Episódios de Cuida, Criatura!

#74 - Diêgo di Paula: “Cada prédio erguido é uma identidade a menos”

09 de maio de 20261h10min
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A paisagem de Fortaleza tá cada vez mais diferente. A orla paradisíaca tá tomada por paredões de aço, vidro e concreto que desafiam as leis da gravidade e do ordenamento urbano: são os superprédios, edifícios de 30, 40, 50 andares ou mais.

Só pra dar uma noção: Fortaleza deve chegar a 22 prédios com mais de 100 metros de altura até o ano de 2030. Construídos principalmente em áreas nobres, os superprédios são símbolo não somente de luxo, mas também da especulação imobiliária e da concentração de renda.

A cada novo canteiro de obras, a gente fica pensando. O que essas construções mudam na nossa cidade? Qual a Fortaleza que vamos ter daqui a alguns anos, se os superprédios tomarem conta de tudo?

Gentrificação, outorga onerosa, regularização fundiária. Se tu não tá familiarizado com esses termos, vem que a gente te explica de um jeitinho bem descomplicado!

Pra essa conversa, chamamos Diêgo di Paula, idealizador do Acervo Mucuripe, um museu comunitário que preserva a memória e a história de uma Fortaleza que muita gente nem imagina que existe. Em entrevista feita no Parque Bisão, Diêgo nos conta sobre como os superprédios impactam mais do que a paisagem de uma cidade: eles também causam a perda de identidade de comunidades que há séculos moram nesses espaços.

Inclusive, o áudio que abre este episódio é uma leitura, feita pelo Diêgo, de uma edição do Jornal Unitário do ano de 1961. A notícia fala justamente da remoção de comunidades para a construção da Avenida Beira Mar, em Fortaleza.

No episódio, também contamos com a contribuição de Carolina Guimarães. Ela é mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Ceará. Assessora técnica popular pelo Quintau Coletivo, e trabalhou como apoio técnico da participação popular na Revisão do Plano Diretor de Fortaleza.

Este episódio foi gravado no dia 02/05/2026.

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Créditos

| Produção, roteiro e entrevista: Gabriel Matos e Karizia Marques

| Apoio técnico: Bernardo Maciel e Ana Alice Freire

| Edição de som: Karizia Marques

Participantes neste episódio4
G

Gabriel Matos

HostJornalista
K

Karizia Marques

HostJornalista
C

Carolina Guimarães

ConvidadoMestre em Arquitetura e Urbanismo
D

Diêgo di Paula

ConvidadoTurismólogo
Assuntos7
  • Superprédios em FortalezaImpacto na paisagem urbana · Especulação imobiliária · Concentração de renda · Gentrificação · Perda de identidade comunitária
  • História e Memória do MucuripeTransformações urbanas · Remoção de comunidades · Acervo Mucuripe · Comunidade Mucuripense
  • Processo de aprovação do Plano DiretorFlexibilização de leis urbanas · Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano (Fundurbe) · Revisão do Plano Diretor de Fortaleza · Participação popular
  • Acessibilidade e InclusaoInformação contextualizada · Acessibilidade à informação · Participação cidadã
  • Problema de moradiaFalta de moradia em Fortaleza · Edifícios de alto padrão · Unidades para Airbnb
  • A vida em Lisboa e o impacto do turismoTurismo de massa · Turismo ambiental e ecológico · Impacto do turismo na especulação imobiliária
  • Racismo EstruturalImpactos ambientais em comunidades · Desigualdade social e ambiental
Transcrição185 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Jornal Unitário, 1961. Por que a Avenida Beira Mar? Construção da Beira Mar pode começar terça-feira, material já totalmente colocado na praia. Todo material para a construção da Avenida Beira Mar já foi encostado pela Prefeitura na praia, devendo ter início os trabalhos, provavelmente terça-feira.

Nada menos que cinco turmas de 20 homens trabalham diariamente naquele setor, acreditando-se, de acordo com o plano, que até o mês de agosto já tenham sido derrubadas casas na proximidade do Náutico Atlético Cearense. Ainda dentro do plano da urbanização da cidade, a prefeitura já autorizou o pagamento da terceira prestação do contrato com o urbanista Helio Modesto, de nada menos de 975 mil cruzeiros.

Como é sabido, o contrato foi de 6 milhões e 500 mil. Desta forma, informou-nos o senhor Raimundo Girão que o urbanista deverá chegar à Fortaleza para o início dos cabalhos até o dia 10 de agosto. Demolição de casas. 108 casas já foram demolidas pela prefeitura para que seja construída a Avenida Beira Mar. Até o fim do corrente mês, deverão ser derrubadas 145 casas compreendidas no trecho que vai do Mucuripe à volta da Jurema.

Tu já parou para pensar que a forma como uma cidade é construída impacta diretamente na nossa vida? Às vezes de formas que a gente nem imagina. Aqui em Fortaleza, a cada ano que passa, mais e mais prédios são construídos. Principalmente em bairros nobres. Parece que todo o espaço é um canteiro de obras. E alguns desses prédios em especial desafiam as leis da gravidade e do ordenamento urbano. São os superprédios.

Mas o que essas construções mudam na nossa cidade? Será que elas beneficiam a todos ou só a uma parcela mínima da população? O poder público está cuidando do assunto com a atenção devida? Qual é a fortaleza que a gente vai ter daqui a alguns anos, se os superprédios tomarem conta de tudo?

Nesse episódio, tu vai ver a luta de uma comunidade centenária contra a especulação imobiliária num dos cartões postais mais conhecidos do Ceará, o Mucuripe. A gente fez uma entrevista com o Diego de Paula, que é idealizador do Acervo Mucuripe, um museu comunitário que preserva a memória e a história de uma fortaleza que muita gente nem imagina que existe. Além disso, ao longo desse episódio, tu vai ouvir também inserções de uma entrevista pré-gravada com a Carolina Guimarães.

Ela é mestre em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Ceará, assessora técnica popular pelo Quintal Coletivo e trabalhou com o apoio técnico da participação popular na revisão do Plano Diretor de Fortaleza. Confere agora! Oi da criatura!

Bom dia, boa tarde, boa noite, meu povo, não sei quando é que vocês vão estar ouvindo esse episódio, né? Aí nos seus tocadores de áudio favoritos, mas estamos aqui gravando o segundo episódio da nova temporada do Cuida Criatura. Estou aqui, eu sou o Gabriel Matos, né? Começando a fazer apresentações, estou aqui com a minha companheira de lutas.

De pautas e bancada, Carísia Marques. Oi, Carísia. Bom dia, Gabriel. Mais um prazer estar aqui gravando esse episódio com você, nessa nova temporada aqui do Cuida, a gente que já está trabalhando aí há um tempo bem grande já. E vamos continuando.

Isso, e como a gente já apresentou no episódio passado, agora o Cuida Criatura é todo mês. Então todo mês a gente está trazendo alguma temática nova e a gente está gravando hoje diretamente do Parque Arquiteto Otacílio Teixeira Neto, que para quem é de Fortaleza é mais conhecido como Parque Bizão.

Esse parque foi inaugurado em 2014 e está aqui no bairro Mucuripe, pertinho de uma das estátuas de Hiracema. Hoje está um dia nublado, mas tem muita gente fazendo atividade física. A gente acordou cedo não para fazer atividade física, mas para gravar.

O dia começou de sol, prometeram sol hoje, mas está começando aqui a ficar nublado, talvez venha uma chuvinha, mas vamos indo, né? Pois é, foi um semi, você me prometeu. E quem está nos acompanhando aqui hoje é o Diego de Paula, ele que é turismólogo de formação com segunda graduação em Marketing e Artes Visuais.

e especialização em gestão pública pela Unilab. O homem domina muita coisa, viu? Respeito, respeito. E além disso, ele é idealizador do Arcevo Mucuripe, que desde 2017 atua na preservação da memória comunitária e coletiva da região do Grande Mucuripe, em Fortaleza. Seja bem-vindo, Diego. Tudo bem?

