Episódios de Aconteceu no RS

Guerra Guaranítica e os mitos e verdades sobre Sepé Tiaraju

11 de maio de 202638min
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Em 1750, os Sete Povos das Missões viviam um período de esplendor urbano e econômico. Quando somavam cerca de 30 mil habitantes, pelo Tratado de Madri, em troca da Colônia do Sacramento, atualmente no Uruguai, os portugueses receberam dos espanhóis terras das reduções jesuíticas, hoje no noroeste do Rio Grande do Sul.Os indígenas não aceitaram entregar tudo o que construíram aos seus inimigos. Entre vários líderes, o principal personagem da guerra foi Sepé Tiaraju. Sua figura, elevada à condição de herói nacional, mistura traços históricos comprovados com elementos lendários consolidados na cultura popular ao longo dos séculos. No quarto episódio da temporada do programa Aconteceu no RS, o professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Eduardo Neumann conta como foi a Guerra Guaranítica.

Oferecimento: Colégio Anchieta e UnisinosFicha técnica:Produção e edição: Lucas VieiraOperação: Vinícius RodriguesArtes e vinheta: Laura MelchiorSupervisão: Rafael Manito e Fernando Salvador Coordenação: Larissa Guerra

Participantes neste episódio2
L

Leandro

HostJornalista
E

Eduardo Neumann

ConvidadoProfessor de História
Assuntos5
  • Claude Mythos e segurançaOrigem e papel como alférez e corregedor · Estratégia de guerra de guerrilha · Morte antes da Batalha de Caibuaté · A frase 'Esta terra tem dono' · Reconhecimento histórico e panteão de heróis
  • Conflitos e Batalhas da Guerra GuaraníticaDesvantagem bélica dos indígenas · Primeiros embates e retrocessos das tropas ibéricas · Batalha de Caibuaté · Resistência e reorganização indígena
  • O corpo de Cristo e a interdependência missionáriaSéculo XVIII · Densidade demográfica · Epidemias · Fronteira entre Portugal e Espanha · Colônia do Sacramento · Forte Jesus José Maria · Rio Grande · Produção de erva mate · Produção de couros · Produção de tecidos de algodão · Auge das reduções · Desenvolvimento cultural, artístico e musical · Catedrais barrocas · Casas com telhas de barro e ladrilhos de cerâmica · Cidades coloniais · Pueblos de índios · República de Índios · Monarquia Espanhola · Réu patronato · Leis de Índias · Vassalos da monarquia · Tributo ao rei · Serviços à monarquia · Proteção de fronteiras · Trabalhos em obras públicas · Fortificações em Buenos Aires, Montevidéu e Assunção · Transporte de mercadorias · Construção de embarcações · Interação com a sociedade colonial · Qualificação de mão de obra · Ofícios mecânicos · Marcenaria · Ferreiros · Curtidores · Talhadores · Construtores de embarcações · Déficit de mão de obra qualificada · Participação no mercado interno colonial
  • Legado e Memória da Guerra GuaraníticaOutras lideranças indígenas · Interpretações historiográficas · Sepé Tiaraju como símbolo
  • Tratado de Madri e a Guerra GuaraníticaTratado de Madri · Tratado de Permuta · 13 de janeiro de 1750 · Permuta das sete reduções orientais pela Colônia do Sacramento · Território do Rio Grande do Sul · República Oriental do Uruguai · Buenos Aires · Monarca português · Colônia do Sacramento · Fronteiras naturais · Rio da Prata · Praça militar e comercial · Contrabando · Reformas Borbônicas · Modernização administrativa · Recuperação do papel de potência da Espanha · Decisão tomada na Península Ibérica · Repercussão na América do Sul · População das reduções orientais · Transmigração da população · Descontentamento e mobilização indígena · Rio Uruguai · Banda ocidental · Banda oriental · Desdobramento de reduções
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Olá, seja muito bem-vindo ao quarto episódio da temporada do Aconteceu no Rio Grande do Sul sobre os 400 anos das missões, um oferecimento de Colégio Anchieta, Rede Jesuíta de Educação e Unicinos, nossa sala de aula é o mundo. Nos episódios anteriores falamos sobre a formação, das reduções, as duas fases, a chegada dos jesuítas, a saída.

No segundo episódio falamos sobre o povo guaranino, terceiro sobre a história da Companhia de Jesus e dos jesuítas no Rio Grande do Sul e neste quarto episódio vamos falar da Guerra Guaranítica e de um personagem lendário. Aliás, o que é fato e o que é mito envolvendo Sepete Araju. E o nosso convidado é o professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Eduardo Neumann. Muito bem-vindo, professor!

Bem, olá pessoal e demais espectadores, obrigado pelo convite. Sempre é uma oportunidade para compartilhar com a comunidade geral e com o público esses temas de grande relevância, não apenas para o Estado e o Rio Grande do Sul, mas para toda a sociedade, digamos assim, sul-americana. Então, estou muito curioso para saber quais são as dúvidas e perguntas que eu posso colaborar com vocês.

