, triste, vontade de chorar, irritabilidade, meus filhos, assim, sofreram. E aí, uma coisa que eu quero muito alertar pra isso, é muitas vezes a dificuldade do diagnóstico de menopausa, e o médico vira assim, você tá com depressão, e te taca um antidepressivo, e o que não vai resolver... Você chegou a tomar? Cheguei.
E aí, quando eu cheguei num ponto assim, que eu falei assim, eu não estou normal, essa não sou eu, eu me olhava no espelho e falava assim, gente, eu tô me acabando, o que que tá acontecendo? Meus filhos falavam assim, mãe, você é tão alegre, você tá sempre sorrindo, brincando, você agora só tá nervosa, só xinga, cara fechada, e eu falei assim, gente, tem alguma coisa que não tá normal.
E aí eu tive uma abençoada de uma chefe no meu trabalho, antes de eu vir pro tempo, e que ela falou assim, Jana, você não acha que você tá entrando na fase de pré-menopausa? Porque ela é 5, 6 anos mais velha que eu e ela tinha passado por isso. Aí ela falou assim, porque tudo isso que você quer, um dia eu...
Eu estava muito chateada e a lágrima escorrendo no trabalho e ela me chamou para conversar e ela me alertou para isso. Eu falei, mas hoje eu falei com o meu médico, ele fala que não, é um médico que me acompanhava há anos, fez o parto dos meus filhos. E aí ela falou assim, procura uma ginecologista mulher, que eu acho que às vezes a mulher é mais fácil de entender isso.
Porque ele sempre, eu falava com ele, falava assim, não, tá muito cedo. Isso foi na faixa dos meus 46 anos, por aí, tá cedo, ainda não é a hora. Quando for a hora, pode ficar tranquila que eu vou te indicar a reposição. E aí eu fui numa ginecologista, que ela me indicou, e eu cheguei. Essa ginecologista foi encarada na sentença, ela olhou pra mim assim, ela falou assim, diga o que você tá sentindo. E aí eu falei... Nossa, eu acho que ia começar a chorar. Eu também. Foi assim, muito pouco, assim. Foi por pouco.
E aí ela olhou pra mim e falou assim, eu queria fazer os exames de dosagem hormonal, ela falou assim, não preciso nem fazer, pelos seus sintomas eu sei que você está no climatério, e com sintomas fortíssimos, e ela falou, não preciso nem medir, porque ela falou assim, muitas vezes a taxa hormonal não está tão baixa, mas os seus sintomas estão gritando. E aí começamos a reposição hormonal. Gente...
É a fênix, né? Você sai da cinza, do pó e vira gente de novo. Com um mês. Um mês de reposição hormonal. Eu virei outra pessoa. Outra pessoa. E assim, fisicamente, aquele cansaço, aquela coisa que por mais que eu dormia, eu não tinha força. Aí a pessoa fala assim, você tem que fazer atividade física. Você precisa de atividade física pra melhorar isso. Ainda com a pressão interna, né? Que força, com que energia. Não é que eu pensava em fazer uma caminhada, eu falava assim, ai...
Igual com esse desenho animado que você vira uma meleca, uma geleia, assim, uma meleca. Quero. Então, assim, eu acho a grande importância disso é os médicos estarem, eu acho que tem se falado de menopausa de uns tempos pra cá, é uma coisa mais recente, e eu falo muito isso, de mulheres, ginecologistas maravilhosas que aceitaram o desafio de ir pras redes sociais e falar sobre isso.
Derrubar esse tabu e mostrar assim, é uma fase, todas nós vamos passar, algumas sentindo mais, outras menos, mas que tem saída. Porque eu falo, gente, hoje eu olho pra mim há dois anos atrás.
Hoje eu sou outra mulher, eu sou outra pessoa. E nesse período, a questão da sexualidade, eu falo que eu sou um vulcão e erupção, assim, não tenho uma queixa. Mas na época eu não queria, sabe, eu não queria abraço, eu não queria beijo, eu não queria nada. Eu queria distância, eu falava assim, eu quero distância de homem. Coitado do meu namorado, gente, agora é esse. Tadinho, ele aguentou muito, porque eu realmente fiquei insuportável, era outra pessoa.