Obrigado, bom dia, boa tarde, boa a todos que nos acompanham, né? Muito bem, prazer te receber, Diego. Nascer e criado no Mocuripe, o Diego é alguém que conhece de perto a pauta que a gente está trazendo hoje. A gente vai falar sobre superprédios, esses gigantes de aço, vidro e concreto.

que cada vez mais tem feito parte da nossa vida, né? Que tem alterado a paisagem de Fortaleza. Aqui na cidade, eles estão concentrados em bairros nobres, como Aldeota Meireles e o já mencionado Mucuripe, inclusive, aqui de onde a gente está gravando, a gente consegue ver muitos desses superprédios. Atrás da gente tem um que está em construção, né? E tem outros aí que já estão no ar, né? Isso.

imensos, né? E pra gente entender o que diabo é esse superfrédio, a gente precisa saber primeiro que existem leis, que elas definem o que pode e também o que não pode ser construído numa cidade. Por exemplo, em Fortaleza existem bairros que a altura máxima permitida é de 72 metros, que dá mais ou menos 24 andares. Esse limite não é fixo, ele varia de bairro pra bairro.

Sendo que existem alguns empreendimentos que eles recebem uma espécie de passe livre da prefeitura, digamos assim, para ir além dos limites que estão estabelecidos lá na lei, né? Por exemplo, a gente está aqui numa área, como a Carisa falou, a média é que você possa construir 24 andares. Sendo que aí você vai ter esses prédios que ultrapassam, né? Que tem 30, 40, 50 andares e esses que são os chamados superprédios, que são o tema do episódio desse mês.

Exato. E pra tu ficar afiado mesmo aqui no episódio, a gente vai soltar aqui algumas curiosidades, né? Fortaleza deve chegar a 22 superprédios com mais de 100 metros de altura até 2030. Atualmente, a capital tem 11 superprédios em construção. E desses, 5 devem ser entregues ainda em 2026, segundo a apuração do Diário do Nordeste. Assim, é muito superprédio pra pouco tempo. 2030 tá bem aí e é praticamente dois novos superprédios aqui na nossa paisagem, né?

Isso, e a escolha pra gente gravar esse episódio aqui no Parque Bizão não é por acaso. O primeiro superprédio construído e entregue na cidade foi pertinho daqui. Um residencial de nada menos que 50 andares com 170 metros de altura. Só pro pessoal ter um pouco de noção, né? Porque quando a gente fala 170 metros não dá pra saber. Isso equivale a quase seis estátuas do Padre Cícero empilhadas uma em cima da outra, meu povo. É muita...

altura. Exatamente. Eu nunca vi a estátua do Padre Cícero, mas pelas fotos que eu vejo em comparação com o tamanho de uma pessoa real, é muita coisa. Tu imagina seis Padres Cícero em cima do outro. Eu também nunca visitei Juazeiro, então também não tenho essa noção, mas seis estátuas é muito, muito alta.

E ainda tem outro motivo para a gente ter escolhido aqui, viu? Em fevereiro deste ano, dois terrenos públicos ao redor do Parque Visão foram desafetados e vendidos para condomínios de luxo. Que na prática isso quer dizer o quê? Que áreas públicas estão sendo vendidas para interesses privados, sendo que tem tantas necessidades públicas aí na cidade, né?

Mas o que mais chamou a atenção nesse rolê todo foram os valores cobrados pela prefeitura, que foram bem abaixo dos valores de mercado. Nas redes sociais não faltou foi denúncia apontando a especulação imobiliária sobre o assunto.

Então, depois dessa contextualização inteira, especialmente aqui com o bairro do Mucuripe, a gente quer saber qual é a relação que você tem aqui com esse bairro, quais foram as mudanças que você viu nessa parte da cidade desde pequeno. Porque, por exemplo, eu que não sou aqui do bairro, eu venho de outro, então aqui o bairro do Mucuripe é algo que eu venho ocasionalmente. E toda vez que eu venho é sempre uma mudança diferente. Então, como é que é para vocês que são aqui do bairro mesmo?

Então, falar sobre o Mucuripe é falar primeiro sobre a minha história de vida, porque a minha família está exatamente aqui antes de ser bairro, está há exatamente 100 anos. Essa é a média que eu calculei, desde os anos 20.

30 do século passado. E esse bairro já passou por profundas transformações. Se vocês forem puxar do ponto de vista histórico do que aconteceu, essa área foi declarada de utilidade pública.

Em 1998 e em 2000 foi oficializada pelo decreto oficial do município. E aí as pessoas foram comunicadas. Como sempre, algumas notícias ruins a gente sabe pelo jornal eletrônico ou jornal de papel. Então elas simplesmente foram comunicadas que essa primeira operação urbana consorciada, que abriria as portas.

para outras construções da mesma altura ou maior ocorressem. E isso foi uma das coisas que me motivou, para além das minhas outras experiências com a educação patrimonial e outros espaços de ONG da comunidade, isso foi o que me motivou a pesquisar o Mucuripe.

e tentar entender um pouco desse quebra-cabeça, do porquê escolheram a cidade leste, do centro para o leste, e deram as costas do centro para o oeste, Grande Pirambu, Barra do Ceará, tentar entender porquê que olharam para cá, a especulação.

imobiliária, ela é invisível. Quando você vai ver, a comunidade já foi removida, quando você vai ver, já chegou, por exemplo, um shopping, que chegou um shopping, um grande shopping que veio de Recife, que é o Shopping Rio Mar, que também é uma operação urbana consorciada, que prometia a revitalização do entorno e hidragagem e urbanização da lagoa, nunca fez.

Prometi também a melhoria habitacional do entorno, também nunca fez. Então, a especulação imobiliária é um pacote de grandes obras que até hoje, quem não pesquisa muito como eu pesquiso, talvez não possa entender um pouco dessas camadas ou desse passo a passo. Porque se a gente for olhar para a Mucuripe, teve um passo a passo.

já que fomos a primeira operação urbana com a Sociada. Então, primeiro tem aí o decreto pelo ex-prefeito finado, Juraci Vieiras de Magalhães. Tem um decreto dele que diz que as pessoas têm que sair daqui, não interessa para onde, simplesmente declara utilidade pública, desconsiderando a comunidade que já tinha há 200, 300 anos aqui.

e depois vem, aí claro, a tentativa das construtoras, no caso a gente tem um nome, que é a combéia da construtora, e comprando esses terrenos para os 10 mil, 15 mil, 20 mil, e hoje cada apartamento vale 14 milhões, tem alguns sendo vendidos por 10 milhões, na OLX já está mandando uma olhadinha.

É desproporcional com esse lugar. E que muitos moradores também da comunidade e da cidade de Fortaleza nem sabem. Que a comunidade aqui já tem seus 200, 300 anos de registro. Embora não apareçam nos censos, porque era da época, porque isso foi intencional apagar essa comunidade.

desses registros para que a gente pense que ela é uma comunidade recente, do século XX. Mas não, ela já tem um tempo muito grande de sobrevivência, de resistência. E a minha família está aqui esse tempo todo há mais de 100 anos, e como nativo do Mucuripe, usando um termo também.

que talvez muitos não falem mais, que é Mucuripense, porque tem o Fortalezense e tem o Mucuripense. Nós somos mucuripenses, ou seja, nascemos aqui nessa vila que foi incorporada, a Malha Urbana, que foi incorporada à cidade de Fortaleza, de uma forma também não foi inclusiva, eu acho que foi exclusiva, ou seja, quando a gente foi incorporada à cidade, a primeira coisa que criaram foi a Avenida Beira Mar.

no lugar onde tinham muitas casas que foram transferidas, reassentadas, no Serviluz como uma forma de esconder essa pobreza. E aí quando esse progresso chega, ele chega dessa forma, sem dialogar com os moradores, sem perguntar se eles queriam sair.