É um episódio importante, professor, da história da formação do Rio Grande do Sul, com esse personagem importante também que é Sepete Araju. Para a gente contextualizar, antes de falar de todo o histórico antes da guerra, esse período que nós vamos falar agora é na década de 1750. Como estavam as reduções jesuíticas naquela época no território que hoje é do Rio Grande do Sul?

Vamos lá. Meados do século XVIII, as reduções estão no seu momento de maior densidade demográfica, aproximadamente até a década de 30, 40, havia em torno de 140 mil habitantes. É bem verdade que um pouquinho antes da década de 50 houve alguns problemas de...

doenças, algumas epidemias, houve um pequeno declínio demográfico, mas havia no conjunto 30 reduções, sete localizadas no atual estado do Rio Grande do Sul. Elas vivenciavam um período de florescimento, de grande desenvolvimento e principalmente que a população dessas reduções atendiam a vários pedidos dos governadores, tanto do Paraguai quanto de Buenos Aires.

no sentido de atuarem como uma milícia de fronteira contra as iniciativas dos portugueses. Há que sempre destacar que essas reduções estão instaladas numa região de fronteira, nos limites entre as possessões ibéricas na América do Sul, ou seja, limites entre os domínios de Portugal e de Espanha.

e que Portugal, através da iniciativa de Luz dos Brasileiros, vinha iniciando uma ocupação de parte do território que hoje corresponde ao Rio Grande do Sul, especialmente os chamados Campos de Viamão, mas havia um baluarte instalado em frente a Buenos Aires, que era a colônia de Sacramento.

Inúmeras vezes os guaranis foram chamados para darem combate a esta presença lusitana, tanto em sacramento como também depois, a partir da instalação do Forte Jesus José Maria, que daria origem, então, à cidade de Rio Grande. Então, resumindo, elas tinham um papel muito ativo, tanto socialmente falando, militarmente, mas também na economia local, produzindo principalmente...

A erva mate, que era um dos produtos fortes, mas também a questão dos couros e, posteriormente, até a produção de tecidos de algodão. A gente pode dizer que as reduções viviam seu auge? Podemos dizer que estava num período aí que, meados do século XVIII, foi o auge, foi um momento de grande esplendor.

tanto desenvolvimento cultural, artístico, musical, e principalmente quando estão se edificando as catedrais barrocas, em pedra, quando está tendo todo um desenvolvimento urbano, principalmente com as casas com telhas de barro, com ladrilhos também de cerâmica. Ou seja, quando a gente fala em reduções, é importante destacar que nós estamos falando de cidades coloniais. São pueblos de índios. Na verdade, faço parte da República de Índios.

na qual estavam tanto as reduções, congregações, esses povos. Então, quando a gente fala redução, é importante que quem está nos ouvindo tenha a noção que são cidades, algumas delas com 4, 5, 6 mil habitantes e com um desenvolvimento urbano muito melhor que diversas cidades da América Hispânica. É importante destacar, insisto nisso, nós estamos falando do mundo colonial espanhol, elas fazem parte da monarquia espanhola, certo?

Qual era a autonomia dos guaranis nesses povos, nessas cidades? O quanto eles dependiam de ordens que vinham da coroa espanhola ou dos jesuítas? Bem, vamos por partes. Os jesuítas estão a serviço da monarquia espanhola. Eles estão vinculados através do réu patronato.

Então, obviamente que ela é uma ordem autônoma e não é, como muita gente diz, um Estado jesuítico ou Estados dentro do Estado. Ela está submetida às leis de Índias, ou seja, a todo um ordenamento a partir das disposições da monarquia espanhola.

Os jesuítas tinham uma grande margem de manobra por conta dos serviços prestados e os guaranis, particularmente aqui, são vassalos da monarquia. A partir do momento que os guaranis aceitam a vida em redução, aceitam a conversão...

Pela mão dos jesuítas, eles não teriam que prestar, por exemplo, trabalhos aos colonizadores, aos encomendeiros. Eles eram tributados diretamente à coroa. Então, os varões, os homens, na faixa dos 18, 50 anos, teriam que pagar, hipoteticamente, um tributo ao rei. E muitas vezes, em vez do tributo pago em espécie, em moeda, eram prestados serviços à monarquia, serviços de proteção das fronteiras, mas também trabalhos em obras públicas. Muitas das fortificações...

que se fez em Buenos Aires, em Montevideo ou mesmo em Assunción, foi trabalho feito pelos guaranis. Então, apesar de eles não estarem devendo trabalhos, não serem vinculados à esfera, vamos chamar assim, privada, eles estavam vinculados ao ambiente mais público, ao chamado Estado colonial. Por vezes, atendiam a chamados da monarquia através dos governadores, principalmente defesa de fronteira.

patrulhamento dos limites entre Portugal e Espanha na América do Sul, aqui na região do Rio da Prata, mas também obras públicas. Além das obras públicas, transporte, mercadorias ou mesmo construções de embarcações. Então, o rol da participação desses guaranis não fica restrito apenas ao espaço, ao ambiente reducional.