E aí eu acho essa questão de... É muito mais fácil que você está com depressão. A gente está com antidepressivo ali e pronto, resolve. Eu vou pegar a fala da Jana para voltar ao que você falou. Se é verdade que algumas pessoas podem chegar na menopausa e dizer, né, Flaviane, que minha vida sexual é melhor do que antes. É.
Porque tem várias construções da sexualidade que nos acompanham, né? Como, por exemplo, a gente acostumou a olhar pra nossa sexualidade sempre com viés reprodutivo, né? Então, é a sexualidade pra gente ser mãe, né? Então, usando os reprodutivos, ou a gente tá envolvida em não engravidar ou em engravidar, né?
Eu ainda recebo muitas mulheres, como sou sexóloga, então as pessoas me procuram muito na ginecologia, em busca desse viés da sexualidade. E o percentual de mulheres que me procuram, que não conhecem o próprio corpo, é gigantesco.
Então, veja, os dados mundiais falam que 3 em cada 5 mulheres no mundo tem queixas sexuais na menopausa. Então, toda vez que eu vou fazer um exame ginecológico de uma paciente, eu dou um espelhinho para ela se ver, muitas nunca se viram, nunca se olharam, não conhecem o corpo erótico delas.
Então, elas entendem que o corpo erótico é a vagina. E eu digo vagina é um órgão reprodutivo. Vagina é um órgão para receber o pênis. Eu posso sentir prazer pela vagina, através da vagina, sim, mas é o clitóris que está sendo estimulado pela vagina.
Então, esse desconhecimento do erotismo da gente, faz com que a gente permaneça sempre envolta nesse sexo reprodutivo.
E aí, quando a gente se torna ali mãe, o puerpério é uma tragédia para essa sexualidade, a maternidade, ela traz um impacto gigantesco, porque muitas mulheres, elas são muito sequestradas pelo papel de mãe. Quantas mulheres jovens, vamos colocar assim, mulheres entre 30 e 40 anos,
antes da menopausa, dizendo, doutora, eu preciso de um remédio, eu só posso estar com problema hormonal, e ela não está com problema hormonal nenhum. Mas assim, que vida aquela mulher tem, né? Com filhos pequenos, demandas e um parceiro que não seduz, que cobra.
E aí ela começa a medir o desejo dela pela régua do parceiro. Então, se o parceiro dela quer ter sexo hoje, ela se obriga que ela também tem que ter. Ela tem que querer, né? Então, assim, ela mede o desejo dela pela régua do desejo dele. Ela diz, doutora, eu tô doente. Então, se as mulheres continuam se culpando, achando que o problema é dele... Então, as mulheres conhecem muito pouco o seu próprio desejo.
Quando chega na menopausa...
que muitas mulheres estão livres dessa maternidade, livres dessa sexualidade reprodutiva, agora é a minha vez, entende? E às vezes se permitem entender assim, eu sou merecedora de prazer, e chega de satisfazer o outro, chega de ficar disponível do jeito que o outro quer, quando o outro quer, e assume esse protagonismo.
Puxa, muda tudo. Por isso que ela diz, hoje é muito melhor, porque hoje eu não fico esperando, eu digo o que eu quero, eu digo o que eu gosto. Não sei se vocês viram, recentemente, uma entrevista, agora a Neva da Menopausa me pegou, eu vou já lembrar o nome da atriz maravilhosa que foi entrevistada pelo Marcelo Tass.
No Provoca, depois se alguém conseguir lembrar, semana passada. Deixa eu ver agora. Maravilhosa. Ela disse que está muito transante, com 60 anos. Que está maravilhoso, que ela diz o que ela quer, ela só faz o que ela gosta. E que está espetacular.
e essas são falas verdadeiras mas assim vem uma desconstrução não tem desde a gente encontra esse lugar de protagonismo para romper com a série de coisas a pegar então eu não então isso é é mental
Sim, há um desconforto físico que ele dificulta um pouco, né? Mas dificulta e vai ser ruim, mas lembrar que existem muitas outras recompensas, né? Mas essa questão, só pegando um gancho aqui ainda na Fernanda Lima, porque além dela ter tocado nesse aspecto da menopausa, ela falou também da maternidade. Ela tem três filhos, né? Dois gêmeos, mas aí veio uma menininha com uma diferença...
relativamente considerável, porque também não é muita coisa, mas, e que ela falava dessa energia também muito canalizada para a filha. Então, se eu já estava muito cansada, o pouco que eu tinha, eu tinha que dar para ela. Né, assim, é a minha filha, ela precisa de mim, né, os dois já estavam um pouco maiores, já conseguiam se virar, então, assim, e ela falava de um cansaço, eu achei isso muito interessante, eu estava cansada de tudo.
