Jesus e o legalismo - Marcos 2 23-28 - Pr. Ricardo Arakaki - 03052026
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Ricardo Arakaki
- Cristo como cumprimento da LeiO sábado e seus propósitos · A cerca dos rabinos · Legalismo vs. Evangelho · Princípio vs. Regra · A sacralidade da vida humana
- Pedagogia de Jesus sobre o SábadoO propósito original do sábado · A interpretação legalista do sábado · Jesus como senhor do sábado
- A história de Davi e os pãesNecessidade e fome · Comida consagrada para sacerdotes · Suspensão da regra pelo princípio
- Trabalho social da IgrejaEstruturas da igreja para o bem das pessoas · Adaptação das atividades ao contexto · O propósito de dar vida
- Semáforos e a vida humanaNormas para organização e preservação da vida · Situações de emergência e quebra de regras · Concordância entre norma e princípio
Quero convidar você a abrir a Bíblia em Marcos, capítulo de número 2. Chegamos no versículo 23 do capítulo 2 do Evangelho de Marcos. Marcos, capítulo 2. Vamos ler a partir do versículo 23. Marcos, capítulo 2.
Versículo 23, é onde começamos a ler nessa manhã. Diz assim, Marcos capítulo 2, versículo 23. E aconteceu que Jesus passava pelos campos de cereais em dia de sábado, e enquanto caminhavam, seus discípulos começaram a colher espigas.
E os fariseus lhe perguntaram por que eles estão fazendo o que não é permitido no sábado. E ele lhes respondeu, acaso nunca lestes o que Davi fez, quando ele e seus companheiros estavam em necessidade e com fome? Como ele entrou na casa de Deus no tempo do sumo sacerdote Abiatar?
e comeu dos pães consagrados, dos quais apenas os sacerdotes tinham permissão para comer, e deu também aos companheiros, e prosseguiu, o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado, de modo que o filho do homem é senhor, até mesmo do sábado. Senhor, obrigado por essa manhã.
que o Senhor nos reúne como igreja, teu Espírito nos convenceu de estarmos aqui, nos trouxe aqui, e pedimos que esse mesmo Espírito tenha agora liberdade, livre acesso a cada mente, cada coração, para ministrar, semear a tua palavra, a tua palavra que o Senhor preparou para esta manhã.
para cada mente, cada coração, cada indivíduo, que o teu Espírito, Senhor, ministre para a tua glória e para o nosso bem. Em nome de Jesus. Amém. Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Este é o quarto mandamento.
do decálogo, dos chamados Dez Mandamentos, que é um resumo da vontade de Deus revelada. Alguns entendem que deveria ou deve ser a base da ética cristã. Você sabe que Deus estabelece o sábado.
quarto mandamento, com alguns propósitos. Um deles era santificar esse dia, separar esse dia, para que todo o seu povo cessasse o trabalho. E isso incluía não apenas os senhores, os patrões, mas também os empregados, os servos.
inclusive os animais, a fim de se lembrarem de que quem os sustentava não era o trabalho em si, mas Deus, o Criador. E se é, então, o Criador, nós podemos cessar um dia o trabalho?
crendo que o Criador continuará nos sustentando. Era um reconhecimento desse Criador amoroso, providente e sustentador das nossas vidas. Quem nos sustenta é Deus. Era esse o propósito. Mas havia um segundo propósito, que atl Publix. Você que atl Publix.
o bem da vida humana e de toda a criação. Deveria ser um dia para se tomar alento. Depois de dias árduos, desgastantes, de trabalho, um dia para se tomar alento. Para se renovar as forças.
para ter restauração física, psíquica, espiritual, a fim de não se cair em um esgotamento completo. Até a Terra precisava observar os seus sábados para continuar produtiva.
Essa foi a intenção do sábado, o bem, a promoção da vida humana e de toda a criação de Deus. O problema é que os rabinos, naquele afã de proteger a lei de ser quebrada, eles já haviam sido disciplinados.
com dois cativeiros, porque o povo havia abandonado a palavra, a lei do Senhor. Então os rabinos, temendo o juízo do Senhor, com boas intenções, mas ao mesmo tempo pervertendo o propósito da lei, eles colocam uma cerca ao redor da lei, que consistiu em preceitos.
proibições para evitar que qualquer pessoa chegasse perto de se quebrar a lei. Então, ao redor do sábado, eles colocaram, por exemplo, 39 proibições. Que não se encontravam nas Escrituras, mas entenderam que era necessário para que não se quebrasse o sábado.
Então, de acordo com esses preceitos, ficou proibido acender ou apagar fogo. Não pode acender nem apagar fogo no sábado. Não se poderia cozinhar no sábado. Quem quisesse preparasse o alimento antes. Sábado, não. Não se poderia escrever duas letras no sábado.
E se errou a primeira, não poderia apagá-la. Não se podia levar um objeto de um lugar para outro, porque seria considerado trabalho. Então, aquele dia que era para ser um dia de festa, um dia de alegria, um dia de...
