Episódios de Passaporte pro Crime

#90 - Piroska Ladányi: a suposta serial killer que chocou a Hungria - Budapeste | Hungria

06 de maio de 202647min
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COMEÇOU A CAMPANHA DE 2 ANOS DO PODCAST!

Apoiadores terão acesso antecipado ao nosso primeiro guia de viagem, conectando as histórias aos lugares reais onde tudo aconteceu.

E se chegarmos a 15 novos apoiadores em maio, vamos liberar 2 episódios extras

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Na Hungria dos anos 1950, meninas começaram a desaparecer em uma pequena cidade — algumas vistas pela última vez perto de uma área ocupada por soldados soviéticos. Meses depois, uma denúncia levou a polícia até a casa de Piroska Jancsó Ladányi. No quintal, um poço. E lá dentro… corpos.

O caso parecia resolvido: prisão, julgamento e execução. Mas as versões se contradizem, a investigação levanta dúvidas e o contexto político da época pode ter influenciado toda a narrativa. Neste episódio, você vai entender o que se sabe — e o que se acredita — sobre esse caso que, até hoje, não fecha completamente.

Locais mencionados no episódio:

  • Casa do Terror

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Assuntos6
  • O ataque a Itzvané Balazi e a descoberta do poçoTentativa de roubo e assassinato · A casa caótica de Piroska · Descoberta de restos humanos no poço · Recuperação de cinco corpos
  • Caso Bernardo BoldriniDesaparecimentos de meninas na Hungria · Descoberta de corpos em um poço · Contradições nas confissões · Piroska Ladányi · Borbala Ladányi
  • Contexto histórico da Hungria pós-guerraOcupação soviética · República Popular da Hungria · AVH (Polícia Secreta) · Clima de medo e denúncias
  • Desaparecimentos e a investigação inicialDesaparecimento de Maria Komaromi (Marica) · Suspeita de envolvimento de soldados soviéticos · Inação da polícia · Relatos de prostituição para soldados soviéticos
  • Infância e adolescência de Piroska LadányiCondições precárias da família · Prostituição para sobrevivência · Abandono escolar · Interesse em anatomia humana · Primeiros contatos com soldados soviéticos
  • Confissões e versões contraditórias de PiroskaPrimeira versão: cúmplices soviéticos · Segunda versão: envolvimento de Nikolai Bogachov · Terceira versão: agiu sozinha por atração por mulheres · Quarta versão: mãe sabia e orientou os crimes
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No início da década de 50, meninas começaram a desaparecer em uma pequena cidade no interior da Hungria. Algumas foram vistas pela última vez indo em direção a uma área ocupada por soldados soviéticos. Outras simplesmente desapareceram. Sem testemunhas, sem respostas e, por muito tempo, sem investigações.

Até que então, um nome começou a circular pela cidade, Piroska Maria de Angso Ladani. A polícia decide então investigar a garota e, quando vai até a casa dela, se depara com um poço. Poço esse repleto de corpos humanos. Mas o que parecia ser a solução para uma série de crimes brutais, rapidamente começa a se desfazer. Porque as versões mudam, as confissões se contradizem e alguns detalhes simplesmente não fazem sentido.

Nesse episódio, então, eu vou te contar tudo o que se sabe e o que se acredita do caso de Piroska Ladani. E para além dos desaparecimentos e da descoberta dos corpos, eu também vou te dar um contexto histórico do que estava acontecendo na Hungria dessa época, que não só pode ter moldado o que aconteceu, mas principalmente como essa história foi contada. Porque, no fim das contas, a maior pergunta não é quem foi Piroska, e sim o que realmente aconteceu ali.

E antes de pular pra esse episódio, gente, esse daqui foi pedido de ouvinte também. A ouvinte da vez foi a Mônica, que me procurou pra me falar um pouquinho sobre esse caso tão controverso da história húngara. Eu, de cara, achei o caso bem interessante e botei na lista. Então, finalmente, chegou o momento da Mônica de brilhar e ter um episódio pra chamar de dela. Tá fazendo sentido essa frase? Vai fazer sentido agora. Então, Mônica, fica aqui o meu beijo, meu agradecimento e a minha homenagem.

Eu espero que você goste desse episódio e que eu faça jus à história que você me pediu pra contar.

Fora isso, gente, eu preciso te lembrar, te dar um recadinho muito importante. Começou o mês de maio, o que significa que começou a campanha de aniversário de dois anos do Passaporte para o Crime. Para ser mais precisa, a gente faz aniversário mesmo dia 15 de maio. Sim, 15 de maio de 2024 foi quando eu lancei o primeiro episódio desse podcast. E ao mesmo tempo que parece que passou muito tempo, eu também penso que não passou nada de tempo. É muito confuso essa sensação.

Mas, como parte da campanha de aniversário de dois anos aqui do podcast, eu queria lembrar vocês que os apoiadores terão acesso ao mais novo lançamento do Passaporte para o Crime. Sim, meu povo, o nosso próprio guia de viagem. Sério, nossa, eu tô tão animada com esse lançamento.

Sim, em breve vocês todos vão ter acesso aos guias de viagem do podcast, mas os apoiadores que ajudam a manter esse projeto de pé vão ter um acesso antecipado e privilegiado. Então, ao longo do mês de maio agora, todos os apoiadores vão ter esse acesso. E não só isso. Se a gente conseguir 15 novos apoiadores no mês de maio, eu vou lançar mais um episódio extra para apoiador.

Ou seja, ao invés da gente ter 5 episódios em um único mês, a gente vai ter 6. Então, se você ainda não é apoiador do podcast e quer se unir a nós e fazer parte disso tudo, é só acessar um dos links que estão na descrição do episódio. Lá tem várias formas de como você pode apoiar, você escolhe o melhor plano de apoio pra você e...

Faz parte dos Passaporters Plus Premium Platinum Estrela Dourada na testa. Como sempre, eu recomendo muito a categoria Detetive Viajante, porque aí você tem acesso ao grupo do WhatsApp, que, por sinal, é onde a galera tem essas informações privilegiadas bem antecipadas, tá? Eles são os primeiros a ficarem sabendo de tudo. E é muito bacana essa troca que a gente tem por lá, porque a gente fica fofocando, eu sempre peço opinião deles. Eles escolhem os temas dos episódios extras para apoiadores todo santo mês.

E a gente aproveita pra dar também muita risada e pra conversar sobre a vida, que sempre é bom. Aproveito pra deixar aqui meu agradecimento a todos os apoiadores e aos ouvintes também. Vocês são todos perfeitos, lindos, maravilhosos. Minha comunidade maravilhosa. E chega de enrolação e bora pra esse episódio. Eu sou a Andressa Esfer e esse é o Passaporte pro Crime. Um podcast que vai te trazer histórias de crimes, suspense e aquelas histórias meio macabras de várias partes do mundo. Alguns desses lugares eu conheci, outros eu espero conhecer em breve.