Mas pra ela eu precisava ter energia Então assim, nesse todo esse contexto A última coisa que você vai pensar É no sexo O restinho de libido tava pro lado Aí você junta, né? A Renatinha no outro programa ainda falava da maternidade Tardia Aí eu fico pirando Nesse negócio, né? Porque é o meu caso
chegar nessa fase com essas demandas ainda de filho dependente, pequeno dependente. Nossa, eu imagino que seja muito complicado. Aí vem a fala do Fernanda Lima, que ainda fala, tipo assim, eu...
Parece que eu vivi cansada, né? Acordo cansada, deito cansada, tudo cansado. Você tem uma criança que ainda te leva, e ela ainda falou assim, a questão não é ela, é eu, mas sou eu. Mas ela leva o pouco que eu tenho.
É isso. Que sexo, que sexo, gente. Eu gostei muito do que a doutora falou, é energia pulsante da vida, né? É, energia vital, né? É, energia vital, criativa. Ela se apaga, gente. É porque é isso, não é só a questão do sexo. Você não tem disposição pra nada, você perde a vontade pra tudo. A vida fica cinza. Eu acho que é muito louco. E aí você tem que cuidar de filhos, eu ainda tive a vantagem que meus filhos já são adultos e tudo mais. Então, assim...
é muito difícil e pensando quando falaram eu né todo com 38 anos doutora
Vejo amigas com 40 comentando que já estão na perimenopausa, ou então na menopausa, enfim, não sei se na menopausa é possível, porque a gente já fez programa sobre, né, que é possível, aquela cantora Nayara Azevedo entrou com 27, uma coisa de louco. Sim. Uma mulher, por exemplo, que tenha SOP, como eu comentei com você mais cedo, que é a síndrome do ovário policístico, que trate endometriose, adenomiose, ela tem a probabilidade de entrar mais cedo na menopausa, quais são os sinais?
Quem fuma, né? Eu acho que é importante a doutora lembrar isso, sabe? Do tabagismo. Tá bom. A sópio, a endometriose, não vão antecipar a menopausa. Ai, graças a Deus. Tá? De hábito, o fator mais importante é o tabagismo. Ai, que pena.
Então cuida em parar que vai ser bem bacana. O restante mais importante são os fatores genéticos, idade que você iniciou a tua primeira menstruação, não ter filhos, ter o primeiro filho depois de 30 anos. Lascou.
Eu me estimei com 10, tive o primeiro filho com 18, 19. Tá ok. Não, esse tá ok. Ah, tá tudo bem? É, tá ok. Tem o que? Depois dos 30. Eu tô ferrada, né? Aí, minha filha, eu tô eu. Pelo menos em alguma coisa. Dá bem, né, filha? Olha, não, você não deu bem não, porque você fuma. Mas vamos contar com a genética, já que ele é o mais importante. Vamos contar que vocês nasceram com muitos óvulos, né? E que vai dar pra gastar. Agora, o cigarro realmente é o único fator que a gente pode atuar.
Porque vamos combinar assim que ter filho, gente, é ter filho mais tarde mesmo. Aí você paga outros preços tendo filho muito jovem, quem teve, né? Então esse daí nos protege de outras maneiras, né? Ah não, graças a Deus. Agora uma coisa que...
você falou que eu acho que do corpo pedindo novos caminhos eu vejo isso acho que tem essa junção também da a gente chega em uma determinada igual eu estou com 52 anos você liga o foda-se um monte de coisa perdão da palavra aí galera, mas é isso mesmo
E você fala assim... Me perdoa, não peço perdão. Eu sempre fui uma pessoa que sempre me preocupei muito com o que o outro pensava de mim, com o que o outro achava de mim, qual que é a imagem que eu passava pro outro. Sempre fui uma pessoa com dificuldade de dizer não pro outro, de...
de deixar os meus desejos, as minhas vontades para trás, para atender todo mundo. Então, eu atendia filho, atendia marido, atendia mãe, irmã, chefe, papagaio e tal, e eu ficava lá no último caminho. Depois que eu passei por esse movimento de lá no fundo, e eu falei que muitas vezes você precisa ir lá no fundo para depois você emergir com maturidade, com mais conhecimento, e aí eu...
