Episódios de Parahyba FM | Pincel e Lápis

EP#63 - PINCEL E LÁPIS - CARLA LUNA

11 de maio de 202644min
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Carla Luna é arquiteta e artista visual, seu trabalho é marcado pela subjetividade e pela intenção de provocar diferentes interpretações, criando uma relação sensível e dialética entre a obra e o observador. Com cores vibrantes e cenas ligadas ao universo feminino, suas obras representam emoções, afetos e experiências profundamente humanas.

Na conversa de hoje, mergulhando no processo das obras “Rosa no pilão triturando milho” (2025) e “A Dama Esperando Godot com o Gato Fidel e o Pássaro Azul” (2024)

Dedicado às artes visuais, o programa “Pincel e Lápis” vai ao ar hoje segunda-feira, às 18h, na rádio Parahyba FM 103.9. Ao vivo também pelo site ou aplicativo para iOS e Android.

FICHA TÉCNICA

Data de Veiculação: 05/04/2026

Interlocutora: Ângela Duarte

Produção: Ângela Duarte

Edição de áudio: Ivson Lira

Este programa é um produto da Rádio Parahyba FM, uma emissora da Empresa Paraibana de Comunicação.

Participantes neste episódio2
Â

Ângela Duarte

HostJornalista
C

Carla Luna

ConvidadoArtista visual
Assuntos5
  • Obra "Rosa no Pilão Triturando Milho"Protagonismo feminino no sertão · Referências a Glauber Rocha · Representação da dureza da vida · Ausência de face na personagem · Casa estereotipada do sertão
  • Obra "A Dama Esperando Godot"Teatro do absurdo · Samuel Beckett · Sentido da vida · Elementos de cena: gato e pássaro azul · Metalinguagem com cartaz de teatro · Frustração e angústia · Semelhança com a artista
  • Trajetória de Carla LunaFormação em arquitetura · Vivência em Salvador · Uso de cores vibrantes · Figurativo com subjetividade · Simbolismo
  • Pressões sobre mulheresArte como salvação em ano desafiador · Produção diária de arte · Temática sobre o feminino · Centro Cultural Ariano Suassuna · Fascinação por Ariano Suassuna
  • Processo CriativoUso da teoria das cores · Choque de cores · Técnicas de arquitetura em desenho · Equívocos felizes e acidentes de percurso · Domínio da tinta acrílica · Firmeza de mão e treino
Transcrição114 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Programa de Conteúdo Livre Está no ar, Pincel e Lápis, por dentro de uma obra-prima. Aumente o som e embarque nessa jornada. Olá, meu querido ouvinte da Paraíba FM. Como você está? Tudo bem? Eu sou Angela Duarte e começa agora Pincel e Lápis, o programa para você, amante das artes visuais. Hoje é segunda-feira e que tal começar a semana conhecendo um artista novo?

Então cola comigo na 103.9 que você é meu convidado de honra. Pincel e lápis tá no ar.

E hoje aqui nos estúdios da Paraíba FM, eu estou acompanhada de Carla Luna, ela é artista visual, tem umas obras muito interessantes que trabalham coisas muito legais, que a gente vai conversar um pouquinho mais no decorrer desse episódio. Lembrando que o Pincel e Lápis é uma obra por bloco, a gente vai dar uma mergulhada aí na parte técnica e também nas inspirações da Carla. Carla, seja bem-vinda, obrigada por estar aqui nos estúdios.

É um prazer imenso, Angela, ter atendido ao seu convite. Também é um prazer imenso estar aqui no Pincel e Lápis, que é uma riqueza de programa. Então, estou aqui para a gente conversar um pouquinho sobre o meu trabalho, trajetória e tudo mais que você queira saber sobre tudo isso. Eu estava lendo um pouco da sua biografia e você é formada em arquitetura. Sim.

Como é que da arquitetura você chegou nas artes visuais? Então, Angela, eu decidi ser arquiteta aos 14 anos. Eu já estava muito convicta. Nunca tive muito essa crise de vocacional. Então, decidi e entrei para a faculdade de arquitetura aos 17, 18 anos. Dali para frente, foi arte o tempo inteiro, de produção mesmo. Então, assim, não houve uma espécie de migração. As coisas são muito imbricadas, a arquitetura com arte visual, na minha história.

E também eu posso te dizer que eu fiz o curso de educação artística também, onde eu cursei teatro, vi muita filosofia, muitos tanislavos, que muita coisa também relacionada à arte. Então ela sempre permeou a minha história. Sobre a produção...

de arte, também não houve uma derivação da arquitetura. As coisas sempre andaram muito em paralelo. Eu sempre estive produzindo, mas é como eu tenho sempre dito quando eu sou entrevistada ou me perguntam. Eu apenas estou chamando agora, estou trazendo, estou me fazendo ser vista como artista visual, embora eu tenha praticado e produzido a minha vida toda.

Então é basicamente isso. Outra coisa que você destaca como sendo muito importante na criação da sua persona, né? Da Carla Artista, foi sua vivência em Salvador. Muito forte. Fale mais um pouquinho. Então, a primeira infância acho que marca a vida de todo mundo.