Com a autorização do poder público. Com a autorização, a chancela do poder público. E onde é que fica a história dessa comunidade? Uma comunidade litorânea, que depende da praia, que sai da orla e tem que ocupar o morro, e ocupa de uma forma não planejada, porque como o poder público não se antecipou, cada um faz a sua casa do seu jeito, e aí não cria a rua, não cria a avenida, criam os becos, as vielas.

Essa sua fala é muito rica, porque ela foi como passar por uma linha do tempo de Fortaleza e tratar de todas essas mudanças. Achei interessante que você falou que a especulação imobiliária é invisível, né? E ela é silenciosa, porque eu acho que você traz a visão da sua família, os murucuripenses.

que estão aqui já há um século e para quem está aqui há menos tempo também eu acho que é possível perceber essas mudanças. E eu digo isso porque o meu pai tem 74 anos, a minha mãe tem 60 e pouco, minha mãe não é daqui, ela é de Belém, e ambos, toda a vida que passam aqui na Orla...

comentam sobre as mudanças. Parece que a cada vez que você vem na Beira-Mar, parece que tem um canteiro de obras novo. E recentemente com a revitalização... Requalificação, como se tivesse perdida a qualidade. Pois é, até os termos é algo que a gente precisa questionar. E eu mesmo, é visível como essas mudanças acontecem.

mais rápidas, mais silenciosas e meio que quando você se dá conta já tá tudo isso posto e parece que não tem como você questionar isso, né? E aí eu queria retomar esse teu trabalho da criação do Acervo Mucuripe, né? De como foi que surgiu esse projeto, como foi que essa percepção, como foi que a tua família te influenciou a querer criar esse acervo, a querer estudar a história do Mucuripe, como foi o início desse projeto?

Criei o acervo em 2017, no meu último ano de juventude, tinha 29 anos, em 2018 fiz 30, e além de ter esse apego, além de ser canceriano...

que tem um apego muito grande as coisas, a emoção aquela coisa emotiva o apego ao passado também e além disso desse signo também não contribui muito para outras coisas tem também a minha formação porque eu passei a conhecer o meu bairro quando eu estudei turismo e vi que o que tinha sido colocado

nos livros e nos guias turísticos, enfim, em toda essa narrativa, não era o que eu tinha vivenciado. Eu fui começando a olhar o Mucuripe pelo meu lugar e depois eu pensei, gente, mas nossa cidade tem 121 bairros, então eu vou tentar olhar para esses outros bairros e tentar...

relembrar quais eram os outros nomes, como Barro Vermelho, que hoje é o Antônio Bezerra.

o bairro Coqueirinho, que hoje é a Parquelândia, o bairro Boatã, que hoje é o Olavo Oliveira, o bairro Cachoeirinha, que hoje é o Padre Andrade, onde está o terminal do Antônio Bezerra, o Serviluz, que é o bairro Cais do Porto, o Cacipesca, que não é bairro oficial, no mapa tem bairro Praia do Futuro 2, ninguém chama assim, gente. Então eu fui também...

entendendo que o que tinha acontecido com o Mucuripe aconteceu com a cidade toda. Então, eu fui estudando o Mucuripe, quando eu fui ver eu estava olhando para toda a cidade de Fortaleza, porque a cidade é um grande quebra-cabeça. Então, o que aconteceu com o Mucuripe tem relação com a Messijana, tem relação com o Bom Jardim, para onde foram pessoas.

daqui no processo de abertura da Avenida Beira Mar saiu gente daqui pelo Bom Jardim, Conjunto Palmeiras Serve Luz, que é o que ficou mais próximo aqui do lado então estudar ou entender um pouco do bairro é uma responsabilidade para que eu

consiga chegar na geração que chegou depois de mim, que nasceu depois, e para que elas entendam que o Mucuripe é muito maior do que essa região administrativa hoje, sinalizada como bairro oficial Mucuripe. Não, o Mucuripe é muito grande, ele é o grande Mucuripe que envolve sete bairros. Então, além do Mucuripe oficial, temos o Cais do Porto, o Vicente Pinzão, a Varjota, o Papicu, o bairro Dunas e a Praia do Futuro.

E aí, voltando aqui para a questão do Mucuripe, da construção desses superprédios que elas são até de fato permitidas em leis, eu queria saber de que forma a comunidade do Grande Mucuripe, elas são impactadas por essas construções, tanto do ponto de vista ambiental, quanto do ponto de vista social.

É um episódio inteiro para responder. É bem difícil definir isso em tão poucas palavras, porque você usou um termo, Gabriel, canteiro de obras, que o nosso bairro é um canteiro de obras desde os anos 40.

desde quando transferiram esse porto da Praia de Iracema para cá, que o Mucuripe é um eterno cranteiro de obras. Então, se vocês forem para dentro da comunidade, vocês vão ver que o outro lado do parque, do Riacho Maceió, que é a continuação dessa área que a gente está, não foi urbanizado como deveria ser, porque lá não foram construídos prédios.

Aqui foi construído o prédio, estamos ao lado de dois prédios enormes, e a justificativa desse parque na frente, que nós, mucuripenses, moradores, sabemos, é que isso não foi para nós, foi para os prédios. Se todo mundo tem uma compreensão disso, são outros 500, como a gente fala, no Cearenseis.

Boa parte sabe que esse parque não é para a comunidade em si, ele é uma extensão de uma área de lazer desse prédio que está aqui pertinho da gente. Os moradores já sabem que a especulação é inevitável. Mesmo com uma área de zeis, que somos zeis, temos três zeis no território, que é a Zeis, Mucuripe, Zeis, Cais do Porto e Serviluz, que seriam uma só, mas foram fragmentadas pela prefeitura.

mas que estão ali no entorno do farol velho do Mucuripe. Então, são áreas que deveriam passar pela regularização fundiária com mais urgência.

porque senão a gente vê o que já aconteceu, cederam uma parte do parque nesse ano de 2026, em voto por maioria na Câmara Municipal, com exceção de poucos votos, posso falar aqui, na Gabriela Biologia, Adriana Gerônimo e outros, por incrível que pareça, até votos da...

que não são da base do prefeito também, votaram contra, e a maioria votou a favor para que pedaço do parque Bisão, que é a continuação do Parque do Riacho de Maceió, fosse cedido a preço de banana.

o metro quadrado dessa área é 14 mil reais. Então aquele terreno ali foi cedido por 560 mil reais. Se eu tivesse 560 mil reais, eu compraria um terreno para poder fazer um acervo dentro desse lugar que é tão simbólico, e que esse terreno que foi cedido nesse ano, em 2026, cedido, entre aspas, né?

foi literalmente dado para essas construtoras fazerem o que elas quiserem. Também já teve gente morando, mesmo sendo dentro da área ambiental, tinha uma comunidade ribeirinha. Então, assim, é bem difícil falar sobre a...

o tanto de coisa que já aconteceu, porque a gente praticamente perde, entre aspas também de novo, perde um dia todo tentando convencer as pessoas que esse progresso é excludente. A primeira frase, o progresso é excludente e depois a gente tem que explicar de que forma é essa exclusão. A exclusão acontece quando todo ano existe um fetiche de ter uma nova berama a cada gestão.

municipal e do lado de lá a gente não tem uma obra, não tem uma praça. Do lado de lá a gente não tem uma praça. A gente queria muito uma praça, a gente não tem. Uma praça como essa daqui. A gente tem o espaço esperando passar pela requalificação ou reurbanização, mas nós, enquanto moradores, temos que nos deslocar até a praia se a gente quiser ter algum lazer. É tipo isso. Temos que descer o morro se a gente quiser ter algum lazer.

para poder fazer parte dessa cidade que cresceu de uma vez.

