A história de uma taquígrafa na São Paulo dos anos 1940
- Maria Aparecida da CruzTrajetória profissional como taquígrafa · Educação e aprendizado de idiomas · Trabalho na Cerâmica São Caetano · Memória e habilidades matemáticas · Apreço por azulejos azuis
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- Cultura e lazer na Zona VelhaApreciação de poesia · Leitura de biografias de santos · Frequência a bailes e shows · Apresentações de corais
Conte sua história de São Paulo. No Conte sua história de São Paulo, o texto enviado por carta pela ouvinte da CBN, Mironildes Escalha. Trago o relato resumido de uma taquígrafa? Essas não existem mais. Secretária taquígrafa e minha queridíssima amiga Maria Aparecida da Cruz.
Ela nasceu em 8 de dezembro de 1923. Faleceu em outubro de 2020, em consequência de um derrame cerebral em Rio Claro, interior de São Paulo. Cresceu na capital, muito bem alfabetizada. Além da língua portuguesa que falava e escrevia com perfeição, aprendeu o francês e latino ginasial.
Lembro de quanto ela estudou latim para uma prova de recuperação. A professora era exigente. Terminando o ginasial, foi trabalhar numa tecelagem e, paralelamente, fez um curso de taquigrafia e datilografia, o que permitiu construir, durante a década de 1940, parte de uma bonita história, dona de uma linda caligrafia, sempre escrita com esmero.
Todo esse conhecimento deu-lhe um emprego na Cerâmica São Caetano. Suas habilidades foram prontamente reconhecidas, o que lhe rendeu o cargo de secretária diretamente ligada aos executivos. Participava das reuniões e, como taquígrafa, anotava rapidamente e com muita eficiência as falas dos executivos. Depois, transcrevia para as atas em português, obviamente, todos os sinais taquigráficos da sua agenda.
Lembremos, cada sinal representa uma palavra. Que responsabilidade! Mas ela tinha uma memória invejável, tanto para detalhes de acontecimentos como para matemática. Como o datilógrafo preenchia muitas laudas durante o dia, por causa de compras e vendas dos produtos da cerâmica. Ela era muito boa no que fazia.
A cerâmica importava um produto que permitia corar os azulejos de azul. Ela tinha um apreço por esse material. Quando construiu a casa dela, na fachada que dava para a rua, colocou esses azulejos. A cerâmica São Caetano pertenceu, pertence, à família Simons. Nesse período, Mário Henrique Simons, futuro ministro, era um jovem que aparecia na empresa nas festas de fim de ano.
Maria Aparecida foi uma pessoa culta. Conheceu o poeta Guilherme de Almeida nos eventos que participava com seus colegas da empresa. Passou a admirar o poeta, aprendeu a apreciar as poesias as quais colecionava. Ela aproveitava o tempo com outras leituras. Religiosa que era, lia a biografia de alguns santos.
Frequentava bailes? Ah, lembro das Big Bangs, dando seus shows, sempre acompanhada de colegas do bairro e da mãe. Assistia também apresentações de corais quando possível. Maria Aparecida gostava de contar as peripécias de sua jornada. O trabalho de secretária lhe rendeu a confiança do pai, um militar do batalhão de cavalaria e de sua mãe, dona de casa.
a quem admirava muito pela forma como conduzia a educação das filhas. Eram mais três depois dela. Por trabalhar na cerâmica São Caetano, sempre estava elegantemente vestida. Ela comprava o tecido e sua dedicada mãe costurava as roupas, bem como todo enxoval que ela e as irmãs levaram nas núpcias.
Mironildes Escalha e Maria Aparecida da Cruz são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antônio. Escreva seu texto agora e envie para contesuhistoria.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog, miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.