E a minha primeira infância lá em Salvador foi uma coisa muito interessante, porque tenho memórias muito fortes de andar com minha mãe pelo centro histórico, que é reconhecidamente aquela riqueza, né? Uma explosão de cultura, de sincretismo religioso.

de urbanismo, então assim, até numa entrevista recente eu ressaltei aquelas ruas tortuosas do Pelourinho e enfim, tudo isso, elevador Lacerda então assim, é uma cidade muito bonita e eu diria assim diferenciada em muitos aspectos também o povo é muito único

E a minha primeira infância, tendo sido ali, me marcou realmente a minha alma. Marcou para sempre, eu diria. Então, aquela figura humana que se impõe, plasticamente muito forte, as cores das vestimentas religiosas, o mercado São Joaquim, é uma riqueza também. Então, tudo lá para mim, assim...

Marcou demais e essa baianidade eu carrego pra sempre. Inclusive, eu nunca tive a oportunidade e assim que eu pude, eu fui fazer capoeira. Há alguns anos atrás, porque sempre ficou, eu achava muito bonito, muito plástico aquilo tudo. Então tudo isso tá muito presente e acabou por se consolidar no meu repertório, no meu imaginário, no meu ideário.

E acaba chegando na minha arte também. É uma arte muito colorida, inclusive, né? O que mais me chamou a atenção quando eu tava olhando as tuas obras são o uso das cores, né? Umas cores, assim, muito fortes, né? Muito vivas. Me lembrou, a gente falando aqui de Salvador, me lembrou um pouquinho até as fitas do Bolfim, né? Perfeito, perfeito.

Inclusive, aconteceu uma coisa, eu vou falar uma coisa pra chegar nesse teu ponto. Sou seguida por muita gente de fora, talvez até mais gente de fora do exterior, de Polônia, Estados Unidos, África. E essas pessoas, quando conversam comigo, sempre ressaltam muito a questão das cores. Não sei por que, talvez vivam em locais invernosos demais, onde é tudo muito monocromático, então escala de cinza.

Então eles, nossa, como é tudo muito colorido e tal, eu disse, olha, é impossível você viver no Nordeste, na Paraíba, no lugar mais oriental da América Latina, e não ser tudo muito luminoso e, consequentemente, muito colorido. Então eu acho que eu não tinha como fugir disso, tanto por conta do que é a minha referência.

de cores mesmo, como também um detalhe. Eu uso alguma coisa, não, bastante, da teoria das cores, de um caminho que eu optei por ela, da teoria das cores, que é fazer uso muito, porque eu acho realmente belo quando se usa muito o choque de cores.

Eu acho que isso traz uma riqueza muito grande. Obviamente que em alguns momentos a gente vai ser mais blasé, digamos assim, no uso das cores, mas predominantemente meu trabalho é uma marca minha de trazer essas cores muito carregadas mesmo, propositadamente.

E se você sintonizou agora na Paraíba FM, eu sou Angela Duarte, você escuta Pincel e Lápis e quem me acompanha hoje nos estúdios da rádio é a artista visual Carla Luna. Carla, vamos começar então a abordar uma das suas obras selecionadas por esse episódio, né? A primeira que a gente vai falar é Rosa no Pilão Triturando Milho, Imagens do Cangaço no Sertão Nordestino. É uma obra que coloca uma mulher em primeiro plano.

num pilão triturando o milho, como diz, né? E no fundo, uma casinha, temos um céu meio azul escuro e um sol. Você fala, Carla, que se referenciou muito com a série Guerreiros do Sol. E eu fui ver nas suas outras obras, você sempre traz muitas referências, né? Se inspira muito em referência literária, referência de cinema, de filme também, né? Sim, sim, sim. Como é que é isso, essa relação? Eu fui uma criança que leu muito.

Uma da adolescente que leu muito, que sempre assistiu muito filme, que sempre escutou muita música. Então, assim, isso tudo também compõe meu repertório. Então, essa obra que você está citando, ela é fruto de uma síntese de um filme que eu assisti do Glauber Rocha. Deus e o Diabo no Aterrado, só que tem exatamente essa rosa.

E eu tinha visto esse filme e me marcou bastante, impossível não me marcar, inclusive ele é baiano. E aí, quando eu fui para a série que a protagonista também é Rosa, do encontro dessas duas obras, né? Essa Rosa me marcou muito pelo protagonismo, tanto de...

do filme como da série. E aí eu disse, não, eu vou fazer esse trabalho. Porque eu tenho algumas séries, por exemplo, eu tenho uma série da Mulher Kaiçara, então, a Mulher Kaiçara em várias situações. E agora eu vou fazer a Mulher do Sertão. Então, com base nessas duas referências, que eu fiz a série da Rosa em três cenas.

E aí, essa daí que você está falando é fruto dessas duas referências. E então, nasceu a minha rosa triturando o milho. É daí que vem. Vou contar uma história na verdade da imaginação. Abra bem os seus olhos pra enxergar com atenção.