Então a gente se preocupa, óbvio, com o progresso que vai chegando, mas ao mesmo tempo não tem muita coisa o que fazer. É tentar minimamente lutar, como estamos agora lutando, para fazer um novo conselho gestor das três ex dessa região, não só das três, mas da cidade toda. Atualizar esses conselhos que são esvaziados, porque...

São voluntários, porque muitas dessas reuniões a gente tem que parte do conselho é moradores e outra parte é poder público. Então muitas dessas reuniões o poder público não vai, acaba desmobilizando a comunidade, que doa o tempo dela para tentar construir esse diálogo.

Acho que como alternativa mesmo de resistência é só isso que a gente tem. Criar um novo conselho gestor para continuar debatendo o que a gente quer para dentro dessa área de ZEIS. E ser ZEIS implica que as pessoas não sejam removidas. Tipo, aqui é uma área de ZEIS, não é para ter remoção. É para que seja prioritariamente dialogado quais são os projetos que vêm para essa região. Passar pelo conselho, para o conselho...

ter ali aquela força de explicar e traduzir isso para os moradores, porque são coisas tão técnicas que às vezes os moradores não entendem, então precisa de um conselho. O próprio termo Z, regularização fundiária. Regularização fundiária, as pessoas não entendem quando a gente fala desse jeito, mas quando a gente fala papel da casa...

melhoria de infraestrutura urbana, tirar do papel aquilo que a gente já colocou.

Não só urbanística, mas iluminação, pavimentação, né? É, as coisas que a gente até hoje sonha, né? A gente sonha com o básico. E o papel do conselho gestor, ele vem pra intermediar esse diálogo. Pra intermediar e fazer essa cobrança do poder público, né? É luta e a gente ainda vai falar muito de luta, de participação popular. Então vamos dar aquela pausa e a gente volta já já com mais Super Prédios e Cuide Criatura.

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Para desafiar a gravidade, tem que dançar conforme a música. Isso porque a construção de superprédios, como a Carize já tinha mencionado, é algo que é autorizado em lei, mas que precisa atender certos requisitos, né? Não é casa da mãe Joana. Se tu se deparar com o termo outorgoneros, meu povo, saibam que isso é só uma expressão chique para falar da autorização que o poder público dá para o mercado imobiliário para que eles construam esses puxadinhos que vão além dos limites da lei.

Isso, e um exemplo da Ortogonerosa que o Gabriel estava falando agora é justamente aqui no Mucuripe, o bairro onde a gente está gravando esse episódio. Embora o limite de altura aqui seja de 72 metros, a Ortogonerosa permitiu a construção de um arranha-céu com 160 metros, mais do que o dobro do limite.

A lógica da autórgona erosa não é aquela coisa do pagou levou, tá? A lei exige que esse valor arrecadado por meio da autorização especial vá para um canto, que se chama Fundurbe. O Fundurbe é o Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano de Fortaleza. Tem uma reportagem de 2023 da Brasil de Fato que fala que nos dois anos anteriores, a reportagem, né? Foram arrecadados mais de 170 milhões de reais para o Fundurbe em Fortaleza, a partir da liberação da construção de 21 superprédios.

Bom, e o FUNDURB, por sua vez, ele deve ser utilizado em áreas das cidades que mais precisam de infraestrutura, urbanização e conservação. A gente tá falando aqui de obras de asfaltamento, drenagem, pavimentação nas áreas mais carentes da cidade. É tipo uma moeda de troca, né? Tu paga mais pra construir numa área nobre.

Só que esse dinheiro vai ter que ser usado para dar melhores condições urbanísticas para quem não tem o mesmo acesso a isso. Em teoria, isso é muito interessante, é até válido. Só que na prática não é bem assim que acontece, né? Na prática, o negócio nem sempre anda do jeito certo, né?

Sobre o assunto, inclusive, a gente conversou previamente com a Carolina Guimarães. Ela é mestre em arquitetura e urbanismo pela UFC, é assessora técnica popular pelo Quintal Coletivo e também trabalhou como apoio técnico da participação popular na revisão do plano diretor de Fortaleza. Vamos ouvir o que ela tem a dizer sobre a outorga onerosa. O que acontece em Fortaleza de forma muito direta? Esses empreendimentos foram aprovados a toque de caixa em uma comissão especial da prefeitura.

que aprovou esses empreendimentos a rodo, a prefeitura flexibilizou a um ponto que deixa de arrecadar dinheiro nesse pagamento das outorgas. Esses prédios construídos nessa quantidade correm o risco de sobrecarregar as infraestruturas da cidade. Então, o investimento que era para ser para a periferia tem que voltar para onde esses superprédios estão.

Então, a prefeitura podia estar investindo na periferia, mas como está construindo tanto o prédio novo e as infraestruturas da cidade têm que ser renovadas para receber esses empreendimentos, fica um ciclo de reinvestimento que valoriza o próprio imóvel que o empreendedor está construindo. Então, um recurso que era para redistribuir os lucros, o dinheiro na cidade, ele acaba sendo reinvestido naquele empreendedor que está sendo permitido de lucrar mais com aquele terreno.

Bom, em Fortaleza, a ortógona erosa que a gente estava falando, ela é prevista desde 2009, mas só foi regulamentada em 2015. Inclusive, a legislação que fala do assunto recentemente passou por uma repaginada. A gente está falando do Plano Diretor Sustentável e Participativo, que foi publicado em novembro do ano passado e com direito a muita controvérsia. Muita polêmica, muita confusão, Carize.

Isso porque na hora de votar o projeto na Câmara dos Vereadores, os vereadores aprovaram um emendão, ou também conhecido como super emenda, que alterava vários trechos importantes do então projeto de lei. A bancada do PSOL na Câmara fez fortes críticas a esse novo texto, dizendo que ele favorecia o mercado imobiliário e o lucro acima de quem realmente precisa de proteção. Somos nós, a cidade, enfim.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Léo Couto, do PSB, classificou o texto como o mais progressista da história de Fortaleza e disse que, abre aspas, é impossível agradar todo mundo. Fecha aspas. Pois bem. Diego, o novo plano diretor, ele saiu agora, no final do ano passado. O acervo Mucuripe, ele participou de alguma forma dessa construção?

Essa pergunta é uma pergunta bem complexa, porque foram vários meses de discussão, junto de vários outros movimentos sociais, de outros grupos também que lutam pelo direito à cidade, e tudo isso meio que foi desconsiderado em novembro do ano passado, acho que foi isso, essa foi a eleição, a votação.

Foi um grande golpe novamente que a gente teve na Câmara Municipal e a gente queria que tivesse dado certo todas essas propostas que foram construídas muito mesmo antes dessas reuniões. Então eu tive a oportunidade de estar um pouco mais à frente também das reuniões da Frente de Luta por Moradia Digna, que é a FLND.

um coletivo de vários moradores da cidade de Fortaleza, em especial de zonas especiais, das ex, que já vem construindo esse debate.

Antes de 2025, então, antes desse plano diretor que está aí vigente, que vai ficar vigente a partir desse mês de maio, antes dessas reuniões chegarem, a gente já vinha discutindo isso nas outras gestões também que passaram, como o Sarto e o Roberto Claudio. Então, assim, a gente já vinha dialogando várias coisas com essas gestões que passaram.

e que foram empurrando com a barriga, com a barriga, veio pandemia, teve a sucessão, ou seja, o PDT passou 14 anos no poder, então poderia ter, muito bem, ter atualizado esse plano se quisesse, mas jogaram praticamente nas mãos do atual prefeito.