E aí eu fui muito em busca do autoconhecimento, de me entender, de achar o que eu gosto, o que eu quero, o que eu não quero, principalmente. Você se liberta tanto que o seu corpo também vai neste mesmo caminho. Então, por exemplo, hoje eu sou gordinha, tenho a barriguinha.
Tenho. Quem quiser vai ter que me querer. Uma mulher de 52 anos, mãe de dois filhos, que está passando pela menopausa, que tem celulite, que é gordinho, não tem um corpinho. Quem quiser um corpinho lindo, vai lá na academia buscar a menina de 20 e poucos anos. Agora, quem quiser, minha sabedoria, minha maturidade, minha tranquilidade, minha leveza, e todo o tesão que eu tenho pela vida e por tudo, estou aqui.
o corpo da gente ele aprende a responder melhor eu acho assim continuo trabalhando muito tenho duas profissões continuo tendo dois filhos que precisam da minha atenção mas assim
Meu corpo, ele consegue me mostrar melhor o que eu quero, as minhas necessidades. Eu falei, eu na faixa dos 30 anos, eu não sabia o que era sentir desejo. Eu tô com desejo, eu tô com necessidade de fazer sexo, eu não consegui identificar isso. Hoje eu tenho plenas, eu falei assim, tô beliscando azulejo, né? Hoje eu tenho a consciência dessa sexualidade que eu não tinha mais jovem. E hoje eu sei o que eu preciso pra satisfazer isso. Então, assim...
o corpo e eu falo com a reposição hormonal não é só a libido que volta não é só a sua autoestima que melhora na sua disposição é eu não tenho problema com lubrificação isso mas entendeu eu não sinto dor pelo contrato eu fico assim tá lubrificado até demais né
Aquele mergulho assim. Então, eu acho que, e eu vejo muito, quando eu atendo algumas clientes, eu tenho muitas clientes que são nessa minha faixa de idade, que estão passando por isso, todas as queixas que elas trazem, eu vejo tudo que eu passo, eu falo da reposição hormonal, aí a maioria fala assim, ah, não, mas reposição hormonal dá câncer.
É uma coisa que a gente sabe hoje que não existe mais, mas que ainda tem essa informação. Aí eu tento explicar e tal. Gente, eu falo assim, procura um bom médico para poder explicar isso, porque hoje a gente tem algumas contraindicações, né, doutora? Mas é minoria, né? Isso.
Primeiro, eu queria te parabenizar pelo relato. É muito lindo de ouvir você falar. E eu queria aproveitar para dizer para você que isso não veio de graça, como você acabou de dizer. Então, essa plenitude existe, esse florescer existe. Mas ele veio como fruto de uma auto-reflexão, de você mergulhar em você, de você refletir sobre essa busca de autoconhecimento, que é o que o livro propõe.
E ele guia realmente de uma maneira muito gostosa esse convite para você mergulhar em você e decidir romper com uma série de coisas. Então, mulherada, não vem de graça. Outra coisa, libido, não cai do céu. Não fique você deitada no sofá de casa com nenhuma idade. Você pode ter 20 anos, não fique deitada no sofá esperando que a libido magicamente caia do céu. Não vai. Um corpo cansado é um corpo exausto em qualquer idade. Não vai estar disponível para desejo nenhum, para libido nenhum.
E a gente ao longo do tempo vai acumulando todas essas tarefas, esse cuidar. Então se a gente não se olha, não se prioriza, não se autoerotiza, então se autoerotizar é se masturbar, mas é além disso. É se olhar no espelho, é se vestir para você, é se curtir, é botar uma lingerie para mim, para eu me achar gostosa.
Eu ouvi uma mulher muito interessante, uma vez de 70 e poucos anos, que ela disse que todo dia se olhava no espelho e dizia, eu me comeria. Então a gente precisa disso, né? Assim, de todo dia, você vai pra vida com outra libido, você vai com os sentidos acordados pra isso, né? Então é constituição pessoal, é busca, né?