É coisa de Deus e diabo Lá nos confins do sertão

Antes da gente entrar em outras questões, como a gente já falou um pouquinho do seu trabalho com cores, essa é uma obra que tem um contraste muito forte entre o quente, um laranja, um marrom mais quente, com o azul escuro do céu.

Mas ao mesmo tempo que são cores quentes, é uma cor assim mais fechada. Tudo combina, mas tem um destaque, sabe? Você fala destaque da figura principal. A figura principal, pois é. Apesar de usar cores quentes, não são cores que distoram tudo no final das contas. Você disse que no final você encontra um resultado harmônico no seu sentido. Exato. Pra você, tipo assim. Então eu acho que eu alcancei meu objetivo. Olha aí.

Eu não pude me furtar de usar as cores da paisagem do sertão. E fiz isso. E pra falar um pouco do meu processo, eu quebrei a... Digamos assim, eu dei um ponto de quebra na blusa branca da rosa. Então ela se destaca aí, nesse ponto branco. Então assim, cada... Na cor da blusa que ela tá usando. Então assim...

Não faço nada, nenhum pequeno detalhe de qualquer trabalho meu sem pensar minuciosamente na cor que vem e estudar qual a cor que vem. Então, assim, primeiro ponto, realmente não tem como você falar, se não pegar aquela paleta que está lá, pode ser que seja feita até uma releitura, mas carregue o significado do quente.

Do quanto aquilo ali é quente, do quanto é penoso, isso pode ser o labor dela ali no meio. Então, assim, tudo isso também pode ser transmitido através das cores. Então, eu acho que é mais ou menos isso. E no sentido de que a personagem principal da obra se destaca, eu acho que eu consegui, então, fazer isso por conta dessa quebra com o branco. Vamos colocar assim, de maneira bem técnica.

Então, basicamente, é isso. Traduzindo assim, mais simplesmente, seria isso. Uma coisa que chama a minha atenção também é que a Rosa, né, a personagem da obra, ela não tem face, né? Sim. Como foi essa escolha? Então, se você olhar vários trabalhos meus, eles não têm. E já fui também questionada bastante sobre isso, mas eu tenho um ponto que é meu, é meu, é de mim.

uma assinatura minha, digamos assim. Muitas não vão ter, porque eu gosto bastante de valorizar a cena maior. Embora a personagem esteja destacada, mas eu tenho algo comigo que eu acho que aí é da alma de cada artista. Eu acho que se eu colocar, de repente, um trabalho em maior formato, eu vou fazer o rosto, como fiz na dama, nessa que a gente vai...

tratar daqui a pouco, mas como essa é de pequeno formato, eu decidi, e geralmente decido assim, de valorizar a cena maior e a personagem principal, então eu acho que a feição ali não vai ser tão crucial para o que eu quero passar, é isso, entende?

Quando eu quero valorizar uma expressão facial, aí eu vou nessa direção. Mas quando eu quero valorizar a cena, então eu abro mão disso em prol da cena maior. É basicamente isso. E você, inclusive, traz muitas personagens femininas nas suas pinturas, né? Sim. O feminino me aparenta ser muito forte no seu trabalho. Sim.

Eu acho que porque eu sou mulher, por conta de uma força que eu posso dizer que eu carrego em mim, é construída com muita superação, de todas as formas que você possa imaginar.

Por conta da situação da mulher na sociedade, por conta da beleza de ser mulher, por conta dessa força que nós mulheres trazemos e que só a gente pode falar dela com propriedade. E é uma coisa muito forte. Então, eu exploro isso bastante porque eu trago isso muito forte dentro de mim.

a feminilidade, o feminino e o feminismo também. Essa casa que tem no fundo da obra, você chegou a pegar alguma referência ou se inspirar em alguma casa, seja real ou da cinematografia? Eu busquei trazer ela bem estereotipada mesmo. Porque a cena do filme que traz a Rosa triturando o milho, a cena do Glauber Rocha, tem uma casa lá atrás, mas não é exatamente assim.

Mas é a casa realmente do... Que vai comunicar pra todo mundo. Que é sertão. Que é esse estereótipo mesmo. Eu não gosto de estereótipos. Mas pra aí, como era pra comprar um cenário. Então eu coloquei essa casa de Taipa. Porque o ponto focal aí seria a Rosa e o trabalho dela. Então eu não fui pra casa de Taipa a mais tradicional e simples possível.

Manoel de Rosa vivia no sertão Acho que não adianta. Mas pode vir o milagre do céu. Trabalhando a...

com as próprias mãos. Agora, Carla, essa obra, você fez mais pensando em representar uma cena do filme ou tem alguma mensagem, alguma... Porque eu vi que você trabalha muito com subjetivo também, né? Bastante. Tem algo a mais por trás dessa pintura específica? Eu acho que quando eu vi o filme...