E como isso foi dialogado também com os vereadores de base, que era para ser a favor da população, acabou ficando contra. Quando esse documento foi entregue para o prefeito, só tivemos uma única audiência pública, gente. Era para ter tido várias audiências públicas, para além dessas audiências da...

que a gente teve ao longo dos semestres, na própria Câmara, depois que eles receberam, só foi uma única audiência pública. Um negócio que é para decidir o futuro da cidade. O futuro da cidade que já inchou, cresceu de um jeito e agora precisa de novos lugares para essa expansão. Mas o sentimento, você diria que foi...

O texto final, ele não foi o que a gente acordou. Foi uma grande tristeza, inclusive. A gente saber que a gente está numa gestão em que a gente consegue, aparentemente, dialogar um pouco mais. Mas, assim, não teve diferença dessa gestão para as outras. Nesse quesito do plano diretor em si, eu acho que não conseguiram atender.

essa luta, que é uma luta que não é de muita gente, tem pequenos grupos aí que andam carregando essa missão nas costas, gente. Então, assim, para além desses 10 anos, tem gente que está uma vida toda acompanhando, tem laboratórios de estudos da habitação da UFC, tem esses outros grupos como Quintal, Arquipete, a gente tem aí uns grupos mais recentemente das universidades também,

tentando fazer o que o poder público não faz. Então, assim, não é justo que a gente pague um preço tão caro de uma verticalização.

por um preço tão barato como é esse parque que foi dado no começo desse ano e assinado por muitos dos variadores que a gente nem imaginava que pudessem fazer isso então a outorga onerosa do direito de construir de que direito estamos falando? quem que pode construir?

Porque existe uma preocupação para que a classe periférica, quando vai construir a sua casa, uma preocupação medonha para deixar a calçada, para não puxar a parte de cima da casa para frente, porque senão vai atrapalhar o poste. Mas não reparo nessa coisa muito maior que é...

a especulação, esses projetos de superprédios, e que impactam muito mais, esquentam muito mais do que um prédio, do que uma casa encostando um centímetro ali a mais, porque na comunidade não tem, mesmo que exista o código da cidade, que diz o que você pode fazer dentro da sua comunidade.

mas eu acho que se preocupam com coisas pequenas e essas coisas maiores vão ficando para trás, essas coisas mais importantes, que deveria ser de conhecimento de todo mundo. Uma coisa que você achei interessante foi que você mencionou que a gestão atual, embora teoricamente permite esse maior diálogo,

Só houve uma audiência pública, né? Então, assim, aquela coisa muda o partido, muda a gestão, mas parece que a mentalidade, quando o assunto é planejamento urbano, em Fortaleza, e eu acho que isso não é um fenômeno só daqui, né? Infelizmente, parece que a mentalidade continua, né? É algo mais forte. A especulação é realmente algo muito forte, assim. E acho que no país inteiro é algo que sempre vai falar mais alto.

Então, assim, quando você fala em plano diretor, o morador daqui da comunidade, eu acho que da cidade, de um modo geral, ele não entende, assim, né? Ele precisa entender de uma forma mais descomplicada, de uma forma mais facilitada. E esse é o trabalho da prefeitura, não é o nosso trabalho enquanto morador, né? Que a gente tá aí lutando contra essa escala 6x1, né?

de estar explicando e fazer esse trabalho do poder público, não. A gente faz porque tem uma questão cidadã aí, né, pra isso. Porque a gente não quer deixar todo mundo, de certa forma, na ignorância, mas a Prefeitura tem um trabalho de...

fazer isso para toda a cidade de Fortaleza, que é dar o acesso a esse conhecimento, não só no ano, deixar para o ano do plano diretor se discutir sobre o que aprova ou sobre o que não aprova. Eu acho que dá para a gente fazer isso.

Dentro dos... Vamos aprovar agora o novo plano diretor de 2025. Então, acho que a partir desse ano, ano que vem, já deveríamos fazer essas formações dentro das comunidades, de explicar de forma mais detalhada e de construir um pouco também, até para que as pessoas pudessem ter um pouco mais de pertencimento a essas coisas que são tão difíceis dela acessar. E aquela coisa, você não luta por aquilo que você não conhece, né?

E aí a ocorrência desses empreendimentos também pode acarretar em fenômenos como a gentrificação, quando uma área se valoriza a um ponto que uma determinada população que morava naquele bairro antes não consegue morar mais porque tudo vai ficando mais caro. Então, a exemplo, eu pago um aluguel X em uma área bem localizada da cidade.

Esse prédio ao qual eu morava é substituído por grandes prédios de alto padrão. Eu já não consigo mais pagar esse prédio de alto padrão aqui. Eu tenho que ir para outro bairro, porque agora o aluguel, para adquirir um imóvel aqui, ficou bem mais caro. Então, eu vou lentamente sendo expulsa para outros bairros, porque aquele bairro ali vai se valorizando. Isso é um perigo, especialmente para grandes empreendimentos que são feitos ao lado de comunidades.

que precisam de habitação de interesse social, que precisam de investimento público. O grande problema desses superprédios é que eles simbolizam uma tomada do planejamento da cidade, uma tomada da cidade pela demanda de mercado. E aí vem aquela narrativa do progresso, de embelezar a cidade, mas o que a gente pode acompanhar nos próximos anos é essa expulsão lenta de perfis econômicos X em determinados bairros, porque o bairro valorizou, o aluguel ficou caro.

É a demanda por uma infraestrutura que não precisava antes. O próprio Parque Bizão, perto do Mucuripe, onde teve um superprédio. Aquela praça ali que foi construída, foi construída para valorizar o próprio prédio que foi construído. É ótimo que tenha uma praça ali.

Foi ótimo, a praça ficou bem interessante, mas ela também valoriza o próprio empreendimento. Então, o empreendimento paga uma taxa para ser construída aquela praça, para fazer uma benfeitoria, mas aquela praça também valoriza o empreendimento, também garante mais lucro para o empreendedor. É uma lógica muito perversa.

de desenvolvimento urbano. Essa palavra gentrificação é uma das primeiras palavras, junto com a especulação imobiliária, que eu pergunto ao público que me procura para fazer as trilhas urbanas, que na maioria são arquitetos, a informação, e não sabem responder.

Ou seja, os profissionais que já causaram isso, talvez inclusive também nem saibam responder, que eles também causam essa gentrificação, causam a intervenção na vida das pessoas. A gentrificação nada mais é que essa verticalização e essa...

preparação do espaço urbano para novos usos. Então aqui no Mucuripe, eu já falei para vocês, tem muitos projetos que não foram dialogados com a gente, que trouxeram profundos impactos não só no visual, mas principalmente ambiental. A reação da galera quando você explica isso que a gente está conversando aqui.

Eu acredito que eles levam para si essa mensagem, tipo, olha, já que você não sabia e agora você está entendendo o que é gentrificação, quando você estiver no seu curso e quando você sair do seu curso, tente não reproduzir essa gentrificação, tente não reproduzir projetos sem entender quais são as necessidades da gente. Passa por uma autocrítica como eu fiz lá atrás, como eu quis ter lá atrás.

E aí, claro, com a pesquisa, que é uma pesquisa que não tem fim, me fez entender várias outras camadas do racismo ambiental. Eu nunca tinha ouvido falar do racismo ambiental, era só o racismo. E como eu sou uma pessoa de pele clara, nunca senti o racismo. Eu não posso ter sentido a homofobia, como LGBT. Então, eu fui entendendo também que existem outras...

questões que precisam ser explicadas para quem tem acesso a esse percurso, a essa trilha que eu faço desde 2017. A gentrificação é um apagamento, ela apaga tudo. Ela não dá a oportunidade das pessoas sequer entenderem.