Hungria pós Segunda Guerra Mundial. Nessa época, gente, a Hungria vivia um clima bastante hostil. Vigilância constante, denúncias entre vizinhos, medo generalizado e censura de informação faziam parte do cotidiano dos húngaros. Mas deixa eu te explicar melhor. A Hungria viveu poucas e boas durante a Segunda Guerra Mundial. Ela começou perdendo territórios e então decidiu se aliar à Alemanha nazista para ver se conseguia recuperar.

recuperar eles. Tudo lindo, tudo certo, os dois lutando juntos, se a Alemanha simplesmente não ocupasse a Hungria em 1944 e promovesse o Holocausto ali também. Só que quando a Alemanha foi derrotada na guerra, digamos que as coisas mudaram um pouquinho. Isso porque a Hungria foi ocupada pela União Soviética, que estava ali do outro lado do tabuleiro.

E é nesse ponto da história que a gente está, com a Hungria completamente devastada depois de todo esse caos, com a sua infraestrutura destruída, a sua economia péssima e sendo ocupada pela União Soviética. E eu preciso te contar, gente, que essa ocupação começou sendo só para libertar a Hungria das garras nazistas.

mas eventualmente foi chegando ao poder do país. Até que então, em 1949, foi fundada a República Popular da Hungria, um país comunista diretamente ligado com Moscou. Esse novo país tinha, então, novas regras, novas formas de funcionamento e novas instituições, como a AVH.

A AVH nada mais era do que a Autoridade de Proteção do Estado ou a Polícia Secreta do Governo. E aqui vale um pequeno parênteses, porque você pode encontrar diferentes datas de criação dessa instituição. Isso porque ela não surgiu de uma vez só. Logo depois da Segunda Guerra Mundial, em 1945, já existia uma espécie de polícia política sob influência soviética.

Mas foi entre 1948 e 1949, com a consolidação do regime comunista na Hungria, que essa estrutura foi reorganizada e passou a atuar de fato como uma polícia secreta. E a função dela, gente, era bem clara. Manter o controle interno do país, perseguindo qualquer pessoa considerada uma ameaça ao governo.

Para isso, então, essa polícia perseguiu os chamados criminosos políticos, que, de alguma forma, apresentavam uma ameaça ao governo. E como eram essas ameaças? O que essas pessoas precisavam fazer para entrar nessa categoria de criminoso político? Essas pessoas podiam criticar o governo, ouvir uma rádio estrangeira, ter contato com alguém suspeito ou até ser denunciado por um vizinho.

Qualquer uma dessas atitudes já acendia um sinal vermelho para o governo que ia atrás dessas pessoas para, vamos dizer que, tirar satisfações. Então, imaginem vocês o clima que não estava na Hungria nesse período. Quer dizer, as pessoas tinham medo de estarem sendo observadas o tempo inteiro. Então, elas eram mais fechadas, né? Elas tinham medo de compartilhar o que elas estavam fazendo e, principalmente, o que elas pensavam.

Isso porque, beleza, vizinhos denunciavam vizinhos, mas nessa época, amigos denunciavam amigos e até familiares denunciavam familiares. E esse medo, gente, ele vinha porque as pessoas que eram denunciadas e levadas pela AVH normalmente desapareciam, sem explicação, sem resposta e, principalmente, sem registro algum. E é exatamente em locais como esses, com todo esse contexto, esse pano de fundo...

que abrem precedentes para boatos absurdos. Quer dizer, a informação é controlada, registros não existem e as pessoas não podem questionar o que está acontecendo. Então, tudo isso gera um espaço para que a linha entre o que é verdade e o que é boato seja muito confusa.

Dado, então, todo esse contexto, todo esse disclaimer, chegou a hora de eu te apresentar a nossa personagem principal de hoje. A Piroska nasceu em 15 de janeiro de 1934, em Turoksemiklosh, uma cidade no interior da Hungria.

Ela era filha de Borbala, uma mulher que passou por muitas dificuldades na sua vida. Então, antes de continuar aqui, gente, eu queria uma salva de palmas pra mim mesma, porque, assim, eu falei o nome da cidade de primeira, Toroxé-Miklosh, tô falando de novo, e, no caso, eu tive a ajuda dos universitários, tá? Eu queria deixar meu beijo aqui pra minha amiga, Beth.

cuja família é descendente de húngaro e da Hungria, no caso. E a tia dela me mandou como que pronuncia o nome dessa cidade. E eu vou deixar o nome dessa cidade de propósito escrito na descrição desse episódio, porque eu duvido que alguém saberia como pronuncia isso daqui. E aí eu queria dar esse tapinha no meu ombro. Desculpa, vamos voltar pra história. A Borbala, gente, a mãe da nossa personagem principal, ela perdeu o pai dela muito cedo, com oito anos de idade.

E isso fez com que ela tivesse que abandonar os seus estudos e recorrer à prostituição para conseguir sobreviver. Ela acabou engravidando algumas vezes e chegou a ter cinco filhos, dentre eles, claro, a piróscica. Já o pai da nossa personagem principal era um homem chamado Giulia Ladani.

que era um agricultor local que, assim, se recusou a reconhecer a paternidade da Piroska num primeiro momento. Mas, entretanto, todavia, porém, em 1949, ele foi obrigado a reconhecer Piroska como sendo a sua filha e, nisso, ele começou a pagar uma pensão para a mãe dela para não precisar ter contato algum com Piroska. E, bom...

Durante os seus primeiros anos de vida, a nossa personagem principal teve uma infância bem difícil. Não existem registros super fiéis do que aconteceu com ela, mas a família vivia em condições, assim, bem precárias. Então, dá pra se imaginar. Até que então, quando ela já era um pouco mais velha, um meio-irmão seu, ele se tornou herdeiro dos bens do pai dele. Pai dele, que, no caso, era um comerciante judeu, que foi levado a um campo de concentração.

Foi nessas que a família conseguiu se estruturar um pouquinho mais, mas quando eu digo pouquinho, é bem pouquinho mesmo, e conseguiu se mudar para um lugar melhor. Beleza, agora eles tinham uma casa um pouquinho mais estruturada, mas a condição, a situação da família ainda era muito delicada. Então, tanto a Pirosca, quanto a sua mãe, quanto os seus meios irmãos, eles ainda tinham que se virar de todas as formas possíveis e imagináveis para trazer comida para dentro de casa.

Há quem diga que, mais ou menos nesse período, a Piroska tentou arranjar uma série de trabalhos formais, mas sem sucesso. Inclusive, a efeitos de curiosidade aqui, gente, ela até chegou a estudar, tá? Mas ela logo abandonou os estudos na quinta série. E há quem diga que, na escola, ela era conhecida por ler bastante, por escrever poemas, por falar russo fluente e por ter bastante interesse, assim, por anatomia humana.