Quando eu vi o filme do Glauber Rocha, eu prestei muita atenção na Rosa, aquela atriz que faz, que eu acho que é Iona Magalhães, acredito. E ela faz magnificamente aquela personagem e o semblante dela ali na personagem é de um sofrimento. Então, eu pretendi com esse trabalho ressaltar...

a dureza da vida ali, principalmente para as mulheres. Eu até, inclusive, estive no encerramento da minha exposição lá no Centro Cultural Ariadne Sassuna e tinha uma escritora que estava lançando um livro também sobre o protagonismo da mulher sertaneja. Então, eu acho que isso cai bem aí. Mostrar o protagonismo da mulher sertaneja.

Apesar de toda a dureza, de toda a situação adversa, de tudo, tudo é adverso para Rosa e como representante, digamos assim, um emblema, né? A vida da Rosa é muito dura. Então a Rosa meio que representa a mulher sertaneja no meu trabalho e eu acho que é isso.

E se você sintonizou agora na Paraíba FM, eu sou Angela Duarte, você escuta Pincel Lápis, e hoje nos estúdios aqui da Rádio do Século XXI está a artista visual Carla Luna. Carla, partindo agora para as coisas bem mais técnicas mesmo, tem algum estilo estético específico que você segue, alguma inspiração de outro artista para seus traços, seu estilo? Angela, eu posso te dizer que, obviamente, a gente traz aqueles...

Aquela bagagem, quem é das artes sempre vai ter os seus... Eu sempre costumo dizer, eu tenho uma galeria que me apetece muito a alma de ver os trabalhos, né? Mas eu te digo que eu não posso até ter pessoas que me inspiram e repertórios de outras artes também que me servem de referência. Mas eu não olho...

Pra lugar nenhum pra fazer meu trabalho. Não mesmo. Posso te dizer o quê? Eu faço um trabalho figurativo, da escola do figurativo, com cores muito fortes. Eu trabalho realmente as cores. Tô te definindo agora, ao vivo, risco real, o que é o meu trabalho.

Então, é um figurativo com carregado de subjetividade, com cores realmente fortes, assim, intencionalmente usadas por um número de razões. Eu procuro trabalhar um pouco de... em algumas obras vai ter abstração também.

E simbolismo. Pronto, eu poderia te resumir. Nunca tinha, inclusive, nunca tinha feito essa coisa assim, definida numa linha, num escopo geral, assim, que seria o meu trabalho, categorizar o meu trabalho, mas seria isso. A obra Rosa no Pilão, Triturando o Milho, Imagens do Cangaço no Sertão Nordestino, não chegou a ser exposta? Foi exposta, fui.

Como foi a recepção do público com essa obra? Então, porque como é uma série, eu fiquei tão movida. Quando eu fiz a Rosa, essa de Turando Milho, eu fiquei tão movida por aquele trabalho ao final, que eu disse, não, eu não posso parar aqui. Tem outras situações em que a Rosa pode estar, e que do filme me tocaram bastante.

E eu preciso levar isso para pelo menos dois outros trabalhos. Porque eu tenho curto tempo para preparar tudo para levar para a exposição. Então, eu fiz meio que em tempo recorde mais dois outros. Que é ela no mesmo labor, moendo a mandioca naquele maquinário antigo.

Precisa de muito esforço para fazer aquilo. E uma outra, que aí é uma cena do filme, não copiada, mas feita em releitura, que é quando ela está com um véu de noiva, que eu achei tudo muito, bastante simbólico, toda a história.

Ela tá com um véu de noivo bem curto e ela se abaixa pra pegar uma casca de bala, por conta de ter passado ali os cangaceiros, né? Ela encontra uma casca de bala num mandacaru e ela se agacha e pega. Então essa cena ficou na minha cabeça, assim, eu vou pintar essa cena.

E aí fiz, essa cena tá no filme, não tá na série, mas aí eu fiz uma releitura dessa cena. Então são três trabalhos e a repercussão, o retorno que eu tive foi muito interessante. As pessoas comentando, tanto que apreciaram o trabalho, como a questão de eu trazer também, o nome da exposição lá era Feminina.

É um tipo, digamos assim, a mulher é sertaneja. Então, chamou bastante a atenção das pessoas esse trabalho dentre os outros. Foi uma das que mais atraiu a atenção das pessoas que visitaram. Como é que você se sente quando vê sua obra recebendo tanta atenção do público?

Angela, eu penso assim, sabe? Quando a gente faz um trabalho, eu sinto como se ele nem me pertencesse mais. Embora, inclusive, eu tivesse até um... Eu posso até ter um carinho especial por uma obra ou outra. Inclusive, essa série da Rosa, ela é muito do meu coração.

Mas eu acredito, o que eu vejo acontecer comigo, é que quando eu termino um trabalho, ele já é do povo, digamos assim, do espectador. Então é como se o fato de eu ter concluído um trabalho que... Porque não é fácil você produzir uma obra de arte. Não é fácil.