Essas coisas pontuais. E eu acho curioso também quando você fala que a maioria das pessoas que participam da sua trilha são estudantes de arquitetura e urbanismo, sendo que é um assunto que todo mundo deveria se interessar e saber, porque as pessoas que não são do bairro, não são dessa parte da cidade, elas vão olhar para cá e ver tudo isso aqui como um desenvolvimento, como algo bonito da cidade. Então, elas não...

Não vamos fazer ideia de toda a história que tem por trás, só dessa questão da gentrificação que até os próprios estudantes ainda não conhecem até participar da sua trilha, né? E aí, Diego, só pra gente encerrar esse bloco, a gente conversou até agora sobre os superprédios que eles vieram pra ficar e provavelmente vão continuar crescendo, né? Então...

Como é que a gente pode conviver com ele de uma forma sustentável? Como é que a gente vive nessa fortaleza que parece estar sendo pensada somente para poucas pessoas?

Eita, que cada pergunta... A pergunta parece assim, bota o capacete que lá vai em pedrada. Nem me prepara, né? Mas, gente, é muito difícil de responder uma pergunta como essa. Você acha que tem alguma forma de conviver de forma sustentável? Tem saída, né? Uma forma sustentável. Eu acho que a forma sustentável que a gente tem é lutar contra tudo isso. A gente tem aí já já... E aí

eu não sei se daqui até o ano que vem, mas possivelmente que sim, o novo prédio do lado da Igreja de São Pedro, uma área que era para ser uma ZEP, Zona Especial de Patrimônio Histórico, daquela igreja até essa, era para não se permitir mais se verticalizar, e olha o que aconteceu. Então a gente tem aí uma luta mesmo agora, já que está...

em tese sem jeito, então vamos dar o nosso jeito do lado de cá e participar mesmo, tentar construir esse conselho gestor, tentar parar a vida, soltar o baralho, soltar a novela para participar dessa construção junto com o poder público e, claro, sempre falando do poder público que a gente...

que é no nosso horário, não no horário dele, que tem que ser no nosso jeito, para que em 2100... O poder público está lá porque a gente colocou o poder público lá. Exatamente. Se a gente colocou ele lá, como nosso representante, a gente pode dizer qual é o horário que tem que ser discutido, e não é no horário comercial.

tem que ser num horário acessível. A gente tem aqui uma obra que demorou quase 20 anos, aqui do nosso lado, que é o Residencial One, que tem água filtrada aí, e o parque aqui com a água bem poluída do lado. E agora ficou... Antes mesmo do plano diretor, ficou...

Mais fácil, para quem é dono de construtora, eu acho que dá até para falar aqui Sinduscon, dá para colocar o Manelos Bois. Ficou mais fácil para o Sinduscon verticalizar a cidade do jeito que eles querem. E junto com o plano diretor, a gente também tem a lei de uso e ocupação do solo, que possivelmente a luz vai ser votada esse ano e é outro instrumento, outro documento.

que pode ser do mesmo jeito que foi o plano diretor, participativo e sustentável, que está faltando um participativo sustentável aí na sigla.

o PDPS ficou só PD ficou só plano diretor porque o que a gente elaborou durante mais de uma década não entrou do jeito que era para entrar inclusive novos parques microparques áreas aí também que deveriam ser mais protegidas foram meio que entregues para verticalização independente de onde sejam mas principalmente no entorno de áreas ambientais לא

E novas fronteiras vão ser abertas. Novas fronteiras vão ser abertas. Vai chegar um momento em que na Beira-Mã não vai mais ter onde construir. Essa região do Grande Mucuripe já está bastante adensada. Mas, onde é que entra o papel das ex aí? É bastante adensada, mas ninguém tem o papel da casa. Todo mundo tem posse da terra, mas não é o dono da terra, que são duas coisas diferentes.

Você vai ser dono da terra quando tem escritura, você só é pulseiro. O pulseiro sai muito fácil. É só declarar a área de utilidade pública, como aconteceu aqui. Ele sai muito fácil, porque ele não tem como comprovar que é dono daquela terra. Porque para isso precisa ter o básico, que é a regularização fundiária. O nosso tema da especulação imobiliária se volta para a regularização fundiária. Enquanto não tivermos essa...

Ao contrário de concentração, é descentração. Distribuição de renda, melhor aplicada, a gente vai continuar ainda vendo que pouca parcela da sociedade vai conseguir morar num prédio desse, de 14 milhões de reais.

Cuida a Criatura é um veículo jornalístico independente, nascido e criado na Terra da Luz, o Ceará. A gente fala de jornalismo ambiental do jeito que ele tem que ser, desenrolado. Com as doses certas de crítica e gaiatice, a gente coloca a juventude no centro das pautas mais quentes e ainda lança um convite. No meio dessa crise climática toda, meu povo, a gente não pode dormir no ponto. Cuida a Criatura! Se tu curte a proposta, considere apoiar o nosso trabalho.

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Voltamos no intervalo e nesse meio tempo já foi o suficiente para construir mais 10 superprédios bem onde a gente está brincando, meu povo. Foram só aprovados mais 10. Se bobear, constrói um superprédio aqui em cima da nossa cabeça. Não pode nem dormir no ponto.

Meu povo, se de um lado há imóveis de luxo sendo construídos em prédios gigantescos numa área muito concentrada da cidade, do outro lado milhares de fortalezenses não têm sequer onde morar ou ainda vivem em lares precários. Fortaleza tem um déficit habitacional de mais de 200 mil moradias. A feitura não arrecada o que deveria arrecadar.

com esse tipo de investimento, de empreendimento. Esses prédios não servem ao déficit habitacional, são edifícios de alto padrão, são destinados a super ricos daqui.

tem compradores nacionais, internacionais e tem investidores, tem uma dinâmica chegando aqui em Fortaleza, que é as unidades para Airbnb, que já foi problema na Europa, que está sendo problema em São Paulo e que vai ser problema aqui também, não tem impacto no déficit habitacional da cidade, não se destina também para a camada da classe média que quer comprar suas moradias também, são prédios de alto padrão para enriquecer incorporadoras.

E falar de superprédios é complexo, porque mistura muita coisa. É meio ambiente, planejamento urbano, direito à cidade, direito à moradia, mobilidade urbana, pertencimento comunitário, memória, história, vínculos pessoais. É muita coisa. É chão, minha filha. É um amigo. Impacta na drenagem urbana, impacta no microclima da cidade. Sem falar que são prédios que...

constroem muitas vezes paredões de estacionamento no terreno. Esses paredões não são amigáveis, não são acolhedores, criam uma rua ali que é totalmente impessoal. Isso também tem impacto na vivência e na experiência urbana. Então tem uma série de problemáticas. Se isso acontecesse de forma pontual...

um superprédio aqui e ali, que estivesse arrecadando dinheiro e tal, isso aí está tudo bem, está previsto na dinâmica da cidade, os empreendedores também querem investir, mas da forma como acontece hoje, ela acontece sob esse símbolo que é o mercado pautando a todo momento o desenvolvimento urbano, prejudicando, causando uma série de impactos negativos.

no ao redor e em escala municipal, né, em termos de investimento. E isso acontece porque é assim que a banda toca, né.

Então, Diego, você é guia de turismo. O meu do Arcer Mucuripe, você promove trilhas que mostram uma fortaleza para além dos mega hotéis de luxo, um turismo que é muito além de só sol e praia, né? Então, na tua avaliação, fortaleza é que cria demanda por esse tipo de turismo ou é o contrário? É fortaleza que está sendo moldada a esse tipo de demanda.