Mas, sim, fechado aqui esse parênteses da curiosidade, fato é que ela abandonou os estudos e ela precisava ajudar, de alguma forma, a sua mãe e a sua família a sobreviver. Então, foi só uma questão de tempo até ela começar a acompanhar a sua mãe. Sim, em determinado momento da sua vida, quando a Piroska ainda era uma adolescente, ela começou a receber homens na sua casa, junto da sua mãe.

oferecendo serviços sexuais em troca de dinheiro, mas também pão, gordura ou qualquer coisa que pudesse ajudar a família a sobreviver. Entrando em mais detalhes aqui, a Piroska tinha seus 14 anos nessa época e ela era responsável por atender os soldados soviéticos, enquanto a sua mãe atendia húngaros.

E a Piroska, então, gente, ela teve uma adolescência bem difícil, né? Tipo, marcada também por algumas questões. Primeiro, por DSTs, que sim, ela contraiu algumas vezes, e ela teve que ir ao médico algumas vezes também para se tratar.

Segundo, por consumo de álcool, já que quando ela não estava atendendo, era comum ver ela pela cidade, vagando pela cidade, bebendo e roubando também. E o terceiro, prisões. Ou prisão, na verdade, se eu sou bem justa. Porque o único registro que existe é de 1952, quando ela foi presa por roubo. Ela foi condenada a seis meses de prisão e depois ela foi solta.

Nisso a gente chega então em 1953, quando alguns acontecimentos bizarros começam a rolar na cidade de Toroxé-Miklosh. E agora eu já acho que eu falei um pouquinho errado, né? Toroxé? Enfim. Há acontecimentos esses, gente, que começaram a deixar a população bastante inquieta e bastante assustada.

Tudo começou com o desaparecimento de uma jovem de 11 anos. O seu nome era Maria Komaromi e a última vez que ela tinha sido vista tinha sido perto ali de uma fazenda onde ficavam soldados soviéticos. A polícia chegou a ser acionada para investigar o desaparecimento da menina e testemunhas informaram que ela foi vista ali perto da fazenda.

mas a polícia não foi até lá. Não só não foi até lá, mas assim, nem tentou interrogar ninguém da fazenda, tipo, absolutamente nada. Simplesmente não seguiu essa pista, essa linha de investigação. Não se sabe ao certo por que a polícia não foi até a fazenda, mas existem duas hipóteses. A primeira delas era que a polícia tinha medo dos soldados soviéticos.

Simples assim. Enquanto a segunda fala sobre uma propaganda que existia ali no regime comunista, que falava que, abre aspas, crimes violentos não acontecem em países socialistas. Fecha aspas. Essa teoria, então, pensa que, de repente, os policiais descartaram a hipótese de que um soldado soviético pudesse ter cometido um ato criminoso, porque, veja bem, crimes violentos não acontecem em países socialistas. Então, tipo, obviamente não foram eles. Então, eles nem se deram trabalho de ir lá investigar.

Mas, seja como for, o fato é que a polícia fica trabalhando nesse caso por um ano sem descobrir absolutamente nada. Até que, então, a gente chega em 1954, exatamente no ano seguinte, quando uma menina de 13 anos confessou para a polícia que, sim, soldados soviéticos buscavam meninas para serviços sexuais.

Isso fez com que a polícia ficasse com uma pulguinha atrás da orelha, tá? Pensando que, de repente, a Marica, e, gente, aqui até me corrigindo, o nome da menina de 11 anos que desapareceu era Marica, eu falei Maria, enfim. Mas que, de repente, a Marica podia ter sido contratada, recrutada, não sei exatamente qual palavra usar, mas para serviços sexuais, e, de repente, alguma coisa deu errado.

E sim, ela tinha 11 anos. Isso por soldados soviéticos. Mais tarde, a polícia se deparou com uma mulher, que era mais velha, mas que confirmou tudo o que aquela menininha falou, falando que, inclusive, ela, essa mulher, se prostituía para soldados soviéticos. Só que não só isso. Essa mesma mulher, ela comentou com a polícia que, em agosto de 1954, ela tinha encontrado a Piroska. Piroska, nossa personagem principal.

E a Piroska tinha comentado, assim, já que ela tava bêbada, né? Ela tinha comentado que ela tinha matado a Marica com a ajuda da mãe dela. A polícia segue investigando o caso, coletando essas novas evidências que apareceram depois de um ano, até que eles chegam numa nova testemunha.

Testemunha essa que disse que viu a Marika, sim, pela última vez, perto da fazenda onde tinham soldados soviéticos, mas, entretanto, todavia, porém, ela não estava sozinha. Ela estava acompanhada de uma outra menina chamada Piroska. Além disso, essa testemunha também contou que ela chegou a conversar com as meninas. E ela chegou a perguntar para as meninas do tipo Oi, amadas, o que vocês estão indo fazer? Ao que a Marika respondeu que elas estavam indo falar com os russos.

A mulher estranhou aquilo, do tipo, por que vocês estão indo falar com os russos? E ela questionou para a menina, exatamente isso, tá, para quê? Por que vocês estão indo lá? E a marica não soube explicar o motivo. Por fim, essa última testemunha ainda disse que ela viu com seus próprios olhos as meninas chegando até a fazenda dos soviéticos e sendo recepcionadas por um homem.

A polícia, então, coleta todas essas novas informações, todos os testemunhos e tudo mais, e encerra o caso. Sim, gente, eles encerraram as investigações, sem ter concluído nada, seguido nada, feito nada, e eles orientaram as mulheres, as testemunhas, que elas ficassem quietas sobre o que elas sabiam e o que elas tinham visto. Só que a questão, meu povo, é que esse caso da Marica, ele não era um caso isolado. Logo, outras meninas começaram a desaparecer também.

Eu preciso contar que também existem relatos de dois meninos, tá? Mas, em sua maioria, eram meninas. Enfim, as famílias dos desaparecidos, eles buscaram a polícia inúmeras vezes e, em vários momentos, eles falaram, em alto e bom tom, que eles imaginavam, eles achavam que os soviéticos tinham, sim, alguma participação nesses desaparecimentos.

Mas digamos que a polícia não fez absolutamente nada. E nisso, gente, os casos foram aumentando, aumentando, aumentando, ao ponto que a galera, a população ali da cidade começou a ficar realmente em pânico. Crianças começaram a ser proibidas de saírem sozinhas de casa, vizinhos começaram a suspeitar de vizinhos. Realmente, todo aquele clima já de desconfiança foi...

colocado na tomada 220 e piorado mil vezes mais. Até que a gente chega no dia 2 de setembro de 1954, quando uma mulher, ela entra ali pela porta da frente da delegacia de polícia, esbaforida, ofegante, desesperada, aquela coisa louca assim, meu Deus do céu, veio correndo, falando que tentaram roubá-la.

e assassiná-la. Seu nome era Itzvané Balazi, e ela contou que quem tentou fazer tudo isso com ela tinha sido uma tal menina chamada Piroska. Ela contou para a polícia que ela tinha conhecido a Piroska não fazia muito tempo, e que as duas tinham se conhecido numa estação ferroviária de uma cidade próxima ali. As duas estavam procurando emprego nessa cidade, e logo começaram a conversar e viraram amigas. Até que então a Piroska convidou a menina para ir num parque de diversões, e a menina aceitou.