Tanto é demanda do artista, labor físico, é tudo muito físico, muita transpiração mesmo. Como tem trabalhos que você evoca muita memória e às vezes aquilo te faz sofrer, entende? Envolve tanta coisa, mas quando eu concluo aquilo, aquilo é tão catártico, é tudo tão, vaza tanta coisa da minha alma para o meu trabalho.

que muita gente nem vai perceber. Eu sei estar ali, mas eu fico muito feliz de ver meu trabalho reconhecido, porque é fruto do meu trabalho, do meu labor e do que eu sei fazer, do que eu entendo como tendo sido um dom. O que eu carrego é como eu estava conversando com uma amiga que até mora nos Estados Unidos, artista também.

Ela disse, não, se a gente não fizer, a gente sofre, a gente sente, a gente se entristece. Então, só o fato de fazer já é meio que minha recompensa. O que passar disso, que vier assim, de para onde a minha arte me levar, eu vou. Então, ela vai adiante de mim.

E no momento que eu termino um trabalho de arte, então é bem exatamente isso que eu te disse. É como se agora não, agora está na subjetividade das pessoas, digamos assim. É um parto, né? É, é exatamente isso.

Mas bem, Carla, voltando aqui, a nossa conversa, a gente vai falar agora sobre outra obra sua, intitulada A Dama Esperando o Godot com o Gato Fidel e o Pássaro Azul. É uma obra que traz muita história por trás. Muita, muita. Vamos começar, eu acho que eu acho muito interessante a gente falar primeiro.

da inspiração principal do Godot, né? Uma peça de teatro, né? Eu não conhecia, fui dar uma olhada. Achei muito interessante. Mas eu queria que você falasse um pouquinho disso e como foi que ela te inspirou. Então, Angela, como você disse, é muita história e isso acabou se refletindo no título, como você... O título é grande.

Porque realmente tem muita coisa ali dentro e eu posso nominar algumas coisas ali. Por exemplo, você tocou primeiramente no Godot. Eu vi a peça do Beckett, do Samuel Beckett, esperando o Godot e ela me impressionou muito. Ele é um expoente, um dramaturgo, um gigante do teatro do absurdo.

E a peça Esperando o Godot, ela me falou bastante, me tocou bastante, inclusive eu vi mais de uma vez, tem uma produção, fala muito sobre o sentido da vida. Eu acho que é uma pergunta que todo ser humano, que tem um salto de consciência, que não é distraído, que é ligado, tá fazendo, né? Então, o Esperando o Godot, o Samuel Beckett, trata também do sentido da vida. A história, não sei se você viu, mas resumindo, ela é sobre... é um...

O que me chama atenção ali na genialidade do Beckett é que ele é um cenário atemporal. Não é nenhum cenário, é um não cenário. É um não lugar, porque você não sabe dizer o que é aquilo. Então, é um nada com algum mobiliário.

Ninguém sabe quando o Sol nasce. Então, assim, é totalmente tudo muito absurdo. E a história é sempre os dois personagens principais esperando uma figura. Também sempre vai chegar. É, vamos esperar Godot. E Godot vem amanhã e Godot nunca vem. E nunca vem. E nunca vem. E assim termina a peça e ele não chega. Vamos embora? Não podemos. Por quê? Estamos esperando Godot. É mesmo.

Então, essa parte é a parte do Godot. Quando eu comecei a fazer ali, eu disse, não, essa daqui eu vou usar muito da parte técnica da arquitetura, então eu vou usar muito ponto de fuga, vou usar várias coisas do desenho técnico. Então, se alguém olhar direitinho, tem uma gramática técnica de fundo, que é de ponto de fuga, se você puxar, você vai encontrar, tem um ponto de fuga, tem profundidade, tem uma série de coisas na parte técnica. No caso do gato...

É porque eu gosto muito de elementos de cena. Então, muito. Esse gato foi uma ideia que eu tive. Eu disse, não, eu vou colocar esse gato como sendo meu mascote aqui. Então, ele vai aparecer em vários trabalhos meus. Então, ele tá nesse trabalho também. E o pássaro azul vem de uma memória infantil.

de um filme que eu vi quando eu era criança, que o título era o que é o pássaro azul. E isso também me marcou muito. E aí eu disse, não, então eu vou recuperar o pássaro. É uma garota sozinha, a ideia é ser a garota sozinha. E aqui eu vou trazer meu mascote, vou fazer uma composição da garota com o mascote, com o pássaro, num cenário dela esperando alguém. Sendo que até então eu não tinha pensado no Godot. Não tinha trazido o Godot pra história.

E aí quando eu montei a cena, foi um trabalho enorme, mas muito prazeroso. E aí quando eu deixei pro final o rosto dela, para o final, quando eu fiz tudo, tudo, tudo, que ficou só o rosto, que eu disse, não, esse rosto eu quero fazer com muita delicadeza, porque quero. Porque sim. E aí quando eu terminei o rosto, que eu terminei os olhos dela, eu olhei pra ela e falei, essa garota tá triste.

E a cena, o fato de ela estar esperando, que era a ideia principal, que me fez contar primeiramente a história da tela, da cena. Mas quando terminou, eu disse, mas os olhos saíram.