Desde a década de 1960, quando aparece o primeiro guia turístico da cidade, até de forma forçada, que Fortaleza é moldada para esse tipo de turismo, que até hoje é muito vigente. É um turismo que também não promove um pouco, ou deveria promover, mas não promove a consciência ambiental.

no lugar de deixar lixo, deixa pegadas. O ideal seria esse, no mundo ideal seria só as nossas pegadas, mas o turismo de massa também contribui para a especulação imobiliária. A gente abriu a nossa cidade, o nosso estado, principalmente com o apoio das novelas que foram gravadas aqui.

Essa frente para que o Ceará fosse explorado e a exploração, ela também passa pelo turismo de grandes hotéis, de grandes resorts. E Fortaleza não foi diferente. E lá da década de 60 para cá, nada mudou. O mesmo turismo ainda é praticado, ele ainda é...

perpetuado e em detrimento de outros tipos de turismo que deveriam ser tão fomentados quanto, né? O turismo de baixa unitária, o turismo de museus, o turismo mesmo ambiental, ecológico, sabe? Deveriam ter tantos investimentos como o turismo de massa.

E foi entendendo, compreendendo que esse turismo de massa é nocivo, que eu fui na contramão do turismo. Talvez um dos poucos, porque...

Das duas uma, ou você vai se adaptar ao que você tem, ou você vai lutar contra, né? Ou entender e lutar um pouco contra e fazer o seu turismo como você tenta fazer, né? Que no meu caso, o que eu faço aqui praticamente não é feito em nenhum lugar da cidade de Fortaleza. Eu queria muito que os outros guias de turismo, os turismólogos profissionais de turismo Então...

trabalhassem também essa vertente da cidade que se verticaliza, porque uma coisa vai puxando a outra, você não tem como estudar o prédio sem estudar especulação imobiliária, sem estudar gentrificação, sem estudar o direito à cidade, eu acho que está tudo integrado. Então, eu fui meio que na contramão da minha formação superior e técnica. Eu decidi ir um pouco além.

Não quero ser o único, porque eu acho que quanto mais gente entendendo e explicando e usando essa narrativa para que ela seja acessível à cidade, quanto mais gente, melhor. E o turismo de Fortaleza é isso.

3 praias em um dia, 4 praias em um dia, 20 praias em um dia, gente, é humanamente impossível você conhecer um lugar e conseguir falar com alguém, entender os problemas também de como são tão comuns, o que acontece com o Canão Quebrado, é muito comum a Fortaleza o que acontece com Jericoacoara, Amontada, Icarazinho de Amontada

é praticamente o que já aconteceu com Fortaleza, tem uma semelhança muito grande. Então aqui a gente já assistiu isso, concretizando, o turismo meio que já apagou um pouco do nosso identitário.

Agora a gente vê isso acontecendo com o resto do litoral. Como alertar esse povo, essas comunidades, quando ainda falta tanta coisa para elas entenderem, até entenderem essa problemática de para quem a nossa cidade é construída. Então, o turismo me ajudou a ter uma formação.

que foi de um jeito e as minhas outras experiências paralelas, como fazer parte de uma ONG, ser voluntário, para diversos outros projetos da comunidade, me levou para o outro caminho, mas que se complementam. Sem a formação em turismo, eu jamais faria o que eu faço hoje. Eu acho que foi importante.

passar por essa formação, mas tem muita coisa que eu hoje reproduzo de uma forma diferente para que quem está nascendo agora tenha acessibilidade, que eu não tive acessibilidade na minha formação, de saber que tinha outros caminhos, mas hoje eu crio essa rota para outras pessoas também terem oportunidade. Então, é um trabalho que eu faço de forma independente,

mas que todo dia eu tiro um pouquinho de motivação. Estar aqui com vocês é motivante, me motiva, porque se eu tivesse inventado de fazer esse trabalho pelo dinheiro, no primeiro mês eu tinha desistido.

lá em 2017, mas eu não fiz pensando nisso, eu fiz pensando nas coisas que eu tinha passado, que eu tinha vivenciado, que eu tinha acessado, e como eu repasso isso para quem ainda vai nascer. O acervo, ele nasce de uma certa forma indignação, né? Se eu criei esse projeto, é porque eu imaginei que o meu território tinha várias identidades, e eu queria saber por que tantos nomes, né?

Murcuripe, Cais do Porto, Vicente Pinzon, depois eu fui entender que tudo isso era uma área só, integrada, adensada, violentada também, por conta da especulação, porque foram colocados de lado, ou seja, empurrados para cima do morro, e assim chegam lá no bairro Casperska, que é o prédio futuro, e sem ter...

tido essa curiosidade de entender, mas por que o nome Mucuripe? Talvez eu não tivesse chegado no que eu cheguei. E, Diego, quando a gente pensa em soluções, a Carolina Guimarães, que foi a outra entrevistada da gente, ela contribuiu falando que a gente precisa debater a cidade, debater o que é desenvolvimento e debater o que é progresso. Então, o que é desenvolvimento para você? Qual é a fortaleza que você quer ver para as futuras gerações?

Eu acho que desenvolvimento para mim é inclusão. Eu estou falando da inclusão no modo geral. Tem que incluir todo mundo, formar todo mundo, capacitar todo mundo, usar os meios, inclusive. Eu acho que a gente hoje dialoga com vários meios ao mesmo tempo, seja de rádio, seja de internet, seja de TV. Então dá para incluir informação e direcionar informação para as...

pessoas também acessarem e verem que existem outros trabalhos sendo construídos no paralelo, no sentido, por exemplo, vamos utilizar audiências públicas do plano diretor participativo. Não teve uma divulgação na televisão.

As redes sociais, o público jovem acessa, beleza, mas até ele também... O algoritmo entregar isso para ele tem uma outra questão. Então, como é que a dona de casa vai saber que está tendo reunião, que vai mudar o futuro da comunidade que ela mora? E não só ver que vai ter essa divulgação, mas entender...

e saber que aquilo é importante para o futuro dela. Então, a inclusão passa pela informação. Então, acho que... E a informação contextualizada. Contextualizada. Porque, no caso, explicar o plano diretor é algo que define o que é Fortaleza. Beleza, mas usando esse exemplo que você deu da dona de casa, o que a dona de casa vai fazer com isso? Por que isso é importante para ela? Então, inclusive, isso é algo que a gente tenta fazer aqui no Cuida, de tentar destrinchar essa informação para que a pessoa entenda Ah, então isso impacta na minha vida.

de forma X, Y e Z, né? A gente tá falando sobre superprédio, mas passa por isso, isso e isso, enfim. A informação contextualizada, né?

Exatamente. Tem que incluir todo mundo. E abraçar todo mundo. Eu sei que é difícil, mas as pessoas estão com os celulares nas mãos da hora que elas acordam até a hora que elas dormem. A gente tem ainda o auxílio do outdoor, a gente tem agora as novas mídias do lado das paradas de ônibus. Será possível que a gente não consiga comunicar de uma forma eficiente o rádio dentro do ônibus?

O Cuida no Podcast. O Cuida no Podcast. Será possível que a gente não consegue?

fazer com que essa informação chegue para essa camada da sociedade. Então, assim, eu acho que dá para repensar bastante coisa, né? De como a gente gostaria que acontecesse. Isso. E já encaminhando aqui para o final do nosso episódio, que rendeu muitas discussões, inclusive já deixo o espaço para você falar alguma coisa.

que não tenha sido contemplada, algum agradecimento especial que você queira fazer. Mas eu queria encerrar, Diego, a entrevista perguntando quem quiser conhecer ou contribuir mais com o trabalho do Acervo Mucuripe, como é que pode fazer.