Ela e a Piroska, então, foram até o parque de diversões, cada uma carregando as suas malas, porque, afinal de contas, elas estavam na ferroviária, elas foram direto. E, chegando no parque, elas encontraram um homem que era amigo da Piroska. Esse homem super fofinho, querido, lindo e maravilhoso começou a carregar a mala da Piroska. E, até aí, tudo lindo, tudo certo, eles lá no parque de diversão. Se, de repente, o homem não desaparecesse e a mala da Balaze não desaparecesse junto.

A Balaz, então, claramente ficou louca da cara. E foi quando chamaram a polícia. Só que nessa hora, entre chamarem a polícia e a polícia chegar, a Pirosca vira para a Balaz e ela fala, cara, eu sei onde está sua mala, explica tudo, pede mil desculpas e fala, vem comigo, vamos até a minha casa que eu te devolvo a sua mala. A Balaz, então, ela concorda. Ela não formaliza sua denúncia à polícia. Do tipo, a polícia chega lá e ela fala, não, está tudo bem, foi só um mal entendido. E ela vai com a Pirosca até a casa dela.

Casa essa, gente, que é a casa, a mesma casa que a Piroska mora lá com a sua mãe, com seus meios irmãos e tal. Pois bem, ao chegarem lá, a casa tá, assim, uma zona completa. Tem criança correndo pra cima e pra baixo, tem um monte de entulho e coisas espalhadas pela casa, tá tudo completamente imundo, tipo, realmente uma casa caótica. Mas ela e a Piroska acabam encontrando um cantinho.

E a pirósca fala pra nova amiga, né? Tipo, ah, senta aí e tal, você quer beber alguma coisa? Eu tenho brandy e tal. E enfim, as duas começaram a beber. Nisso, a balaz, então, ela começou a ficar muito sonolenta. E ela falou pra pirósca que ela queria se deitar. Só que assim, como eu comentei, a casa estava uma zona completa e total. Então, não tinha onde ela se deitar.

Nisso, ela vai, então, até o quintal da casa e ela decide se deitar ali, adormecendo logo em seguida. Ela acorda, então, horas depois, no meio da noite, com a pirosca tentando estrangular ela com um fio. Só que a balaze, gente, ela conseguiu se defender. Ela conseguiu lutar ali e escapar daquilo. E ela conseguiu fugir. Foi quando, então, ela entrou correndo na delegacia da polícia, esbaforida, caótica, aquelas coisas todas, e falou que tinham tentado roubá-la.

matá-la. Os policiais escutam tudo aquilo e logo eles decidem chamar a Pirosca pra um interrogatório, né? Do tipo hum, vamos ver o que essa moça diz. E a questão é que essa moça não disse nada. Assim, a Pirosca, ela não admitiu a sua culpa, mas ela também não disse que era inocente, ela simplesmente não falou nada.

Mas a polícia ainda está com a pulguinha atrás da orelha, então decide ir até a casa da Pirosca para ver se, de repente, encontram a mala da balaz e, enfim, né? Encontram alguma coisa que ajude a entender o que estava acontecendo. Chegando lá, meu povo, eles de fato encontraram, assim, roupas e umas coisas assim, mas de outras meninas. Enquanto alguns oficiais analisavam essas roupas, um outro foi explorar uma espécie de porta de ferro que tinha no quintal da casa. Ao abrir essa porta... E aí

O policial, ele se deparou com um poço, assim, que devia ter uns 10, 12 metros, e que era bem antigo, tipo assim, bem antigo mesmo, provavelmente fazia parte da construção antiga da casa. E aí esse policial, que claramente não tem medo de filme de terror, ele decidiu iluminar o fundo do poço, só pra ver se de repente a mala tava lá, né, jogar a mala, algo do gênero.

E aí ele viu lama, ele viu água e ele viu restos humanos. Foi quando ele chamou o resto dos policiais que estavam com ele ali na casa e eles decidiram descer nesse poço e ver com os próprios olhos mais de perto o que tinha lá embaixo. Aqui, gente, eu preciso contar pra vocês que esse poço era bem escondido e bem de difícil acesso. Era uma estrutura bem antiga e se chegar até ela exigia um baita de um esforço físico. E essa informação vai ser importante mais pra frente. Mas bom...

Eventualmente, um dos policiais consegue descer. E quando ele chega no fundo desse poço, ele se depara, sim, com o corpo de uma menina que parecia estar sentado e do lado da cabeça dela tinha uma sola de pé humano.

O corpo estava completamente despido, o rosto completamente mutilado, e para além dessa sola de pé, tinha também um cinto militar. Mas não só isso. O policial que desceu até lá, ele viu que esse não era o único corpo humano que tinha ali. Eles acionaram, então, os bombeiros que foram até a casa da Pirosca e ajudaram a retirar todos os corpos de dentro do poço. No total, cinco corpos foram retirados de dentro do poço.

todos os corpos de meninas, jovens e completamente despidas. Os corpos foram levados até uma outra cidade para passarem pela autópsia, mas, infelizmente, quando eles chegaram lá, o estado de decomposição já era muito avançado. Foi possível...

constatar a causa da morte de todas elas, que foi estrangulamento. Mas esse estado avançado de decomposição fez com que o reconhecimento das meninas fosse muito dificultado. Tanto que familiares de jovens desaparecidas, de fato, não reconheceram as meninas. E todos esses corpos acabaram sendo enterrados juntos em um único túmulo. Mas é, dada essa descoberta, digamos que não tinha como a pirosca escapar dessa.

A Pirosca já estava na delegacia e a situação dela agora só ficou muito pior e complicada, mas a mãe da Pirosca acabou sendo presa também. Isso porque os policiais acreditavam que era impossível a Pirosca ter agido sozinha. Quer dizer, como que a menina matou tantas pessoas e jogou tantas pessoas em um poço sem que a mãe soubesse?

E foi quando, então, as duas começaram a ser ouvidas agora sobre os corpos. Na primeira vez que a Piroska falou com os policiais sobre os corpos encontrados, ela comentou que ela tinha três cúmplices, um homem de 45 anos, um homem de 23 anos e um soldado russo. A polícia pegou aquela informação e prendeu dois dos homens, para o choque de absolutamente nenhuma pessoa.