E ela tava triste no meu olhar, ela... essa menina tá triste. Aí foi que me remeteu ao Godot. Aí eu disse, pô, parece com o esperando Godot, porque a pessoa que talvez ela estivesse esperando aqui nessa cena não veio. Então aí daí que eu trouxe o Godot pra história.

E pra ele constar de maneira bem marcada mesmo, eu fui atrás do que é que tinha de material gráfico sobre ele, de cartaz de teatro, de cartaz de filme ou qualquer coisa assim, pra entrar como um meta dentro, um meta...

É uma metalinguagem. Uma metalinguagem, exatamente. E aí eu encontrei esse cartaz e eu amei o grafismo dele. Não, então aqui ele vai na parede, até porque ele tá fazendo sentido aqui. É o que arremata o trabalho todo. Inclusive, eu acho que vale fazer a descrição. A gente tem uma moça num vestido verde, sentada, na frente dela uma mesa com uma jarra de suco, enfim. Tem o gato na frente dela, né, e o...

Atrás dela, tipo uma janela com um pássaro, o pássaro azul. E atrás da cadeira tem esse pôster que você falou, e do lado oposto, como se fosse uma cortina. E achei muito interessante o chão preto, o piso preto, destacou muito as outras partes da obra.

Agora, Carla, não sei se foi a intenção, não sei se é porque eu estou, enfim, você está na minha frente, mas eu achei a moça muito parecida com você. É isso que você está falando também. Eu escuto de maneira bastante recorrente. Inclusive, agora na exposição foi uma das coisas que eu mais escutei. Mas, Ângela, eu vou te dizer que conscientemente não é.

É muito técnica mesmo. Eu uso a técnica que eu aprendi na arquitetura para dividir o corpo em tantas partes. Eu respondo entre a medida da cabeça e pá, pá, pá. E com isso eu faço o corpo humano em qualquer posição. Eu tenho a gramática, o guia de fazer isso já internalizado em mim.

E o cabelo preto é porque realmente eu dou a preferência, eu acho bonito cabelos assim, da cor do da gente. Então é daí o cabelo, a cor, porque sempre uma mulher de cabelos escuros não é porque é o meu, é porque eu acho mais bonito mesmo para o meu olhar, né, o meu sentimento, mas não é não, agora.

Como o inconsciente nos trai, nos escapa, então, de repente é. Então, eu deixo isso aí muito... Não fecho essa questão, não, sabe? Agora, realmente, é uma pergunta que está presente o tempo inteiro. Mas, e se fosse você? Será que mudaria o sentido da obra em algum motivo? Não, não, não, porque...

Não, porque é muito humano. Como tem o livro do Nietzsche, tem um livro que ele fala humano, demasiado humano. Então, a questão da espera e você esperar e cultivar uma esperança e muitas vezes frustrar. A minha obra é muito honesta, Angela. Então, eu não temo nem dizer que nesse sentido pode ser eu sim. E acho que não tem como fugir de ter muito de mim nesse trabalho.

embora eu tente me distanciar da obra. Acho que o artista viveu essa tensão entre não se entregar tanto ou se entregar demais. E eu, pelo menos, passo por isso, essa tensão entre não se revelar demais ou dosar isso. Então, isso é um ponto de tensão na hora de fazer.

Não tenho dificuldade de dizer que realmente aí acho que tem sim uma espera por algo que não veio. E isso de repente se refletiu naturalmente aí na fisionomia da garota. E tem a ver sim. O que eu acho que é humano, demasiado humano, como disse. E eu acho que todo ser humano passa por peras e não vindas ou vindas. E assim é a dinâmica da existência humana. Então tudo que eu pinto é muito existencial.

Sim, é isso. Inclusive, se a gente tirar o Godot da equação, é uma peça, uma obra que me passa a ideia, não sei porquê, mas de coração partido, sabe? Como se ela estivesse esperando um par romântico, né? E a gente vê no rosto dela essa tristeza que você falou, talvez a frustração também, né? Pode ser.

É uma frustração. É uma frustração, sim. E aí, como eu te disse, essa parte que está desvelada, eu deixo que acesse a subjetividade de cada um conforme fizer sentido para cada um. Mas como também a cena traz ela numa mesa, geralmente quem está numa mesa na situação que ela está esperando alguém. Ou...

De repente um par romântico ou... Acho que muito provavelmente um par romântico. Muita coisa eu deixo em aberto. O que eu ressalto realmente aí é a frustração. É o afeto da frustração, como você disse, e a angústia que foi gerada por essa frustração. Eu acho que esse é o ponto focal da obra.

Se você sintonizou agora na Paraíba FM, eu sou Angela Duarte e você escuta Pincel e Lápis, um programa onde a gente fala sobre as artes visuais. E quem está comigo hoje é Carla Luna. A gente está conversando sobre a obra dela, A Dama Esperando o Godot com o Gato Fidel e o Pássaro Azul, de 2024. Carla, é uma pintura grande, 1,24m por 1,20m? É, é de grande formato.