Há uma interação com a sociedade colonial, mas intermediado pelos jesuítas. Os índios não iam a seu livre-arbítrio. Eram chamados, era feito um pedido através dos procuradores, das autoridades eclesiásticas, e os jesuítas conduziam eles a esse trabalho. Sempre houve um cuidado dos jesuítas de regularem este acesso, porque os pedidos eram bastante frequentes, porque era uma mão de obra qualificada.

Acho que o que é tão diferencial importante para quem está nos discutindo é que esses guaranis passaram por um processo de qualificação de mão de obra. Essas reduções habilitaram esses indígenas em uma série de ofícios mecânicos. O que são os ofícios mecânicos? Trabalho de marcenaria, de ferreiros, de curtidores, de talhadores, de construtores de embarcações. ...habitava indígenas para um trabalho...

que era requisitado pelas autoridades coloniais, principalmente nos centros urbanos, que tinham um grande déficit de gente habilitada nessas tarefas, nesses trabalhos. Então, portanto, a gente não pode pensar essas reduções como isolada da sociedade colonial. Há um contato e uma participação neste mercado interno também, seja com produtos ou com mão de obra.

Interessante. A gente deu aqui a contextualização dessa época para chegar a um acordo que foi feito lá na Europa entre Espanha e Portugal e que mudaria o destino dos sete povos das missões no hoje território do Rio Grande do Sul. Que acordo é esse, professor? Bem, esse é o chamado Tratado de Madri ou Tratado de Permuta.

foi assinado entre os monarcas ibéricos, o rei de Portugal e o rei de Espanha, no dia 13 de janeiro de 1750.

Como diz o nome, é um tratado de permuta, ele permutava as sete reduções orientais, conhecida como Sete Povos das Missões, aqui no Rio Grande do Sul, de um conjunto de 30, pela colônia do Sacramento, instalada atualmente no território da República Oriental do Uruguai, em frente a Buenos Aires. Este tratado, esta permuta, foi proposta pelo monarca português, alegando que o terreno, o território ocupado por Portugal, era descontínuo.

Portugal tinha até final do século XVII, Laguna havia expandido seus domínios até Viamão, estava cada vez mais se expandindo ao sul da América. A América portuguesa estava agora alargando os seus limites. Esse tratado tem como um dos seus pontos a mudança da orientação diplomática. Até então, Portugal sempre advogava que o que lhe interessava eram as fronteiras naturais.

e dizia que a sua fronteira natural deveria ser o Rio da Prata. E aí instalou Sacramento em 1680. Aliás, Sacramento é um pomo da discórdia, várias vezes foi tomada, retomada, cercos e assaltos. E agora, em vez da fronteira natural, era ulti posse detes, uso pela posse. Então se trocava, como Portugal dizia, olha, nós estamos aqui em Sacramento já há algumas décadas, vamos trocar esta colônia, na verdade, essa praça militar e comercial, pelos sete povos.

Espanha aceitou, porque naquele momento entendia que Sacramento era um ponto de contrabando, de introdução de mercadorias ilícitas nas redes comerciais espanholas. E a monarquia, que não consultou previamente ninguém na América do Sul, nem governadores, nem provinciais, nada, aceitou o tratado imaginando que eliminando Sacramento, passando Sacramento aos domínios espanhóis, eliminaria esta via do comércio ilícito.

Há que se entender que este momento é, para a Espanha, um momento das reformas burbônicas, de um momento de modernização administrativa e também onde a Espanha está querendo recuperar o seu papel de potência que havia perdido, como gozava nos séculos anteriores. Então, esse contexto, é importante deixar bem claro aqui, é uma decisão tomada...

na Península Ibérica e teve uma repercussão muito forte na América do Sul, não apenas por parte da população implicada diretamente, que é a população das reduções orientais, que deveriam abandonar os pueblos, as reduções, e também transmigrar toda a população. Isso estava previsto no artigo 16 do tratado, que deveriam estar esvaziadas.

sem mais ninguém, só ficando lá, enfim, as estruturas urbanas. Obviamente que acabou gerando um grande descontentamento e uma mobilização por parte dos principais implicados, que eram exatamente a população dessas sete reduções. Esse tratado é de 1750, professor, e como o senhor disse, eles deveriam ir para o outro lado do Rio Uruguai, onde hoje fica o território da Argentina. Lá estavam outras reduções, outros povos guaranis, mas...

não teve essa combinação prévia entre a coroa espanhola com quem estava aqui na América do Sul. E daí os caciques, os indígenas guaranis, formaram uma resistência porque não queriam sair dos territórios já ocupados. Exatamente. O tratado, como a gente disse aqui, é assinado em 1750, e a notícia vai demorar um ano ou dois para chegar até o Rio da Prata.