E voltando para a questão da reposição hormonal, vamos lá. O hormônio, ele não causa mutação genética para fazer câncer aparecer, né? E para o câncer aparecer, a gente precisa de uma mutação genética naquela célula. O que o estrogênio faz é pegar um câncer e alguns, mama, endométrio, né? Que está lá no útero, ele estimula um câncer que já existe a crescer.
Então, minhas comparações que eu crio da minha cabeça, eu digo, olha, tá vendo esse piso aqui? Se a gente jogar um adubo, vai crescer alguma planta aqui? Não.
que é jogar estrogênio em um tecido normal. Mas se eu jogar um adubo em um terreno fértil, em uma plantinha que já está lá, vai crescer. Então, por isso que a gente faz os exames, mamografia obrigatoriamente, complementa com o tração da mama quando necessário, tração transvaginal, para a gente avaliar se aquela mulher é uma candidata segura.
dentro dos limites para a reposição hormonal. Então, é uma minoria de mulheres que não vai poder usar a reposição hormonal e sim, o estrogênio não causa câncer de mama nem câncer de endométrio. É super seguro de usar e ainda, voltando para aquela condição de que o estrogênio vaginal é contraindicado em raríssimos casos, aí que a gente está com a sopa.
com a sopa no mel, né? Pra usar esse estrogênio vaginal. É. Caminhando para o fim do interesse. Ah, já? Não, pelo amor de Deus. É, mas então deixa eu pedir pra doutora falar mais um pouco sobre o livro. Eu ia falar sobre o livro agora. Não sei se você sabe, ela lançou aqui em Belo Horizonte. Não sei se você sabe, o último capítulo é só sobre sexualidade. Ah, eu sei porque eu já, minha filha, eu ganhei um crown! Pois eu gostaria de dizer pra você que eu também... Todas nós! Dicatória! Ah, eu também, velho!
Vamos falar desse presentão, né, pra mulherada. Eu tô super feliz que vocês vão ficar muito sabidas. Muito mais sabidas sobre a menopausa. E multiplicadoras. Sim, multiplicadoras. Porque a gente tá espalhando a palavra. Porque eu acho que a gente precisa fazer essa rede, né, então...
O livro, ele nasceu de um projeto menorzinho e uma das participantes está ali sentadinha, uma grande amiga. Eu escrevi um primeiro livro, depois de fazer um grupo de mulheres, eu achei que as consultas não estavam dando conta de ajudar as mulheres. Então, fiz um grupo de mulheres com o tema de menopausa e fiz, organizei quatro encontros. E ao final desses encontros, eu disse, eu vou escrever um e-book para essas mulheres.
Eu sei que desse book nasceu um livro pequenininho sobre a menopausa. E mandei fazer 500 cópias. As meninas imprimiram o primeiro livro e disseram, esse é o seu sexto filho e você vai ter que publicar. E eu disse, meu Deus, como? Mas enfim, fiz esse primeiro. E ele foi de boca em boca, de boca em boca, de mão em mão, e 500 cópias se acabaram. E foi esse livro que chegou.
na Sílvia, da editora VR, e ela viu, gostou e me convidou pra essa escritura maior. Então, assim, a gente foi pra São Luís divulgar esse livro pequenininho, o que eu ouvi das mulheres me telefonando, falando da transformação que o livro trouxe pra elas. Então, assim, a gente vai entendendo que é esse ninguém solta a mão de ninguém, é esse boca a boca.
Esse verdadeiro empoderamento feminino que acontece. Então o livro me trouxe muitas alegrias, eu estou muito feliz de lançar ele aqui também, e da gente poder mostrar para as mulheres que tem um caminho sim. Não é milagre, é dedicação, é esforço, é conhecimento.
Por isso que eu chamei de jornada, né? Porque é uma jornada de aprendizado. O livro, ele tá lá dividido em cinco partes, explica direitinho o que é a menopausa, explica o que é a perimenopausa, pra gente não incorrer em exageros, né?
Porque agora também, eu ia até perguntar, para as mulheres que não entraram na menopausa ainda, é ainda assim uma leitura muito válida. Muito bacana. Porque ajuda você, como é que eu me preparo para eu chegar lá? Ah, é inevitável, mas é um inevitável, tipo, vou sofrer muito? Não necessariamente, né?