Ela é enorme e também de uma complexidade muito grande, porque como ela tem ponto de fuga, ela não é uma obra 2D. Ela é 3D. Ela tem uma profundidade. Então, ela foi um trampo. Tanto do esquete à última pincelada, eu nem lembro quantas horas trabalhadas tem aí. E tem muita minúcia, se você olhar o drapeado da saia dela, se você...

observar, foi um trabalho mesmo, assim, de sabe, de pincel fininho em cima de uma tela nesse formato, então foi uma jornada, mas que valeu a pena tem os detalhes também da poltrona onde ela tá, né? Tem, tem o pássaro que eu quis também colocar um dourado nele, né? Colocar que ele é, não é um pássaro comum ele tem, ele é obrigada

sei lá, algo de mágico nele aí, ou de onírico, né, de sonho, alguma coisa mais mágica, digamos assim. Carla, como a gente já conversou, se destaca muito no seu trabalho o seu uso de cores, né? Sim. Tecnicamente falando, como é que você faz pintar essas obras sem uma cor acabar transbordando para outra, sabe? Porque, por exemplo, ela está usando um vestido muito verde, sentada na potrona muito azul, mas as cores não...

Não sangram. Exato, não sangram, né? Não sangram. Como é que você faz isso? Como é que eu posso te dizer? Eu não me aperreio, vamos colocar assim. Eu não me aperreio muito com isso, Angela, porque a experiência com, primeiro, vamos falar bem tecnicamente, bem...

duramente sobre a coisa. A tinta acrílica, no início eu trabalhava muito com o lápis aquarelado e aquarelava. Então é uma técnica que eu dominei. Depois eu parti para o acrílico e aí dominei. Então no momento que você domina, então aquilo já não te assusta mais. Esse é um ponto. Outro ponto é que...

Tem uma coisa que acontece muito nos processos, quando você está pintando, você faz um sketch, por exemplo, de um trabalho, e às vezes, sei lá, uma tinta derrama, ou você bate e o copo vira, e ela é solúvel em água.

Eu nunca me deixei perturbar por nenhum desses acidentes de percurso, porque eles sempre... Interessante que eu sempre soube aproveitá-los a meu favor e a favor do trabalho. Então, em acontecendo, eu sempre chamo, ah, aconteceu aqui um equívoco feliz. Porque eu consigo ou reverter a meu favor, e até às vezes acontece de um sangramento de tinta, que eu digo, eita caramba!

Ficou melhor esse acaso do que o que eu tinha pensado projetadamente, muito pertinho. Então, isso tudo sempre me... Meio que me treinou pra não. Mas, e chegando agora ao seu ponto, realmente aí é um trabalho meio de lupa mesmo. Pra chegar nisso aí, tem que ser muito... Tem que ter a mão muito firme. E aí também é treino. Isso vem muito da arquitetura, porque a gente treinou.

Eu tive a sorte de ter bons professores de desenho técnico e de desenho à mão livre. Então, também pra mim, é outra parte que é dominada. Então, eu consigo fazer traços muito firmes e aprendi a transpor do grafite para o pincel na pintura. Então, isso que você está me falando, eu resolvo dessa forma, com muita firmeza de mão, entende? E técnica e experiência.

Pronto, seria isso. Carla, você falou aí de equívocos felizes. Tem alguma história, algum exemplo que você consegue lembrar? Ah, inúmeros. Inúmeros. Não sei te dizer agora, porque foram tantos. Eu te diria que é quase sempre. Porque quando você tá fazendo aí...

Quando você vê, às vezes eu tô tão focada, eu não vejo que eu peguei o pincel na tinta e veio um pouco mais, aí cai pá, um pingo de tinta num lugar errado. Mas aqui eu aproveito a tinta úmida ainda e aqui eu aproveito e não, aqui vai virar uma mancha. E tudo bem, tá tudo certo.

E quando eu vejo o resultado final, ficou bacana. E como eu não tenho também receio, se você olhar outros trabalhos meus, você vai ver que tem um festival. Como é que eu posso dizer? Uma coisa muito meio... Em alguns, chega a ser meio psicodélico, eu diria. De tanta cor ali, que se você for buscar, você tem um rosa, tem um azul, tem um verde. Tudo no mesmo campo.

E esse campo é o céu, que deveria, pela lógica, ser azul ou gradiente de azul e não é. Então, quase sempre acontece coisas assim, ou caiu um pingo d'água a mais, e que diluiu demais a tinta, saturou o papel. Não, mas aqui não tem problema, aqui, entendeu? Então eu vou achando meus caminhos também e não me apavoro, digamos assim, com...

Ah, perdi o trabalho. Nada disso, né? Eu procuro dar a solução para aquilo que me surgiu. Você vai se adaptando ao processo, né? Sim, sim, exatamente. Tem artista que, pelo perfeccionismo, ou qualquer coisa assim, descarta tudo, começa do zero, né? Exatamente, isso aí eu acho que...