Quando essa notícia chega, obviamente que a população... Primeiro havia todo um procedimento de como informar os guaranis que eles deveriam abandonar, deveria ocorrer uma transmigração. Essa população deveria ser deslocada para outra margem do Rio Uruguai, ou seja, para a outra banda, a banda ocidental, onde haviam outras reduções. Algumas das reduções que estavam na banda oriental dos sete povos...

eram resultado do desdobramento de reduções que haviam na outra margem. No caso, Santo Tomé foi dividida lá em 1680 e poucos, e deu origem a Santo Tomé, como a própria redução de Santa Maria Maior deu origem a São Lourenço, Márfio, então eles deveriam ir para o outro lado e abandonar o território, levando toda a mobília, todos os animais, cavalos.

vacas e etc, e deixarem mais ninguém ficar no território. Obviamente que os guaranis vão se manifestar contra essa decisão e vão tentar estabelecer uma negociação. E o curioso é que exatamente esta oposição indígena transformou em quase nada o famoso Tratado de Madri.

para a execução do tratado, vão ser enviadas comitivas, comitiva pelo lado português e comitiva pelo lado espanhol, para demarcar os novos limites. Qual era a ideia do tratado? Estabelecer uma fronteira, algo que não existia com clareza entre os domínios das duas monarquias.

A fronteira era muito, vamos dizer assim, fluida. A raia, como aparece na documentação, não estava definida. Então deveria se marcar uma nova fronteira, que sairia de Castilhos Grandes, subiria, passaria pelo rio Bicuí. Ou seja, esses sete povos passariam ao domínio da América Portuguesa e Sacramento ficaria com a Espanha. Obviamente, quando essas comitivas chegam, é importante deixar claro que, para a execução desse trabalho...

Foi designado um plenipotenciário pelo lado espanhol, o Marquês de Valdelírios, que comandaria os trabalhos, um plenipotenciário pelo lado português, o Gomes Freire de Andrade, e um plenipotenciário pelo lado dos jesuítas, para acompanhar o trabalho e demover os indígenas, ou melhor, convencê-los da necessidade de executar a transmigração, que é Lope Luiz Altamirano.

Esse jesuíta, que era de Málaga, conhecido como malaguenho, chega aqui dizendo que em três meses tudo estaria resolvido. Ledo o engano. As populações se mobilizam. E quando essas tropas estão arrumando em direção ao território, lá por fevereiro de 1753, há uma manifestação, há um encontro desta comitiva luso-hispânica com indígenas, com lideranças indígenas e alguns dos seus soldados, que vão dizer, olha...

Os espanhóis até podem seguir adiante. São vassalos do mesmo monarca que o nosso. Ou seja, são vassalos de Espanha. Agora os portugueses podem retroagir. Os portugueses não vão entrar no nosso território. Os portugueses são nossos inimigos. Porque esses guaranis, já há várias décadas, desde o século passado, têm os portugueses como opositores. Primeiro.

com os ataques que foram perpetrados pelos bandeirantes, atacando as reduções no tapé, no TAP, entre 1630 e 1636, e vão também lutar contra os portugueses na colônia de Sacramento. E vão dizer, vem cá, o rei várias vezes nos pediu auxílio contra os portugueses. Como é que agora o rei vai entregar as nossas reduções, os nossos povos, exatamente para os nossos inimigos históricos? Então, há uma clareza por parte dos guarimis a quem eles devem dar combate, que são os portugueses.

Obviamente que as comitivas não conseguiram avançar, vão ter que retroagir, e com isso vai começar um momento de contestação, de mobilização por parte da população guarani, liderada principalmente por suas lideranças, que são os caciques, que vai dar origem à famosa Guerra Guaranítica. Agora, um ponto importante.

O termo guerra guaranítica não aparece na documentação. Aparece função militar, oposição, alvoroço indígena. Guerra guaranítica é o nome que a historiografia dá a estes episódios, que vão ocorrer entre 1753 até 1756, e alguns alargam até 57. Então, são três anos de mobilização dos guaranis contra esta ofensiva militar.

E o mais importante aqui, e esse é um dado que pouca gente conhece, essa população começa a escrever.

Não é que começa, ela já sabe escrever, mas ela utiliza a escrita, utiliza a comunicação escrita como uma forma de mobilização entre os próprios indígenas. Aparece muito a expressão na documentação, Mientras volavam bilhetes. Quando chegava a notícia de que as tropas portuguesas ou espanholas estavam se dirigindo ao território, circulavam muitos bilhetes, muitas cartas, muitos papéis escritos.

entre as comunidades indígenas para se mobilizar e conseguir se organizar contra esta ofensiva militar em direção ao território. Então, é importante deixar claro aqui que uma batalha dos papéis precedeu uma batalha, vamos chamar assim, bélica ou militar.