Descanso. Passou a ser um dia de tensão. Um dia de medo. Ai, meu Deus, fiz isso. Será que eu quebrei o sábado? Será que Deus vai me punir, vai me castigar por isso? Aquilo que deveria ser observado para o bem, para a saúde humana, para a saúde humana.
passou a ser observado por um mero e pesado legalismo que mais e mais se confundia com a palavra de Deus e assumia...
às vezes até mais autoridade. É por isso que quando os fariseus veem os discípulos colhendo espigas no dia de sábado, eles se alarmam, eles se escandalizam, e eles perguntam, questionando Jesus, versículo 24, por que eles estão fazendo o que não é permitido no sábado?
E a resposta que Jesus dá nos oferece duas distinções, duas distinções entre o que é legalismo, uma religião legalista e o que é o evangelho de Jesus. Duas distinções.
que faremos bem discerni-las. Uma primeira distinção, o legalismo sempre atenta para a regra. O evangelho de Jesus sempre atenta para o princípio que subjaza a regra.
E se em dado contexto, situação, for necessário cancelar, ainda que por um breve momento a regra, para se preservar o princípio, se preserva o princípio. Por exemplo, por que os fariseus questionam?
os discípulos colhendo milho num campo no dia de sábado, porque primeiro eles se lembram dos seus preceitos, lembra daquela cerca, 39 preceitos, não podia colher no dia de sábado. Mas também se lembram de Êxodo 34, 21, que dizia, no sétimo dia descansarás. Descansarás tanto no tempo de arar, quanto no tempo de colher, então não pode colher no dia de sábado.
Se fosse pegar só Êxodo 34, 21, a letra, não pode, pronto, acabou. Mas, lembra-se, qual era o princípio, o propósito do sábado? Não era preservar e promover a vida humana? Então, você em casa...
Você já fez a colheita na sexta-feira, você já preparou a sua comida. Chegou o sábado, daqui a pouco você vai se assentar à mesa com a sua família. Ter aquele momento de descanso. Não vá para o campo colher. Você já tem o bastante.
descansa, desfruta desse momento, aproveita. A vida não é só ficar lá no campo, colhendo, colhendo, com medo que vai faltar, já está aí a mesa. Aproveita esse momento com a sua família. Deus te deu esse sábado para o seu bem, para a sua saúde física, espiritual, emocional. Relaxa, descansa, desfruta desse sábado. Agora, um grupo viajando de uma cidade para outra.
sem mantimento. Está atravessando um campo de cereais, está com fome, precisa restabelecer as forças para conseguir chegar em uma outra cidade. Inclusive, tinha uma lei que os donos dos campos não podiam colher tudo, tinha que deixar uma sobra para os viajantes, para os estrangeiros, para os pobres.
para eles poderem ir e colher. Mas é sábado. E agora? Mantém-se a regra, não colha, ainda que tenha que se desfalecer pelo caminho, ou mantém-se o princípio e come? O que você responderia? Não responda. Perguntasse para um fariseu, regra.
Não pode perguntar-se para Jesus, princípio, é a vida. Por isso que Jesus vai lembrá-los de um caso. Ele vai ler, ele vai lembrar versículo 25, ele lhes respondeu, acaso, nunca leste. Nunca leste.
O que Davi fez quando ele e seus companheiros estavam em necessidade e com fome? Vocês nunca leram isso. Como ele entrou na casa de Deus no tempo do sumo sacerdote Abiatar e comeu dos pães consagrados, dos quais apenas os sacerdotes tinham permissão para comer e deu também aos companheiros?
Então, nesse momento, se suspendeu, ainda que por um instante, a regra, a norma, para se manter o princípio. A preservação e a promoção da vida. Trazendo para os nossos dias, por que tem semáforos nas ruas? Para organizar o trânsito, mas preservar a vida.
Então faremos bem se observarmos as normas. Verde, pode passar. Amarelo, reduz, embora às vezes a gente acelere. Vermelho, pare. Se a gente observar isso...
contribuiremos para a preservação da vida nossa e de outros. Devemos, então, observar. Guardar. Agora, imagine essa situação, você saindo de casa meia-noite, com alguém passando mal no seu carro, precisando de ser atendido urgentemente,
num hospital, por um médico, e você sabe que segundos podem salvar uma vida. Então você está indo, o semáforo fecha diante de você. Aí você olha para um lado, não está vindo ninguém. Você olha para o outro, ninguém. Ninguém. O que você faz?
eu creio que atravessa, né? Afinal de contas, é uma vida que está ali, uma vida humana. Aí alguém pode perguntar assim, mas, pastor, se a gente for pensar assim, isso não vai nos levar a um relativismo ético em que se suspende a todo tempo as normas?
Para as pessoas de bem e para os seguidores de Jesus, não. Claro que sempre vão ter aqueles que vão abusar do princípio, claro. Mas as pessoas de bem, com consciência, os de Cristo, com o seu Espírito, não.
Porque imagina agora que são sete horas da manhã, você está saindo do hospital com aquela pessoa, ela já está bem, já foi atendida, já foi medicada, só quer chegar logo em casa. Mas são sete horas da manhã agora, aquele fluxo de carros intenso fecha o semáforo para você. O que você deve fazer?