E esses dois homens foram ouvidos, ao que eles apresentaram álibis, assim, incontestáveis. Porque, de fato, um deles estava viajando quando os assassinatos aconteceram e o outro estava preso. Então, né, acho que também era um pouquinho difícil que ele tivesse tido alguma participação nos assassinatos.

Nisso, a polícia foi ouvir, então, a mãe da Piroska para ver o que ela sabia sobre os corpos. E assim, gente, a mãe da Piroska, ela hablou, tá? Ela, assim, acabou com a filha dela. Ela contou que a Piroska sempre foi uma criança problemática, assim, desde pequenininha. Que ela era agressiva, que ela costumava brigar com outras crianças e que tiveram várias situações em que a Piroska cortou o rosto de outras crianças sem motivo nenhum aparente.

A mãe ainda foi além nesses relatos, dizendo que parecia que a pirosca pequenininha se divertia com isso. Borbala também falou que a pirosca tinha um hábito um pouquinho curioso, que era de se alimentar com carne crua, mas não carne crua de qualquer animal. É de gatos e cães da vizinhança que ela matava, assim, na rua. Ela ia lá, matava os bichinhos e se alimentava da carne deles.

E aí ela falou mais algumas coisas, como, por exemplo, que aos 10 anos de idade, a Piroska fugiu de casa, tentando ir para a União Soviética, e tudo isso numa noite de Natal, e que depois ela repetiu esse ato mais algumas vezes, de fugir de casa. Falou também como a Piroska tinha o hábito de roubar coisas, furtar coisas.

e falou sobre o fato da Piroska começar a se relacionar sexualmente com homens bem mais velhos aos 14 anos, dizendo que ela, a mãe da Piroska, reprovava aquela atitude. Aliás, até corrigindo isso que eu falei aqui, não só eram homens bem mais velhos, mas eram soldados soviéticos. A mãe da Piroska falou isso explicitamente. E uma outra situação que a Borbala relatou para a polícia...

Foi uma situação, assim, bem desconfortável, tá? Que eu vou trazer aqui, mas eu já adianto que é bem desconfortável. Mas ela contou que um dia, belo dia, ela saiu de casa com a irmã dela e no meio do caminho, assim, a irmã dela se tocou que ela tinha esquecido alguma coisa e precisou voltar pra casa. Quando ela voltou pra casa, ela se deparou com a pirosca nua na sala da casa.

obrigando o seu irmão mais novo de sete anos a praticar sexo oral nela. Nisso, essa tia da pirósca repreendeu a menina, ao que a menina tentou pegar um frasco de remédio, tentou ingerir, enfim, essa parte até um pouquinho confusa, e que a tia impediu, enfim, mas que rolou toda essa situação que foi bastante caótica e bem perturbadora.

A polícia, mais uma vez, pega essas informações e vai até a Piroska confrontar ela, não só com os álibis da galera que ela falou que tinha sido cúmplice dela, mas também com as coisas que a mãe falou e tudo mais. Nisso, a Piroska muda a sua versão da história. E ela fala que, na verdade, os seus cúmplices eram todos soldados soviéticos.

E aí ela contou que tinha um soldado soviético específico, que era o Nikolai Bogachov, que ele tinha se apaixonado pela Marika, aquela primeira menina de 11 anos que desapareceu. Pois bem, o Nikolai, ele queria se casar com a Marika e queria levar a Marika de volta para a União Soviética. E ele falou isso para a Piroska, que ficou com os olhinhos brilhando, porque a Piroska tinha o sonho de ir para a União Soviética desde pequena, né? Como deu para reparar também no testemunho da mãe dela.

Pois bem, foi quando o Nikolai se aproveitou dessa situação. E ele falou para a Piroska, olha, se você me trouxer a marica e eu casar com ela e tudo mais, você vai com a gente para a União Soviética. E não só isso, você pode ser a mãe do meu segundo filho.

A Piroska, então, mais uma vez, ficou com os olhinhos brilhando e foi correndo buscar a Marika, ao que ela encontrou a menina, em 1953, na cidade, ali, numa fila de uma loja de verduras, esperando para comprar verduras. A Piroska contou que ela conseguiu convencer a menina até ir à casa dela, Piroska, e que, quando chegou lá, o Nikolai estava à espera das duas.

A pirosca deixou a Marika com o Nikolai e saiu. A questão é que quando ela voltou um tempo depois, o Nikolai tinha estuprado a criança. E vou falar com essas palavras porque é uma criança. E ele fugiu assim que a pirosca chegou. Do tipo assim, saiu da casa quando a pirosca entrou e foi entender o que estava acontecendo.

A Marika, então, estava completamente inconsolável, assim, né, com tudo que tinha acabado de acontecer, e ela ameaçou contar tudo para os pais dela, ao que a pirosca teria se desesperado, estrangulado a menina por 10 a 15 minutos e depois se desfeito do corpo dela no poço da casa.

A Pirosca seguiu falando, agora falando dos outros corpos que foram encontrados ali. A sua segunda vítima foi uma outra menina também chamada Pirosca, isso vai ficar um pouquinho confusinho aqui, mas Pirosca Ropal, de 13 anos. Elas se conheceram em junho de 1954 e a Ropal costumava vender galinhas ali na cidade.

A Piroska, então, nossa personagem principal, viu que existia uma boa possibilidade ali de atrair a garota usando galinhas como descupe. E foi exatamente isso que ela fez. Ela abordou a Rupal e ela falou que tinham galinhas que poderiam ser vendidas em uma fazenda ali perto e tal, enfim. Chamou a menina para acompanhar ela. A menina foi, então, né? Afinal de contas, ela precisava de galinhas para vender.

E, ao chegar lá, a Piroska deixou a menina sozinha com um outro soldado soviético chamado Andrei. O Andrei, então, teria estuprado a Piroska Ropal, estrangulado, e atirado seu corpo no mesmo poço onde estava o corpo da Marika. Para além dessas duas, a Piroska ainda falou de mais três vítimas. A Irene Simon, a Marika Botos e a Katoka Suzuki.

A Irene era uma operária de uma fábrica e tinha 17 anos. Ela foi simplesmente atraída pela pirosca até a casa da pirosca e lá ela foi estrangulada e teve seu corpo atirado no poço. A Irene era operária de uma fábrica e ela tinha 17 anos. Ela teria sido atraída pela pirosca e levada pela pirosca até a casa dela, onde a Irene foi estuprada, estrangulada, assassinada, e teve seu corpo também jogado no poço.

O mesmo aconteceu com essas outras duas vítimas, só que as duas tinham 12 anos de idade. Segundo a Piroska, o Nikolai Bogachov foi o responsável por absolutamente tudo envolvendo essas três vítimas. Ela contou que ele assassinou essas três vítimas usando o seu cinto.

mas que, na última delas, ele estava acompanhado também por um sargento. E quando questionada do porquê que a Piroska fez isso, tudo isso de atrair todas essas meninas e tudo mais, a Piroska respondeu com aquela história de que o Nikolai tinha prometido levar a Piroska para a União Soviética. Quer dizer, num primeiro momento, ele queria a Marika, mas depois ele começou a pedir para a Piroska qualquer menina que fosse intocada. Então, a Piroska buscava essas vítimas e levava até o Nikolai.