A escrita foi utilizada como uma forma de autogoverno pela população indígena. É algo que a gente chama de escritofilia indígena. Este é um episódio pouco conhecido e que me parece muito significativo como a cultura escrita foi utilizada pela elite indígena, pela elite letrada, para se mobilizar e para fazer frente a este Tratado de Madri.

Aconteceu no Rio Grande do Sul, temporada dos 400 anos das missões, que tem o oferecimento de Unicinos. Quando os saberes se encontram, o novo acontece, Unicinos, nossa sala de aula é o mundo. Professor, qual era o poder bélico?

dos espanhóis e portugueses, na comparação com a força de resistência bélica dos indígenas guaranis e como foram esses conflitos, os pontos de batalha, considerando hoje o território do Rio Grande do Sul. Que região do Rio Grande do Sul que teve concentração maior desses embates?

Boa colocação. Bom, primeiro, é incomensurável a diferença de armamentos entre os portugueses, espanhóis e os indígenas. O exército espanhol é um trem de guerra, o português também, que vem conjugado. Primeiro, o primeiro grande embate, o primeiro conflito que vai se dar é ali para a altura de Santa Tecla, mais ou menos onde é...

São Gabriel, Batovi, nessa região da campanha, onde houve um rechaço à presença dos exércitos espanhóis e portugueses, como eu havia comentado.

Bem, depois disso, como tiveram que retroagir, os indícios não deixaram eles avançarem em direção ao território para iniciar a demarcação, há um primeiro momento que é em 1754, quando o exército português sairia de Rio Grande, seguiria rumo ao Jacuí, em direção ao território das missões, e, por outro lado, é uma pena que eu não tenho um mapa aqui para mostrar, seria bem mais elucidativo, né?

E o exército espanhol seguiria junto ao Rio Uruguai, pegando o Rio Bicui, de maneira que os dois exércitos chegariam no movimento de pinça até o território missioneiro. Bem, como o deslocamento era bastante complexo, porque não havia estradas, pontes e nada, obviamente, o território ainda era bastante, vamos dizer, natural, não havia sofrido grandes transformações.

rodoviários, vou colocar nos termos atuais, eles saem no verão, mas quando chegam no território, já é um período de chuvas, e os exércitos estão muito desgastados, as cavalhadas cansadas, mantimentos esgotados, e principalmente, ocorre um episódio aqui, lembrando que aconteceu há dois anos atrás, no Rio Grande do Sul.

que o exército português vai enfrentar uma grande enchente no rio Jacuí, inclusive ficando acampado em cima das árvores. De maneira que os exércitos portugueses e espanhóis estão muito debilitados e não vão ter como dar combate aos guaranis e vão ter que retroagir.

voltam para as suas bases, vão ter que dar marcha atrás, em outras palavras, certo? Então não há um grande enfrentamento neste momento. O que faz com que a população indígena pense, olha, conseguimos lograr um ponto de vantagem aqui, os que deram marcha atrás. Inclusive, lendo toda a documentação, porque muita documentação foi gerada.

principalmente porque é um assunto de Estado. Tanto a monarquia espanhola e portuguesa estão empenhadas nesta nova definição dos limites nos seus domínios na América do Sul. E, por vezes, as autoridades dizem que esses indígenas devem estar se burlando de nós, porque, afinal de contas, não conseguimos vencê-los de maneira nenhuma.

No primeiro momento, algumas das sete reduções até aceitaram a transmigração, mas houve uma mobilização de determinadas lideranças e eles dão um volta atrás e vão defender o território.

Então, o próprio jesuíta, o pleno potenciário Lópolis Tamirano, foi acusado de morte, foi ameaçado de morte, melhor dito, pelos próprios indígenas, que ele era um traidor. Há todo um alvoroço que se dá dentro das reduções por conta da mobilização indígena e, principalmente, que no ano de 1953, antes desse grande movimento...

As próprias lideranças indígenas se juntam e escrevem cartas ao governador dizendo os motivos pelos quais não cederiam o território e lutariam, defenderiam as suas reduções, as suas possessões, até a morte por conta do pacto vassalho que eles tinham com o monarca de Espanha. E diziam que o rei estava muito equivocado. Essas cartas são muito conhecidas, são documentos importantes na qual as lideranças reforçam o seu vínculo com a monarquia.

E principalmente se mobilizam e conseguem o apoio de boa parte da população. Agora, tem um dado que é importante para a gente não simplificar a história, que uma parte da população, não é 100%, essas sete reduções orientais, das sete, seis se mobilizaram. Uma delas não se mobilizou. A redução de São Borja não vai se envolver nos conflitos bélicos. Não vai mobilizar gente. Vão ser seis, porque São Borja não tinha...