O acervo está nas redes sociais, em várias redes sociais. Tem o YouTube, para que as pessoas possam ver a websérie que foi produzida com recurso público estadual, através da Secretaria da Cultura, tem três episódios. Tem as revistas para elas fazerem o download e fazerem circular nos grupos de WhatsApp. Onde é que eles encontram essa revista e qual é o nome do canal? O canal é tudo um nome só.

canal no YouTube, acervo Mucuripe, Instagram, acervo Mucuripe, revista Mucuripe, a revista do acervo Mucuripe, se vocês colocarem no Google, vocês vão ver lá. Então, tem várias outras coisas que foram elaboradas e que podem ser também...

feitas novas parcerias, por que não? Eu acho que quem conhece a realidade do acervo e já visitou o acervo também vai descobrir que o espaço é a minha casa, vai descobrir que eu abro as portas na minha casa para todo mundo, sem exceção, esquerda, direita, centro, em cima, embaixo. Eu acho que dentro desse espaço tão pequeno, dá para a gente falar sobre história, memória, política sim, porque tudo é político.

tudo é político, a transformação do espaço urbano é político, é contextualizado também de forma política, e dá para dialogar de forma tranquila e saudável, mesmo ainda com as divergências, porque o que interessa é a formação social e essa formação cidadã, que eu não tive acesso, mas eu quero que todo mundo acesse a partir...

A partir de 2017 até o dia que eu continuar fazendo, que eu aguentar. E para quem está aqui em Fortaleza, está interessado em participar do Trilhas Urbanas, os circuitos que você faz aqui pelo Mucuripe, como é que acessa, é programado, tem que agendar?

As trilhas urbanas foram, durante cinco anos, gratuitas. Então, a cota social já deu, né, gente? Quando eu entendi que isso era um trabalho, senão agora tem muitas faculdades, muitos grupos, muitos coletivos demandando isso. Aí eu comecei, para não desistir, de cobrar um valor de R$25,00 por pessoa, para três, quatro horas, andando dentro da comunidade. É muito tempo, porque aí você consegue ter uma...

Uma noção do que realmente é a comunidade por trás desses prédios, um pouco mais afastada dessa venda beira-mar. Dá um gostinho para o público do que eles veem nessas trilhas urbanas. Eles conhecem o farol do Mucuripe, dependendo da trilha, se é só pela parte baixa. Conhecem o mirante de Santa Terezinha, acessando as escadarias que o meu primo, o Berim e o Pig, do coletivo Farol Encantado, pintaram.

Ex-alunos como eu de escola pública, que hoje também fazem esse trabalho de memória voltado para essa parte urbana, visual, para dar um pouquinho mais de pertencimento a esses moradores que às vezes não gostam do lugar que eles moram, pois a gente passa também por essas escadarias, que são 18 escadarias, só que a gente só passa por duas ali no meio do caminho, que são as pintadas, duas, três ou quatro pintadas.

passa também pelo Riacho Maceió, a gente entra pelo caminho do Rio, sem ser esse caminho aqui da ponte, a gente entra mesmo numa imersão literalmente, só que passando por cima da parte de cimento, além da beira-mar, mercado dos peixes, igrejas, a gente passa pelos becos, tem muita gente que nunca conheceu um beco na vida, então é a hora de conhecer um beco, e de ver como as pessoas se organizam.

E o grupo mínimo, né, a partir de 15 pessoas, 25 reais, e elas dizem qual dia que elas podem, né, se elas puderem na semana, eu tento dar um jeito de ir na semana, ou se não, o dia que eu mais gosto de fazer é um sábado de manhã, porque aí a gente já faz turismo sem pressa, porque não existe turismo, né, três praias em um dia pra conhecer alguma coisa, né, se você quiser realmente conhecer algo da comunidade e perceber os vários sinais, que tem muitos sinais, né.

tem que fazer um turismo sem pressa e, claro, não é... Eu queria que fosse acessível, mas não é, porque a gente sobe escada, a gente atravessa o muro do VLT, a gente sobe rampas, sobe avenidas íngremes.

E esses lugares ainda não são trabalhados para a acessibilidade de pessoas que têm mobilidade reduzida ou idosos, mas é a cidade que foi construída para nós. Então eu faço eles vivenciarem um pouco.

dessa nossa rotina, entendendo tudo isso com direito à cidade e essa memória que ainda é muito presente das pessoas que ainda se disponibilizam da comunidade também para falar. Muito que bem. Então, se você ficou curioso para conhecer o trabalho do Acervo Mucuripe, se você ficou curioso para conhecer esse lado da Fortaleza que nem todo mundo tem acesso, então é só procurar Acervo Mucuripe.

no Instagram, no YouTube, conferir lá a programação das trilhas urbanas e agradecer demais aqui a participação do Diego de Paula, que topou participar aqui da nossa entrevista. Agradecemos demais, Diego, parabéns pelo trabalho e continue levando adiante a história e a memória do Mucuripe para todos que quiserem ouvir.

É sempre muito gratificante falar para todo mundo que entra em contato comigo, porque eu sei que eu estou dando voz àqueles que...

não fizeram esse percurso que eu fiz, isso eu estou falando aos moradores da minha comunidade, que ainda não acessaram também o nível superior, então eu acho que eu tenho esse débito com a sociedade de compartilhar aquilo que eu aprendi ao longo desses meus últimos 15 anos, de pesquisa em turismo, em memória, em arte, e é o espaço que eu tenho.

aqui, muito precioso de fazer com que isso se dimensione para todos aqueles que acompanharem o Cuida Criatura e deixo aqui a sugestão para todo mundo já, né? Seguir esse canal aí nas redes.

Isso, a gente está no Instagram e também estamos em todos os tocadores de áudio. E mais uma vez eu queria reforçar o agradecimento à tua participação, a compartilhar a tua experiência, porque eu acho que não teria uma pessoa melhor para falar de um Mocuripe como você. Toda a pesquisa que você fez, toda a sua experiência e trabalho que você tem feito, é muito admirável, espero que você continue, que tenha outras pessoas para passar a tocha adiante.

E parabéns, tá? E a gente também deixa aqui o nosso agradecimento à Carolina Guimarães, que vocês ouviram aí ao longo do episódio, em algumas sessões de áudio. E também lembrando que, para se aprofundar no assunto dos superprédios, não deixem de conferir a entrevista estendida com a Carol, que está na segunda edição da nossa newsletter, a Sem Arrudeios. E ela já está disponível no nosso sub-stack, cuidem conferir na íntegra.

Aproveitando o momento de divulgação, também pedi para vocês não esquecerem de acompanhar o nosso Instagram para ficar por dentro de todas as novidades. É o arroba cuida.criatura, repetindo, arroba cuida.criatura. Vai seguir, comenta.

Deixa a tua sugestão, teu feedback, elogio, crítica. A gente quer ouvir você. A gente quer saber se tu tá gostando da nova temporada, se tu tem alguma sugestão de pauta. Enfim, deixa lá o teu comentário no nosso inbox ou nos comentários mesmo, que a gente vai conferir com todo carinho, tá certo? E é isso, meu povo. Vamos ficando por aqui. Obrigado pela companhia. E próximo mês a gente se encontra por algum ponto de Fortaleza pra desbravar mais alguma pauta, mais algum tema sobre meio ambiente.

do jeitinho desenrolado que só o Cuida Criatura faz. Se você tiver alguma sugestão de assunto, algum ponto da cidade que queira que a gente visite, deixa aqui nos comentários que a gente vai dar uma acatada nas propostas, tá? Pois é isso, pessoal. Um beijo e tchau, tchau. Cuida! Cuida!

Créditos, produção, Gabriel Matos e Carice Marques. Roteiro e entrevista, Gabriel Matos e Carice Marques. Apoio técnico, Bernardo Maciel e Ana Alice Freire. Edição de som, Carice Marques. Oi da criatura!

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#74 - Diêgo di Paula: “Cada prédio erguido é uma identidade a menos” | Castnews Index — Castnews Index