Eu não lembro de ter acontecido comigo, Angela. Pode ser que venha acontecer, né? Não sei, mas é assim que eu descartei um trabalho por causa disso. Não, eu sempre dei a volta. Ou também quando realmente vejo que não dá, que não tem problema não, porque o acrílico também, eu sou muito tranquila. O acrílico também tem essa propriedade aqui. Eu faço um branco e venho com o outro com o que eu imaginei originalmente. Então, sempre encontro por onde resolver. É isso.

E se você sintonizou agora na Paraíba FM, eu sou Angela Duarte, você escuta Pincel e Lápis, o programa para os amantes das artes visuais, comigo hoje a artista Carla Luna. Carla, a gente já está chegando no final do nosso episódio, você teve uma exposição recentemente, né?

Essa obra estava entre as expostas. Estava. Como é que foi essa exposição? Como é que você se sentiu? Já tinha exposto antes? Como foi? Já tinha, Angela. Sendo que já tinha a exposição. Tem que essa foi tão especial.

Porque o meu ano passado foi muito desafiador, cheio de muitos desafios mesmo, enfrentamentos e tudo. E eu deixei vazar tudo isso que estava atravessando na minha arte. Então eu posso te dizer que a arte realmente me salvou.

Tem essa frase muito clichê, não, a arte salva e tal, mas ela realmente, ela foi meu, era minha ilha, minha ilha de descanso mental, de alma e tudo, era na hora que eu estava produzindo. Então, essa exposição de agora, do Centro Cultural Ariano de Suassuna, ela é especial por isso, porque ela é fruto de um ano em que eu entregava, eu publicava...

uns três trabalhos por semana no Instagram. Eu tenho colegas artistas que sempre me perguntavam menina, você pinta todo dia? Eu disse, eu pinto todo dia. Eu pinto por amor, eu pinto porque faz bem pra minha própria alma, eu pinto por amor de novo, eu pinto pra me aperfeiçoar, eu pinto...

porque amo. E assim, essa foi toda especial por conta disso, de ser o fruto de um ano muito difícil. Foi aquele caos do qual nasceu uma estrela. Então, foi fruto disso e o fato dela...

Quando eu vi o que tinha produzido, era tudo sobre o feminino. E quando eu cheguei lá, o diretor do centro, o meu amigo Flávio Sattri, ele captou muito bem. Ele disse, não, Carla, por que tu não coloca o título da tua exposição feminina? Eu disse, nossa, fechou, era o que eu precisava. Então, tudo foi tão encaixado, tudo foi tão harmonioso no processo de ponta a ponta. Quando eu levei as obras lá, que eu vi que...

Tudo tinha uma lógica, então ela foi toda muito perfeita no processo. E até eu estava em conversa com o meu colega artista, disse que o bom é que no processo eu me diverti. Então foi tudo muito bacana por isso também. Desde a instalação...

até a retirada foi toda muito especial, é isso que eu diria. Inclusive, eu sou muito gratificada de ter no meu currículo uma exposição ali no Centro Cultural Ariano Suassuna, porque eu tenho uma verdadeira fascinação pelo Ariano Suassuna. Então, por todas as razões, ela é muito especial.

Carla, a gente vai encerrando por hoje mas quero te agradecer demais pela disponibilidade, adorei conhecer mais sobre a sua história, sobre o seu trabalho o ouvinte que quiser conhecer mais sobre tua arte, onde é que te encontra? Eu tenho um Instagram e tenho Paraíba Criativa que vai estar o link lá na bio, quem quiser conhecer mais da trajetória mais do que eu produzo vai estar no Instagram, o arroba Carla Luna Carla Luna

Simples, Carla Simples e Luna Juntos, underline arte, ART. Maravilha. Mas por hora o Instagram. É isso. Carla, de novo, muito obrigada. Eu que agradeço, Ângela. Sucesso pra você. Foi muito bom, muito obrigada. Foi ótimo, foi ótimo. Obrigada e obrigada a todos que acompanharam aqui o Pincel Lápis.

Este foi mais um episódio de Pincel e Lápis, recebendo hoje a artista visual Carla Luna. E você, meu querido ouvinte, se quiser ouvir esse episódio mais uma vez, é só buscar por Pincel e Lápis no Spotify ou onde quer que você escute seus podcasts favoritos. Segue a gente no Instagram, arroba paraibfm103.9, paraiba com H e Y.

Aproveita e confere a programação dessa semana que está muito legal. Eu sou Angela Duarte e te agradeço pela companhia. Você fica agora com a Voz do Brasil. Até a próxima. Para a IBFM, a rádio do século XXI.

Este programa é um produto da rádio Paraíba FM 103.9 e uma emissora da EPC, empresa paraibana de comunicação. Diretora-presidente, Naná Garcês. Diretor de rádio e TV, Rui Leitão. Gerente de rádio e difusão, Berlim Carvalho. Gerente executivo de conteúdos e programação, André Cananea. Você acabou de ouvir Pincel e Lápis, o programa que te deixa por dentro de uma obra-prima.