Não se sabe exatamente por quê, mas São Borja não escreve nenhuma carta. São Borja parece que aceita as normas, ou porque a população também ali não era só de Guaranis, tinha outros grupos indígenas dentro desta redução. E esta população como um todo, que escreveu, que se mobilizou, vai estar, então, muito empenhada em oferecer oposição às tropas coligadas de Portugal e Espanha, que voltariam. Então, como não foi possível...

tomaram o território em 1954, novamente Portugal e Espanha se organizam e saem em fevereiro de 1956, no verão de 1956, saem das suas bases, mas agora conjuntamente, para atacar o território oriental. Então, é a partir desse momento que vai estar o grande episódio, que é a Batalha de Caibuaté, que ela tem como data dia 10 de fevereiro de 1756, e que, três dias antes desse episódio, morre.

uma das lideranças, que é José Ventura Tiaraju, conhecido pela Alcunha de Cepé Tiaraju. Então, tem dois grandes episódios, 54 e 56. Em 56, essa grande batalha, hoje território de São Gabriel, região de São Gabriel.

Exato, ali na altura de Batovi, exatamente, quando há o enfrentamento de proporções extremamente desvantajosas aos indígenas. Imagina, tem canhões, tem artilharia, tem todo um trem de guerra, como eu disse, por parte de Portugal e Espanha. Os indígenas têm basicamente o quê? Lanças, flechas e muitos até vêm a pé, não vêm nem a cavalo.

Vem sem cavalaria. E depois desse grande episódio, que é em fevereiro... Quantos morreram mais ou menos? Há algum número confiável? Olha, Leandro, essa pergunta é muito importante, porque logo depois desse grande episódio, que é de fevereiro, como eu já disse, algumas lideranças indígenas, principalmente um indígena chamado Miguel Mairá, ele vai fixar uma cruz no local que houve o enfrentamento, uma cruz em madeira.

em Guarani, uma cruz escrita, dando os dados deste episódio. Ele vai dizer que no dia 7 de fevereiro morreu o José Ventura Tiaraju, que no dia 10 houve uma grande batalha, morreram muitas morobicharetas, muitas lideranças, e também que morreram, em campo, aproximadamente 1.500 indígenas.

Então, como eu estava dizendo, da população das reduções orientais, que se estima em torno de 30 mil, uma parte havia aceito a transmigração, mas outra parte, praticamente a metade, se manteve mobilizada e contra a presença dos exércitos que eles viam como ofensiva.

como uma afronta a todos os serviços prestados à monarquia. Então, respondendo a sua pergunta, neste enfrentamento, em torno de 1500, por que a gente sabe disso? Porque os próprios indígenas deixaram esta informação no local onde houve esta batalha.

Um mês depois, aproximadamente, eles fixam uma cruz de madeira muito grande com essa inscrição. Então, é um dado produzido pelos próprios indígenas, que, como eu havia dito, manejam a escrita, que sabem escrever. Por que eu estou enfatizando esse ponto, Leandro? Porque muitas vezes se fala da guerra guaranítica, se diz que não tem dados provenientes dos próprios indígenas.

que as únicas informações são aquelas produzidas pelas autoridades, seja lusitanas ou hispânicas, ou pelas crônicas dos jesuítas. Nós temos dados produzidos pelos próprios indígenas. Nós temos uma versão dos vencidos. Ou seja, essa cruz é um epitáfio. Mas eles não dizem ali, perdemos e acabou. Não, nós vamos seguir resistindo de alguma maneira. Tanto é que é um novo enfrentamento em maio de 56, nas alturas do Rio Chenubi.

Eles se reorganizam, é uma passagem, e ali eles oferecem resistência e dizem, agora nós viemos com cavalos. Vamos tentar, de novo, frear a ofensiva por parte de Portugal e Espanha em direção ao território. Claro que não conseguiram mobilizar toda a população, porque muitos ficaram muito assustados diante das mortes que houve, e há uma desmobilização muito grande, certo?

A gente vai falar agora sobre o Cepete Araju, mas antes, só para a gente fechar esse avanço de portugueses e espanhóis rumo aos sete povos das missões, todos são dominados e, assim, há uma, digamos, posse dos portugueses quando, professor? Ainda em final de 56 ou 57?

Há toda uma documentação, principalmente produzida pelos escrivãos, que as comitivas de Portugal e Espanha tinham lá os seus escrivãos que vão acompanhando e vão registrando. O Jacinto da Cunha pelo lado português e o Grael, Francisco Grael, pelo lado espanhol.

Eles vão chegar no território missionário lá para o junho, julho, e vão cada um utilizar uma das reduções como base. Um já é São João, outro já é São Miguel. Vão chegar dois meses depois, porque tem que abrir picadas para chegar ao território. E tu sai da campanha, que ali batou Vi, e tem que subir para o Planalto. Então, um território que eles não conheciam também e começam a pedir informações para os próprios guaranis. Então, o território começa a ser ocupado em 1956.

mas tinha muita população que não foi transmigrada para o lado oriental, que ficou no próprio território missioneiro, nas instâncias de criação. É importante lembrar que a gente fala muito dos pueblos, mas muito do território Rio Grande do Sul e parte do que também é o território do Uruguai eram instâncias de criação, as vaquerias, onde era criado o gado, que servia para manter a população e também para a questão dos couros. Então, no ano de 1956 mesmo, as tradições já foram ocupadas.