Então, com a atuação na hora certa. Veja, Jana, uma pessoa que lê esse livro, ela sente uma série de coisas, ela consegue informar melhor para o médico dela, olha, mas isso e aquilo. E eu tive também o cuidado de colocar referências bibliográficas de cada parte, ou seja, mostrando as evidências científicas. Então, assim, não é opinião, de novo, da Andrea, porque eu acho que o hormônio é bom.
Eu posso até achar, mas eu não posso usar o meu acho para medicar as minhas pacientes, né? Eu preciso estar respaldada do que é seguro, no que as evidências científicas dizem que é seguro, que é possível, né? Para que a gente não faça o mal, né? Faça o bem.
Então é um roteiro muito bacana, né? Uma bússola pra que as mulheres possam passar por essa transição serenas, protegidas. Sei lá, você vai passar por uma chuva. Se eu já souber do tempo antes, pego um guarda-chuva, uma roupa, me protejo do frio. Tudo bem, a gente vai ter percalços. Mas serão mais suaves, mais serenos. Eu não vou sofrer tanto. Mas é importantíssimo.
gente e para quem tá ouvindo a gente apenas pelos principais tocadores de podcasts esse sotaque delicioso é porque a doutora de Teresina Ai gente que privilégio a gente poder receber aqui em Belo Horizonte não interessa podcast né Quantas vezes você pretende voltar todas aqui eu respondo por ela só convidar toda sexta tá você faz eu vou isso eu vou me mudar para cá
Doutora, onde que as nossas ouvintes e espectadores podem achar o seu livro? Ai, que delícia. Nas livrarias e leituras, tem também no Mercado Livre e na Amazon.
Pra quem não quer sair de casa, recebe rapidão pela Amazon. Sem desculpa, mulherada, eu falo com vocês o seguinte. Conhecimento é empoderamento. Quando você tem informação... Mas é, gente. Se eu soubesse de tudo isso, antes de eu entrar naquilo ali, eu tinha resolvido. Não que eu não fosse passar, mas não com tanta intensidade. E eu poderia me preparar pra isso antes e não ficar me estupindo de antidepressivo. Sendo que não tinha nada a ver com antidepressivo.
E porque eu tive o histórico que a minha mãe, por exemplo, ela tirou o útero com 47 anos. Na minha também. E começou a reposição. Então, minha mãe não passou por isso. Eu não vi. Então, eu não tinha ninguém próximo. Referência. Eu não tinha preferência. E eu ficava assim, gente, eu chegava ao ponto de dizer, gente, eu tô devido estar muito doente. Então, assim, era empoderamento. Vamos buscar informação, conhecimento. Isso é a maior riqueza que a gente pode ter. Então, ó. E.T. Bilu falava...
Eu sei que ela está ali acelerada, mas sabe uma coisa que nós conversávamos quando a doutora Andréia esteve aqui? Sobre esse silêncio. Hoje nós falamos um pouco mais sobre menopausa. Mas dentro de casa e até bem pouco tempo, inclusive, havia um silêncio. É sobre a menstruação, sobre a menopausa. Então, sim, as mulheres da nossa família também não falavam. Sobre sexualidade.
Também não. Nem nada, zero. Então, há esse complicador. Nessa entrevista da Angélica, quando ela falava que ela levou um susto quando se deparou com a menopausa aos 43 anos, ela mesmo falou assim, gente, na minha família, as mulheres perto de mim, ninguém falou nada. Então, meu maior choque, obviamente, é com a chegada aos 43, mas de frente para uma coisa que eu não ouvia falar.
Eu não estava preparada para aquilo. Agora, veja que impacto espetacular e positivo uma mulher menopausada como a Jana ser uma referência de que sexo é bom nessa idade. As mulheres que estão na menopausa não têm referências validadas de mulheres dessa idade dizendo que sexo é bom, que adoram, que gostam. Então, olha o poder que isso tem, né?
Vou até puxar o que eu falei lá no início do programa, que eu gostava muito de sexo. Quando jovem, eu continuo gostando e pretendo continuar, tá gente? É sobre isso. E aí nesse ponto, a questão que doutora, só pra questão da erotização, que eu acho que nessa fase a gente descobre outros pontos de erotização do nosso corpo. Então você descobre lugares que você nem sonhava que pode te estimular, entendeu?