Caso resolvido, né? Você deve estar pensando. Mas, na verdade, não, gente. Na verdade, não. Porque, assim, no dia seguinte que rolou toda essa confissão por parte da Piroska, com todos esses nomes, relatos e tudo mais, ela mudou completamente o seu depoimento. Dessa vez, o que ela falou é que, na verdade, não tinha soviético.

nenhum envolvido nesses assassinatos. Ela que agiu completamente sozinha. E ela agiu completamente sozinha porque, veja bem, ela tinha atração por mulheres, mas ela tinha vergonha disso, achando que tinha alguma coisa errada com ela. Nessa versão dos fatos, ela mudou alguns elementos, né? Alegando que, tipo, ela mesma traiu as vítimas para a casa delas e que, chegando lá, ela distraiu todas as vítimas com livros e, enquanto elas estavam distraídas, lendo...

a Piroska estrangulou elas com fios metálicos, metálicos não, desculpa, fios elétricos, arame ou fio de algodão, coisas do gênero. Depois, segundo essa versão dos fatos, a Piroska ainda abusou do corpo das meninas e roubou todos os seus pertences antes de se desfazer dos corpos no poço.

Sobre essa versão ainda, a Piroska contou que ela sabia que ela tinha atração, que ela sentia atração por mulheres desde os 15 anos de idade, quando ela comprou um livro na cidade que tinha ilustrações gráficas de duas mulheres tendo relações sexuais. Ela falou ainda que ela mentiu nas últimas confissões dela, nos últimos depoimentos dela, porque ela tinha vergonha de assumir que ela tinha atração por mulheres porque ela sabia que era antinatural. Isso nas palavras dela.

A polícia, então, ouviu esse último depoimento dela e aceitou essa versão dos fatos. Foi quando, então, no dia 14 de outubro de 1954, sim, pouco tempo depois delas terem sido presas, ambas, né, mãe e filha, foram levadas para julgamento. Durante o julgamento, as duas mantiveram a última versão do caso, né, que elas contaram. Quer dizer, a mãe da pirosca falou que a filha era problemática e ficou falando sobre tudo que a filha já tinha feito e tal, aquelas coisas todas.

E a Piroska manteve a sua última versão, falando que ela agiu completamente sozinha, porque ela sentia atração por mulheres, ela tinha vergonha disso, aquelas coisas todas. Até que então, meu povo, quando abriram para a Piroska falar uma última vez ao júri, ela mudou tudo. Ela mudou, na verdade, falando que a sua mãe sabia de absolutamente tudo que ela tinha feito. Mas não só isso, a mãe tinha orientado a Piroska sobre o que fazer.

Ela contou que no segundo assassinato dela, a mãe dela falou que ela deveria matar pessoas que tivessem roupas boas e dinheiro, se possível. Nisso, então, a Piroska foi motivada a seguir matando para conseguir mais dinheiro e para satisfazer os seus desejos sexuais. Ela contou que a sua mãe gastava constantemente tudo o que ela acumulava, né? Com homens, doces e álcool. Então, que ela precisava se virar como podia. Pois bem, tanto a Piroska quanto a Borbala foram consideradas culpadas e foram condenadas à morte.

Eventualmente, a pena da Borbala foi alterada para a prisão perpétua, porque não conseguiram encontrar provas concretas de tudo que a Piroska tinha dito. Mas, no caso da Piroska, se manteve. Ela foi condenada à morte. Ela foi levada à prisão, então, e cerca de dois meses depois, ela foi executada.

ela foi enforcada no pátio da prisão em frente a uma plateia. Plateia essa formada por familiares das vítimas, por advogados, por juízes, por promotores, por médicos e por alguns curiosos. Depois, o seu corpo foi enterrado num cemitério sem identificação. Era um cemitério voltado para casos de suicídio ou assassinos, que eram consideradas mortes não cristãs.

Já a sua mãe, ela passou um tempo na prisão, só que conforme o tempo foi passando, né, ela começou a ter problemas de saúde e tudo mais, e ela acabou sendo levada, eu ia falar transportada, aí qual que é o nome? Transferida. Vambora, ela foi transferida para um hospital onde ela faleceu em 1969.

Eu poderia encerrar já a história do episódio de hoje por aqui, mas eu preciso trazer uma frase que eu não trazia há muito tempo nesse podcast. Quem é aqui de longa data, quem escuta esse podcast desde o comecinho, sabe que vira e mexe eu trazer essa frase, que é a famosa, ou pelo menos é isso que te contam.

Porque sim, meus amores, sabe toda essa versão da história que eu te dei sobre a pirosca? Há quem diga que nada disso é verdade. Quer dizer, sim, a pirosca existiu, tá? Ela existiu, ela foi presa, ela foi condenada e ela foi executada. Mas há quem diga que esses assassinatos e tudo isso, da maneira que eu te contei, não são verdadeiros. Esses detalhes todos dos assassinatos, eles foram obtidos por confissões controversas, como a gente viu, né?

por jornais da época e por reconstruções posteriores do caso. E assim, não existem registros oficiais que comprovem, que confirmem esses detalhes que eu trouxe. Então, sim, toda essa história tem espaço para muitas interpretações e para muitas dúvidas, muitos questionamentos.

Quer dizer, teria a Piroska, de fato, matado todas essas meninas e feito exatamente da maneira que ela falou, pelos motivos que ela falou? Ou, de repente, será que ela foi usada como bode expiatório dos soldados soviéticos para esconder o que os soldados soviéticos vinham fazendo, exatamente porque ela já tinha essa fama de ser uma criminosa, por estar bêbada pela cidade, por roubar e tudo mais?

Ou será que ela trabalhou com os soviéticos desde o começo, naquela primeira versão que ela contou, quer dizer, segunda? Ih, já perdi as contas. Mas, enfim, naquela versão que ela contou que prometeram a ela levar ela até a União Soviética, e aí ela trabalhou em conjunto com os soviéticos mesmo. E, sinceramente, gente, esse é um daqueles casos que eu não sei se um dia a gente vai saber a verdade. Porque, assim, óbvio, né? Primeiro que tem muitos pontos de interrogação, tem muitas pontas soltas, tem muitas possibilidades, assim.

Mas o mais bizarro disso tudo é que, uma coisa que eu acabei não comentando e comento agora pra fechar esse episódio com chave de ouro, é que o interrogatório da Piroska foi feito a portas fechadas. Quer dizer, não tinha ninguém lá dentro pra ouvir as confissões da Piroska além dos policiais.