E a população, depois de todos esses episódios, de todas essas baixas, vai ter um outro tratamento em relação. Alguns ainda vão se mobilizar, vão tentar manter uma resistência, mas não vão conseguir fazer frente a esse potencial bérico por parte dos exércitos ibéricos, porque, como eu disse para vocês, os armamentos eram muito desfavoráveis aos guaranis, que contavam apenas, por vezes, com canhões feitos de taquara.

mas os armamentos eram muito precários e poucas armas de fogo, praticamente nenhuma perto do armamento hispano-lusitano, certo, Stout?

Que bela história que nós estamos ouvindo, que bela aula. Professor, o programa está quase no fim e a gente precisa falar um pouco mais sobre o que se sabe da vida de Sepete Araju. O que é verdade, o que é mito, aquela frase que é tantas vezes repetida, que é que esta terra tem dono foi dita mesmo por ele. O que o senhor poderia contar um pouco sobre esse personagem importante da história do Rio Grande do Sul?

Bom, tentarei ser breve, isso rende mais. Eu já orientei, inclusive, uma dissertação a respeito desse tema no programa de pós-graduação em História. O aluno Rafael Borges trabalhou. Bom, primeiro, o CP era um alféreos da redução de São Luís Gonzaga e depois para São Miguel. E ele conta, lenda, que ele foi prisioneiro em 1953 quando os indígenas oferecem oposição aos portugueses.

E ele conseguiu se desbaratar, etc. Vou entrar em mil detalhes, que tomaria muito tempo aqui. Mas o que interessa? Ele se torna uma liderança pela capacidade que ele tem de ler o momento e ele se dá conta que não deveriam enfrentar os espanhóis e os portugueses em campo de batalha, pela questão da desvantagem de armamentos dos próprios indígenas. Ele era muito mais favorável a uma guerra de guerrilha, de ficar rondando os exércitos.

e não enfrentá-los diretamente, por conta que não temia o massacre. Ele estava preservando os seus próprios companheiros. Ocorre que, numa dessas investidas de Portugal e de Espanha, o CP conta que o cavalo dele botou o pé num buraco de tatu e caiu. Bom, a verdade é que ele foi abatido no dia 7 de fevereiro pelo José Joaquim Viana, que era o governador de Montevideo.

E a gente sabe quem era o CPE, que foi ele que morreu, porque ele levava nessa algibeira, uma espécie de pochete da época, duas cartas de outras lideranças. Porque esses indígenas, obviamente, não levavam nenhuma identificação. As pessoas não tinham documento de identidade, não tinham crachá. Como é que sabe que era o CPE? Se sabe que era ele, porque ele tinha dois documentos, duas cartas, endereçado pelas outras lideranças que estavam se mobilizando.

Então ele morre nessa data, mas ele era uma liderança que se construiu no conflito. Ele não era um líder na...

Ele não era um cacique. Ah, esse é um ponto importante. Ele não era cacique. Não.

Isso aparece muito dizendo que ele era um cacique. Não, ele não era, porque ele não levava o título de dom, ele não era dom. Ele era um alférez, alguém que estava vinculado a um cabildo, a um conselho municipal. E ele, naquelas assembleias de 1953, quando são escritas as cartas, diz o CP passará a ser o nosso líder, o nosso corregedor. Ele é alçado à função de corregedor, que é o principal dentro da redução, por conta da sua capacidade de liderança. E mais um detalhe.

A documentação fala que ele sabia algumas vozes em espanhol, ou seja, ele tinha um bilinguismo. Além do Guarani, da sua língua materna, ele conseguia entender minimamente o espanhol e se comunicar com as lideranças por parte de Portugal e de Espanha. Portanto, esse bilinguismo também servia como um instrumento dentro desta luta. Vamos lá ao que interessa do Cepé Tiaraju, tá? O José Ventura Tiaraju, o Cepé.

Claro que ele faz parte do imaginário popular. Mito ou não mito, não vamos omitir a história dele. Isso que é o importante. O Cepé, como eu disse, morre antes da Batalha de Caiboté. Muita gente diz que ele estava liderando os indígenas. Não estava. Isso está claro naquela cruz que eu acabei de mencionar.

dizendo que ele morre no dia 7 e a batalha ocorre no dia 10 de fevereiro. Mas ele, sem dúvida nenhuma, foi colocado nessa condição pela sua possibilidade, pelas suas credenciais de alguém que conseguiu congregar a comunidade e também porque ele ainda continuava tendo uma certa mediação com alguns jesuítas.