A vagina vai ser o... Finalmente, vamos dizer assim, mas muito antes. E outra coisa, gente, autoerotização. Uma coisa que aí eu falo, eu já falei aqui em outros programas, e que algumas pessoas me recriminam por isso, não tô nem aí pra elas. Livros eróticos, romance erótico. Se você tá... Porque eu falo que o prazer, a erotização, o desejo, ele nasce aqui, ó. Com certeza. Não é lá embaixo, é aqui.
E aí a partir do momento que você lê isso, você e nós somos muito de imaginação. Então você vai linda e você vai imaginando, vai imaginando. E isso faz o seu cérebro despertar pra sexualidade. Especialmente nós piscianas, né, Gabi? Principalmente, né? É uma beleza. Não tenham vergonha, comprem mesmo. Na Amazon tem trocentos livros lá, tem autoras maravilhosas, tem livros com enredo muito legal. Que trazem amplas discussões. E outra coisa, eu...
Um, os livros me ajudaram, eu fui ler por curiosidade, quando foi aquela febre dos 50 tons de cinza, eu queria ver o que era aquilo. E eu com os livros, eu consegui me ajudar, eles me ajudaram a mostrar assim, eu tenho direito a ter prazer, nós mulheres temos direito a dizer o que eu quero. Sabe, que a gente vem com aquela coisa assim, ah, é atender o que o homem, o que o parceiro quer. Não, eu sou a dona do meu corpo. Eu sou merecedora.
eu sou merecedora, eu tenho direito e eu quero. E você começa a abrir, fala assim, coisas que seus pais falavam com a mãe, falavam assim, nossa, mas isso aí não pode de jeito nenhum, isso é pecado, né? Quantos de nós não ouvimos? Aí no livro você vê que aquilo ali faz parte, se trata com respeito, dentro de um consentimento.
E o melhor de tudo, gente, seu pensamento é seu, é um lugar que ninguém acessa, tá bom? Exato. Só vai. Fechou. A gente bateu um papo com ela, maravilhosa é ela, doutora Andréa Rufino, ginecologista, sexóloga, escritora e interessante, com toda certeza. Mais uma vez, muito obrigada por aceitar o convite, por voltar ao interesse e volte muitas vezes mais. Ah, vai dar certo. Aqui. Muito obrigada a você. Você vai mudar para Belo Horizonte mesmo? Foi todo plano. Então.
Vão trabalhar isso ali nos offers. Eu te ajudo, minha filha. Até procura casa aqui em Belo Horizonte ou sai com você pra isso. Vamos deixar seu arroba. Andrea Rufino, underline. Gente, não deixem de adquirir esta joia. Tá bom? Menopausa? Muito prazer. Espero demorar um pouco pra te conhecer, mas já vou lendo a respeito. Obrigada, doutora. Até a próxima. Jana Fonseca. Nossa, amei, adorei. Adoro. Fiquei tão feliz com tantos elogios que eu recebi aqui hoje.
Mas é isso aí, vamos lá gente, buscar informação para poder, todas nós vamos passar por isso e vamos tentar passar com o mínimo de percalços possível. Falou tudo Janinha, Flaviane Paixão. Gente, pega o link do programa e quando a gente publicar esse eu vou pedir que a gente retome o outro.
Eu não sei como é que faz isso, eu fico inventando, depois a Virginia que briga comigo. Mas para a gente recuperar o outro também, quando a gente falava sobre menopausa, compartilha. Compartilha com as suas amigas, sabe? Manda no grupo de todo mundo, da família, dos tios, das tias, dos primos, das primas, porque esse é um assunto que não afeta, obviamente, as mulheres, mas eu acho que a família inteira precisa entender e falar sobre também.
Especialmente os homens precisam entender. E aí só uma coisa, no Instagram tem aparecido vários médicos falando para os homens, para os maridos, para aprenderem a identificar sintomas, respeitar e ajudar a companheira a enfrentar. Eu ia falar isso agora, porque eu dei uma leve gulgada, antes de encerrar, desculpa aí galera, para ver se havia alguma manifestação pública do Rodrigo Wilber acerca das declarações da Fernanda Lima. Não achei uma matéria.
Espero que isso não seja um mau sinal. Mas homens, posicionem-se, leiam-se, pesquisem, queiram saber, tá? Até porque esses dependem disso também, hein? Segue a gente lá no Instagram, arroba o programa Interessa, no TikTok é interessa.tempo. Um beijo, até a próxima. Tchau!