Então, a versão que saiu de lá de dentro foi a única versão possível, que pode ter sido manipulada, que pode ter sido alterada, e que talvez a gente nunca vá saber se realmente é verdade ou não. E, gente, só efeitos de curiosidade aqui, pesquisadores e historiadores húngaros estudaram essa história por anos e anos depois. Existem fotos, inclusive, de um deles entrevistando a mãe da pirosca.

Mas a grande questão é que eles não conseguiram encontrar documentos oficiais do Estado para comprovar alguma teoria ou o que de fato aconteceu. Em outras palavras aqui, gente, nem eu sei como concluir essa história do tipo, realmente, é uma história que a gente não tem como saber a verdade ou não, tipo, se realmente o que ela confessou que foi ela que fez e tal, se isso é verdade mesmo. Tipo, realmente não saberemos.

Mas eu tô louca pra ouvir o que vocês pensam, porque eu adoro sempre ouvir o que vocês pensam. Então, deixem aqui nos comentários a sua teoria, ou caso você conheça mais alguma coisa sobre essa história, também deixa aqui nos comentários, que eu adoro aprender mais sobre os casos que eu trago aqui por meio de vocês. Que vocês sempre sabem umas curiosidades muito fora da curva, assim, que eu amo.

E com isso, meus amores, eu encerro a história do episódio de hoje. História essa que eu achei muito interessante, eu achei muito curiosa, e eu achei, mais do que tudo isso, muito... Eu vou usar a palavra bacana, mas vocês me entendem. Mas assim, como realmente o contexto histórico está muito envolvido nessa história.

que é bem isso que eu busco no Passaporte pro Crime, te trazer histórias que tenham todo um contexto histórico, que você consiga aprender mais sobre a história de um lugar, ou que seja a partir de uma história, tá muito repetitivo mas vocês estão entendendo o que eu tô querendo dizer, eu adorei esse caso, e bora falar de dicas de viagem logo, porque assim, já me enrolei toda, mas queria só falar que eu achei essa história muito doida, muito interessante, mas ao mesmo tempo intrigante também, porque eu queria saber

A verdade, eu queria muito... Será que eu podia ter uma... Não, eu ia falar, eu queria ter uma máquina de tempo pra voltar naquela época e ver com meus próprios olhos o que aconteceu. Mas eu já me arrependi de falar isso, porque eu não sei se eu queria ver com meus próprios olhos o que aconteceu. Sinceramente. Alguém tá afim de ir até lá ver com os próprios olhos e me contar? Porque assim, eu não sei se eu quero ver, não. Vamos falar de dica de viagem, pelo amor de Deus.

Pois bem, sobre as dicas de viagem, gente, eu vou explorar o contexto histórico desse episódio, trazendo uma dica que eu visitei.

Fazia tempo que eu também não conseguia trazer uma dica de um lugar que eu visitei, né? Mas um lugar que eu visitei e que eu fiquei completamente apaixonada quando eu visitei, que é a Casa de Terror de Budapeste. A Casa do Terror, gente, é um museu. E é um museu, assim, tão rico, mas tão rico.

Eu, de verdade, não vejo a hora de voltar para Budapeste lá de novo. Mas, sim, esse é um museu que vai te contar sobre a dominação nazista e comunista da Hungria, servindo também de memorial para as vítimas desses regimes. Esse prédio onde fica o museu, ele serviu de prisão e centro de tortura de presos políticos nesses períodos. Então, em determinado momento da sua visita, você vê as celas onde tudo aconteceu. De novo, gente, esse é um museu muito rico, como eu comentei, mas ele também é muito forte e muito importante.

Quando eu fui lá, eu sinceramente não conhecia muito a história da Hungria, e eu não tinha esse podcast, né? Então, também não me aprofundava muito nesses temas. E foi um museu que eu lembro que eu aprendi muito, assim, que me chocou bastante, porque eu realmente não sabia muitas das coisas. E ainda sobre a minha visita, gente, quando eu fui, eu lembro que eu fiquei bastante tempo, tá? Porque é um museu, assim, grande, com muita informação e muita coisa pra você ver.

Tanto que eu lembro que eu saí de lá meio com a cabeça explodindo, sabe? Porque eu não sei vocês, mas eu sou muito dessas que eu consigo absorver informação até determinado ponto. Depois disso, eu fico 100% aérea, tipo, é muito difícil pra mim conseguir ler até as coisas e entender o que eu tô lendo. Porque meu cérebro, ele chega no limite dele. E eu lembro que nessa visita chegou uma hora que eu precisei parar, assim, dar uma respirada. Porque eu falei, nossa, tá, pera.

Muita informação junta. De novo, eu não conhecia muito da história da Hungria nesse ponto. Então, acho que se eu conhecesse, tipo, indo agora que eu já conheço mais, eu acho que a minha visita seria um pouquinho mais leve, porque eu já saberia muita das informações. Quando eu fui lá, eu realmente aprendi tudo meio do zero, assim.

Uma coisa interessante sobre esse museu, gente, é que eu lembro que tinha umas histórias bem chocantes. E aí, quando eu tava fazendo esse roteiro, eu fiquei me perguntando como que eu não anotei nenhuma história de lá. É porque, assim, eu lembro que tinham histórias mais gerais, não histórias de pessoas específicas. Agora eu não lembro direito, já faz dois anos que eu visitei três. Quando que eu visitei? Foi 2023. Três anos que eu visitei esse museu. Então, enfim.

Ai, eu vou ter que voltar pra lá, gente. Que tristeza, pra ver se tem alguma história pro podcast. Mas só pra finalizar, gente, de fato, esse museu, ele realmente é muito rico pra você se aprofundar nesse contexto histórico que eu trouxe aqui. Então, eu realmente recomendo muito. E falei realmente duas vezes, perdoem meus vícios de linguagem. Uma coisa que eu queria pontuar, gente, é que pesquisando mais sobre ele e outras opiniões de outras pessoas que não a minha,

Eu vi uma galera falando que achou o museu muito confuso e uma galera falando também que não tinha tanta coisa traduzida para o inglês. E aí eu fiquei quebrando a minha cabeça tentando lembrar as minhas impressões sobre isso. Tanto que eu fui falar com a minha amiga que fez o mochilão comigo e com uma outra amiga que também foi para Budapeste, que foi quem me recomendou visitar esse museu.

Que, inclusive, foi a Beth, a mesma Beth que me ajudou a falar certo o nome da cidade. Ô, meu Deus, Beth, mais um beijo pra você, amiga. Assim, gente, eu não lembro de nada disso. E conversando com as meninas, elas também não lembravam. Uma delas chegou a comentar que lembrava que o museu era meio confuso mesmo. Meio do tipo, a ordem pra você seguir o museu era meio confusa.

Mas não foi nada que nenhuma das duas falou do tipo, nossa, é uma visita péssima por conta disso. Sabe assim? E aí, eu até fiquei tentando quebrar a cabeça, porque existe áudio guia, tanto que a galera que ficou falando que não tinha tradução para o inglês, recomendou muito se pegar o áudio guia.