E ele não era, vamos dizer assim, um cara radical, não aparece como radical nas informações. Ele é muito mencionado como ZP, CP, liderança. Ele aparece tanto na documentação espanhola quanto na documentação portuguesa e mesmo na documentação por parte dos indígenas. Enfim, ele é um cara que se constrói. É uma liderança que tem atributos típicos da sociedade guarani, que mostra capacidade de comando, que é algo importante para os guaranias.

Ele não é apenas uma liderança de papel, colocar nesses termos. É um cara que se faz durante o conflito, só que morreu antes da própria batalha. E aí depois, quem assume é o Nicolas Inhigiru, que era da redução de Concepción, do outro lado do Rio Uruguai, mas que era um cara muito mais de reflexão do que de ação. Você era um cara mais da ação e conseguia, de alguma maneira, congregar um grupo pelas suas credenciais.

E essa frase, essa terra tem dono, tem algum registro ou é uma construção posterior, professor? Olha, da boca dele, a gente não sabe que ele não deixou, a gente não tem nenhum documento do CP. A gente tem informações indiretas de que ele deixou, portanto, se ele disse isso, a gente não tem como comprovar, certo? Mas a gente sabe que essa frase, não exatamente nesses termos, aparece muito em outros documentos.

Ou seja, é uma expressão que estava circulando entre esta população indígena. Se ele não vociferou, se ele não verbalizou, de alguma maneira esta frase sintetiza um sentimento de uma rétrica. É um sentimento, perfeito. Então, se ele disse, alguém teria que ter dito, olha, a gente ouviu ele falando, mas isso não aparece claramente na documentação.

Mas em todos os papéis, nessa batalha de papéis, é muito frequente essa ideia de que, olha, essa terra nos pertence, nós estamos aqui desde que o rei nos entregou, somos vassalos da monarquia, etc, etc. Então ela sintetiza muito. E essa frase, obviamente, serve como morte para outras batalhas no Rio Grande do Sul, para outros movimentos.

O CPE é nome de centro de tradições, nome de município, nome de rua, tem estátuas pelo Rio Grande do Sul. Um ponto importante de destacar é o seguinte, o CPE, em 1956, se quis colocar ele como um herói sul-riograndense, o Mansueto Bernardi. Naquele momento, o Instituto Histórico do Rio Grande do Sul disse que ele não poderia ser um herói porque ele lutou contra os portugueses.

Nós estávamos no momento de uma historiografia muito polarizada entre uma historiografia lusitanista e uma historiografia, vamos chamar platinista. E ele foi rechaçado. Agora, em 2006, por iniciativa do Paulo Paim, o senador, ele foi colocado no Panteão dos Heróis do Rio Grande do Sul. Então, é um personagem que teve várias posições. Já foi rechaçado por uma historiografia mais lusitanista. Hoje...

está dentro de um panteão, vamos chamar assim, não gosto dessa palavra, mas enfim, ele é visto como uma figura importante, como uma liderança, e também, principalmente, porque ele sintetiza essa mobilização indígena contra um tratado que foi visto como opressor.

como um tratado que não considerou todo o trabalho prestado por esses próprios indígenas para a monarquia espanhola. Então, dependendo da época que você olhar o Sepete Araju, já foi visto como um próprio líder sul-riograndense, como uma espécie de semi-caudilho, e hoje ele tem visto como uma liderança, mas ele não foi a única. Eu acho importante...

colocar nesses termos que houve outros indígenas que temos nomes e sobrenomes, que também notaram, que se mobilizaram, Miguel Mairá, Rafael Paracatu, e outros indígenas que se notabilizaram por conta da sua oposição a um tratado que eles consideravam hediondo.

por conta de que colocava nas mãos de um inimigo toda uma construção que são esse patrimônio, que são as reduções orientais. E por conta desse tratado, algumas delas foram, inclusive, atéam fogo. Eu queria entregar para os portugueses de maneira alguma as reduções. Professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Eduardo Neumann, muito obrigado pela aula Volte Sempre!

Obrigado pelo convite, fico à disposição para outros momentos que foram importantes, retomar esses episódios fundamentais da história, não só do Rio Grande do Sul, mas de toda a região. Muito obrigado. Aconteceu no Rio Grande do Sul, tem o oferecimento nesta temporada dos 400 anos das missões, o Colégio Anchieta, Rede Jesuíta de Educação e Unicinos, nossa sala de aula é o mundo. Todos os episódios ficam disponíveis no YouTube de GZH. Se você não é inscrito, te inscreve lá.

O programa novo sempre entra nas segundas-feiras ao meio-dia e nos sábados à noite, dependendo do horário do futebol da Gaúcha, nós temos na Rádio Gaúcha também um novo episódio. São oito episódios nesta temporada, você acompanha todos, repito, pode ouvir, assistir os anteriores também no YouTube de GZH. Muito obrigado pela companhia de todos, até a próxima semana, tchau!

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