Parar. Porque agora norma e princípio estão de mãos dadas em concordância para a preservação e promoção da vida. É isto. É isto. Mas tem uma segunda distinção. O legalismo...
vai sempre priorizar a regra. E eu sei que é muito próximo daquela primeira distinção, mas tem uma nuance ainda, por isso vale a pena destacar, o evangelho vai sempre priorizar a vida. Às vezes nós temos eventos aqui na igreja, e aí nós temos acesso à comida que os irmãos, as irmãs prepararam, e a gente forma uma fila. E aí eu entro na fila.
E sempre tem um irmão, uma irmã, amoroso, amorosa, que diz assim, pastor, passa. Precisa ficar na fila, não, mas eu faço questão de ficar. Até porque entendo que uma das coisas mais justas que existe é uma fila. Na fila, todo mundo é igual. Cada um é atendido por ordem de chegada. Então é justo, é justo.
Isso independe de cargo, de função, de qualquer coisa. Agora, é claro, não é, irmão? Se tem alguém na fila que começa a se sentir fraqueza, está quase desmaiando, pergunte aos irmãos, o que a gente vai fazer?
Passa na frente, claro. Por quê? Porque a vida é mais importante que a fila. E esse princípio da sacralidade da vida humana é bíblico, porque só o ser humano, Deus criou a sua imagem e semelhança. Só a ele, Deus fez a coroa da sua criação, e só a ele, Deus confiou.
a vicerregência sobre toda a terra. Esse ser humano vale tanto para Deus, mas é tão importante que Jesus chega a dizer, verso 27, o sábado foi feito.
foi criado, foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. E essa valorização da vida humana influenciou a forma como o ocidente cristão enxerga a vida e vive a vida.
inclusive no seu dia a dia. Porque quando toca uma sirene de ambulância, a gente imediatamente quer dar passagem. Porque tem um ser humano ali, precisando ser salvo, ter a sua vida garantida.
Como dizem, para Deus, uma alma vale mais que o mundo inteiro. Isso é palavra, isto é evangelho. Isto é influência judaico-cristã. Agora, diante de tudo isso, ficam pelo menos duas perguntas para nós. Duas perguntas. Minha primeira pergunta para você.
Você é uma pessoa que tende ao legalismo? Seu adolescente chega para você e pergunta, questiona, mas por que é assim? Por que tem que ser assim? E aí você responde, é assim, porque é assim, pronto, acabou. Até quando ele vai aceitar essa resposta?
Então, você precisa pedir graça a Deus para mostrar a Ele o princípio que está atrás da regra, não coloque o dedo na tomada. Há um princípio aí, filho, filha, para proteger a sua vida, para te guardar do mal, de sofrimento desnecessário. Eles vão entender.
Segunda pergunta. Nós, como igreja, igreja que segue Cristo, nós vemos as programações, as atividades, as estruturas da nossa igreja para o serviço e o bem das pessoas, ou nós vemos as pessoas...
para o serviço de tudo isso. Porque, por exemplo, eu comecei sexta-feira os grupos de comunhão, com o intuito de promover a integração de novos e comunhão daqueles que querem desfrutar de mais comunhão. Tem sido um momento, um espaço de vida, as pessoas vêm alegres.
Pessoas que antes só sentavam num banco, entrava, saía, agora elas têm nome, elas são reconhecidas, elas são abraçadas, elas se achegam aqui, elas sentam com pessoas que as conhecem. Tem sido, assim, um espaço de vida. Agora, pode ser que amanhã as coisas mudem.
A vida, a dinâmica da vida na cidade mude. E aquilo que hoje tem servido para promover vida, amanhã talvez não mais. E aí eu fico imaginando daqui 40 anos, uma nova geração aqui...
e alguém perguntando, mas para que tem esse grupo de comunhão, justo de sexta-feira, à noite? Aí o outro dizendo, não sei, desde que eu cheguei nessa igreja, é assim. Então, eu diria, talvez, esses irmãos vejam essa mensagem daqui a 40 anos.
não está mais promovendo vida, não está mais sendo bom para as pessoas, se tornou pesado. Tem já outras estruturas que estão servindo à integração de novos e promovendo comunhão nesse novo contexto. Então, cancela.
Muda o horário, muda o dia, ou já tem outra coisa acontecendo que está promovendo isso? Cancela. Porque não são as pessoas para o sábado, é o sábado para as pessoas. Não são as estruturas, ou melhor, não são as pessoas para as estruturas, mas as estruturas para as pessoas.
A minha oração, irmãos, é que Deus nos dê essa graça de discernir o que é palavra, o que é algo de muita boa intenção, mas não necessariamente a palavra. E que assim, tudo o que a gente faça como igreja, igreja que segue Cristo, igreja que segue Jesus.
seja para o bem das pessoas, para servir as pessoas, promover a vida. Porque Jesus disse, eu vim para vos dar vida. Que assim seja e que Deus nos abençoe. Amém.