E aí eu fiquei quebrando a minha cabeça, eu com essa minha amiga, tentando lembrar se a gente pegou áudio-guia. E aí, de repente, por isso que a gente não achou tão ruim não ter tradução em inglês. Mas de verdade, gente, eu não lembro disso. Eu acho que me marcaria se fosse uma questão, sabe? Se, tipo, nossa, não tem nenhum texto na parede, sabe? Eu acho que teria me marcado. Enfim, de qualquer forma, eu acho que a lição aqui, a recomendação aqui, é um ir. Não existe a possibilidade de não ir, porque esse museu é muito bom mesmo.

E pega o audio guia. Assim, porque o máximo que pode acontecer é você ter informações a mais. Eu, pelo menos, sempre gosto muito de audio guia. Então, pra mim, não seria um problema pegar, sabe? Mas, enfim, eu super recomendo. E sobre ser confuso, cara, de repente, sei lá, ver se no começo da visita você consegue pegar um direcionamento, pegar um mapinha com a pessoa te mostrando onde começa, onde termina. Não sei, de verdade, porque eu não lembro disso.

E aí, sobre coisas práticas, meus amores, pelo que eu estava vendo, porque eu também não me lembro disso, parece que você só pode comprar ingresso na hora, lá. Não pode comprar online. Eu acho que eu fiz isso mesmo. Eu acho que eu cheguei cedo e comprei ingresso. E eu realmente recomendo vocês a chegarem cedo, porque assim...

É um museu que fica um pouco cheinho. Uma coisa interessante é que tem muitas escolas que vão lá. A Beth até comentou isso comigo agora, quando eu estava conversando com ela sobre. Eu lembro também quando eu fui visitar, porque ela foi num dia, e eu fui acho que no dia seguinte, que a gente estava em Budapete na mesma época. Eu lembro também de ter umas crianças quando eu visitei. E isso é muito legal, porque são escolas húngaras que levam as crianças lá, acho que, para ensinar essa parte da história. Eu acho isso bem bacana.

Mas isso, assim, então é um museu que ele pode ficar um pouquinho movimentado, mas mais do que isso, de novo, é um museu muito grande, muito denso. Então, a melhor coisa que você faz é chegar bem cedo pra garantir que você vai conseguir ver tudo e que você vai conseguir ver tudo fazendo algumas pausas pra respirar, porque é isso, é muita coisa.

Mas, fora isso, a única coisa que eu vi é que eles não abrem de segunda. Então, ponto importante. E parece que fecha às 5 da tarde. Então, mais um motivo para vocês cedo para não ser expulso do museu. A Beth também comentou de uma coisa que ela falou que ela foi visitar no dia que o museu era de graça.

Mas eu não achei essa informação. Então, assim, caso alguém tenha ido para Budapeste, mora em Budapeste e saiba essa informação, deixa nos comentários para a gente. Eu até olhei no site deles, será que eu fui burra e não vi? Tipo, estava no site deles bem na minha cara e eu não vi? Mas eu não vi. Normalmente eu vejo. Deixo aqui também mais uma coisa para vocês deixarem de comentário.

E com isso, meus amores, eu encerro o episódio de hoje, o Real Oficial. Mais uma vez, eu queria deixar aqui o meu beijo, o meu agradecimento e a minha homenagem à Mônica. Mônica, espero que você tenha gostado desse episódio. Espero que eu tenha feito jus à história que você me pediu pra contar. E mais uma vez, eu deixo aqui o lembrete sobre a campanha de dois anos do Passaporte pro Crime. Sério, gente, eu tô muito feliz em chegar nesse marco. Eu tô muito feliz com a comunidade que a gente tá criando.

E eu tô muito feliz por ter apoiadores e pessoas que acreditam nesse projeto e me ajudam a manter ele de pé. Porque, de verdade, assim, eu preciso da ajuda de vocês pra manter ele de pé. Então, por isso que eu pensei nessa campanha, né? Como uma forma de agradecimento mesmo. Esse guia de viagem era uma coisa que eu já queria fazer há muito tempo. E calhou de uma designer linda, maravilhosa vir me procurar, propondo da gente fazer esse roteiro.

E aí, foi ótimo, a gente se deu super bem. E, enfim, fica aqui meu beijo pra Marcela também, que é a minha designer.

Mas eu tô muito feliz de poder expandir o podcast pra essas outras frentes, sabe? Tipo, eu quero realmente que esse projeto ele cresça. Eu nunca imaginei que ele ia ser tão bem recebido por tanta gente, tanta gente ia ter interesse. E aí, na minha cabeça, os guias de viagem eram o próximo passo natural a se dar.

sabe? Porque, eu não sei vocês, mas quando eu vou visitar um lugar, eu gosto de saber pra onde eu vou, o que eu vou fazer, eu não gosto muito de ir na louca. E aí, eu acho que se eu fosse visitar lugares sabendo que vai ter um guia como esse, eu com certeza compraria e iria com esse guia. Porque eu me interesso por esse tipo de história, eu saberia que eu vou aprender mais sobre a história daquele país visitando esses lugares.

E ainda, de quebra, eu conheceria uma história meio bizarra. Então, assim, pra mim, esses guias são perfeitos. E aí, eu espero de coração que pra vocês eles sejam também. Eu tô muito...

animada pra lançar eles logo. Mas enquanto esse lançamento não chega, os apoiadores vão ter acesso a um gostinho deles. E eu espero de coração que vocês gostem, gente. Sério. Ah, eu tô animada pra ver o feedback de vocês. Fora isso, tem também a nossa campanha colaborativa. Se a gente conseguir mais 15 apoiadores no mês de maio, eu vou lançar outro episódio extra.

Eu de verdade quero começar a lançar mais episódios por semana, por mês ou o que seja, mas eu preciso contratar uma equipe pra isso. Então essa é a minha forma de ver se de repente a gente consegue avançar um pouquinho nesse âmbito. Abri o jogo com vocês, viu? Abri bastante o jogo com vocês, mas é porque eu realmente sinto que vocês me entendem e que eu posso ser honesta aqui.

Mas é isso, meus amores. Dito tudo isso, chega por hoje. Acho que eu já falei tudo que eu tinha pra falar. Se você ainda não apoia o podcast, por favor, considere. Considere agora em maio pra vocês terem acesso aí, pra você ter acesso aí ao guia. A partir de junho acabou a mamata, tá? A partir de junho é só comprando mesmo, tá? E aí a gente vai oferecer lá num... a gente vai oferecer num site. Não vou dar muitos detalhes, porque eu gravo com muita antecedência. Vai que alguma coisa muda até lá, mas vai ser assim.

E é isso, um beijo, chega de enrolação e até semana que vem que eu vou te levar pra alguma outra parte do mundo.